Quinta-feira, 16.05.13

 

 

 

 

 

O blogger José Morgado, do Atenta Inquietude, tem um registo informado, sensato e equilibrado. Fez um post, "Escola Pública. O que virá a seguir", em que escreve assim:

 

"(...)Como se costuma dizer, fontes bem colocadas fizeram-nos chegar algumas dessas medidas. Por entender que a informação é um direito, partilho aquilo que me chegou, referindo apenas a área da educação. Assim para o sistema público de educação parece existir a intenção de diminuir para metade os docentes no sistema e aumentar a carga horária lectiva do seu trabalho para as trinta horas semanais. O número de alunos será fortemente reduzido pois está prevista a introdução de exames obrigatórios todos os anos, logo desde o último ano da Educação Pré-escolar. Pretende-se assim que poucos alunos permaneçam no sistema exigindo, portanto, menos escolas e poucos professores com a vantagem acrescida de que sendo bons alunos poderão estar pelo menos cinquenta em cada turma e exigem menos tarefas de planificação, basta seguir as metas curriculares. Os poucos que ficam no sistema acederão a qualificação que lhes permitirá constituir a futura elite científica, cultural, política, económica e cultural.

Os restantes alunos, a grande maioria, serão encaminhados para fábricas a instalar em Portugal por empresários de países habituados a rentabilizar o trabalho dos mais novos que serão incentivados através dos dispositivos de diplomacia económica a desenvolver por Paulo Portas.
Realizar-se-á uma profunda reforma curricular que deixará até ao 9º ano apenas três disciplinas, Matemática, Português e Inglês ou outra língua estrangeira (pensa-se no mandarim) pois tudo o resto não serve para nada e ocupa professores, encarecendo o sistema. No Ensino Secundário teremos ainda Ciências e Física que possibilitarão o acesso a formação superior nas áreas que verdadeiramente interessam.
Será introduzido um novo dispositivo de avaliação de professores assente exclusivamente nas avaliações dos seus alunos nos exames nacionais a realizar todos os anos, cada professor apenas poderá ver até 3 % dos seus alunos com nota negativa, mais do que isso e é o despedimento com justa causa por inadequação à função.(...)".
 
 
A propósito do texto, alguns bloggers desenvolveram uma interessante troca de emails. A conclusão do José Morgado é preocupante: a sua ficção alimentou, no mínimo, a dúvida entre uma série de pessoas atentas e informadas e isso assustou-o. Tal como Orwell, tem razão o José Morgado.


paulo guilherme trilho prudêncio às 09:08 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Segunda-feira, 13.05.13

 

 

 

 

 

Há uma epidemia que considera o sistema escolar uma coisa insólita e longínqua. Essa moda, que se dispersa rapidamente numa população, não racionaliza a ideia de escolar e atinge um grau elevado de rejeição quando se confronta com quem faça disso profissão pública ou, pior ainda, uma causa. É um fenómeno com dúvidas agudas na literacia associada às pessoas, à política, ao social, e, em auge infeccioso, à democracia.

 

É uma sociopatia que não manifesta qualquer empatia para com os seus semelhantes ou de atenção para com os seus problemas. É exímia em manipular factos e incapaz de assumir erros. Pode, em aparente desespero e de forma cínica, admitir “falhas de comunicação".

 

Usa modelos ideológicos com diagramas mentais inflexíveis que desprezam a consistência cultural e histórica das sociedades. Na origem está sempre a estranheza com o humano.

 

 

 

Já usei parte deste texto noutro post.



paulo guilherme trilho prudêncio às 13:06 | link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Domingo, 05.05.13

 

 

 

Sou franco: nunca ouvi um comentário de Marques Mendes e nem me lembro do que pensa enquanto político.

 

Ví o vídeo que corre as redes sociais sobre a sua deplorável prestação a propósito do número de alunos e de professores. Como é que é isto possível? É. Tanto é que estamos na bancarrota e quem nos tem governado não está de modo nenhum isento de culpas.

 

Os números que Mendes apresenta são uma descarada manipulação. Dá ideia de um frete numa época de vale tudo. Os números de professores ficam-se por 2010, quando se sabe que em 2013 já são menos 30 mil ou mais. E termina a apresentação de gráficos de uma forma que julguei impossível: compara o número de alunos do 1º ciclo com os professores dos ciclos todos. 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 11:54 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 30.04.13

 

 

 

 

No post anterior fiz a seguinte previsão a pensar no resultado de mais um conselho de ministros que se anunciava determinante para os cortes uma vez que existia um qualquer prazo que terminava hoje:

 

"(...)Os austeristaristas são ultraliberais que podemos classificar como ultraracionalistas.(...)este género aplicado à política, e mesmo depois de seriamente abalado, pode derivar numa contra-ofensiva metafísica. Aguardemos."

 

Aguardou-se.

 

Passei pelos principais órgão de comunicação social e tirei umas fotos. Dá ideia que começa a ser sei lá o quê continuar a cortar nos do costume. O que também se fica a conhecer é que há questões de Estado que impedem a revelação de corrupção que ponha em causa o regime. É, como se previa, uma contra-ofensiva que se socorre da metafísica e que tem uma nuance além fronteiras que dá mais valor empírico à suposição.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:54 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 28.04.13

 

 

 

 

Ouvi na TSF a parte final discurso de José Seguro. Dizia o jornalista que já há uma atmosfera de regresso ao poder. Não sei se a aposta é na interrupção do tempo de legislatura, mas, e como sublinhou o desajeitado consenso implorado pelo indizível Cavaco Silva, a antecipação de eleições legislativas está há muito dependente do pé-dentro-pé-fora de Paulo Portas. É até impressionante como um pequeno partido que já foi anti-Europa-e-sei-lá-mais-o-quê e que tem fornecido inenarráveis quadros neste milénio para as acções governativas, o sistema escolar que o diga, adquire esta importância.

 

Como Seguro pediu uma maioria absoluta mas prometeu um Governo coligado, tudo indica que o almoço secreto que teve com Portas em Agosto de 2012 pode finalmente antecipar o tão desejado, e naturalmente unânime dentro do PS, regresso ao acesso directo ao orçamento de Estado. Dá ideia que Portas é um expert em fugas de informação que alimentem a sua condição de incontornável. São também estes incontornáveis exercícios, dos maiores e dos menores destas coligações, que nos empurraram para um perigoso estado de descredibilização da representação política.



paulo guilherme trilho prudêncio às 16:09 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sexta-feira, 26.04.13

 

 

 

 

 

A jornalista Ana Leal, que conduziu a célebre reportagem TVI sobre um grupo de ensino "privado" em Portugal, foi suspensa e impedida de entrar nas instalações do canal de televisão por causa doutra reportagem. Seguiremos o caso com toda a atenção.

 

 

Jornalista Ana Leal suspensa e impedida de entrar na TVI

"A jornalista da TVI Ana Leal recebeu esta manhã uma nota de culpa, no âmbito de um processo de inquérito, e está suspensa e impedida de entrar nas instalações da Estação de Queluz de Baixo até à conclusão do processo disciplinar.(...)"

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:51 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Terça-feira, 23.04.13

 

 

Nuno Crato acaba de dar um entrevista ao telejornal da RTP1 sobre os programas de matemática e as 12 mil vagas negativas dos professores.

 

Disse que não muda nada nos ditos programas (existem apenas umas simplificações) e sobre o facto dos nossos alunos superaram os da Alemanha e da França justificou-se com a necessidade de se relativizarem os resultados (quem diria) e acrescentou: temos é de olhar para Singapura e para a Coreia do Sul que estão à nossa frente. Ou seja: relativizar é sinónimo de benchmarking só para cima e o limite é a lua. Com esta profunda análise histórica estará a advogar a saída da União Europeia e a adesão a um espaço ainda mais cativante para os austeros com os costumes dos outros? Temos um ministro globalizado, sem dúvida.

 

Desvalorizou as 12 mil vagas negativas e mostrou que sabe pouco, naturalmente, de concursos. Mas disse mais: todos os professores são necessários e ainda no ano passado se falou em 17 mil horários zero e nesta altura são umas poucas centenas. Disse que vai esperar pelas colocações e não foi confrontado com os cortes a eito que nos empurraram para números próximos de 1973.



paulo guilherme trilho prudêncio às 20:51 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

 

 

Vi, ontem à noite, um inenarrável prós e contras destinado à busca de uma solução. Medina Carreira, o não-economista que mais sabe de economia, foi taxativo: a solução é simples, com o dinheiro é sempre assim e para governar o Estado social servia uma "dona de casa". Se o marido diz que está a ganhar menos 2% a mulher sabe que não pode gastar mais 5% na lida da casa. E cumpre. 

