Em busca do pensamento livre.

Domingo, 12.03.17

 

 

 

As "elites" portugueses são historicamente vocacionadas para castelos, palácios, mansões e demais obras faraónicas, o que explica as cíclicas falências da nação. Veja-se a CGD na sua opulenta sede e já com 4 mil milhões a voar, depois das mesmas "elites" terem delapidado a banca privada com os olhos nos salvíficos offshores. Quem paga? Em grande parte, os do costume: os que ergueram o edificado e que têm a escola assegurada para ler, escrever e contar. Ou seja, o povo que leia as maiúsculas (e os tablóides), que escreva redacções sobre o tempo e que faça a aritmética básica da boa consciência para o pagamento integral dos impostos. 

Olhe-se para a imagem. O quadro de Domingos Sequeira, "A Adoração dos Magos", ficou no MNAA por subscrição popular, o que seria uma vergonha para as elites num país com escola. Basta atravessar a fronteira e ir ao Museu do Prado. Como escreveu, ontem no Expresso, Clara Ferreira Alves:

"(...)A grande arte providencia uma educação, não apenas estética.(...)a grande pintura, a grande arte, deviam ser obrigatórias nas escolas, tal como a educação musical. O currículo primário e secundário português, com as suas perguntas esdrúxulas nos exames a que nenhum adulto educado saberá responder, ignora olimpicamente a arte.(...)Uma parte da elite endinheirada e da direita política teima em considerar a arte e a cultura como propriedade da esquerda e não da humanidade".

Algo parecido se passa com o ensino das humanidades. E depois há uns servos que alinham neste jogo. É um fenómeno estranho e também histórico. Afirmam-se conservadores e supostamente exigentes para gáudio das "elites" ou alargam o currículo escolar de forma tão complexada que se enredam num emaranhado risível de organogramas justificativos.

 

sequeira_pintura Domingos Sequeira.

"A Adoração dos Magos".

Museu Nacional de Arte Antiga.

Lisboa.



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Sexta-feira, 10.03.17

 

 

 

Estas epifanias são cíclicas e podemos esperar como a proposta do Francis Bacon: sentados. Lembro-me de um pico semelhante em 2004 que foi o ano em que comecei o blogue. Receei que não tivesse registado o momento, mas não. Em 27 de Maio de 2004 escrevi assim e os resultados são conhecidos no presente (é muito interessante a plêiade de especialistas):


"Não foi fácil. Só ao terceiro encontrei a auto-estima. Passei pelo que estava mais à mão, o da Porto Editora, um só volume, e nada. Fui ao grande dicionário da língua portuguesa, do Círculo de Leitores, seis volumes, e zero. Não desisti. Recorri ao Houaiss da língua portuguesa, também do Círculo de Leitores, seis volumes, seguramente os mais pesados e por isso ficaram para o fim, e lá encontrei: qualidade de quem se valoriza, de quem se contenta com o seu modo de ser e demonstra confiança nos seus actos e julgamentos

A minha dúvida não estava tanto no significado. Situava-se mais na questão da palavra composta o ser por justaposição ou por aglutinação; ter ou não hífen. Neste caso tem, porque, e muito justamente, o sujeito até pode não ter muita estima por si próprio.

Ouvi hoje uma notícia surpreendente: um conjunto de sábios comprovados, ao que julgo saber afectos à maioria que nos desgoverna, vai discutir o porquê da baixa auto-estima dos portugueses. O painel inclui: Marcelo Rebelo de Sousa, Clara Ferreira Alves, Vasco Graça Moura e António Borges, que julgo que seja um empresário bem sucedido. Espera-se que, depois da mesa-redonda (por justaposição porque existem mesas que não são redondas), a auto-estima dos conferencistas suba em flecha."

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Francis Bacon.

Albertina, museum.

Viena.



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Quinta-feira, 16.02.17

 

 

 

 

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Luís Afonso



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Quarta-feira, 15.02.17

 

 

 

 

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Terça-feira, 07.02.17

 

 

 

 

Portugal é o país da OCDE onde os professores perdem mais tempo com a disciplina para começar uma aula e é onde existem, como hoje se conclui, salas de aula em que "reina a "pequena indisciplina"". E não saímos disto, com o discurso circular de "especialistas" (no caso o antigo responsável pelo Observatório de Segurança em Meio Escolar) a culpar "mais os professores do que os alunos".

E se procurássemos, definitivamente, outras culpas? Sumariemos: escola a tempo inteiro, ou "armazém", como resultado da sociedade ausente; aluno-cliente como negação dos elementares princípios docimológicos (não tarda e a publicitação da calendarização de testes chega ao primeiro ciclo para que um petiz convoque os advogados porque o professor o submeteu a um questionário de avaliação sem calendarização; isto sim, o nefasto "facilitismo"); uma década de devassa, mediatizada em primeira página, da carreira dos professores; indústria de exames nacionais, com os respectivos quadros de mérito e com a publicitação de resultados de crianças (é a preparação para a selva, dizem "especialistas da ordem contrária"); "supressão" de intervalos escolares; aulas de noventa minutos como receita do 5º ao 12º ano e em todas as disciplinas; mais alunos por turma; mais turmas por professor; terraplenagem do estatuto da carreira dos professores; agrupamentos de escolas como negação da gestão de proximidade e com aumento da hiperburocracia como factor ilusório de controle; legislação de disciplina escolar na lógica de um "tribunal dos pequeninos"; e por aí fora. Se nada de moderado, sensato e democrático acontecer, daqui por uma década voltaremos, seguramente, ao mesmo e, obviamente, aos culpados do costume.

