Em busca do pensamento livre.

Terça-feira, 07.03.17

 

 

 

Os totalitarismos estabelecem-se através de leis. Desde logo, com as que são impossíveis de cumprir. Com a velocidade legisliva, é natural que os destinatários se interroguem com a vigência. Faz tempo que o direito abandonou a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso". Nesse sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos juízes continuam a ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja, para além das normas deve considerar-se cada caso em si e também a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

 

Importa sublinhar que os totalitarismos não se estabelecem sem a "presença" (nem que seja por alheamento) da maioria das pessoas. As sociedades vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem. Desde logo, e como foi dito, pela construção de leis impossíveis de cumprir, mas também por práticas anti-democráticas. Podemos pegar em muitos exemplos. São casos de "impossibilidade" que criaram um estado de sítio legislativo. Em muitos casos, só o fingimento permite o "cumprimento" legal.

 

Para a partilha no facebook acrescentei:

 

Estranhei o conteúdo inocente na SIC (nem sabia e recorri à box). Um juiz tão naïf? E esta mediatização agora? Este nonsense? Acabei de ler a entrevista ao Expresso (dada antes da outra) e percebi muito mais. "Querem afastar-me de tudo; estou cercado; sou escutado; tenho manuais de espiões à porta; decidi falar; são alocados tostões à justiça e milhões à recuperação bancária". Sim; o Juiz Carlos Alexandre pode ser acusado de estar aos papéis em alguns processos, e daí a mediatização, mas a sua narrativa é tão interessante. Sei lá: aconselho a obra maior de Laurence Sterne (e da literatura), "A vida e opiniões de Tristram Shandy". Nota: quando, e durante meses, ou anos, a fio, ligamos a determinados amigos (mais ainda se forem bloggers) e as chamadas são ruidosas e difíceis, e não raramente vão parar ao voice mail, significa que estamos a ser escutados? E anda uma pessoa a trocar de telefone e a dizer mal do hardware:)

Usei parte deste texto noutro post.

1ª edição em 16 de Setembro de 2016.

 

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Domingo, 05.03.17

 

 

 

"A formação da personalidade apoia-se na sua negação", é uma intemporal verdade educativa. Por mais que os destinatários reajam (e é bom que o façam), o "não" tem tanto de desejado, de necessário e de útil como de inconfessado pelos educandos.

Outra verdade prende-se com a necessidade do "não" escolar aos encarregados de educação (não organizacional e curricular, obviamente) e que a lógica do "cliente tem sempre razão" tem eliminado. É evidente que haverá encarregados de educação mais "tudólogos" ou necessitados da sensatez do não escolar, que confundem o "outro" com o "igual" na educação das crianças e jovens e que desvalorizam a importância destas questões para a saúde da democracia como sublinharam Hannah Arendt e muitos outros. A gravidade acentua-se se a desinformação atinge autoridades escolares.

 

2ª edição.

 

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Quinta-feira, 09.02.17

 

 

(1ª edição em 10 de Maio de 2010) 

 

Talvez tenha sido premonitório, talvez. São dezena e meia de alunos e só um vive com a mãe e com o pai. Nos últimos anos é muito assim: vê-se que os miúdos sofrem com isso, mas não é condição que se manifeste definitivamente trágica.

 

Chegam do intervalo quase sempre em polvorosa. A média de idades ronda os onze anos, a perturbação emocional de uns quantos é acentuada e a conflitualidade é latente.

 

No dia do U a informação era decisiva: o intervalo foi ainda mais caótico do que o esperado; merecia um início de aula raro e com resguardo cívico. Os bancos suecos formam a habitual linha recta, mas nesse aula a escolha caiu no tal U.

 

E de repente nem houve espaço para o caso em apreço: alguém se justificou, com as lágrimas a jorrarem face abaixo, com a descrição de uma cena caseira violenta na noite anterior. O testemunho cativou uma surpreendente e imparável onda de partilhas. A atmosfera era de uma brutal tranquilidade: não se atropelava a outra comunicação, o ruído era inexistente, a comoção sossegava as almas e os relatos absorviam uma adulta vivência emocional. Que fazer? Os quarenta e cinco minutos protocolados para a aula voaram e a catarse parecia envolta numa penumbra iniciática. Tínhamos meia-hora de intervalo pela frente e aqueles pequenos corpos não podiam regressar à selva sem qualquer analgésico. Mas que grande embaraço.

 

O U ficou de mãos dadas em junção com o único que usou a cadeira. Foi um recurso inopinado. Uma corrente em busca de uma qualquer transcendência. Para tudo há sempre uma primeira vez, diz-se. Uma força colectiva ajudou a que se enchesse de energia o discurso de circunstância. As lágrimas esconderam-se como se dissessem: até outro dia.

 

 

 



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Terça-feira, 13.12.16

 

 

 

É natural que apareça um "manifesto que pede menos poder para os directores escolares", que é uma forma de defender a alteração do que existe e o "regresso da democracia às escolas". Foi em 2008 que Lurdes Rodrigues impôs, com a ajuda obstinada de Sócrates e o apoio fervoroso do arco governativo da altura, o modelo vigente, que é uma espécie de "pilar" sobrevivente. Os outros - professores titulares, estatuto do aluno-cliente e avaliação dos professores - caíram por inaplicabilidade (isto para ser brando), embora o último mantenha um estado deplorável de faz de conta ajudado pelo congelamento eterno das carreiras. Estes quatro "pilares" dilaceraram a atmosfera relacional nas escolas, que foram de seguida flageladas pelo além da troika apimentado com dois devaneios cratianos: indústria de exames e afunilamento curricular. Pergunta-se: mesmo assim os resultados dos alunos melhoraram? Claro que sim; até dos menos favorecidos. Há muito que se sabe que cerca de 60% do sucesso escolar se deve à sociedade (com destaque para a ambição escolar das famílias). Os restantes 40% (a organização das escolas e o desempenho dos professores) beneficiaram da capacidade de resiliência dos segundos como os estudos internacionais não se cansam de sublinhar (são os melhores dos países da OCDE a adaptar as aulas aos alunos).

 

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Terça-feira, 25.10.16

 

 

 

A desqualificação do modo de escolher as direcções escolares é mais uma derrota para a herança de Lurdes Rodrigues (LR). O veredicto poderá acontecer com a vontade de alguns dos seus, outrora, correligionários. É reconhecida a desqualificação dos actuais Conselhos Gerais para promover concursos públicos seguidos de eleição. LR decidiu, em 2009, eliminar um modelo com avaliação positiva para controlar, a partir do poder central, os "indisciplinados" professores. Teve a oposição de muitas escolas, mas a oportunidade criou alinhados de última hora. 

