Em busca do pensamento livre.

Terça-feira, 07.02.17

 

 

 

 

Portugal é o país da OCDE onde os professores perdem mais tempo com a disciplina para começar uma aula e é onde existem, como hoje se conclui, salas de aula em que "reina a "pequena indisciplina"". E não saímos disto, com o discurso circular de "especialistas" (no caso o antigo responsável pelo Observatório de Segurança em Meio Escolar) a culpar "mais os professores do que os alunos".

E se procurássemos, definitivamente, outras culpas? Sumariemos: escola a tempo inteiro, ou "armazém", como resultado da sociedade ausente; aluno-cliente como negação dos elementares princípios docimológicos (não tarda e a publicitação da calendarização de testes chega ao primeiro ciclo para que um petiz convoque os advogados porque o professor o submeteu a um questionário de avaliação sem calendarização; isto sim, o nefasto "facilitismo"); uma década de devassa, mediatizada em primeira página, da carreira dos professores; indústria de exames nacionais, com os respectivos quadros de mérito e com a publicitação de resultados de crianças (é a preparação para a selva, dizem "especialistas da ordem contrária"); "supressão" de intervalos escolares; aulas de noventa minutos como receita do 5º ao 12º ano e em todas as disciplinas; mais alunos por turma; mais turmas por professor; terraplenagem do estatuto da carreira dos professores; agrupamentos de escolas como negação da gestão de proximidade e com aumento da hiperburocracia como factor ilusório de controle; legislação de disciplina escolar na lógica de um "tribunal dos pequeninos"; e por aí fora. Se nada de moderado, sensato e democrático acontecer, daqui por uma década voltaremos, seguramente, ao mesmo e, obviamente, aos culpados do costume.

 

Captura de Tela 2017-02-07 às 13.52.11

 



publicado por paulo prudêncio às 15:13 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 06.01.17

 

 

 

O filme de Emmanuelle Bercot, "De cabeça erguida", retrata as tutorias no sistema francês. Considerando que um jovem pré-delinquente (ou sem pré) passará umas 5 a 7 horas diárias na escola, o tutor supervisiona, logicamente, as restantes 17 ou 19. O tutor é, portanto, um profissional ligado aos sistemas social e judicial. Tem contacto, por exemplo, com as situações de indisciplina, ou de género semelhante, que ocorrem fora da escola. Em Portugal é o inverso. O tutor é um professor inspirado em Sísifo. Todos os dias parte do zero. Faz numas 4, se tanto, horas semanais, o que "será desconstruído" nas restantes 158. É também aqui que se constata a ubiquidade, e a inutilidade, do conceito de escola a tempo inteiro (sem desprezar, obviamente, a colaboração da escola na "guarda" de crianças em situações bem identificadas).

Nota: impressiona como alguma comunicação social responsabiliza a escola num caso mediático de violência juvenil fora da escola. É a escola total numa sociedade ausente.

nuvem-da-palavra-da-delinquncia-juvenil-62875749



publicado por paulo prudêncio às 12:39 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sexta-feira, 07.10.16

 

 

 

A imagem, sobre horas escolares por ano, é de um estudo da OCDE de 2014. Um estudo da mesma organização publicado ontem, "Society at a Glance 2016", tem outro dado impressionante: as crianças até aos dois anos ficam, em média, 25 a 35 horas em creches. Em Portugal, o tempo sobe para 40 horas: uma jornada de oito horas diárias, cinco vezes por semana.

 

Nota: O estudo de 2014 tem outra conclusão da mesma família: Portugal é o terceiro país da OCDE, a seguir ao México e à Turquia, com mais jovens a abandonar precocemente a escola: em cada três alunos, um não conclui o secundário; são os mais afectados pela crise; e pela "eterna" sociedade ausente.

 

19289764_0QYFC

 

 



publicado por paulo prudêncio às 16:27 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 07.08.16

 

 

Precisamos de mais escola a tempo inteiro ou de sociedade democratizada a tempo inteiro? Em 2014, 11 mil alunos reprovaram no 2º ano (números chocantes) e o insucesso subiu em todos os anos.

 

19289416_bCtRq-1.png

 



publicado por paulo prudêncio às 16:20 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 21.07.16

 

 

 

 

O muito bom filme de Emmanuelle Bercot, "De cebeça erguida" (na imagem), retrata as tutorias no sistema francês. Considerando que um jovem pré-delinquente (ou sem pré) passará umas cinco a sete horas diárias na escola, o tutor supervisiona, logicamente, as restantes dezassete ou dezanove horas. O tutor é, portanto, um profissional ligado aos sistemas social e judicial. Em Portugal é o inverso. O tutor é um professor inspirado em Sísifo. Todos os dias parte do "mesmo" grau. Faz numa dezena, se tanto, de horas semanais o que provavelmente "será desconstruído" nas restantes 158. É também aqui que se constata a ubiquidade da escola a tempo inteiro.

 

334715.jpg

 



publicado por paulo prudêncio às 10:42 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 03.06.16

 

 

 

Mesmo com toda a prudência em relação às causas da referida falta de autonomia, os últimos anos acentuaram uma sociedade ausente que depositou na escola as tarefas educativas.

 

As crianças não têm tempo não supervisionado. A constatação começa cedo com a supressão da "brincadeira em espaço livre". Se olharmos para pequenos exemplos da organização escolar, percebemos fenómenos semelhantes com os jovens. Desde a eliminação do "furo" escolar até à redução dos intervalos: suprimidos dos horários ou como espaços vigiados. Não é de estranhar que, com base num grande estudo da OMSaúde, se conclua que a "falta de autonomia dos nossos adolescentes é assustadora". Não será também de desprezar o número "interminável" de horas com as novas tecnologias ou em TPC´s (trabalhos de casa); e demasiado cedo.

 

Captura de Tela 2016-03-15 às 13.25.17.png

 



publicado por paulo prudêncio às 21:52 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Quinta-feira, 25.02.16

 

 

 

 

Escola a mais, pais a menos

 

 
"no Público, 24 de Fevereiro de 2016
por Santana Castilho*

"Três meses volvidos sobre o início de funções do Governo, temos, na Educação, um Orçamento de Estado pior que o último de Passos Coelho e umas Grandes Opções do Plano para 2016-2019 (Proposta de Lei n.º 11/XIII) que não são melhores. Se não é claro quem manda no ministério da Educação, é já claro quem não manda, apesar de algumas tiradas fanfarrãs e pouco respeito por quem pensa diferente. Decididamente, António Costa menosprezou a Educação e resolveu-a protegendo a impreparação do ministro com a sombra tutelar de Maria de Lurdes Rodrigues. Cruzando o orçamento com as opções, resultam projectadas para a legislatura (se o Governo a concluir) medidas sem dinheiro para as pagar e persistência em bandeiras erradas do PS de outros tempos. Um bom exemplo é o alargamento da “Escola a Tempo Inteiro” (permanência na escola das 08.30 às 19.30) a todos os alunos do ensino básico, que já estava no programa do Governo e é reafirmado nas Grandes Opções do Plano (pág. 110).

