Em busca do pensamento livre.

Sexta-feira, 10.03.17

 

 

 

Estas epifanias são cíclicas e podemos esperar como a proposta do Francis Bacon: sentados. Lembro-me de um pico semelhante em 2004 que foi o ano em que comecei o blogue. Receei que não tivesse registado o momento, mas não. Em 27 de Maio de 2004 escrevi assim e os resultados são conhecidos no presente (é muito interessante a plêiade de especialistas):


"Não foi fácil. Só ao terceiro encontrei a auto-estima. Passei pelo que estava mais à mão, o da Porto Editora, um só volume, e nada. Fui ao grande dicionário da língua portuguesa, do Círculo de Leitores, seis volumes, e zero. Não desisti. Recorri ao Houaiss da língua portuguesa, também do Círculo de Leitores, seis volumes, seguramente os mais pesados e por isso ficaram para o fim, e lá encontrei: qualidade de quem se valoriza, de quem se contenta com o seu modo de ser e demonstra confiança nos seus actos e julgamentos

A minha dúvida não estava tanto no significado. Situava-se mais na questão da palavra composta o ser por justaposição ou por aglutinação; ter ou não hífen. Neste caso tem, porque, e muito justamente, o sujeito até pode não ter muita estima por si próprio.

Ouvi hoje uma notícia surpreendente: um conjunto de sábios comprovados, ao que julgo saber afectos à maioria que nos desgoverna, vai discutir o porquê da baixa auto-estima dos portugueses. O painel inclui: Marcelo Rebelo de Sousa, Clara Ferreira Alves, Vasco Graça Moura e António Borges, que julgo que seja um empresário bem sucedido. Espera-se que, depois da mesa-redonda (por justaposição porque existem mesas que não são redondas), a auto-estima dos conferencistas suba em flecha."

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Francis Bacon.

Albertina, museum.

Viena.



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Quarta-feira, 23.11.16

 

 

Os analistas mainstream estão algo apoplécticos com o Governo. Compreende-se. Foram anos a fio a tergiversar com o arco governativo e não entendem a gramática da geringonça. A oposição também não. Acusa o Governo de "defender a escola pública" e o PSD considera "como seus" os raciocínios políticos de Lurdes Rodrigues e Marçal Grilo. Olha que novidade.

 

(Primeira edição em 19 de Maio de 2016)

 

 

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Sábado, 19.11.16

 

 

 

Escrevi assim em 30 de Março de 2011:

 

Vi ontem um debate na TVI24, moderado por Constança Cunha e Sá, com a participação de Medeiros Ferreira, Santana Lopes e Fernando Rosas. Santana Lopes introduziu a avaliação de professores para condenar a oposição. Medeiros Ferreira foi taxativo: o problema estava no modelo. Uma coisa que nasce errada acaba por cair, mesmo que tarde e de forma errada. Fernando Rosas concordou.

 

A moderadora alegou com a cedência às corporações. Medeiros Ferreira voltou a ser taxativo: para além dos partidos e dos sindicatos, há outras forças na sociedade e não concordo que se possam classificar como negativas; pelo contrário, têm é de ser ouvidas. Medeiros Ferreira mostrou, mais uma vez, estar atento e informado.



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Sexta-feira, 09.09.16

 

 

 

