Em busca do pensamento livre.

Segunda-feira, 16.01.17

 

 

 

Não tenho muitos posts sobre o assunto, mas em 11 de Outubro de 2016 escrevi assim: "A informada, e corajosa, secretária de Estado da Educação, Alexandra Leitão, afirma que "o interesse das editoras não é o das famílias". Também não é o das escolas nem dos professores. E não é por causa do digital e do google. Há muito que há ensino e aprendizagem para lá dos manuais e agora mais ainda. As editoras como holding (empresa que tem como actividade principal a participação maioritária numa ou mais empresas) conjugam várias "empresas nucleares": manuais escolares, exames em modo industrial, "reformas semestrais do Estado" e rankings de classificações de alunos."

Haverá excepções, obviamente, mas apontar o dedo aos professores neste negócio é desviar atenções.

 

Unknown



publicado por paulo prudêncio às 18:25 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 05.11.16

 

 

 

 

Se não fizer isso conseguirá entrar na universidade? As duvidas na resposta a esta interrogação condicionam, demasiado cedo, os sistemas educativos. Aos seis anos começa a corrida de obstáculos que impede, desde logo, a eliminação do abandono escolar precoce. Com excepção dos países onde não se restringe o acesso ao superior, e em que o secundário é transversalmente estimulante, a regra nos restantes assume as interrogações: e se não fizer muitos trabalhos de casa desde cedo conseguirá aceder ao superior? E se não fizer exames a eito desde cedo conseguirá aceder ao superior? E se não tiver explicações desde cedo conseguirá aceder ao superior? E se não for desafiado por quadros de honra desde cedo conseguirá aceder ao superior? E se não tiver o tempo todo ocupado desde cedo conseguirá aceder ao superior? Para agravar a condição portuguesa, a sociedade ausente apresenta inúmeras famílias pobres que nem imaginam essa desinformada ambição escolar enquanto os informados do costume (alguém, com propriedade e humor, classificou-os de descomplexados competitivos) discutem ciclicamente a falta de tempo para os petizes brincarem.

Captura de Tela 2016-11-05 às 15.41.41

 



publicado por paulo prudêncio às 21:20 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 11.10.16

 

 

 

A informada, e corajosa, secretária de Estado da Educação, Alexandra Leitão, afirma que "o interesse das editoras não é o das famílias". Também não é o das escolas nem dos professores. E não é por causa do digital e do google. Há muito que há ensino e aprendizagem para lá dos manuais e agora mais ainda. As editoras como holding (empresa que tem como actividade principal a participação maioritária numa ou mais empresas) conjugam várias "empresas nucleares": manuais escolares, exames em modo industrial, "reformas semestrais do Estado" e rankings de classificações de alunos.

 

Captura de Tela 2016-10-11 às 15.20.21



publicado por paulo prudêncio às 15:14 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 17.07.16

 

 

 

 

Não haverá sistema perfeito de acesso ao ensino superior, mas o sistema português, que detecta há muito injustiças graves, teima em não eliminar o ruído mais ensurdecedor. A decisiva média do final do ensino secundário vai muito para além dos exames do 12º ano (valem 30% da classificação nas respectivas disciplinas; os restantes 70% correspondem à classificação interna atribuída pelos professores das disciplinas) e inclui a classificação em disciplinas sem exame. 

 

A Gazeta das Caldas relata aqui uma situação que está longe de ser um caso isolado ou sequer uma novidade.

 

Captura de Tela 2016-07-17 às 01.09.13.png

 



publicado por paulo prudêncio às 10:00 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 08.06.16

 

 

 

E a Antena abriu com os dois momentos mediáticos do dia: a possibilidade de H. Clinton ser nomeada como a primeira mulher candidata presidencial pelo PD dos EUA e a prova de aferição de matemática das crianças do 2º ano em Portugal. Creio que o FMI, a CE, o BcE, o BdP, os mercados e Obama estarão mais centrados no segundo tema.

 

O novo Governo, que eliminou a prova final do 4º ano que permitia um conhecimento fundamental no novo planeta para lá de Plutão, decretou uma prova de aferição para crianças do 2º ano para garantir que os professores continuem a leccionar e que os comentaristas mais agressivos se entretenham.

 

Discordo das provas de aferição no 2º ano com o argumento, e como escrevi, que "remete para o ensino responsabilidades que são da sociedade ausente quando o argumento é a detecção de dificuldades que levam à exclusão. Neste sentido, esta prova de aferição é dispensável mas servirá o discurso político mainstream numa democracia mediatizada que é incapaz de responsabilizar a sociedade pela educação das crianças."

 

Ou seja, concordar e discordar é próprio de sociedades civilizadas. Nas sociedades ausentes, e também imaturas, já agora, é que tudo isto parece uma coisa clubista.

 

19211440_UWQvv.jpeg

 

 



publicado por paulo prudêncio às 10:45 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 16.04.16

 

 

 

O Parlamento legislou o fim das provas finais dos 4º e 6º anos e o Governo introduziu provas nos 2º, 5º e 8º anos incluídas num sistema integrado (SI). O sistema não mexe no sacrossanto acesso ao ensino superior (como se fosse justo) porque é poderosa a indústria dos exames. O que é demasiado guloso é querer, e na nossa sociedade basta a insinuação, a submissão industrial logo aos sete ou oito anos como engendrou "O Provas".

 

Quem se indigna com a fuga aos impostos pelos Panamás Leaks incomoda-se com "guloseimas". O Governo eliminou as provas finais e anunciou como facultativa a entrada este ano no SI e mais umas trapalhadas negociadas com o novo PR. Parece que agora já é aconselhado um facultativo com dificuldades na faculdade de não facultar. É, realmente, demasiado. Eram suspensas e ponto final e no ano seguinte começava o tal SI. Havia convicção ou estavam quietos.

