Em busca do pensamento livre.

Quinta-feira, 22.06.17

 

 

 

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Terça-feira, 20.06.17

 

 

 

Documento em discusão a 20 de Junho de 2017.



publicado por paulo prudêncio às 13:03 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 19.06.17

 

 

 

O Governo, apesar da municipalização, manterá a colocação de professores e atenuará a hiperburocracia transferindo a "papelada" dos refeitórios. A sério. A segunda medida foi mencionada como exemplo.

A perplexidade impõe interrogações: a burocracia que inferniza as escolas está centrada nos refeitórios? Estas pessoas da mesa negocial estavam em Marte?

E já agora: o caderno reivindicativo da greve centra-se em três eixos: descongelamentos, vinculações e aposentações decentes.

E de imediato, impõem-se mais interrogações: é táctica igualmente marciana ou é a sério? "Esquecer", também como exemplo, essa mesquinhez não financeira da democracia nas escolas, é motivo para concluirmos que a geringonça já syrizou?

 

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Quinta-feira, 08.06.17

 

 

 

(este post obedeceu a uma espécie de excepção;

considerei a notícia importante e oportuna;

fiz um balanço de dois anteriores

e partilhei-o para o facebook) 

 

 

"Os professores comprovam estes números" das aposentações na função pública que ajudam a perceber a justiça da greve. Ainda ontem, na entrevista (SIC) a António Costa, o assunto inaugurou o debate. Estranhei. Depois percebi que o entrevistador - um conhecido defensor dos 1% - quis embaraçar o PM. Não resultou. O entrevistado sabe as razões dos professores. Concorda com as reivindicações e espera um acordo antes da greve.
Nunca foi fácil marcar uma greve, mas é mais difícil com um Governo em alta justificada e com um discurso democrático. Contudo, isso não certifica a passividade. Para dificultar, a plataforma de sindicatos de professores tem duas federações mais representativas, Fenprof (número um em associados) e Fne, que convocaram uma greve aos exames para 21 e uns seis sindicatos (alguns com mais dirigentes do que sócios) que o fizeram para 14 (sem exames). Para não variar, um spin oportuno recordou que o Governo Pàf legislou novos serviços mínimos. E também como é habitual, regressaram de imediato os tácticos: os Pàf impacientes e os PS-primeiro a diabolizarem os sindicatos. Tudo no interesse dos alunos, sublinhe-se. Se o Governo fosse Pàf, invertiam posições.
Como alguém disse, e com piada, uma greve a 35 de Junho era consensual. Ou como bem disse António Costa, a greve é um direito, prejudica sempre alguém e, em casos justificados, existem serviços mínimos. É bom recordar aos tácticos que há memória de 2012 e 2013 e se recuarmos ainda chegamos ao tempo de Lurdes Rodrigues. Já agora, era bom que a mesa negocial não voltasse, como nesses tempos, a dividir os professores.



publicado por paulo prudêncio às 16:42 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

A entrevista de ontem (SIC) a António Costa começou com a greve dos professores. Estranhei, mas depois percebi que foi uma tentativa - o entrevistador revelou a conhecida parcialidade a favor dos 1% e andou aos papéis - de embaraçar o PM. Não resultou. O entrevistado compreende as razões dos professores. Concorda com as reivindicações e espera um acordo antes da greve.

Nunca foi fácil marcar uma greve, mas é mais difícil quando um Governo, como é o caso, está em alta justificada e tem um discurso democrático. Contudo, isso não remete as pessoas para a passividade. Mas mais: o que me custa sempre a compreender, são as vozes saltitantes. Pessoas que nos habituámos a ver defender as suas profissões e que agora diabolizam os sindicatos. Como alguém disse, e com piada, uma greve a 35 de Junho era consensual. Ou como bem disse António Costa, a greve é um direito, prejudica sempre alguém e, em casos justificados, existem serviços mínimos. Bem sei que boa parte dos tais saltitantes são militantes socialistas. Mas francamente: bem nos lembramos de 2012 e 2013, para não irmos mais atrás que ainda chegamos ao tempo de Lurdes Rodrigues e os encontramos a fazer a mesma triste figura.



publicado por paulo prudêncio às 11:29 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 07.06.17

 

 

 

A plataforma de sindicatos de professores é assim: as duas federações mais representativas, Fenprof (número um em associados) e Fne, convocaram uma greve aos exames para 21; uns seis sindicatos (alguns com mais dirigentes do que sócios) fazem-no para 14. Entretanto, um spin oportuno recorda que o Governo Pàf legislou novos serviços mínimos. Regressaram de imediato os tácticos: os Pàf impacientes e os PS-primeiro indignados com os sindicatos. Tudo no interesse dos alunos, sublinhe-se. Se o Governo fosse Pàf, invertiam posições. 

