Em busca do pensamento livre.

Quarta-feira, 25.03.15

 

 

 

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Chegaram hoje dois livros sobre gestão escolar de que sou autor. Estão na fase de revisão e em breve serão colocados à venda. Terminam assim as suas versões gratuitas em formato ebook ou pdf.

 

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 O "As" está a mais. Terá como título "Razões de uma candidatura".



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 16:36 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 19.03.15

 

 

 

"O professor faz uma visita de estudo, ou uma saída do desporto escolar, com os seus alunos e tem de apresentar um papel com o carimbo do destinatário para comprovar a realização da acção". O que escrevi acontece em escolas públicas portuguesas e sou franco que nem queria acreditar. Este clima de desconfiança é fatal e devia ser proibido por lei.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 22:32 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 17.03.15

 

 

 

Pode consultar aqui o projecto de intervenção que acompanhou a minha mais recente candidatura no âmbito da gestão escolar.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 12:55 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 12.03.15

 

 

 

 

Mas não há profissionais menos competentes no sector público? Claro que haverá. Essa não é sequer a questão dos últimos anos.

 

A afirmação falaciosa elevava a gestão apenas por ser privada: fazia mais com menos e tinha o exclusivo da competência, da inovação e da ambição. Até me fui, e vou, beliscando quando mesmo entre as pessoas do público se assistia, e assiste, a uma qualquer ideia de "impossibilidade" quando se apontava, e aponta, algum exemplo de gestão democrática. Nesses casos, se se inclui a democracia na designação já é mau sinal.

 

Há, em Portugal é seguro, um desprezo pelos méritos, inigualáveis na história da humanidade, sublinhe-se, da democracia. Quando há uns poucos anos adivinhávamos a tragédia da desregulação da Educação na Suécia, éramos uns radicais ideológicos. Nesta altura, já são os próprios suecos que se "confessam decepcionados com a privatização da Educação".

 

A "desgraça" da bancocracia acentuou a falácia referida. Claro que existem bons profissionais em ambos os sectores, mas a Educação, pelo seu carácter de longo prazo e de produtos não mensuráveis no imediato, não é aconselhável aos modelos empresariais. Em Portugal têm falido várias universidades privadas a par dos escândalos de privatização de lucros no não superior em cooperativas que precarizaram professores e outros profissionais.

 

Como sempre se suspeitou, os privados faziam mais com menos se não se considerasse a privatização de lucros, o atropelo aos mais elementares direitos laborais e a observação de resultados democráticos de médio e longo prazos.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 20:26 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 05.03.15

 

 

 

O surrealismo, como corrente artística de vanguarda que definiria os caminhos do modernismo entre as duas grandes guerras do século XX, está vigente no liberalismo que comanda o país e a maioria das suas instituições. 

 

Ansiamos por uma saída para o estado em que vivemos e um olhar para o surrealismo ajudaria a reencontrar o caminho da modernidade, mesmo para os que atingiram um qualquer pico como é o caso da contenda entre Sócrates e Passos: "Sócrates acusa passos de "acto desprezível" que o deixa perto da miséria moral".

 

Ou seja, primeiro destrói-se e depois confessa-se. E aí voltamos à análise do surrealismo. A saída do estado surreal só se consegue com muita psicanálise. É bom recordar que a corrente de Sigmund Freud penetrava no inconsciente e isso influenciou decisivamente o surrealismo como actividade criativa.

 

Alguns surrealistas ligavam-se ao cubismo e isso explica uma série de fenómenos. As faces do cubismo justificam uma multiplicação contínua e surreal que se transporta para a actualidade e que é agora explicada pela rotação (spin) da mecânica quântica.

 

Já usei estes argumentos noutros posts.

 

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:52 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 02.03.15

 

 

 

As três variáveis do antigo livro de ponto - sumários, faltas de alunos e de professores - têm de obedecer a outra filosofia de gestão na passagem do analógico para o digital. Provocar-se-á uma espécie de estropia se o pensamento analógico se sobrepuser na transferência e haverá produção de conhecimento e significativa melhoria da atmosfera organizacional se o pensamento digital for conhecedor da gestão da informação.

 

O sumário tem um valor didáctico e histórico e o pensamento analógico acrescentou-lhe um tempo de registo - momento de abertura e de conclusão, por exemplo - sem qualquer base docimológica. No pensamento digital, o tempo de registo deve ficar ao critério do professor e o sistema deve permitir o lançamento por WEB para não se circunscrever aos terminas da rede da instituição.

 

O registo de faltas de alunos e professores não tem qualquer relação com os sumários no pensamento digital. O pensamento analógico estabeleceu lógicas inversas para esse registo - o professor rubrica a sua presença enquanto em relação aos alunos apenas se regista a falta; os assistentes operacionais registam a falta do professor -.

 

O pensamento digital apenas regista faltas de professores e alunos; a presença é, obviamente, a consequência do não registo da falta. Os registos devem ser feitos em tempo de aula e em terminais da rede. O dos professores por um assistente operacional ou administrativo (pode  existir um sms automático ao professor) e o dos alunos pelo professor ou por um dos assistentes referidos.

 

Este pequeno exemplo pode ser extrapolado para dezenas de procedimentos que hiperburocratizam a vida deste tipo de organizações. Não basta mudar os instrumentos, é necessário pensar a filosofia de gestão.

 

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publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:45 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 25.02.15

 

 

 

 

A guerra aos professores, confessada por António Costa do PS, foi declarada em 2006 e prossegue. Tem tido picos. Nuno Crato perpetrou o mais elevado e sairá ao nível de Lurdes Rodrigues.

 

Do primeiro dia de aulas de 2006/07 até ontem, leccionei 2976 aulas a 1176 alunos (não contabilizei as inúmeras substituições).

 

Como sou sempre o primeiro a chegar à aula (e com os alunos da puberdade a preparação do espaço nos intervalos, se existirem, ajuda muito) e o último a sair (na minha disciplina a eficiência tem, desde sempre e também nestes mais de 30 anos de professor, uma relação directa com a eficácia e não é uma qualquer epifania tardia), organizei 94310 minutos e meio da actividades lectivas como tempo potencial de aprendizagem. Durante esse tempo, seleccionei exercícios critério das seguintes unidades didácticas: atletismo (872), basquetebol (1213), dança moderna (24), exploração da natureza (22), futebol (979), ginástica (2051), jogos pré-desportivos com inclusão do andebol e do badminton (570), natação (55) e voleibol (950).

 

Estou a obter informação num software que criei para a gestão das aulas e para a avaliação dos alunos.

 

Os relatórios ficam à distância de um clique e da necessidade de informação para apoio à tomada de decisões. Podia divulgar as notas que dei, o tempo dos exercícios critério de cada unidade didáctica, o número de raparigas e rapazes, os anos de nascimento e por aí fora. Não estou a usar folhas excel nem calculadoras. É quase uma década com lançamento de dados em todas as aulas.

 

E é interessante olhar para o que é que os atacantes dos professores fizeram nos domínios da organização e da gestão escolar nesse período. Era importante que esses beligerantes prestassem contas no domínio da eliminação da hiperburocratização, analógica e digital, com que inundaram as escolas e que não tergiversassem com simulações de autonomia no regime mais do mesmo desta vez disfarçada de municipalização rumo à sacrossanta privatização. Aliás, há três certezas sobre o desempenho do mainstream: parou no século passado, é avesso a procedimentos que dão mesmo trabalho e que produzem conhecimento e lançou o país no estado em que estamos.

 

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Parte do layout do sumário dos projectos de aula - base de dados construída em filemaker. 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:01 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 21.02.15

 

 

 

 

Se aceita o desafio, estude o exemplo que pode ler mais à frente e apresente-o como solução para as duas décadas de reformas estonteantes que flagelaram o sistema escolar.

