Em busca do pensamento livre.

Domingo, 12.02.17

 

 

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Contactei a primeira vez com a formulação em título nos conselhos, sensatos para aquele contexto, diga-se, para sobreviver nos comandos: não te distingas, sê discreto e passa o mais possível despercebido. Vem isto a propósito dos especialistas que aconselham a enésima reforma de sentido único do estado social e para a conversão à absolutização da estatística.

A sugestão para o tempo militar não subscreveu os modelos do tipo BPN ou BES. Nem as instâncias internacionais de supervisão detectaram milhares de milhões em fuga porque só tiveram olhos para a média; para o homem médio.

Para Quételet "(...)o homem médio é para a nação o que o centro gravidade é para um corpo(...)". Há quem entenda que se deve levar muito a sério esta metáfora. O homem médio pode resumir todas as forças vivas de um país, coligando-as numa espécie de massa única.

Os modelos assentes na obstinação estatística, e que socorreram a troika, advogam uma excelência da média como tal, seja na ordem do bem ou do belo: "(...)O mais belo dos rostos é aquele que se obtém ao tomar a média dos traços da totalidade de uma população, do mesmo modo que a conduta mais sábia é aquela que melhor se aproxima do conjunto de comportamentos do homem médio(...)", disse ainda Quételet quando reflectia sobre a génese dos totalitarismos. Ou seja, é fundamental que as políticas olhem mesmo para além da média antes que esta se desloque para o extremo de mais baixos rendimentos.



publicado por paulo prudêncio às 22:22 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 28.05.16

 

 

Como é que diz que se disse?

 

Nem mais.

 

E acrescento o comentário inserido neste post pelo Rui Farpas de Mascarenhas:

 

"Ai as estatísticas! Então as de “felicidade”… Mas embarcando no jogo delas, também se poderá dizer que elas “confirmam” que o paradigma escolar vigente está esgotado, mas (ainda) funciona graças aos professores e à sua dedicação e entrega."



publicado por paulo prudêncio às 19:01 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 28.10.14

 

 

... e não é porque a OCDE veio dizer que temos professores e polícias a mais. Até a ministra das finanças já afirmou que os dados estão desactualizados.

 

O que se percebe é que a maioria desses relatórios, e salvo melhor opinião, servem para alimentar tecnocratas que estão a milhas, a quilómetros, das escolas, mas que têm que fazer os seus estudos.

 

Até se aceitam regressões lineares múltiplas desde que tenham a coragem de publicar as conclusões que nada concluem, e passe a redundância. Se a variável independente não é influenciada pelas dependentes escolhidas, que o digam e que não inventem conclusões de sentido único e ultraliberal. E vamos lá, também temos de gramar umas coisas assim de quando em vez para que o desemprego não seja praga também aí.

 

E há sempre a hipótese do Governo justificar porque é que à entrada de Novembro ainda não conseguiu colocar os professores. Francamente: nunca vi tanta incompetência em simultâneo.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 19:37 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 23.10.14

 

 

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Contactei, que me lembre, claro, a primeira vez com a formulação em título nos conselhos que recebi para viver no serviço militar: não te distingas, sê discreto e passa o mais possível despercebido.

 

Vem isto a propósito do Governo, do recurso aos especialistas da troika para a enésima reforma de sentido único do estado social e para a conversão veneradora à absolutização da estatística. Só têm alguma atenuante se recorreram a Maquiavel. 

 

A sugestão para o tempo militar subscreve os modelos vigentes que não encontram espaço para as fraudes, que nos arruinaram, do tipo BPN ou BES. Nem as instâncias internacionais, e de supervisão mundial, detectam os milhares de milhões em fuga e só têm olhos para a média.

 

Para Quételet "(...)o homem médio é para a nação o que o centro gravidade é para um corpo(...)". Há quem entenda que se deve levar muito a sério esta metáfora.

 

O homem médio pode resumir todas as forças vivas de um país, coligando-as numa espécie de massa única.

