Em busca do pensamento livre.

Segunda-feira, 20.03.17

 

 

Manuel Sérgio, o filósofo desportivo: “Alguém no futebol sabia quem era o Descartes? Não jogava no Benfica, o gajo”



publicado por paulo prudêncio às 16:29 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 17.03.17

 

 

 

O verbo incentivar será uma das componentes mais críticas do mundo desenvolvido. Essa lógica racional do mercado condicionou a socialização e a estruturação das actividades. Importa sublinhar que, há umas décadas, incentivar era uma palavra-chave educacional e organizacional com uma ubiquidade que se entranhou.

Steven D. Levitt, em "Freakonomics: o estranho mundo da economia" e mais recentemente Michael Sandel, em "O que o dinheiro não pode comprar", dedicaram-se ao efeito do verbo. O segundo tem um tópico que intitulou "incentivos e dilemas morais", onde se pode ler (página 93):

"É fácil deixar escapar a novidade desta definição. A linguagem dos incentivos é um desenvolvimento recente do pensamento económico. A palavra "incentivo" não surge nos escritos de Adam Smith nem nas obras de nenhum dos outros economistas clássicos. Na verdade, só viria a ser introduzida no discurso económico no século XX e apenas adquiriu proeminência nas décadas de 1980 e 1990. O Dicionário Oxford de Inglês indica o seu primeiro uso no contexto da economia em 1943; nas Seleções do Reader' s Digest: "O Sr. Charles E. Wilson (...) está a incitar as indústrias da guerra a adoptarem "remunerações de incentivo" - isto é, pagar mais aos trabalhadores se produzirem mais." O uso da palavra incentivo aumentou drasticamente na segunda metade do século XX à medida que o predomínio dos mercados e da lógica racional do mercado se consolidava. Segundo uma pesquisa no Google Books, a incidência deste termo aumentou mais de 400% desde a década de 1940 à década de 1990."

Observa-se, portanto, uma crise moral em paralelo com um inédito desenvolvimento tecnológico que implica uma revolução na organização das sociedades. Se a eliminação do incentivo é uma "impossibilidade" imediata, já o uso mais ponderado na educação das crianças contribuirá para a afirmação de políticas sustentáveis.

Se em Adam Smith o mercado era a mão invisível, para Michael Sandel a generalização dos incentivos tornou-se a mão pesada e manipuladora. O filósofo dá vários exemplos de incentivos monetários nesse sentido, como os que são dados a troco da esterilização ou de boas notas escolares.

A prevalência do incentivo não eliminou a distinção entre economia e ética,

"entre a lógica racional do mercado e o raciocínio moral. A economia simplesmente não transacciona em moralidade. A moralidade representa a maneira como gostaríamos que o mundo funcionasse e a economia mostra como ele funciona na realidade", explicam Levitt e Dubner.

Michael Sandel acrescenta:

"(...)A noção que a economia é uma ciência isenta de juízos de valor, independente de toda a filosofia moral e política, sempre foi questionável. Contudo, hoje em dia, a jactante ambição da ciência económica torna extremamente difícil defender esta afirmação. Quanto mais os mercados invadem esferas não económicas da vida, mais se vêem enredados em questões morais.(...)Se algumas pessoas gostam de ópera e outras de combates de cães ou lutas na lama, precisamos de facto de nos abster de tecer juízos morais e atribuir peso igual a essas preferências no cálculo utilitarista?(...)Quando os mercados corroem normas não mercantis, o economista (ou qualquer outra pessoa) tem de decidir se isso representa uma perda que deveria preocupar-nos.(...)"

Neste tópico, Michael Sandel apresenta um conjunto de problemas educacionais e escolares que abordarei noutros posts.

2ª edição.

 



publicado por paulo prudêncio às 09:33 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 12.01.17

 

 

 

O filósofo John T. Bruer critica as modas educativas que nada têm de ciência e que são apresentadas como talDa música à matemática e passando por uma segunda língua, as sociedades estão cheias de modismos destinados às crianças que resultam em mais stresse para pais e encarregados de educação.

Continua a ser importante uma sociedade presente e com tempo para as crianças. É fundamental uma educação equilibrada e, principalmente, que contrarie o modelo criança-agenda.

 

17061567_DuOf8

17061570_RogWQ 



publicado por paulo prudêncio às 13:49 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 10.01.17

 

 

 

O verbo incentivar será uma das componentes mais críticas do mundo desenvolvido. Essa lógica racional do mercado condicionou a socialização e a estruturação das actividades. Importa sublinhar que, há umas décadas, incentivar era uma palavra-chave educacional e organizacional com uma ubiquidade que se entranhou.

Steven D. Levitt, em "Freakonomics: o estranho mundo da economia" e mais recentemente Michael Sandel, em "O que o dinheiro não pode comprar", dedicaram-se ao efeito do verbo. O segundo tem um tópico que intitulou "incentivos e dilemas morais", onde se pode ler (página 93):

"É fácil deixar escapar a novidade desta definição. A linguagem dos incentivos é um desenvolvimento recente do pensamento económico. A palavra "incentivo" não surge nos escritos de Adam Smith nem nas obras de nenhum dos outros economistas clássicos. Na verdade, só viria a ser introduzida no discurso económico no século XX e apenas adquiriu proeminência nas décadas de 1980 e 1990. O Dicionário Oxford de Inglês indica o seu primeiro uso no contexto da economia em 1943; nas Seleções do Reader' s Digest: "O Sr. Charles E. Wilson (...) está a incitar as indústrias da guerra a adoptarem "remunerações de incentivo" - isto é, pagar mais aos trabalhadores se produzirem mais." O uso da palavra incentivo aumentou drasticamente na segunda metade do século XX à medida que o predomínio dos mercados e da lógica racional do mercado se consolidava. Segundo uma pesquisa no Google Books, a incidência deste termo aumentou mais de 400% desde a década de 1940 à década de 1990."

