Em busca do pensamento livre.

Segunda-feira, 13.02.17

 

 

 

Entrevista | “Caminhamos para o facilitismo Sr. Secretário de Estado?”



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Domingo, 09.10.16

 

 

 

O entrevistado, que só pensa calçado, disse: "O Estado é pessoa". Estaria descalço? A página 26 da revista do Expresso, rubrica Passeio Público (51 minutos com...), tem uma tirada humorada para iniciar a entrevista:

 

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O título diz assim:

 

José Tribolet:

 

"O Estado em Portugal não é pessoa de bem"



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Segunda-feira, 22.08.16

 

 

 

 

Impressiona, em acontecimentos recentes, a pressa com que se pretende escrever a história com um revisionismo risível. A eliminação, ou adulteração, da memória tornou-se um hábito. Imagine-se, então, o que poderá acontecer quando tratamos o passado mais longínquo. É muito interessante a entrevista da revista do Expresso (20 de Agosto de 2016) a Sanjay Subrahmanyam - "considerado um dos grandes historiadores indianos e - pasme-se - um especialista sobre a presença portuguesa na Índia(...)" -. A passagem que vai ler (página 54) dá que pensar se a relacionarmos com a quebra no número de jovens historiadores ou com a importância da documentação da memória através da interessante proliferação de meios.

"Um historiador não tem de acreditar na memória, tem de jogar contra ela para ver como é construída, porque muitas vezes a memória é falsa."

 

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Domingo, 14.08.16

 

 

 

 

Li uma entrevista, dada com desassombro, de quem vai coordenar o perfil do aluno no final do 12º ano.

 

Lembrei-me deste post.

 

Começa assim:  

 

A febre reformista no sistema escolar em Portugal não é nova: é mesmo imparável. O que é engraçado, e com o passar do tempo, é que vemos recuperar ideias antigas como se de grandes novidades se tratassem. Parece um percurso circular.

Escrevia, algures em 1998, uns textos para uma revista sobre educação e o coordenador pediu-me que inscrevesse algumas ideias sobre o assunto. Lembrei-me dos remédios. Fui ler a literatura do “Benuron” - medicamento para todas as dores e para todas as maleitas gripais e constipais - peguei no seu modelo organizativo e fui andando. Foi uma noite bem passada. Quase 16 anos depois, e aproveitando as competências do blogue, publico-as de novo. Só dois detalhes antes de começar: se em 1998 era possível este grau de má burocracia e eduquês, não é de admirar que com mais 17 anos intensivos isto tivesse chegado a este estado.

 

Republico apenas o perfil do aluno. Para os restantes medicamentos terá que ir ao original no link referido.

 

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Perfil do aluno. 

Registo da patente: equipa coordenadora dos programas escolares na reforma Roberto Carneiro em 1989. 

Composição: registo preciso e rigoroso do estado do produto aluno somados x anos de laboração. 

Indicações terapêuticas: impede desvios acentuados nos complexos processos de apreciação global dos alunos; facilita a criação de mecanismos rigorosos de análise transversal do desempenho de humanos sujeitos ao agressivo contexto escolar. 

Contra-indicações: pode provocar ligeiras dores de cabeça quando verificada a sua articulação com os programas escolares das disciplinas dos anos terminais de ciclo. 

Precauções especiais de utilização: não deve ser aplicado a alunos muito curiosos nem aos que se posicionem de frente ou de costas. 

Prazo de validade: um ciclo escolar, precisamente.



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Domingo, 28.02.16

 

 

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"A avaliação que temos não passa de uma ficção"

 

Paulo Guinote, Professor e autor do livro "A grande marcha dos professores".

 

"Nunca se tinha assistido a nada assim. A 8 de março de 2008, cerca de 100 mil professores saíram à rua naquela que foi a maior manifestação de uma classe profissional alguma vez realizada em Portugal. Queriam contestar a ministra Maria de Lurdes Rodrigues, que elegeram como inimigo nº 1, e acabar com o modelo de avaliação de desempenho assente na divisão da carreira em duas categorias, que acabou por não avançar. Oito anos depois, Paulo Guinote, professor de Português do 2º ciclo e autor do popular blogue “Educação do Meu Umbigo”, entretanto extinto, recorda o protesto sem precedentes no livro “A Grande Marcha dos Professores”, que será lançado esta semana. Hoje, garante, os docentes estão ainda mais desanimados do que na altura. 

O que mais recorda desse dia? 
Lembro-me de uma altura em que estava a meio da Avenida da Liberdade, olhei à minha volta e vi-me completamente rodeado de gente. Para quem, como eu, nunca tinha estado numa manifestação, era uma sensação bastante estranha. 

Que marcas deixou nas escolas? 
Vendo com esta distância, acho que deixou marcas de desânimo e alguma tristeza. Houve demasiada esperança para tudo o que não foi conseguido. Nenhuma reivindicação essencial foi satisfeita.(...)"



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Sábado, 03.10.15

 

 

 

 

Vasco Vieira de Almeida deu o nome a uma das maiores sociedades de advogados. A revista do Expresso (a primeira página do caderno principal é descaradamente tendenciosa em termos eleitorais) tem uma entrevista interessante. Publico aguns recortes.

 

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Sábado, 06.06.15

 

 

 

 

É interessante esta entrevista a Humberto Eco onde o jornalista salientou uma frase que tem tanto de óbvio como de intemporal: "A internet é perigosa para o ignorante e útil para o sábio".

 

Foi George Orwell quem disse que "descemos a um ponto tal que a reafirmação do óbvio é o primeiro dever dos homens inteligentes" e, apesar de Humberto Eco não se estar a referir a um momento de descida profunda, podemos considerar óbvias e intemporais as suas conclusões. Retirei dois parágrafos.

 

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Segunda-feira, 13.04.15

 

 

 

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Muito boa entrevista.

