Em busca do pensamento livre.

Terça-feira, 23.05.17

 

 

 

Rafael Valladares, historiador espanhol, tem um livro sobre a restauração da nossa independência. "A Independência de Portugal - Guerra e Restauração 1640 - 1680" é o título da obra, editado pela "A Esfera dos Livros".


"Ao contrário do que dizia a historiografia nacionalista dos séculos XIX e XX, a Restauração não foi um movimento geral da nação portuguesa contra Castela e muito menos contra a Espanha. Foi uma revolta das elites portuguesas, principalmente uma parte da nobreza e da Igreja, que viam os seus privilégios, e "liberdades", como eles diziam, atacadas pela política reformista de Filipe IV"

"O que triunfou em Portugal foi uma economia senhorial, de rendas, e que não privilegiava os investimentos nem nada que fosse inovador".

 

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Sábado, 13.05.17

 

 

 

Saltar de uma obra literária para as notícias da actualidade transporta um sabor de continuidade. Mais ainda quando cruzamos páginas do "Submundo" da sociedade norte-americana do século passado (anos oitenta e noventa) com o passado recente português.

Sabe-se, e que mais se saberá, que houve fundos de alto risco que ganharam milhões com a queda das acções do BES. Também se soube que a santa casa da misericórdia foi providencial nos empregos para os assalariados do antigo arco governativo, cabendo a vez à direita. Ora leia a passagem seguinte e veja lá se não encontra analogias nesta ecologia.

 

 

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DeLillo, Don (2010:91). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.



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Quarta-feira, 10.05.17

 

 

 

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Domingo, 30.04.17

 

 

 

A poesia de Rainer Maria Rilke não é fácil. Exige leitura repetida. O resultado é sublime. É um dos meus poetas preferidos. Uma das suas obras maiores, "As elegias de Duíno", confunde-se com a aura do local onde o poeta a iniciou: o castelo de Duíno, que se situa perto da cidade de Trieste sobre o mar Adriático. Deixo-vos uma parte - na tradução de Maria Teresa Dias Furtado - da primeira elegia.

 

  

Se eu gritar quem poderá ouvir-me, nas hierarquias

dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse

para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua

natureza mais potente. Pois o belo apenas é

o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,

e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha

destruir-nos. Todo o Anjo é terrível.

 

Por isso me contenho e engulo o apelo

deste soluço obscuro. Ai de nós, mas quem nos poderia

valer? Nem Anjos, nem homens,

e os argutos animais sabem já

que nós no mundo interpretado não estamos

confiantes nem à vontade. Resta-nos talvez

uma árvore na encosta que possamos rever

diariamente; resta-nos a rua de ontem

e a fidelidade continuada de um hábito,

que a nós se afeiçoou e em nós permaneceu.

 

Oh, e a noite, a noite, quando o vento, cheio de espaço do universo

nos devora o rosto -, por quem não permaneceria ela, a desejada,

suavemente enganadora, que com tanto esforço se ergue em frente

do coração isolado? Será ela para os amantes menos dura?

Ah, um com o outro eles se ocultam da sua própria sorte, apenas.(...)



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Sexta-feira, 21.04.17

 

 

Nota: "(...)O fármaco da dura austeridade, como observaram vários economistas, em vez de curar o doente, enfraquece-o de modo ainda mais implacável. Sem se interrogarem sobre os motivos que levaram as empresas e os Estados a endividarem-se - estranhamente, o rigor não faz mossa à corrupção que prolifera e aos chorudos ordenados de ex-políticos, administradores, banqueiros e conselheiros! -, os múltiplos orquestrares desta deriva recessiva não estão nada perturbados com o facto de serem sobretudo a classe média e os mais cadenciados a pagar(...). Não significa que se fuja estupidamente à responsabilidade da situação. Mas também não é possível ignorar a destruição sistemática de qualquer forma de compreensão e de solidariedade, pois os bancos e os credores exigem sem piedade, como Shylosk em O Mercador de Veneza, o arratável de carne viva a quem não consegue regularizar a dívida.(...)". Nuccio Ordine (2013:07), "A utilidade do inútil", Faktoria de Livros.



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Um título sugestivo como manual para a sobrevivência no estado organizacional das escolas portuguesas. Mas a leitura transporta-nos para outras paragens. É uma obra interessante.

 

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Segunda-feira, 17.04.17

 

 

"Não fiquem cansados tão depressa: o mal é mais tenaz do que o bem", é o título de mais um texto muito interessante de Pacheco Pereira. O discurso sobre o mal vem a propósito de "Trump é um perigo de dimensões mundiais e pode conduzir o mundo ao patamar de uma guerra". 