 

Em 11 de Janeiro de 2012escrevi que "(...)mesmo entre nós, e no caso do sistema escolar, o arco governativo não descansou enquanto não eliminou o poder democrático das escolas substituindo-o por uma amálgama com tiques do PREC e da ditadura.(...)" Não foram necessários muitos anos para se perceber o erro grave, nomeadamente com a entrada nas escolas do pior da partidocracia local. É consensual para as organizações que estudam e avaliam a situação vigente: as direcções escolares devem ser eleitas, num processo devidamente escrutinado, por todos os que exercem funções nas escolas.

 

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Antero



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Quarta-feira, 12.10.16

 

 

 

"Há escolas que querem lançar na plataforma digital as actas das eleições dos delegados de turma e dos representantes dos encarregados de educação. Fazem isto porquê e para quê?", dizia-me o impaciente programador de uma empresa de software escolar. E tem razão para a saturação. Este é um bom exemplo, entre dezenas, da falta de confiança na palavra dos professores que gera hiperburocracia e burnout. Durante décadas houve delegados de turma e representantes dos encarregados de educação (há menos tempo no segundo caso), indicados pela palavra do professor que procedia à eleição e não consta que houvesse qualquer problema. Este exemplo demonstra que o digital só por si não simplifica; trata-se de eliminar, como no desenho, os procedimentos burocráticos. E a digitalização de todas as actas escolares, devidamente parametrizadas e sem repetições ou redundâncias, é assunto para uns posts.

 

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Quarta-feira, 15.06.16

 

 

 

 

Decorrem ainda as avaliações de alunos do final do ano e deve recordar-se que o artigo 42º do Estatuto do Aluno é taxativo e devia atenuar, no mínimo isso, o inferno de invenções de má burocracia (incluindo a digital) que alimenta a cultura organizacional de muitas escolas.

 

 

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Quarta-feira, 08.06.16

 

 

 

 

Os problemas da escola pública não se esgotam, obviamente, na importante questão dos "privados" e uma qualquer manifestação em sua defesa tem que ter mais pontos de agenda. É que há vida para além das finanças. Há, por exemplo, a democracia.

 

"O director de turma deve ser avaliado, com pontuação rigorosa e cotas, pelo abandono escolar dos alunos". A frase que escolhi, dita com convicção por Lurdes Rodrigues, sintetiza um conjunto de "Novas Políticas de Gestão Pública" que se tornou fatal para a escola pública. 

 

Se desconstruirmos a frase, encontramos: desresponsabilização da sociedade, escola a tempo inteiro, crianças-agenda e jovens-vigiados em simultâneo com o estatuto do "aluno-rei", transformação da carreira de professores em "agentes recreativos" e modelo taylorista de gestão escolar com sobreposição da lógica, "impensada" em educação, do "cliente-tem-sempre-razão".

 

Não satisfeitos, novos governantes acrescentaram: mais alunos por turma, mais turmas por professor, indústria de exames, divisão curricular em disciplinas estruturantes e outras, degradação da imagem do professor e da organização da escola pública. Com uma década assim, que resultados se esperariam? Não faltam, portanto, pontos fundamentais para agendar.

 

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Sábado, 04.06.16

 

 

 

"A formação da personalidade apoia-se na sua negação", é uma antiga verdade educativa. Por mais que os educandos reajam (e é bom que o façam), o "não" tem tanto de desejado, de necessário e de útil como de inconfessado pelo destinatário.

 

Outra "verdade" é o "não" escolar aos encarregados de educação (não organizacional e curricular, obviamente), que é da família do anterior, e que a lógica do "cliente tem sempre razão" tem eliminado. É evidente que há encarregados de educação que confundem o "outro" com o "igual" na relação com crianças e jovens e que desvalorizam a importância destas questões para a saúde da democracia como sublinhou Hannah Arendt. A gravidade acentua-se se a desinformação atinge autoridades escolares.

 

 

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Segunda-feira, 07.03.16

 

 

 

Resultados da Sondagem | É a favor da existência de Quadros de Honra nas escolas?

 

"Na sondagem desta semana do ComRegras, o tema era o da existência de quadros de honra. As opiniões dividiram-se de forma muito equivalente. Este é o meu comentário, breve qb devido às contingências do fim de semana,a que acrescentarei a imagem dos resultados logo que chegue."

 

A segunda ligação é para o novo blogue do Paulo Guinote onde deixei os seguintes comentários:

 

"O que também me espanta é que não se consiga observar os efeitos destas coisas aplicadas com iguais critérios a crianças do primeiro ciclo ou a jovens do secundário."

 

Perante a concordância da Anabela Magalhães, que escreveu "Paulo Prudêncio, no meu agrupamento são entregues desde o 4º ano. E as exigências vão para além das notas.", acrescentei:

 

"Sei disso. Penso que haverá muitos mais. Surpreende-me que não se consiga perceber a progressividade nestes assuntos. Os sistemas desportivos conhecem há muito estes problemas. Há um autor francês, Jacques Personne, que tem uma obra muito importante “Nenhuma medalha vale a saúde de uma criança”. É uma obra do século passado, mas o recuo civilizacional obriga-nos a recuar também na argumentação."

 

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Quarta-feira, 02.03.16

 

 

 

"A formação da personalidade apoia-se na sua negação", é uma intemporal verdade educativa. Por mais que os destinatários reajam (e é bom que o façam), o "não" tem tanto de desejado, de necessário e de útil como de inconfessado pelos educandos.

 

Outra verdade prende-se com a necessidade do "não" escolar aos encarregados de educação (não organizacional e curricular, obviamente) e que a lógica do "cliente tem sempre razão" tem eliminado. É evidente que haverá encarregados de educação mais "tudólogos" ou necessitados da sensatez do não escolar, que confundem o "outro" com o "igual" na educação das crianças e jovens e que desvalorizam a importância destas questões para a saúde da democracia como sublinharam Hannah Arendt e muitos outros. A gravidade acentua-se se a desinformação atinge autoridades escolares.

 

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Sábado, 27.02.16

 

 

 

 

É um facto: os quadros de mérito são salazaristas

 

 

"O diploma (vamos chamar-lhe assim, à falta de melhor, pois lei é que não é) em que as escolas se baseiam, para regular, nos seus normativos internos, os quadros de honra é um despacho normativo de 1990, baseado numa lei de 1967, o Decreto-lei 47587 de 10 de Março.

Se procurarem os regulamentos específicos dos quadros de honra, mérito ou excelência de múltiplas escolas vão encontrar a invariável referência a esse despacho normativo de 1990: o Despacho Normativo 102/1990, ainda assinado pelo Ministro Roberto Carneiro.

Qualquer caloiro de Direito vos dirá que, um despacho normativo (que pode ser aproximado a uma norma regulamentar), que tome como lei habilitante um Decreto-lei, sobre o qual existe a fundada suspeita de estar revogado (até por causa da sua natureza juridicamente arqueológica e pela evidência de a sua matéria estar regulada por outras leis posteriores), está obviamente fora de vigência.(...)"