Fui Comando. Por obrigação numa tropa para voluntários (começou nessa altura a objecção de consciência). Condicionado a dar o melhor para ser oficial e não ir parar a soldado sem graduação e sem especialidade. Éramos 87 no curso de oficiais e sobraram 7. Na prova mediatizada (prova de choque) éramos cerca de 500: ao segundo dia estavam cerca de 250 na enfermaria improvisada. Era tal a violência e alienação, que se traficavam tampinhas de cantil com água a 500 escudos a unidade (cerca de 100 euros com "equivalência" ao custo de vida actual). Um amigo de escola (o Jaime Naldinho), queria que lhe espetasse um prego da tenda na mão para ser evacuado. Como recusei (ele ficaria com mais uma lesão para a vida), correu atrás de mim acusando-me de estar feito com os inimigos (já não bastava o esforço daqueles dias loucos e infernais; estive para desertar a meio do curso). Dei instrução e pertenci à companhia operacional 112. Foram 18 meses inesquecíveis. Aprendi muito em diversos domínios; também na "arte da guerra" que até aí me era completamente estranha. Havia muitos exageros. Nestes cursos morreram dois ou três instruendos e alguns ficaram com lesões para a vida. Era uma coisa estúpida derivada de mau planeamento ou de insuficiências no equipamento. Não havia a mediatização actual. Era uma revolta muda. É inadmissível que se repita décadas depois (a unidade de Comandos foi extinta em 1993 e reactivada em 2002).

 

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Quinta-feira, 25.08.16

 

 

 

Estive umas semanas sem telejornais e regressei ontem: abertura com a tragédia em Itália e com a violência juvenil que envolveu dois iraquianos filhos de embaixador. No segundo caso, impressiona a força de um petróleo diplomático acima da lei num país devastado pela violência.

 

Mas vi dois momentos de humor irresistível: Passos Coelho (PSD) e Mota Soares (CDS) irados com o caso CGD, mais propriamente com duas reduções: trabalhadores e actividade da banca pública; e Horta Osório: será uma espécie de Bava do Lloyd´s às aranhas com a reputação? Querem ver que também foi muito premiado no modelo Super Bock Prémio Dourado e que o banco está a afundar-se. Esteve uns dias a trabalhar no Oriente e apresentou despesas, profissionais que passam a pessoais numa trapalhada no modelo Galp Lusitano, de 3800 euros em massagens.

 

Só faltava uma notícia a anunciar a regulamentação que se segue, no jeito desastroso dos burkínis.

 

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Luís Afonso



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Domingo, 07.08.16

 

 

 

 

Os jogos são transmitidos pela RTP e pelos canais desportivos pagos. Leio críticas à programação que "deixa para os pagos as melhores transmissões". Não vou confirmar, mas é provável que discordaria. Percebe-se a imensidão de transmissões e a dificuldade em tratar todos os desportos da mesma forma. É esse o espírito olímpico e vou ficar pela RTP. Quem não tem relações privilegiadas com as GALP´s, fica pelas televisões (é risível saber que a empresa de petróleos ofereceu bilhetes para jogos de futebol). Nem sei se o escândalo da silly season lusitana estará a influenciar as audiências in loco dos jogos tal a generalização de bancadas vazias; ou com mais precisão ainda: os melhores lugares sem clientes. É um hábito antigo oferecer viagens e bilhetes para convidados. Ainda há dias uma recepcionista se admirava por pagarmos um hotel com cartão de débito e por termos apenas uma preocupação com a factura: que o hotel não fuja aos impostos. A recepcionista lá confessou: as facturas são quase todas pagas por grandes empresas. O gráfico seguinte explica alguns deslumbres e a tentativa de reposição de hábitos?

 

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Gráfico daqui



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Sexta-feira, 22.07.16

 

 

 

 

"Em comunicado, as autoridades pedem a não divulgação de vídeos ou fotos do acto terrorista", repetem as televisões imediatamente a seguir à apresentação do vídeo amador mais oportuno. Os actos terroristas têm uma ocorrência quase diária, hoje é em Munique, e os canais de cabo já só têm que programar as horas sobrantes. O mal faz sempre o seu caminho, como lemos na história e temos registado nestes tempos de triunfo do neoliberalismo como caminho ideológico único.