A contenda entre o mal e o bem continua sobreaquecida. O bem, e quem o promove, é odiado pelo mal que é persistente e usa disfarces sofisticados. É preciso estar atento, parece-me a preocupação mais evidente do texto de JPP. Miguel Real (2011:113), na "Nova teoria do mal", Lisboa, D. Quixote, tem uma passagem interessante, mesmo que algo pessimista:

"(...)O bem corresponde, assim, a tudo o que contribua, num tempo e num espaço civilizacionais, para a perseveração integral da especificidade de um ser, e o mal a tudo o que o impeça, frustre ou destrua. Na tensão entre a preservação e a destruição, só existem equilíbrios provisórios, não permanentes, o mal impera e vence sempre.(...)"



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Segunda-feira, 10.04.17

 

 

 

Maria Helena da Rocha Pereira (1925-2017)

 

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Terça-feira, 07.03.17

 

 

 

Os totalitarismos estabelecem-se através de leis. Desde logo, com as que são impossíveis de cumprir. Com a velocidade legisliva, é natural que os destinatários se interroguem com a vigência. Faz tempo que o direito abandonou a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso". Nesse sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos juízes continuam a ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja, para além das normas deve considerar-se cada caso em si e também a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

 

Importa sublinhar que os totalitarismos não se estabelecem sem a "presença" (nem que seja por alheamento) da maioria das pessoas. As sociedades vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem. Desde logo, e como foi dito, pela construção de leis impossíveis de cumprir, mas também por práticas anti-democráticas. Podemos pegar em muitos exemplos. São casos de "impossibilidade" que criaram um estado de sítio legislativo. Em muitos casos, só o fingimento permite o "cumprimento" legal.

 

Para a partilha no facebook acrescentei:

 

Estranhei o conteúdo inocente na SIC (nem sabia e recorri à box). Um juiz tão naïf? E esta mediatização agora? Este nonsense? Acabei de ler a entrevista ao Expresso (dada antes da outra) e percebi muito mais. "Querem afastar-me de tudo; estou cercado; sou escutado; tenho manuais de espiões à porta; decidi falar; são alocados tostões à justiça e milhões à recuperação bancária". Sim; o Juiz Carlos Alexandre pode ser acusado de estar aos papéis em alguns processos, e daí a mediatização, mas a sua narrativa é tão interessante. Sei lá: aconselho a obra maior de Laurence Sterne (e da literatura), "A vida e opiniões de Tristram Shandy". Nota: quando, e durante meses, ou anos, a fio, ligamos a determinados amigos (mais ainda se forem bloggers) e as chamadas são ruidosas e difíceis, e não raramente vão parar ao voice mail, significa que estamos a ser escutados? E anda uma pessoa a trocar de telefone e a dizer mal do hardware:)

Usei parte deste texto noutro post.

1ª edição em 16 de Setembro de 2016.

 

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Domingo, 12.02.17

 

 

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Contactei a primeira vez com a formulação em título nos conselhos, sensatos para aquele contexto, diga-se, para sobreviver nos comandos: não te distingas, sê discreto e passa o mais possível despercebido. Vem isto a propósito dos especialistas que aconselham a enésima reforma de sentido único do estado social e para a conversão à absolutização da estatística.

A sugestão para o tempo militar não subscreveu os modelos do tipo BPN ou BES. Nem as instâncias internacionais de supervisão detectaram milhares de milhões em fuga porque só tiveram olhos para a média; para o homem médio.

Para Quételet "(...)o homem médio é para a nação o que o centro gravidade é para um corpo(...)". Há quem entenda que se deve levar muito a sério esta metáfora. O homem médio pode resumir todas as forças vivas de um país, coligando-as numa espécie de massa única.

Os modelos assentes na obstinação estatística, e que socorreram a troika, advogam uma excelência da média como tal, seja na ordem do bem ou do belo: "(...)O mais belo dos rostos é aquele que se obtém ao tomar a média dos traços da totalidade de uma população, do mesmo modo que a conduta mais sábia é aquela que melhor se aproxima do conjunto de comportamentos do homem médio(...)", disse ainda Quételet quando reflectia sobre a génese dos totalitarismos. Ou seja, é fundamental que as políticas olhem mesmo para além da média antes que esta se desloque para o extremo de mais baixos rendimentos.



publicado por paulo prudêncio às 22:22 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

Cavaco Silva foi célebre na "apresentação das memórias" sobre o tempo recente. O livro terá como título "Quinta-feira e outros dias". Aguarda-se, e já agora estranha-se o atraso, o livro de memórias sobre o tempo do BPN e das suas companhias como primeiro-ministro e chefe do PSD. Ou será que Paula Rego foi premonitória no revisionismo?

 

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"Na companhia de mulheres". Paula Rego.



