Em busca do pensamento livre.

Domingo, 29.05.16

 

 

 

Há umas duas décadas alastrou-se aos serviços públicos a primazia da ideia de negócio. A gestão foi o primeiro objectivo. A alegação repetida com critério: eliminação do corporativismo e do despesismo.

 

A agenda mediática introduziu impedimentos para o exercício dos cargos: médicos a gerir hospitais, juízes a gerir tribunais, professores a gerir escolas, bancários a gerir bancos, engenheiros a gerir a EDP, a PT ou obras públicas e por aí fora. Quem seriam, então, os gestores? Saltitantes especializados em tudologia e boas relações com a partidocracia. Sabiam de offshores e swap´s e tinham treino de casino. Os resultados falam por si.

 

 

PS: para os DDT´s, os colégios "privados" são a gota que os assusta e que descartam se der muito nas vistas. O que os preocupa são as descomunais EDP, segurança social, saúde e banca.

 

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Terça-feira, 17.05.16

 

 

 

Compreende-se a necessidade de alterar o modelo de gestão para compensar o aprofundamento da municipalização escolar e contrariar as componentes mais críticas dos mega-agrupamentos: gestão de proximidade e autonomia das escolas.

 

O Governo pretende aprofundar a municipalização escolar, descentralizando competências nos domínios da gestão do território, das instalações escolares, e dos demais recursos, e na gestão dos profissionais. Se é aceitável uma agência municipal que alargue aos concelhos as partilhas administrativas em curso nos agrupamentos, é natural a apreensão dos que olham para os municípios como escolas da pior partidocracia. É, portanto, compreensível que os equilíbrios na maioria que governa imponham o regresso a um modelo de gestão escolar que garanta a autonomia das escolas em relação aos municípios e que lhes confira, simultaneamente, um grau mais elevado de poderes desconcentrados do ministério da Educação. É um exercício difícil, mas também nunca se leu que a democracia não dá trabalho.

 

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Sexta-feira, 22.04.16

 

 

 

Autonomia será outros resolverem a bagunça que a escola cria?

 

Que vergonha.



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Terça-feira, 12.04.16

 

 

 

Por que será que mais de 90% dos professores são contra a municipalização? Os inquéritos realizados nos últimos anos por sindicatos ou blogues (penso que também por OCS), e até através das redes sociais, apresentam números que dão que pensar num país de comprovado mau centralismo.

 

Em 2002, o arquitecto Nuno Teotónio Pereira encontrou em Portugal 38 quadros (em 2016 devem ultrapassar os 50) de divisão administrativa quando o que seria moderno e razoável era que tivéssemos um. No meio de regiões, províncias, distritos e por aí fora, são os municípios o quadro mais perceptível e mesmo assim a lógica clientelar dos aparelhos partidários, e do caciquismo, criou um clima de "enraizada" desconfiança; raízes geram raízes.

 

É, portanto, "impensado" inventar mais um quadro orgânico com 308 agências municipais escolares descentralizadas (sim, 308 porque nós somos uns 400 milhões; essa coisa dos 10 milhões e da quebra de natalidade é só para impressionar o pessoal dos fundos) depois de se terem assinado centenas de contratos de autonomia com estruturas escolares desconcentradas, que, por sua vez, têm, na maioria dos casos, configurações inenarráveis que desesperam por uma implosão. É confuso, sei disso, mas é mesmo assim. É como na imagem. As trapalhadas, neste país, são ininteligíveis e os professores estão informados até com os exemplos do modelo de gestão escolar em curso. Não há alternativas? Claro que há e têm sido apresentadas como se observa numa consulta às tags do blogue.

 

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Quarta-feira, 06.04.16

 

 

 

Na Suíça referendou-se a proibição dos imigrantes usarem o corta-unhas na sala de estar (a sério que sim; mas não fui ver como controlaram a proibição), mas, ao que saiba, nunca referendaram as lavandarias de dinheiro que por lá funcionam nem o uso e abuso dos offshores por parte da totalidade dos seus bancos.

 

O exemplo "a-estratosfera-afinal-é-acessível" é ubíquo.

 

Por cá, e no sistema escolar, li, perplexo, duas decisões:

 

O Governo quer que os jovens do secundário e do terceiro ciclo decidam sobre uma verba dos depauperados orçamentos escolares. A ideia de orçamento participativo (que existe nas crises graves das democracias representativas e que não se justifica nas democracias directas ou é redundante nos sistemas com muitos referendos como na Suíça) aplicada desta forma ou é consequente na recuperação da democracia nas escolas ou será considerada uma decisão de juvenis inexperientes ou estratosféricos.

 

A intenção de aplicar um regime especial de aposentação para os professores foi apoiada pelas mais diversas instituições, desde sindicatos a partidos políticos e passando por comissões especializadas da Assembleia da República. Houve um natural consenso. A proposta foi considerada sensata e justa. Só existiu uma voz contra. Tratou-se de uma organização de professores, o Conselho de Escolas, criada no mandato de Lurdes Rodrigues e composta por dirigentes escolares em exercício. Argumentaram com a desigualdade em relação a outros funcionários públicos. É, no mínimo, estranho.

 

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Bem sei que é sempre necessário um olhar pragmático e que o sistema escolar está cansado das receitas vindas de fora. Mas não é avisado afirmar que estamos no fim da história. Luís Borges, um neuropediatra, toma posição sobre a escola-indústria (embora remeta o cerne da questão para os insuportáveis cadernos de encargos da formação de professores e das responsabilidades escolares e inclua ligeiramente a organização das sociedades): "encurtava as aulas, multiplicava os intervalos, mudava as metas curriculares, dava aos professores mais formação na área das neurociências e garantia aos miúdos mais tempo para brincar. Se pudesse, o neuropediatra Luís Borges mudava a escola. E medicava muito menos."