 

É. Esta espécie de animador do sistema acentua a sua triste condição. Dá algum dó ver estes machos à antiga portuguesa remeterem a busca de solução para as tarefas domésticas onde se excluem. Ainda havia um friso de primeira fila de mulheres que aplaudia e se ria, coisa que me excluo de classificar. Talvez fosse um riso de tanto dó.

 

Fiz um zap à meia-noite para ver notícias num canal de cabo. A imagem focava ao longe o ex-ministro Mário Lino acompanhado de uma jovem advogada. Percorreram um passeio de uns bons cinquenta metros com o jornalista a resumir o caso face oculta. Mário Lino veio sempre com as mãos nos bolsos enquanto a jovem advogada mal se equilibrava com o transporte de umas três pastas (tinham ar de pesadas). O cavalheiro não se comoveu. As câmaras não entraram no tribunal e passaram de imediato para o fim da sessão. O cenário repetiu-se no regresso a casa de mais um incompreendido.

 

Estava a escolher um título para o post. Esteve para ser um espelho das elites ou o país que temos. Influenciado pelo post anterior fiquei-me por "mais dois lobos".



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:00 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 17.04.13

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:45 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 29.03.13

 

 

 

 

 

Estive uns dias fora da rede e não acompanhei a introdução mediática ao regresso de J. Sócrates ao panorama televisivo onde parece que até existiu um histerismo peticionário.

 

Sejamos memoristas: J. Sócrates iniciou as tarefas de chefe governativo em 2005 com um prolongadíssimo estado de graça de quase três anos, recebeu aplausos de toda a direita - ultraliberais incluídos - e foi apenas contestado por uns professorzecos odiados pela nação que publica. Foi, em 2008, abalado por um tsunami financeiro à escala mundial e saiu em estado de desgraça para onde arrastou a esquerda portuguesa. Foi J. Sócrates, um verdadeiro eucalipto político, quem entregou o poder à trágica direita e mais ninguém; e o acomodado partido socialista partilha as responsabilidades, obviamente.

 

Vi a entrevista e não encontrei qualquer novidade. O ténis de mesa com Cavaco Silva é do nível que os dois coléricos personagens nos habituaram. Um mais palavroso - confundiram o género com determinação e deu no que deu - e o outro mais tacticista e tortuoso - confundiram o género com cerebral e deu no que deu -. Desgraçado do país que tem personagens deste calibre a governar, pior ainda se em simultâneo.


Gostei desta análise da entrevista feita pelo Vasco Tomás.

 

Passei os olhos por uma série de reacções e vi elogios à esquerda, até da que se situa para lá do PS. Sinceramente, só se prova o que já sabíamos: a bancarrota não é apenas obra dos tais 1% (os criminosos especuladores financeiros).

 

A primeira página do Expresso é, convenhamos, já do domínio do delírio.

 

 

 

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 12:36 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 27.03.13

 

 

 

Convenço-me que a notícia marcante do dia é a que nos diz que "depois da Grécia, as atenções voltam-se para o Luxemburgo".


Já todos percebemos que há um poder financeiro que age a uma velocidade incontrolável e que é insaciável com as classes média e baixa. Entre o trio que explica a economia - salários, lucros e rendas - apenas o enunciado em terceiro lugar é "intocável" para a ganância. Sabe-se que não é fácil governar, mas o que está mais do que provado é que não se pode estar dos dois lados em confronto e aos mais diversos níveis: do global ao local.


"A crise do Chipre alertou os europeus para o risco potencial de países cujos setores bancários e financeiros estão hiperdimensionados em relação ao seu Produto Interno Bruto. Há vários exemplos na UE, mas o que mais atenção está a despertar é o Luxemburgo, onde os depósitos representam 2500 por cento do PIB, um valor muito superior ao de todos os outros Estados da Zona Euro, incluindo Chipre onde essa mesma marca ronda os 700 por cento. Este “apontar do dedo” já fez com que o Governo luxemburguês viesse a público para tentar afastar qualquer comparação entre os dois países.(...)"




paulo guilherme trilho prudêncio às 23:16 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 13.03.13

 

 

 

Antes a inundação com a eleição do Papa do que com a hermenêutica do prefácio para o roteiro número não sei quantos.



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:30 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 11.03.13

 

 

 

 

Os últimos dados do INE sobre a taxa de abandono escolar (conclusão do 9º ano de escolaridade) têm indicadores excelentes sobre o desempenho do nosso sistema escolar: a referida taxa era de 12,6% em 1991 e baixou para 1,7% em 2011.

 

Esta espantosa evolução não deixa o problema resolvido. Há que continuar. Em 43 concelhos, por exemplo, 2,5% a 5% das crianças e jovens, entre os 10 e 15 anos de idade, abandonaram a escola sem concluir o 9º ano de escolaridade.

 

Os parágrafos anteriores têm matéria suficiente para um jornalista fazer vários títulos. O Expresso escolheu o seguinte:

 

 

Abandono escolar persiste em 43 concelhos



paulo guilherme trilho prudêncio às 17:23 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 07.03.13

 

 

 

E a agenda mediática inundou-se da seguinte publicidade que dá razão ao eterno "o crime compensa": a Standard & Poor´s melhorou perspectivas de Portugal e o Goldman Sachs aconselhou uns papéis que deram excelentes lucros.

 

E assim se vê quem manda mesmo no mundo.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:18 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 05.03.13

 

 

Ouço um jornalista dizer que para se fazer a economia crescer não são precisos euros; é uma questão de estratégia. O mesmo jornalista é da opinião que o actual Governo está a errar com fómulas de investimento semelhantes às de Sócrates e com as mesmas pessoas e vícios. Ora é exactamente o que se passa no sistema escolar e também é mais ou menos o mesmo tipo de "escola" que o desgoverna há anos a fio (com uma nuance mais pidesca a anterior e salazarenta a actual).



paulo guilherme trilho prudêncio às 22:22 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 23.02.13

 

 

 

 

Vi ontem, embora com alguma desatenção, o expresso da meia-noite da SICN sobre o o nosso descalabro financeiro. Na primeiro ronda chamou-me à atenção um economista mais destemido (do género ultraliberal-fanático-do-Estado-mínimo).

 

Na sua segunda intervenção, José Carneiro avançou com a mudança radical de paradigma, meteu a história das últimas duas décadas da Suécia na discussão (os outros intervenientes avisaram-no que a história vai para além disso) e, em desespero argumentativo, socorreu-se de Adam Smith (que deve dar voltas no túmulo com tanto citador instantâneo) e do "(...)pouco mais é necessário para erguer um Estado, da mais primitiva barbárie até o mais alto grau de opulência, além de paz, de baixos impostos e de boa administração da justiça: todo o resto corre por conta do curso natural das coisas.(...)".

 

Bastava que alguém lhe dissesse que foi o mesmo liberal quem escreveu que"(...)a riqueza de uma nação mede-se pela riqueza do povo e não pela riqueza dos príncipes.(...)" para que o estranho nervoso que estava a evidenciar se acentuasse.

 

Tive curiosidade e fui saber quem era.

 

É que nos últimos dias estranhei a presença mediática de Lurdes Rodrigues (até José Sócrates voltou a publicitar a sua actividade profissional). Depois de saber quem era o economista radical ((...)Antes de ingressar na FLAD (para onde também foi promovida Maria L. Rodrigues) em Abril de 2011, José Sá Carneiro, economista, exerceu a sua actividade profissional no Norte de Portugal: desde 2000 como Director-Coordenador de Investimento Imobiliário no Banco Privado Português (BPP)(...)), fiquei ainda mais convencido que se iniciou mais uma série do império ataca.



paulo guilherme trilho prudêncio às 16:34 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 19.02.13

 

 

 

 

A agenda mediática está preenchida pela nobre e valente "Grândola, Vila Morena" como a voz que resta contra a tragédia que nos assola. Miguel Relvas, uma figura que abomino, pode ser classificado como um bode expiatório. Não me parece. Este ministro representa uma espécie de triunfo da chicoespertice que se esconde em dois radicalismos: ultraliberalismo e uma espécie de chavismo. Ambos detestam as classes média e baixa, usam com inimigo de estimação a escola e os professores, como armas a férrea burocracia e como táctica o confronto de grupos de cidadãos alimentados pelo tédio e pela inveja social.

