Em busca do pensamento livre.

Terça-feira, 21.03.17

 

 

 

A Finlândia incluiu mais competências transversais nos currículos nacionais (o processo iniciou-se em 2012 e apenas em 2016 deu os primeiros passos). E porquê a transversalidade? Por causa dos futuros profissionais, mas principalmente pelo tédio dos alunos (até nas raparigas que têm melhores resultados em todas as literacias). A ligeira quebra nas avaliações internacionais terá acelerado a recuperação da antiga interdisciplinaridade; ou melhor: da sua institucionalização. O processo tem cinco anos, não muda com a queda de um Governo (Crato&Rodrigues seriam impossíveis) e regista o pessimismo de 34% dos professores; 21% registaram benefícios. Toda esta sensatez num sistema com escolas com uma dimensão civilizada, descentralizada e autónoma. Não existem exames (mas existe avaliação), não existe avaliação do desempenho (do desempenho, sublinhe-se) dos professores e não existem serviços de inspecção (os sistemas bem sucedidos constroem a confiança): ou seja, estão há muito a contrariar as variáveis determinantes da escola-indústria (nunca li, nos inúmeros relatos do sistema finlandês, uma referência ao excesso de burocracia).

Em Portugal, parece que se queria recuperar a flexibilização institucional do currículo, e logo de 25% da carga horária, quase de supetão. Dizem que parou por causa das eleições autárquicas e da vontade do Presidente. Que não se conte este ridículo fora de portas e que se repita: para além do tempo, "isto apela a profissionais não preenchidos por burnout e sentimentos de "fuga", precarizados ou rodeados de má burocracia - o inferno acentuou-se (1998-2000) na anterior experiência de gestão flexível do currículo - num clima de desconfiança na democracia. Estas componentes criticas são mesmo os riscos a contrariar num ambiente de flexibilização curricular".

A imagem é de um pintor finlandês: um Anjo, mesmo que ferido como é o caso do escolar finlandês, justifica todos os cuidados e merece que se lhe dê tempo para encontrar outros caminhos.

 

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Hugo Simberg.

"O anjo ferido"

Museo de Arte Ateneo.

Galería Nacional.

Helsinski. 

Finlândia. 



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Sábado, 18.03.17

 

 

 

A "Geringonça escolar" tomou duas decisões quase consensuais: repor decência na rede escolar e corrigir a "medição em modo industrial" que o radicalismo de Crato alastrou aos alunos mais jovens. É um caminho a prosseguir, sem que isto signifique concordância com o modelo vigente de provas de aferição. Há muito a fazer.

Dá ideia que o Governo adiou as mudanças curriculares que implicavam (é o que consta) a flexibilização de 25% do currículo. É moderado. Parece que não generaliza sem testar. É sensato. Para desnorte, já temos década e meia que chegue. Contudo, isso não implica que não se reequilibre a carga horária com pequenos ajustamentos aos devaneios anteriores e que não "aumentem o ruído" nos concursos nem na distribuição de serviço dos professores.

Por outro lado, o sistema está - há muito e com baixas médicas em catadupa - à beira de um ataque de nervos com a hiperburocracia digital a conviver com legislação do tempo analógico e com outras componentes críticas identificadas. Se juntarmos a isto as prioritárias, e imperativas, mudanças no modelo de gestão e a apreensão com a municipalização, temos de olhar para o adiamento curricular com o desenho de Picasso - "ainda há vida com uma guitarrra" - e a pensar como Goethe: "todos os dias devemos ouvir uma canção, ler um bom poema, ver uma pintura de qualidade e dizer palavras sensatas".

 

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Pablo Picasso.

"Still life with guitar".

Albertina museum. Viena.

 



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Quinta-feira, 23.02.17

 

 

 

É preferível a coragem de eliminar as retenções dos alunos nos anos não terminais de ciclo (nos terminais ficaria para mais adiante), do que andar há mais de duas décadas a culpar, exclusivamente, os professores e as escolas pelo insucesso escolar instituindo um inferno de má burocracia que se evidencia em reuniões de agenda repetida e documentos de "copiar e colar". Aconselho a leitura deste post do Paulo Guinote.