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Terça-feira, 05.04.16

 

 

 

 

A Direcção Regional de Educação de Lisboa convidou-me para falar sobre segurança escolar. Foi em Óbidos, na Casa da Música. Dei uma vista de olhos na papelada e não encontrei o certificado, mas tenho a certeza que foi na primavera de 2004. Quando me telefonaram, lembro-me de lhes ter perguntado: "Sobre segurança? Então?". "Porque a tua escola estava mergulhada em indisciplina e insegurança e hoje isso é mais do que residual". Respondi-lhes: "Ok. Obrigado. Mas o que vou dizer não é, provavelmente, aquilo que vocês querem ouvir" (pressentia o que se viria a passar a seguir no sistema escolar - começou a desenhar-se em 2002 - de perseguição aos professores, embora nunca imaginasse que fosse tão mau como foi).

 

Dei um vista de olhos pelos tópicos que utilizei e faço uma síntese com a ideia de apresentar alternativas à escola-industria e focado na boreout:

 

  • participação empenhada em diversos programas que envolveram a segurança na zona envolvente, nomeadamente com os projectos escola segura e Malhoa;
  • dados todos tratados em sistemas de informação construídos na escola;
  • construção e desenvolvimento de um núcleo de comunicação social que produz o website escolar, o jornal escolar e uma página na edição impressa do jornal local com mais audiência;
  • eliminação, mas eliminação mesmo, da má burocracia (vulgo papelada) e construção de horários escolares adaptados, mas adaptados mesmo, ao projecto educativo e aos transportes escolares dos alunos;
  • trabalho persistente e muito bem preparado ao nível da rede escolar, com a preocupação de reduzir o número de alunos por turma e de encontrar outras soluções de escolaridade para os alunos com um percurso a indiciar abandono escolar;
  • ausência de campainhas; 
  • intervalos durante as aulas de 90 minutos adequados à conveniência pedagógica e didáctica da responsabilidade de cada professor;
  • celebração diária dos aniversários de todos (o nosso quadro de mérito);
  • vasos com plantas todos os dias e não apenas nos dias das visitas institucionais;
  • papel higiénico, saboneteiras e secadores de mãos em todas as casas de banho;
  • regras simples, transparentes e exequíveis para os casos de indisciplina (começou com uma expulsão (embora a rede social não tivesse sido descurada), seguiram-se várias suspensões (em regime sumaríssimo e sempre em articulação com a associação de pais e com os encarregados de educação em causa) com leitura do texto da sanção em todas as salas de aula e em tempo útil, e nos últimos três anos nada disso aconteceu);
  • e, finalmente, o mais importante: a escola não é apenas inclusiva para os alunos (honra-nos muito que a DREL indique a escola para os alunos com necessidade educativas especiais) mas é-o também para os professores e para os funcionários (e isso significa confiança, mas confiança mesmo, e respeito pelas pessoas) como fazem as organizações bem sucedidas (mas só o modo como isso se faz dava para outra conferência). Temos todo o cuidado em proporcionar as melhores condições para a realização das aulas e nesta escola só resolve os problemas sozinho quem quer.

(1ª edição em 10 de Maio de 2010)

 

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Segunda-feira, 04.04.16

 

 

 

Quem se dedica aos horários escolares tem muitas variáveis a considerar. As pedagógicas ocupam um lugar cimeiro, que vai da articulação com os transportes escolares ao tempo dos recreios, passando, naturalmente, pelas melhores condições de realização de cada uma das aulas. O aumento da escala, com os mega-agrupamentos associados ao modelo de gestão em curso, dificulta a construção de horários que não obedeçam a uma homogeneização nas diversas escolas agrupadas. Como a tipologia das escolas inscreve alunos com necessidades horárias muito diferentes, a homogeneização impede a diferenciação horária como variável fundamental para reduzir os efeitos da escola-indústria.



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Sábado, 12.03.16

 

 

 

A notícia do Expresso sublinha que a Finlândia é "um país sem exames nem inspecção, em que as mudanças só acontecem de 10 em 10 anos, em que todos participam na discussão e em que a expressão-chave é a confiança nos professores". Nem por acaso, um dos editores do blogue "ComRegras" (muito dinâmico nestes primeiros 15 meses), o Alexandre Henriques, informa que o seu trabalho de investigação sobre a indisciplina escolar atingiu o momento mais mediático da história do blogue.

 

E é isto.

 

Por cá é a indisciplina escolar, a desconfiança enraizada, a inabilidade na educação, a sociedade ausente, a escola a tempo inteiro, a discussão à volta de mais ou menos prova para "disciplinar" crianças, as "aulas inovadoras" como quem inventou a roda e a "apatia" na participação democrática. O que levamos de milénio (onde até ministros se acharam providenciais e plenipotenciários) instituiu o modismo taylorista, exportado pelos EUA para o Japão no inicio do século passado: um pensa e muitos executam; por cá acrescentaram-se os programas informáticos (software) de empresas comerciais (outsourcing), em "parceria" com programas de avaliação externa anteriores à sociedade da informação e do conhecimentoa dirigir os modelos organizacionais. E depois queremos mais mobilização e menos "saturação, exaustão e fuga" (burnout) dos profissionais.

 

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Sábado, 05.03.16

 

 

 

 

José Gil (2005:44) escreveu assim: “(...)Em contrapartida, somos um país de burocratas em que o juridismo impera, em certas zonas da administração, de maneira obsessiva. Como se, para compensar a não-acção, se devesse registar a mínima palavra ou discurso em actas, relatórios, notas, pareceres – ao mesmo tempo que não se toma, em teoria, a mais ínfima decisão, sem a remeter para a alínea x do artigo y do decreto-lei nº tal do dia tal de tal mês do ano tal.(...)”


E mais à frente, Gil (2005:57), sublinha: “(...)duplo regime que vigora em serviços de toda a ordem. Ora se tenta inscrever freneticamente tudo, absolutamente tudo em actas, para que nada se perca, ora reina a maior negligência nos arquivos que ninguém consulta nem consultará (espera-se).(...)”

 



Gil, J. (2005). Portugal, hoje. O medo de existir.
Lisboa: Relógio D´Água

 

(É um livro de 2005 e confirmamos com muita

frequência a caracterização do duplo regime. Mas quem diria

que este retrato nos levaria a mais uma bancarrota

e que explicaria o perfil da malta do subprime, do BPN,

do BCP, do BPP, do BES, do Banif e do que mais virá.)

