Domingo, 28.04.13

 

 

 

 

 

Ouvi ontem na TSF uma parte, que incluiu o sistema escolar, do muito apaudido discurso de Francisco Assis no congresso do PS. O deputado elogiou o legado de Maria de Lurdes Rodrigues e, para não variar, apontou o dedo às dificuldades criadas pelas corporações. Já cansa. Era bom que Assis revisse o conceito de corporações e talvez concluísse que é mais corporativo do que os acusados.

 

Tem razão quando acusa a direita de ter cavalgado a onda das contestações. Mas esquece-se de dizer que a direita só lá chegou em 2008 (a um ano de eleições), porque antes aplaudia silenciosamente, e que a justa contestação foi iniciada por cidadãos das mais variadas ideologias e convicções. Francisco Assis devia evidenciar essa onda quase heróica (estou a pesar bem) e não se remeter a um exercício de revisionismo.

 

Mas quando se fala em legado de defesa da escola pública fala-se exactamente de quê?

 

Antes de mais, é importante sublinhar que os dirigentes do PS misturam nesse argumentário a ciência e o ensino superior. Francamente: o que de muito positivo os governos do PS fizeram nessas áreas foram políticas conduzidas por Mariano Gago. Tenho sérias dúvidas que esse ex-ministro subscreva o legado infernal de má burocracia, a forma obcecada como se tentou impor uma monstro de avaliação de professores ou, já em fim de ciclo, se decretou uma gestão escolar contra tudo e quase todos.

 

É evidente que o actual Governo prolongou a agonia da escola pública e acentuou-a em áreas determinantes. É verdade que sim. Está agora mais em causa o regresso a níveis impensáveis de abandono escolar e ouve-se muitas vezes o elogio das novas oportunidades. Como sempre se disse, a certificação de competências nestes níveis de escolaridade é um imperativo num país como o nosso. Mas foram os governos do PS que deram cabo da ideia com a febre da propaganda misturada com uma descarada manipulação de dados. Também aí estão por provar os elogios ao legado.



paulo guilherme trilho prudêncio às 18:26 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 16.04.13

 

 

 

 

 

Apaguei inadvertidamente um comentário nest post assinado por Figueiredo que protestou para o email. Prometi voltar ao assunto. O erro é aceitável: ia apagar um comentário de publicidade oriunda da China e eliminei o anterior de forma irreversível.

 

O comentador discordava da associação entre os agrupamentos de escolas e o abandono escolar no seguinte parágrafo: "(...)Temos muito mais a fazer, mas com a carga curricular desenhada nos achamentos do actual ministro, com menos condições para a profissionalidade dos professores, com mais alunos por turma e com um modelo de gestão escolar que dificulta o apoio aos alunos com mais dificuldades e que lança menos condições organizacionais, os resultados piorarão e corre-se o risco de se perderem os avanços das últimas décadas. E tudo se agravará com uma sociedade mais pobre.(...)".


É simples.

 

A abrupta redução de professores deve-se mais à revisão curricular, ao aumento da componente lectiva dos professores e ao aumento do número de alunos por turma. A variável mega-agrupamentos também contribui, mas menos significativamente.

 

A relação de proximidade entre os membros da gestão das escolas e os alunos em risco de abandono ou insucesso escolares é decisiva e fica comprometida neste modelo, por muito boas vontades que existam. Os professores que leccionam as turmas, e mesmo os directores de turma, não têm condições para esse apoio.

 

Só quem não anda pelas escolas é que desconhece esta realidade num país com quase três milhões de pessoas no limiar da pobreza. Por outro lado, o modelo em curso também desenha serviços administrativos apenas na escola sede o que vem acentuar as dificuldades na relação entre as escolas e as famílias mais pobres e na detecção de pequenos detalhes que são muitas vezes decisivos.

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:06 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Sexta-feira, 01.03.13

 

 

 

 

 

Nos últimos dias surgiram os primeiros ecos do retrocesso no sucesso escolar com o aumento de classificações negativas no 12º ano. Se é evidente que estes dados são insuficientes para uma conclusão, é natural que os números do insucesso e abandono escolares comecem a subir; desgraçadamente, acompanharão os do desemprego e da fome e contrariarão os que advogavam que tudo se resolvia com mais escola e com uma sociedade ausente.