 



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Domingo, 19.02.17

 

 

 

O "Governo vai mudar o currículo das escolas" contrariando decisões muito desfavoráveis aos alunos, principalmente aos mais jovens, promovidas por Crato com o empobrecimento curricular. É o passo seguinte depois do questionamento saudável a uma variável da mesma família: a indústria dos exames. É mais um motivo de esperança no sentido da moderação e da sensatez. Mas não chega. É preciso eliminar o que resta dos procedimentos da "guerra" aos professores, e à organização das escolas, da autoria de Lurdes Rodrigues.

A "nova" gestão flexível dos currículos eleva a exigência da escola (se a municipalização se abstiver). Não bastará disseminar directrizes centrais. Será preciso mais estudo, mais autonomia e mais responsabilidade, para que se afirmem valores de liberdade, maturidade e transparência. E tudo isto apela a profissionais não preenchidos por burnout e sentimentos de "fuga", precarizados ou rodeados de má burocracia num clima de desconfiança na democracia. Estas componentes criticas são mesmo os riscos a contrariar num ambiente de mudança curricular.

 

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Terça-feira, 07.02.17

 

 

 

 

Portugal é o país da OCDE onde os professores perdem mais tempo com a disciplina para começar uma aula e é onde existem, como hoje se conclui, salas de aula em que "reina a "pequena indisciplina"". E não saímos disto, com o discurso circular de "especialistas" (no caso o antigo responsável pelo Observatório de Segurança em Meio Escolar) a culpar "mais os professores do que os alunos".

E se procurássemos, definitivamente, outras culpas? Sumariemos: escola a tempo inteiro, ou "armazém", como resultado da sociedade ausente; aluno-cliente como negação dos elementares princípios docimológicos (não tarda e a publicitação da calendarização de testes chega ao primeiro ciclo para que um petiz convoque os advogados porque o professor o submeteu a um questionário de avaliação sem calendarização; isto sim, o nefasto "facilitismo"); uma década de devassa, mediatizada em primeira página, da carreira dos professores; indústria de exames nacionais, com os respectivos quadros de mérito e com a publicitação de resultados de crianças (é a preparação para a selva, dizem "especialistas da ordem contrária"); "supressão" de intervalos escolares; aulas de noventa minutos como receita do 5º ao 12º ano e em todas as disciplinas; mais alunos por turma; mais turmas por professor; terraplenagem do estatuto da carreira dos professores; agrupamentos de escolas como negação da gestão de proximidade e com aumento da hiperburocracia como factor ilusório de controle; legislação de disciplina escolar na lógica de um "tribunal dos pequeninos"; e por aí fora. Se nada de moderado, sensato e democrático acontecer, daqui por uma década voltaremos, seguramente, ao mesmo e, obviamente, aos culpados do costume.

 

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Quarta-feira, 04.01.17

 

 

 

Os "franceses já podem ignorar emails fora do horário de trabalho". Não é o único país a legislar com a preocupação no burnout de profissionais, que é um flagelo resultante do desconhecimento vigente sobre ciências da administração associadas aos sistemas informacionais dos diversos domínios de actividade. As escolas portuguesas, onde a desconfiança nos professores é a causa de um inferno de informações inúteis, repetidas e redundantes, aderiram às plataformas digitais de empresas comerciais. Quando a sensatez francesa atingir o território nacional, a escola portuguesa ficará finalmente centrada no essencial: aulas, com as respectivas classificações de alunos.

 

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Domingo, 27.11.16

 

 

 

Duas palavras entraram na moda: disruptor (rompe com o que está) e pós-verdade ("os factos objectivos têm menos influência na formação da opinião pública do que os apelos emocionais e as crenças pessoais"). Se fosse um pessimista, diria que estamos enclausurados numa sociedade (septuagenária e erguida nas ruínas da II guerra) em queda sem fim e que esperneamos porque não podemos partir de imediato para outro planeta.