 

Os modelos assentes na obstinação estatística, e que socorreram a troika e os tecnopolíticos como Gaspar, advogam uma excelência da média como tal, seja na ordem do bem ou do belo: "(...)O mais belo dos rostos é aquele que se obtém ao tomar a média dos traços da totalidade de uma população, do mesmo modo que a conduta mais sábia é aquela que melhor se aproxima do conjunto de comportamentos do homem médio(...)", disse ainda Quételet quando reflectia sobre a génese dos totalitarismos.

 

 

 

 



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Terça-feira, 16.09.14

 

 

 

 

Há, pelo menos desde a década de setenta do século passado, literatura docimológica que aborda a transferência entre escalas na avaliação escolar.

 

Os conhecidos Viviane e Gilbert Landsheere introduziam conceitos de estatística elementar para fundamentarem os cuidados nessas transferências.

 

Por exemplo, a escala de 1 a 5 tem a média a meio do 3 (o 3 é o primeiro patamar da positiva escolar, digamos assim), enquanto que a escala de 0 a 20 tem o mesmo patamar no 10 ou a de 0 a 100 no 50. Numa transferência da escala de o a 20 para a de 1 a 5, o 10 não corresponde linearmente ao 3, uma vez que existem valores inferiores ao "meio do 3" que seriam positivos na avaliação escolar considerando a estatística elementar.

 

Apresentei um pequeno exemplo que é tido em conta com todos os cuidados pelos sistemas escolares há cerca de 50 anos.

 

E não é que um MEC, que enche o discurso de atestados de incompetência, principalmente em aritmética, aos seus professores e em pleno 2014, consegue pegar em duas escalas (de 0 a 20 e de 0 a 100), somar a classificação que um individuo obtém em cada uma delas, dividir por dois e achar que, assim, o produto corresponde a um peso de 50% em cada uma das classificações.

 

 

 

 



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Quinta-feira, 31.07.14

 

 

 

 

 

 

Que me lembre, contactei a primeira vez com a formulação em título nos conselhos que recebi para viver bem no serviço militar: não te distingas, sê discreto e passa o mais possível despercebido.

 

Vem isto a propósito do Governo que ainda temos, do inclassificável (só têm alguma atenuante se recorreram a Maquiavel) recurso aos especialistas da troika para a enésima reforma de sentido único do estado social e para a conversão veneradora à absolutização da estatística. A sugestão para o bom tempo militar subscreve os modelos vigentes que não encontram espaço para as fraudes do tipo BPN e que nos arruinaram. Nem as instâncias internacionais, e de supervisão mundial, detectam os milhares de milhões em fuga e só têm olhos para a média.

 

Para Quételet "(...)o homem médio é para a nação o que o centro gravidade é para um corpo(...)". Há quem entenda que se deve levar muito a sério esta metáfora.

 

O homem médio pode resumir todas as forças vivas de um país, coligando-as numa espécie de massa única. Os modelos assentes na obstinação estatística, e que socorrem a troika e ao que parece os tecnopolíticos como o ministro das finanças, advogam uma excelência da média como tal, seja na ordem do bem ou do belo: "(...)O mais belo dos rostos é aquele que se obtém ao tomar a média dos traços da totalidade de uma população, do mesmo modo que a conduta mais sábia é aquela que melhor se aproxima do conjunto de comportamentos do homem médio(...)", disse ainda Quételet quando reflectia sobre a génese dos totalitarismos.

 

 

 

 

1ª edição em 1 de Novembro de 2012

 

 



publicado por paulo prudêncio às 13:19 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Sexta-feira, 28.02.14

 

 

 

 

Estou a ver o expresso da meia-noite na SICN onde se faz um rescaldo do congresso do PSD. A jornalista (?) Maria João Avillez faz uma defesa acérrima do Governo e resolveu apresentar dados sobre pessoas. Disse-o assim para enaltecer as preocupações humanistas do seu governo. Foi taxativa: "o consumo de automóveis subiu 12% em 2013, o que significa que 12% de pessoas se sentiram em condições de comprar um automóvel novo". Esta inenarrável conclusão estatística deve ser influenciada pelas aprendizagens com o livro sobre Gaspar (o premiado pela relação entre os erros em excel e o empobrecimento inapelável de populações pouco numerosas e com excesso de automóveis).