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Terça-feira, 26.01.16

 

 

 

 

Os totalitarismos estabelecem-se através das leis. Desde logo, com a produção de leis impossíveis de cumprir (ou de evidente má qualidade). Mas com a velocidade com que se legisla, é natural que os destinatários do direito se interroguem com a vigência. Faz tempo que o direito abandonou a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso". Nesse sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos juízes continuam a ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja, para além das normas deve considerar-se cada caso em si e também a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

 

Lançados alguns argumentos, importa sublinhar que os totalitarismos não se estabelecem sem a "vontade" da maioria das pessoas. As sociedades vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem. Desde logo, e como foi dito, pela construção de leis impossíveis de cumprir, mas também por práticas anti-democráticas ou corruptas.

 

No caso do sistema escolar, podemos pegar em muitos exemplos. São casos de "impossibilidade" que criaram um estado de sítio legislativo. Em muitos casos, só o fingimento permite o "cumprimento" legal. Não podemos acusar de premeditação totalitarista os seus inventores, mas temos de dizer-lhes que não nos temos cansado de avisar.

 

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Quarta-feira, 18.11.15

 

 

 

Façamos um raciocínio por indução: nos concelhos onde impera a lógica de mercado, com o tal público-privado financiado pelo Estado, há um bocado de tudo para que qualquer um se envergonhe: exclusão de alunos com necessidades educativas especiais ou dificuldades de aprendizagem, critérios de matrícula que ignoram a boa utilização das instalações, publicidade enganosa, professores contratados precarizados, professores do quadro em estado de desconsideração profissional e por aí fora.

 

Se generalizarmos ao país, pensarmos na última década e em alunos infantilizados ou em competição desenfreada e na desconfiança nos professores traduzida num inferno de burocracia, não se estranha que um estudo conclua que "nove em cada dez professores sente que é desconsiderado pela sociedade".

 

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Sábado, 15.08.15

 

 

1ª edição em 11 de Janeiro de 2012.

 

 

 

Peso bem o que escrevo e recebi alguns emails a propósito deste post onde escrevi que "(...) mesmo entre nós, e no caso do sistema escolar, o arco-governativo não descansou enquanto não eliminou o poder democrático das escolas substituindo-o por uma amálgama com o pior do PREC e da ditadura de Salazar. (...)". Dizem-me que posso estar a exagerar na preocupação com o regresso a um passado que parecia arredado da possibilidade histórica e do futuro.

 

Se fizermos um exercício de memória, saberemos que no período que antecedeu o 25 de Abril de 1974 os directores das escolas eram nomeados pelo poder central e que a dificuldade no conhecimento das personagens no mais recôndito dos lugares era superada pela informação do partido único do regime: a União Nacional. A escolha que as graças determinassem recebia o mandato e a não limitação temporal do seu exercício.

 

Os mais distraídos devem saber que muitos dirigentes dos partidos que nos vão governando defendiam, e defendem, a nomeação pelo poder central dos directores escolares, após auscultação das estruturas locais do respectivo partido político, e que só se depositou a sua eleição nos actuais Conselhos Gerais porque o critério obedeceu à lógica experimentada pelo PREC (os extremos tocam-se), onde as populações se apropriaram do poder das instituições do estado numa prática que se revelou desqualificada e promotora da ausência de profissionalidade e de prestação de contas. Foi assim e já só estamos a um passo da plena realização.

 

No período que antecedeu a revolução dos cravos, a esmagadora maioria dos professores não pertencia aos quadros e não progredia na carreira. Os que conseguiam uma posição mais profissional ou obedeciam aos ditames do regime ou eram empurrados para uma situação censurada e de exclusão vinculativa. 

 

Existia uma obsessão com os denominados saberes essenciais. Esse empobrecimento civilizacional foi contrariado anos depois do 25 de Abril de 1974 e permitiu à sociedade portuguesa uma cavalgada impressionante na aproximação à sociedade da informação e do conhecimento que se veio a estabelecer.

 

Perante os factos, e podiam ser muitos mais, convenço-me que temos razões para temermos uma regressão civilizacional que abalará os alicerces da democracia. Se o argumento decisivo é a redução da despesa, importa questionar, como, de algum modo, se fez na altura, a razão que leva a neo-União-Nacional a não prescindir do desvario na gestão de fundações, de PPP´s ou da administração local. É que, e continuando a fazer paralelismos, não se percebe o que queremos quando afirmamos que o sistema escolar é uma prioridade nacional.

 



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Quarta-feira, 05.08.15

 

 

 

"O CEO da Covey Leadership Center e líder do Global Speed of Trust Practice já integrou a lista dos 25 americanos mais influentes da revista Time e esteve em Lisboa para a Happy Conference, onde falou sobre a importância vital da confiança no poder das organizações."

 

A confiança é a moeda essencial para a economia. Nos sistemas escolares é a palavra chave desde há muito. A confiança nos professores é decisiva para eliminar a má burocracia. A palavra de um professor vale menos do que um qualquer relatório, mesmo que seja um "copiar e colar". A quebra de confiança reflecte-se na disciplina na sala de aula. A constante degradação mediática da imagem dos professores só é superada pelas políticas que os desacreditam nas organizações escolares. É um ranking ensandecido. Tudo começa no estatuto do aluno, passa pelo dos professores e pela sua avaliação e prossegue nos modelos de gestão escolar. Se para Stephen Covey é esse o caminho que existe, para o sistema escolar trata-se de o recuperar. Quanto mais tarde o fizermos, mais depauperada ficará a democracia.



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Segunda-feira, 24.11.14

 

 

 

 

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A frase de Christopher Hitchens (2009:251), em "Deus não é grande, como a religião envenena tudo", da Dom Quixote, "(...)O princípio essencial do totalitarismo é fazer leis às quais é impossível obedecer (...)" proporciona uma interessante discussão. 

 

Em 25 de Outubro de 2009, aqui, escrevi o seguinte:

 

Mas com a velocidade com que se legisla, e nisso o quase "extinto" ME foi imbatível, e com a consequente falta de qualidade das leis é natural que os destinatários do direito se interroguem com a sua vigência. Faz tempo que o direito tem vindo a abandonar a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso".

Neste sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos juízes continuam as ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja, para além das normas deve considerar-se cada caso em si e também a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

 

Lançados alguns argumentos para o contraditório, importa sublinhar que os totalitarismos não se estabelecem sem a "vontade" da maioria das pessoas. É trágico, mas é assim. Embora a história nos mostre com frequência o aparecimento de um "profeta", também nos explica que as sociedades vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem. Desde logo, e pegando na frase de Christopher Hitchens, pela construção de leis impossíveis de obedecer e por práticas anti-democráticas ou corruptas (para os dois últimos casos, nem são precisos exemplos).