 

Mas como o post é sobre a escola, e como sou optimista, façamos a disrupção a pensar na escola-indústria considerando as "salas de aula do futuro" uma pós-verdade. Desde que há escola que se tenta escapar ao ensino tradicional. Foi assim, por exemplo, "a seguir à II guerra" com Freinet, Montessori e Summerhill e, já com o digital, com as plataformas Moodle que se tornaram processos descontrolados quando aplicados em crianças e mais ainda em turmas numerosas. São também intemporais os comportamentos dos actores. Os modistas acusam os tradicionalistas de acomodados e os segundos reivindicam o fim da história. É difícil mudar a escola-indústria, mais ainda em sistemas centralizados por controle burocrático. É aí que o digital pode ajudar a ideia de "sala de aula do futuro". Não há organização que ensine em ambiente digital se não viver numa atmosfera correspondente. O clima organizacional tem de assentar na confiança e a simplificação de procedimentos tem de eliminar o lançamento de informação inútil, repetida ou redundante. No caso português, está muito por fazer.

 

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Terça-feira, 18.10.16

 

 

 

O tratamento da informação no sistema escolar não está adequado à sociedade da informação e do conhecimento. Está muito longe disso.


Grande parte da informação obtida não é relevante para o processo de tomada de decisões, nem contribui para que os professores, principais fornecedores de informação, concentrem a energia na preparação e realização das actividades lectivas.

 

Exige-se a alteração do que existe. Os sistemas de informação necessitam de uma grande depuração com um objectivo de sentido contrário ao habitual: retirar os campos de obtenção de informação que não suportam a tomada de decisões. Deve ser de lei a proibição da repetição no lançamento de dados: do nome do aluno às classificações que obtêm até aos conteúdos dos relatórios mais diversos. É uma reforma essencial.



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Sexta-feira, 09.09.16

 

 

A frase é de Joaquim Azevedo e está na agenda mediática. Há muitos que defendem que este ex-SE de Cavaco Silva (os ajudantes, segundo o chefe) acordou agora e acham sei lá o quê. Como já me habituei a este sono alternado dos nossos investigadores, comento o estudo com um post de 2 de Julho de 2009 (o muro que asfixia a escola e os professores); tem na coluna direita do blogue, a das etiquetas, inúmeros textos sobre o mesmo assunto e tem também um livro com o título "Por Precaução".

 

O muro que asfixia as escolas e os professores.

 

Quem quer que se meta na aventura de reflectir sobre o estado do sistema escolar português pode escolher os mais variados pontos de partida. A minha opção navega na história mais recente e concentra-se no tratamento da informação.

Podia optar por "sistema escolar por blocos". Mas o conceito de bloco da precaução torna mais inteligível o que quero exprimir e reforça duas ideias: é, como espero que se veja, o bloco que mais asfixia o privilégio de ensinar e contamina de modo decisivo os outros dois: o do ensino e o da organização escolar. 

Este bloco da precaução, que foi construído paulatinamente e que criou um muro de burocracia na gestão da informação escolar, é quase tão difícil de derrubar como foi o muro de Berlim.

O bloco da precaução caracteriza-se por um universo informativo que é obtido apenas para arquivo e que existe porque está determinado de modo central através das invenções técnico-pedagógicas do ministério da Educação. E é aqui que encontramos um imenso elenco de invenções burocráticas: inúmeras actas e relatórios sem parâmetros indicadores de informação estruturante, projectos educativos impossíveis de avaliar, projectos curriculares de turma e de escola, definição de objectivos com variadas designações de acordo com os gostos e os feitios dos promotores de ocasião. A lista é interminável.

