Em busca do pensamento livre.

Domingo, 04.02.18

 

 

 

 

 

Como disse Joseph Stiglitz, em Portugal "houve uma transferência inédita de recursos financeiros das classes média e baixa para a banca desregulada e foi esse radicalismo que provocou o empobrecimento." Por incrível que pareça, a queda dos salários provocou a subida dos lucros e a manutenção das rendas (estude-se a EDP e outros monopólios). Não será por acaso que os orientais adquirem rendas (no caso EDP os chineses traziam a lição bem estudada) e não se metem nos casinos (que conhecem melhor que ninguém) das dívidas públicas como os investidores ocidentais.

Neste contexto, é impossível escapar à análise da globalização. Estamos perante um novo modo de produção - aumenta a produtividade, mas concentra o lucro nas rendas e não cria empregos nos países mais ricos - e de organização planetária, que reduziu a pobreza mundial. Estas contradições têm de ser resolvidas dentro de cada bloco. Não se vê outro caminho na impossibilidade de um governo mundial. E, já agora, os neoliberais podem ainda recuar mais um bocado e lerem quem não se cansam de citar.

 

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Adam Smith (2010:171) em "Riqueza das nações", Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.



publicado por paulo prudêncio às 14:54 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 22.04.17

 

 

 

Não se vislumbra a inversão da queda dos salários. O Governo já anuncia que não aumentará os funcionários públicos até 2021. Pode ser apenas uma carta de intenções dirigida às instituições financeiras e a Bruxelas e depois se verá. Mas importa recordar que a queda dos salários tem de ser acompanhada da queda dos lucros e das rendas; e com muito cuidado com a perigosa deflação. Já Adam Smith via essa queda como uma decisão circunscrita às leis e à política. Se analisasse o que se passou em Portugal, seria tão taxativo como Joseph Stiglitz: houve uma transferência inédita de recursos financeiros das classes média e baixa para a banca desregulada e foi esse radicalismo que provocou o empobrecimento. Por incrível que pareça à esquerda europeia que tem governado, a queda dos salários provocou a subida dos lucros e a manutenção das rendas (estude-se a EDP e outros monopólios). Não será por acaso que os orientais adquirem rendas (no caso EDP os chineses traziam a lição bem estudada e conheciam o fundamental dos aparelhos partidários) e não se metem nos casinos (que conhecem melhor que ninguém) das dívidas públicas como os investidores ocidentais.

Neste contexto, é impossível escapar à análise da globalização que foi considerada inicialmente uma ideologia. Estamos, isso é já visível, perante um novo modo de produção - que aumenta a produtividade, mas que concentra o lucro nas rendas e não cria empregos nos países mais ricos - e de organização planetária que reduziu a pobreza mundial para números inéditos. São estas contradições que têm de ser resolvidas dentro de cada bloco numa espécie de regressão temporal. Não se vê outro caminho na impossibilidade de um governo mundial. E, já agora, os neoliberais podem ainda recuar mais um bocado e lerem quem não se cansam de citar.

 

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Adam Smith (2010:171) em "Riqueza das nações", Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.



publicado por paulo prudêncio às 16:28 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 26.04.16

 

 

"(...)Actualmente, um verdadeiro conservador é aquele que admite sem reservas os antagonismos e becos sem saída dos capitalismos globais, aquele que recusa o simples progressismo e que está atento à face negativa do progresso. Neste sentido, só um radical de esquerda pode ser um verdadeiro conservador.(...)"

 

Slavoj Zizek (2014:34),

em "Problemas no paraíso".

 

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publicado por paulo prudêncio às 09:26 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 07.08.14

 

 

 

A ideia mais ilusória, e nefasta, associada à globalização é o aumento da escala que, em consequência, coloca o indivíduo fora da centralidade. É como se o homem deixasse de ser o sujeito da acção.

 

Encontrei uma passagem magistral sobre o tema.