Observa-se, portanto, uma crise moral em paralelo com um inédito desenvolvimento tecnológico que implica uma revolução na organização das sociedades. Se a eliminação do incentivo é uma "impossibilidade" imediata, já o uso mais ponderado na educação das crianças contribuirá para a afirmação de políticas sustentáveis.

Se em Adam Smith o mercado era a mão invisível, para Michael Sandel a generalização dos incentivos tornou-se a mão pesada e manipuladora. O filósofo dá vários exemplos de incentivos monetários nesse sentido, como os que são dados a troco da esterilização ou de boas notas escolares.

A prevalência do incentivo não eliminou a distinção entre economia e ética,

"entre a lógica racional do mercado e o raciocínio moral. A economia simplesmente não transacciona em moralidade. A moralidade representa a maneira como gostaríamos que o mundo funcionasse e a economia mostra como ele funciona na realidade", explicam Levitt e Dubner.

E Michael Sandel acrescenta:

"(...)A noção que a economia é uma ciência isenta de juízos de valor, independente de toda a filosofia moral e política, sempre foi questionável. Contudo, hoje em dia, a jactante ambição da ciência económica torna extremamente difícil defender esta afirmação. Quanto mais os mercados invadem esferas não económicas da vida, mais se vêem enredados em questões morais.(...)Se algumas pessoas gostam de ópera e outras de combates de cães ou lutas na lama, precisamos de facto de nos abster de tecer juízos morais e atribuir peso igual a essas preferências no cálculo utilitarista?(...)Quando os mercados corroem normas não mercantis, o economista (ou qualquer outra pessoa) tem de decidir se isso representa uma perda que deveria preocupar-nos.(...)"

Neste tópico, Michael Sandel apresenta um conjunto de problemas educacionais e escolares que abordarei noutros posts.

Já usei parte desta argumentação noutro post.



publicado por paulo prudêncio às 14:15 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 03.01.17

 

 

 

A propósito da revolução, iniciada em 2005 ou até em 2003, que a presença da troika destapou, recordo os teóricos da simcultna actualidade, uma revolução pode ser tão rápida que nem damos conta. Há sinais da contra-revolução. Não sei se será tranquila, mas espero que sim. Que seja tranquila e igualmente rápida. O que me parece é que as personagens carregadas de ideologia ultraliberal ficaram com o discurso descontinuado e datado. Muito do mal não é reparável, embora a mensagem da imagem estimule os contraditórios que, sublinhe-se, não escapam à asserção: é mais rápido e fácil destruir do que construir. Há duas irrefutabilidades de sinal contrário sobre o que é recuperável: não será com a mesma velocidade da queda, mas não depende de vontade divina.

 

19611397_ZBdGB

 

 



publicado por paulo prudêncio às 15:22 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 02.01.17

 

 

 

Com todos os riscos de quem retira do contexto uma passagem, não resisto a citar Ulrich Beck (2015:22) "Sociedade de risco mundial - em busca da segurança perdida", Lisboa, Edições 70,

 

"(...)o risco constitui o modelo de percepção e de pensamento da dinâmica mobilizadora de uma sociedade, confrontada com a abertura, as inseguranças e os bloqueios de um futuro produzido por ela própria e não determinada pela religião, pela tradição ou pelo poder superior da natureza, mas que também perdeu a fé no poder redentor das utopias.(...)".

 

A perda da "fé no poder redentor das utopias" indicia um risco de decadência se não se circunscrever ao inevitável cinismo com que a maturidade olha para a prevalência do mal. Se a descrença nas utopias e no combate às desigualdades atravessar todas as gerações, a decadência entranha-se; como a história, de resto, já nos explicou.

 

www.cartoonstock.com/cartoonview.asp?catref=cgo0149

 



publicado por paulo prudêncio às 21:39 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 10.12.16

 

 

 

A obsessão com o aumento da escala é a resposta apressada à supressão do tempo. A humanização como categoria organizacional impor-se-á à escala e será a resposta para contrariar a absolutização do presente. Se isso não acontecer, o caos impor-se-á.

 

É imperativo devolver aos cidadãos o poder democrático em todos os detalhes e, como diz Michael Sandel, repetir muitas perguntas do género:(...)Se algumas pessoas gostam de ópera e outras de combates de cães ou lutas na lama, precisamos de facto de nos abster de tecer juízos morais e atribuir peso igual a essas preferências no cálculo utilitarista?(...). 

 

A globalização instalou-se.

 

Recordo uma boa entrevista (2013?) de Gilles Lipovetsky, o célebre autor da "Era do vazio", a propósito do consumo dos artigos de luxo. A Gucci, empresa com mais audiência no sector e que passou, em cerca de dez anos, de três para cento e trinta lojas, tinha cem milhões de consumidores na China. O autor avisava: quando o consumo dos seus produtos se banalizar, a empresa desaparecerá.