 

"(...)Numa entrevista que deu recentemente pareceu estar desiludido, cansado... 

É uma mistura de tudo. Houve uma altura em que se sentiu que talvez fosse possível mudar a forma como se discutia a educação. Passado um punhado de anos, percebi que é como a história do pântano: há umas ondas e depois começa a acalmar, até que olhamos à volta e estamos iguais ao que estávamos há dez anos. Eu era mais um que andava aqui no meio.(...)"



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Quinta-feira, 19.02.15

 

 

 

 

"(...)Creio que a mediocridade se mede pela ausência de princípios éticos, e as pessoas que fazem uma carreira na ciência, na indústria, no comércio, nas letras, na função pública e que são bem formadas têm alguma dificuldade em aceitar, por um lado, o servilismo em relação aos partidos, por outro lado, o maquiavelismo e o oportunismo a que as máquinas partidárias dão ensejo.(...)

 

O que acabou de ler é uma das faces do prolongamento da "Nova teoria do mal" de Miguel Real que encontra, na edição do Público de hoje, em forma de entrevista.

 

A visão maniqueísta consolidou-se e ainda há dias ouvi Mariano Gago contrapôr, com absoluta mágoa, a necessidade do bem se impôr ao mal. Para o ex-ministro (mais ou menos, claro), quando o bem desafia o mal no seu reduto, todos começamos por sofrer com as consequências; mas com o tempo, a força moral do bem sobrepõe-se às circunstâncias.

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"Aos 61 anos, o filósofo, ensaísta e romancista Miguel Real lança mais um romance. Agora, em vez de ficcionar sobre a actualidade ou sobre a história, constrói uma utopia ficcional em que projecta o futuro: O Último Europeu, Edições D. Quixote.(...)

E a classe política?

(...)A classe política foi tomada de assalto, sobretudo a governação, por um conjunto de funcionários das jotas que foram servilmente subindo degrau a degrau, limpando tudo em redor como os eucaliptos, até ao momento em que não há alternativa dentro dos partidos. As possíveis grandes alternativas, as alternativas de mérito fogem para a sua profissão, para a ciência, para as artes, para o comércio, para a economia, para as finanças.

Vivemos em democracia?

Há vários tipos de democracia. Do ponto de vista formal não podemos negar que há democracia, nos grandes princípios da Europa a democracia cumpre-se: há alternativas, há alternâncias, há possibilidade de contestação, há liberdade de expressão, de reunião, de manifestação, tudo isso é muito importante. Quem viveu antes do 25 de Abril não pode negar que este é o melhor regime.(...)

Há excepções?

(...)Agostinho da Silva contava uma história da serra da Malcata, onde na década de 1960 havia cinco famílias num povoado. Três dessas famílias emigraram, sem saber a língua, com os costumes rurais que tinham, a mentalidade da Nossa Senhora de Fátima, mas tiveram a ousadia e a coragem de ir a salto para a Alemanha e a França. Quando mais tarde regressaram triunfantes, com uma família, um carro, uma casa, quem dominava a aldeia? Os que não tinham tido a coragem de partir. Dominavam a sacristia, o minimercado, a serração da madeira e também a junta de freguesia. Portugal é um pouco isso. As elites corajosas e ousadas são as que partem. Ficam cá, em parte pois não quero generalizar, os que não têm coragem de partir, ou seja, não têm coragem de inovar. A elite portuguesa reflecte hoje isso.

No actual relativismo ético, idolatra-se o dinheiro e o consumo. Vivemos uma regressão civilizacional e estamos a voltar a um mundo mais desigual?

Socialmente mais desigual, inevitavelmente estamos. A Europa transformou-se numa empresa de negócios, uma grande empresa. As nações, os países são os sócios dessa empresa. A empresa fez-se para trocar, vender, comprar.(...)



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Quinta-feira, 05.02.15

 

 

 

Philippe Legrain deu há menos de um ano uma entrevista arrasadora ao Público. O antigo conselheiro económico de Durão Barroso foi coerente e tecnicamente fundamentado ao desmontar a destruição produzida pela troika e acentuada pelo Governo português. Desconstruiu a teoria, que o Governo português fomentou e implementou, que nos dilacerou e que nos colocou como "criminosos" que mereciam um castigo.

 

Os portugueses foram uma fonte de receita para um sector financeiro corrupto, como estamos fartos de saber. É impensável que desta vez não haja uma qualquer accountability para os políticos que passaram o tempo a acusar os outros de falta de responsabilidade profissional, de preguiça e de gastarem em excesso. É bom que haja alguma memória.

 

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Terça-feira, 09.12.14

 

 

 

 

A generalização dos motores de pesquisa começa a ter história e a preocupar os que se inquietam com as aprendizagens das novas gerações. O google, por exemplo, é uma ferramenta poderosíssima para os adultos e muito questionável para os mais jovens. Ora leia a entrevista a Umberto Eco.

 

 

Umberto Eco. "O Google é uma tragédia para os jovens".

 

"(...) Sim, no caso do Google, ambos os conceitos convergem. O Google cria uma lista, mas no momento em que olho para a lista que o Google gerou, ela já mudou. Essas listas podem ser perigosas - não para os adultos como eu, que adquiriram conhecimento de outro modo -, mas para os jovens, para quem o Google é uma tragédia. As escolas deveriam ensinar a arte da discriminação. (...). A educação deveria regressar às estratégias das oficinas da Renascença. Aí, os mestres podiam não ser capazes de explicar aos alunos por que razão uma pintura era boa em termos teóricos, mas faziam-no de maneiras mais práticas. Olha, isto é o aspecto que o teu dedo pode ter e este é aquele que deve ter. Olha, esta é uma boa combinação de cores. A mesma abordagem deveria ser utilizada nas escolas quando se lida com a internet. O professor deveria dizer: "Escolham qualquer assunto: a história da Alemanha ou a vida das formigas. Pesquisem em 25 páginas web diferentes, comparando-as, e tentem descobrir qual tem informação importante e pertinente". Se dez páginas disserem a mesma coisa, pode ser sinal de que essa informação está correcta. Mas isso também pode acontecer porque alguns sites se limitaram a copiar os erros dos outros. (...)"

