Em busca do pensamento livre.

Segunda-feira, 10.04.17

 

 

 

Maria Helena da Rocha Pereira (1925-2017)

 

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Domingo, 08.01.17

 

 

 

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Luís Afonso



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Sábado, 07.01.17

 

 

 

Mário Soares, uma das referências, provavelmente a maior, da política portuguesa do século XX, morreu hoje, em Lisboa. Ouvi, ao longo de mais de 40 anos, as opiniões mais diversas sobre a sua acção política. Votei em Mário Soares na segunda volta da sua primeira eleição presidencial e para o segundo mandato.
Há palavras que me lembrarão Mário Soares: liberdade, democracia, tolerância, modernidade, Europa e coragem. Quem, como eu, era adolescente moçambicano em 1974, viveu as décadas seguintes em Portugal e ama a liberdade e a democracia, recorda-o com a melhor memória política e cívica.

Que descanse em paz.

 

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Sábado, 26.11.16

 

 

 

Morreu um dos símbolos de uma época. Fidel Castro e Che Guevara desenvolveram, com uma coragem comovente, a ilha alternativa a dois blocos imperiais: EUA e URSS. O processo prolongou-se e transformou-se num regime totalitário com as características inerentes. Foi pena, mas nunca se saberá se podia ser diferente. Julgo que a história considerará as duas faces e espera-se que a humanidade aprenda com essa marcante experiência.

 

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Sábado, 19.11.16

 

 

 

Escrevi assim em 30 de Março de 2011:

 

Vi ontem um debate na TVI24, moderado por Constança Cunha e Sá, com a participação de Medeiros Ferreira, Santana Lopes e Fernando Rosas. Santana Lopes introduziu a avaliação de professores para condenar a oposição. Medeiros Ferreira foi taxativo: o problema estava no modelo. Uma coisa que nasce errada acaba por cair, mesmo que tarde e de forma errada. Fernando Rosas concordou.

 

A moderadora alegou com a cedência às corporações. Medeiros Ferreira voltou a ser taxativo: para além dos partidos e dos sindicatos, há outras forças na sociedade e não concordo que se possam classificar como negativas; pelo contrário, têm é de ser ouvidas. Medeiros Ferreira mostrou, mais uma vez, estar atento e informado.



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Sexta-feira, 11.11.16

 

 

 

 



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Terça-feira, 05.07.16

 

 

 

"O amor nem sempre vence o poder, mas é o único caminho para a sabedoria" é uma frase do cineasta iraniano na obra "Shirin". Encontrei-a por aqui quando ontem o recordava depois de um primeiro post sobre a sua morte.

 

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A imagem é do genial "sabor da cereja" (1997).



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Segunda-feira, 04.07.16

 

 

 

Morreu o cineasta iraniano Abbas Kiarostami. É difícil escolher, mas é o meu cineasta preferido. O "sabor da cereja" (1997) foi a revelação e o "através das oliveiras" (1994 - este vídeo terá sido removido pelo regime iraniano?) a confirmação. Vi mais de uma dezena de filmes, alguns já são clássicos, sempre rendido à tela inundada de poesia e ritmo e com parcos recursos. Paz à sua alma.

 

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Sexta-feira, 15.04.16

 

 

 

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Manuel António Pina

 

também aqui - Setembro de 2011

 

 

"Muitos criticavam o presidente da República (PR) por não dizer nada sobre os buracos postos a descoberto nas contas da Madeira, agravando os défices de 2008, 2009 e 2010 e a factura dos "sacrifícios" impostos aos portugueses (o PR aparentava ser o único português sem coisa nenhuma a dizer sobre o assunto).

O caso afigurava-se ainda mais estranho considerando o memorável dia em que o PR interrompeu umas merecidas férias no Algarve para falar ao país do ingente problema de um artigo do Estatuto dos Açores.

Afinal, o PR só aguardava o momento propício para dizer de sua justiça. E o momento chegou ontem (nos Açores, onde haveria de ser?). O país ficou a saber o que o PR pensa não só sobre a Madeira mas também sobre os demais problemas que afligem os portugueses e mantêm o país em estado de alerta laranja: "Ontem eu reparava no sorriso das vacas, estavam satisfeitíssimas olhando para o pasto que começava a ficar verdejante".

