Em busca do pensamento livre.

Quarta-feira, 17.12.14

 

 

 

Na génese da propalada accountability está uma "nova" gestão dos serviços públicos que tem como alicerce o controlo dos sujeitos, que nada tem de novidade e que tudo nos diz sobre os caminhos silenciosos do totalitarismo.

 

"O que havia de tão novo nestes projectos de docilidade que interessava tanto o século XVIII? Havia a escala do controlo: era uma questão não de tratar o corpo, num grupo, "por atacado", como se se tratasse de uma unidade indissociável, mas de trabalhá-lo "a retalho", individualmente, de sobre ele exercer uma coerção subtil, de obter domínio sobre ele ao nível do próprio mecanismo - movimentos, gestos, atitudes, rapidez: um poder infinitesimal sobre o corpo activo. Depois havia o objecto do controlo: não eram ou não mais eram os elementos significadores do comportamento ou a linguagem do corpo, mas a economia, a eficiência de movimentos, a sua organização interna; a única cerimónia verdadeiramente importante é a do exercício. Por último, há a modalidade: implica uma coerção ininterrupta e constante, a supervisão do processo da actividade e não tanto o seu resultado, e é exercida de acordo com uma codificação que reparta, tão proximamente quanto possível, tempo, espaço, movimento. Estes métodos, que tornaram possível o controlo meticuloso do corpo, que asseguraram a sujeição constante das suas forças e lhes impuseram uma relação de docilidade-utilidade, poderão ser chamados de "disciplinas".(...)"

 


Jardine (2007:57), Foucault e Educação.

 

 

 

 



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Sábado, 13.12.14

 

 

 

Da novilíngua em Educação: a "eficiência".

 

 

 



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Sexta-feira, 28.11.14

 

 

 

 

Mesmo numa lógica de conhecimento sumário e introdutório, deve precisar-se que agir sobre a informação é não só atuar sobre os dados obtidos, mas proceder sobre as relações que se estabelecem, “(...) ou seja, sobre os padrões coletivos ou individuais de formatação e através deles sobre a perceção do real e sobre a ação que dela decorre (...)” Rascão (2004, pág. 21).



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Segunda-feira, 24.11.14

 

 

 

 

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A frase de Christopher Hitchens (2009:251), em "Deus não é grande, como a religião envenena tudo", da Dom Quixote, "(...)O princípio essencial do totalitarismo é fazer leis às quais é impossível obedecer (...)" proporciona uma interessante discussão. 

 

Em 25 de Outubro de 2009, aqui, escrevi o seguinte:

 

Mas com a velocidade com que se legisla, e nisso o quase "extinto" ME foi imbatível, e com a consequente falta de qualidade das leis é natural que os destinatários do direito se interroguem com a sua vigência. Faz tempo que o direito tem vindo a abandonar a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso".

Neste sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos juízes continuam as ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja, para além das normas deve considerar-se cada caso em si e também a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

 

Lançados alguns argumentos para o contraditório, importa sublinhar que os totalitarismos não se estabelecem sem a "vontade" da maioria das pessoas. É trágico, mas é assim. Embora a história nos mostre com frequência o aparecimento de um "profeta", também nos explica que as sociedades vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem. Desde logo, e pegando na frase de Christopher Hitchens, pela construção de leis impossíveis de obedecer e por práticas anti-democráticas ou corruptas (para os dois últimos casos, nem são precisos exemplos).

 

No caso vigente do sistema escolar, podemos pegar em inúmeros exemplos. São casos de "impossibilidade" que criaram um estado de sítio legislativo. Só o fingimento permite o "cumprimento" legal. Não podemos acusar de premeditação totalitarista os seus inventores, mas temos de considerar todas as hipóteses e dizer-lhes que não nos temos cansado de avisar.

 

 

(1ª edição em 27 de Janeiro de 2012. Reescrito)

 

 

 

 



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Sábado, 25.10.14

 

 

 

Não me surpreendi quando o orador apontou o outsourcing (que é predominante nas tecnologias da informação e nos respectivos sistemas) como uma das decisões que mais desvantagens associou ao mundo organizacional na modernidade e que contribuiu para a queda da industria florescente nesse período recente da história: a financeira.

 

A opção pela fonte exterior foi, desde logo, uma auto-certificação de incapacidade.

 

Ter a liberdade de agir sobre os seus sistemas de informação é um valor precioso para uma instituição.

 

O outsourcing em sistemas de informação satisfazia o novo grupo de stakeholders das organizações modernas: os accionistas. O bem-estar destes investidores resumia-se aos lucros obtidos que subiam sempre que havia uma redução de profissionais. Essa decapitação cerebral levou a que a decisão sobre os detalhes da informação a obter passasse para fora. E por mais partilhado que fosse o período de análise dos sistemas, os decisores do exterior podiam sempre responder: "é uma boa ideia, realmente, mas é impossível de concretizar".

 

A dependência externa na definição da informação que deve ser obtida na rede para suporte à tomada de decisões revelou-se fatal e generalizou-se. 

 

São poucas as administrações com condições para definirem os campos da informação e dá ideia que o assunto tem toda a relação com o Citius e com os concursos de professores, para além da comprovada, nesses casos, incapacidade política e técnica dos decisores.

 

 

 

Já usei parte desta

argumentação noutros textos.

 

 

 



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Domingo, 12.10.14

 

 

 

 

A queda de Crato afunda mitos e preconceitos: os de ordem ideológica que, sem fundamentos empíricos, "permitiram" afunilamentos curriculares e aumento do número de alunos por turma e os de ordem social e de estatuto profissional. Olhemos para os segundos.

 

Era vigente que só podiam ascender ao MEC pessoas do ensino superior, mesmo que nunca tivessem leccionado no não superior e dirigido com bons resultados uma dessas instituições. Esse preconceito, comprovadamente e sucessivamente arrasador (os Lurditas D´Oiro eram do género e os seus anteriores familiares), foi exponenciado em Crato mesmo antes de tomar posse. Via-se que se ia espalhar, mas tinha a aura do "matemático superior" que até era menos trágica do que o livre de trânsito de um dos seus secretários: o desastroso Casanova parece que só tinha de efectivo o cartão do CDS.

 

Mas não se pense que no não superior não há preconceitos semelhantes para qualquer escala de gestão. Os do secundário acham-se mais sabedores do que os dos ciclos mais abaixo, estes consideram-se mais aptos do que os do 1º ciclo e os últimos estão sempre acima dos do pré-escolar. E ficávamos aqui umas horas a enunciar os preconceitos do não superior.

 

É também isto que explica o estado em que estamos.

 

 

 

 



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Quarta-feira, 08.10.14

 

 

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Os concursos de professores, nas suas variadas formas, têm de obedecer à graduação profissional. Está mais do que provado. A dimensão geográfica da área de concurso não impede esse objectivo. A metodologia e os procedimentos devem ser modernos e civilizados. Se são, aplicam-se a qualquer dimensão geográfica e ponto final.

 

O sistema escolar está em roda livre e abandonar a graduação profissional é perigosíssimo. Somos uma sociedade assim e não adianta escondê-lo. A graduação é de imediato substituída pelo amiguismo-e-por-outras-coisas-do-género, mesmo que se conheçam honrosas excepções.

 

A esse propósito, Luhmann (1989) interroga-nos sobre os motivos que levariam um indivíduo a ser honesto no escuro. Seria porque o deseja ou porque há procedimentos e regras de controlo dos comportamentos? É natural que não se consiga responder univocamente a este problema. Contudo, pode servir para reflectirmos sobre o que estamos a viver nos mais variados concursos e sobre os caminhos que nos trouxeram até aqui.

 

  

Luhmann, N. (1989). La moral social y su reflexión etica.

Barcelona: Antropos

 

 

Post de 14 de Setembro de 2014



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Domingo, 28.09.14

 

 

 

O Governo Regional dos Açores perece conhecedor do inferno burocrático das escolas e, pasme-se, diz que vai tomar medidas para atenuar o flagelo organizacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 20.08.14

 

 

 

1ª edição em 10 de Maio de 2012

 

 

 

A relação entre a qualidade das escolas e a ambição escolar dos alunos é directa e proporcional. Embora seja difícil encontrar estudos empíricos concludentes sobre o assunto, uma vez que as variáveis em causa requerem avaliações sistemáticas e modelos consolidados, podemos afirmar, com segurança, que o grupo de alunos é decisivo para os indicadores de qualidade de uma escola ou de um sistema escolar de um país.

 

A ambição escolar parece ser mais determinante do que as condições socioeconómicas, apesar de serem igualmente decisivas. Num país como Portugal que, depois de quase quarenta anos de democracia, apresenta taxas elevadas de insucesso e abandono escolares, é natural que a desorientação, e a constante alteração de políticas, seja simultaneamente causa e consequência e se transforme numa espécie de autofagia.

 

Há um refúgio justificativo no longo prazo e com razão. Encontramos uma boa explicação se nos compararmos com países que eliminaram o analfabetismo no século XIX e mesmo que essas sociedades tenham registado oscilações nas condições socioeconómicas, a ambição escolar é assumida, intergeracional e constante. Contudo, esse aconchego da consciência não deve ignorar o curto prazo. Em meia dúzia de anos, numa escola ou no sistema escolar, é possível erguer algo de significativo ou destruir o que levou anos a construir.

 

A par da ambição escolar dos alunos, podemos situar a confiança nos professores. Se esse requisito relacional é um metabolismo basal nas sociedades em que se generalizou a ambição escolar, torna-se ainda mais decisivo nas sociedades como a nossa onde se exigem cuidados redobrados e não se pense que há aqui qualquer espécie de corporativismo.

 

A desconfiança nos professores é intuída pelos alunos (mais grave ainda em alunos muito novos e é também por isso que a gestão escolar é muito diferente numa universidade se comparada com um jardim de infância ou com outro ciclo do não superior), desautoriza as salas de aula, prejudica o ensino, afecta todos os alunos e origina a escolha das escolas pelos que têm ambição escolar.

 

A segregação social dificulta a eliminação do abandono escolar. A miscigenação dos diversos níveis de ambição escolar é tão determinante para a qualidade dos sistemas escolares como é em sentido lato para o crescimento da decisiva classe média que fortalece a democracia.

 

Em Portugal regrediu-se acentuadamente na confiança nos professores nos últimos seis a sete anos. Foi um choque de desconfiança. Se a avaliação de professores e o estatuto do aluno estão na memória colectiva e com efeitos que ninguém se atreverá a refutar, o modelo de gestão escolar segue o mesmo caminho apesar de menos mediatizado.

 

 

 



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Segunda-feira, 14.07.14

 

 

 

 

 

A propósito do post "Uns eternos arrependidos" em que manifestei alguma perplexidade por Carlos Fiolhais tanto ter apoiado Nuno Crato e ser agora um crítico contundente das políticas do ministro, recebi, de uma leitora identificada, um link para um post, "Carlos Fiolhais faz o panegírico de Nuno Crato", de António Nabais no Aventar.

