Em busca do pensamento livre.

Terça-feira, 31.01.17

 

 

  

A constituição garante o ensino assegurado por particulares (privado ou cooperativo). Desde que se mediatizou a privatização de lucros das cooperativas associada às ilegalidades na edificação de escolas e à ausência de concursos públicos na contratação de professores (precarizados), a discussão sobre o assunto provocou indignação. Apesar dos pessimismos (não dá em nada, é sempre a mesma coisa, estão todos alinhados e por aí fora), o actual Governo agiu de forma corajosa e informada na rede escolar. Há escolas públicas oxigenadas após anos condenadas à desertificação.

Ninguém ficou indiferente ao quarto poder. Quem faz do exercício da cidadania um dever, tem esse múltiplo poder para dar corpo ao seu optimismo. Sem este estado das almas moderadas, e sem crença na democracia, não era possível "ajudar" a justiça a funcionar e desafiar o poder político para um trajecto difícil que está longe de consolidado: dirá, com fundamento, o imprescindível pessimismo crítico e a propósito dos critérios para os concursos que vincularão extraordinariamente professores com anos a fio de contratos nas escolas públicas. Veremos como sentencia em definitivo a mesa negocial.

 

Já usei parte deste texto noutro post. 

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Segunda-feira, 09.01.17

 

 

 

Já uma vez fiz um post com a seguinte citação de John Stuart Mill a propósito da Liberdade:

"As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento"

Por exemplo, não sabemos se o homem é naturalmente bom e a prevalência do mal obriga-nos a desconfiar.

Por outro lado, e não raramente, assistimos ao convite para o fim da história. É a ânsia de liberdade individual. É a ideia de que, finalmente, está tudo resolvido a caminho da felicidade plena. Também não raramente, essa distracção, se assumida colectivamente, empurra-nos para tragédias.

Por isso, a política é o esforço de transfigurar a fatalidade em responsabilidade. É crucial garantir a tradição democrática que recusa o destino e que se realiza na vontade de descobrir, de perceber ou de transformar.



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Quarta-feira, 26.10.16

 

 

 

"Se o sentido da política é a liberdade, isso significa que neste âmbito - e em nenhum outro - temos o direito de esperar milagres. Não porque sejamos supersticiosos, mas porque, na medida em que podem actuar, os homens têm condições para realizar o inverosímil e incalculável e porque habitualmente o realizam quer saibam quer não." 

 

Hannah Arendt (1906-1975



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Segunda-feira, 24.10.16

 

 

 

Há mudanças imperativas no domínio legal. Não vai lá doutro modo. Há procedimentos a eliminar com urgência. A má burocracia corporizada em amontoados de grelhas, ou em modo de repetição em plataformas digitais, anula o indivíduo sem acrescentar atributos cooperativos e gregários. Institucionaliza a inutilidade. Sobrecarregar o indivíduo com burocracia exclui a dignidade e impede qualquer veleidade à inovação, à inteligência e ao primeiro atributo do conhecimento da razão: a liberdade. A má burocracia prolongada é o principal motor da desmobilização, da saturação e do burnout

 

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Sábado, 22.10.16

 

 

 

A constituição portuguesa prevê o ensino gerido por particulares (privado ou cooperativo). São poucos, naturalmente, os que discordam. No entanto, e desde que se "destapou" a privatização de lucros associada às ilegalidades na edificação de escolas e na contratação de professores, a polémica mediática sobre o assunto cresceu. Apesar dos pessimismos (não dá em nada, é sempre a mesma coisa, estão todos alinhados e por aí fora), houve mudanças com o actual Governo. Vêem-se resultados. Há escolas públicas a respirar após anos a fio condenadas à desertificação.

 

Sejamos claros: ninguém ficou indiferente ao quarto poder e o poder judicial também não. É vulgar dizer-se, e bem, que se deve esperar pelo veredicto da justiça. Quem faz do exercício da cidadania um dever, têm o múltiplo quarto poder para dar corpo ao seu optimismo. Sem esse estado das almas moderadas, e sem crença na democracia, não era possível "ajudar" a justiça a funcionar e desafiar o poder político para um trajecto difícil que está longe de consolidado: dirá, com fundamento, o imprescindível pessimismo crítico.

 

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Domingo, 22.05.16

 

 

 

A Liberdade como princípio, a Liberdade como fim (do facebook de José Matias Alves)

 

(...) 

Três liberdades e mais três. A liberdade é um substantivo, mas é também um verbo de acção. A escola pública tem de saber repensar-se, renovar-se, abrir-se.


