Em busca do pensamento livre.

Quarta-feira, 21.06.17

 

 

 

A presidente de um Sindicato de Professores transmite informação dos exames do IAVE aos seus explicandos? Como? Li bem? O exame de Português do 12º ano pode ser repetido? Lê-se que em todos os anos há esta suspeita, mas que desta vez as provas andam por aí. É o grau zero, realmente. Isto tem que ser bem apurado.



publicado por paulo prudêncio às 19:53 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Domingo, 11.06.17

 

 

 

Percebe-se António Costa. Proporá sempre uma geringonça para condicionar o apetite do PS. Contudo, o PM deve ser informado para não irritar as pessoas. Se a geringonça escolar registou três méritos iniciais - inferno da mediação com crianças, concursos de professores e rede escolar -, há duas medidas que o PM não deve evidenciar: redução de alunos por turma e gestão curricular. A primeira é uma miragem e a segunda uma incógnita. Se a ideia antiga da interdisciplinaridade é uma tentativa (elogie-se os candidatos) para ultrapassar a escola tradicional como fim da história, a sua aplicação recente evidenciou uma fatalidade burocrática que persiste: excessos da ciências da educação associados a atavismos administrativos.

Por outro lado, há ruído na rede escolar. "Governo altera mapa para financiar colégio de amigos socialistas" é uma notícia que exige esclarecimentos. Já há tempos referi, aqui, o caso das Caldas da Rainha, que conheço bem, onde um "privado" passa de zero para cinco turmas financiadas num ano inicial de ciclo. Haverá duplicação de oferta. Há escolas públicas com capacidade para todas as turmas do concelho. A lei não mudou. É referido um acordo com Nuno Crato. Ou seja, a geringonça, "exigida" pelo PM, deve estar atenta aos compulsivos jogos dos aparelhos retratados no desenho e eliminar qualquer ruído antes que se torne ensurdecedor.

 

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Compulsive Gambling, Xavier Bonilla

World Press Cartoon

Exposição patente no CCC das Caldas da Rainha



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Segunda-feira, 16.01.17

 

 

 

Não tenho muitos posts sobre o assunto, mas em 11 de Outubro de 2016 escrevi assim: "A informada, e corajosa, secretária de Estado da Educação, Alexandra Leitão, afirma que "o interesse das editoras não é o das famílias". Também não é o das escolas nem dos professores. E não é por causa do digital e do google. Há muito que há ensino e aprendizagem para lá dos manuais e agora mais ainda. As editoras como holding (empresa que tem como actividade principal a participação maioritária numa ou mais empresas) conjugam várias "empresas nucleares": manuais escolares, exames em modo industrial, "reformas semestrais do Estado" e rankings de classificações de alunos."

Haverá excepções, obviamente, mas apontar o dedo aos professores neste negócio é desviar atenções.

 

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Sábado, 05.11.16

 

 

 

 

Se não fizer isso conseguirá entrar na universidade? As duvidas na resposta a esta interrogação condicionam, demasiado cedo, os sistemas educativos. Aos seis anos começa a corrida de obstáculos que impede, desde logo, a eliminação do abandono escolar precoce. Com excepção dos países onde não se restringe o acesso ao superior, e em que o secundário é transversalmente estimulante, a regra nos restantes assume as interrogações: e se não fizer muitos trabalhos de casa desde cedo conseguirá aceder ao superior? E se não fizer exames a eito desde cedo conseguirá aceder ao superior? E se não tiver explicações desde cedo conseguirá aceder ao superior? E se não for desafiado por quadros de honra desde cedo conseguirá aceder ao superior? E se não tiver o tempo todo ocupado desde cedo conseguirá aceder ao superior? Para agravar a condição portuguesa, a sociedade ausente apresenta inúmeras famílias pobres que nem imaginam essa desinformada ambição escolar enquanto os informados do costume (alguém, com propriedade e humor, classificou-os de descomplexados competitivos) discutem ciclicamente a falta de tempo para os petizes brincarem.

