Em busca do pensamento livre.

Segunda-feira, 30.01.17

 

 

 


No tempo em que não havia google nem sequer internet, e considerando a informação preciosa que se perdia, dediquei-me à construção de bases de dados para alguns assuntos. A dos "ficheiros secretos" tem entradas com resumos de conferências. Andava à procura das questões que apresentei a Eduardo Prado Coelho e encontrei as que coloquei a Bragança de Miranda na conferência sobre corporeidade (estiveram lá os dois) em 7 de Novembro de 1997, na Cruz Quebrada.

Regressei a Bragança de Miranda por causa do vídeo, que colo mais abaixo, imperdível "Palavra e tentação". As questões foram colocadas assim:

Muito obrigado.

Vou colocar duas questões e gostaria que estabelecesse uma relação entre elas, partindo de três categorias: ideologia, responsabilidade e dor.

Primeira questão: considerando o conceito de ideologia, que por aqui estabelecemos, como um conjunto de interesses inconfessáveis (e pensei no consenso manufacturado de Chomsky e na comunidade que vem de Agamben) quais são os interesses inconfessáveis da ideologia do corpo?

Segunda questão: se a responsabilidade das ligações é de cada um dos corpos organológicos, e se o primeiro movimento da responsabilidade é a dor, como será a responsabilidade de um corpo sem dor e a que ideologia isso interessa?

A resposta de Bragança de Miranda, depois de sorrir e de uma pausa, foi sábia e merecia uma conferência: "o mundo passa mais pelas palavras do que pela fisiologia".

 

 



publicado por paulo prudêncio às 11:45 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 20.11.14

 

 

 

Estado de excepção é um conceito utilizado pelo filósofo italiano Giorgio Agamben e inicialmente definido por Carl Schmitt.

Preocupado com as derivações das nossas democracias, que legitimam ideias e práticas típicas das ditaduras, Giorgio Agamben recusou participar numa conferência nos USA para não ter que se sujeitar a passar pelo crivo securitário dos aeroportos. "Está em causa a minha liberdade" - afirmou.


Forte crítico do que se passou em Guantânamo, Giorgio Agamben alerta-nos para um conjunto de fenómenos que podem corroer os alicerces das democracias ocidentais. 

 

(1ª edição em 28 de Maio de 2008)

 

Lembrei-me deste post a propósito dos que remetem os que defendem direitos cívicos, que também passam pelas questões económicas, para o lugar dos líricos despesistas.

É bom recordar que foi sempre assim: de perda em perda até à ausência objectiva e subjectiva de direitos e com as justificações monetaristas e do equilíbrio das contas.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 21:55 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 04.09.14

 

 

 

Elege-se a singularidade, testa-se o ser qualquer e constrói-se o insuperável. Não se quer um igual mas precisa-se do carácter universal do indivíduo e anseia-se pela coisa comum (a religião, a ideologia política, a filiação associativa e a identidade por género, como se diz agora).

 

Há a diversidade regional. Portugal é semi-periférico e tem, ou teve, as suas categorias: uma densidade inigualável de inhos e de supervisores. Fiquemo-nos pelos inhos.

 

A utilização dos diminutivos (fomos únicos no assunto) na Educação podia dar maus resultados.

 

Conclui-se que somos adultos com egos elevados. Fiz pesquisas por ego-história convencido que era uma invenção nossa. Mas não: não especulemos: Freud influenciou meio-mundo.

 

Tínhamos de ser os melhores do bairro. Foi uma alta competição generalizada. Reconhecer (que era diferente de anunciar) o sucesso alheio magoava. Parece que o mote foi viver na alteridade.

 

Ai de quem se distinguisse, ai de quem fizesse bem aquilo que sempre se esperava que corresse mal, ai de quem fugisse do lugar comum e não se parecesse com a formatação estipulada pelo horizonte do quarteirão. Portugal sofreu de uma dilatação tal dos egos, que o espaço público se tornou uma impossibilidade e o exterior passou a ser o sítio oxigenado; a não ser que se conseguisse, e consiga, viver dentro por fora ou que a queda-sem-fim nos garanta alguma redenção.

 

 

 

Já usei algumas ideias deste texto noutro post.