Em primeiro lugar, repensando-se no espaço público. Há mais educação para além da escola. Hoje, precisamos de reforçar os laços entre a escola e a sociedade e assim renovar um compromisso social em torno da educação. É uma mudança decisiva, que exige uma efectiva capacidade de decisão das pessoas, das autarquias e das instituições no interior deste espaço público da educação. Não gosto muito da metáfora das «cidades educadoras», mas é a que melhor ilustra a dimensão de partilha e de co-responsabilização que marca a educação nas sociedades contemporâneas. 


Em segundo lugar, renovando-se como «coisa pública». 
A escola não é um «serviço» ou uma «mercadoria», é uma instituição da res publica. Quando se compara a escolha da escola com a escolha das malas, dos sapatos, do jornal, do carro ou da casa, como já se escreveu, perde-se todo o sentido, social e cultural, individual e colectivo, do acto de educar. 


Em terceiro lugar, abrindo-se ao futuro. Vivemos um tempo de profunda mudança geracional, em grande parte pela forma como o digital está a transformar as vidas das crianças e dos jovens. Michel Serres diz mesmo que, nas últimas décadas, nasceu «um novo ser humano que vive, pensa, comunica e ... aprende de maneira totalmente diferente». Os edifícios escolares vão desaparecer ou, pelo menos, vão transformar-se radicalmente. Os tempos escolares vão ser organizados de modo totalmente diferente. O trabalho dos professores vai sofrer alterações profundas. A escola pública tem de estar à altura desta revolução da aprendizagem que está a acontecer debaixo dos nossos olhos e perante uma certa «indiferença» da nossa parte. 


A escola pública tem de ser, cada vez mais, um espaço de liberdade. Hoje, as sociedades têm um nível de educação, instituições culturais e científicas e meios tecnológicos que permitem concretizar o sonho, que muitos outros sonharam antes de nós, de uma escola que é 

 

Igualdade 
Diversidade 
Aprendizagem 
Participação 
Autonomia 
Criação 

 

A liberdade tem uma característica única e singular: só existe em mim se existir também nos outros. Não posso ser livre se os outros viverem sem liberdade. A escola pública é o lugar da liberdade, de todos e não apenas de alguns. A liberdade como princípio. A liberdade como fim. 

 

António Nóvoa

Universidade de Lisboa

 

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Quinta-feira, 30.07.15

 

 

 

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Daniel Dennett é um relevante filósofo americano. "A liberdade evolui" é o título de uma das suas obras. Tem uma pequena história que merece uma atenta reflexão.

 

"A Orquestra Sinfónia de Boston é conhecida por fazer a vida difícil aos maestros convidados até que estes dêem provas de que merecem ocupar o lugar. Perante a sua estreia à frente da orquestra, e conhecendo a reputação da mesma, um jovem maestro decidiu tentar um atalho para conseguir ser respeitado. Estava programado que dirigisse a estreia de uma obra contemporânea inaudivelmente dissonante, e enquanto lia a partitura ocorreu-lhe um estratagema brilhante. Encontrou um crescendo no início, em que toda a orquestra produzia um som estridente em mais de doze notas discordantes, e reparou que o segundo oboé, uma das vozes mais suaves da orquestra, estava programado para tocar um Si natural. Agarrou na partitura para o segundo oboé e inseriu cuidadosamente o sinal para bemol - a partir de agora era indicado ao segundo oboé que devia tocar um Si bemol. No primeiro ensaio, conduziu energicamente a orquestra até ao crescendo adulterado. "Não!", berrou, parando a orquestra abruptamente. Depois, com o sobrolho enrugado e em profunda concentração disse: "Alguém, vejamos, sim, deve ser... o segundo oboé. Devia tocar um Si natural e tocou um Si bemol". "Não pode ser", respondeu o segundo oboé. "Eu toquei um Si natural. Um idiota qualquer tinha escrito aqui Si bemol!"."

 

 

 

(Não é a primeira vez que

transcrevo esta história

num post).

 


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Terça-feira, 19.05.15

 

 

 

O que val ler escrevi-o em 3 de junho de 2011. Desde aí, o clima continuou a descer. Como sou uma pessoa com relativa esperança, gostava de voltar a viver num país em que o seguinte descolasse da realidade:

 

Não sei se o caso France Telecom foi consciente. Não tenho dados para o veredicto. Do mesmo modo, permito-me dar lugar aos que especulam que o que se viveu em Portugal nos últimos anos foi de premeditação inconsciente embora com resultados igualmente desastrosos. O que mais me impressionou neste período, e que me oxigenou a não desistência, foi a generalização do medo. O pavor de existir é a mais nefasta herança desta governação.

 

A má burocracia corporizada em amontoados de grelhas anula o indivíduo e o seu inatismo cooperativo e gregário. Institucionaliza o formulário com campos sem fim e em que o erro num deles pode sentenciar a reprovação, a vergonha e a imobilidade na progressão na carreira. Sobrecarregar o indivíduo com burocracia associada a uma pirâmide clientelar e preenchida por uma ficção em forma de ferro, venera a bajulação, exclui a dignidade e impede qualquer veleidade à inovação, à inteligência e ao primeiro atributo do conhecimento da razão: a liberdade.(...)