 

Para compensar, aconselho a crónica de Pedro Xavier Mendonça, no expresso online, "O automóvel como centro do mundo".

 

 

"O automóvel é todo um mundo. Não só cria uma cultura e uma economia, como novos códigos de ação e mais aprofundadas esferas ocultas. Passo a explicar.

Cria uma cultura porque surge no centro das cidades. Alarga o espaço urbano para nele melhor caber, como parecia prever o Marquês de Pombal. É ícone do progresso industrial e da liberdade individual, basta ver a América. Mostra diferenças sociais e conquistas pessoais - "o meu carro é melhor do que o teu". Concentra nos seus diferentes tipos e acrescentos um elogio à tecnologia como poder, performance e estilo, como é exemplo a subcultura tuning.(...)"

 

 

 



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Segunda-feira, 30.12.13

 

 

 

 

 

 

Que me lembre, contactei a primeira vez com a formulação em título nos conselhos que recebi para viver bem no serviço militar: não te distingas, sê discreto; passa o mais possível despercebido.

 

Vem isto a propósito do Governo que ainda temos, do recurso aos especialistas da troika imposto pela actual maioria, para a enésima delapidação de sentido único do estado social e para a conversão veneradora à absolutização da estatística. A sugestão para "viver bem no serviço militar" subscreve os modelos vigentes que não encontram espaço para a denuncia consequente das fraudes do tipo BPN que nos arruinaram. Nem as instâncias internacionais, e de supervisão mundial, "detectam" os milhares de milhões em fuga e só têm olhos para as médias populacionais (o pico descrito por Gauss); mesmo que se prove que o pico financeiro está cada vez mais longe do pico populacional.

 

Para Quételet "(...)o homem médio é para a nação o que o centro gravidade é para um corpo(...)". Há quem entenda que se deve levar muito a sério esta metáfora.

 

O homem médio pode resumir todas as forças vivas de um país, coligando-as numa espécie de massa única. Os modelos assentes na obstinação estatística, e que socorrem a troika e os tecnopolíticos como o ex-ministro Gaspar, advogam uma excelência da média como tal: "(...)O mais belo dos rostos é aquele que se obtém ao tomar a média dos traços da totalidade de uma população, do mesmo modo que a conduta mais sábia é aquela que melhor se aproxima do conjunto de comportamentos do homem médio(...)", disse ainda Quételet quando reflectia sobre a génese dos totalitarismos.

 

 

 

 

Já usei parte deste texto noutro post.

 


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Segunda-feira, 11.11.13

 

 

 

A patologia da medição está a eliminar a cultura humanista associada ao ensino. Há várias explicações para o fenómeno e podemos evidenciar umas quantas: os decisores macro estão viciados em indicadores quantitativos, perderam a noção de ser humano e alimentam-se de dados que não se comovem com a qualidade das relações; a promoção da desconfiança entre as pessoas é arma principal do inferno da medição.

 

Se foi a corrupção ao estilo americano que nos empurrou para onde estamos, como disse Joseph Stiglitz, também é proveniente do mesmo sítio a paranóia quantitativa e actual que quer controlar as populações em benefício de quem vive em ambiente desregulado.