 

No universo escolar também existem causas fortes e prontas a cobrar o fatalismo. Supressão de disciplinas, horas curriculares atribuídas no espírito de mais do mesmo, aumento do número de alunos por turma e quebra da proximidade relacional através de um modelo de gestão escolar único no mundo conhecido, são alguns exemplos do desmiolo que assolou o sistema escolar.

 

Para além disso, temos uma legião de professores em aguda instabilidade profissional, desesperançados e com anos de desconsideração social. Há cerca de meia dúzia de anos que a agenda mediática é preenchida por professores em protesto ou governantes e comentadores a zurzirem na sua profissionalidade. Os alunos intuem a desfaçatez, mesmo que não o verbalizem, e os que não querem aprender aumentam em número.

 

É evidente que as escolas do Estado estão mais expostas a este flagelo e os rankings, acompanhados da segregação social que sempre se acentua nos tempos de salve-se quem puder, farão o serviço que interessa a quem teima na privatização de lucros. Falta saber se tudo isto se desenvolverá como até aqui ou se a bancarrota nos fará arrepiar caminho por uns tempos.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:15 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 30.12.12

 

 

 

 

 

 

A relação entre a qualidade das escolas e a ambição escolar dos alunos é directa e proporcional. Embora seja difícil encontrar estudos empíricos concludentes sobre o assunto, uma vez que as variáveis em causa requerem avaliações sistemáticas e modelos consolidados, podemos afirmar, com segurança, que o grupo de alunos é decisivo para os indicadores de qualidade de uma escola ou de um sistema escolar de um país.

 

A ambição escolar parece ser mais determinante do que as condições socioeconómicas, apesar de serem igualmente decisivas. Num país como Portugal que, depois de quase quarenta anos de democracia, apresenta taxas elevadíssimas de insucesso e abandono escolares, é natural que a desorientação, e a constante alteração de políticas, seja simultaneamente causa e consequência e se transforme numa espécie de autofagia.

 

Há um refúgio justificativo no longo prazo e com razão. Encontramos uma boa explicação se nos compararmos com países que eliminaram o analfabetismo no século XIX e mesmo que essas sociedades tenham registado oscilações nas condições socioeconómicas, a ambição escolar é natural, intergeracional e constante. Contudo, esse aconchego da consciência não deve ignorar o curto prazo. Em meia dúzia de anos, numa escola ou no sistema escolar, é possível erguer algo de significativo ou destruir o que levou anos a construir.

 

A par da ambição escolar dos alunos, podemos situar a confiança nos professores. Se esse requisito relacional é um metabolismo basal nas sociedades em que se generalizou a ambição escolar, torna-se ainda mais decisivo nas sociedades como a nossa onde se exigem cuidados redobrados e não se pense que há aqui qualquer espécie de corporativismo.

 

A desconfiança nos professores é intuída pelos alunos (mais grave ainda em alunos muito novos e é também por isso que a gestão escolar é muito diferente numa universidade se comparada com um jardim de infância ou com outro ciclo do não superior), desautoriza as salas de aula, prejudica o ensino, afecta todos os alunos e origina a escolha das escolas pelos que têm ambição escolar.

 

A segregação social dificulta a eliminação do abandono escolar. A miscigenação dos diversos níveis de ambição escolar é tão determinante para a qualidade dos sistemas escolares como é em sentido lato para o crescimento da decisiva classe média que fortalece a democracia.

 

Em Portugal regrediu-se acentuadamente na confiança nos professores nos últimos seis a sete anos. O curto prazo teve resultados desastrosos. Foi um choque de desconfiança. Se a avaliação de professores e o estatuto do aluno estão na memória colectiva e com efeitos que ninguém se atreverá a refutar, o modelo de gestão escolar segue o mesmo caminho apesar de menos mediatizado.

 

 

 

1ª edição em 10 de Maio de 2012



paulo guilherme trilho prudêncio às 15:06 | link do post | comentar | ver comentários (25) | partilhar

Quarta-feira, 30.05.12

 

 

 

Ainda a propósito deste estudo publicado pelo Ionline, deve existir, como é habitual, algum cuidado com as conclusões. O estudo empírico refere-se a alunos do terceiro ciclo sem referir se são alunos com sucesso escolar. Em Portugal, e se foram inquridos alunos com sucesso escolar consolidado, isso representa, grosso modo, uma fatia que andará próxima dos cinquenta por cento.

