Em busca do pensamento livre.

Terça-feira, 07.02.17

 

 

 

 

Portugal é o país da OCDE onde os professores perdem mais tempo com a disciplina para começar uma aula e é onde existem, como hoje se conclui, salas de aula em que "reina a "pequena indisciplina"". E não saímos disto, com o discurso circular de "especialistas" (no caso o antigo responsável pelo Observatório de Segurança em Meio Escolar) a culpar "mais os professores do que os alunos".

E se procurássemos, definitivamente, outras culpas? Sumariemos: escola a tempo inteiro, ou "armazém", como resultado da sociedade ausente; aluno-cliente como negação dos elementares princípios docimológicos (não tarda e a publicitação da calendarização de testes chega ao primeiro ciclo para que um petiz convoque os advogados porque o professor o submeteu a um questionário de avaliação sem calendarização; isto sim, o nefasto "facilitismo"); uma década de devassa, mediatizada em primeira página, da carreira dos professores; indústria de exames nacionais, com os respectivos quadros de mérito e com a publicitação de resultados de crianças (é a preparação para a selva, dizem "especialistas da ordem contrária"); "supressão" de intervalos escolares; aulas de noventa minutos como receita do 5º ao 12º ano e em todas as disciplinas; mais alunos por turma; mais turmas por professor; terraplenagem do estatuto da carreira dos professores; agrupamentos de escolas como negação da gestão de proximidade e com aumento da hiperburocracia como factor ilusório de controle; legislação de disciplina escolar na lógica de um "tribunal dos pequeninos"; e por aí fora. Se nada de moderado, sensato e democrático acontecer, daqui por uma década voltaremos, seguramente, ao mesmo e, obviamente, aos culpados do costume.

 

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Quinta-feira, 20.10.16

 

 

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A notícia do Expresso de 12 de Março de 2016 sublinhava que a Finlândia era "um país sem exames nem inspecção, em que as mudanças só aconteciam de 10 em 10 anos, em que todos participavam na discussão e em que a expressão-chave era a confiança nos professores".

E é isto. 

Por cá é a indisciplina escolar, a desconfiança enraizada, a inabilidade na educação, a sociedade ausente, a escola a tempo inteiro, a discussão à volta de mais ou menos prova para "disciplinar" crianças, as avaliações externas centradas na produção de papelada medida às resmas e a "apatia" na participação democrática. O que levamos de milénio (onde ministros se acharam providenciais e plenipotenciários) instituiu o modismo taylorista, exportado pelos EUA para o Japão no inicio do século passado. Acrescentaram-se programas informáticos de empresas comerciais a dirigir modelos organizacionais. E depois, queremos mais mobilização e menos "saturação, exaustão e fuga" (burnout).



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Terça-feira, 05.04.16

 

 

 

 

A Direcção Regional de Educação de Lisboa convidou-me para falar sobre segurança escolar. Foi em Óbidos, na Casa da Música. Dei uma vista de olhos na papelada e não encontrei o certificado, mas tenho a certeza que foi na primavera de 2004. Quando me telefonaram, lembro-me de lhes ter perguntado: "Sobre segurança? Então?". "Porque a tua escola estava mergulhada em indisciplina e insegurança e hoje isso é mais do que residual". Respondi-lhes: "Ok. Obrigado. Mas o que vou dizer não é, provavelmente, aquilo que vocês querem ouvir" (pressentia o que se viria a passar a seguir no sistema escolar - começou a desenhar-se em 2002 - de perseguição aos professores, embora nunca imaginasse que fosse tão mau como foi).

 

Dei um vista de olhos pelos tópicos que utilizei e faço uma síntese com a ideia de apresentar alternativas à escola-industria e focado na boreout:

 

  • participação empenhada em diversos programas que envolveram a segurança na zona envolvente, nomeadamente com os projectos escola segura e Malhoa;
  • dados todos tratados em sistemas de informação construídos na escola;
  • construção e desenvolvimento de um núcleo de comunicação social que produz o website escolar, o jornal escolar e uma página na edição impressa do jornal local com mais audiência;
  • eliminação, mas eliminação mesmo, da má burocracia (vulgo papelada) e construção de horários escolares adaptados, mas adaptados mesmo, ao projecto educativo e aos transportes escolares dos alunos;
  • trabalho persistente e muito bem preparado ao nível da rede escolar, com a preocupação de reduzir o número de alunos por turma e de encontrar outras soluções de escolaridade para os alunos com um percurso a indiciar abandono escolar;
  • ausência de campainhas; 
  • intervalos durante as aulas de 90 minutos adequados à conveniência pedagógica e didáctica da responsabilidade de cada professor;
  • celebração diária dos aniversários de todos (o nosso quadro de mérito);
  • vasos com plantas todos os dias e não apenas nos dias das visitas institucionais;
  • papel higiénico, saboneteiras e secadores de mãos em todas as casas de banho;
  • regras simples, transparentes e exequíveis para os casos de indisciplina (começou com uma expulsão (embora a rede social não tivesse sido descurada), seguiram-se várias suspensões (em regime sumaríssimo e sempre em articulação com a associação de pais e com os encarregados de educação em causa) com leitura do texto da sanção em todas as salas de aula e em tempo útil, e nos últimos três anos nada disso aconteceu);
  • e, finalmente, o mais importante: a escola não é apenas inclusiva para os alunos (honra-nos muito que a DREL indique a escola para os alunos com necessidade educativas especiais) mas é-o também para os professores e para os funcionários (e isso significa confiança, mas confiança mesmo, e respeito pelas pessoas) como fazem as organizações bem sucedidas (mas só o modo como isso se faz dava para outra conferência). Temos todo o cuidado em proporcionar as melhores condições para a realização das aulas e nesta escola só resolve os problemas sozinho quem quer.

(1ª edição em 10 de Maio de 2010)

 

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Sábado, 12.03.16

 

 

 

A notícia do Expresso sublinha que a Finlândia é "um país sem exames nem inspecção, em que as mudanças só acontecem de 10 em 10 anos, em que todos participam na discussão e em que a expressão-chave é a confiança nos professores". Nem por acaso, um dos editores do blogue "ComRegras" (muito dinâmico nestes primeiros 15 meses), o Alexandre Henriques, informa que o seu trabalho de investigação sobre a indisciplina escolar atingiu o momento mais mediático da história do blogue.

 

E é isto.

 

Por cá é a indisciplina escolar, a desconfiança enraizada, a inabilidade na educação, a sociedade ausente, a escola a tempo inteiro, a discussão à volta de mais ou menos prova para "disciplinar" crianças, as "aulas inovadoras" como quem inventou a roda e a "apatia" na participação democrática. O que levamos de milénio (onde até ministros se acharam providenciais e plenipotenciários) instituiu o modismo taylorista, exportado pelos EUA para o Japão no inicio do século passado: um pensa e muitos executam; por cá acrescentaram-se os programas informáticos (software) de empresas comerciais (outsourcing), em "parceria" com programas de avaliação externa anteriores à sociedade da informação e do conhecimentoa dirigir os modelos organizacionais. E depois queremos mais mobilização e menos "saturação, exaustão e fuga" (burnout) dos profissionais.

 

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Quarta-feira, 21.10.15

 

 

 

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Do exercício de Nuno Crato ficam duas variáveis a corrigir (faliram na fundamentação, se é que ainda era preciso): alunos por turma e empobrecimento curricular. O seu ministério acentuou duas componentes críticas: degradação do estatuto dos professores (que se pagará durante muitos anos) e modelo, mega, de gestão escolar.

 

Lembrei-me da entrevista, na imagem, ao ex-MEC (12 de Julho de 2014) publicada no Observador. Andava-se à volta do elevado número de professores, uns 4 mil, que solicitaram a rescisão contratual; com um programa favorável a "fuga" atingiria uns 30 a 40 mil.