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Sexta-feira, 19.12.14

 

 

 

 

Já uma vez fiz um post com a seguinte citação de John Stuart Mill a propósito da Liberdade:

 

"As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento"

 

Não sei se o homem é naturalmente bom. A prevalência do mal sempre nos obrigou a desconfiar.

 

Não raramente assistimos ao convite para o fim da história. Talvez a ânsia de liberdade individual, consubstanciada na ideia de que finalmente está tudo resolvido e de que o que se segue é a felicidade plena, leve à distracção colectiva que nos empurra paulatinamente para tragédias que podem atingir horrores como o holocausto.

 

Se a política é o esforço de transfigurar a fatalidade em responsabilidade, é crucial garantir a tradição democrática que recusa o destino e que se realiza na vontade de descobrir, de entender ou de transformar.

 

 



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Quarta-feira, 17.12.14

 

 

 

Na génese da propalada accountability está uma "nova" gestão dos serviços públicos que tem como alicerce o controlo dos sujeitos, que nada tem de novidade e que tudo nos diz sobre os caminhos silenciosos do totalitarismo.

 

"O que havia de tão novo nestes projectos de docilidade que interessava tanto o século XVIII? Havia a escala do controlo: era uma questão não de tratar o corpo, num grupo, "por atacado", como se se tratasse de uma unidade indissociável, mas de trabalhá-lo "a retalho", individualmente, de sobre ele exercer uma coerção subtil, de obter domínio sobre ele ao nível do próprio mecanismo - movimentos, gestos, atitudes, rapidez: um poder infinitesimal sobre o corpo activo. Depois havia o objecto do controlo: não eram ou não mais eram os elementos significadores do comportamento ou a linguagem do corpo, mas a economia, a eficiência de movimentos, a sua organização interna; a única cerimónia verdadeiramente importante é a do exercício. Por último, há a modalidade: implica uma coerção ininterrupta e constante, a supervisão do processo da actividade e não tanto o seu resultado, e é exercida de acordo com uma codificação que reparta, tão proximamente quanto possível, tempo, espaço, movimento. Estes métodos, que tornaram possível o controlo meticuloso do corpo, que asseguraram a sujeição constante das suas forças e lhes impuseram uma relação de docilidade-utilidade, poderão ser chamados de "disciplinas".(...)"

 


Jardine (2007:57), Foucault e Educação.

 

 

 

 



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Terça-feira, 18.11.14

 

 

 

 
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Daniel Dennett é um relevante filósofo americano. "A liberdade evolui" é o título de uma das suas obras. Tem uma pequena história que merece uma atenta reflexão.

 

"A Orquestra Sinfónia de Boston é conhecida por fazer a vida difícil aos maestros convidados até que estes dêem provas de que merecem ocupar o lugar. Perante a sua estreia à frente da orquestra, e conhecendo a reputação da mesma, um jovem maestro decidiu tentar um atalho para conseguir ser respeitado. Estava programado que dirigisse a estreia de uma obra contemporânea inaudivelmente dissonante, e enquanto lia a partitura ocorreu-lhe um estratagema brilhante. Encontrou um crescendo no início, em que toda a orquestra produzia um som estridente em mais de doze notas discordantes, e reparou que o segundo oboé, uma das vozes mais suaves da orquestra, estava programado para tocar um Si natural. Agarrou na partitura para o segundo oboé e inseriu cuidadosamente o sinal para bemol - a partir de agora era indicado ao segundo oboé que devia tocar um Si bemol. No primeiro ensaio, conduziu energicamente a orquestra até ao crescendo adulterado. "Não!", berrou, parando a orquestra abruptamente. Depois, com o sobrolho enrugado e em profunda concentração disse: "Alguém, vejamos, sim, deve ser... o segundo oboé. Devia tocar um Si natural e tocou um Si bemol". "Não pode ser", respondeu o segundo oboé. "Eu toquei um Si natural. Um idiota qualquer tinha escrito aqui Si bemol!"."

 

 

 

(Não é a primeira vez que

transcrevo esta história

num post).

 

 



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Segunda-feira, 21.04.14

 

 

 

 

 

Já assisti a duas sessões em que esteve bem presente o espírito do 25 de Abril de 1974. A celebração do 16 de Março nas Caldas da Rainha em que foi orador Joaquim Vieira (preso político e exilado em Paris nessa altura) e o lançamento do livro "Os rapazes dos tanques", no CCC das Caldas da Rainha, de Alfredo Cunha e de Adelino Gomes.

 

Amanhã espero estar no parlamento para assistir à homenagem ao capitão de Abril António Marques Júnior.