 



publicado por paulo prudêncio às 10:11 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 31.05.14

 

 

 

 

1ª edição em 30 de Janeiro de 2014. 

 

 

 

 

Como há tanta informação preciosa que se perde, dediquei-me à construção de bases de dados para os mais variados assuntos.

 

A dos "ficheiros secretos" tem centenas de entradas e algumas incluem resumos de conferências. Andava à procura dumas questões que apresentei a Eduardo Prado Coelho e encontrei as que coloquei a Bragança de Miranda numa conferência sobre corporeidade (estiveram lá os dois) em 7 de Novembro de 1997, na Cruz Quebrada.

 

Regressei a Bragança de Miranda por causa do vídeo imperdível "Tentação e palavra" e nessa viagem revi Eduardo Prado Coelho.

 

As questões foram colocadas assim:

 

Muito obrigado. Vou colocar duas questões e gostaria que estabelecesse uma relação entre elas, partindo de três categorias: ideologia, responsabilidade e dor.

Primeira questão: considerando o conceito de ideologia, que por aqui estabelecemos, como um conjunto de interesses inconfessáveis (e pensei no consenso manufacturado de Chomsky e na comunidade que vem de Agamben) quais são os interesses inconfessáveis da ideologia do corpo? Segunda questão: se a responsabilidade das ligações é de cada um dos corpos organológicos, e se o primeiro movimento da responsabilidade é a dor, como será a responsabilidade de um corpo sem dor e a que ideologia isso interessa?

 

A resposta de Bragança de Miranda, depois de sorrir e de uma pausa, foi sábia e merecia uma conferência: "o mundo passa mais pelas palavras do que pela fisiologia".

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 22:13 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Sábado, 15.02.14

 

 

 

 

"Por uma teoria do poder destituinte" de Giorgio Agamben

 

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 09:53 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 22.09.13

 

 

 

 

A discussão à volta da tortura parece estar na moda nos EUA. Escolhi o dia 28 de Maio de 2008 para publicar um post sobre o assunto: "(...)Estado de excepção é um conceito utilizado pelo filósofo italiano Giorgio Agamben e inicialmente definido por Carl Schmitt. Preocupado com as derivações das nossas democracias, que legitimam ideias e práticas típicas das ditaduras, Giorgio Agamben recusou participar numa conferência nos USA para não ter de se sujeitar a passar pelo crivo securitário dos aeroportos. "Está em causa a minha liberdade" - afirmou. Forte crítico do que se passou em Guantânamo, Giorgio Agamben alerta-nos para um conjunto de fenómenos que podem corroer os alicerces das democracias ocidentais.(...)É bom recordar que foi sempre assim: de perda em perda até à ausência objectiva e subjectiva de direitos e com as justificações monetaristas e do equilíbrio das contas." 


Para além do extremo "Guantânamo", os ultraliberais, onde se incluem sociais-democratas e socialistas, têm, em nome dos ajustamentos orçamentais, sujeitado os grupos profissionais mais numerosos a práticas de-dor-intolerável-em-massa (estou a pesar muito bem). Foi assim no caso France Telecom que só terminou após mais de trinta suicídios e com a ajuda do psiquiatra Christophe Dejours. Sim, um psiquiatra: a tortura não é apenas perpetrada no físico. Exemplos da mesma família executaram-se em Portugal, em 2007, com a avaliação de professores e com os concursos para professores titulares. O flagelo teve fim, ou foi atenuado, depois da "fuga", com brutais penalizações, de milhares de professores. Nem sei se os mentores do terror burocrático têm consciência do "crime" e se tentam algum branqueamento através da publicação de sei lá o quê. Mas é natural que tentem e basta olharmos para o que vão dizendo os professores, e outros cidadãos, que presenciaram ou sofreram os horrores nessa época. A oportunidade e o oportunismo são céleres a eliminar a memória.

 

É certo que os professores portugueses continuam perseguidos. Serão sempre muitos para esta vaga de ultraliberais. São despedidos em massa e há milhares em estado de uma permanente humilhação que vai ao osso da profissionalidade. A carga de burocracia acéfala, motivada por uma desconfiança que arrepia, faz o resto.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 18:08 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Domingo, 02.12.12

 

 

 

 

 

Estado de excepção é um conceito utilizado pelo filósofo italiano Giorgio Agamben e inicialmente definido por Carl Schmitt.