 

18576058_mUL1j.jpeg

 Antero



publicado por paulo prudêncio às 12:19 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 02.04.16

 

 

 

"O sistema escolar tem que ser competitivo a exemplo do sistema desportivo; no futebol, em que somos dos melhores, a competição começa logo com os mais pequenos", dizia o "especialista" na TSF. Defendeu, por exemplo, que os mecanismos de selecção usados no 12º ano de escolaridade (exames a x disciplinas, rankings de escolas, pautas públicas de classificações, quadros de valor e de mérito e por aí fora) devem ser plasmados nos anos anteriores. Dá ideia que a preparação de "verdadeirostop performers só não chegou ao pré-escolar porque os "especialistas" ainda estão a objectivar a construção em Lego (e isto não implica qualquer desprezo por esse nível de ensino) para determinarem a restante parafernália.

 

Pois é exactamente o contrário de tudo isto que se pratica nos modelos de formação desportiva comprovadanente bem sucedidos.

 

Prevalece, desde logo, a ideia de alargar o mais possível a base da pirâmide e de só tentar perceber os "talentos" depois dos 14 anos. Antes dessa idade, e tomando como exemplo um desporto colectivo, há jogos com resultados mas sem classificações de equipas. Sempre que começa um jogo estão todos em "igualdade de circunstâncias". Há um tempo mínimo e máximo de participação de cada jogador e chega-se a impor um limite máximo de pontos (no basquetebol, por exemplo) que implica a substituição do jogador.

 

E podíamos estar o dia todo a elencar os domínios da formação. As vantagens, para além das óbvias, incluem os factores de ordem psicológica (da sua saturação, digamos assim), de aprendizagem técnica e táctica, de superação numa suposta alta competição e de aprendizagens "para a vida".



publicado por paulo prudêncio às 09:45 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 30.03.16

 

 

 

Há regressões que nos surpreendem (nada é definitivamente adquirido), como retrata esta passagem da revista do Expresso da semana passada:

 

image.jpeg

 



publicado por paulo prudêncio às 15:05 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 24.03.16

 

 

 

Não é preciso recordar "as 10 estratégias de manipulação" definidas por Noam Chomsky para explicar a estranha, antiga, sistemática e doentia mediazação à volta de mais ou menos uma prova (final ou de aferição) para crianças de sete ou nove anos. Até o novo PR (e entre o caso Banif e o Novo Banco) lá deu asas à veia comentarista para todos os gostos: entre as epifanias cratianas e o "novo tempo", forçou um risível nim. Mas voltando a Chomsky: mediatizar muito o supérfluo tira espaço para o essencial; e é tanto.

 

Manipulacao.2-e1426497235513.jpg

 



publicado por paulo prudêncio às 16:26 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 18.03.16

 

 

 

Se há sinal evidente na polémica das provas (finais ou de aferição) do ensino básico é a desorientação da sociedade e não é de agora. Não há sociedade presente que passe o tempo mediático com estas discussões. Fazê-lo não é sintoma de saúde, uma vez que não fazemos outra coisa há décadas e nem o analfabetismo ainda eliminámos; nos últimos anos até aumentámos o insucesso escolar.

 

Um exemplo do desmiolo foi a curta entrevista do ministro da Educação na RTP1. O irado jornalista questionava o transtorno logístico das famílias por ainda não saberem a data de uma prova de aferição para crianças de sete anos e o ministro contra-argumentava metendo os pés pelas mãos. Mas que desorientação: no meio destas trapalhadas, não há uma qualquer sensatez que diga às pessoas que uma prova requer preocupações com a logística das escolas mas que em termos pedagógicos até deve ser feita sem grandes avisos prévios e que nem necessita de se realizar a todos os alunos nos anos todos como se faz nas sociedades normais? Não há pachorra, realmente.

 

image.jpeg

 



publicado por paulo prudêncio às 09:46 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Quinta-feira, 17.03.16

 

 

 

Foi estabelecido pelo ME um ano de transição para o MIDAEDADEB (Modelo Integrado De Avaliação Externa Das Aprendizagens Do Ensino Básico). A sigla é complexa? No Ministério da Educação a ideia de "simplex" é historicamente proscrita e até mal vista.

 

Voltemos ao essencial. Cada agrupamento ou escola não agrupada, decidirá, este ano lectivo, da oportunidade de aplicar as provas de aferição segundo o calendário que se segue.

 

Captura de Tela 2016-03-17 às 15.14.21.png

 

 



publicado por paulo prudêncio às 15:15 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 14.02.16

 

 

 

 

As condecorações mediatizaram um regresso indignado aos legados de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato. Bem sei que a memória é ainda mais curta na democracia mediatizada, mas o apoio incondicional do ainda PR às duas tragédias comprovadas terá uma qualquer relação com o ex-MEC David Justino que iniciou a queda da escola pública.

 

Para quem não se recorda, o exercício de Justino incluiu o primeiro abalo sério na imagem da escola pública com um concurso de professores, interminável por incompetência política, que abriu portas aos desmandos que se seguiram. No auge mediático do processo, apareceu, ladeado por João Rendeiro do BPP, a afirmar que só não contratava pessoas do calibre do investidor em fundos de alto risco para dirigir as escolas "porque não tinha dinheiro para lhes pagar". Numa sociedade com memória, deixava a Educação em paz por umas décadas.

 

Um ano depois foi assessorar Cavaco Silva. Esteve dez anos em funções com o PR e em cooperação estratégica com os legados condecorados. É Presidente de um CNE que ainda recentemente não se entendeu "sobre as provas de aferição das crianças". É triste, mas é assim. Se elencarmos os problemas educativos das nossas crianças, esta coisa de mais ou menos uma prova não aparecerá nas vinte primeiras preocupações mas é "conversa da treta" e não perturba os lóbis da Educação; embora o orçamento do recém privatizado IAVE viva de exames. Justino apresenta hoje no Público uma "obra sua sobre o fontismo" (de 1868 a 1889) que foi um período de muito betão financiado pela banca britânica e que acabou em "colapso financeiro". Nada que um profissional do cavaquismo não entenda em pormenor.

