Em busca do pensamento livre.

Sexta-feira, 28.07.17

 

 

 

Cópia de pct

O regresso da flexibilidade curricular cria legítimas preocupações, tal o inferno burocrático em que se viu enredada a última experiência. A imagem acima é elucidativa. Inscreve-se, em 1, um registo do plano curricular da turma em "forma sumária", mas lê-se o 2 e os seguintes e até nos arrepiamos. Para além de todos os devaneios didácticos, há que conhecer o método. Prever a organização e eliminar patamares informacionais desnecessários. Quanto a isso, zero. Percebe-se, para começar, a ideia de faz de conta. Mas isso não é o simplex; é impreparação por excesso das ciências da educação. É legislar o impossível. O simplex dois refere a plataforma digital única. Mas só se o período de análise e programação envolver todas as entidades que obtêm informação, desde logo a Inspecção-Geral da Educação (avaliação externa) que deve premiar as boas práticas nos métodos de tratamento da informação; e não o contrário. Na actualidade, agrava-se porque estimula mesmo esse contrário e quanto ao método ficou pela tal "idade da pedra digital". É por aí que se deve começar.

Recordo um post de 8 de Julho de 2016.

 

"Aceitei estar aqui, mas tem de me deixar explicar tudo", disse MdCR, em representação da ministra Lurdes Rodrigues, para Fátima Campos Ferreira num prós e contras da RTP1 no auge da guerra da avaliação de professores (2008). E explicou: "pela primeira vez há uma avaliação com rigor: pontuação de 1 a 10 e quotas. Criámos 4 dimensões na avaliação. Para cada uma há 5 domínios (20 no total). Tudo pontuado de 1 a 10. Aplicam-se as quotas. O resto é com as escolas."

E o que era o resto? Para cada domínio (20 no total), havia 5 indicadores (100 no total). Para cada um dos 100 indicadores, existiam 10 descritores (1000 no total) para cumprir com rigor a pontuação de 1 a 10.

Este sumário do inferno encontra sinais de um qualquer retorno? É bom avisar antes que seja tarde quando se começa a perceber o programa para o sucesso escolar. E era uma pena, convenhamos que era. O pior eduquês tem tendência para começar na estratosfera central e ganhar asas até nos locais mais recônditos.

A imagem que acompanhava o post era a seguinte:

 

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publicado por paulo prudêncio às 12:44 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 11.06.17

 

 

 

Percebe-se António Costa. Proporá sempre uma geringonça para condicionar o apetite do PS. Contudo, o PM deve ser informado para não irritar as pessoas. Se a geringonça escolar registou três méritos iniciais - inferno da mediação com crianças, concursos de professores e rede escolar -, há duas medidas que o PM não deve evidenciar: redução de alunos por turma e gestão curricular. A primeira é uma miragem e a segunda uma incógnita. Se a ideia antiga da interdisciplinaridade é uma tentativa (elogie-se os candidatos) para ultrapassar a escola tradicional como fim da história, a sua aplicação recente evidenciou uma fatalidade burocrática que persiste: excessos da ciências da educação associados a atavismos administrativos.

Por outro lado, há ruído na rede escolar. "Governo altera mapa para financiar colégio de amigos socialistas" é uma notícia que exige esclarecimentos. Já há tempos referi, aqui, o caso das Caldas da Rainha, que conheço bem, onde um "privado" passa de zero para cinco turmas financiadas num ano inicial de ciclo. Haverá duplicação de oferta. Há escolas públicas com capacidade para todas as turmas do concelho. A lei não mudou. É referido um acordo com Nuno Crato. Ou seja, a geringonça, "exigida" pelo PM, deve estar atenta aos compulsivos jogos dos aparelhos retratados no desenho e eliminar qualquer ruído antes que se torne ensurdecedor.

 

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Compulsive Gambling, Xavier Bonilla

World Press Cartoon

Exposição patente no CCC das Caldas da Rainha



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Sexta-feira, 30.09.16

 

 

 

 

Passar do eduquês I (escola a tempo inteiro com afectos) para o eduquês II (escola a tempo inteiro com exames) é "suportável" uma vez. A rotatividade "eterna" (temos décadas de alternância) explica o burnout de professores e os persistentes números de insucesso e abandono escolares.