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Terça-feira, 11.10.16

 

 

 

A informada, e corajosa, secretária de Estado da Educação, Alexandra Leitão, afirma que "o interesse das editoras não é o das famílias". Também não é o das escolas nem dos professores. E não é por causa do digital e do google. Há muito que há ensino e aprendizagem para lá dos manuais e agora mais ainda. As editoras como holding (empresa que tem como actividade principal a participação maioritária numa ou mais empresas) conjugam várias "empresas nucleares": manuais escolares, exames em modo industrial, "reformas semestrais do Estado" e rankings de classificações de alunos.

 

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Domingo, 17.07.16

 

 

 

 

Não haverá sistema perfeito de acesso ao ensino superior, mas o sistema português, que detecta há muito injustiças graves, teima em não eliminar o ruído mais ensurdecedor. A decisiva média do final do ensino secundário vai muito para além dos exames do 12º ano (valem 30% da classificação nas respectivas disciplinas; os restantes 70% correspondem à classificação interna atribuída pelos professores das disciplinas) e inclui a classificação em disciplinas sem exame. 

 

A Gazeta das Caldas relata aqui uma situação que está longe de ser um caso isolado ou sequer uma novidade.

 

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Quarta-feira, 08.06.16

 

 

 

E a Antena abriu com os dois momentos mediáticos do dia: a possibilidade de H. Clinton ser nomeada como a primeira mulher candidata presidencial pelo PD dos EUA e a prova de aferição de matemática das crianças do 2º ano em Portugal. Creio que o FMI, a CE, o BcE, o BdP, os mercados e Obama estarão mais centrados no segundo tema.

 

O novo Governo, que eliminou a prova final do 4º ano que permitia um conhecimento fundamental no novo planeta para lá de Plutão, decretou uma prova de aferição para crianças do 2º ano para garantir que os professores continuem a leccionar e que os comentaristas mais agressivos se entretenham.

 

Discordo das provas de aferição no 2º ano com o argumento, e como escrevi, que "remete para o ensino responsabilidades que são da sociedade ausente quando o argumento é a detecção de dificuldades que levam à exclusão. Neste sentido, esta prova de aferição é dispensável mas servirá o discurso político mainstream numa democracia mediatizada que é incapaz de responsabilizar a sociedade pela educação das crianças."

 

Ou seja, concordar e discordar é próprio de sociedades civilizadas. Nas sociedades ausentes, e também imaturas, já agora, é que tudo isto parece uma coisa clubista.

 

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Sábado, 16.04.16

 

 

 

O Parlamento legislou o fim das provas finais dos 4º e 6º anos e o Governo introduziu provas nos 2º, 5º e 8º anos incluídas num sistema integrado (SI). O sistema não mexe no sacrossanto acesso ao ensino superior (como se fosse justo) porque é poderosa a indústria dos exames. O que é demasiado guloso é querer, e na nossa sociedade basta a insinuação, a submissão industrial logo aos sete ou oito anos como engendrou "O Provas".

 

Quem se indigna com a fuga aos impostos pelos Panamás Leaks incomoda-se com "guloseimas". O Governo eliminou as provas finais e anunciou como facultativa a entrada este ano no SI e mais umas trapalhadas negociadas com o novo PR. Parece que agora já é aconselhado um facultativo com dificuldades na faculdade de não facultar. É, realmente, demasiado. Eram suspensas e ponto final e no ano seguinte começava o tal SI. Havia convicção ou estavam quietos.

