Em busca do pensamento livre.

Sexta-feira, 14.04.17

 

 

 

Gosto de rever museus. Não me importo quando uma viagem se resume a esses espaços, aos alojamentos e a curtos passeios. A revisão permite aprender mais e atenua a busca do tempo perdido. O acervo do Prado é o que se sabe, mas permitam-me que escolha o tríptico "The Garden of Earthly Delights" de Hieronymus Bosch (El Bosco em espanhol), que justificou uma sessão interessante no último Folio de Óbidos.

 

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Bosh, Museu do Prado. (este vídeo ajuda)

 

internet permite saber muito mais. Basta googlar.

Contudo, a presença física continua insuperável.

 

1ª edição em 15 de Outubro de 2016



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Domingo, 19.03.17

 

 

"El colegio milagro que revoluciona la educación en España"



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Segunda-feira, 02.01.17

 

 

 

Com todos os riscos de quem retira do contexto uma passagem, não resisto a citar Ulrich Beck (2015:22) "Sociedade de risco mundial - em busca da segurança perdida", Lisboa, Edições 70,

 

"(...)o risco constitui o modelo de percepção e de pensamento da dinâmica mobilizadora de uma sociedade, confrontada com a abertura, as inseguranças e os bloqueios de um futuro produzido por ela própria e não determinada pela religião, pela tradição ou pelo poder superior da natureza, mas que também perdeu a fé no poder redentor das utopias.(...)".

 

A perda da "fé no poder redentor das utopias" indicia um risco de decadência se não se circunscrever ao inevitável cinismo com que a maturidade olha para a prevalência do mal. Se a descrença nas utopias e no combate às desigualdades atravessar todas as gerações, a decadência entranha-se; como a história, de resto, já nos explicou.

 

www.cartoonstock.com/cartoonview.asp?catref=cgo0149

 



publicado por paulo prudêncio às 21:39 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 24.12.16

 

 

 

Gosto de bailado. Tenho saudades da companhia de dança da Fundação Gulbenkian. Algumas coreografias foram inesquecíveis.



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Sexta-feira, 28.10.16

 

 

 

 

A aceleração do tempo dificulta a percepção dos momentos de curto, médio e longo prazos (opinião pública, legislatura e constituição). A discussão à volta do orçamento de Estado tem o tempo da opinião pública. É, principalmente, um exercício retórico que governos e oposições usam com oportunidade mediática. O ministro Mário Centeno sublinhou-o, ontem, quando denunciou, de forma muito pedagógica, a descida qualitativa do documento europeu de controle orçamental (falou de uma "complexidade" inatingível que me recordou a banca mentora do subprime).

Há, no tempo vigente em Portugal, uma sensação interessante. A sobrevivência da constituição parece um contraponto à prevalência avassaladora da opinião pública.

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publicado por paulo prudêncio às 17:41 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 09.09.16

 

 

 

Fui Comando. Por obrigação numa tropa para voluntários (começou nessa altura a objecção de consciência). Condicionado a dar o melhor para ser oficial e não ir parar a soldado sem graduação e sem especialidade. Éramos 87 no curso de oficiais e sobraram 7. Na prova mediatizada (prova de choque) éramos cerca de 500: ao segundo dia estavam cerca de 250 na enfermaria improvisada. Era tal a violência e alienação, que se traficavam tampinhas de cantil com água a 500 escudos a unidade (cerca de 100 euros com "equivalência" ao custo de vida actual). Um amigo de escola (o Jaime Naldinho), queria que lhe espetasse um prego da tenda na mão para ser evacuado. Como recusei (ele ficaria com mais uma lesão para a vida), correu atrás de mim acusando-me de estar feito com os inimigos (já não bastava o esforço daqueles dias loucos e infernais; estive para desertar a meio do curso). Dei instrução e pertenci à companhia operacional 112. Foram 18 meses inesquecíveis. Aprendi muito em diversos domínios; também na "arte da guerra" que até aí me era completamente estranha. Havia muitos exageros. Nestes cursos morreram dois ou três instruendos e alguns ficaram com lesões para a vida. Era uma coisa estúpida derivada de mau planeamento ou de insuficiências no equipamento. Não havia a mediatização actual. Era uma revolta muda. É inadmissível que se repita décadas depois (a unidade de Comandos foi extinta em 1993 e reactivada em 2002).

 

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publicado por paulo prudêncio às 09:38 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 07.09.16

 

 

 

"Querem ver que vai ler a carta toda". Levantou-se e saiu. Éramos uma dezena de espectadores e já estávamos reduzidos a metade ("A carta" do genial Manoel de Oliveira; um bom filme). Não aprecio comentários, mas este foi inesquecível. Uma freira recebeu uma carta no seu quarto do convento. Íamos com uns minutos num plano inamovível, a carta tinha umas quantas folhas e o saturado espectador tinha razão: leu a carta toda.

 

2ª edição. Reescrito.

 

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Terça-feira, 23.08.16

 

 

A última página do Público de ontem trazia uma frase de Michael Jordan. Não tenho a certeza se a rubrica tem exactamente esse nome (escritos na pedra) e não me apetece confirmar. Já a frase do lendário jogador de basquetebol, que pode ser lida como uma "frase de motivação" (já a publiquei em tempos), é interessante; mais ainda num pós-olimpíadas.