 

Centremos o debate no seguinte ângulo de análise: o importante estudo do cérebro continua a concluir que é mais correcto falar em ignorância do que em conhecimento sobre o seu funcionamento; António Damásio, por exemplo, sublinha-o no sentido do texto na imagemO ensino, a aprendizagem e os desenhos curriculares não escapam a isso. O alargamento curricular tem fundamentos e só em discussões ideológicas datadas é que se advoga o regresso ao back to basics (ler, escrever e contar). Quando um sistema escolar está "tão avançado" que se dá ao luxo de cortar investimentos, o conhecimento exige que o faça por igual nas diversas áreas.

 

É precisamento por isso que a humildade é inalienável. Quando se decide nestes domínios, avalia-se o estado em que se encontra essa qualidade imprescindível a um sistema escolar. Nuno Crato e Lurdes Rodrigues eliminaram-na, embora a "rotatividade" eduquesa tenha raízes anteriores. É o espaço de fusão entre as duas versões do eduquês que parece, fatalmente, de pedra e cal. Os deputados do PS que o digam a propósito da avaliação da sua produtividade.

 

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Daniel Kahneman (2011:73), "Pensar, Depressa e Devagar", Temas e Debates, 

Círculo de Leitores, Lisboa.



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Terça-feira, 13.09.16

 

 

 

O Grande Salto Atrás



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Sexta-feira, 08.07.16

 

 

 

"Aceitei estar aqui, mas tem de me deixar explicar tudo", disse MdCR, em representação da ministra Lurdes Rodrigues, para Fátima Campos Ferreira num prós e contras da RTP1 no auge da guerra da avaliação de professores (2008). E explicou: "pela primeira vez há uma avaliação com rigor: pontuação de 1 a 10 e quotas. Criámos 4 dimensões na avaliação. Para cada uma há 5 domínios (20 no total). Tudo pontuado de 1 a 10. Aplicam-se as quotas. O resto é com as escolas."

 

E o que era o resto? Para cada domínio (20 no total), havia 5 indicadores (100 no total). Para cada um dos 100 indicadores, existiam 10 descritores (1000 no total) para cumprir com rigor a pontuação de 1 a 10.

 

Este sumário do inferno encontra sinais de um qualquer retorno? É bom avisar antes que seja tarde quando se começa a perceber o programa para o sucesso escolar. E era uma pena, convenhamos que era. O pior eduquês tem tendência para começar na estratosfera central e ganhar asas até nos locais mais recônditos.

 

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Antero 



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Quarta-feira, 15.06.16

 

 

 

 

Decorrem ainda as avaliações de alunos do final do ano e deve recordar-se que o artigo 42º do Estatuto do Aluno é taxativo e devia atenuar, no mínimo isso, o inferno de invenções de má burocracia (incluindo a digital) que alimenta a cultura organizacional de muitas escolas.

 

 

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publicado por paulo prudêncio às 17:44 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 02.01.16

 

 

 

 

É uma impossibilidade a discussão à volta da existência de cidadãos imaculados e não existem organizações imunes aos "pecados" da natureza humana; por isso, é dada primazia à democracia e ao estado de direito. Também pouco adiantam as teorias da conspiração, apesar da sua relevância especulativa. A imaginação é um exercício fundamental. Para além disso, lembro-me sempre de Karl Popper quando leio os que se esquecem que a irrefutabilidade só nos aproxima do totalitarismo.

 

A linguagem bem-pensante e sedutora fez do eduquês uma via para o totalitarismo e algo parecido levou o sindicalês para o mesmo sítio. Os sindicatos foram seduzidos para uma espécie de participação governativa para adquirirem responsabilidade. Deixaram para lugar secundário a força da razão e passaram a nortear a presença na mesa de negociação pelo imediato, pelos corredores do poder, pela promiscuidade partidária e pela dança das cadeiras.

 

Esta constatação nem se fundamenta apenas no que se assistiu nos últimos anos na Educação. Cada um faz da vida o que quer, mas tem de ter bem presente que as agendas sindicais não podem ser plasmadas das governativas, que a força da razão não se impõe de imediato e que é com o exemplo que se constrói a democracia.