A falta de tempo para os pais se dedicarem ao crescimento dos filhos é um problema social real e grave.(...)"


publicado por paulo prudêncio às 09:56 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 24.02.16

 

 

 

A desconfiança nas escolas tem diversas causas, mas a primeira relaciona-se com a inabilidade das sociedades em educar as crianças. A relação tem uma proporcionalidade directa. Uma sociedade que se demite de educar, remete para a escola a tarefa na totalidade.

 

Esta natural impossibilidade explica duas consequências: "perseguição" à profissionalidade dos professores, normalmente através da hiperburocracia e de outros fenómenos causadores de "síndrome de burnout", e aumento do consumo de psicotrópicos (ritalina e afins) em crianças agenda.

 

19104657_GWQbQ.png

 



publicado por paulo prudêncio às 18:42 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 22.02.16

 

 

 

 

A que horas se deitam as crianças? Têm televisão e computador com internet no quarto? Quantas horas, e a que horas, é que utilizam para os trabalhos de casa? Quantas horas brincam por dia em "total" liberdade? Em que condições é que o fazem? Quantas horas por dia jogam em computadores e afins? Quanto tempo passam nas deslocações diárias entre a casa e a escola? Por que é que há tantas crianças pobres? E tantos jovens obesos? Por que é que aumentou o número de Centros de Explicações? Que escolas frequentam as crianças pobres? Os horários de trabalho das famílias consideram estas interrogações? E ficávamos o dia todo a lançar perguntas educativas destas que não merecem um segundo de atenção do Conselho Nacional de Educação, apesar da sua Missão dizer que "(...)Ao Conselho Nacional de Educação compete emitir opiniões, pareceres e recomendações sobre todas as questões relativas à educação, por iniciativa própria ou em resposta a solicitações apresentadas pela Assembleia da República e pelo Governo.(...)".

 

Não sei o que pensam disto os 64 conselheiros, mas o presidente do CNE só tem olhos para a "eficiência" do sistema escolar em forma de mais com menos e de cortes a eito. É, realmente, muito difícil remar em favor da escola pública num país "sem sociedade" e em que o que a esta compete é remetido de forma absoluta para uma escola com um insuportável, e "impossível", caderno de encargos. E as crianças, como na imagem, estão condenadas a uma brincadeira: escola.

 

19289651_gwKk5.jpeg

 



publicado por paulo prudêncio às 17:56 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 13.02.16

 

 

 

 

Unknown.jpeg

 



publicado por paulo prudêncio às 12:40 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 11.02.16

 

 

 

Quem defende uma Europa mais plural deseja que o Governo-não-bom-aluno seja bem sucedido nesse difícil exercício. Para além disso, o Governo tem um apoio parlamentar inédito e não é liderado pelo partido vencedor das eleições. Ou seja, tem adversários que lhe cheguem para dispensar dois tipos de egos: coreógrafos dos paraísos para ontem e obstinados pelo regresso de irrealidades. Ambos são retratados pela imagem: produtos vazios, mas com processos destruidores de tudo o que os rodeia até do que diziam defender.

 

ny_863.jpg

 



publicado por paulo prudêncio às 19:38 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 10.02.16

 

 

 

 

Se o Governo quer elevar a escola pública, tem que se divorciar de vez do legado "totalitário" (escola "educadora a tempo inteiro", por exemplo) comprovadamente nefasto de Lurdes Rodrigues; por mais sedutoras, bem-pensantes e poupadas que pareçam as ideias e os mitos.

 

19256518_IhZzN.jpeg

 



publicado por paulo prudêncio às 17:18 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

A escola a tempo inteiro foi uma das medidas educatidas mais polémicas dos últimos anos porque acentuou a ideia de escola transbordante numa sociedade ausente. A sensação de escola-armazém instalou-se e "desresponsabilizou" a sociedade e as famílias deixando à escola a "impossibilidade" da "educação a tempo inteiro". O DN tem uma boa peça sobre o assunto e vamos observando os desenvolvimentos desta ideia tão cara aos governos de Sócrates que triplicou a negatividade da experiência ao impor o mesmo programa em todas as latitudes e ao precarizar até a um nível impensável a profissionalidade dos professores.

 

tumblr_n0yg3bNLq51qafjowo1_500.jpg

 

 



publicado por paulo prudêncio às 11:21 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Terça-feira, 15.12.15

 

 

 

A desconfiança nos professores tem diversas causas, mas a primeira relaciona-se com a inabilidade das sociedades em educar as crianças. A relação tem uma proporcionalidade directa. Uma sociedade que se demite de educar, remete para a escola transbordante duas tarefas: educar e ensinar na totalidade. Esta impossibilidade explica duas consequências: "perseguição" à profissionalidade dos professores, normalmente através da hiperburocracia e de outras inutilidades causadoras de "síndrome de burnout", e aumento do consumo de psicotrópicos (ritalina e afins) em crianças agenda.

 

Captura de Tela 2015-12-15 às 18.55.08.png

 



publicado por paulo prudêncio às 18:57 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 25.01.13

 

 

 

 

 

 

 

Podemos considerar a pedagogia do silêncio como uma espécie de metáfora que contraria o insuportável caderno de encargos da escola actual, que atribui à instituição um papel centrado na sala de aula e que contraria o excesso de informação e de ruído a que se sujeitam as crianças até no ambiente escolar. A pedagogia do silêncio elege a sala de aula para além do registo tradicional, situando-a no vasto elenco de possibilidades que definem o conhecimento transformacional da categoria aprendizagem que teve uma espantosa evolução.

 

O parágrafo anterior é o que de mais significativo registei na interessante conferência de António Nóvoa que se realizou ontem à noite no auditório da Escola Secundaria Rafael Bordalo Pinheiro e que foi organizada, numa iniciativa que inclui conferências às quintas-feiras, pelo Centro de Formação de Associação de Escolas Centro-Oeste.

 

António Nóvoa sistematizou um modelo que procura respostas para os desafios da escola do futuro através de um olhar atento para o presente e com uma profunda incursão num passado muito enriquecido por relevantes referências.

 

O conferencista continua à procura das palavras certas que ajudem a encontrar um caminho. Nesse sentido, talvez fosse curial reflectir sobre o uso da asserção "escola centrada na aprendizagem". É que foi quase exactamente assim que se instituíram as correntes pedocentristas como de alguma forma sistematizo aqui. Prefiro a "escola centrada no ensino", reconhecendo o risco do regresso ao outro termo da contradição, e talvez a "escola centrada na sala de aula" permitisse uma leitura menos equívoca. O peso das palavras é incontornável.

