Em busca do pensamento livre.

Segunda-feira, 02.01.17

 

 

 

Com todos os riscos de quem retira do contexto uma passagem, não resisto a citar Ulrich Beck (2015:22) "Sociedade de risco mundial - em busca da segurança perdida", Lisboa, Edições 70,

 

"(...)o risco constitui o modelo de percepção e de pensamento da dinâmica mobilizadora de uma sociedade, confrontada com a abertura, as inseguranças e os bloqueios de um futuro produzido por ela própria e não determinada pela religião, pela tradição ou pelo poder superior da natureza, mas que também perdeu a fé no poder redentor das utopias.(...)".

 

A perda da "fé no poder redentor das utopias" indicia um risco de decadência se não se circunscrever ao inevitável cinismo com que a maturidade olha para a prevalência do mal. Se a descrença nas utopias e no combate às desigualdades atravessar todas as gerações, a decadência entranha-se; como a história, de resto, já nos explicou.

 

www.cartoonstock.com/cartoonview.asp?catref=cgo0149

 



publicado por paulo prudêncio às 21:39 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 24.12.16

 

 

 

Gosto de bailado. Tenho saudades da companhia de dança da Fundação Gulbenkian. Algumas coreografias foram inesquecíveis.



publicado por paulo prudêncio às 14:00 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 28.10.16

 

 

 

 

A aceleração do tempo dificulta a percepção dos momentos de curto, médio e longo prazos (opinião pública, legislatura e constituição). A discussão à volta do orçamento de Estado tem o tempo da opinião pública. É, principalmente, um exercício retórico que governos e oposições usam com oportunidade mediática. O ministro Mário Centeno sublinhou-o, ontem, quando denunciou, de forma muito pedagógica, a descida qualitativa do documento europeu de controle orçamental (falou de uma "complexidade" inatingível que me recordou a banca mentora do subprime).

Há, no tempo vigente em Portugal, uma sensação interessante. A sobrevivência da constituição parece um contraponto à prevalência avassaladora da opinião pública.

image

 



publicado por paulo prudêncio às 17:41 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 15.10.16

 

 

 

Gosto de rever museus. Não me importo quando uma viagem se resume a esses espaços, aos alojamentos e a curtos passeios. A revisão permite aprender mais e atenua a busca do tempo perdido. O acervo do Prado é o que se sabe, mas permitam-me que escolha o tríptico "The Garden of Earthly Delights" de Hieronymus Bosch (El Bosco em espanhol), que justificou uma sessão interessante no último Folio de Óbidos.

 

17353044_vlr8I

 

Bosh, Museu do Prado. (este vídeo ajuda)

 

internet permite saber muito mais. Basta googlar.

Contudo, a presença física continua insuperável.



publicado por paulo prudêncio às 21:32 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 09.09.16

 

 

 

Fui Comando. Por obrigação numa tropa para voluntários (começou nessa altura a objecção de consciência). Condicionado a dar o melhor para ser oficial e não ir parar a soldado sem graduação e sem especialidade. Éramos 87 no curso de oficiais e sobraram 7. Na prova mediatizada (prova de choque) éramos cerca de 500: ao segundo dia estavam cerca de 250 na enfermaria improvisada. Era tal a violência e alienação, que se traficavam tampinhas de cantil com água a 500 escudos a unidade (cerca de 100 euros com "equivalência" ao custo de vida actual). Um amigo de escola (o Jaime Naldinho), queria que lhe espetasse um prego da tenda na mão para ser evacuado. Como recusei (ele ficaria com mais uma lesão para a vida), correu atrás de mim acusando-me de estar feito com os inimigos (já não bastava o esforço daqueles dias loucos e infernais; estive para desertar a meio do curso). Dei instrução e pertenci à companhia operacional 112. Foram 18 meses inesquecíveis. Aprendi muito em diversos domínios; também na "arte da guerra" que até aí me era completamente estranha. Havia muitos exageros. Nestes cursos morreram dois ou três instruendos e alguns ficaram com lesões para a vida. Era uma coisa estúpida derivada de mau planeamento ou de insuficiências no equipamento. Não havia a mediatização actual. Era uma revolta muda. É inadmissível que se repita décadas depois (a unidade de Comandos foi extinta em 1993 e reactivada em 2002).