 

 

 

 

 

 

 

DeLillo, Don (2010:72). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 19:43 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 11.06.14

 

 

 

 

Sucedem-se os casos de terror e escravatura e ficamos sem perceber se há uma qualquer regressão ou se há mais informação. A segunda asserção é irrefutável e tememos que a primeira também e que pode estar ligada ao capitalismo selvagem que triunfou de braço dado com a globalização.

 

É sobre terror a notícia do Expresso que relata a produção de camarão na Tailândia. Gosto muito de caril de camarão e cozinho com frequência com recurso a marisco, com preços muito bons, adquirido nas grandes superfícies. Estou arrepiado com o estado em que estamos.

 

Nem sei se tem qualquer relação com a hipocrisia instalada, mas hoje também se soube que os países europeuscom Portugal incluído, estão a contabilizar o contrabando, o tráfico de droga e a prostituição para darem um ar mais elevado aos números do PIB. Bem. Chamam-lhe economia não observada. Já sabíamos que o faziam com o tráfico de armas, drogas e pessoas nos offshores e afins: Holanda, Suíça e Luxemburgo, por exemplo, mas nem sei se não perdemos o norte aos mais elementares direitos.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 21:44 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Segunda-feira, 11.03.13

 

 

 

 

"Pagar para trabalhar" é o título de um texto interessante que li no Público de Domingo e que encontrei no facebook na página de um dos autores.

 



MANUEL JOÃO RAMOS E RUI ZINK
Público, Domingo 10 Março 2013 

 

 


"Tiago regressa cansado a casa dos avós mas com um sorriso no rosto. É o seu primeiro dia de trabalho em muitos meses. Sentado no colchão de praia que lhe serve de cama desde que os pais devolveram a casa ao banco, sonha já em alugar finalmente um quarto. O Tiago não é caso único. Como outros jovens da sua geração, acredita que descobriu a solução para o desemprego crónico: decidiu pagar para trabalhar. E, tal como o seu patrão, agradece a oportunidade.

Os jovens portugueses, dos quais 45% nunca experimentaram as dores e alegrias do trabalho, estão fartos de ouvir a geração dos seus pais queixar-se dos cortes salariais, aumento de impostos, insegurança no emprego, da facilitação dos despedimentos. Os jovens não percebem o que isso é. Querem apenas trabalhar, contribuir para o desenvolvimento do país.

Sentem que está em curso uma guerra surda de gerações. Pouco lhes importam as minudências do 14.º mês, TSU, duodécimos. O facto é: os mais velhos têm emprego e eles não. Para eles, os velhos empregados só vêem interesses mesquinhos à frente do nariz, a árvore e não a floresta. Mais: o futuro é dos jovens, e para estes o tempo dos privilégios do emprego seguro (ainda por cima remunerado) nunca existiu.

Mais que ninguém, eles sabem que não há trabalho para todos. Que um velho empregado está a impedir o emprego de um jovem desempregado. O trabalho tornou-se um valor em si, um objecto de luxo. Por isso mesmo o trabalho deve custar cada vez menos. Portugal não pode ser excepção: estamos perante uma nova tendência internacional. Trabalhar por cada vez menos é o preço a pagar para ter um lugar ao sol. Neste novo paradigma económico, o custo do trabalho deve tender não para o zero relativo mas para o zero absoluto, na proporção inversa da sua escassez. Isto significa que:

1) Não havendo trabalho para toda a gente, a sua falta deve ser repartida equitativamente. Quem trabalha deve estar grato por ter trabalho. O espanto não é, então, que quem trabalhe seja mal pago. O absurdo é que quem ainda tem trabalho queira ser pago.

2) Sendo o trabalho um valor em si e um bem escasso, é o direito a usufruir desse privilégio que deve ser pago, não o contrário.

