Em busca do pensamento livre.

Quinta-feira, 26.01.17

 

 

 

O ambiente no país melhorou com o novo Governo, mas é inquestionável, e com todo o realismo, que se mantêm as componentes críticas da vida profissional de milhares de professores. Temos o dever de o sublinhar. E nem todas têm implicações financeiras; algumas melhoravam a capacidade volitiva, atenuavam o burnout e reduziam a despesa.

É a 4ª edição desta curta radiografia. A 1ª é de 5 de Novembro de 2015, a 2ª de 10 de Junho de 2016 e a 3ª de 20 de Novembro de 2016. Vou repetindo o post enquanto se justificar, sem esquecer boas intervenções em variáveis importantes (por exemplo: concursos BCE, prova de acesso e rede escolar).

Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além, obviamente, dos cortes transversais e da aposentação retardada. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".

 

 

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 Faces, Picasso



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Domingo, 20.11.16

 

 

É a 3ª edição desta curta radiografia. É um facto que o ambiente no país está desanuviado, mas também é inquestionável que nada mudou no essencial na vida profissional de milhares de professores. A 1ª edição foi em 5 de Novembro de 2015 e a 2ª em 10 de Junho de 2016. Vou repetindo o post enquanto se justificar e apesar da eliminação de algumas variáveis importantes que não constavam do exame (por exemplo: concursos BCE e prova de acesso).

Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além, obviamente, dos cortes transversais. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".

 

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Terça-feira, 30.08.16

 

 

 

Mobilidade Interna e Contratação Inicial



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Sábado, 23.07.16

 

 

 1ª edição em 5 de Novembro de 2015.

 

 

Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além, obviamente, dos cortes transversais. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".



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Terça-feira, 19.04.16

 

 

 

site da PR anuncia (15 de Abril de 2016) a promulgação da lei "que elimina a requalificação de docentes". A decisão justifica-se por "não existirem efeitos orçamentais relevantes”. Por muito que custe ao pessoal do Panamá Papers, a variável "existiu" por radicalismo ideológico "rosalino".



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Domingo, 08.11.15

 

 

 

O anunciado "fim da mobilidade especial na administração pública" é um momento emocionante para milhares de pessoas. Os tempos são de tal ordem, que nem percebi se é o cinismo de Passos e Portas ou se é já o possível Governo das esquerdas. Por incrível que possa parecer, haverá medo que mudará de lado e regressará alguma decência à vida democrática das organizações.



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Quinta-feira, 25.06.15

 

 

 

Como ontem interroguei, "professores do quadro concorreram e foram colocados noutras escolas em vagas sem horário?"

 

O Público diz hoje que os "sindicatos denunciam erros e injustiças nos concursos".

 

Lendo os depoimentos sobre o assunto, conclui-se: existem dois tipos de erros das escolas: de planeamento ou no lançamento digital das vagas a concurso. No segundo caso, o MEC não terá corrigido as solicitações para a reparação do erro.

 

Mas há erros do MEC: num possível lançamento digital das vagas ou no algoritmo da aplicação informática. Percebe-se que o processo errático tem uma grande dimensão e que os professores seriamente lesados (os que concorreram e os que não concorreram e ficaram com horário zero) não podem entrar em mobilidade especial. É o mínimo; mas mais: era uma boa oportunidade para acabar com esta praga dos horários zero.



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Quarta-feira, 11.03.15

 

 

 

Não fossem as últimas greves aos exames e avaliações (com adesões inesquecíveis) e os mais de 10 mil horários zero resultantes dos cortes a eito teriam desaguado na rosalina requalificação. O despacho, e um despacho é demasiado conjuntural, que regulamenta o crédito horário foi o acordado, mas é bom recordar que os horários zero podem regressar a qualquer momento se as condições estruturais não se alterarem. E as escolas públicas nada podem fazer?

 

Deixemos, por agora, os cortes a eito e olhemos, por exemplo, para a rede escolar no ensino secundário. Era expectável o aumento do número de turmas nas escolas públicas no ensino regular ou em cursos profissionais (em regra, as ofertas no modelo "cooperativa de ensino" não oferecem melhores condições de realização). Sejamos memoriados e olhemos para além da espuma dos dias (ninguém está a salvo) de forma a que os pesadelos de 2011 e 2012 não regressem em dose reforçada.

 

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Terça-feira, 03.02.15

 

 

 

A porta fica aberta, qual caixa de Pandora, com os quinze professores na requalificação. Há um silêncio  que tem tanto de ensurdecedor como de brutal e injusto. Bem sei que se fossem 1500 ou 15000 o protesto seria veemente.

 

Crato comprometeu-se com o zero na requalificação, mas a sua palavra nada vale. Para além disso, o seu Governo quis abrir uma qualquer porta num corredor que foi traçado, para não variar, pelo anterior. Pode ser que esta porta aberta volte a atormentar muita gente no futuro pós-eleitoral.

 

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Topografia do terror. Berlim. Julho de 2014. 

 



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Quarta-feira, 14.01.15

 

 

 

 

Se no exercício de Lurdes Rodrigues os professores realizaram manifestações históricas, foi já no mandato de Crato que aconteceram dois picos inéditos de contestação: uma greve às avaliações com uma inesquecível capacidade de resistência e uma impopularíssima, e há muito reivindicada pelos "agarrem-me, mas agarrem-me mesmo, senão desfaço-os", greve aos exames (com algumas e lamentáveis dissidências).