 

Captura de Tela 2016-09-08 às 23.38.03



publicado por paulo prudêncio às 09:38 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 07.09.16

 

 

 

"Querem ver que vai ler a carta toda". Levantou-se e saiu. Éramos uma dezena de espectadores e já estávamos reduzidos a metade ("A carta" do genial Manoel de Oliveira; um bom filme). Não aprecio comentários, mas este foi inesquecível. Uma freira recebeu uma carta no seu quarto do convento. Íamos com uns minutos num plano inamovível, a carta tinha umas quantas folhas e o saturado espectador tinha razão: leu a carta toda.

 

2ª edição. Reescrito.

 

19825602_JbMZd

 



publicado por paulo prudêncio às 15:42 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 23.08.16

 

 

A última página do Público de ontem trazia uma frase de Michael Jordan. Não tenho a certeza se a rubrica tem exactamente esse nome (escritos na pedra) e não me apetece confirmar. Já a frase do lendário jogador de basquetebol, que pode ser lida como uma "frase de motivação" (já a publiquei em tempos), é interessante; mais ainda num pós-olimpíadas.

"Errei mais de 900 arremessos na minha carreira. Perdi quase 300 jogos. 26 vezes fui escolhido para fazer o arremesso final e falhei. Falhei vezes e mais vezes na minha carreira. E foi por causa disso que me tornei um vencedor."

 

b686be01d1a301f2eacc015bf906e7db.jpg

 



publicado por paulo prudêncio às 22:18 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 21.08.16

 

 

  

Fotografei este rinoceronte (uma bela escultura) em Agosto de 2013 nos jardins da Gulbenkian. Tem uns amarelos que não se vêem bem (o corno, uma sela de "cavalo" no dorso e outros detalhes). Já se sabe: o rinoceronte tem uma reduzida visão periférica e quando aponta é difícil corrigir a trajectória; nem sequer vai a tempo de emendar um erro. Neste caso, está parado, "enjaulado" numa selva urbana e pronto a ser cavalgado. Que destino, realmente.

 

15595767_4yYyr.jpeg

 



publicado por paulo prudêncio às 17:19 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 17.08.16

 

 

 

 

Não aprecio multidões e há muito que perdi a paciência para estádios. Encontrei uma passagem interessante sobre essa "fuga" que "homenageia" o saltador francês (Renaud Lavillenie, medalha de bronze no salta à vara do Rio2016).

 

17277041_ur8rA.jpeg

 

DeLillo, Don (2010:94). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.



publicado por paulo prudêncio às 20:39 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 15.08.16

 

 

 

 

A localização do auditório de ar livre, a poucos metros da marginal de Cascais, é privilegiada. A noite estava quente, de céu limpo e estrelado, e com algum vento. Richard Galliano, uma lenda viva, e Sylvain Luc já brilhavam. Até o som do vento que agitava a abundante vegetação parecia orientado pelos músicos. Três pessoas sentadas a meu lado, duas mulheres e um homem entre os 40 e os 50, não largavam os telemóveis. À terceira música percebi que jogavam o tal de Pokémon Go (nem assim me despertou a curiosidade). Tiveram um momento alto: disputaram a caça de um alojado debaixo da cadeira da frente. De gatas, num eufórico silêncio, a mulher mais próxima foi, ao que percebi, a triunfadora daquele alvo virtual. Ainda fiquei com uma dúvida: seriam mais uns bilhetes Galp?