 

O professor e blogger fez, em 26 de Novembro de 2012, uma crítica detalhada às opiniões de Carlos Fiolhais. O melhor é ir ler o post, mas fiz umas imagens das passagens mais significativas que deixo à reflexão. É muita mudança no pensamento estrutural em tão pouco tempo que vai do reforço do ensino privado à gestão escolar e passando, ao que parece, pelo ensino dual; enfim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 09.07.14

 

 

 

 

 

Não se percebe o que tem sustentado o apoio inicial sem limites aos últimos ministros da Educação. O facto torna risível o "discurso dos arrependidos", como se lê hoje no Público, "O pior do Crato", pelas teclas de Carlos Fiolhais. Fiolhais parece que é amigo do ministro, que conhece as suas ideias sobre ensino superior e investigação e que está desiludido.

 

Só que Crato é também ministro do ensino não superior. E quem o conhecia nesses domínios, apressou-se a avisar que Crato estava impregnado de preconceitos contra a escola pública, de elitismo e que nada sabia de gestão escolar onde não se conhece uma frase do seu pensamento. Tudo comprovado. O contágio ao ensino superior e à investigação foi, ao que parece, apenas uma questão de tempo.

 

Até o eduquês, que importou de Marçal Grilo, sempre se pareceu com o do crítico original: uma espécie de versão II que na prática resultava em mais do mesmo. As polémicas à volta do excessivo linguajar das ciências da Educação são apenas uma milionésima parte do inferno informacional em que mergulhou a gestão escolar e os últimos ministros limitaram-se a acrescentar ruído.

 

Será também por padecerem do mesmo desconhecimento, e quiçá dos mesmo preconceitos e por aí fora, que os eternos arrependidos são, para nossa desgraça, os laudatórios iniciais?

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 14:24 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Domingo, 06.07.14

 

 

 

 

 

Os últimos governos da direita, PSD/CDS, alteraram a lei orgânica do MEC.

 

Durão Barroso eliminou 27 centros de área educativa (CAE´s) quando começavam a ter massa crítica e Passos Coelho extinguiu 5 Direcções Regionais de Educação (DRE´s), que deviam ter sido eliminadas em vez dos CAE´s, quando começavam a perceber a sua nova função. 

 

Tudo eliminado, eis que a mesma direita tem uma epifania de 180 graus e inventa um quadro orgânico com 308 agências municipais (sim, 308 porque nós somos uns 400 milhões; essa coisa dos 10 milhões e da quebra de natalidade é só para impressionar a malta dos fundos) depois de ter assinado centenas de contratos de autonomia com estruturas escolares inexistentes no sistema solar: os mega-agrupamentos.

 

Só uma nota e uma conclusão: os governos de direita referidos iniciaram os seus mandatos com a divisão do território entregue ao mesmo incompreendido estratega, como exemplo para a importância que dão ao assunto: Miguel Relvas. A conclusão é óbvia: não estamos na bancarrota apenas por culpa dos outros.

 

 



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Sexta-feira, 27.06.14

 

 

 

"(...)O ciclo do meu mandato foi muito longo. E a própria ideia de avaliação teve um percurso. Acho que a questão mais crítica no caso dos professores são as suas consequências. Mas toda a mudança que se fez no Estatuto da Carreira Docente (ECD) não posso dizer que a tenha feito contra os professores ou sem os professores, ou até sem a auscultação de outras forças políticas. Foi um processo muito mais negociado do que no final parecia ter sido, envolvendo até o PSD no desenho de algumas das soluções, nomeadamente na estruturação vertical da carreira, etc... mas depois a política também tem as suas conjunturas.(...)".

 

 

António Costa denunciou, numa entrevista recente, a injusta guerra aos professores promovida pelo Governo de Sócrates como o principal erro dessa governação. Mesmo que se considere que Costa está em campanha, é de salientar o ineditismo e a brutalidade da afirmação. Exige-se, porém, que se detalhe a guerra e que se enunciem soluções. É que ainda recentemente um estudo indicou que "nove em cada dez professores do 3º ciclo sentem que a profissão é desconsiderada pela sociedade" e a malta do mainstream que tem governado o MEC encontrou logo a solução carregada de cinismo e de sei lá mais o quê: formação em educação especial.

 

Retirei o parágrafo com que abri o post desta longa entrevista a Maria de Lurdes Rodrigues ao Público. A ex-ministra é apresentada como coordenadora científica do mestrado em políticas públicas do ISCTE e é socióloga (ao que me dizem, o seu último livro sobre a matéria publicado recentemente não tem uma frase sobre Educação). Quem ler o depoimento todo chega ao fim sem discordar com a maioria dos pressupostos que apresenta. Como é isso possível depois de tudo o que se passou no seu consulado?

 

A nova gestão das políticas públicas (NGPP) desenhada no início do milénio por sociólogos é um linguajar sedutor e bem-pensante que passa por engenharias sociais e financeiras que deslocam as pessoas em blocos com formatos numéricos inseridos em modelos verticais de carreiras associados à prestação de contas e a objectivos individuais impregnados de meritocracia (a frase foi escrita assim com intenção). Uma tragédia, como se comprova.

 

O linguajar desses sociólogos que se instalaram no MEC pouco depois de virar o milénio (já antes disso se notou a patologia), tem este denominador comum: um diagnóstico progressista e consensual que a referida engenharia não só inverte (há tragédias como a dos professores portugueses e basta ler o que se passou na France Telecom) como provoca nos destinatários da sua acção a recorrente impressão: podem estar horas a linguajar que tudo aquilo espremido não tem qualquer relação com as organizações a que se destina.

 

Notei a ocupação pela NGPP em 2002. Foi um momento de viragem. A partir daí, o discurso anti-escola e anti-professor (que foi inexistente nos políticos anteriores a 2002) ganhou asas. O mandato de Lurdes Rodrigues foi um expoente desse discurso de nivelamento por baixo (e reconhecem-se os transversais abusos na administração do estado)

 

A prestação de contas, os objectivos individuais, as carreiras verticais, a gestão tipo-empresarial (até João Rendeiro do BPP foi apresentado por um ex-ministro com uma mágoa: "só não contratava especialistas daqueles para as nossas escolas porque não tinha dinheiro para lhes pagar"; foi um valente e injusto murro no estômago de quem geria escolas), a sobreposição dos indicadores macro, o inferno da medição, a terraplenagem dos mandatos escolares e da cultura organizacional (a informatização, recheada de incompetência política, do concurso de professores mais mediatizado da história, 2004, descredibilizou durante meses essa cultura e deixou-a à mercê do que se seguiria) foi desenhada pelo bloco central cujos actores tentam passar pelos pingos da chuva.

 

Como diz a ex-ministra, apenas as conjunturas (estão no Governo ou na oposição) disfarçam um acordo tácito que causou, e causa, sérios prejuízos à escola pública.

 

Já Luhmann, N. (2001:14)"A improbabilidade da comunicação", Lisboa: Vega, Passagens, considerava que “(...) esta redefinição de termos e relações implica uma viragem radical relativamente ao pensamento político europeu dominante e tem, como última consequência, o abandono definitivo do modelo organicista – de uma relação parte-todo, em que a posição central estava sempre reservada ao indivíduo. (...). Na opinião de Luhmann (op. cit.), o homem perde a posição de centralidade no organismo social e é remetido para o exterior, passando a fazer parte do meio ambiente do sistema. Torna-se uma causa para o aparecimento de problemas constantes e de complexidades crescentes.

 

O que acabou de ler tem em Nuno Crato um fiel seguidor; mesmo que relativamente inconsciente e não informado. Ainda hoje encontrou uma solução que arrepia se pensarmos nas consequências, para as pessoas e para o país, do fecho de quatro a seis milhares de escolas: "Nuno Crato garante verbas para transporte dos alunos cujas escolas vão fechar". A hipocrisia de quem governa desde a estratosfera não tem, realmente, limites. Era o que mais faltava que Crato não dissesse o que disse.

 

Evidencia-se a linha de continuidade na guerra aos professores que foi também uma guerra à escola pública, aos seus alunos e aos respectivos encarregados de Educação.

 

 

Já usei parte deste texto noutro post.

 

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 19:39 | link do post | comentar | ver comentários (15) | partilhar

Quinta-feira, 26.06.14

 

 

 

 

Encontrei uma entrevista que a "Gazeta das Caldas" me fez e que foi publicada em 11 de Julho de 1999. Não mudava grande coisa e nem quero dizer com isto que me sentia sei lá como se não me revisse no que disse no século passado. É evidente que registo influências de literatura que hoje considero muito menos, mas no essencial revejo-me.  

 


Como é que vai ser o ensino no ano 2000/próximo milénio? 

Com todos os riscos que uma previsão desse tipo encerra, podemos e queremos imaginar um ensino que estimule a curiosidade e que desperte uma permanente vontade de aprender. Sabemos que isso exige esforço. Também sabemos que quem gosta de aprender constrói modelos de referência, perspectiva caminhos, serve-se dos vastos recursos existentes e ajuda a que outros também o façam. A etapa que vivemos teve um caminho inevitável e desejável, a massificação do ensino. É necessário passarmos a outro estádio, também imperativo, a democratização do ensino. Desejamos que o ensino chegue a todos de uma forma verdadeiramente significativa, mas, para isso, é desejável que a articulação entre as diversas instituições responsáveis pelo sucesso educativo (que não apenas o escolar...) seja eficiente. De uma coisa estamos certos: se não sabemos muito bem para onde vamos, sabemos de certeza por onde já não queremos ir. O conjunto de experiências e de estudos é suficientemente vasto para não repetirmos soluções gastas e do passado. A escola continuará a ensinar, mas os modelos organizacionais que proporcionam o acesso aos saberes, aos conhecimentos, aos valores, às atitudes, serão definitivamente diferentes. Mesmo hoje, parece-nos desnecessário fazer o elenco dos parceiros educativos da escola para sermos claros na resposta a uma questão deste género. No entanto, o destaque para a família como parceiro privilegiado e decisivo evidencia-se, agora e no futuro. 

Como é que essas transformações se vão repercutir na sua escola, ao nível de professores e alunos? 

Já se repercutem. Ao longo deste século sempre se procuraram metas de excelência nos diversos domínios das aprendizagens. A cultura da escola é a cultura permanente da exigência, da finalidade e da regra mas também do afecto, da amizade, do drama e do erro. Com a alteração vertiginosa dos meios, impõem-se novos modelos de relação pedagógica que reconhecidamente terão exigências crescentes. Contudo, espera-se que renovem entusiasmos, que reformulem projectos e que abram novos horizontes. Para ambos, professores e alunos, caminhar num bom percurso de aprendizagem não é uma tarefa fácil, é antes um somatório de venturas e desventuras; o fundamental é que as condições de realização do acto educativo acompanhem e apoiem as necessidades de uns e de outros. 

Quais as prioridades que deveriam haver nas Caldas ao nível da educação? 