 

Para António Nóvoa continuamos na pedagogia do século XX e isso deve ser questionado. As ideias de "à sociedade o que é da sociedade e à escola o que é da escola" e "o regresso dos professores" são duas asserções que devem corporizar a ideia de uma "escola centrada na aprendizagem".

 

O conferencista fez analogias entre o que vivemos e o período iniciado com as correntes pedocentristas. As crianças são o "centro da vida". Propôs como fundamental a ideia de "ensinar os alunos que não querem aprender, porque os outros acabam sempre por o fazer" e socorreu-se de Alain que considerou que "difícil é conduzir as crianças a ficarem agradadas, no fim, com aquilo que, no princípio não lhes agradava nada".



publicado por paulo prudêncio às 21:37 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 23.01.13

 

 

 

 

Usei parte deste texto noutros posts.

A redundância tem limites.

 

 

 

Não sou pessimista, mas quem anda pelas escolas regista o estado de desesperança. Se já não tínhamos sociedade, parece que também já temos menos escola.

 

Os governos deste milénio agruparam escolas a eito porque estavam ancorados em maiorias absolutas e porque foram abençoados por cooperações estratégicas e pela opinião publicada. Deram corpo a políticas que misturaram a agenda neoconservadora com salpicos de engenharia social. Os resultados desastrosos acentuaram a ausência de sociedade na Educação das crianças, a desautorização inédita dos professores e a eliminação do decisivo critério de proximidade relacional.


Por mais alertas que se fizessem, a sociedade portuguesa armazenou as crianças e ausentou-se da sua Educação. Não há nada melhor que uma escola possa oferecer a uma família ausente do que um tutor. E sabe-se como essa decisão apenas espelha um estado de desespero e de caminho para o abandono escolar; são raras as excepções.

 

caderno de encargos da escola tornou-se insuportável, como há muito não me canso de escrever. Se até aqui o problema era civilizacional e de ensino, agora passou-se para o domínio da sobrevivência. 

 

É interessante o registo de António Nóvoa que apela a mais sociedade. Chega a afirmar que se continuarmos neste caminho, teremos "ensino no privado e social no público".

 

A inversão da tragédia só se consegue com actos. Não sei se na sociedade o caminho é o apontado por António Nóvoa, mas tenho a certeza que a recuperação da esperança escolar não se fará com as políticas de proletarização dos professores e de ausência de democracia no ambiente escolar.

 

 

Sampaio da Nóvoa defende transferências de competências das escolas para as autarquias

 

"O reitor da Universidade de Lisboa (UL) defende que as escolas têm "excesso de missões", que deveriam ser transferidas para outras instituições, como as autarquias ou famílias. Só assim, considera Sampaio da Nóvoa, os estabelecimentos de ensino conseguem estar focados na aprendizagem. "À escola o que é da escola. À sociedade o que é da sociedade", defende.(...)"



publicado por paulo prudêncio às 18:55 | link do post | comentar | ver comentários (13) | partilhar

Sábado, 23.06.12

 

 

Os últimos estudos que indicam a exaustão dos professores portugueses, focando mesmo a proximidade de depressão, referem a maior debilidade em quem lecciona no primeiro ciclo (e nos outros ciclos também, particularmente no secundário, e escrevo isto para que não se estabeleça qualquer ciúme corporativo), por causa da degradação social do seu estatuto, da escola a tempo inteiro (que "degrada" o clima de silêncio na sala de aula), da parafernália de má burocracia que incide particularmente nos atavismos organizacionais desse ciclo de ensino (muito por culpa dos professores, diga-se), e, isto já será conclusão minha, motivada pelas constantes alterações na gestão escolar que fazem com que as escolas do primeiro ciclo mudem todos os anos de sede.

 

O actual ministro da Educação propõe antecipar os exames do 4º ano e prolongar em mais quatro semanas as aulas para os alunos com mais dificuldades, acompanhando assim o desmiolo dos prolongamenos nos CEF´s, nos Cursos Profissionais e por aí fora e as resposições de aulas, noutros ciclos ensino, mais ou menos estapafúrdias que tentam limpar as consciências dos maus burocratas do MEC e das suas ramificações. Mas será que Nuno Crato pôs alguma vez os pés numa escola (sem ser em registo VIP, claro) ou que pelo menos lê o que se vai estudando sobre a exaustão de alunos e professores?

 

 



publicado por paulo prudêncio às 11:00 | link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Terça-feira, 06.12.11

 

A associação cultural de uma freguesia rural convidou-me para os ajudar num programa de actvidade física para crianças e jovens que tinham aulas de educação física na escola e natação num clube. Questionei-os sobre as vantagens dos petizes terem de suportar mais actividade física ao fim do dia e até pela noite dentro. Propus-lhes que utilizássemos as instalações e o tempo para um programa para adultos. A começar pela dezena que estava reunida. Pareciam-me sem hábitos de exercício físico e com sérios desvios alimentares. Dei conta que os choquei um bocado. Estavam focados nas crianças e esgotavam-se aí o que era mau para os dois grupos. Vinte anos depois, dou conta do processo que estava em construção e que é descrito por Winterhoff (2008:130).

 

"(...)O modelo simbiose explica também as crescentes dificuldades que professores e educadores têm com pais, quando se trata de descortinar em conjunto as perturbações das crianças. As queixas destas sobre os professores são, de um modo geral, tidas em conta pelos pais que se encontram num nível de simbiose (no mesmo patamar dos filhos e diluídos num só, digamos assim; comandados pelos petiizes, acrescento), que o professor visado terá feito algo de errado, já que não é de todo possível que a criança diga coisas sem sentido. (...)Contrariamente, uma queixa por parte do professor desencadeia, na maior parte dos casos, uma acção contra o próprio.

(...)Os professores que dão ordens e fornecem uma estrutura são já vistos como reaccionários, consequência de uma autoridade pervertida ao longo de décadas e que suscita conotações exclusivamente negativas. (...)são vistos pelos pais como sendo frios, distantes e pouco afectuosos na sua relação com as crianças. (...)."

 

Winterhoff, Michael (2008).

"Por que é que os nossos filhos se tornam tiranos?".

Lisboa. Lua de papel



publicado por paulo prudêncio às 20:54 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 24.08.11

 

 



publicado por paulo prudêncio às 16:39 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 20.07.11

 

 

 

Li há tempos a expressão que escolhi para título. Bem sei que os tempos estão de feição para os cortes na despesa do estado e que os elos mais frágeis ficam mais à mão. Como também estamos inundados pelos flagelo do desemprego, talvez seja despropositado focar a atenção na qualidade da organização do trabalho.