 

Qual é a relação que este pequeno exemplo tem com o que estava a escrever? O efeito do aumento da escala pode levar ao empobrecimento e à desumanização, mesmo que, por ironia, a partir dos artigos de luxo; no sentido mais lato do termo.

 

 

(Já usei parte deste texto noutro post)

 


publicado por paulo prudêncio às 15:47 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 02.12.16

 

 

 

Aprecio cartoons. Michael Sandel, um importante filósofo vivo e autor de "O que o dinheiro não pode comprar - os limites morais dos mercados" e "Justiça - fazemos o que devemos?", considerará interessante reflectir sobre esta forma de medir povos e eleitores.

 

18323936_YgMDe

 



publicado por paulo prudêncio às 16:47 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 28.11.16





 



"Que o caos está presente em tudo é uma descoberta grega que se torna arrepiante quando se descobre que, em vez de estar no início, está dentro de todas as coisas, mesmo aquelas que fazemos para nossa segurança."

 

José B. de Miranda,
Queda sem fim.


publicado por paulo prudêncio às 21:55 | link do post | comentar | ver comentários (19) | partilhar

Quinta-feira, 24.11.16

 

 

 

 

"Uma sociedade pós-heróica necessita de uma política que se exerça para lá da alternativa enfática entre o poder e a impotência. Tanto o discurso ideologicamente voluntarista como o derrotismo neoliberal ressoam de tempos heróicos em que mandar era entendido como mandar absolutamente com uma disposição soberana, sem verdadeiros interlocutores, sem respeito pela complexidade social. Mas há vida política no poder limitado e na impotência política bem gerida. A falência da política, que uns festejam e outros lamentam, é uma tese que não pode confirmar-se historicamente nem medir-se empiricamente. A política é por vezes desacreditada partindo do modelo de uma competência inalterável, como se os problemas sociais estivessem condenados à alternativa de receberem solução por meio de uma política soberana ou de ficarem abandonados à sua sorte.(...)" 

 

 

 

Daniel Innerarity (2011, p:135).

"O futuro e os seus inimigos". Lisboa: Teorema.



publicado por paulo prudêncio às 17:10 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 07.11.16

 

 

O filósofo francês Dominique Wolton concluiu: "a finança comeu a economia e a economia comeu a política". Ou seja, se A é superior a B e B superior a C, logo, A é superior a C. É este o problema que se tem colocado nas eleições presidenciais nos EUAHillary Clinton está, como todos os políticos do sistema, tão ligada a um A que caiu em desgraça com a crise financeira de 2008, que qualquer Trump mantém a expectativa em relação ao resultado final. Mesmo que Hillary Clinton vença, como se deseja, Trump alarga um perigoso caminho. Há uma relação directa entre finança e tecnologia que explica estes fenómenos. Dominique Wolton "anda irritado com a aldeia global, dominada pela ditadura da tecnologia, denuncia as indústrias imperialistas do século XX" e alerta: "Se quisermos salvar a democracia, é preciso que a política regule a técnica". Não sei se Hillary Clinton tem desprendimento para o desafio, já que a "sua" finança, que comeu a técnica, comeu a "sua" política.

 

Captura de Tela 2016-11-07 às 16.31.27

 



publicado por paulo prudêncio às 16:33 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 02.11.16

 

 

 


Peter Albert David Singer (nascido em 1946 em Melbourne, Austrália) é filósofo e professor na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, na área da ética prática. Trata questões éticas numa perspectiva utilitarista. Recomento o seu livro "Ética Prática".

Retenho esta frase:


"A ética é prática, senão não é verdadeira ética. Se não for boa na prática, também não é boa na teoria".

 

Captura de Tela 2016-11-02 às 15.41.35

 



publicado por paulo prudêncio às 15:37 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 03.09.16

 

 

 

"No reino dos seres vivos, o ser humano é o único que sabe que há futuro. Se os humanos se preocupam e esperam é porque sabem que o futuro existe, que ele pode ser melhor ou pior e que isso depende, em certa medida, deles próprios.(...)"

 

 

 

3ª edição. Daniel Innerarity (2011, p:09). 

"O futuro e os seus inimigos". 

Lisboa: Teorema.



publicado por paulo prudêncio às 09:11 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 31.07.16

 

 

 

 

“Não é matar um homem que é difícil - é tudo o mais”.

Jean-Paul Sartre, A Engrenagem.



publicado por paulo prudêncio às 09:47 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 27.07.16

 

 

 

 

“Não desejo nem uma nem outra; mas se fosse preciso escolher entre sofrer a injustiça e cometê-la, preferiria sofrê-la.” A frase de Platão poderia ter mais umas nuances. Sei lá. O tempo, por exemplo, acaba sempre, embora muitas vezes "fora de tempo", por elevar o fundamental, reverter a condição de quem sofreu a injustiça e condenar o usuário da injustiça.

 

religion-crushing-free-will-cartoon_thumb[6].gif

 



publicado por paulo prudêncio às 14:49 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 11.07.16

 

 

 

 

"(...)quem se limita ao que está a acontecer nem sequer compreende o que acontece.(...)" 