 

 

 

A Assembleia da República homenageia António Marques Júnior, com o lançamento do opúsculo António Marques Júnior: Homenagem ao “Deputado Capitão de Abril”. A presidente da Assembleia da República preside a esta cerimónia que conta com a presença de Vasco Lourenço, Maria de Belém Roseira, José Magalhães e Luísa Marques Júnior.

 

 

 

No dia 25 de Abril estarei no Largo do Carmo, às 11h00, onde as celebrações não terão a presença de pessoas muito contrariadas.

 

 



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Sexta-feira, 24.01.14

 

 

 

 

Acompanho há algum tempo a mediatização à volta da privatização da rede escolar. Quem conhece a constituição portuguesa, e concorda com o texto como é o meu caso, sabe que está previsto o ensino gerido por particulares (privado ou cooperativo). São poucos os que advogam a "impossibilidade" desse tipo de ensino.

 

Desde que se tornou demasiado evidente a privatização de lucros associada à ilegalidade na edificação de escolas e à precarização ilegal de professores, a mediatização foi em crescendo atingindo anteontem mais um pico. São processos que também acontecem nas democracias. É evidente que era bom que não fosse assim. As reacções pessimistas são as habituais: não dá em nada, é sempre a mesma coisa, estão todos alinhados e por aí fora.

 

Sejamos francos: existe matéria divulgada pela comunicação social a que ninguém ficou indiferente e, pelo que se sabe, o poder judicial também. Há um ano, no mínimo, que anda a investigar e fica a ideia que o processo investigativo vai para além das vontades partidárias. É a justiça a funcionar e, pelo que se lê, há pessoas dos mais variados géneros partidários a serem investigadas.

 

É vulgar dizer-se, e bem, que se deve esperar pelo veredicto da justiça. Os que fazem do exercício da cidadania um dever, têm o quarto poder (hoje mais vasto do que nunca) para dar corpo ao seu "optimismo". Sim, porque sem algum optimismo e sem uma crença, mesmo que mínima, na democracia, não é possível ajudar a que a justiça funcione.

 

 

 

 

 

 



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Os norte-americanos parece que descobriram o algoritmo que nos diz que a sociedade desempenha o papel fundamental no sucesso escolar.

 

Há muito que se sabe que as alunos que reúnem boas condições socioeconómicas têm melhores resultados, como se comprova em todos os testes internacionais. Os países que conseguem aumentar as classes médias e que impedem que os sistemas escolares segreguem alunos através de escolas financiadas pelos Estados, criam condições para a igualdade de oportunidades e para uma vida com liberdade de escolha. É tudo isto que os nossos descomplexados competitivos negaram e destruíram. Portugal estava num caminho interessante. Mas é sempre assim: a ganância da privatização de lucros na Educação faz com que não valorizemos o bem comum e é necessário o sofrimento de muitos para que aprendamos o que devia ser óbvio entre humanos.

 

 

 



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Quinta-feira, 26.12.13

 

 

 

 

 

 

Quando li o desabafo que vai ler a seguir lembrei-me de ir à procura do texto do post anterior que intitulei "A liberdade evolui". Só aparentemente é que não têm qualquer relação. Este retrato da presidência envergonha-nos.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 13:23 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

 

 

Daniel Dennett é um relevante filósofo americano. "A liberdade evolui" é o título de uma das suas obras. Tem uma pequena história que merece uma atenta reflexão.

 

"A Orquestra Sinfónia de Boston é conhecida por fazer a vida difícil aos maestros convidados até que estes dêem provas de que merecem ocupar o lugar. Perante a sua estreia à frente da orquestra, e conhecendo a reputação da mesma, um jovem maestro decidiu tentar um atalho para conseguir ser respeitado. Estava programado que dirigisse a estreia de uma obra contemporânea inaudivelmente dissonante, e enquanto lia a partitura ocorreu-lhe um estratagema brilhante. Encontrou um crescendo no início, em que toda a orquestra produzia um som estridente em mais de doze notas discordantes, e reparou que o segundo oboé, uma das vozes mais suaves da orquestra, estava programado para tocar um Si natural. Agarrou na partitura para o segundo oboé e inseriu cuidadosamente o sinal para bemol - a partir de agora era indicado ao segundo oboé que devia tocar um Si bemol. No primeiro ensaio, conduziu energicamente a orquestra até ao crescendo adulterado. "Não!", berrou, parando a orquestra abruptamente. Depois, com o sobrolho enrugado e em profunda concentração disse: "Alguém, vejamos, sim, deve ser... o segundo oboé. Devia tocar um Si natural e tocou um Si bemol". "Não pode ser", respondeu o segundo oboé. "Eu toquei um Si natural. Um idiota qualquer tinha escrito aqui Si bemol!"."

