Em busca do pensamento livre.

Domingo, 10.09.17

 

 

 

"Há sete anos que não entravam tantos alunos no ensino superior", "na 1.ª fase dos concursos nacionais entraram 44 613 alunos, o melhor registo da década e um dos melhores de sempre" e "prioridade é atrair estudantes do ensino profissional para o superior". É positivo em qualquer ponto de vista e é importante sublinhar que apenas "40% dos jovens de 20 anos estão no ensino superior". 

 

Adenda: o ministro do ensino superior acrescentou números: 80% dos alunos do ensino secundário "regular" vão para o ensino superior; 12% dos alunos do ensino secundário profissional vão para o ensino superior; há muito a fazer, realmente.



publicado por paulo prudêncio às 11:44 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 11.03.15

 

 

 

Não fossem as últimas greves aos exames e avaliações (com adesões inesquecíveis) e os mais de 10 mil horários zero resultantes dos cortes a eito teriam desaguado na rosalina requalificação. O despacho, e um despacho é demasiado conjuntural, que regulamenta o crédito horário foi o acordado, mas é bom recordar que os horários zero podem regressar a qualquer momento se as condições estruturais não se alterarem. E as escolas públicas nada podem fazer?

 

Deixemos, por agora, os cortes a eito e olhemos, por exemplo, para a rede escolar no ensino secundário. Era expectável o aumento do número de turmas nas escolas públicas no ensino regular ou em cursos profissionais (em regra, as ofertas no modelo "cooperativa de ensino" não oferecem melhores condições de realização). Sejamos memoriados e olhemos para além da espuma dos dias (ninguém está a salvo) de forma a que os pesadelos de 2011 e 2012 não regressem em dose reforçada.

 

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publicado por paulo prudêncio às 09:40 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sábado, 07.06.14

 

 

 

 

 

Mais de 50% dos alunos do ensino secundário não frequentam as escolas públicas que em muitos concelhos têm condições para todas as ofertas necessárias.

 

O mercado (selvagem) da Educação atingiu um pico inaceitável. Todos reconhecem o fenómeno, mas os interesses mais variados obrigam a silenciar o estado a que chegámos. E não me estou a referir apenas às escolas das cooperativas de ensino e muito menos às privadas com propinas naturalmente elevadas. Há toda uma parafernália de ofertas equivalentes ao ensino secundário que são financiadas pelo orçamento do Estado numa lógica de despesismo e inutilidade. Os conhecedores do assunto identificam inúmeros cursos de "vão de escada".

 

Ontem soube-se que o ensino de adultos perdeu metade dos alunos num ano e que o Conselho Nacional de Educação "teme que os novos cursos vocacionais sejam dados por "operadores" alheios à escola". Enfim. A rede escolar portuguesa carece de uma arrumação e é exactamente esse género de acção que se deve classificar por reforma do Estado com combate ao despesismo e na defesa do interesse das pessoas.

 

 

 

 

 

 

 



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Sábado, 28.09.13

 

 

 

 

 

 

Este ministro da Educação é risível. Vai promover um inquérito para saber as causas do óbvio. Por este andar, não será apenas no superior que o plano inclinado se sentirá.

 

 

Em 18 de Setembro de 2013 escrevi assim sem ter consultado os resultados de um qualquer inquérito:

 

 

Os números não enganam: temos menos alunos no ensino superior, menos alunos no ensino regular completo do ensino secundário e do 3º ciclo e se o desmiolo continuar teremos menos alunos no 2º ciclo por via do ensino dual precoce. Estamos a empobrecer e a desistir da Educação. Para além disso, devíamos ter vergonha com o armazenamento de alunos nas salas de aula, com a preguiça para antecipar os problemas e por não combatermos mesmo (veja-se o caso inglês no primeiro ciclo e a relação com a epifania Cambridge) o insucesso escolar no pré-escolar e no 1º ciclo.

 

Que não existam dúvidas: mais anos de frequência no ensino regular completo é o único indicador do avanço civilizacional de uma sociedade. É aí que se estabelece a igualdade de oportunidades. Só a ingratidão de uma sociedade endinheirada, a mais formada de sempre pela escola pública, é que nega a evidência. Não adianta argumentar com o mercado de trabalho: os alunos do ensino regular completo conseguem, em poucos meses, adquirir as competências e os conteúdos da maioria dos cursos profissionais, CEF´s e dual.