Preocupado com as derivações das nossas democracias, que legitimam ideias e práticas típicas das ditaduras, Giorgio Agamben recusou participar numa conferência nos USA para não ter de se sujeitar a passar pelo crivo securitário dos aeroportos. "Está em causa a minha liberdade" - afirmou.


Forte crítico do que se passou em Guantânamo, Giorgio Agamben alerta-nos para um conjunto de fenómenos que podem corroer os alicerces das democracias ocidentais. 

 

(1ª edição em 28 de Maio de 2008)

 

 

 

 

Lembrei-me deste post a propósito dos que remetem os que defendem direitos cívicos, que também passam pelas questões económicas, para o lugar dos líricos despesistas.

 

É bom recordar que foi sempre assim: de perda em perda até à ausência objectiva e subjectiva de direitos e com as justificações monetaristas e do equilíbrio das contas. Também é conhecido um outro resultado: transferência de recursos financeiros das classes média e baixa para a alta.



publicado por paulo prudêncio às 19:36 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 29.09.12

 

 

 

Elegemos a ideia de singularidade, testámos o devir do ser qualquer e construímos o imaginário do insuperável. Não queremos um igual, precisamos do carácter universal do indivíduo e ansiamos pela descoberta da coisa comum (a religião, a ideologia política, a filiação associativa e a identidade por género, como se diz agora).

 

Existe a diversidade regional ditada pela geografia e pela história. Portugal é uma zona semi-periférica e tem as suas categorias: uma densidade inigualável de inhos e de supervisores. Fiquemo-nos pelos inhos .

 

A utilização acentuada dos diminutivos (somos únicos no assunto) na nossa Educação tem de fazer efeito e pode dar maus resultados.

 

Somos uns adultos com egos elevados. Fui fazer umas pesquisas por ego-história convencido que era uma invenção nossa. Mas não: Freud, e o seu eu psicanalítico, influenciou meio-mundo.

 

Mas não desisto e passo a sentenciar: temos de ser os melhores do bairro. É uma alta competição generalizada. Reconhecer (que é diferente de anunciar) o sucesso alheio magoa. Parece que o mote é viver na alteridade.

 

Ai de quem se distinga, ai de quem faça bem aquilo que sempre se espera que corra mal, ai de quem fuja do lugar comum e não se pareça com a formatação estipulada pelo horizonte do nosso quarteirão. Portugal sofre de uma dilatação tal dos egos que o espaço público tornou-se uma impossibilidade e o exterior passou a ser o sítio oxigenado; a não ser que se consiga viver fora cá dentro ou que a queda-sem-fim nos garanta alguma redenção.




Já usei algumas ideias deste texto noutro post.



publicado por paulo prudêncio às 14:25 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Sábado, 18.08.12

 

 

 

Estado de excepção é um conceito utilizado pelo filósofo italiano Giorgio Agamben e inicialmente definido por Carl Schmitt.

Preocupado com as derivações das nossas democracias, que legitimam ideias e práticas típicas das ditaduras, Giorgio Agamben recusou participar numa conferência nos USA para não ter de se sujeitar a passar pelo crivo securitário dos aeroportos. "Está em causa a minha liberdade" - afirmou.


Forte crítico do que se passou em Guantânamo, Giorgio Agamben alerta-nos para um conjunto de fenómenos que podem corroer os alicerces das democracias ocidentais. 

 

(1ª edição em 28 de Maio de 2008)

 

Lembrei-me deste post a propósito dos que remetem os que defendem direitos cívicos, que também passam pelas questões económicas, para o lugar dos líricos despesistas.

É bom recordar que foi sempre assim: de perda em perda até à ausência objectiva e subjectiva de direitos e com as justificações monetaristas e do equilíbrio das contas. Também é conhecido um outro resultado: transferência de recursos financeiros, em grande parte com recurso a métodos corruptos, das classes média e baixa para a alta.



publicado por paulo prudêncio às 12:03 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 12.02.12

 

 

 

 

Por me interessar por várias coisas ao mesmo tempo, percebi que tinha de me organizar e dediquei-me à construção de bases de dados para os mais variados assuntos. A dos ficheiros secretos tem várias entradas e algumas incluem resumos de conferências.

