Em busca do pensamento livre.

Quarta-feira, 10.05.17

 

 

 

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Quinta-feira, 21.05.15

 

 

 

"(...)escolher os bons adversários é uma das tarefas mais difíceis, qualquer um pode ser nosso adversário; ao contrário, são poucos aqueles com quem nos cruzamos e que poderiam ser nossos amigos... somos feitos para o desacerto, para os desencontros, encontrar inimigos é a actividade mais fácil do mundo, não é propriamente uma caça ao animal raro;(...)"

 

Tavares, Gonçalo M. (2015:30). "Uma menina está perdida no seu século à procura do pai". Porto Editora. Lisboa.



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Quarta-feira, 11.02.15

 

 

 

 

Há mais de duas décadas que me impressionam os apelos à mobilidade sem fim das pessoas. Sem esquecer que a aldeia deve ser global, a pena do genial escritor toca no humanamente essencial.

 

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Gonçalo M. Tavares (2014:28). "Os velhos também querem viver". Caminho. Lisboa.

 

 

 



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Segunda-feira, 09.02.15

 

 

 

"Não foi o povo que fez o 25 de Abril. Pela maioria silenciosa, essa saturante entidade colectiva, ainda viveríamos numa ditadura com quase um século", disse alguém na TSF a propósito da maioria que, por exemplo, fica "à espera que os outros façam a greve que os benefícios serão para todos" e a propósito da improvável chegada a Portugal dos efeitos Syriza e Podemos. Mas isso é para outro post.

 

Vale mesmo a pena ler o pedaço seguinte de Gonçalo M. Tavares.

 

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Gonçalo M. Tavares (2014:26). "Os velhos também querem viver". Caminho. Lisboa.

 

 

 

 



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Sábado, 07.02.15

 

 

 

Ouço muitas vezes a expressão em título sem ser na interrogativa e surpreendo-me. É necessário um distanciamento temporal para uma qualquer conclusão do género. Contudo, e num exercício exorbitante, penso que Gonçalo M. Tavares entrará no cânone.

 

Os seus dois últimos livros chegaram hoje e prometem.

 

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Quarta-feira, 01.01.14

 

 

 

 

Aparece-me várias vezes na superfície da mente a frase de Gonçalo M. Tavares: "A politica parece cada vez mais uma administração de palavras e não de coisas. Não se trata já de transportar pesos, de “deslocar” acontecimentos de um lado para outro, trata-se antes, e primeiro, de um transporte de vocábulos".

 

Nesse sentido, parece-me possível a tese da repetição da história embora estejamos num tempo que tem muito de inaudito.

 

A economia global transporta problemas novos e a Europa do euro está numa encruzilhada desconhecida. A crise financeira de 2007 deixou o mundo ocidental num estado em que o preço a pagar pelas desigualdades é incomensurável e pode ser brutal. Portugal não escapou a tudo isto e é, como se sabe, uma sociedade viciada em corrupção.

 

Os últimos governos lusitanos usaram a divisão entre grupos (velhos contra novos, públicos contra privados, reformados contra activos e por aí fora) como factores para uma estabilidade governativa que acabou por defender os mais responsáveis pelo estado a que chegámos. É uma sociedade em revolta contida e com todas as características para explodir se os predadores continuarem a saga indiferentes ao sofrimento alheio. Nota-se que há muita gente que não aprendeu a lição. Dá ideia que este simples diagnóstico é intuído até pelo derradeiro documento papal e repetido por algumas figuras da direita portuguesa que já não suportam o despautério de quem governa (e de quem preside) e o chico-espertismo dos seus acólitos. Ao que chegámos, realmente.

 

 



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Quarta-feira, 30.01.13

 

 

 

 

 

A escolha das palavras pesa e é decisiva para a construção de um modelo.


Mas a prosápia com que se enunciam "novos" vocábulos é, muitas vezes, risível. Aprecio a evolução linguística, mas vi impreparação modelar na presunção à volta de palavras que fizeram regredir o que existia. Foi o que se passou com a involução semântica na passagem de escolas para agrupamentos e depois para agregações. É uma insanidade usar o mesmo modelo organizacional numa escola não agrupada e, por exemplo, num agrupamento de vinte estabelecimentos de ensino com as mais diversas tipologias.

 

Aparece-me várias vezes na superfície da memória a frase de Gonçalo M. Tavares: "A politica parece cada vez mais uma administração de palavras e não de coisas. Não se trata já de transportar pesos, de “deslocar” acontecimentos de um lado para outro, trata-se antes, e primeiro, de um transporte de vocábulos".