 

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Quarta-feira, 30.11.16

 

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É, objectivamente, uma descida na confiança nas instituições, e na democracia, a sucessão de habilitações falsas. Depois dos últimos casos, o Expresso "apurou que o Governo" procurou mais irregularidades. Houve duas pessoas que pediram exoneração sem entrega da documentação. Percebeu-se que o fizeram por terem declarado habilitações falsas. É, e sei lá que se diga mais no meio deste pântano, uma atenuante. O Público revela uma prática muito negativa para o crédito das nomeações em concursos públicos: "no momento da nomeação, foi-lhe pedido que apresentasse o currículo para que fosse colocado no despacho e “acreditou-se que as informações eram as correctas”.



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Sexta-feira, 25.11.16

 

 

 

São tais as evidências, que a interrogação que ouvi faz sentido: é mais polvo ou mais pântano? Coabitam os dois fenómenos. Aliás, o segundo foi até denunciado por Guterres. No caso Vistos Gold, por exemplo, notam-se os tentáculos de um polvo, mas a existência de um pântano de dimensões apreciáveis é inquestionável. Digamos que são polvos (e polvitos) que se alimentam silenciosamente em pântanos aparelhados.

 

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Sábado, 05.11.16

 

 

 

 

Se não fizer isso conseguirá entrar na universidade? As duvidas na resposta a esta interrogação condicionam, demasiado cedo, os sistemas educativos. Aos seis anos começa a corrida de obstáculos que impede, desde logo, a eliminação do abandono escolar precoce. Com excepção dos países onde não se restringe o acesso ao superior, e em que o secundário é transversalmente estimulante, a regra nos restantes assume as interrogações: e se não fizer muitos trabalhos de casa desde cedo conseguirá aceder ao superior? E se não fizer exames a eito desde cedo conseguirá aceder ao superior? E se não tiver explicações desde cedo conseguirá aceder ao superior? E se não for desafiado por quadros de honra desde cedo conseguirá aceder ao superior? E se não tiver o tempo todo ocupado desde cedo conseguirá aceder ao superior? Para agravar a condição portuguesa, a sociedade ausente apresenta inúmeras famílias pobres que nem imaginam essa desinformada ambição escolar enquanto os informados do costume (alguém, com propriedade e humor, classificou-os de descomplexados competitivos) discutem ciclicamente a falta de tempo para os petizes brincarem.

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Terça-feira, 25.10.16

 

 

 

A desqualificação do modo de escolher as direcções escolares é mais uma derrota para a herança de Lurdes Rodrigues (LR). O veredicto poderá acontecer com a vontade de alguns dos seus, outrora, correligionários. É reconhecida a desqualificação dos actuais Conselhos Gerais para promover concursos públicos seguidos de eleição. LR decidiu, em 2009, eliminar um modelo com avaliação positiva para controlar, a partir do poder central, os "indisciplinados" professores. Teve a oposição de muitas escolas, mas a oportunidade criou alinhados de última hora. 

 

Em 11 de Janeiro de 2012escrevi que "(...)mesmo entre nós, e no caso do sistema escolar, o arco governativo não descansou enquanto não eliminou o poder democrático das escolas substituindo-o por uma amálgama com tiques do PREC e da ditadura.(...)" Não foram necessários muitos anos para se perceber o erro grave, nomeadamente com a entrada nas escolas do pior da partidocracia local. É consensual para as organizações que estudam e avaliam a situação vigente: as direcções escolares devem ser eleitas, num processo devidamente escrutinado, por todos os que exercem funções nas escolas.

 

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Antero



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Domingo, 25.09.16

 

 

 

 

Quando leio divergências entre o Governo e a Comissão Europeia (ou o FMI) "sobre o que consta dos relatórios", (o Ministro Vieira da Silva desmente a comissão por causa das reformas em Portugal) lembro-me muitas vezes do "Pensar, Depressa e Devagar" do Nobel da economia (2002) Daniel Kahneman (2011:91). "Se 5 máquinas levam 5 minutos para fazer 5 peças, quanto tempo 100 máquinas levariam para fazer 100 peças? 100 ou 5 minutos? E se num lago há uma mancha de nenúfares que todos os dias duplica o tamanho e leva 48 dias a cobrir o lago inteiro, quanto tempo levaria a cobrir metade do lago? 24 ou 47 dias?" (tem os resultados no fim do post). Pediram a 40 estudantes de Princeton para responderem. Como pode ler na obra citada, os que leram os exercícios em folhas menos legíveis acertaram muito mais porque, diz o autor, aumentaram as funções cognitivas. Já ontem usei este exemplo e hoje publico uma imagem com duas rectas iguais que, à primeira vista, parecem diferentes por causa do sentido das setas o que terá também uma forte relação com o assunto do post.