 

Foi Confúcio quem disse mais ou menos o seguinte: "não sou um homem culto, apenas descobri o fio à meada". Cite-o, fica-lhe bem já que o pensador está em alta nas terras do mandarim, a propósito do emaranhado em que se afundou a discussão educativa em Portugal: municipalização, descentralização, desconcentração, autonomia, rankings, privatização, ensino cooperativo e afins.

 

E acrescente António Nóvoa: "à sociedade o que é da sociedade e à escola o que é da escola; chega da escola transbordante". Os municípios, por exemplo, devem ser avaliados pelo número de munícipes subnutridos, que abandonam a escola cedo ou que não conseguem acompanhar as aulas.

 

Diga ainda que se deve devolver a escola aos seus profissionais que, com os representantes dos encarregados de educação, devem eleger um conselho directivo. O MEC deve ter um quadro orgânico sem tachos e depurado para o essencial (tratar dos programas e dos exames nacionais, da gestão orçamental, da organização da rede escolar, da simplificação dos procedimentos administrativos, da organização da rede de formação científica dos docentes e dos programas de avaliação externa das escolas de acordo com princípios modernos de gestão da informação).

 

O (prometido) exemplo que pode ler a seguir teve uma 1ª edição em 29 de Janeiro de 2009 na sequência de mais um relatório OCDE encomendado. Sei que é ousado apontar o exemplo como fio à meada. Sei que é também ousado certificar alguém como especialista instantâneo. Há uns anos li todos os livrinhos (filosofia, música, arte moderna, economia, sexo e ciência) que o Público editou advogando a imediata especialização e não dei o tempo por perdido.

 

 

Relatório.

Auditoria externa às escolas portuguesas promovida pelo seu moderno ministério da Educação.

Dimensão: organização e gestão escolar.

Domínio: sistemas de informação.

Indicador: registo das faltas dos professores.

 

Informação obtida:

 

  • Escola A: um professor falta: o auxiliar de acção educativa (AAE) do respectivo bloco lança a ocorrência no mapa 3354.doc; o chefe dos AAE lança as ocorrências diárias verificadas em todos os blocos no mapa 3355.doc; a assistente administrava do sector de pessoal lança o produto das ocorrências semanais no mapa 3356.doc; a tesoureira lança o produto das ocorrências mensais na base de dados de pessoal e vencimentos (bdpv.xls).
  • Escola B: um professor falta: o AAE do respectivo bloco lança a ocorrência, utilizando um dos terminais da rede informática, na base de dados de pessoal e vencimentos; o sistema notifica o professor respectivo.

 

Descritores com a respectiva pontuação (optou-se por lista de verificação): 

  • mapa 3354.doc preenchido - 10 pontos; mapa 3354.doc não preenchido - 0 pontos;
  • mapa 3355.doc preenchido - 10 pontos; mapa 3355.doc não preenchido - 0 pontos;
  • mapa 3356.doc preenchido - 10 pontos; mapa 3356.doc não preenchido - 0 pontos

 

Somatório neste indicador a inserir no ranking das escolas de boas práticas:

  • escola A - 30 pontos;
  • escola B - 00 pontos.

 

Recomendação

a observação registada na "Escola A" deve constar do relatório OCDE2.pt na mesma rubrica em que o relatório OCDE1.pt refere o seguinte:

 

"As principais alavancas do processo, tais como a Ministra e os Directores Regionais, não são funcionários públicos independentes, mas políticos nomeados e sintonizados com os objectivos da política governamental. São apoiados por serviços de dados actualizados ao minuto, que permitem uma tomada de decisão inteligente e bem informada."

 

 

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Caricatura sem mácula de Confúcio, como convém.

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 18:59 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Sábado, 14.02.15

 

 

 

 

É inadmissível a privatização de lucros em instituições escolares financiadas pelo orçamento de Estado. É uma impossibilidade em países ricos e torna-se sei lá o quê em países empobrecidos. Há sociedades onde a "ideia de inadmissibilidade" se estende ao ensino superior e inclui os privados que se financiam nas propinas dos alunos.

 

Em Portugal tem sido o que se sabe e dá ideia que o próximo ano eleitoral agendará a discussão da organização do sistema escolar omitindo a história, até a mais recente. Privatização, municipalização, desconcentração, descentralização e autonomia serão temas em debate com contornos e desequilíbrios que dificultarão um qualquer regresso à sensatez e à comprovação, teórica e empírica, dos insucessos "no modelo sueco".

 

Podemos discutir formas de acrescentar mobilização e cooperação a um sistema desesperançado, mas teremos maus resultados se insistirmos na ideia de que o sacrossanto mercado justifica a privatização de lucros no ensino não superior financiado pelo orçamento de Estado. Será pior se colocarmos a rede escolar e a gestão das escolas ainda mais expostas às competências do poder local. E esta elementar conclusão não se deve misturar na discussão sobre as liberdades: de ensinar, de aprender e de escolha curricular.

 

 

 Já usei estes argumentos noutro post.

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 11:48 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 12.02.15

 

 

 

 

Há muito que se percebeu, pelo menos desde a viragem do milénio: a rede escolar "caminha" para um mega-agrupamento por concelho (com excepções nas zonas metropolitanas) e a consecução não estará tão longe como se imaginava; os "tresloucados" passam o testemunho. O argumento da melhor gestão de recursos é apenas desconhecimento. Os extintos CAE´s, por exemplo, fariam isso até com mais escala e não era necessário terraplenar as escolas públicas. A massa crítica docente não fez o que devia para evitar o anunciado, e já comprovado, desmiolo e os mentores dos privados-encostados-ao-estado vão andando pelos bastidores a prepararem uma nova ofensiva, que designam por municipalização, ao orçamento de Estado.

 

Não é avisado realizar tudo isto com os instrumentos legais em vigor, uma vez que a gestão de proximidade, e a consequente liderança, é um factor inalienável da gestão escolar. Haverá mudanças com o reforço do pior da política partidária que já se conhece.

 

Estão em causa algumas variáveis: a desconcentração do MEC e a sua lei orgânica, a municipalização (descentralizada) do sistema escolar e o modelo de gestão escolar que foi pensado para uma escola não agrupada e que é mais desconcentrado (com forte dependência do poder central) do que descentralizado. As redes escolares, e as análises e diagnósticos, vão dar mais sinais de que a sucessão de disparates cria o hábito.

 

 

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Sábado, 17.01.15

 

 

 

Deve ser natural que o PS discorde de um conjunto de ideias que correram muito mal nos países que fizeram algo parecido. Era sei lá o quê se assim não fosse. Veremos as ideias dos socialistas em relação à descentralização e desconcentração do sistema escolar e também se espera que alterem duas das suas invenções comprovadamente nocivas para a escola pública (a desigualdade em relação aos verdadeiros privados não parou de aumentar desde a introdução dessas variáveis): mega-agrupamentos e modelo de gestão escolar.

 

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Primeira página do Expresso

de 17 de Janeiro de 2015.

 



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Quinta-feira, 15.01.15

 

 

 

 

Do pensamento único na escola...