 

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Sábado, 28.05.16

 

 

A impressa do Expresso tem muitas referências, acusatórias do Governo, ao caso "estivadores"; umas subliminares e algumas tendenciosas. Mas a voracidade dos tempos é o que se sabe e o caso "estivadores" tornou-se um bom exemplo para o Governo e mais ainda se comparado com o anterior executivo. A desactualização da notícia evidenciou a parcialidade. Um jornalismo de referência seria, no mínimo, cuidadoso. Mas como no neoliberalismo tudo está à venda, estas nuances levantam a hipótese do desenho.

 

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Terça-feira, 08.03.16

 

 

 

Foi comovente ouvir a unanimidade dos jovens adultos emigrados (a maioria contra a vontade) na exaltação da escola pública das últimas décadas (e apesar da descida dos últimos dez anos). Imagina-se a irritação das "elites"; e não só, claro. O "prós e contras" da RTP1 já tem história e o de ontem não foi pioneiro na presença simultânea de Ramalho Eanes e Jorge Sampaio que não se cansaram de sublinhar e reforçar as exaltações referidas. Recordo este post de 18 de Outubro de 2010, também com a presença dos dois ex-Presidentes, em que escrevi assim:

"Quando vejo dois ex-Presidentes elegerem a avaliação de professores como um dos principais exemplos do coma financeiro que atingiu o país, convenço-me que não temos solução. É falência pela certa. Não sei o que Ramalho Eanes e Jorge Sampaio sabem de avaliação de professores, mas sei que a avaliatite situou-se no primeiro lugar das duas ou três causas com que retratam a pré-bancarrota.(...)"

As sociedades seriam bem diferentes se os humanos "perdessem" um minuto a colocarem-se, como na imagem, no lugar do outro antes de sentenciarem o que quer que fosse. Bastavam até duas elementares interrogações: e se fosse ao contrário? E se fossem os outros, por exemplo, a acusarem os ex-Presidentes pelo estado em que estamos?

 

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Terça-feira, 23.02.16

 

 

 

"As elites portuguesas não estão à altura do povo que somos", disse ontem Guterres (secundado por Barroso), segundo o Jornal de Negócios, no horário nobre da RTP1. Era bom sabermos se as "elites" desataram a ligar para a direcção de informação iradas com Guterres e com quem convida radicais. É que as "elites" cansam-se depressa com o investimento em Educação (e Guterres conhece bem esse pântano e parece que também sublinhou essa prioridade) e tratam de repor de imediato critérios de "eficiência" - fazer "mais-com-menos" - e não suportam incompreensões por facilitismo.

 

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Sábado, 12.12.15

 

 

 

No que se repete anualmente sobre os rankings lusitanos, há um aspecto mais chocante, e que se mantém, que encontrei num post de 10 de Novembro de 2013.

 

"Os investigadores afirmam que "é injusto que não existam dados socioeconómicos para as escolas privadas, só para as públicas. Esses dados são relevantes. As listas aparecem porque os jornais vendem mais. A maioria esmagadora das pessoas interpreta os rankings como a manifestação da qualidade de uma escola. Os dez primeiros têm uma publicidade fabulosa. Os rankings mostram a qualidade dos alunos, não o desempenho das escolas. Não sei se são um incentivo à melhoria das escolas"."

 

Os rankings e as presidenciais sofrem da mesma patologia mediática? Sofrem. Passo a explicar. Encontrei um post de 2 de Dezembro de 2014 que tem como título: "Grau zero da mediatização da Educação?" Diz assim:

 

"Marcelo Rebelo de Sousa conjugou dois verbos para os resultados do ensino privado nos rankings dos exames: arrasaram e esmagaram. Como é um professor de direito, temos de baixar o grau para lá do inadmissível e já nada nos deve espantar. O político estava fora de si e terraplenava resultados escolares como quem comenta o "seu Braga"."

 

É um político com este grau de desinformação que queremos para presidente? O que dirá hoje se lhe colocarem a questão? Às tantas, dirá tudo e o seu contrário.