 

Crato culpou a indisciplina, mistificou assuntos sérios e contraditou-se. Foi óbvia a interrogação do jornalista: não devia então diminuir o número de alunos por turma em vez de aumentar? Crato tergiversou e revelou-se adepto do mercado escolar. Devia saber que onde esse mercado se instalou em Portugal (e pode ir à Suécia e afins), e considerando que o eduquês de Crato olha para os encarregados de Educação (EE) como "clientes-tout-court", os EE que mais contribuem para a indisciplina impõem a sua cultura e isso alastra-se numa sociedade ausente como a nossa.

 

A destruição do estatuto dos professores foi, é e será, a causa da "fuga" e só não concluiu assim quem nunca pôs os pés numa sala de aula. A profissionalidade, e a confiança democrática, dos professores não recebeu uma notícia positiva na última década e só com uma boa dose de cinismo se conseguiu argumentar com o "desgaste de uma profissão difícil".

 



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Segunda-feira, 14.07.14

 

 

 

 

 

 

 

Nuno Crato tem sido interrogado por jornalistas por causa do elevado número de professores que querem rescindir com o MEC. Ao que julgo saber, existem 93 milhões de euros para rescisões, mas as solicitações, cerca de 4000, já vão em mais de 400 milhões. E se as condições do programa fossem mais favoráveis, os números da "fuga" andariam pelos 30 a 40 mil.

 

Recebi um email com um link para o Observador donde tirei a primeira imagem. Escolhi para a segunda imagem, lá mais abaixo, uma parte da entrevista a Nuno Crato no último Expresso.

 

Nas duas entrevistas (até perecem uma só), Crato culpa a indisciplina e desresponsabiliza o aumento do número de alunos por turma. Aponta um número em que vale tudo: uma média de 22 alunos por turma no ensino não superior, na média da OCDE e que já se verificava em 2009. Ou seja, faz uma média incluindo as turmas do 1º ao 12º anos de escolaridade e faz uma espécie de mescla: turmas com alunos inibidores, turmas de cursos CEF, turmas de cursos profissionais, turmas regulares e turmas regulares de opções. Interroguem-se os professores e, se houvesse uma réstia de confiança nesses profissionais, saber-se-ia que as turmas têm excesso de alunos.

 

Estes assuntos exigem muita tecla, mas é óbvia a interrogação dos jornalistas: depois do que disse, não devia diminuir o número de alunos por turma em vez de aumentar? Claro que devia diminuir. Nenhuma turma devia funcionar com mais de 24 alunos em qualquer ciclo de escolaridade, as turmas com alunos inibidores da sua formação com 18 (para 2) ou 20 (para 1) e as turmas dos vocacionais, profissionais e opções com um máximo de 16 e em alguns casos 12. Mas já se sabe que Crato é para além da troika e que não tem coragem para o assumir. Limita-se a mistificar assuntos sérios.

 

O ministro revela, naturalmente, um apego à concorrência entre escolas. É adepto do mercado escolar. Devia saber que onde esse mercado já está instalado em Portugal, e se considerarmos que o eduquês menos sensato, como o de Crato, olha para os encarregados de Educação como "clientes-tout-court", os encarregados de Educação que mais contribuem para a indisciplina impõem a sua cultura às escolas que cada vez mais dependem da matrícula dos seus educandos. Isso é fatal e alastra-se numa sociedade demasiado ausente como a nossa.

 

A destruição do estatuto dos professores no que levamos de milénio é a causa principal da "fuga" e só não conclui assim quem não põe os pés numa sala de aula.

 

Sejamos claros: há mais de 10 anos que a profissionalidade dos professores não recebe uma notícia positiva e é preciso uma boa dose de cinismo para vir agora argumentar com o "desgaste de uma profissão difícil" depois dos cortes a eito para além da troika e de toda a tralha de eduquês II associada. E é ainda mais grave se considerarmos a campanha eleitoral do actual Governo que denunciou a confessada guerra aos professores perpetrada pelos executivos de Sócrates.

 

 

 

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 08.04.14

 

 

 

 

 

Quando há pouco tempo fiz este post a propósito de uma espécie de investigação de Maria Filomena Mónica e em que escrevi que ""Tudo o que o Ministério da Educação manda por "e-mail" para as escolas é inútil. Tudo!", ou o professor "abaixo de cão", é uma discussão para acompanhar com curiosidade. Tenho uma dissertação sobre o assunto e não quero reafirmar o "tudo"; mas convenço-me que anda lá perto, que a maioria da informação obtida é inútil e solicitada repetidamente." estava longe de imaginar que umas opiniões sobre o tratamento da informação nas organizações escolares também incluíam conclusões devastadoras para a disciplina nas salas de aula das escolas públicas. O que podia ser uma defesa de uma causa tão nobre pode transformar-se num testemunho de um caos que está por provar.

 

Há indisciplina, mas também continuam a existir milhares de sinais positivos todos os dias. Os diários de duas professoras, quatro alunas e uma mãe são uma amostra sempre interessante, mas com reduzido valor empírico numa área muito difícil de investigar. Digamos que do iluminismo à ciência actual vão algumas premissas que devem ser consideradas. Foi assim que li as breves observações que o Paulo Guinote fez a algumas conclusões de Maria Filomena Mónica. A socióloga e historiadora respondeu de forma deselegante e o Paulo ripostou assim.

 

 

 

 



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Sexta-feira, 04.04.14

 

 

 

 

 

 

 

 

Leia aqui

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 12.03.14

 

 

 

 

Um blogue é também um registo algo intimista que nos permite arquivar acontecimentos para memória futura.

 

No dia 18 de Dezembro de 2013, e conforme o prometido, voltei à Mais Oeste Rádio para uma hora de conversa com Jorge Santos (um ex-aluno dos primeiros tempos nas Caldas da Rainha e é mesmo uma viagem no tempo ser entrevistado nessas circunstâncias) e com o José Ramalho do CCC das Caldas da Rainha com quem me habituei a ter conversas muito interessantes. A entrevista acabou por se prolongar por duas horas e passei um bom bocado. O Jorge Santos fez o favor de colocar o áudio no youtube e de me enviar os links (um para cada hora) que permite ouvir e arquivar.

 

 

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Sábado, 25.01.14

 

 

 

 

 

As últimas semanas mediatizaram a violência entre jovens e jovens adultos. Li testemunhos impressionantes sobre "gangues de boas famílias que lutam quase até à morte" (que raio de título), numa peça onde também se lê que "(...)Às mãos do cirurgião plástico Biscaia Fraga chegam “cada vez mais” adolescentes que procuram disfarçar as cicatrizes deixadas por rixas violentas. “Querem corrigir sobretudo lesões no nariz, nos lábios, mas também cicatrizes na cara e no pescoço”, revela ao SOL o especialista, lembrando que até há cinco anos estes casos eram “raríssimos”.(...)".

 

Há uns anos que proliferam os casos de indisciplina e violência nas escolas. Não ouso classificar estes sintomas, mas tenha a certeza que a nossa sociedade era muito mais solidária e pacífica nas décadas de oitenta e noventa do século passado.

 

Estou a ver um documentário sobre praxes na RTP1 que teve impacto internacional. Estou perplexo com o que estou a ver.

 

Escolhi dois textos sobre o assunto de quadrantes políticos diferentes. O denominador é comum.

 

 

Pedro Bacelar de Vasconcelos.

 

 

 

 

Termina assim:

 

 

 

Vasco Pulido Valente.