 

 

"||| ... assusta-me a constante espera da resposta que venha da "tutela", de quem tem responsabilidade, do director, do coordenador, dos outros. sempre dos outros. um plano de formação, uma reunião, uma matéria para ser leccionada. tudo decidido pelos outros. e depois, "não nos ouvem". e depois, nada "funciona". e depois, "é o sistema". e para rematar: "tem que ser assim" e "sempre foi assim". o pensamento próprio passou a ser, na escola, um pensamento dos loucos ou dos privilegiados. e isto é assustador. a ideia que se tem que cumprir qualquer coisa só porque se tem, porque está escrito ou esperar que outros decidam por nós o que para nós é o melhor foi um conquista maquiavélica desta equipa ministerial que conseguiu elevar ao máximo o "pensamento único" para coisas que "não podem ser de outra maneira". isto era só assustador se fosse noutro organismo qualquer da função pública. mas é na escola. o lugar, por excelência do questionamento e das liberdades. mas mortos e enterrados estes princípios, agora, é tão fácil ver tudo a dizer que tem que ser assim, que esperam da tutela a panaceia ou a orientação. melhor, o rumo. e isto é triste. é a prova que se pode matar a escola mantendo só as paredes e as janelas porque quando ninguém diz que não, faz perguntas ou diz que há outros caminhos é, para os outros todos que seguem o que vem em mais um regulamento, proscrito. pensar pela própria cabeça, saber o que se quer para a escola, para uma aula, para um trabalho em equipa é agora um acto de rebeldia. melhor, de rebelião. e já não resiste a pergunta: como chegámos aqui? eleva-se a pergunta: como fugimos daqui antes que seja tarde demais?..."

 

 

 

 

 



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Há anos, mesmo há décadas, que se constata no sistema escolar: o inferno da hiperburocracia é um rol de inutilidades e é inamovível. Se a sociedade portuguesa até tem alguma obra feita na desburocratização, o sistema escolar é um mundo à parte onde saber de procedimentos de gestão parece uma excentricidade. Tanto como no MEC, os actores das escolas parecem asados para o inferno.

 

Há escolas no centro da Europa onde, por exemplo, não existem actas de reuniões nem registo de sumários. Em Portugal, produzem-se "biliões" de actas em cada ano com informação inútil. Um apoio educativo, como exemplo de um informação útil, pode ser solicitado a quem de direito, sem uma acta. Mas o mais elucidativo acontece com as visitas de estudo: paira a ideia que sem acta não há seguro escolar e, por via disso, cada visita é registada em actas de reuniões de grupo, departamento, conselhos de turma ou pedagógico. Sei lá: se tenho um acidente com o meu automóvel a companhia de seguros exige-me a acta com a informação da viagem? 

 

Não compreendo este estado vegetativo que se eterniza. Muito sinceramente. A desconfiança nos professores tem um preço elevado e é um sinal de atraso civilizacional. Bem sei que a organização e a escola não são valores preciosos na nossa sociedade, mas é aí que tudo começa e não estranhemos as cíclicas bancarrotas.

 

 

 

 



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Sábado, 10.01.15

 

 

 

 

Os últimos governos da AD alteraram a lei orgânica do MEC. Os do PS iniciaram a megalomania inédita de agrupar escolas a eito e criaram um modelo de gestão escolar que leva para dentro das escolas o pior da política partidária local. Está tudo comprovadíssimo.

 

Mas olhemos para os primeiros: Durão Barroso eliminou 27 centros de área educativa (CAE´s) quando começavam a ter massa crítica, "colocavam professores na hora" (imagine-se se tivessem a facilidade dos meios actuais) e "caiu" na Educação por causa dos concursos de professores. Passos Coelho extinguiu 5 Direcções Regionais de Educação (DRE´s), que deviam ter sido eliminadas em vez dos CAE´s, quando começavam a perceber a sua nova função e "caiu" na Educação por causa dos concursos de professores.

 

Tudo implodido, eis que a mesma área política tem uma epifania de 180 graus e inventa um quadro orgânico que admite 308 agências municipais descentralizadas (sim, 308 porque nós somos uns 400 milhões; essa coisa dos 10 milhões e da quebra de natalidade é só para impressionar o pessoal dos fundos) depois de ter assinado centenas de contratos de autonomia (vulgo, papelada) com estruturas escolares desconcentradas. É confuso, sei disso, mas é mesmo assim. As trapalhadas são ininteligíveis.

 

Se olharmos para os segundos numa altura em que se preparam para voltar a governar, até se torna curioso assistir às ideias sobre desconcentração e descentralização do sistema escolar e à análise crítica das mega-estruturas que inventaram e ao modelo respectivo. É bom sublinhar que os legados socialistas mais nefastos têm a assinatura de duas personagens exemplares no uso do poder: Sócrates & Rodrigues.

 

 

 Já usei estes argumentos noutros posts.

 

 

 



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Segunda-feira, 29.12.14

 

 

 

 

Estava na gaveta

 

"(...)Para além disso, a anunciada iniciativa de municipalizar a gestão das escolas vai conduzir, de forma inevitável, a um maior grau de homogeneização e indiferenciação dos referidos projectos, acabando com qualquer possibilidade de verdadeira liberdade de escolha por parte das populações. A autonomia das escolas desaparecerá por completo, não sendo a pretensa “descentralização” mais do que a criação de centralismos locais, muito vulneráveis ao arcaico caciquismo e ao favorecimento de clientelas político-partidárias.(...)"

 

E a coisa agravar-se-á se pensarmos que o estado de "salve-se quem puder" é o primeiro critério. É um texto polémico que merece leitura e debate.

 

 

 



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Quarta-feira, 17.12.14

 

 

 

Na génese da propalada accountability está uma "nova" gestão dos serviços públicos que tem como alicerce o controlo dos sujeitos, que nada tem de novidade e que tudo nos diz sobre os caminhos silenciosos do totalitarismo.

 

"O que havia de tão novo nestes projectos de docilidade que interessava tanto o século XVIII? Havia a escala do controlo: era uma questão não de tratar o corpo, num grupo, "por atacado", como se se tratasse de uma unidade indissociável, mas de trabalhá-lo "a retalho", individualmente, de sobre ele exercer uma coerção subtil, de obter domínio sobre ele ao nível do próprio mecanismo - movimentos, gestos, atitudes, rapidez: um poder infinitesimal sobre o corpo activo. Depois havia o objecto do controlo: não eram ou não mais eram os elementos significadores do comportamento ou a linguagem do corpo, mas a economia, a eficiência de movimentos, a sua organização interna; a única cerimónia verdadeiramente importante é a do exercício. Por último, há a modalidade: implica uma coerção ininterrupta e constante, a supervisão do processo da actividade e não tanto o seu resultado, e é exercida de acordo com uma codificação que reparta, tão proximamente quanto possível, tempo, espaço, movimento. Estes métodos, que tornaram possível o controlo meticuloso do corpo, que asseguraram a sujeição constante das suas forças e lhes impuseram uma relação de docilidade-utilidade, poderão ser chamados de "disciplinas".(...)"

 


Jardine (2007:57), Foucault e Educação.

 

 

 

 



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Sábado, 13.12.14

 

 

 

Da novilíngua em Educação: a "eficiência".

 

 

 



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Sexta-feira, 28.11.14

 

 

 

 

Mesmo numa lógica de conhecimento sumário e introdutório, deve precisar-se que agir sobre a informação é não só atuar sobre os dados obtidos, mas proceder sobre as relações que se estabelecem, “(...) ou seja, sobre os padrões coletivos ou individuais de formatação e através deles sobre a perceção do real e sobre a ação que dela decorre (...)” Rascão (2004, pág. 21).



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 11:35 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 24.11.14

 

 

 

 

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A frase de Christopher Hitchens (2009:251), em "Deus não é grande, como a religião envenena tudo", da Dom Quixote, "(...)O princípio essencial do totalitarismo é fazer leis às quais é impossível obedecer (...)" proporciona uma interessante discussão. 

 

Em 25 de Outubro de 2009, aqui, escrevi o seguinte:

 

Mas com a velocidade com que se legisla, e nisso o quase "extinto" ME foi imbatível, e com a consequente falta de qualidade das leis é natural que os destinatários do direito se interroguem com a sua vigência. Faz tempo que o direito tem vindo a abandonar a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso".