 

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 Antero



publicado por paulo prudêncio às 12:19 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 02.04.16

 

 

 

"O sistema escolar tem que ser competitivo a exemplo do sistema desportivo; no futebol, em que somos dos melhores, a competição começa logo com os mais pequenos", dizia o "especialista" na TSF. Defendeu, por exemplo, que os mecanismos de selecção usados no 12º ano de escolaridade (exames a x disciplinas, rankings de escolas, pautas públicas de classificações, quadros de valor e de mérito e por aí fora) devem ser plasmados nos anos anteriores. Dá ideia que a preparação de "verdadeirostop performers só não chegou ao pré-escolar porque os "especialistas" ainda estão a objectivar a construção em Lego (e isto não implica qualquer desprezo por esse nível de ensino) para determinarem a restante parafernália.

 

Pois é exactamente o contrário de tudo isto que se pratica nos modelos de formação desportiva comprovadanente bem sucedidos.

 

Prevalece, desde logo, a ideia de alargar o mais possível a base da pirâmide e de só tentar perceber os "talentos" depois dos 14 anos. Antes dessa idade, e tomando como exemplo um desporto colectivo, há jogos com resultados mas sem classificações de equipas. Sempre que começa um jogo estão todos em "igualdade de circunstâncias". Há um tempo mínimo e máximo de participação de cada jogador e chega-se a impor um limite máximo de pontos (no basquetebol, por exemplo) que implica a substituição do jogador.

 

E podíamos estar o dia todo a elencar os domínios da formação. As vantagens, para além das óbvias, incluem os factores de ordem psicológica (da sua saturação, digamos assim), de aprendizagem técnica e táctica, de superação numa suposta alta competição e de aprendizagens "para a vida".



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Quarta-feira, 30.03.16

 

 

 

Há regressões que nos surpreendem (nada é definitivamente adquirido), como retrata esta passagem da revista do Expresso da semana passada:

 

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Quinta-feira, 24.03.16

 

 

 

Não é preciso recordar "as 10 estratégias de manipulação" definidas por Noam Chomsky para explicar a estranha, antiga, sistemática e doentia mediazação à volta de mais ou menos uma prova (final ou de aferição) para crianças de sete ou nove anos. Até o novo PR (e entre o caso Banif e o Novo Banco) lá deu asas à veia comentarista para todos os gostos: entre as epifanias cratianas e o "novo tempo", forçou um risível nim. Mas voltando a Chomsky: mediatizar muito o supérfluo tira espaço para o essencial; e é tanto.

 

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Sexta-feira, 18.03.16

 

 

 

Se há sinal evidente na polémica das provas (finais ou de aferição) do ensino básico é a desorientação da sociedade e não é de agora. Não há sociedade presente que passe o tempo mediático com estas discussões. Fazê-lo não é sintoma de saúde, uma vez que não fazemos outra coisa há décadas e nem o analfabetismo ainda eliminámos; nos últimos anos até aumentámos o insucesso escolar.

 

Um exemplo do desmiolo foi a curta entrevista do ministro da Educação na RTP1. O irado jornalista questionava o transtorno logístico das famílias por ainda não saberem a data de uma prova de aferição para crianças de sete anos e o ministro contra-argumentava metendo os pés pelas mãos. Mas que desorientação: no meio destas trapalhadas, não há uma qualquer sensatez que diga às pessoas que uma prova requer preocupações com a logística das escolas mas que em termos pedagógicos até deve ser feita sem grandes avisos prévios e que nem necessita de se realizar a todos os alunos nos anos todos como se faz nas sociedades normais? Não há pachorra, realmente.

 

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Quinta-feira, 17.03.16

 

 

 

Foi estabelecido pelo ME um ano de transição para o MIDAEDADEB (Modelo Integrado De Avaliação Externa Das Aprendizagens Do Ensino Básico). A sigla é complexa? No Ministério da Educação a ideia de "simplex" é historicamente proscrita e até mal vista.

 

Voltemos ao essencial. Cada agrupamento ou escola não agrupada, decidirá, este ano lectivo, da oportunidade de aplicar as provas de aferição segundo o calendário que se segue.