 

Repito o cartoon, já que a repetição parece uma obrigação, do post que deixei para hoje e que tem como título: "Não existe o dia das patologias?" Claro que existe e a nossa sociedade está em descida uniformemente acelerada.

 

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Sábado, 18.07.15

 

 

 

 

Passei por duas primeiras páginas e chegou-me. A mediatização do sistema escolar continua no grau zero.

 

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Esta notícia do Público nem li.

 

 

 

 

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A patologia da industria dos exames continua com febres altas, diz o Expresso.

 

 

 



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Quarta-feira, 06.05.15

 

 

 

 

Os números confirmam que concorreram muitos professores, mesmo com mais de cinquenta anos de idade, dos quadros (de agrupamento e de escola) do ensino não superior. Quem domina as razões é peremptório: estão saturados das escolas onde leccionam. Os números não são ainda mais elevados porque os quadros estão sem vagas com tantos cortes a eito.

 

Existe um preocupante, e reconhecido, sentimento de desesperança neste grupo profissional.

 

Depois de anos a fio sujeitos a uma avaliação do desempenho kafkiana, expostos a divisões brutalmente injustas na carreira, sobrecarregados com turmas com mais alunos, com mais serviço lectivo e não lectivo e com hiperburocracia analógica e digital, atirados para megagrupamentos regulamentados por um modelo de gestão escolar "impensado" e que transportou a partidocracia local, com os conhecidos "assaltos ao poder", para dentro das escolas, é natural que as atmosferas relacionais se tenham dilacerado e que o sentimento de "uma qualquer fuga" se afirme como primeira prioridade. E importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores para gáudio dos políticos mentores da desgraça.



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Segunda-feira, 19.01.15

 

 

 

 

Há uma epidemia que considera o sistema escolar uma coisa insólita e longínqua. Essa moda, que se dispersa rapidamente numa população, não racionaliza a ideia de escolar e atinge um grau elevado de rejeição quando se confronta com quem faça disso profissão pública ou, pior ainda, uma causa. É um fenómeno com dúvidas agudas na literacia associada às pessoas, à política, ao social, e, em auge infeccioso, à democracia.

 

É uma sociopatia que não manifesta qualquer empatia para com os seus semelhantes ou de atenção para com os seus problemas. É exímia em manipular factos e incapaz de assumir erros. Pode, em aparente desespero e de forma cínica, admitir “falhas de comunicação".

 

Usa modelos ideológicos com diagramas mentais inflexíveis que desprezam a consistência cultural e histórica das sociedades. Na origem está sempre a estranheza com o humano.

 

 

 

 



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Segunda-feira, 12.01.15

 

 

 

 

 

Impressionou-me ver milhões de pessoas a manifestaram-se, ontem, em Paris, em defesa da liberdade e da democracia e a afirmarem que é inalienável a matriz que nasceu na Grécia.

 

Mas a marcha pela República deixou-me com sentimentos contraditórios. Já passei por algo semelhante em manifestações históricas e em que vi, uns dias depois, milhares desses manifestantes a "desobedecerem", sem surpresa, é certo, ao compromisso em nome dos interesses mesquinhos. Claro que os da fila da frente se sentiram ainda mais autorizados para também falharem os compromissos.

 

Só que ontem a contradição foi mais profunda. Políticos da família de Merkel ou Juncker a desfilarem com aqueles propósitos permite registar a forma oportunista como o poder vigente surfa a resposta dos cidadãos que têm sido vítimas das políticas austeritaristas. A fila da frente tinha ainda personagens com uma história recente de arrepiar. Foi uma encenação organizada com o poder mediático. Amanhã regressam à cartilha. Os profissionais do Charlie Hebdo considerariam isto uma nova morte e era tremendamente injusto.

 

Embora presente por breves minutos, é certo, a fila da frente podia integrar, mesmo que como convidada especial, uma manifestação da ausente Frente Popular ou empunhar um cartaz do Goldman Sachs ou do grupo de Bildeberg. Poucos estranhariam. Esta liderança europeia, fraca com os fortes (e com os comprovadamente corruptos) e impiedosa com os fracos, parece capaz das mais sofisticadas coreografias.