 

 

 



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Ler aqui.

 

 

 

 



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Domingo, 16.11.14

 

 

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 O eterno desenho do Quino.

 

O liberalismo selvagem (ou ultraliberalismo) vigente, persistente, totalitário e já com história, tem contornos evidentes. A sua agenda consistiu na diluição de alguns valores essenciais à democracia. Por exemplo, a ideia de transparência foi-se tornando em algo só ao alcance de pessoas pouco espertas ou nada expeditas: uma coisa démodé

 

Nada tens a esconder? Não és interessante. És um aborrecido.

 

A revista do Expresso tem uma interessante entrevista sobre a necessidade de desconstruir o tal liberalismo:

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O título está também interessante:

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A entrevista é extensa. Escolhi uma das lides (de lead :)):

 

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E por falar em revistas e peças interessantes, também aconselho a peça da Revista do Público sobre "O estado da meritocracia em Portugal".

 

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Domingo, 02.11.14

 

 

 

... esta entrevista a António Nóvoa (pouco mais de 10 minutos apenas).

 

 

 

 

 

 



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Quinta-feira, 31.07.14

 

 

 

 

A "Gazeta das Caldas" fez mais uma peça sobre a ideia de municipalização da Educação no concelho de Óbidos, mas não encontro o link. Estive algum tempo a conversar com a jornalista apesar das dificuldades da rede. É interessante ser ouvido como professor e blogger. Não pertencer aos órgãos de partidos políticos, sindicatos e por aí fora cria algumas incomodidades na vidinha pública, mas a sensação de liberdade e de cumprimento do dever cívico é inigualável; mais ainda, e por incrível que pareça, nos tempos que correm.

 

Nota-se que a autarquia de Óbidos recuou no seu ímpeto-modelo-GES e que já se inspirou em alguma sensatez.

 

 

 

 

 

  

 

  

 

 



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Domingo, 29.06.14

 

 

 

 

Insisto na recente afirmação de António Costa, "o Governo de Sócrates promoveu uma injusta guerra aos professores", porque o signatário fez parte desse Governo durante os dois ou três primeiros anos, tem fortes possibilidades de ser primeiro-ministro e parece transportar os mentores de tão grave e comprovado acto. Costa sabe do que fala e fez a afirmação, inédita entre os socialistas conhecidos, porque quis. Não deve, portanto, acontecer um qualquer apagão com os beligerantes a desenvolverem os tradicionais revisionismos históricos.

 

Nem de propósito Lurdes Rodrigues é entrevistada pelo Expresso desta semana. Sem o relevo doutros tempos, mas com um título digno de quem lida amiúde com engenharias sociais tão caras aos totalitarismos. Sou franco: há muito que perdi a paciência para esta personagem que mistura fanatismo com um desconhecimento arrepiante da cultura organizacional das escolas e que não tem qualquer prova dada nesse último domínio.

 

A entrevista tem vários aspectos com que concordo; desde logo com a crítica aos ensinos dual e vocacional e com outros postulados do mesmo nível.

 

Contudo, sublinhei a vermelho os que evidenciam a desumanidade dos generais tresloucados que provocam guerras e que, naturalmente, não têm emenda.

 

Do estatuto do aluno à relação da autonomia das escolas com a necessidade de mais burocracia para prestação de contas, conclui-se o que sempre se desconfiou: Lurdes Rodrigues está ao nível da repartição pública anterior à sociedade da informação e do conhecimento e comparou as carreiras dos professores ao que se passa nas instituições militares. Recorde-se que esta ex-ministra também considerou a autonomia despesista (percebe-se ainda melhor o seu conceito burocrático de prestação de contas talvez inspirado num qualquer euroviete supremo) e foi no seu mandato que se inventou o desmiolado modelo de gestão escolar em curso.

 

Mas vai mais longe: não reconhece, naturalmente, a irracionalidade da torrente alicerçada em critérios administrativos (porquê sete anos?) que designou por concurso para professores titulares ou a brutalidade daquela avaliação desenhada no MEC com 4 dimensões e 25 domínios que resultaram em 100 indicadores e 1000 (sim, 1000) descritores inaplicáveis para pontuar professores de 1 a 10 e com o uso de quotas. Esta dilaceração da atmosfera relacional era "sempre para ontem" (a senhora tinha epifanias vincadas e generalas) e acabou por ser classificada como "fascismo por via administrativa" por um dos primeiros arrependidos. E conclui sem qualquer emenda: "os governos recuam porque a contestação fica insuportável".

 

É, portanto, fundamental que fique claro o papel destes actores beligerantes.

 

 

 

 

 

 

 

 



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Sábado, 28.06.14

 

 

 

 

Quando li, há uns anos já distantes, que se concluiu que erros judiciais originaram que cerca de metade das pessoas executadas por pena de morte nos EUA estivessem inocentes, passei a duvidar ainda mais das acusações a priori e a considerar a possibilidade do erro judicial.

 

O caso Casa Pia é, qualquer que seja a verdade, monstruoso e na entrevista que Clara Ferreira Alves faz a Carlos Cruz, na edição deste fim-de-semana da revista do Expresso, assiste-se a uma defesa do condenado a vários anos de prisão.

 

Não tenho, naturalmente, informação para tomar posição em relação à acusação de Carlos Cruz e nem é isso o motivo do post. Numa passagem da entrevista Clara Ferreira Alves refere-se a um juiz de uma forma que me deixou perplexo (como se andar de moto em desportos "aventura" estivesse vedado a um juiz) e Carlos Cruz revela que o referido magistrado andava com uma pistola à cintura ao jeito de John Wayne. Estamos a viver tempos muito esquisitos ou há todo um país que desconhecíamos e que tem um nível um bocado mais sei lá o quê do que nos piores cenários.