 

Com esses dois movimentos, os professores conseguiram que milhares de docentes dos quadros não passassem para a "requalificação" em Setembro de 2013. É bom que haja memória.

 

Mas os ultraliberais não desistem. Em ano de campanha eleitoral, existirão várias armas de arremesso; até dentro da coligação que governa. Os professores voltarão a sofrer com isso. Um requalificado poderá receber menos do que um desempregado e a palavra de Crato ("não haverá professores com horário zero") vale tanto como o número de horas desses horários que exponenciou com os cortes a eito para além da troika.

  

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Segunda-feira, 08.09.14

 

 

 

Vi Nuno Crato anunciar o fim dos horários zero e da mobilidade especial para os professores do quadro. O ministro diz que vai trabalhar para eliminar a indignidade. Ou seja, a indignidade existiu porque o ministro não trabalhou o suficiente.

 

Já agora, era bom que se conhecesse o número de professores colocados depois do horário zero e que não voltaram à escola de origem. Talvez três ou quatro assessorias centrais via centrão exijam mais em vencimentos.

 

Se não fosse um assunto sério, talvez fosse caso para perguntar: quando é que há eleições?



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Sexta-feira, 05.09.14

 

 

 

 

 

Já sabíamos que há jovens portugueses, espera-se que estejam desiludidos ou em vias disso, nas fileiras jihadistas e agora ficamos a saber que Nuno Crato é das arábias ou pelo menos tem influências das terras da Mesopotâmia.

 

Quando ouvi o ministro dizer que os professores foram para as filas dos centros de emprego a 1 de Setembro porque quiseram e que tinham 90 dias para o fazer, considero estranho que Crato não saiba que os desempregados começam a ser remunerados a partir do dia de inscrição e que não devem estar em condições de dispensar 3 meses de remuneração.

 

Crato também disse que os professores com horário zero não seriam "ultrapassados" pelos professores da contratação inicial. Já se sabia que não ia ser assim e das duas uma: Crato desconhece os processos ou é mau propagandista. Vou mais pela segunda hipótese e recordo-me dos tempos de Lemos & Pedrosa tantas vezes catalogados na mesma área do célebre ministro iraquiano da informação. É uma piada gasta, mas aplica-se a esta versão de Crato-das-Arábias. E o pior é que tudo isto causa imenso sofrimento a milhares de pessoas.

 

 

 

 

 



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Quinta-feira, 24.07.14

 

 

 

 

"Ricardo Salgado foi detido no âmbito da operação Monte Branco" e vêm-me à memória casos semelhantes e as suas demoradas consequências.

 

Recordo-me, por exemplo, do que se tem passado na Educação.

 

Ainda em 26 de Janeiro de 2014 a comunicação social trouxe para as primeiras páginas o caso GPS.

 

 

 

 

 

 

O tempo passa, as escolas públicas continuam sublotadas e as pessoas impacientam-se. Nesta fase de matrículas, de constituição de turmas e de destribuição de serviço docente, a relação público-privado na Educação agudiza-se e ameaça estalar.

 

Basta estudar os concelhos mais atingidos. Enquanto as escolas públicas partilham turmas e professores e reduzem as contratações, os colégios privados financiados integralmente pelo Estado agem isolados, contratam quem entendem sem concurso público e em regime de duplicação da despesa.

 

A peça do DN (26 de Março de 2014) deu mais um passo na perplexidade.

 

 

 

 

 

E o "Notícias ao Minutodesenvolveu.

 

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 25.06.14

 

 

 

 

 

Nos concelhos onde impera a lógica do mercado selvagem da Educação, o tal público-privado financiado pelo Estado, há um bocado de tudo para que qualquer um se envergonhe: exclusão de alunos com necessidades educativas especiais ou dificuldades de aprendizagem, critérios de matrícula que ignoram a boa utilização das infra-estruturas existentes, publicidade enganosa, professores contratados precarizados, professores do quadro em estado de desconsideração profissional e por aí fora.

 

Há quase uma década que o plano inclinado da profissionalidade dos professores é uma evidência. À desconfiança traduzida num inferno de burocracia, acrescentaram-se cortes a eito que provocaram o aumento de alunos por turma, o aumento dos horários dos professores e os cortes curriculares que deixaram milhares de professores sem serviço lectivo. Não é de estranhar que qualquer estudo aponte para uma espécie de quadro negro "em que nove em cada dez professores sente que é desconsiderado pela sociedade". Dá ideia que os últimos governos têm apenas um único objectivo: provocar uma onda imparável de "fugas com penalização".

 

Recordemos, por exemplo, as declarações de um SE do MEC em 25 de Janeiro de 2014 e estejamos atentos.

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 13.05.14

 

 

 

 

 

 

Recebi por email um ficheiro com uns dez slides que incluem os princípios gerais do que será o despacho de organização do ano lectivo 2014/15 (OAL). É um documento com os logos do Governo e do MEC e datado de 8 de Maio de 2014.

 

Vou publicar com um ou outro comentário antes de cada slide.

 

 

É, desde logo, algo risível que um documento destes, e publicado nesta altura em que o ano lectivo seguinte devia estar bem pensado, comece por afirmar a autonomia das escolas e a flexibilidade e a eficiência na gestão dos ditos recursos.

 

 

 

As principais alterações são as que se seguem.

 

 

 

 

Os professores do quadro passam a poder imputar horas da "actividade pedagógica" até 50% do seu horário. É uma novidade que permite que mesmo o professor mais graduado não fique carregado de turmas e de alunos. Mas o melhor é esperar pela clarificação no despacho (como se fosse esse o hábito com os despachos do MEC).