 

 

Daniel Innerarity (2011:49). 

"O futuro e os seus inimigos". 

Lisboa: Teorema.



publicado por paulo prudêncio às 09:42 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 10.07.16

 

 

 

"Uma sociedade pós-heróica necessita de uma política que se exerça para lá da alternativa enfática entre o poder e a impotência. Tanto o discurso ideologicamente voluntarista como o derrotismo neoliberal ressoam de tempos heróicos em que mandar era entendido como mandar absolutamente com uma disposição soberana, sem verdadeiros interlocutores, sem respeito pela complexidade social. Mas há vida política no poder limitado e na impotência política bem gerida. A falência da política, que uns festejam e outros lamentam, é uma tese que não pode confirmar-se historicamente nem medir-se empiricamente. A política é por vezes desacreditada partindo do modelo de uma competência inalterável, como se os problemas sociais estivessem condenados à alternativa de receberem solução por meio de uma política soberana ou de ficarem abandonados à sua sorte.(...)" 

 

 

 

Daniel Innerarity (2011, p:135).

"O futuro e os seus inimigos". Lisboa: Teorema.

 



publicado por paulo prudêncio às 09:40 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 02.07.16

 

 

 

 

Quem diria que o verbo incentivar explicaria a encruzilhada civilizacional do mundo desenvolvido. Se recuarmos umas décadas, incentivar era a palavra-chave educacional e organizacional. A sua ubiquidade entranhou-se, fazendo com que a lógica racional do mercado condicionasse a socialização e a estruturação das actividades.

 

Steven D. Levitt, em "Freakonomics: o estranho mundo da economia" e mais recentemente Michael Sandel, em "O que o dinheiro não pode comprar", dedicam páginas ao efeito do verbo. O segundo tem um tópico que intitulou "incentivos e dilemas morais", onde se pode ler (página 93):

 

"É fácil deixar escapar a novidade desta definição. A linguagem dos incentivos é um desenvolvimento recente do pensamento económico. A palavra "incentivo" não surge nos escritos de Adam Smith nem nas obras de nenhum dos outros economistas clássicos. Na verdade, só viria a ser introduzida no discurso económico no século XX e apenas adquiriu proeminência nas décadas de 1980 e 1990. O Dicionário Oxford de Inglês indica o seu primeiro uso no contexto da economia em 1943; nas Seleções do Reader' s Digest: "O Sr. Charles E. Wilson (...) está a incitar as indústrias da guerra a adoptarem "remunerações de incentivo" - isto é, pagar mais aos trabalhadores se produzirem mais." O uso da palavra incentivo aumentou drasticamente na segunda a metade do século XX à medida que o predomínio dos mercados e da lógica racional do mercado se consolidava. Segundo uma pesquisa no Google Books, a incidência deste termo aumentou mais de 400% desde a década de 1940 à década de 1990."

 

Esta reflexão explica a crise moral que se observa em paralelo com um inédito desenvolvimento tecnológico que implica uma revolução na organização das sociedades. Se a eliminação do incentivo é uma "impossibilidade" imediata, já o seu uso mais ponderado na educação das crianças contribuirá para a afirmação de políticas sustentáveis.

 

Se para Adam Smith o mercado era uma mão invisível, já para Michael Sandel a generalização dos incentivos tornou-se uma mão pesada e manipuladora. O filósofo dá vários exemplos de incentivos monetários que vão nesse sentido, como os que são dados a troco da esterilização ou de boas notas escolares.

 

Esta prevalência incentivadora não eliminou a distinção entre economia e ética, "entre a lógica racional do mercado e o raciocínio moral. A economia simplesmente não transacciona em moralidade. A moralidade representa a maneira como gostaríamos que o mundo funcionasse e a economia mostra como ele funciona na realidade", explicam Levitt e Dubner.

 

E Michael Sandel acrescenta:

 

"(...)A noção que a economia é uma ciência isenta de juízos de valor, independente de toda a filosofia moral e política, sempre foi questionável. Contudo, hoje em dia, a jactante ambição da ciência económica torna extremamente difícil defender esta afirmação. Quanto mais os mercados invadem esferas não económicas da vida, mais se vêem enredados em questões morais.(...)Se algumas pessoas gostam de ópera e outras de combates de cães ou lutas na lama, precisamos de facto de nos abster de tecer juízos morais e atribuir peso igual a essas preferências no cálculo utilitarista?(...)Quando os mercados corroem normas não mercantis, o economista (ou qualquer outra pessoa) tem de decidir se isso representa uma perda que deveria preocupar-nos.(...)"

 

Neste tópico, Michael Sandel apresenta um conjunto de problemas educacionais e escolares que abordarei noutros posts.

 

image.jpeg

 



publicado por paulo prudêncio às 13:59 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 22.06.16

 

 

 

O surrealismo, como corrente artística de vanguarda que influenciaria o modernismo entre as duas grandes guerras do século XX, estará patente no neoliberalismo que afundou o país e a maioria das instituições.

 

Ansiamos por uma saída. Olhar para essa corrente ajudaria, até para os que atingiram um pico de adrenalina como foi o caso do ex-primeiro-ministro que anteontem confessou sobre o inquérito à CGD: "infantil manobra tática preventiva" do parceiro da bancarrota.