 

(1ª edição em 8 de Abril de 2011; reescrito)



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Sexta-feira, 01.01.16

 

 

 

 

Boa parte dos críticos do denominado "eduquês" não advogou o back to basics. Esse regresso, que é mais do que um equívoco, preencheu as mentes mais preconceituosas com fundamentos que não têm valor teórico ou empírico.

 

Uma parte dos críticos desse labirinto de palavras, o "eduquês", centrou-se na hiperburocracia e outra parte na ideia mais ampla possível de uma aprendizagem não acorrentada em expressões redundantes ou sem significado.

 

"Deliberadamente vamos utilizar terminologia clássica, aclarando, desde logo, que "não se trata de advogar ou propôr o regresso a um passado mítico, e muito menos a defender programas mínimos como ler, escrever e contar ou as tendências de "back to basics". Trata-se, pelo contrário, de abrir novas perspectivas que ponham a aprendizagem, no seu sentido mais amplo, no centro das nossas preocupações" (Nóvoa, 2009, 194). Somamo-nos à exigência de clareza no debate sobre as coisas públicas: "O buraco negro do debate público sobre educação, capaz de absorver e fazer desaparecer qualquer ideia que se aproxime, é hoje a dificuldade em chamar as coisas pelos seus nomes" (Fernando Enguita, 2009, 72)" 

 

 

 

Angel García del Dujo.



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Segunda-feira, 30.11.15

 

 

 

E Nuno Crato não recuperou os exames do 4º ano de um dia para o outro sem qualquer recomendação conhecida? Para além disso, ainda se contraditou ao generalizar sem testar e deu razão aos que o acusaram de motivações exclusivamente ideológicas.

 

A repetição tornou-se o nosso modo de ser e o sistema escolar não escapa ao desnorte, mesmo que se considere que para aprender é necessário repisar muitas vezes. Os exames são um metabolismo útil nos sistemas que incluem mais do que um aluno. Desta vez, o eduquês (ou rol de inutilidades inventado por quem tem falta de terreno), que vem sempre de onde menos se espera, baptizou-os de prova final.

 

Num sistema com escala industrial, generalizar sem testar pode criar um peso burocrático que transforme um procedimento docimológico num pesadelo organizacional redundante, que apenas confirme o que já se sabia e que se vire contra o próprio como comprovam a história das correntes ideológicas e pedagógicas. E já que estamos em maré de exaustivas repetições, e para além de não nos devermos esquecer que a primeira regra para aferir a saúde de uma sociedade é verificar se a retórica coincide com a realidade, repito um post de há uns dias:


Discutir em que anos é que há exames, e em que disciplinas, é uma matéria interessante. Tornar a questão numa contenda ideológica só é possível em sociedades imaturas ou em crise (não estou a ser ingénuo, não). E como me tenho cansado de escrever, a nossa sociedade é a parte maior do problema.

 

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Terça-feira, 02.06.15

 

 

 

 

Nuno Crato, esse misturador do "além da troika" com o Eduquês II, aumentou o número de alunos por turma, cortou a eito em tudo o que achava não estruturante e acentuou a infernização da profissionalidade dos professores. Para além disso, criou, ou permitiu, uma catadupa de exames acrescentados, em alguns casos, de apoios no período pós-lectivo para as crianças com negativas. Os resultados do conhecido mais do mesmo são inequívocos: "foi uma espécie de engodo".

 

Achar que se recupera crianças com apoios entre Junho e Julho testados por uma segunda fase de exames, é algo só ao alcance do mix referido. Turmas mais pequenas, apoios ao longo do ano e professores motivados são ideias despesistas.

 

Não sei se podemos criar algum optimismo.

 

Parece que se prepara uma nova vaga centrada no conjuntural, e justo, "novas oportunidades". Ou seja, nem uma linha sobre a redução do número de alunos por turma, sobre a reposição da sensatez nos currículos e na profissionalidade dos professores ou sequer nessa coisa de "somenos" que é o ambiente democrático das escolas (os socialistas mais socráticos e lurditas d´oiro fascinaram-se com o modelo GES/BES/BCP/BPN/BPP).

 

Dá ideia que não se mexe nisso para se eternizar a necessidade de "novas oportunidades". É que nem algumas pessoas da ciência se convencem mesmo que só terão alunos se aumentarem a base no ensino não superior "regular" e num profissional digno.