 

 

 

 

É alterado o conteúdo do crédito horário.

 

 

 

 

As fórmulas dão uma ideia do estado a que isto chegou. É que ainda por cima o produto não tem limites muito distantes.

 

 

 

 

A CAP (salvo seja) calcular-se-á do seguinte modo:

 

 

 

 

As conclusões são um bocado rebuscadas, sem dúvida.

 

 

  

 

E termina com uma novidade: os professores do quadro podem integrar horas de AEC no seu horário desde que tenham seis horas lectivas à partida.

 

 

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 26.03.14

 

 

 

Há vários assuntos explosivos para além das prescrições e da corrupção bancária. A relação público-privado na Educação também se agudiza e ameaça estalar. Basta estudar os concelhos mais atingidos. Enquanto as escolas públicas partilham professores e reduzem as contratações, os colégios privados financiados integralmente pelo Estado agem isolados, contratam quem entendem sem concurso público e em regime de duplicação da despesa.

 

A peça do DN (26 de Março de 2014) dá mais um passo na perplexidade.

 

 

 

E o "Notícias ao Minuto" desenvolve.

 

 

 

 

 



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Quinta-feira, 20.03.14

 

 

 

 

 

O MEC anunciou hoje duas medidas: um mestrado mais longo para quem quer ser professor como uma medida de financiamento do ensino superior e a vinculação de 2000 professores contratados.

 

Espera-se que o MEC cumpra com o "fim dos horários zero", como se pode ler aqui, quando se anunciou o fim do "entra-e-sai no sistema".

 

A propósito, ainda há dias escrevi assim:

 

"(...)Mas há uma variável incontornável: enquanto não se eliminar o clima de mobilidade especial e de horário zero nos professores do quadro (os de zona pedagógico e os contratados estão nesse regime insano há décadas) que pairam como fantasmas no quotidiano das escolas, não é possível construir uma qualquer atmosfera de mudança e de mobilização. O espectro, legitimo, de defesa do posto de trabalho por parte dos grupos disciplinares impossibilita tudo o que de racional e óbvio vai ler a seguir; nomeadamente no domínio curricular.(...)"

 

 

 

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 28.01.14

 

 

 

 

 

A Comissão Europeia (CE) deu mais dois meses para que o MEC resolva a viculação dos professores contratados. Dá ideia que foi aceite o pedido do MEC no sentido de explicar que os professores são um "corpo especial" e que vai legislar para a estabilização dos professores dos quadros que incluirá os novos vinculados. Há muitas pessoas desconfiadas e com razão.

 

 



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Domingo, 26.01.14

 

 

 

 

 

A peça do "I" apresenta detalhes do caso Grupo GPS que ainda não tinha lido na comunicação social. "(...)O i sabe que os relatórios da Inspecção-Geral de Educação e Ciência (IGEC) sobre os colégios GPS deram pistas essenciais ao trabalho dos investigadores que na passada terça-feira conduziram mais de duas dezenas de buscas pelo Centro do país. As seis auditorias, recorde-se, traçaram um retrato arrasador dos estabelecimentos de ensino particular financiados pelo Estado para garantirem ensino gratuito a alunos que supostamente não teriam lugar na rede pública.(...)".

 

É interessante que se refira que "(...)As despesas com professores, ao que o i apurou, acabariam por contar para o cálculo - quanto mais altas fossem, maiores os benefícios.(...)". É evidente que esta constatação é referente ao período 2004/2010, que parece que foi muito investigado, e quando o valor pago pelo Estado não tinha a turma como referência.

 

Em 2005, quando participei, em Lisboa, pela última vez numa reunião da rede escolar das Caldas da Rainha como PCE da EBI de Santo Onofre, alertei para a ilegalidade de um dos colégios e para o problema de "horários zero" que iria provocar no médio prazo. Está documentado aqui. Os representantes do Grupo GPS, presentes na reunião, declaram que "absorveriam" esses "horários zero" e que quanto mais elevado fosse o escalão de vencimento do professor mais interessante a situação se tornava. Estranhei. Não conheço um professor com "horário zero" que tenha leccionado nessas instituições. Dizem-me que nos primeiros anos de funcionamento as escolas das cooperativas de ensino convidavam professores dos escalões mais elevados para regimes de acumulação em tarefas de coordenação sem componente lectiva.

 

 

Mas o melhor é ler a peça.

 

 

 

 

 



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Sábado, 25.01.14

 

 

 

 

 

 

Declarações de um dos SE do MEC.

A referência está mais abaixo.

 

 

O poder vigente na quase totalidade do milénio (o primeiro ano e meio foi uma excepção), assumiu o discurso anti-escola e anti professor. Ou seja, o "tudo está mal na escola pública" era culpa dos professores e ponto final. Uma ala manifestou a desconfiança com burocracia infernal e a outra com processos disciplinares a eito e com "mais trabalho porque eles têm muito tempo livre" (e continuou o tal inferno agora digitalizado). Vivemos um período em que prevalece a ala mencionada em segundo lugar.