 

Seguem-se duas fotos com ângulos diferentes da fila da frente. Apenas para que conste.

 

 

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Terça-feira, 25.11.14

 

 

 

 

Foi inaceitável que um canal de televisão esperasse no aeroporto a detenção do ex-primeiro-ministro e o desempenho televisivo de Clara Ferreira Alves, na SICN na noite da prisão preventiva, foi das figuras mais tristes de que tenho memória. A defesa de Sócrates em contraposição à justiça foi patética e com tiques oligárquicos.

 

 

 

 



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Terça-feira, 11.11.14

 

 

 

Foi por volta de 2006 que quebrámos a regra caseira de ligar a televisão apenas às 21h00. Havia excepções, obviamente, mas o desvio acentuou-se com a sucessão de tresloucados, e tresloucadas, que foram governando a Educação.

 

O telejornal das 20h00 passou a antecipar o toque no "on". Por princípio, o canal público generalista tem preferência. Mas nas últimas semanas o alinhamento da RTP1 entrou, declaradamente, no frenesi da campanha eleitoral. Bem sei que falta um ano para as legislativas, mas há vícios que a democracia não resolveu como também se constata em tanto BPN, BCP, PPP´s, BES, PT e por aí fora. A dificuldade está na escolha da alternativa e o clique no "off" está sempre à mão.

 

 

 

 



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Terça-feira, 24.06.14

 

 

 

 

 

 

 

Sabia desta conferência, estive atento às conclusões e só consegui ler e ver coisas de F. Balsemão. Há umas figuras que têm presença mediática, que se dizem preocupadas com o estado de democracia mas espremido o argumentário sobra sempre um conjunto vazio ou próximo disso. Sempre que a democracia regride objectivamente fazem do silêncio um modo de vida principalmente nas questões que se relacionam com o aumento das desigualdades.

 

 

 

 

 

 



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Domingo, 06.04.14

 

 

 

Victor Gaspar disse, no auge da austeridade para além da troika, que o povo português era o melhor do mundo. A asserção só pode ter um significado: a banca roubou (é literal) milhares de milhões de euros e o povo paga. A banca continua a festa e os buracos vão sendo tapados. Os corruptos continuam por aí: pavoneiam-se, entram em governos, vêem os crimes prescrever e quando muito andam de pulseira electrónica ou cumprem pequenas penas. Já levamos seis anos disto (há quem diga nove ou doze). Muita conversa e cortes nos do costume. A discussão em conselho de ministros para 2014 e 2015 não varia. Entraremos no sétimo ano de gozo com o pagode. Será que o melhor povo do mundo nunca se saturará?

 

Enquanto lia a versão digital do primeiro caderno do Expresso (este jornal descobriu qualquer coisa entre famílias e banca a lembrar meados do século passado), recortava as notícias que referiam o BPN. É isso que vou publicar e nem sei se estão todas. É muito conversa, realmente. Alguns não são meigos no vocabulário.

 

 

 

 

 

Também reduzi a coluna do director Ricardo Costa. Mas no que escolhi, a coisa anda pelos vigaristas. Quem diria.

 

 

 

 

 

Durão Barroso e o seu partido têm tudo para contar. Cavaco Silva, e como alguém disse, vai-se afirmando com uma espécie de Putin também com infiltrados nas mais inimagináveis áreas da sociedade. Veremos se algum dia pagam as contas.

 

 

 

 

Parece que há muito verniz a estalar em período pré-eleitoral. Depois dos votozinhos são os consensos que se conhecem e a democracia vai em plano inclinado. Os últimos dez anos são elucidativos da capitulação dos partidos do tal arco e da corrupção sistémica perpetrada pelos tais de aparelhos.