Neste sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos juízes continuam as ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja, para além das normas deve considerar-se cada caso em si e também a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

 

Lançados alguns argumentos para o contraditório, importa sublinhar que os totalitarismos não se estabelecem sem a "vontade" da maioria das pessoas. É trágico, mas é assim. Embora a história nos mostre com frequência o aparecimento de um "profeta", também nos explica que as sociedades vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem. Desde logo, e pegando na frase de Christopher Hitchens, pela construção de leis impossíveis de obedecer e por práticas anti-democráticas ou corruptas (para os dois últimos casos, nem são precisos exemplos).

 

No caso vigente do sistema escolar, podemos pegar em inúmeros exemplos. São casos de "impossibilidade" que criaram um estado de sítio legislativo. Só o fingimento permite o "cumprimento" legal. Não podemos acusar de premeditação totalitarista os seus inventores, mas temos de considerar todas as hipóteses e dizer-lhes que não nos temos cansado de avisar.

 

 

(1ª edição em 27 de Janeiro de 2012. Reescrito)

 

 

 

 



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Sábado, 25.10.14

 

 

 

Não me surpreendi quando o orador apontou o outsourcing (que é predominante nas tecnologias da informação e nos respectivos sistemas) como uma das decisões que mais desvantagens associou ao mundo organizacional na modernidade e que contribuiu para a queda da industria florescente nesse período recente da história: a financeira.

 

A opção pela fonte exterior foi, desde logo, uma auto-certificação de incapacidade.

 

Ter a liberdade de agir sobre os seus sistemas de informação é um valor precioso para uma instituição.

 

O outsourcing em sistemas de informação satisfazia o novo grupo de stakeholders das organizações modernas: os accionistas. O bem-estar destes investidores resumia-se aos lucros obtidos que subiam sempre que havia uma redução de profissionais. Essa decapitação cerebral levou a que a decisão sobre os detalhes da informação a obter passasse para fora. E por mais partilhado que fosse o período de análise dos sistemas, os decisores do exterior podiam sempre responder: "é uma boa ideia, realmente, mas é impossível de concretizar".

 

A dependência externa na definição da informação que deve ser obtida na rede para suporte à tomada de decisões revelou-se fatal e generalizou-se. 

 

São poucas as administrações com condições para definirem os campos da informação e dá ideia que o assunto tem toda a relação com o Citius e com os concursos de professores, para além da comprovada, nesses casos, incapacidade política e técnica dos decisores.

 

 

 

Já usei parte desta

argumentação noutros textos.

 

 

 



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Domingo, 12.10.14

 

 

 

 

A queda de Crato afunda mitos e preconceitos: os de ordem ideológica que, sem fundamentos empíricos, "permitiram" afunilamentos curriculares e aumento do número de alunos por turma e os de ordem social e de estatuto profissional. Olhemos para os segundos.

 

Era vigente que só podiam ascender ao MEC pessoas do ensino superior, mesmo que nunca tivessem leccionado no não superior e dirigido com bons resultados uma dessas instituições. Esse preconceito, comprovadamente e sucessivamente arrasador (os Lurditas D´Oiro eram do género e os seus anteriores familiares), foi exponenciado em Crato mesmo antes de tomar posse. Via-se que se ia espalhar, mas tinha a aura do "matemático superior" que até era menos trágica do que o livre de trânsito de um dos seus secretários: o desastroso Casanova parece que só tinha de efectivo o cartão do CDS.

 

Mas não se pense que no não superior não há preconceitos semelhantes para qualquer escala de gestão. Os do secundário acham-se mais sabedores do que os dos ciclos mais abaixo, estes consideram-se mais aptos do que os do 1º ciclo e os últimos estão sempre acima dos do pré-escolar. E ficávamos aqui umas horas a enunciar os preconceitos do não superior.

 

É também isto que explica o estado em que estamos.

 

 

 

 



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Quarta-feira, 08.10.14

 

 

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Os concursos de professores, nas suas variadas formas, têm de obedecer à graduação profissional. Está mais do que provado. A dimensão geográfica da área de concurso não impede esse objectivo. A metodologia e os procedimentos devem ser modernos e civilizados. Se são, aplicam-se a qualquer dimensão geográfica e ponto final.

 

O sistema escolar está em roda livre e abandonar a graduação profissional é perigosíssimo. Somos uma sociedade assim e não adianta escondê-lo. A graduação é de imediato substituída pelo amiguismo-e-por-outras-coisas-do-género, mesmo que se conheçam honrosas excepções.

 

A esse propósito, Luhmann (1989) interroga-nos sobre os motivos que levariam um indivíduo a ser honesto no escuro. Seria porque o deseja ou porque há procedimentos e regras de controlo dos comportamentos? É natural que não se consiga responder univocamente a este problema. Contudo, pode servir para reflectirmos sobre o que estamos a viver nos mais variados concursos e sobre os caminhos que nos trouxeram até aqui.

 

  

Luhmann, N. (1989). La moral social y su reflexión etica.

Barcelona: Antropos

 

 

Post de 14 de Setembro de 2014



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Domingo, 28.09.14

 

 

 

O Governo Regional dos Açores perece conhecedor do inferno burocrático das escolas e, pasme-se, diz que vai tomar medidas para atenuar o flagelo organizacional.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 20.08.14

 

 

 

1ª edição em 10 de Maio de 2012

 

 

 

A relação entre a qualidade das escolas e a ambição escolar dos alunos é directa e proporcional. Embora seja difícil encontrar estudos empíricos concludentes sobre o assunto, uma vez que as variáveis em causa requerem avaliações sistemáticas e modelos consolidados, podemos afirmar, com segurança, que o grupo de alunos é decisivo para os indicadores de qualidade de uma escola ou de um sistema escolar de um país.

 

A ambição escolar parece ser mais determinante do que as condições socioeconómicas, apesar de serem igualmente decisivas. Num país como Portugal que, depois de quase quarenta anos de democracia, apresenta taxas elevadas de insucesso e abandono escolares, é natural que a desorientação, e a constante alteração de políticas, seja simultaneamente causa e consequência e se transforme numa espécie de autofagia.

 

Há um refúgio justificativo no longo prazo e com razão. Encontramos uma boa explicação se nos compararmos com países que eliminaram o analfabetismo no século XIX e mesmo que essas sociedades tenham registado oscilações nas condições socioeconómicas, a ambição escolar é assumida, intergeracional e constante. Contudo, esse aconchego da consciência não deve ignorar o curto prazo. Em meia dúzia de anos, numa escola ou no sistema escolar, é possível erguer algo de significativo ou destruir o que levou anos a construir.

 

A par da ambição escolar dos alunos, podemos situar a confiança nos professores. Se esse requisito relacional é um metabolismo basal nas sociedades em que se generalizou a ambição escolar, torna-se ainda mais decisivo nas sociedades como a nossa onde se exigem cuidados redobrados e não se pense que há aqui qualquer espécie de corporativismo.

 

A desconfiança nos professores é intuída pelos alunos (mais grave ainda em alunos muito novos e é também por isso que a gestão escolar é muito diferente numa universidade se comparada com um jardim de infância ou com outro ciclo do não superior), desautoriza as salas de aula, prejudica o ensino, afecta todos os alunos e origina a escolha das escolas pelos que têm ambição escolar.

 

A segregação social dificulta a eliminação do abandono escolar. A miscigenação dos diversos níveis de ambição escolar é tão determinante para a qualidade dos sistemas escolares como é em sentido lato para o crescimento da decisiva classe média que fortalece a democracia.

 

Em Portugal regrediu-se acentuadamente na confiança nos professores nos últimos seis a sete anos. Foi um choque de desconfiança. Se a avaliação de professores e o estatuto do aluno estão na memória colectiva e com efeitos que ninguém se atreverá a refutar, o modelo de gestão escolar segue o mesmo caminho apesar de menos mediatizado.

