Em busca do pensamento livre.

Sábado, 12.08.17

 

 

 

Há décadas que as escolas abrem todas em Setembro. O início é ruidoso quando há devaneios como a eliminada BCE. O Governo reverteu cortes salariais, eliminou contratos com "privados", integrou professores nos quadros e alterou provas dos mais pequenos. Mas grande parte das variáveis que degradaram a escola pública estão intocáveis. António Costa, que confessou a guerra aos professores decretada nos primeiros conselhos de ministros de Sócrates, mantém as variáveis fundamentais. Não reverteu. O tempo passou e já não adianta a escusa com a herança.

Sumariemos: anos a fio com avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), carreiras congeladas desde 2005, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horários zero, contratados "eternos" e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tanta desconfiança e agravada pela idade avançada do grupo de professores. Mas seria indecente que se fizesse das reformas antecipadas uma espécie de cortina de fumo que pede repetidamente o "impossível" para que o desespero acabe num mal menor e na manutenção dos instrumentos da referida guerra.

 

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publicado por paulo prudêncio às 10:38 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 07.08.17

 

 

 

 

A desconfiança nos professores, que se instituiu em má burocracia, começou há mais de uma década, mas disseminou-se a partir daí. O "eduquês organizacional" alimentou-se também do modo digital. Os ficheiros que circulam nas redes escolares são intratáveis e atingirão valores não mensuráveis. Aquele anúncio da PT, que afirmava a capacidade em sediar na Covilhã toda a informação do planeta, não considerou o MEC e o sistema escolar.

 

A cultura anti-professor desenvolvida nos serviços centrais generalizou-se. Se considerarmos que o "modelo" exige impressão de documentos para uma leitura atenta e imparcial (), estará na má impressão motivada pela racionalização de tinteiros de impressoras a explicação para a desconfiança nos professores e que parece suportar-se no que pode ler a seguir. Tem os resultados depois da imagem.

 

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Daniel Kahneman (2011:91), "Pensar, Depressa e Devagar". 

Temas e Debates. Círculo de Leitores. Lisboa.

 

Resultados: 5 e 47.

 

2ª edição.



publicado por paulo prudêncio às 15:40 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 05.08.17

 

 

 

"A formação da personalidade apoia-se na sua negação", é uma verdade educativa intemporal. Por mais que os destinatários reajam (e é bom que o façam), o "não" é desejado, e inconfessado, pelos educandos, necessário e útil.

Outra verdade é a necessidade do "não" escolar aos encarregados de educação (não organizacional e curricular, obviamente) que a lógica do "cliente tem sempre razão" tem eliminado. Há encarregados de educação mais "tudólogos", ou necessitados da sensatez do não escolar, que confundem o "outro" com o "igual" na relação com os educandos e que desvalorizam a importância destas questões para a saúde da democracia como sublinharam Hannah Arendt e muitos outros. A gravidade acentua-se se a desinformação atinge agentes escolares.

 

3ª edição.

 

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publicado por paulo prudêncio às 09:41 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 26.06.17

 

 

 

No mesmo dia em que se anunciam "provas de aferição do 8º ano online", divulga-se que "as aprendizagens (também no 8º) na Educação Física passarão a ser objeto de Avaliação Externa no ano letivo 2017/2018". Será uma excepção e uma descoordenação comunicacional. O simplex é positivo, sendo, no entanto, polémico este modo de aplicar provas. O que se anuncia recupera uma ideia - matrículas online que vem do simplex 1 (2006) -, implementada no século passado por muitas escolas e que se tem perdido. Bem pensado, é um ponto de partida para eliminar o inferno da repetição e da redundância no lançamento de muitos dados; e atenuar o burnout. Para isso, será necessário que o Ministério da Educação, a exemplo do simplex 1, não caminhe em sentido contrário à simplificação de procedimentos.



publicado por paulo prudêncio às 11:18 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 19.06.17

 

 

 

O Governo, apesar da municipalização, manterá a colocação de professores e atenuará a hiperburocracia transferindo a "papelada" dos refeitórios. A sério. A segunda medida foi mencionada como exemplo.

A perplexidade impõe interrogações: a burocracia que inferniza as escolas está centrada nos refeitórios? Estas pessoas da mesa negocial estavam em Marte?

E já agora: o caderno reivindicativo da greve centra-se em três eixos: descongelamentos, vinculações e aposentações decentes.

E de imediato, impõem-se mais interrogações: é táctica igualmente marciana ou é a sério? "Esquecer", também como exemplo, essa mesquinhez não financeira da democracia nas escolas, é motivo para concluirmos que a geringonça já syrizou?