 

 

E termina assim:

 

 

 



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Segunda-feira, 25.11.13

 

 

 

 

 

(Este post é de 31 de Janeiro de 2012)




Alguém deixou a revista da última edição do Expresso em cima da mesa e lembrei-me de ir ao site do semanário e digitalizar uma parte da capa.

 

Há inúmeros testemunhos, e algumas evidências empíricas, que atestam a natural e histórica irreverência dos adolescentes. Mas há diferenças entre irreverência e falta de Educação.

 

A falta de confiança nos professores desenhada pelas políticas escolares dos últimos anos foi desastrosa e contribuiu para o clima vigente. Está comprovado. Reverter a situação leva tempo e requer acções.

 

Como tenho defendido em ideias como esta, a sociedade, através do combate à ghuetização social e à exigência de mais tempo para os petizes, desempenha um papel nuclear. É fundamental mediatizar um ranking concelhio com os números do abandono e do insucesso escolares nas primeiras idades da escolarização.

 

Tenho por aqui opiniões interessantes do filósofo espanhol Fernando Savater, publicadas em 10 de Novembro de 2006.

 

 

"As crianças não encontram em casa a figura de autoridade", que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater.

 

Para Savater, os pais continuam "a não querer assumir qualquer autoridade", preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos "seja alegre" e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador  quase exclusivamente para os professores.

 

(...)"são os próprios pais e mães que não exerceram essa  autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os", acusa.

 

(...)Muitos professores estão "psicologicamente esgotados" e se transformam "em autênticas vítimas nas mãos dos alunos".

 

(...)"A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara", afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, "uma oportunidade e um privilégio".

 

(...)as crianças não são hoje mais violentas ou mais  indisciplinadas do que antes; o problema é que "têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos".

 

(...)Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade.







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Segunda-feira, 14.10.13

 

 

 

 

 

Percorri alguns blogues e jornais online e dei com duas notícias desconcertantes: um professor que diz que está "preparado fisicamente para actuar se um aluno desobedecer" e um caso muito grave de um aluno que é suspeito de "ter esfaquado uma colega e uma funcionária". É um dia atípico em termos mediáticos nos assuntos do sistema escolar, mas será um qualquer sinal.

 

No primeiro caso, regista-se a existência de um professor adepto do docente-especialista-em-wrestling. É, no mínimo, uma novidade. Há uns anos fiz um post com a seguinte pergunta: pode um invisual ser professor? Terminei o post assim: "A resposta, mesmo que se fique pela dúvida, pode atestar da qualidade da nossa sociedade". Não sei se o docente-especialista-em-wrestling defende a opção pelas artes marciais como forma de incluir todos os professores. É que nem todos os professores são tão fortes como este inesperado lutador.

 

O segundo caso é mais perturbante. Pode até ser um fenómeno isolado e que não se repita tão cedo. Assim se espera. Mas com o empobrecimento em curso associado ao aumento do número de alunos por turma, ao aumento dos horários dos professores nos últimos dois anos e à dificuldade da gestão de proximidade, não nos devemos espantar se o clima de desesperança que atravessa o sistema escolar vá para além do abandono e do insucesso escolares em curso.

 

 

 



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Terça-feira, 31.01.12

 

 

 

 

Alguém deixou a revista da última edição do Expresso em cima da mesa e lembrei-me de ir ao site do semanário e digitalizar uma parte da capa. Há inúmeros testemunhos, e algumas evidências empíricas, que atestam a natural e histórica irreverência dos adolescentes. Mas há diferenças entre irreverência e falta de Educação.

 

A falta de confiança nos professores desenhada pelas políticas escolares dos últimos anos foi desastrosa e contribuiu para o clima vigente. Está comprovado. Reverter a situação leva tempo e requer acções, que vão da avaliação de professores à gestão escolar e passando pelo estatuto do aluno. Mas não chega. Como tenho defendido em ideias como esta, a sociedade, através do combate à ghuetização social e à exigência de mais tempo para os petizes, desempenha um papel nuclear. É fundamental mediatizar um ranking concelhio com os números do abandono e do insucesso escolares nas primeiras idades da escolarização.

 

Tenho por aqui opiniões interessantes do filósofo espanhol Fernando Savater, publicadas em 10 de Novembro de 2006.

 

"As crianças não encontram em casa a figura de autoridade", que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater.

 

Para Savater, os pais continuam "a não querer assumir qualquer autoridade", preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos "seja alegre" e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador  quase exclusivamente para os professores.

 

(...)"são os próprios pais e mães que não exerceram essa  autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os", acusa.

 

(...)Muitos professores estão "psicologicamente esgotados" e se transformam "em autênticas vítimas nas mãos dos alunos".

 

(...)"A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara", afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, "uma oportunidade e um privilégio".

 

(...)as crianças não são hoje mais violentas ou mais  indisciplinadas do que antes; o problema é que "têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos".

 

(...)Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade.




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Terça-feira, 08.11.11

 

 

O desenho é do Antero. 

 

Não gosto de mediatizar coisas destas, porque expõe crianças e jovens por causa da má educação dos seus deseducadores. Mas os tempos são o que se sabe e temos de ajudar a alterar o estado de sítio educativo que a senhora do desenho acentuou. 

 

Aluno copiou em teste com ajuda da mãe através de SMS

 

Um aluno do 5.º ano do Agrupamento Vertical Dr. Francisco Gonçalves Carneiro, em Chaves, foi surpreendido pela professora a copiar num teste, com a ajuda da mãe, que lhe enviava mensagens escritas de telemóvel com as respostas das perguntas.

 

Contributo da Ana Mendes da Silva.



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"O CEO da Covey Leadership Center e líder do Global Speed of Trust Practice já integrou a lista dos 25 americanos mais influentes da revista Time e esteve em Lisboa para a Happy Conference, onde falou sobre a importância vital da confiança no poder das organizações." (esta frase é da edição impressa da Pública e foi uma cortesia do José Mota).

 

A confiança poderá ser a nova moeda para a economia. Nos sistemas escolares é a palavra chave desde há muito. A confiança nos professores é decisiva para eliminar a má burocracia. A palavra de um professor vale menos que um qualquer relatório, mesmo que seja um copy and paste. O pior da quebra de confiança reflecte-se na indisciplina na sala de aula. A constante degradação mediática da imagem dos professores só é superada pelas políticas que os desacreditam no poder das organizações. É um ranking ensandecido. As crianças e os jovens intuem o estado de sítio. Tudo começa no estatuto do aluno, passa pelo dos professores e pela sua avaliação e prossegue nos modelos de gestão escolar. Se para Stephen Covey é esse o caminho que existe, para o sistema escolar trata-se de o recuperar. Quanto mais tarde o fizermos, mais depauperada ficará a democracia.



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Má Sorte A Minha…



publicado por paulo prudêncio às 09:50 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 20.08.11

 

 

 

... é o título do último livro da jornalista Bárbara Wong. A sinopse diz assim:


"Qualquer um vai para professor. Os professores não sabem ensinar, na realidade não se preocupam com os alunos. Têm uma boa vida, estão sempre de férias. Não querem ser avaliados. Os pais indignam-se. Como é possível que haja miúdos a falar ao telemóvel dentro da sala de aula? O meu filho não bateu no professor! Bárbara Wong, jornalista com vários anos dedicados à área da Educação, falou com professores, pais e estudantes de todo o país para conhecer as suas histórias. O resultado é este livro perturbador que nos conta o que verdadeiramente se passa na sala de aula dos nossos filhos. Sem tentar desculpabilizar ou demitir os professores das suas funções, porque, como em todas as profissões, há bons e maus profissionais. Mas pondo o dedo na ferida. Ao longo destas páginas vamos conhecer Jonas, que trabalhou até ao último dia da sua vida com um cancro na língua, depois de várias juntas médicas e recusas de reforma, Adriana, que foi agredida por uma mãe por ter proibido o aluno de atender o telefone na sala, etc."