O custo do trabalho tem de baixar, já o disseram vários especialistas. Mas, como de costume, isso é apenas panaceia temporária, remendo a disfarçar a verdadeira essência do problema. A questão é mais estrutural: é preciso dar ao trabalho o seu verdadeiro e justo valor. É verdade que há já muita gente a trabalhar a título gratuito. Os voluntários em campanhas de solidariedade, as famílias que são porteiras a troco de comida, os estagiários que dão aulas nos liceus em troca de uma melhor qualificação profissional. Mas isso não chega. É preciso coragem política para assumir que não é possível, por muito mais tempo, ter trabalho, pago... ou mesmo gratuito. Não há almoços grátis. Qualquer economista o sabe. Por outras palavras: as pessoas têm de compreender que não podem por muito mais tempo trabalhar sem pagar por isso.

Jovens como o Tiago olham para Belmiro de Azevedo ou Pinto Balsemão e invejam-nos. Por que continuam estes idosos a trabalhar, quando podiam estar a jogar golfe numa ilha paradisíaca, ou mesmo em Tróia? Ora, os jovens desempregados sabem o que a maior parte das pessoas ainda não sabe: que o verdadeiro luxo é trabalhar, não é descansar.

Num futuro cada vez mais tecnológico, no qual a presença física seja cada vez menos necessária, o verdadeiro luxo é ter trabalho. Por isso, portugueses, preparem-se para o que é justo. Preparem-se para um Portugal melhor. Preparem-se para um Portugal onde, a bem do progresso, vão ter de pagar para trabalhar."



publicado por paulo prudêncio às 16:41 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 07.03.13

 

 

 

 

 


William Brian Arthur, um economista de 66 anos nascido na Irlanda, escolhe como principal preocupação a economia invisível.

 

Diz que "é mais facil falar contra a China do que sobre a economia invisível". 

 

O economista reafirma a falha flagrante dos seus pares. Há uma sensação de inexplicável na actualidade. Os cortes salariais e os aumentos de impostos limitam-se a transferir recursos financeiros das classes baixa e média para a alta, o que não é pouco, e pioram a maioria dos indicadores.

 

"A "segunda economia" é o tema de eleição de William Brian Arthur(...). Esta "segunda economia" nada tem a ver com a economia paralela ou subterrânea que o PIB oficial dos países não capta. Mas, na realidade, é uma dimensão paralela e é invisível para os políticos e para a maioria dos economistas profissionais. Os políticos tendem a culpar a deslocalização para as economias emergentes que a segunda fase da globalização, desde os anos 1980, beneficiou amplamente. A China é o primeiro país que surge como culpado, a fábrica do mundo que fez uma razia entre os fatos de macaco do ocidente; depois a Índia nos colarinhos brancos agarrados aos teclados de computador e a engendrar algoritmos. Mas, mais profundo, a minar a estabilidade de emprego nos países desenvolvidos, é o vírus da desmaterialização progressiva da comunicação, de processos, de fluxos, de produtos e de serviços - esta tal segunda economia(...)"



publicado por paulo prudêncio às 16:57 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 19.12.12

 

 

 

 

 

 

 

Fico com a sensação que a moderna globalização se caracteriza tanto por uma aparente velocidade como pelo excesso de presente, de efémero, de ubiquidade e de instantâneo. Esse estado remete-nos para a intemporalidade do conceito de que tudo o que é sólido se dissolve no ar. Pode ser um tempo adequado para o vagar, para a reflexão e para a construção do que verdadeiramente interessa.



publicado por paulo prudêncio às 09:12 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Segunda-feira, 18.06.12

 

 

 

 

 

Os tempos económicos e sociais sobreaquecidos que vivemos dão sinais de que o mundo ocidental entrou em declínio. Há mesmo quem situe o início das quedas numa tragédia ocorrida num ponto alto de segurança e estou a lembrar-me, nesse sentido simbólico, do derrube das torres gémeas em 2001.