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Terça-feira, 05.05.15

 

 

 

 

Na nossa cultura organizacional escolar identificam-se três sub-sistemas que são responsáveis por uma entropia informacional resultante da repetição de dados associada à obtenção de informação inútil: o sub-sistema dos departamentos curriculares, o sub-sistema das direcções de turma e o sub-sistema administrativo. E o mais grave é que quem se dedica à avaliação externa não só não contraria a tendência como a estimula e premeia; por inconsciência, por impreparação ou por imersão num sistema sem rumo, sem visão e sem estratégia e onde prevalece a jurisprudência do temor da sacrossanta informação.

 

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Quarta-feira, 01.04.15

 

 

 

 

A notícia finlandesa entrou na agenda mediática, é da família do "fim das notas até ao secundário" e já obrigou o CNE lusitano (para espanto dos mais atentos ao discurso outrora oficial, mas quem navega ao sabor do vento da oportunidade muda de rumo rapidamente) a propor a eliminação da obrigatoriedade de pautas e de quadros de honra e de mérito antes do sétimo ano de escolaridade.

 

É evidente que os títulos mediáticos não correspondem ao projecto finlandês e é também bom recordar que o tímido projecto português do tempo de Guterres, que incluía as ACND (com a eliminada área de projecto) já ia nesse sentido e com inspiração finlandesa.

 

Os críticos menos fundamentados do eduquês (não me canso de repetir que por aqui o alvo foi sempre a hiperburocracia) misturaram-se com os obcecados com o santo produto (a história já demonstrou que o mais do mesmo nas matérias ditas nucleares nada acrescenta aos que aprendem em qualquer sistema e exclui os que "não querem aprender") e criaram um retrocesso civilizacional no sistema português que parece estar já em condições para ser pulverizado.

 

Alguns dos detalhes que caracterizam a tragédia cratiana podem ser lidos no seguinte texto de Santana Castilho: A Suprema Sagrada Congregação dos Santos Exames. 

 

 

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publicado por paulo prudêncio às 12:07 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 01.01.15

 

 

 

Há um equívoco que convém desfazer: boa parte dos críticos do denominado "eduquês" não advogou o back to basics. Esse regresso, que é muito mais do que um equívoco, apenas preencheu as mentes mais preconceituosas e os seus fundamentos não têm qualquer valor teórico ou empírico.

 

Uma parte dos críticos desse labirinto de palavras, o "eduquês", centrou-se na hiperburocracia e outra parte na ideia mais ampla possível de uma aprendizagem não acorrentada em expressões redundantes ou sem significado.

 

"Deliberadamente vamos utilizar terminologia clássica, aclarando, desde logo, que "não se trata de advogar ou propôr o regresso a um passado mítico, e muito menos a defender programas mínimos como ler, escrever e contar ou as tendências de "back to basics". Trata-se, pelo contrário, de abrir novas perspectivas que ponham a aprendizagem, no seu sentido mais amplo, no centro das nossas preocupações" (Novoa, 2009, 194). Somamo-nos à exigência de clareza no debate sobre as coisas públicas: "O buraco negro do debate público sobre educação, capaz de absorver e fazer desaparecer qualquer ideia que se aproxime, é hoje a dificuldade em chamar as coisas pelos seus nomes" (Fernando Enguita, 2009, 72)"

 

 

 

Angel García del Dujo.

 

 

 

 



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Domingo, 27.07.14

 

 

 

Nuno Crato, esse misturador do "para além da troika" com o Eduquês II, aumentou o número de alunos por turma, cortou a eito em tudo o que achava não estruturante e acentuou a infernização da profissionalidade dos professores. Em simultâneo, criou uma catadupa de exames acrescentados de apoios no período pós-lectivo para as crianças com negativas. Os resultados do conhecido mais do mesmo são inequívocos: "foi uma espécie de engodo".

 

Achar que se recupera crianças com apoios entre Junho e Julho testados por uma segunda fase de exames, é algo só ao alcance de uma mente em estado do mix referido. Turmas mais pequenas, apoios ao longo do ano e professores motivados são ideias despesistas.

 

Não sei se podemos criar algum optimismo.