 

 

 

 



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Sexta-feira, 27.06.14

 

 

 

"(...)O ciclo do meu mandato foi muito longo. E a própria ideia de avaliação teve um percurso. Acho que a questão mais crítica no caso dos professores são as suas consequências. Mas toda a mudança que se fez no Estatuto da Carreira Docente (ECD) não posso dizer que a tenha feito contra os professores ou sem os professores, ou até sem a auscultação de outras forças políticas. Foi um processo muito mais negociado do que no final parecia ter sido, envolvendo até o PSD no desenho de algumas das soluções, nomeadamente na estruturação vertical da carreira, etc... mas depois a política também tem as suas conjunturas.(...)".

 

 

António Costa denunciou, numa entrevista recente, a injusta guerra aos professores promovida pelo Governo de Sócrates como o principal erro dessa governação. Mesmo que se considere que Costa está em campanha, é de salientar o ineditismo e a brutalidade da afirmação. Exige-se, porém, que se detalhe a guerra e que se enunciem soluções. É que ainda recentemente um estudo indicou que "nove em cada dez professores do 3º ciclo sentem que a profissão é desconsiderada pela sociedade" e a malta do mainstream que tem governado o MEC encontrou logo a solução carregada de cinismo e de sei lá mais o quê: formação em educação especial.

 

Retirei o parágrafo com que abri o post desta longa entrevista a Maria de Lurdes Rodrigues ao Público. A ex-ministra é apresentada como coordenadora científica do mestrado em políticas públicas do ISCTE e é socióloga (ao que me dizem, o seu último livro sobre a matéria publicado recentemente não tem uma frase sobre Educação). Quem ler o depoimento todo chega ao fim sem discordar com a maioria dos pressupostos que apresenta. Como é isso possível depois de tudo o que se passou no seu consulado?

 

A nova gestão das políticas públicas (NGPP) desenhada no início do milénio por sociólogos é um linguajar sedutor e bem-pensante que passa por engenharias sociais e financeiras que deslocam as pessoas em blocos com formatos numéricos inseridos em modelos verticais de carreiras associados à prestação de contas e a objectivos individuais impregnados de meritocracia (a frase foi escrita assim com intenção). Uma tragédia, como se comprova.

 

O linguajar desses sociólogos que se instalaram no MEC pouco depois de virar o milénio (já antes disso se notou a patologia), tem este denominador comum: um diagnóstico progressista e consensual que a referida engenharia não só inverte (há tragédias como a dos professores portugueses e basta ler o que se passou na France Telecom) como provoca nos destinatários da sua acção a recorrente impressão: podem estar horas a linguajar que tudo aquilo espremido não tem qualquer relação com as organizações a que se destina.

 

Notei a ocupação pela NGPP em 2002. Foi um momento de viragem. A partir daí, o discurso anti-escola e anti-professor (que foi inexistente nos políticos anteriores a 2002) ganhou asas. O mandato de Lurdes Rodrigues foi um expoente desse discurso de nivelamento por baixo (e reconhecem-se os transversais abusos na administração do estado)

 

A prestação de contas, os objectivos individuais, as carreiras verticais, a gestão tipo-empresarial (até João Rendeiro do BPP foi apresentado por um ex-ministro com uma mágoa: "só não contratava especialistas daqueles para as nossas escolas porque não tinha dinheiro para lhes pagar"; foi um valente e injusto murro no estômago de quem geria escolas), a sobreposição dos indicadores macro, o inferno da medição, a terraplenagem dos mandatos escolares e da cultura organizacional (a informatização, recheada de incompetência política, do concurso de professores mais mediatizado da história, 2004, descredibilizou durante meses essa cultura e deixou-a à mercê do que se seguiria) foi desenhada pelo bloco central cujos actores tentam passar pelos pingos da chuva.

 

Como diz a ex-ministra, apenas as conjunturas (estão no Governo ou na oposição) disfarçam um acordo tácito que causou, e causa, sérios prejuízos à escola pública.

 

Já Luhmann, N. (2001:14)"A improbabilidade da comunicação", Lisboa: Vega, Passagens, considerava que “(...) esta redefinição de termos e relações implica uma viragem radical relativamente ao pensamento político europeu dominante e tem, como última consequência, o abandono definitivo do modelo organicista – de uma relação parte-todo, em que a posição central estava sempre reservada ao indivíduo. (...). Na opinião de Luhmann (op. cit.), o homem perde a posição de centralidade no organismo social e é remetido para o exterior, passando a fazer parte do meio ambiente do sistema. Torna-se uma causa para o aparecimento de problemas constantes e de complexidades crescentes.

 

O que acabou de ler tem em Nuno Crato um fiel seguidor; mesmo que relativamente inconsciente e não informado. Ainda hoje encontrou uma solução que arrepia se pensarmos nas consequências, para as pessoas e para o país, do fecho de quatro a seis milhares de escolas: "Nuno Crato garante verbas para transporte dos alunos cujas escolas vão fechar". A hipocrisia de quem governa desde a estratosfera não tem, realmente, limites. Era o que mais faltava que Crato não dissesse o que disse.

 

Evidencia-se a linha de continuidade na guerra aos professores que foi também uma guerra à escola pública, aos seus alunos e aos respectivos encarregados de Educação.

 

 

Já usei parte deste texto noutro post.

 

 

 

 



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Quinta-feira, 26.06.14

 

 

 

 

Encontrei uma entrevista que a "Gazeta das Caldas" me fez e que foi publicada em 11 de Julho de 1999. Não mudava grande coisa e nem quero dizer com isto que me sentia sei lá como se não me revisse no que disse no século passado. É evidente que registo influências de literatura que hoje considero muito menos, mas no essencial revejo-me.  