 

 

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Quarta-feira, 02.03.16

 

 

 

"A formação da personalidade apoia-se na sua negação", é uma intemporal verdade educativa. Por mais que os destinatários reajam (e é bom que o façam), o "não" tem tanto de desejado, de necessário e de útil como de inconfessado pelos educandos.

 

Outra verdade prende-se com a necessidade do "não" escolar aos encarregados de educação (não organizacional e curricular, obviamente) e que a lógica do "cliente tem sempre razão" tem eliminado. É evidente que haverá encarregados de educação mais "tudólogos" ou necessitados da sensatez do não escolar, que confundem o "outro" com o "igual" na educação das crianças e jovens e que desvalorizam a importância destas questões para a saúde da democracia como sublinharam Hannah Arendt e muitos outros. A gravidade acentua-se se a desinformação atinge autoridades escolares.

 

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Segunda-feira, 29.02.16

 

 

 

 

Decidir sobre a gestão financeira, escolher as soluções informáticas para a gestão da informação e decidir, com conhecimentos de proximidade, sobre a distribuição de serviço dos profissionais e da constituição das turmas são as mais elementares variáveis que distinguem a autonomia escolar no sistema português. Se com o modelo de gestão vigente esses avanços foram seriamente comprometidos, com os mega-agrupamentos o retrocesso acentuou-se. As escolas-sede "decidem" e as periféricas ficam entregues, ou "abandonadas", a uma espécie de "responsabilidade pelas componentes críticas"; e sem plano estratégico próprio, programa próprio e órgãos próprios. O modelo em curso deixa as escolas no modo definido pelo desenho.

 

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Sexta-feira, 26.02.16

 

 

 

 

"O homem perdeu, no pensamento político europeu dominante, a posição de centralidade no organismo social e foi remetido para o exterior, passando a fazer parte do meio ambiente do sistema. Tornou-se uma causa para o aparecimento de problemas constantes e de complexidades crescentes."


A lógica defendida por Niklas Luhman tem de ser encarada pelas democracias europeias e pelas suas organizações. Os sistemas de informação, e o capitalismo de génese taylorista, que se foram construindo podem estar numa fase de saturação por entropia informacional.

As redes têm uma exigência: a eliminação da centralidade. Se associarmos a sua impressionante ubiquidade aos modelos organizacionais vigentes, também no sistema escolar português (hiperburocracia e burnout são consequências da entropia associada ao taylorismo), temos razões para duvidarmos do "fim da história" e, pelo contrário, todos os motivos para afirmarmos que a história, e até a actualidade, não deve estranhar a regressão política e social e o consequente empobrecimento. Os sistemas assentes na confiança são mais exigentes, geram mais responsabilidade e, por estranho que hoje possa parecer, só se constroem com pessoas; dá ideia que passa por aqui alguma janela para o pós-capitalismo "num tempo de supressão do futuro e de absolutização do presente" (Daniel Innerarity em "O futuro e os seus inimigos"). E há outro argumento determinante: não "incomodam" a natural supremacia do hedonismo.

 

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Domingo, 07.02.16

 

 

 

Sua Excelência estava impendida para moderar um debate à volta dos amontoados de escolas: coisa descomunal, já se vê, mas em plena propagação num país sem falência anunciada.

O plenipotenciário do poder central disse: "todos os meus colegas, pelo menos os que são sérios, desvelados e versados na realidade, estão de acordo com a espécie de montão."

O plenipotenciário do poder local disse: "todos os meus colegas, pelo menos os que são sérios, desvelados e versados na realidade, estão em desacordo com a espécie de montão."

Sua Excelência ostentou a inferência: "disse."
 
 
 
 
(1ª edição em 12 de Abril de 2008)

 

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Segunda-feira, 01.02.16

 

 

 

 

Em 2005, o PS neoliberal iniciou a confessada guerra aos professores da escola pública. Encontrou uma inesperada resistência e foi perdendo batalhas. Em 2009, já em desespero e contra aquilo que ridiculamente considerava uma coutada comunista, destruiu um modelo de gestão que ia na primeira década de vigência, e de maturidade, e avaliado com nota muito positiva pelo próprio MEC. Lurdes Rodrigues criou a cadeia militar (assim classificada pela própria) com o controle vertical de directores escolares que ficaram também dependentes do pior da partidocracia local e de um método de selecção que exige júris qualificados e não imaturos. A PàF manteve, obviamente, o núcleo do processo e aguardam-se as ideias do "novo" PS onde coabitam Lurditas D´Oiro com públicos opositores ao devaneio (Santos Silva, por exemplo, que foi Ministro da Educação).

 

O blogue ComRegras publica os resultados de uma sondagem "concorda com o método de eleição do Diretor do Agrupamento/Escola?". O método actual é rejeitado pela maioria dos inquiridos. Obtém a última posição como se observa na imagem. Tem aqui a ligação ao post com uma análise do Paulo Guinote.

 

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Sexta-feira, 29.01.16

 

 

 

Na génese da accountability está uma "nova" gestão dos serviços públicos que tem como alicerce o controlo dos sujeitos, que nada tem de novidade e que muito nos diz sobre a actualidade.

 

"O que havia de tão novo nestes projectos de docilidade que interessava tanto o século XVIII? Havia a escala do controlo: era uma questão não de tratar o corpo, num grupo, "por atacado", como se se tratasse de uma unidade indissociável, mas de trabalhá-lo "a retalho", individualmente, de sobre ele exercer uma coerção subtil, de obter domínio sobre ele ao nível do próprio mecanismo - movimentos, gestos, atitudes, rapidez: um poder infinitesimal sobre o corpo activo. Depois havia o objecto do controlo: não eram ou não mais eram os elementos significadores do comportamento ou a linguagem do corpo, mas a economia, a eficiência de movimentos, a sua organização interna; a única cerimónia verdadeiramente importante é a do exercício. Por último, há a modalidade: implica uma coerção ininterrupta e constante, a supervisão do processo da actividade e não tanto o seu resultado, e é exercida de acordo com uma codificação que reparta, tão proximamente quanto possível, tempo, espaço, movimento. Estes métodos, que tornaram possível o controlo meticuloso do corpo, que asseguraram a sujeição constante das suas forças e lhes impuseram uma relação de docilidade-utilidade, poderão ser chamados de "disciplinas".(...)"