 

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Domingo, 14.02.16

 

 

 

 

As condecorações mediatizaram um regresso indignado aos legados de Lurdes Rodrigues e Nuno Crato. Bem sei que a memória é ainda mais curta na democracia mediatizada, mas o apoio incondicional do ainda PR às duas tragédias comprovadas terá uma qualquer relação com o ex-MEC David Justino que iniciou a queda da escola pública.

 

Para quem não se recorda, o exercício de Justino incluiu o primeiro abalo sério na imagem da escola pública com um concurso de professores, interminável por incompetência política, que abriu portas aos desmandos que se seguiram. No auge mediático do processo, apareceu, ladeado por João Rendeiro do BPP, a afirmar que só não contratava pessoas do calibre do investidor em fundos de alto risco para dirigir as escolas "porque não tinha dinheiro para lhes pagar". Numa sociedade com memória, deixava a Educação em paz por umas décadas.

 

Um ano depois foi assessorar Cavaco Silva. Esteve dez anos em funções com o PR e em cooperação estratégica com os legados condecorados. É Presidente de um CNE que ainda recentemente não se entendeu "sobre as provas de aferição das crianças". É triste, mas é assim. Se elencarmos os problemas educativos das nossas crianças, esta coisa de mais ou menos uma prova não aparecerá nas vinte primeiras preocupações mas é "conversa da treta" e não perturba os lóbis da Educação; embora o orçamento do recém privatizado IAVE viva de exames. Justino apresenta hoje no Público uma "obra sua sobre o fontismo" (de 1868 a 1889) que foi um período de muito betão financiado pela banca britânica e que acabou em "colapso financeiro". Nada que um profissional do cavaquismo não entenda em pormenor.

 

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Sexta-feira, 12.02.16

 

 

 

 

Impressiona-me, sinceramente que me impressiona, a interminável indignação mediática à volta da supressão de uma prova final (vulgo exame do quarto ano) para as crianças. Desconfio que o eurogrupo discutirá essa eliminação como ponto prévio ao orçamento português ou mesmo à crise financeira alemã, também orçamental e da bancocracia, responsável pela investida dos mercados à zona euro.

 

Até Crato, e a propósito de uma condecoração presidencial à sua veia provadora, vem sentenciar: "não é por deixar de haver avaliação que os alunos aprendem mais". Valha-nos não sei o quê. As crianças fazem, e inevitavelmente, provas sobre provas durante os quatro anos do primeiro ciclo e há quarenta anos que aprendiam sem essa prova final como acontece, de resto, com as crianças dos países mais avançados há quase um século. O problema não são as crianças, nem se aguentam a pressão; esse argumento chega a ser ridículo. O mistério está na cabeça dos adultos, no modo como tratam os resultados dessa prova e na indústria que agregam. E sobre isso as crianças nada podem fazer. Começam a receber comendas como a de Crato por causa dos resultados dessa prova e até prémios monetários. Algumas até se vêem impedidas de ir para a mesma escola dos colegas que conseguem melhores resultados na tal prova final. O que as crianças sentem mais é, por exemplo, a inabalável política dos manuais escolares, o número de alunos por turma, a falta de tempo para brincar ou o apoio, em modo de privilégio, dos Cratos deste mundo ao ensino privado. Mas sobre isso, nem o Crato, nem os indignados diários, debitam uma linha em modo de descalabro orçamental. Estranho, no mínimo, para quem se preocupa tanto com as aprendizagens das crianças.

 

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Domingo, 31.01.16

 

 

 

"O director de turma tem três dias úteis para informar o aluno adulto que faltou" era a redacção de um artigo do estatuto do aluno que vigorou em boa parte do que levamos de milénio e que traduzia com eloquência a infantilização da nossa sociedade que transformou o sistema escolar num grande primeiro ciclo.

 

Como os extremos se tocam, sucedeu-se o contrário de infantilizar (adultizar crianças?) concretizado num retrocesso civilizacional que aplicou aos anos escolares das crianças as normas e os procedimentos do fim da adolescência ou mesmo do ensino de adultos.