 

Ou seja, primeiro destrói-se e depois "trocam-se infantilidades". E aí voltamos à análise do surrealismo. A sua saída exige psicanálise. Convém recordar que a corrente de Sigmund Freud penetrava no inconsciente, o que influenciou decisivamente o surrealismo como actividade criativa.

 

49ba7104039431cd22f9067808447d01.jpg

 



publicado por paulo prudêncio às 21:09 | link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Terça-feira, 26.04.16

 

 

"(...)Actualmente, um verdadeiro conservador é aquele que admite sem reservas os antagonismos e becos sem saída dos capitalismos globais, aquele que recusa o simples progressismo e que está atento à face negativa do progresso. Neste sentido, só um radical de esquerda pode ser um verdadeiro conservador.(...)"

 

Slavoj Zizek (2014:34),

em "Problemas no paraíso".

 

image.jpeg

 



publicado por paulo prudêncio às 09:26 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 23.04.16

 

 

"On bullshit”" é o título do livro do filósofo americano Harry Frankfurt. Na tradução portuguesa ficou "a conversa da treta”". Apesar da enorme quantidade do fenómeno, não há, diz o autor, estudos profundos sobre o tema. 

Não existe uma teoria geral do “bullshit”, o que é paradoxal considerando a sua ubiquidade. Reconhece-se que é uma ameaça mais insidiosa para a verdade do que a mentira, uma vez que não tem qualquer preocupação com o rigor. O “bullshit” é objecto de uma estranha tolerância, enquanto que a mentira é vista sem benevolência. “A principal razão para o seu aumento é o facto da sociedade exigir que todos tenham opinião sobre tudo, mesmo sobre aquilo que desconhecem. É evidente que o mundo da comunicação social, e das redes sociais, constitui um abundante caldo de cultura “bullshit “”.  

 

 

onbullshit.gif

 



publicado por paulo prudêncio às 16:17 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 21.03.16

 

 

 

 

Tinha razão, e se me permitem, Edgar Morin com o seu paradigma perdido; e ainda bem no caso que se segue se o tal de paradigma não encontrou o norte.

 

A aceitação do paradigma era fundamental para a mudança que seria o novo paradigma (ufa!!!!): as NPM (New Public Management). Para quem tenha curiosidade:

 

Captura de Tela 2016-03-21 às 20.42.42.png

 



publicado por paulo prudêncio às 20:43 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 10.03.16

 

 

 

Foram variadas, e prolongaram-se por doze horas, as tarefas da cerimónia de tomada de posse de Marcelo Rebelo de Sousa como PR. Vi imagens, li sites e ouvi pela rádio alguns discursos e reportagens. Parece-me que não haverá "Problemas no Paraíso" num futuro próximo. O entre aspas é também o título de mais um desconcertante "ensaio romanesco" de Slavoj Zizek (2016:10) que na página referida conta a história de "Gaston e Lily, um feliz casal de ladrões chiques que assaltava os mais ricos, cuja vida se complica quando Gaston se apaixona por Mariette, uma das suas vítimas endinheiradas.(...)A censura de Gaston prende-se com Mariette se dispor a chamar de imediato a polícia quando um ladrão comum como ele lhe rouba uma relativamente pequena quantia de dinheiro ou riqueza, mas estar pronta a fechar os olhos quando um membro da sua respeitável alta sociedade rouba milhões(...)." Vamos estar optimistas, naturalmente, e observar o confronto com os tais problemas no paraíso.

 

Captura de Tela 2016-03-09 às 19.59.51.png



publicado por paulo prudêncio às 13:06 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 06.03.16

 

 

 

(...)as relações humanas poderiam ser muito diferentes se fosse transparente a relação entre dor e linguagem, se sentíssemos a dor do outro ao ouvi-lo enunciando a palavra.“

 

O aforismo 303 do filósofo Wittgenstein.

 

 

cartoon-escher-290x253.png

 



publicado por paulo prudêncio às 09:45 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 05.03.16

 

 

 

 

José Gil (2005:44) escreveu assim: “(...)Em contrapartida, somos um país de burocratas em que o juridismo impera, em certas zonas da administração, de maneira obsessiva. Como se, para compensar a não-acção, se devesse registar a mínima palavra ou discurso em actas, relatórios, notas, pareceres – ao mesmo tempo que não se toma, em teoria, a mais ínfima decisão, sem a remeter para a alínea x do artigo y do decreto-lei nº tal do dia tal de tal mês do ano tal.(...)”


E mais à frente, Gil (2005:57), sublinha: “(...)duplo regime que vigora em serviços de toda a ordem. Ora se tenta inscrever freneticamente tudo, absolutamente tudo em actas, para que nada se perca, ora reina a maior negligência nos arquivos que ninguém consulta nem consultará (espera-se).(...)”

 



Gil, J. (2005). Portugal, hoje. O medo de existir.
Lisboa: Relógio D´Água

 

(É um livro de 2005 e confirmamos com muita

frequência a caracterização do duplo regime. Mas quem diria

que este retrato nos levaria a mais uma bancarrota

e que explicaria o perfil da malta do subprime, do BPN,

do BCP, do BPP, do BES, do Banif e do que mais virá.)