 

O que mais impressiona neste processo de exclusão é que até os professores são atingidos pela voracidade. Os professores estão a desistir há anos a fio. Em Portugal é-se politicamente incorrecto por se pronunciar inclusão ou combate ao abandono escolar. Uma sociedade exclusiva, pobre e imatura elimina essas expressões caras ao desenvolvimento.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 12:22 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Sábado, 07.09.13

 

 

 

Os dos achamentos essenciais do género-Nuno Crato (não restam dúvidas do back to basics mais retrógrado e estou a pesar bem e não incluo "ajustamentos" financeiros) acrescentam sempre enfoques desesperados na formação de mão-de-obra para as "gorduras" cortadas. É mais uma contradição ideológica dos ultraliberais.

 

O abandono escolar das mãos, seja nas artes, nas tecnologias ou demais actividades (que incluem os manga de alpaca modernos e desculpem dito assim, mas é para ser sucinto e para evidenciar que ler, escrever e contar também são feudalizados nos tempos que correm) não salva a maioria silenciosa que não "pensa", nem a legião de operários e de camponeses que só se ouve quando as mãos se tornam bélicas e nem os intelectuais que decretaram, e bem, a mecanização como instrumento feudal. Mas há mais, há ainda os dos achamentos essenciais que prestam vassalagem.

 

Há saídas: há e mal seria se não houvesse. O que falta, é perceber a dignidade das mãos e a sua libertação do estigma da mecanização. Mãos livres. Mas é exactamente o que os promotores dos achamentos essenciais fatalmente não percebem, como descreve Gilles Châtelet (1998:72).

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 14:55 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 29.04.13

 

 

 

 

 

 

Até Roberto Carneiro reprova a ideia de mais cortes no sistema escolar e vai ao ponto de tocar em variáveis que aumentam o abandono escolar e diminuem a qualidade do ensino.

 

O aumento do número de alunos por turma e a revisão curricular envergonham um país que nada faz para proteger os progressos civilizacionais das últimas décadas. Estamos mesmo à deriva. Mesmo no que se refere ao ensino dual, e recorde-se que a ideia de ensino profissional é muita cara a Roberto Carneiro, o ex-ministro é taxativo:

 

"(...)Sobre o ensino dual, frisou – à semelhança de outros especialistas – que Portugal não tem a cultura nem o tecido empresarial da Alemanha ou da Suíça, em que as empresas “participam fortemente” neste sistema de via profissional. Em Portugal, referiu, “não é fácil por as empresas a participar, a pagar”. “Normalmente querem receber dinheiro para receber alunos do ensino dual”, disse, sublinhando: “O nosso tecido empresarial é sobretudo de mini e microempresas. Estão com a corda na garganta”.(...)"

 

Já todos percebemos que a corrupção é o grande problema do Estado. Não adianta escamotear mais a verdade e é fundamental que nos convençamos que está em causa o regime democrático.

 

O ex-ministro da Educação Roberto Carneiro diz ser impossível fazer mais cortes na Educação sem provocar “feridas profundas” no sistema e considera que chamar as famílias a comparticipar diretamente o ensino obrigatório abriria mais uma guerra constitucional.(...)

Mas à questão se ainda há pessoal dispensável nas escolas, responde que não: “Já foi feita uma tal razia nos últimos anos!”.

Entre aposentações e contratados a prazo terão saído do sistema cerca de 30 mil professores, estima, recordando que as turmas já passaram para 29/30 alunos por professor.(...)

Roberto Carneiro defende que o país precisa de investir na Educação, até porque, apesar dos progressos alcançados nos últimos anos, continua a ter uma das mais baixas taxas de escolarização de toda a Europa.

“É preciso levar os miúdos até ao secundário e bem. Não vejo grandes possibilidades de cortar aí sem provocar profundas feridas e lesões no sistema”, declarou.(...)"