 

Sabemos que numa amostra educada na mesma sociedade, e com hábitos semelhantes de ambição escolar, e em organizações semelhantes, os professores podem fazer alguma diferença. O problema português é outro: a tal fatia que não tem sucesso, e que até abandona precocemente a escolaridade, tem dificuldades em testar a influência dos professores. Em regra é assim.



paulo guilherme trilho prudêncio às 14:26 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 19.05.12

 

 

Só quem for completamente desconhecedor da realidade portuguesa é que, para estudar a passagem de ano dos alunos como a variável dependente, perde tempo a considerar os planos de recuperação como uma variável independente.

 

Quando o actual ministro da Educação diz que é grave que 25% dos alunos com os ditos planos sejam mal sucedidos, o que devia dizer é que os outros três quartos passam de ano e que isso não tem qualquer relação com as invenções da má burocracia do MEC que o ministro prometeu implodir. Não só não o fez, como aparece a divulgar relatórios completamente estratosféricos. Que raio: haverá ainda quem não saiba que estas variáveis não têm qualquer relação?

 

Esses planos são, quando muito, responsáveis por subidas de nota que têm como primeira intenção evitar a sobrecarga em burocracia inútil e só quem desconhece o terreno é que, já dominado-por-uma-lógica-yes-minister, se preocupa com relatórios produzidos em ambiente de desconfiança em relação às escolas e aos professores. É nestes momentos que dou razão aos que dizem que não temos solução.

 

Um em cada quatro alunos em plano de recuperação não tem sucesso



paulo guilherme trilho prudêncio às 17:15 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Sexta-feira, 04.05.12

 

 

Com uma sociedade ausente na Educação e com as escolas a serem utilizadas como "armazéns" de crianças, não se devem esperar outros resultados. E podíamos ficar aqui o dia todo a elencar as causas que obrigam à venda deste tipo de medicamentos, mas que também terão consequências nas taxas de natalidade e na subida do insucesso e abandono escolares.

 

Venda de medicamentos para concentração aumentaram 78% em cinco anos

 

"Ontem, um pediatra alertou para o facto de a ruptura de stock de um medicamento para a atenção poder empurrar crianças para o insucesso escolar e a reprovação. Vendas sugerem que há cada vez mais crianças e jovens medicados.(...)"



paulo guilherme trilho prudêncio às 10:56 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 08.04.12

 

 

 

 

 

Um governante concluiu que tem "falhado tudo" na sociedade portuguesa e que os nossos jovens iniciam cada vez mais cedo o consumo de álcool. Se as escolas promovem, há décadas, campanhas e mais campanhas com resultados de sinal contrário aos desejados, onde estará então a raiz do problema?

 

Podemos associar a esta trágica realidade os nossos vergonhosos números de insucesso e abandono escolares. Se os que têm ocupado os mais altos cargos no Estado opinarem sobre as causas (prestação de contas), dirigirão o nosso insucesso para a organização escolar ou para a avaliação dos professores; não estou a brincar. Um actual secretário de Estado lançou um tríptico de soluções,"(...)defendeu a realização de uma campanha que envolva a escola, a família e os serviços de saúde(...)", em que mantém, de algum modo, a lógica que nos conduziu até aqui.

 

Temos de nos convencer que a escola está esmagada por um caderno de encargos imposto por uma sociedade que se desresponsabilizou e que se endividou em edificado e em faz de conta e que precisa de aprender a cuidar, com tempo, das suas crianças.

 

Tem "falhado tudo" para desincentivar jovens a consumir álcool, diz secretário de estado

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 20:30 | link do post | comentar | ver comentários (44) | partilhar

Quinta-feira, 26.01.12

 

Alunos que chumbam têm auto-estima mais alta do que os que passam com más notas

 

A propósito da investigação noticiada, lembrei-me deste post de 7 de Maio de 2004. Escrevi assim:

 

Não foi fácil. Só ao terceiro encontrei a auto-estima. Passei pelo que estava mais à mão, o da Porto Editora, um só volume, e nada. Fui ao grande dicionário da língua portuguesa, do Círculo de Leitores, seis volumes, e zero. Não desisti. Recorri ao Houaiss da língua portuguesa, também do Círculo de Leitores, seis volumes, seguramente os mais pesados e por isso ficaram para o fim, e lá encontrei: “qualidade de quem se valoriza, de quem se contenta com o seu modo de ser e demonstra confiança nos seus actos e julgamentos”

 

A minha dúvida não estava tanto no significado. Situava-se mais na questão da palavra composta o ser por justaposição ou por aglutinação; ter ou não hífen. Neste caso tem, porque, e muito justamente, o sujeito até pode não ter muita estima por si próprio.

