Em busca do pensamento livre.

Domingo, 14.08.16

 

 

 

 

Li uma entrevista, dada com desassombro, de quem vai coordenar o perfil do aluno no final do 12º ano.

 

Lembrei-me deste post.

 

Começa assim:  

 

A febre reformista no sistema escolar em Portugal não é nova: é mesmo imparável. O que é engraçado, e com o passar do tempo, é que vemos recuperar ideias antigas como se de grandes novidades se tratassem. Parece um percurso circular.

Escrevia, algures em 1998, uns textos para uma revista sobre educação e o coordenador pediu-me que inscrevesse algumas ideias sobre o assunto. Lembrei-me dos remédios. Fui ler a literatura do “Benuron” - medicamento para todas as dores e para todas as maleitas gripais e constipais - peguei no seu modelo organizativo e fui andando. Foi uma noite bem passada. Quase 16 anos depois, e aproveitando as competências do blogue, publico-as de novo. Só dois detalhes antes de começar: se em 1998 era possível este grau de má burocracia e eduquês, não é de admirar que com mais 17 anos intensivos isto tivesse chegado a este estado.

 

Republico apenas o perfil do aluno. Para os restantes medicamentos terá que ir ao original no link referido.

 

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Perfil do aluno. 

Registo da patente: equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989. 

Composição: registo preciso e rigoroso do estado do produto aluno somados x anos de laboração. 

Indicações terapêuticas: impede desvios acentuados nos complexos processos de apreciação global dos alunos; facilita a criação de mecanismos rigorosos de análise transversal do desempenho de humanos sujeitos ao agressivo contexto escolar. 

Contra-indicações: pode provocar ligeiras dores de cabeça quando verificada a sua articulação com os programas escolares das disciplinas dos anos terminais de ciclo. 

Precauções especiais de utilização: não deve ser aplicado a alunos muito curiosos nem aos que se posicionem de frente ou de costas. 

Prazo de validade: um ciclo escolar, precisamente.



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Quarta-feira, 27.04.16

 

 

 

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O texto de John Searle que se encontra no livro "Mente, Cérebro e Ciência" pode ajudar a explicar o desinvestimento (que também se expressa nas inutilidades que o poder central exporta incessantemente) na escola pública em Portugal.

Fica-se com a ideia que os sucessivos governantes não conhecem a semântica que envolve as escolas portuguesas: ficam, quando muito, pela sintaxe.

Ora leia. 


"A razão por que nenhum programa de computador pode alguma vez ser uma mente é simplesmente porque um programa de computador é apenas sintáctico, e as mentes são mais do que sintácticas. As mentes são semânticas, no sentido de que possuem mais do que uma estrutura formal, têm um conteúdo.
Para ilustrar este ponto, concebi uma certa experiência intelectual. Imaginemos que um grupo de programadores de computador escreveu um programa que capacitará um computador para simular a compreensão do chinês. Assim, por exemplo, se ao computador se puser uma questão em chinês, ele conferirá a questão com a sua memória ou a base de dados e produzirá respostas apropriadas para as perguntas em chinês. Suponhamos, em vista da discussão, que as respostas do computador são tão boas como as de um falante chinês nativo. Ora bem, entenderá o computador, nesta base, o chinês tal como os falantes chineses entendem o chinês? Bem, imaginemos que alguém está fechado num quarto e que neste quarto há vários cestos cheios de símbolos chineses. Imaginemos que alguém, como eu, não compreende uma palavra de chinês, mas que lhe é fornecido um livro de regras em português para manipular os símbolos chineses. As regras especificam as manipulações dos símbolos de um modo puramente formal em termos da sua sintaxe e não da sua semântica. Assim a regra poderá dizer: «Tire do cesto número 1 um símbolo esticado e ponha o junto de um símbolo encolhido do cesto número 2.» Suponhamos agora que alguns outros símbolos chineses são introduzidos no quarto e que esse alguém recebe mais regras para passar símbolos chineses para o exterior do quarto. Suponhamos que, sem ele saber, os símbolos introduzidos no quarto se chamam «perguntas» feitas pelas pessoas que se encontram fora do quarto e que os símbolos mandados para fora do quarto se chamam «respostas às perguntas». Suponhamos, além disso, que os programadores são tão bons a escrever programas e que alguém é igualmente tão bom em manipular os símbolos que muito depressa as suas respostas são indistinguíveis das de um falante chinês nativo. Lá está ele fechado no quarto manipulando os símbolos chineses e passando cá para fora símbolos chineses em resposta aos símbolos chineses que são introduzidos. [...].
Ora, o cerne da história, é apenas este: em virtude da realização de um programa formal de computador, do ponto de vista de um observador externo, esse alguém comporta se exactamente como se entendesse chinês, mas de qualquer modo não compreende uma só palavra de chinês. [...] Repetindo, um computador tem uma sintaxe, mas não uma semântica. Tudo o que a parábola do quarto chinês pretende é lembrar um facto que já conhecíamos. Entender uma língua ou, sem dúvida, ter estados mentais, implica mais do que a simples posse de um feixe de símbolos formais. Implica ter uma compreensão ou um significado associado a esses símbolos. (John Searle, Minds, Brains and Science, Cambridge [Mass.], Harvard University Press, 1984, pp.31-33; Mente, Cérebro e Ciência, trad.port., Lisboa, Ed.70, 1987, pp.39-41).



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Sábado, 26.12.15

 

 

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O texto de John Searle que pode ler mais abaixo, e que se encontra no livro "Mente, Cérebro e Ciência", ajuda a explicar o desinvestimento (que também se expressa nas inutilidades que o poder central exporta incessantemente) na escola pública em Portugal.

 

Fica-se com a certeza que os sucessivos "habitantes" do MEC não conhecem a semântica que envolve as escolas portuguesas: ficam, quando muito, pela sintaxe.

 

"A razão por que nenhum programa de computador pode alguma vez ser uma mente é simplesmente porque um programa de computador é apenas sintáctico, e as mentes são mais do que sintácticas. As mentes são semânticas, no sentido de que possuem mais do que uma estrutura formal, têm um conteúdo.