É importante que se crie um conselho local de educação, onde todos os contributos se cruzem. Esse conselho ajudará a estabelecer as políticas educativas ajustadas às necessidades da comunidade, com indicadores que não se desloquem duma perspectiva emancipadora e sempre balizados pela preocupação de tentar apreender o novo e dar-lhe forma. O conselho local de educação estará assim em condições de sugerir com clareza quais as áreas prioritárias de investimento. Deverá ser um conselho que funcione, que se governe por um regimento moderno e que seja simultaneamente aglutinador e mobilizador. Mais do que fazer elencos de prioridades, é fundamental criar as bases organizativas que orientem as políticas educativas ou outras. Também é fundamental que, depois, a comunidade perceba o caminho e que identifique ao longo do percurso o que claramente se quer ou não se quer. Como alguém disse "o ensino não deve continuar a encontrar soluções que tenham um pé no passado, ou seja, não deve responder de forma igual para todos sem perceber que o fundamental é introduzir saídas para cada um. A escola não pode continuar a ser um local de estacionamento de potenciais desempregados". Ora aqui está uma prioridade absoluta, que só pode ser concretizada com ideias sólidas sobre o que vai ser o mercado de trabalho no futuro, na região e no mundo. Aí, a escola, isoladamente, pouco fará. O ensino do futuro passará decerto também por aqui. E o sucesso das políticas terá uma relação muito directa com a capacidade de antecipação.

 

 

 



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Quinta-feira, 19.06.14

 

 

 

"58 directores demitem-se em bloco no Hospital de S. João" e um dos motivos é a asfixia burocrática. Há tempos ouvi um especialista a explicar o inferno burocrático que é o tratamento de dados no sistema de saúde feito por empresas de outsourcing que pouco sabem da gestão real das instituições.  

 

O sistema escolar está há anos mergulhado num inferno semelhante. A gestão de dados no universo escolar não é explicável a alguém que viva no mundo moderno. A sério que não.

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 21.05.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É comum dizer-se que 70% da actividade da nossa administração pública é para si própria. A informação circula dentro do Estado para que os diversos serviços se informem em duplicado ou triplicado, como se não existisse público.

 

Na nossa cultura organizacional escolar identifica-se a existência de três sub-sistemas, que são responsáveis por uma entropia informacional resultante da repetição e redundância de dados. O sub-sistema dos departamentos curriculares, o sub-sistema das direcções de turma e o sub-sistema administrativo acrescentam aos referidos 70% um número que surpreende um qualquer registo sensato. O mais grave é que quem se dedica à avaliação externa não só não contraria a tendência como a estimula e premeia.

 

 

 



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Terça-feira, 20.05.14

 

 

 

 

 

Bem sei que "o que é irrefutável é falso" (Karl Popper), mas há números que traduzem asserções irrefutáveis. Sabe-se que "mais de 70% dos portugueses que trabalham por conta própria têm apenas o ensino básico" e que apesar dos progressos assinaláveis das últimas décadas estamos novamente em plano inclinado.

 

O aumento do número de alunos por turma, os cortes curriculares, o aumento nos horários dos professores e a constante terraplenagem da cultura organizacional das escolas públicas são um sinal evidente de que as nossas "elites" cansaram-se depressa de investir no sistema escolar e não encontramos nos partidos que aspiram a governar qualquer referência objectiva às variáveis enunciadas. E não adianta argumentaram com a falta de alunos. Os fenómenos recentes de quebra de natalidade e de alteração dos fluxos migratórios sentir-se-ão, e se nada for feito, apenas daqui por uns anos. Os alunos que abandonam a escolaridade sem o secundário completo nasceram no século passado.

 



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Terça-feira, 18.03.14

 

 

 

 

"Tudo o que o Ministério da Educação manda por "e-mail" para as escolas é inútil. Tudo!", ou o professor "abaixo de cão", é uma discussão para acompanhar com curiosidade. Tenho uma dissertação sobre o assunto e não quero reafirmar o "tudo"; mas convenço-me que anda lá perto, que a maioria da informação obtida é inútil e solicitada repetidamente.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:38 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Domingo, 09.03.14

 

 

 

A autonomia (organizacional e curricular, digamos assim) das escolas é a expressão mais repetida nas últimas décadas; a insistência é proporcional à quase inexistência. O mau centralismo do MEC está como nunca. Não há actor do sistema, desde de quem governa à oposição e passando até pelos liberais da "escolha da escola", que não defenda a autonomia como imperativo.

 

Ainda ontem o "Novo rumo" do PS repetiu o substantivo. Mas há uma variável incontornável: enquanto não se eliminar o clima de mobilidade especial e de horário zero nos professores do quadro (os de zona pedagógico e os contratados estão nesse regime insano há décadas) que pairam como fantasmas no quotidiano das escolas, não é possível construir uma qualquer atmosfera de mudança e de mobilização. O espectro, legitimo, de defesa do posto de trabalho por parte dos grupos disciplinares impossibilita tudo o que de racional e óbvio vai ler a seguir; nomeadamente no domínio curricular.

 

 

 

 

Nas páginas 34 e 35 do seu mais recente ensaio, Paulo Guinote lança algumas ideias no âmbito da autonomia organizacional e curricular.

 

 

 

 

 

 

 

Não é difícil elencar propostas semelhantes. Em 1998, a reorganização curricular permitiu umas ténues mudanças que algumas escolas aprofundaram. Nesta altura, a oposição, como se leu, o Governo (com os 25% da carga curricular anunciados como flexíveis) e até os referidos liberais defendem a autonomia, mesmo que de ângulos diferentes. Imagine-se o que acontecerá se colocarmos as escolas a decidirem estas matérias no clima vigente. Cargas curriculares diferentes de escola para escola ou a criação de novas disciplinas são decisões que exigem um ambiente de sensatez e de tranquilidade. Só quem não põe os pés nessas instituições é que não percebe o que estou a evidenciar.

 

 

 



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Terça-feira, 04.02.14

 

 

 

 

 

Não me surpreendi quando o orador apontou o outsourcing (que é predominante nas tecnologias da informação e nos respectivos sistemas) como uma das decisões que mais desvantagens associou ao mundo organizacional na modernidade e que mais contribuiu para a hecatombe da industria mais florescente desse período recente da nossa história: a financeira. Comprovou-se que a opção pela fonte exterior é também uma auto-certificação de incapacidade.

 

O que de mais precioso uma instituição pode ter é a liberdade de agir sobre os seus sistemas de informação.

 

O outsourcing em sistemas de informação satisfazia o novo grupo de stakeholders das organizações modernas: os accionistas. O bem-estar destes investidores resumia-se aos lucros obtidos que subiam sempre que havia uma redução de profissionais. Essa decapitação cerebral levou a que a decisão sobre os detalhes da informação a obter passasse para fora, por mais partilhado que fosse o período de análise dos sistemas; os decisores do exterior podiam sempre responder: "é uma boa ideia, realmente, mas é impossível de concretizar".

 

Essa dependência do exterior na definição da informação que deve ser obtida na rede para suporte à tomada de decisões revelou-se fatal e generalizou-se. São poucas as administrações que têm condições para definirem verdadeiramente os campos da informação e dá ideia que o assunto entrou nas campanhas eleitorais.

 

 

 

 


publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 10:43 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Domingo, 15.12.13

 

 

 

"(...)O ciclo do meu mandato foi muito longo. E a própria ideia de avaliação teve um percurso. Acho que a questão mais crítica no caso dos professores são as suas consequências. Mas toda a mudança que se fez no Estatuto da Carreira Docente (ECD) não posso dizer que a tenha feito contra os professores ou sem os professores, ou até sem a auscultação de outras forças políticas. Foi um processo muito mais negociado do que no final parecia ter sido, envolvendo até o PSD no desenho de algumas das soluções, nomeadamente na estruturação vertical da carreira, etc... mas depois a política também tem as suas conjunturas.(...)".


 

Retirei o parágrafo que acabou de ler da longa entrevista a Maria de Lurdes Rodrigues no Público de hoje. A ex-ministra é apresentada como coordenadora científica do mestrado em políticas públicas do ISCTE e é socióloga (ao que me dizem, o seu último livro sobre a matéria publicado recentemente não tem uma frase sobre Educação; naturalmente, como se compreenderá mais à frente); e são exactamente esses detalhes que mais me impressionam. Quem ler o depoimento todo chega ao fim sem discordar com a maioria dos pressupostos que apresenta. Como é isso possível depois de tudo o que se passou no seu consulado?

 

A nova gestão das políticas públicas (NGPP) desenhada no início do milénio por sociólogos é um linguajar sedutor e bem-pensante que passa por engenharias sociais e financeiras que deslocam as pessoas em blocos com formatos numéricos inseridos em modelos verticais de carreiras associados à prestação de contas e a objectivos individuais impregnados de meritocracia. Uma tragédia, como se comprova. O linguajar destes sociólogos que se instalaram no MEC pouco depois de virar o milénio, tem este denominador comum: um diagnóstico progressista e consensual que a referida engenharia não só inverte (há tragédias como a dos professores portugueses e basta ler o que se passou na France Telecom) como provoca nos destinatários da sua acção, ou em quem os ouve ou lê, a recorrente impressão: podem estar horas a linguajar que tudo aquilo espremido não tem qualquer relação com as organizações a que se destina.

 

Notei a ocupação pela NGPP em 2002. Foi um momento de viragem. A partir daí, o discurso anti-escola e anti-professor (que foi inexistente nos políticos anteriores a 2002) ganhou asas. O mandato de Lurdes Rodrigues foi um expoente desse discurso. Pegou-se nos abusos (sim, existiram abusos, mas minoritários como comprovam todos os indicadores, nas escolas e nos professores) e nivelou-se por baixo.

 

A prestação de contas, os objectivos individuais, as carreiras verticais, a gestão tipo-empresarial (até João Rendeiro do BPP foi apresentado por um ex-ministro com uma mágoa: "só não contratava especialistas daqueles para as nossas escolas porque não tinha dinheiro para lhes pagar"; foi um valente e injusto murro no estômago de quem geria escolas), a sobreposição dos indicadores macro, o inferno da medição, a terraplenagem dos mandatos escolares e da cultura organizacional da Educação (a informatização, recheada de incompetência política, do concurso de professores mais mediatizado da história (2004) descredibilizou durante meses essa cultura e deixou-a à mercê do que se seguiria) foi desenhada pelo bloco central e dá ideia que nada aprenderam.

 

Como diz a ex-ministra, apenas as conjunturas (estão no Governo ou na oposição) disfarçam um acordo tácito que causou, e causa, sérios prejuízos à escola pública.

 

Já Luhmann, N. (2001:14)A improbabilidade da comunicação, Lisboa: Vega, Passagens, considerava que “(...) esta redefinição de termos e relações implica uma viragem radical relativamente ao pensamento político europeu dominante e tem, como última consequência, o abandono definitivo do modelo organicista – de uma relação parte-todo, em que a posição central estava sempre reservada ao indivíduo. (...). Na opinião de Luhmann (op. cit.), o homem perde a posição de centralidade no organismo social e é remetido para o exterior, passando a fazer parte do meio ambiente do sistema. Torna-se uma causa para o aparecimento de problemas constantes e de complexidades crescentes.

 

 

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 20:21 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Segunda-feira, 09.12.13

 

 

 

Por mais que teimem nos argumentos, os modelos meritocráticos aplicados em organizações em que os desempenhos das pessoas são dificilmente mensuráveis (e falta saber em quais é que isso se consegue) têm resultados contrários ao pretendido. Podemos afirmar, com toda a segurança, que nessas circunstâncias até contribuem para o retrocesso dos sistemas organizacionais e para a dilaceração da atmosfera relacional com particular incidência para os mecanismos de cooperação e de mobilização.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 20:32 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 24.11.13

 

 

 

 

 

Tudo indica que a obsessão com o aumento da escala é a resposta aflita à supressão do tempo. A humanização como categoria organizacional impor-se-á à escala e será a resposta para contrariar a absolutização do presente. O que se está a fazer nas nossas sociedades não é o melhor caminho para gerir as organizações. A anarquia impor-se-á em forma de caos, por muito interessante que seja o estudo dessa imagem organizacional.