Trata-se de uma tomada de posição enigmática mas que, devidamente decifrada, decerto tranquilizará os portugueses: quem sabe se "vacas" não será uma metáfora de "mercados" e se o "pasto que começava a ficar verdejante" não significará a diminuição do défice ou que o ministro Álvaro irá finalmente aparecer numa manhã de nevoeiro?

Ganha assim sentido o misterioso conceito de "magistratura activa" que Cavaco não se cansou de prometer aos portugueses durante a sua campanha eleitoral."



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Segunda-feira, 14.03.16

 

 

 

 

Morreu um extraordinário actor.

Que descanse em paz!

 

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Sábado, 20.02.16

 

 

 

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Faleceu Umberto Eco (1932 - 2016).

 

Bastava citar duas obras:

 

Mas houve mais (li apenas três das que se seguem):

 

E encontra aqui muitas outras obras.

 

Que descanse em paz.



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Segunda-feira, 11.01.16

 

 

 

 

 



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Segunda-feira, 12.10.15

 

 

O seu blogue, o Aventar, dedica-lhe posts muito significativos que pode ler aqui. 

 

No esquerda.net encontrei o seguinte:

 

"Morreu João José Cardoso, ativista e militante do Bloco desde a sua fundação em Coimbra, cidade a que dedicou a sua intervenção cívica e política desde sempre. Foi professor de História e um dos bloggers fundadores do Aventar. A cerimónia fúnebre decorre este domingo no Complexo Funerário da Figueira da Foz, a partir das 12h, onde decorrerá a cremação às 14h. Este domingo, o esquerda.net publicará um artigo evocativo da sua memória. À sua família, amigos e camaradas, transmitimos as nossas sentidas condolências."

 

 

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Domingo, 24.05.15

 

 

 

 

 

 

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Domingo, 19.04.15

 

 

 

"Mas Mariano Gago fez parte do Governo de Sócrates e Lurdes Rodrigues. Esteve nos conselhos de ministros onde se decretou a guerra aos professores e à escola pública, conforme confessou António Costa". Foi mais ou menos assim que ouvi uma crítica que se repetirá.

 

Mariano Gago foi um muito bom ministro da ciência nos governos de Guterres e acumulou o ensino superior nos de Sócrates onde aprofundou ideias políticas sobre o desenvolvimento da ciência. Não lhe conheço uma declaração pública de apoio ou de rejeição (tenho ideia que se demarcou no pico de contestação) ao desmiolo de Lurdes Rodrigues, mas recordo a imagem seguinte da última página do Expresso e convenço-me que olharia para tudo isso do mesmo modo que criticou com veemência os achamentos ultraliberais de Passos e Crato. Há uma "falha" geracional por causa da emigração forçada que Portugal já está a pagar, que se acentuará e que será muito difícil de recuperar.

 

 

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Sábado, 18.04.15

 

 

 

 

Texto de Miguel Esteves Cardoso. Hoje no Público.

 

Viveu Mariano Gago.

 

"José Mariano Gago foi o cientista de que mais gostei na minha vida. Não: foi muito mais. Foi o ser humano que mais me ensinou.

Conhecemo-nos antes de ele se ter dedicado à política para defender - com um êxito tremendo - não só os cientistas como os filósofos e outros investigadores infalsificáveis.

José Mariano Gago nas ciências, tal como Adérito Sedas Nunes nos estudos socias, sacrificou-se para ajudar a comunidade inteira de investigadores.

Foi um herói. Era não só ousado como inteligentíssimo: sabia que as coisas eram difíceis. Sabia que a tradicional divisão (eternamente estúpida) entre artes, letras e filosofia, por um lado platonicamente arrogante e as ciências pragmáticas e prováveis, por outro lado aristotelicamente convincente, era não só escusada como prejudicial para os dois apenas aparentes adversários.

Chorei quando soube que José Mariano Gago tinha morrido. Não gostei nada do cabeçalho, impensado, da Visão: "Morreu o ex-ministro Mariano Gago".