 

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publicado por paulo prudêncio às 19:22 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 11.06.17

 

 

 

Percebe-se António Costa. Proporá sempre uma geringonça para condicionar o apetite do PS. Contudo, o PM deve ser informado para não irritar as pessoas. Se a geringonça escolar registou três méritos iniciais - inferno da mediação com crianças, concursos de professores e rede escolar -, há duas medidas que o PM não deve evidenciar: redução de alunos por turma e gestão curricular. A primeira é uma miragem e a segunda uma incógnita. Se a ideia antiga da interdisciplinaridade é uma tentativa (elogie-se os candidatos) para ultrapassar a escola tradicional como fim da história, a sua aplicação recente evidenciou uma fatalidade burocrática que persiste: excessos da ciências da educação associados a atavismos administrativos.

Por outro lado, há ruído na rede escolar. "Governo altera mapa para financiar colégio de amigos socialistas" é uma notícia que exige esclarecimentos. Já há tempos referi, aqui, o caso das Caldas da Rainha, que conheço bem, onde um "privado" passa de zero para cinco turmas financiadas num ano inicial de ciclo. Haverá duplicação de oferta. Há escolas públicas com capacidade para todas as turmas do concelho. A lei não mudou. É referido um acordo com Nuno Crato. Ou seja, a geringonça, "exigida" pelo PM, deve estar atenta aos compulsivos jogos dos aparelhos retratados no desenho e eliminar qualquer ruído antes que se torne ensurdecedor.

 

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Compulsive Gambling, Xavier Bonilla

World Press Cartoon

Exposição patente no CCC das Caldas da Rainha



publicado por paulo prudêncio às 19:00 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 28.05.17

 

 

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A "notícia" é do DN.

Aumenta a apreensão com a municipalização e não é só na Educação: na Cultura cresce um sentimento semelhante. É possível perspectivar o ensino não superior num país "capturado" pela partidocracia com os seus sindicatos de voto.

A sensatez recomenda poderes desconcentrados e descentralizados. A gestão do território exige coerência e estruturas que funcionem. Como temos mais de cinquenta quadros de divisão administrativa, em vez de um como seria razoável e moderno, há um caldo que gera preocupação. Cruzei esta notícia do DN com uma reportagem da revista do Expresso: "Nos templos há cada vez menos políticos influentes e a esfera da maçonaria diminuiu. Os "irmãos" estão preocupados e têm estratégias para recuperar o poder. Mas permanecem os rituais, os códigos secretos, as teias de negócios e o peso maçónico em áreas como as autarquias e os serviços secretos; estão espalhados por todo o país". Às tantas, passa-se o mesmo com a "opus dei".

Se somarmos toda a informação, todos os sinais e todas as evidências, encontramos respostas importantes para tanta apreensão. Por que será, por exemplo, que mais de 90% dos professores são contra a municipalização? Os inquéritos dos últimos anos dão que pensar num país de comprovado mau centralismo. É, realmente, uma contradição que impressiona.



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Quinta-feira, 25.05.17

 

 

 

Desde a viragem do milénio que se detectou na massa crítica escolar centralizada (e algo estratosférica) a intenção de um mega-agrupamento por concelho (com excepções nas zonas metropolitanas). O argumento é a redução de custos. A massa crítica docente não fez, nem faz, o que devia para o evitar (dando razão ao nosso último monarca que, ao que consta, dizia "que somos um país de bananas governado por sacanas") e os mentores partidocratas preparam a ofensiva que designam por municipalização.

Repitamos: não é avisado qualquer aumento de escala com os instrumentos legais em vigor; a gestão de proximidade, e a consequente liderança, é um factor inalienável da gestão escolar. Haverá apenas um reforço: o pior da política partidária. O que urge é o movimento contrário, redução da escala, e o regresso da democracia às escolas.

Está em causa a confusão eterna em variáveis fundamentais: desconcentração do MEC e lei orgânica, municipalização (descentralizada) do sistema escolar e modelo de gestão escolar que foi "pensado" para uma escola não agrupada e que é mais desconcentrado (com forte dependência do poder central) do que descentralizado. As redes escolares, e as análises e diagnósticos, dão mais sinais de que a terraplanagem cria o hábito.