Jardine (2007:57),
Foucault e Educação.

 

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Terça-feira, 26.01.16

 

 

 

 

Os totalitarismos estabelecem-se através das leis. Desde logo, com a produção de leis impossíveis de cumprir (ou de evidente má qualidade). Mas com a velocidade com que se legisla, é natural que os destinatários do direito se interroguem com a vigência. Faz tempo que o direito abandonou a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso". Nesse sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos juízes continuam a ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja, para além das normas deve considerar-se cada caso em si e também a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

 

Lançados alguns argumentos, importa sublinhar que os totalitarismos não se estabelecem sem a "vontade" da maioria das pessoas. As sociedades vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem. Desde logo, e como foi dito, pela construção de leis impossíveis de cumprir, mas também por práticas anti-democráticas ou corruptas.

 

No caso do sistema escolar, podemos pegar em muitos exemplos. São casos de "impossibilidade" que criaram um estado de sítio legislativo. Em muitos casos, só o fingimento permite o "cumprimento" legal. Não podemos acusar de premeditação totalitarista os seus inventores, mas temos de dizer-lhes que não nos temos cansado de avisar.

 

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Sábado, 09.01.16

 

 

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A participação neste Conselho Geral resultou em duas respostas que intituei como "Do inverno menos rigoroso" e que pode também ler de seguida.

 

Ponto um: Como reanimar as salas de professores.

 

Vivemos o inverno menos rigoroso de que há memória e os professores agradecem. Apesar dos tempos serem de memória curta, assisti, exactamente no rigoroso inverno passado, a uma radiografia impensável para o que levamos de democracia: vários professores, com idades entre os 45 e os 55, a leccionarem com fortes sintomas gripais porque os atestados médicos implicam a perda de dias de vencimento. Este estado chocante tem motivos óbvios e a comprovada desesperança geral tem causas evidentes: uma redução de mais de 50 mil professores numa década deixa marcas profundas e ponto final. Só por desconhecimento se pode argumentar que nada há a fazer ou que as pessoas estão cansadas de mudanças. Há uma série de variáveis que têm soluções que são mais do domínio ideológico do que da métrica contabilística.

Façamos um resumo.

Há uma legião de professores contratados sujeita a um processo de desprezo profissional: os concursos são, a léguas, os mais incivilizados da Europa e a vinculação mais uma história kafkiana.

Os professores do quadro demonstram uma espantosa resistência associada ao faz de conta. Mas as imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com uma avaliação do desempenho assente no absurdo dos pontos e das cotas e sem qualquer sinal de progressão salarial, divisões injustas na carreira que foram vencidas mas que deixaram marcas, mais turmas e com mais alunos, inutilidades informacionais e horárias como serviço não lectivo, hiperburocracia em regime bacteriano, desorientação didáctica e curricular e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" e que transportou o pior da partidocracia local para dentro das escolas numa clara afirmação de desconfiança nos professores. Aliás, a confiança é até a palavra-chave. A palavra de um professor vale menos do que um qualquer relatório, mesmo que seja no formato "copiar e colar".

É natural que o sentimento de "fuga" se afirme como primeira prioridade. E sublinhemos: o corpo docente está com uma média etária muito elevada para o que é aceitável numa profissão tão exigente.

Para além do que foi dito, importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página, e com a cumplicidade do poder político, a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".

É consequente, portanto, que se leiam apelos a um programa decente de reformas em regime especial como meio de reanimação das salas de professores. Mas não bastará se o quadro conhecido não for alterado. Será uma substituição de desesperançados por "proletarizados" em estado de revolta contida.

 

 

Ponto dois: Ensino profissionalizante ou vocacional no Ensino Básico.

 

Em regra, este tipo de percurso escolar muda de designação quando muda o governo. A novidade do último Governo foi a tentativa de iniciar estes programas de combate desesperado ao insucesso escolar ainda mais cedo e em turmas com quase o dobro dos alunos. 

A generalidade destas turmas vocacionais são antecâmaras de delinquência juvenil ou parques de estacionamento de potenciais desempregados. Desta vez agravou-se com a referida sobrelotação além da troika. Este fatalismo é uma prova da sociedade ausente que deixa tudo à escola transbordante. Não actua quando o insucesso se projecta nos primeiros anos de escolaridade e desorienta-se se a tragédia chega à adolescência e tem o sistema prisional como destino. 

O flagelo do insucesso escolar só terá uma descida consistente quando for encarado como uma tarefa prioritária de toda a sociedade e podendo, por exemplo, adquirir uma responsabilização objectiva ao nível concelhio.



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Quinta-feira, 07.01.16

 

 

Numa sociedade saudável, a gestão administrativa das faltas escolares tem a justificação como ponto de partida. Ou seja, os sistemas de informação são programados para que o lançamento inicial seja como falta justificada.

 

Nas sociedades ausentes ou doentes, o ponto de partida administrativo da falta escolar é a injustificação. Ou seja, a desconfiança prevalece e este pequeno detalhe provoca uma sucessão de procedimentos para justificar a maioria das faltas; que são justificadas. É até um bom exemplo, mesmo que risível para quem não lida com tanto absurdo, para explicar o inferno burocrático que caracteriza estas segundas sociedades que registam um queixume constante em relação ao excesso de burocracia e um permanente passar de culpas entre actores viciados em desconfiança; uma espécie de espelho.

 

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Quarta-feira, 30.12.15

 

 

 

 

Não me surpreendo quando se aponta o outsourcing (que é predominante nas tecnologias da informação) como a decisão que mais desvantagens associou ao mundo organizacional na modernidade e que contribuiu para a queda da industria florescente nesse período recente da história: a financeira.

 

A opção pela fonte exterior foi, desde logo, uma auto-certificação de incapacidade.

 

Ter a liberdade de agir sobre os sistemas de informação é um valor precioso para uma instituição. Se antes da sociedade da informação e do conhecimento o poder nas instituições estava na mão de quem decidia sobre o financeiro, com esse advento a capacidade de decisão ficou nas mãos dos dois domínios: financeiro e informação.