Antes e depois de ser ministro (que só foi para beneficiar a comunidade científica e a - menos cientificamente - intelectual), José Mariano Gago foi um espírito livre e uma mão libertadora.

Era um inocente, um revolucionário e um génio. Como é que chegou a ser ministro? Para ajudar a ciência, a sabedoria e a asneira; o erro e a teimosia; as hipóteses sem qualquer hipótese de virem a ser teoria.

Morreu um benfeitor. Morreu uma cabeça acima de todas as nossas.

Pobres de nós."



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Sexta-feira, 17.04.15

 

 

 

 

Fotografei Mariano Gago no dia 10 de Março de 2015 na Academia de Ciências de Lisboa numa homenagem ao Prof. Abreu Faro. É incontestável a obra de Mariano Gago. Nesse dia, ouvi o seu discurso contundente contra o que se está a fazer à ciência. Uma denúncia da vitória do mal foi o que concluí da sua amargurada intervenção. Mariano Gago teve um muito bom desempenho como ministro da ciência nos governos de Guterres e regressou em 2005 para o ensino superior e ciência depois de um início de destruição perpetrado pelo Governo de Durão Barroso. Quis o destino que assistisse ao regresso do mal (palavras suas) sem que tivesse uma nova possibilidade para reerguer um legado que elevou o país. Que descanse em paz.

 

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Domingo, 05.04.15

 

 

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Chego ligeiramente atrasado ao anúncio do falecimento (2 de Abril de 2015) do Mestre do cinema português, mas confesso que não me preparei para o sucedido.

 

Vi, seguramente, mais de uma dezena de filmes do grande cineasta (sempre em salas vazias). O realizador rasgou fronteiras e tem algumas obras que me recordam um dos meus realizadores preferidos: Abbas Kiarostami. E é de um dos filmes deste iraniano, "Através das oliveiras", que me lembrei nestes dias em que os médias portugueses deram uma demonstração de planeamento com reportagens elaboradíssimas sobre o Mestre. A história começa assim: um grupo de jornalistas do canal estatal da moderníssima Teerão dirije-se a uma recôndita aldeia, a 700 kms, para documentar o choro das carpideiras. Só que o planeado defunto nunca mais falece e os jornalistas ficam inabitados com a ausência das comodidades quotidianas.

 

 



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Terça-feira, 24.03.15

 

 

 

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Herberto Helder (2013:78). "Servidões". 

Assírio e Alvim. Lisboa.

 

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Narração de um homem em Maio (1953-60).




Mexo a boca, mexo os dedos, mexo
a ideia da experiência.
Não mexo no arrependimento.
Pois o corpo é interno e eterno
do seu corpo.
Não tenho inocência, mas o dom
de toda uma inocência.
E lentidão ou harmonia.
Poesia sem perdão ou esquecimento.
Idade de poesia.


Herbero Helder em Poesia Toda. 

 

 

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Herberto Helder (2014:31). "A morte sem mestre". 

Assírio e Alvim. Lisboa.



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Segunda-feira, 23.06.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 30.04.14

 

 

 

 

A poesia de Rainer Maria Rilke não é fácil e é preciso reler algumas vezes. O resultado é sempre sublime. É um dos meus poetas preferidos.

 

Uma das suas obras maiores, "As elegias de Duíno", confunde-se com a aura do local onde o poeta a iniciou: o castelo de Duíno que se situa perto da cidade de Trieste e sobre o mar Adriático.

 

Deixo-vos uma parte - na tradução de Maria Teresa Dias Furtado - da primeira elegia.

 

 

 

 

 

Se eu gritar quem poderá ouvir-me, nas hierarquias

dos Anjos? E, se até algum Anjo de súbito me levasse

para junto do seu coração: eu sucumbiria perante a sua

natureza mais potente. Pois o belo apenas é

o começo do terrível, que só a custo podemos suportar,

e se tanto o admiramos é porque ele, impassível, desdenha

destruir-nos. Todo o Anjo é terrível.