 

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Sábado, 20.05.17

 

 

 

 

A oposição não se cansa de evidenciar que a geringonça segue um caminho diferente. A oposição tem razão. Para além do Governo ter outro discurso, há uma alteração determinante: a reposição de salários e o consequente aumento da confiança. Apesar dessa "recuperação" se diluir na selecção dos factores que ajudaram aos bons resultados na economia, (Ricardo P. Mamede refere: "retoma do crescimento mundial; desvalorização cambial; crescimento e desvio do turismo internacional; continuação da descida das taxas de juro; aumento da confiança; estabilização do sector bancário; retoma da construção e do imobiliário"), e de ainda não se sentir na conta bancária dos destinatários, tem significado político e permite que a maioria que governa se torne mais audível. Existe esperança no futuro.

No ensino registaram-se alterações iniciais: inferno da medição nos mais jovens, rede escolar, contratações de escola e prova de ingresso para professores. Se esse inferno da medição ainda dá sinais em modo politicamente correcto, as outras três variáveis parecem respeitar o espírito inicial. Contudo, das supressões curriculares até ao congelamento e estatuto de carreiras, adiamento de reformas e precarização de profissionais, e passando pelo clima nas escolas (dos alunos por turma aos agrupamentos) e pela hiperburocracia, há todo um universo que desespera pelo regresso à normalidade. 



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Quinta-feira, 11.05.17

 

 

 

Encontrei um professor, já reformado, com quem conversei muitas vezes sobre o modelo de gestão escolar de Maria de Lurdes Rodrigues. Discordávamos. Percebia que a sua argumentação obedecia à antiga militância partidária e ao consequente exercício de funções públicas. Defendia, por vezes com fervor, um Governo em queda acentuada.

Reencontrei-o há dias. Continua no exercício político e integra um conselho geral de um mega-agrupamento na zona de Coimbra. A primeira coisa que disse fez-me sorrir: "Este modelo de gestão transporta para dentro das escolas o pior da política partidária e proporciona um ambiente não democrático. Precisa de ser mudado".



publicado por paulo prudêncio às 12:03 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 05.05.17

 

 

   

A pessoas estão mais optimistas com este Governo, mas mantêm-se - e acentuam-se com o tempo "inamovível" - as componentes críticas da vida profissional de milhares de professores. E nem todas têm implicações financeiras; algumas melhoravam a capacidade volitiva, atenuavam o burnout e reduziam a despesa.

É a 5ª edição desta curta radiografia. A 1ª é de 5 de Novembro de 2015, a 2ª de 10 de Junho de 2016, a 3ª de 20 de Novembro de 2016 e a 4ª de 26 de Janeiro de 2017. Repito o post enquanto se justificar, não esquecendo as intervenções positivas em variáveis importantes (por exemplo: concursos BCE, prova de acesso e rede escolar).

Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além dos cortes transversais e da aposentação retardada. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira (um histórico com marcas profundas), mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".

 

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  Faces, Picasso



publicado por paulo prudêncio às 15:11 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

"Proposta do PSD para mudar a gestão escolar: uma bagunçada sem fio condutor"



publicado por paulo prudêncio às 10:00 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 03.05.17

 

 

 

São conhecidas as componentes críticas do desastroso modelo de gestão que Lurdes Rodrigues impôs e Crato manteve no essencial, mas o que o PSD quer mudar como fundamental é que os "pais que são professores devem ficar fora dos conselhos gerais das escolas". É surreal. Há todo um rol de trapalhadas, irregularidades, abusos do poder e por aí fora e a direita, que ainda há uns dois anos saiu do Governo, conclui deste modo. Dá ideia que olham para os conselhos gerais como um espaço para contar espingardas na hora de escolher. Na partidocracia é assim. Mas nas escolas não deve ser. Há modos democráticos, mais do que testados e com provas muito boas, para eleger. São estas pequenas coisas que também explicam a nossa queda para protectorado.



publicado por paulo prudêncio às 10:32 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 26.04.17

 

 

 

A gestão das escolas teve um recente pico mediático com as trapalhadas "na designação de diversos membros dos Conselhos Gerais". A democracia representativa foi uma miragem no modelo em curso e deu lugar a um ambiente de partidocracia que retirou a vivência democrática numa instituição que deveria ser exemplar. O modo de escolher as direcções escolares parece ter sido o único fim da constituição dos Conselhos Gerais e foi mais uma derrota para o antigo arco governativo. Quem decidiu, em 2009, eliminar o modelo que existia, teve a oposição de muitas escolas mas a oportunidade criou alinhados de última hora. É hoje consensual para quem avalia o modelo: as direcções escolares devem ser eleitas, num processo devidamente escrutinado, por todos os que exercem funções nas escolas integrados num caderno eleitoral mais alargado a exemplo do que acontecia até 2009. É, portanto, com alguma expectativa que se espera pelas decisões do Governo actual.