 

 

 

Miguel S. Tavares aponta, sem rodeios, ao PSD. E termina com um interrogação: Barroso não podia ter dito a Gaspar que esperasse um pouco? Dá ideia que não. Tinham pressa. Estranhei o discurso de M. S. Tavares: esqueceu-se de culpar os professores pela corrupção no BPN:

 

 

 

 

Durão Barroso é agora o bombo da festa.

 

 

 

Até uma espécie de politólogo, daqueles que também culpam os professores pelo Big Bang não nos ter sido mais favorável ou por terem dado más notas a Einstein cuja teoria da relatividade foi finalmente refutada, o que o politólogo duvida, por Hawking, se centra no BPN. E sabem como: posse de bola. Associa a táctica de Barroso à posse de bola no futebol. Leia, embora confesse que já tentei três vezes e nada.

 

 

 

 

De seguida, encontrei uma disputa não futeboleira, mas parecida.

 

 

 

Passei para o Público e lá estava o BPN. Outro anti-professores a perder as estribeiras até na linguagem. Fique com um bocado do Barroso guerrilheiro, o eterno MRPP que foi para a Europa fazer o seu PREC de extrema direita para pôr os países de tanga e os seus mais anfados (de "o eterno" para a frente são ideias minhas). Pode ser que o povo se canse mesmo destes figurões.

 

 



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Domingo, 26.01.14

 

 

 

 

 

 

 

 



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Domingo, 22.12.13

 

 

 

 

Há já uns anos que estalou o verniz nos "ódios" à escola pública e aos seus professores. Os preconceitos emergem mesmo quando os achadores estão, por táctica, do lado dos professores.

 

Alguns Lurditas D´Oiro evidenciam-se nos picos, como foi o caso, ontem, de um tal Avillez que debita no folheto do Expresso e que injuriou os jovens professores que perderam a cabeça como a "Matilha das Escolas". O argumento deste defensor da mercantilização da Educação demonstra desconhecimento e impreparação ao acusar os professores por não se sujeitaram a uma avaliação que impõem aos alunos. Desde logo, os jovens professores, como de resto todos os professores, têm uma vida de testes e de avaliações. Mas o que Avillez desconhece é que a indisciplina escolar que tanto o incomoda radica numa herança da revolução francesa que considerou as crianças, e os alunos, como iguais e não como outros. Regista-se mais uma contradição da malta do guião irrevogável. Têm tanto de baralhados como de cata-ventos no argumentário.

 

Mais à noite, no eixo do mal da SICN, M. Lopes pôs-se do lado dos professores contratados na prova de ingresso mas criticou os excessos, indignou-se mesmo com as políticas de Crato e acusou (foi mais forte do que ele) os professores de estarem há três anos em silêncio e de só se manifestarem por causa de avaliações. Francamente: onde é que este comentarista estava no último verão quando ocorreram as greves escolares mais prolongadas da história da nossa jovem democracia? Saberá ele os motivos? E no verão de 2012? Será que ele não vê as reportagens da TVI sobre o mercado da Educação ou acha que esse risco nada tem a ver com professores? 

 

E não gostei, também no e. do mal, de ver a anuência de D. Oliveira. Se Sophia de Mello Breyner Andresen deve sentir-se envergonhada com os preconceitos do filho, Herberto Helder tem motivos para se preocupar com os sintomas de alucinação (ai a proximidade com o mainstream) deste descendente.

 

 

 



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Sábado, 14.12.13

 

 

 

 

 

 

 

 

"Mandela: ritual televisivo.

 

Um meio de transmissão como a TV é tudo menos apenas um meio de transmissão. Se o fosse, seria um instrumento de comunicação de mensagens que esgotaria a sua função na emissão de um conteúdo, a dado momento recebido por um recetor. Mas não é. Na realidade, além de ser um veículo de informação, entretenimento e por vezes de usufruto estético, a TV é também uma máquina de ritualização da existência.