A estatística pode ser lida assim:


"(...)Em poucos anos, ela consegue essa coisa extraordinária: dar uma identidade colectiva a uma massa de consumidores-prestatários, por natureza pouco inclinada à solidariedade e tão obstinada quanto o pode ser uma barcaça carregada de preconceitos. Ela aparece sempre, portanto, como fragilizada, oscilando entre o securitário e o humanitário, e sempre ameaçada pela implosão ou a desagregação. A elite consensual percebeu bem que esta fragilidade podia, por meio da trucagem do homem médio, transformar-se numa prodigiosa força de coagulação. É esse o segredo da estabilidade da famosa maioria silenciosa: as gerações e os inimigos passam, mas as maiorias silenciosas permanecem, fiéis reservatórios do conservadorismo sempre mobilizáveis por uma causa justa.(...)" Gilles Châtelet (1998:84)



1ª edição em  2 de Setembro de 2012



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Sábado, 09.11.13

 

 

 

 

 

 

"Os rankings apenas mostram a qualidade dos alunos que fazem os exames e não nos permitem inferir se a escola trabalha bem ou mal" é a óbvia conclusão de dois investigadores e o destaque do Público online sobre os rankings 2013.

 

Sempre foi evidente que ao neoliberalismo vigente interessava lançar para a opinião pública rankings de resultados de exames a coberto de uma qualquer primazia dos estudos empíricos.

 

Sabemos, há muito, que há mais vida para além disso.

 

Conheço conclusões semelhantes às destes investigadores datadas das décadas de 50 e 60 do século passado. Michael Scriven, Daniel Stufflebeam, Gilbert e Viviane Landsheere e alguns outros concluíram nesse sentido e sem qualquer desprezo pelos estudos empíricos. Aliás, os investigadores ouvidos pelo Público sublinharam outro aspecto óbvio: são muito difíceis os estudos empíricos credíveis e mais ainda em Educação.

 

Uma prática que caiu em desuso neste domínio, foram as análises de conteúdo a entrevistas realizadas aos denominados "experts" (com vastos conhecimentos do terreno). Foi pena. É preciso recuperar esse tipo de estudos. Por exemplo, e vou usar pessoas de uma área política em que jamais me situarei, confio muito mais numa análise de conteúdo a uma entrevista a Adriano Moreira do que numa regressão linear múltipla a um modelo de Vítor Gaspar.

 

Deve ser por isso que não se conhece qualquer "expert" (no sentido dos fundamentos teóricos e da vasta experiência e não no sentido jocoso em voga) em Educação a defender as políticas que são perseguidas em Portugal desde 2005 (até desde 2003) e que se acentuaram de forma trágica a partir de 2011.

 

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 28.08.13

 

 

 

 

 

Os relatórios produzidos com números governamentais têm dados deturpados. Claro que interessa apurar a origem da mentira. Do célebre relatório FMI, o passa culpas está entre o Governo e o próprio FMI. É risível esta troca, uma vez que o Governo orgulhava-se de influenciar o FMI com os seus dados, os seus ministros e os seus inúmeros assessores. Há também alguma oposição aos berros, embora, e nalguns casos, um bocado tardios. Normalmente esperam que o mal esteja quase todo feito para beneficiarem de algum estado de graça se o poder lhes cair no colo.

 

Na Educação passou-se a mesma falsificação de dados e foram denunciados de imediato pelos bloggers. O MEC é vezeiro nestas trapalhadas (para sermos brandos) que têm sempre uma característica com escola nos denominados hipermercados: os confessados enganos são sempre em desfavor dos clientes. Tanto chico-espertismo também enjoa.

 



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Terça-feira, 20.08.13

 

 

 

 

Como se constata pensando um bocado, o decréscimo de 1% dos alunos do ensino básico será mais influenciado pela emigração do que pela natalidade. Mas este decréscimo não justifica a redução de cerca de 10% no número de professores no mesmo período, com incidência na inadmissível condição dos professores contratados. É até sei lá o quê que o ano lectivo se volte a iniciar com um elevado número de alunos por turma associado à redução da carga lectiva dos alunos. Ou seja: reduzimos a quantidade e a qualidade.

 

 

Como sempre se disse, haverá um aumento do número de alunos no 3º ciclo e no ensino secundário.