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Quinta-feira, 23.02.12

 

 

 

A prosápia com que se enunciam "novos" vocábulos é, muitas vezes, risível. Aprecio a evolução linguística, mas vejo o ridículo na presunção à volta da descoberta de uma palavra que nada acrescenta ao que existe. É o que se passa com a involução semântica na passagem de agrupamentos para agregações de escolas; na maioria dos casos, nem passam de amontoados. É uma insanidade usar o mesmo modelo organizacional numa escola não agrupada e, por exemplo, num agrupamento de vinte estabelecimentos de ensino com as mais diversas tipologias.

 

Aparece-me várias vezes na superfície da memória a frase de Gonçalo M. Tavares: "A politica parece cada vez mais uma administração de palavras e não de coisas. Não se trata já de transportar pesos, de “deslocar” acontecimentos de um lado para outro, trata-se antes, e primeiro, de um transporte de vocábulos".



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Quarta-feira, 25.01.12

 

Aparece-me várias vezes na superfície da memória a frase de Gonçalo M. Tavares:

"A politica parece cada vez mais uma administração de palavras e não de coisas. Não se trata já de transportar pesos, de “deslocar” acontecimentos de um lado para outro, trata-se antes, e primeiro, de um transporte de vocábulos".


E que vocábulos?

Consideremos quatro: simplescomplicado, fácil e difícil. É voz corrente que simples é sinónimo de fácil e que complicado é sinónimo de difícil. A experiência portuguesa no sistema escolar, associada à má burocracia e aos sistemas de informação, diz-nos: as situações complicadas são fáceis de encontrar e é difícil achar uma solução simples


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Segunda-feira, 05.09.11

 

 

A propósito da notícia de um austríaco que abusou durante cerca de 40 anos de duas filhas deficientes e que apesar das visitas semanais da segurança social só foi descoberto aos 80 anos de idade, o MEC teve uma ideia, que classificou de colectivista e demasiado perigosa, que passaria por colocar todas as crianças portuguesas um par de dias sem a família e com a supervisão de especialistas que se encarregariam de registar os seus estados emocional e de relacionamento social. O processo repetir-se-ia de tempos a tempos e faria mais pelo combate ao abandono escolar do que o rol de medidas que enchem as páginas dos jornais e infernizam a vida das escolas.

 

As pequenas crónicas diárias do MEC (Miguel Esteves Cardoso) no Público são uma referência e fazem jus à seguinte frase de Gonçalo M. Tavares: ‎"Entre o livro e a tecnologia, sinto que o livro nos dá o direito de sermos lentos. Que é um direito que devíamos exigir ser quase constitucional."



publicado por paulo prudêncio às 14:06 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Quarta-feira, 27.07.11

 

 

"Esse animal tinha a anatomia de um burro, na parte da frente, e a anatomia de um cavalo, na parte de trás. Como estavam convencidos de que as duas partes de trás (de cavalo) eram bem mais rápidas que as patas da frente (do burro), cada gémeo queria montar a parte de trás do animal, deixando a parte da frente para o irmão. Cada um deles estava convencido de que, em viagem, chegaria primeiro o que estivesse montado sobre as patas mais rápidas." 


Gonçalo M. Tavares


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Sexta-feira, 08.07.11

 

 

 

 

"As cabras e o modo como se aproximam de uma fila de erva podem preencher todo o cérebro de uma pessoa inteligente, mesmo que tal facto se passe às sete da tarde. A Natureza não abana com os nossos sustos, a não ser a parte da natureza que o nosso corpo representa.
Uma cabra a pastar, uma vaca a pastar, um boi a pastar, uma ovelha a pastar. E ainda as ervas, e o leve vento que passa por elas. Muitas coisas acontecem na natureza. Com tanta erva e animal a pastar, para quê procurar diversão nas cidades?"


Gonçalo M. Tavares em "Biblioteca"
(1ª edição em 24 de Dezembro de 2008)


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Domingo, 31.10.10

 

 

 

 

Li algures (fui à procura do sítio e não o encontrei) esta frase (mais ou menos, claro) de Gonçalo M. Tavares: "há pessoas que são doidas porque leram os meus livros todos". Faço parte desse grupo. Escaparam-me as peças de teatro, salvo erro.

 

Uma viagem à Índia promete. A exemplo de Jerusalém, e de partes dos livros do bairro, dá ideia que estamos na presença de mais uma grande livro. O retorno à memória faz-se partindo de Lisboa - como em Os Lusíadas -, na busca das portas da Índia e na companhia de Bloom; o mesmo, o Leopold, do Ulisses de Joyce (só depois da terceira leitura me senti confortável e porque entre a segunda e a terceira li o Retrato do artista enquanto jovem). Também o Em busca de tempo perdido de Proust inicia a monumentalidade com o regresso ao sabor infantil das madalenas.