 

imrs.php.jpeg

 



publicado por paulo prudêncio às 14:49 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 04.08.16

 

 

 

 

"Já não suporto arrependidos. Principalmente os repetentes. São oportunistas que mudam de navegação ao sabor das circunstâncias." Percebi a indignação e concordei com o essencial. O processo troika será um caso para estudo.


tags:

publicado por paulo prudêncio às 09:44 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 01.08.16

 

 

 

 

Os 48 anos de ditadura consolidaram uma sociedade amedrontada, desconfiada da cidadania, temerosa do contraditório, alojada na corrupção e desrespeitadora do bem comum. A organização não era um valor precioso. É evidente que para esse estado também contribuíram outros factores históricos. A democracia, que ainda regista números escolares que envergonham, demorará, se tiver tempo e engenho para isso, gerações a atenuar.

 

Existem preconceitos que "guardam" a sociedade descrita. Supervisionam a ousadia e a poesia e reagem ao novo com medo da não conservação da herança. Controlam os danos de forma subtil: classificam de ideológico (uma conotação pejorativa) ao mesmo tempo que se põem a salvo da "radical" catalogação.

 

É a forma ideológica do mau conservadorismo. Existe em modo silencioso e espera a redenção com a chegada "anunciada" do regime protector de todos os males do mundo.



publicado por paulo prudêncio às 09:50 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 31.07.16

 

 

 

 

“Não é matar um homem que é difícil - é tudo o mais”.

Jean-Paul Sartre, A Engrenagem.



publicado por paulo prudêncio às 09:47 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 30.07.16

 

 

 

 

Como são já uns quantos que tentam passar pelos pingos da chuva, dá ideia que a coisa complica-se se os próximos tempos mantiverem a tradicional tendência de seca.

 

Preço-gota-de-chuva-gota-de-água-DIY

 

 



publicado por paulo prudêncio às 16:07 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 27.07.16

 

 

 

 

“Não desejo nem uma nem outra; mas se fosse preciso escolher entre sofrer a injustiça e cometê-la, preferiria sofrê-la.” A frase de Platão poderia ter mais umas nuances. Sei lá. O tempo, por exemplo, acaba sempre, embora muitas vezes "fora de tempo", por elevar o fundamental, reverter a condição de quem sofreu a injustiça e condenar o usuário da injustiça.

 

religion-crushing-free-will-cartoon_thumb[6].gif

 



publicado por paulo prudêncio às 14:49 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 11.07.16

 

 

 

 

"(...)quem se limita ao que está a acontecer nem sequer compreende o que acontece.(...)" 

 

 

Daniel Innerarity (2011:49). 

"O futuro e os seus inimigos". 

Lisboa: Teorema.



publicado por paulo prudêncio às 09:42 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 01.06.16

 

 

 

"Não é a obsessão com a independência; sei há muito que as regras são as regras e que não se chega à lua de bicicleta". Ouvi estes raciocínios e compreendo. Subscrevo o essencial. E até me parecem mais realistas do que pessimistas. É evidente que o conceito de "lua" é variável e que até com as "tais regras, que são as regras" se consegue provar "que o lugar que não existe, afinal existe". E isso torna-se ainda mais incomodativo para os "reguladores". E depois, nada compensa a condição de independência.



publicado por paulo prudêncio às 11:27 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 20.04.16

 

 

 

Sou incompetente.

 

 

1*w_SaGVYh8axDuD3Zw1srMQ.jpeg

 



publicado por paulo prudêncio às 17:59 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 08.04.16

 

 

 

Precisamos de um "novo" abecedário. Mas um abecedário despretensioso e artesanal como na imagem. E olhem que não é falho de ambição.

 

7180264_C9oW2.jpeg

 



publicado por paulo prudêncio às 17:11 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 24.03.16

 

 

 

 

RS defendia a herança empresarial: "a empresa no tempo do meu avô já era uma organização democrática em plena ditadura" e argumentava em detalhe no fórum TSF. O interlocutor duvidava, com ênfase na impossibilidade perante um regime totalitário.