Para ilustrar este ponto, concebi uma certa experiência intelectual. Imaginemos que um grupo de programadores de computador escreveu um programa que capacitará um computador para simular a compreensão do chinês. Assim, por exemplo, se ao computador se puser uma questão em chinês, ele conferirá a questão com a sua memória ou a base de dados e produzirá respostas apropriadas para as perguntas em chinês. Suponhamos, em vista da discussão, que as respostas do computador são tão boas como as de um falante chinês nativo. Ora bem, entenderá o computador, nesta base, o chinês tal como os falantes chineses entendem o chinês? Bem, imaginemos que alguém está fechado num quarto e que neste quarto há vários cestos cheios de símbolos chineses. Imaginemos que alguém, como eu, não compreende uma palavra de chinês, mas que lhe é fornecido um livro de regras em português para manipular os símbolos chineses. As regras especificam as manipulações dos símbolos de um modo puramente formal em termos da sua sintaxe e não da sua semântica. Assim a regra poderá dizer: «Tire do cesto número 1 um símbolo esticado e ponha o junto de um símbolo encolhido do cesto número 2.» Suponhamos agora que alguns outros símbolos chineses são introduzidos no quarto e que esse alguém recebe mais regras para passar símbolos chineses para o exterior do quarto. Suponhamos que, sem ele saber, os símbolos introduzidos no quarto se chamam «perguntas» feitas pelas pessoas que se encontram fora do quarto e que os símbolos mandados para fora do quarto se chamam «respostas às perguntas». Suponhamos, além disso, que os programadores são tão bons a escrever programas e que alguém é igualmente tão bom em manipular os símbolos que muito depressa as suas respostas são indistinguíveis das de um falante chinês nativo. Lá está ele fechado no quarto manipulando os símbolos chineses e passando cá para fora símbolos chineses em resposta aos símbolos chineses que são introduzidos. [...].

Ora, o cerne da história, é apenas este: em virtude da realização de um programa formal de computador, do ponto de vista de um observador externo, esse alguém comporta se exactamente como se entendesse chinês, mas de qualquer modo não compreende uma só palavra de chinês. [...] Repetindo, um computador tem uma sintaxe, mas não uma semântica. Tudo o que a parábola do quarto chinês pretende é lembrar um facto que já conhecíamos. Entender uma língua ou, sem dúvida, ter estados mentais, implica mais do que a simples posse de um feixe de símbolos formais. Implica ter uma compreensão ou um significado associado a esses símbolos. (John Searle, Minds, Brains and Science, Cambridge [Mass.], Harvard University Press, 1984, pp.31-33; Mente, Cérebro e Ciência, trad.port., Lisboa, Ed.70, 1987, pp.39-41).



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Sábado, 03.10.15

 

 

 

 

 

 

Há duas ideias a ter em conta nos picos de contestação: o aforismo de Wittgenstein que diz que "as relações humanas seriam muito diferentes se fosse transparente a relação entre dor e linguagem, se sentíssemos a dor do outro ao ouvi-lo enunciando a palavra" e a certeza de Rainer Maria Rilke de que, em qualquer circunstância e por mais rodeados de pessoas que estejamos, "estamos irremediavelmente sós".

 

Os professores não escapam à devastação a que têm sido sujeitos a maior parte dos portugueses. Têm até a particularidade de andarem há anos a fio em "mobilidade especial". A união que se está a verificar neste grupo profissional terá uma estreita relação com a "impossibilidade" de escapar à tragédia e com a necessidade de contrariar o infortúnio em solidão. A catarse colectiva manifesta-se de várias formas e está longe de se esgotar. A distância que nos separa do fim da linha é tão longínqua como a que medeia as "realidades" de 2006 e 2013. Os administradores da mesa negocial devem ponderar muito bem sobre o momento de excepção que vivemos e podem passar os olhos pela última e excepcional obra de Herberto Helder.

 

1ª edição em 10 de Junho de 2013.

 

 

Herberto Helder (2013:78). "Servidões". Assírio e Alvim. Lisboa.

 

 

 

 

 

 



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Sexta-feira, 21.08.15

 

 

 

 
 
Cortesia inexcedível do Calimero Sousa.
 
1ª edição em 17 de Junho de 2013.
 
 
 
 


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Segunda-feira, 27.04.15

 

 

 

Em 4 de Novembro de 2013 escrevia assim (o título do post é desse dia):

 

A excelente reportagem, "Verdade inconveniente", conduzida pela jornalista Ana Leal da TVI é uma valente defesa de um valor primeiro das democracias: a escola pública.

 

Sabemos há muito a vergonha que se estabeleceu com os negócios da Educação, mas visto assim, de enfiada e em cerca de meia-hora, deixa-nos com uma mistura de tristeza e de raiva.

 

Será possível que, depois de mais este documento passado em horário nobre e na televisão com mais audiência, tudo fique na mesma?

 

Há crianças com a igualdade de oportunidades posta em causa de forma "impensável", há professores com horários zero e com a dignidade profissional severamente abalada e há um desperdício escandaloso de dinheiros públicos agravado pelo estado do país. Gostava que este não fosse o meu país.

 

Tem o vídeo completo aqui.



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Domingo, 06.07.14

 

 

 

 

 

Em Matosinhos, há (pelo menos) 135 professores para despachar

 

 

 

Depois da confessada, por António Costa, injusta "guerra aos professores" da autoria de Lurdes Rodrigues, dos cortes a eito para além da troika que tiveram os professores como alvo principal na administração central da autoria de Crato, só faltava que a escola pública e os seus professores tivessem que sofrer uma municipalização "tipo-patos-bravos" (eliminar um professor dará um prémio de 12500 euros para rotundas) com a assinatura dos aparelhos do arco governativo.

 

 

 

 



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Segunda-feira, 14.04.14

 

 

 

 

Com os cortes a eito registados no sistema escolar é natural que as consequências negativas se evidenciem. É no mínimo sei lá o quê que David Justino veja ganhos de eficiência no que se está a passar, o que pode dar razão aos que defendem que há muito de ideológico nos cortes e que o peso político dos actores mainstream da Educação é nulo ou de soma negativa.

 

Santana Castilho é obvio e taxativo: "com a atual sangria de meios e recursos, tudo andará para trás".

 

Pode ler estas e outras opiniões no estudo que o DN classifica como Grande Investigação e onde se conclui que "120 mil crianças sofrem com falta de comida" ou que o "abandono escolar é preocupação sem rostos nem números". São inúmeros os "ganhos de eficiência" que escapam a leituras com um determinado tipo de lentes, obviamente.

 

O João Daniel Pereira digitalizou uma parte da edição impressa.

 

 

 

 

 

 



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Durão Barroso mostrou-se, recentemente, nostálgico da escola da ditadura. Sei pouco do que pensa este político profissional, mas os sound bites são suficientes. O seu percurso político foi quase sempre silencioso e cinzento à excepção da indizível campanha eleitoral para primeiro-ministro e do respectivo exercício. O seu legado, e do seu Governo, traçou a fronteira da destruição da escola pública e da terraplenagem na confiança nos professores através de um nivelamento por baixo.