 

Captura de Tela 2016-02-14 às 14.52.37.png



publicado por paulo prudêncio às 15:57 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sexta-feira, 12.02.16

 

 

 

 

Impressiona-me, sinceramente que me impressiona, a interminável indignação mediática à volta da supressão de uma prova final (vulgo exame do quarto ano) para as crianças. Desconfio que o eurogrupo discutirá essa eliminação como ponto prévio ao orçamento português ou mesmo à crise financeira alemã, também orçamental e da bancocracia, responsável pela investida dos mercados à zona euro.

 

Até Crato, e a propósito de uma condecoração presidencial à sua veia provadora, vem sentenciar: "não é por deixar de haver avaliação que os alunos aprendem mais". Valha-nos não sei o quê. As crianças fazem, e inevitavelmente, provas sobre provas durante os quatro anos do primeiro ciclo e há quarenta anos que aprendiam sem essa prova final como acontece, de resto, com as crianças dos países mais avançados há quase um século. O problema não são as crianças, nem se aguentam a pressão; esse argumento chega a ser ridículo. O mistério está na cabeça dos adultos, no modo como tratam os resultados dessa prova e na indústria que agregam. E sobre isso as crianças nada podem fazer. Começam a receber comendas como a de Crato por causa dos resultados dessa prova e até prémios monetários. Algumas até se vêem impedidas de ir para a mesma escola dos colegas que conseguem melhores resultados na tal prova final. O que as crianças sentem mais é, por exemplo, a inabalável política dos manuais escolares, o número de alunos por turma, a falta de tempo para brincar ou o apoio, em modo de privilégio, dos Cratos deste mundo ao ensino privado. Mas sobre isso, nem o Crato, nem os indignados diários, debitam uma linha em modo de descalabro orçamental. Estranho, no mínimo, para quem se preocupa tanto com as aprendizagens das crianças.

 

image.jpg

 



publicado por paulo prudêncio às 09:54 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Domingo, 31.01.16

 

 

 

"O director de turma tem três dias úteis para informar o aluno adulto que faltou" era a redacção de um artigo do estatuto do aluno que vigorou em boa parte do que levamos de milénio e que traduzia com eloquência a infantilização da nossa sociedade que transformou o sistema escolar num grande primeiro ciclo.

 

Como os extremos se tocam, sucedeu-se o contrário de infantilizar (adultizar crianças?) concretizado num retrocesso civilizacional que aplicou aos anos escolares das crianças as normas e os procedimentos do fim da adolescência ou mesmo do ensino de adultos.

 

E depois é só assistir ao contraditório em forma de quadratura do círculo de simultaneidades: incluir e ensinar para a excelência (no que raio que isso seja com crianças), brincar e reunir, o mais cedo possível, recursos para um mundo cada vez mais competitivo (não será "apenas" mais desigual?), tempos livres e modelo industrial de organização escolar e por aí fora. Por mais que se diga que os sistemas bem sucedidos sempre foram os que trataram as crianças como crianças, os jovens como jovens e os adultos como adultos, e que alargaram a base, a contenda ideológica parece que eliminou a sensatez.

 

19228016_2IlVY.jpeg

 



publicado por paulo prudêncio às 17:25 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 30.01.16

 

 

"Como o actual Ministro da Educação nunca estudou ciências da educação e toma medidas destas, eu também nunca estudei matérias dessas mas, e por isso, sinto-me autorizado para dizer o que vou dizer". Imagine-se que foi mais ou menos deste modo que um convidado do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), instituição que se tornou "privada" pela mão de Crato e que montou toda uma estrutura que se financia no número de exames que elabora e aplica, se referiu ao contraditório que ia proclamar em relação a decisões do novo MEC. É bom que se sublinhe: andamos a assistir a ondas de indignação por causa de uma industria de provas finais (os alunos durante os 1º e 2º ciclos fazem inúmeras provas durante 6 anos) para crianças de 9 e 11 anos, que não tem paralelo em qualquer país europeu, e mesmo na maioria dos países da OCDE, que não existiram em Portugal até 2011 e que se aplicavam apenas a duas das disciplinas. 

 

Mas o psicólogo, que pode ter dito o que escrevi, parece que acrescentou um argumentário algo contraditório. Ou seja, enuncia as consequências muito negativas da aplicação destes exames e depois afirma que é a favor de exames. Mas de quais exames? Destes ou doutros? Enfim: um pico de pão e circo. Resumamos:

 

"As escolas estão a tornar-se "desonestas" e "batoteiras", acusa psicólogo. Foi um retrato impiedoso(...)Uma escola que acha que tem de avaliar, embrulhando os testes e os exames num clima de alarme, é uma escola que diz às crianças que o importante é ter bons resultados e não aprender(…).E uma escola assim é desonesta,(...)lembrando que muitos alunos são afastados das escolas onde estão precisamente devido à sede destas em garantirem bons resultados nos exames nacionais.

 

(...)Temos, nas escolas de hoje, turmas de primeira e de segunda, disciplinas de primeira e de segunda, alunos de primeira e alunos de segunda. São formas estranhas com que temos convivido e que já mereceram aval ministerial. Mas uma escola assim transforma-se numa escola amiga do apartheid e uma escola assim avalia, mas não educa.(...)É estranho que não se acarinhe o erro, porque uma criança que não pode livremente errar ganha uma imunodeficiência adquirida ao erro e à dor. O que tem como consequência tornarem-se competitivos e presunçosos, quando diante do conhecimento deviam ser rebeldes. Crianças assim pensam pior”.

 

Quer isto dizer que este psicólogo é contra a avaliação e os exames? A resposta é negativa e tem como alvo o actual ministro da Educação que anunciou que não se realizarão exames no 4.º e 6.º ano por considerar que estes têm efeitos “nocivos” para as crianças. “Se as crianças não aprendem a conviver com o medo de serem avaliadas ficam mais frágeis e com menos garra. Não é mau que destilem medo face aos exames, porque o medo traz também audácia. Mau é mudar as regras a meio do jogo. Mau é discutirmos as avaliações antes das aprendizagens”, acusou, antes de afirmar o contrário do que foi dito pelo ministro Tiago Brandão Rodrigues. “Quanto mais tarde as crianças tiverem provas nacionais, mais tarde reúnem os recursos para as vencer,(...)os exames não magoam as crianças, o que as magoa é a forma como os pais e as escolas acabam por usar esta avaliação."