 

Ouvi hoje uma notícia surpreendente: um conjunto de sábios comprovados, ao que julgo saber afectos à maioria que nos desgoverna, vai discutir o porquê da baixa auto-estima dos portugueses. O painel inclui: Marcelo Rebelo de Sousa, Clara Ferreira Alves, Vasco Graça Moura e António Borges, que julgo que seja um empresário bem sucedido. Espera-se que, depois da mesa-redonda (por justaposição porque existem mesas que não são redondas), a auto-estima dos conferencistas suba em flecha.



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:03 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 21.12.11

 

 

A presidente do Conselho Nacional de Educação, Ana Maria Bettencourt, não encontra registo diferente, do que tornou o caderno de encargos da escola insuportável, para explicar o excesso de reprovações nos ensinos básico e secundário. As soluções que apresenta são retiradas de uma cassete eduquesa e ignoram que existe sociedade. São duas décadas duma tragédia exponenciada nos consulados de Lurdes Rodrigues e que o actual governo parece não ter aprendido; apesar dum registo diferente. A ideia de mais do mesmo em forma de apoios chega a tornar-se ridícula. Repare-se no detalhe de que tudo está mal na escola. As escolas fazem, têm feito e continuarão a fazer, muito na área social. Não é essa a sua competência, mas a pobreza não deixa ninguém indiferente. Depois lêem achamentos destes por parte da presidente do Conselho Nacional de Educação.

 

Alunos portugueses chumbam muito e é preciso investir no apoio

 


"Não vale a pena investir [na educação] se as pessoas não aprendem", reforçou a presidente do CNE, que nas suas recomendações apela a uma "mudança profunda na atitude das escolas e dos professores face ao insucesso". Para o CNE, a solução passa pelo "reforço da formação em exercício dos professores e maior autonomia das escolas" para poderem "organizar as melhores soluções".




paulo guilherme trilho prudêncio às 14:20 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 20.12.11

 

 

A propósito da intenção de se castigarem os encarregados de Educação por causa do comportamento dos seus educandos, o sociólogo João Sebastião, do Observatório para a Segurança Escolar e especialista em violência escolar, disse ao Público que "(...)as escolas são desresponsabilizadas pelo comportamento dos seus alunos. (...)Quando há problemas com alunos, o que se deve fazer primeiro é avaliar o que as escolas fizeram por eles e há muitas que não fizeram nada: limitam-se a repetir suspensões, a empurrar os alunos complicados para outras escolas ou para os Cursos de Educação e Formação."

 

O discurso deste sociólogo vai na linha daquele que, em 2006, quis classificar os professores, pontuando-os, pelo abandono escolar dos alunos. Foi grave e é preocupante que se continue a orientar o dito observatório com estes raciocínios. Na afirmação de João Sebastião encontramos as lógicas que desresponsabilizaram a sociedade como a causa primeira do insucesso escolar, ao mesmo tempo que sobrecarregavam as escolas com um caderno de encargos impossível de cumprir. Não me esqueço do pai com sete filhos que, a viver numa casa só com um quarto, colou na porta da entrada: "só recebo os assistentes sociais às 5ª feiras das 12h00 às 14h00".



paulo guilherme trilho prudêncio às 14:00 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 19.12.11

 

 

O editorial do Público de hoje teve mais uma epifania numérica: para questionar a decisão governativa de castigar os encarregados de Educação dos alunos que faltam às aulas ou que têm graves problemas de comportamento, os jornalistas usaram dados que lhes dizem que os alunos nas condições referidas são apenas 1.8% num universo de um milhão. Feliz país o nosso que sabe tanta coisa com exactidão. É pena é estarmos na falência por causa da manipulação constante dos números e por sermos muito pouco rigorosos no apuramento dos dados.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:30 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Sexta-feira, 15.07.11

 

 

 

Quando se discutem mais horas para o português e para a matemática, é bom que se inscreva a ideia de que não estamos no domínio do novo nem sequer no fim da história.