 

 

 

 

(Não é a primeira vez que

transcrevo esta história

num post).

 


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Sexta-feira, 06.12.13

 

 

 

Este post vai ao osso. Aconselho os mais susceptíveis a não o lerem.

 

Como o racismo é um dos piores flagelos que transporta o ódio entre os seres humanos, vou usar a cor da pele para caracterizar as pessoas. Perceberá a decisão mais à frente.

 

O dia está preenchido pelo falecimento de Nelson Mandela. Leio algumas divergências quanto ao período anterior à prisão de Mandiba.

 

Mandela não foi perfeito? Pois bem. Mandela combateu os Africandêr (também conhecidos por boers, de predominância holandesa com mistura de alemães e franceses) que dominaram o poder na África do Sul durante o apartheid. Este grupo de fanáticos, que martirizou os negros sul-africanos, é também conhecido por ter trazido as maçãs holandesas para a pátria de Mandela.

 

Já se sabe: a violência gera violência. Mark Behr, um sul-africano branco, natural da Tanzânia, é um escritor do nível dos prémios Nobel J. M. Coetzee e Nadine Gordimer. O seu dilacerante romance (1995), amplamente premiado, "O Cheiro das Maçãs", é incontornável para se perceber quem Mandela combateu e para se entender ainda melhor a sua invulgar humanidade (e todos os outros substantivos e adjectivos que se vão lendo e ouvindo).

 

A obra de Mark Behr é impossível de generalizar a todo um grupo de pessoas? Claro que sim. Nem todos os sul-africanos brancos se reviam na cultura africânder, nem mesmo alguns destes. Mas o que Mark Behr nos explica é o comportamento médio dos Africandêr e a origem do seu ódio. Foi considerado um contributo decisivo para  convivência civilizada entre as pessoas na África do Sul.

 

 

 

 

 

 

A imagem da biografia de Mark Behr não está muito legível mas lê-se.

 

 

 

 

 

O narrador do romance é Marnus, um jovem branco na puberdade. Frikkie é um amigo seu, branco, desde o pré-escolar.

 

 

 

 

Leu bem. O romance desmascara, em 200 páginas, a mentalidade africânder com uma ironia devastadora. Aconselho a leitura. Escolhi umas quatro passagens que, como disse, vão ao osso. Se é mesmo susceptível, pare por aqui. Se leu a "Manhã Submersa" de Vergílio Ferreira talvez não estranhe. Os paralelos vão para além da geografia.

 

O romance é preenchido pela mesma intensidade destes bocados.

 

A cena começa com um serão em casa de Marnus. Frikkie está presente. Os pais de Marnus e um general também. 

 

 

 

 

 

 

 

Depois, vão todos dormir na casa dos pais de Marnus onde passaram o serão. Dei um salto nas páginas, mas parece-me suficiente para se perceber o tal cinismo difuso de Marnus.

 

 

 

 

Não publiquei a página seguinte para não ir para além do osso. 

 

Antes de terminar o post com o final do romance, testemunho uma das minhas perplexidades com o comportamento dos Africânder nas férias grandes que passavam na então Lourenço Marques, cidade onde eu vivia.

 

Os Africânder eram racistas em primeiro grau. O local que mais frequentavam na capital moçambicana era a Rua Araújo onde se prostituíam, desde muito jovens, as negras moçambicanas que só tinham uma alternativa de emprego: serem criadas (era assim que se denominava a sua segunda escolha) das famílias brancas portuguesas. Os meus amigos mais velhos aproveitavam a época para abrirem "a caça às bifas" (que eram as muito jovens Africânder, brancas, casadas com os tais boers que inundavam a Rua Araújo) que ficavam "abandonadas" e que gozavam da fama de fáceis.


Lembrei-me de contar estes detalhes para introduzir o leitor no texto final. False Bay (Afrikaans Valsbaai, Baía Falsa em português) existe mesmo.

 

 

 

 

 

 



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Sábado, 22.06.13

 

 

 

 

 

 



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Quinta-feira, 25.04.13

 

 

 



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Segunda-feira, 07.01.13

 

 

 

 

 

 

 

Temos lido notícias assim ao longo dos anos.

O pragmatismo alemão, e não só, claro, negoceia em todas as latitudes.

Esperemos que os cidadãos da Coreia do Norte vejam alguma luz.

 

 



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Domingo, 23.12.12

 

 

1ª edição em 19 de Setembro de 2012 

 

 

Não é fácil dar um pequeno passo em nome da cidadania. O domínio do se exige-nos muito e inibe o direito à palavra. Propalamos o dever da opinião, mas não conseguimos fugir ao beco sem saída da intolerância. Não vivemos o contraditório com civilidade e isso não ajuda nos tempos que correm.