 

fanfiction-exo-pao-e-circo-2543616,011020140835.jp

 



publicado por paulo prudêncio às 14:34 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Segunda-feira, 25.01.16

 

 

 

 

As escolas estão em alvoroço com a supressão dos exames industriais (Crato, num momento de rara lucidez, denominou-os por prova final) das crianças (9 e 11 anos) inventados de supetão, e sem ouvir ninguém, em 2011. Professores, alunos e pais já pensavam em Guterres e na ONU para que o calendário tivesse mais um mês por ano de forma a atenuarem a falta de aulas com ritmo durante seis meses nas disciplinas, a maioria, que Crato considerou não estruturantes (conceito desconhecido no mundo avançado desde o século XVII). Ninguém percebe como é que as escolas abriam antes de 2011, nem como funcionam as suas congéneres europeias sem estas provas finais. A desorientação está a contaminar os orçamentos dos órgãos de comunicação social que tinham um pico de vendas no dia em que publicavam rankings que ignoravam os dados sócio-económicos das escolas privadas de modo a respeitarem a origem imaculada dos financiamentos mais altruístas. O novo Governo, que eliminou o teste anual e universal que permitia um conhecimento sobre o sistema já elogiado no novo planeta para lá de Plutão, decretou provas de aferição para crianças de 7 e 10 anos de forma a garantir que todos os professores consigam continuar a leccionar e que os comentaristas mais agressivos se engasguem.

 

PS: este post foi escrito em ortografia irónica.

 

1302621611112.jpg

 



publicado por paulo prudêncio às 18:33 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 15.01.16

 

 

 

 

A definição de escola como arena política é quase irrefutável. O autor encontrou outras cinco imagens (empresa, burocracia, democracia, anarquia ou cultura), mas as contendas ideológicas preenchem boa parte do nosso espaço público escolar. É por termos uma sociedade assim (também ausente na Educação e imatura nos procedimentos democráticos) que advoguei a supressão dos exames das crianças (porque eliminam os maus rankings e repensam os limites morais do mercado ao retiram sentido a prémios monetários, pautas públicas e quadros de honra) e considerei dispensável a prova de aferição no 2º ano com o argumento da detecção da exclusão precoce numa sociedade que tem é que ser capaz de se responsabilizar pela educação dos petizes para que estes problemas não se eternizem.

 

É evidente que há argumentos risíveis. Desde logo, o "no meu tempo é que era" ou "os traumas para a vida". Mas hilariante, hilariante, foi o que li num dos mentores do "Observador" que prevê uma bancarrota com o actual Governo. E porquê? Qual foi o primeiro argumento do tal mentor? A supressão dos exames do 4º ano em Portugal. Isso mesmo. Estamos a imaginar Lagarde, Juncker e Draghi (a troika) pedirem uma audiência urgente a Obama para estudarem os efeitos devastadores no sistema financeiro com a supressão dos exames do 4º ano em Portugal.

 

images.jpeg

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:18 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 13.01.16

 

 

 

Concordo com o fim dos exames nos 4º e 6º anos porque, como escrevi, "estas alterações eliminam a má e chocante propaganda através de maus rankings com exames de crianças e contribuem para repensar os limites morais do mercado ao retirarem sentido, por exemplo, a prémios monetários para as melhores classificações, a pautas públicas de classificações e a quadros de honra (com crianças, repito)."

 

Discordo das provas de aferição no 2º ano com o argumento, e como escrevi, que "remete para o ensino responsabilidades que são da sociedade ausente quando o argumento é a detecção de dificuldades que levam à exclusão. Neste sentido, esta prova de aferição é completamente dispensável mas servirá o discurso político mainstream numa democracia mediatizada que é incapaz de responsabilizar a sociedade pela educação das crianças."

 

Ou seja, concordar e discordar é próprio de sociedades civilizadas. Nas sociedades ausentes, e também imaturas, já agora, é que tudo isto parece uma coisa clubista.

 

Digitalizar0002.jpg

 



publicado por paulo prudêncio às 17:48 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 12.01.16

 

 

 

 

"O modelo anterior estava errado e era nocivo", "estudos nacionais e internacionais apontam para prejuízos causados pelos exames nos anos mais precoces do ensino", "intervir rapidamente na reparação de danos causados ao sistema", "ninguém tem de se preparar para as provas de aferição", "o que tinha de acabar era o estreitamento curricular", "alunos a treinarem para exames é pernicioso e até nocivo", disse Tiago Rodrigues, o novo MEC. São ideias sensatas, corajosas, fora da caixa e com um alcance de médio e longo prazo na qualidade da democracia.

 

Estas alterações eliminam a má e chocante propaganda através de maus rankings com exames de crianças e contribuem para repensar os limites morais do mercado ao retirarem sentido, por exemplo, a prémios monetários para as melhores classificações, a pautas públicas de classificações e a quadros de honra (estas três variáveis com exames de crianças, obviamente e repito). A quem se interessar por estas matérias, aconselho dois livros de Michael J. Sandel"O que o dinheiro não pode comprar - os limites morais dos mercados" e "Justiça - fazemos o que devemos?".

 

tom-cheney-man-crawling-out-from-mob-of-media-peop

 



publicado por paulo prudêncio às 20:30 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Segunda-feira, 11.01.16

 

 

 

Lia o enunciado depois de vigiar um longo exame de português e viajei no tempo. Lembrei-me do professor Pires dos Santos. Pegava numa obra, passava aulas à volta do conteúdo e tratava da gramática e das circunstâncias mais variadas. Um teste com duas ou três perguntas era suficiente para nos avaliar.

 

Mas voltando ao tal exame, impressionou-me a fragmentação das três obras incluídas. Não há belo que resista. Não sei se esse tipo de obsessão métrica não nos está a impedir de olhar para o mundo sem ser numa folha excel onde muito remotamente cabem pessoas. Ou seja: nos interesses dos 1% não cabem com toda a certeza (só os seus) e não paro de me surpreender com a contribuição fervorosa de uma quantidade apreciável dos 99%.