 

Para se perceber o fenómeno Relvas, tem de se reflectir sobre a organização administrativa do país (a sério que acredito no que escrevi). A babilónia que origina que um mesmo centro urbano pertença a áreas geográficas diferentes ao gosto dos sub-sistemas do Estado é a causa principal do nosso desgoverno. É moderno e razoável que um país tenha um quadro de divisão administrativa e Portugal tem mais de quarenta. Ouvi o social-democrata António Capucho afirmar que o ministro Miguel Relvas não tinha condições para orientar a reorganização que promoveu. Lá saberá os motivos.

 

Para além da capital, vivi em Trás-os-Montes, no Minho, no Douro Litoral, no Alentejo e na Estremadura. À excepção de Lisboa, encontrei duas comprovadas irritações: a incerteza da identidade local e o centralismo da capital.

 

Quando, em 2004 salvo erro, um amigo me convidou para assistir a uma conferência sobre a divisão da moda na altura, comunidades urbanas e por aí fora, aceitei com interesse. Não aguentámos até ao fim e saímos envergonhados. Sem qualquer gosto pela fulanização, o conferencista, o governante Miguel Relvas, era inclassificável. Caiu pouco depois numa sucessão de casos com membros do mesmo Governo que não me admiraram por raciocínio de indução.

 

Foi com espanto que verifiquei que Miguel Relvas era uma espécie de número dois do actual governo e que tinha a incumbência de dirigir uma tarefa nuclear. Hoje, nada disso me espanta.



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:48 | link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Segunda-feira, 21.01.13

 

 

 

Voltei a estar mais de 24 horas sem internet e tinha alguns posts temporizados que foram publicados. Espero que isto normalize.



paulo guilherme trilho prudêncio às 20:53 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 17.01.13

 

 

 

 

 

 

 

Sentirei falta dos jornais impressos e não sei avaliar os riscos para a democracia dessa mudança tecnológica. Até aqui, e pensando na rádio, o mundo da comunicação alargou-se com o desuso desse meio, mas o registo sobreviveu. Espero que a situação não seja tão drástica como se anuncia. Não estou a ver como sobreviverão jornais como o JL e mesmo os diários e semanários de referência terão a vida muito dificultada.

 

Compro e assino alguns jornais, mas não são raros os dias em que nem lhes toco e vão directos para a reciclagem. Por isso, há muito que me deixei da aquisição diária e mesmo o Público ficou para a sexta-feira e fim-de-semana e actualmente só para a segunda opção. Imagino as dificuldades de quem gere essas empresas, para além da natural baixa das receitas com publicidade. A única coisa que posso garantir como consumidor é que efectuarei as assinaturas online.

 

Compreendo quando Balsemão acusa o Governo e "(...) apela a consenso para fazer os motores de busca pagarem uma contribuição aos autores pelos conteúdos que agregam.(...)". Não é justa a situação actual, em que os motores de busca recebem avultadas quantias em publicidade através das pesquisas que vão parar a conteúdos produzidos por outros.

 

"Corremos o risco de não ter jornais impressos dentro de alguns meses", avisa presidente da ERC



paulo guilherme trilho prudêncio às 20:27 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

"Removido" da SIC Notícias



paulo guilherme trilho prudêncio às 20:01 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 22.12.12

 

 

 

 

 

 

A agenda mediática passa a ideia que Portugal tem excesso de funcionários públicos se comparado com os restantes países europeus, ou que estão incluídos nos estudos da OCDE, ao mesmo tempo que afirma a baixa produtividade dos portugueses relacionada com as poucas horas de trabalho.

 

Está mais do que comprovado que a produtividade tem uma relação directa com a cultura organizacional das instituições e com o clima de cooperação, inovação e mobilização que se consegue.

 

Os estudos com estas variáveis valem o que valem. Há que considerar a história dos países e a fidelidade na recolha de dados. O gráfico que se segue demonstra que o nosso problema não está nas horas de trabalho. A produtividade é o que nos atrasa e a responsabilidade maior estará em quem dirige.

 

 

 

 

Quanto ao número de funcionários da administração central o gráfico seguinte é inequívoco e contraria a tal agenda mediática (em 2012, os professores "fugiram" em número suficiente para que estejamos ainda mais abaixo).

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:23 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Sábado, 15.12.12

 

 

 

 

Passei pelo Expresso Online e dei com uma notícia, que é desenvolvida na edição impressa, que diz que os professores portugueses são dos que têm mais horas de aulas nos países europeus e segundo um estudo da OCDE.

 

Alguma coisa aconteceu em relação à linha editorial dos últimos anos que foi sempre a "bater" nos professores. É da época natalícia, alguém se distraiu ou o consumo de coisas psicadélicas regressou em força?

 

"Em toda a Europa e mesmo no espaço mais alargado da OCDE, os professores portugueses são dos que dão mais horas de aulas, segundo o relatório Education at a Glance 2012.

Com o Governo a comprometer-se a cortar quatro mil milhões de euros na despesa do Estado e a Educação a ter de assegurar uma contribuição significativa nesse esforço, a questão do horário de trabalho passou a estar na ordem do dia.

Lá fora, há mais tempo para preparar as aulas, apoiar alunos e outras tarefas."


Anexo um dos gráficos do relatório, para que não fiquem duvidas sobre a nossa liderança na matéria e para desgosto dos descomplexados competitivos dominados pela-tendência-relvas.

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 20:00 | link do post | comentar | ver comentários (10) | partilhar

Segunda-feira, 10.12.12

 

 

 

 

 

Vi a abordagem de Marcelo Rebelo de Sousa à reportagem da TVI, "dinheiros públicos, vícios privados". O comentador foi curto e conciso e ficou chocado. Responsabilizou pessoas dos partidos que têm governado e disse uma coisa acertada e outra nem tanto: as cooperativas não são todas iguais e os rankings demonstram que algumas são óptimas.

 

É evidente que um qualquer Colégio de Nossa Senhora da Boavista (espero que não exista e escolhi uma zona favorecida da cidade do Porto) que limite vagas (nem pode ser doutra forma e é por isso que os suecos concluem da segregação social provocada pela escolha da escola) e receba alunos de famílias com posses financeiras e ambição escolar, ocupará os primeiros lugares de qualquer ranking feito com base nos resultados dos alunos. A tradição, a sociedade fraca que somos e o tempo farão com que o estatuto se perpetue.

 

Por mais que se diga que estes rankings colocam uma tripla responsabilidade nos alunos (pela sua avaliação até às décimas, pela do seu professor e pela da sua escola) e que deixam de fora as variáveis organizacionais da instituição (os programas que avaliam tudo isso são caros, exigentes e não convêm aos descomplexados competitivos), o bullshit usa-os e ponto final. Mais parece uma discussão futeboleira e que deveria ser imprópria entre professores. Este ano lá se integrou o nível socioeconómico como factor de ligeira ponderação, mas outras variáveis independentes fundamentais ficaram por incluir. Gostava de ver o pessoal dos "Colégios" pegarem numa escola TEIP, de um bairro mesmo difícil, e erguerem-na.

 

Desde cedo que se percebeu o projecto global da privatização-tout-court-do-sistema-escolar: edificar, também inconstitucionalmente, junto às escolas do Estado, atrair alunos que têm famílias que ajudam aos melhores resultados escolares, contratar professores em regime de amiguismo e com regras que favoreçam a precariedade, construir rankings com base nos resultados dos alunos, ter peões nas decisões da rede escolar e aumentar paulatinamente a fatia recebida do orçamento do Estado.

 




paulo guilherme trilho prudêncio às 15:30 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quarta-feira, 05.12.12

 

 

 

 

 

"Cheque-ensino, alargamento dos contratos de associação com cooperativas de ensino, gestão privada das escolas públicas, co-pagamento, propinas, ensino dual, vocacional e profissional realizado por privados, escolaridade gratuita no mundo conhecido e no desconhecido, custo médio por aluno ou por turma convenientemente manipulado, despedimento de mais professores nas escolas públicas, cortes no estado social com predominância para a Educação" e podia ficar por aqui a debitar a agenda mediática dos últimos dias, meses e anos.