 

(vamos então à intemporalidade das reedições tal a falta de paciência)

 

Aprecio o humor, mas as anedotas desconcertam-me. Não sei a razão. A atenção fica pelo caminho. Quando me contavam, sorria por cortesia. Os amigos perceberam e deixaram-se disso. Não estão para sorrisos amarelos e fazem bem.

Tenho duas ou três para os raros apertos sociais. Uma é antiga e assim:

Numa regata a duas mãos (20 Kms de cada vez), com barcos de 12 tripulantes, participaram Portugal e o Japão. Na primeira mão, Portugal perdeu por 2 horas. Reuniu-se o comité. Nomeou uma comissão que concluiu: errada constituição da equipa: o Japão tinha 1 timoneiro e 11 remadores (1-11) e Portugal 1 timoneiro, 2 vice-timoneiros, 3 sub-timoneiros, 5 timoneiros adjuntos e 1 remador (1-2-3-5-1). Perante os factos, o comité alterou: 1 timoneiro, 1 vice-timoneiro, 4 sub-timoneiros, 5 timoneiros adjuntos e 1 remador (1-1-4-5-1). Na segunda mão, Portugal perdeu por 4 horas. Meses depois, o comité concluiu: a culpa era do remador.

 

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publicado por paulo prudêncio às 10:46 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 25.06.16

 

 

 

Os cortes a eito de Crato (cortes curriculares, mais alunos por turma e mais turmas por professor, agregações de escolas e horários ao minuto) fizeram "desaparecer" 33.000 professores (cerca de 25% do total) entre 2013/14 e 2014/15. Em Junho de 2013 (plena troika), os professores desencadearam uma heróica greve a avaliações e exames que impediu mais 15.000 "desaparecidos". Os professores venceram a batalha. Foi negociada uma justa fórmula no crédito horário das escolas inserida no despacho (OAL) de organização do ano lectivo (parece uma coisa de tresloucados, mas é assim) que impediu mais "desaparecimentos".

 

Para o ano lectivo 2016/17, o Governo reduz esse crédito, tem aqui o OAL, numa margem que pode chegar a 75%. Fará uma análise caso a caso, exigirá capacidade de projecto aos directores escolares e a última decisão será da Directora-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência. Não sei se os membros do Governo conhecem a duríssima história dos professores portugueses na última década. Espero que conheçam e que a plataforma de sindicatos estude as matérias. Sinceramente: nem se espera outra coisa.

 

 

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publicado por paulo prudêncio às 18:30 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 21.06.15

 

 

 

 

Foi com Nuno Crato que os professores desencadearam a luta mais difícil (Junho de 2012) da última década com uma impopular greve a exames do 12º ano e a todas as avaliações de final de ano. Os cortes a eito (nomeadamente os aumentos de alunos por turma e nos horários dos professores, os cortes curriculares e os mega-agrupamentos) foram o motivo. Se os professores não tivessem decidido assim, cerca de 10000 dos quadros seriam empurrados para uma brutal requalificação rosalina e mais uns 10000 ficariam sem contrato.

 

Como resultado dessas acções, o MEC comprometeu-se a incluir no despacho de organização do ano lectivo uma compensação horária conjuntural para impedir mais horários zero. Este ano voltou a sair tarde e está aqui.



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Terça-feira, 10.02.15

 

 

 

Um contributo de Mário Silva.

 

 

"A verdade esfregada na cara.

 

"Desta vez, vamos fazer com que a classificação seja executada exactamente nos mesmos moldes em que é executada para qualquer exame nacional, ou seja, através de despacho, todas as tarefas inerentes à classificação passam a ser obrigatórias.”

Este responsável admite que a medida poderá causar contestação, mas está confiante que acabará por ser aceite: “A percepção que tenho é que, como em tudo na vida, como em tudo o que implica mudança, há um impacto inicial que gera muito ruído e, depois, esse ruído vai tendencialmente diminuindo”, nota Hélder Sousa. jornal Público

 

Esta declaração marca o dia em que um dirigente assume publicamente que os professores e o povo em geral são como um ‘cão que ladra e não morde’. Os dirigentes políticos têm esta perceção do povo e por isso sabem que podem decidir a seu bel-prazer, e que apesar de muito ladrar, nunca serão mordidos e tudo se fará como planeado. Rui Zink, num debate, declamou que a caravana passa e os cães ladram, ladram, ladram, mas um dia mordem. É um cenário tentador mas desfasado da realidade: eles jamais morderão. A única situação em que poderão morder, é se aparecer um dono que os conduza.