 

images.jpeg

 



publicado por paulo prudêncio às 20:47 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 10.01.16

 

 

 

Precisemos alguns argumentos: o sistema foi sujeito durante quatros anos a políticas de radicalismo ideológico para além da troika e é natural que o período seguinte seja de eliminação desse desastre cratiano. Como o processo cratiano sucedeu à tragédia lurdiana, calamidades comprovadas e confessadas, as mudanças urgentes são inúmeras. Seria incompreensível a imutabilidade.

 

Por que será, então, que a escola portuguesa está permanentemente em ebulição reformista?

 

Há, desde logo e há muito, duas constantes: temos grupos na primeira linha em todas as áreas e não conseguimos eliminar o abandono e o insucesso escolares. Ou seja: o aumento de pessoas na primeira linha tem uma proporcionalidade directa com a quantidade da classe média, como foi evidente no período que antecedeu a bolha imobiliária de 2008 e que se iniciou em meados da década de noventa do século XX; ponto final parágrafo.

 

Eliminar os exames, anuais e gerais, do 4º ano é óbvio por motivos mais do que conhecidos. Introduzir provas de aferição no 2º ano, anuais e gerais, é da família que nos trouxe até aqui. E porquê? Porque remete para o ensino responsabilidades que são da sociedade ausente quando o argumento é a detecção de dificuldades que levam à exclusão. Neste sentido, esta prova de aferição é completamente dispensável mas servirá o discurso político mainstream numa democracia mediatizada que é incapaz de responsabilizar a sociedade pela educação das crianças.

 

novas_respostas1.gif

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 19:28 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 05.01.16

 

 

 

Mesmo sem se conhecerem os detalhes, é positivo que o novo MEC elimine o trágico (não estou a exagerar) concurso de professores BCE, faça alterações na indústria dos exames e substitua o linguajar eduquês II das disciplinas estruturantes por vocabulário que inclua as artes, o desporto e as ciências experimentais.

 

Espera-se que se mantenha o concurso de reserva de recrutamento por lista graduada durante todo o ano lectivo e que, no ensino básico, apenas no 9º ano sobrevivam exames nacionais e anuais e que com isso se elimine a má propaganda da publicitação de rankings ensandecidos com exames de crianças. Esta última decisão arrastará o neoliberalismo associado que é corporizado, por exemplo, por prémios monetários para as melhores classificações, pautas públicas de classificações e quadros de honra.

 

Já agora, a mudança vocabular das disciplinas estruturantes deve corresponder a alterações consequentes na carga curricular.

 

crowdsourcing-cartoon.jpg

 



publicado por paulo prudêncio às 20:38 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Segunda-feira, 04.01.16

 

 

 

"Um dos dossiês mais urgentes em cima da mesa do novo ministro da Educação e a decisão será conhecida até ao final da semana, prometeu esta segunda-feira Tiago Brandão Rodrigues. Escolas, alunos e pais ficarão a saber que tipo de avaliação vai substituir os exames nacionais do 4.º ano, cujo fim foi aprovado no mês passado por todos os partidos de esquerda no Parlamento. E ficarão também a conhecer quais as ideias do ministro para os restantes anos de escolaridade.(...) Naquela que foi a sua primeira intervenção pública enquanto ministro da Educação, o novo responsável da pasta não trouxe anúncios nem novidades, mas o discurso é claramente diferente do seu antecessor no Governo de Passos Coelho. Em vez de falar nas disciplinas “fundamentais” como a Matemática e o Português, como fazia muito Nuno Crato, insistiu na importância de “competências transversais”, das “artes, do desporto e das ciências experimentais”.(...)"

 

 

Captura de Tela 2016-01-04 às 19.09.28.png

 



publicado por paulo prudêncio às 20:09 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 01.12.15

 

 

 

Quem frequentou o sistema escolar público equipara-se ao que de melhor existe nas variadas latitudes. O nosso problema é a generalização; é a democracia; e é secular. O desafio continua a ser a inclusão. Passa pela transformação da ambição escolar numa ideia incontestada, como o repouso ou as refeições, e pelos níveis sócio-económicos.

 

Eliminámos, ou quase, o analfabetismo, mas estamos desorientados com o abandono escolar. As alternativas ao ensino regular mascaram o problema e têm "salvado" alguma da população destinada à não escolarização. Também aí importa reduzir a demagogia.

 

E recordo um parágrafo que escrevi em 2011:

 

lançar exames em catadupa pode não ser apenas redundante (o nosso problema não é sequer na qualidade dos muito escolarizados), como pode ter o mesmo efeito que as gravações de risos que tentam animar programas humorísticos televisivos de fraca qualidade e recorda-me sempre uma nação de poetas sem vida.

 

19060526_d0HeD.jpeg

 



publicado por paulo prudêncio às 19:09 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 30.11.15

 

 

 

E Nuno Crato não recuperou os exames do 4º ano de um dia para o outro sem qualquer recomendação conhecida? Para além disso, ainda se contraditou ao generalizar sem testar e deu razão aos que o acusaram de motivações exclusivamente ideológicas.

 

A repetição tornou-se o nosso modo de ser e o sistema escolar não escapa ao desnorte, mesmo que se considere que para aprender é necessário repisar muitas vezes. Os exames são um metabolismo útil nos sistemas que incluem mais do que um aluno. Desta vez, o eduquês (ou rol de inutilidades inventado por quem tem falta de terreno), que vem sempre de onde menos se espera, baptizou-os de prova final.

 

Num sistema com escala industrial, generalizar sem testar pode criar um peso burocrático que transforme um procedimento docimológico num pesadelo organizacional redundante, que apenas confirme o que já se sabia e que se vire contra o próprio como comprovam a história das correntes ideológicas e pedagógicas. E já que estamos em maré de exaustivas repetições, e para além de não nos devermos esquecer que a primeira regra para aferir a saúde de uma sociedade é verificar se a retórica coincide com a realidade, repito um post de há uns dias:


Discutir em que anos é que há exames, e em que disciplinas, é uma matéria interessante. Tornar a questão numa contenda ideológica só é possível em sociedades imaturas ou em crise (não estou a ser ingénuo, não). E como me tenho cansado de escrever, a nossa sociedade é a parte maior do problema.