 

 

18293005_YqGB5.jpeg

 



publicado por paulo prudêncio às 23:49 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 28.02.16

 

 

 

Cansadas com a falta de pontualidade no tempo inicial dos alunos com 5 e 6 anos, as professoras conseguiram que a escola instituísse uma multa em dólares para os atrasos. E o que é que aconteceu? Os encarregados de educação "integraram" a multa na mensalidade e o número de atrasos subiu. A escola ficou numa encruzilhada com a passagem da multa a taxa e a sua eliminação ainda tornou o planeamento das professoras mais difícil de estabelecer. Encontra este e outros exemplos que ajudam a pensar no livro de Michael J. Sandel"O que o dinheiro não pode comprar - os limites morais dos mercados".

 

depositphotos_59591447-cartoon-happy-man-holding-c

 



publicado por paulo prudêncio às 17:12 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 21.02.16

 

 

 

Com todos os riscos de quem retira do contexto uma qualquer passagem, não resisto a citar Ulrich Beck (2015:22) "Sociedade de risco mundial - em busca da segurança perdida", Lisboa, Edições 70,

 

"(...)o risco constitui o modelo de percepção e de pensamento da dinâmica mobilizadora de uma sociedade, confrontada com a abertura, as inseguranças e os bloqueios de um futuro produzido por ela própria e não determinada pela religião, pela tradição ou pelo poder superior da natureza, mas que também perdeu a fé no poder redentor das utopias.(...)".

 

A perda da "fé no poder redentor das utopias" indicia um risco de decadência se não se circunscrever ao inevitável cinismo com que a maturidade olha para a prevalência do mal. Se a descrença nas utopias, no combate às desigualdades, por exemplo e se quisermos considerar a sua "totalidade" como tal, atravessar todas as gerações, o risco entranha-se nas sociedades e atinge a escala mundial; como a história, de resto, já nos explicou.

 

education-cartoon3.jpg



publicado por paulo prudêncio às 10:27 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 20.02.16

 

 

 

umberto-eco-640x280.jpg

 

 

Faleceu Umberto Eco (1932 - 2016).

 

Bastava citar duas obras:

 

Mas houve mais (li apenas três das que se seguem):

 

E encontra aqui muitas outras obras.

 

Que descanse em paz.



publicado por paulo prudêncio às 11:29 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 12.01.16

 

 

 

 

"O modelo anterior estava errado e era nocivo", "estudos nacionais e internacionais apontam para prejuízos causados pelos exames nos anos mais precoces do ensino", "intervir rapidamente na reparação de danos causados ao sistema", "ninguém tem de se preparar para as provas de aferição", "o que tinha de acabar era o estreitamento curricular", "alunos a treinarem para exames é pernicioso e até nocivo", disse Tiago Rodrigues, o novo MEC. São ideias sensatas, corajosas, fora da caixa e com um alcance de médio e longo prazo na qualidade da democracia.

 

Estas alterações eliminam a má e chocante propaganda através de maus rankings com exames de crianças e contribuem para repensar os limites morais do mercado ao retirarem sentido, por exemplo, a prémios monetários para as melhores classificações, a pautas públicas de classificações e a quadros de honra (estas três variáveis com exames de crianças, obviamente e repito). A quem se interessar por estas matérias, aconselho dois livros de Michael J. Sandel"O que o dinheiro não pode comprar - os limites morais dos mercados" e "Justiça - fazemos o que devemos?".

 

tom-cheney-man-crawling-out-from-mob-of-media-peop

 



publicado por paulo prudêncio às 20:30 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Domingo, 10.01.16

 

 

 

 

 

Desde os sofistas e de Aristóteles que se sabe que a política é também a arte da mentira. Proclamar A e o seu contrário é o modo de ser dos institucionalistas que nos empurraram para onde estamos. O branqueamento da corrupção e a eliminação da memória são consequência e causa de primeira grandeza. O refúgio na "amizade" é o argumento que esconde a obstinação da oligarquia.

 

Embora com contornos diferentes do já referido, não se percebe, por exemplo, o que tem sustentado o apoio inicial sem limites aos últimos ministros da Educação.

 

O facto tornou risível o "discurso dos arrependidos", como aconteceu com Carlos Fiolhais (falou em science killer e avaliação destruidora, imagine-se) que era amigo de Crato, que conhecia as suas ideias sobre ensino superior e investigação e que se desiludiu. Só que Crato era também ministro do ensino não superior e quem o conhecia nesses domínios apressou-se a avisar que o ministro estava impregnado de preconceitos contra a escola pública e que nada sabia de gestão escolar onde não se conhecia uma frase do seu pensamento. Tudo comprovado. O contágio ao ensino superior e à investigação foi uma questão de tempo.

 

Até o eduquês, que importou de Marçal Grilo, sempre se pareceu com o do crítico original: uma espécie de versão II que na prática resultava em mais do mesmo. As polémicas à volta do excessivo linguajar das ciências da Educação são apenas uma milionésima parte do inferno informacional em que mergulhou a gestão escolar e os últimos ministros limitaram-se a acrescentar ruído com os institucionalistas sempre à espera de uma nova vaga. E depois de tanto radicalismo pouco informado, como é que querem que fique tudo na mesma?

 

1ª edição em 18 de Maio de 2015



publicado por paulo prudêncio às 11:12 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Domingo, 03.01.16

 

 

 

Duas boas trocas por prendas repetidas.