 

Há muito que se reparou que a escola pública portuguesa incomoda Bruxelas. Desde 2008 que também se intuiu que os professores portugueses eram a espinha dorsal que faltava quebrar. Os ultraliberais - socialistas da terceira via e sociais-democratas desmemoriados ou com passagem oculta pelo BPN - não perdoam aos professores portugueses e em breve voltarão à carga com mais cortes. É o que parece segredar, ou determinar, Durão Barroso a Passos Coelho na cerimónia em que proferiu o dislate laudatório da escola da ditadura que se pode considerar um julgamento resultante da ignorância ou da má-fé. Parece-me apenas mais um episódio da tragédia que nos trouxe até aqui.

 

 

 

 

 

 

 

 



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Sábado, 12.04.14

 

 

 

 

O desprezo dos portugueses pelos sistema escolar evidenciou-se na última década. Dos ingratos ao lúmpen e passando por muitos professores que acharam que os outros careciam de profissionalidade (recordo particularmente o clubismo de socialistas e sociais-democratas) foram poucas as vozes que defenderam a escolaridade do não superior. Até os políticos da esquerda usaram o "apesar" quando defenderam a sobrevivência das escolas públicas.

 

O Governo prepara-se para anunciar mais cortes. Um dos jornais mainstream, o Expresso, não olha a meios para apontar a Educação como o alvo prioritário.

 

 

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Como é possível que um jornalista escreva uma coisa destas?

 

A Educação foi quem mais cortou, e de longe, na administração pública (e mesmo nas cinco administrações públicas: empresas públicas, institutos públicos e administrações central, regional e local) como se pode ler em todos os relatórios. Mais de 4 mil escolas (leu bem) fecharam e mais de 60 mil professores (leu bem) saíram do sistema com prejuízo dos alunos que têm turmas mais numerosas, menos carga curricular, professores sobrecarregados e escolas amontoadas. A não ser que o jornalista se esteja a referir aos privados da Educação que parecem beneficiar da influência de Crato e dos SE do MEC.

 

 

 



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Quinta-feira, 20.03.14

 

 

 

 

 

O MEC anunciou hoje duas medidas: um mestrado mais longo para quem quer ser professor como uma medida de financiamento do ensino superior e a vinculação de 2000 professores contratados.

 

Espera-se que o MEC cumpra com o "fim dos horários zero", como se pode ler aqui, quando se anunciou o fim do "entra-e-sai no sistema".

 

A propósito, ainda há dias escrevi assim:

 

"(...)Mas há uma variável incontornável: enquanto não se eliminar o clima de mobilidade especial e de horário zero nos professores do quadro (os de zona pedagógico e os contratados estão nesse regime insano há décadas) que pairam como fantasmas no quotidiano das escolas, não é possível construir uma qualquer atmosfera de mudança e de mobilização. O espectro, legitimo, de defesa do posto de trabalho por parte dos grupos disciplinares impossibilita tudo o que de racional e óbvio vai ler a seguir; nomeadamente no domínio curricular.(...)"

 

 

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 26.02.14

 

 

 

 

 

(Primeira edição em 9 de Setembro de 2013)

 

 

Quem disser que os comités centrais dos partidos do memorando da troika têm reuniões frequentes desde a assinatura (ou até antes disso) para tratarem de "altos" assuntos do Estado, não poderá ser classificado como gerador de uma teoria da conspiração. É natural que essas reuniões aconteçam, é natural que sejam secretas e é também natural que alguns consensos se estabeleçam aí. É natural também que as bancadas parlamentares respectivas nem sempre saibam do acordado, uma vez que o jogo de oposição interna está sempre ao rubro.

 

O silêncio do PS em relação ao cheque-ensino (existiu uma voz discordante, talvez mais distraída ou opositora a sei lá o quê) pode ter uma qualquer relação com isso. Quem sabe se na última crise de Governo o triunvirato não terá acordado "deixar cair" a escola pública, mas em segredo. Não seria nada a que o PS não estivesse habituado.

 

Ou seja: a mosca que picou o idoso PS estava contaminada pela "música" ultraliberal, tal como o Quino imaginou, e o picado só dará conta quando tiver necessidade de voltar a soprar. É caso para dizermos que nada se aprendeu com a governação de Sócrates e que o país, a liberdade e a democracia voltam a perder muito com isso. Mas o melhor é ver o desenho.

 

 

 



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Quarta-feira, 05.02.14

 

 

 

 

A lógica de mercado instalou-se de vez no sistema escolar, a ideologia vigente privilegia a privatização e desconfia de tudo o que é público. Para além disso, os quadros comunitários de apoio proporcionam a comprovada chuva de milhões associada ao melhor posicionamento para o acesso.

 

A escolarização dos jovens sem o ensino secundário (a nova escolaridade obrigatória) não é bem vista pela direita que governa; é uma constatação implícita e explícita.

 

As últimas notícias associam os argumentos dos parágrafos anteriores. As referidas "meias licenciaturas" dos politécnicos são criadas com os mesmos parâmetros que são objecto de crítica das escolas secundárias escolhidas para as novas "novas oportunidades". Já se percebeu que o lóbi do superior se movimenta melhor nos corredores do MEC e que o lóbi dos privados tem melhor acolhimento em toda a linha.

 

Para agravar a situação das escolas secundárias públicas, o Ministério da Economia tenta prevalecer no Conselho de Ministros no acesso aos referidos quadros comunitários e isso explicará o substancial desvio dos cursos profissionais do secundário para entidades privadas.

 

 

 



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Domingo, 26.01.14

 

 

 

 

 

A peça do "I" apresenta detalhes do caso Grupo GPS que ainda não tinha lido na comunicação social. "(...)O i sabe que os relatórios da Inspecção-Geral de Educação e Ciência (IGEC) sobre os colégios GPS deram pistas essenciais ao trabalho dos investigadores que na passada terça-feira conduziram mais de duas dezenas de buscas pelo Centro do país. As seis auditorias, recorde-se, traçaram um retrato arrasador dos estabelecimentos de ensino particular financiados pelo Estado para garantirem ensino gratuito a alunos que supostamente não teriam lugar na rede pública.(...)".

 

É interessante que se refira que "(...)As despesas com professores, ao que o i apurou, acabariam por contar para o cálculo - quanto mais altas fossem, maiores os benefícios.(...)". É evidente que esta constatação é referente ao período 2004/2010, que parece que foi muito investigado, e quando o valor pago pelo Estado não tinha a turma como referência.

 

Em 2005, quando participei, em Lisboa, pela última vez numa reunião da rede escolar das Caldas da Rainha como PCE da EBI de Santo Onofre, alertei para a ilegalidade de um dos colégios e para o problema de "horários zero" que iria provocar no médio prazo. Está documentado aqui. Os representantes do Grupo GPS, presentes na reunião, declaram que "absorveriam" esses "horários zero" e que quanto mais elevado fosse o escalão de vencimento do professor mais interessante a situação se tornava. Estranhei. Não conheço um professor com "horário zero" que tenha leccionado nessas instituições. Dizem-me que nos primeiros anos de funcionamento as escolas das cooperativas de ensino convidavam professores dos escalões mais elevados para regimes de acumulação em tarefas de coordenação sem componente lectiva.