 

Tendo a concordar com RS. Não existem organizações em abstracto. Dependem das circunstâncias, claro que sim, mas também das pessoas que dão corpo aos fenómenos. Por outro lado, não existem barreiras tão sólidas que impeçam "desvios". Quantas vezes não nos cruzamos, mesmo em democracia, com organizações com um conjunto de tiques que nos levam a concluir: se entramos numa ditadura, estará de imediato na primeira linha. Parece-me que estas fronteiras são frágeis e isso reforça o cuidado que se deve ter na preservação e aprofundamento das democracias onde, e em princípio, é mais difícil desrespeitar os elementares princípios de justiça e liberdade.

 

depositphotos_54091783-Seamless-border-of-cartoon-

 



publicado por paulo prudêncio às 13:44 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 21.02.16

 

 

 

Com todos os riscos de quem retira do contexto uma qualquer passagem, não resisto a citar Ulrich Beck (2015:22) "Sociedade de risco mundial - em busca da segurança perdida", Lisboa, Edições 70,

 

"(...)o risco constitui o modelo de percepção e de pensamento da dinâmica mobilizadora de uma sociedade, confrontada com a abertura, as inseguranças e os bloqueios de um futuro produzido por ela própria e não determinada pela religião, pela tradição ou pelo poder superior da natureza, mas que também perdeu a fé no poder redentor das utopias.(...)".

 

A perda da "fé no poder redentor das utopias" indicia um risco de decadência se não se circunscrever ao inevitável cinismo com que a maturidade olha para a prevalência do mal. Se a descrença nas utopias, no combate às desigualdades, por exemplo e se quisermos considerar a sua "totalidade" como tal, atravessar todas as gerações, o risco entranha-se nas sociedades e atinge a escala mundial; como a história, de resto, já nos explicou.

 

education-cartoon3.jpg



publicado por paulo prudêncio às 10:27 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 20.02.16

 

 

 

umberto-eco-640x280.jpg

 

 

Faleceu Umberto Eco (1932 - 2016).

 

Bastava citar duas obras:

 

Mas houve mais (li apenas três das que se seguem):

 

E encontra aqui muitas outras obras.

 

Que descanse em paz.



publicado por paulo prudêncio às 11:29 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 15.09.15

 

 

 

Há uma frase célebre, "todo o instrumento científico pode ser válido, depende da cabeça que o utiliza", que devia passar obrigatoriamente, e todos os dias, nos rodapés dos canais generalistas num dos telejornais. Há também outro aforismo muito comprovado, de Otto Bismark, que devemos considerar particularmente nesta fase: "nunca se mente tanto como em véspera de eleições, durante a guerra e depois da caça." Raramente publico aforismos, mas era oportuno recordarmos alguns mais comuns: "quem ri por último, ri melhor", "há mais marés do que marinheiros" ou "a verdade é como o azeite".



publicado por paulo prudêncio às 18:23 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quinta-feira, 23.07.15

 

 

 

18659277_54guY.png

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Só saem duques e cenas tristes", dizia-me alguém a propósito da sucessão de personagens que têm saído em sorte. Já há muito que não ouvia esta expressão dos jogos de cartas, mas sorri e fiquei a pensar, realmente, no género duque que sempre se presta a cenas tristes.



publicado por paulo prudêncio às 18:29 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 05.06.15

 

 

 

Estou tão fartinho dos sonsos. E já nem são as habilidades ancestrais dos sonsos que são praticadas na esperança que não as vejam. Os sonsos dizem A e o seu contrário convencidos que os ouvintes nunca cruzam informação.

 

O que mais cansa nos sonsos é viverem 24 horas por dia, e anos a fio, a vida alheia. Então as novas redes sociais são um habitat caído de Marte.