 

Resultados: 5 e 47.

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Daniel Kahneman (2011:39), "Pensar, Depressa e Devagar",

Temas e Debates, Círculo de Leitores, Lisboa.



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Sábado, 24.09.16

 

 

 

 

A desconfiança nos professores, que se instituiu em má burocracia, começou há mais de uma década, mas disseminou-se a partir daí. O "eduquês organizacional" alimentou-se também do modo digital. Os ficheiros que circulam nas redes escolares são intratáveis e atingirão valores não mensuráveis. Aquele anúncio da PT, que afirmava a capacidade em sediar na Covilhã toda a informação do planeta, não considerou o MEC e o sistema escolar.

 

A cultura anti-professor desenvolvida nos serviços centrais generalizou-se. Se considerarmos que o "modelo" exige impressão de documentos para uma leitura atenta e imparcial (), estará na má impressão motivada pela racionalização de tinteiros de impressoras a explicação para a leitura errada dos dados relacionados com professores e que parece suportar-se no que pode ler a seguir. Tem os resultados depois da imagem.

 

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Daniel Kahneman (2011:91), "Pensar, Depressa e Devagar". 

Temas e Debates. Círculo de Leitores. Lisboa.

 

Resultados: 5 e 47.



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Sexta-feira, 23.09.16

 

 

 

 

A profissão de professor é, de longe, a mais escrutinada em Portugal. Até o verniz da bancocracia estalar de vez, era a culpada pelo estado da nação. A devassa permitiu tudo.

 

Uma hora escolar foi de 50 minutos durante décadas. No final do milénio passado, a duração passou para 45 ou 90. Ou seja: a redução de 50 para 45 originou um imbróglio lusitano de 5 minutos (já vai quase em 20 anos sem solução à vista). Crato equacionou a possibilidade dos 50 (mas cheia de perversidades), sem eliminar os 45 e os 90. Os horários dos professores passaram a ser contados ao minuto e os intervalos dos petizes a quimeras; valha-lhes não sei o quê e ficou tudo como estava. Se para que as escolas abram todas em Setembro não fossem suficientes alunos, professores, outros profissionais e horários, algumas estavam décadas a organizarem-se. 

 

Os ""Maluquinhos de Arroios", como lhes chamou, veja-se lá, Vasco Pulido Valente no Público, tiveram outra epifania: passar a hora escolar para 60 minutos. Andaram as escolas a operacionalizar a "possibilidade austeritária" que se esfumou de imediato por falta de racionalidade.

 

Se Vasco Pulido Valente escreveu (13 de Janeiro de 2013) o que pode ler a seguir, e que se mantém, é altura de interrogarmos o futuro imediato. 

 

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Quarta-feira, 14.09.16

 

 

 

O escolar da última década "rendeu-se" à selva. Assisto ao "contorcionismo do real" dos que repetiam: "isso jamais cairá". Que aprendam alguma lição, porque o que é "sólido dissolve-se no ar".

 

Red arrow around Earth.



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Terça-feira, 13.09.16

 

 

 

As nossas "elites", por exemplo, são historicamente viciadas em viver à custa do trabalho dos outros. Foi assim durante três séculos com a escravatura, também com o ouro e as especiarias e até com o colonialismo. Na crise actual, os "desgraçados" são os pagadores de impostos e as políticas sociais. 

 

Na saúde, os alarmes soam quando "começam" a morrer pessoas. Na justiça, há que manter os povos minimamente em ordem e na segurança social o objectivo é impedir que os descontinuados se aglomerem perigosamente. Na Educação, até se pode encher salas de aula, passar a vida em "reformas" para entreter o auditório, encerrar ou aglomerar escolas sem critério civilizado, manter números vergonhosos de analfabetismo ou aumentar o insucesso escolar em crianças e jovens. O que interessa é que os Dragui´s que controlam o protectorado se satisfaçam com a coluna excel da despesa e aprovem os sucessivos governos.

 

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Quinta-feira, 01.09.16

 

 

 

 

(Ao que vai ler, acrescente epifanias consecutivas 

com destaque para o concurso BCE,

para a prova PACC, para o desmiolo Cambridge,

e para a industria dos exames.)

 

 

 

"Uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15. Depende do professor e da sua qualidade", disse Nuno Crato numa inenarrável entrevista televisiva em que se pôs a dissertar sobre a relação entre a formação dos professores e o número de alunos por turma. Nuno Crato disse que concorda com o especialista norteamericano (é mesmo um hanushekiano) que andou por aí a apregoar o mesmo e revelou-se mais uma pessoa que nos deixa dúvidas quanto ao juízo ou ao conhecimento sobre uma escola do não superior. Temos de concordar: os professores portugueses têm azar com a sucessão de ministros. Nuno Crato afirmou a sua tese e nem sequer se escudou na troika; nesta variável está, também, para além dela.