A Minha Sala de Aula é uma Trincheira de Bárbara Wong"


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Sábado, 27.11.10

 

 

Convidaram-me, enquanto presidente de Conselho Executivo de uma escola portuguesa, para fazer uma conferência sobre segurança escolar. Já dei uma visto de olhos na papelada e não encontrei o certificado, mas tenho quase a certeza que foi na primavera de 2004. Foi, seguramente, em Óbidos, na Casa da Música, e organizada pela Direcção Regional de Educação de Lisboa.

 

Quando me telefonaram a fazer o convite, lembro-me de lhes ter perguntado: "Sobre segurança? Porquê eu?". "Porque a tua escola estava mergulhada em indisciplina e em insegurança e hoje tudo isso é mais do que residual". Respondi-lhes: "Como habitualmente, só vou dizer o que penso o que provavelmente não é aquilo que vocês querem ouvir "(também pressentia o que se viria a passar a seguir no sistema escolar (começou a desenhar-se em 2002) de perseguição aos professores, embora nunca imaginasse que fosse tão mau como foi).

 

Dei um vista de olhos pelos tópicos que utilizei e faço uma síntese:

  • participação empenhada em diversos programas que envolveram a segurança na zona envolvente da escola, nomeadamente com os projectos escola segura e malhoa;
  • dados todos tratados em sistemas de informação construídos na escola;
  • construção e desenvolvimento de um núcleo de comunicação social que produz o website escolar, o jornal escolar e uma página na edição impressa do jornal local com mais audiência;
  • eliminação, mas eliminação mesmo, da má burocracia (vulgo papelada) e construção de horários escolares adaptados, mas adaptados mesmo, ao projecto educativo e aos transportes escolares dos alunos;
  • trabalho persistente e muito bem preparado ao nível da rede escolar, com a preocupação de reduzir o número de alunos por turma e de encontrar outras soluções de escolaridade para os alunos com um percurso a indiciar abandono escolar;
  • ausência de campainhas;
  • intervalos das aulas de 90 minutos adequados à conveniência pedagógica e didáctica da responsabilidade de cada professor;
  • celebração diária dos aniversários de todos (o nosso quadro de mérito);
  • vasos com plantas todos os dias e não apenas nos dias das visitas institucionais;
  • papel higiénico, saboneteiras e secadores de mãos em todas as casas de banho;
  • regras simples, transparentes e exequíveis para os casos de indisciplina (começou com uma expulsão (embora a rede social não tivesse sido descurada), seguiram-se várias suspensões (em regime sumaríssimo e sempre em articulação com a associação de pais e com os encarregados de educação em causa) com leitura do texto da sanção em todas as salas de aula e em tempo útil, e nos últimos três anos nada disso aconteceu);
  • e, finalmente, o mais importante: a escola não é apenas inclusiva para os alunos (honra-nos muito que a DREL indique a escola para os alunos com necessidade educativas especiais) mas é-o também para os professores e para os funcionários (e isso significa confiança, mas confiança mesmo, e respeito pelas pessoas) como fazem as organizações bem sucedidas (mas só o modo como isso se faz dava para outra conferência). Temos todo o cuidado em proporcionar as melhores condições para a realização das aulas e nesta escola só resolve os problemas sozinho quem quer.

 

Registei o apoio da plateia e um evidente embaraço nos dirigentes que comigo ocupavam a mesa do palco.

 

(1ª edição em 10 de Maio de 2010)



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Sábado, 31.07.10

 

 

Foram anos a fio de infantilização da educação e do ensino - com a agravante dos últimos quatro onde se desautorizou de forma inaudita o papel democrático da escola pública - para ainda termos de aturar mais esta pérola do eduquês lusitano. Sabemos que há sociedades onde isto é possível, mas, e muito francamente, introduzir uma coisa destas por aqui, e nesta fase, pode ser desastroso. Das três uma: são efeitos do calor que se tem feito sentir na capital, está aberta a silly season ou a estratosfera está em plena laboração.

 

 

 



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Sábado, 03.07.10

 

 

 

Foi daqui

 

 

 

O mundo das organizações empresariais, por gerarem lucros financeiros em muitos casos incomensuráveis mas também por proporcionarem benefícios inquestionáveis para o aumento da esperança e da qualidade da vida humana, ganharam preponderância em relação à gestão de outro tipo de instituições, considerando-se nesse grupo os estudos relativos aos diversos níveis dos sistemas escolares.

 

Sendo assim, os pressupostos que orientavam a vida das primeiras eram quase copiados e impostos ao metabolismo das segundas; muitas vezes com resultados desastrosos, como aqui é referido.

 

Também a evolução do pensamento político, e dos respectivos sistemas, afectou de modo significativo as relações dentro das salas de aula e as condições que as envolvem. Houve modas político-sociais ou de terapia psicológica que se transformaram em correntes de ensino; como aqui, se lhe interessar esse conhecimento.

 

Os acontecimentos recentes em Portugal trouxeram de novo para a agenda mediática a questão da autoridade dos professores. Começa mesmo a ser recorrente.

 

Essa discussão faz eco na blogosfera. Alguns bloggers mantêm o assunto na sua linha editorial e fizeram nos últimos dias posts a não perder: Paulo Guinote, aqui, Ramiro Marques, aqui, José Luiz Sarmento, aqui e Mário Machaqueiro da APEDE, aqui.

 

Tenho dedicado, naturalmente, vários posts ao assunto e não me canso de repetir: (...)Vem isto a propósito de outro clássico da vida das sociedades: a recuperação da autoridade (por parte dos adultos em relação às crianças e aos jovens) na vida das escolas e não só, claro. No que se refere ao quotidiano das nossas escolas, pode dizer-se assim: a autoridade é também um direito do aluno; de todos os alunos, salientando-se que nesse grupo estão incluídos os que têm mais vontade em aprender. E isso, o exercício da autoridade, deve acontecer com os professores mais capazes de liderar e com os professores menos capazes de liderar. E por mais voltas que dermos, tudo começa na casa de cada um. Quando não começa, a escola tem de o impor: com regras simples e claras e sem tibiezas. Mas, para isso, a escola não pode estar só nem a tempo inteiro: é isso que as crianças e os jovens esperam e desejam."

 

Não há receitas infalíveis para a liderança e há muitos aspectos que podem ser aprendidos. O link que indiquei do Paulo Guinote faz essa abordagem.

 

Mas há uma associação que se relaciona com o desvalorização actual do ensino e com a filosofia taylorista de gestão das organizações e das pessoas que teve efeitos nefastos e que contaminou os sistemas escolares.

 

Podemos considerar ainda os exemplos mais conhecidos de empowerment e de accountability que mais não eram que as sedutores e bem-pensantes ideias de "dou-te responsabilidades mas quero a respectiva prestação de contas". E estas asserções, lançadas no universo escolar com um acompanhamento mediático que insinuava a "definitiva e corajosa solução do problema", trouxeram um clima social propício à desautorização dos professores, principalmente dos mais frágeis.

 

É precisamente por tudo o que foi descrito, e por se perceber que a forma da sala de aula estar imune a modismos mas também porque tem de recuperar a justificação para a sua existência, é que muitos defendem que a única saída é a que indica um ensino centrado nos conteúdos, devendo esta preposição ser lida não apenas no sentido da mediação mas também da inter-transformação (sei que é mais uma palavrão, mas encontra a sua explicação num dos links indicados neste post) da relação pedagógica.