 

Os sonsos não têm vida própria, a ciumeira remete-os para a registo distanciado de si e com intensificação do ódio na tentativa de espantar as causas do sofrimento. Encontrar "coisas" nos alvos ou, e pior do que isso, nos próximos dos cobiçados, é a obsessão que dá sentido à vida. Deve ser realmente sei lá o quê habitar com sonsos que se confundem amiúde com o chico-esperto e até com o intrujão.



publicado por paulo prudêncio às 11:06 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 15.05.15

 

 

 

 


"...Porque a eternidade não se mede pela sua duração mas pela intensidade com que a vivemos...

...Visitar uma terra que há muito deixámos. Não poderemos jamais reencontrá-la. Porque a vida é o presente e tudo o mais é ficção. Mas decerto uma ficção mais real que a realidade...

...Uma biblioteca é quase tão pessoal como as impressões digitais. Ela forma-se como os problemas que nos formaram a nós e outros virão a abandonar...

...Uma forma de o medíocre convencido imitar a grandeza é não dizer mal de ninguém...

...Pinta-se o galo mas não a galinha, o touro mas não a vaca. Porque o macho é que é testiculado. Mas à mesa o que se come é vaca ou galinha, mesmo que a carne seja do outro. Somente a mesa é o lugar da fraqueza e da necessidade. É por isso que é aí que se fazem os melhores negócios...
 
...Ser inteligente é ser desgraçado. O imbecil é feliz. Mas o animal também...
 
...Dar sentido à vida. Para lho darem aos domingos, quando não trabalham, os campónios da aldeia embebedam-se e dão-se facadas. A arte do nosso tempo sabe-o e faz o mesmo..."

 

 

 

 

Vergílio Ferreira. Pensar.

Reedição.

 



publicado por paulo prudêncio às 10:00 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 12.05.15

 

 

 

 

Quanto mais se acentua a crise ética, mais se degrada a legalidade.



publicado por paulo prudêncio às 10:29 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 10.05.15

 

 

 

image.jpg

image.jpg

 Página 70 da Revista do Expresso de 8 de Maio de 2015.

 



publicado por paulo prudêncio às 17:46 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 16.04.15

 

 

 

18261090_chDfV.png

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"As redes sociais inundaram-se durante uns quatro anos de portugueses indignados: não pagamos mais a esses corruptos da banca e da política. É tudo a mesma coisa. Nem mais um cêntimo. Os gregos elegeram um Governo que deu corpo ao protesto e não é que os indignados se passaram de imediato para o lado dos bancos e dos tais políticos? Os gregos que paguem que nós também o fizemos. Queriam o quê? Paguem e deixem de ser parasitas". Ouvi a ideia e não pude estar mais de acordo. É realmente sei lá o quê habitar com tanto sonso e cata-vento. E depois é um passo para a sobrevivência do chico-esperto e até do intrujão.



publicado por paulo prudêncio às 13:44 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Domingo, 05.04.15

 

 

manoel_de_oliveira.jpg

 

 

Chego ligeiramente atrasado ao anúncio do falecimento (2 de Abril de 2015) do Mestre do cinema português, mas confesso que não me preparei para o sucedido.

 

Vi, seguramente, mais de uma dezena de filmes do grande cineasta (sempre em salas vazias). O realizador rasgou fronteiras e tem algumas obras que me recordam um dos meus realizadores preferidos: Abbas Kiarostami. E é de um dos filmes deste iraniano, "Através das oliveiras", que me lembrei nestes dias em que os médias portugueses deram uma demonstração de planeamento com reportagens elaboradíssimas sobre o Mestre. A história começa assim: um grupo de jornalistas do canal estatal da moderníssima Teerão dirije-se a uma recôndita aldeia, a 700 kms, para documentar o choro das carpideiras. Só que o planeado defunto nunca mais falece e os jornalistas ficam inabitados com a ausência das comodidades quotidianas.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 10:12 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 28.03.15

 

 

 

 