 

Por isso me contenho e engulo o apelo

deste soluço obscuro. Ai de nós, mas quem nos poderia

valer? Nem Anjos, nem homens,

e os argutos animais sabem já

que nós no mundo interpretado não estamos

confiantes nem à vontade. Resta-nos talvez

uma árvore na encosta que possamos rever

diariamente; resta-nos a rua de ontem

e a fidelidade continuada de um hábito,

que a nós se afeiçoou e em nós permaneceu.

 

Oh, e a noite, a noite, quando o vento, cheio de espaço do universo

nos devora o rosto -, por quem não permaneceria ela, a desejada,

suavemente enganadora, que com tanto esforço se ergue em frente

do coração isolado? Será ela para os amantes menos dura?

Ah, um com o outro eles se ocultam da sua própria sorte, apenas.(...)

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 29.04.14

 

 

 

 

 

 

 

A nona elegia.


Porquê, se é possível viver o prazo da existência,
até ao seu termo, como loureiro, um pouco mais escuro do que
todos os outros tons de verde, com pequenas ondas no rebordo
da folhagem (como o sorriso de um vento) -: porquê então esta
forçosa existência humana -, e, evitando o destino,
ter saudades do destino?...

(continua)

 

 

 

 

Rainer Maria Rilke.
As Elegias de Duíno,
Tradução de Maria Teresa Dias Furtado,
Assírio & Alvim.

 



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Domingo, 27.04.14

 

 

 

 

Faleceu Vasco Graça Moura, "um intelectual renascentista do Século XXI".

 

O escritor tem uma obra vasta que vai da poesia ao ensaio passando pela ficção e pelo teatro. Gosto da sua poesia e devo-lhe, acima de tudo e através das traduções, o acesso a duas obras maiores: "A divina comédia" de Dante Alighieri (e essa espécie de introdutório o "A vita nuova") e "Os sonetos a orfeu" do enormíssimo Rainer Maria Rilke. Que descanse em paz.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Sexta-feira, 18.04.14

 

 

 

Cortesia de CarlosVC
 


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Estive todo o dia fora da rede e só agora dei conta da notícia sobre Gabriel García Márquez. Há um qualquer equívoco: Gabriel é imortal, como decerto concordarão os que leram "Cem anos de solidão" ou "Amor em tempos de cólera".

 

 

 

 

 

 

 Do Público.

 

 



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Quarta-feira, 26.02.14

 

 

 

 



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Segunda-feira, 21.01.13

 

 

 

Soube aqui do falecimento do Paulo Ambrósio, um incansável activista e sindicalista. Sabia da sua fundamental actividade na causa do subsídio de desemprego para professores, mas só o conheci pessoalmente nos últimos anos e a partir de duas acções dos movimentos independentes. Conversámos bastante e fomos trocando mails. Inseriu alguns comentários no Correntes e o último recentemente. O Paulo era um espírito aberto. 



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Sábado, 05.01.13

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O dever e o sorriso na vida de

António Marques Júnior



"Escreveu Yourcenar: "Para quê fazer da vida um dever se ela pode ser um sorriso?" Sem lhe recusar razão, direi que para este homem - António Marques Júnior - a vida foi, e não contraditoriamente, um sorriso e um dever. Um sorriso, de humilde reconhecimento e afecto, em primeiro lugar e em especial, para a sua mulher, a Luísa, para a sua filha, a Filipa, para a sua neta, a Luísa. Um sorriso de afecto, depois, para os seus soldados, amigos, camaradas, concidadãos. E foi também, e em simultâneo, sempre, um dever erigido em grande propósito ético, a que em todos os momentos respondeu com inteligência e ousadia, com nobre carácter, com impoluta honradez, com patriótica responsabilidade social.