O caso da morte de Nelson Mandela é um exemplo. Todos sabemos que este homem exemplar morreu. A notícia da sua morte foi transmitida. A partir daí, pouca informação relevante se acrescentou, sobretudo comparando com o tempo de transmissão. E isso mostra a televisão como performance e não como media.(...)"






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Domingo, 08.12.13

 

 

 

Estou a ouvir o monólogo de José Sócrates na RTP1.

 

Como já se esperava, aparece a reivindicar os resultados muito bons da escola pública em 2009 que estagnaram ou baixaram em 2012. Nomeou o plano tecnológico para os alunos do 1º ciclo, as actividades de enriquecimento curricular destinadas a crianças dessas idades, a formação dos professores do 1º ciclo ou o plano da matemática que se generalizou apenas em 2009. Ou seja, omitiu que os alunos que realizaram os testes PISA em 2009 ou 2012 tinham cerca de 15 anos (em ambas as datas, obviamente) e que não beneficiaram de qualquer dessas medidas.

 

Mas mais: a escola pública que produziu esses resultados desde 1998, fê-lo sem o monstro da avaliação de professores, sem as divisões absurdas na carreira dos professores, sem o estatuto do aluno que instituiu a desfaçatez burocrática como desconfiança na palavra e na autoridade dos professores e sem o modelo de gestão das escolas que foi instituído em 2009.

 

Sócrates podia argumentar a seu favor, em termos de políticas e não destes resultados, com a educação de adultos, mas a má propaganda deu cabo desse bom programa. Sócrates podia argumentar, em termos de políticas e não destes resultados, com a requalificação das escolas, mas o pato-bravismo deu cabo desse bom programa. Sócrates podia argumentar, em termos de políticas e destes resultados, com a manutenção da carga curricular ou com o número de alunos por turma que herdou de Guterres, mas a má consciência não lhe permite fazer isso.

 

Sócrates desmontou bem o modelo sueco tão caro aos fanáticos do Governo actual e leu a declaração do ministro sueco que põe fim, e bem, ao devaneio. Só que Sócrates devia ter dito que foi no seu consulado que os privados que se financiam na totalidade no orçamento do Estado tiveram os maiores financiamentos da história. Podia até dizer que o corrigiu com Isabel Alçada. É verdade. Corrigiu, mas já foi tarde.

 

 



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Sexta-feira, 29.11.13

 

 

 

 

 

 

 

A edição europeia do International The New York Times destaca hoje o burro mirandês


"Em Portugal, um burro de carga vive de subsídios". O burro mirandês, actualmente em risco de extinção, serve de metáfora para a situação económica, financeira e social do país que sobrevive de "subsídios europeus".(...)"Hoje não é fácil ser burro". Segue para a descrição da função tradicional do burro mirandês - a de ajudar os agricultores de Miranda - e para a eventual extinção da espécie tipicamente portuguesa, entretanto substituída por maquinaria moderna e tractores no cultivo dos campos.(...)"Depois de décadas de negligência e, dizem alguns, desentendimentos, o destino do burro começa a assemelhar-se ao dos humanos," que surge imediatamente esclarecida, "ameaçados pelo declínio da população e com a sobrevivência dependente, sim, de subsídios da União Europeia".(...)Raphael Minder cita o socialista e ex presidente da Junta de Freguesia e Ifanes do concelho de Miranda do Douro, Orlando Vaqueiro, para sustentar a ideia de que "Hoje não é fácil ser burro" em Portugal: "Precisamos dos subsídios para manter os burros, mas o resultado é que todos se tornam completamente dependentes deles, portanto não há espírito de inovação nem desejo de modernizar ou produzir mais".


Esta metáfora recorda-me um frase inesquecível de um professor da EBI de Santo Onofre, que começou como TEIP em 1993, quando os resultados das políticas educativas evidenciavam a queda do número de alunos de uma escola pública de referência que mantinha, e mantém, boa parte dos profissionais que a elevaram: "Compramos um burro e dizemos que oferecemos ensino equestre".