 

William Golding, prémio Nobel da literatura em 1983 e professor no 1º ciclo durante 30 anos, foi taxativo numa entrevista à RTP2: " Com 30 alunos não há método de ensino que resulte, mas com 10 alunos todos os métodos podem ser eficazes". Essa entrevista descansou-me muito. Tinha leccionado cerca de 10 turmas do ensino secundário, cada uma com mais de 30 alunos, e estava preocupado com a profissão que tinha escolhido e com a minha memória. Já íamos em Maio e nem o nome dos alunos todos conhecia. Numa sociedade ausente como a nossa, e mais ainda nos tempos que correm, a relação entre os professores e os alunos atenua muito a taxa de abandono escolar para além de ser um indicador da qualidade do ensino. Nunca imaginei que 30 anos depois ouviria o ministro da Educação do meu país, qual Taliban, a defender uma coisa destas com a máxima convicção. Que tempos, realmente.

 

 

Este post é de 5 de Junho de 2013.

 



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Quarta-feira, 24.08.16

 

 

 

O DN destaca "que nunca houve tão poucos professores a pedir a reforma" e identifica as causas: aumento da idade da reforma para os 66 anos de idade e fortes penalizações para as reformas antecipadas. Num grupo profissional que se reformava entre os 56 e os 58 (52 no pré-escolar e 1º ciclo), e com 35 anos de serviço, existia um sistema justíssimo de redução da componente lectiva com a idade que foi "precarizado" em vez de consolidado. Resultado: temos um corpo docente envelhecido e exausto (há inúmeras escolas em que os mais jovens têm mais de 40 ou 50 anos de idade) e um desemprego jovem altíssimo.

 

Numa altura em que regressa, e muito bem, o ensino nocturno, ouvi uma história lapidar. Quem foi docente nesse nível beneficiava de fortes reduções para compensar o horário tardio. Por outro lado, a redução de alunos nessas turmas, e o ambiente relacional adulto e descontraído, provocava muito menos desgaste. Mas vamos à história. Um ex-presidente de Conselho Executivo e um vereador da Educação declararam em uníssono: é inadmissível que os professores tenham reduções com a idade; ninguém trabalha 16 horas por semana. A plateia, onde estavam professores, ficou perplexa, mas esclarecida quando se percebeu a experiência dos dois "conferencistas". Leccionaram exclusivamente, e durante anos a fio, no ensino nocturno antes de ocuparem os tais cargos: o primeiro esteve cerca de 20 anos no cargo (sem turmas) e o segundo assumiu funções há menos de dez, mas, pelos vistos, encarnou de imediato o espírito dinossauro. Assim não vamos lá, realmente.

 

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Domingo, 14.08.16

 

 

 

 

Li uma entrevista, dada com desassombro, de quem vai coordenar o perfil do aluno no final do 12º ano.

 

Lembrei-me deste post.

 

Começa assim:  

 

A febre reformista no sistema escolar em Portugal não é nova: é mesmo imparável. O que é engraçado, e com o passar do tempo, é que vemos recuperar ideias antigas como se de grandes novidades se tratassem. Parece um percurso circular.

Escrevia, algures em 1998, uns textos para uma revista sobre educação e o coordenador pediu-me que inscrevesse algumas ideias sobre o assunto. Lembrei-me dos remédios. Fui ler a literatura do “Benuron” - medicamento para todas as dores e para todas as maleitas gripais e constipais - peguei no seu modelo organizativo e fui andando. Foi uma noite bem passada. Quase 16 anos depois, e aproveitando as competências do blogue, publico-as de novo. Só dois detalhes antes de começar: se em 1998 era possível este grau de má burocracia e eduquês, não é de admirar que com mais 17 anos intensivos isto tivesse chegado a este estado.

 

Republico apenas o perfil do aluno. Para os restantes medicamentos terá que ir ao original no link referido.

 

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Perfil do aluno. 

Registo da patente: equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989. 

Composição: registo preciso e rigoroso do estado do produto aluno somados x anos de laboração. 

Indicações terapêuticas: impede desvios acentuados nos complexos processos de apreciação global dos alunos; facilita a criação de mecanismos rigorosos de análise transversal do desempenho de humanos sujeitos ao agressivo contexto escolar. 

Contra-indicações: pode provocar ligeiras dores de cabeça quando verificada a sua articulação com os programas escolares das disciplinas dos anos terminais de ciclo. 

Precauções especiais de utilização: não deve ser aplicado a alunos muito curiosos nem aos que se posicionem de frente ou de costas. 

Prazo de validade: um ciclo escolar, precisamente.