 

Unknown.jpeg

 



publicado por paulo prudêncio às 16:29 | link do post | comentar | ver comentários (16) | partilhar

Quinta-feira, 12.11.15

 

 

 

Concordo que se eliminem os exames do 4º ano e sem tibiezas. Mas não chega, embora essa decisão tenha um efeito dominó.

 

Primeiro: só em sociedades ausentes é que estes exames abrem telejornais e andam pelos parlamentos como disputa ideológica.

 

Segundo: as crianças transportam quatro responsabilidades em provas com este enquadramento: a sua, a do seu professor, a da sua escola e a do seu país (e não tarda da sua UE se os europeus descerem para sul).

 

Terceiro: este "estado de sítio" evidencia uma certeza antiga: os instrumentos científicos podem ser válidos, mas dependem da cabeça que os utiliza.

 

Quarto: um primeiro passo civilizado, que foi reconhecido recentemente pelo CNE, para estes exames teria sido óbvio (já ouvi do eduquês mais rudimentar que os "miúdos" até gostam): eliminar a sua publicitação em pautas, quadros e rankings e dar a conhecer os resultados apenas ao respectivo encarregado de educação.

 

Quinto: é indecente que as autoridades escolares e políticas reivindiquem os bons resultados e assobiem lateralmente quando assim não é.

 

Sexto: há muito que se sabe que, em regra, os resultados escolares melhoram com a elevação das sociedades e das famílias e ao longo de gerações. O bom ensino, as boas escolas e os bons ministérios são, em regra, uma consequência disso. Quem especializa precocemente exclui, empobrece e tem sempre piores resultados globais a prazo; também há muito que se conhece esta evidência, mas a eliminação da história parece associar-se aos fanatismos.

 

domino-2-4-cartoon-yellow.jpg

 



publicado por paulo prudêncio às 14:29 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 20.09.15

 

 

 

18671992_z5Vwp.jpeg

 

 

Começou, finalmente e só agora :), a campanha eleitoral. Os nossos calendários são, realmente, de uma complexidade tortuosa e crescente. 

 

Espero que este seja o ultimo post sobre as políticas de Nuno Crato ainda como ministro. 

 

Percebia-se que Crato era elitista, que tinha palas ideológicas e que não conhecia o ensino não superior. Mas o que se tornou ainda mais marcante, foi o uso do que classificou nos seus antecessores como "pato-bravismo": generalizar sem testar. Se nos cortes a eito ou nos alunos por turma estava dominado pelo "além da troika" do Governo (embora tenha dito que "uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15. Depende do professor e da sua qualidade"), já na industria dos exames ou nos concursos de professores o seu dedo populista foi determinante.

 

A industria dos exames perturbou a vida das escolas. Testar implicava fazer como nos países civilizados, principalmente nos exames dos mais novos: escolher umas escolas anualmente, ou umas regiões, e aprender com respeito pelo bem comum. Nos concursos BCE exigia-se um processo semelhante. Mas não. Crato revelou toda a sua impreparação desde início e foi mesmo para além da generalização sem testar como ficou patente na conferência de imprensa com a presença técnica de Laura Loura que apresentaria um "power point" sobre a fórmula do crédito horário das escolas. Anunciou o que desconhecia e a "especialista" em estatística que o acompanhava não encontrou local onde meter uma tal de "pen drive" terminando assim de uma forma risível uma conferência de imprensa inédita e inesquecívelEnfim: uma tragédia feita comédia que se recorda em vídeo.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:42 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 29.07.15

 

 

 

Captura de Tela 2015-07-29 às 20.34.46.png

 

"Foram poucos os alunos que conseguiram passar depois de repetir os exames", diz o Público em referência aos exames dos 4º e 6º anos.

 

Fui ao histórico do blogue e encontrei uma notícia igual datada de 27 de Junho de 2014: "Apoio extra para alunos fracos a matemática e a português é um "engodo"". Sabemos que os exames são terreno fértil para a demagogia e o populismo nas sociedades atrasadas. Por isso são tão mediatizados. Mas vou colar "o que escrevi" há um ano e espero não o voltar a fazer no próximo.

 

"Nuno Crato, esse misturador do "além da troika" com o Eduquês II, aumentou o número de alunos por turma, cortou a eito em tudo o que achava não estruturante e acentuou a infernização da profissionalidade dos professores. Para além disso, criou, ou permitiu, uma catadupa de exames acrescentados de apoios no período pós-lectivo para as crianças com negativas. Os resultados do conhecido mais do mesmo são inequívocos: "foi uma espécie de engodo".

Achar que se recupera crianças com apoios entre Junho e Julho testados por uma segunda fase de exames, é algo só ao alcance do mix referido. Turmas mais pequenas, apoios ao longo do ano e professores motivados são ideias despesistas.(...)"



publicado por paulo prudêncio às 20:33 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 14.07.15

 

 

 

Está a ser penoso o fim de mandato de Nuno Crato. Percebeu-se que a sua "vocação" era mais o superior, mas o além da troika "empurrou-o" para o desastre também aí. No não superior parece que eram outros os administradores e Crato limitou-se a umas epifanias e a continuar o rol de impreparações iniciadas em 2003. Reforça-se a estupefacção com a sua recente desconfiança em relação à melhoria nos exames de Matemática (12º ano): mas já nem a sombra acompanha a imagem?

 

Claro que só uma sociedade ausente e doente mediatiza tanto os exames do não superior. O sistema escolar está gravemente doente e já não disfarça um clima de trafulhices e trapalhadas. É um estado de sítio legislativo. Nada há a fazer? É evidente que muito se pode fazer e nem adianta o argumento financeiro; é prioritário restabelecer a democracia e desburocratizar mesmo; digamos que são coisas de somenos (porque diminuem a despesa sem ser com o corte de pessoas e têm ganhos de confiança nos actores) para o mainstream estratosférico. E para começar, é importante que termine este ciclo radical que ficará nos rodapés da história como o período em que havia "mais exames do que aulas".