 

Para além de ser imperativo devolver aos cidadãos o poder democrático, será necessário consolidar as especificidades de cada organização e afirmar planos estratégicos no âmbito de um quadro de divisão administrativa do país que se identifique como moderno e razoável.

 

É fundamental definir de vez o papel dos municípios na gestão dos territórios. Não faz sentido que a participação das autarquias se exerça, por exemplo, em cada escola, agrupamento ou agregação. Deve focar-se nos Conselhos Municipais de Educação com um nível exigente de prestação de contas nas políticas de educação e nos números do abandono escolar.

 

Quase que só temos conseguido substituir a atomização desresponsabilizadora do centralismo pelo caciquismo local.

 

Se não formos capazes de civilizar as ideias de compromisso, de cooperação, de mobilização, de contrato e de poder democrático, andaremos muito, depressa e em aumento de escala, mas sem resultados positivos. Voltaremos atrás a sítios que nos pareceram seguros.

 

A denominada globalização instalou-se.

 

Ainda há tempos li uma boa entrevista de Gilles Lipovetsky, o célebre autor da "Era do vazio", a propósito do consumo dos artigos de luxo. A Gucci, empresa com mais audiência no sector e que passou, em cerca de dez anos, de três para cento e trinta lojas, tem cem milhões de consumidores na China. O autor avisa (no meio de outras reflexões): quando o consumo dos seus produtos se banalizar a empresa desaparecerá; a Nokia, por exemplo, deve andar a fazer muitas contas e quase que encerrou as portas.

 

Qual é a relação que este pequeno exemplo tem com o que estava a escrever? O efeito do aumento da escala pode levar ao empobrecimento e à desumanização, mesmo que, por ironia, a partir dos artigos de luxo.

 

 

(Já usei parte deste texto noutro post)




publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 22:09 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 20.11.13

 

 

 

 

 

 

 

"Eu sei que as horas de trabalho dos professores estão pelas horas da amargura e que o Ministério da Educação e Ciência (MEC) já propõe pagamentos à peça a potenciais classificadores daquelas provas de avaliação a outros professores, se calhar com mais anos de serviço e com melhores avaliações de desempenho.

Mas não é isso que interessa agora, pelo que deixemos de parte essa proletarização crescente da classe docente, cada vez mais o bode expiatório da fúria de um grupo de políticos adequadamente mal formados e academicamente medíocres.

Concentremo-nos naquela linha de argumentação, tão ao gosto do tempo, que pretende apresentar a Educação como um negócio como outro qualquer, em que os alunos ou as suas famílias se devem encarar como clientes a satisfazer por escolas e professores que, por sua vez, devem ser remunerados e/ou recompensados de acordo com o grau de satisfação da clientela que servem.(...)"






publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 14:45 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quinta-feira, 31.10.13

 

 

 

 

 

Li o guião dos eufemismos e concluí que se usou um "recurso estilístico suavizador de ideias (desagradáveis ou grosseiras) por meio de expressões mais agradáveis".

 

Apesar de serem cerca de cem páginas, li até ao fim. Talvez porque usaram linhas muitos espaçadas, amplas margens, generosos cabeçalhos e rodapés e um tamanho de letra bem grande a pensar numa população já idosa que usa óculos para ler.

 

O guião assume-se como um ponto de partida, mas também concluí que essa opção é encarada por quem se interessa por estas coisas como uma partida mesmo: mas uma partida desta plêiade que, muito sinceramente, não se percebe como chegou ao Governo do país. Ou até se entende, pelo menos se olharmos para o estado a que chegámos.


 

 Fiz quatro imagens sobre as propostas para a Educação. Colei-as e fiz os comentários respectivos.

 

 

 

 

Um dos problemas mais graves da administração portuguesa é a dupla desconfiança dos cidadãos: num poder central que inferniza com má burocracia a vida das pessoas e das organizações e que foi capturado pelo poder financeiro e pelos aparelhos partidários e num poder local onde vezes demais impera o caciquismo e uma péssima gestão do território.

 

Esta proposta requer, desde logo, que se clarifiquem dois aspectos nucleares da carreira dos professores: o seu estatuto e sua contratação. A contratação deve obedecer à total transparência pública que é exactamente o contrário do que é praticado nas cooperativas de ensino que apoiam os mentores deste guião e nas autarquias que se têm mostrado mais interessadas na gestão das escolas do ensino não superior. Se esta municipalização da Educação avançasse sem os requisitos que referi, bastaria uma década para se instalar mais um caos organizacional e relacional nas escolas.

 

É mesmo sei lá o quê que alguém afirme que as escolas "têm hoje um modelo estabilizado"; é muito desconhecedor.

 

 

 

 

Assinalei com duas setas a vermelho a evidente confusão que vai nas mentes destes proponentes: ao projecto AAO segue-se um projetos DAO. Enfim. Deixemos o mais risível, até porque se publicasse a totalidade do guião enchia-o de setas semelhantes.

 

A consagração de "escolas independentes" é redundante. Se o Estado tem sido uma pessoa de bem, só a independência das suas escolas é que nos garantiu alguma igualdade de oportunidades.

 

A devolução das escolas aos professores é uma ideia antiga que tem sido aproveitada por esta ala do Governo para atingir o objectivo primeiro: alargar o número de escolas das cooperativas de ensino que no modelo proposto teriam sempre um histórico que lhes garantiria a primazia concursal. Pode contrariar-se essa tendência se o legislador garantir a concessão aos professores dos quadros das escolas exigindo que as cooperativas que se venham a criar não tenham qualquer ligação com as que existem. Contudo, estando o país neste estado de sub-financiamento, só se compreende esta proposta se se associar a ideia de precarizar ainda mais a profissão de professor o que até contraria o objectivo de elevar o nível salarial dos funcionários públicos inscrito no guião.

 

 

 

 

Esta ideia é estranha, realmente. Mais parece um qualquer acto desesperado tendente a garantir que só se toque no que existe numa segunda legislatura.

 

 

 

 

O cheque-ensino já foi muito dissecado recentemente.

 

A ideia generosa, praticada noutras latitudes na década de sessenta do século passado, não foi generalizável. O cheque-ensino era entregue a uma minoria de famílias muito carenciadas para que pudessem pagar as propinas em escolas com bons resultados. E a ideia falhou porque existe o factor de mobilidade geográfica associado ao número de vagas nessas escolas. Em Portugal aconteceria o mesmo. O que se pretende então? Financiar as propinas de quem já frequenta escolas privadas, o que aumentaria o orçamento do sistema escolar de uma forma injusta num tempo de cortes a eito.

 

Concluo com o mesmo parágrafo que usei noutro post na noite da propaganda:

 

Não vi a declaração do irrevogável vice-primeiro-ministro, mas mais logo espero ler e comentar. Li as páginas relativas à Educação e percebi que a investida privada (é isso que os encostados ao Estado ambicionam) sobre o sistema escolar é um dos pontos deste documento inspirado numa ideologia radical de direita que é uma subversão do Estado de direito.

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 20:36 | link do post | comentar | partilhar



Vou comprar uma escola







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Terça-feira, 24.09.13

 

 

 

 

A desconfiança nos professores que se instituiu em má burocracia concebida por precaução, e que uma vez obtida é arquivada, começou antes do consulado de Lurdes Rodrigues e Valter Lemos (esse descomunal inventor de inutilidades), mas foi excepcionalmente potenciada a partir daí. A desconfiança em forma de evidências inenarráveis estabeleceu-se no seu esplendor através de dois comprovados monstros: a avaliação de desempenho e o concurso de professores titulares.

 

Essas dilacerações da atmosfera organizacional deixaram marcas profundas nas escolas.

 

O "eduquês organizacional", o mais nefasto para quem anda pelas escolas, foi-se disseminando também no modo digital. O número de ficheiros digitais que circulam nas redes escolares deve atingir toneladas não mensuráveis. Tenho ideia que o recente anúncio da PT, que afirma a capacidade em sediar na Covilhã toda a informação do planeta, não contabilizou o MEC e a máquina do sistema escolar. Será mesmo impossível tratar os bytes informacionais produzidos nesta saga de desconfiança na profissionalidade dos professores. E o mais grave, é que todo esse esforço se reflecte na qualidade de um sistema que armazena alunos e sobrecarrega os seus profissionais.

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 21:06 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 19.09.13

 

 

 

 

 

As causas imediatas deste problema estão identificadas: os cortes a eito armazenaram alunos, a contabilidade dos tempos lectivos incluiu, em regra, mais uma turma nos horários dos professores e os docentes sem componente lectiva andam a ocupar tempos noutros ciclos para que se eliminem do sistema os professores contratados.

 

Basta pensar num grupo disciplinar do secundário com 10 professores e 4 tempos curriculares semanais de 45 minutos: uma turma a mais em cada professor elimina dois horários e seis a oito alunos a mais em cada turma eliminam duas a três turmas em cada dez. É empobrecer e desistir. O holandês que chefia o eurogrupo, e que promove estes cortes a eito (e depois o nosso Governo traduz como delapidação da escola pública), é dum país que instituiu a fuga aos impostos sediando as sedes fiscais de inúmeras empresas europeias. Mas quanto a esse saque nem uma palha se move.

 

Uma série de organizações dos encarregados de Educação e dos sindicatos de professores acordaram para a realidade que faz com que os professores do ensino secundário e do 3º ciclo leccionam as AEC´s no 1º ciclo. O problema não é novo e há anos que testemunho a desorientação de uma boa parte dos professores que são colocados nessas circunstâncias.

 

Podíamos ir mais longe e encontrar causas no modelo de gestão escolar inspirado num qualquer marciano. Foi aí que começou o imperativo dos cortes a eito desenhado por quem tem horror às salas de aula e desprezo pela profissionalidade dos professores. É inadmissível que os professores com mais tempo de serviço tenham mais turmas, e ainda por cima com alunos armazenados, e que os seus colegas sejam colocados nesta situação.

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 18:13 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 16.09.13

 

 

 

O Público diz que "nem todos as alunos começaram as aulas" e o MEC sentencia: "(...)escolas que não abrem são casos pontuais(...)".

 

É natural alguma falta de pachorra para aturar o desmiolo criado por um MEC que desrespeita, há anos a fio, a cultura organizacional das escolas e que despreza três valores preciosos: organização, conhecimento (que inclui as escolas) e gestão do território.

 

A análise crítica pode partir de variáveis diversas. Escolhi uma e fui buscar um post que teima em se eternizar.

 

 

 (1ª edição em 26 de Março de 2012)

 

 

 

Desde o início do milénio que se tem escrito sobre o fenómeno em curso dos agrupamentos de escolas. Sejamos claros: as escolas do primeiro ciclo e os jardins de infância perderam alguma da parca capacidade de decisão, mas não é muito significativo que passem a vida a mudar de escola sede. A nossa balbúrdia organizativa é tal, que o português é especialista em planear depois do caos consumado nem que seja uma bancarrota.