 

Desde as primeiras páginas de jornais a especialistas instantâneos em Educação e passando por notícias com títulos que contradiziam o conteúdo, tudo isso se apagou dos sites dos órgãos de comunicação social com imprensa escrita e dos próprios jornais nos últimos dois dias.

 

Por mera coincidência, nas notícias do dia há destaque para o seguinte: Nuno Santos acusa: "É um caso de saneamento político"; Detetadas irregularidades em obras público-privadas; Portugal novamente condenado na Europa por lentidão da justiça; Portugal em 33º no Índice de corrupção, "posição dramática" a nível europeu; Onde andam os corruptos em Portugal?; Portugal em 33º no Índice de corrupção; e por aí fora.

 

 

Adenda: O cronista Daniel Oliveira acendeu uma vela no Expresso e parece que acordou.



paulo guilherme trilho prudêncio às 16:50 | link do post | comentar | partilhar

 

 

"Repórter TVI" emite reportagem social e "dispara"



paulo guilherme trilho prudêncio às 16:10 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 04.12.12

 

 

 

 

Passei pelos sites dos principais órgãos de comunicação social que têm imprensa escrita.

 

Nas últimas semanas, a agenda mediática foi preenchida por achamentos sem fim sobre as virtudes divinas da privatização do sistema escolar.

 

Desde a manipulação das conclusões de estudos e relatórios até ao reforço desesperado da agenda que desacredita há muito as escolas do Estado, nem as primeiras páginas escaparam à voracidade. É de salientar que apenas o Público fugiu a esse destino fatal.

 

Hoje, imagina-se o motivo, deu-se um apagão.

 

A propósito dos financiamentos do MEC, o Paulo Guinote fez umas contas a não perder.



paulo guilherme trilho prudêncio às 20:15 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Domingo, 02.12.12

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:18 | link do post | comentar | ver comentários (21) | partilhar

Sábado, 01.12.12

 

 

 

 

 

 

 

Depois de ter visto o anúncio, encontrei no site da TVI a seguinte sinopse:.

 

 

"PRÓXIMO PROGRAMA: "Dinheiros Públicos, Vícios Privados - 3 de dezembro de 2012

 

"São colégios privados, totalmente financiados pelo estado, ou seja, pagos por todos nós. Só este ano receberam de financiamento, qualquer coisa como 25 milhões de euros.

Foram construídos de Norte a Sul do país, onde supostamente, as escolas públicas já não podiam receber mais alunos. Mas, na realidade o que uma equipa da TVI encontrou no terreno é completamente diferente.

Fomos encontrar escolas públicas subaproveitadas, com salas vazias, à espera de alunos que foram transferidos para os colégios privados. O «Repórter TVI» mostra-lhe também um retrato do que se passa nesses colégios, com professores a serem ameaçados de despedimento, denúncias de manipulação de notas, professores que se sujeitam a humilhações. Ao todo são 26 colégios, todos do Grupo GPS, que tem como consultores, deputados e Ex-Secretários de Estado que depois de deixarem o cargo, passaram a trabalhar para o grupo.

«Dinheiros Públicos, Vícios Privados» é uma reportagem da jornalista Ana Leal, com imagem de Gonçalo Prego e montagem de Miguel Freitas."



paulo guilherme trilho prudêncio às 15:17 | link do post | comentar | ver comentários (64) | partilhar

Terça-feira, 27.11.12

 

 

 

 

 

 

Vi, ontem, com alguma atenção, o prós e contras sobre a reforma das autarquias. Constatei o sobreaquecimento da sociedade portuguesa e registei as analogias com a história deste milénio do sistema escolar.

 

Os decisores escudam-se, num caso e no outro, numa diminuição e em dois aumentos: racionalizar é o verbo escolhido para a subtracção e aumento da escala e da massa crítica para a adição. Encontram a resistência dos que, em anúncio de verdadeira dedicação à causa pública, denunciam a terraplenagem da história das instituições, defendem o insubstituível princípio da proximidade das relações e declararam a não percepção do que muda no modelo de gestão.

 

E é exactamente pela mudança nos procedimentos de gestão que tudo devia começar; mesmo antes de qualquer agregação. Sintomático da inacção é a adiada discussão sobre a alteração do modelo de gestão autárquico. É aí que se joga a verdadeira racionalização (objectivo decisivo se associado à defesa do bem comum) e que se pode captar o consenso.

 

Em ambos os sistemas é possível respeitar a história e gerir melhor.


Uma média cidade, por exemplo, pode ter uma Câmara Municipal e absorver as competências das Juntas de Freguesia inseridas no espaço urbano desde que o modelo de gestão respeite o sufrágio directo e universal e garanta a histórica divisão do território. O mesmo se pode aplicar à agregação de Câmaras ou de Juntas de Freguesia com outras características. Critérios como transparência de dados em tempo real, possibilidades de escrutínio de todas as decisões e agilidade da máquina organizativa municipal devem ser perseguidas.

 

O que mais me impressionou no sistema escolar foi a terraplenagem sobre a história das organizações e o desrespeito pelo tempo legislativo (deveria ser considerado tempo constitucional até para impedir o tempo de opinião pública vigente) dos mandatos dos diversos órgãos.


Concordemos ou não com um modelo de gestão (e dirigi vários anos uma escola pública sem concordar por aí além com o modelo e impus-me a não inscrição legal da limitação de mandatos), o que não é aceitável é deixar que o desespero se instale por ausência de antecipação e se argumente com as sedutoras escala e massa crítica. A relação de cada pessoa com as organizações passa mais pela transparência e pela informação disponibilizada em tempo real, do que pelo número de pessoas que necessitam da mesma informação.

 

A primeira escala num sistema moderno e razoável é a massa crítica constituída por todos os cidadãos de um país, pois garante um menor grau de imprecisão e sustenta a independência da nação, e a afirmação das idiossincrasias locais só pode partir dessa inicial e decisiva unidade.



paulo guilherme trilho prudêncio às 20:21 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 18.11.12

 

 

 

 

 

 

É o post 6000 (foram acompanhados por 17829 comentários). Tinha o hábito de dar conta dos totais de audiências (visitas e páginas vistas), mas já não sou capaz de o fazer com rigor. Por um lado porque não me preocupei com isso de início, mas também porque fui depurando os contadores até ficar com o que mais me interessava para evitar a supressão do tempo. Já são muito anos a olhar para écrans de computadores.

 

Passo pelo Apollofind, pelo menos um vez por semana, e fico a saber o essencial. Ontem fiz esse exercício para copiar uma tabela das visitas para este post. Percebi que 2219 pessoas chegaram por sua iniciativa (self referring/bookmarker), outras 1120 conduzidas pelo google e que as restantes foram aconselhadas por blogues e sites que lincam o Correntes.

 

E foi aqui que voltei a dar conta da crise que atravessamos.

 

Já confessei que me tento divertir com o Sporting e com os Lakers e que pior do que se tem passado com estes clubes só mesmo a condição de cidadão português. Mas essas confissões não deviam permitir que o Correntes recebesse centenas de visitas no mesmo dia provenientes da Coluna das Águias Gloriosas (se olharem para a tabela e somarem ficam com uma ideia, porque a coisa ainda se prolonga mais para baixo). A ligação fez-se por causa de um vídeo sobre corrupção e a propósito das práticas bélicas entre os dois clubes mais adversários do Sporting e atenuou a humorada perplexidade.

 

Enfim.

 

Obrigado a todos os que passam por aqui.

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 15:22 | link do post | comentar | ver comentários (12) | partilhar

Terça-feira, 13.11.12

 

 

 

A correria de Merkel em Portugal durou pouco mais do que trezentos minutos e o efeito mediático pretendido menos do que isso.



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:43 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Segunda-feira, 12.11.12

 

 

 

 

 

 

A agenda mediática do fim-de-semana foi marcada pelo vídeo supervisionado por Marcelo Rebelo de Sousa. O conteúdo eleva a nossa auto-estima e põe em sentido o resto da Europa.