 

(1ª edição em 14 de Março de 2010)



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Terça-feira, 13.04.10

 

 

Leio com frequência um discurso bem-pensante que acusa de deriva securitária quem defende regras, para as crianças e jovens, que incluam penalizações. Mas mais: há mesmo quem remeta os críticos dos excessos de garantismo perpetrados pelo eduquês como um serviço à direita política. A persistir nesta tese, a esquerda não só prejudica a formação da personalidade dos nosso jovens como se afunda.



publicado por paulo prudêncio às 22:13 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quinta-feira, 08.04.10

 

 

 

Foi daqui

 

 

Bem sei que a expressão radicais livres pode significar "(...) moléculas instáveis por possuírem um número ímpar de elétrons e que para atingirem a estabilidade reagem com o que encontram pela frente para obterem um elétron (...)". Bem sei. Mas o que também sei é que quem anda mesmo pelas escolas e pelas salas de aula sabe que a indisciplina, e a autoridade de quem quer ensinar, não tem ideologia partidária, é uma condição óbvia que todos os alunos requerem e é um certificado de garantia para o futuro da democracia.

 

É de todo incompreensível que os nossos partidos políticos mais à esquerda, o BE e o PCP, teimem em conotar esse conjunto de regras elementares como uma coisa de direita ou um devaneio dos bloggers e dos movimentos de professores. Insistem em encostar as posições destes professores a um qualquer radicalismo. Que raio de coisa: só se for por serem os únicos que se exprimem livremente, mas livremente mesmo.



publicado por paulo prudêncio às 21:56 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 01.04.10

 

 

 

Foi daqui

 

 

 

Já escrevi por diversas vezes e já tive a oportunidade de o dizer nos locais "próprios" e cara-a-cara: a avaliação externa das escolas portuguesas é uma desgraça, como pode ler aquidá um forte contributo para o mergulho na papelada inútil que alimenta o metabolismo das nossas escolas e atinge um pico descomunal no final dos períodos lectivos ou nas semanas que antecedem a presença dos ditos avaliadores - as fotocopiadoras costumam gemer de tanto fumegar -. Mas não se podia fazer de outro modo? Claro que sim; não só podia como se devia. Embora, e no que diz respeito à gestão escolar, remeter a avaliação externa para uma política de poupança vegetal, de saúde mental e psicológica, de eficácia organizacional e de respeito e confiança nos professores dê algum trabalho na fase inicial.

 

Mas foquemos o pensamento no cerne da questão. Dizia uma especialista em qualidade total da gestão das organizações e que tem trabalho realizado com a inspecção-geral da Educação, que as correntes actuais de avaliação externa sugerem que o fundamental é ir à procura do modelo organizacional, da sua coerência e eficácia, de cada instituição. Para além disso, devem estimular procedimentos modernos na gestão da informação e nunca o contrário - mas como se sabe, ninguém estimula o que desconhece -. O que acontece em Portugal é exactamente o contrário: a inspecção-geral define expressamente, e de modo impresso, o que quer obter para justificar a sua existência e as escolas ficam alienadas com a obtenção de informação que não utilizam e que repetem até à exaustão. Mas mais: para que nada falhe, os membros da direcção das escolas são avaliados pelo grau de proficiência na acumulação do desperdício e agora também na gestão do silêncio: uma tragédia, como se comprova no que pode ler a seguir.

 

Pais dizem que escolas que denunciam violência são penalizadas na avaliação



publicado por paulo prudêncio às 13:06 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Terça-feira, 16.03.10

 

Foi daqui

 

 

 

 

Nesta fase de insuportável inércia (desacredita de tal maneira o que sobra da imagem social da escola pública que até parece premeditado) e de obstinado (para não variar) mau perder, as mais despudoradas especulações podem acontecer. Sabemos dos hábitos da imprensa sensacionalista e também conhecemos os apetites dos especuladores encartados: e não nos iludamos: existem vontades que a ética condena em todos os lugares onde os humanos se aguentem.

 

Vem isto também a propósito das recentes tragédias humanas na Educação. Se são condenáveis os aproveitamentos com o sofrimento alheio são igualmente reprováveis os apelos comprometidos ao silêncio principalmente por parte dos que indefectivelmente defenderam os desastres anunciados. Deseja-se sensatez e uma firme denúncia das malfeitorias de que foi alvo o poder democrático da escola pública.

 

Ouvi hoje um desabafo mais ou menos assim: os professores venceram em nome da justiça mas custa muito aguentar este longo período em que até as mais concludentes vitórias se assemelham à mais dura das derrotas.

 

Uma receita possível pode estar em qualquer coisa semelhante ao que escolhi para título deste post; mas mais: tempo e firme convicção.



publicado por paulo prudêncio às 14:20 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 15.03.10

 

 

 

Foi daqui

 

 

 

Se ler a notícia, que encontra aqui, até ao fim vai confrontar-se com a opinião de alguns dos nossos investigadores em aprendizagem (dá ideia que detestam que alguém lhes diga que devem falar de ensino e que volta e meia deveriam passar pelas tais salas de aula que dizem conhecer muito bem) que remetem para as insuficiências da prática pedagógica as razões principais para o absentismo dos alunos. Nem uma linha sobre as falhas da sociedade ou sequer a propósito das faltas de educação e de respeito que originam a maioria dos casos de indisciplina ou de bullying. É de bradar aos céus.

 

Lembro-me de certa vez em que um professor português explicava com evidente orgulho aos seus colegas gestores escolares do resto da europa o sistema de informação da sua escola que, entre tantas outras valências, permitia a actualização do mapa de faltas dos alunos do website escolar em tempo real, quando se confrontou com a incompreensão dos seus colegas mais do norte. Não percebiam o conceito nem a ideia. Concluiu-se: nos seus países, ricos e sem analfabetismo desde o século XVIII, os alunos não sabem, nem lhes passa pela cabeça, o que é isso de faltar sem justificação.



publicado por paulo prudêncio às 21:30 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

 

 

A reprovação por exceder o limite de faltas deve ser uma consequência óbvia para o infractor e um exemplo para os outros. A diminuição do absentismo só se consegue com muito mais sociedade.

 

Chumbo por faltas não garante que o absentismo diminua

 
"Investigadores dizem que alunos faltam por terem uma má relação com a escola mas há quem defenda sanções pecuniárias às famílias.(...)"



publicado por paulo prudêncio às 09:52 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Sexta-feira, 12.03.10

 

 

 

Foi daqui

 

 

 

Foi o mesmo director regional que disse aos membros do Conselho Pedagógico do Agrupamento de Santo Onofre que não destituiria o Conselho Executivo (CE) com mandato até Junho de 2010 sem primeiro voltar para uma nova reunião e que não colocaria uma "pessoa qualquer como CAP". No entanto, fez o que se sabe: destituiu o CE sem qualquer palavra mais (os membros do CE presentes no acto sentiram-se muito maltratados) e colocou uma CAP que passado umas semanas já dizia publicamente que punha o lugar à disposição.

 

Professor vítima de 'bullying' tinha "fragilidade psicológica"

 

"O director regional de Educação de Lisboa espera que o inquérito instaurado numa escola de Fitares esclareça o caso de um professor que se suicidou e que era alegadamente gozado pelos alunos, mas sublinhou que o docente tinha uma "fragilidade psicológica" há muito tempo.(...)"

 



publicado por paulo prudêncio às 21:19 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

 

 

Professor suicidou-se por causa das ameaças dos alunos

 

 

"Na manhã de 9 de Fevereiro, L. V. C. parou o carro no tabuleiro da Ponte 25 de Abril, no sentido Lisboa-Almada. Saiu do Ford Fiesta e saltou para o rio. Há vários meses que o professor de música da Escola Básica 2+3 de Fitares (Sintra), planearia a sua morte. Em Novembro escreveu uma nota no computador de casa a justificar o motivo: "Se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo outras fontes de rendimentos, a única solução apaziguadora será o suicídio".