 

As sedes dos agrupamentos existentes são escolas de várias tipologias, mas raramente estabelecimentos de ensino só com o primeiro ciclo ou pré-escolar ou mesmo com essas duas valências. Nos dois últimos anos, os agrupamentos incluíram mais do que uma escola com 2º e 3º ciclos ou ensino secundário. Parece que tem corrido mal e, portanto, generaliza-se.

 

As agregações ou unidades administrativas incluirão duas ou mais escolas com 2º e 3º ciclos ou ensino secundário, mas o modelo de gestão será o mesmo das escolas não agrupadas. Ou seja, com excepção das escolas sede, as outras funcionarão, em regra, sem direcção, conselho geral, conselho pedagógico, coordenadores de departamento, representantes de grupos disciplinares, coordenadores de directores de turma e serviços administrativos. E mais: não significa que todos esses membros, no caso dos professores, leccionem na escola sede. Será um modelo bem anarca e lusitano e pronto a exportar para solo lunar.

 

Podia fazer-se muito melhor, desde logo ao nível dos conselhos locais de Educação (se existissem ou se os executivos e assembleias municipais soubessem alguma coisa deste assunto), e com melhores resultados financeiros e organizacionais. Mas isso fica para outro dia que o post já vai longo.

 

Mesmo a História mais recente diz-nos que as escolas abrem todas em Setembro e que, nos primeiros dias de aulas, alunos e professores têm horários e salas de aula. Se os professores não desagradarem muito aos alunos, os encarregados de educação encerram as suas preocupações. Os outros cidadãos pensam que estes assuntos são estrangeirados e lá sabem porque é que raciocinam assim. Mesmo que uns e outros desconheçam que cerca de 60% do sucesso dos alunos depende do que se passa fora da escola e que os cerca de 40% restantes ficam à mercê da organização escolar, há um aviso que se deve fazer: o plano inclinado do sistema escolar consegue sempre descer mais um grau abaixo de zero.

 

 



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Sexta-feira, 13.09.13

 

 

 

Foi uma semana muito preenchida. Para além das minhas novas realidades derivadas da agregação de escolas e que relatei aqui, surgiram uma série de incitativas mediáticas ligadas à defesa da escola pública e de que darei conta a seu tempo. Para além disso e ainda no fim da semana passada, organizei um Workshop integrado num conjunto de actividades onde fiz uma contratura muscular que me pôs de muletas. Ou seja, todo o desdobramento foi realizado em esforço suplementar e sempre à boleia.

 

Um blogue é também um registo algo intimista e que nos permite arquivar acontecimentos para memória futura. No meio de tanta tarefa, apareceu-me um convite da Mais Oeste Rádio para uma hora de conversa com Jorge Santos (um ex-aluno dos primeiros tempos nas Caldas da Rainha e é mesmo uma viagem no tempo ser entrevistado nessas circunstâncias) e com o José Ramalho do CCC das Caldas da Rainha com quem me habituei a ter conversas muito interessantes. Lá fui para os estúdios à boleia e as muletas não provocaram qualquer embaraço. Há cerca de 10 anos que não estava numa rádio e passei um bom bocado. O Jorge Santos fez o favor de colocar o áudio no youtube e de me enviar o link que permite ouvir e arquivar.

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 18:32 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 12.09.13

 

 

 

 

 

A defesa da escola pública requer três objectivos imediatos  (e não em Junho de 2014, embora de aplicação no próximo ano lectivo): redução do número de alunos por turma, alteração da carga lectiva dos alunos principalmente na relação com o primeiro objectivo e horários dos professores. Em relação à última meta, dito assim para usar linguagem cratiana, é fundamental que se estabeleça que não pode existir qualquer sobrecarga da componente lectiva derivada do facto de uma aula ser de 45 ou de 50 minutos. Não há estudo empírico no mundo conhecido que prove o contrário do que afirmei. É evidente que a agregação de escolas e a relação público-privado são matérias incontornáveis na defesa desse valor absoluto das democracias: a escola pública.

 

 

Recordo um post que escrevi em 5 de Junho de 2013 (Nuno Crato revelou-se mesmo, s é que ainda era preciso).

 

 

"Uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15. Depende do professor e da sua qualidade", disse ontem Nuno Crato numa inenarrável entrevista televisiva em que se pôs a dissertar sobre a relação entre a formação dos professores e o número de alunos por turma. Nuno Crato disse que concorda com o especialista norteamericano (é mesmo um hanushekiano) que andou por aí noutro dia a apregoar o mesmo e revelou-se mais uma pessoa que nos deixa dúvidas quanto ao juízo ou ao conhecimento sobre uma escola do não superior. Temos de concordar: os professores portugueses têm azar com a sucessão de ministros. Nuno Crato afirmou a sua tese e nem sequer se escudou na troika; nesta variável está, também, para além dela.

 

William Golding, prémio Nobel da literatura em 1983 e professor no 1º ciclo durante 30 anos, foi taxativo numa entrevista à RTP2" Com 30 alunos não há método de ensino que resulte, mas com 10 alunos todos os métodos podem ser eficazes". Essa entrevista descansou-me muito. Tinha leccionado cerca de 10 turmas do ensino secundário, cada uma com mais de 30 alunos, e estava preocupado com a profissão que tinha escolhido e com a minha memória. Já íamos em Maio e nem o nome dos alunos todos conhecia. Numa sociedade ausente como a nossa, e mais ainda nos tempos que correm, a relação entre os professores e os alunos atenua muito a taxa de abandono escolar para além de ser um indicador da qualidade do ensino. Nunca imaginei que 30 anos depois ouviria o ministro da Educação do meu país, qual Taliban, a defender uma coisa destas com a máxima convicção. Que tempos, realmente.

 

 

 

 



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Terça-feira, 10.09.13

 

 

 

 

O ex-ministro da saúde Correia de Campos é classificado como um tecnopolítico sabedor e rigoroso. Se bem me recordo, a sua saída do Governo de Sócrates foi aplaudida por alguns não alinhados com o "Blairismo" do ex-chefe-do-Governo-e-do-PS.

 

Na sua crónica, no Público de ontem, elogia o aumento da qualidade no sistema escolar com as políticas dos últimos governos do PS. Só nos resta lamentar que não se aprenda com os erros.

 

O modo ligeiro como este gestor afere a qualidade dos sistemas ficou bem patente em 2010. Quando o questionaram sobre os motivos que originaram a melhoria dos resultados PISA realizados em Abril de 2009, o tecnopolítico argumentou com o novo modelo de gestão escolar que só entrou em funcionamento em Maio do mesmo ano. A falta de rigor arrepiou-me. Desta vez, vai mesmo ao ponto de retirar aos professores o direito a duvidarem e ainda por cima faz um rol de afirmações imprecisas. É caso para recomendarmos: quem retira aos outros o direito à dúvida, deve começar por aplicar o princípio às suas conclusões.

 

 

“(...)É certo que durante muito tempo, até 2006, os edifícios estavam em muito mau estado, os professores tinham horários muito folgados, a escola ocupava o aluno pouco tempo, lançando-o na rua com escassa protecção. É certo que a reacção de professores e sindicatos às reformas de Maria de Lurdes Rodrigues foi desproporcionada, corporativa e irrealista. (...)Em muito contribuíram para a queda da governação de José Sócrates. É certo que o ensino secundário era, até há alguns anos, dispendioso comparativamente com outros países, os professores eram relativamente bem pagos e precocemente reformados, pouco eficiente, e com elevadas taxas de insucesso. Em cinco anos muitos desses erros foram corrigidos sem desvirtuar a universalidade do sistema: escola a tempo inteiro. (…)O insucesso baixou, a escola pública ampliou a qualidade, as instalações foram renovadas, a eficiência global aumentou. Os professores tardaram a reconhecer a mudança, mas hoje perderam o direito a dúvidas.(...)"





publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 20:53 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 07.09.13

 

 

 

Ao passar os olhos por esta entrevista a Nuno Crato, publicada ontem, dei com esta passagem: "...Há que desmistificar algo sobre os chamados mega-agrupamentos. Não são locais onde se empilham crianças, são consórcios entre escolas que partilham recursos. Se uma escola tem um bom laboratório e outra um bom equipamento desportivo, com a fusão os alunos das duas escolas podem beneficiar disso...".


Nuno Crato é reincidente na "descoberta".

 

Num post publicado em 25 de Junho de 2012, escrevi o seguinte sobre outra entrevista deste "divertido" ministro:

 

Para justificar a agregação de escolas, Nuno Crato refugiou-se na partilha de instalações especializadas e detalhou: se a escola A tem um excelente laboratório de Química e se a escola B tem um excelente laboratório de Física, com as agregações consegue-se que os alunos usem apenas os melhores recursos. Quando começou a desenvolver o algoritmo (confesso que estava atento) titubeou, perdeu-se no raciocínio e deixou a coisa por explicar. Mas a ideia é genial e até fixe e deve ficar bem em televisão. Só é pena que seja quase impossível de aplicar.

 

Não sabia que Nuno Crato era a favor deste modelo de gestão escolar e ainda nem consegui perceber o que pensa sobre o assunto. Percebeu-se que o SE Casanova achava que as agregações se fazem para cumprir os doze anos de escolaridade, e se calhar, com tanta escala, para viajar até à lua, e agora ficou a saber-se que Nuno Crato acha giro usar os melhores laboratórios e fechar os piores.





publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 20:39 | link do post | comentar | ver comentários (12) | partilhar

 

 

 

Joaquim Azevedo fala sobre gestão escolar. Será que faria o que diz? Nuno Crato fez o contrário e Lurdes Rodrigues também (para ser franco, nem sabia o que a ex-ministra pensava) e os dirigentes do PS da área da Educação sempre se mostraram contrários à ideia que os governos de Sócrates acabaram por impor.

 

 

Nuno Crato ao minuto 9.20.

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 18:09 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 05.09.13

 

 

 

 

Ontem, pelas 13h30, fui esvaziar o cacifo à escola dos últimos vinte anos. Pedi a uma das assistentes operacionais para me abrir a porta do gabinete e foi inevitável: o professor vai-se embora?

 

Atenuei, mas a emoção tomou conta de nós e rapidamente contaminou as pessoas que estavam na escola.

 

A história é simples. A EBI de Santo Onofre, (que de 47 já vai em 24 turmas e é atingida pelo flagelo do público-privado nas Caldas da Rainha) deixou de ser escola sede com o advento dos mega-agrupamentos. Já em Julho tinha ido a uma reunião do meu mega-departamento e fui eleito coordenador. Esta semana fiquei a saber que a queda de turmas associada a outras variáveis de gestão faz com que a minha componente lectiva seja toda na escola sede. Ou seja, sem qualquer tipo de concurso não leccionarei na EBI de Santo Onofre no próximo ano lectivo. O trajecto da escola para casa foi percorrido com os olhos húmidos. Sei que o rol de insanidades que devastam os professores portugueses transforma este meu problema num caso menor. Sei que sim. Mas doeu mesmo.