 

 

Mas o melhor é ler a peça.

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 21.01.14

 

 

 

 

O chico-espertismo nem precisa, obviamente, de quantificação. Mas o substantivo associado a uma parte dos privados da educação é dos mais abjectos. A prática é antiga, mas o que observámos neste milénio é do domínio do impensado.

 

Foi com perplexidade que se registou a privatização de lucros na Educação. Os impostos foram entregues a "empreendedores" que cobriram com volumosos salários, e demais benesses ilimitadas, as administrações, enquanto precarizaram e maltrataram (pesei bem o verbo) os professores e os restantes profissionais.

 

Como foi isto possível? Desde logo porque o chico-espertismo usou técnicas publicitárias adequadas ao substantivo e recebeu aplausos nacionais e locais dos ingratos que aproveitaram para manifestarem o seu "ódio" à escola pública e aos seus professores. Que tempos e que luta tão desigual, realmente.



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Quinta-feira, 16.01.14

 

 

 

 

 

A defesa da escola pública é uma contenda muito desigual. A ideologia única vigente é desfavorável à gestão pública e considera como falhas de ambição e inovação as pessoas que se dedicam a esse desperdício financeiro. Se forem professores e defenderam a escola pública como valor inquestionável da liberdade e da igualdade de oportunidades, serão rotulados como acomodados ou azarados no momento da distribuição de neurónios. José Luís Arnaut dirá que são uns-sem-mundo. Por tudo isto, é obra que se tenha integrado na agenda mediática as polémicas relações público-privado no sistema escolar.

 

Vi, ontem à noite, o programa "Negócios da Semana" de José Gomes Ferreira, na SICN, com dois convidados especialistas em segurança social: Luís Pais Antunes, jurista e ex-SE, que se apresentou do lado da maioria que governa e Eugénio Rosa, economista e ex-deputado, que integra a oposição a este Governo. Partiram das relações entre os poderes político e económico e passaram pelas soluções para a crise com a nomeação dos sectores que devem continuar públicos. José Gomes Ferreira, um fervoroso Lurditas D´Oiro, surpreendeu-me: mostrou-se defensor da escola pública e declarou-se indignado por ainda não terem terminado com os casos como o do Grupo GPS nas escolas do Oeste; literalmente assim. Mais espantado fiquei com um dos convidados: Luís Pais Antunes anuiu, reforçou e sublinhou.

 

Vamos registando estas impensáveis mudanças no discurso, mas continuamos à espera das soluções. Para isso, é necessário conhecer as variáveis em causa e eliminar as gorduras provocadas pela ganância e pela falta da mais elementar transparência.

 



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Quinta-feira, 02.01.14

 

 

 

 

Um abraço aos professores portugueses

 

 

 

Encontra o texto no blogue referido e também na edição do Público donde tirei o seguinte:

 

 

 

 



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Sexta-feira, 27.12.13

 

 

 

 

 

 

O texto de John Searle que se encontra no livro "Mente, Cérebro e Ciência" pode ajudar a explicar o desinvestimento (que também se expressa nas inutilidades que o poder central exporta incessantemente) na escola pública em Portugal.

 

Fica-se com a certeza que os sucessivos "habitantes" do MEC não conhecem a semântica que envolve as escolas portuguesas: ficam, quando muito, pela sintaxe.

 

Ora leia.

 

 

"A razão por que nenhum programa de computador pode alguma vez ser uma mente é simplesmente porque um programa de computador é apenas sintáctico, e as mentes são mais do que sintácticas. As mentes são semânticas, no sentido de que possuem mais do que uma estrutura formal, têm um conteúdo.

Para ilustrar este ponto, concebi uma certa experiência intelectual. Imaginemos que um grupo de programadores de computador escreveu um programa que capacitará um computador para simular a compreensão do chinês. Assim, por exemplo, se ao computador se puser uma questão em chinês, ele conferirá a questão com a sua memória ou a base de dados e produzirá respostas apropriadas para as perguntas em chinês. Suponhamos, em vista da discussão, que as respostas do computador são tão boas como as de um falante chinês nativo. Ora bem, entenderá o computador, nesta base, o chinês tal como os falantes chineses entendem o chinês? Bem, imaginemos que alguém está fechado num quarto e que neste quarto há vários cestos cheios de símbolos chineses. Imaginemos que alguém, como eu, não compreende uma palavra de chinês, mas que lhe é fornecido um livro de regras em português para manipular os símbolos chineses. As regras especificam as manipulações dos símbolos de um modo puramente formal em termos da sua sintaxe e não da sua semântica. Assim a regra poderá dizer: «Tire do cesto número 1 um símbolo esticado e ponha o junto de um símbolo encolhido do cesto número 2.» Suponhamos agora que alguns outros símbolos chineses são introduzidos no quarto e que esse alguém recebe mais regras para passar símbolos chineses para o exterior do quarto. Suponhamos que, sem ele saber, os símbolos introduzidos no quarto se chamam «perguntas» feitas pelas pessoas que se encontram fora do quarto e que os símbolos mandados para fora do quarto se chamam «respostas às perguntas». Suponhamos, além disso, que os programadores são tão bons a escrever programas e que alguém é igualmente tão bom em manipular os símbolos que muito depressa as suas respostas são indistinguíveis das de um falante chinês nativo. Lá está ele fechado no quarto manipulando os símbolos chineses e passando cá para fora símbolos chineses em resposta aos símbolos chineses que são introduzidos. [...].

Ora, o cerne da história, é apenas este: em virtude da realização de um programa formal de computador, do ponto de vista de um observador externo, esse alguém comporta se exactamente como se entendesse chinês, mas de qualquer modo não compreende uma só palavra de chinês. [...] Repetindo, um computador tem uma sintaxe, mas não uma semântica. Tudo o que a parábola do quarto chinês pretende é lembrar um facto que já conhecíamos. Entender uma língua ou, sem dúvida, ter estados mentais, implica mais do que a simples posse de um feixe de símbolos formais. Implica ter uma compreensão ou um significado associado a esses símbolos. (John Searle, Minds, Brains and Science, Cambridge [Mass.], Harvard University Press, 1984, pp.31-33; Mente, Cérebro e Ciência, trad.port., Lisboa, Ed.70, 1987, pp.39-41).

 



publicado por paulo prudêncio às 19:33 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sábado, 21.12.13

 

 

 

 

Ouvimos, vezes sem conta e durante mais de uma década, que os resultados não justificavam o investimento na Educação acima dos 6% do PIB. É essa retórica que é definitivamente abalada pelos resultados PISA, como já foi noutros testes internacionais, e como será ainda mais quando se conhecer a percentagem do PIB (já deve estar perto dos 3%) que se investe em Educação associada a outros indicadores: os números do abandono escolar que devem incluir os adultos sem a escolaridade obrigatória, o número de alunos por turma (é chocante o que se passa com o ensino especial) ou o número de professores.