 

Talvez por isso, Eduardo Lourenço escreva: "Uma Viagem à Índia, com consciência aguda da sua ficcionalidade, navega e vive entre os ecos de mil textos-objectos do nosso imaginário de leitores. Como todos os grandes livros, e este é um deles".

 

Gostei muito de ler: este livro é dedicado a Eduardo Prado Coelho.



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Quarta-feira, 23.06.10

 

 

 

Aparece-me várias vezes na superfície da memória a frase de Gonçalo M. Tavares (um escritor que nunca me canso de admirar):

"A politica parece cada vez mais uma administração de palavras e não de coisas. Não se trata já de transportar pesos, de “deslocar” acontecimentos de um lado para outro, trata-se antes, e primeiro, de um transporte de vocábulos".


E que vocábulos?

Consideremos quatro: simples, complicado, fácil e difícil. É voz corrente que simples é sinónimo de fácil e que complicado é sinónimo de difícil.
A experiência portuguesa no sistema escolar diz-nos: as soluções complicadas são fáceis de encontrar e é muito difícil achar uma solução simples.

A elaboração de uma solução simples só está ao alcance de muito trabalho e de muito estudo; difícil, portanto.
Por outro lado, e pela lógica mais elementar, é fácil complicar nem que seja pelo raciocínio de que ao mega-agrupar escolas se está a reduzir a despesa.
Tenho ideia que se deslocará problemas de uns sítios para outros.


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Sexta-feira, 05.02.10

 

 

Foi daqui

 

Existimos num turbilhão veloz e inaudito, em que não há lugar, nem para projectos radicalmente novos - só por vaidade, como bem diz Gonçalo M. Tavares - nem para o extermínio do que existe. 

Sobram as boas ideias - com princípio, meio e fim -, a incessante inovação como resultado do saber, do conhecimento e do estudo, a dedicação e o esforço. Sobra a antecipação e a organização. 

E sobra a ética, mas a ética na leitura de Peter Singer: a ética só é boa se for verificada no exemplo de cada dia.

E o resto? "Tudo o que é sólido se dissolve no ar ".




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Domingo, 01.11.09

 

Foi daqui. 

 

 

 

Existimos num turbilhão veloz e inaudito, em que não há lugar, nem para projectos radicalmente novos - só por vaidade, como bem diz Gonçalo M. Tavares - nem para o extermínio do que existe. 

Sobram as boas ideias - com princípio, meio e fim -, a incessante inovação como resultado do saber, do conhecimento, do estudo, da dedicação e do esforço. Sobra a antecipação e a organização. 

E sobra a ética, mas a ética na leitura de Peter Singer: a ética só é boa se for verificada no exemplo de cada dia.

E o resto? "Tudo o que é sólido se dissolve no ar ".



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Domingo, 12.04.09
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"Permanecendo sentados, os dois Auxiliares estavam há vários dias a bater com os pés no chão. A sola dos sapatos parecia lentamente desaparecer e, por dentro das meias, cujo tecido praticamente evaporara, os pés ardiam, como próximos de uma lareira. Um e outro tinham já várias feridas nos pés. No entanto, o sorriso aberto na cara dos dois Auxiliares jamais afrouxara. Era preciso movimento, movimento! - dissera o Chefe. Até às eleições."

 
 
 
Gonçalo M. Tavares.





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Quinta-feira, 02.04.09

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Fechou a porta por dentro. Depois, sempre poderia dizer que estava numa reunião importante. Se ele era o Chefe, portanto o ponto máximo, pensar de si para si próprio era ou não importante? Aliás, sózinho conseguia fazer, de longe, a mais importante das reuniões. Para se sentir mais convincente, quando apresentasse a justificação para a porta fechada, começou a falar sózinho, como se discutisse com um seu qualquer pensamento anterior. Como não tinha prática em não concordar consigo próprio, as primeiras palavras que lhe saíram, foram: - Bravo! Excelente ideia!

Gonçalo M. Tavares.



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Terça-feira, 13.01.09

 

 

 

 

 

 

 

 

Olhando para as posições dos professores que antes estavam nas manifestações e que agora demoram a acordar, encontrei como epígrafe a um texto de Sandra Monteiro, aqui, que tem como título "O medo e a esperança", o seguinte:

 

«Não coleccionamos transições – caminhadas entre um sítio e outro.

Tal incapacidade, pois disso se trata, é, entre várias,

uma das que mais nos menoriza.» 

 

Gonçalo M. Tavares, 

Breves Notas Sobre o Medo,

Relógio D’Água, Lisboa, 2007, p. 15.

 



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Autor:
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