 

 

 



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Quinta-feira, 16.05.13

 

 

 

 

Não temos excesso de professores e já só mesmo por fanatismo ideológico se pode afirmar o contrário.

 

A relação entre a natalidade e o número de matrículas também tem sido objecto de manipulação por parte dos defensores do Estado mínimo.

 

Primeira e óbvio conclusão: se em 2103 nascerem muito menos crianças, esse decréscimo só influenciará os números do 1º ciclo em 2019 e, ainda como exemplo, os do ensino secundário em 2028.

 

O Gráfico que se segue, sobre a taxa bruta de natalidade evidencia uma forte quebra de 1970 a 1990. De 1990 a 2010 existiu uma ligeira descida (com oscilações, por exemplo em 2010 a taxa é superior a 2009) que poderá ou não ser contrariada, embora os fluxos migratórios (são imensos os que saem e quase ninguém entra) e o empobrecimento indiciem uma tendência negativa.

 

 

 

 

Se olharmos para os números da frequência de alunos neste milénio, verificamos que as matrículas sobem em todos os ciclos com excepção do 1º.

 

Se considerarmos os pressupostos já enunciados e se nos lembrarmos que a taxa de natalidade foi sempre subindo na segunda metade da última década do milénio passado, concluímos que as diferenças são pouco relevantes e que estão muito longe da anunciada redução de 200 mil matrículas.

 

 

 

 Na tabela que se segue com a frequência do pré-escolar neste milénio, verificamos o número mais elevado em 2011.

 

Na tabela seguinte com a frequência de todos os ciclos (omiti o secundário porque tem sido detalhado noutros posts), quem quiser relacionar as matrículas com a taxa de natalidade, verificará várias incoerências: por exemplo, nem sempre os anos de subida da taxa implicam mais frequência uns anos depois.

 

 

O gráfico seguinte indica a frequência em todo o sistema esscolar.

Se olharmos para os últimos 10 anos, verifiicamos tantas subidas como descidas.

 



publicado por paulo prudêncio às 18:26 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Quarta-feira, 17.04.13

 

 



Quem passa pelo blogue há mais tempo sabe que considero o conjunto de poderosas aplicações do Microsoft Office (pode ler os posts neste etiqueta) como inaptas para a gestão de informação em redes, seja numa escola ou noutra instituição. Advogo até a proibição.

 

O que não imaginava é que o FMI baseava as decisões que influenciam a vida milhões de pessoas no Excel. Bem sei que há decisores como o presidente do Eurogrupo (que está em sintonia com o FMI e com as políticas austeritaristas) que declaram mestrados falsos, mas numa Faculdade de Economia portuguesa os alunos já fazem a parte empírica dos mestrados com o SPSS. Pelo que se percebe, na celebrada Harvard produzem-se altos estudos mundiais estatísticos em Excel.

 

Mas a tragicomédia baseia-se num bug do excel que está a fazer correr muita tinta (pode ler aqui o arstechnica onde recolhi a imagem ou o JN). Há um erro na fórmula que sustenta as políticas de austeridade que têm arruinado as economias. O assunto é mesmo grave.

 

Como se vê na imagem, a fórmula para calcular a média inclui as linhas 30 a 49 da coluna L, mas a operação só considera as linhas 30 a 44. O que faz toda a diferença e nos leva a imaginar a competência das restantes decisões.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:52 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Quinta-feira, 14.02.13

 

 

 

 

 

Pede-me o Ricardo Santos, e peço desculpa pelo atraso, que comente as visitas provenientes do facebook. Há já alguns meses que uso apenas o Apollofind Web Counter como contador de visitas e páginas vistas. Fiz uma captura de écran na altura, 30 de Janeiro de 2013, e outra a 12 de Fevereiro de 2013. São dias com audiências diferentes, uma vez que a segunda corresponde a um semana de férias e a um dia que é uma espécie de feriado.