A institucionalização do bloco da precaução, e a sua aparente autoridade, parte dos serviços centrais do ministério da Educação (Inspecção-Geral como elemento central) e alastra-se de modo quase acéfalo à organização de muitas das escolas. As invenções burocráticas devidamente preenchidas são, por precaução, a única consciência profissional de muitos estabelecimentos de ensino; isso retira sentido de autonomia e de responsabilidade e gera fenómenos de subserviência e de medo.

Só assim foi possível verificar um conjunto denominado de boas práticas que tornava "exequível" aquilo que depois se provava ser inaplicável: é essa uma parte crucial da história recente da avaliação do desempenho dos professores e do arrastamento insuportável desta coisa sem pés nem cabeça. Quando se tentou perceber as boas práticas das escolas ditas de referência, o ridículo eliminou rapidamente a visibilidade mediática que se quis impor. Também por precaução se deixou de falar nisso.

 

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Quarta-feira, 29.06.16

 

 

 

ME exige informação "impensada" que não é incluída nos programas das empresas de software escolar. Isso provoca a circulação infernal de ficheiros excel e word. Torna-se doentio. Proporciona também a roda livre escolar de quem "desconhece" que a obtenção de informação "pedagógica" tem exigências administrativas. É o tal mundo criativo da repetição de inutilidades. É uma espécie de "vamos brincar às escolas e à gestão". No mínimo, a governabilidade exigiria a inclusão de "toda" a informação nuclear nesse software como critério primeiro de licenciamento. A avaliação externa (Inspecção-Geral) "penalizaria" os excessos, e não o contrário, e o uso das muito boas aplicações do office da Microsoft.



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Segunda-feira, 27.06.16

 

 

 

O despacho normativo nº4-A/2016 (Organização do Ano Lectivo) diz no múmero 5 do artigo 10º:

"5 - Sem prejuízo do disposto no número anterior, até duas destas horas podem ser atribuídas a outro docente do conselho de turma que seja responsável pelo acompanhamento dos alunos da turma."

Se a intenção fosse a seguinte, "o secretário do conselho de turma ou outro professor do conselho de turma podem ter até duas horas não lectivas para trabalho de conselho de turma", concluiríamos que o ME era ingovernável. Em vez do espírito simplex anunciado, institucionalizava-se o secretário da hiperburocracia.



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Quinta-feira, 23.06.16

 

 

 

Elogia-se a coragem informada do Governo no caso cooperativas ilegais e redundantes, mas a defesa da escola pública não se esgota aí; obviamente. E não é preciso recuar muito para o que é "consensual" mudar. Há questões com implicações orçamentais e outras não: "apenas" de reposição democrática.

 

Alunos:

 

Quando é que se contraria o afunilamento curricular (que começou em 2003 com a "reforma" do secundário) de Crato, sem ser apenas na mudança de provas finais para aferição?

 

Quando é que se reduz alunos por turma?

 

Profissionais:

 

Quando é que se descongelam carreiras (praticamente congeladas no que levamos de milénio)?

 

Quando é que se repõe a decência na avaliação do desempenho (o congelamento de carreiras é que silencia o desmiolo)?

 

Quando é que se encara de vez a elevada média etária, e o burnout, dos professores (tão discutida em campanhas eleitorais), nomeadamente revendo o seu estatuto de modo a impor decência (sem empurrar pessoas para reformas com indecentes penalizações) na redução da componente lectiva por idade e tempo de serviço e na distribuição do serviço docente?

 

Quando é que se confia nos professores e se elimina a hiperburocracia (em modo digital também)? No primeiro simplex, o MEC de então acelerou em sentido contrário. Como será no simplex dois? O "escola a 360 graus" não é animador.

 

Organização das escolas:

 

Quando é que se altera o modelo de gestão no sentido de esclarecer três variáveis: municipalização, agrupamentos e democracia interna das organizações?

 

Quando é que se requalificam as escolas não abrangidas pela parque escolar?

 

E podíamos ficar horas a elencar componentes críticas ou em detalhes técnicos (que explicariam a execução de algumas das medidas referidas com os meios existentes). Mas um pequeno post é suficiente para sublinhar que a defesa da escola pública tem exigências que não são marcianas.