 

O outsourcing satisfez o novo grupo de stakeholders: os accionistas. O bem-estar destes investidores resumiu-se aos lucros que subiam sempre que havia uma redução de profissionais. Essa decapitação cerebral levou a que a decisão sobre os detalhes da informação a obter passasse para fora. E por mais partilhado que fosse o período de análise dos sistemas, os decisores do exterior podiam sempre responder: "é uma boa ideia, realmente, mas impossível de concretizar".

 

A dependência externa na definição da informação a obter revelou-se fatal e generalizou-se. 

 

São poucas as administrações com condições para definirem os campos da informação e o assunto tem toda a relação com o recente Citius, com os "cíclicos" concursos de professores e com o inferno hiperburocrático no ambiente escolar.

 

 

 

Já usei parte desta 

argumentação noutros textos.



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Quarta-feira, 09.12.15

 

 

 

Foi na viragem do milénio que a "massa crítica" do MEC traçou a meta: um mega-agrupamento por concelho. Se olharmos para a imagem, será a rotunda-mor e com complexidade semelhante. Só o descrédito do já experimentado é que vai adiando a "inevitabilidade". Os poucos professores com terreno que defenderam o ajuntamento progressivo, mesmo que sem argumentação que se visse ao nível do "impensado" modelo, eclipsaram.

 

A massa crítica docente não fez o que devia para evitar o comprovado falhanço e os privados-encostados-ao-estado prepararam novas ofensivas. A última designou-se municipalização. Não é avisado continuar com os instrumentos legais em vigor, uma vez que a gestão de proximidade é um factor inalienável da gestão escolar e o argumento mais sensato para a melhor gestão de recursos. Se nada de substantivo acontecer, reforçar-se-á o pior da política partidária local que vai inclinando, no sentido descendente, a rede escolar.

 

Estão em causa algumas variáveis: a desconcentração do MEC e a sua lei orgânica, a descentralização, ou não, do sistema escolar e o modelo de gestão escolar que foi "pensado" para uma escola não agrupada e que é desconcentrado (com forte dependência do poder central) e não descentralizado. As redes escolares, e as análises e diagnósticos, vão dando sinais de que o percurso errático cria o hábito.

 

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Segunda-feira, 07.12.15

 

 

"As aplicações informáticas obtêm os dados dos alunos e não disponibilizam qualquer relatório com um resumo das classificações por turma, disciplina ou ano de escolaridade e podia dar inúmeros exemplos destes. Temos de ir às pautas e contar as classificações".


É mesmo assim. Por incrível que possa parecer, esta conclusão é real em 2015 e dá ideia que estará na mesma em 2025 e em 2035. Em muitos casos, essas aplicações até impedem a exportação de dados para tratamento noutro software. Há empresas privadas estabelecidas neste mercado escolar há quase 20 anos, que estão licenciadas desde 2007 pela Missão para os Sistemas de Informação (o MISI do MEC), e que vivem num estado anterior a 1990 quando o data mining (um "palavrão" que significa relatórios, mineração, de dados) era uma exigência e quando já nem sequer se imaginava comercializar bases de dados sem construção de históricos e sem relação de variáveis. Impressiona o somatório de desconhecimentos nesta área, as empresas acham-se proprietárias dos dados e a selva em que vivem provoca uma parte essencial do conhecido inferno de repetições e inutilidades.

 

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Quinta-feira, 03.12.15

 

 

 

Conselho Geral / "Começar de Novo", por Paulo Prudêncio

 

 

No âmbito da minha participação no Conselho Geral ComRegras, foi publicado o seguinte texto sobre o tema em agenda - Equipa do novo Ministério da Educação:

 

Foi tal o plano inclinado do sistema escolar na última década, que não existirá área da sua organização que não necessite de uma espécie de “começar de novo”.

Se tomarmos como referência o relatório 2015 do CNE ou o Education at a Glance 2015 da OCDE, saberemos que, em 2012, 2013 e 2014, o insucesso escolar aumentou em todos os anos de escolaridade e que somos o país da OCDE com a maior diferença de qualificações entre gerações.

Há três variáveis que influenciam directamente as componentes críticas referidas e que necessitam de ser eliminadas de forma a acompanharmos o que de mais sensato se faz na Europa: mercado escolar, cliente escolar e neoliberalismo escolar, digamos assim. São três variáveis que atingiram um ponto crítico, que se ligam e que podem ser sumariamente sistematizadas da seguinte forma: rankings como modo único de vida, senso comum como dominador da autoridade escolar e individualismo de escolas dominadas por grupos de interesses alinhados com a partidocracia local.

A propaganda escolar inspirou-se na lógica do “mercado selvagem”. A cooperação dentro das redes escolares, a boa gestão de recursos e a prevalência de um ensino emancipador, ecléctico e que accione o elevador social foram ideias negligenciadas com o avanço do milénio e com uma queda a pique nos últimos quatro anos.

Está ainda identificado, e há muito, o fenómeno da hiperburocratização que é, em grande parte, estimulado por uma avaliação externa que premeia o aumento da obtenção de inutilidades no domínio dos sistemas de informação. É imperativo que esses programas estimulem exactamente o contrário, ou seja, a supressão de procedimentos, a penalização dos lançamentos repetidos e a eliminação das inutilidades.

 

Paulo Prudêncio.



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Sábado, 28.11.15

 

 

 

 

Eliminar a prevalência do mercado escolar, do cliente escolar e do neoliberalismo escolar deve ser uma prioridade para o novo Governo. As três patologias adoeceram o sistema escolar. São enfermidades que vão para além da crise da escola que integra historicamente a sua definição como instituição.

 

Os rankings como modo único de vida, o senso comum como dominador da autoridade escolar e o individualismo das escolas, e dentro destas os grupos de interesses alinhados com a partidocracia local, atingiram um ponto crítico.

 

A propaganda escolar inspirou-se na lógica do "mercado selvagem". A cooperação dentro das redes escolares, a boa gestão de recursos e a prevalência de um ensino emancipador, ecléctico e que accione o elevador social foram ideias secundarizadas com o avanço do milénio e com uma queda a pique nos últimos quatro anos.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 18:17 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sexta-feira, 27.11.15

 

 

 

1ª edição em 10 de Maio de 2012

 

 

 

A relação entre a qualidade das escolas e a ambição escolar dos alunos é directa e proporcional. Embora seja difícil encontrar estudos empíricos concludentes sobre o assunto, uma vez que as variáveis em causa requerem avaliações sistemáticas e modelos consolidados, podemos afirmar, com segurança, que o grupo de alunos é decisivo para os indicadores de qualidade de uma escola ou de um sistema escolar.