 

No caso vigente do sistema escolar, podemos pegar em inúmeros exemplos. São casos de "impossibilidade" que criaram um estado de sítio legislativo. Só o fingimento permite o "cumprimento" legal. Não podemos acusar de premeditação totalitarista os seus inventores, mas temos de considerar todas as hipóteses e dizer-lhes que não nos temos cansado de avisar.

 

 

(1ª edição em 27 de Janeiro de 2012. Reescrito)

 

 

 

 



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Quarta-feira, 20.08.14

 

 

 

"O CEO da Covey Leadership Center e líder do Global Speed of Trust Practice já integrou a lista dos 25 americanos mais influentes da revista Time e esteve em Lisboa para a Happy Conference, onde falou sobre a importância vital da confiança no poder das organizações."(esta frase é duma edição impressa da Pública e foi uma cortesia do José Mota).

 

A confiança é a moeda essencial para a economia. Nos sistemas escolares é a palavra chave desde há muito. A confiança nos professores é decisiva para eliminar a má burocracia. A palavra de um professor vale menos do que um qualquer relatório, mesmo que seja um "copiar e colar". A quebra de confiança reflecte-se na disciplina na sala de aula. A constante degradação mediática da imagem dos professores só é superada pelas políticas que os desacreditam nas organizações escolares. É um ranking ensandecido. Tudo começa no estatuto do aluno, passa pelo dos professores e pela sua avaliação e prossegue nos modelos de gestão escolar. Se para Stephen Covey é esse o caminho que existe, para o sistema escolar trata-se de o recuperar. Quanto mais tarde o fizermos, mais depauperada ficará a democracia.



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Terça-feira, 11.06.13

 

 

 

Do verdadeiro prejuízo

 


"(...)E assim, senhores deputados, senhores ministros, meus caros concidadãos, estamos a caminhar para um futuro muito mais prejudicial para muitos mais alunos do que aqueles que vão fazer agora exame. Caminhamos para um futuro sem professores. E aqueles que houver, serão os menos qualificados, incapazes de entrar num curso “melhor”. Que ensino será, então, o nosso, com esses professores? Que será, então, dos nossos alunos?

 

Percebem agora o perigo do caminho que se está a seguir? Quem anda, afinal, a causar verdadeiramente prejuízo aos alunos?"






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Sábado, 18.05.13

 

 

 

 

Há profissões mais expostas ao juízo imediato do público e a de professor ocupa o lugar cimeiro. Em regra e em cada hora escolar (ia escrever os minutos mas no nosso sistema isso é do domínio da física quântica), duas dezenas de crianças ou jovens são severos juízes da profissionalidade dos professores.

 

Agora imaginem se o público anda há anos a fio a ouvir diariamente que os professores trabalham pouco, que não querem ser avaliados e que nunca o foram em trinta anos de democracia, que recebem euros a mais para o que trabalham, que vão fazer greve injustamente, que se manifestam a torto e a direito, que são colocados a centenas de quilómetros de casa e que vivem quase na miséria, que milhares vão para o desemprego qualquer que seja a idade e podia ficar a noite toda a elencar a tragédia. Podemos até imaginar os comentários da maioria dos encarregados de educação quando passam essas notícias.

 

Imagine que os médicos, por exemplo, passavam por algo semelhante. Qual seria a relação de confiança que se estabeleceria entre os doentes e os profissionais de saúde? O mais grave é que o público dos professores é jovem e apenas a enorme capacidade destes profissionais vai permitindo que o sistema continue a respirar. É evidente que se reconhece que os alunos desprezam muita dessa informação. Os professores, e os funcionários públicos em geral, mereciam outra consideração.



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Segunda-feira, 18.03.13

 

 

 

 

 

Decorrem as avaliações de alunos do final do 2º período e, como é sublinhado neste post do Paulo Guinote, deve recordar-se que o artigo 42º do Estatuto do Aluno é taxativo e devia sossegar o inferno de invenções de má burocracia que alimentam a cultura organizacional de muitas escolas.








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Quarta-feira, 12.12.12

 

 

 

Recebi com a seguinte recomendação: "Praticamente tudo aquilo que de importante penso sobre a vida está aqui."


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Quinta-feira, 27.09.12

 

 

 

Os cortes e achamentos deste Governo no sistema escolar têm sido bem dissecados. A troika e a austeridade são as justificações dos poucos que ainda defendem o estado de sítio vigente.

 

Mas há assuntos que só de forma muito remota se ajustam à argumentação referida. O estatuto do aluno e da ética escolar e o modelo de avaliação do desempenho dos professores são dois exemplos que, e de modo humorado, até se relacionam. E a conclusão é consensual: nada mudou no inferno burocrático que se viveu nos últimos anos, o que nos leva ao lugar mais conhecido da primeira década do milénio: o bloco central e os seus apêndices são as faces da mesma moeda nestes domínios. O clientelismo partidário gera uma legião de assessores (alguns descoloridos com oportunidade), a colocação na traquitana do MEC obedece ao mesmo critério e não resiste à lógica yesminister.

 

Há quem teime em não acreditar que a incompetência do legislador é transversal.

 

As críticas ao poder vigente pautam-se pelos votozinhos. Foi muito assim nos últimos anos, tenho ideia que não há qualquer sinal de mudança e só podemos anuir quando nos dizem que a "escola" é a mesma.

 



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Quinta-feira, 06.09.12

 

 

 

 

 

O palavroso e infindável estatuto do aluno levaram-me ao título do post.

 

Não tenho motivos para alterar o post, até está reforçado, de 6 de Junho de 2012 quando o Governo publicou a proposta:

 

Se houve eliminação que me pareceu mais do que óbvia, foi a da dimensão ética no kafkiano modelo de avaliação dos professores. As outras, e com registo imensurável, continuam por lá e darão sinal de vida daqui a uns tempos.

 

A proposta do Governo de estatuto do aluno e da ética escolar recuperou a ciência relativa aos costumes e mudou-a de sítio no universo burocrático.

 

A inspiração pode ter alguma relação com o relatório "Dinheiro, Política, Poder: Riscos de Corrupção na Europa" que conclui que no nosso país a corrupção e a crise andam de mãos dadas.

 

O legislador do MEC pode estar preocupado com os resultados a longo prazo, mas, e como o exemplo vem sempre de cima, sugeria a mudança do nome do país para República Portuguesa e da Ética e deixássemos no estatuto do aluno decisões simples e aplicáveis.