 

Sejamos objectivos: o despedimento em massa de professores nos últimos anos deveu-se aos cortes curriculares e ao aumento do número de alunos por turma. Os agrupamentos de escolas contribuíram em menor escala e a mobilidade especial acrescentou um valor residual ao corte da massa salarial. Uma dezena de assessores governamentais ultrapassa o valor obtido por essa mobilidade. Para além disso, os "horários zero" são o factor que mais desesperança cria no sistema. Terminar com esta saga e instituir uma distribuição de serviço docente racional e pedagógica terá, nesta altura, ganhos incomensuráveis (a reposição de um número aceitável de alunos por turma, uma nova revisão curricular, alterações no estatuto da carreira e alterações ao modelo de gestão escolar reporão muita da sanidade perdida).

 

Dá ideia que é isso que a segunda ala concluiu. É uma espécie de repetição da história que, a confirmar-se, terá um desfecho semelhante: certo, mas tardio para efeitos eleitorais (e ainda há quem diga que as eleições para pouco servem ou que as lutas jurídicas nunca têm resultados).

 

 

 

 

 

Entrevista ao jornal Sol de ontem. Imagem recolhida no blogue do Arlindo Ferreira.

 

 



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Terça-feira, 20.08.13

 

 

 

 

 

A verdade, mais coisa, menos coisa - 1 (professores contratados)

 

A verdade, mais coisa, menos coisa - 2 (professores QZP)

 

A verdade, mais coisa, menos coisa - 3 (professores QE/QA)



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Segunda-feira, 19.08.13

 

 

 

 

 

A saga dos horários zero é bem demonstrativa que na rede escolar nas Caldas da Rainha continua tudo por fazer. Aguardam-se os relatórios da IGEC e do DCIAP.

 

Recebi por email com pedido de divulgação.

 

 

 

"CONFERÊNCIA DE IMPRENSA - CALDAS DA RAINHA:

 

O MEC PRIVILEGIA COLÉGIOS PRIVADOS e DELAPIDA DINHEIROS PÚBLICOS

 

O SINDICATO dos PROFESSORES DA GRANDE LISBOA (SPGL) convida os órgãos de comunicação social para uma conferência de imprensa, no dia 20 de agosto (3ª feira), pelas 11 horas, na sua delegação de Caldas da Rainha (Avenida Engenheiro Luis Paiva e Sousa, 4B) que terá como tema a denúncia dos prejuízos causados às escolas públicas do concelho – e ao erário público – mediante o recurso desnecessário à concessão de turmas a colégios.

 

Agradecemos a vossa presença.

 

A Direção do SPGL"




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Quinta-feira, 15.08.13

 

 

 

 

 

MEC publicou as listas de uma das sagas mais incompetentes a que assisti. As listas dos professores com horário zero é mais uma tortuosa incompetência acrescentada ao desvario semelhante ocorrido no ano anterior. E nem interessa muito se são mais ou menos desta vez. Tenho ideia que a coisa conseguiu piorar com a publicação de listas datadas dos finais de Julho de 2013 e que estão gravemente desactualizadas. Não adianta argumentar com a justeza da optimização da colocação de professores de acordo com as necessidades das escolas. O que estamos a assistir é um clamoroso desprezo por três valores preciosos: planeamento, organização e respeito pelo conhecimento (neste caso, pela escola pública e pelos seus professores).

 

Isto não é próprio de uma sociedade moderna e os episódios Kafkianos que estão a ocorrer têm origem numa traquitana que vive num caos administrativo e organizacional. É evidente que o fanatismo ideológico deste Governo tem uma elevada cota de responsabilidade e também não é desprezível a queda da Aliança Democrática para o caos concursal e para a incomodidade com os fenómenos numéricos. Até pode ser redundante o que vou escrever, mas só me sai uma expressão: demitam-se, pá!

 

 



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Quarta-feira, 31.07.13

 

 

 

 

 

 

 

 

Será que estes milhares de professores não têm direito a descansar e a recarregar baterias? Não é só a tradicional bagunça organizacional dos finais de ano lectivo acrescentada das PPP´s da rede escolar, são, como sempre se disse, os cortes a eito verificados no verão de 2012.

 

Os aumentos nos horários dos professores e no número de alunos por turma, a revisão curricular e os mega-agrupamentos institucionalizaram um inaudito desrespeito pela profissionalidade dos professores e exigem um qualquer ponto final. O sistema escolar atingiu um rol tal de brutais injustiças, perpetradas na última década, que a coisa já só vai lá com um reset.

 



publicado por paulo prudêncio às 21:27 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sábado, 13.07.13

 

 

 

 

 

 

Sempre se percebeu que até à publicação do novo DOAL (documento de organização do ano lectivo) alguma água correria debaixo das pontes. A Fenprof e a FNE acusam o MEC de não ter cumprido alguns compromissos registados em acta e que foram prontamente divulgados pelos dirigentes sindicais, nomeadamente o novo conceito de serviço lectivo que deixava de se aplicar apenas aos professores com horário zero. Pelo que se pode ler, e nomeadamente para os professores que leccionam no primeiro ciclo, o MEC não cumpriu. Os sindicatos têm a obrigação de esclarecer rapidamente o assunto uma vez que está causa um aspecto importante do acordo alcançado.


Este processo tem detalhes sórdidos. Foi a acusação de que o ministro Crato mentia sobre o conteúdo das negociações e agora estamos perante algo igualmente grave. Como o Paulo Guinote relata aqui, conversámos diversas vezes sobre estas possibilidades. Veremos como se desenvolve esta saga com um Governo que já deu provas das maiores trapalhadas e inverdades.