 

E depois é só assistir ao contraditório em forma de quadratura do círculo de simultaneidades: incluir e ensinar para a excelência (no que raio que isso seja com crianças), brincar e reunir, o mais cedo possível, recursos para um mundo cada vez mais competitivo (não será "apenas" mais desigual?), tempos livres e modelo industrial de organização escolar e por aí fora. Por mais que se diga que os sistemas bem sucedidos sempre foram os que trataram as crianças como crianças, os jovens como jovens e os adultos como adultos, e que alargaram a base, a contenda ideológica parece que eliminou a sensatez.

 

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publicado por paulo prudêncio às 17:25 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 30.01.16

 

 

"Como o actual Ministro da Educação nunca estudou ciências da educação e toma medidas destas, eu também nunca estudei matérias dessas mas, e por isso, sinto-me autorizado para dizer o que vou dizer". Imagine-se que foi mais ou menos deste modo que um convidado do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), instituição que se tornou "privada" pela mão de Crato e que montou toda uma estrutura que se financia no número de exames que elabora e aplica, se referiu ao contraditório que ia proclamar em relação a decisões do novo MEC. É bom que se sublinhe: andamos a assistir a ondas de indignação por causa de uma industria de provas finais (os alunos durante os 1º e 2º ciclos fazem inúmeras provas durante 6 anos) para crianças de 9 e 11 anos, que não tem paralelo em qualquer país europeu, e mesmo na maioria dos países da OCDE, que não existiram em Portugal até 2011 e que se aplicavam apenas a duas das disciplinas. 

 

Mas o psicólogo, que pode ter dito o que escrevi, parece que acrescentou um argumentário algo contraditório. Ou seja, enuncia as consequências muito negativas da aplicação destes exames e depois afirma que é a favor de exames. Mas de quais exames? Destes ou doutros? Enfim: um pico de pão e circo. Resumamos:

 

"As escolas estão a tornar-se "desonestas" e "batoteiras", acusa psicólogo. Foi um retrato impiedoso(...)Uma escola que acha que tem de avaliar, embrulhando os testes e os exames num clima de alarme, é uma escola que diz às crianças que o importante é ter bons resultados e não aprender(…).E uma escola assim é desonesta,(...)lembrando que muitos alunos são afastados das escolas onde estão precisamente devido à sede destas em garantirem bons resultados nos exames nacionais.

 

(...)Temos, nas escolas de hoje, turmas de primeira e de segunda, disciplinas de primeira e de segunda, alunos de primeira e alunos de segunda. São formas estranhas com que temos convivido e que já mereceram aval ministerial. Mas uma escola assim transforma-se numa escola amiga do apartheid e uma escola assim avalia, mas não educa.(...)É estranho que não se acarinhe o erro, porque uma criança que não pode livremente errar ganha uma imunodeficiência adquirida ao erro e à dor. O que tem como consequência tornarem-se competitivos e presunçosos, quando diante do conhecimento deviam ser rebeldes. Crianças assim pensam pior”.

 

Quer isto dizer que este psicólogo é contra a avaliação e os exames? A resposta é negativa e tem como alvo o actual ministro da Educação que anunciou que não se realizarão exames no 4.º e 6.º ano por considerar que estes têm efeitos “nocivos” para as crianças. “Se as crianças não aprendem a conviver com o medo de serem avaliadas ficam mais frágeis e com menos garra. Não é mau que destilem medo face aos exames, porque o medo traz também audácia. Mau é mudar as regras a meio do jogo. Mau é discutirmos as avaliações antes das aprendizagens”, acusou, antes de afirmar o contrário do que foi dito pelo ministro Tiago Brandão Rodrigues. “Quanto mais tarde as crianças tiverem provas nacionais, mais tarde reúnem os recursos para as vencer,(...)os exames não magoam as crianças, o que as magoa é a forma como os pais e as escolas acabam por usar esta avaliação."