 

Serão poucos os que lerão a palavrosa proposta e os blogues lá vão fazendo o serviço público em forma de resumo. Para além do agravamento de uma série de medidas, algumas associadas às depauperadas Comissões de Protecção de Crianças e Jovens, saliento como positivas as seguintes opções:

 

"(...)Elimina-se o plano individual de trabalho, enquanto se estabelece que o reiterado incumprimento dos deveres de assiduidade e pontualidade por parte do aluno implica a aplicação de medidas de integração e ou o cumprimento de medidas de recuperação, quando se justifiquem. As atividades de recuperação na aprendizagem agora previstas, cuja adoção é deixada à autonomia da escola e que podem assumir a mera forma oral, são definidas pelo professor titular da turma ou pelos professores das disciplinas em que seja ultrapassado o limite de faltas injustificadas, de acordo com regras simples e eficazes, aprovadas em conselho pedagógico e previstas no respetivo regulamento interno, e aplicáveis uma única vez por ano letivo.(...)



publicado por paulo prudêncio às 15:39 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 23.06.12

 

 

Os últimos estudos que indicam a exaustão dos professores portugueses, focando mesmo a proximidade de depressão, referem a maior debilidade em quem lecciona no primeiro ciclo (e nos outros ciclos também, particularmente no secundário, e escrevo isto para que não se estabeleça qualquer ciúme corporativo), por causa da degradação social do seu estatuto, da escola a tempo inteiro (que "degrada" o clima de silêncio na sala de aula), da parafernália de má burocracia que incide particularmente nos atavismos organizacionais desse ciclo de ensino (muito por culpa dos professores, diga-se), e, isto já será conclusão minha, motivada pelas constantes alterações na gestão escolar que fazem com que as escolas do primeiro ciclo mudem todos os anos de sede.

 

O actual ministro da Educação propõe antecipar os exames do 4º ano e prolongar em mais quatro semanas as aulas para os alunos com mais dificuldades, acompanhando assim o desmiolo dos prolongamenos nos CEF´s, nos Cursos Profissionais e por aí fora e as resposições de aulas, noutros ciclos ensino, mais ou menos estapafúrdias que tentam limpar as consciências dos maus burocratas do MEC e das suas ramificações. Mas será que Nuno Crato pôs alguma vez os pés numa escola (sem ser em registo VIP, claro) ou que pelo menos lê o que se vai estudando sobre a exaustão de alunos e professores?

 

 



publicado por paulo prudêncio às 11:00 | link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Quarta-feira, 06.06.12

 

 

 

 

 

Se houve eliminação que me pareceu mais do que óbvia, foi a da dimensão ética no kafkiano modelo de avaliação dos professores. As outras, e com registo imensurável, continuam por lá e darão sinal de vida daqui a uns tempos.

 

A proposta do Governo de estatuto do aluno e da ética escolar recuperou a ciência relativa aos costumes e mudou-a de sítio no universo burocrático.

 

A inspiração pode ter alguma relação com o relatório "Dinheiro, Política, Poder: Riscos de Corrupção na Europa" que conclui que no nosso país a corrupção e a crise andam de mãos dadas.

 

O legislador do MEC pode estar preocupado com os resultados a longo prazo, mas, e como o exemplo vem sempre de cima, sugeria a mudança do nome do país para República Portuguesa e da Ética e deixássemos no estatuto do aluno decisões simples e aplicáveis.

 

Serão poucos os que lerão a palavrosa proposta e os blogues lá vão fazendo o serviço público em forma de resumo. Para além do agravamento de uma série de medidas, algumas associadas às depauperadas Comissões de Protecção de Crianças e Jovens, saliento como positivas as seguintes opções:

 

"(...)Elimina-se o plano individual de trabalho, enquanto se estabelece que o reiterado incumprimento dos deveres de assiduidade e pontualidade por parte do aluno implica a aplicação de medidas de integração e ou o cumprimento de medidas de recuperação, quando se justifiquem. As atividades de recuperação na aprendizagem agora previstas, cuja adoção é deixada à autonomia da escola e que podem assumir a mera forma oral, são definidas pelo professor titular da turma ou pelos professores das disciplinas em que seja ultrapassado o limite de faltas injustificadas, de acordo com regras simples e eficazes, aprovadas em conselho pedagógico e previstas no respetivo regulamento interno, e aplicáveis uma única vez por ano letivo.(...)



publicado por paulo prudêncio às 22:13 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Quinta-feira, 31.05.12

 

 

Governo diz que novo estatuto do Aluno reforça autoridade dos professores 

 

 

Até pode dar ideia que a questão da confiança nos professores não passa pelas restantes matérias em discussão. Um grupo profissional que fez manifestações memoráveis recentemente, que tinha um desmiolado modelo de avaliação a abrir todos os dias os telejornais, que lidera os números do desemprego, que vê a gestão das escolas em estado de permanente terraplenagem e que têm na má burocracia o pico máximo da desconfiança, só pode abanar a cabeça na horizontal com notícias assim.



publicado por paulo prudêncio às 10:37 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Segunda-feira, 14.05.12

 

 

 

 

A frase de Christopher Hitchens (2009:251), em "Deus não é grande, como a religião envenena tudo", da Dom Quixote, "(...)O princípio essencial do totalitarismo é fazer leis às quais é impossível obedecer (...)" proporciona uma interressante discussão. 

 

Em 25 de Outubro de 2009, aqui, escrevi o seguinte:

 

Mas com a velocidade com que se legisla, e nisso o quase "extinto" ME foi imbatível, e com a consequente falta de qualidade das leis é natural que os destinatários do direito se interroguem com a sua vigência. Faz tempo que o direito tem vindo a abandonar a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso".

Neste sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos juízes continuam as ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja, para além das normas deve considerar-se cada caso em si e também a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

 

Lançados alguns argumentos para o contraditório, importa sublinhar que os totalitarismos não se estabelecem sem a "vontade" da maioria das pessoas. É trágico, mas é assim. Embora a história nos mostre com frequência o aparecimento de um "profeta", também nos explica que as sociedades vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem. Desde logo, e pegando na frase de Christopher Hitchens, pela construção de leis impossíveis de obedecer e por práticas anti-democráticas ou corruptas (para os dois últimos casos, nem são precisos exemplos).

 

No caso vigente do sistema escolar, podemos pegar no monstro da avaliação dos professores ou no desastroso modelo de gestão escolar, passando pelo estatuto do aluno. São casos de impossibilidade que criaram um estado de sítio legislativo. Só o fingimento permite o "cumprimento" legal ou abrem portas aos oportunismos mais variados. Não podemos acusar de premeditação totalitarista os seus inventores, mas temos de considerar todas as hipóteses e dizer-lhes que não nos temos cansado de avisar.

 

(1ª edição em 27 de Janeiro de 2012)

 

 



publicado por paulo prudêncio às 11:27 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 21.03.12

 

 

 

 

 

Tenho a sensação que o terceiro período do presente ano lectivo vai ser escaldante no sistema escolar.

 

Fenprof exige anulação sobre o concurso de professores

 

O rol de trapalhadas no sistema escolar está em roda livre. Fiz o post ontem à noite e temporizei-o. Entretanto, a coisa já foi suspensa pelo MEC.