 


Como é que vai ser o ensino no ano 2000/próximo milénio? 

Com todos os riscos que uma previsão desse tipo encerra, podemos e queremos imaginar um ensino que estimule a curiosidade e que desperte uma permanente vontade de aprender. Sabemos que isso exige esforço. Também sabemos que quem gosta de aprender constrói modelos de referência, perspectiva caminhos, serve-se dos vastos recursos existentes e ajuda a que outros também o façam. A etapa que vivemos teve um caminho inevitável e desejável, a massificação do ensino. É necessário passarmos a outro estádio, também imperativo, a democratização do ensino. Desejamos que o ensino chegue a todos de uma forma verdadeiramente significativa, mas, para isso, é desejável que a articulação entre as diversas instituições responsáveis pelo sucesso educativo (que não apenas o escolar...) seja eficiente. De uma coisa estamos certos: se não sabemos muito bem para onde vamos, sabemos de certeza por onde já não queremos ir. O conjunto de experiências e de estudos é suficientemente vasto para não repetirmos soluções gastas e do passado. A escola continuará a ensinar, mas os modelos organizacionais que proporcionam o acesso aos saberes, aos conhecimentos, aos valores, às atitudes, serão definitivamente diferentes. Mesmo hoje, parece-nos desnecessário fazer o elenco dos parceiros educativos da escola para sermos claros na resposta a uma questão deste género. No entanto, o destaque para a família como parceiro privilegiado e decisivo evidencia-se, agora e no futuro. 

Como é que essas transformações se vão repercutir na sua escola, ao nível de professores e alunos? 

Já se repercutem. Ao longo deste século sempre se procuraram metas de excelência nos diversos domínios das aprendizagens. A cultura da escola é a cultura permanente da exigência, da finalidade e da regra mas também do afecto, da amizade, do drama e do erro. Com a alteração vertiginosa dos meios, impõem-se novos modelos de relação pedagógica que reconhecidamente terão exigências crescentes. Contudo, espera-se que renovem entusiasmos, que reformulem projectos e que abram novos horizontes. Para ambos, professores e alunos, caminhar num bom percurso de aprendizagem não é uma tarefa fácil, é antes um somatório de venturas e desventuras; o fundamental é que as condições de realização do acto educativo acompanhem e apoiem as necessidades de uns e de outros. 

Quais as prioridades que deveriam haver nas Caldas ao nível da educação? 

É importante que se crie um conselho local de educação, onde todos os contributos se cruzem. Esse conselho ajudará a estabelecer as políticas educativas ajustadas às necessidades da comunidade, com indicadores que não se desloquem duma perspectiva emancipadora e sempre balizados pela preocupação de tentar apreender o novo e dar-lhe forma. O conselho local de educação estará assim em condições de sugerir com clareza quais as áreas prioritárias de investimento. Deverá ser um conselho que funcione, que se governe por um regimento moderno e que seja simultaneamente aglutinador e mobilizador. Mais do que fazer elencos de prioridades, é fundamental criar as bases organizativas que orientem as políticas educativas ou outras. Também é fundamental que, depois, a comunidade perceba o caminho e que identifique ao longo do percurso o que claramente se quer ou não se quer. Como alguém disse "o ensino não deve continuar a encontrar soluções que tenham um pé no passado, ou seja, não deve responder de forma igual para todos sem perceber que o fundamental é introduzir saídas para cada um. A escola não pode continuar a ser um local de estacionamento de potenciais desempregados". Ora aqui está uma prioridade absoluta, que só pode ser concretizada com ideias sólidas sobre o que vai ser o mercado de trabalho no futuro, na região e no mundo. Aí, a escola, isoladamente, pouco fará. O ensino do futuro passará decerto também por aqui. E o sucesso das políticas terá uma relação muito directa com a capacidade de antecipação.

 

 

 



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Segunda-feira, 12.05.14

 

 

 

 

Philippe Legrain deu ontem uma entrevista arrasadora ao Público. O antigo conselheiro económico de Durão Barroso foi coerente e tecnicamente fundamentado ao desmontar a destruição produzida pela troika e acentuada pelo Governo português. Desconstruiu a narrativa, que o Governo português fomentou e implementou, que nos dilacerou e que nos colocou como "criminosos" que mereciam um castigo.

 

Os portugueses foram uma fonte de receita para um sector financeiro corrupto, como estamos fartos de saber. É impensável que desta vez não haja uma qualquer accountability para os políticos que passaram o tempo a acusar os outros de falta de responsabilidade profissional, de preguiça e de gastarem em excesso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 15.04.14

 

 

 

 

 

 

Era o 1 de Abril de 2014 e o email pedia respostas com urgência. Estava em causa o preenchimento de uma página da edição seguinte e as respostas não apareciam. De repente pensei que fosse uma partida. Não era. Respondi sobre automóveis e deixo o registo como uma espécie de arquivo.

 

 

 



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Quinta-feira, 10.04.14

 

 

 

É interessante esta entrevista a Humberto Eco onde o jornalista salientou uma frase que tem tanto de óbvio como de intemporal: "A internet é perigosa para o ignorante e útil para o sábio".

 

Foi George Orwell quem disse que "descemos a um ponto tal que a reafirmação do óbvio é o primeiro dever dos homens inteligentes" e, apesar de Humberto Eco não se estar a referir a um momento de descida profunda, podemos considerar óbvias e intemporais as suas conclusões. Retirei dois parágrafos.

 

 

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 02.04.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 09:55 | link do post | comentar | ver comentários (15) | partilhar

Sábado, 29.03.14

 

 

 

 

 

Durão Barroso foi taxativo na entrevista a Ricardo Costa do Expresso: tivemos que pedir financiamento para pagar a corrupção no BPN, BPP e nas PPP´s (rodoviárias, saúde, Educação e por aí fora). O jornalista retorquiu: mas os bancos alemães tiveram o mesmo problema. Durão Barroso voltou a ser taxativo: é isso que outros países não nos perdoam. Eles tinham dinheiro para pagar a corrupção e nós não.