 

O Paulo Guinote tem um post importante sobre o assunto, "Liberdade para ensinar a liberdade", com a seguinte passagem:

"(...)Governos sucessivos, dominados por forças políticas tidas por alternativas, nada mudaram numa situação em que a liberdade e autonomia dos professores foram cuidadosamente destruídas, assim como a democracia no funcionamento interno das escolas foi transformada numa vaga memória. Defender a Liberdade para as escolas escolherem a sua forma de organização interna é algo que recupera valores que agora, infelizmente, parecem incómodos da Direita à Esquerda na Educação. Seria um bom exemplo para demonstrarem que ainda acreditam no que Abril trouxe ao nosso país, mas tudo o que está em desenvolvimento na área da Educação aponta no sentido inverso. Com a colaboração, nem que seja com simulacros de oposição, de quase todos aqueles que a cada momento se afirmam herdeiros dos valores de Abril.(...)"

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publicado por paulo prudêncio às 18:03 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 22.04.17

 

 

 

O modelo de gestão escolar vigente lançou a partidocracia para dentro das escolas e o descrédito local das instituições não pára de aumentar. O Público noticia outra trapalhada: "Conselhos de escolas irregulares ameaçãm eleiçoes de directores. Nos conselhos gerais das escolas estão representados pais, professores e outros funcionários. Mas há problemas na forma como os encarregados de educação estão a ser designados para vários destes órgãos. O que põe em causa as decisões que são tomadas."

 

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publicado por paulo prudêncio às 10:50 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 07.03.17

 

 

 

Os totalitarismos estabelecem-se através de leis. Desde logo, com as que são impossíveis de cumprir. Com a velocidade legisliva, é natural que os destinatários se interroguem com a vigência. Faz tempo que o direito abandonou a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso". Nesse sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos juízes continuam a ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja, para além das normas deve considerar-se cada caso em si e também a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

 

Importa sublinhar que os totalitarismos não se estabelecem sem a "presença" (nem que seja por alheamento) da maioria das pessoas. As sociedades vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem. Desde logo, e como foi dito, pela construção de leis impossíveis de cumprir, mas também por práticas anti-democráticas. Podemos pegar em muitos exemplos. São casos de "impossibilidade" que criaram um estado de sítio legislativo. Em muitos casos, só o fingimento permite o "cumprimento" legal.

 

Para a partilha no facebook acrescentei:

 

Estranhei o conteúdo inocente na SIC (nem sabia e recorri à box). Um juiz tão naïf? E esta mediatização agora? Este nonsense? Acabei de ler a entrevista ao Expresso (dada antes da outra) e percebi muito mais. "Querem afastar-me de tudo; estou cercado; sou escutado; tenho manuais de espiões à porta; decidi falar; são alocados tostões à justiça e milhões à recuperação bancária". Sim; o Juiz Carlos Alexandre pode ser acusado de estar aos papéis em alguns processos, e daí a mediatização, mas a sua narrativa é tão interessante. Sei lá: aconselho a obra maior de Laurence Sterne (e da literatura), "A vida e opiniões de Tristram Shandy". Nota: quando, e durante meses, ou anos, a fio, ligamos a determinados amigos (mais ainda se forem bloggers) e as chamadas são ruidosas e difíceis, e não raramente vão parar ao voice mail, significa que estamos a ser escutados? E anda uma pessoa a trocar de telefone e a dizer mal do hardware:)

Usei parte deste texto noutro post.

1ª edição em 16 de Setembro de 2016.

 

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publicado por paulo prudêncio às 21:47 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 05.03.17

 

 

 

"A formação da personalidade apoia-se na sua negação", é uma intemporal verdade educativa. Por mais que os destinatários reajam (e é bom que o façam), o "não" tem tanto de desejado, de necessário e de útil como de inconfessado pelos educandos.

Outra verdade prende-se com a necessidade do "não" escolar aos encarregados de educação (não organizacional e curricular, obviamente) e que a lógica do "cliente tem sempre razão" tem eliminado. É evidente que haverá encarregados de educação mais "tudólogos" ou necessitados da sensatez do não escolar, que confundem o "outro" com o "igual" na educação das crianças e jovens e que desvalorizam a importância destas questões para a saúde da democracia como sublinharam Hannah Arendt e muitos outros. A gravidade acentua-se se a desinformação atinge autoridades escolares.