 

Estas epifanias são cíclicas. Lembro-me de um pico semelhante em 2004 que foi o ano em que comecei este blogue. Receei que não tivesse registado o momento, mas não. Em 27 de Maio de 2004 escrevi assim e os resultados são conhecidos no presente (é muito interessante a plêiade de especialistas):

 

 

"Não foi fácil. Só ao terceiro encontrei a auto-estima. Passei pelo que estava mais à mão, o da Porto Editora, um só volume, e nada. Fui ao grande dicionário da língua portuguesa, do Círculo de Leitores, seis volumes, e zero. Não desisti. Recorri ao Houaiss da língua portuguesa, também do Círculo de Leitores, seis volumes, seguramente os mais pesados e por isso ficaram para o fim, e lá encontrei: qualidade de quem se valoriza, de quem se contenta com o seu modo de ser e demonstra confiança nos seus actos e julgamentos

 

A minha dúvida não estava tanto no significado. Situava-se mais na questão da palavra composta o ser por justaposição ou por aglutinação; ter ou não hífen. Neste caso tem, porque, e muito justamente, o sujeito até pode não ter muita estima por si próprio.

 

Ouvi hoje uma notícia surpreendente: um conjunto de sábios comprovados, ao que julgo saber afectos à maioria que nos desgoverna, vai discutir o porquê da baixa auto-estima dos portugueses. O painel inclui: Marcelo Rebelo de Sousa, Clara Ferreira Alves, Vasco Graça Moura e António Borges, que julgo que seja um empresário bem sucedido. Espera-se que, depois da mesa-redonda (por justaposição porque existem mesas que não são redondas), a auto-estima dos conferencistas suba em flecha."



paulo guilherme trilho prudêncio às 17:59 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 08.11.12

 

 

 

 

Estou muito à vontade para escrever o seguinte: na nossa democracia mediatizada uma declaração do BE, PCP, CGTP e FENPROF é imediatamente desvalorizada por preconceito histórico e ideológico. Pelo contrário, uma afirmação proveniente do CDS, PPD, FLE, CIP, banca em geral ou por radicais de direita é imediatamente escutada. É pena. A democracia e o país têm sofrido demasiado com tanta falta de "atenção".

 

Já escrevi vezes demais que o último relatório do tribunal de contas, e na polémica custo médio por aluno, é datado a 2009 (o que desfavorece as escolas do Estado tal os cortes entretanto verificados e sublinhados no próprio relatório) e tem reconhecidamente muitas variáveis por estudar. Temos assistido a uma  manipulação das conclusões por parte dos indefectíveis, que são cada vez em menor número até no Governo e a começar por Passos Coelho, da actual maioria.

 

É importante ler o comunicado da FENPROF sobre o assunto e refutar se for caso disso.

 

Custo de aluno no ensino público é menor que no privado

 

"Comunicado.

(...)Conscientes da dificuldade que é levar os portugueses a abrirem mão de um bem essencial como a Escola Pública, o PSD (ainda oposição) levou a Assembleia da República a pedir ao Tribunal de Contas (TC) um estudo sobre o custo médio dos alunos no ensino privado e no público para poder justificar as suas opções políticas. O TC fez esse estudo e, concluído, entre outras recomendações ao governo, apontou para a adoção da seguinte medida: “Ponderar a necessidade de manutenção dos contratos de associação no âmbito da organização da rede escolar.”

A esta recomendação não foi alheio o facto de se ter apurado que o custo médio por aluno nas escolas públicas (em 2009/2010, ano do estudo) foi de 4.415 euros, enquanto nos colégios privados com contrato de associação foi de 4.522 euros. Ou seja, mais 107 euros!(...)

Confrontados com os números, os arautos da privatização – da FLE à direita política que, também nesta matéria, tem muitos aliados nos “comentadores de serviço” – depressa começaram a afirmar, repetindo até à exaustão para que parecesse verdade, que os alunos, no ensino público, têm um custo mais elevado do que no ensino privado”(...)Poderia até ter acontecido que, nestas contas, o custo médio do aluno do ensino público fosse mais elevado, pois a realidade que foi tida em conta para as escolas públicas é significativamente diferente da que existe nos colégios privados. 

De acordo com o documento do TC, os estabelecimentos públicos de ensino incluíram as escolas profissionais (mais dispendiosas e em muito maior número do que no privado, em que apenas se consideram as que têm contrato de associação). Foram ainda consideradas, na lista de estabelecimentos de ensino público e nos custos dos seus alunos, as escolas de ensino artístico especializado que disponibilizam ensino integrado (em que o custo do aluno chega a ultrapassar os 40.000 euros, como acontece com alunos dos conservatórios) e o ensino recorrente e de dupla certificação. São ainda consideradas respostas específicas como a Educação Especial, o PIEF, os PCA, o Programa TEIP e o PMSE. 

Entram igualmente em consideração os cursos EFA, a FM, o processo RVCC e a educação extraescolar. Como todos sabem, estas respostas são, por norma, mais dispendiosas (turmas de menor dimensão, recursos materiais acrescidos…), são por norma (algumas, até, exclusivamente) dadas pelas escolas públicas e, no entanto, nem por isso o custo médio do aluno no ensino público sobe acima do custo no privado. Isso é extraordinário, de facto, ainda que não satisfaça os que tomaram a iniciativa de pedir este estudo!(...)

DUAS NOTAS FINAIS:

1.
São estes colégios privados, sobretudo os que têm contrato de associação, que, apesar de receberem muito dinheiro do Estado, violam sistematicamente as leis laborais, impondo horários ilegais, pagando abaixo das tabelas estabelecidas e despedindo professores.

2.
O MEC publicitou em Diário da República (31 de outubro de 2012), depois das denúncias feitas pela FENPROF, a informação sobre as verbas transferidas para os colégios no primeiro semestre de 2012. Faltam 2010 e 2011. que lhes aconteceu? Perderam-se os documentos?

O Secretariado Nacional da FENPROF
4/11/2012"



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:30 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 06.11.12

 

 

 

 

Pode ler aqui a reportagem que acompanha o vídeo. É interessante comparar os excelentes percursos da Filipa Prudêncio como estudante e como surfista e pensar no modelo de sociedade em que vivemos.

 

Sem querer detalhar muito resumo assim: esteve em Setembro de 2012 em S. Petersburgo a representar o Instituto de Telecomunicações do Instituto Superior Técnico, onde faz um doutoramento em electromagnetismo, e as dificuldades financeiras deixaram à última hora o financiamento à sua responsabilidade; esteve duas semanas em Agosto de 2012 nas Maldivas, onde o vídeo foi produzido, e o financiamento foi integralmente cumprido pelos patrocinadores. É bom que se sublinhe que leva 20 anos de estudo aturado, diário, com excelentes resultados e sem qualquer mediatização e que a prática do surf se iniciou aos 18 anos, apesar de ter sido sempre uma jovem com talento desportivo, e tem uma abundante e justa divulgação.

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 18:35 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Domingo, 04.11.12

 

 

 

O programa que acabo de ver na SIC generalista sobre os 10000 professores desempregados, o maior despedimento colectivo da história, responsabiliza um Governo que decidiu esmagar as escolas públicas portuguesas e que o fez com base numa série de achamentos de Nuno Crato. O aumento do número de alunos por turma, a nova estrutura curricular, o aumento dos horários dos professores, a gestão escolar e por aí fora empurraram milhares de jovens adultos para este flagelo, que demonstraram nesta reportagem uma elevada profissionalidade e um comovente amor ao país.

 

É importante que os canais generalistas passem programas destes no horário nobre e que façam o serviço público que parece estranho à administração da RTP1. Veremos o que o futuro nos reserva, acreditemos que programas destes tenham consequências e que a opinião pública vá percebendo que os professores portugueses não são apenas a tal corporação que atrapalha os descomplexados competitivos.

 

A referência ao tempo, e à sua supressão, foi bem tratada. Se se disser a alguém que um professor português tem um horário de mil minutos (é tudo em milhares) por semana com uma sobra de vinte que deverá ser somada ao longo de várias semanas para que se possa operacionalizar mais tarde, recomendará aos mentores um qualquer internamento e que encontrem rapidamente a mesma porta por onde entraram.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:29 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Domingo, 28.10.12

 

 

 

A propósito do post, "O Lobby", do Paulo Guinote, em que se perecebe que um grupo de pessoas afectas às cooperativas de ensino "inundariam" o programa de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, fiquei atento à conversa com Judite de Sousa. E logo no início a questão foi abordada.