No caso dos professores, vão legislar como quiserem, os profs vão estrebuchar mas vão cumprir docilmente o que lhes impingirem. Foi assim com a ADD (que ficou com a estrutura que a ministra idealizou), com os cortes salariais, o congelamento da carreira, a alteração curricular, a última greve aos exames e avaliações (onde existiram profs de direções que assumiram as funções do secretariado que fez greve). Para mim, não é novidade há vários anos, e por isso, agora rosnam mas obedecem com o rabinho entre as pernas.

Existem formas individuais de resistência, com efeitos nefastos e insidiosos, que cada um imagine quais serão, sendo neste momento o que resta a todos aqueles que, quando ladram, ainda mordem…"

 

 

 



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Sexta-feira, 11.07.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Domingo, 17.11.13

 

 

 

 

 

Os professores, no final do ano lectivo transacto, deram um exemplo de cidadania com um inaudito volume de greves e com uma força considerada impossível. Apesar disso, os resultados ficaram aquém do anunciado.

 

Todos os dias há motivos para se convocar uma greve; até geral. Mas uma greve deve ter um caderno negocial objectivo. Na greve geral de 8 de Novembro último, a participação dos professores resumiu-se à marcação do ponto. Teve, muito naturalmente, uma fraquíssima adesão. Bem sei que era geral, mas os professores não podem estar em todas e a banalização das greves pode ser considerada uma estratégia de adormecimento catártico, passe o paradoxo, orquestrado pelo mainstream onde se incluem os sindicatos.

 

Os sindicatos anunciam uma greve para 18 de Dezembro por causa da prova de avaliação aos professores contratados. Ora aí está uma marcação justa com uma agenda negocial objectiva, embora seja incompreensível, por uma questão de princípio, que alguns sindicatos tenham negociado com o MEC esse dia, ou qualquer outro, para a prova. 

 

No período anterior à greve de 8 de Novembro, li algumas declarações de dirigentes sindicais que desprezavam a acção dos movimentos de professores contratados. Fiquei perplexo. As acções destes movimentos devem ser estimuladas. Não há lutadores com mais pergaminhos e essas críticas podem ser lidas como devaneios do centralismo democrático ou como assessorias ao poder vigente.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 21:00 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 22.07.13

 

 

 

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Como se previa, o concurso interno e externo para 2013/14 apresenta números caricatos que são consequência dos cortes a eito registados no sistema escolar. E o que mais cansa é ouvir os especialistas em "reformas do Estado" "ignorarem" permamentemente esta tragédia e passarem a vida a enunciar que os cortes na Educação estão por fazer. Apesar de 1147 professores terem conseguido mudar de escola, apenas 3 professores conseguiram vincular e agora espera-se pelo processo DACL numa atmosfera em que os sindicatos acusam o MEC de não estar a cumprir as actas da mesa negocial. Estas trapalhadas só merecem uma interrogação: Como?!


publicado por paulo prudêncio às 12:22 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Sábado, 13.07.13

 

 

 

 

 

 

Sempre se percebeu que até à publicação do novo DOAL (documento de organização do ano lectivo) alguma água correria debaixo das pontes. A Fenprof e a FNE acusam o MEC de não ter cumprido alguns compromissos registados em acta e que foram prontamente divulgados pelos dirigentes sindicais, nomeadamente o novo conceito de serviço lectivo que deixava de se aplicar apenas aos professores com horário zero. Pelo que se pode ler, e nomeadamente para os professores que leccionam no primeiro ciclo, o MEC não cumpriu. Os sindicatos têm a obrigação de esclarecer rapidamente o assunto uma vez que está causa um aspecto importante do acordo alcançado.


Este processo tem detalhes sórdidos. Foi a acusação de que o ministro Crato mentia sobre o conteúdo das negociações e agora estamos perante algo igualmente grave. Como o Paulo Guinote relata aqui, conversámos diversas vezes sobre estas possibilidades. Veremos como se desenvolve esta saga com um Governo que já deu provas das maiores trapalhadas e inverdades.

 



publicado por paulo prudêncio às 13:04 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Quinta-feira, 27.06.13

 

 

 

Provisoriamente satisfatório






publicado por paulo prudêncio às 11:00 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

 

 

 

 

Posições - Ricardo Silva






publicado por paulo prudêncio às 10:00 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 26.06.13

 

 

 

 

Os balanços desta histórica jornada dos professores são diversos.