 

A retórica referida tinha como farol a Suécia e advogava a "liberdade de escolha" da escola, o cheque-ensino, a privatização das escolas e o mercado da Educação. Mas foi mais longe e classificou com inimigos da liberdade os que se opunham a essas ideias em nome da igualdade de oportunidades que é tão decisiva para o exercício da liberdade e para o aumento da classe média como factor determinante da democracia. Foi tudo isso que os testes PISA conseguiram fazer. E, ironia das ironias, era exactamente nos resultados deste tipo de testes que o "ódio" à escola pública se alimentava.

 

Portugal trilhou durante duas décadas um caminho árduo com resultados a todos os níveis e internacionalmente elogiados. Estamos a correr um sério risco com o desmantelamento da escola pública. O que mais cansa ler é o argumentário cada vez mais desesperado dos que se revêem no guião apresentado pelo governante irrevogável e que continuam a considerar que quem se dedica à escola pública é falho de ambição e de inovação e incapaz de colocar a cultura organizacional das escolas públicas na primeira linha. A interrogação, recheada de perplexidade e de tristeza com tamanha ingratidão, é simples: o que seria do nosso sistema escolar se a escola pública fosse defendida e elogiada?

 

 



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Sexta-feira, 13.12.13

 

 

 

 

A escola transbordante






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Quinta-feira, 05.12.13

 

 

 

 

Defendo convictamente a escola pública como um valor absoluto da democracia que pode, com tempo, atenuar a desigualdade de oportunidades. É mesmo uma espécie de muro que não ultrapasso e que, ao longo da vida, me desviou de algumas organizações políticas. Não sou, todavia, um defensor acrítico da ideia. Só se defende uma causa destas se acreditarmos na melhoria do seu desempenho organizacional e no seu progresso.

 

Os últimos dias têm andado à volta dos legados a propósito da nossa melhoria nos resultados PISA que, como todos os estudos empíricos nesta área, têm limitações. Não caio no argumentário impreparado que isola a escola do que a rodeia. Há muito que defendo este algoritmo. A sociedade, e o seu índice socioeconómico combinado com a ambição escolar, representa um papel fundamental como se comprova, pela enésima vez, com uma leitura atenta do PISA 2012. Os nossos resultados estão muito ligados aos progressos da nossa sociedade que foram interrompidos nos últimos anos e agravados pela centralidade dos professores no apontar de dedo dos nossos últimos governos. A agenda, que tem mais de uma década, que defende que "tudo está mal na escola pública" mediatizou a crise muito para além do real.

 

A escola vive, por definição, em crise. A mediatização do fenómeno transformou-a em arremesso ideológico. Ainda ontem ouvi um ex-ministro da área ideológica que governa a mudar de agulha de forma que me impressionou. Há uma duas semanas ouvi-o apontar a Suécia com um exemplo da privatização que defende para o sistema escolar. Como o PISA 2012 é inequívoco na demonstração da queda continuada da Suécia, passou a defender os asiáticos que têm 50 alunos por turma. Estes actores, impregnados de basismo ideológico a tocar o fanatismo, ajudam a explicar a prevalência das desigualdades que vai ler a seguir.

 

Ontem, Obama fez um discurso fundamental para se compreender a crise vigente que também afecta Portugal e o seu sistema escolar. 

 

 



Arendt considerava que a crise geral que se vivia no mundo moderno, em meados do século XX, abrangia os variados domínios da vida humana e eclodia nos diversos países, com saliência para Estados Unidos da América.

 

Uma das componentes mais críticas centrava-se na crise periódica da educação, que se tinha transformado num problema político central com repercussões diárias no mundo dos jornais, e sublinhou que “(...)uma crise na educação suscitaria sempre graves problemas mesmo se não fosse, como no caso presente, o reflexo de uma crise muito mais geral e da instabilidade da sociedade moderna.(...)”.

 

 

Arendt, H. (2006:195).

Entre o passado e o futuro. Oito exercícios sobre o pensamento político.

Lisboa: Relógio D´Água.




publicado por paulo prudêncio às 18:53 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Terça-feira, 03.12.13

 

 

 

Há muito que se sabe: a escola pública portuguesa tem feito "milagres" com os seus alunos, uma vez que tem sido alvo de ataques constantes e brutais e tem uma sociedade ausente. Os números das duas últimas décadas não enganam, embora, e como se vê no gráfico, os resultados revelem uma tendência para estagnar ou baixar de 2009 para 2012 decorrente, naturalmente, da devastação que se iniciou em 2006 (outros investigadores vêem sinais do desmiolo em 2003) e que se acentuou muito em 2011.

 

"(...)Mais do que uma comparação entre o que se passou em 2009 e 2012, a OCDE analisa a evolução dos conhecimentos e competências dos alunos de 15 anos ao longo de cerca de uma década. Em 2003, lê-se num relatório divulgado nesta terça-feira, Portugal estava, no que à Matemática diz respeito, abaixo do Luxemburgo, dos Estados Unidos, da República Checa, da França, da Suécia, da Hungria, da Espanha, da Islândia ou da Noruega. Em 2012, “o país alcançou-os”.

A OCDE sublinha ainda que Portugal é um dos que conseguiram, simultaneamente, duas coisas: reduzir o universo dos alunos que se saem muito mal neste tipo de testes de literacia e aumentar o número dos jovens que se destacam muito pelo positiva (os chamados “top performers”). Isto aconteceu tanto na Matemática, como nas Ciências.(...)"

 

 

 

 

 

Resultados PISA2012






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Quinta-feira, 21.11.13

 

 

 

 

 


"A antiga ministra da Educação defendeu que Nuno Crato está completamente isolado porque está a agir contra as instituições, lamentando que o governante não seja capaz de dialogar com as universidades. No programa Pares da República, Maria de Lurdes Rodrigues criticou o atual titular da pasta da Educação, defendendo que Nuno Crato está a governar contra a escola e revela-se incapaz de dialogar com as universidades. A antiga ministra da Educação comentava a ameaça de demissão do presidente do Conselho de Reitores, que se queixa de falta de diálogo formal por parte do governo sobre os cortes que vão afetar as universidades."

 

 

 

As almofadas de Nuno Crato, as mesmas de Lurdes Rodrigues, devem estar numa qualquer fuga para a frente. De qualquer dos modos, considero que o prazo de Nuno Crato, a exemplo do de Lurdes Rodrigues (estive na sua primeira reunião com presidentes de Conselho Executivo das escolas públicas), se esgotou antes de começar o seu mandato.