 

Já uma vez confessei por aqui que o célebre analista político nem sempre estuda, naturalmente, os assuntos, mas que não se coíbe de dar a sua opinião e não raramente inverte a intenção dos perguntadores; e confirmou-se.

 

Ao contrário da intenção do tal lobby, Marcelo Rebelo do Sousa afirmou que o custo por aluno é inferior nas escolas públicas se comparado com as cooperativas de ensino (nem sei se se enganou, mas foi o que afirmou), mas disse mais: nas escolas mesmo privadas, com pagamento de propinas, os custos são cerca de metade das escolas das cooperativas de ensino.

 

Para além de ter referido a polémica despesa da parque-escolar-sa e as diferenças regionais que o relatório do Tribunal de Contas evidencia, o comentador disse que oportunamente voltará ao assunto e Judite de Sousa acentuou essa necessidade com o seguinte sublinhado: é bom que se perceba para onde vai o dinheiro dos contribuintes.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:12 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Segunda-feira, 01.10.12

 

 

 

Estava, ontem, a tomar um café e a ler o Público e não conseguia deixar de ouvir a conversa animada na mesa do lado. A esplanada estava cheia e os quatro "vizinhos", dois homens e duas mulheres, falavam da conferência algarvia em que António Borges classificou de ignorantes os empresários anti-TSU e em que Relvas mostrou preocupação com o crédito dos políticos europeus (um comentário noutro post confirmou esta afirmação).

 

Um dos masculinos tecia laudos à estratégia mediática dos dois políticos. Dizia que as suas comunicações foram seguidas por um impressionante batalhão de jornalistas e que os ditos se gabaram de terem arranjado matéria tergiversadora para uma semana.

 

Nessa altura olhei bem para o contador da história e reconheci-o. Como vi a peça televisiva, dei conta que era um dos empresários, penso que famoso, que também debitou para as câmaras. Não me lembro do que disse.

 

Do que não me esqueço é das 10 estratégias de manipulação de Noam Chomsky e que volto a publicar.

 

1- A estratégia da manipulação.

O elemento primordial do controlo social é a estratégia da distracção que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou a inundação de contínuas distracções e de informações insignificantes. A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir que o público manifeste interesse pelos conhecimentos essenciais na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar".

2- Criar problemas e depois oferecer soluções.

Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise económica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A estratégia da gradação.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições sócio-económicas radicalmente novas foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram empregos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A estratégia do diferido.

É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é sentido imediatamente. Em seguida, porque o público tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- Dirigir-se ao público como crianças de baixa idade.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entoação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse uma criança de baixa idade. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adoptar um tom infantilizante.

6- Utilizar o aspecto emocional, muito mais que a reflexão.
 
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional e por inactivar o sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar ideias, desejos, medos e temores, compulsões ou induzir comportamentos.

7- Manter o público na ignorância e na mediocridade.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controlo e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores".

8- Estimular o público a ser complacente na mediocridade.

Promover o público a achar que é moda o facto de ser estúpido, vulgar e inculto.

9- Reforçar a revolta pela auto-culpabilidade.
 
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas (in)capacidades ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema económico e político, o individuo auto-desvaloriza-se e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua acção. E, sem acção, não há revolução!

10- Conhecer melhor os indivíduos do que eles mesmo se conhecem.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado um crescente hiato entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem propiciado conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo se conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controlo maior e um grande poder sobre os indivíduos do que aquele que os indivíduos conseguem sobre si mesmos.



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:58 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Segunda-feira, 03.09.12

 

 

 

 

 

 

 

O ex-ministro da saúde Correia de Campos é classificado como um tecnopolítico sabedor e rigoroso. Na sua crónica no Público de hoje elogia o aumento da qualidade no sistema escolar com as políticas dos últimos governos do PS.

 

É caso para nos questionarmos com o modo como este gestor afere a qualidade dos sistemas. Sobre o sistema escolar foi taxativo em 2010: quando o questionaram sobre os motivos que originaram a melhoria dos resultados PISA realizados em Abril de 2009, o tecnopolítico argumentou com o novo modelo de gestão escolar (só entrou em funcionamento em Maio do mesmo ano).



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:17 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 27.08.12

 

 

 

 

 

Marcelo diz saber que Borges falou sobre RTP com cobertura de Relvas

 

 

Já tínhamos reparado que estamos "sem Governo", mas agora também concluímos que os conselheiros do dito estão em roda livre ou aos papéis. Para além do que diz a notícia, ficou a saber-se que Marcelo R. de Sousa dá palpites sobre os convites da TVI e que carimbou a ida de Borges.



paulo guilherme trilho prudêncio às 12:34 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 06.08.12

 

 

"O ópio do povo no mundo actual não é talvez tanto a religião quanto o inimigo aceite... Um tal mundo encontra-se à mercê, é preciso sabê-lo, de todos os que oferecem uma aparência de solução para o tédio. A vida humana aspira às paixões e reencontra as suas exigências."


G. Bataille (1897-1962)



paulo guilherme trilho prudêncio às 18:44 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quarta-feira, 13.06.12

 

 

"Este novo modelo de gestão escolar não vai funcionar. Foi pensado para uma sociedade civil forte, que está longe de ser o caso de Portugal, e vai levar para dentro das escolas o pior da política partidária local." Foi mais ou menos com estas palavras que Manuel Carvalho, director adjunto do Público, comentou, há dias, os novos desenvolvimentos das agregações escolares na revista de imprensa da RTPinformação.

 

O que este defensor entusiasmado de maioria das reformas educativas dos últimos anos se esqueceu de dizer é que o problema não é novo e que agora só se vai acentuar e generalizar.

 

E sejamos claros: quando concluímos que a nossa sociedade civil não é forte temos de incluir os professores.

 

Se é legítima e humana a defesa dos problemas e ambições pessoais, o que já não se espera é que esses se sobreponham, de forma que até choca um bocado, aos interesses colectivos.

 

Para além de tudo, está mais do que comprovado que quem age assim acaba por delapidar a vida dos outros e a sua própria. E o tempo aceleradííssimo que vivemos teima em reforçar a lição e dissolve num ápice o que parecia tão seguro.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:34 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 05.06.12

 

 

 

Se a primeira regra para compreender uma sociedade recomenda que se examine se a retórica coincide com a realidade, a presença televisiva do SE Casanova no Prós e Contras de ontem faz temer o pior.

 

Agregar escolas e agrupamentos, num modelo de gestão escolar não recomendado em qualquer latitude do sistema solar, por causa da garantia aos alunos de sequencialidade no mesmo projecto na escolaridade de 12 anos, só pode pôr quem enunciou a coisa a transpirar em bica e tirar de si os restantes participantes no debate.

 

A AD já nos habituou a coisas destas, como pode ler aqui ou aqui. Se se devem ter sempre critérios seguros para escolher as equipas governativas, essa exigência aumenta na fase que estamos a viver. As cotas do CDS começam a evidenciar-se de forma novamente arrepiante e levam a que me interrogue: Portugal merecia melhor ou cada país, ou instituição (porque tropeçamos com dirigentes escolhidos sabe-se lá como), tem aquilo que merece?



paulo guilherme trilho prudêncio às 15:37 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Segunda-feira, 21.05.12

 

 

"Poder-se-á reduzir a humanidade a uma mera soma estatística de cidadãos-consumidores que se vão entredevorando pelo tédio e pela inveja?" É difícil generalizar como Gilles Châtelet o fez, mas prevalece a impressão de que quem faz os mercados são os consumidores e não os empresários. Os sábios, como hoje se classificam pessoas como Steve Jobs, "limitaram-se" a antecipar o que os consumidores desejariam ou criaram-lhes o desejo? Ou combinaram as duas pulsões?

 

 

(Publiquei este post em 21 de Abril de 2012)



paulo guilherme trilho prudêncio às 15:21 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 11.03.12

 

 

Quando me solicitaram que divulgasse as perguntas da semana a Marcelo Rebelo de Sousa fui taxativo: faço-o, mas tenho ideia que o analista é tão bullshit e cata-vento que ainda vira o assunto do avesso.