 

Ministério da Educação vai recrutar trabalhadores não docentes

 

Há milhares de assistentes operacionais e administrativos que estão numa situação de precariedade e os números avançados são uma gota no oceano.

 

Alunos vão voltar a ser castigados com a proibição de frequentarem aulas

 

O faz e desfaz continua - esta mudança era inevitável -, a sociedade mantém-se desresponsabilizada e com a anuência de todos os espectros partidários.



publicado por paulo prudêncio às 15:27 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 18.03.12

 

 

Recebido por email.

 

 

"Carta a professores, alunos, pais, governantes, cidadãos e quaisquer outros que possam sentir-se tocados e identificados.

 

As reformas na educação estão na boca do mundo há mais anos do que os que conseguimos recordar, chegando ao ponto de nem sabermos como começaram nem de onde vieram. Confessando, sou apenas uma das que passou das aulas de uma hora para as aulas de noventa minutos e achei aquilo um disparate total. Tirava-nos intervalos, tirava-nos momentos de caçadinhas e de saltar à corda e obrigava-nos a estar mais tempo sentados a ouvir sobre reis, rios, palavras estrangeiras e números primos. Depois veio o secundário e deixámos de ter “folgas” porque passou a haver professores que tinham que substituir os que faltavam e nós ficávamos tristes. Não era porque não queríamos aprender, era porque as “aulas de substituição” nos cansavam mais do que as outras. Os professores não nos conheciam, abusávamos deles e era como voltar ao zero. Eu era pequenina. E nunca me passou pela cabeça pensar no lado dos professores.Até ao dia 1 de Março. Foi o culminar de tudo. Durante semanas e semanas ouvi a minha mãe, uma das melhores professoras de Inglês que conheci,  o meu pilar, a minha luz, a minha companhia, a encher a boca séria com a palavra depressão. A seguir vinham os tremores, as preocupações, as queixas de pais, as crianças a quem não conseguimos chamar crianças porque são tão indisciplinadas que parece que lhes falta a meninice. Acreditem ou não, há pais que não sabem o que estão a criar. Como dizia um amigo meu: “Antigamente, fazíamos asneiras na escola e quando chegávamos a casa levávamos uma chapada do pai ou da mãe. Hoje, os miúdos fazem asneiras e os pais vão à escola para dar a dita chapada nos professores”. Sim, nos professores. Aqueles que tomam conta de tantos filhos cujos pais não têm tempo nem paciência para os educar. Sim, os professores que fazem de nós adultos competentes, formados, civilizados. Ou faziam, porque agora não conseguem. A minha mãe levou a maior chapada de todas e não resistiu. Desculpem o dramatismo mas a escola, o sistema educativo, a educação especial, a educação sexual, as provas de aferição e toda aquela enormidade de coisas que não consigo sequer enumerar, levaram deste mundo uma das melhores pessoas que por cá andou. E revolta-me não conseguir fazer-lhe justiça. Professores e responsáveis pela educação, espero que leiam isto e acordem, revoltem-se, manifestem-se (ainda mais) mas, sobretudo e acima de qualquer outra coisa, conversem e ajudem-se uns aos outros. Levem a história da minha mãe para as bocas do mundo, para as conversas na sala dos professores e nos intervalos, a história de uma mulher maravilhosa que se suicidou não por causa de uma vida instável, não por causa de uma família desestruturada, não por dificuldades económicas, não por desgostos amorosos mas por causa de um trabalho que amava, ao qual se dedicou de alma e coração durante 36 anos. De todos os problemas que a minha mãe teve no trabalho desde que me conheço (todos os temos, todos os conhecemos), nunca ouvi a palavra “incapaz” sair da boca dela. Nunca a vi tão indefesa, nunca a conheci como desistente, nunca pensei ouvir “ando a enganar-me a mim mesma e não sei ser professora”. Mas era verdade. Ela soube. Ela foi. Ela ensinou centenas de crianças, ela riu, ela fez o pino no meio da sala de aulas, ela escreveu em quadros a giz e depois em quadros electrónicos. Ela aprendeu as novas tecnologias. O que ela não aprendeu foi a suportar a carga imensa e descabida que lhe puseram sobre os ombros sem sentido rigorosamente nenhum. Eu, pelo menos, não o consigo ver. E, assim, me manifesto contra toda esta gentinha que desvaloriza os professores mais velhos, que os destrói e os obriga a adaptarem-se a uma realidade que nunca conheceram. E tudo isto de um momento para o outro, sem qualquer tipo de preparação ou ajuda. Esta, sim, é a minha maneira de me revoltar contra aquilo que a minha mãe não teve forças para combater. Quem me dera ter conseguido aliviá-la, tirar-lhe aquela carga estupidamente pesada e que ninguém, a não ser quem a vive, compreende. Eu vivi através dela e nunca cheguei a compreender. Professores, ajudem-se. Conversem. E, acima de tudo, não deixem que a educação seja um fardo em vez de ser a profissão que vocês escolheram com tanto amor. Pensem no amor. E, com ele, honrem a vida maravilhosa que a minha mãe teve, até não poder mais.

 

Sara Fidalgo

 

P.S. – Não posso deixar de agradecer a todos os que nos ajudaram neste momento de dor *"



publicado por paulo prudêncio às 09:22 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Sexta-feira, 03.02.12

 

 

 

Não são as profissões que fazem as pessoas e, a exemplo da generalidade das actividades, também no ensino a excelência não é totalidade e ainda bem. Os humanos são o que são e a vida é um bem precioso e imperfeito.

 

Se houve despesa a mais no sistema escolar, deveu-se à massa salarial e não ao orçamento das escolas. Os professores geriram as escolas durante a massificação democrática com autênticos milagres financeiros; como profissionais, não têm culpa do estado de desvario para onde foram empurradas as contas do país.

 

Quem contrariou o que apresentei porque a "culpa" era dos docentes, construiu, nos últimos anos, políticas que destruíram o sistema escolar; está comprovado. Tiveram o apoio do arco governativo e resultou em perda de confiança nos professores. Sempre que se mediatiza um caso de agressão a um professor, os autores das nefastas políticas fogem do essencial e refugiam-se em panaceias. Hoje conhecemos que os especialistas-instantêneos do PSD e do CDS querem dar poderes "policiais" aos professores.

 

Recuperar a confiança nos professores passa por eliminar os diplomas que os fragilizaram numa sociedade onde ainda impera um "caciquismo" que nos atemoriza quando pensamos em avançar para uma organização administrativa do país com decência e modernidade. A nossa sociedade tem as suas características e desconhecê-las é fatal.

 

O modelo de gestão escolar retirou, objectivamente, poder aos professores e criou um clima propício à desconfiança. Só quem não está no terreno é que desconhece os efeitos devastadores quando a coisa é "levada a sério". A má burocracia pedagógica inutilizou a palavra dos professores, a avaliação do desempenho colocou "na rua" a sua dignidade profissional e o estatuto do aluno instituiu o conceito de igualdade, em detrimento do de alteridade, na relação pedagógica; há mais de 50 anos que se avisa que essa alteração é perigosíssima para a democracia.