 



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Terça-feira, 25.06.13

 

 

 

 

Se, como se disse (e por todos os presentes na mesa de negociações) e se escreveu, o novo conceito de serviço lectivo (e não me esqueço das direcções de turma como serviço lectivo) é aplicado a todos os professores, e não apenas aos que têm horário zero, na primeira distribuição de serviço lectivo, o balanço das greves é muito positivo. É evidente que ficaram intocáveis questões fundamentais: número de alunos por turma, cortes curriculares, mega-agrupamentos e mais profundamente a privatização do sistema escolar. É também evidente que o novo conceito de serviço lectivo requer uma sólida regulamentação para que não seja pulverizado a qualquer momento. E é claro: mais cedo ou mais tarde voltaremos a esta luta a não ser que o mundo leve uma grande mudança.

 

E os professores mais graduados podem ver na sua componente lectiva outro serviço que não seja directamente com turmas? Podem e alguns não gostarão. Mas também haverá professores que podem deixar de ter 10 turmas e 300 alunos e preferirão outro serviço lectivo. E não nos podemos esquecer que no conceito mega haverá mais professores em mobildade (a saltar de escola em escola) do que no presente.

 

Resumindo: o que no ano passado foi incluído à posteriori apenas para os professores com horário zero, este ano é para todos e à priori (na primeira distribuição de serviço lectivo). Basta pensar um bocado para perceber o alcance desta alteração para todos os professores; os do quadro e os contratados.

 

É ainda evidente que vamos estar atentos ao modo como tudo isto se operacionaliza.

 

 



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Sexta-feira, 17.05.13

 

 

 

 

EM DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA

 
 
“A aposta na educação como garantia de futuro, mesmo em momento de crise, é uma das recomendações gerais inúmeras vezes reiterada pelo Conselho Nacional de Educação (…). Na situação atual, em que a crise económica e o aumento do desemprego são muito graves, a aposta na educação e qualificação deveria constituir uma prioridade, um modo de quebrar o isolamento e dar mais atenção às pessoas e ao desenvolvimento e valorização dos seus saberes. Contribuiria seguramente para combater o desânimo, sobretudo onde existam situações dramáticas do ponto de vista individual, familiar ou comunitário.

A aposta na educação em tempos de crise económica pode também ser a estratégia por excelência para a promoção da coesão social e construção de uma cidadania solidária, inclusivamente em domínios de urgência europeia e mundial, como sejam o desenvolvimento sustentável ou a resposta às exigências da globalização.” (Conselho Nacional de Educação (2012): Estado da Educação – Autonomia e Descentralização, CNE – Editorial do Ministério da Educação e Ciência, p. 10)

 

Em defesa de uma Escola Pública verdadeiramente inclusiva e de qualidade, pela valorização dos Professores e da sua dignidade enquanto profissionais e cidadãos que, com o seu trabalho, acrescentam valor à sociedade!

 

Norteados por estes princípios, os docentes da Escola Básica e Secundária Quinta das Flores, Coimbra, decidiram, em reunião de professores, alertar para a necessidade de combater a política educativa seguida pelo Ministério da Educação e Ciência, consubstanciada em medidas extremamente gravosas para a qualidade da educação pública, nomeadamente:

 

  1. A diminuição do investimento na educação (2009 – 5,9% do PIB; 2012 – 3,9% do PIB; média da OCDE – 6,2% do PIB);
  2. O elevado número de alunos por turma;
  3. A exigência de um mínimo de 20 alunos para funcionamento de disciplinas de opção;
  4. O elevado número de turmas, alunos e níveis por professor (com maior gravidade, nas disciplinas com menor carga letiva semanal);
  5. O não reconhecimento de todas as atividades pedagógicas desenvolvidas com os alunos como atividade letiva;
  6. A constituição de mega-agrupamentos;
  7. A criação de falsos horários zero, como resultado de medidas como as enunciadas anteriormente;
  8. A limitação da oferta curricular e formativa da escola (disciplinas de opção, cursos profissionais, etc.) aos recursos humanos e materiais existentes, coartando a liberdade de escolha dos alunos e condicionando a concretização do Projeto Educativo;
  9. A impossibilidade de formação de turmas mistas nas disciplinas de opção;
  10. A falta de resposta às necessidades permanentes, concretizada na não abertura de vagas a concurso coincidentes com as necessidades reais e permanentes das escolas;
  11. A exigência de trabalho aos professores que ultrapassa em muito as 35 horas semanais (investigação e atualização científico-pedagógica, preparação de aulas, elaboração de materiais, correção de trabalhos e portefólios, elaboração e correção de testes, avaliação de alunos, reuniões, atividades extracurriculares, preparação e participação em visitas de estudo, projetos, clubes, desempenho de cargos como o de direção de turma e de coordenação intermédia, trabalho burocrático, vigilância e classificação de exames…), não existindo nas escolas as condições necessárias para que todos os docentes desempenhem as funções que lhe são exigidas no seu local de trabalho;
  12. O anúncio do aumento do horário de trabalho dos professores de 35 para 40 horas (em 2012: média de 761 horas de trabalho em Portugal contra 704 horas da OCDE);
  13. O anunciado fim da redução da componente letiva (Artigo 79º do ECD);
  14. A municipalização do ensino;
  15. A criação de condições para a privatização do ensino;
  16. A continuação do financiamento de escolas particulares com contrato de associação quando, no mesmo espaço geográfico, existem escolas da rede pública com capacidade de resposta;
  17. A mobilidade especial / requalificação profissional;
  18. A ameaça de rescisões amigáveis, claramente lesivas para os funcionários;
  19. O congelamento de carreiras;
  20. O não reposicionamento na carreira dos diferentes professores tendo em conta o seu tempo de serviço.
  21. O aumento da idade da reforma, dado o desgaste físico e emocional inerente ao desempenho da profissão docente.