"Errei mais de 900 arremessos na minha carreira. Perdi quase 300 jogos. 26 vezes fui escolhido para fazer o arremesso final e falhei. Falhei vezes e mais vezes na minha carreira. E foi por causa disso que me tornei um vencedor."

 

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publicado por paulo prudêncio às 22:18 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 21.08.16

 

 

  

Fotografei este rinoceronte (uma bela escultura) em Agosto de 2013 nos jardins da Gulbenkian. Tem uns amarelos que não se vêem bem (o corno, uma sela de "cavalo" no dorso e outros detalhes). Já se sabe: o rinoceronte tem uma reduzida visão periférica e quando aponta é difícil corrigir a trajectória; nem sequer vai a tempo de emendar um erro. Neste caso, está parado, "enjaulado" numa selva urbana e pronto a ser cavalgado. Que destino, realmente.

 

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Quarta-feira, 17.08.16

 

 

 

 

Não aprecio multidões e há muito que perdi a paciência para estádios. Encontrei uma passagem interessante sobre essa "fuga" que "homenageia" o saltador francês (Renaud Lavillenie, medalha de bronze no salta à vara do Rio2016).

 

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DeLillo, Don (2010:94). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.



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Segunda-feira, 15.08.16

 

 

 

 

A localização do auditório de ar livre, a poucos metros da marginal de Cascais, é privilegiada. A noite estava quente, de céu limpo e estrelado, e com algum vento. Richard Galliano, uma lenda viva, e Sylvain Luc já brilhavam. Até o som do vento que agitava a abundante vegetação parecia orientado pelos músicos. Três pessoas sentadas a meu lado, duas mulheres e um homem entre os 40 e os 50, não largavam os telemóveis. À terceira música percebi que jogavam o tal de Pokémon Go (nem assim me despertou a curiosidade). Tiveram um momento alto: disputaram a caça de um alojado debaixo da cadeira da frente. De gatas, num eufórico silêncio, a mulher mais próxima foi, ao que percebi, a triunfadora daquele alvo virtual. Ainda fiquei com uma dúvida: seriam mais uns bilhetes Galp?

 

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publicado por paulo prudêncio às 14:49 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 04.08.16

 

 

 

 

"Já não suporto arrependidos. Principalmente os repetentes. São oportunistas que mudam de navegação ao sabor das circunstâncias." Percebi a indignação e concordei com o essencial. O processo troika será um caso para estudo.


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publicado por paulo prudêncio às 09:44 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 01.08.16

 

 

 

 

Os 48 anos de ditadura consolidaram uma sociedade amedrontada, desconfiada da cidadania, temerosa do contraditório, alojada na corrupção e desrespeitadora do bem comum. A organização não era um valor precioso. É evidente que para esse estado também contribuíram outros factores históricos. A democracia, que ainda regista números escolares que envergonham, demorará, se tiver tempo e engenho para isso, gerações a atenuar.

 

Existem preconceitos que "guardam" a sociedade descrita. Supervisionam a ousadia e a poesia e reagem ao novo com medo da não conservação da herança. Controlam os danos de forma subtil: classificam de ideológico (uma conotação pejorativa) ao mesmo tempo que se põem a salvo da "radical" catalogação.

 

É a forma ideológica do mau conservadorismo. Existe em modo silencioso e espera a redenção com a chegada "anunciada" do regime protector de todos os males do mundo.



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Domingo, 31.07.16

 

 

 

 

“Não é matar um homem que é difícil - é tudo o mais”.

Jean-Paul Sartre, A Engrenagem.



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Sábado, 30.07.16

 

 

 

 

Como são já uns quantos que tentam passar pelos pingos da chuva, dá ideia que a coisa complica-se se os próximos tempos mantiverem a tradicional tendência de seca.

 

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Quarta-feira, 27.07.16

 

 

 

 

“Não desejo nem uma nem outra; mas se fosse preciso escolher entre sofrer a injustiça e cometê-la, preferiria sofrê-la.” A frase de Platão poderia ter mais umas nuances. Sei lá. O tempo, por exemplo, acaba sempre, embora muitas vezes "fora de tempo", por elevar o fundamental, reverter a condição de quem sofreu a injustiça e condenar o usuário da injustiça.

 

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Segunda-feira, 11.07.16

 

 

 

 

"(...)quem se limita ao que está a acontecer nem sequer compreende o que acontece.(...)" 

 

 

Daniel Innerarity (2011:49). 

"O futuro e os seus inimigos". 

Lisboa: Teorema.



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Quarta-feira, 01.06.16

 

 

 

"Não é a obsessão com a independência; sei há muito que as regras são as regras e que não se chega à lua de bicicleta". Ouvi estes raciocínios e compreendo. Subscrevo o essencial. E até me parecem mais realistas do que pessimistas. É evidente que o conceito de "lua" é variável e que até com as "tais regras, que são as regras" se consegue provar "que o lugar que não existe, afinal existe". E isso torna-se ainda mais incomodativo para os "reguladores". E depois, nada compensa a condição de independência.



publicado por paulo prudêncio às 11:27 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 20.04.16

 

 

 

Sou incompetente.

 

 

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publicado por paulo prudêncio às 17:59 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 08.04.16

 

 

 

Precisamos de um "novo" abecedário. Mas um abecedário despretensioso e artesanal como na imagem. E olhem que não é falho de ambição.

 

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Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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