 

Como se pode ver nos quadros, a ampla maioria é proveniente dos favoritos de cada utilizador. Seguem-se as que chegam através do google e depois as indicadas por blogues de referência na área da Educação. Só depois aparece o facebook e com números significativamente mais baixos. Mesmo as visitas provenientes dos sites dos órgãos de comunicação social mais conhecidos são residuais.

 

Tudo isto vale o que vale e cada blogue tem a sua história. Não uso a actualização automática do sapo para lançar os posts no facebook. Faço-o manualmente para alguns posts e nesta fase para uma página dedicada ao blogue que foi crida depois da captura do primeiro quadro. Deve ainda considerar-se a possibilidade dos leitores que lêem os posts no facebook e não entram no blogue.

 

 

30 de Janeiro de 2013

 

 

 

 

12 de Fevereiro de 2013

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 11:08 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sexta-feira, 16.11.12

 

 

 

 

Gráfico obtido no blogue do Arlindo Ferreira.

 

 Gráfico obtido no Pordata.

 

As palavras estão gastas e cansa o retorno (eterno ou efémero?) de Nuno Crato à relação entre a natalidade e o número de professores, omitindo sempre os achamentos essenciais, a estrutura curricular, a número de alunos por turma e a gestão escolar (sobre este último e decisivo assunto nem se sabe o que pensa).

 

Se cruzarmos os dados dos dois gráficos (é interessante fazer esse exercício), vemos que a natalidade desceu para cerca de metade de 1970 a 1990 (de 20,8 para 11,7), que de 1990 a 2010 teve uma ligeira quebra (de 11,7 para 9,2) e ninguém garante (a não ser o empobrecimento e o estímulo emigratório) que a curva não continue estável (o contrário levaria ao nosso desaparecimento e nem valia a pena estarmos com coisas).

 

Por outro lado, neste milénio o número de matrículas no 1º ano de escolaridade atingiu um pico em 2006 e só agora é que esses alunos chegam ao 2º ciclo. Ou seja, nos próximos sete a oito anos vamos necessitar de professores como nunca nos 2º e 3º ciclos e no ensino secundário e mais ainda se conseguirmos que cerca de metade dos alunos não abandonem a escolaridade no 10º ano. Ainda a partir deste gráfico concluímos que em 2016 precisaremos do mesmo número de professores que tínhamos em 2007 porque os alunos matriculados em 2010 eram em número semelhante a 2001.

 

Mas Nuno Crato está investido como secretário das finanças. Querem ver que depois de equacionar que os alunos do 3º ciclo passem para o politécnico também foi inspirado na passagem de alunos do final do 1º ciclo para o ensino profissional, digo dual, digo vocacional.

 

Aconselho a leitura de um post que escrevi num momento também fastidioso sobre este assunto.

 

Educação: Ministro admite mais saídas de professores

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 20:36 | link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Terça-feira, 26.06.12

 

 

 

A agenda mediática tem estado, ao que parece, preocupada com a fuga de professores do quadro do ensino não superior nos últimos anos. Foram mais de 23000 os que se reformaram sem serem substituídos e a grande maioria com fortes, e brutalmente injustas, penalizações.

 

Tudo começou em 2006 com a eliminação, sem qualquer constestação, da maioria das reduções da componente lectiva para o exercício de cargos. Percebeu-se, desde logo, que o sistema ficaria com menos 7000 professores e Maria de Lurdes Rodrigues tornou-se uma estrela macro e com carta branca para o disparate; santa, e macro, ignorância. Como é que uma decisão tão basal terá convencido tanto especialista em alta finança? É fácil. Basta olharmos para a blindagem dos contratos PPP e percebe-se de imediato. É tudo da mesma família.

 

Seguiu-se o monstro kafkiano. Professores titulares, avaliação do desempenho desmiolada e um rol de inutilidades e de má burocracia a preencherem a componente não lectiva dos professores e a darem razão aos que equiparam os professores portugueses aos escolhidos de outras guerras.