 

Estive com atenção e confirmei as minhas reservas. Quando abordou o assunto dos concursos de professores, Marcelo Rebelo de Sousa até me arrepiou com a injustiça que usou como argumento: os professores das escolas do Estado até ficam beneficiados em relação aos das escolas com contrato de associação porque têm a bonificação da avaliação, coisa que não ocorreu com crédito nas escolas "privadas"(aqui deu-me vontade de rir, salvo seja, ao lembrar-me da prosápia com a avaliação dos privados). Este bullshit que arrepia teve, é bom que se diga, a assinatura de todos os sindicatos e a veneração de milhares de professores.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:11 | link do post | comentar | ver comentários (14) | partilhar

Quinta-feira, 08.03.12

 

 

Por iniciativa do blogue DeAr Lindo e do blogue educar A educação, e que resolveram alargar a mais blogues, divulgo o seguinte:

 

"Perguntas da Semana a Marcelo Rebelo de Sousa

O e-mail para as questões é perguntasamarcelo@tvi.pt
Assunto: Concurso de Professores – Prioridades

1ª Questão

É legal que face à legislação ainda em vigor quem tenha garantida a 1ª prioridade nos próximos dois anos porque trabalhou num dos dois últimos anos no ensino público e face a mudança das regras nos concursos possa perder a 1ª prioridade por agora ser necessário ter 365 dias nos últimos 6 anos e não ter atingido este número de dias na legislação ainda em vigor?

2ª Questão

O regulamento dos concursos acordado esta semana permite que, no concurso externo de professores (para colocação nos quadros das escolas públicas), assim como no concurso  de contratação inicial, sejam igualmente ordenados na 1ª prioridade os candidatos oriundos dos estabelecimentos particulares com contrato de associação e os que têm desempenhado funções nas escolas públicas.

Considera razoável que o reajustamento do número de professores dos estabelecimentos particulares com contrato de associação, provocado pela Revisão Curricular, seja feito à custa dos professores do ensino público, aumentando ainda mais o número dos que serão empurrados para o desemprego e que até aqui serviram a causa pública?"



paulo guilherme trilho prudêncio às 11:55 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 06.03.12

 

 

 

Sei o que é, no final da adolescência, abandonar o país onde nascemos, porque o caos social tornava a vida "impossível". Custou-me muito virar as costas aos lugares e despedir-me da família próxima e dos amigos com o conforto incessante das lágrimas misturado na certeza de um futuro que aquelas idades imortalizam.

 

No prós e contras de ontem da RTP1, "lutar ou resignar?", os jovens adultos manifestaram um amor comovente a Portugal. O seu discurso, sublinhado pelos menos jovens presentes, enalteceu a excelência do sistema escolar português. E lembrei-me do que se tem passado nos últimos anos, onde o mainstream não tem parado de abater o que se fez nas nossas escolas nas últimas décadas. Apesar de todas as "reformas compulsivas" e do fenómeno, comprovado, de má privatização de lucros no ensino superior, há resultados que se vão evidenciando. Era bom que também se evidenciasse a espécie de agenda que moveu os mentores.



paulo guilherme trilho prudêncio às 11:15 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 01.02.12

 

 

Nos últimos dias, a blogosfera tem divulgado uma série de despachos governamentais que determinam o pagamento dos subsídios de férias e de natal, em 2012, às respectivas assessorias. O governo tem apresentado justificações que vão desde o nacional-copy-paste à posterior obediência à lei geral.

 

Hoje temos mais um. Às tantas, os spins começaram a inundar o espaço para instalar a rotina e o desagravamento.

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 14:57 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Terça-feira, 31.01.12

 

 

 

 

Alguém deixou a revista da última edição do Expresso em cima da mesa e lembrei-me de ir ao site do semanário e digitalizar uma parte da capa. Há inúmeros testemunhos, e algumas evidências empíricas, que atestam a natural e histórica irreverência dos adolescentes. Mas há diferenças entre irreverência e falta de Educação.

 

A falta de confiança nos professores desenhada pelas políticas escolares dos últimos anos foi desastrosa e contribuiu para o clima vigente. Está comprovado. Reverter a situação leva tempo e requer acções, que vão da avaliação de professores à gestão escolar e passando pelo estatuto do aluno. Mas não chega. Como tenho defendido em ideias como esta, a sociedade, através do combate à ghuetização social e à exigência de mais tempo para os petizes, desempenha um papel nuclear. É fundamental mediatizar um ranking concelhio com os números do abandono e do insucesso escolares nas primeiras idades da escolarização.

 

Tenho por aqui opiniões interessantes do filósofo espanhol Fernando Savater, publicadas em 10 de Novembro de 2006.

 

"As crianças não encontram em casa a figura de autoridade", que é um elemento fundamental para o seu crescimento, disse o filósofo Fernando Savater.

 

Para Savater, os pais continuam "a não querer assumir qualquer autoridade", preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos "seja alegre" e sem conflitos e empurrando o papel de disciplinador  quase exclusivamente para os professores.

 

(...)"são os próprios pais e mães que não exerceram essa  autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os", acusa.

 

(...)Muitos professores estão "psicologicamente esgotados" e se transformam "em autênticas vítimas nas mãos dos alunos".

 

(...)"A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara", afirma, recomendando aos pais que transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, "uma oportunidade e um privilégio".

 

(...)as crianças não são hoje mais violentas ou mais  indisciplinadas do que antes; o problema é que "têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos".

 

(...)Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade.




paulo guilherme trilho prudêncio às 18:58 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 03.01.12

 

 

Há asserções que se tornam clássicas e sou partidário de duas delas: "há pessoas que lideram em qualquer modelo" (e o contrário também é verdadeiro) e ”a democracia é o pior sistema de governo existente, excluídos todos os demais” (frase de Winston Churchill).

 

Nos últimos dias a agenda mediática da Educação voltou a pegar no modelo de gestão escolar por causa da avaliação dos directores e a fragilidade da democracia evidenciou-se na abertura à ditadura na Hungria.

 

A relação dos factos é óbvia e deve pôr muita gente a pensar nas duas asserções referidas. Um sistema ou país não se pode sujeitar ao fenómeno da "geração espontânea" no que se refere à escolha das lideranças. Os modelos têm de prevenir as autocracias e os absolutismos tão ao jeito das incompetências e dos oportunismos. Por isso é que o primeiro passo da afirmação das democracias é o sufrágio directo e universal aplicado a todas circunstâncias possíveis e com cadernos eleitorais com o máximo de espectro. Eliminar o voto e substituí-lo por nomeações ou votos restritos são tiques que abrem portas a totalitarismos.

 

Nos modelos de gestão escolar, esses tiques evidenciam-se também nos que defendem o exercício por nomeação dos cargos intermédios (da sua confiança) do que a eleição pelos pares. O medo do confronto, da democracia, portanto, é o ideário. São todos estes tiques somados que levam à naturalidade com que os conservadores húngaros, e quiçá, um dia, os seus congéneres lusitanos, propõem passos ditatoriais com a contemplação de uma maioria silenciosa que só se apercebe do mal em vigor quando o sente na pele.



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:10 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 18.12.11

 

 

A notíca dizia que um quinto da população portuguesa não tem qualquer nível de ensino, o país chocou-se e a agenda mediática dissecou a tragégia. A leitura do texto domingal do provedor do Público fez-me sorrir. Hoje fiquei a saber que nesses 19% estão incluídos os bébés e os petizes que ainda não concluiram o primeiro ciclo de escolaridade. Espero pelos debates e pela desconstrução por parte dos actores mais apressados e distráidos. É também disto que é feito o bullshit que indica aos jovens o caminho da fuga (seria interessante perguntar ao primeiro-ministro se aconselha os nossos jovens investigadores a seguirem para países mais endinheirados ou se devem acreditar no país):

 

"On bullshit é o título de um pequeno livro do filósofo americano Harry G. Frankfurt e na tradução portuguesa ficou como "a conversa da treta". Mesmo com a quantidade enorme de bullshit” nas nossas sociedades, não há estudos profundos sobre o tema, diz o autor. Por isso, não existe uma teoria geral do “bullshit, o que é paradoxal, considerando a sua ubiquidade. O bullshit é uma ameaça mais insidiosa para a verdade do que a mentira. Está totalmente desligado de uma preocupação com a verdade. O bullshit é objecto de uma estranha tolerância, enquanto a mentira é vista em geral sem benevolência. Outra das razões para o aumento do “bullshit, é o facto da sociedade actual exigir de todos que tenhamos opinião sobre tudo, mesmo sobre aquilo que desconhecemos. É evidente que o mundo dos media constitui um excelente caldo de cultura “bullshit“”."



paulo guilherme trilho prudêncio às 22:08 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Sexta-feira, 02.12.11

 

 

 

 

 

O ranking das notícias mais lidas no Público online diz-nos que o mercado das audiências deve baralhar os órgãos de comunicação social; ou talvez não. Habituam-se e depois é apenas mais ou menos adrenalina.