 

Andava à procura dumas questões que apresentei a Eduardo Prado Coelho e encontrei as que coloquei a Bragança de Miranda na mesma conferência sobre corporeidade, em 7 de Novembro de 1997, na Cruz Quebrada.

 

Muito obrigado. Vou colocar duas questões e gostaria que estabelecesse uma relação entre elas, partindo de três categorias: ideologia, responsabilidade e dor.

Primeira questão: considerando o conceito de ideologia, que por aqui estabelecemos, como um conjunto de interesses inconfessáveis (e pensei no consenso manufacturado de Chomsky e na comunidade que vem de Agamben) quais são os interesses inconfessáveis da ideologia do corpo? Segunda questão: se a responsabilidade das ligações são de cada um dos corpos organológicos, e se o primeiro movimento da responsabilidade é a dor, como será a responsabilidade de um corpo sem dor e a que ideologia isso interessa?

 

A resposta de Bragança de Miranda, depois de sorrir e pensar um bocado, foi sábia: o mundo passa mais pelas palavras do que pela fisiologia.



publicado por paulo prudêncio às 18:30 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Terça-feira, 09.08.11

 

 

 

 

"Os juristas romanos sabiam perfeitamente o que significava “profanar”. Sagradas ou religiosas eram as coisas que pertenciam, fosse qual fosse a forma, aos deuses. Como tal, eram retiradas do livre uso e comércio dos homens, não podiam ser vendidas nem empenhadas, cedidas em usufruto ou oneradas com alguma servidão. Sacrilégio era qualquer acto que violasse ou transgredisse esta sua especial indisponibilidade que as reservava exclusivamente aos deuses celestes (e, então, eram chamadas propriamente “sagradas”) ou ínferos (neste caso, dizia-se simplesmente religiosas”). E se consagrar (sacare) era o tempo que designava a retirada das coisas da esfera do direito humano, profanar significava, por oposição, restituí-las ao livre uso pelos homens".

 

Giorgio Agamben

em Profanações.



publicado por paulo prudêncio às 11:09 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Terça-feira, 14.12.10

 

 

Não, não é o outro significado, é apenas porque foi em 28 de Maio de 2008 que fiz um post intitulado estado de excepção e com o seguinte conteúdo: "Estado de excepção é um conceito utilizado pelo filósofo italiano Giorgio Agamben e inicialmente definido por Carl Schmitt. Preocupado com as derivações das nossas democracias, que legitimam ideias e práticas típicas das ditaduras, Giorgio Agamben recusou participar numa conferência nos USA para não ter de se sujeitar a passar pelo crivo securitário dos aeroportos. "Está em causa a minha liberdade" - afirmou."

 

Dois anos e meio depois, Portugal adopta o conceito e aprofunda-o. O mainstream dos partidos políticos continua intocado e alimenta os votozinhos.

 

 

Jardim garante subsídio de 30 por cento aos funcionários públicos do Porto Santo



publicado por paulo prudêncio às 21:07 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 29.04.09

(encontrei esta imagem aqui

 
 
"O ser que vem é o ser qualquer. O qualquer que está aqui em causa não supõe, na verdade, a singularidade na sua indiferença em relação a uma propriedade comum (a um conceito por exemplo: o ser vermelho, francês, muçulmano), mas apenas no seu ser tal qual é. A singularidade liberta-se assim do falso dilema que obriga o conhecimento a escolher entre o carácter inefável do indivíduo e a inteligibilidade do universal. Já que o inteligível, segundo a bela expressão de Gernoside, não é um universal nem um indivíduo enquanto incluído numa série, mas a “singularidade enquanto singularidade qualquer”."
 
Giorgio Agamben em
"a comunidade
que vem".





publicado por paulo prudêncio às 12:04 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 17.03.09

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

 

"Na sua intenção mais profunda, a filosofia é, de facto, uma firme reivindicação da potência, a construção de uma experiência do possível enquanto tal. Não o pensamento, mas a potência de pensar; não a escrita, mas a folha cândida é o que ela, a todo o custo, não quer esquecer."