 

Perante esta política educativa, entendem os subscritores deste documento:

 

  1. Exigir uma revalorização da educação enquanto aposta estratégica fundamental para o futuro do país e o correspondente aumento do investimento.
  2. Exigir uma política educativa centrada na qualidade e que salvaguarde uma efetiva igualdade de oportunidades, o que só é possível com condições de trabalho que as medidas já tomadas e anunciadas de forma nenhuma favorecem.
  3. Exigir que todas as atividades pedagógicas desenvolvidas com os alunos sejam incluídas na componente letiva.
  4. Exigir uma adequada definição da rede escolar de modo a que, havendo capacidade de resposta por parte das escolas da rede pública, não sejam estabelecidos contratos de associação.
  5. Rejeitar em absoluto o aumento do horário de trabalho letivo e/ou não letivo dos professores, por ser incompatível com um trabalho docente digno e profissional, que exige um esforço físico, intelectual, emocional, de atualização científico-pedagógica e de acompanhamento pedagógico dos alunos.
  6. Rejeitar em absoluto a integração de qualquer professor na chamada mobilidade especial/requalificação profissional, por se considerar que não há professores a mais na escola. Pelo contrário, há professores a menos nos quadros para se poder dar uma resposta adequada às exigências colocadas pela especificidade dos diferentes alunos. (Ver estatísticas do relatório Estado da Educação – Autonomia e Descentralização, elaborado pelo Conselho Nacional de Educação, de 2012, p. 101, fig. 3.4.3.).
  7. Apelar aos diferentes órgãos representativos do poder, sensibilizando-os para o desastre anunciado na Educação, caso prossiga esta política.
  8. Anunciar a disposição de recorrer ao Direito de Resistência previsto no artigo 21.º da Constituição da República, sempre que as medidas referidas ameacem pôr em causa direitos fundamentais.
  9. Adotar diferentes formas de luta que podem passar pela adesão a diferentes tipos de greve coincidentes ou não com períodos de avaliação e/ou exames e que incluam a greve de zelo.
  10. Suspender a realização de todas as atividades que dependam apenas da iniciativa dos professores.
  11. Enviar o presente documento ao MEC, à DGEstE, aos sindicatos, à comunicação social, ao Conselho Geral da Escola e ao Presidente da Associação de Pais.
  12. Divulgar ainda este documento junto de outras escolas.

 

Coimbra, 15 de maio de 2013



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Quarta-feira, 08.05.13

 

 

 

 

 

Os órgãos de comunicação social estão a divulgar conclusões dos primeiros relatórios da Inspecção-Geral da Educação e Ciência sobre o já célebre caso da cooperativa de ensino GPS. Das irregularidades divulgadas, salientam-se a cobrança de uma espécie de pequena propina e incorrecções nos horários dos professores.

 

Aguardam-se os relatórios com conclusões mais substanciais como refere a nota do MEC divulgada esta tarde. É evidente que também se esperam as conclusões da investigação da Procuradoria-Geral da República.

 


"(...)A estes seis relatórios irão juntar-se até ao final do ano lectivo outros relativos a outras auditorias que estão em curso, bem como o relatório referente a um inquérito que está a ser conduzido pela Inspecção-Geral da Educação e Ciência. As duas primeiras auditorias foram realizadas a pedido do secretário de Estado do Ensino e da Administração Escolar, João Casanova de Almeida, na sequência de denúncias feitas por professores e sindicatos ainda durante o Verão. Entretanto, em resultado de questões identificadas nessas duas primeiras auditorias e de outras denúncias, as acções inspectivas foram alargadas a outros colégios.(...)"



publicado por paulo prudêncio às 21:00 | link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Sábado, 23.03.13


















Não confiámos em Nuno Crato quando o ministro declarou que no seu mandato os professores não seriam colocados em mobilidade especial e tínhamos razão. Crato diz agora que não podia evitar por mais tempo a pior das injustiças à profissionalidade dos professores. Com tanto corte a eito (a prazo se provará que também agravou o insucesso e abandono escolares dos alunos para além do menosprezo pelas humanidades e pelas artes que não cabem no Estado mínimo) e com o aprofundamento da desastrosa gestão escolar que herdou, só podíamos ter professores do quadro com horário zero a par do despedimento colectivo de mais de dez mil professores contratados.

Crato sabia tudo isto ou então é ainda mais estratosférico e egoísta do que se pensava. Sabia, como também sabe Lurdes Rodrigues que legislou a mobilidade especial e a gestão escolar e agora vem, com ar cândido, declarar que não há professores a mais. O cinismo e a impreparação são a marca desta gente ingrata que está ao serviço dos "donos do mundo" e que não tem um pingo de coragem para sequer bater com a porta ou denunciar a injustiça. Para além de tudo, sabe- se que não tarda e teremos professores a menos e aí os mobilizados especiais não regressarão e verão a injustiça duplicada. Só há, realmente, um caminho: fazer com este MEC o mesmo que se fez com a anterior (deve sublinhar-se que Crato prosseguiu a devastação de Lurdes Rodrigues, agravando-a em políticas decisivas: carga curricular, gestão escolar e profissionalidade dos professores).

