Em busca do pensamento livre.

Sexta-feira, 24.02.17

 

 

 

"Esquerda e direita acusam-se: quem fez pior à escola pública", num debate, no parlamento, em plena sexta-feira de carnaval. Então não era quem fez melhor à escola pública? É que ainda noutro dia (10 de Fevereiro de 2017), os ministros da Educação pós-2003 aparecerem, alinhados, a reivindicar os resultados PISA e foram agora desmentidos pelos deputados.

"Como se sabe, os resultados dos alunos melhoram em proporcionalidade directa com os aumentos da escolarização da sociedade e do número de pessoas da classe média (ou da redução de pobres), num processo que exige tempo". Como há tempos também escrevi (e isto de citar-me), "mesmo que as principais políticas educativas dos diversos governos tenham sido inaplicáveis, inexequíveis, com radicalismo ideológico, contraditórias ou incoerentes, a ambição escolar das famílias, associada à capacidade dos professores na adaptação das aulas aos alunos (os professores portugueses são os melhores da OCDE neste requisito), assegura o progresso dos resultados." Os deputados "confirmam" o óbvio. Desejamos que terminem de vez as malfeitorias e que, no mínimo, as escolas recuperem o ambiente democrático, de resultados comprovados, que se vivia na mudança de milénio. O debate deu sinais nesse sentido.

 

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Segunda-feira, 02.05.16

 

 

 

O tema está, há muito, impregnado de jogos de sombras. "Metade das escolas públicas desapareceram na última década, mas aumentaram em 10% os colégios dos privados", noticiou o Expresso com dados do CNE. Os aparelhos partidários apoderaram-se do orçamento de Estado e desbarataram um período de intensos fundos estruturais. Há duplicação de despesa, privatização de lucros e precarização de profissionais. Prevaleceu, na decisão política central e local, a lógica da "clientela". É uma nódoa no Estado de direito. Estão em causa interesses de alunos e de quem os educa (mesmo que ignorem que lhes diz respeito) e de profissionais do público e do "privado". É imperativo que em cada concelho se apurem números não coreografados. Quando, em 2005, nasceram colégios ilegais como cogumelos, as escolas públicas tinham cargas curriculares muito superiores ao que existe desde 2011. Têm agora mais capacidade para a frequência de turmas. Associando outras variáveis, e decidindo em tempo útil como sempre se disse, era possível encontrar soluções que minimizassem tantos danos nos profissionais como tem acontecido com os professores das escolas públicas (milhares deslocados com horário zero e mais de 20 mil contratados desempregados em virtude da acção destes "privados").

 

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Quarta-feira, 27.04.16

 

 

 

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O texto de John Searle que se encontra no livro "Mente, Cérebro e Ciência" pode ajudar a explicar o desinvestimento (que também se expressa nas inutilidades que o poder central exporta incessantemente) na escola pública em Portugal.

Fica-se com a ideia que os sucessivos governantes não conhecem a semântica que envolve as escolas portuguesas: ficam, quando muito, pela sintaxe.

Ora leia. 