 

Se se criticava o Governo de José Sócrates, era-se um perigoso direitista ou esquerdista radical. Se se critica as políticas da actual maioria, é-se um esquerdista despesista e sem remédio. Se se publica um pedaço acertado da declaração histórica de um comunista, é-se um perigoso agitador. Se se tem um blogue, é-se um subversivo encartado ou um elitista insensível. Se se concorda com uma ideia liberal, é-se um convertido ao capitalismo selvagem.

 

Já nem as redes sociais escapam à voracidade do se: dos likes colocados às imagens que nos integram, tudo serve para o escrutínio tortuoso que nos consome. E podia ficar por aqui horas a divagar à volta do pronome pessoal (neste caso é mais conjunção, conforme contributo de uma professora de português).

 

E dou como exemplo um pequeno texto do politólogo José Adelino Maltez no facebook, que li e gostei:

 

"De mal com o gasparismo, pela mesma razão com que denunciei o socratismo, mantenho o meu feitio de radical do centro excêntrico, com situacionistas proclamando que não sou de confiança e com ataques formais vindos de sectores oficiais do PCP e de certas vozes anónimas que se acobertam em blogues do esquerdismo niilista. Para os devidos efeitos, sublinho que mantenho a minha concepção liberal do mundo e da vida."

 



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Quinta-feira, 13.12.12

 

 

 

 

É interessante analisar, e discutir se for caso disso, alguns excertos da obra de Bertrand Russel (1993) "O Poder, Uma nova análise social", Lisboa, Fragmentos.













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Segunda-feira, 10.12.12

 

 

 

 

 

 

Li, em Bertrand Russel, aproximadamente o seguinte: sempre que um grupo não consegue o seu objectivo imediato, projecta a frustração em alguém que classifica como ingénuo; em regra, esse alguém ocupa a posição de seguido-não-controlável que alguns membros do grupo desejam para si e que nunca realizam.


Também é comum classificarem como agenda escondida os silêncios dos seguidos-não-controláveis.

 

Pelo que se vai confirmando, os últimos Governos é que não estão cá com coisas.



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Segunda-feira, 05.11.12

 

 

 

 

 

Tenho ideia que algumas organizações internacionais existem para criarem empregos interessantes e para defenderem, de forma consciente ou não a máquina faz o que lhe compete, agendas não sujeitas ao sufrágio directo e universal. A presente troika tem três braços e cada vez são em maior número os que consideram que o FMI até é a coisa mais à esquerda.

 

A comissão europeia tem o chefe que se sabe e o banco central europeu não é um enigma ideológico. Pelo que vou percebendo, o FMI é uma espécie de paquiderme com um histórico de falhanços graves e que deve sorrir ou encolher os ombros com as coreografias dos nossos tacticistas que disseram claramente ao que vinham: passar o negócio do estado social para as empresas que os suportam com a força dos dois braços extremamente direitos.

 

A democracia, com os seus defeitos, é o regime mais humano e imperfeito que nos foi dado conhecer e o único que dá garantias à liberdade como o valor fundador e fundamental. É isso que nos cabe defender. O presente esmagamento da jovem classe média é o sinal mais evidente de que a democracia e a liberdade têm um longo caminho a percorrer.



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Terça-feira, 17.07.12

 

 

 

Abril começa, agora, com letra minúscula? Continuo a escrever os meses com a letra maiúscula e principalmente Abril.



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Quinta-feira, 14.06.12

 

 

 

Daniel Dennett é um relevante filósofo americano. "A liberdade evolui" é o título de uma das suas obras. Tem uma pequena história que merece uma atenta reflexão.

 

"A Orquestra Sinfónia de Boston é conhecida por fazer a vida difícil aos maestros convidados até que estes dêem provas de que merecem ocupar o lugar. Perante a sua estreia à frente da orquestra, e conhecendo a reputação da mesma, um jovem maestro decidiu tentar um atalho para conseguir ser respeitado. Estava programado que dirigisse a estreia de uma obra contemporânea inaudivelmente dissonante, e enquanto lia a partitura ocorreu-lhe um estratagema brilhante. Encontrou um crescendo no início, em que toda a orquestra produzia um som estridente em mais de doze notas discordantes, e reparou que o segundo oboé, uma das vozes mais suaves da orquestra, estava programado para tocar um Si natural. Agarrou na partitura para o segundo oboé e inseriu cuidadosamente o sinal para bemol - a partir de agora era indicado ao segundo oboé que devia tocar um Si bemol. No primeiro ensaio, conduziu energicamente a orquestra até ao crescendo adulterado. "Não!", berrou, parando a orquestra abruptamente. Depois, com o sobrolho enrugado e em profunda concentração disse: "Alguém, vejamos, sim, deve ser... o segundo oboé. Devia tocar um Si natural e tocou um Si bemol". "Não pode ser", respondeu o segundo oboé. "Eu toquei um Si natural. Um idiota qualquer tinha escrito aqui Si bemol!"."