 

E podíamos elencar uma série de argumentos semelhantes. Dá ideia que das três uma: desconhecem mesmo o que fazer, concordam com o desastre que aconteceu ou esperam pela próxima campanha eleitoral.



publicado por paulo prudêncio às 21:30 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 25.01.12

 

 

Depois de uma demorada análise, concluí que bastaria um artigo para termos um estatuto do aluno.

 

Os alunos reprovam se excederem o limite de faltas injustificadas a uma das disciplinas, ou áreas curriculares não disciplinares, que compõem o seu programa de estudos. Entende-se por limite de faltas injustificadas, o produto da multiplicação por três do número de aulas semanais em cada uma das actividades referidas. Compete aos directores de turma o estabelecimento dos critérios que consideram uma falta como justificada.



publicado por paulo prudêncio às 14:39 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 16.12.11

 

 

 

As políticas educativas dos últimos governos do PS tiveram uma matriz comum com graves consequências. As comprovadas inadequações vão do estatuto da carreira dos professores (professores titulares, por exemplo) à acentuação dos efeitos da reorganização curricular de 1998, passando pelo estatuto do aluno, pela avaliação dos professores, pela recuperação das ideias mais nocivas dos modelos de gestão escolar e por aí fora.

 

Falar da gestão escolar propriamente dita é uma novidade. Há aspectos que se devem sublinhar: as organizações modernas tudo fazem para não necessitarem da forma de centralidade espacial. A supressão do centro, ou das funções que ainda recentemente lhe estavam atribuídas, é um produto do elevado poder das redes de informação e da sua forte ubiquidade, que impedem que um qualquer lugar esteja privilegiado perante outros. É precisamente por isso que tanto se busca a redução dos patamares das organizações (downsizing) e se procura a legitimação das lideranças pelos seus pares; mais ainda nas organizações escolares, onde o topo da pirâmide é a sala de aula. É bom nunca esquecer o óbvio: sem alunos não há estabelecimentos de ensino.

 

Foi com esses argumentos que alguns contestaram os modelos de gestão escolar que Portugal adoptou em 1998 e acentuou negativamente em 2009. A avaliação dos elementos da gestão escolar pelos directores regionais é mais um tique do passadíssimo taylorismo. A estrutura do MEC e o modelo de gestão escolar (onde se evidenciam órgãos e mais órgãos sem agenda produtiva) são casos de estudo e patologias.

 

Não se pode acusar uma parte dos professores de não terem avisado. Muitos com custos pessoais que estão por contar. Se hoje não há professores titulares, se a avaliação do desempenho sofreu uma abalo severo de credibilidade e se outras políticas estão apenas ligadas a uma máquina de sobrevivência, tal deveu-se a uns quantos. A gestão escolar podia ter seguido o mesmo caminho se os actores tivessem tido coragem; e conhecimento?

 

Houve uma parte significativa de presidentes de Conselho Executivo, ou de outros actores, que encolheram os ombros ou aproveitaram uma oportunidade única para tratar da vidinha. É por isso que as declarações de revolta que se vão lendo soam a ridículo e recebem uma reduzida solidariedade da comunidade educativa.

Ensino. Directores de escolas revoltados com avaliação

“A indignação é tanta que cheguei a impedir colegas de apresentar a demissão”, diz Adalmiro Fonseca



publicado por paulo prudêncio às 17:00 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Terça-feira, 08.11.11

 

 

"O CEO da Covey Leadership Center e líder do Global Speed of Trust Practice já integrou a lista dos 25 americanos mais influentes da revista Time e esteve em Lisboa para a Happy Conference, onde falou sobre a importância vital da confiança no poder das organizações." (esta frase é da edição impressa da Pública e foi uma cortesia do José Mota).

 

A confiança poderá ser a nova moeda para a economia. Nos sistemas escolares é a palavra chave desde há muito. A confiança nos professores é decisiva para eliminar a má burocracia. A palavra de um professor vale menos que um qualquer relatório, mesmo que seja um copy and paste. O pior da quebra de confiança reflecte-se na indisciplina na sala de aula. A constante degradação mediática da imagem dos professores só é superada pelas políticas que os desacreditam no poder das organizações. É um ranking ensandecido. As crianças e os jovens intuem o estado de sítio. Tudo começa no estatuto do aluno, passa pelo dos professores e pela sua avaliação e prossegue nos modelos de gestão escolar. Se para Stephen Covey é esse o caminho que existe, para o sistema escolar trata-se de o recuperar. Quanto mais tarde o fizermos, mais depauperada ficará a democracia.



publicado por paulo prudêncio às 16:10 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quinta-feira, 22.09.11

 

 

 

 

Casos, opiniões, natura e uso

Fazem que nos pareça esta vida

Que não há nela mais que o que parece.

 

Camões (Citado por Eduardo Lourenço em

"O labirinto da saudade", 1972, p.17)

 

A saudade é uma inscrição portuguesa e tem todas as condições para se intrometer na actualidade. Os portugueses já não conseguem ver em frente sem a nostalgia a empurrar-lhes o olhar para tempos idos. É interessante nomear que, dois anos depois do célebre país da tanga, em 2004, a convocação mediática da auto-estima era moda e terapia obrigatória. Seria ainda mais interessante, ouvir o que têm a dizer agora os assinantes dos receituários.

 

O país está deprimido. Vive-se a delapidação a cada passo. Não há nação que se levante sem um sistema escolar vivo de esperança. Se a depressão é um fenómeno geral, as escolas reflectem um sentimento duplicado: à pré-bancarrota acrescentam a devastação dos últimos anos.

 

Se os efeitos educativos são quase sempre a longo prazo, intuo que os resultados da desgastante luta de muitos professores portugueses também o serão. Talvez só no final desta década se sentirão os efeitos. Contudo, importa fazer um esforço de memória e pensar como seria o momento se os professores titulares ainda existissem, se o monstro burocrático da avaliação ainda nutrisse tanta simpatia desconhecedora, se o modelo de gestão escolar não estivesse descredibilizado e se o estatuto do aluno não tivesse os alicerces em desconstrução acelerada para benefício da condição dos discentes.



publicado por paulo prudêncio às 21:30 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Sábado, 17.09.11

 

 

 

À medida que os problemas do sistema escolar se cruzam como o modelo vigente de gestão escolar, ou o modelo em si se vai desenvolvendo, são inúmeros os que metem as mãos na cabeça. Vamos lendo que o governo está disposto a alterar, num curto espaço de tempo, o diploma da gestão escolar: "(...) Os sindicatos querem maior democraticidade nas lideranças intermédias, sejam elas as coordenações de departamento ou as direções executivas das escolas. O dossier do sistema de gestão escolar pode ser aberto e resolvido, de forma consensual, num curto espaço de tempo. (...)".