 

É mais correcto falar-se em ignorância do que em conhecimento no que se refere à forma como cada cérebro aprende. Sabem-se muitas maneiras de ensinar um conteúdo, mas é difícil hierarquizar a eficácia dos métodos de ensino. Sabe-se também que só com repetição e esforço se aprende mais; isso é seguro.

 

Quem faz melhor do que nós é adepto há muito da escola total e despreza as ideias de mais do mesmo ou de sobredosagem do núcleo do denominado back to basics. Não se iludem as causas das dificuldades de aprendizagem com a colocação do que se passa nas escolas como o centro dos problemas. Há muita vida para além das escolas; e vida decisiva.

 

Acompanhei bem de perto uma escola que começou como território de intervenção prioritário, com baixos resultados de alunos, e que cerca de treze anos depois passou a referência em vários domínios, com excelentes resultados de alunos. Nos primeiros anos, os alunos beneficiavam de apoios em massa em português e matemática de modo a que a carga curricular semanal subia para cinco, seis e sete aulas. Por imperativos financeiros (fim das horas extraordinárias generalizadas), os apoios passaram a ser muito selectivos. Reduziu-se muito o "mais do mesmo" e, apesar disso, os resultados não deixaram de ser os relatados.



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:19 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Quinta-feira, 14.07.11

 

 

A má propaganda é muito nociva. O anterior governo transformou os resultados dos exames na mais descarada manobra mediática; valia tudo. Tinha até uma certa piada colocar os antigos governantes a comentarem os piores resultados de exames que se verificaram nos últimos anos: os deste ano.

 

Já li uma série de opiniões sobre as causas. Haverá, decerto, quem argumente com o aumento do grau de dificuldade ou com a a constante alteração da criterização. É correcto. É quase impossível comparar resultados nestas condições.

 

Todavia, estamos na presença de alunos do 9ºano que nos últimos seis anos foram sujeitos às célebres medidas reformistas, mas que também assistiram a quatro quedas fundamentais no seu país: a maior desautorização dos professores que a história conheceu; a constante terraplenagem da cultura organizacional das escolas; o aumento da infantilização e do excesso de garantismo consubstanciado em resmas de má burocracia; a bancarrota por excesso de consumo e de maus hábitos educativos.

 

Mas já se sabe: os culpados vão ser os professores. Começa a faltar a paciência, realmente.

 

Resultados dos exames do 9º ano são os piores dos últimos anos



paulo guilherme trilho prudêncio às 11:05 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Terça-feira, 28.09.10

 

 

 

Tenho trocado vários emails com leitores que se interessam pelos estudos sobre o sucesso escolar (ou insucesso, como queiram). Defendo que, grosso modo, se pode considerar as seguintes percentagens na responsabilização pelo sucesso escolar: 60% para as famílias e para a sociedade, 30% para a escola como organização e 10% para os professores e o ensino.

 

Há alguns anos que li estudos neste sentido e fui desenvolvendo a ideia.

 

A história dos sistemas escolares evidencia: sociedades com mais ambição escolar e com meios económicos que a sustentem atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar. É irrefutável. Podíamos até atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90%. Ou seja: se conseguíssemos sujeitar 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, os resultados seriam reveladores. Deixemos esta responsabilidade nos 60% para que sobre espaço para os outros níveis.

 

Se testássemos 100 alunos em escolas com organizações de níveis opostos mas na mesma sociedade, esperar-se-iam resultados diferentes. Todavia, essa diferença não seria tão acentuada como no primeiro caso. As condições de realização do ensino (clima escolar, disciplina, número de alunos por turma e na escola, autonomia da escola, desenho curricular, meios de ensino) devem influenciar em 30% e são mais significativas do que o conjunto dos professores.

 

Se 100 alunos cumprissem duas escolaridades com 100 professores diferentes, os resultados deveriam oscilar muito pouco. É neste sentido, abrangente, histórico e generalista que se deve considerar os 10% atribuídos aos professores.