L. V. C., sociólogo de formação, tinha 51 anos, vivia com os pais em Oeiras, era professor de música contratado e foi colocado este ano lectivo na Escola Básica 2+3 de Fitares, em Sintra. Logo nos primeiros dias terão começado os problemas com um grupo de alunos do 9º ano. Aindisciplina na sala de aula foi crescendo todos os dias, chegando ao ponto de não conseguir ser ouvido. Dentro da sala, e ao longo de meses, os alunos chamaram-lhe careca, tiraram-lhe o comando da aparelhagem das mãos, subindo e descendo o volume de som, desligaram a ficha do retroprojector, viraram as imagens projectadas de cabeça para baixo. 

Houve vezes em que L. V. C. expulsou os alunos da sala, vezes em que fez participações disciplinares. Foram pelo menos sete as queixas escritas que terá feito à direcção da escola, alertando para o comportamento de um aluno em particular. Colegas e familiares do professor de música asseguram que a direcção não instaurou nenhum processo disciplinar.(...)" 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 11:22 | link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Sexta-feira, 05.03.10

 

 

 

Quando os efeitos das políticas dos últimos quatro anos se evidenciam, os defensores acérrimos do desastre abandonam o navio como se nada tivesse a ver com eles.

 

CONFAP quer penalizar famílias cujos filhos sejam violentos na escola

 



publicado por paulo prudêncio às 14:34 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 04.03.10

 

 

Neste excelente post do Paulo Guinote, aqui, encontrei um comentário assinado com o nick manyfaces que deve ser lido com toda a atenção.

 

"Eu tive uma experiência recente como voluntário numa escola da Amadora e fiquei aterrado. Miudos a serem agredidos no corredor com o auxiliar a fingir que não vê… a Professora ao meu lado a olhar em frente. Pior do que isso, o ambiente de medo na própria sala de aula. Pareceu-me que o objectivo central da Professora era chegar viva ao fim do dia. A experiêcia de estar em pé em frente a uma turma e de não ser ouvido, ser olimpicamente ignorado, marcou-me. Se isto foi a escola inclusiva que criámos, pois então que venha a escola exclusiva… e depressa. Eu troco já. Que se devolva a autoridade à escola, a capacidade de excluir quem tem de ser excluido, a capacidade de distinguir entre um caso de disciplina e um de polícia. Na turma à minha frente havia talvez 4/5 miudos verdadeiramente interessados, completamente engolidos pelos restantes 20… Humilhados quando faziam uma pergunta interessante, enxovalhados quando mostravam vontade de ir ao quadro escrever sobre as “pessoas que eu admiro no meu bairro”. Naquele momento, com o poder na minha mão, eu excluiria de boa vontade. Sem hesitação nem remorso. Para salvar aqueles 5 eu excluiria os outros. Se isso choca alguém lamento… Mas lamento ainda mais que não seja dado esse poder a quem está em frente a uma turma. Porque não me esqueço do medo que senti nos olhos da Professora ao meu lado.
Citando o camarada Medina:
“No princípio está a disciplina”… e sem isso não pode haver mais nada. Nem na escola nem na vida."



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Sábado, 27.02.10

 

 

Tenho por aqui há algum tempo esta notícia com opiniões do filósofo espanhol Fernando Savater. Tive de a tratar em termos de formatação de texto e a fonte é o jornal Primeiro de Janeiro, Portugal, 10/11/2006. Leia que vale a pena.


"Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores. 

 

Os participantes no encontro "Família e Escola: um espaço de  convivência", dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da  autoridade sobre os menores recaia nas escolas. "As crianças não encontram em casa a figura de autoridade", que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater. "As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa", sublinhou. 

 

Para Savater, os pais continuam "a não querer assumir qualquer autoridade", preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos "seja alegre" e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador  quase exclusivamente para os professores.

 

No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel  disciplinador, "são os próprios pais e mães que não exerceram essa  autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os", acusa. "O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de  protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a  harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar",  sublinha.

 

Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que "ao pagar uma  escola" deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão "psicologicamente esgotados" e que se transformam "em autênticas vítimas nas mãos dos alunos".

 

A liberdade, afirma, "exige uma componente de disciplina" que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade. "A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara", afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, "uma oportunidade e um privilégio".

 

"Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina", frisa Fernando Savater. Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial  perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais  indisciplinadas do que antes; o problema é que "têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos". "Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de  ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso  leva-os à rebeldia", afirmou.

 

Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que "mais vale dar uma palmada, no momento certo" do que permitir as situações que depois se criam. Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão dos privilégios e o alargamento dos deveres."



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Quarta-feira, 17.06.09

 

 

Desta vez não é um relatório "OCDE.pt.bravo.Débora" mas um "OCDE/TALIS" que segundo os especialistas é mais rigoroso e garante um série de empregos de alto nível a investigadores que têm a missão de descobrir o que já se sabe há muito: quem está pelas escolas todos os dias conhece os efeitos de uma sociedade ausente em termos educativos e os resultados nefastos de turmas com mais de 25 alunos e que em muitos casos vão aos 40. Mas este relatório tem desde logo uma vantagem: não se centra nos países Ibéro-americanos mas engloba a maioria dos países europeus. E isso atrapalha o ministério da Educação e da propaganda português. Basta ver as intervenções do secretário da Educação ou ler os jornais online para chegar a essa mais do que conhecida constatação.

 

Faço um resumo do que fui encontrando nos jornais online ou nos blogues que me são referência.

 

Professores portugueses perdem muito tempo a manter disciplina na aula

 

"Os professores portugueses perdem muito tempo na sala de aula até conseguir o ambiente de aprendizagem ideal, confessam num inquérito feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), realizado no ano lectivo de 2007/2008. O estudo Criar Ambientes Eficazes de Ensino e Aprendizagem feito em 23 países através de questionários a docentes do 3.º ciclo do ensino básico foi divulgado ontem, no México.(...)" Fonte: jornal Público.

 

E com o advento da escola a tempo inteiro como única solução para a "guarda" e o "armazenamento" das crianças, passaremos a curto prazo de segundos classificados nesse parâmetro de avaliação para um destacado primeiro lugar; garantido.

Indisciplina ‘rouba’ 16 por cento da aula 

"Os professores portugueses são os segundos da Europa que mais tempo passam a impor disciplina na sala de aula. De acordo com os dados do Inquérito Internacional de Ensino e Aprendizagem, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), em Portugal perde-se 16,1 por cento da aula a manter a ordem, o que corresponde a cerca de 15 minutos em cada bloco de 90 minutos de aula. Brasil (17,8%), Malásia (17,1) e Islândia (16,7) são os países nos quais esse valor é superior ao de Portugal. A média da OCDE é de 12,9 por cento.(...)". Fonte: jornal Correio da manhã.

 

Serão os primeiros se nada mudar; mas mudar mesmo. Não é fácil derrubar tanta gente instalada no monstro burocrático da capital com as conhecidas ramificações para o resto do país; são maus burocratas que asfixiam com as suas invenções o ensino, as escolas e os professores e que apoiaram o maior ataque à imagem pública dos professores portugueses que foi perpetrada pelo actual governo.

 

 

O Que O Relatório Talis Da OCDE Efectivamente Diz

 

 

"Ao contrário das piruetas que o ME dá em cima deste relatório (não é de estranhar que nem coloquem link para o dito cujo), o que lá está escrito não seria de molde a entusiasmar nenhum apoiante das políticas educativas deste Governo e muito menos da estratégia de spin usada para colocar as suas evidências e conclusões como coincidentes com as posições do ME no diferendo com os professores. Repare-se na página 63: apesar de os professores portugueses serem os sétimos a gastar mais tempo em formação, são dos que mais se queixam da qualidade e adequação dessa formação. Nem de propósito, sabemos bem que o se tem passado nos últimos anos nesta matéria com a formação afunilada apenas em 3 ou 4 direcções, deixando a larga maioria dos docentes sem uma oferta adequada para a sua área científica." Fonte: blogue de Paulo Guinote. 