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Sexta-feira, 03.02.17

 

 

 

"(...)Baudolino estava de facto a contar a Niceta o que havia calado a Beatriz, ou seja, que estava a tornar-se um desses clérigos que estudavam as artes liberais em Paris, ou jurisprudência em Bolonha, ou medicina em Salemo, ou magia em Toledo, mas em parte nenhuma aprendiam os bons costumes, Niceta não sabia se havia escandalizar-se, espantar-se ou divertir-se.(...)"

 

Umberto Eco

Baudolino (2016:75)

Gradiva, Lisboa.

 

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Quinta-feira, 02.02.17

 

 

 

 

A nona elegia.


Porquê, se é possível viver o prazo da existência,
até ao seu termo, como loureiro, um pouco mais escuro do que
todos os outros tons de verde, com pequenas ondas no rebordo
da folhagem (como o sorriso de um vento) -: porquê então esta
forçosa existência humana -, e, evitando o destino,
ter saudades do destino?...

(continua)




Rainer Maria Rilke.
As Elegias de Duíno,
Tradução de Maria Teresa Dias Furtado,
Assírio & Alvim.



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Segunda-feira, 02.01.17

 

 

 

Com todos os riscos de quem retira do contexto uma passagem, não resisto a citar Ulrich Beck (2015:22) "Sociedade de risco mundial - em busca da segurança perdida", Lisboa, Edições 70,

 

"(...)o risco constitui o modelo de percepção e de pensamento da dinâmica mobilizadora de uma sociedade, confrontada com a abertura, as inseguranças e os bloqueios de um futuro produzido por ela própria e não determinada pela religião, pela tradição ou pelo poder superior da natureza, mas que também perdeu a fé no poder redentor das utopias.(...)".

 

A perda da "fé no poder redentor das utopias" indicia um risco de decadência se não se circunscrever ao inevitável cinismo com que a maturidade olha para a prevalência do mal. Se a descrença nas utopias e no combate às desigualdades atravessar todas as gerações, a decadência entranha-se; como a história, de resto, já nos explicou.

 

www.cartoonstock.com/cartoonview.asp?catref=cgo0149

 



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Sexta-feira, 30.12.16

 

 

 

"(...)A História distingue-se da Pré-História quando começou a informação escrita. Acho que daqui a 100 anos as pessoas vão olhar para trás e dizer que até ao segundo milénio estávamos na Pré-História. O que sabemos dos gregos é o que Heródoto e mais alguns escreveram. Mas só agora estamos finalmente a registar tudo e vai ser possível compreender muito melhor o presente.(...)"

 

 

Pedro Domingos, Revista do Expresso 

de 13 Agosto de 2016:23

Autor de "The Master Algorithm"



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Quarta-feira, 28.12.16

 

 

 

 

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Quinta-feira, 01.12.16

 

 

 

"A vegetariana" de Han Kang é o meu livro de 2016, mesmo que outro me surpreenda no que resta do ano. Numa conservadora atmosfera sul-coreana, Yeong-hye, "uma mulher absolutamente normal, que não era bonita nem feia, que fazia as coisas sem entusiasmo de maior, mas que nunca reclamava, e que deixava o marido viver a sua vida sem sobressaltos como ele sempre gostara", deixou, no dia em que teve um pesadelo terrível, de comer carne; e de a cozinhar. Provocou uma revolução relacional dentro e fora de casa. Terminou classificada como louca, como um qualquer Giordano Bruno. É um romance tão inesquecível que merece um segundo post.

 

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Sexta-feira, 04.11.16

 

 

 

 

Venho do imperdível e dilacerante romance de Han Kang, "A Vegetariana", e entro no prometedor "O Passageiro Walter Benjamin" de Ricardo Cano Gaviria. A literaratura é exigente mas inigualável. A construção da imagem do que vamos lendo é mesmo um exercício maior e isto escrito por um pequeno cinéfilo que vem de um duríssimo, mas não menos imperdível, "Julieta" de Pedro Almodóvar.

 

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Sábado, 29.10.16

 

 

 

"Os clássicos são livros de que se costuma ouvir dizer: "estou a reler..." e nunca: "estou a ler..."; um clássico é um livro que nunca acabou de dizer o que que tem a dizer; os clássicos são livros que quanto mais se julga conhecê-los por ouvir falar, mais se descobrem como novos, inesperados e inéditos ao lê-los de facto; é clássico o que tiver tendência para relegar a actualidade para categoria de ruído de fundo, mas ao mesmo tempo não puder passar sem esse ruído de fundo"(...).

 

 

Italo Calvino (1991), "Porquê ler os clássicos?" 

tradução de José Colaço Barreiros, 

edição da Teorema

 

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