 

Convidaram-me para fazer uma conferência, no Sábado, para professores de Educação Física integrada numas jornadas pedagógicas que começaram hoje e que incluem uma formação em Basquetebol. Não resisti. Esta tarde viajei no tempo e joguei o desporto da minha vida. Num dos exercícios, senti uma dor inédita, e fortíssima, no gémeo da perna esquerda. Pareceu-me um pontapé da colega que estava a meu lado ou que alguma pedra tinha caído do tecto do pavilhão. Mas não. Uma rotura ou contratura muscular obriga-me a dias de gelo, a umas três semanas de muletas e à natural incomodidade.

 

"No creo en brujas, pero que las hay, las hay".





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Quinta-feira, 22.08.13

 

 

 

 

Os responsáveis políticos que se têm sucedido confundem preconceituosamente liberalismo com providencialismo e legitimidade democrática com comunidade educativa. Advogam, para argumentarem a favor da exclusão de pessoas, uma espécie de gestão de alto rendimento inspirada no futebol de grande consumo, como se o que mais se elevasse nos treinadores mais mediatizados não fosse a melhoria do desempenho das pessoas e das organizações. 

 

Temos meios técnicos e de tratamento da informação que nos permitem implementar concursos nacionais de professores decentes e civilizados. Bastava eliminar o preconceito da escolha, que é da mesma família da nomeação, e deixar à graduação profissional e aos sistemas de informação o resultado célere e não despesista.

 

A nossa bancarrota não é apenas uma invenção que nada tem a ver com a forma como gerimos a coisa pública. Sempre foi preciso remar contra muitas marés para organizar uma escola. A terraplanagem e o desrespeito pela organização das escolas é um metabolismo que si iniciou, no caso do sistema escolar, de forma mais acentuada há cerca de dez anos.

 

Mas já se sabe: estamos virados para o Atlântico, os nossos "especialistas" em gestão (alguns sem qualquer prova dada) acham que só podem trabalhar com os "melhores" e que os outros, que nunca são eles, optarão pelo mergulho no oceano.


O que é difícil, belo e da família da boa administração, é melhorar uma organização pública com os que existem.

 

 



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Quarta-feira, 31.07.13

 

 

 

 

 

 

 

 

Será que estes milhares de professores não têm direito a descansar e a recarregar baterias? Não é só a tradicional bagunça organizacional dos finais de ano lectivo acrescentada das PPP´s da rede escolar, são, como sempre se disse, os cortes a eito verificados no verão de 2012.

 

Os aumentos nos horários dos professores e no número de alunos por turma, a revisão curricular e os mega-agrupamentos institucionalizaram um inaudito desrespeito pela profissionalidade dos professores e exigem um qualquer ponto final. O sistema escolar atingiu um rol tal de brutais injustiças, perpetradas na última década, que a coisa já só vai lá com um reset.

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 21:27 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 30.07.13

 

 

 

 

É evidente que existiu o célebre telefonema de um dirigente escolar para o MEC a perguntar o lado onde se colocava o selo branco e serão inúmeras as situações semelhantes que fazem com que os pulmões do poder central se encham de "sabedoria".

 

Mas quando se constrói um modelo de gestão escolar com base na exigência de formação especializada no modo como lidar com a má burocracia ou acreditando que a chave está em pessoas que nada têm a ver com a docência, só podemos concluir: a traquitana do MEC não só não implodiu, como continua a convencer os decisores políticos que a nossa bancarrota não é também causada pelo monstro de má burocracia dos subsistemas estatais, que as exigências desse tipo de especialização são uma panaceia para resolver problemas a que a traquitana é alheia e que até está cansada de aturar. E sentenciarão: escolas, salas de aula e professores são entraves que não se dão bem com as inovações.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:32 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 25.07.13

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A prova geral de acesso à profissão destinada aos professores contratados é da família de uma série de medidas que humilham este grupo profissional que foi escolhido pelo arco da governação com o objectivo de esconder o desvario financeiro com que os seus aparelhos partidários delapidaram o país. Se mais este desmiolo seguir em frente, daqui por uns meses teremos mais um rol de caricaturas a abrirem os telejornais para gáudio dos inimigos da escola pública e da igualdade de oportunidades.

 

É impressionante como o arco da governação continua a arrogar-se com o exclusivo da responsabilidade depois dos resultados que nos empurraram para a bancarrota. No caso do sistema escolar, há mesmo um fio condutor de políticas desastrosas. Contestam na oposição e eliminam a memória mal tomam posse em cargos do Governo e sempre em regime de plano inclinado. A New Public Management, cara aos ultraliberais, aos neoliberais mas também aos liberais e aos socialistas e social-democratas da terceira via, é, ou foi, a bíblia.

 

Foi assim com a gestão escolar, com a mobilidade especial para os professores dos quadros, com os concursos externos e internos de professores e podíamos ficar aqui a tarde toda a exemplificar. A prova geral de acesso é mais um episódio da saga. Soluções simples e sensatas como a autonomia das escolas para a distribuição equilibrada do serviço docente entre os professores que existem, eliminariam de vez este desmiolo e apenas exigiriam que os serviços centrais respondessem às necessidade oa longo do ano de uma forma civilizada, humanamente respeitável e com uma verdadeira eliminação de despesa. Mas para isso, era exigível que o arco governativo não obedecesse à lógica de aparelho, abandonasse o fio condutor dos interesses que nos consomem e defendessem mesmo a igualdade de oportunidades e o combate ao abandono escolar que nos envergonha.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 14:33 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Segunda-feira, 15.07.13

 

 

 

A Escola A tem 5 professores da disciplina X para 4 horários e a vizinha Escola B tem 5 professores da disciplina x para 6 horários. Agruparam-se as escolas, terraplenando as suas organizações, para que a Escola B não contrate outro professor da disciplina x. A MegaEscola AB ficou com 10 professores da disciplina X para 10 horários, mas com 11 da disciplina y para 10 horários. A vizinha Escola C tem 10 professores da disciplina y para 9 horários e para que não contrate um professor da disciplina y criou-se a MegaMegaEscola ABC. E podíamos ficar a noite toda a aumentar a escala, a terraplenar organizações escolares e convencidos que reduzíamos despesa.

 

Não seria mais sensato não agrupar, e não terraplenar, escolas e criar estruturas (lembro-me dos implodidos CAE´s que deveriam ter visto a implosão das inúteis DRE´s) que fizessem o metabolismo basal, descrito no primeiro parágrafo, numa organização minimamente civilizada? Tanto tempo perdido, tanto financiamento desperdiçado e até já temos, veja-se lá, software que faz o tal metabolismo basal com uma estrutura administrativa ligeira, eficiente e com respeito pelas pessoas e pelo bem comum.

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 21:25 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

 

 

 

Portugal está mergulhado na ideia de sobreviver e as suas organizações não escapam à impossibilidade de desenhar um qualquer futuro. 

 

Há um conjunto de conceitos associado às novas realidades informacionais que requerem precisão concetual para que a linguagem permita uma comunicação assente em bases sólidas. É, por exemplo, nuclear perceber a distinção entre um computador e um sistema de informação. O segundo é mais abrangente, uma vez que integra a tecnologia, os procedimentos organizacionais, os métodos e as políticas que tratam a informação, mas também as pessoas que exercem funções no seu seio.

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 19:23 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 14.07.13

 

 

 

Levará anos a recuperar a relação de confiança entre os professores e um qualquer Governo (onde se inclui a traquitana do MEC). O principal argumento que nos empurrou para esta insuportável desconfiança foi a matriz privatizadora do orçamento da Educação que integrou, no arco da governação, testas de ferro que paulatinamente desbravaram o caminho para o negócio na lógica das piores PPP´s. Nem se trata da privatização da gestão escolar conhecida noutras latitudes que, mesmo sem a caça ao lucro em ambiente corrupto, já provou que aumenta a segregação social e a despesa e não melhora os resultados escolares globais.

 

Haverá quem defenda de forma generosa a Parque Escolar, o modelo de gestão escolar em curso, os agrupamentos de escolas e os novos contratos de autonomia. Acredito que haverá.

 

Mas o que está na matriz dessas decisões é reduzir custos e criar escala para privatizar. A Parque Escolar já é uma sociedade anónima e proprietária de dezenas de escolas públicas. O modelo de gestão escolar transporta para dentro das escolas o pior da política partidária local, desaproxima as decisões fundamentais da maioria dos professores e, portanto, desmobiliza-os. Os agrupamentos vão terraplenando a história das escolas e criam escala que compense a guloseima. Os contratos de autonomia passarão, através da relação entre indicadores e massa salarial, o ónus da precarização dos professores (despedimentos e requalificações) para a descrita lógica local. O sistema escolar estará a ficar no ponto, digamos assim.

 

Isto é muito perigoso. Não direi que os professores devem ter, como nas sociedades mais avançadas, um estatuto semelhante aos magistrados. Quando ouço os defensores da empresarialização da gestão escolar apercebo-me que lidam mal com a liberdade dos professores para ensinar. Não percebem, tal a ânsia com a medição e o controle milimétrico da produção da primeira linha, que esse risco é vital para a democracia e para a igualdade de oportunidades. É difícil, como tentou Hanna Arendt, fazer com que percebam o que está em causa e o que move quem pensa de modo diferente. É natural. A obsessão com o lucro parece irresistível e dá ideia que só pára mesmo depois das catástrofes.

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 18:04 | link do post | comentar | ver comentários (13) | partilhar

Domingo, 23.06.13

 

 

 

 

 

 

Os cortes a eito de Nuno Crato têm uma percentagem mínima da sua epifania-modernista e uma dose elevada de além da troika. Há, quando muito e se quisermos, uma conjugação de factores. Não substituir os professores que se iam aposentando e eliminar professores contratados foi a táctica. Se tal não chegasse, os despedimentos entrariam pelos do quadro, primeiro nos de zona pedagógica, enquanto se preparava a precarização de todos e a eufemística escolha da escola que era, e é, o alargamento do negócio na Educação. E já se sabe: só se privatiza depois de se reduzir drasticamente nas pessoas, no seu custo e nos seus direitos.

 

E porquê os professores? Como se lê na notícia do Expresso de ontem, porque são muitos. Não é por acaso que os professores lideram destacadíssimos os despedimentos na administração pública. Portugal, ao contrário da Irlanda, por exemplo, e basta googlar um bocadito, foi muito para além do memorando e não impôs qualquer área intocável. Há, nas nossas "elites", uma secular questão mal resolvida com a escola que impede que se alcance alguma vez a literacia para todos.

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 21:20 | link do post | comentar | ver comentários (15) | partilhar

Terça-feira, 18.06.13

 

 

 

 

 

"Estamos a pensar eliminar o LAL (lançamento do ano lectivo, alterado para o actual OAL, organização do ano lectivo, numa decisão estruturante de profundo alcance)" disse o SE do MEC em 2002. "O sistema escolar estabilizou e não se justifica a publicação", acresentou.

 

Nessa reunião também discutimos a certificação dos horários escolares que consistia no seguinte: numa escola, por exemplo, o 7ºA teria a aula de Português de 90 minutos à segunda-feira, às 08h30 na sala 21, princípio que se aplicaria a todas as aulas. Previa-se um espaço residual para as oscilações da rede e para as opções curriculares dos alunos. Os professores, em cada grupo disciplinar, construíam os seus horários no mês de Maio. Basta pensar um bocado, e para quem conhece mesmo a organização escolar, para se perceber o avanço organizacional que tudo isto representava.