 

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Quarta-feira, 15.06.16

 

 

 

 

Decorrem ainda as avaliações de alunos do final do ano e deve recordar-se que o artigo 42º do Estatuto do Aluno é taxativo e devia atenuar, no mínimo isso, o inferno de invenções de má burocracia (incluindo a digital) que alimenta a cultura organizacional de muitas escolas.

 

 

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Sábado, 11.06.16

 

 

 

"(...)Entre as tarefas que desviam os professores da sua “missão essencial”, figuram “a sobrecarga de reuniões e de múltiplas tarefas de natureza burocrática”, como por exemplo o preenchimento de aplicações instaladas em plataformas electrónicas, que “poderiam ser desenvolvidas por assistentes técnicos”, destaca o CNE num parecer sobre a condição docente.(...)". Digamos que a hiperburocracia está há muito identificada e que a passagem para o digital torna ainda mais ridícula a ausência de estratégia informacional. Aos sucessivos discursos governamentais com promessas de eliminação da praga, corresponde sempre mais burocracia. Conclui o CNE, que acorda tardíssimo, mas acorda, que “nos últimos anos, as condições de trabalho dos docentes nas escolas têm vindo a tornar-se mais difíceis”, o que contribui para que se registem “processos de stress e burnout [exaustão]".

 

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Quinta-feira, 02.06.16

 

 

 

Em 2007, o MEC seguiu em sentido contrário ao primeiro simplex.

 

Desta vez, o que se percebe do "escola a 360 graus" faz temer o mesmo. Não porque em 360 graus se fique na mesma posição e o ME(C) precisasse de 180 graus. Não será um jogo de designações, é todo um arsenal de hiperburocracia que teima em aumentar com o digital. O fundamental é suprimir, ou, no mínimo, automatizar, procedimentos inúteis ou repetidos.

 

Em 2007, o inaugurado MISI (Missão para os Sistemas de Informação) também tentou a base de dados única. Como os engenheiros dos serviços centrais foram injustamente exonerados por causa do caos (criado por políticos tecnicamente impreparados mas cheios da soberba do país de tanga) nos concursos de 2004, o MISI tentou as empresas comerciais de software escolar. Não confiou, ou não conseguiu acordar, e fez bem. Nesta altura, e olhando para o que existe e considerando o que a maioria do ourtsourcing programa como informação útil ou desprezível (a segunda fica para o inferno das grelhas impensadas em excel e word), há motivos para sérias preocupações. Para além dos dados biográficos, no universo da gestão da informação está tudo por fazer. 

 

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Quinta-feira, 03.03.16

 

 

 

Quem nunca esteve num conselho de turma do ensino não superior, não sabe decidir a nível macro sobre as variáveis informacionais que produzem conhecimento que apoie a tomada de decisões. Nem sei se parece, mas esta evidência é determinante e ocorre há anos a fio.

 

No mesmo domínio, e aos níveis meso e micro, esse deconhecimento é causador de entropia pela incapacidade de relacionar as variáveis referidas com a operacionalização dos sistemas de informação.

 

Se juntarmos as duas formulações, encontramos uma sólida resposta para o aparecimento de burnout nos ambientes escolares que se acentua nas sociedades minadas pela desconfiança. A hiperburocracia também se instala nos suportes digitais, contribui para a "fuga" de profissionais e para o aumento da desesperança. Todavia, o desenho transmite um sinal de espeança.

 

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Quinta-feira, 17.12.15

 

 

 

Há uma variável antiga no sistema escolar que exige uma imperativa reforma: o mangas-de-alpaca na didáctica do ensino, na geral e na específica, que exerce funções de gestão, no MEC, na inspecção ou nas escolas, tem de ser anulado por lei e ponto final. A praga transfere-se de imediato para o digital, daí a hiperburocracia digital, e agrava-se se acumula pouca apetência para as questões das humanidades e das artes e falta de estudo em sistemas de informação e comunicação. Muito da síndrome de burnout passa também por aí.