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Terça-feira, 02.08.16

 

 

 

É tal a sucessão de casos e evidências, que a interrogação que ouvi faz sentido: é mais polvo ou mais pântano? Coabitam os dois fenómenos. Aliás, o segundo foi até denunciado por Guterres no acto de demissão como primeiro-ministro. É evidente que é mais seguro se olharmos o que nos rodeia antes de uma qualquer resposta. E aí, e no ambiente escolar, notam-se os tentáculos de um polvo (ou polvito). Mas a existência de um pântano de dimensões apreciáveis é inquestionável. E se no escolar é assim, há fortes probabilidades de se equiparar nas restantes áreas. Digamos que são polvos (ou polvitos) que se alimentam nos pântanos.

 

 

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Quarta-feira, 06.07.16

 

 

 

Afinal a gabarolice do mais com menos dos "privados" escolares não era apenas à custa da indecente precarização de profissionais. Criavam turmas irreais no modelo de fantasma amealhador.

 

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Quinta-feira, 30.06.16

 

 

 

Li e nem queria acreditar: há quem acuse o Governo de não financiar cooperativas com contratos redundantes para desviar atenções de outras variáveis críticas da escola pública. Nem sei como classificar tamanha falta de senso. O Governo revelou, neste assunto, uma coragem informada de todo inesperada e nunca li que os problemas se esgotavam aí. Se houve uma manifestação redundante por ter esse ponto como o único da agenda, o facto não responsabiliza o Governo. Estes escribas deviam falar com pessoas das escolas públicas afectadas pelos contratos redundantes e talvez pensassem antes de escrever. E não venham mais tarde com o tradicional errar é humano ou tergiversar por terem opinado em plena silly season.

 

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 Quino



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Terça-feira, 28.06.16

 

 

 

"Na escola x, uma aluna do 7º ano passou com sete negativas. Na turma da minha filha, na escola y, reprovou um aluno com duas negativas, a português e a matemática, e outro com três". E é isto. Ciclicamente é isto. Uma regra administrativa nacional (RAN) nestes assuntos deixa tudo mais claro, mas a invenção da roda também se tornou cíclica. Havendo uma RAN, os conselhos de turma ponderam o que têm que ponderar; como sempre aconteceu e está mais do que comprovado. Ou será que os anti-RAN acham que o insucesso escolar é culpa absoluta de professores e escolas? Parece-me que sim. Aliás, dá ideia que pensam o mesmo das causas do flagelo do abandono escolar que também é histórico e "eterno".



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Quarta-feira, 22.06.16

 

 

 

O surrealismo, como corrente artística de vanguarda que influenciaria o modernismo entre as duas grandes guerras do século XX, estará patente no neoliberalismo que afundou o país e a maioria das instituições.

 

Ansiamos por uma saída. Olhar para essa corrente ajudaria, até para os que atingiram um pico de adrenalina como foi o caso do ex-primeiro-ministro que anteontem confessou sobre o inquérito à CGD: "infantil manobra tática preventiva" do parceiro da bancarrota.

 

Ou seja, primeiro destrói-se e depois "trocam-se infantilidades". E aí voltamos à análise do surrealismo. A sua saída exige psicanálise. Convém recordar que a corrente de Sigmund Freud penetrava no inconsciente, o que influenciou decisivamente o surrealismo como actividade criativa.

 

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Terça-feira, 14.06.16

 

 

 

 

Quando se trata do sucesso escolar, boa parte da esquerda só conhece uma responsabilização: a formação e o desempenho dos professores. Elimina a sociedade, as famílias e a gestão escolar. Tropeçamos em sinais que fazem temer uma qualquer repetição. Nem sei se é por causa dos sociólogos de esquerda ou se é algum trauma com a dificuldade em contrariar o determinismo social que "perpetuamos". O que se constata, é o apontar de dedo aos professores em regra por quem nunca pôs os pés numa sala de aula. Se à direita só se espera a opção low cost, custa ver a esquerda a repetir receitas desenhadas por formadores de professores associados aos tais sociólogos que sabem sempre, e há muito e sem equívocos, o que será a Educação no século seguinte.

 

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Quarta-feira, 08.06.16

 

 

 

E a Antena abriu com os dois momentos mediáticos do dia: a possibilidade de H. Clinton ser nomeada como a primeira mulher candidata presidencial pelo PD dos EUA e a prova de aferição de matemática das crianças do 2º ano em Portugal. Creio que o FMI, a CE, o BcE, o BdP, os mercados e Obama estarão mais centrados no segundo tema.

 

O novo Governo, que eliminou a prova final do 4º ano que permitia um conhecimento fundamental no novo planeta para lá de Plutão, decretou uma prova de aferição para crianças do 2º ano para garantir que os professores continuem a leccionar e que os comentaristas mais agressivos se entretenham.

 

Discordo das provas de aferição no 2º ano com o argumento, e como escrevi, que "remete para o ensino responsabilidades que são da sociedade ausente quando o argumento é a detecção de dificuldades que levam à exclusão. Neste sentido, esta prova de aferição é dispensável mas servirá o discurso político mainstream numa democracia mediatizada que é incapaz de responsabilizar a sociedade pela educação das crianças."

 

Ou seja, concordar e discordar é próprio de sociedades civilizadas. Nas sociedades ausentes, e também imaturas, já agora, é que tudo isto parece uma coisa clubista.