Encontramos sinais da crise da democracia em coisas "pequenas". Dizia-me um amigo que limitou os mandatos de gestão, já neste milénio e numa instituição financeira quando ainda não era uma obrigação da lei, que estava a ser confrontado frequentemente, em questões estritamente profissionais ou perto disso, com argumentos que desvalorizavam a sua opção pela renovação democrática e que "eliminavam" a atenção ao uso cuidado da democracia. É comprovado que fez obra e mesmo isso lhe pareceu subvalorizado em relação à obrigação de se "perpetuar".



publicado por paulo prudêncio às 09:43 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 27.03.15

 

 

 

 

É preferível um município que afirme um projecto de municipalização escolar, e que por isso permita o contraditório civilizado e democrático, do que uma gestão concelhia que jamais redigiu uma linha mas que exerce a partidocracia disfarçada.



publicado por paulo prudêncio às 14:29 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Segunda-feira, 23.03.15

 

 

 

Os 48 anos da ditadura do século passado consolidaram uma sociedade amedrontada, desconfiada do exercício da cidadania, temerosa do contraditório, alojada na corrupção, desrespeitadora do Estado e do bem comum e que não considerou a organização como um valor precioso. É evidente que para esse estado também contribuíram outros factores históricos.

 

A jovem democracia, que ainda regista números escolares que envergonham, demorará, se tiver tempo e engenho para isso, gerações a atenuar.

 

Existem preconceitos que parecem "guardar" a sociedade que descrevi, que supervisionam a ousadia e a poesia e que reagem ao novo com medo da não conservação da herança. Controlam os danos de forma subtil: classificam de ideológico, dando-lhe uma conotação pejorativa, o que inquieta ao mesmo tempo que se põem a salvo da "radical" catalogação (e fazendo partidocracia de forma disfarçada, como sempre se percebe).

 

É a forma ideológica do mau conservadorismo. Existe em modo silencioso e espera a redenção com a chegada "anunciada" do regime protector de todos os males do mundo.



publicado por paulo prudêncio às 15:31 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 17.03.15

 

 

 

Pode consultar aqui o projecto de intervenção que acompanhou a minha mais recente candidatura no âmbito da gestão escolar.



publicado por paulo prudêncio às 12:55 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 04.03.15

 

 

 

Bem sei que é exigente, mas é uma experiência interessante: quando opinamos sobre a detenção de um político da área adversária, devemos pensar que se trata de alguém da nossa; quando questionamos a acção de um juiz dirigida a um político, devemos considerar que o suspeito é alguém da corrente adversária.

 

Sei lá. É um bocado como naquelas discussões sobre a idoneidade dos dirigentes desportivos com provas dadas em ilegalidades, mas que sobrevivem por se tratar da justiça desportiva. Por exemplo: um portista pensa que Pinto da Costa é do Sporting e constrói o "veredicto". Resumamos a ideia: das disputas e da alteridade.

 

2ª edição.



publicado por paulo prudêncio às 22:16 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 26.02.15

 

 

 

"Há um exagero em muitas das pessoas que se queixam que cederam por causa da pressão", disse a especialista, não ouvi o nome, na TSF. O tema era o assédio nas relações de trabalho e a consequente "desculpa" para a fraqueza moral.  

 

Não é preciso ouvir uma especialista para comprovar a evidência. Os últimos anos do sistema escolar foram férteis. Quantas e quantas vezes (é uma lista mesmo interminável) não ouvimos o argumento da pressão, e da necessidade, para justificar o mais notado oportunismo? E como disse a especialista, este tipo de "fraquezas" são sempre, e a prazo, prejudiciais aos indivíduos que as praticam e vezes de mais aos grupos onde se inserem.



publicado por paulo prudêncio às 19:56 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 23.02.15

 

 

 

Se há herança que remonta à ditadura do século passado é o medo de existir e de expressar uma opinião contrária ao poder vigente.