Foi, também, emblematicamente, com um sorriso e, sobretudo, com dever - dever intelectual, de responsabilidade social e, até, de afecto - que aderiu ao Movimento dos Capitães. Razões de dever intelectual porque sabia, já então, que a política para o ultramar era destituída de discernimento, ousadia e estratégia política contra-revolucionária. Obsessão política inútil, a do Governo, porque incapaz era, como disse David Galula - por muitos considerado o Clausewitz da insurreição -, de desenhar e prosseguir uma contracausa capaz de assegurar não só a modernização económica e o desenvolvimento social das colónias, como de organizar, localmente, eleições, preparar líderes políticos, fomentar a organização de formações políticas, estabelecer e agendar um referendo de democrática configuração, aberto à independência com Portugal. Razões, ainda, de dever e responsabilidade social porque sabe e sente que, a todos, tudo cabe fazer, no âmbito das suas possibilidades, para preservar e desenvolver, com justiça e liberdade, genuinamente democráticas, a sociedade a que se pertence e em que se vive.

A Primavera de Abril sente-a Marques Júnior em 1973, participando em todas as reuniões e opções do Movimento dos Capitães. Jovem tenente, recém-casado, totalmente se empenha na acção militar de Abril, tudo arriscando: arriscando a vida, mesmo, nos previsíveis confrontos militares a travar. E tudo faz aceitando como comando de tropas na acção, operacional, que, em caso de desaire, recuo não teria, pois lhe caberia, então, responder pelos seus homens e por si. E tudo faz arriscando o futuro da sua vida familiar, recém-constituída. E tudo faz, também, sabendo que punha em risco as suas legítimas ambições de carreira, que se augurava brilhante, dado a sua comprovada capacidade de liderança perante os seus soldados, aliás reconhecida, também, pelos seus superiores hierárquicos.

Terminada a acção vitoriosa de Abril, procura regressar à sua vida militar. E dela só sai, com relutância, quando, pelo seu prestígio, é chamado a colaborar no tempo político militar seguinte.

Recusando, sempre, mediatismo, intervém, muitas vezes decisivamente, na conturbada transição democrática, mantendo sempre estrita fidelidade às promessas e às decorrentes obrigações de Abril, consagradas no programa do MFA.

 

 

Por Ramalho Eanes"




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Terça-feira, 01.01.13

 

 

 

 

 

 

António Alves Marques Júnior




"Marques Júnior, de 66 anos, sofreu um derrame cerebral no dia 26 de Dezembro, quando foi internado no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.

António Alves Marques Júnior, nascido a 3 de Julho de 1946, foi um dos militares responsáveis pelo Golpe de Estado de 25 de Abril de 1974 que abriu porta ao processo revolucionário e à posterior democratização da sociedade portuguesa. Foi, nessa qualidade, membro do Conselho da Revolução, desde a sua fundação, após o 11 de Março de 1975 até à sua extinção com a revisão constitucional de 1982.

(...)Numa nota de pesar, Vasco Lourenço informa que o corpo de Marques Júnior estará nesta terça-feira na Basílica da Estrela, em Lisboa, onde se celebrará a missa de corpo presente no dia seguinte (2 de Janeiro) de manhã. O funeral seguirá depois para São Martinho de Bornes, Pedras Salgadas, rumo ao jazigo da família.

O presidente da Associação 25 de Abril diz, na mesma nota, que Marques Júnior foi "sempre coerente com a defesa dos valores da Liberdade, da Democracia, da Justiça Social e da Paz, valores de Abril", e que o coronel "foi um dos expoentes máximos do MFA [Movimento das Forças Armadas], que dignificou com a sua acção"."




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Sexta-feira, 11.05.12

 

 

Acabei agora de ver na RTP2 (pode ver dois temas no vídeo que encontrei) o emocionante concerto para três pianos dos grandes Bernardo Sasseti, Mário Laginha e Pedro Burmester. Faz hoje uma semana que vi, em Valado de Frades, mais um inesquecível trio de jazz: Alexandre Frazão (bateria e não é por acaso que tocou com Sasseti e Laginha), Bernardo Moreira (contra-baixo) e Mário Laginha (piano). Tocaram temas, que encontra no youtube, da homenagem a Chopin e do álbum Espaço. É um dia muito triste para o jazz e imagino o ambiente no concerto do dia em Valado de Frades onde não pude estar e com muita pena.

 



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A morte de Bernardo Sasseti incomodou-me mesmo.



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Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
Discordâncias:
Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
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Sem dúvida.
Exactamente.E ninguém quer a escola"à beira de um ...
Assim parece.
Isto não muda tão depressa.
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