O inferno dos números em que há muito escolhemos viver tem picos e não raramente desgraças.

Repare-se na grau de curiosidade dos leitores: assuntos como a crise financeira, a queda do euro ou a política europeia não aparecem nos dez primeiros lugares.

Se uma universidade apresentar uma ideia relevante é decerto triturada nas audiências por uma caso de corrupção que terá acontecido noutra que foi extinta há anos. 

Como interpretar a curiosidade com o aviso telefónico no despedimento de professores? Será aquela coisa do alimento-do-lumpen em que Lurdes Rodrigeus e Sócrates eram especialistas?

Dá ideia que o feitiço fez das suas, mas na versão brandos costumes. Pelo menos para já.

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 16:42 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 21.11.11

 

 

Sei pouco sobre a hierarquia monárquica. Tenho ideia que o dux era um comandante militar no império romano e que deu origem ao nosso duque atribuído aos filhos do rei. E já se sabe: os rebentos do monarca nem sempre tinham méritos e não raramente a coisa acabava em desastre. Apenas convivi com duques em jogos de cartas onde eram os valores mais desconsiderados na estratégia.

 

O mediatizado ecomonista João Duque associou as realidades históricas descritas. Depois dumas boas fatias de tempo a zurzir na competência e adequação dos políticos lusitanos do alto duma suposta e imaculada sapiência, recebeu da nova maioria a incumbência de relatar sobre a RTP. Um economista fora de água, foi o que me pareceu e se confirmou. Não esperava é tanto desmiolo. Sobre um dos canais, o internacional, escreveu que a informação deve ser "filtrada" e "trabalhada" e que governo se "quiser manipular mais ou manipular menos, opinar, modificar, é da sua inteira responsabilidade porque estamos convencidos que o faz a bem da Nação porque foi sufragado e eleito para isso".



paulo guilherme trilho prudêncio às 16:44 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Terça-feira, 28.06.11

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

daqui

 

"Tudo em seis meses: novo presidente, novo governo, nova maioria e ("zoom" para, sucessivamente, grande plano, plano aproximado e "close up") novo director do "Expresso" e novo Estatuto Editorial cujo ponto 7 reza: "O 'Expresso' sabe, também, que em casos muito excepcionais, há notícias que mereciam ser publicadas em lugar de destaque, mas que não devem ser referidas, não por autocensura ou censura interna, mas porque a sua divulgação seria eventualmente nociva ao interesse nacional. O jornal reserva-se (...) o direito de definir, caso a caso, a aplicação deste critério."

Chegou, pois, a altura de um jornal declarar, sem rebuço, que não publicará notícias "que mereciam ser publicadas em lugar de destaque" se entender que a sua divulgação pode "eventualmente" ser "nociva ao interesse nacional". O jornal ponderará, caso a caso, o "interesse nacional" das notícias, mas algo fica, desde já, claro: para esse jornal, a verdade factual deixou de ter por si só, mesmo dentro da lei, "interesse nacional"; e mais: o jornal passará a substituir-se ao poder político e a definir o que é, ou não, de "interesse nacional", podendo decidir não dar a conhecer verdades se as achar inconvenientes ou inoportunas. A bem da Nação.

Se ainda havia algum pudor, deixou de haver: um jornal assume às claras que se rege por critérios de oportunidade (políticos por excelência) e não exclusivamente por critérios jornalísticos."



paulo guilherme trilho prudêncio às 12:46 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Segunda-feira, 13.06.11

 

 

Este período negativo da nossa democracia tem revelado diversos tiques que nos recordam os regimes totalitários. Muitos bloggers têm passado por situações inclassificáveis. O Paulo Guinote está a passar por uma coisa semelhante. Já escreveu alguns posts sobre o assunto e o link que escolhi resume a polémica. Por ser matéria tão ridícula, limito-me a significar a solidariedade que o Paulo merece e que sabe que pode contar.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:54 | link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Terça-feira, 07.06.11

 

 

A democracia mediatizada é um fenómeno por estudar. Todavia, a velocidade e a efemeridade são duas pedras angulares. Por falar em duos, introduzo uma parelha que me desgosta profundamente: os estados desgraçados do país e do nosso sistema escolar.

 

Esperava que a coreografia eleitoral terminasse na noite das últimas legislativas e que o país caísse na real. Estava enganado. Dos media mainstream aos outros, a ninguém escapa a estratosfera. A falência parece uma coisa de gregos e a lama é a única arma de arremesso. Os do novo poder alucinam-se num estonteante jogo de cadeiras, os da nova, e da menos nova, oposição só se comovem com a busca do futuro emprego e a declaração de bancarrota efectiva está num horizonte cada vez mais próximo.



paulo guilherme trilho prudêncio às 22:15 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Terça-feira, 31.05.11

 

 

 

 

 

Não serem sugados pelas forças institucionalizadas, tem sido um dos méritos de muitos bloggers.

E lembrei-me disto ao reler uma excelente entrevista ao filósofo José Gil na Pública. A páginas tantas responde assim: 

Pergunta: "Diz no seu livro Portugal, Medo de Existir que o espaço público deixou de existir e que foi substituído pela comunicação social. É esta que dita que o movimento se faça numa direcção ou noutra."

Resposta: "Acho que é cada vez mais isso. A comunicação social suga essas pequenas forças, que não estão ainda institucionalizadas."



paulo guilherme trilho prudêncio às 22:36 | link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Terça-feira, 17.05.11

 

 

Sintonizo a RTP1 e decorre o prós e contras. Alguém sentencia: a fraude e a corrupção é que nos levaram para este buraco; precisamos de uma operação mãos limpas. Não conheço a pessoa, mas sei que corre o risco de ser considerado um lunático e um perigoso agitador. A questão que se coloca é curial: como realizar o exercício de depuração?

 

Atingimos um ponto tal, que sublinhar estas coisas óbvias é o dever de quem se preocupa com o futuro do país. O radicalismo discursivo situa-se cada vez mais nos registos que nos querem fazer crer que tudo ficará como antes e que a dor é impessoal. A democracia merece mais.



paulo guilherme trilho prudêncio às 00:04 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Domingo, 15.05.11

 

 

Talvez não seja ousado afirmarmos que não é possível identificar escolas de gestão escolar. Apesar destas organizações serem estudadas, e de a forma como organizam a sua oferta estar no centro do debate político das sociedades actuais, podemos inscrever uma lógica de desconhecimento quando pretendemos conhecer quais as filosofias de gestão e as culturas organizacionais que estão em confronto.

 

Há caminhos diversos quanto há forma como as redes escolares se vão estruturando, mas o reconhecimento das escolas como organizações com características próprias é um universo de estudo que começa a dar os primeiros passos.

 

São cada vez mais os investigadores que referem o elevado caderno de encargos da escola como a componente essencial da crise actual da instituição. Se lhe associarmos o escasso tempo que as famílias dedicam à educação das crianças e dos jovens, encontramos um problema que não respirará melhor com um debate político minado pela propaganda, pela manipulação e pelas receitas de analistas que sabem-de-tudo-e-de-mais-alguma-coisa.



paulo guilherme trilho prudêncio às 22:00 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Quinta-feira, 14.04.11

 

 

 

José Luiz Sarmento faz aqui uma tradução que deve ler com atenção. O post é a propósito da seguinte notícia:

 

 

Artigo no “New York Times” alerta sobre riscos para as democracias

Pressão “injusta” dos mercados obrigou Portugal a pedir ajuda de que não precisava

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 11:40 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Sexta-feira, 08.04.11

 

A vantagem de estar informado e o perigo da manipulação.



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:57 | link do post | comentar | partilhar

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