 

É também por isso que pode ser um logro absoluto que uma sociedade com baixos níveis de escolaridade consuma as suas energias à volta do desempenho dos 10% ou sequer se convença que basta mudar o conteúdo físico dos 30% para que tudo se resolva. A componente sociedade é decisiva e se fecharmos bem os olhos podemos até considerar que 60% é um número por defeito. Mas mais: por paradoxal que pareça, sem os 10% nada acontece e não há ensino.



paulo guilherme trilho prudêncio às 15:10 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 02.08.10

 

 

É inegável que Portugal tem feito progressos nos números da escolaridade. O analfabetismo está quase erradicado e a taxa de abandono escolar precoce tem diminuído apesar de ainda estar acima dos 30%. Tenho ideia que cada vez existem mais portugueses competentes, qualquer que seja o ângulo de análise. Mas estamos obviamente insatisfeitos. Nem é por essa ser uma das características dos humanos, é porque alguns dos números apresentados envergonham-nos.

 

Sabemos há muito que, e em números redondos, 60% do sucesso escolar se deve às famílias, 30% à organização escolar e 10% aos professores. Escolas com um número aceitável de alunos, grupos socialmente heterogéneos e turmas com cerca de 20 ou menos estudantes são três condições básicas. Mas mesmo isso pode não ser suficiente, se a sociedade estiver ausente e se a educação dos petizes não for uma objectivo primeiro. Não adianta pensar que tudo se muda alterando apenas a escola e seja em que sentido for. Não se eleva a educação nem a escolaridade transformando a escola num local de passagem, de entretenimento e de guarda de crianças; estas intenções podem mesmo ser desastrosas.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:17 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 01.08.10

 

 

 

 

Já cometemos mais um disparate e nem sei como vamos sair desta coisa dos mega-agrupamentos, dizia o spin do lado esquerdo. Lançamos a ideia do fim dos chumbos para se entreterem com outra coisa, avançou o spin do lado direito. De acordo, disse o spin do lado do vento que sopra mais forte e que rapidamente acrescentou: e não se esqueçam de avisar o Pai Eterno.



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:13 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

 

Vale a pena ouvir a entrevista da actual ministra no link que vou sugerir. De acordo com os argumentos da ministra da Educação, o motivo para mais mais esta contestação não está na ideia desajustada que lançou, mas na incompreensão dos diversos actores do sistema. Na opinião de Isabel Alçada as pessoas é que são avessas à mudança e não são as incompreendidas propostas que se inspiram na estratosfera ou não têm pés nem cabeça, como se tem comprovado.

 

Afinal, a ideia de terminar com as reprovações não é para já. A intenção era lançar a discussão no sentido mais profundo. Ou seja, antes desta ministra o sucesso escolar estava por discutir. Não há mesmo pachorra. É interessante (se não fosse trágico) que toda esta questão continue a ser discutida como se não houvesse sociedade e com uma única via: sobrecarregar o já insuportável caderno de encargos da escola.

 

 

Ministra da Educação esclarece que não pretende fim imediato dos chumbos



paulo guilherme trilho prudêncio às 12:48 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 31.07.10

 

 

Foram anos a fio de infantilização da educação e do ensino - com a agravante dos últimos quatro onde se desautorizou de forma inaudita o papel democrático da escola pública - para ainda termos de aturar mais esta pérola do eduquês lusitano. Sabemos que há sociedades onde isto é possível, mas, e muito francamente, introduzir uma coisa destas por aqui, e nesta fase, pode ser desastroso. Das três uma: são efeitos do calor que se tem feito sentir na capital, está aberta a silly season ou a estratosfera está em plena laboração.

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:46 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 26.07.10

 

"PIB, Educação e PISA, reduzidos numa folha de Excel" é o título que o blogger Miguel Pinto escolheu para um post onde desconstrói uma notícia do Expresso. Não sei se a referência à folha de cálculo tem algum relação com a preocupante preferência manifestada pelo actual presidente do PSD; é que o uso exclusivo dessa ferramenta nos tempos que correm pode originar um handicap semelhante a alguém que diz que não pode escrever porque não tem tinta no tinteiro.