 

Mesmo assim, devemos fazer o que estiver ao nosso alcance para contrariar uma actualidade que nos diz que "(...) temos hoje milhares de pequenos emigrantes do quotidiano, que andam dezenas de quilómetros para ir à Escola. São as vítimas do encerramento cumpulsivo das 5000 pequenas escolas das suas aldeias. Juntam-se a outros milhares de crianças nacionalizadas em nome dum estranho conceito de Escola a tempo inteiro. Todas juntas, constituem uma espécie de órfãs de pais trabalhadores, com quem pouco estão. É preciso debater o papel que este sequestro e este desenraizamento podem jogar no comportamento destas crianças.(...)" O parágrafo que leu é de Santana Castilho (2011:57) em "O ensino passado a limpo".



publicado por paulo prudêncio às 21:43 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sexta-feira, 20.05.11

 

 

 

 

 

 

Tens tido o cuidado de precisar que te estás a referir a este PS, disseram-me noutro dia. É. Tem sido assim. Este PS, ou uma certa esquerda, é uma crença. É uma apreciação que parte do pressuposto que há um PS que não concorda com as políticas da Educação deste governo. Se a Educação é uma das prioridades de um país, depreende-se que no resto não será diferente.

 

Sabendo-se que este PS se afirma do centro e que teve uma agenda que agradou à direita, reforça-se a ilusão de que sobra um PS de esquerda que não se revê no desastre a que assistimos.

 

Quem quiser ir em busca dessa preciosidade, deve centrar a pesquisa no discurso à volta de alguns aspectos nucleares: escola a tempo inteiro, plano tecnológico para a Educação, novas oportunidades, parque escolar, gestão escolar e autonomia das escolas, estatuto do aluno, estatuto da carreira dos professores e avaliação de professores.

 

Vem isto também a propósito de um debate que vi ontem entre Ferro Rodrigues e Fernando Nobre. Quando o apanhei discutiam sobre Educação. Fiquei estarrecido com os argumentos eduqueses e de péssima burocracia aduzidos pelo antigo líder do PS. Tenho ideia que faz parte do grupo do ISCTE, com, entre outros, Vieira da Silva e Lurdes Rodrigues. Defendeu o desastre de modo convicto e sem dúvidas.

 

Bem sei que o candidato não tem estado por cá. Só se referiu à escola a tempo inteiro, ao plano tecnológico para a Educação, às novas oportunidades e à parque escolar; imaginei o resto e arrepiei-me.

 

Na escola a tempo inteiro desconhece a escola armazém e a consequente fuga trágica da sociedade na Educação dos petizes. No PTE datou o discurso para uma época em que se concebiam as culturas organizacionais sem contar com as pessoas, uma vez que do milhar de palavras usadas, mil eram sobre hardware. Nas novas oportunidades e na parque escolar não saiu da propaganda oficial, mostrou-se insensível ao pato-bravismo-em-modo-plural e às exigências da modernidade.

 

Fernando Nobre safou-se, apesar de se ter espalhado no regresso ao back to basics, naquela versão bacoca da minha-quarta-classe-é-que-era, e no desconhecimento dos nossos números muito generosos, e escandalosos, para a privatização de lucros na Educação.

 

Onde está então a esquerda do PS? Não a encontro mesmo. Talvez até se compreenda a enésima irritação do chefe do governo de gestão com a questão.

 

Sublinhe-se que não se encontra, no painel partidário com assento no parlamento, um discurso coerente e convicto que assuma a defesa do poder democrático da escola no seu mais amplo significado. Talvez o que acabei de escrever seja uma das explicações para o elevado número de indecisos que as sondagens registam; se é assim na Educação, no resto não será diferente.



publicado por paulo prudêncio às 22:32 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Segunda-feira, 22.11.10

 

 

 

 

Uma das características dos governos deste PS foi amontoar a eito na Educação. Ancorados numa maioria absoluta, abençoados por uma cooperação estratégica e beneficiando dos sorrisos da opinião publicada, os governos do actual chefe do governo deram corpo a um conjunto de políticas que misturaram uma agenda neoconservadora com salpicos de uma engenharia social muito ao jeito das ditaduras de extrema esquerda. Os resultados foram desastrosos. Ausência de sociedade na Educação das crianças e desautorização inédita dos professores.

 

A prepotência confundiu-se com a veia reformista. A forma como se agrupou escolas, ou se impôs um novo modelo de gestão, é um exemplo. O modo como se generalizou o programa de escola a tempo inteiro foi do pior populismo. As conhecidas actividades de enriquecimento curricular envergonham-nos.

 

Inglês. Irregularidades enchem as salas do 1.º ciclo

 

"APPI denuncia professores sem habilitações, alunos sem aulas ou com dois ou três professores num só ano(...)"



publicado por paulo prudêncio às 14:03 | link do post | comentar | ver comentários (19) | partilhar

Sábado, 23.10.10

 

 

A primeira página do Expresso, no seu canto inferior direito, traduz em números a vergonha da sociedade portuguesas: 30% dos alunos reprovam no primeiro ciclo.

 

Os últimos anos foram nefastos para as nossas crianças. A uma sociedade com pouca ambição escolar somou-se um governo apenas interessado em votozinhos e em destruir o poder democrático das escolas. Poucos duvidam dos caos que se instalou nas escolas e dos maus resultados em consequência da inédita e comprovada perseguição aos professores. Para grande parte das crianças portuguesas o destino ficou traçado pelo desastroso armazenamento escolar.

 

Há tempos escrevi assim:

 

"(...)A história dos sistemas escolares evidencia: sociedades com mais ambição escolar e com meios económicos que a sustentem atingem taxas mais elevadas de sucesso escolar. É irrefutável. Podíamos até atribuir a essa condição uma percentagem próxima dos 90%. Ou seja: se conseguíssemos sujeitar 100 crianças a uma escolaridade em duas sociedades de sinal contrário, os resultados seriam reveladores. Deixemos esta responsabilidade nos 60% para que sobre espaço para os outros níveis.

 

Se testássemos 100 alunos em escolas com organizações de níveis opostos mas na mesma sociedade, esperar-se-iam resultados diferentes. Todavia, essa diferença não seria tão acentuada como no primeiro caso. As condições de realização do ensino (clima escolar, disciplina, número de alunos por turma e na escola, autonomia da escola, desenho curricular, meios de ensino) devem influenciar em 30% e são mais significativas do que o conjunto dos professores.

 

Se 100 alunos cumprissem duas escolaridades com 100 professores diferentes, os resultados deveriam oscilar muito pouco. É neste sentido, abrangente, histórico e generalista que se deve considerar os 10% atribuídos aos professores.

 

É também por isso que pode ser um logro absoluto que uma sociedade com baixos níveis de escolaridade consuma as suas energias à volta do desempenho dos 10% ou sequer se convença que basta mudar o conteúdo físico dos 30% para que tudo se resolva. A componente sociedade é decisiva e se fecharmos bem os olhos podemos até considerar que 60% é um número por defeito. Mas mais: por paradoxal que pareça, sem os 10% nada acontece e não há ensino".