 

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Segunda-feira, 25.01.16

 

 

 

 

As escolas estão em alvoroço com a supressão dos exames industriais (Crato, num momento de rara lucidez, denominou-os por prova final) das crianças (9 e 11 anos) inventados de supetão, e sem ouvir ninguém, em 2011. Professores, alunos e pais já pensavam em Guterres e na ONU para que o calendário tivesse mais um mês por ano de forma a atenuarem a falta de aulas com ritmo durante seis meses nas disciplinas, a maioria, que Crato considerou não estruturantes (conceito desconhecido no mundo avançado desde o século XVII). Ninguém percebe como é que as escolas abriam antes de 2011, nem como funcionam as suas congéneres europeias sem estas provas finais. A desorientação está a contaminar os orçamentos dos órgãos de comunicação social que tinham um pico de vendas no dia em que publicavam rankings que ignoravam os dados sócio-económicos das escolas privadas de modo a respeitarem a origem imaculada dos financiamentos mais altruístas. O novo Governo, que eliminou o teste anual e universal que permitia um conhecimento sobre o sistema já elogiado no novo planeta para lá de Plutão, decretou provas de aferição para crianças de 7 e 10 anos de forma a garantir que todos os professores consigam continuar a leccionar e que os comentaristas mais agressivos se engasguem.

 

PS: este post foi escrito em ortografia irónica.

 

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publicado por paulo prudêncio às 18:33 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 15.01.16

 

 

 

 

A definição de escola como arena política é quase irrefutável. O autor encontrou outras cinco imagens (empresa, burocracia, democracia, anarquia ou cultura), mas as contendas ideológicas preenchem boa parte do nosso espaço público escolar. É por termos uma sociedade assim (também ausente na Educação e imatura nos procedimentos democráticos) que advoguei a supressão dos exames das crianças (porque eliminam os maus rankings e repensam os limites morais do mercado ao retiram sentido a prémios monetários, pautas públicas e quadros de honra) e considerei dispensável a prova de aferição no 2º ano com o argumento da detecção da exclusão precoce numa sociedade que tem é que ser capaz de se responsabilizar pela educação dos petizes para que estes problemas não se eternizem.

 

É evidente que há argumentos risíveis. Desde logo, o "no meu tempo é que era" ou "os traumas para a vida". Mas hilariante, hilariante, foi o que li num dos mentores do "Observador" que prevê uma bancarrota com o actual Governo. E porquê? Qual foi o primeiro argumento do tal mentor? A supressão dos exames do 4º ano em Portugal. Isso mesmo. Estamos a imaginar Lagarde, Juncker e Draghi (a troika) pedirem uma audiência urgente a Obama para estudarem os efeitos devastadores no sistema financeiro com a supressão dos exames do 4º ano em Portugal.

 

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publicado por paulo prudêncio às 17:18 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 13.01.16

 

 

 

Concordo com o fim dos exames nos 4º e 6º anos porque, como escrevi, "estas alterações eliminam a má e chocante propaganda através de maus rankings com exames de crianças e contribuem para repensar os limites morais do mercado ao retirarem sentido, por exemplo, a prémios monetários para as melhores classificações, a pautas públicas de classificações e a quadros de honra (com crianças, repito)."

 

Discordo das provas de aferição no 2º ano com o argumento, e como escrevi, que "remete para o ensino responsabilidades que são da sociedade ausente quando o argumento é a detecção de dificuldades que levam à exclusão. Neste sentido, esta prova de aferição é completamente dispensável mas servirá o discurso político mainstream numa democracia mediatizada que é incapaz de responsabilizar a sociedade pela educação das crianças."

 

Ou seja, concordar e discordar é próprio de sociedades civilizadas. Nas sociedades ausentes, e também imaturas, já agora, é que tudo isto parece uma coisa clubista.

 

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publicado por paulo prudêncio às 17:48 | link do post | comentar | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
Discordâncias:
Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
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