 

 

 



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Segunda-feira, 14.07.14

 

 

 

 

 

A propósito do post "Uns eternos arrependidos" em que manifestei alguma perplexidade por Carlos Fiolhais tanto ter apoiado Nuno Crato e ser agora um crítico contundente das políticas do ministro, recebi, de uma leitora identificada, um link para um post, "Carlos Fiolhais faz o panegírico de Nuno Crato", de António Nabais no Aventar.

 

O professor e blogger fez, em 26 de Novembro de 2012, uma crítica detalhada às opiniões de Carlos Fiolhais. O melhor é ir ler o post, mas fiz umas imagens das passagens mais significativas que deixo à reflexão. É muita mudança no pensamento estrutural em tão pouco tempo que vai do reforço do ensino privado à gestão escolar e passando, ao que parece, pelo ensino dual; enfim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 10:00 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 09.07.14

 

 

 

 

 

Não se percebe o que tem sustentado o apoio inicial sem limites aos últimos ministros da Educação. O facto torna risível o "discurso dos arrependidos", como se lê hoje no Público, "O pior do Crato", pelas teclas de Carlos Fiolhais. Fiolhais parece que é amigo do ministro, que conhece as suas ideias sobre ensino superior e investigação e que está desiludido.

 

Só que Crato é também ministro do ensino não superior. E quem o conhecia nesses domínios, apressou-se a avisar que Crato estava impregnado de preconceitos contra a escola pública, de elitismo e que nada sabia de gestão escolar onde não se conhece uma frase do seu pensamento. Tudo comprovado. O contágio ao ensino superior e à investigação foi, ao que parece, apenas uma questão de tempo.

 

Até o eduquês, que importou de Marçal Grilo, sempre se pareceu com o do crítico original: uma espécie de versão II que na prática resultava em mais do mesmo. As polémicas à volta do excessivo linguajar das ciências da Educação são apenas uma milionésima parte do inferno informacional em que mergulhou a gestão escolar e os últimos ministros limitaram-se a acrescentar ruído.

 

Será também por padecerem do mesmo desconhecimento, e quiçá dos mesmo preconceitos e por aí fora, que os eternos arrependidos são, para nossa desgraça, os laudatórios iniciais?

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 14:24 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Domingo, 06.07.14

 

 

 

 

 

Os últimos governos da direita, PSD/CDS, alteraram a lei orgânica do MEC.

 

Durão Barroso eliminou 27 centros de área educativa (CAE´s) quando começavam a ter massa crítica e Passos Coelho extinguiu 5 Direcções Regionais de Educação (DRE´s), que deviam ter sido eliminadas em vez dos CAE´s, quando começavam a perceber a sua nova função. 

 

Tudo eliminado, eis que a mesma direita tem uma epifania de 180 graus e inventa um quadro orgânico com 308 agências municipais (sim, 308 porque nós somos uns 400 milhões; essa coisa dos 10 milhões e da quebra de natalidade é só para impressionar a malta dos fundos) depois de ter assinado centenas de contratos de autonomia com estruturas escolares inexistentes no sistema solar: os mega-agrupamentos.

 

Só uma nota e uma conclusão: os governos de direita referidos iniciaram os seus mandatos com a divisão do território entregue ao mesmo incompreendido estratega, como exemplo para a importância que dão ao assunto: Miguel Relvas. A conclusão é óbvia: não estamos na bancarrota apenas por culpa dos outros.

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 22:14 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 27.06.14

 

 

 

"(...)O ciclo do meu mandato foi muito longo. E a própria ideia de avaliação teve um percurso. Acho que a questão mais crítica no caso dos professores são as suas consequências. Mas toda a mudança que se fez no Estatuto da Carreira Docente (ECD) não posso dizer que a tenha feito contra os professores ou sem os professores, ou até sem a auscultação de outras forças políticas. Foi um processo muito mais negociado do que no final parecia ter sido, envolvendo até o PSD no desenho de algumas das soluções, nomeadamente na estruturação vertical da carreira, etc... mas depois a política também tem as suas conjunturas.(...)".

 

 

António Costa denunciou, numa entrevista recente, a injusta guerra aos professores promovida pelo Governo de Sócrates como o principal erro dessa governação. Mesmo que se considere que Costa está em campanha, é de salientar o ineditismo e a brutalidade da afirmação. Exige-se, porém, que se detalhe a guerra e que se enunciem soluções. É que ainda recentemente um estudo indicou que "nove em cada dez professores do 3º ciclo sentem que a profissão é desconsiderada pela sociedade" e a malta do mainstream que tem governado o MEC encontrou logo a solução carregada de cinismo e de sei lá mais o quê: formação em educação especial.

 

Retirei o parágrafo com que abri o post desta longa entrevista a Maria de Lurdes Rodrigues ao Público. A ex-ministra é apresentada como coordenadora científica do mestrado em políticas públicas do ISCTE e é socióloga (ao que me dizem, o seu último livro sobre a matéria publicado recentemente não tem uma frase sobre Educação). Quem ler o depoimento todo chega ao fim sem discordar com a maioria dos pressupostos que apresenta. Como é isso possível depois de tudo o que se passou no seu consulado?

 

A nova gestão das políticas públicas (NGPP) desenhada no início do milénio por sociólogos é um linguajar sedutor e bem-pensante que passa por engenharias sociais e financeiras que deslocam as pessoas em blocos com formatos numéricos inseridos em modelos verticais de carreiras associados à prestação de contas e a objectivos individuais impregnados de meritocracia (a frase foi escrita assim com intenção). Uma tragédia, como se comprova.

 

O linguajar desses sociólogos que se instalaram no MEC pouco depois de virar o milénio (já antes disso se notou a patologia), tem este denominador comum: um diagnóstico progressista e consensual que a referida engenharia não só inverte (há tragédias como a dos professores portugueses e basta ler o que se passou na France Telecom) como provoca nos destinatários da sua acção a recorrente impressão: podem estar horas a linguajar que tudo aquilo espremido não tem qualquer relação com as organizações a que se destina.

 

Notei a ocupação pela NGPP em 2002. Foi um momento de viragem. A partir daí, o discurso anti-escola e anti-professor (que foi inexistente nos políticos anteriores a 2002) ganhou asas. O mandato de Lurdes Rodrigues foi um expoente desse discurso de nivelamento por baixo (e reconhecem-se os transversais abusos na administração do estado)

 

A prestação de contas, os objectivos individuais, as carreiras verticais, a gestão tipo-empresarial (até João Rendeiro do BPP foi apresentado por um ex-ministro com uma mágoa: "só não contratava especialistas daqueles para as nossas escolas porque não tinha dinheiro para lhes pagar"; foi um valente e injusto murro no estômago de quem geria escolas), a sobreposição dos indicadores macro, o inferno da medição, a terraplenagem dos mandatos escolares e da cultura organizacional (a informatização, recheada de incompetência política, do concurso de professores mais mediatizado da história, 2004, descredibilizou durante meses essa cultura e deixou-a à mercê do que se seguiria) foi desenhada pelo bloco central cujos actores tentam passar pelos pingos da chuva.

 

Como diz a ex-ministra, apenas as conjunturas (estão no Governo ou na oposição) disfarçam um acordo tácito que causou, e causa, sérios prejuízos à escola pública.

 

Já Luhmann, N. (2001:14)"A improbabilidade da comunicação", Lisboa: Vega, Passagens, considerava que “(...) esta redefinição de termos e relações implica uma viragem radical relativamente ao pensamento político europeu dominante e tem, como última consequência, o abandono definitivo do modelo organicista – de uma relação parte-todo, em que a posição central estava sempre reservada ao indivíduo. (...). Na opinião de Luhmann (op. cit.), o homem perde a posição de centralidade no organismo social e é remetido para o exterior, passando a fazer parte do meio ambiente do sistema. Torna-se uma causa para o aparecimento de problemas constantes e de complexidades crescentes.