 

A ambição escolar parece ser mais determinante do que as condições socioeconómicas, apesar de serem igualmente decisivas. Num país como Portugal que, depois de quarenta anos de democracia, apresenta taxas elevadas de insucesso e abandono escolares, é natural que a desorientação, e a constante alteração de políticas, seja simultaneamente causa e consequência e se transforme numa espécie de autofagia.

 

Há um refúgio justificativo no longo prazo e com razão. Encontramos uma boa explicação se nos compararmos com países que eliminaram o analfabetismo no século XIX e mesmo que essas sociedades tenham registado oscilações nas condições socioeconómicas, a ambição escolar é assumida, intergeracional e constante. Contudo, esse aconchego da consciência não deve ignorar o curto prazo. Em meia dúzia de anos, numa escola ou no sistema escolar, é possível erguer algo de significativo ou destruir o que levou anos a construir.

 

A par da ambição escolar dos alunos, podemos situar a confiança nos professores. Se esse requisito relacional é um metabolismo basal nas sociedades em que se generalizou a ambição escolar, torna-se ainda mais decisivo nas sociedades como a nossa onde se exigem cuidados redobrados e não se pense que há aqui qualquer espécie de corporativismo.

 

A desconfiança nos professores é intuída pelos alunos (mais grave ainda em alunos muito novos e é também por isso que a gestão escolar é muito diferente numa universidade se comparada com um jardim de infância ou com outro ciclo do não superior), desautoriza as salas de aula, prejudica o ensino, afecta todos os alunos e origina a escolha das escolas pelos que têm ambição escolar.

 

A segregação social dificulta a eliminação do abandono escolar. A miscigenação dos diversos níveis de ambição escolar é tão determinante para a qualidade dos sistemas escolares como é em sentido lato para o crescimento da decisiva classe média que fortalece a democracia.

 

Em Portugal regrediu-se acentuadamente na confiança nos professores nos últimos seis a sete anos. Foi um choque de desconfiança. Se a avaliação de professores e o estatuto do aluno estão na memória colectiva e com efeitos que ninguém se atreverá a refutar, o modelo de gestão escolar segue o mesmo caminho apesar de menos mediatizado.

 

 

 



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Quinta-feira, 26.11.15

 

 

 

"A formação da personalidade apoia-se na sua negação", é uma antiga verdade educativa fundamental para quem ensina ou educa crianças e jovens. Por mais que os educandos reajam (e é bom que o façam), o "não" tem tanto de desejado, de necessário e de útil como de inconfessado pelo destinatário.

 

Outra verdade neste domínio prende-se com a necessidade do "não" escolar aos encarregados de educação (não organizacional e curricular, obviamente), que é da mesma família do anterior, e que a lógica desastrosa do "cliente tem sempre razão" tem eliminado. É evidente que haverá encarregados de educação mais "tudólogos" ou carentes da sensatez do não escolar, que confundem o "outro" com o "igual" na educação das crianças e jovens e que desvalorizam a importância destas questões para a saúde da democracia como sublinharam Hannah Arendt e muitos outros. E a gravidade acentua-se se a desinformação atinge autoridades escolares.

 

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 16:24 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 18.11.15

 

 

 

 

Na génese da propalada accountability está uma "nova" gestão dos serviços públicos que tem como alicerce o controlo dos sujeitos, que nada tem de novidade e que tudo nos diz sobre os caminhos silenciosos do totalitarismo.


"O que havia de tão novo nestes projectos de docilidade que interessava tanto o século XVIII? Havia a escala do controlo: era uma questão não de tratar o corpo, num grupo, "por atacado", como se se tratasse de uma unidade indissociável, mas de trabalhá-lo "a retalho", individualmente, de sobre ele exercer uma coerção subtil, de obter domínio sobre ele ao nível do próprio mecanismo - movimentos, gestos, atitudes, rapidez: um poder infinitesimal sobre o corpo activo. Depois havia o objecto do controlo: não eram ou não mais eram os elementos significadores do comportamento ou a linguagem do corpo, mas a economia, a eficiência de movimentos, a sua organização interna; a única cerimónia verdadeiramente importante é a do exercício. Por último, há a modalidade: implica uma coerção ininterrupta e constante, a supervisão do processo da actividade e não tanto o seu resultado, e é exercida de acordo com uma codificação que reparta, tão proximamente quanto possível, tempo, espaço, movimento. Estes métodos, que tornaram possível o controlo meticuloso do corpo, que asseguraram a sujeição constante das suas forças e lhes impuseram uma relação de docilidade-utilidade, poderão ser chamados de "disciplinas".(...)"

 

 

Jardine (2007:57),

Foucault e Educação.

 



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Domingo, 08.11.15

 

 

 

O anunciado "fim da mobilidade especial na administração pública" é um momento emocionante para milhares de pessoas. Os tempos são de tal ordem, que nem percebi se é o cinismo de Passos e Portas ou se é já o possível Governo das esquerdas. Por incrível que possa parecer, haverá medo que mudará de lado e regressará alguma decência à vida democrática das organizações.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 12:33 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 04.11.15

 

 

 

 

Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. E os professores do quadro? Demonstram uma espantosa resistência associada ao faz de conta. Mas as imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos além da troika: anos a fio com uma avaliação do desempenho kafkiana, divisões brutalmente injustas na carreira, mais turmas e com mais alunos, inutilidades horárias, hiperburocracia e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" e que transportou o pior da partidocracia local para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme como primeira prioridade. E importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".



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Terça-feira, 03.11.15

 

 

 

Em Portugal legisla-se muito e mal e o sistema escolar evidencia-se por causa da desconfiança nos professores. Não há país do euro que avalie, e pegando num exemplo muito caro aos justiceiros lusitanos, o exercício dos professores com pontos e quotas. Na maioria, nem sequer há avaliação. Existem, numa minoria, inspecções que validam o exercício. Por cá continua em vigor um desmiolo que vive em silêncio porque as carreiras congelaram.