 



publicado por paulo prudêncio às 15:40 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 21.01.13

 

 

 

 

Recebi por email um pedido de divulgação que pode ouvir aqui. É um registo interessante sobre o percurso dos alunos no ensino profissional.



publicado por paulo prudêncio às 09:38 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 16.12.12

 

 

 

 

 

São muitos os que acusam a Alemanha de proteger as suas industrias do comércio livre e da globalização e que tal protecção não se verificou nas actividades industriais do países da Europa do Sul. Está comprovada a acusação, mas tem atenuantes. Por exemplo, a queda do muro de Berlim e a "anexação" da RDA que garantiu à então RFA um justo tempo de reconstrução.


Vem isto a propósito de duas ideias recentes que invadiram o nosso sistema escolar: a procura de engenheiros portugueses, em números muito elevados, por parte da Alemanha e penso que também da Holanda e a liderança destes dois países nos sistemas dual, vocacional e secundário profissionalizante e que envolvem os liderados da Europa do Sul.


Tenho estado à volta do relatório da OCDE"Education at a Glance 2012", registei alguns fenómenos que podem dar que pensar e que podem indicar uma qualquer repetição da História.


Como se pode ver no gráfico seguinte, a Alemanha regista uma "estranha" estagnação no nível tertiary (grosso modo, um ensino pós-secundário, ou mesmo secundário, profissionalizante) e está num patamar semelhante a Portugal quando se anuncia uma reindustrialização.


 





Talvez ainda mais interessante, será analisar a expectativa dos jovens com 15 anos em relação às carreiras que querem seguir. Se a Alemanha oferece emprego aos nossos presentes e futuros engenheiros, a Holanda parece ter as mesmas preocupação e acrescenta-a com a procura de profissionais de saúde.

 

 





publicado por paulo prudêncio às 22:23 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 13.11.12

 

 

 

 

 

Tem sido sempre assim: os dos achamentos essenciais do género-Nuno Crato (não restam dúvidas do back to basicis mais retrógrado e estou a pesar bem e não incluo "ajustamentos" financeiros) acrescentam sempre enfoques desesperados na formação de mão-de-obra nas "gorduras" cortadas. É mais uma contradição ideológica dos pseudo-liberais.

 

O abandono escolar das mãos, seja nas artes, nas tecnologias ou demais actividades corporais (que incluem os manga de alpaca modernos e desculpem dito assim, mas é para ser sucinto e para elencar, e evidenciar, que o ler, o escrever e o contar também são feudalizados nos tempos que correm) não salva a maioria silenciosa que não "pensa", nem a legião de operários e de camponeses que só se ouve quando as mãos se tornam bélicas e nem os intelectuais que decretaram, e bem, a mecanização como instrumento feudal. Mas há mais, há ainda os que citarei mais à frente e a quem os dos achamentos essenciais prestam, de forma consciente ou não, vassalagem.

 

Há saídas: há e mal seria se não houvesse. O que falta, se me permitem, é perceber a dignidade das mãos e a sua libertação do estigma da mecanização. Mãos livres. Mas é exactamente o que os promotores dos achamentos essenciais fatalmente não percebem e com isso servem os que Gilles Châtelet (1998:72) escolhe como apontados.

 

 

 



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Sábado, 10.11.12

 

 

 

Quem propõe que os alunos passem directamente do 3º ciclo para os politécnicos argumenta que as instiruições do ensino superior vão ensinar com as metas curriculares do ensino secundário.

 

Sendo assim, só há uma pergunta óbvia a fazer: então porque é que isso não se faz em escolas secundárias que foram renovadas recentemente com milhões de euros e têm professores mais do que preparados?



publicado por paulo prudêncio às 10:51 | link do post | comentar | ver comentários (14) | partilhar

Sexta-feira, 09.11.12

 

 

 

 

Somando nos orçamentos de 2012 e de 2013, o MEC inscreve cerca de 29 milhões de euros para estudos e pareceres. Considerando os brutais cortes em curso, é uma decisão que nos deixa perplexos. Onde está a retórica implosiva de Nuno Crato?

 

Percebe-se que boa parte desse despesismo está a ser consumido nas "alterações" no ensino profissional e num apressado relatório que tentará contrariar o último do tribunal de contas.

 

Nuno Crato propõe que se transfira o ensino profissional do ensino secundário para os politécnicos. É mais uma perplexidade. O discurso de "rigor" que tanto criticou as "novas oportunidades", consegue que os alunos passem do 3º ciclo para o superior e que se faça mais uma terraplenagem no esforço financeiro realizado nas escolas secundárias. É uma "obra" que começa a evidenciar a defesa de mais lobbies poderosos como pode ler nos linques que vou indicar.