 

O que acabou de ler tem em Nuno Crato um fiel seguidor; mesmo que relativamente inconsciente e não informado. Ainda hoje encontrou uma solução que arrepia se pensarmos nas consequências, para as pessoas e para o país, do fecho de quatro a seis milhares de escolas: "Nuno Crato garante verbas para transporte dos alunos cujas escolas vão fechar". A hipocrisia de quem governa desde a estratosfera não tem, realmente, limites. Era o que mais faltava que Crato não dissesse o que disse.

 

Evidencia-se a linha de continuidade na guerra aos professores que foi também uma guerra à escola pública, aos seus alunos e aos respectivos encarregados de Educação.

 

 

Já usei parte deste texto noutro post.

 

 

 

 



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Quinta-feira, 26.06.14

 

 

 

 

Encontrei uma entrevista que a "Gazeta das Caldas" me fez e que foi publicada em 11 de Julho de 1999. Não mudava grande coisa e nem quero dizer com isto que me sentia sei lá como se não me revisse no que disse no século passado. É evidente que registo influências de literatura que hoje considero muito menos, mas no essencial revejo-me.  

 


Como é que vai ser o ensino no ano 2000/próximo milénio? 

Com todos os riscos que uma previsão desse tipo encerra, podemos e queremos imaginar um ensino que estimule a curiosidade e que desperte uma permanente vontade de aprender. Sabemos que isso exige esforço. Também sabemos que quem gosta de aprender constrói modelos de referência, perspectiva caminhos, serve-se dos vastos recursos existentes e ajuda a que outros também o façam. A etapa que vivemos teve um caminho inevitável e desejável, a massificação do ensino. É necessário passarmos a outro estádio, também imperativo, a democratização do ensino. Desejamos que o ensino chegue a todos de uma forma verdadeiramente significativa, mas, para isso, é desejável que a articulação entre as diversas instituições responsáveis pelo sucesso educativo (que não apenas o escolar...) seja eficiente. De uma coisa estamos certos: se não sabemos muito bem para onde vamos, sabemos de certeza por onde já não queremos ir. O conjunto de experiências e de estudos é suficientemente vasto para não repetirmos soluções gastas e do passado. A escola continuará a ensinar, mas os modelos organizacionais que proporcionam o acesso aos saberes, aos conhecimentos, aos valores, às atitudes, serão definitivamente diferentes. Mesmo hoje, parece-nos desnecessário fazer o elenco dos parceiros educativos da escola para sermos claros na resposta a uma questão deste género. No entanto, o destaque para a família como parceiro privilegiado e decisivo evidencia-se, agora e no futuro. 

Como é que essas transformações se vão repercutir na sua escola, ao nível de professores e alunos? 

Já se repercutem. Ao longo deste século sempre se procuraram metas de excelência nos diversos domínios das aprendizagens. A cultura da escola é a cultura permanente da exigência, da finalidade e da regra mas também do afecto, da amizade, do drama e do erro. Com a alteração vertiginosa dos meios, impõem-se novos modelos de relação pedagógica que reconhecidamente terão exigências crescentes. Contudo, espera-se que renovem entusiasmos, que reformulem projectos e que abram novos horizontes. Para ambos, professores e alunos, caminhar num bom percurso de aprendizagem não é uma tarefa fácil, é antes um somatório de venturas e desventuras; o fundamental é que as condições de realização do acto educativo acompanhem e apoiem as necessidades de uns e de outros. 

Quais as prioridades que deveriam haver nas Caldas ao nível da educação? 

É importante que se crie um conselho local de educação, onde todos os contributos se cruzem. Esse conselho ajudará a estabelecer as políticas educativas ajustadas às necessidades da comunidade, com indicadores que não se desloquem duma perspectiva emancipadora e sempre balizados pela preocupação de tentar apreender o novo e dar-lhe forma. O conselho local de educação estará assim em condições de sugerir com clareza quais as áreas prioritárias de investimento. Deverá ser um conselho que funcione, que se governe por um regimento moderno e que seja simultaneamente aglutinador e mobilizador. Mais do que fazer elencos de prioridades, é fundamental criar as bases organizativas que orientem as políticas educativas ou outras. Também é fundamental que, depois, a comunidade perceba o caminho e que identifique ao longo do percurso o que claramente se quer ou não se quer. Como alguém disse "o ensino não deve continuar a encontrar soluções que tenham um pé no passado, ou seja, não deve responder de forma igual para todos sem perceber que o fundamental é introduzir saídas para cada um. A escola não pode continuar a ser um local de estacionamento de potenciais desempregados". Ora aqui está uma prioridade absoluta, que só pode ser concretizada com ideias sólidas sobre o que vai ser o mercado de trabalho no futuro, na região e no mundo. Aí, a escola, isoladamente, pouco fará. O ensino do futuro passará decerto também por aqui. E o sucesso das políticas terá uma relação muito directa com a capacidade de antecipação.

 

 

 



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Quinta-feira, 19.06.14

 

 

 

"58 directores demitem-se em bloco no Hospital de S. João" e um dos motivos é a asfixia burocrática. Há tempos ouvi um especialista a explicar o inferno burocrático que é o tratamento de dados no sistema de saúde feito por empresas de outsourcing que pouco sabem da gestão real das instituições.  

 

O sistema escolar está há anos mergulhado num inferno semelhante. A gestão de dados no universo escolar não é explicável a alguém que viva no mundo moderno. A sério que não.

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 21.05.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É comum dizer-se que 70% da actividade da nossa administração pública é para si própria. A informação circula dentro do Estado para que os diversos serviços se informem em duplicado ou triplicado, como se não existisse público.

 

Na nossa cultura organizacional escolar identifica-se a existência de três sub-sistemas, que são responsáveis por uma entropia informacional resultante da repetição e redundância de dados. O sub-sistema dos departamentos curriculares, o sub-sistema das direcções de turma e o sub-sistema administrativo acrescentam aos referidos 70% um número que surpreende um qualquer registo sensato. O mais grave é que quem se dedica à avaliação externa não só não contraria a tendência como a estimula e premeia.

 

 

 



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Terça-feira, 20.05.14

 

 

 

 

 

Bem sei que "o que é irrefutável é falso" (Karl Popper), mas há números que traduzem asserções irrefutáveis. Sabe-se que "mais de 70% dos portugueses que trabalham por conta própria têm apenas o ensino básico" e que apesar dos progressos assinaláveis das últimas décadas estamos novamente em plano inclinado.

 

O aumento do número de alunos por turma, os cortes curriculares, o aumento nos horários dos professores e a constante terraplenagem da cultura organizacional das escolas públicas são um sinal evidente de que as nossas "elites" cansaram-se depressa de investir no sistema escolar e não encontramos nos partidos que aspiram a governar qualquer referência objectiva às variáveis enunciadas. E não adianta argumentaram com a falta de alunos. Os fenómenos recentes de quebra de natalidade e de alteração dos fluxos migratórios sentir-se-ão, e se nada for feito, apenas daqui por uns anos. Os alunos que abandonam a escolaridade sem o secundário completo nasceram no século passado.

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 12:38 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Terça-feira, 18.03.14

 

 

 

 

"Tudo o que o Ministério da Educação manda por "e-mail" para as escolas é inútil. Tudo!", ou o professor "abaixo de cão", é uma discussão para acompanhar com curiosidade. Tenho uma dissertação sobre o assunto e não quero reafirmar o "tudo"; mas convenço-me que anda lá perto, que a maioria da informação obtida é inútil e solicitada repetidamente.