 

Mas voltando ao oportuno post do Miguel Pinto, aqui, ele tem um parágrafo lapidar e que a sociedade portuguesa teima em não considerar: "Se a condicionante-chave é a formação dos pais do aluno, o problema dos resultados encontra-se fora da escola. Para o bem e para o mal, não martirizem as escolas e os professores por algo que os transcendem". Mas leia o post todo e tire as suas conclusões.



paulo guilherme trilho prudêncio às 18:25 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 15.07.10

 

 

 

 

 

Nunca fiz circular por mail, ou noutro qualquer suporte, textos de alunos com erros de ortografia. Quem o faz já fica a saber que merece a minha reprovação. Também não me regozijo quando o conjunto de resultados escolares de um qualquer grupo de alunos é negativo. Ainda ontem fiquei incomodado quando fomos confrontados com percentagens acima dos 30% no abandono escolar precoce em Portugal. É uma vergonha sem limites.

 

Nos últimos dias muitos bloggers têm escrito, e bem, a propósito dos resultados mais baixos que se verificaram este ano nos exames. Naturalmente que houve uma generalizada indignação durante estes últimos anos com aquilo que se designou, e bem, por facilitismo e manipulação de dados e de políticas.

 

Recordo um parágrafo que escrevi em 2006 a propósito deste assunto. Relembro que a então ministra advogava os méritos das suas políticas, que se tinham iniciado nesse ano, nos resultados escolares de alunos que nem tinham sido alvo das mesmas. Para além da questão do tempo para se modificar resultados escolares, importa referir que cerca de 60% do sucesso dos alunos compete à família, 30% à organização escolar e 10% aos professores (por muito que isto custe a muitos excelentes professores). O tempo, sempre o tempo, lá trata da verdade.

 

"(...)Outro dia dei com a senhora ministra da educação em pleno telejornal. Apressou-se a exibir o seu regozijo com a eficácia das aulas de substituição e com o "plano da matemática": dizia, eu ouvi, que já se notam os resultados: o sucesso nos exames de matemática do 12º ano, são, este ano, prova disso. Fiquei estarrecido. É grave: se uma ministra tem este atrevimento e revela tanta imaturidade científica e pedagógica, então, meu caro leitor, está tudo explicado. É escusado dizer, mas uma semana depois a senhora ministra é desmentida por mais dados: os alunos do 9º ano nunca tiveram resultados tão fracos nos exames de matemática.(...)"

 

Aqui, Julho de 2006.



paulo guilherme trilho prudêncio às 12:30 | link do post | comentar | ver comentários (12) | partilhar

Sexta-feira, 09.07.10

 

 

 

 

Tenho a sensação que foi exactamente por causa da propaganda e da apresentação apressada e atabalhoada de números (e isso está mais do que comprovado) que se questionou de forma muito negativa e ideia válida da certificação e validação de competências. Mas a saga continua, agora na secretaria de estado do emprego e da formação profissional.

 

Reduzir abandono escolar para metade é a meta até 2015

 

"Reduzir para metade a taxa de abandono escolar é o objectivo traçado pelo Governo até 2015, colocando assim o país ao nível dos valores médios europeus.(...)"



paulo guilherme trilho prudêncio às 10:42 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 06.07.10

 

 

Desde há muito que se conhece um factor essencial para o combate ao abandono e às desigualdades escolares: sem sofismas, e dando nomes às coisas, é fundamental que a escola seja preferida pelos encarregados de educação que têm ambição escolar para os seus educandos. A presença desse grupo de alunos numa escola melhora a sua cultura organizacional: ajuda a reforçar o ambiente de ensino e serve de exemplo e de estímulo aos que não tiveram a sorte de beneficiar da mesma aspiração familiar; e isso é uma exigência da democracia.

 

Escolas só para as "elites" ou destinadas apenas a uma segunda linha são fenómenos de ghetização que as sociedades acabam sempre por pagar.



paulo guilherme trilho prudêncio às 00:51 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Domingo, 13.06.10

 

Foi daqui

 

 

 

Nem vou discutir neste post a bondade das turmas de currículos alternativos ou dos cursos de educação e formação (CEF). Depois de anos com avanços e recuos nestas matérias, os ME´s de David Justino e de Maria de Lurdes Rodrigues avançaram a todo o vapor com a ideia. Os números de 2009 são claros: cerca de 10% dos alunos do 3º ciclo frequentam CEF - mais de 40 mil - e 36% dos do secundário estão nos cursos profissionais. Sabe-se que no 3ºciclo a taxa de insucesso baixou exactamente cerca de 10%. Em Portugal, a frequência CEF é para alunos com fraco rendimento escolar e baixa as taxas de insucesso no ensino regular e ponto final. A jornalista Clara Viana do Público, aqui, tem hoje um peça muito interessante sobre o assunto.