 

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Quarta-feira, 25.05.16

 

 

 

Escrevi assim:

E se uma das escolas mais expostas a contratos redundantes estivesse pontuada com um 5? Imaginemos que, em 2005, quando nasceram os colégios "privados" na sua zona, essa escola tinha 1000 alunos e 42 turmas (32 nos 2º e 3º ciclos). Imaginemos ainda que, em 2016, já só tinha 400 alunos e 23 turmas (17 nos 2º e 3º ciclos e continuemos a imaginar que ao longo dos anos o MEC afunilou a constituição de turmas) e estava pontuada com um 5 que é a classificação máxima das sobrelotadas. Seria, no mínimo, surpreendente.

 

Documenta-se, então, o estranho caso da EBI de Santo Onofre em Caldas da Rainha.

 

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Quadro na página 101 - na página 03 explica-se a metodologia, nomeadamente a recolha de dados

 



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Quinta-feira, 19.05.16

 

 

 

E se uma das escolas mais expostas a contratos redundantes estivesse pontuada com um 5? Imaginemos que, em 2005, quando nasceram os colégios "privados" na sua zona, essa escola tinha 1000 alunos e 42 turmas. Imaginemos ainda que, em 2016, já só tinha 400 alunos e 23 turmas (continuemos a imaginar que ao longo dos anos o MEC afunilou a constituição de turmas) e estava pontuada com um 5 que é a classificação máxima das sobrelotadas. Seria, no mínimo, surpreendente.

 

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Domingo, 15.05.16

 

 

 

Defende. É a sua obrigação. O que se estranhou foi o silêncio cúmplice de partidos perante o despedimento de 20 mil professores e de milhares de horários zero também em consequência de contratos de associação redundantes.

 

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publicado por paulo prudêncio às 09:57 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Terça-feira, 10.05.16

 

 

 

Há, objectivamente, componentes críticas na organização escolar: hiperburocracia, fragilidade democrática, profissionais desesperançados e insuportável caderno de encargos. Para além disso, à chuva de fundos que permitiu edificar escolas associou-se o tradicional caos na gestão do território; ou seja, há tipologias escolares para todos os gostos mas, e apesar disso, está consolidada a relação com os ciclos de ensino. Mas eis que um especialista CNE na tergiversação recupera uma das suas epifanias e inclinações: e se os ciclos de ensino adoptassem o 6+6, mesmo que desdobrado em 3+3+3+3, em detrimento do 4+2+3+3, que já foi 4+2+3+2 e passou a 4+2+3+2+1 até chegar ao 4+2+3+3? Há quem prefira o tal 6+6, o 6+3+3, outros o 4+5+3, o 9+3 e até recentemente houve quem tentasse o 4+prof ou quando muito 6+prof em paralelo com o 12 para uma minoria. Sei lá. Terraplena-se o parque existente e elege-se a táctica escolar como o quebra cabeças; como alguém perguntava, táctica ou bitáctica? Não sou avesso a mudanças; pelo contrário. Mas não há pachorra, realmente. Só podemos falir ciclicamente.

 

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Domingo, 01.05.16

 

 

 

Precisamente por ser muito difícil apresentar conclusões na investigação em Educação, exige-se ponderação, sensatez, mudança gradual, equilíbrio e testagem em pequenos universos antes de generalizar em qualquer área da política educativa. Se o período de Crato foi de radicalismo ideológico com cortes a eito (não apenas financeiros), exige-se a quem se segue que recentre. Contudo, o actual Governo nunca poderá esquecer que o período de Lurdes Rodrigues foi também de ruptura radical através de uma confessada guerra aos professores da escola pública. E o que se vai percebendo nalguns dos documentos são esses tiques lurdianos que fizeram do sistema escolar um grande primeiro ciclo recheado de políticas de infantilização da educação, de hiperburocracia e inutilidades e de generalização da síndrome de burnout.

 

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Domingo, 24.04.16

 

 

As elevadas taxas de insucesso escolar evergonham-nos e aumentaram nos últimos anos. O empobrecimento só podia dar nisto. Choca saber que, em 2014, 11 mil crianças reprovaram no 2º ano de escolaridade, o tal que o inferno da medição vai passar a aferir depois de inúmeros seminários, colóquios e horas mediáticas.

 

director-geral de uma tal de EPIS (empresários pela inclusão) que se dedica há muito ao apoio social a estudantes, também se choca e escreveu para o Expresso. E não se indigna com a fuga aos impostos através dos Panamás Leaks nem sequer com o empobrecimento. Toca ao de leve nos problemas das famílias e das comunidades e conclui no género "são 11x11 e no fim ganha a Alemanha": "É, pois, urgente transformar a escola dos seis aos dez anos". Não defendo um qualquer modelo de escola como fim da história, mas já se torna sei lá o quê ler vezes sem fim as mesmas coreografadas, e circulares, conclusões.