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 09:38 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Domingo, 09.03.14

 

 

 

A autonomia (organizacional e curricular, digamos assim) das escolas é a expressão mais repetida nas últimas décadas; a insistência é proporcional à quase inexistência. O mau centralismo do MEC está como nunca. Não há actor do sistema, desde de quem governa à oposição e passando até pelos liberais da "escolha da escola", que não defenda a autonomia como imperativo.

 

Ainda ontem o "Novo rumo" do PS repetiu o substantivo. Mas há uma variável incontornável: enquanto não se eliminar o clima de mobilidade especial e de horário zero nos professores do quadro (os de zona pedagógico e os contratados estão nesse regime insano há décadas) que pairam como fantasmas no quotidiano das escolas, não é possível construir uma qualquer atmosfera de mudança e de mobilização. O espectro, legitimo, de defesa do posto de trabalho por parte dos grupos disciplinares impossibilita tudo o que de racional e óbvio vai ler a seguir; nomeadamente no domínio curricular.

 

 

 

 

Nas páginas 34 e 35 do seu mais recente ensaio, Paulo Guinote lança algumas ideias no âmbito da autonomia organizacional e curricular.

 

 

 

 

 

 

 

Não é difícil elencar propostas semelhantes. Em 1998, a reorganização curricular permitiu umas ténues mudanças que algumas escolas aprofundaram. Nesta altura, a oposição, como se leu, o Governo (com os 25% da carga curricular anunciados como flexíveis) e até os referidos liberais defendem a autonomia, mesmo que de ângulos diferentes. Imagine-se o que acontecerá se colocarmos as escolas a decidirem estas matérias no clima vigente. Cargas curriculares diferentes de escola para escola ou a criação de novas disciplinas são decisões que exigem um ambiente de sensatez e de tranquilidade. Só quem não põe os pés nessas instituições é que não percebe o que estou a evidenciar.

 

 

 



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Terça-feira, 04.02.14

 

 

 

 

 

Não me surpreendi quando o orador apontou o outsourcing (que é predominante nas tecnologias da informação e nos respectivos sistemas) como uma das decisões que mais desvantagens associou ao mundo organizacional na modernidade e que mais contribuiu para a hecatombe da industria mais florescente desse período recente da nossa história: a financeira. Comprovou-se que a opção pela fonte exterior é também uma auto-certificação de incapacidade.

 

O que de mais precioso uma instituição pode ter é a liberdade de agir sobre os seus sistemas de informação.

 

O outsourcing em sistemas de informação satisfazia o novo grupo de stakeholders das organizações modernas: os accionistas. O bem-estar destes investidores resumia-se aos lucros obtidos que subiam sempre que havia uma redução de profissionais. Essa decapitação cerebral levou a que a decisão sobre os detalhes da informação a obter passasse para fora, por mais partilhado que fosse o período de análise dos sistemas; os decisores do exterior podiam sempre responder: "é uma boa ideia, realmente, mas é impossível de concretizar".

 

Essa dependência do exterior na definição da informação que deve ser obtida na rede para suporte à tomada de decisões revelou-se fatal e generalizou-se. São poucas as administrações que têm condições para definirem verdadeiramente os campos da informação e dá ideia que o assunto entrou nas campanhas eleitorais.

 

 

 

 


publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 10:43 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Domingo, 15.12.13

 

 

 

"(...)O ciclo do meu mandato foi muito longo. E a própria ideia de avaliação teve um percurso. Acho que a questão mais crítica no caso dos professores são as suas consequências. Mas toda a mudança que se fez no Estatuto da Carreira Docente (ECD) não posso dizer que a tenha feito contra os professores ou sem os professores, ou até sem a auscultação de outras forças políticas. Foi um processo muito mais negociado do que no final parecia ter sido, envolvendo até o PSD no desenho de algumas das soluções, nomeadamente na estruturação vertical da carreira, etc... mas depois a política também tem as suas conjunturas.(...)".


 

Retirei o parágrafo que acabou de ler da longa entrevista a Maria de Lurdes Rodrigues no Público de hoje. A ex-ministra é apresentada como coordenadora científica do mestrado em políticas públicas do ISCTE e é socióloga (ao que me dizem, o seu último livro sobre a matéria publicado recentemente não tem uma frase sobre Educação; naturalmente, como se compreenderá mais à frente); e são exactamente esses detalhes que mais me impressionam. Quem ler o depoimento todo chega ao fim sem discordar com a maioria dos pressupostos que apresenta. Como é isso possível depois de tudo o que se passou no seu consulado?

 

A nova gestão das políticas públicas (NGPP) desenhada no início do milénio por sociólogos é um linguajar sedutor e bem-pensante que passa por engenharias sociais e financeiras que deslocam as pessoas em blocos com formatos numéricos inseridos em modelos verticais de carreiras associados à prestação de contas e a objectivos individuais impregnados de meritocracia. Uma tragédia, como se comprova. O linguajar destes sociólogos que se instalaram no MEC pouco depois de virar o milénio, tem este denominador comum: um diagnóstico progressista e consensual que a referida engenharia não só inverte (há tragédias como a dos professores portugueses e basta ler o que se passou na France Telecom) como provoca nos destinatários da sua acção, ou em quem os ouve ou lê, a recorrente impressão: podem estar horas a linguajar que tudo aquilo espremido não tem qualquer relação com as organizações a que se destina.

 

Notei a ocupação pela NGPP em 2002. Foi um momento de viragem. A partir daí, o discurso anti-escola e anti-professor (que foi inexistente nos políticos anteriores a 2002) ganhou asas. O mandato de Lurdes Rodrigues foi um expoente desse discurso. Pegou-se nos abusos (sim, existiram abusos, mas minoritários como comprovam todos os indicadores, nas escolas e nos professores) e nivelou-se por baixo.

 

A prestação de contas, os objectivos individuais, as carreiras verticais, a gestão tipo-empresarial (até João Rendeiro do BPP foi apresentado por um ex-ministro com uma mágoa: "só não contratava especialistas daqueles para as nossas escolas porque não tinha dinheiro para lhes pagar"; foi um valente e injusto murro no estômago de quem geria escolas), a sobreposição dos indicadores macro, o inferno da medição, a terraplenagem dos mandatos escolares e da cultura organizacional da Educação (a informatização, recheada de incompetência política, do concurso de professores mais mediatizado da história (2004) descredibilizou durante meses essa cultura e deixou-a à mercê do que se seguiria) foi desenhada pelo bloco central e dá ideia que nada aprenderam.

 

Como diz a ex-ministra, apenas as conjunturas (estão no Governo ou na oposição) disfarçam um acordo tácito que causou, e causa, sérios prejuízos à escola pública.

 

Já Luhmann, N. (2001:14)A improbabilidade da comunicação, Lisboa: Vega, Passagens, considerava que “(...) esta redefinição de termos e relações implica uma viragem radical relativamente ao pensamento político europeu dominante e tem, como última consequência, o abandono definitivo do modelo organicista – de uma relação parte-todo, em que a posição central estava sempre reservada ao indivíduo. (...). Na opinião de Luhmann (op. cit.), o homem perde a posição de centralidade no organismo social e é remetido para o exterior, passando a fazer parte do meio ambiente do sistema. Torna-se uma causa para o aparecimento de problemas constantes e de complexidades crescentes.

 

 

 

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 20:21 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Segunda-feira, 09.12.13

 

 

 

Por mais que teimem nos argumentos, os modelos meritocráticos aplicados em organizações em que os desempenhos das pessoas são dificilmente mensuráveis (e falta saber em quais é que isso se consegue) têm resultados contrários ao pretendido. Podemos afirmar, com toda a segurança, que nessas circunstâncias até contribuem para o retrocesso dos sistemas organizacionais e para a dilaceração da atmosfera relacional com particular incidência para os mecanismos de cooperação e de mobilização.