 

Ou seja: são os do costume (funcionários públicos, pensionistas e os que não fogem impostos) que pagam a corrupção e a situação é explosiva e insustentável. Não sei se há algum efeito campanha eleitoral nas surpreendentes confissões de Durão Barroso (o presidente com apoio do "arco da governação" fica para outro post) que também afirmou que avisou o actual primeiro-ministro dos limites para certa política.

 

Cavaco Silva (que só admite mais cortes aos que têm salários mais elevados) e o Governo (que diz discutir novas taxas para grandes empresas) afinam pelo mesmo diapasão o que retira algum impacto às declarações do ainda presidente da Comissão Europeia. So faltava termos confissões parecidas de Oliveira e Costa, Dias Loureiro, João Rendeiro, Duarte Lima e familiares.

 

Estas confissões permitem que António José Seguro acuse o primeiro-ministro de persistir em enganar os portugueses e, quiçá, comece a pensar em eleições legislativas em Outubro de 2014.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 22:00 | link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Quarta-feira, 12.03.14

 

 

 

 

Um blogue é também um registo algo intimista que nos permite arquivar acontecimentos para memória futura.

 

No dia 18 de Dezembro de 2013, e conforme o prometido, voltei à Mais Oeste Rádio para uma hora de conversa com Jorge Santos (um ex-aluno dos primeiros tempos nas Caldas da Rainha e é mesmo uma viagem no tempo ser entrevistado nessas circunstâncias) e com o José Ramalho do CCC das Caldas da Rainha com quem me habituei a ter conversas muito interessantes. A entrevista acabou por se prolongar por duas horas e passei um bom bocado. O Jorge Santos fez o favor de colocar o áudio no youtube e de me enviar os links (um para cada hora) que permite ouvir e arquivar.

 

 

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Domingo, 16.02.14

 

 

 

 

 

Está um belo dia de sol e ler numa esplanada à beira-mar retempera. Passava os olhos pela entrevista a Marçal Grilo, ex-ministro da Educação que designou a interdisciplinaridade como motor do currículo, e nem a bênção atmosférica e paisagística sossegou alguma indignação.

 

Ora leia este bocado.

 

 

 

Revista do Público

 

 

A entrevistadora, Maria João Avilez, é "sábia". Há muito que sabe as mesmas coisas e que as repete. Por mais que os resultados do PISA (Programme for International Student Assessment), do TIMMS (Trends in International Mathematics and Science Study) e do PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study) demonstrem o contrário do que a senhora inculcou no pensamento, a entrevistadora continua com a firme convicção de que apenas os seus inúmeros "sobrinhos", que são, todavia, uma minoria da população, têm acesso ao discurso do entrevistado que enunciou três áreas como fundamentais. Marçal Grilo não só não contrariou as ideias que realcei a vermelho, como desenvolveu uma teoria curricular muito própria e com patamares redundantes. Têm razão, realmente, os que dizem que a bancarrota era o que nos esperava.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 15:37 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 18.12.13

 

 

 

Se tudo decorrer como o previsto, estarei mais logo, das 21h00 às 22h00, à conversa com Jorge Santos e José Ramalho. Pode ouvir a entrevista em directo, aqui, no site da Mais Oeste Rádio 94.2 ou interagir na página do facebook da maisoesterádio94.2fm. É uma continuação da entrevista de 11 de Setembro de 2013, onde prometi voltar para falar só sobre Educação.



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Segunda-feira, 16.12.13

 

 

 

Aceito com gosto os convites para ir aqui ou ali, mas há uma necessidade de recato de que não prescindo. Estamos no final do período lectivo, e em época festiva com exigente logísitica, e apetece eliminar os compromissos. Esta semana ainda não vai ser possível.

 

Amanhã, 17, terça-feira, 200 kms para sul para um debate às 20h00; 18, quarta-feira, uma incursão mediática nocturna de que darei conta noutro post; 19, quinta-feira, 250 kms para norte para um debate às 21h00. Compreende-se que tenha recusado fazer 180 kms novamente para sul no dia 20, sexta-feira, para outro debate interessante.



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Domingo, 15.12.13

 

 

 

"(...)O ciclo do meu mandato foi muito longo. E a própria ideia de avaliação teve um percurso. Acho que a questão mais crítica no caso dos professores são as suas consequências. Mas toda a mudança que se fez no Estatuto da Carreira Docente (ECD) não posso dizer que a tenha feito contra os professores ou sem os professores, ou até sem a auscultação de outras forças políticas. Foi um processo muito mais negociado do que no final parecia ter sido, envolvendo até o PSD no desenho de algumas das soluções, nomeadamente na estruturação vertical da carreira, etc... mas depois a política também tem as suas conjunturas.(...)".


 

Retirei o parágrafo que acabou de ler da longa entrevista a Maria de Lurdes Rodrigues no Público de hoje. A ex-ministra é apresentada como coordenadora científica do mestrado em políticas públicas do ISCTE e é socióloga (ao que me dizem, o seu último livro sobre a matéria publicado recentemente não tem uma frase sobre Educação; naturalmente, como se compreenderá mais à frente); e são exactamente esses detalhes que mais me impressionam. Quem ler o depoimento todo chega ao fim sem discordar com a maioria dos pressupostos que apresenta. Como é isso possível depois de tudo o que se passou no seu consulado?

 

A nova gestão das políticas públicas (NGPP) desenhada no início do milénio por sociólogos é um linguajar sedutor e bem-pensante que passa por engenharias sociais e financeiras que deslocam as pessoas em blocos com formatos numéricos inseridos em modelos verticais de carreiras associados à prestação de contas e a objectivos individuais impregnados de meritocracia. Uma tragédia, como se comprova. O linguajar destes sociólogos que se instalaram no MEC pouco depois de virar o milénio, tem este denominador comum: um diagnóstico progressista e consensual que a referida engenharia não só inverte (há tragédias como a dos professores portugueses e basta ler o que se passou na France Telecom) como provoca nos destinatários da sua acção, ou em quem os ouve ou lê, a recorrente impressão: podem estar horas a linguajar que tudo aquilo espremido não tem qualquer relação com as organizações a que se destina.