E o que vem aí; mais um quadro comunitário de apoio com a indústria do eduquês e da certificação de burocratas a preparar-se e aos saltinhos.

 

Outra conclusão do Relatório OCDE/TALIS: os países com melhores resultados escolares não associam a avaliação de desempenho dos docentes a penalizações ou incentivos financeiros

 

"Noventa por cento dos professores da Noruega, Dinamarca, Bélgica e Irlanda (países muito bem classificados nos resultados do PISA) não esperam quaisquer tipos de incentivos de natureza financeira associados à avaliação de desempenho. Convém ler e reflectir sobre este resultado do Estudo da OCDE/TALIS (...)". Fonte: blogue de Ramiro Marques.

 

 

Obviamente e dada a especificidade da sua actividade. É por isso muito surpreendente, ou talvez não, a seguinte constatação: os sindicatos de professores em Portugal incluem nas suas propostas prémios pecuniários aos professores que mais se "destaquem" em cada ano. 

 

Indecoroso. Página do ME reage desta maneira aos resultados medíocres sobre a indisciplina nas escolas portuguesas (Relatório OCDE/TALIS)

 

"(...)Compare o que está na página web do ME e o que efectivamente é dito no Relatório da OCDE/TALISA propaganda parece não ter limites ali para os lados do Largo do Rato. Não aprenderam nada com a derrota nas eleições europeias. Em quatro anos de governação nunca se ouviu a ministra da educação colocar-se do lado de um professor agredido. Limitou-se sempre a dizer que "são casos isolados". Assim, não é possível discutir o que quer que seja com os spin doctors e comissários do ME. Não existe racionalidade na forma como lêem a realidade". Fonte: blogue de Ramiro Marques.

 É espantoso, realmente.



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Quinta-feira, 26.03.09

 

(encontrei esta imagemaqui)

 

Magalhães: portáteis podem estar a ser vendidos no mercado negro

 

Uma notícia que arrepia qualquer um mas que retrata bem uma questão óbvia: cerca de 60% das causas do insucesso escolar dos alunos nada têm a ver com a escola. Nunca haverá escola inclusiva numa sociedade exclusiva e ausente.

 

Governo invoca interesse público para impedir suspensão do concurso

 

Dá ideia, isto para ser brando, que é mais ou menos assim: "cada buraco sua minhoca"; estas pessoas que ainda governam o ministério da Educação não acertam uma. Agora conseguem abrir mais uma polémica no já bastante controverso processo de concurso de professores.

 

Estatuto reduziu faltas, diz ministra

 

A notícia refere-se ao estatuto dos alunos. Nada a fazer: isto mais parece uma coisa que já só se resume a tarefas de "spindoctors" e de manipulação de números.

 

Ministério investiga escolas sem casos de violência

 

 

Parece que são escolas que estão integradas em zonas de muita criminalidade mas que não comunicam à tutela a ocorrência de casos de violência. Ah sim, isto é em Portugal como pode ler.



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Quarta-feira, 25.03.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

Ministério afirma que sem objectivos individuais não há avaliação de professores

 

 

A sério? Mas mesmo a sério? Há, por exemplo, alguma relação entre os objectivos individuais e a pontuação de 1 a 10 que um professor obtém no final do ciclo de avaliação? Não há a mais ténue relação. Os objectivos individuais são uma excrescência para dar um ar de modernidade e para garantir o que é óbvio: nada se faz sem objectivos. Mas entre esta última asserção e os fundamentos aduzidos pelo ministério da Educação actual vai um abismo descomunal mas que ajuda a explicar o estado de desorientação a que se chegou.

 

 Avaliação dos professores: Ministra explica no Parlamento consequência da não entrega dos objectivos individuais

 

 

E ainda a saga dessa coisa supérflua que dá pelo nome de objectivos individuais no monstro burocrático que em Janeiro de 2008 era para cumprir "já e sem delongas" porque estava na hora de dar, finalmente, lugar ao propalado rigor. Foi o que se viu. Mais de um ano depois, a sapiente senhora ministra da Educação ainda anda metida nisto. É uma coisa descomunal. Vamos ver o que se diz, por hoje, na Assembleia da República..

 

"Os maus pais são os que acham que a criança tem direito a tudo

 

Coisa antiga, como se sabe.



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Quarta-feira, 18.03.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

Audiência Com O Grupo Parlamentar Do PCP

 

A ler com toda a atenção. Sabemos que as lutas começam sempre alegres e esfusiantes. Com o passar do tempo, e quando as lutas são difíceis e longas e as coisas começam a doer, os ânimos esmorecem um pouco e os menos convictos desistem. Mas sobram os resistentes; aqueles que são movidos pela razão, pela lucidez e pelos justos argumentos. A luta dos professores, tal como se previa, volta a ganhar um ânimo contagiante. 

 

 

FNE entrega providência cautelar contra avaliação dos professores

 

Estava difícil avançar com a luta jurídica. Mas como os professores não desistiram, a exemplo da luta técnica e política, a razão e a lucidez vai fazendo o seu longuíssimo caminho.

 

PSD exige presença da ministra no Parlamento para explicar legislação

 

Ainda a inenarrável saga dos objectivos individuais.

 

Professores: PCP disponível para pedir ao TC que fiscalize a constitucionalidade do modelo de avaliação

 

Como são necessários deputados de outros partidos, era bom que se pusessem de lado outras coisas menores.

 

Tribunal diz que docentes não podem ser prejudicados

 

Sindicatos vencem em tribunal a primeira batalha contra a obrigatoriedade na entrega dos tais objectivos individuais. Querem ver que os juízes destes tribunais também são professores? Afinal a luta jurídica não era assim tão falha de sentido e de oportunidade. Apesar de na minha escola nada disto ser um problema, manifesto a minha mais profunda solidariedade aos corajosos professores que vêem esta notícia com a lágrima no canto do olho.

 

Homens e mulheres armados com paus entram em escola à procura de aluno

 

Que vergonha. O que é isto? Vamos por um lindo caminho.

 

Ministério da Educação decidiu sobre "problemas especiais" após notícias

 

A sério? Já parece a situação inenarrável dos alunos metidos num contentor. Passou de uma discriminação positiva a uma escola TEIP em menos de nada. Deve ser uma nova fórmula de rigor: o dito na hora (bem, e muito a sério, isto não deve ser lido como uma qualquer espécie de crítica aos louváveis esforços de excelente programa simplex que inclui o procedimento das empresas na hora; o que é pena é que o ministério da Educação viva, e em termos de gestão da informação, completamente à margem dos pressupostos de quem dirige o programa simplex; e outra coisa importante: é, no mínimo, descuidado considerar alguma analogia entre os chamados simplexs da avaliação do desempenho dos professores e o programa referido; isso foram reduções inaplicáveis e apressadas; a simplificação é mais outra coisa: dá muito trabalho e leva muito tempo).



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Segunda-feira, 16.03.09

(encontrei esta imagem aqui)

 

Professores de Português pedem mais horas para a disciplina e desdobramento de turmas

 

Bem me parecia que os planos especiais para algumas disciplinas acabariam numa qualquer coisa do tipo "caixa de pandora". Como nunca conseguimos resolver três dos principais constrangimentos do nosso sistema escolar - mais de 20 alunos por turma, escolas a funcionar em regime de desdobramento e sobrelotação e excesso de disciplinas em cada ano de escolaridade, o que resulta, em algumas delas, numa carga curricular ridícula (para alem das polémicas horas gastas nas áreas curriculares não disciplinares) - passamos às justas excepções e o bloco da organização escolar que se dane.