 

Como ponto de passagem, colo uma parte do último post de Santana Castilho, "Ai aguentamos, aguentamos! Resta saber até quando?":

 

“Cruze-se isto com a razia dos despedimentos, a proletarização da classe docente e o retrocesso dos conceitos educativos e, generosamente, há uma palavra que serve: obsceno! 
(…) cinco chefes de gabinete, mais 14 adjuntos, mais 12 especialistas, mais nove secretárias pessoais (só o ministro tem três), mais 26 “administrativos”, mais 12 “auxiliares” e mais 13 motoristas (só o ministro tem quatro). Tudo somado, estamos a falar de 218 mil, 446 euros e 51 cêntimos por mês ou, se preferirem, dois milhões, 621 mil, 358 euros e 12 cêntimos por ano. E, cereja em cima do bolo, os especialistas e os especialistas dos especialistas não chegam. Para superespecialistas, isto é, para pagar estudos e pareceres encomendados fora do ministério, a privados amigos, Nuno Crato teve, em 2012, 16 milhões, 277 mil, 778 euros. Sim: um milhão, 356 mil, 481 euros e 50 cêntimos por mês. E vai ter, em 2013, 12 milhões, 863 mil, 945 euros, isto é, um milhão, 71 mil, 995 euros e 42 cêntimos por mês. Para estudos e pareceres que os especialistas e os especialistas dos especialistas, mais a parafernália administrativa do mais mastodôntico ministério da República apenas teriam que ir buscar à gaveta. Porque está tudo estudado e “parecido”. “

 

 

Aconselho então dois posts fundamentais do Paulo Guinote.

 

Já Se Percebeu Bem Para Que Servem Os Grupos De Trabalho, Estudos E Pareceres

Uma Certa E Determinada (Total) Falta De Vergonha



publicado por paulo prudêncio às 13:35 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 08.11.12

 

 

 

 

 

De acordo com o presidente da Siemens Portugal, a chanceler Merkel vem também em busca de 60.000 jovens engenheiros portugueses (o número parece que subiu para 100.000 e pode chegar aos 200.000) e vai começar por oferecer uns estágios. Ou seja, dá ideia que a poderosa Alemanha tem graves insuficiências no seu sistema escolar e espera-se que não seja por causa do algo desacreditado sistema dual precoce. A desistência associada ao pragmatismo paga-se sempre e a um preço elevado.

 

O referido presidente da Siemens está muito bem relacionado com o actual Governo e com a realidade alemã. Também o ouvi dissertar à volta das áreas estratégicas para o nosso país e que implicam um reforço do ensino superior.

 

Nos últimos tempos tem existido uma forte polémica a propósito das ideias sobre ensino dual ou vocacional do actual Governo e dos seus satélites. Já se percebeu que está, naturalmente, instalada a confusão: juntar membros do Tea Party com neoliberais, passando por social-democratas, descomplexados competitivos, adoradores de vento e maurrasianistas, não pode dar bom resultado.

 

E depois há sempre os bicos de pés que não resistem e lançam ruído. Quando se avancou com a ideia do dual aos 10 anos e depois aos 13 estragou-se a atmosfera. Quem conhece o terreno sabe que em Portugal há demasiados alunos nessas idades que necessitam de um currículo adaptado e que o nosso grande desafio está a montante da escola; na sociedade, portanto. Enquanto não atenuarmos o empobrecimento, o sistema escolar enfrentará ciclicamente os mesmos problemas. Precisamos de ter um olho no presente, mas não podemos suprimir o futuro. Quando um dos secretários de Estado da economia escreve o que pode ler a seguir é caso para perguntarmos: em que é que ficamos? A proposta portuguesa de ensino dual e vocacional é para o ensino secundário ou é também para os graus anteriores da escolaridade?