 

 

 



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Quarta-feira, 20.11.13

 

 

 

 

 

 

 

"Eu sei que as horas de trabalho dos professores estão pelas horas da amargura e que o Ministério da Educação e Ciência (MEC) já propõe pagamentos à peça a potenciais classificadores daquelas provas de avaliação a outros professores, se calhar com mais anos de serviço e com melhores avaliações de desempenho.

Mas não é isso que interessa agora, pelo que deixemos de parte essa proletarização crescente da classe docente, cada vez mais o bode expiatório da fúria de um grupo de políticos adequadamente mal formados e academicamente medíocres.

Concentremo-nos naquela linha de argumentação, tão ao gosto do tempo, que pretende apresentar a Educação como um negócio como outro qualquer, em que os alunos ou as suas famílias se devem encarar como clientes a satisfazer por escolas e professores que, por sua vez, devem ser remunerados e/ou recompensados de acordo com o grau de satisfação da clientela que servem.(...)"






publicado por paulo prudêncio às 14:45 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Sábado, 16.11.13

 

 

 

 

 

Os números relativos ao terceiro trimestre de 2012 são inequívocos na escolha dos professores como o alvo cimeiro dos despedimentos nas administrações públicas. Os docentes ocupam um lugar destacado.

 

A designação "rescisão de contratos a termos certo" é um eufemismo. Os professores contratados têm anos a fio de serviço docente, alguns com vinte anos consecutivos. Apesar da denúncia das instituições europeias, os governos de Portugal escolheram este grupo profissional para a redução de despesa e mantêm intocáveis as instituições que "suportam" os aparelhos partidários (note-se que considero os partidos essenciais e que me preocupa o descrédito provocado por quem "se governou"; esse facto é denunciado por quem melhor conhece os meandros), aumentam a despesa nos consumos intermédios do Estado e, no caso do sistema escolar, as despesas com entidades privadas financiadas integralmente pelo orçamente do Estado e até com as privadas tout court através do cheque-ensino.

 

 

 

Leu-se que somos um país com graves problemas com a defesa e com os problemas escolares resolvidos. Desculpem a ironia, mas devemos ter um qualquer excedente de formação escolar. Querem ver que os ultraliberais consideram o abandono escolar uma mais valia?

 

 

Leu-se que o emprego na Educação é sazonal. Ou seja, o ano lectivo é assim uma espécie de Allgarve que tem no inverno um pico de cidadãos aposentados em busca de uma réstia de sol ou uma Avenida da Liberdade em época de Natal e inundada por cidadãos dos países emergentes.

 

 

Leu-se que a variação absoluta mais significativa é na Educação o que parece contrariar o carácter sazonal da coisa; ou então, o sazonal passou a ser o nosso destino absoluto. A intenção é reduzir para aumentar salários, e falando a sério, a lógica de trabalho parcial já devia estar há muito implementada e só demonstra a preguiça e a impreparação dos mentores que vão inundando o número de aposentados para, a prazo, exterminarem o Estado Social.

 

 

PS: meti umas setas como sublinhados para salientar o único caminho, o de saída do sistema e do país, para os professores que preenche a mente dos governos, os deste milénio, abençoados pela New Public Management.





publicado por paulo prudêncio às 19:12 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 10.11.13

 

 

 

 

 

Já fiz mais posts sobre os rankings 2013 do que projectei, mas a alucinação atingiu o pico previsto e temos o dever de debater com o esforço de não cair em sei lá o quê.

 

Os tempos são muito difíceis para a defesa da escola pública. É uma luta muito desigual agravada com o "vale tudo" dos que não se cansam em delapidar o orçamento do Estado.

 

Segundo um dos investigadores ouvido pelo Público (uma muito interessante entrevista), "(...)Aliás, se não fosse assim os jornais não fariam cadernos especiais sobre os rankings, porque nesse dia os jornais vendem mais… Mas pode servir para motivar e para desmotivar, para mobilizar e para desmobilizar.(...)".


O caderno de 48 páginas do suplemento rankings do Público tem abundante publicidade das escolas privadas e cooperativas. O que se diria se uma escola pública fizesse o mesmo ainda por cima nestes tempos de cortes a eito? Recorda-me a última campanha eleitoral para as legislativas em que as escolas ditas privadas até usavam crianças nas manifestações. O que também se diria se as escolas públicas imitassem o despudor?

 

Uma das publicidades é elucidativa. A Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo pagou a pérola que vê a seguir.

 

 

 

 

 

O João Daniel Pereira fez um estudo, que me enviou por email, sobre os resultados das cooperativas de ensino que são financiadas integralmente pelo orçamento do Estado e que pode consultar mais abaixo.

 

Ainda neste âmbito e na entrevista aos tais investigadores, cuja ligação indiquei, pode ler-se uma passagem incontornável: "(...)Os dados de apoio social não estavam completos para todas as escolas. E eu até acrescentaria que, por exemplo, uma das questões sobre as quais nos temos debruçado é na divisão entre o público e o privado e a suposta inflação de notas. Ora, não há dados socioeconómicos para as privadas.(...)" 

 

Para além de tudo isto, e como se verifica, só o chico-espertismo permite confundir as escolas integralmente privadas com as financiadas pelo Estado. É que já sabemos que os políticos ultraliberais vão passar o ano a usar de forma falaciosa os resultados dos rankings 2013. Pode ainda ler este post do Nuno Domingues que vai no mesmo sentido.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 09:58 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 07.11.13

 

 

 

Em tempos recentes, ouvi Isabel Soares defender as políticas educativas que nem uma Lurditas D´Oiro numa época em que os financiamentos ao ensino cooperativo atingiram um pico histórico. 

 

A sua declaração recentíssima, que encontrei no facebook, pode indicar uma qualquer mudança de rumo?

 

 

“Nunca tive qualquer tipo de contrato de associação por opção própria. O Estado deve apoiar o ensino público. Tenho 100 alunos de graça, a quem o colégio atribuiu uma bolsa de estudo. Esses contratos de associação surgiram de uma lei de 1980, quando não havia escolas na maior parte do País. Hoje há uma rede de escolas em quase todo o País e os contratos de associação devem ser revistos caso a caso. Como pedir aos portugueses que haja cortes na escola pública, nas pensões, nos salários e não haja cortes neste sector?”

Isabel Soares, directora do Colégio Moderno, in RTP 1







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Quarta-feira, 06.11.13

 

 

"(...)Ontem mesmo (escrevo na manhã de 5, terça-feira) uma notável reportagem da jornalista Ana Leal, da TVI, ** teria consequências se a decência vigorasse e as instituições funcionassem, tamanho e tão grave é o escândalo denunciado.(...)"