 

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Expresso, 1º caderno de 23 de Abril de 2016



publicado por paulo prudêncio às 10:41 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 12.04.16

 

 

 

Já passei os olhos pelo Plano Nacional de Reformas e pelo Plano Nacional de Promoção do Sucesso Escolar, e olhem que não foi fácil, e nem uma linha sobre a avaliação de professores que mantém o regime de farsa porque as carreiras há muito que "congelaram de vez". Será que o Governo sofre de esquecimento ou o legado de prestação de contas de Sócrates e Rodrigues é exemplar e intocável?

 

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Antero



publicado por paulo prudêncio às 08:48 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 18.03.16

 

 

 

Se há sinal evidente na polémica das provas (finais ou de aferição) do ensino básico é a desorientação da sociedade e não é de agora. Não há sociedade presente que passe o tempo mediático com estas discussões. Fazê-lo não é sintoma de saúde, uma vez que não fazemos outra coisa há décadas e nem o analfabetismo ainda eliminámos; nos últimos anos até aumentámos o insucesso escolar.

 

Um exemplo do desmiolo foi a curta entrevista do ministro da Educação na RTP1. O irado jornalista questionava o transtorno logístico das famílias por ainda não saberem a data de uma prova de aferição para crianças de sete anos e o ministro contra-argumentava metendo os pés pelas mãos. Mas que desorientação: no meio destas trapalhadas, não há uma qualquer sensatez que diga às pessoas que uma prova requer preocupações com a logística das escolas mas que em termos pedagógicos até deve ser feita sem grandes avisos prévios e que nem necessita de se realizar a todos os alunos nos anos todos como se faz nas sociedades normais? Não há pachorra, realmente.

 

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Segunda-feira, 14.03.16

 

 

 

"É que para agravar a decisão, é cada vez maior a zona de fronteira" disse Marques Mendes na SIC a propósito dos preços dos combustíveis e dos naturais abastecimentos em Espanha. Vi o jornal da noite motivado pela memória de Nicolau Breyner e apanhei de seguida com esta novidade. Será que Portugal conquistou algum pedaço espanhol e não dei conta?

 

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publicado por paulo prudêncio às 21:36 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 10.03.16

 

 

 

Percebo a ideia, mas alguém comprou em primeira mão para Ingvar Kamprad se vestir e talvez "o senhor tão frugal" não simpatize com a mensagem em título. E depois é o habitual: saiu da Suécia por causa dos impostos, foi "viver para a Suiça e o IKea tem a sede no Luxemburgo, outro paraíso fiscal."

 

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publicado por paulo prudêncio às 15:40 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 05.03.16

 

 

 

 

José Gil (2005:44) escreveu assim: “(...)Em contrapartida, somos um país de burocratas em que o juridismo impera, em certas zonas da administração, de maneira obsessiva. Como se, para compensar a não-acção, se devesse registar a mínima palavra ou discurso em actas, relatórios, notas, pareceres – ao mesmo tempo que não se toma, em teoria, a mais ínfima decisão, sem a remeter para a alínea x do artigo y do decreto-lei nº tal do dia tal de tal mês do ano tal.(...)”


E mais à frente, Gil (2005:57), sublinha: “(...)duplo regime que vigora em serviços de toda a ordem. Ora se tenta inscrever freneticamente tudo, absolutamente tudo em actas, para que nada se perca, ora reina a maior negligência nos arquivos que ninguém consulta nem consultará (espera-se).(...)”

 



Gil, J. (2005). Portugal, hoje. O medo de existir.
Lisboa: Relógio D´Água

 

(É um livro de 2005 e confirmamos com muita

frequência a caracterização do duplo regime. Mas quem diria

que este retrato nos levaria a mais uma bancarrota

e que explicaria o perfil da malta do subprime, do BPN,

do BCP, do BPP, do BES, do Banif e do que mais virá.)

 

 

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publicado por paulo prudêncio às 23:49 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 23.02.16

 

 

 

"As elites portuguesas não estão à altura do povo que somos", disse ontem Guterres (secundado por Barroso), segundo o Jornal de Negócios, no horário nobre da RTP1. Era bom sabermos se as "elites" desataram a ligar para a direcção de informação iradas com Guterres e com quem convida radicais. É que as "elites" cansam-se depressa com o investimento em Educação (e Guterres conhece bem esse pântano e parece que também sublinhou essa prioridade) e tratam de repor de imediato critérios de "eficiência" - fazer "mais-com-menos" - e não suportam incompreensões por facilitismo.

 

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publicado por paulo prudêncio às 14:03 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 22.02.16

 

 

 

 

A que horas se deitam as crianças? Têm televisão e computador com internet no quarto? Quantas horas, e a que horas, é que utilizam para os trabalhos de casa? Quantas horas brincam por dia em "total" liberdade? Em que condições é que o fazem? Quantas horas por dia jogam em computadores e afins? Quanto tempo passam nas deslocações diárias entre a casa e a escola? Por que é que há tantas crianças pobres? E tantos jovens obesos? Por que é que aumentou o número de Centros de Explicações? Que escolas frequentam as crianças pobres? Os horários de trabalho das famílias consideram estas interrogações? E ficávamos o dia todo a lançar perguntas educativas destas que não merecem um segundo de atenção do Conselho Nacional de Educação, apesar da sua Missão dizer que "(...)Ao Conselho Nacional de Educação compete emitir opiniões, pareceres e recomendações sobre todas as questões relativas à educação, por iniciativa própria ou em resposta a solicitações apresentadas pela Assembleia da República e pelo Governo.(...)".