 

"(...)No âmbito do ensino e formação profissional de jovens, está a ser desenvolvido um investimento público muito significativo na aprendizagem dual. Esta via de ensino e formação, equivalente ao ensino secundário regular ou profissional, tem como grande ponto de diferenciação a relevância atribuída à formação prática em contexto de trabalho. Efetivamente, no âmbito dos cursos de aprendizagem, cerca de 40% do tempo de formação dos jovens é desenvolvido nas empresas, consolidando, complementando e aprofundando os conhecimentos de cariz socioculturais, científicos e tecnológicos adquiridos na dimensão mais académica da formação. Simultaneamente, este investimento permite às empresas conhecer e desenvolver melhor o potencial de cada formando, facilitando eventuais processos de recrutamento futuros e de integração através de um vínculo laboral aquando da conclusão da formação.(...)"



publicado por paulo prudêncio às 11:43 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Quinta-feira, 30.08.12

 

 

 

O MEC prepara-se para mais uma alteração de nomenclatura: os cursos de educação e formação (os CEF´s) dirigidos aos alunos do 3º ciclo passam a cursos de ensino vocacional (os CEV´s). Parece existir uma grande novidade: um aluno que reprove três vezes é obrigado a inscrever-se num CEV.

 

É preciso uma grande paciência para escrever sobre os sucessivos reformistas lusitanos. Em regra, e enquanto oposição, arrasam o que existe e quando chegam ao poder mudam as nomenclaturas para substituir as chefias por gente da sua confiança política. A rotatividade, e a cortesia mainstream, inscrevia chorudas indemnizações para os saneados. Não sei como é que vai a última asserção, uma vez que a troika também se faz pagar a peso de ouro e padece, portanto, dos mesmos vícios de forma e de conteúdo.

 

Há pelo menos 50 anos que prometemos um ensino profissional digno e com empregabilidade. Passamos a vida a apontar os exemplos da Alemanha e da Suíça, mas o melhor que as nossas elites conseguem é proteger quem tem "berço" (embora a massificação do ensino tenha, de algum modo, furado essa selecção social) e empurrar os deserdados para esquemas de estacionamento de potenciais desempregados (em CEF ou CEV) enquanto os financiamentos dos sucessivos quadros comunitários ficam à mercê da chico-espertice.

 

Este mau hábito de encontrar soluções para os filhos dos outros que não desejamos para os nossos é já secular e muito difícil de mudar. E depois queixamo-nos de que os portugueses têm uma exagerada reverência aos canudos e que são relvistas compulsivos. Mas ainda fazemos pior: há uma suposta clivagem esquerda versus direita (e há diferenças fundamentais, obviamente) que mais não é do que a férrea determinação coreográfica de manter o estado vigente, como se tem comprovado.



publicado por paulo prudêncio às 12:10 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 29.08.12

 

 

Texto de Santana Castilho no Público de 29 de Agosto de 2012.

 

É recorrente considerar que a falta de preparação profissional responde por boa parte da falta de competitividade da economia portuguesa, embora seja astronómica a dimensão do dinheiro consumido por programas de formação, em 38 anos de democracia. Compreende-se o paradoxo quando se analisam os critérios (ou a sua ausência) que têm presidido às respectivas decisões políticas. Nuno Crato acaba de persistir na via da leviandade. Não é ele que conhece as necessidades de formação dos activos das empresas. São os próprios e as suas empresas. Não é ele que deve decidir sobre o futuro dos jovens. São os próprios e os seus pais. Mas proclamando irrelevâncias e desconhecendo realidades, acaba de desviar 600 milhões de euros, reservados à formação de activos, para financiar o sistema formal de ensino e serenar os reitores (para as universidades e uma tal “formação avançada” irão 200 milhões). A isso e a um esboço de resposta atabalhoada ao prolongamento da escolaridade obrigatória se resume o que acabou de fazer, em nome do mal tratado ensino profissional.

 

Relevemos o anacrónico (não parece mas é o mesmo ministro que agora deseja ter 50 por cento dos jovens em ensino profissional que, aquando da preparação do ano-lectivo que se inicia daqui a dias, mandou reduzir, em proporção superior, os cursos que o sustentam) e digamos o que é preciso dizer: o ensino profissional é um logro, que resulta da total ausência de pensamento estratégico sobre o crescimento da economia e da sucessiva arrogância de ministros, que decidem sobre o interesse do país e das gerações em formação, sem debate nem deliberações públicas.