 

IMG_0196.jpg

 



publicado por paulo prudêncio às 15:09 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 28.12.15

 

 

 

Os livros em papel resistem, e ainda bem, mas os postais nem por isso e naturalmente. O livro de G. Grass foi uma auto-prenda uns dias antes e o postal é um registo das boas memórias de um professor.

 

10419039_10206139113865679_6146668007528496898_n.j

 

 

 

1934501_10206139120545846_5290488060777108791_n.jp

 

 



publicado por paulo prudêncio às 15:56 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 23.12.15

 

 

 

O surrealismo, como corrente artística de vanguarda que definiria os caminhos do modernismo entre as duas grandes guerras do século XX, está vigente no liberalismo que tem comandado o país e a maioria das instituições. 

 

Ansiamos por uma saída para o estado em que vivemos e um olhar para o surrealismo ajudaria a reencontrar o caminho da modernidade, mesmo para os que atingiram um qualquer pico de adrenalina como foi o caso do deputado trauliteiro do PSD, Carlos Abreu Amorim, que ainda ontem nos recordou esta sua confissão: "Já não sou um liberal. O Estado tem de ter força".

 

Ou seja, primeiro destrói-se e depois confessa-se. E aí voltamos à análise do surrealismo. A saída do estado surreal só se consegue com muita psicanálise. É bom recordar que a corrente de Sigmund Freud penetrava no inconsciente e isso influenciou decisivamente o surrealismo como actividade criativa.

 

17857012_ebzDu.jpeg

Pintura de Vladimir Kush.

 



publicado por paulo prudêncio às 17:39 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 14.12.15

 

 

 

O "excesso" de meritocracia, ou a meritocracia insensata e mergulhada no capitalismo selvagem, elimina a meritocracia como alicerce das sociedades democráticas do nosso tempo. É uma conclusão que vai ganhando força e que não é contraditória. E depois existe uma questão antiga que Michael J. Sandel (leio que é "o maior filósofo vivo), em "O que o dinheiro não pode comprar", sintetiza de forma simples e bem actual: "há valores que o mercado diminui ou perverte".

 

A-Meritocracia.jpg

 



publicado por paulo prudêncio às 18:25 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 07.10.15

 

 

 

A divergência argumentativa à volta da formação do Governo aconselhava a helénica suspensão dos juízos: a époché (estado de repouso mental (momento de dúvida) pelo qual nem afirmamos nem negamos); mas registo algumas impressões.

 

Espero, obviamente, que a democracia funcione.

 

Ouvi o ainda PR a ler a "exclusão" em nome do acesso restrito às benesses ilimitadas do arco. Escutei as réplicas dos partidos e lembrei-me dos gregos. Por exemplo, o BE disse na campanha que não era o Syriza depois de em Fevereiro rejubilar com os feitos. Talvez fosse avisada alguma prudência associada ao respeito pela coragem dos outros. O PS tem ainda recursos para não se pasokiizar e a CDU mantém-se na galáxia da irrefutabilidade.

 

Percebi que Relvas foi a Brasília "contratar o marqueteiro" (que também fez campanhas Menezes) que "criou" a PàF (que é diferente de PSD mais CDS) em articulação com Marco Costa e Passos Coelho. É o mesmo registo que anunciou ministros de um novo Governo logo na noite eleitoral antes sequer dos números definitivos e da vontade constitucional do PR e que vai demonstrando um manancial de habilidades equivalentes a um nível tecnológico bem em forma. Não lhes auguro grande futuro: a frente de direita não deve escapar ao efeito "nova democracia".

 

Voltando à époché; a suspensão dos juízos husserliana também é actividade, ou, no mínimo, um "repouso" activo que implica uma decisão do pensar: sim ou não? E isso é muito mais fácil para os "treinadores de bancada".

 

gustav-klimt-death-and-life.jpeg

 

"A Vida e a Morte" de Gustav Klimt.

 



publicado por paulo prudêncio às 14:16 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Domingo, 04.10.15

 

 

 

Há, desde logo, um leve sinal de vitalidade democrática. As previsões indicam que o PSD/CDS coligados perderam a maioria absoluta. É um bom sinal que me recorda Sócrates 2009. Francamente, sinto-o do mesmo modo. A esquerda terá uma maioria absoluta, mas será uma frente de direita a formar governo; é assim há quatro décadas, a não ser que o PS vença em maioria ou coligado à direita. Desta vez nem isso. Pelo que percebi, houve demasiados socialistas a votar na coligação ou noutros partidos. E nem adianta responsabilizarem as forças mais recentes que têm, obviamente, o direito de existir. Está de parabéns o BE.

 

Fico-me por Deleuze:

 

“Não há que recear ou esperar,
mas procurar novas armas”.

  

Deleuze, Gilles,
em Política e Modernidade,
página 11.



publicado por paulo prudêncio às 20:44 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 24.09.15

 

 

 

 

 

16554907_wcfIA.jpeg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Que em Auschwitz

as paredes não se rebelassem,

que o gás não se "arrependesse",

é o escândalo do silêncio de Deus,

mas também uma falha no humano."