 

Notei a ocupação pela NGPP em 2002. Foi um momento de viragem. A partir daí, o discurso anti-escola e anti-professor (que foi inexistente nos políticos anteriores a 2002) ganhou asas. O mandato de Lurdes Rodrigues foi um expoente desse discurso. Pegou-se nos abusos (sim, existiram abusos, mas minoritários como comprovam todos os indicadores, nas escolas e nos professores) e nivelou-se por baixo.

 

A prestação de contas, os objectivos individuais, as carreiras verticais, a gestão tipo-empresarial (até João Rendeiro do BPP foi apresentado por um ex-ministro com uma mágoa: "só não contratava especialistas daqueles para as nossas escolas porque não tinha dinheiro para lhes pagar"; foi um valente e injusto murro no estômago de quem geria escolas), a sobreposição dos indicadores macro, o inferno da medição, a terraplenagem dos mandatos escolares e da cultura organizacional da Educação (a informatização, recheada de incompetência política, do concurso de professores mais mediatizado da história (2004) descredibilizou durante meses essa cultura e deixou-a à mercê do que se seguiria) foi desenhada pelo bloco central e dá ideia que nada aprenderam.

 

Como diz a ex-ministra, apenas as conjunturas (estão no Governo ou na oposição) disfarçam um acordo tácito que causou, e causa, sérios prejuízos à escola pública.

 

Já Luhmann, N. (2001:14)A improbabilidade da comunicação, Lisboa: Vega, Passagens, considerava que “(...) esta redefinição de termos e relações implica uma viragem radical relativamente ao pensamento político europeu dominante e tem, como última consequência, o abandono definitivo do modelo organicista – de uma relação parte-todo, em que a posição central estava sempre reservada ao indivíduo. (...). Na opinião de Luhmann (op. cit.), o homem perde a posição de centralidade no organismo social e é remetido para o exterior, passando a fazer parte do meio ambiente do sistema. Torna-se uma causa para o aparecimento de problemas constantes e de complexidades crescentes.

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 20:21 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Segunda-feira, 07.10.13

 

 

 

O PSD e o PS estruturaram o voto na nossa democracia e não há solução de Governo sem a sua chefia. Por muito que alguns militantes desses partidos não gostem de ler, os aparelhos partidários estão na origem da queda da nossa democracia. A rede clientelar é a primeira causa do estado a que chegámos. Pacheco Pereira aborda bem a questão numa entrevista, ontem, no Público. Colo o título e os destaques que se aplicam a qualquer dos partidos referidos.

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 11:25 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 13.09.13

 

 

 

Foi uma semana muito preenchida. Para além das minhas novas realidades derivadas da agregação de escolas e que relatei aqui, surgiram uma série de incitativas mediáticas ligadas à defesa da escola pública e de que darei conta a seu tempo. Para além disso e ainda no fim da semana passada, organizei um Workshop integrado num conjunto de actividades onde fiz uma contratura muscular que me pôs de muletas. Ou seja, todo o desdobramento foi realizado em esforço suplementar e sempre à boleia.

 

Um blogue é também um registo algo intimista e que nos permite arquivar acontecimentos para memória futura. No meio de tanta tarefa, apareceu-me um convite da Mais Oeste Rádio para uma hora de conversa com Jorge Santos (um ex-aluno dos primeiros tempos nas Caldas da Rainha e é mesmo uma viagem no tempo ser entrevistado nessas circunstâncias) e com o José Ramalho do CCC das Caldas da Rainha com quem me habituei a ter conversas muito interessantes. Lá fui para os estúdios à boleia e as muletas não provocaram qualquer embaraço. Há cerca de 10 anos que não estava numa rádio e passei um bom bocado. O Jorge Santos fez o favor de colocar o áudio no youtube e de me enviar o link que permite ouvir e arquivar.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 18:32 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Paulo Guinote e Maria Emília Brederode Santos, do CNE, analisaram, na SICN, de forma excelente a entrevista de Nuno Crato na SIC.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 09:06 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Quarta-feira, 11.09.13

 

 

 

 

Se tudo decorrer como o previsto, estarei, das 21h00 às 22h00, à conversa com Jorge Santos e José Ramalho. Pode ouvir a entrevista em directo, aqui, no site da Mais Oeste Rádio 94.2 ou, ao que percebi, interagir na página do facebook da maisoesterádio94.2fm.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:18 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 23.04.13

 

 

 

 

 

 

 

A filósofa espanhola Adela Cortina, está como residente da Universidade do Porto e deu uma interessante entrevista ao Público de Sábado.

 

Escolhi o espaço sobre Educação porque me pareceu que se ajusta ao que se passou nos últimos anos nas nossas escolas quando necessitávamos ainda mais de gestos responsáveis, (autónomos, portanto) solidários a altruístas. Como se sabe, estes valores não se decretam mas os modelos organizacionais podem estimulá-los.

 

Adela Cortina recorreu a uma metáfora de dois lobos, que existem dentro de cada um de nós, usada por um chefe índio.

 

Um lobo concordante e a favor da paz e outro violento e egoísta.

 

É na alimentação que damos aos contendores que tudo se joga. Se queremos professores responsáveis, mobilizados e altruístas temos de confiar neles como pessoas autónomas. Leva tempo, exige uma enorme paciência com os lobos do outro lado, mas os resultados surgem.

 

Falei dos professores porque foi o caso mais flagrante com a sua avaliação e com o modelo de gestão escolar ultraliberal. Podia encontrar inúmeros argumentos semelhantes sobre os alunos e até sobre os cidadãos em geral.