 

 

Crónica de Santana Castilho (no Público de 6 de Novembro de 2013)



O "guião para a reforma do Estado" é um panfleto de qualidade inferior, ridiculamente esticado a corpo 16 e duas linhas de espaçamento. Se o expurgarmos das afirmações óbvias que o inflam, ficam expostas a vacuidade e a mediocridade da sua substância. Tem a paternidade, longamente publicitada, de Paulo Portas. Mas é bom lembrar que foi aprovado em Conselho de Ministros e vincula por isso o Governo. A figura janota de Portas na televisão não logrou tapar o seu esqueleto reciclado, encolhido e sem convicção, esbracejando na política manhosa que afunda o país. Apesar de tudo isto, este guião não é um documento qualquer, porque levou nove meses a preparar, amalgamou contributos de ministros e trata da “reforma” do Estado. Mas já percebemos que ninguém o toma a sério. Mostra que a última réstia de decoro político se perdeu num emaranhado de banalidades, de ignorância e reviravoltas, sem lógica nem pertinência, de lugares-comuns babosos, miríficas contradições e vacuidade confrangedora. No entanto, manda a profilaxia contra a manipulação e os riscos de contágio que percamos com ele algum tempo. Por dever de ofício e ditadura de espaço, fico-me pelas medidas mais emblemáticas, que à Educação respeitam. 
Portas começa por seduzir os professores com a sua “terceira via”, que designa por “escolas independentes”. Trata-se, esclarece com denguice, “de convidar a comunidade dos professores a organizar-se num projecto de escola específico, de propriedade e gestão dos próprios, mediante a contratualização com o Estado do serviço prestado e do uso das instalações”, garantindo “à sociedade poder escolher projetos de escola mais nítidos e diferenciados” (p.74). Se Portas quer projectos de escolas diferenciados, não precisa de retirar o Estado do processo e trazer para cá o que lá fora começa a ser abandonado. Basta modificar as leis castradoras, que este governo cinicamente refinou, deixando que a iniciativa de organização diferenciada cresça dentro da rede pública. Basta devolver liberdade pedagógica e autonomia intelectual aos professores. Portas quer outra coisa, que não pode dizer de chofre: quer abrir a rede de estabelecimentos públicos à gestão privada
A segunda proposta de Portas é uma tentativa de branqueamento da promiscuidade, melhor dizendo, da corrupção, que grassa com a utilização inconstitucional e reiteradamente ilegal dos dinheiros públicos, para financiar iniciativas privadas. Ontem mesmo (escrevo na manhã de 5, terça-feira) uma notável reportagem da jornalista Ana Leal, da TVI, ** teria consequências se a decência vigorasse e as instituições funcionassem, tamanho e tão grave é o escândalo denunciado. Em vez disso, Portas sugere“aumentar a liberdade de escolha da sociedade em relação à educação”dilatando o já escandalosamente dilatado conceito de “contratos de associação”. Com topete de ilusionista, Portas recorda que estes contratos“foram, inicialmente, concebidos para preencher a oferta educativa nos territórios em que a oferta pública era escassa” e proclama que, agora, “com a disseminação dos equipamentos, um novo ciclo de contratos de associação deve estar potencialmente ligado a critérios de superação do insucesso escolar” porque, “como é sabido, globalmente, as escolas com contrato de associação respondem bem nos rankings educativos…” (p. 74 e 75). A “liberdade de escolha” e a “autonomia das escolas” são metáforas gastas para justificar a mercantilização do ensino, substituindo a responsabilidade do Estado pelo interesse de grupos económicos e religiosos. Tudo sem risco, porque a contratualização prévia e a flexibilização do mercado de trabalho o retiraram atempadamente. Não fora ainda termos uma Constituição e quem a defenda, não fora ainda resistirem muitos que dizem não à desvergonha, teríamos Portas e os seus mercadores a gritarem bingo. 
Muitas vezes se acusam projectos e propostas de serem ideológicos. Mas é natural que sejam ideológicos. A questão reside naquilo que propõe determinada ideologia. No que toca à Educação, rejeito qualquer que, usando o dinheiro de todos, pretenda favorecer apenas alguns; que rejeite como obrigação central do Estado promover a Educação de todos os portugueses, enquanto veículo de redução de desigualdades sociais, de autonomização dos cidadãos e primeiro motor de crescimento económico. Uma coisa é uma visão sectária de uma facção, outra coisa é uma opção estratégica que sirva a colectividade. A ideia de Portas para a Educação geraria os fenómenos que outras sociedades, bem menos frágeis que a nossa, já experimentaram e começam a abandonar, por perniciosos para o bem comum. Essa é a realidade escondida com as denominadas “escolas independentes” e com a inconstitucional extensão da natureza dos contratos de associação. 




publicado por paulo prudêncio às 11:30 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 04.11.13

 

 

 

Havia uns quantos que diziam que as más PPP´s da Educação eram uma invenção de professores das Caldas da Rainha. Pelo que se começa a perceber no trailer da grande reportagem da TVI (logo às 20h00), há várias zonas do país que sofrem com a mesma chico-espertice que depaupera o orçamento do Estado.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 18:08 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sexta-feira, 25.10.13

 

 

 

 

 

Está comprovado que o rato que está na imagem "não sente o veneno dos escorpiões e até os come".

 

Era bom que o "rato" que está no MEC tivesse implodido a parafernália de interes(corpiões)ses que vão destruindo a escola pública. Mas não. Dá ideia que o do MEC faz parte da o(pus)bra que d(ei)iariamente vai tomando conta dos diversos sectores do MEC e que privilegiam os "privados encostados ao Estado" em desfavor da escola pública como valor absoluto da democracia. O regresso civilizacional a que estamos a assistir deve terminar quanto antes.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 19:45 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 21.10.13

 

 

 

(Declaro, desde já, que este post foi muito bem pesado.)

 

 

"Os professores estão a ser exterminados", afirmou, no último eixo do mal, Clara Ferreira Alves. Pedro Marques Lopes anuiu e até reforçou. A primeira acrescentou qualquer coisa do género: "Mas esta gente não entende que os professores lidam com o futuro e não podem suportar este estado de desesperança permanente".

 

Transcrevo estas afirmações porque são elucidativas em dois aspectos: o adjectivo usado, exterminados, é fortíssimo e os dois habitantes do eixo do mal eram insuportáveis Lurditas D´oiro e desconheciam que a desesperança, a tortuosidade, as feridas profundas na dignidade e na desconfiança entre pares já têm uma escola com anos a fio que agora atingiu um qualquer auge; mas há um lado de esperança para os professores: se até estes foram iluminados, então o caminho pode mudar de rumo.

 

Demorei a usar adjectivos tão fortes como "exterminados", mas devo ter utilizado algo semelhante. Os meus amigos mais socialistas sempre me alertaram para o peso das palavras e para o facto de haver quem sofresse mais. Sabia que sim, naturalmente, até no âmbito material. Só que o extermínio tem requintes que só os exterminados reconhecem.