 

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Sábado, 31.10.15

 

 

 

Impressiona o clima de "fuga" de professores e conhecem-se as causas: cortes a eito, desconfiança e degradação do estatuto da carreira. Mas há no universo organizacional muito a fazer, desde logo na opção pela supressão de procedimentos em vez da substituição, manutenção ou aumento. Há procedimentos de obtenção de informação, alguns sem sequer suporte no código de procedimento administrativo, que existem por "negligência" informacional e que não suportam qualquer tomada de decisão. Os momentos de passagem para as "modernas" plataformas digitais, podem ser, por exemplo, oportunidades de supressão.



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Quarta-feira, 28.10.15

 

 

 

 

"Tudo deve partir da sala da aula para aí voltar", Lefévre, L. (1972:51), "O professor observador e actor", Livraria Almedina, é uma asserção com mais de quarenta anos mas que raramente encontra eco nas políticas de gestão escolar. O "desconhecimento" deste simples e lúcido princípio será a causa primeira do vórtice de descontentamento a que assistimos em Portugal. A aula tem que ser, para alunos e professores, a primeira razão do "existir escolar" e ponto final. Os professores leccionam centenas de aulas em cada ano lectivo e milhares durante uma carreira. Nuns dias as aulas decorem melhor do que noutros. A exigente avaliação do desempenho é diária e aula a aula. O que menos se esperava é que administração "impensada" inundasse a profissionalidade dos professores com tarefas inúteis para cumprir calendário e com procedimentos que infernizam a utilização do tempo.



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Quarta-feira, 23.09.15

 

 

 

 

Do que levamos de campanha eleitoral, apenas António Costa se referiu com substância ao muito bom simplex que o governo anterior do PS falhou redondamente no sistema escolar. Lurdes Rodrigues e Valter Lemos atingiram o cume do complex, Crato e Casanova devem achar que essas coisas são estrangeiradas e as forças mais à esquerda invertem a equação: acham que incluir é sinónimo de burocratizar.

 

Há mais de uma década que se repetem os lamentos: o sistema escolar transformou-se num inferno de inutilidades. Com as novas tecnologias associadas à ausência de "escolas de gestão escolar", a passagem para o digital no lançamento da informação acelerou a entrada na parte menos desejada da obra de Dante Alighieri e quem assiste no lugar da alteridade vê a divina comédia.

 

Uma das causas é o receio da supressão de procedimentos que nunca conheceram suporte legal ou sequer reconhecimento no código de procedimento administrativo. A sua existência deve-se à jurisprudência do temor.

 

A passagem para o digital pode ser uma oportunidade para a supressão de procedimentos, até dos que se repetem diariamente nas escolas sem que se interrogue a utilidade. Desse elenco "interminável" darei conta noutro post, embora um rápido exercício de memória encontre de imediato candidatos.

 

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Terça-feira, 05.05.15

 

 

 

 

Na nossa cultura organizacional escolar identificam-se três sub-sistemas que são responsáveis por uma entropia informacional resultante da repetição de dados associada à obtenção de informação inútil: o sub-sistema dos departamentos curriculares, o sub-sistema das direcções de turma e o sub-sistema administrativo. E o mais grave é que quem se dedica à avaliação externa não só não contraria a tendência como a estimula e premeia; por inconsciência, por impreparação ou por imersão num sistema sem rumo, sem visão e sem estratégia e onde prevalece a jurisprudência do temor da sacrossanta informação.

 

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Quarta-feira, 29.04.15

 

 

 

 

Ao aumento do controle burocrático corresponderá uma descida da democracia. O aumento da burocracia numa organização é o primeiro critério para medir a desconfiança nas pessoas.

 



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Quarta-feira, 25.03.15

 

 

 

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Chegaram hoje dois livros sobre gestão escolar de que sou autor. Estão na fase de revisão e em breve serão colocados à venda. Terminam assim as suas versões gratuitas em formato ebook ou pdf.