 

sombra2.jpg

 



publicado por paulo prudêncio às 18:57 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 02.07.15

 

 

 

Comecei a ler o exame de português, mas podia ser um de filosofia, e viajei no tempo. Lembrei-me do professor que pegava numa obra, passava aulas à volta do conteúdo e tratava da gramática e das circunstâncias mais variadas. Um teste com duas ou três perguntas era suficiente para nos avaliar.

 

Mas voltando ao tal exame, impressionou-me a fragmentação das duas ou três obras incluídas. Não há belo que resista. Não sei se esse tipo de obsessão métrica não nos está a impedir de olhar para a crise da Europa sem ser através de uma folha excel onde muito remotamente cabem pessoas.

 

images.jpeg

 



publicado por paulo prudêncio às 18:46 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 28.06.15

 

 

 

Hoje são os "problemas com a formação dos correctores de exames". Ou seja, Crato, o do "horror ao facilitismo dos outros", esqueceu-se que para a industria dos exames necessitava de correctores e não de pessoas que na recta final do ano lectivo levassem com centenas de provas e em muitos casos de programas que não leccionavam há anos ou que nunca leccionaram. Afinal, a examinocracia cratiana, cuja propaganda exige catadupas de provas a todos e nos anos quase todos, tinha mais desconhecimentos para além dos já identificados: exames exigem salas sem aulas, vigilantes sem alunos, secretariados de exames sem alunos, agrupamentos de exames sem alunos e correctores de exames sem alunos.

 

17226877_r6Prg.jpeg



publicado por paulo prudêncio às 16:18 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Domingo, 21.06.15

 

 

 

E quais são as instituições mais confiáveis nas sociedades mais atrasadas? As religiosas, diz o estudo do Público do passado fim de semana, e as da alta finança, digo eu e já explico.

 

Na página 15 da revista, e citando Pedro Magalhães, lê-se que "para pessoas como Putnam, a origem deste capital tem a ver com as instituições políticas no passado serem mais ou menos centralizadas, hierarquizadas, autoritárias; quanto mais, maiores os padrões de desconfiança". Villaverde Cabral "adverte que no caso português havia um indicador nada desprezível: o distanciamento ao poder é inversamente proporcional ao nível de educação".

 

Quem conheça o sistema escolar português não vacilará na conclusão: a hiperburocracia, por exemplo, deve-se a um estado insuportável de desconfiança. Por outro lado, a história recente comprovou a generalização da desconfiança para cima das classes média e baixa (quem não se lembra do mil vezes repetido: não prestam contas) enquanto a alta, com os casos BES & BPN como expoentes, vivia numa roda livre da máxima confiança.

 

Voltando ao sistema escolar, e agarrando num exemplo do momento, pensemos no acesso ao ensino superior: o júri nacional de exames montou paulatinamente uma teia que divinizou a desconfiança num processo de exames que equivale a 30% da nota de acesso, enquanto que estudos recentes comprovaram que há mais de uma década que há instituições mais endinheiradas que cometem irregularidades graves, e que têm provocado injustiças brutais e "irreparáveis", nos outros 70% da nota. E nada muda, nem sequer são emitidos quaisquer sinais disso, e repito uma antiga impressão inesquecível para quem tem memória para além do dia anterior: confiar?! Só confiamos no BES.

 

image.jpg

 



publicado por paulo prudêncio às 15:58 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 16.06.15

 

 

 

Só numa sociedade ausente e doente, e que não tem queda para educar as crianças, é que os exames dos miúdos têm peças a abrir telejornais que nos deviam envergonhar. Elimine-se toda a publicitação dos resultados dessas provas, informe-se apenas cada encarregado de educação da nota do seu educando e discuta-se sem fanatismos e preconceitos as questões técnicas, os universos testados e os calendários. Tenho ideia que se o fizermos cresceremos como sociedade.

 

Unknown.jpeg

 



publicado por paulo prudêncio às 10:39 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 02.06.15

 

 

 

 

Nuno Crato, esse misturador do "além da troika" com o Eduquês II, aumentou o número de alunos por turma, cortou a eito em tudo o que achava não estruturante e acentuou a infernização da profissionalidade dos professores. Para além disso, criou, ou permitiu, uma catadupa de exames acrescentados, em alguns casos, de apoios no período pós-lectivo para as crianças com negativas. Os resultados do conhecido mais do mesmo são inequívocos: "foi uma espécie de engodo".

 

Achar que se recupera crianças com apoios entre Junho e Julho testados por uma segunda fase de exames, é algo só ao alcance do mix referido. Turmas mais pequenas, apoios ao longo do ano e professores motivados são ideias despesistas.

 

Não sei se podemos criar algum optimismo.

 

Parece que se prepara uma nova vaga centrada no conjuntural, e justo, "novas oportunidades". Ou seja, nem uma linha sobre a redução do número de alunos por turma, sobre a reposição da sensatez nos currículos e na profissionalidade dos professores ou sequer nessa coisa de "somenos" que é o ambiente democrático das escolas (os socialistas mais socráticos e lurditas d´oiro fascinaram-se com o modelo GES/BES/BCP/BPN/BPP).

 

Dá ideia que não se mexe nisso para se eternizar a necessidade de "novas oportunidades". É que nem algumas pessoas da ciência se convencem mesmo que só terão alunos se aumentarem a base no ensino não superior "regular" e num profissional digno.



publicado por paulo prudêncio às 11:16 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 30.05.15

 

 

 

Uma reportagem interessante, na revista do Expresso, sobre o sistema escolar finlandês.

 

Captura de Tela 2015-05-30 às 11.42.51.png

 



publicado por paulo prudêncio às 11:43 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 17.05.15

 

 

 

Na parafernália de exames que os miúdos começam amanhã, cada um carrega quatro responsabilidades: a sua, a do seu professor, a da sua escola e a do seu país (e não tarda da sua UE se os europeus descerem para sul). Esta injustiça levanta, desde logo, uma certeza antiga: os instrumentos científicos podem ser válidos, mas dependem da cabeça que os utiliza ou do que fazemos com eles. Um primeiro passo civilizado para estes exames dos miúdos seria óbvio: eliminar a sua publicitação em pautas, quadros e rankings e dar a conhecer os resultados apenas ao respectivo encarregado de educação.