 

Na história recente prevaleceu, custe o que custar a admitir, a escola de Cavaco Silva. O não à política, o não à ideologia, o apontar de dedo aos adversários como "os políticos" ou "os revolucionários" fez uma escola recheada, essa sim, de fanatismo ideológico disfarçado de servilismo, cheia de oportunismo e de preconceitos, de "sem-face" e de silenciosas campanhas de bastidores. Não raramente, os "cavaquistas" assegurariam a virtude nos trajes mais cinzentos, o mais do mesmo em respeito à ordem e ao bom nome, as contas "certas" na defesa dos desfavorecidos e, acima de tudo, não fariam ondas em nome do pragmatismo e da obediência às hierarquias. É o que se vê, realmente.



publicado por paulo prudêncio às 15:18 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 16.02.15

 

 

 

 

 

Se há um dado novo nas sociedades europeias do centro e do sul é a ideia de que é preciso agir. O protesto é fundamental, mas é insuficiente. Necessita de se associar a ideias de "como fazer" e a programas inovadores, fundamentados e competentes. O mainstream deve estremecer e, no mínimo, carregar o seu legado. É fundamental desmontar as oligarquias que capturaram as democracias; não se trata de as substituir. Há muito que se percebeu isso, mas apenas uma minoria deu corpo ao imperativo.



publicado por paulo prudêncio às 11:38 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 24.01.15

 

 

 

Nas campanhas eleitorais vestem a pele dos reformados, dos agricultores e dos feirantes, mas passado o frenesi só têm olhos para Bilderberg. E como se explica a amnésia dos eleitores?

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:40 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Dizia-me um amigo que vive há mais de três décadas na Madeira: "Não é nada fácil o estatuto de perseguido pelas combinações caciques da Madeira, mas é uma honra". Compreendo.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 09:21 | link do post | comentar | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
Discordâncias:
Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
comentários recentes
O grande desafio de uma sociedade democrática é es...
"Não posso ensinar a falar a quem não se esforça p...
Quando perguntei se a Ana leu mesmo o post não est...
Se não parecesse brincadeira de mau gosto, eu come...
Desculpe Ana, mas leu mesmo o post?Começa assim: "...
"É mais um motivo de esperança no sentido da moder...
Enfim. Nunca se sabe o que pode acontecer; realmen...
posts recentes

do risco e das utopias

saudades

Do orçamento e do tempo

Bosh

da suspensão dos cursos d...

ligações
posts mais comentados
14 comentários
7 comentários
6 comentários
5 comentários
4 comentários
4 comentários
4 comentários
4 comentários
3 comentários
tags

agrupamentos

além da troika

antero

avaliação do desempenho

bancarrota

banda desenhada

bartoon

blogues

caldas da rainha

campanhas eleitorais

cartoon

cinema

circunstâncias pessoais

coisas tontas

concursos de professores

contributos

corrupção

crise da democracia

crise da europa

crise financeira

crise mundial

crónicas

democracia mediatizada

desenhos

direito

direitos

economia

educação

efemérides

escolas em luta

estatuto da carreira

exames

falta de pachorra

filosofia

finanças

fotografia

gestão escolar

história

humor

ideias

literatura

luís afonso

mais do mesmo

manifestação

movimentos independentes

música

organização curricular

paulo guinote

política

política educativa

portugal

professores contratados

público-privado

queda de crato

queda do governo

rede escolar

sociedade da informação

tijolos do muro

ultraliberais

vídeos

todas as tags

favoritos

bloco da precaução

pensar o sistema escolar ...

escolas sem oxigénio

e lembrei-me de kafka

as minhas calças brancas ...

as minhas calças brancas ...

reformas e remédios (1) -...

sua excelência e os númer...

sua excelência (2) (reedi...

sua excelência (1) (reedi...

subscrever feeds

web site counter
Twingly BlogRank
arquivo
blog participante - Educaá∆o - correntes .jpg
Por precaução
https://www.createspace.com/5386516
Razões de uma candidatura
https://www.createspace.com/5387676
mais sobre mim