 

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 O "As" está a mais. Terá como título "Razões de uma candidatura".



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Segunda-feira, 02.03.15

 

 

 

As três variáveis do livro de ponto - sumários, faltas de alunos e de professores - têm de obedecer a outra filosofia de gestão na passagem do analógico para o digital. Provocar-se-á entropia se o pensamento analógico se sobrepuser na transferência e haverá produção de conhecimento e significativa melhoria da atmosfera organizacional se o pensamento digital for conhecedor da gestão da informação.

 

O sumário tem um valor didáctico e histórico e o pensamento analógico acrescentou-lhe um tempo de registo - momento de abertura e de conclusão, por exemplo - sem qualquer base docimológica. O tempo que existe no pensamento analógico deve ser eliminado. No pensamento digital, o tempo de registo deve ficar ao critério do professor e do seu grupo disciplinar, que devem ainda decidir por um tipo de registo mais alargado no tempo (semanal, mensal, por período lectivo, por unidades de ensino ou apenas no final do ano lectivo com um sumário do que foi leccionado) e o sistema deve permitir o lançamento por WEB para não se circunscrever aos terminas da rede da instituição. Não é tolerável que a passagem acrescente constrangimentos procedimentais que o desviem das tarefas do ensino.

 

O registo de faltas de alunos e professores não tem qualquer relação com os sumários no pensamento digital. O pensamento analógico estabeleceu lógicas inversas para esse registo - o professor rubrica a sua presença enquanto em relação aos alunos apenas se regista a falta; os assistentes operacionais registam a falta do professor -.

 

O pensamento digital apenas regista faltas de professores e alunos; a presença é, obviamente, a consequência do não registo da falta. Os registos devem ser feitos em tempo de aula e em terminais da rede. As faltas dos professores por um assistente operacional ou administrativo e as dos alunos pelo professor ou por um dos assistentes referidos.

 

Este pequeno exemplo pode ser extrapolado para dezenas de procedimentos que hiperburocratizam a vida deste tipo de organizações. Não basta mudar os instrumentos, é necessário pensar a filosofia de gestão.

 

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Quarta-feira, 15.10.14

 

 

 

 

Encontrei aqui uma descrição do estado do MEC que é muito próxima do real e que não é só de agora:

 

"Falta de planificação atempada. Falta de critérios. Muita falta de trabalho. Para que o Sr. Ministro faça desfiles na televisão há funcionários a trabalhar até às 24 horas nas direções gerais e de serviços a ligar e a aconselhar diretores em assuntos dos quais não fazem ideia nenhuma, numa cadeia de incompetência e de pseudo-autoridade que começa a ser um cancro dentro do ministério. Quanto mais distante da sala de aula mais manda o funcionário. Este tipo de situações foi proliferando a partir do momento em que o Professor e o Aluno deixaram de ser pessoas e passaram a ser números e ferramentas. Não há baixa de natalidade que explique a falta de cultura."

 

 

 



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Segunda-feira, 17.12.12

 

 

 

Os trabalhos dos professores



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Quarta-feira, 12.12.12

 

 

 

Quem que nunca esteve num conselho de turma do ensino não superior, não sabe decidir a nível macro sobre as variáveis informacionais que produzem conhecimento que apoie a tomada de decisões. Nem sei se parece, mas esta evidência é trágica e ocorre há anos a fio.

 

No mesmo domínio, e aos níveis meso e micro, também é causadora de entropia a incapacidade de relacionar as variáveis referidas com a operacionalização dos sistemas de informação.

 

Se juntarmos as duas formulações, encontramos uma sólida resposta para o caos nos sistemas escolares, e nos outros, a que não escapam as sociedades minadas pela desconfiança num mundo mergulhado num vórtice informacional e comunicacional. A hiperburocracia também se instala nos suportes digitais, contribui para a "fuga" de profissionais e para o aumento da desesperança.



publicado por paulo prudêncio às 20:42 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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