 

 

 

 

(Não é a primeira vez que

transcrevo esta história

num post).



publicado por paulo prudêncio às 10:08 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sexta-feira, 08.06.12

 

 

 

Já uma vez fiz um post com uma citação de John Stuart Mill"As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar, senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento", a propósito da Liberdade. Não sei se o homem é naturalmente bom. A prevalência do mal sempre nos obrigou a desconfiar.

 

Não raramente assistimos ao convite para o fim da história. Talvez a ânsia de liberdade individual consubstanciada na ideia de que finalmente está tudo resolvido e que o que se segue é a felicidade plena, leve à distracção colectiva que nos empurra paulatinamente para tragédias que podem atingir horrores como o holocausto.

 

Se a política é o esforço de transfigurar a fatalidade em responsabilidade, é crucial garantir a tradição democrática que recusa o destino e que se realiza na vontade de descobrir, de entender ou de transformar.



publicado por paulo prudêncio às 10:20 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 09.02.12

 

 

 

 

Baltasar Garzón suspenso por 11 anos

Juiz espanhol foi condenado num de três processos que enfrenta, por ter ordenado escutas a membros do PP envolvidos numa rede de corrupção.



publicado por paulo prudêncio às 17:30 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 09.01.12

 

 

A edição impressa do Público de ontem classifica Fernando Lima como o incorrigível spin. O polémico ex-assessor de imprensa do presidente da República, e actual assessor político, merece a seguinte nota: "Preparem as baterias, apontem os canhões que no ar paira o perigo do jornalismo livre. O alerta chegou-nos esta semana pela pena de Fernando Lima (...), que diz que "uma informação não domesticada constitui uma ameaça" (...) e que o controle do perigo faz-se (...)com "a manipulação da informação". Num país que apreciasse de verdade a liberdade, o spin doctor de Belém estaria em xeque."

 

Cavaco Silva tem-se rodeado de figuras inclassificáveis. Nesta fase da democracia, e mesmo em qualquer outra, não ajuda nada um presidente com estas circunstâncias. Se nos lembrarmos de Oliveira e Costa, Duarte Lima, Isaltino de Morais ou daquele ex-conselheiro de estado (não me lembro do nome) que se diz estar em Cabo Verde, só podemos ficar inquietos. A questão da domesticação de quem produz informação, que é tão cara a Fernando Lima, é uma realidade que muitos bloggers têm sentido por parte dos poderes formais da democracia. Dá que pensar a notícia do The Economist que considera Portugal menos democrático do que Cabo Verde. A olhar para os imigrantes que a jovem nação tem recebido, é caso para temer pela sua descida no ranking.



publicado por paulo prudêncio às 19:19 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 27.09.11

 

 

"A Liberdade é, antes de tudo, o direito à desigualdade."

 

Berdiaev, Nicolau

(1874-1948)

 



publicado por paulo prudêncio às 21:31 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 30.08.11

 

 

"Se o sentido da política é a liberdade, isso significa que neste âmbito - e em nenhum outro - temos o direito de esperar milagres. Não porque sejamos supersticiosos, mas porque, na medida em que podem actuar, os homens têm condições para realizar o inverosímil e incalculável e porque habitualmente o realizam quer saibam quer não."

 

Hannah Arendt (1906-1975)



publicado por paulo prudêncio às 10:03 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 02.07.11

 

Daniel Dennett é um relevante filósofo americano. "A liberdade evolui" é o título de uma das suas obras. Tem uma pequena história muito interessante e que merece uma atenta reflexão. Não resisti a transcrever.

 

"A Orquestra Sinfónia de Boston é conhecida por fazer a vida difícil aos maestros convidados até que estes dêem provas de que merecem ocupar o lugar. Perante a sua estreia à frente da orquestra, e conhecendo a reputação da mesma, um jovem maestro decidiu tentar um atalho para conseguir ser respeitado. Estava programado que dirigisse a estreia de uma obra contemporânea inaudivelmente dissonante, e enquanto lia a partitura ocorreu-lhe um estratagema brilhante. Encontrou um crescendo no início, em que toda a orquestra produzia um som estridente em mais de doze notas discordantes, e reparou que o segundo oboé, uma das vozes mais suaves da orquestra, estava programado para tocar um Si natural. Agarrou na partitura para o segundo oboé e inseriu cuidadosamente o sinal para bemol - a partir de agora era indicado ao segundo oboé que devia tocar um Si bemol. No primeiro ensaio, conduziu energicamente a orquestra até ao crescendo adulterado. "Não!", berrou, parando a orquestra abruptamente. Depois, com o sobrolho enrugado e em profunda concentração disse: "Alguém, vejamos, sim, deve ser... o segundo oboé. Devia tocar um Si natural e tocou um Si bemol". "Não pode ser", respondeu o segundo oboé. "Eu toquei um Si natural. Um idiota qualquer tinha escrito aqui Si bemol!"."