 

Os cursos profissionais têm sido, na maioria esmagadora das situações, expedientes para manter no sistema e a qualquer preço jovens que o abandonariam precocemente ou para obter o mesmo diploma em menos tempo e com dispensa das disciplinas papão. Os Cursos de Educação e Formação, sabe quem está no terreno, foram desenhados para quem terminou o segundo ciclo do básico em situação de forte risco de abandono e com fartos historiais de indisciplina. E com as excepções meritórias que só confirmam a regra, os cursos profissionais, que lhes dão sequência no ensino secundário, enfermam do mesmo vício e arregimentam, por norma, jovens desinteressados. Nuns e noutros, sabem os professores as pressões que sofreram para fabricarem falsos êxitos. Nuns e noutros, por exemplo, a ponderação sofrida por indicadores de avaliação de desempenho, a este propósito, gerou cozinheiros que nunca descascaram uma batata ou viram uma panela e directores que sucumbiram ao facilitismo, acossados pela celebrada avaliação externa das instituições que dirigem. O que poderia ser interessante e útil tem-se manifestado, assim, um engano para os jovens, um martírio para os professores, coagidos a contemporizarem com tudo porque o desemprego é a alternativa, e um desperdício de tempo e recursos para todos.

 

É neste contexto que Nuno Crato confessou ter por objectivo que 50 por cento dos jovens do ensino secundário frequentem, ainda este ano, vias profissionais de ensino. Ao fazê-lo tornou uma vez mais patente o seu desconhecimento sobre o que existe e sobre o que fazer. As opções dos alunos estão tomadas e nada do que diga ou faça as fará mudar este ano. É elementar. No que toca ao futuro, para compreender que Crato clame por 50 por cento de jovens em cursos profissionais, quando começou a reduzir tal ensino nas escolas públicas, teremos que admitir que se prepara para o fazer crescer por via da iniciativa privada. Seria bom que nos esclarecesse. Sobre isso disse nada e menos ainda sobre o essencial, a saber:

 

1. O problema de fundo é cultural e ideológico. Com efeito, continuamos a assumir que a norma é o ensino conducente à universidade e tudo o mais são soluções de recurso e menos nobres. Muitos pais de alunos com manifesto desinteresse por cursos universitários receiam estigmatizar os seus filhos com opções por cursos de carácter profissional.  Enquanto socialmente esta questão não for debatida e o ensino profissional dignificado e autonomizado em escolas de prestígio, seriamente articuladas com as empresas (como fazem alemães e suíços, por exemplo), servidas por mestres socialmente reconhecidos e livres de preconceitos de falsas erudições, o país não avança.

 

2. Um sistema sério de ensino profissional supõe, imperativamente, o conhecimento das necessidades de formação colocadas por uma estratégia de crescimento económico e a existência de serviços de orientação profissional e escolar que cubram todo o país e ajudem jovens e pais a tomarem, livremente, decisões que lhes pertencem e de que o Estado não pode nem deve apropriar-se.



publicado por paulo prudêncio às 11:50 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 21.05.12

 

 

 

 

 

Os nossos jovens adultos, e até os que estão no final da adolescência, têm razão para se sentirem defraudados. Durante anos a fio, a oferta no ensino superior, e no secundário profissional, obedeceu à ganância financeira e certificou um passaporte para o desemprego ou, quando muito, para um emprego precário que era conseguido com a omissão da formação certificada. Esta tragédia tem muitos responsáveis com nome.

 

O Governo anuncia a prioridade à "(...)indústria, produção agrícola e animal, silvicultura, caça e pescas(...)" e diz (...)adeus aos cursos de multimédia, informática, de marketing ou de animador sociocultural(...) no secundário profissionalizante. Assim de repente, concordo. Contudo, não sei bem o que se vai fazer ao equipamento existente e donde virá o fianciamento para tanta actividade.

 

Estranho a presença da caça. Como parece que o programa será articulado com o ministro da economia, como temos problemas com Bruxelas por causa das gaiolas das galinhas poedeiras, como o ministro Álvaro, na epifania pastel de nata, elogiou o empreendedorismo dos incomestíveis Nando´s (apesar de serem frangos avantajados, são muito piores do que os portuguesíssimos, e minimais, da Guia), talvez alguém se tenha lembrado da caça ao frango e nada melhor do que as escolas para o desenvolvimento do projecto porque têm um caderno de encargos muito aligeirado.

 

Indústria é prioritária no ensino profissional



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Autor:
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