 

Sobre este assunto por ler ainda este post onde escrevi os seguinte parágrafos:

 

"(...) E então, dirá o leitor, não há solução? Claro que há caminhos a percorrer que com sistemática e tempo podem ser bem sucedidos. Desde logo, combater o flagelo do abandono e insucesso escolares está longe de ser uma tarefa exclusiva da escola; é de toda a comunidade. Se há que apurar números e estabelecer objectivos - e claro que há -, então pegue-se na organização administrativa do país (sei que Portugal tem mais de quarenta quadros, quando o moderno e razoável seria um) e faça-se um ranking concelhio com os números do abandono, e do insucesso, e divulgue-se(...)".

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 10:00 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Terça-feira, 28.09.10

 

 

Encontrei um texto imperdível no blogue do Paulo Guinote; aqui. Era bom que os arautos da escola a tempo inteiro lessem mesmo o texto. É dilacerante. Vai ao osso. Emocionou-me, sou franco.

 

Apetece-me partilhar o que sinto.
Será que as aulas introduzidas este ano de enriquecimento curricular,no meio das aulas curriculares, estarão a decorrer bem de norte a sul?
Que cansaço!..
Que tortura!..
Que inferno!..
Mas a OCDE não pode cá mandar uns rapazes ou raparigas para ver o estado em que a coisa chegou?..
Ando com vontade de fazer um filmezinho sobre um dia de aulas num TEIP, com o novo modelo de AECS pelo meio das aulas, e espetar com ele no Youtub.
Um TEIP que tem na escola mais problemática do 1º ciclo apenas 1 prof de apoio. Prof de ensino especial, é uma miragem. Ou não chegam, ou adoecem.. Tudo para os titulares de turma.
A rapazeada não pode ver o trabalho à frente. Tento convencê-los o dia inteiro da importância de saberem mais, mas não resulta muito.
Quando os tento acalmar e fazer um trabalho sério, lá se vai tudo. Acabou de chegar o prof de hip-hop.. Berros espojamentos no chão…
Eu tento retirar-me para um canto da escola para esperar e entrar novamente em cena,e acabar uma aula de matemática que tinha iniciado pela manhã, e eis que me deparo com uma luta de um jovem de 9 anos que já tinha batido numa empregada e tinha acabado de atirar ao chão 4 ou 5 cadeiras.
Chamada a polícia, esta coincidiu com a entrada dos meus infantes que regressavam da sua aula de hip-hop. Fascinados pelo cenário tb quiseram assistir. Difícil, foi convencê-los que tinham que subir para a sala, para concluir a aula anterior.
Mas, eis que chega a professora de dança, que só hoje se apresentou e leva-os, para terem a sua primeira aula. Hoje não dançaram, foi apenas apresentação.
Eu humildemente, retirei-me e procurei o cantinho da escola que tinha procurado, na aula anterior, quando do hip-hop.
Mas esta aula de dança, como a aula de teatro, como a de expressões fazem parte de um outro projecto da escola, e os professores são obrigados a estarem presentes e a interagir. Subi e instalei-me na minha cadeira, a tentar descansar um pouco, visto ser apresentação. A aula de dança acabou, mas tinha o Apoio ao Estudo. A hora ia avançada, e aqui a rapazeada olhou-me, implorou-me: _Professora, nós estamos cansados. Eu li nos olhos deles, que aquela hora não podiam estar de outra maneira. Eu tb estava estourada. Não conseguia fazer mais nada!
Quanto ao que devia ter feito e não fiz, o problema não é meu. Dos alunos tb não.
Foi pouquíssimo o que consegui fazer hoje.
Quem sabe se amanhã não consigo acabar a aula de hoje…
Se não acabar ficará para o próximo dia. Eu irei lá estar todos os dias em príncipio..
Horas de apoio na sala? 2h 50 m semanais.
De referir que estou a falar de uma turma de 4º ano, com níveis de aprendizagem que passam pelo 1º, 2º, 3º e 4ºanos. Dois dos alunos são de Ensino Especial.
Possivelmente, quem ler isto, pensará que estou a inventar. É pura verdade e passa-se numa escola portuguesa.
Amanhã há outro dia e o sol nascerá de novo.
Só peço que o possa ver nascer. Isso será o mais importante.
Quanto a fazer coisas sérias e com alguma qualidade, faz parte do passado. Esse já não volta..

 

 

Luana




publicado por paulo prudêncio às 22:40 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Quinta-feira, 23.09.10

 

 

O centralismo português é uma das causas do nosso atraso e apaga qualquer veleidade das províncias. Mas compreendo os receios com a regionalização e aceito a inquietação com a municipalização da Educação.

 

Há duas políticas que elucidam o estado de buraco negro a que chegámos: a generalização do nefasto programa de escola a tempo inteiro como se o país fosse um subúrbio de Lisboa e a ausência de responsabilização municipal nas taxas chocantes de abandono escolar.



publicado por paulo prudêncio às 20:45 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 19.09.10

 

 

O armazenamento escolar de crianças desde tenra idade tem de ter resultados negativos. É inquestionável o valor das creches e dos jardins de infância, mas é muito questionável a política que não perde um segundo a pensar nos horários de trabalho das famílias com crianças pequenas e que massifica as instituições do chamado pré-escolar para períodos de permanência das 07h00 às 20h00 (li, algures, que existe uma instituição com regime nocturno).

 

É natural que num país que não sabe o que fazer às suas crianças, se discutam coisas como a que vai ler a seguir.

 



Impor abandono da sesta é uma “tortura” praticada em muitos infantários



publicado por paulo prudêncio às 12:11 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 17.09.10

 

 

Já dei conta da situação insustentável que se vive em Santo Onofre. São inúmeras as variáveis da organização que entraram em crise ou em falência. A carta que se pode ler a seguir é da responsabilidade dos encarregados de educação de uma turma do primeiro ciclo. Solicitaram-me a publicação. O conteúdo é elucidativo. Entre os vários aspectos referidos, salienta-se a tábua rasa que se fez de um dos aspectos que transformou aquele estabelecimento de ensino numa referência.

