Em busca do pensamento livre.

Segunda-feira, 06.03.17

 

 

 

Diz o Público que "a reestruturação da função pública vai ter limites às progressões e que para subir na hierarquia do Estado vão ser precisos prémios e promoções". A ideia arrepia e compreende-se a apreensão dos que falam do regresso da cultura Lurditas D´Oiro. Por favor: isso não! O "dividir para reinar" com um suposto mérito-para-as-massas é aterrador. Dá ideia que a patologia kafkiana (para ser brando) passou dos bastidores para a primeira linha. Se há pessoas com memória curta, obriguem-nas a ver o "Eu, Daniel Blake".

 

Captura de Tela 2017-03-06 às 14.17.10

 

 



publicado por paulo prudêncio às 14:17 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 01.02.16

 

 

 

 

Em 2005, o PS neoliberal iniciou a confessada guerra aos professores da escola pública. Encontrou uma inesperada resistência e foi perdendo batalhas. Em 2009, já em desespero e contra aquilo que ridiculamente considerava uma coutada comunista, destruiu um modelo de gestão que ia na primeira década de vigência, e de maturidade, e avaliado com nota muito positiva pelo próprio MEC. Lurdes Rodrigues criou a cadeia militar (assim classificada pela própria) com o controle vertical de directores escolares que ficaram também dependentes do pior da partidocracia local e de um método de selecção que exige júris qualificados e não imaturos. A PàF manteve, obviamente, o núcleo do processo e aguardam-se as ideias do "novo" PS onde coabitam Lurditas D´Oiro com públicos opositores ao devaneio (Santos Silva, por exemplo, que foi Ministro da Educação).

 

O blogue ComRegras publica os resultados de uma sondagem "concorda com o método de eleição do Diretor do Agrupamento/Escola?". O método actual é rejeitado pela maioria dos inquiridos. Obtém a última posição como se observa na imagem. Tem aqui a ligação ao post com uma análise do Paulo Guinote.

 

19230835_NkLyO.png

 



publicado por paulo prudêncio às 17:46 | link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Domingo, 10.01.16

 

 

 

Precisemos alguns argumentos: o sistema foi sujeito durante quatros anos a políticas de radicalismo ideológico para além da troika e é natural que o período seguinte seja de eliminação desse desastre cratiano. Como o processo cratiano sucedeu à tragédia lurdiana, calamidades comprovadas e confessadas, as mudanças urgentes são inúmeras. Seria incompreensível a imutabilidade.

 

Por que será, então, que a escola portuguesa está permanentemente em ebulição reformista?

 

Há, desde logo e há muito, duas constantes: temos grupos na primeira linha em todas as áreas e não conseguimos eliminar o abandono e o insucesso escolares. Ou seja: o aumento de pessoas na primeira linha tem uma proporcionalidade directa com a quantidade da classe média, como foi evidente no período que antecedeu a bolha imobiliária de 2008 e que se iniciou em meados da década de noventa do século XX; ponto final parágrafo.

 

Eliminar os exames, anuais e gerais, do 4º ano é óbvio por motivos mais do que conhecidos. Introduzir provas de aferição no 2º ano, anuais e gerais, é da família que nos trouxe até aqui. E porquê? Porque remete para o ensino responsabilidades que são da sociedade ausente quando o argumento é a detecção de dificuldades que levam à exclusão. Neste sentido, esta prova de aferição é completamente dispensável mas servirá o discurso político mainstream numa democracia mediatizada que é incapaz de responsabilizar a sociedade pela educação das crianças.

 

novas_respostas1.gif

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 19:28 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 09.10.15

 

 

 

 

A campanha da (do?) PàF foi preciosa. Reconheça-se. Provavelmente, um dos membros, o PR, precipitou-se com os primeiros resultados e contagiou os especialistas a entrarem no merecido descanso. Fiquei com a impressão que Crato passou a "marqueteiro" de serviço e só por isso escapo ao prometido: não voltar a escrever sobre o sacrificado ainda ministro.

 

Sabe-se que Crato tem créditos, teóricos e empíricos, antigos na propaganda: digamos que políticos e académicos. E não será por acaso que nos dias seguintes às legislativas a comunicação social foi inundada por estudos internacionais "alucinados" em confirmar as epifanias de Crato ou em preparar o congelamento dos professores para além do congelamento geral.

 

Olhe-se para o resultado de uma breve pesquisa que também agradaria a uma qualquer Lurditas D´Oiro:

 

"Crato diz apenas que o seu trabalho na educação "vai manter-se". Ministro não respondeu se irá ou não manter-se no cargo." Diz o Público de 06/10/2015.

 

"Professores portugueses entre os que mais recebem em relação à riqueza do país. Conclusão é de um relatório europeu, segundo o qual os salários estão acima do PIB per capita, mas o estudo tem em conta vencimentos nominais, não contabilizando as sobretaxas que baixam o vencimento dos funcionários públicos." Diz o Público de 05/10/2015.

 

"Escolas privadas mal classificadas nos rankings fecham, públicas não. Fosso entre estabelecimentos de ensino públicos e privados aumentou ao longo dos anos, revela estudo da Nova de Lisboa." Diz o Público de 08/10/2105.