 

A saga continua e o desconhecimento macro vai fazendo escola embevecido com indicadores que podiam ser atingidos com as pessoas mobilizadas e em regime cooperativo. Mas já se sabe: estamos virados para o Atlântico e os nossos "especialistas" em gestão acham que só podem trabalhar com os "melhores" e que os outros, que nunca são eles, acabarão por optar pelo mergulho definitivo no referido oceano.

 

Em três anos há menos 23 mil professores no quadro, mas a contrato são mais 20 mil



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Terça-feira, 01.03.11

 

 

O desemprego tem graves repercussões. É um flagelo. Não gosto de ironizar com as desgraças, mas o antigo secretário de estado da Educação, Valter Lemos, foi nomeado para a pasta do emprego e logo prometeu uma baixa do desemprego. Repetiu a promessas várias vezes e os números contrariam-no sempre. Os menos atentos às questões da Educação, não imaginam o frenesi da propaganda quando este senhor por lá andou. Há quem diga que continua a conduzir certas matérias.

 

Desemprego com novo recorde de 11,2 por cento

 



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Sexta-feira, 03.12.10

 

 

Aqui.



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Domingo, 13.06.10

 

Foi daqui

 

 

 

Nem vou discutir neste post a bondade das turmas de currículos alternativos ou dos cursos de educação e formação (CEF). Depois de anos com avanços e recuos nestas matérias, os ME´s de David Justino e de Maria de Lurdes Rodrigues avançaram a todo o vapor com a ideia. Os números de 2009 são claros: cerca de 10% dos alunos do 3º ciclo frequentam CEF - mais de 40 mil - e 36% dos do secundário estão nos cursos profissionais. Sabe-se que no 3ºciclo a taxa de insucesso baixou exactamente cerca de 10%. Em Portugal, a frequência CEF é para alunos com fraco rendimento escolar e baixa as taxas de insucesso no ensino regular e ponto final. A jornalista Clara Viana do Público, aqui, tem hoje um peça muito interessante sobre o assunto.

 

Foi exactamente por causa da manipulação dos números que comecei a escrever no blogue sobre o sistema escolar puro e duro. O correntes começou em 25 de Abril de 2004. Terminava um mergulho de quase catorze anos em gestão escolar (nove no nível micro e cinco no meso). Tinha-me prometido que o blogue seria principalmente para outras coisas. Deixei a gestão democrática de Santo Onofre em 2005 e passado um ano e pico já estava de novo metido num turbilhão informativo. Principalmente por culpa da manipulação de números, repito, mas também para combater um pacote neoliberal de políticas como não havia memória na história dos sistemas escolares conhecidos.

 

Em 2007, como pode ler aqui, detectei um verdadeiro desplante da então ministra: o sucesso nos exames do 12º ano a Matemática devia-se às aulas de substituição. Ora, se essas aulas decorriam apenas no 3º ciclo, assim como o plano de Matemática, era um absurdo - desde logo, os alunos do 12º ano tinham frequentado o 3º ciclo há pelo menos 3 anos - considerar esta argumentação. Percebi imediatamente que a carga manipuladora se destinava ao lumpen, e a exemplo de outras matérias, e para servir a agenda política que já referi. Fiquei aterrado.

 

Mas mais: também se dizia que a taxa de insucesso no 3º ciclo diminuía por causa das aulas de substituição e ocultava-se a maior enchente CEF que a história registou. A indignação tomou conta das minhas teclas e só parará se um dia regressar a sensatez, a verdade (sim, a verdade - e não me venham com a ladainha de que há mais do que uma verdade que sei disso muito bem: refiro-me ao contrário da mentira e à busca da coerência mínima, que raio -) e o sentido de estado.



publicado por paulo prudêncio às 17:19 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 24.02.10

 

 

Uma base de dados de grande utilidade: o Pordata.pt, aqui.



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Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
Discordâncias:
Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
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