 

O estado de sítio dez anos depois é o que se sabe. Não só não se eliminou o OAL, como a sua publicação vem tarde e a más horas e serve uma espécie de belicismo anarco-mrppiano.

 

 

Li, há dias, o OAL para o próximo ano lectivo e recolhi algumas pérolas que passo a comentar. Podiam ser outras tantas.

 

 

Repare-se no rigor na nomenclatura das actividades curriculares não disciplinares (quem diria). Fica a saber-se que o apoio ao estudo não é uma oferta complementar e que esta não é uma actividade de enriquecimento curricular. Ou seja, pode apoiar-se o estudo sem ser em complemento e uma oferta complementar não é a mesma coisa que um enriquecimento curricular. É muito avançado, realmente. Pode haver ofertas que não enriqueçam nem apoiem; deve ser isso.

 

"(...)Uma gestão flexível e adaptada na lecionação do Apoio ao Estudo e da Oferta Complementar no 1º ciclo, assim como na organização das Atividades de Enriquecimento Curricular(...)" lê-se na página 2.



Repare-se na descoberta em forma de doravante. Portugal passará a ter, finalmente, escolas.


"(...)Normas que reforçam a autonomia dos agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas, doravante designadas por escolas(...)", lê-se na página 4.

 

 

O artigo 2º na página 5 é de antologia. Portugal, em 2013, passa, finalmente e de vez, a definir conceitos imprecisos a serem aplicados na União Europeia: ano escolar e ano lectivo, hora (precisando-se que tem 60 minutos e não 55 como alguns julgavam, embora noutras circunstâncias dure 50 minutos), tempo lectivo (que é mesmo detalhado para que não restem dúvidas e que apenas deve ser considerado à semana e não ao dia, ao mês, ao ano escolar ou ao ano lectivo).

 

"(...)Artigo 2º Definições

Para efeitos de aplicação do presente despacho normativo, considera-se: a) “Ano escolar” e “ano letivo” - os espaços temporais definidos nos diplomas que estabelecem a organização e a gestão dos currículos dos ensinos básico e secundário; b) “Hora” - o período de tempo de 60 minutos, no caso da educação pré-escolar e do 1.o ciclo do ensino básico, e o período de 50 minutos, nos restantes níveis e ciclos de ensino. c) “Tempo letivo” - a duração do período de tempo que cada escola define como unidade letiva, em função da carga horária semanal prevista nas matrizes curriculares(...)". Lê-se na página 5.

 

 

Introduz-se o conceito de tempos lectivos (não se sabe como será nas "horas") desocupados dos alunos, mas que só se aplicará em situações imprevistas (serão catástrofes naturais ou provocadas pela presença de humanos?).

 

"(...)e) Organizar um conjunto de atividades de natureza lúdica, desportiva, cultural ou científica, a desenvolver nos tempos letivos desocupados dos alunos por ausência imprevista de professores;(...), lê-se na página 6.

 

 

O actual MEC esclarece que as escolas particulares e cooperativas não são públicas e só deve aguardar por alguma relatório da IGEC para terminar com estes financiamentos.


"(...)Os docentes dos ensinos público, particular e cooperativo podem(...)", lê-se na página 7.

 

 

Lança-se, para introduzir algum rigor, o conceito de fracção do tempo lectivo que será operacionalizado num ficheiro excel que será disponibilizado oportunamente pelo próprio ministro das finanças.

 

"(...)5. Sempre que, nos 2º e 3º ciclos do ensino básico e no ensino secundário, da atribuição de serviço letivo a cada docente resultem eventuais frações do tempo letivo adotado, a escola deverá gerir, de forma flexível ao longo do ano,(...), lê-se na página 7.

 

 

A fórmula CT = K X CAP + EFI +T epifanada no ano escolar (ou lectivo?) passado é alterada para CH = K x CapG + EFI + T que será sucessivamente acrescentada de variáveis em cada ano económico cujo conceito é diferente de ano civil. Tem também como objetivo entreter os programadores de soluções informáticas.


"(...)1. Em cada ano letivo, o crédito horário (CH) é calculado de acordo com a seguinte fórmula CH = K x CapG + EFI + T, em que:(...)", lê-se na página 14.






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Quarta-feira, 05.06.13

 

 

 

 

 

O discurso bem-pensante da meitocracia normalmente dá em tragédia e Nuno Crato volta a mostrar que desconhece a realidade ao querer impôr nas escolas públicas o modelo GPS de contratação de professores.


Sobre o assunto, aconselho o vídeo que se segue.

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 21:33 | link do post | comentar | ver comentários (16) | partilhar

Segunda-feira, 03.06.13

 

 

 

Os aumentos no número de alunos por turma e nos horários de professores, a revisão curricular e as agregações de escolas baixaram a qualidade do ensino, colocaram em perigo os nossos avanços na eliminação do abandono escolar e provocaram milhares de horários zero.

 

Se os cortes a eito ficarem intocáveis, e mesmo que o Governo ceda na antecâmara do despedimento de professores, a ideia de "mobilidade especial" regressará com esta ou com outra maioria e o nosso atraso educacional reforçar-se-á. Terão de ocorrer significativas mudanças políticas para que o sistema escolar português recupere uma estratégia de desenvolvimento.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 18:58 | link do post | comentar | ver comentários (22) | partilhar

Sexta-feira, 31.05.13

 

 

 

 

 

Encontrei um professor já reformado com quem conversei muitas vezes sobre o modelo de gestão escolar de Maria de Lurdes Rodrigues. Discordávamos, embora compreendesse que alguma da sua argumentação se fundamentava na militância partidária, já antiga, e no consequente exercício de funções publicas. Havia, digamos assim, a defesa de um Governo em queda acentuada.

 

Reencontrei-o há dias. Continua no exercício político, agora mais de âmbito local, e integra um conselho geral de um mega-agrupamento. A primeira coisa que me disse fez-me sorrir: "Este modelo de gestão transporta para dentro das escolas o pior da política partidária. Precisa de ser mudado".



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 12:51 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Terça-feira, 28.05.13

 

 

 

A rede escolar caminha para um mega-agrupamento por concelho e a consecução não estará tão longe como se imaginava recentemente. Quando muito, as grandes urbes fugirão a esse objectivo. A massa crítica docente não fez tudo o que devia para evitar essa tragédia.

 

Não é avisado realizar tudo isto com os instrumentos legais em vigor, uma vez que a gestão de proximidade, e a consequente liderança (não necessariamente unipessoal, como se comprova em comunidades mais avançadas), é um factor inalienável da gestão escolar.

 

Estão em causa algumas variáveis: a desconcentração do MEC e a sua lei orgânica, a municipalização (descentralizada) do sistema escolar e o modelo de gestão escolar que foi pensado para uma escola não agrupada e que é mais desconcentrado (com forte dependência do poder central) do que descentralizado.

 

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 14.05.13

 

 

 

 

 

 

Quando li que "Passos diz que as novas medidas não se aplicam "à generalidade" dos cidadãos" pensei: não tarda muito e está a afirmar qualquer coisa como "Portugal precisa de menos professores". Dá ideia que os governos "entretém" as pessoas com outros alvos para acabarem nos do costume. Há anos a fio que é assim. Veremos o que dizem os senadores da direita e da esquerda.

 

Por mais que se saiba que a redução da natalidade está ainda longe de influenciar o número de alunos no curto e no médio prazos, que houve um aumento do número de alunos por turma associado à redução curricular e a uma gestão escolar única no mundo conhecido, que temos ainda uma percentagem, que nos envergonha, de pessoas que não concluem o ensino secundário e mesmo o 3º ciclo, o primeiro-ministro faz estas afirmações na linha das conclusões do indizível relatório FMI.






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Terça-feira, 07.05.13

 

 

 

 

 

 

 

(Já usei parte deste texto noutro post.

Se é para repetir, então que se repita)

 

 

 

 

Convenço-me que esperamos que as nossas escolas não caminhem para o estado em que as rotinas só se quebram com exames.

 

É evidente que temos que considerar que o sistema escolar está mergulhado numa desesperança que se acentua nos finais de ano lectivo e que o clima que se vive na sociedade, e que se alastra aos profissionais das escolas, é de angústia profunda. A "fuga" à realidade é o escape num sistema que acentuou o apelo à desmobilização com a revisão curricular e com a gestão escolar. Dá ideia que o que sobra dos planos de actividades funciona em jeito de catarse.

 

Se a escola é a cultura permanente da exigência, da finalidade e da regra, o seu ambiente relacional não sobrevive sem o afecto, a amizade e o drama. 

 

Os exames são um metabolismo útil e basal nos sistemas escolares que incluem mais do que um aluno. No nosso caso, e com um GAVE estratosférico, generalizar a coisa em doses industriais pode transformar um procedimento docimológico num pesadelo organizacional que apenas confirme o que já se sabia. A História, das ideologias e da pedagogia, ensina-nos isso.

 

E já que estamos em maré de exaustões, e para além de não nos devermos esquecer que a primeira regra para aferir a saúde de uma sociedade é verificar se a retórica coincide com a realidade, repito um post de há uns meses:

 

Discutir em que anos é que há exames, e em que disciplinas, é uma matéria interessante. Tornar a questão numa contenda ideológica só é possível em sociedades imaturas ou em crise. E como me tenho cansado de escrever, a nossa sociedade é a parte maior do problema. Proponho a leitura deste comentário da Ana aqui no blogue. É interessante seguir o raciocínio e chocar com o último parágrafo.









publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 19:59 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 28.04.13

 

 

 

 

 

Ouvi ontem na TSF uma parte, que incluiu o sistema escolar, do muito apaudido discurso de Francisco Assis no congresso do PS. O deputado elogiou o legado de Maria de Lurdes Rodrigues e, para não variar, apontou o dedo às dificuldades criadas pelas corporações. Já cansa. Era bom que Assis revisse o conceito de corporações e talvez concluísse que é mais corporativo do que os acusados.

 

Tem razão quando acusa a direita de ter cavalgado a onda das contestações. Mas esquece-se de dizer que a direita só lá chegou em 2008 (a um ano de eleições), porque antes aplaudia silenciosamente, e que a justa contestação foi iniciada por cidadãos das mais variadas ideologias e convicções. Francisco Assis devia evidenciar essa onda quase heróica (estou a pesar bem) e não se remeter a um exercício de revisionismo.

 

Mas quando se fala em legado de defesa da escola pública fala-se exactamente de quê?

 

Antes de mais, é importante sublinhar que os dirigentes do PS misturam nesse argumentário a ciência e o ensino superior. Francamente: o que de muito positivo os governos do PS fizeram nessas áreas foram políticas conduzidas por Mariano Gago. Tenho sérias dúvidas que esse ex-ministro subscreva o legado infernal de má burocracia, a forma obcecada como se tentou impor uma monstro de avaliação de professores ou, já em fim de ciclo, se decretou uma gestão escolar contra tudo e quase todos.

 

É evidente que o actual Governo prolongou a agonia da escola pública e acentuou-a em áreas determinantes. É verdade que sim. Está agora mais em causa o regresso a níveis impensáveis de abandono escolar e ouve-se muitas vezes o elogio das novas oportunidades. Como sempre se disse, a certificação de competências nestes níveis de escolaridade é um imperativo num país como o nosso. Mas foram os governos do PS que deram cabo da ideia com a febre da propaganda misturada com uma descarada manipulação de dados. Também aí estão por provar os elogios ao legado.