 

 

"Assunto: Reclamação de horário"

 

Os pais e Encarregados de Educação dos alunos da turma 3º B da Escola EBI Santo Onofre, reunidos em Assembleia, vêm requerer à Direcção do Agrupamento a alteração do horário dos seus filhos/educandos pelas razões que a seguir indicam.


a) A consistência e a articulação das matérias curriculares, no plano da aprendizagem, exige uma disponibilidade intelectiva e emocional, que não é compatível com o facto de disciplinas de natureza extracurricular figurarem intercaladas com aquelas, porque assim se força a criança a estar concentrada em momentos (fim do dia lectivo) que vão além das suas capacidades.


b) A não uniformização dos tempos de almoço, dada a sua variação ao longo da semana, quebra o estabelecimento de rotinas imprescindivéis para uma boa formação nesta faixa etária, e vem ao arrepio dos problemas de desenvolvimento que caraterizam os alunos com mais dificuldades. Note-se que foram entregues relatórios médicos nos quais se refere que a escola deve “promover um ambiente estruturado e organizado, no qual as rotinas sejam mantidas e os hábitos sejam regulares”. Considere-se ainda que a não uniformização dos tempos no horário traz implicações negativas, em termos práticos, para as famílias, pois exige que os Encarregados de Educação, que optarem por dar almoçam aos seus educandos fora da escola, tenham (pelo menos) uma diponibilidade de tempo desde as 11:50 às 14:10. Impede também o encontro salutar entre irmãos à hora de almoço, pois os horários na EBI não são coincidentes mesmo entre alunos do 1.º ciclo. Obriga a que estes tenham uma autonomia, semelhante à dos alunos dos restantes ciclos, uma vez que terão de almoçar ao mesmo tempo que os mais crescidos (2.º e 3.º ciclos). Aqui levanta-se a questão da indisciplina, que é notoriamente conhecida e cujo problema tem sido difícil de solucionar. Esta junção de níveis etários diferentes apresenta-se como mais um problema para os próprios assistentes operacionais.


c) Esta não uniformização dos intervalos irá obrigar a que os nossos alunos adquiram capacidades de auto-regulação que ainda não têm. Terão de se abstrair dos constantes ruídos que haverá quer nos corredores, quer no recreio. Acresce ainda o número de alunos que a  EBI tem como sendo um grande factor de promoção de constante ruído. Esta realidade em nada se compara com os restantes estabelecimentos de ensino do Agrupamento. A ideia de uniformizar os horários no Agrupamento para todas as EB1 deverá ter em conta a tipologia dos estabelecimentos, bem como a ideologia da sua construção. Não se pode nivelar todos por igual, quando na sua essência o não são. Uma Escola Básica Integrada NÃO é o mesmo que uma EB1. Há vários estudos nessa matéria e os resultados da articulação entre ciclos, assentes nesta tipologia, estão mais que comprovados, veja-se os resultados EXCELENTES dos ex-alunos desta escola. Se durante 15 anos este estabelecimento de ensino conseguiu manter um projecto de grande qualidade, o que mudou agora? Porque não fomos informados destas profundas alterações? Temos direito a ser esclarecidos quando os projectos deixam de estar em vigor, atempadamente, para podermos tomar decisões dentro dos prazos. Sentimo-nos enganados.


d) A introdução de áreas não curriculares antes da hora de almoço obriga a que o seu carátcer facultativo seja preterido, em virtude de os alunos que optem pela sua não frequência ficarem com um tempo vazio, note-se que há dias na semana que o intervalo de almoço é de 2h e 10min. Considere-se aqui também o facto de a escola não ter recursos humanos disponíveis para uma adequada ocupação destas crianças, como se pode inferir dos problemas já existentes durante os intervalos, ocorridos nos anos lectivos anteriores. O maior número de actos de violência praticados entre alunos ocorreu durante os intervalos de almoço, como muito bem sabe. Tendo esta escola um horário desdobrado, como poderão garantir a vigilância à hora de almoço se há alunos no recreio e na sala de aula? Aumentaram o número de recursos humanos para acautelar esta situação?


e) Considera-se ainda que esta escola deve recuparar as suas boas práticas decorrentes do projecto de articulação entre ciclos e não imitar as experiências de insensibilidade pedagógica e movidas por meros interesses financeiros, as quais tão desastrosamente têm sido organizadas pela autarquia e que têm sido objecto de crítica por toda a comunidade educativa.

Entenda-se também que as AECs são facultativas, devendo por isso figurar no horário no final das actividades curriculares. Os nossos educandos foram matriculados nesta tipologia de ensino (EBI) pela sua vertente pedagógica que privilegia a articulação entre ciclos, quer por parte dos docentes, quer por parte dos alunos. Refiram-se as inúmeras actividades realizadas ao longo do ano lectivo transacto que apontam todas nesse sentido.


f) Entendemos que os direitos dos nossos educandos não estão a ser garantidos. “As leis devem levar em conta os melhores interesses da criança” e NUNCA razões de ordem económica ou de outro tipo, rivalidades, etc.

 

Assim, propõe-se:

  1. Que não haja actividades extracurriculares antes das 15:15.
  2. Que essas actividades sejam leccionadas a partir das 15:15.
  3. Que o horário seja reposto à semelhança do ano lectivo transacto.
  4. Que a articulação entre ciclos seja retomada, pela sua relevância pedagógica e como forma de afirmar a imagem da escola.

 

Aguardamos  a  Vossa  resposta.

Caldas da Rainha, 15 de Setembro de 2010



publicado por paulo prudêncio às 19:04 | link do post | comentar | ver comentários (12) | partilhar

Quinta-feira, 09.09.10

 

 

Números que contrariam ideias feitas. Contudo, importa salientar que se os alunos mais pequenos estão mais tempo na escola é porque vêem reduzidos os momentos com a família e com os amigos do bairro. Portugal começa a ter uma característica: a omissão das crianças no espaço público.

Alunos e professores portugueses têm mais tempo de aulas



publicado por paulo prudêncio às 21:45 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 29.08.10

 

 

 

Os pais que, segundo as autoridades, não cuidem das dietas de crianças com obesidade mórbida devem perder os seus filhos. De repente até se pode compreender, mas fiquei inquieto com a notícia. Ouvi na rádio um dos defensores e ainda mais arrepiado fiquei; um psicólogo que usa uma linguagem alinhada com o que denuncio aqui: um discurso bem-pensante no limiar da génese de um totalitarismo. Os tiques são vários e pouco reflectidos. Temos exemplos, como este, que vão fazendo o caminho das consciências. Encontrei, aqui, um post interessante sobre o assunto.

 

Sabemos que a nutrição dos primeiros cinco anos de vida marca-nos e que nenhuma responsabilidade podemos assumir. Mas daí até a este estado de fervor científico deve ir um passo longo. Ainda por cima num estado que promove medidas que estimulam a obesidade das crianças: a escola a tempo inteiro ou os programas de computadores portáteis, por exemplo. São sinais perigosos.

 

 

Filhos obesos devem ser separados de pais negligentes, dizem peritos



publicado por paulo prudêncio às 20:48 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 08.08.10

 

 

 

Temos motivos para sentir vergonha: no nosso país as crianças são um problema e não sabemos como educá-las.

 

Se associarmos o receio que os portugueses têm em deixar as crianças a brincar com os amigos nos espaços públicos ao armazenamento generalizado da escola a tempo inteiro, temos umas prováveis explicações para o aumento de crianças hiperactivas.