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Domingo, 24.11.13

 

 

 

 

 

Tudo indica que a obsessão com o aumento da escala é a resposta aflita à supressão do tempo. A humanização como categoria organizacional impor-se-á à escala e será a resposta para contrariar a absolutização do presente. O que se está a fazer nas nossas sociedades não é o melhor caminho para gerir as organizações. A anarquia impor-se-á em forma de caos, por muito interessante que seja o estudo dessa imagem organizacional.

 

Para além de ser imperativo devolver aos cidadãos o poder democrático, será necessário consolidar as especificidades de cada organização e afirmar planos estratégicos no âmbito de um quadro de divisão administrativa do país que se identifique como moderno e razoável.

 

É fundamental definir de vez o papel dos municípios na gestão dos territórios. Não faz sentido que a participação das autarquias se exerça, por exemplo, em cada escola, agrupamento ou agregação. Deve focar-se nos Conselhos Municipais de Educação com um nível exigente de prestação de contas nas políticas de educação e nos números do abandono escolar.

 

Quase que só temos conseguido substituir a atomização desresponsabilizadora do centralismo pelo caciquismo local.

 

Se não formos capazes de civilizar as ideias de compromisso, de cooperação, de mobilização, de contrato e de poder democrático, andaremos muito, depressa e em aumento de escala, mas sem resultados positivos. Voltaremos atrás a sítios que nos pareceram seguros.

 

A denominada globalização instalou-se.

 

Ainda há tempos li uma boa entrevista de Gilles Lipovetsky, o célebre autor da "Era do vazio", a propósito do consumo dos artigos de luxo. A Gucci, empresa com mais audiência no sector e que passou, em cerca de dez anos, de três para cento e trinta lojas, tem cem milhões de consumidores na China. O autor avisa (no meio de outras reflexões): quando o consumo dos seus produtos se banalizar a empresa desaparecerá; a Nokia, por exemplo, deve andar a fazer muitas contas e quase que encerrou as portas.

 

Qual é a relação que este pequeno exemplo tem com o que estava a escrever? O efeito do aumento da escala pode levar ao empobrecimento e à desumanização, mesmo que, por ironia, a partir dos artigos de luxo.

 

 

(Já usei parte deste texto noutro post)




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Quarta-feira, 20.11.13

 

 

 

 

 

 

 

"Eu sei que as horas de trabalho dos professores estão pelas horas da amargura e que o Ministério da Educação e Ciência (MEC) já propõe pagamentos à peça a potenciais classificadores daquelas provas de avaliação a outros professores, se calhar com mais anos de serviço e com melhores avaliações de desempenho.

Mas não é isso que interessa agora, pelo que deixemos de parte essa proletarização crescente da classe docente, cada vez mais o bode expiatório da fúria de um grupo de políticos adequadamente mal formados e academicamente medíocres.

Concentremo-nos naquela linha de argumentação, tão ao gosto do tempo, que pretende apresentar a Educação como um negócio como outro qualquer, em que os alunos ou as suas famílias se devem encarar como clientes a satisfazer por escolas e professores que, por sua vez, devem ser remunerados e/ou recompensados de acordo com o grau de satisfação da clientela que servem.(...)"






publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 14:45 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quinta-feira, 31.10.13

 

 

 

 

 

Li o guião dos eufemismos e concluí que se usou um "recurso estilístico suavizador de ideias (desagradáveis ou grosseiras) por meio de expressões mais agradáveis".

 

Apesar de serem cerca de cem páginas, li até ao fim. Talvez porque usaram linhas muitos espaçadas, amplas margens, generosos cabeçalhos e rodapés e um tamanho de letra bem grande a pensar numa população já idosa que usa óculos para ler.

 

O guião assume-se como um ponto de partida, mas também concluí que essa opção é encarada por quem se interessa por estas coisas como uma partida mesmo: mas uma partida desta plêiade que, muito sinceramente, não se percebe como chegou ao Governo do país. Ou até se entende, pelo menos se olharmos para o estado a que chegámos.

 

 

 Fiz quatro imagens sobre as propostas para a Educação. Colei-as e fiz os comentários respectivos.

 

 

 

 

Um dos problemas mais graves da administração portuguesa é a dupla desconfiança dos cidadãos: num poder central que inferniza com má burocracia a vida das pessoas e das organizações e que foi capturado pelo poder financeiro e pelos aparelhos partidários e num poder local onde vezes demais impera o caciquismo e uma péssima gestão do território.

 

Esta proposta requer, desde logo, que se clarifiquem dois aspectos nucleares da carreira dos professores: o seu estatuto e sua contratação. A contratação deve obedecer à total transparência pública que é exactamente o contrário do que é praticado nas cooperativas de ensino que apoiam os mentores deste guião e nas autarquias que se têm mostrado mais interessadas na gestão das escolas do ensino não superior. Se esta municipalização da Educação avançasse sem os requisitos que referi, bastaria uma década para se instalar mais um caos organizacional e relacional nas escolas.

 

É mesmo sei lá o quê que alguém afirme que as escolas "têm hoje um modelo estabilizado"; é muito desconhecedor.

 

 

 

 

Assinalei com duas setas a vermelho a evidente confusão que vai nas mentes destes proponentes: ao projecto AAO segue-se um projetos DAO. Enfim. Deixemos o mais risível, até porque se publicasse a totalidade do guião enchia-o de setas semelhantes.

 

A consagração de "escolas independentes" é redundante. Se o Estado tem sido uma pessoa de bem, só a independência das suas escolas é que nos garantiu alguma igualdade de oportunidades.

 

A devolução das escolas aos professores é uma ideia antiga que tem sido aproveitada por esta ala do Governo para atingir o objectivo primeiro: alargar o número de escolas das cooperativas de ensino que no modelo proposto teriam sempre um histórico que lhes garantiria a primazia concursal. Pode contrariar-se essa tendência se o legislador garantir a concessão aos professores dos quadros das escolas exigindo que as cooperativas que se venham a criar não tenham qualquer ligação com as que existem. Contudo, estando o país neste estado de sub-financiamento, só se compreende esta proposta se se associar a ideia de precarizar ainda mais a profissão de professor o que até contraria o objectivo de elevar o nível salarial dos funcionários públicos inscrito no guião.

 

 

 

 

Esta ideia é estranha, realmente. Mais parece um qualquer acto desesperado tendente a garantir que só se toque no que existe numa segunda legislatura.

 

 

 

 

O cheque-ensino já foi muito dissecado recentemente.

 

A ideia generosa, praticada noutras latitudes na década de sessenta do século passado, não foi generalizável. O cheque-ensino era entregue a uma minoria de famílias muito carenciadas para que pudessem pagar as propinas em escolas com bons resultados. E a ideia falhou porque existe o factor de mobilidade geográfica associado ao número de vagas nessas escolas. Em Portugal aconteceria o mesmo. O que se pretende então? Financiar as propinas de quem já frequenta escolas privadas, o que aumentaria o orçamento do sistema escolar de uma forma injusta num tempo de cortes a eito.

 

Concluo com o mesmo parágrafo que usei noutro post na noite da propaganda:

 

Não vi a declaração do irrevogável vice-primeiro-ministro, mas mais logo espero ler e comentar. Li as páginas relativas à Educação e percebi que a investida privada (é isso que os encostados ao Estado ambicionam) sobre o sistema escolar é um dos pontos deste documento inspirado numa ideologia radical de direita que é uma subversão do Estado de direito.

 

 



publicado por paulo guilherme trilho prudêncio às 20:36 | link do post | comentar | partilhar


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