Para além disso, qualquer exercício de sensatez levaria as mãos à cabeça com a incompetência do legislador e com as horas dedicadas à farsa. É um bom exemplo de improdutividade: a bancarrota não é apenas por culpa externa. Ainda há tempos ouvi o ex-presidente do Tribunal de Contas sublinhar a falta de qualidade e o excesso de produção de leis como os factores que mais nos penalizam. Há anos que o discurso se repete, e pela voz das mais variadas figuras, e o que de significativo acontece é o aumento de procedimentos para obter a mesma, e muitas vezes inútil, informação.

 

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Apresentação do Conselho Geral "ComRegras"



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Sábado, 31.10.15

 

 

 

Impressiona o clima de "fuga" de professores e conhecem-se as causas: cortes a eito, desconfiança e degradação do estatuto da carreira. Mas há no universo organizacional muito a fazer, desde logo na opção pela supressão de procedimentos em vez da substituição, manutenção ou aumento. Há procedimentos de obtenção de informação, alguns sem sequer suporte no código de procedimento administrativo, que existem por "negligência" informacional e que não suportam qualquer tomada de decisão. Os momentos de passagem para as "modernas" plataformas digitais, podem ser, por exemplo, oportunidades de supressão.



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Quarta-feira, 28.10.15

 

 

 

 

"Tudo deve partir da sala da aula para aí voltar", Lefévre, L. (1972:51), "O professor observador e actor", Livraria Almedina, é uma asserção com mais de quarenta anos mas que raramente encontra eco nas políticas de gestão escolar. O "desconhecimento" deste simples e lúcido princípio será a causa primeira do vórtice de descontentamento a que assistimos em Portugal. A aula tem que ser, para alunos e professores, a primeira razão do "existir escolar" e ponto final. Os professores leccionam centenas de aulas em cada ano lectivo e milhares durante uma carreira. Nuns dias as aulas decorem melhor do que noutros. A exigente avaliação do desempenho é diária e aula a aula. O que menos se esperava é que administração "impensada" inundasse a profissionalidade dos professores com tarefas inúteis para cumprir calendário e com procedimentos que infernizam a utilização do tempo.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 16:50 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 19.09.15

 

 

 

 

Público informa que "deputados do PSD escolheram a direcção do agrupamento de escolas de Monção". Os jornalistas escolheram uma prática que se banalizou para destaque de primeira página contrariando a ideia de que só "é notícia quando o homem morde o cão". Ou seja, o PS introduziu, em 2009 e com o apoio do "responsável" arco governativo (a bancarrota que se adivinhava foi culpa dos não incluídos no arco de responsabilidade), um novo modelo de gestão e o pior da política partidária local invadiu a vida das escolas. Está tudo mais do que comprovado. O PS começou e a coligação aprofundou. Nesta altura, nem o actual PS, que vê na educação os principais erros de Sócrates, nem sequer as restantes forças políticas concorrentes apresentam qualquer mudança significativa. 

 

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Terça-feira, 01.09.15

 

 

 

Há inúmeros motivos para a descida organizacional do sistema escolar que não correspondem directamente à análise dos resultados dos alunos: são de gestão pura e dura. Estou a pensar, por exemplo, nos três verbos que orientaram a atmosfera organizacional e que a empurraram para a eficiência não produtiva e para o inferno da hiperburocratização: articular, agrupar e cooperar. Estes modismos na linguagem do sistema escolar determinaram o "estar muito tempo juntos" mesmo que sem qualquer visão ou estratégia, falidos de instrumentos modernos de gestão e enquadrados por reuniões sem agenda ou liderança e com uma suposta informação que se repetiu de sessão em sessão. Quando nada mais restou para justificar o deserto da gestão, as três pessoas do plural entraram em acção; embora a terceira, e no futuro do indicativo, fosse a mais requisitada. São três verbos que remeteram a burocracia escolar para o lugar que ninguém deveria desejar: o dos procedimentos inúteis. Quando se ouviram as conclusões dos arautos do tríptico verbal, encontrou-se pouco mais do que a socialização dos professores.

 

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Terça-feira, 11.08.15

 

 

 

 

A localização é taxativa: a acção cívica prejudica-me e sou um alvo a abater pelo poder político local dominante. Há muito que me repetem a condição. São conhecidas as provas e duas eleições acentuaram as certezas de quem conhece os corredores destas decisões.

É natural, portanto, que pense no assunto e que faça um qualquer balanço.

Assim de repente, já disputei, em quase três décadas, duas dezenas de eleições escolares na espécie de Madeira em que habito. Sempre como alguém que faz da acção cívica na defesa da escola pública um exercício de risco. Mas uma defesa com provas dadas, também em nome da ambição organizacional, da inovação e da qualidade e como primeiro numa equipa ou em modelo unipessoal.

Das duas dezenas disputadas (e nem sempre apresentei candidatura), venci, ou vencemos, umas quinze. Das cinco não vencidas, duas foram listas únicas que não obtiveram, por um voto (por incrível que possa parecer a coincidência e com um intervalo de cinco anos), os 50% exigidos pela lei, uma outra registou um empate em votação nominal (o poder da altura nomeou a outra pessoa) e conhecem-se duas derrotas em votação colegial (as únicas em que os representantes partidários, e afins, votaram) precedida de um simulacro de concurso, sempre o mais difícil para alguém com estas características e com a particularidade de uma delas ter registado um empate na primeira volta seguida de uma derrota por um voto (parece uma sina). Essas duas candidaturas foram também em nome dos profissionais da Educação e de defensores da escola pública que não esquecerei.

Para alvo a abater não me parece um currículo desprezível.

Não me acomodo na muito respeitável crítica pela crítica, aguento-me bem ao estatuto determinado e nunca sabemos o que é que o futuro nos reserva. Em 2009, publiquei um texto, "O golpe", como denúncia da promiscuidade no público-privado nos assuntos escolares. Parece que foi demasiado incómodo e que acentuou o tal alvo a abater (expressão que não gosto nem uso, mas que me tem sido repetida por pessoas autorizadas). Cada vez que o releio, vejo-o mais certeiro e isso explicará muita coisa.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 10:10 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 17.07.15

 

 

 

A pincipal notícia da primeira página do I é o que vê na imagem e o Ionline desenvolve o tema: "Grândola. Professora venceu um concurso com projecto plagiado".