 

Em paralelo com o aumento da segurança, e do bem-estar, fizeram escola dois discursos: o da ajuda dos países do norte aos do sul através do comércio livre e o da substituição do discurso das promessas (de 1950 a 1970 nos países ocidentais) pelo das incertezas (de 1970 em diante) no que concerne ao estado social, com Portugal meio baralhado no meio destas etapas.

 

Se se ler com atenção os dois polémicos parágrafos de textos da comissão europeia que publico de seguida,

 

 

LIVRO VERDE DA COMISSÃO EUROPEIA(UE):


“A responsabilidade social das empresas é, essencialmente, um conceito segundo o qual as empresas decidem, numa base voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e para uma ambiente mais limpo. (…) Através dela, é possível adoptar uma abordagem inclusiva do ponto de vista financeiro, comercial e social, conducente a uma estratégia a longo prazo que minimize os riscos decorrentes de incógnitas.”

(LIVRO VERDE, COM (2001) 366 final: p. 4,5)

 

COMUNICADO DA COMISSÃO EUROPEIA (UE)


“Por RSE (Responsabilidade Social das Empresas) entende-se um comportamento que as empresas adoptam voluntariamente e para além de prescrições legais, porque consideram ser do seu interesse a longo prazo; (…) Implica uma abordagem por parte das empresas que coloca no cerne das estratégias empresariais as expectativas de todas as partes envolvidas e o princípio de inovação e aperfeiçoamento contínuos.”

 

(COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO, COM (2002) 0347 final)

 

podemos concluir que o efeito que protege os Goldman Sachs deste mundo renasceu e com consequências imprevisíveis. A discussão anterior sobre as duas vias possíveis para os lucros das grandes empresas - filantropia ou impostos, defendendo, os da segunda solução, o melhor conhecimento dos governos das necessidades sociais - foi contornada por uma terceira via que se chamou desregulação da alta finança e offshores. Esta inovação originou uma inaudita transferência de recursos financeiros das classes média e baixa para a classe alta.
Neste momento, os governos ocidentais estão incapazes de publicar dispositivos legais que sabem apenas ser cumpridos pelas empresas do "seu" mundo e que gerariam ainda mais desemprego e mais falências em catadupa. Para além disso, vêem a banca europeia aprisionada. Em desespero de causa apelavam ao voluntarismo ético e agora nem isso resta.

(Já usei perte deste post noutra publicação)


publicado por paulo prudêncio às 13:26 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 02.06.12

 

 

 

Apesar de tudo indicar que a obsessão com o aumento da escala é apenas a resposta aflita à supressão do tempo, a humanização como categoria organizacional impor-se-á à escala e será uma resposta para contrariar a absolutização do presente. No mundo e no país, e dos municípios às escolas, o que se anuncia não é o melhor caminho para gerir as organizações. A anarquia impor-se-á em forma de caos, por muito interessante que seja o estudo dessa imagem organizacional.

 

Para além de ser imperativo devolver aos cidadãos o poder democrático, será necessário consolidar as especificidades de cada organização e afirmar os planos estratégicos educativos locais no âmbito de um quadro de divisão administrativa do país que se identifique como moderno e razoável.

 

É fundamental definir de vez o papel dos municípios na gestão dos territórios educativos que não se devem circunscrever ao escolar. Não faz sentido que a participação das autarquias se exerça em cada escola, agrupamento ou agregação. Deve focar-se nos Conselhos Municipais de Educação (existem?) com um nível exigente de prestação de contas nas políticas de educação e nos números do abandono escolar.

 

Quase que só temos conseguido substituir a atomização desresponsabilizadora do centralismo pelo caciquismo local.

 

Se não formos capazes de civilizar as ideias de compromisso, de cooperação, de mobilização, de contrato e de poder democrático, andaremos muito, depressa e em aumento de escala, mas sem resultados positivos. Voltaremos atrás a sítios que nos pareceram seguros.