 

É evidente que a devastação a que têm estado sujeitos o sistema escolar e o estatuto profissional dos professores já tem uns anos e ficou intocável (não os vou enumerar pela centésima primeira vez e desculpem-me).

 

Como sempre se disse, o denominador comum entre os professores é forte (se calhar até diminuíram os motivos de desunião e estamos numa fase elevada de coesão) e isso é um importante aviso às navegações do presente e do futuro. Há os que entendem que as greves deviam continuar até se atingir o cume, embora achem que o prolongamento desta semana seja escusado e que apenas serve a estratégia da CGTP na luta contra o Governo e estas políticas. Regista-se a contradição. Na minha opinião, teriam terminado no momento do entendimento para vincar bem a vitória dos professores e a greve geral de 27 é já outro assunto onde milhares de professores não terão sequer serviço distribuído (e que me desculpem os sobrecarregados correctores de exames).

 

Perguntam-me: mas terminar sem as questões fundamentais resolvidas? Tendo em conta as circunstâncias, é mais do que razoável. Bem sei que se eliminou a memória, mas nunca pensei que já nem um mesito ou dois se conseguisse recuar.

 

Senão vejamos: alguém duvida que os professores do quadro teriam uma mobilidade de 200 kms com escolha da escola por parte da administração central? Alguém duvida que a componente lectiva ia ser aumentada em 2 ou 3 horas com a passagem para 40 horas e que existiria uma exclusão lectiva das direcções de turma? Alguém duvida que os professores com mais idade ficariam sem a justa redução da componente lectiva (a legalidade com este Governo já se sabe o que é)? Alguém duvida que as eufemísticas requalificacões se aplicariam já em Setembro como ante-câmara do despedimento de milhares de professores (e de mais fugas para a reforma com brutais penalizações) que se somariam à tragédia de mais uma vaga de desemprego para milhares de professores contratados?

 

O que se conseguiu foi pouco? Se se renovou a esperança de milhares de contratados e se se atenuou a dor de milhares de professores do quadro, não foi pouco não. Sim, é pena como disse Wittgenstein, que a linguagem não transmita literalmente a dor. Às tantas, e como alguém disse, a esmagadora adesão dos professores deveu-se ao facto de ninguém se sentir a salvo. Que seja. É também, e por incrível que pareça, um excelente sinal para o futuro da resistência do grupo profissional a que me orgulho de pertencer (e se pertencesse a outro teria decerto o mesmo sentimento).

 

 



publicado por paulo prudêncio às 15:05 | link do post | comentar | ver comentários (32) | partilhar

Terça-feira, 25.06.13

 

 

 

 

É histórica esta lição de cidadania dos professores portugueses. É bom que não nos esqueçamos que isto só foi possível porque se impôs mais uma vez a força da razão e porque os professores não são instrumentalizáveis. 

 

Escolhi o vídeo com as declarações do líder da Fenprof. Ouvindo com atenção, percebe-se a dimensão do que foi conseguido que vai ao ponto do novo conceito de serviço lectivo ser aplicado a todos os professores, e não apenas aos que têm horário zero, e das direcções de turma continuarem onde estavam tendo mesmo passado para 100 minutos.

 

Escrevi há tempos que os professores estavam na linha da frente no confronto dos funcionários públicos com este Governo. Até compreendo, embora com falta de pachorra e o estado a que chegámos é elucidativo, que a luta pelo poder tenha um tacticismo macro. Mas não é uma estratégia acertada, a pensar no presente e também no futuro, não atribuir de imediato aos professores uma vitória justa e inquestionável e dá argumentos injustos aos que advogam a instrumentalização dos professores. É que, para além de tudo, estas coisas infantilizam a atmosfera e quem está pelas escolas não aprecia nada a ideia; mais ainda após três semanas de greve às avaliações, de mais uma histórica manifestação e de uma difícil greve aos exames.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 15:20 | link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Segunda-feira, 24.06.13

 

 

 

 

Temos de esperar para saber o que se jogou na mesa negocial. Se as duas questões acordadas forem a mobilidade geográfica agravada do actual concelho para 60 kms (os 200 kms iniciais foram um ponto de partida negocial) para os professores dos quadros de escola ou agrupamento, esta não é compensada com a garantia das 5 horas de trabalho individual na passagem para as 40 horas.

 

É evidente que existirão alguns avanços se a requalificação não se aplicar aos professores e se os quadros de zona pedagógica não forem da dimensão proposta pelo MEC.