"A razão por que nenhum programa de computador pode alguma vez ser uma mente é simplesmente porque um programa de computador é apenas sintáctico, e as mentes são mais do que sintácticas. As mentes são semânticas, no sentido de que possuem mais do que uma estrutura formal, têm um conteúdo.
Para ilustrar este ponto, concebi uma certa experiência intelectual. Imaginemos que um grupo de programadores de computador escreveu um programa que capacitará um computador para simular a compreensão do chinês. Assim, por exemplo, se ao computador se puser uma questão em chinês, ele conferirá a questão com a sua memória ou a base de dados e produzirá respostas apropriadas para as perguntas em chinês. Suponhamos, em vista da discussão, que as respostas do computador são tão boas como as de um falante chinês nativo. Ora bem, entenderá o computador, nesta base, o chinês tal como os falantes chineses entendem o chinês? Bem, imaginemos que alguém está fechado num quarto e que neste quarto há vários cestos cheios de símbolos chineses. Imaginemos que alguém, como eu, não compreende uma palavra de chinês, mas que lhe é fornecido um livro de regras em português para manipular os símbolos chineses. As regras especificam as manipulações dos símbolos de um modo puramente formal em termos da sua sintaxe e não da sua semântica. Assim a regra poderá dizer: «Tire do cesto número 1 um símbolo esticado e ponha o junto de um símbolo encolhido do cesto número 2.» Suponhamos agora que alguns outros símbolos chineses são introduzidos no quarto e que esse alguém recebe mais regras para passar símbolos chineses para o exterior do quarto. Suponhamos que, sem ele saber, os símbolos introduzidos no quarto se chamam «perguntas» feitas pelas pessoas que se encontram fora do quarto e que os símbolos mandados para fora do quarto se chamam «respostas às perguntas». Suponhamos, além disso, que os programadores são tão bons a escrever programas e que alguém é igualmente tão bom em manipular os símbolos que muito depressa as suas respostas são indistinguíveis das de um falante chinês nativo. Lá está ele fechado no quarto manipulando os símbolos chineses e passando cá para fora símbolos chineses em resposta aos símbolos chineses que são introduzidos. [...].
Ora, o cerne da história, é apenas este: em virtude da realização de um programa formal de computador, do ponto de vista de um observador externo, esse alguém comporta se exactamente como se entendesse chinês, mas de qualquer modo não compreende uma só palavra de chinês. [...] Repetindo, um computador tem uma sintaxe, mas não uma semântica. Tudo o que a parábola do quarto chinês pretende é lembrar um facto que já conhecíamos. Entender uma língua ou, sem dúvida, ter estados mentais, implica mais do que a simples posse de um feixe de símbolos formais. Implica ter uma compreensão ou um significado associado a esses símbolos. (John Searle, Minds, Brains and Science, Cambridge [Mass.], Harvard University Press, 1984, pp.31-33; Mente, Cérebro e Ciência, trad.port., Lisboa, Ed.70, 1987, pp.39-41).



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Quarta-feira, 17.02.16

 

 

 

 

"Colégios defendem financiamento em zonas com escolas públicas", disse hoje o Público no dia em que as escolas das cooperativas de ensino foram ouvidas no parlamento. Este assunto está impregnado de coreografias e exige atenção aos detalhes. O que é irrefutável é que "metade das escolas públicas desapareceram na última década, mas aumentaram em 10% os colégios dos privados", noticiou o Expresso com dados do CNE. Não adianta tergiversar: a rede pública de escolas precisava de passar da "massificação" à "democratização", mas interesses ditos privados, associados aos grandes aparelhos partidários, capturaram o orçamento de Estado e desperdiçaram um período de intensos fundos estruturais. O que prevaleceu na decisão política central e local foi a lógica da "clientela". Quando mais tarde se resolver este problema, pior.  É, realmente, imperdoável.

 

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Sábado, 26.12.15

 

 

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O texto de John Searle que pode ler mais abaixo, e que se encontra no livro "Mente, Cérebro e Ciência", ajuda a explicar o desinvestimento (que também se expressa nas inutilidades que o poder central exporta incessantemente) na escola pública em Portugal.

 

Fica-se com a certeza que os sucessivos "habitantes" do MEC não conhecem a semântica que envolve as escolas portuguesas: ficam, quando muito, pela sintaxe.

 

"A razão por que nenhum programa de computador pode alguma vez ser uma mente é simplesmente porque um programa de computador é apenas sintáctico, e as mentes são mais do que sintácticas. As mentes são semânticas, no sentido de que possuem mais do que uma estrutura formal, têm um conteúdo.