 

A denominada globalização instalou-se. Ainda ontem li uma boa entrevista de Gilles Lipovetsky, o célebre autor da "Era do vazio", a propósito do consumo dos artigos de luxo. A Gucci, empresa com mais audiência no sector e que passou, em cerca de dez anos, de três para cento e trinta lojas, tem cem milhões de consumidores na China. O autor avisa (no meio de outras reflexões): quando o consumo dos seus produtos se banalizar a empresa desaparece.

 

Qual é a relação que este pequeno exemplo tem com o que estava a escrever? O efeito do aumento da escala pode levar ao empobrecimento e à desumanização, mesmo que, por ironia, a partir dos artigos de luxo.

 

 

(Já usei parte deste texto noutro post)



publicado por paulo prudêncio às 10:13 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 24.02.12

 

 

Fico com a sensação que a moderna globalização se caracteriza tanto por uma aparente velocidade como pelo excesso de presente, de efémero, de ubiquidade, de instantâneo e por aí fora. Esse estado remete-nos para a intemporalidade do conceito de que tudo o que é sólido se dissolve no ar. Pode ser um tempo adequado para o vagar, para a reflexão e para a construção do que verdadeiramente interessa.



publicado por paulo prudêncio às 20:54 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 29.01.12

 

 

 

 

Angola está a aplicar "com rigor as boas práticas internacionais sobre migração", diz Luanda. Pois é. Portugal passa a vida a impedir a entrada de cidadãos angolanos (21 nos últimos sete dias) e Paulo Portas pede explicações por causa do veto angolano à entrada de portugueses; e logo o actual ministro que era um acérrimo defensor do encerramento de fronteiras aos fugitivos do "terceiro mundo".

 

O que acabou de ler é mais uma lição para os ex-impérios situados no sul da Europa. A Grécia, a Itália, a Espanha e Portugal foram centros do mundo e pioneiros na globalização, mas assemelham-se a aristocratas falidos que se arruínam convencidos da intemporalidade dos pergaminhos familiares. O mundo actual, o das oportunidades para os emergentes, é, talvez, mais igualitário do que nunca e exige relações internacionais em posição de igualdade.

 

Tenho ideia que no virar do milénio, e quando nos regozijávamos por pertencermos ao clube dos ricos, a nossa população olhava com superioridade o impedimento à entrada de imigrantes-pobres-e-não-qualificados. Nunca se pensou que o efeito boomerang fosse tão rápido.

 


 

 



publicado por paulo prudêncio às 16:20 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 13.01.12

 

 

Fiquei perplexo com a conferência de imprensa do ministro da economia onde advogou a internacionalização dos pastéis de natas, embora compreenda a necessidade do nos afirmarmos nos negócios globais. Não percebi se era o próprio ministro o empreendedor da pastelaria de Belém ou se estava a encomendar a ideia. Se acontecesse outro fenómeno Papo D´Anjo, a dor de cabeça não seria sua. Vi o jovem empresário dos Pastéis de Belém a descartar a sugestão, porque considerou decisiva a sigilosa produção artesanal dos pastéis e não deu crédito à possibilidade de massificação da coisa.

 

Se a intenção do ministro era pedagógica, parecia-me melhor anunciar um programa de apoio e usar o Mateus Rosé como exemplo. A busca dos frangos de churrasco da Nando´s (que já experimentei) também não me pareceu feliz. Aquilo é incomestível e os consumidores da comunidade global podem não ser tão adeptos do plástico gustativo como um qualquer nicho de britânicos.

 

Encontro uma explicação. Como a imitação costuma ser o nosso desgraçado hábito, e considerando o recente convívio com os chineses, do partido único, que se têm revelado exímios em privatizações, os nossos governantes sentiram-se mandatados para protagonizarem a economia em vez de a (des)regularem e apoiarem. O desnorte dos neoliberais é evidente.