 

Portugal não tem crianças na rua. Os petizes portugueses estão em casa pregados às consolas, aos televisores ou às redes sociais e nos períodos lectivos são depositados à guarda das instituições escolares; no segundo caso, chegam a passar cerca de 10 horas dentro da mesma sala de aula a realizar as actividades mais diversas. É uma tragédia anunciada.

 

Nos últimos cinco anos não se ouviu um qualquer governante preocupado com a relação entre os horários de trabalho e o tempo que as famílias dedicam às crianças. Têm apenas uma única e obcecada receita: aumentar o caderno de encargos da escola. Que ninguém tenha dúvidas: degradou-se o serviço da escola pública ao mesmo tempo que a educação das nossas crianças passou a ter encarregados de educação em parte incerta. Só pode dar no seguinte:

 

 

Venda de fármacos para crianças hiperactivas continua a aumentar

 

"João, Maria, José, tanto faz. São só miúdos irrequietos ou serão hiperactivos? São só muito distraídos ou têm um défice de atenção? Resolve-se com paciência e tempo ou é preciso também a ajuda de um químico? Há cada vez mais crianças com o diagnóstico de Perturbação de Hiperactividade com Défice de Atenção (PHDA) e, por isso, cada vez mais crianças são medicadas com psicoestimulantes, como a conhecida Ritalina.(...)"



publicado por paulo prudêncio às 11:58 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Terça-feira, 27.07.10

 

 

Se a sociedade continuar a impor ao caderno de encargos da escola a guarda das crianças doze horas por dia e com isso reduzir o tempo das famílias para a educação dos petizes, os números que vai ler a seguir subirão quase pela certa. Sabemos que os desafios actuais são complexos, mas os horários de trabalho têm de contribuir para a qualidade educativa e para o aumento da natalidade. Sem os fluxos migratórios, a sobrevivência dos portugueses começa a ficar em causa.

 

Estudo conclui que há um ou dois hiperactivos em cada sala de aula, com problemas cognitivos



publicado por paulo prudêncio às 23:26 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Sexta-feira, 16.07.10

 

 

A imposição a eito, e de forma obstinada, do modelo de escola a tempo inteiro tem os resultados que se vão conhecendo e provoca este tipo de instabilidade e de desarticulação nos diversos sectores do estado e do serviço público. Há desde logo uma consequência com a duplicação de serviços e com o descontrole administrativo: aumento da despesa em desperdício.

 

 

Governo considera "chocante" ideia de corte nas refeições dos ATL



publicado por paulo prudêncio às 17:47 | link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Quinta-feira, 15.07.10

Cortesia da Isabel Silva.



publicado por paulo prudêncio às 21:05 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Terça-feira, 13.07.10

 

 

 

O actual presidente da República apoiou de forma incondicional e estratégica as políticas da anterior ministra da Educação. Nunca se ouviu uma frase a propósito do novo modelo de gestão e da sua lógica centralista e de assumida viragem contra as autonomias. As intervenções do PR a propósito das referidas políticas eram sempre num registo de apoio e com recados para os professores.

 

Eis que se aproxima a campanha eleitoral e o vale quase tudo entra em campo. É por estas e por outras que a bancarrota nos ameaça constantemente. Ora leia estas afirmações do actual PR, a reportagem toda encontra-a aqui, e tire as suas conclusões.

 

 

"(...)Exigiu por isso, ao Governo mais para as escolas e aos pais mais atenção: “Precisamos de mais poderes, precisamos de mais autonomia, eles fazem milagres, mas os pais não podem entregar a criança de manhã na escola deixá-la lá até às sete da tarde e dizer resolvam tudo”, advertiu Cavaco Silva, considerando que Portugal precisa de “ir buscar o exemplo àqueles países em que a escola é assumida com orgulho por toda a comunidade.(...)"



publicado por paulo prudêncio às 21:44 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sexta-feira, 09.07.10

 

 

"A escola a tempo inteiro é um bom slogan, mas, a prazo, pode representar um empobrecimento cultural das crianças e das comunidades. Eis-me, outra vez, a defender o retraimento da Escola. É importante que saibamos separar o que é essencial e obrigatório para todas as crianças daquilo que deve ser opcional e responder a diferentes necessidades de diferentes crianças".

 


António Nóvoa (2006) , encontrei o texto aqui.



publicado por paulo prudêncio às 15:00 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quarta-feira, 30.06.10

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A ausência de sociedade no combate ao abandono escolar continua sem uma linha que incomode as consciências. Há muito tempo que não se ouve um governante, ou alguém da área do arco do poder, a debitar uma frase sequer sobre a necessidade da sociedade se mobilizar para derrotar o flagelo do analfabetismo. É tudo com a escola e só com a escola. A única ideia que continua em lista de espera é a avaliação dos professores pelo número de abandonos de alunos; nem que sejam adultos.

 

Dois séculos depois dos nossos parceiros do norte da europa terem erradicado o analfabetismo, nós continuamos a tentar perpetuar essa vergonha nos dois dígitos e com o recurso cíclico a enchentes de currículos alternativos e de cursos de educação e formação. Ninguém é responsável. E que tal um ranking concelhio dos abandonos escolares até ao final do primeiro ciclo de escolaridade? Pelo menos a vergonha não dormia descansada.

 

Os últimos governantes exageraram. Não só omitiram a necessidade da sociedade pensar nos horários de trabalho de modo a que as famílias tivessem mais tempo para as crianças, como criaram um modelo de escola a tempo inteiro que sufoca de certificados de frequência o cérebro dos petizes. E não foram de meias medidas: generalizaram a coisa ao país todo, sem qualquer experimentação, e de forma apressada para que nem houvesse tempo para pensar. Uma encruzilhada difícil de resolver.



publicado por paulo prudêncio às 21:20 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 11.06.10

 

 

Professores que leccionam nas actividades de enriquecimento curricular em Mafra, publicam o manifesto que pode ler de seguida de forma resumida e aqui na totalidade.

 

 

Excelentíssimos Senhores,


Somos um grupo de profissionais responsáveis pelas Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) no Agrupamento de Escolas de Mafra e vimos por intermédio da carta aberta anexada informa-los da acção de sensibilização que levaremos a cabo na próxima segunda-feira dia 14 de Junho entre as 8:30 e as 11 da manhã em frente à EB1 Hélia Correia em Mafra.

A referida acção pretende alertar para a necessidade de uma intervenção efectiva por parte das instâncias responsáveis com vista à futura melhoria das condições laborais de profunda precariedade a que a nossa classe docente tem estado sujeita.

 

Como referido, em anexo segue o nosso manifesto o qual, sendo uma carta aberta, foi também enviado a todos os interessados e implicados na organização destas actividades.

Agradecemos o Vosso acompanhamento desta acção e desta problemática.