 

 

 

 

(Não é a primeira vez que

transcrevo esta história

neste blogue).




publicado por paulo prudêncio às 21:36 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 16.06.11

 

 

"Se o sentido da política é a liberdade, isso significa que neste âmbito - e em nenhum outro - temos o direito de esperar milagres. Não porque sejamos supersticiosos, mas porque, na medida em que podem actuar, os homens têm condições para realizar o inverosímil e incalculável, e porque habitualmente o realizam, quer saibam quer não". Hannah Arendt (1906-1975).

 

Citação retirada do livro de Azevedo (2011:123)

Política Pública de Educação.



publicado por paulo prudêncio às 20:27 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Terça-feira, 14.06.11

 

 

Há muitos que ainda não entenderam que na génese da propalada accountability está uma "nova" gestão dos serviços públicos que tem como alicerse o controlo dos sujeitos, que nada de tem de novidade e que tudo nos diz sobre os caminhos silenciosos do totalitarismo.

 

"O que havia de tão novo nestes projectos de docilidade que interessava tanto o século XVIII? Havia a escala do controlo: era uma questão não de tratar o corpo, num grupo, "por atacado", como se se tratasse de uma unidade indissociável, mas de trabalhá-lo "a retalho", individualmente, de sobre ele exercer uma coerção subtil, de obter domínio sobre ele ao nível do próprio mecanismo - movimentos, gestos, atitudes, rapidez: um poder infinitesimal sobre o corpo activo. Depois havia o objecto do controlo: não eram ou não mais eram os elementos significadores do comportamento ou a linguagem do corpo, mas a economia, a eficiência de movimentos, a sua organização interna; a única cerimónia verdadeiramente importante é a do exercício. Por último, há a modalidade: implica uma coerção ininterrupta e constante, a supervisão do processo da actividade e não tanto o seu resultado, e é exercida de acordo com uma codificação que reparta, tão proximamente quanto possível, tempo, espaço, movimento. Estes métodos, que tornaram possível o controlo meticuloso do corpo, que asseguraram a sujeição constante das suas forças e lhes impuseram uma relação de docilidade-utilidade, poderão ser chamados de "disciplinas".(...)"

 

Jardine (2007:57), Foucault e Educação. 



publicado por paulo prudêncio às 22:40 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Domingo, 12.06.11

 

 

 

 

 

 

"As nossas crenças mais justificadas não têm qualquer outra garantia sobre a qual assentar,

senão um convite permanente ao mundo inteiro para provar que carecem de fundamento."

 

 

 

John Stuart Mill, 

Sobre a Liberdade



publicado por paulo prudêncio às 22:15 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 25.04.11

25

 

São muitos os portugueses que quando ouvem "dia 25" se lembram de imediato de um ideal que não poderá ser beliscado por qualquer acontecimento posterior.

 

37

 

Foi há 37 anos que um punhado de homens se encheram de coragem e tentaram ajudar Portugal a constituir-se como uma nação livre e democrática.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 09:50 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Sexta-feira, 11.02.11

 

 

Do minuto a minuto do Público:

 

 

21h09: “Isto é incrível. Nunca vi nada assim. Nem no 25 de Abril”, diz-nos o nosso enviado Paulo Moura, no Cairo, antes da chamada cair.

20h50: A euforia não esmorece na praça Tahrir. “Todos os nossos sonhos tornaram-se realidade”, cita no Twitter o jornalista da CNN Nic Robertson.

20h36: Na praça Tahrir (Libertação), no Cairo, os jovens gritam o nome do Presidente dos Estados Unidos, conta o jornalista da NBC Richard Engel. Barack Obama falou há minutos e teve uma palavra para eles, ao falar no nascimento de “uma nova geração”.

20h30: Mais do discurso do Presidente norte-americano, Barack Obama, sobre a queda de Mubarak: “Sei que um Egipto democrático pode avançar com o seu papel, não apenas na região, mas em todo o mundo”.



publicado por paulo prudêncio às 21:56 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

 

 

 

 

 

 

Mubarak caiu. Que caiam todos os ditadores, por mais disfarçados que andem pelo mundo dito civilizado.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 16:18 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

 

 

 

O povo egípcio não desarma, contrariando as vozes temerosas, e instaladas, que nestes momentos sempre aconselham a manutenção do que está. Quando a incompetência e o despotismo se estabelecem, a queda da teia apenas aguarda que o tempo faça das suas. Em qualquer das escalas, e em situações do género, é sempre preferível que os mentores fujam e que a chegada do amanhã se acelere.



publicado por paulo prudêncio às 15:20 | link do post | comentar | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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