 

Portugal vai a Espanha doutorar professores 

 

Somos um país pequeno, não temos uma densidade populacional elevada, mas não conseguimos construir uma rede de formação contínua moderna e democrática. No domínio da formação contínua temos o seguinte: o ensino superior público não funciona em rede e tem um sistema de ofertas organizado em regime de centralismo democrático; o ensino privado está, na generalidade, descredibilizado. É até engraçado, para não escrever outra coisa, a situação da iniciativa privada no nosso país: é um sector muito falado quando se critica o sector público, mas depois não corresponde aos elogios creditados: na educação é o que se sabe, na saúde cobra caro e só faz o mais fácil, na justiça consegue impedir que esta funcione e na economia e finanças leva o país à falência com golpadas e chapeladas de arrepiar.

 

Lurdes Rodrigues: "Sindicatos fazem chantagem com pais"

 

Sem remédio. A Educação passa por um período negro mas que terá um qualquer epílogo.

 

Professora agredida por aluna em Aveiro já regressou à escola

 

Notícias destas são frequentes mas não se pode aceitar a sua vulgarização; estamos à espera de quê? E não adianta desresponsabilizar quem quer que seja e importa reforçar sempre o seguinte: não há escola inclusiva numa sociedade exclusiva e ausente.

 



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Domingo, 15.03.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

Trabalho de João Pedroso é quase só fotocópias de diplomas legais

 

Pois é; é uma malta muito rigorosa, muito contida nos gastos, muito cheia de transparência e de prestação de contas; tudo para os outros, claro. Não se consegue ler a notícia sem abanar a cabeça, tal o despudor e o descaramento da coisa. Um caso a seguir muito atentamente.

 

Vinte por cento dos contactos para a Linha SOS Professor relatam agressões físicas

 

Não vale a pena continuarmos a assobiar para o lado e dizermos que a violência escolar ainda não atingiu as escolas portuguesas. Temos de agir depressa e com firmeza. Os professores precisam que os pais recuperem a autoridade e que tenham tempo para os filhos; e isso não se faz alargando o já dilatado conceito de "escola armazém".

 

Movimento Portugal Pró-Vida contra educação sexual obrigatória nas escolas

 

Como? Ah, claro, a vida vem de cegonha e se houver muitas adolescentes grávidas serão as filhas dos outros.

 

Depois do massacre na escola, Merkel propõe controlo de armas

 

 

E mesmo assim muito timidamente, ao que parece. São industrias muito poderosas e conceitos multinacionais que os impérios, mesmo que em queda, teimam em exportar.

 

"Nunca houve tantos jovens a estudar ciências"

 

Acredito.

 

Professores dizem estar a virar técnicos informáticos 

 

Esta notícia tem como referência os professores do 1º ciclo e relaciona-se com o computador "gota de água" (ou "magalhães" e "gota de água" é em Cabo Verde? Tanto faz, desde que se perceba). E há mais: o processo burocrático a que se sujeitam estes professores é inenarrável; mais parecem uns agentes comerciais, com procedimentos à moda antiga, das empresas envolvidas no negócio.

 

Augusto Santos Silva garante que PS “terá todo o gosto” em contar com Manuel Alegre

 

Com ou sem Manuel Alegre não votarei neste partido socialista nas próximas eleições legislativas. Só o equacionaria fazer nas seguintes condições: se revissem o conceito de escola "armazém" e de "amontoados" de escolas, respeitando a especificidade das diversas zonas do país; se retirassem do ECD a divisão da carreira de professores em duas categorias; se suspendessem o monstro burocrático que é avaliação de professores e se não mexessem no modelo de gestão das escolas. Depois destas democráticas e modernas decisões, colocaria a possibilidade de votar no partido socialista nas próximas eleições, mas, e como é evidente, com uma outra liderança e que estabelecesse um solene compromisso: o trio de pessoas que está com funções de governo no ministério da Educação não ocuparia qualquer pasta num próximo executivo.



publicado por paulo prudêncio às 13:59 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 13.03.09

 

 

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

Confesso-o: nunca pensei que um dia escreveria, ou publicaria no caso em apreço, sobre a indisciplina em ambiente escolar.

 

Sempre entendi que estas matérias eram de um universo que interessava exclusivamente aos directamente envolvidos; e, também, claro, porque não imaginava que o assunto viesse a atingir as actuais proporções. Há, todavia, uma matéria que me recuso a publicar e que, aconteça o que acontecer, nunca darei qualquer nota: os textos escritos por alunos onde são evidentes as suas incompetências para o efeito; repugna-me até que haja quem o faça.

 

Pode ler de seguida um bom texto. Parte dos olhos do filósofo espanhol Fernando Savater e é um dos casos em que em tempos diríamos: com os problemas dos outros, dos nossos vizinhos, podemos nós bem.

 

Ora leia.

 

A indisciplina nas escolas (vista por Fernando Savater).

 

Aumento da violência nas escolas reflecte crise de autoridade familiar.
Especialistas em educação reunidos na cidade espanhola de Valência defenderam hoje que o aumento da violência escolar deve-se, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores.
Os participantes no encontro 'Família e Escola: um espaço de convivência', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.

'As crianças não encontram em casa a figura de autoridade', que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater.
'As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa', sublinhou.
Para Savater, os pais continuam 'a não querer assumir qualquer autoridade', preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos 'seja alegre' e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.
No entanto, e quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, 'são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os', acusa..
'O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se ir queixar', sublinha.
Há professores que são 'vítimas nas mãos dos alunos'. Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que 'ao pagar uma escola' deixa de ser necessário impor responsabilidade, alertando para a situação de muitos professores que estão 'psicologicamente esgotados' e que se transformam 'em autênticas vítimas nas mãos dos alunos'.
A liberdade, afirma, 'exige uma componente de disciplina' que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade.
'A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara', afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, 'uma oportunidade e um privilégio'.
'Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina', frisa Fernando Savater.
Em conversa com jornalistas, o filósofo explicou que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que 'têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos'.
'Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia', afirmou.
Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, admitindo Savater que 'mais vale dar uma palmada, no momento certo' do que permitir as situações que depois se criam.
Como alternativa à palmada, o filósofo recomenda a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres.



publicado por paulo prudêncio às 17:53 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 11.03.09

 

 

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

O Calvin é um verdadeiro clássico. Vem isto a propósito de outro clássico da vida das sociedades: a recuperação da autoridade (por parte dos adultos em relação às crianças e aos jovens) na vida das escolas e não só, claro.

 

E no que se refere ao quotidiano das nossas escolas, pode dizer-se assim: a autoridade é também um direito do aluno; de todos os alunos, salientando-se que nesse grupo estão incluídos os que têm mais vontade em aprender.

 

E isso, o exercício da autoridade, deve acontecer com os professores mais capazes de liderar e com os professores menos capazes de liderar. E por mais voltas que dermos, tudo começa na casa de cada um. Quando não começa, a escola tem de o impor: com regras simples e claras e sem tibiezas. Mas, para isso, a escola não pode estar só nem a tempo inteiro: é isso que as crianças e os jovens esperam e desejam.



publicado por paulo prudêncio às 14:18 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Segunda-feira, 09.03.09

 

 

Recebi um vídeo (por email e por cortesia da minha amiga Isabel Sousa e Silva; coloquei-o no youtube) que deveria ser passado no horário nobre das televisões generalistas e provocar um participado debate sobre a educação das crianças.

 

Ora clique. Vale mesmo a pena, são apenas 1.32 minutos.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 18:30 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar


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