Um grupo de profissionais das AEC do Agrupamento de Escolas de Mafra.



publicado por paulo prudêncio às 14:00 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 10.06.10

 

Foi daqui

 

Já dei conta por diversas vezes: um dos aspectos que mais me impressionou neste governo do PS foi a ausência de qualquer ideia sobre o tempo que as famílias passam com as crianças e a relação que esse fundamental espaço educativo tem com os horários de trabalho. Nada. Um silêncio ensurdecedor. A única solução passou pela imposição apressada da escola armazém para gáudio de uma irresponsável confederação de pais.

 

Por outro lado, é também espantosa a forma como estes governos têm tratado os jovens que entram no mercado de trabalho. Basta que se obtenham informações sobre as condições em que os professores leccionam as famosas AEC´s (actividades de enriquecimento curricular) ou olhar para o desrespeito com que são tratados os professores contratados (cobaias no monstro da avaliação do desempenho). É grave. Há outras causas, é evidente, mas as que referi contribuem seguramente para o que pode ler a seguir.

 

 

Portugueses estão a desaparecer



publicado por paulo prudêncio às 14:00 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Quarta-feira, 09.06.10

 

Foi daqui

 

São já muitos os que se questionam com a doença que se apoderou das mentes técnicas dos serviços centrais do ME. Já prognostiquei: para além da elevada temperatura corporal, há por ali uma desmesurada "mania de grandeza" que pode até ser congénita.

 

Tenho mais algumas pistas. Principalmente da 24 de Julho a paisagem é deslumbrante. O tejo fica debaixo de um olho constante. E isso inspira muito, estou em crer. Apesar da zona da torre de belém ser de difícil alcance visual, é natural que o sítio remeta o cérebro para coisas em grande. Não esqueçamos que foi dali que Portugal deu novos mundos ao mundo.

 

Digam-me lá: que outro país, ou que outra inspiração geográfica, conceberia um modelo de avaliação de desempenho com 100 descritores facillitadores da produção até 1000 (mil, para que não haja equívocos) descritores? E que dizer da invenção de uma escola que armazena miúdos de sete anos das oito às dezoito, prevendo-se a abertura do turno nocturno? E de um modelo de gestão da escola-organização com pelo menos 30 edifícios espalhados pelo território a evangelizar?

 

Dizia um desses especialistas: "os professores ainda não estavam preparados para este modelo de avaliação. É uma questão de tempo. Mais uns dois ou três anos e a coisa vai". Que ninguém se iluda. Para estes e outros assuntos da Educação, vai ser apenas uma questão de tempo na versão 24 de Julho somada à da 5 de Outubro. A menos que... Ou seja, os seus modelo são infalíveis, os aplicadores é que são fracos, coitados. Uns zecos falhos no horizonte marítimo. Este tipo de lamentação depois alastra-se. Os portugueses mais propensos à navegação à vista e mais versados em meter água, adquirem o hábito de antes de olharem para dentro apontarem o dedo aos outros. A sua descarada incompetência tenta sempre mascarar-se com o poder às assessorias. Acaba sempre em tragédia.

 

Se não, reparem:

 

Governo corta nos ministros, mas mantém salários de adjuntos e assessores

 

"Está lançada a confusão com o corte de cinco por cento no vencimento dos políticos. Afinal, os cortes excluem directores e sub-directores gerais, assessores, adjuntos e restantes membros dos gabinetes ministeriais. O que está a causar mal-estar entre os socialistas no Parlamento.(...)"



publicado por paulo prudêncio às 11:11 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Terça-feira, 01.06.10

 

 

Foi daqui

 

 

 

Tenho escrito muito sobre a ausência de sociedade no combate às desigualdades escolares. Por mais voltas que se dê à organização do sistema escolar, o nível socio-económico da população é determinante para o sucesso escolar e educativo. Desde há muito que se sabe que a escola é incisiva em cerca de 10 por cento desse objectivo, cabendo nessa pequena parte uma fatia significativa aos professores.

 

O que impressiona em Portugal são os permanentes sinais de desinteresse escolar e de "abandono" familiar logo nos primeiros anos de escolaridade. E ninguém é responsável; ninguém mesmo. Talvez umas ameaças, justas ou injustas, em relação ao rendimento social de inserção e nada mais.

 

Já o enunciei e volto a fazê-lo: se a nossa babilónica divisão administrativa só considera claramente dois níveis, o central e o local, então que se responsabilize os concelhos por esta tragédia anunciada. A não ser assim, as turmas de currículos alternativos e os cursos de educação e formação continuarão a proliferar em cada geração como uma espécie de parque de estacionamento dos centros de emprego e formação profissional e dos serviços prisionais.

 

Há quem faça qualquer coisa no sentido positivo; o que pode ler aqui é significativo.



publicado por paulo prudêncio às 20:07 | link do post | comentar | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
Discordâncias:
Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
comentários recentes
O grande desafio de uma sociedade democrática é es...
"Não posso ensinar a falar a quem não se esforça p...
Quando perguntei se a Ana leu mesmo o post não est...
Se não parecesse brincadeira de mau gosto, eu come...
Desculpe Ana, mas leu mesmo o post?Começa assim: "...
"É mais um motivo de esperança no sentido da moder...
Enfim. Nunca se sabe o que pode acontecer; realmen...
posts recentes

E estranhamos a indiscipl...

Tutorias e escola a tempo...

A escola a tempo inteiro ...

As horas escolares dos al...

a escola a tempo inteiro ...

ligações
posts mais comentados
19 comentários
15 comentários
12 comentários
10 comentários
9 comentários
7 comentários
6 comentários
6 comentários
6 comentários
5 comentários
tags

agrupamentos

além da troika

antero

avaliação do desempenho

bancarrota

banda desenhada

bartoon

blogues

caldas da rainha

campanhas eleitorais

cartoon

cinema

circunstâncias pessoais

coisas tontas

concursos de professores

contributos

corrupção

crise da democracia

crise da europa

crise financeira

crise mundial

crónicas

democracia mediatizada

desenhos

direito

direitos

economia

educação

efemérides

escolas em luta

estatuto da carreira

exames

falta de pachorra

filosofia

finanças

fotografia

gestão escolar

história

humor

ideias

literatura

luís afonso

mais do mesmo

manifestação

movimentos independentes

música

organização curricular

paulo guinote

política

política educativa

portugal

professores contratados

público-privado

queda de crato

queda do governo

rede escolar

sociedade da informação

tijolos do muro

ultraliberais

vídeos

todas as tags

favoritos

bloco da precaução

pensar o sistema escolar ...

escolas sem oxigénio

e lembrei-me de kafka

as minhas calças brancas ...

as minhas calças brancas ...

reformas e remédios (1) -...

sua excelência e os númer...

sua excelência (2) (reedi...

sua excelência (1) (reedi...

subscrever feeds

web site counter
Twingly BlogRank
arquivo
blog participante - Educaá∆o - correntes .jpg
Por precaução
https://www.createspace.com/5386516
Razões de uma candidatura
https://www.createspace.com/5387676
mais sobre mim