 

2ª edição.

 

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publicado por paulo prudêncio às 16:52 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 01.03.17

 

 

 

São moderados, sensatos e razoáveis os que advogam a escola completa, total, integral ou inclusiva. É algo inesperado, mas certamente propulsionado por atavismos, considerá-los como não defensores dos saberes estruturantes da matemática e das línguas maternas. Esta surpreendente discussão regressou com o radicalismo de Crato, embora também insinuado por antecessores, que desequilibrou a escola desfavorecendo as artes e as humanidades. Desde logo se percebeu que, os do seu legado, insistiriam, tacticamente, na argumentação "parada no tempo" para dividir.

A construção curricular não é uma criação divina. É uma obra humana e evolutiva. Alargou saberes, caminhou com equilíbrio e desaconselhou extremismos. Aliás, o "prefácio do perfil dos alunos para o Século XXI" tem uma passagem, que podia ser do século XX, que me parece consensual.

"(...)Daí a preocupação de definir um perfil que todos possam partilhar(...)Havendo desigualdades e sendo a sociedade humana imperfeita, não se adota uma fórmula única, mas favorece-se a complementaridade e o enriquecimento mútuo entre os cidadãos.(...)As humanidades hoje têm de ligar educação, cultura e ciência, saber e saber fazer. O processo da criação e da inovação tem de ser visto relativamente ao poeta, ao artista, ao artesão, ao cientista, ao desportista, ao técnico – em suma à pessoa concreta que todos somos.(...)"

 

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Les Demoiselles d’Avignon (1907), de Pablo Picasso 

representa o rompimento com a estética clássica 

e a revolução da arte no início do século XX.



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Quarta-feira, 22.02.17

 

 

 

 

"92% dos professores defendem menos poderes para os directores e a mudança do modelo de gestão das escolas", é uma das conclusões de um inquérito que envolveu 25 mil professores.

Contra a avaliação do Ministério da Educação, e contra quase todos, Lurdes Rodrigues impôs a mudança do modelo de gestão da escolas (querem ver que, também aqui, declarará o seu arrependimento) com a ideia confessada de anestesiar os professores na "guerra" que lhes moveu e de fazer das escolas um "balcão de atendimento" do ministério. Foi apoiada pelo arco governativo de então uns "momentos" antes da entrada da troika. Era já uma associação de tragédias.

Há quem se interrogue sobre o que realmente se passa. O factor fundamental para a rejeição estará, na minha modesta opinião, na seguinte conclusão: "Abuso do poder e medo: 71% dos inquiridos consideram que o sistema aumentou as situações de abuso do poder, o clima de insegurança e de medo e o alheamento em relação aos assuntos da vida escolar". O modelo em curso possibilitou que sentimentos menores de favorecimento tomassem conta do processo de decisão e se afirmassem atitudes de assédio moral à volta da distribuição de serviço, da ocupação de cargos e da avaliação do desempenho. Geraram exaustão e medo; isto é, burnout. É mesmo impressionante e motivo de vergonha, mais ainda porque falamos de professores e de escolas. E depois, há tudo o resto que se pode ler numa notícia com um rol de conclusões muito desfavoráveis e que pode servir de aviso para o seguinte: o avanço da municipalização, e da gestão flexível do currículo, acentuará o clima muito negativo sem a alteraração do modelo de gestão.

 

Inquérito promovido pela Fenprof.

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 Vila Nova de Cerveira. Julho de 2016.



publicado por paulo prudêncio às 15:26 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 17.02.17

 

 

 

OCDE conclui com base em indicadores financeiros. Um Governo que não pode viver para lá do défice, receia modificar numa área "sem" receitas como a Educação. Depois de anos a fio de cortes, a OCDE olhará para os orçamentos da Educação desde 2005 (construídos na escola do Goldman Sachs com números que diferem de instituição para instituição: OCDE-Eurostat, INE, Pordata/DGO e ME) e receitará pelo "seguro". A recomendação da manutenção dos agrupamentos de escolas obedece a estes receios e "não reconhece" o aumento de despesa em algumas rubricas nem as variáveis com visibilidade a médio e longo prazos. Até as variáveis de "tolerância" (nomeadamente a partilha de professores e de outros profissionais) seriam tratadas, com vantagens, num modelo de proximidade como o que já existiu antes da empreitada do Governo de Durão BarrosoComo alguém disse, é bom que não "se confunda a árvore com a floresta" porque disso já tivemos que chegue.

 

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