 

Foi exactamente por causa da manipulação dos números que comecei a escrever no blogue sobre o sistema escolar puro e duro. O correntes começou em 25 de Abril de 2004. Terminava um mergulho de quase catorze anos em gestão escolar (nove no nível micro e cinco no meso). Tinha-me prometido que o blogue seria principalmente para outras coisas. Deixei a gestão democrática de Santo Onofre em 2005 e passado um ano e pico já estava de novo metido num turbilhão informativo. Principalmente por culpa da manipulação de números, repito, mas também para combater um pacote neoliberal de políticas como não havia memória na história dos sistemas escolares conhecidos.

 

Em 2007, como pode ler aqui, detectei um verdadeiro desplante da então ministra: o sucesso nos exames do 12º ano a Matemática devia-se às aulas de substituição. Ora, se essas aulas decorriam apenas no 3º ciclo, assim como o plano de Matemática, era um absurdo - desde logo, os alunos do 12º ano tinham frequentado o 3º ciclo há pelo menos 3 anos - considerar esta argumentação. Percebi imediatamente que a carga manipuladora se destinava ao lumpen, e a exemplo de outras matérias, e para servir a agenda política que já referi. Fiquei aterrado.

 

Mas mais: também se dizia que a taxa de insucesso no 3º ciclo diminuía por causa das aulas de substituição e ocultava-se a maior enchente CEF que a história registou. A indignação tomou conta das minhas teclas e só parará se um dia regressar a sensatez, a verdade (sim, a verdade - e não me venham com a ladainha de que há mais do que uma verdade que sei disso muito bem: refiro-me ao contrário da mentira e à busca da coerência mínima, que raio -) e o sentido de estado.



paulo guilherme trilho prudêncio às 17:19 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sexta-feira, 11.06.10

 

 

 

 

Este PS não tem solução. Quem conhecer minimamente o terreno ou estiver teoricamente bem consolidado, sabe que o número de alunos por turma em Portugal tem muito que se lhe diga. Em primeiro lugar, por existir um número exagerado de professores que não lecciona e presta funções nos serviços centrais ou regionais (e na equipas de apoio às escolas ou a projectos) do ME. Por outro lado, querer cruzar o número de alunos por turma com as taxas de aprovação escolar, nomeadamente no primeiro ciclo, pode conduzir a conclusões desfasadas do real. Era preciso considerar outras variáveis independentes, como o nível socio-económico das famílias, a localização geográfica das escolas e por aí adiante. É triste termos que ler opiniões como as que pode conhecer a seguir.

 

Turmas mais pequenas? ME e especialistas dividem-se



paulo guilherme trilho prudêncio às 16:13 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 14.04.10

 

Tenho estado fora da rede e quando entrei dei com uma notícia que daria vontade de rir se não fosse trágica. Se cada concelho fosse há muito responsável pelo abandono escolar dos seus munícipes, as garantias seriam credíveis.

 

 

Portugal garante que consegue reduzir casos de abandono escolar

 




paulo guilherme trilho prudêncio às 20:49 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Segunda-feira, 31.08.09

 

 

... ora leia aqui um texto de José Luiz Sarmento sobre o assunto.



paulo guilherme trilho prudêncio às 17:39 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 27.08.09

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

Estou num regresso intermitente ao blogue. Falta acertar umas tarefas domésticas de fim de férias com a agravante de estar a mudar de computador.

 

Fiz uma primeira passagem pelos blogues. O Paulo Guinote realizou, com o brilhantismo habitual, uma clarificação dos números do insucesso e do abandono escolar apresentados pelo actual governo. São várias as entradas e sugiro que navegue pelas seguintes ligações: aqui, aqui, aqui, e aqui.

 

Voltarei ao assunto.



paulo guilherme trilho prudêncio às 23:21 | link do post | comentar | partilhar

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