 

"Sucesso escolar não depende da dimensão das turmas, o segredo está no professor. Investigadora norte-americana analisou o sistema educativo português. O estudo “ O Quinto compromisso” (às tantas é mais Quinto Império, digo eu) é apresentado quinta-feira." Diz o DN de 07/10/2015.

 

"Mais avaliação para alunos e professores portugueses, defende estudo norte-americano. Metas bem definidas e avaliações sequenciais para analisar a progressão dos estudantes. Sucesso dos alunos deve influenciar avaliação dos professores." Diz o Público de 07/10/2015.



publicado por paulo prudêncio às 12:48 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 02.06.15

 

 

 

 

Nuno Crato, esse misturador do "além da troika" com o Eduquês II, aumentou o número de alunos por turma, cortou a eito em tudo o que achava não estruturante e acentuou a infernização da profissionalidade dos professores. Para além disso, criou, ou permitiu, uma catadupa de exames acrescentados, em alguns casos, de apoios no período pós-lectivo para as crianças com negativas. Os resultados do conhecido mais do mesmo são inequívocos: "foi uma espécie de engodo".

 

Achar que se recupera crianças com apoios entre Junho e Julho testados por uma segunda fase de exames, é algo só ao alcance do mix referido. Turmas mais pequenas, apoios ao longo do ano e professores motivados são ideias despesistas.

 

Não sei se podemos criar algum optimismo.

 

Parece que se prepara uma nova vaga centrada no conjuntural, e justo, "novas oportunidades". Ou seja, nem uma linha sobre a redução do número de alunos por turma, sobre a reposição da sensatez nos currículos e na profissionalidade dos professores ou sequer nessa coisa de "somenos" que é o ambiente democrático das escolas (os socialistas mais socráticos e lurditas d´oiro fascinaram-se com o modelo GES/BES/BCP/BPN/BPP).

 

Dá ideia que não se mexe nisso para se eternizar a necessidade de "novas oportunidades". É que nem algumas pessoas da ciência se convencem mesmo que só terão alunos se aumentarem a base no ensino não superior "regular" e num profissional digno.



publicado por paulo prudêncio às 11:16 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 19.07.14

 

 

 

 

O tratamento dado aos professores pelos últimos governos é de tão baixo nível que já faltam adjectivos.

 

Quando somos alvo de várias injustiças, e ainda por cima frequentes e prolongadas no tempo, ficamos ainda mais atentos. Para além de nos termos confrontado com um coro generalizado de Lurditas D´Oiro, tivemos agora que gramar com Cratianos e Silenciosos.

 

Estou a raciocinar por indução através da leitura do badalado texto de hoje, no Público, de Pacheco Pereira sobre a prova de ingresso para os professores contratados. A crónica é forte e justa. É claro que o Lurditas D´Oiro não dá opinião sobre a justeza da prova e nem foi isso que me chamou à atenção. O que me pica a derme é o silêncio "socialista-e-da-esquerda-congénere" que faz do texto de JPP uma voz isolada no mainstream. Já devia estar habituado, sei disso.

 

Do tal texto retirei o seguinte (ponham os cintos; o bold é meu):

 

 

"(...)A história mais recente e que me fez escrever este artigo foi a desfaçatez do truque que o Ministério da Educação usou para marcar os exames aos professores com três dias úteis de pré-aviso, caindo do céu da surpresa no fim de Julho, com grande estrondo. Na verdade, são teoricamente cinco dias, o mínimo exigido por lei, mas só teoricamente. O truque foi pré-assinar um despacho em segredo, no quinto dia divulgá-lo no Diário da República a contar do dia da sua assinatura, para que na prática faltassem, após o anúncio ser conhecido, apenas três dias úteis até ao exame, 17, 18, e 21 de Julho. Professores que já estavam a receber o subsídio de desemprego, que já estavam de férias, e que não sabiam que iam ter um exame para que é suposto prepararem-se, cai-lhes em cima uma data que é já praticamente amanhã. Nem o gado é suposto ser tratado assim, mesmo quando vai para o abate.(...)"

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 19:40 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
Discordâncias:
Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
arquivo
comentários recentes
Vale a pena.
Nem mais. O Trump continua no domínio para a foto.
A História permite essa conclusão pessimista, mas ...
Muito interessante. Vou ver.
ou o recente empurrão ao PM do Montenegro para Tru...
ligações
posts mais comentados
tags

antero

avaliação do desempenho

bancarrota

blogues

campanhas eleitorais

cartoon

circunstâncias pessoais

coisas tontas

concursos de professores

contributos

corrupção

crise da democracia

crise da europa

crise financeira

desenhos

direitos

economia

educação

efemérides

escolas em luta

estatuto da carreira

falta de pachorra

filosofia

fotografia

gestão escolar

história

humor

ideias

literatura

movimentos independentes

música

paulo guinote

política

política educativa

professores contratados

público-privado

queda de crato

rede escolar

ultraliberais

vídeos

todas as tags

favoritos

bloco da precaução

pensar o sistema escolar ...

escolas sem oxigénio

e lembrei-me de kafka

as minhas calças brancas ...

as minhas calças brancas ...

reformas e remédios (1) -...

sua excelência e os númer...

subscrever feeds
blog participante - Educaá∆o - correntes .jpg
Por precaução
https://www.createspace.com/5386516
mais sobre mim
Razões de uma candidatura
https://www.createspace.com/5387676