 

É até indecente como as autoridades escolares e políticas reivindicam os bons resultados e assobiam lateralmente quando assim não é. O somatório de entidades que os miúdos carregam para os exames devia ser esclarecido: há muito que se sabe que, em regra, os resultados escolares melhoram com a elevação das sociedades e das famílias e ao longo de gerações. O bom ensino, as boas escolas e os bons ministérios são, em regra, uma consequência disso. Quem especializa precocemente exclui mais e tem sempre piores resultados globais a prazo; também há muito que se conhece esta evidência, mas a eliminação da história tomou conta das inteligências.

 

image.jpg

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 13:52 | link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Quarta-feira, 13.05.15

 

 

 

Se cada português adulto, com vencimento, claro, trabalha os primeiros cinco meses do ano para pagar impostos, uma criança em idade escolar tem pouco mais de cinco meses por ano de "aulas com ritmo" nas disciplinas "não estruturantes" (que ainda levaram cortes curriculares a eito) e até nas "estruturantes".

 

CEO do MEC desde 2011 implodiu a escola pública e criou um monstro burocrático à volta de uma parafernália de exames e calendários que faz com que os alunos desde o primeiro ciclo fiquem desde Maio a finais de Setembro sem ritmo escolar nas disciplinas não estruturantes (uma espécie de imposto de selo para Crato) e mesmo nas estruturantes (o IRS e o IVA no  "jogo do monopólio" do CEO do MEC).

 

Conheciam-se os preconceitos "elitistas" do ministro e a falta de sensatez, mas percebeu-se que a situação se agravou com a subalternização à malta do além da troika. Consta que têm tentado demover o ímpeto "MRPP" de Nuno Crato; mas nada a fazer. A coisa só vai lá com o esperado fim deste ciclo radical que ficará nos rodapés da história como o perídodo em que havia "mais exames do que aulas".



publicado por paulo prudêncio às 10:00 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 12.05.15

 

 

 

 

lc1.png

lc2.png

lc3.png

Captura de Tela 2015-05-12 às 19.03.36.png



publicado por paulo prudêncio às 19:05 | link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Quarta-feira, 01.04.15

 

 

 

 

A notícia finlandesa entrou na agenda mediática, é da família do "fim das notas até ao secundário" e já obrigou o CNE lusitano (para espanto dos mais atentos ao discurso outrora oficial, mas quem navega ao sabor do vento da oportunidade muda de rumo rapidamente) a propor a eliminação da obrigatoriedade de pautas e de quadros de honra e de mérito antes do sétimo ano de escolaridade.

 

É evidente que os títulos mediáticos não correspondem ao projecto finlandês e é também bom recordar que o tímido projecto português do tempo de Guterres, que incluía as ACND (com a eliminada área de projecto) já ia nesse sentido e com inspiração finlandesa.

 

Os críticos menos fundamentados do eduquês (não me canso de repetir que por aqui o alvo foi sempre a hiperburocracia) misturaram-se com os obcecados com o santo produto (a história já demonstrou que o mais do mesmo nas matérias ditas nucleares nada acrescenta aos que aprendem em qualquer sistema e exclui os que "não querem aprender") e criaram um retrocesso civilizacional no sistema português que parece estar já em condições para ser pulverizado.

 

Alguns dos detalhes que caracterizam a tragédia cratiana podem ser lidos no seguinte texto de Santana Castilho: A Suprema Sagrada Congregação dos Santos Exames. 

 

 

image.jpg

 

 

image.jpg

 



publicado por paulo prudêncio às 12:07 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 12.03.15

 

 

 

Perigo no exame de português de 12º ano: o acordo ortográfico



publicado por paulo prudêncio às 18:45 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
Discordâncias:
Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
comentários recentes
Comentário bem humorado :)
não há cultura de serviço público na tugalândia pa...
Um bom ponto de partida para uma reflexão. E há mu...
Pois. Mas para combater Trump, Le Pen e outros há ...
1- está instituído nos gabinetes que a progressão ...
Não te intrometes nem tens que pedir desculpa, Luí...
posts recentes

da actualidade dos manuai...

da falta de tempo para br...

As editoras como holding

do acesso ao ensino super...

a candidatura de Clinton ...

ligações
posts mais comentados
12 comentários
10 comentários
10 comentários
9 comentários
7 comentários
7 comentários
6 comentários
6 comentários
6 comentários
tags

agrupamentos

além da troika

antero

avaliação do desempenho

bancarrota

banda desenhada

bartoon

blogues

caldas da rainha

campanhas eleitorais

cartoon

cinema

circunstâncias pessoais

coisas tontas

concursos de professores

contributos

corrupção

crise da democracia

crise da europa

crise financeira

crise mundial

crónicas

democracia mediatizada

desenhos

direito

direitos

economia

educação

efemérides

escolas em luta

estatuto da carreira

exames

falta de pachorra

filosofia

finanças

fotografia

gestão escolar

história

humor

ideias

literatura

luís afonso

mais do mesmo

manifestação

movimentos independentes

música

organização curricular

paulo guinote

política

política educativa

portugal

professores contratados

público-privado

queda de crato

queda do governo

rede escolar

sociedade da informação

tijolos do muro

ultraliberais

vídeos

todas as tags

favoritos

bloco da precaução

pensar o sistema escolar ...

escolas sem oxigénio

e lembrei-me de kafka

as minhas calças brancas ...

as minhas calças brancas ...

reformas e remédios (1) -...

sua excelência e os númer...

sua excelência (2) (reedi...

sua excelência (1) (reedi...

subscrever feeds

web site counter
Twingly BlogRank
arquivo
blog participante - Educaá∆o - correntes .jpg
Por precaução
https://www.createspace.com/5386516
Razões de uma candidatura
https://www.createspace.com/5387676
mais sobre mim