Para ilustrar este ponto, concebi uma certa experiência intelectual. Imaginemos que um grupo de programadores de computador escreveu um programa que capacitará um computador para simular a compreensão do chinês. Assim, por exemplo, se ao computador se puser uma questão em chinês, ele conferirá a questão com a sua memória ou a base de dados e produzirá respostas apropriadas para as perguntas em chinês. Suponhamos, em vista da discussão, que as respostas do computador são tão boas como as de um falante chinês nativo. Ora bem, entenderá o computador, nesta base, o chinês tal como os falantes chineses entendem o chinês? Bem, imaginemos que alguém está fechado num quarto e que neste quarto há vários cestos cheios de símbolos chineses. Imaginemos que alguém, como eu, não compreende uma palavra de chinês, mas que lhe é fornecido um livro de regras em português para manipular os símbolos chineses. As regras especificam as manipulações dos símbolos de um modo puramente formal em termos da sua sintaxe e não da sua semântica. Assim a regra poderá dizer: «Tire do cesto número 1 um símbolo esticado e ponha o junto de um símbolo encolhido do cesto número 2.» Suponhamos agora que alguns outros símbolos chineses são introduzidos no quarto e que esse alguém recebe mais regras para passar símbolos chineses para o exterior do quarto. Suponhamos que, sem ele saber, os símbolos introduzidos no quarto se chamam «perguntas» feitas pelas pessoas que se encontram fora do quarto e que os símbolos mandados para fora do quarto se chamam «respostas às perguntas». Suponhamos, além disso, que os programadores são tão bons a escrever programas e que alguém é igualmente tão bom em manipular os símbolos que muito depressa as suas respostas são indistinguíveis das de um falante chinês nativo. Lá está ele fechado no quarto manipulando os símbolos chineses e passando cá para fora símbolos chineses em resposta aos símbolos chineses que são introduzidos. [...].

Ora, o cerne da história, é apenas este: em virtude da realização de um programa formal de computador, do ponto de vista de um observador externo, esse alguém comporta se exactamente como se entendesse chinês, mas de qualquer modo não compreende uma só palavra de chinês. [...] Repetindo, um computador tem uma sintaxe, mas não uma semântica. Tudo o que a parábola do quarto chinês pretende é lembrar um facto que já conhecíamos. Entender uma língua ou, sem dúvida, ter estados mentais, implica mais do que a simples posse de um feixe de símbolos formais. Implica ter uma compreensão ou um significado associado a esses símbolos. (John Searle, Minds, Brains and Science, Cambridge [Mass.], Harvard University Press, 1984, pp.31-33; Mente, Cérebro e Ciência, trad.port., Lisboa, Ed.70, 1987, pp.39-41).



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Sábado, 17.10.15

 

 

 

 

"Metade das escolas públicas desapareceram na última década, mas aumentaram em 10% os colégios dos privados", diz o Expresso com dados do CNE. Não adianta tergiversar: a rede pública de escolas precisava de passar da "massificação" à "democratização", mas interesses ditos privados (encostados-ao-Estado), associados aos grandes aparelhos partidários, capturaram o orçamento de Estado e desperdiçaram um período de intensos fundos estruturais. É, realmente, imperdoável.



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Quinta-feira, 03.09.15

 

 

 

O Governo entrou em pânico com a possibilidade de se repetir, desta vez em plena campanha eleitoral, o caos do ano passado com as colocações de professores. Atrasou o início das aulas e financiou empresas externas para "tratarem" dos concursos. Mesmo assim, assistimos a um "mais do mesmo com umas nuances de desconcentração" e veremos o que se passará nos próximos dias ou semanas. Francamente: tanta trapalhada dá alguma razão aos que dizem que há a intenção de destruir ainda mais a imagem da escola pública. O público, o público da liberdade de escolha, dirá: aquilo é sempre a mesma confusão. Será que essa agenda se sobrepõe aos votos?

 

Bem sei que o plano inclinado do sistema escolar já tem uma década e que as pessoas estão cansadas e divididas. Mas nunca li que a defesa da escola pública, e da igualdade de oportunidades, era uma causa fácil e de aquisição definitiva; pelo contrário. Para além disso, estes professores contratados, e os actuais alunos, não devem carregar sozinhos com a história porque os restantes actores se desiludiram. É uma boa altura para sublinhar duas frases célebres: "Tudo o que é sólido se dissolve no ar" e "há o dever de repetir o óbvio".