 

Não sei o que pensam disto os 64 conselheiros, mas o presidente do CNE só tem olhos para a "eficiência" do sistema escolar em forma de mais com menos e de cortes a eito. É, realmente, muito difícil remar em favor da escola pública num país "sem sociedade" e em que o que a esta compete é remetido de forma absoluta para uma escola com um insuportável, e "impossível", caderno de encargos. E as crianças, como na imagem, estão condenadas a uma brincadeira: escola.

 

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publicado por paulo prudêncio às 17:56 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 19.02.16

 

 

 

"Redução de alunos por turma pode custar 750 milhões por ano", disse o presidente do CNE, em Santarém, nas jornadas do PSD, o seu partido. David Justino fez umas contas que nenhum especialista deste planeta consegue fazer, nem sequer por aproximação. Mas faz e lança-as como se fossem umas "bocas". É triste. O "contabilista" é presidente do CNE, ao que consta não é marciano, e nunca lhe ouvimos uma linha sobre a percentagem do PIB para a Educação, por exemplo, que já nos envergonha há uns anos.

 

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Domingo, 14.02.16

 

 

 

 

As condecorações mediatizaram um regresso indignado aos legados de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato. Bem sei que a memória é ainda mais curta na democracia mediatizada, mas o apoio incondicional do ainda PR às duas tragédias comprovadas terá uma qualquer relação com o ex-MEC David Justino que iniciou a queda da escola pública.

 

Para quem não se recorda, o exercício de Justino incluiu o primeiro abalo sério na imagem da escola pública com um concurso de professores, interminável por incompetência política, que abriu portas aos desmandos que se seguiram. No auge mediático do processo, apareceu, ladeado por João Rendeiro do BPP, a afirmar que só não contratava pessoas do calibre do investidor em fundos de alto risco para dirigir as escolas "porque não tinha dinheiro para lhes pagar". Numa sociedade com memória, deixava a Educação em paz por umas décadas.

 

Um ano depois foi assessorar Cavaco Silva. Esteve dez anos em funções com o PR e em cooperação estratégica com os legados condecorados. É Presidente de um CNE que ainda recentemente não se entendeu "sobre as provas de aferição das crianças". É triste, mas é assim. Se elencarmos os problemas educativos das nossas crianças, esta coisa de mais ou menos uma prova não aparecerá nas vinte primeiras preocupações mas é "conversa da treta" e não perturba os lóbis da Educação; embora o orçamento do recém privatizado IAVE viva de exames. Justino apresenta hoje no Público uma "obra sua sobre o fontismo" (de 1868 a 1889) que foi um período de muito betão financiado pela banca britânica e que acabou em "colapso financeiro". Nada que um profissional do cavaquismo não entenda em pormenor.

 

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Sexta-feira, 12.02.16

 

 

 

No dia em que N. Crato e L. Rodrigues são condecorados, e desculpem-me voltar a estas figuras, o primeiro desdobra-se em entrevistas e revela uma continuidade política que explica alguns enigmas. Lurdes Rodrigues olhava para o sistema como um grande primeiro ciclo e infantilizou-o. Numa decisão inevitável e positiva, alargou a escolaridade obrigatória até ao 12º ano e originou o maior aumento da história de alunos no ensino secundário nos anos seguintes.

 

Chegou Crato e aplicou exames a eito com as mesmas normas e procedimentos em todos os ciclos de escolaridade. Ou seja, para Crato & Lurdes até ao 12º ano é ensino precoce e comprovo-o com duas respostas da entrevista do primeiro ao DN. Como se sabe, no exercício de Crato o insucesso escolar subiu todos os anos. Com o referido aumento de frequência do secundário, o abandono escolar desceu acentuadamente. A jornalista pediu-lhe opinião. A coisa é de tal modo, que a segunda pergunta transmite a perplexidade da perguntadora que ainda tentou atenuar a manipulação. Como retrata o cartoon do Antero, Crato ganhou o direito ao fatinho completo de Lurdes Rodrigues e Cavaco Silva reconheceu-o.

 

"(...)Em 4 anos o abandono escolar caiu de 23 para 13,7%. Como ME durante esse período que analise faz dos números?

Todos nos devemos congratular pelos enormes progressos conseguidos pela Escola portuguesa nos últimos anos, nomeadamente com este que agora acaba de ser verificado: a grande redução do abandono escolar precoce. 

A que se deve esta redução? Ao alargamento da escolaridade obrigatória até ao 12.° ano?

Não se deve apenas ao alargamento da escolaridade obrigatória, mas a um conjunto de medidas que permitiram que o alargamento fosse um sucesso.(...)"

 

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