É evidente que há muita revolta nos concelhos onde as cooperativas de ensino beneficiam há anos dos favores (com edificações, nalguns casos, comprovadamente ilegais) e do silêncio do arco do poder. Contratam professores sem qualquer concurso público e financiados na totalidade pelo orçamento de Estado e os professores com horário zero são mais uma vez injustiçados. Não pode ser. No Estado de direito que ainda resta alguma coisa tem que acontecer mesmo.


publicado por paulo prudêncio às 16:41 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Quinta-feira, 21.03.13

 

 

 


E dei com Lurdes Rodrigues a afirmar o óbvio: não há professores a mais.


Mas por que será que um órgão de comunicação social se lembra de perguntar a uma ministra que iniciou a maior destruição da História da escola pública, e da profissionalidade dos professores, uma coisa destas?


Às tantas, terá alguma relação com a notícia do mesmo jornal, "Sócrates regressa ao écran nacional" (na RTP1 e por obra de um golpe de Relvas que divide o PS e faz valer os méritos de dominador de aparelhos), e com o reaprecimento do ex-CEO da Mota Engil numa espécie de comício.


Se o PS está a contar com a fraca memória em política, talvez se engane. O que se passou no sistema escolar foi demasiado grave para que uma esponja possa ser já utilizada e o justo argumento de que todos têm direito à participação política nem está a causa; obviamente. Embora, e nalguns casos, a confiança na justiça também não possa servir de argumento.







publicado por paulo prudêncio às 11:24 | link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Quarta-feira, 20.03.13

 

 

 

 

O terror quer avança mais uns passos



"O Ministério da Educação e da Ciência (MEC) anunciou que os professores com "horário zero" poderão passar, já a partir do próximo ano lectivo, ao regime de mobilidade especial. O Ministério da Educação continua a transferir milhões de euros para colégios com contratos de associação, redundantes porque situados nas proximidades de escolas do Estado. Na sua grande maioria, estes colégios são propriedade de personalidades muito próximas do poder político. Entre sacrificar o enriquecimento destes amigos e ameaçar professores com um despedimento a médio prazo e pô-los a receber metade do vencimento, o Governo não hesitou.(...)"



publicado por paulo prudêncio às 21:12 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

 

 

 

 

 

Nuno Crato e o SE Casanova não disseram a verdade sobre os professores do quadro quando asseguraram que a mobilidade nunca se aplicaria a estes profissionais. E nem vale a pena usar o argumento de que há docentes sem componente lectiva. Isso só acontece por causa das drásticas reduções que se verificaram na carga curricular e na gestão escolar.

 

É fácil eliminar disciplinas ou semear o caos organizacional nas escolas e depois dizer que se tem professores a mais. Qualquer das variáveis provoca aumentos do abandono e insucesso escolares e são desaconselhadas por quem estuda estas matérias. No caso da gestão escolar e dos mega-agrupamentos, o processo em curso é mesmo inédito no mundo conhecido.

 

Também não adianta argumentar com a crise. O sistema escolar tem sido, há anos a fio, o mais depauperado dos sistemas públicos. O recurso dos governos ao outsourcing, a estudos encomendados a amigos e a algumas cooperativas de ensino que privatizam lucros devia envergonhar qualquer um.

 

Há já um dirigente escolar que acusa o MEC de querer "exterminar os professores, enquanto profissionais e como cidadãos". A desleladade governativa escolhe sempre a entrada em período de pausa lectiva para anunciar este tipo de coisas.

 

 

Professores com "horário zero" vão passar ao regime de mobilidade, anuncia ministério

 

"Tutela quer reduzir quadros de zona pedagógica, de 23 para sete, já para o próximo concurso.(...)"



publicado por paulo prudêncio às 19:26 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 26.02.13

 

 

 

O Governo disse hoje à FNE (UGT) que não haverá despedimentos (mobilidade só para voluntários) nem mais horas de trabalho para os professores e que vai rever o regime jurídico da formação contínua de professores e desburocratizar o trabalho nas escolas, libertando os docentes para a componente lectiva.

 

Tanta "generosidade" até dá para nos beliscarmos. Estão assustados com qualquer coisa ou saciaram-se com os cortes verificados e convenceram-se que a coisa está consolidada.

 

Seja lá como for, o que queremos saber é se a tradicional FNE adere ao "que se lixe a troika" ou se está apenas na função de terceiro secretário de Estado?



publicado por paulo prudêncio às 22:22 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Terça-feira, 04.12.12

 

 

Post publicado em

19 de Julho de 2012.


2ª edição.

 

 

 

 

 

"Ainda não aprendemos a lidar com a crise. Naturalmente que é assim.

 

Apesar de tudo, acredito que os professores podem derrubar a nova estrutura curricular, o aumento do número de alunos por turma e uma série de variáveis relativas à organização do ano lectivo e à gestão escolar. Há um argumento fortíssimo: estamos também a defender a escola pública e os alunos. É evidente que nos preocupa o justo emprego dos professores e a qualidade da sua acção profissional.

 

Em 2008 as condições eram mais adversas para a eliminação do concurso de titulares e do monstro da avaliação e foi o que se sabe. Os professores estavam isolados (para ser brando com alguns arrependidos) e agora estão-no menos. Foi isso que senti nos últimos dias e que se concretizou na reunião de ontem nas Caldas da Rainha."