 

Parece que se prepara uma nova vaga socialista centrada nos conjunturais, e justos, "novas oportunidades" e "rendimento mínimo garantido". Ou seja, nem uma linha sobre a redução do número de alunos por turma, sobre a reposição da sensatez nos currículos e na profissionalidade dos professores ou sequer nessa coisa de "somenos" que é o ambiente democrático das escolas (os socialistas modernaços fascinaram-se com o modelo GES/BES/BCP/BPN/BPP). Dá ideia que não se mexe nisso para eternizarmos a necessidade de "novas oportunidades" e de "rendimento mínimo garantido". É que nem o pessoal socialista da ciência se convence que só terão alunos se aumentarem a base no ensino não superior "regular"; são da "elite", claro.

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 18:10 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 20.07.14

 

 

 

N.Crato já mete os pés pelas mãos nas mais variadas posições e desta vez nem se pode refugiar na questão financeira para além da troika. Deixou cair as componentes específicas da prova de avaliação de conhecimentos e capacidades dos professores contratados e fica-se pela componente comum numa espécie de prova geral de acesso ao ensino superior que há uns anos conseguiu um estatuto menos ridículo antes de cair com estrondo. N. Crato entrou em contradição uniformemente acelerada.

 

A propósito da "excelência no ensino" segundo a mente dos Lurditas D´Oiro, recordo uma passagem de um texto, no Público, de Desidério Murcho que publiquei no Correntes, neste post de 11 de Junho de 2008 que inclui uma troca de comentário com o autor, e que tenho a certeza que o discurso enganador e de Eduquês II de Crato subscreveria.

 

"(...)Um bom professor, seja de que matéria for, tem de dominar até à letra H se leccionar até à letra D. Não pode dar-se o caso de andar a leccionar até à letra H dominando apenas as matérias até à letra D. Mas não se deve encarar como escandaloso que um professor não tenha os conhecimentos que devia ter. Afinal, o mundo não é perfeito e as universidades que os formaram também não. O que importa é partir dessa realidade e fazer algo que seja construtivo. E o que há de construtivo a fazer é, cooperando, criar estruturas que permitam que quem sabe mais e conhece melhor as bibliografias relevantes possa partilhar os seus conhecimentos com os colegas. Enquanto na escola não houver uma atitude de genuína partilha de conhecimentos, o ensino será só a fingir(...)"

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 12:20 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Segunda-feira, 14.07.14

 

 

 

 

 

 

 

Nuno Crato tem sido interrogado por jornalistas por causa do elevado número de professores que querem rescindir com o MEC. Ao que julgo saber, existem 93 milhões de euros para rescisões, mas as solicitações, cerca de 4000, já vão em mais de 400 milhões. E se as condições do programa fossem mais favoráveis, os números da "fuga" andariam pelos 30 a 40 mil.

 

Recebi um email com um link para o Observador donde tirei a primeira imagem. Escolhi para a segunda imagem, lá mais abaixo, uma parte da entrevista a Nuno Crato no último Expresso.

 

Nas duas entrevistas (até perecem uma só), Crato culpa a indisciplina e desresponsabiliza o aumento do número de alunos por turma. Aponta um número em que vale tudo: uma média de 22 alunos por turma no ensino não superior, na média da OCDE e que já se verificava em 2009. Ou seja, faz uma média incluindo as turmas do 1º ao 12º anos de escolaridade e faz uma espécie de mescla: turmas com alunos inibidores, turmas de cursos CEF, turmas de cursos profissionais, turmas regulares e turmas regulares de opções. Interroguem-se os professores e, se houvesse uma réstia de confiança nesses profissionais, saber-se-ia que as turmas têm excesso de alunos.

 

Estes assuntos exigem muita tecla, mas é óbvia a interrogação dos jornalistas: depois do que disse, não devia diminuir o número de alunos por turma em vez de aumentar? Claro que devia diminuir. Nenhuma turma devia funcionar com mais de 24 alunos em qualquer ciclo de escolaridade, as turmas com alunos inibidores da sua formação com 18 (para 2) ou 20 (para 1) e as turmas dos vocacionais, profissionais e opções com um máximo de 16 e em alguns casos 12. Mas já se sabe que Crato é para além da troika e que não tem coragem para o assumir. Limita-se a mistificar assuntos sérios.