 

"Bartleby, Escrita da Potência",

"Bartleby, ou Da Contingência" seguido de "Bartleby,

O Escrivão de Herman Melville" de Giorgio Agamben,

edição de Giogio Agamben e de Pedro A. H. Paixão,

da colecção "disciplina sem nome",

é da Assírio & Alvim (2006).

 

 

Já dei conta, no professor Bartleby (1), que pode ler aqui, da associação que fiz entre a posição de luta, contra as nefastas políticas do actual governo, de muitos dos professores portugueses e a personagem Bartleby construída pelo genial Herman Melville.

 

Ora a escrita da potência centra-se nessa infinita possibilidade de alguém dizer um dia: "preferiria de não" ou mesmo "prefiro não". Não só pensar mas a potência de pensar. Não a escrita de um qualquer relatório ou grelha "Kafkiana", mas a livre capacidade da candura da folha ou mesmo do porta-folhas.



publicado por paulo prudêncio às 10:18 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Sexta-feira, 06.03.09

 

 

 

(encontrei esta imagem aqui)

 

 

 

Há concordâncias muito engraçadas: noutro dia, uns colegas e amigos da minha escola, convidaram-me para uma ida ao Centro Cultural de Belém para ouvir a leitura de umas cartas de amor trocadas entre Hannah Arendt e Martin Heidegger; durante as viagens, e no apressado jantar, conversámos de modo animado; lembro-me de ter trazido às trocas desinteressadas dois escritores que nunca esqueço: o filósofo Giorgio Agamben e Herman Melville, o célebre autor do conhecido "Moby Dick" mas também do genial "Bartleby".

 

Antes do regresso às Caldas da Rainha demos uma saltada ao excelente espaço de fruição cultural que é antiga Fábrica de Braço de Prata. Ouvimos um concerto de jazz, bebemos qualquer coisa e vasculhámos uma ou outra das livrarias.

 

E não é que dei com uma obra, de 2006, e que não conhecia, de Giorgio Agamben, onde o mote é precisamente o "Bartleby" de Herman Melville. Adquiri o livro e devo confessar que fiquei em pulgas para ler o que o conhecido filósofo tinha para me dizer.

 

"Bartleby, Escrita da Potência", "Bartleby, ou Da Contingência" seguido de "Bartleby, O Escrivão de Herman Melville" de Giorgio Agamben, edição de Giogio Agamben e de Pedro A. H. Paixão, da colecção "disciplina sem nome", é da Assírio & Alvim (2006).

 

E, como era de esperar, a obra tem muito que se lhe diga. Por isso, decidi-me a abrir um nova rubrica no meu blogue com a intenção de voltar ao assunto. Por agora, ficamos pela número um do professor Bartleby. Não que a personagem de Herman Melville fosse um professor. Não; Bartleby era um jovem escrivão, ou copista de coro, que exercia as suas funções num próspero escritório de negócios.

 

E podemos começar assim: certo dia, Bartleby, e ao pedido do seu chefe para uma ida aos correios, profere o célebre "preferiria de não" (I would prefer not to). E assim continuou, nem sempre com a resposta no condicional; certa vez usou mesmo o presente do indicativo.

 

O escrivão decide-se também a não escrever, a sequer copiar, e mantém essa decisão nas mais variadas situações até para as ofertas de outros empregos por parte do seu desesperado chefe.

 

E a partir desta primeira entrada sobre o assunto, quero estabelecer uma associação do que acabei de descrever com o notável comportamento de muitos dos professores portugueses. Colocados perante a obrigatoriedade de escrever relatórios "kafkianos" ou de preencher grelhas inenarráveis, mesmo que com a majestática sugestão da cópia, decidem-se pelo "preferiria de não". E muitos deles fazem-no numa difícil condição e nos ambientes mais adversos. Presto-lhes, assim, a minha sincera homenagem.

 

Voltarei ao professor Bartleby.

 



publicado por paulo prudêncio às 17:04 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
Discordâncias:
Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
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