 

José B. de Miranda, 
Queda sem fim.



publicado por paulo prudêncio às 12:22 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 19.09.15

 

 

 

irracional-man-14julho2015-09.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Para Woody Allen, em o "Homem Irracional", não existe. Mesmo o crime cometido, em nome da estética (do belo) e da moral (a justiça em favor de toda a comunidade), pelo controverso professor de filosofia de uma escola secundária teve os dias contados. O tempo, sempre o tempo, eliminou a "perfeição" do acto e a racionalidade Kantiana e evidenciou uma irracionalidade que exacerbou os interesses de um criminoso que encontrou "nesse agir" um sentido para a vida. Mas o melhor é irem ver o filme que está na linha de "Match Point" e que é um dos melhores de Woody Allen nos últimos anos.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:44 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 14.09.15

 

 

 

 

"Uma sociedade pós-heróica necessita de uma política que se exerça para lá da alternativa enfática entre o poder e a impotência. Tanto o discurso ideologicamente voluntarista como o derrotismo neoliberal ressoam de tempos heróicos em que mandar era entendido como mandar absolutamente com uma disposição soberana, sem verdadeiros interlocutores, sem respeito pela complexidade social. Mas há vida política no poder limitado e na impotência política bem gerida. A falência da política, que uns festejam e outros lamentam, é uma tese que não pode confirmar-se historicamente nem medir-se empiricamente. A política é por vezes desacreditada partindo do modelo de uma competência inalterável, como se os problemas sociais estivessem condenados à alternativa de receberem solução por meio de uma política soberana ou de ficarem abandonados à sua sorte.(...)" 

 

 

 

Daniel Innerarity (2011, p:135).

"O futuro e os seus inimigos". Lisboa: Teorema.



publicado por paulo prudêncio às 12:37 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Quinta-feira, 30.07.15

 

 

 

17750969_jGIMD.gif

 

 

 

Daniel Dennett é um relevante filósofo americano. "A liberdade evolui" é o título de uma das suas obras. Tem uma pequena história que merece uma atenta reflexão.

 

"A Orquestra Sinfónia de Boston é conhecida por fazer a vida difícil aos maestros convidados até que estes dêem provas de que merecem ocupar o lugar. Perante a sua estreia à frente da orquestra, e conhecendo a reputação da mesma, um jovem maestro decidiu tentar um atalho para conseguir ser respeitado. Estava programado que dirigisse a estreia de uma obra contemporânea inaudivelmente dissonante, e enquanto lia a partitura ocorreu-lhe um estratagema brilhante. Encontrou um crescendo no início, em que toda a orquestra produzia um som estridente em mais de doze notas discordantes, e reparou que o segundo oboé, uma das vozes mais suaves da orquestra, estava programado para tocar um Si natural. Agarrou na partitura para o segundo oboé e inseriu cuidadosamente o sinal para bemol - a partir de agora era indicado ao segundo oboé que devia tocar um Si bemol. No primeiro ensaio, conduziu energicamente a orquestra até ao crescendo adulterado. "Não!", berrou, parando a orquestra abruptamente. Depois, com o sobrolho enrugado e em profunda concentração disse: "Alguém, vejamos, sim, deve ser... o segundo oboé. Devia tocar um Si natural e tocou um Si bemol". "Não pode ser", respondeu o segundo oboé. "Eu toquei um Si natural. Um idiota qualquer tinha escrito aqui Si bemol!"."

 

 

 

(Não é a primeira vez que

transcrevo esta história

num post).

 


publicado por paulo prudêncio às 18:18 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
Discordâncias:
Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
comentários recentes
Comentário bem humorado :)
não há cultura de serviço público na tugalândia pa...
Um bom ponto de partida para uma reflexão. E há mu...
Pois. Mas para combater Trump, Le Pen e outros há ...
1- está instituído nos gabinetes que a progressão ...
Não te intrometes nem tens que pedir desculpa, Luí...
posts recentes

Do filósofo desportivo

Michael Sandel e a catego...

da correria dos pais e do...

Incentivar?

Uma década de revolução n...

ligações
posts mais comentados
tags

agrupamentos

além da troika

antero

avaliação do desempenho

bancarrota

banda desenhada

bartoon

blogues

caldas da rainha

campanhas eleitorais

cartoon

cinema

circunstâncias pessoais

coisas tontas

concursos de professores

contributos

corrupção

crise da democracia

crise da europa

crise financeira

crise mundial

crónicas

democracia mediatizada

desenhos

direito

direitos

economia

educação

efemérides

escolas em luta

estatuto da carreira

exames

falta de pachorra

filosofia

finanças

fotografia

gestão escolar

história

humor

ideias

literatura

luís afonso

mais do mesmo

manifestação

movimentos independentes

música

organização curricular

paulo guinote

política

política educativa

portugal

professores contratados

público-privado

queda de crato

queda do governo

rede escolar

sociedade da informação

tijolos do muro

ultraliberais

vídeos

todas as tags

favoritos

bloco da precaução

pensar o sistema escolar ...

escolas sem oxigénio

e lembrei-me de kafka

as minhas calças brancas ...

as minhas calças brancas ...

reformas e remédios (1) -...

sua excelência e os númer...

sua excelência (2) (reedi...

sua excelência (1) (reedi...

subscrever feeds

web site counter
arquivo
blog participante - Educaá∆o - correntes .jpg
Por precaução
https://www.createspace.com/5386516
Razões de uma candidatura
https://www.createspace.com/5387676
mais sobre mim