 

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Quinta-feira, 09.04.15

 

 

 

 

Só num país que despreza o seu sistema escolar é que um ministro se atreve a terraplenar (Crato nem testou, tal o grau de inflamação) décadas de serviço público sem que haja um qualquer "calma aí" por parte dos poderes democráticos. É que até as opiniões, públicas e publicadas, aplaudiram a sucessão de "reformistas" no que levamos de milénio. Confiar na escola pública? Só confiamos no BES.



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Quarta-feira, 25.03.15

 

 

 

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Chegaram hoje dois livros sobre gestão escolar de que sou autor. Estão na fase de revisão e em breve serão colocados à venda. Terminam assim as suas versões gratuitas em formato ebook ou pdf.

 

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 O "As" está a mais. Terá como título "Razões de uma candidatura".



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Terça-feira, 17.03.15

 

 

 

Pode consultar aqui o projecto de intervenção que acompanhou a minha mais recente candidatura no âmbito da gestão escolar.



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Sexta-feira, 05.12.14

 

 

 

 

Ouvimos, desde a viragem do milénio, o persistente discurso anti-escola pública e anti-professor:

 

"a escola pública entrou em ruptura; os alunos aprendem pouco; as escolas públicas são más ou pioram a cada ano; estamos a ficar para trás nos testes internacionais; as escolas públicas não contribuem para o crescimento económico e começam a colocar em causa a nação; as escolas públicas já não vão lá com meias-medidas; as escolas públicas devem ser fechadas em larga escala e os professores despedidos. Mas mais: o discurso que acabei de escrever foi defendido pela direita e pela esquerda que aspirava a governar, foi defendido pelas "elites" que preenchiam os média mainstream e por aí fora. Quem se atrevesse a defender o contrário era acusado de dar lugar ao status quo."

 

O parágrafo que está em itálico é de Diane Ravitch (com adaptação à sua realidade, obviamente), ex-secretária de Estado na administração do Bush mais crescido, bem à direita, portanto, e pode lê-lo na obra da ex-governante, "Reign of Error: The Hoax of the Privatization Movement and the Danger to America's Public Schools" (qualquer coisa como: o reinado do erro: A farsa do movimento de desestatização e o perigo para as escolas públicas da América). 

 

A direita americana chegou a este ponto depois de sucessivos falhanços com a privatização de escolas, com o cheque-ensino, com os modelos hiperburocráticos de avaliação de professores e por aí fora. Por cá, o guião da reforma do Estado, por exemplo, faria corar de vergonha Diane Ravitch.

 

Argumentemos com pragmatismo: os resultados escolares que o mainstream tanto acusou foram desmentidos pelos estudos internacionais do PISA (Programme for International Student Assessment), do TIMMS (Trends in International Mathematics and Science Study) e do PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study).

 

Custa ver como se continua a omitir estas evidências e a não prestar contas. Espera-se que o próximo ano permita uma verdadeiro contraditório nas políticas educativas de quem aspira mesmo a governar e que a defesa da escola pública não fique apenas "para os que protestam".

 

 

Já usei alguns destes argumentos noutros posts.

 

 

 



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Sexta-feira, 28.11.14

 

 

 

Dúvidas municipais

 

 

 



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Segunda-feira, 22.09.14

 

 

 

Se a taxa de mortalidade infantil é um indicador determinante da qualidade de um sistema de saúde, a percentagem do abandono escolar precoce tem o mesmo efeito na qualidade de um sistema escolar. Em ambos os casos tem que se considerar, naturalmente, o papel incontornável da sociedade.

 

Em 1991, o abandono escolar precoce era de 63% (sim, leu bem). 22 anos depois caiu para 18,9%, numa fase em que os resultados de Portugal nos testes internacionais (PISA, TIMMS, PIRLS) ultrapassaram, grosso modo, países com a Suécia, os Estados Unidos ou a Alemanha. É evidente que o progresso (confirmado no último relatório do CNE), até uma percentagem próxima dos 10% esperada em 2020, ficou comprometida com a chegada ao poder da destruição criadora para além da troika de Coelho&Gaspar&Crato.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Segunda-feira, 01.09.14

 

 

 

Há quase dez anos que os telejornais incluem o "caos" na escola pública. O desprezo pela Educação nos últimos governos do arco governativo empurrou a organização do MEC para o mesmo lugar onde colocou o país.