 

Mas não nos esqueçamos: haverá, se for isto o acordado, mais um despedimento de milhares de contratados.

 

E sem querer maçar muito os leitores com números, podemos fazer um pequeno balanço. Um professor contratado é um investimento de 18000 euros anuais, com subsídios, claro, e 5000 professores equivalem a 90 milhões de euros o que é uma migalha se comparado com os boys e com as prebendas de nomeação política, com os estudos encomendados pelo MEC para mais do mesmo e já nem vou às PPP´s e por aí fora. O que está em causa é o modelo radical de Estado mínimo na lógica thatcheriana. Estas questões servem para ir cortando a coluna vertebral dos que resistem. É um jogo de poder em que o que mais conta é simbólico e onde as pessoas são também migalhas.

 

Os cortes a eito no sistema escolar e a transversalidade das carreiras dos funcionários públicos (como se professores, polícias, médicos, enfermeiros, administrativos e por aí fora fosse tudo a mesma profissionalidade) têm, a par do nivelamento do público pelo privado, um único objectivo: cortar nas pessoas, nos salários e nos direitos para que a precarização permita a privatização e o alargamento do negócio nos serviços do Estado. Os modelos Pingo Doce ou Continente são os que se advogam para a gestão de pessoas ao serviço do Estado. Ainda não é a China, mas lá chegaremos. No caso do sistema escolar, o modelo GPS é o exemplo a seguir por estes ultraliberais que estão, desde 2007 (lembram-se da New Public Management tão cara à terceira via socialista?), a dar passos em frente.

 

Espero que, e apesar da lição de cidadania dos professores, não dêem hoje mais um.

 

Há um optimismo que me anima: os professores, e a defesa do seu emprego é também em nome da escola pública, ganharam no argumentário e isso é um sinal de esperança para o futuro. Se a Educação para todos é uma prioridade, este imperativo não se faz sem professores.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 21:26 | link do post | comentar | ver comentários (21) | partilhar

Domingo, 23.06.13

 

 

 

 

 

 

 

A jornalista São José Almeida escreveu ontem este artigo na impressa do Público muito elogioso para os professores. Concordo: os professores têm sido uma referência contra o medo, mas também têm de combater o flagelo no seu seio. O medo e o medo de ter medo são mesmo os fenómenos mais dilacerantes a que assisti no sistema escolar nos últimos anos.

 

Desde de 2007 que se instalou na atmosfera escolar um ambiente cortante que evidenciou o pior que há nos humanos e em que a eliminação da memória fez escola. Os paralisados pelo medo, muitas vezes apenas uma outra forma de oportunismo, rapidamente passam pelos pingos da chuva como se o comportamento fosse normal ou invisível. A abjecção moral tornou-se banal e quotidiana e vai deixando marcas profundas.


É por isso imperdoável que, no dia anterior ao exame de 17 de Junho, Nuno Crato tenha convocado 115 mil professores estimulando a divisão e a emersão dos comportamentos mais medrosos ou oportunistas. O MEC perdeu em toda a linha; é só deixar que o tempo passe e desde que os professores se mantenham firmes no essencial.





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Sexta-feira, 21.06.13

 

 

 

 

 

"Não somos a Grécia", sentenciou Passos Coelho mal foi eleito. Nessa altura, a Europa impressionava-se com o regresso da troca de produtos entre os gregos. "Dás-me um quilo de arroz que eu dou-te um de açúcar", era um exemplo do anunciado descalabro austeristarista na Grécia.

 

Os professores portugueses, numa comovente e quase heróica sequência de acções de luta, organizam fundos para ajustarem os prejuízos das greves às avaliações que completaram hoje duas semanas com uma adesão próxima dos cem por cento. Estão que nem gregos. Há vários modelos de fundo de greve. Há quem se financie em cada reunião escolhendo os escalões mais baixos de vencimento, há quem organize um fundo que pagará mais tarde aos grevistas e já se constroem modelos para os tempos que se avizinham e até com a participação de quem não tem serviço objecto da contestação. Do que tenho presenciado, é tudo feito com uma contida revolta e com a tristeza patente nos olhares.

 

É uma pena que essas reuniões, ao contrário de outras, não sejam gravadas. Deviam ser e depois divulgadas em simultâneo com as silenciadas das mesas de negociação e com direito a comentários dos governantes que se têm sucedido sempre com a promessa eleitoral de prioridade à Educação.

 

 

 

 



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Inauguração do blogue
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Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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