 

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Quarta-feira, 15.07.15

 

 

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Pode adquirir aqui a versão digital do livro "Razões de uma candidatura: Em busca de uma ideia de escola de gestão escolar (Portuguese Edition)". A editora é a "Amazon - kindle edition".

 

Pode ler a descrição:

 

A ideia de escola está associada à renovação e ao recomeço. Não existe alternativa. Quem abraça um desafio com estas características deve saber que o exercício de gestão escolar nunca se conclui e que invariavelmente nos remete para o famoso mito de Sísifo. Portanto, impõe-se a difícil depuração entre o que desejamos e o que é possível. Se a democracia se ergue também a partir das escolas e na riqueza da interação dos discursos, das atitudes e dos exemplos, então a ideia de compromisso ocupa um lugar essencial; e, neste caso, a minha afirmação inscreve-se na ideia de fazer o melhor que for capaz. Por isso, e para que a clareza aproxime este projeto de intervenção da sua necessária avaliação, não me proponho a um exercício retórico que se transforme num conjunto abstracto ou perdido no tempo. Este projeto de intervenção será um instrumento organizacional.(...)

A ideia de agrupamento de escolas vigente em Portugal é desconhecida pela literatura dedicada à gestão escolar e há investigadores que se mostram céticos em relação aos resultados. Esta escala organizacional parece dar corpo às inscrições nos dois parágrafos anteriores: transporta um sentimento de crise e é decidida pelos tempos que vivemos. Por outro lado, o pensamento que dita as políticas educativas relaciona-se com o pensamento político e económico. Por isso, a escola deve ser entendida segundo vários pontos de vista e de acordo com os interesses políticos e sociais em vigor.(...)



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 22:12 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 10.07.15

 

 

 

E daqui a uns dois meses o MEC sentenciará: "(...)escolas que não abrem são casos pontuais(...)".

 

É natural alguma falta de pachorra para aturar um MEC que desrespeita, há anos a fio, a cultura organizacional das escolas e que despreza três valores preciosos: organização, conhecimento (que inclui as escolas) e gestão do território.

 

A análise crítica pode partir de variáveis diversas. Escolhi uma e fui buscar um post que teima em se eternizar.

 

 

 (1ª edição em 26 de Março de 2012)

 

 

 

Desde o início do milénio que se tem escrito sobre o fenómeno em curso dos agrupamentos de escolas. Sejamos claros: as escolas do primeiro ciclo e os jardins de infância perderam alguma da parca capacidade de decisão, mas não é muito significativo que passem a vida a mudar de escola sede. A nossa balbúrdia organizativa é tal, que o português é especialista em planear depois do caos consumado nem que seja uma bancarrota.

 

As sedes dos agrupamentos existentes são escolas de várias tipologias, mas raramente estabelecimentos de ensino só com o primeiro ciclo ou pré-escolar ou mesmo com essas duas valências. Nos dois últimos anos, os agrupamentos incluíram mais do que uma escola com 2º e 3º ciclos ou ensino secundário. Parece que tem corrido mal e, portanto, generaliza-se.

 

As agregações ou unidades administrativas incluirão duas ou mais escolas com 2º e 3º ciclos ou ensino secundário, mas o modelo de gestão será o mesmo das escolas não agrupadas. Ou seja, com excepção das escolas sede, as outras funcionarão, em regra, sem direcção, conselho geral, conselho pedagógico, coordenadores de departamento, representantes de grupos disciplinares, coordenadores de directores de turma e serviços administrativos. E mais: não significa que todos esses membros, no caso dos professores, leccionem na escola sede. Será um modelo bem anarca e lusitano e pronto a exportar para solo lunar.

 

Podia fazer-se muito melhor, desde logo ao nível dos conselhos locais de Educação (se existissem ou se os executivos e assembleias municipais soubessem alguma coisa deste assunto), e com melhores resultados financeiros e organizacionais. Mas isso fica para outro dia que o post já vai longo.

 

Mesmo a História mais recente diz-nos que as escolas abrem todas em Setembro e que, nos primeiros dias de aulas, alunos e professores têm horários e salas de aula. Se os professores não desagradarem muito aos alunos, os encarregados de educação encerram as suas preocupações. Os outros cidadãos pensam que estes assuntos são estrangeirados e lá sabem porque é que raciocinam assim. Mesmo que uns e outros desconheçam que cerca de 60% do sucesso dos alunos depende do que se passa fora da escola e que os cerca de 40% restantes ficam à mercê da organização escolar, há um aviso que se deve fazer: o plano inclinado do actual sistema escolar consegue sempre descer mais um grau abaixo de zero.

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 11:20 | link do post | comentar | ver comentários (27) | partilhar

Sexta-feira, 26.06.15

 

 

 

 

O MEC de Crato recorda aquelas pessoas que só evitam decisões incompetentes quando não decidem. Então sempre que há concursos de professores já sabemos que haverá confusão. A última é um "protocolo com um Instituto Chinês sob suspeita noutros países". Mas será possível tanta impreparação? Não haverá uma raiz ideológica a orquestrar o plano inclinado?

 

No legado de Nuno Crato evidencia-se um forte ataque à imagem da escola pública. Se o ministro revelava duas características decisivas, desconhecimento do sistema escolar e associação, por ideologia, às cooperativas de ensino, o tempo comprovou-o. 

 

Crato corporizou duas ideias feitas (a primeira falaciosa): "tudo está mal numa escola pública dominada por sindicatos" e "não se pode confiar em escolas controladas pelo pior da partidocracia local". Mas não foi o poder central que criou o modelo de gestão escolar? E não foram avisados que o pior ainda estava para acontecer? E não estão a promover um tipo de municipalização que acentuará a desgraça?

 

Fica a ideia, para animar a consciência dos optimistas iniciais, que AirCrato acordou tarde para o vírus do experimentalismo.

 

O que resta é penoso. Nunca um ministro da Educação se arrastou no lugar com tanta desconsideração mediática.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 13:12 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar


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