 

O ultraliberalismo estimula o egoísmo, para a propalada prestação de contas usa mecanismos férreos, inaplicáveis, inexequíveis, desumanos e, naturalmente, com péssimos exemplos vindos "de cima". Alimenta o tal lobo egoísta e violento que prevalece num quotidiano que vai das folhas excel aos waps.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 15:00 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 10.03.13

 

 

 

Quando alguém argumenta com o fantasma do nazismo, há sempre umas vozes que classificam o orador como injusto, exagerado, desconhecedor, complexado não competitivo e por aí fora.

 

Ora leia o que Helmut Schmidt disse, algures na década de oitenta do século XX, a Belmiro Azevedo (página 21 da P2 de de 10 de Março de 2013). É uma opinião do interior de Alemanha e de quem não pode ser acusado de desconhecer o país.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:55 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Terça-feira, 05.02.13

 

 

 

 

Luís Valadares Tavares, ex-presidente do Instituto Nacional da Administração, é um adepto do SIADAP (Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho na Administração Pública). Bem sei que a linguagem do sistema é sedutora e bem-pensante, mas a sua aplicação é desastrosa.

 

Nas respostas a esta entrevista, levanta uma questão pertinente depois de afirmar que o Governo está a "esmagar" a função pública (é mais um que chegou atrasado à tragédia que ajudou a perpetrar).

 

 

"(...)Cortar nas aquisições.


Sim, mas há cinco administrações públicas. A directa está controlada, o Governo não tem conseguido controlar é as despesas nas empresas públicas, institutos públicos e nas administrações regional e local.(...)"



publicado por paulo prudêncio às 16:27 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Sábado, 01.12.12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Duma entrevista ao escritor angolano Ondjaki (Jornal de Letras de 28 de Novembro de 2012, página 11).






publicado por paulo prudêncio às 18:12 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 29.11.12

 

 

 

 

Passos Coelho terá dito, ontem à TVI, que vai implementar um co-pagamento (um eufemismo para o substantivo propinas) no ensino secundário. Ouvi a pergunta, nesse sentido, de José Alberto Carvalho, mas a resposta escapou-me. O que ouvi foi Passos Coelho afirmar que o sector privado já se ajustou e que o público não. Esta enormidade só se pode justificar por radicalismo ideológico.

 

Compreendo a indignação com as propinas no secundário. As pessoas intuem a realidade. Com a chegada de Passos Coelho ao poder, a agenda de privatização tout court ganhou um alento inédito reforçado pelo sentimento da derradeira oportunidade.

 

E por que é pessoas informadas na actual maioria estão tão desesperadas?

 

Em primeiro lugar, porque os últimos estudos e relatórios não ajudam os seus propósitos como esperavam. O derradeiro, encomendado pelo MEC, apresenta, de forma resumida, os seguintes números para o investimento médio por turma: 70000 euros nos 2º e 3º ciclos do ensino básico e 89000 euros no ensino secundário (apura-se um valor médio de 76000 euros) nas escolas do Estado e 85000 euros nas escolas cooperativas.

 

Este estudo tem um relatório com os números apresentados. Foi, depois, feita uma adenda que incluiu outras variáveis independentes. Os valores nas escolas do estado subiram e o valor médio passou para 86000 euros.

 

Em segundo lugar, e se olharmos para a discussão em curso, percebe-se o desespero da maioria em propor propinas no ensino secundário. Já não têm espaço para mais supressões de disciplinas, não podem advogar as quatro dezenas para o número de alunos por turma ou aumentar o despedimento sem apelo de milhares de professores (são os que mais contribuem para que Passos e Gaspar andem pelo mundo a elogiar um modelo que cortou na despesa com funcionários públicos).

 

Para além disso, não conseguem refutar os que defendem uma poupança a custo zero: passar turmas das cooperativas de ensino para as escolas do Estado que têm salas de aula vazias e professores com horários zero. Qualquer que seja a posição de quem se move nesta área, começa a ser impossível o silêncio ensurdecedor.



publicado por paulo prudêncio às 20:20 | link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

 

 

 

 

Lembro-me duma entrevista a José Pinto dos Santos no canal um da RTP: "certo dia, numa reunião de um conselho de administração de uma grande empresa portuguesa digo, a propósito de uma proposta de outra pessoa - por sinal minha amiga -: isso não tem pés nem cabeça; deixou de me falar."

Queria o entrevistado ilustrar a ideia de que em Portugal é muito difícil discordar.

Recordei-me disso a propósito de uma outra coisa que li do Padre António Vieira, em "Sermão de São Francisco Xavier Dormindo", e que também não deixa de ser verdadeira quando as mesmas pessoas se cruzam em reuniões; em Portugal e no resto do mundo.


"Os sonhos são uma pintura muda, em que a imaginação a portas fechadas, e às escuras, retrata a vida e a alma de cada um, com as cores das suas acções, dos seus propósitos e dos seus desejos."



publicado por paulo prudêncio às 15:36 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

 

Preocupa-me o radicalismo ideológico de Passos Coelho que ficou ontem bem patente na entrevista à TVI. Lembro-me sempre dos pensadores da mediatrix que se interrogam se nos tempos actuais podia ocorrer uma revolução de forma tão rápida que nem déssemos por ela (veremos como será a contra-revolução).

 

O primeiro-ministro continua convencido que vai criar um "mundo novo" e até me parece cada vez mais crente, apesar dos frequentes sinais de fuga quando o caminho se torna apertado (a evasão é sempre um boa maneira de dizer que não o deixaram trabalhar e de poder recolher louros qualquer que seja o futuro).

 

Como noutras circunstâncias históricas, estas personagens providenciais e purificadoras podem ter finais trágicos e deixarem atrás de si um rasto de terra queimada.



publicado por paulo prudêncio às 11:17 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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