 



publicado por paulo prudêncio às 19:37 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Sábado, 16.04.11

 

 

 

 



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Terça-feira, 23.03.10


Foi daqui

 

 

Os tempos económicos e sociais sobreaquecidos que vivemos dão sinais de que o chamado "mundo ocidental" entrou em declínio. Há mesmo quem situe o pico civilizacional num ponto alto de segurança a exemplo da época "áurea" de um ocidente sem fronteiras que possibilitou acontecimentos como o que derrubou as torres gémeas em 2001.

 

Em paralelo com o aumento da segurança, e do bem-estar, fizeram escola dois discursos: o da ajuda dos países do norte aos do sul através do comércio livre e o da substituição do discurso das promessas (de 1950 a 1970 nos países ocidentais) pelo das incertezas (de 1970 em diante) no que concerne ao estado social, com Portugal meio baralhado no meio destas etapas.

 

Se se ler com atenção os dois polémicos parágrafos de textos da comissão europeia que publico de seguida,

 

 

LIVRO VERDE DA COMISSÃO EUROPEIA(UE):


“A responsabilidade social das empresas é, essencialmente, um conceito segundo o qual as empresas decidem, numa base voluntária, contribuir para uma sociedade mais justa e para uma ambiente mais limpo. (…) Através dela, é possível adoptar uma abordagem inclusiva do ponto de vista financeiro, comercial e social, conducente a uma estratégia a longo prazo que minimize os riscos decorrentes de incógnitas.”

(LIVRO VERDE, COM (2001) 366 final: p. 4,5)

 

 

 

COMUNICADO DA COMISSÃO EUROPEIA (UE)


“Por RSE (Responsabilidade Social das Empresas) entende-se um comportamento que as empresas adoptam voluntariamente e para além de prescrições legais, porque consideram ser do seu interesse a longo prazo; (…) Implica uma abordagem por parte das empresas que coloca no cerne das estratégias empresariais as expectativas de todas as partes envolvidas e o princípio de inovação e aperfeiçoamento contínuos.”

 

(COMUNICAÇÃO DA COMISSÃO, COM (2002) 0347 final)

 

 


podemos concluir que o efeito proteccionista renasceu e com consequências imprevisíveis. A discussão anterior sobre as duas vias possíveis para os lucros das grandes empresas - filantropia ou impostos, defendendo, os da segunda solução, o melhor conhecimento dos governos das necessidades sociais - foi contornada por uma terceira via que se chamou desregulação da alta finança e offshores. Esta inovação originou uma inaudita transferência de recursos financeiros da classe baixa para a classe alta.
Neste momento, os governos ocidentais estão incapazes de publicar dispositivos legais que sabem apenas ser cumpridos pelas empresas do "seu" mundo e que gerariam mais desemprego e mais falências em catadupa. Em desespero de causa apelam ao voluntarismo ético.

Também por isso, colocar em título, como é denunciado aqui pelo Paulo Guinote, notícias sem qualquer rigor (porque não correspondem à realidade) significa apenas que se quer resolver os problemas com as mesmas receitas que empurraram o ocidente para esta decadente encruzilhada.
Pode ler a referida notícia se clicar no link que se segue.

Gastos com pessoal sobem com promoções dos professores



publicado por paulo prudêncio às 15:15 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 08.02.10

 

Foi daqui

 

 

 

Um dos exemplos de que nos podemos socorrer para caracterizar o período critico e sobreaquecido que vai abanando os alicerces das instituições (e a escola é um exemplo flagrante) na época em que vivemos, prende-se com o conteúdo histórico que deve ser ensinado, colocando em contraposição a cultura de origem dos diversos sujeitos do processo de ensino à matriz dominante na maioria dos estados e das nações; mais ainda se pensarmos em termos globais e de sociedades abertas.



publicado por paulo prudêncio às 20:30 | link do post | comentar | partilhar


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Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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