 

As filas de professores nos centros de emprego a 1 de Setembro, hoje, portanto, eram escusadas. Milhares serão colocados e o atraso deve-se à crescente incompetência do MEC.

 

O programa de rescisões com professores teve uma adesão que duplicou o esperado tal a ideia de "fuga" instalada nos professores. Como o legislador não enunciou critérios de seriação, a confusão está instalada e a mediatização fará o papel habitual

 

A prova de avaliação de professores contratados é um processo coberto de ridículo que envergonha qualquer organização.

 

E podíamos estar a noite toda a elencar incompetências.

 

Tudo isto não é próprio de uma sociedade moderna e os episódios Kafkianos que estão a ocorrer têm origem numa traquitana que vive num caos administrativo e organizacional. É evidente que o fanatismo ideológico deste Governo tem uma elevada cota de responsabilidade e também não é desprezível a queda da Aliança Democrática para o caos nos concursos e para a incomodidade com os fenómenos numéricos. Até pode ser redundante o que vou escrever, mas só me sai uma expressão: mas estas pessoas nunca mais são elevadas para uma qualquer fundação?

 

 



publicado por paulo prudêncio às 21:00 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 22.07.14

 

 

 

 

 

O nivelamento por baixo no sistema escolar é tal, que o "abate de professores" (palavras de Pacheco Pereira) disputa as primeiras páginas com a Ucrânia e com Gaza. Há uma década que é quase diariamente assim.

 

O BES e os 741 mil milhões de euros (sim, 741.000 milhões) da dívida (acrescentar pública é para quem quer enganar o pessoal) já são coisas menores. O país está na bancarrota por causa dos professores.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 04.06.14

 

 

 

 

Recebi por email com pedido de divulgação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Segunda-feira, 03.02.14

 

 

 

 

 

 

 

 

Há muito que o financiamento do sistema escolar merece uma discussão séria. Durante anos, os cortes a eito circunscreveram-se ao ensino não superior que se viu isolado na contestação. Os tempos mudaram. O desinvestimento no ensino acentuou-se. Na interessante entrevista da imagem acima, há um detalhe que dificilmente se ouviria em tempos recentes. Ora leia.

 

 

 

 



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Sexta-feira, 27.12.13

 

 

 

 

 

 

O texto de John Searle que se encontra no livro "Mente, Cérebro e Ciência" pode ajudar a explicar o desinvestimento (que também se expressa nas inutilidades que o poder central exporta incessantemente) na escola pública em Portugal.

 

Fica-se com a certeza que os sucessivos "habitantes" do MEC não conhecem a semântica que envolve as escolas portuguesas: ficam, quando muito, pela sintaxe.

 

Ora leia.

 

 

"A razão por que nenhum programa de computador pode alguma vez ser uma mente é simplesmente porque um programa de computador é apenas sintáctico, e as mentes são mais do que sintácticas. As mentes são semânticas, no sentido de que possuem mais do que uma estrutura formal, têm um conteúdo.