 

Vou, como professor e como cidadão, tendo a minha conta no processo. Mas as minhas circunstâncias suavizam os efeitos se comparadas com as de milhares de colegas meus.

 

Aconselho a audição desta comovente fita dedicada aos professores e aos requisitos.

 

 

Os requisitos






publicado por paulo prudêncio às 15:55 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 16.10.13

 

 

 

Se este "orçamento2014" for em frente, não restará pedra sobre pedra da escola pública que arduamente construímos. A situação já é caótica, mas os predadores não estão saciados. Propõem um corte de 84% nas reformas, na função pública, na Educação e na saúde e 4% nas taxas para a banca, para as petrolíferas e para as redes de energia.


Os dirigentes das duas associações de directores escolares dizem que será melhor fechar as escolas. Veremos como se desenvolverá a posição destas associações. A notícia indicada pela ligação tem detalhes elucidativos, com destaque para a única rubrica que aumenta na Educação: o financiamento das cooperativas de ensino.








publicado por paulo prudêncio às 21:28 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 07.10.13

 

 

 

 

"Consigo escolher melhor os professores do que o concurso nacional", sentenciou há uns poucos anos um presidente de uma Câmara Municipal que pretendia assinar com o poder central um contrato tipo-cooperativa para as escolas do concelho que representa. Fiquei atento ao desenvolvimento de um processo iluminado por mais uma pessoa que não se considera incompetente, que não advoga que o verdadeiro serviço público é inclusivo e que o desafio é melhorar as instituições com as pessoas que existem.

 

Os anos passaram, poucos como escrevi, e ouvi, de pessoas autorizadas, que esse concelho é um exemplo de contratação por amiguismo. Não me surpreendi.

 

Na última campanha eleitoral autárquica deparei-me com um documento concelhio do partido desse presidente de Câmara. O sublinhado a caneta já lá estava e é mais uma pérola que confirma a afirmação com que iniciei o post (para além do quase risível, se não fosse trágico, caderno de encargos da escola). "É um concelho onde devem estar as melhores pessoas", numa frase meritocrática que termina sempre em exclusão com base nos critérios referidos. É mais um exemplo para os que defendem, até de boa fé, a municipalização do mercado escolar num país viciado na não transparência dos actos.

 

 

 

 

 

 

 



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Quinta-feira, 03.10.13

 

 

 

 

 

 

Alunos armazenados em salas de aula, horários de professores com mais turmas e outros cortes a eito originaram milhares de professores desempregados depois de anos a fio de serviço docente.

 

Começa a ser difícil disfarçar a onda de indignação.

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:56 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 28.09.13

 

 

 

 

 

 

Este ministro da Educação é risível. Vai promover um inquérito para saber as causas do óbvio. Por este andar, não será apenas no superior que o plano inclinado se sentirá.

 

 

Em 18 de Setembro de 2013 escrevi assim sem ter consultado os resultados de um qualquer inquérito:

 

 

Os números não enganam: temos menos alunos no ensino superior, menos alunos no ensino regular completo do ensino secundário e do 3º ciclo e se o desmiolo continuar teremos menos alunos no 2º ciclo por via do ensino dual precoce. Estamos a empobrecer e a desistir da Educação. Para além disso, devíamos ter vergonha com o armazenamento de alunos nas salas de aula, com a preguiça para antecipar os problemas e por não combatermos mesmo (veja-se o caso inglês no primeiro ciclo e a relação com a epifania Cambridge) o insucesso escolar no pré-escolar e no 1º ciclo.

 

Que não existam dúvidas: mais anos de frequência no ensino regular completo é o único indicador do avanço civilizacional de uma sociedade. É aí que se estabelece a igualdade de oportunidades. Só a ingratidão de uma sociedade endinheirada, a mais formada de sempre pela escola pública, é que nega a evidência. Não adianta argumentar com o mercado de trabalho: os alunos do ensino regular completo conseguem, em poucos meses, adquirir as competências e os conteúdos da maioria dos cursos profissionais, CEF´s e dual.

 

O que mais impressiona neste processo de exclusão é que até os professores são atingidos pela voracidade. Os professores estão a desistir há anos a fio. Em Portugal é-se politicamente incorrecto por se pronunciar inclusão ou combate ao abandono escolar. Uma sociedade exclusiva, pobre e imatura elimina essas expressões caras ao desenvolvimento.

 

 

 



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Quinta-feira, 26.09.13

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 24.09.13

 

 

 

 

 

Ouvi, numa entrevista recente, Nuno Crato citar duas ou três vezes, em poucos minutos, o ex-ministro David Justino, que é o actual presidente do CNE, e que ontem afirmou que ia criar uma comissão especializada para avaliar, de forma isenta, a condição dos professores portugueses. Mas é necessária mais uma comissão? Será que David Justino não sabe do número de alunos por turma, dos horários dos professores e da carga curricular? David Justino não tem opinião sobre o assunto? Por que é que precisa de sublinhar a isenção?

 

A situação é de tal modo grave, que se pode adivinhar que quando a dita comissão chegar a conclusões já o sistema escolar "implodiu". É que a desesperança e as condições de profissionalidade dos professores são suficientes para mais plano inclinado, mesmo que "invisível" para esta plêiade de decisores.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:54 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 21.09.13

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 09:25 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Sexta-feira, 20.09.13

 

 

 

 

 

Há uma epidemia que considera o sistema escolar uma coisa insólita e longínqua. Essa moda, que se dispersa rapidamente numa população, não racionaliza a ideia de escolar e atinge um grau elevado de rejeição quando se confronta com quem faça disso profissão pública ou, pior ainda, uma causa. É um fenómeno com dúvidas agudas na literacia associada às pessoas, à política, ao social, e, em auge infeccioso, à democracia.

 

É uma sociopatia que não manifesta qualquer empatia para com os seus semelhantes ou de atenção para com os seus problemas. É exímia em manipular factos e incapaz de assumir erros. Pode, em aparente desespero e de forma cínica, admitir “falhas de comunicação".

 

Usa modelos ideológicos com diagramas mentais inflexíveis que desprezam a consistência cultural e histórica das sociedades. Na origem está sempre a estranheza com o humano.

 

 

 

Já usei parte deste texto noutro post.




publicado por paulo prudêncio às 11:22 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 16.09.13

 

 

 

Há uma batalha mediática que os professores e a escola pública já venceram: não há comentador que não conclua: se diminui o número de alunos (não é bem assim, mas enfim) deve reduzir-se o número de alunos por turma. Falta passar da teoria à prática e no ano lectivo que se inicia já não é possível. Mas o que será de todo intolerável, é que se espere por Junho de 2014 para exigir a reposição da qualidade de ensino.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 12:32 | link do post | comentar | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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