 

Adenda: quase três meses depois de ter escrito este post, e pensando nas acções que tiveram ontem um ponto alto, é fundamental que se diga o seguinte: nem no início da indignação contra as políticas de Sócrates e Rodrigues a disputa foi tão desigual. A luta em defesa da escola publica é, e há muito, difícil numa sociedade civil fraca como a nossa. E o que mais custa é ver professores e outros agentes que se afirmam democratas a defenderem de forma fanática ou não, de forma consciente ou não (beneficiando directamente ou indirectamente) interesses apontados há muito por casos de corrupção.



publicado por paulo prudêncio às 11:17 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Quinta-feira, 02.08.12

 

 

 

O estado de sítio no sistema escolar agravou-se em 2004, tornou-se patológico a partir de 2006 e está insustentável nesta altura. Os cortes financeiros, mascarados de outras coisas, feitos fora de horas pelo MEC criaram brutais injustiças e humilharam os professores do quadro de uma forma semelhante à que aconteceu com os concursos de professores titulares. As listas da mobilidade interna são um mais um episódio de um jogo de sombras inclassificável e que terá, seguramente, maus resultados.



publicado por paulo prudêncio às 19:33 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 19.07.12

 

 

 

 

 

 

Um grupo de professores, e tendo em consideração os graves constrangimentos da rede escolar das Caldas da Rainha (e sobre as ligações, nem sempre claras, entre os sectores público e privado na área da Educação e que afectam significativamente as escolas públicas do concelho) associados à agregação de escolas, ao aumento do número de alunos por turma, à revisão curricular, à situação dos professores contratados e às regras para a organização do ano lectivo, decidiram organizar uma reunião que se realizou no polivalente da Escola Secundária Raul Proença, na 4ª feira, dia 18 de Julho, pelas 18h30.

 

A reunião ultrapassou as expectativas. Três centenas de pessoas (professores e educadores, outros profissionais da Educação, encarregados de Educação e outros cidadãos) de vários concelhos do oeste, manifestaram um profundo repúdio pelos horários zero e pelas outras questões agendadas.

 

Constitui-se uma comissão "Em defesa da escola pública" com uma dezena de membros que vai preparar uma série de acções e a criação de grupos nas redes sociais. Elaborar-se-á um texto a apresentar à Comunicação Social e agendou-se um nova reunião para o início do mês de Setembro.

 

Vincou-se a ideia de estarmos perante uma espécie pontapé de saída. Conhecia a maioria das pessoas e fiquei com a sensação que esta iniciativa promete.



publicado por paulo prudêncio às 00:05 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Quarta-feira, 18.07.12

 

 

 

E se o MEC reconhecesse que o número de professores com horário zero é de 17000?

 

Qualquer que seja o número, esta incompetente saga é a mais grave desumanidade que observei no sistema escolar. Nem os concursos de 2004, ou os titulares e a avaliação de 2008, conseguiram provocar uma injustiça tão brutal. Os professores portugueses não merecem isto. Pode parecer exagero, mas ainda ontem um colega me disse: somos não sei quantos mil com a estrela de david na testa.

 

Se somarmos estes 17000 professores aos 35000 contratados, temos um panorama que retrata a dimensão do sentimento de revolta que está instalado.



publicado por paulo prudêncio às 15:31 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

 

 

O verdadeiro plano inclinado e a tradicional FNE anda aos papéis.

 

Directores e professores não acreditam no ministro da educação



publicado por paulo prudêncio às 09:18 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 17.07.12

 

 

 

Não me convenço com as desculpas da equipa que governa o sistema escolar. Não sou dado a teorias da conspiração, mas a exigência mínima é que os professores sejam retirados imediatamente de DACL e que se comece a discutir a redução do número de alunos por turma, a revisão curricular, a desagregação de escolas e as regras da organização do ano lectivo.



publicado por paulo prudêncio às 22:43 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

 

 

 

Os tempos inadmissíveis que se viveram nos últimos dias no sistema escolar só podem ter duas causas principais: incompetência do MEC e de quem o "conduz" ou exigências troikanas-gasparianas.

 

Consideremos um concelho com duas escolas secundárias, a A e a B. Ficaram dois professores, em cada uma delas e no mesmo grupo disciplinar, com horário zero. Os da escola A só podem concorrer à escola B e vice-versa. Como é impossível serem colocados voltam à escola de origem.

 

A bancarrota tem causas exógenas, mas não só. E as máquinas organizativas que inovam no nível que apresentei, conseguem desempenhos que se sucedem com exemplos que nos envergonham.

 

Milhares do professores dos quadros foram lançados numa humilhação sem precedentes (os titulares e a avaliação conseguiram desempenhos quase semelhantes) e o ministro demorou uns dias a desfazer-se em desculpas enquanto, e pelo que leio, as ramificações da traquitana avisavam, de forma arrepiante, os professores "escolhidos" por telefone, email ou sms e sem qualquer explicação técnica. É. A incompetência somada ao discurso anti-escola e anti-professores estampou-se com estrondo e fico à espera, sentado, que os responsáveis se demitam. E repito uma questão fundamental: é difícil, para não escrever "impossível", confiar na palavra de um ministro e este Governo está definitivamente descredibilizado.

 

Crato garante que haverá lugar para todos os professores do quadro 

 

"Crato garantiu que os docentes com horário zero poderão ser retirados do concurso de mobilidade para desenvolverem actividades de apoio ao sucesso educativo, que contarão como componente lectiva, com vista "à integração completa de todos estes professores". Os directores serão informados já na quarta-feira.(...)

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 22:04 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar


Inauguração do blogue
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Autor:
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