Para ilustrar este ponto, concebi uma certa experiência intelectual. Imaginemos que um grupo de programadores de computador escreveu um programa que capacitará um computador para simular a compreensão do chinês. Assim, por exemplo, se ao computador se puser uma questão em chinês, ele conferirá a questão com a sua memória ou a base de dados e produzirá respostas apropriadas para as perguntas em chinês. Suponhamos, em vista da discussão, que as respostas do computador são tão boas como as de um falante chinês nativo. Ora bem, entenderá o computador, nesta base, o chinês tal como os falantes chineses entendem o chinês? Bem, imaginemos que alguém está fechado num quarto e que neste quarto há vários cestos cheios de símbolos chineses. Imaginemos que alguém, como eu, não compreende uma palavra de chinês, mas que lhe é fornecido um livro de regras em português para manipular os símbolos chineses. As regras especificam as manipulações dos símbolos de um modo puramente formal em termos da sua sintaxe e não da sua semântica. Assim a regra poderá dizer: «Tire do cesto número 1 um símbolo esticado e ponha o junto de um símbolo encolhido do cesto número 2.» Suponhamos agora que alguns outros símbolos chineses são introduzidos no quarto e que esse alguém recebe mais regras para passar símbolos chineses para o exterior do quarto. Suponhamos que, sem ele saber, os símbolos introduzidos no quarto se chamam «perguntas» feitas pelas pessoas que se encontram fora do quarto e que os símbolos mandados para fora do quarto se chamam «respostas às perguntas». Suponhamos, além disso, que os programadores são tão bons a escrever programas e que alguém é igualmente tão bom em manipular os símbolos que muito depressa as suas respostas são indistinguíveis das de um falante chinês nativo. Lá está ele fechado no quarto manipulando os símbolos chineses e passando cá para fora símbolos chineses em resposta aos símbolos chineses que são introduzidos. [...].

Ora, o cerne da história, é apenas este: em virtude da realização de um programa formal de computador, do ponto de vista de um observador externo, esse alguém comporta se exactamente como se entendesse chinês, mas de qualquer modo não compreende uma só palavra de chinês. [...] Repetindo, um computador tem uma sintaxe, mas não uma semântica. Tudo o que a parábola do quarto chinês pretende é lembrar um facto que já conhecíamos. Entender uma língua ou, sem dúvida, ter estados mentais, implica mais do que a simples posse de um feixe de símbolos formais. Implica ter uma compreensão ou um significado associado a esses símbolos. (John Searle, Minds, Brains and Science, Cambridge [Mass.], Harvard University Press, 1984, pp.31-33; Mente, Cérebro e Ciência, trad.port., Lisboa, Ed.70, 1987, pp.39-41).

 



publicado por paulo prudêncio às 19:33 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sábado, 21.12.13

 

 

 

 

Ouvimos, vezes sem conta e durante mais de uma década, que os resultados não justificavam o investimento na Educação acima dos 6% do PIB. É essa retórica que é definitivamente abalada pelos resultados PISA, como já foi noutros testes internacionais, e como será ainda mais quando se conhecer a percentagem do PIB (já deve estar perto dos 3%) que se investe em Educação associada a outros indicadores: os números do abandono escolar que devem incluir os adultos sem a escolaridade obrigatória, o número de alunos por turma (é chocante o que se passa com o ensino especial) ou o número de professores.

 

A retórica referida tinha como farol a Suécia e advogava a "liberdade de escolha" da escola, o cheque-ensino, a privatização das escolas e o mercado da Educação. Mas foi mais longe e classificou com inimigos da liberdade os que se opunham a essas ideias em nome da igualdade de oportunidades que é tão decisiva para o exercício da liberdade e para o aumento da classe média como factor determinante da democracia. Foi tudo isso que os testes PISA conseguiram fazer. E, ironia das ironias, era exactamente nos resultados deste tipo de testes que o "ódio" à escola pública se alimentava.

 

Portugal trilhou durante duas décadas um caminho árduo com resultados a todos os níveis e internacionalmente elogiados. Estamos a correr um sério risco com o desmantelamento da escola pública. O que mais cansa ler é o argumentário cada vez mais desesperado dos que se revêem no guião apresentado pelo governante irrevogável e que continuam a considerar que quem se dedica à escola pública é falho de ambição e de inovação e incapaz de colocar a cultura organizacional das escolas públicas na primeira linha. A interrogação, recheada de perplexidade e de tristeza com tamanha ingratidão, é simples: o que seria do nosso sistema escolar se a escola pública fosse defendida e elogiada?

 

 



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Sábado, 26.10.13

 

 

 

 

 

 

Recebi por email com pedido de divulgação que faço com todo o gosto.

 

 

 

 

 

 

 

 

Site da escola aqui.

 

 



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