 

Não me surpreende a preocupação, uma vez que o arco governativo sempre defendeu a solução em curso e sente o peso da conivência. O que me causa alguma surpresa política, são as posições para além das dos sindicatos. Santana Castilho e Octávio Gonçalves (PROmova), são duas pessoas que se reconhecem da área do PSD. Não sei se o primeiro é militante, mas concordo com as posições que tem defendido em diplomas que vão do estatuto do aluno ao dos professores, passando pela avaliação do desempenho e pela gestão escolar. Estou convencido que Octávio Gonçalves é da área da social-democracia e tem sido claro na defesa de posições que subscrevo. O seu último post é elucidativo:

 

"- um concurso nacional de professores, baseado na graduação profissional e totalmente transparente (monitorizado também por representantes dos sindicatos de professores);

- uma gestão democrática das escolas, porque estas são bens públicos e não quintas partidárias, em que o director deva ser eleito ou obrigatoriamente reconfirmado pela maioria dos professores da escola ou do agrupamento;

 - um modelo de avaliação, cujos processos de diferenciação e atribuição do mérito sejam transparentes, não estejam dependentes de um poder autocrático ou de uma pequena rede interna de interesses/amizades e envolvam inspecção externa e órgãos/personalidades da escola eleitos pelos seus pares."

 

Seria surpreendente se a maioria de direita legislasse no sentido da mobilização, da cooperação e da liderança. E já agora, era bom que o PS dissesse o que pensa de tudo isto e como é que se demarca da assumida perseguição aos "escolhidos", como se confessou no último congresso (estatuto da carreira dos professores, avaliação do desempenho, gestão escolar, estatuto do aluno e horários escolares no registo da pior 3ª via).



publicado por paulo prudêncio às 19:00 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Segunda-feira, 17.01.11

 

 

 

 

 

A avaliação de recursos humanos no ME é um domínio que demonstra bem o descalabro das políticas Educativas dos governos deste PS. A central de recursos humanos do estado é o desmiolo que se sabe, mas os governantes só aplicam aquilo que querem.

 

A avaliação dos alunos, a começar pelo estatuto, está impregnada de má burocracia e tem uma atenuante: a coisa começou no século passado.

 

A avaliação de professores é a farsa que se conhece. Está pior do que antes de 2005 e podemos afirmar que, como modelo minimamente sério, não existe.

 

A avaliação dos assistentes operacionais tem contornos cómicos e é de um total desprezo profissional. Já me tinham dito que existem escolas onde se deixam umas fichas aos professores para darem uns palpites sobre o assistente do bloco. É espantoso. E, nessas circunstâncias, o avaliado não pode opinar também sobre o desempenho do avaliador?

 

Mas há mentes ainda mais turtuosas. Leia a notícia que se segue e diga lá se não tínhamos mesmo de falir.

 

Opinião de alunos conta na avaliação de auxiliares



publicado por paulo prudêncio às 13:00 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 25.11.10

 

 

 

 

 

 

Este texto remete-me para um problema que permanece na penumbra: a discriminação dos alunos que querem aprender. Associada a esta ausência de direitos, emerge uma outra falta de comparência: a dos deveres por parte de alunos veteranos da escola (com 5 e mais anos de frequência) que vêem a sua indisciplina recompensada com uma parafernália de apoios que não tem qualquer sentido.

 

Faz tempo que escrevi assim: "(...)Vem isto a propósito de outro clássico da vida das sociedades: a recuperação da autoridade (por parte dos adultos em relação às crianças e aos jovens) na vida das escolas e não só, claro. No que se refere ao quotidiano das nossas escolas, pode dizer-se assim: a autoridade é também um direito do aluno; de todos os alunos, salientando-se que nesse grupo estão incluídos os que têm mais vontade em aprender. E isso, o exercício da autoridade, deve acontecer com os professores mais capazes de liderar e com os professores menos capazes de liderar. E por mais voltas que dermos, tudo começa na casa de cada um. Quando não começa, a escola tem de o impor: com regras simples e claras e sem tibiezas. Mas, para isso, a escola não pode estar só nem a tempo inteiro: é isso que as crianças e os jovens esperam e desejam."



publicado por paulo prudêncio às 15:28 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Terça-feira, 28.09.10

 

 

 

Tenho trocado vários emails com leitores que se interessam pelos estudos sobre o sucesso escolar (ou insucesso, como queiram). Defendo que, grosso modo, se pode considerar as seguintes percentagens na responsabilização pelo sucesso escolar: 60% para as famílias e para a sociedade, 30% para a escola como organização e 10% para os professores e o ensino.

 

Há alguns anos que li estudos neste sentido e fui desenvolvendo a ideia.

 

A história dos sistemas escolares evidencia: sociedades com mais ambição escolar e com meios económicos que a sustentem atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar. É irrefutável. Podíamos até atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90%. Ou seja: se conseguíssemos sujeitar 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, os resultados seriam reveladores. Deixemos esta responsabilidade nos 60% para que sobre espaço para os outros níveis.

 

Se testássemos 100 alunos em escolas com organizações de níveis opostos mas na mesma sociedade, esperar-se-iam resultados diferentes. Todavia, essa diferença não seria tão acentuada como no primeiro caso. As condições de realização do ensino (clima escolar, disciplina, número de alunos por turma e na escola, autonomia da escola, desenho curricular, meios de ensino) devem influenciar em 30% e são mais significativas do que o conjunto dos professores.

 

Se 100 alunos cumprissem duas escolaridades com 100 professores diferentes, os resultados deveriam oscilar muito pouco. É neste sentido, abrangente, histórico e generalista que se deve considerar os 10% atribuídos aos professores.

 

É também por isso que pode ser um logro absoluto que uma sociedade com baixos níveis de escolaridade consuma as suas energias à volta do desempenho dos 10% ou sequer se convença que basta mudar o conteúdo físico dos 30% para que tudo se resolva. A componente sociedade é decisiva e se fecharmos bem os olhos podemos até considerar que 60% é um número por defeito. Mas mais: por paradoxal que pareça, sem os 10% nada acontece e não há ensino.



publicado por paulo prudêncio às 15:10 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 13.09.10

 

 

 

Sabe-se que as crianças envolvidas por famílias com ambição escolar têm melhores resultados. Bem sabemos que tudo se torna mais fácil se frequentarem escolas organizadas ou se estiverem integradas em turmas onda a disciplina é a palavra de ordem. Mas o que é decisivo é a atenção nas aulas e o estudo; e sem esforço não se conseguem bons resultados.

 

A luta dos pais contra o insucesso escolar deve começar hoje



publicado por paulo prudêncio às 10:27 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar


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