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O fim das escolas






publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:45 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 24.04.13

 

 

 

 

 

Quando escrevi neste post que "(...)quando a coisa se generalizar na forma de centenas de mega-agrupamentos, organizados no quinquagésimo quadro de divisão do rectângulo e habitados por professores precários, a despesa humana será incontrolável e o abandono escolar ainda mais chocante(...)", estava a pensar no que existiu desde a mudança de milénio e na agenda inconfessada que foi forçando o descrédito das escolas do Estado porque o seu orçamento era demasiado apetitoso para não obedecer à pior lógica PPP.

 

Não é preciso pensar muito para perceber como os indicadores macro comovem os decisores políticos e como a pior tese "cooperativa de ensino" tenta sobreviver.

 

A babilónica organização administrativa do país e a dificuldade nos domínios da descentralização e da desconcentração do Estado, associada ao temor com a municipalização, atribuem créditos à ideia. Cria-se mais um quadro de divisão administrativa centralizado, que não seja concelhio nem distrital, e prepara-se terreno para o ensino low cost (patente registada pelo Paulo Guinote).

 

Numa democracia tem de existir espaço para o ensino privado, confessional ou mesmo na lógica "cooperativa de ensino" que adquire diversas nomenclaturas nas democracias.

 

O que é inadmissível na escolaridade obrigatória, e quiçá nos outros níveis, é a privatização de lucros à custa dos salários das pessoas e a contratação não escrutinada de professores pagos pelo orçamento do Estado.

 

 

 

Já usei parte deste texto noutro post.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 18:54 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 23.04.13

 

 

 

 

 

 

 

A filósofa espanhola Adela Cortina, está como residente da Universidade do Porto e deu uma interessante entrevista ao Público de Sábado.

 

Escolhi o espaço sobre Educação porque me pareceu que se ajusta ao que se passou nos últimos anos nas nossas escolas quando necessitávamos ainda mais de gestos responsáveis, (autónomos, portanto) solidários a altruístas. Como se sabe, estes valores não se decretam mas os modelos organizacionais podem estimulá-los.

 

Adela Cortina recorreu a uma metáfora de dois lobos, que existem dentro de cada um de nós, usada por um chefe índio.

 

Um lobo concordante e a favor da paz e outro violento e egoísta.

 

É na alimentação que damos aos contendores que tudo se joga. Se queremos professores responsáveis, mobilizados e altruístas temos de confiar neles como pessoas autónomas. Leva tempo, exige uma enorme paciência com os lobos do outro lado, mas os resultados surgem.

 

Falei dos professores porque foi o caso mais flagrante com a sua avaliação e com o modelo de gestão escolar ultraliberal. Podia encontrar inúmeros argumentos semelhantes sobre os alunos e até sobre os cidadãos em geral.

 

O ultraliberalismo estimula o egoísmo, para a propalada prestação de contas usa mecanismos férreos, inaplicáveis, inexequíveis, desumanos e, naturalmente, com péssimos exemplos vindos "de cima". Alimenta o tal lobo egoísta e violento que prevalece num quotidiano que vai das folhas excel aos waps.

 

 



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Segunda-feira, 22.04.13

 

 

 

 

 

Subscrevo integralmente e com gosto o texto do João Ruivo. É um assunto que tenho abordado com frequência. Se me permitem, desde que iniciei este blogue, em 25 de Abril de 2004, que faço este tipo de análise que é um tema central dos meus escritos sobre política educativa. É bom que se sublinhe: quem governou o MEC neste milénio, mas propriamente desde 2003, mergulhou neste modelo neoliberal das escolas.

 

 

A reorganização neoliberal das escolas

 

"A reorganização neoliberal da escola, em que os alunos são vistos como "clientes", os professores como "colaboradores", a aprendizagem como um "produto", o sucesso académico como um indicador de "qualidade total", o planeamento pedagógico como "acção de empreendedorismo", a gestão escolar como "direcção corporativa" e os pais e a comunidade como "stakeholders", e o investimento como um "custo orçamental", esta reorganização, dizíamos, tem destruído uma boa (e talvez a melhor) parte do edifício da escola pública, enquanto escola democrática, inclusiva e meritocrática.

O pretenso ideal de fazer funcionar uma escola sem professores reflexivos, activos e motivados, sem custos e sem autonomia, foi experimentada por todos os sistemas mais ou menos autocráticos, mais ou menos ditatoriais. Os resultados também estiveram sempre à vista: no Portugal do início da década de setenta do século passado, quase metade da população era analfabeta e apenas sete em cada cem estudantes que terminavam o secundário continuavam estudos na universidade.(...)"



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Quarta-feira, 17.04.13

 

 

 

 

O MEC diz-se disponível para reduzir a componente lectiva dos professores que exercem cargos de coordenação e de direcção nas escolas uma vez que os mega-agrupamentos exigem disponibilidades para a gestão de proximidade que as direcções, com a lei em vigor, não conseguem cumprir.

 

É uma decisão justa.

 

Mas coloca-se de imediato outra questão: mas não foi exactamente por causa dessa redução que se agregou escolas? E não adianta argumentar com a necessidade de completar horários de professores em diversas escolas porque isso já se fez na década de noventa e sem amontoar escolas. Bastaria algum conhecimento do terreno e das variáveis em questão.

 

A razão vai-se impondo e os "reformistas" instantâneos continuam aos papéis e não tarda voltaremos ao sítio onde deveríamos ter ficado. O que se tinha poupado em abandono escolar e em verdadeiro despesismo.



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Terça-feira, 16.04.13

 

 

 

 

 

Apaguei inadvertidamente um comentário nest post assinado por Figueiredo que protestou para o email. Prometi voltar ao assunto. O erro é aceitável: ia apagar um comentário de publicidade oriunda da China e eliminei o anterior de forma irreversível.

 

O comentador discordava da associação entre os agrupamentos de escolas e o abandono escolar no seguinte parágrafo: "(...)Temos muito mais a fazer, mas com a carga curricular desenhada nos achamentos do actual ministro, com menos condições para a profissionalidade dos professores, com mais alunos por turma e com um modelo de gestão escolar que dificulta o apoio aos alunos com mais dificuldades e que lança menos condições organizacionais, os resultados piorarão e corre-se o risco de se perderem os avanços das últimas décadas. E tudo se agravará com uma sociedade mais pobre.(...)".


É simples.

 

A abrupta redução de professores deve-se mais à revisão curricular, ao aumento da componente lectiva dos professores e ao aumento do número de alunos por turma. A variável mega-agrupamentos também contribui, mas menos significativamente.

 

A relação de proximidade entre os membros da gestão das escolas e os alunos em risco de abandono ou insucesso escolares é decisiva e fica comprometida neste modelo, por muito boas vontades que existam. Os professores que leccionam as turmas, e mesmo os directores de turma, não têm condições para esse apoio.

 

Só quem não anda pelas escolas é que desconhece esta realidade num país com quase três milhões de pessoas no limiar da pobreza. Por outro lado, o modelo em curso também desenha serviços administrativos apenas na escola sede o que vem acentuar as dificuldades na relação entre as escolas e as famílias mais pobres e na detecção de pequenos detalhes que são muitas vezes decisivos.

 



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Terça-feira, 09.04.13

 

 

 

 

É frequente não sabermos quantos somos, mas começam a aparecer dados fiáveis. O número de professores do ensino não superior está nessa categoria e deve ser sublinhado.

 

Se a percentagem do PIB investido em Educação (3,8% em 2012) desceu para números de 1989, o número de professores do ensino não superior já vai em 1980 quando a frequência escolar era incomparavelmente mais baixa. Foi Nuno Crato, que se espera que saiba números exactos, quem afirmou que no corrente ano existem 105 mil professores nos quadros mais cerca de 10 mil contratados.

 

Olhe-se para o gráfico da Pordata, números até 2011, e acrescentem-se os dados de 2013.

 

É que há tanto comentador a dizer disparates que cansa mesmo. E escusam os apressados de considerar os mega-agrupamentos como a variável fundamental. Esse desmiolado modelo de gestão tem consequências mais graves no abandono e insucesso escolares. A revisão curricular, com os achamentos do ministro, os horários dos professores, o aumento do número de alunos por turma e a desertificação escolar do interior do país, são variáveis mais determinantes para esta descida abrupta.

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 21:01 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Terça-feira, 02.04.13

 

 

 

Os mega-agrupamentos continuam a sua saga contra tudo e quase todos e uns indicadores macro, poupança dizem eles, fazem as delícias dos decisores do MEC. Mais cedo ou mais tarde (quanto mais tarde pior, como sempre) lá teremos de mudar, no mínimo, o modelo de gestão escolar. A configuração territorial das agregações vai assegurando um único dado a considerar: são escolas portuguesas.

 

Constituição de mega-agrupamentos chega ao fim com mais 18 novas unidades

"Foram muitas as escolas agrupadas contra a vontade. Também não foi respeitada opinião de várias autarquias.(...)"



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 18:21 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 01.04.13

 

 

 

Agrupamentos escolares afastaram pais, alunos e professores

 

 

"(...)Menos autonomia e maior fosso entre os problemas e os decisores. Directores, docentes, pais e especialistas fazem um balanço negativo da agregação de escolas. Ultrapassar as situações de isolamento das escolas, articular os vários níveis de ensino e combater o abandono escolar. Eis alguns dos princípios que nortearam a criação dos agrupamentos.(...)"


Há anos que o balanço sobre os agrupamento de escolas é negativo e não só se insiste como se aumenta a escala. Ninguém pode dizer que não foi avisado para os maus resultados.
Mesmo que a divisão administrativa do país seja o caos que se conhece e que isso se arraste ao sistema escolar, criar outra estrutura orgânica para o MEC, e que envolva as escolas, exige, desde logo, outro modelo de gestão. Não se pode projectar um modelo destinado, bem ou mal, a uma escola não agrupada e querer que se faça a gestão de dezenas de instituições.
Desde os organigramas do modelo ao preconceito providencial que evangeliza as cores que têm governado, o balanço negativo era mais do que esperado.
E nem é tanto a questão do unipessoal ou do colegial (embora num país tão propenso ao caciquismo essa questão nunca se deva desprezar), é o facto de passado o período de instalação apenas a escola sede ficar com o Conselho Geral, com a Direcção, com o Conselho Pedagógico, com a maioria do coordenadores de Departamento Curricular (uma estrutura inútil), com a totalidade dos serviços administrativos (num país com tanto apoio social, esta ideia choca com a realidade) e por aí fora. Só mesmo quem esteja para remar contra muitas marés conseguirá inverter o caos. E será muito difícil que o unipessoal cumpra o que a lei projecta.
É evidente que tudo isto beneficia as cooperativas de ensino. Nos concelhos onde a lógica de mercado está ao rubro, o continuado descrédito das escolas do Estado é uma espécie de dádiva do arco do poder. E nem vou pelas teorias da conspiração. Limito-me à impreparação e à incompetência.


publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 19:16 | link do post | comentar | ver comentários (14) | partilhar


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