 

O ministro revela, naturalmente, um apego à concorrência entre escolas. É adepto do mercado escolar. Devia saber que onde esse mercado já está instalado em Portugal, e se considerarmos que o eduquês menos sensato, como o de Crato, olha para os encarregados de Educação como "clientes-tout-court", os encarregados de Educação que mais contribuem para a indisciplina impõem a sua cultura às escolas que cada vez mais dependem da matrícula dos seus educandos. Isso é fatal e alastra-se numa sociedade demasiado ausente como a nossa.

 

A destruição do estatuto dos professores no que levamos de milénio é a causa principal da "fuga" e só não conclui assim quem não põe os pés numa sala de aula.

 

Sejamos claros: há mais de 10 anos que a profissionalidade dos professores não recebe uma notícia positiva e é preciso uma boa dose de cinismo para vir agora argumentar com o "desgaste de uma profissão difícil" depois dos cortes a eito para além da troika e de toda a tralha de eduquês II associada. E é ainda mais grave se considerarmos a campanha eleitoral do actual Governo que denunciou a confessada guerra aos professores perpetrada pelos executivos de Sócrates.

 

 

 

 

 

 

 

 



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A propósito do post "Uns eternos arrependidos" em que manifestei alguma perplexidade por Carlos Fiolhais tanto ter apoiado Nuno Crato e ser agora um crítico contundente das políticas do ministro, recebi, de uma leitora identificada, um link para um post, "Carlos Fiolhais faz o panegírico de Nuno Crato", de António Nabais no Aventar.

 

O professor e blogger fez, em 26 de Novembro de 2012, uma crítica detalhada às opiniões de Carlos Fiolhais. O melhor é ir ler o post, mas fiz umas imagens das passagens mais significativas que deixo à reflexão. É muita mudança no pensamento estrutural em tão pouco tempo que vai do reforço do ensino privado à gestão escolar e passando, ao que parece, pelo ensino dual; enfim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 21.05.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É comum dizer-se que 70% da actividade da nossa administração pública é para si própria. A informação circula dentro do Estado para que os diversos serviços se informem em duplicado ou triplicado, como se não existisse público.

 

Na nossa cultura organizacional escolar identifica-se a existência de três sub-sistemas, que são responsáveis por uma entropia informacional resultante da repetição e redundância de dados. O sub-sistema dos departamentos curriculares, o sub-sistema das direcções de turma e o sub-sistema administrativo acrescentam aos referidos 70% um número que surpreende um qualquer registo sensato. O mais grave é que quem se dedica à avaliação externa não só não contraria a tendência como a estimula e premeia.

 

 

 



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Sexta-feira, 21.03.14

 

 

 

 

 

Como pode ler, Guilherme Valente, o editor da Gradiva, tem fortes responsabilidades na divulgação em Portugal de muito boa banda desenhada. Ora aí está um bom exemplo de que as pessoas devem falar do que sabem. O referido editor costuma usar a comunicação social para dissertar sobre o eduquês e zurzir nos professores de forma desconhecedora e injusta. É um exemplo de bullshit por parte de quem tem obra feita em matéria tão interessante.

 

"Uma relação desenhada para os jornais só podia dar nisto. Durante quase duas décadas, o PÚBLICO e Calvin & Hobbes foram inseparáveis. Desde que Guilherme Valente, editor da Gradiva, sugeriu a tira ao designer do jornal, Henrique Cayatte, e ao então subdirector, José Manuel Fernandes — então à procura de uma tira de BD para o diário de referência que estava a nascer —, a história da criação de Bill Watterson em Portugal está indissociavelmente ligada a este jornal. Cayatte diz mesmo: “Calvin e Hobbes deveriam ser considerados também fundadores do PÚBLICO.”(...)"

 

 

 

 



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Terça-feira, 18.03.14

 

 

 

 

"Tudo o que o Ministério da Educação manda por "e-mail" para as escolas é inútil. Tudo!", ou o professor "abaixo de cão", é uma discussão para acompanhar com curiosidade. Tenho uma dissertação sobre o assunto e não quero reafirmar o "tudo"; mas convenço-me que anda lá perto, que a maioria da informação obtida é inútil e solicitada repetidamente.



publicado por paulo prudêncio às 09:38 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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