 

A lógica de mercado puro e duro na Educação, associada à ideia dos privados que se subsidiam exclusivamente no orçamento de Estado, explica o estudo de caso em que se transformaram essas escolas públicas e que de alguma forma foi detectado noutras áreas no artigo pouco rigoroso e algo injusto da edição europeia do International The New York Times.


 



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Quinta-feira, 21.11.13

 

 

 

 

 

A denúncia de Valdares Tavares, ontem na TVI, não é novidade, mas acentuou-se em 2012. «Quando se soma tudo aquilo que é comprado, bens, serviços, contratos, rendas, etc, dá uma verba que é praticamente igual à de pessoal», diz, questionando: «Como é que no ano de todos os sacrifícios, cortes de pensões, prestações sociais, etc, tivemos aqui esse aumento [dois mil milhões] tão grande». 


Já se sabe há muito que a despesa com os consumos intermédios do Estado equivale a cerca de 16% do PIB enquanto que a despesa com pessoal deve estar abaixo dos 9%. O Governo conseguiu ainda aumentar os consumos intermédios em 2 mil milhões em 2012. Seria expectável que essa despesa recuasse em cerca de 10% o que equivalia a cerca de 4 mil milhões (os tais 10% mais os 2 mil milhões da "derrapagem").

 

É impressionante, ou talvez não uma vez que os milhares de milhões têm de ir para algum lado, como os média silenciam uma notícia destas, mais uma verdade inconveniente, que está detalhada aqui com vídeo.



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Domingo, 10.11.13

 

 

 

A semana mediática (e não adianta escapar à transcendência do quarto poder, cada vez mais o primeiro na hierarquia) do sistema escolar fica marcada por três assuntos: a prova dos professores contratados, a verdade inconveniente da TVI e os rankings 2013. Deixemos o primeiro e concentremos a atenção nos outros dois e no comportamento dos média mainstream não televisivos (MMNT).

 

Quem desconsiderar os rankings 2013 é, para os MMNT, um complexado não competitivo (CNC).

 

Mesmo que os investigadores ouvidos pelo Público afirmem que "(...)não há dados socioeconómicos para as privadas(...)", dados relevantes para este tipo de estudos e que ainda por cima são considerados para as escolas públicas, as listas aparecem porque "(...)se não fosse assim os jornais não fariam cadernos especiais sobre os rankings, porque nesse dia os jornais vendem mais…(...)" e quem duvidar da oportunidade da publicação é um CNC para os MMNT.

 

Mesmo que se saiba que "(...)A maioria esmagadora das pessoas interpreta os rankings como sendo a manifestação da qualidade de uma escola. Os dez primeiros têm uma publicidade fabulosa.(...)" e que "(...)os rankings mostram a qualidade dos alunos, não o desempenho das escolas.(...)Do ponto de vista da melhoria das escolas eu não sei se estes rankings são o melhor incentivo.(...)", quem duvidar da oportunidade da publicação é um CNC para os MMNT.

 

E podíamos ficar aqui a noite toda a sublinhar que "(...)O volume de dados permitiu-nos perceber isto. A partir daqui, o que vamos fazer com esta informação? Que eu saiba ninguém tem feito nada. Agora ficamos com um mosaico mais complexo das escolas e queremos os rankings para quê? Para ver a qualidade das escolas? Eu acho que estes rankings não nos estão a servir para isso.(...)", mas mesmo depois de tudo isto, quem duvidar da oportunidade da publicação é um CNC para os MMNT.


Estes MMNT não publicam coisas que achem que são de facções e, pasme-se, coisas que achem que só se fazem por causa das audiências. Até se regista a contradição. A verdade inconveniente da TVI é, para os MMNT, coisa de facção e de busca de audiências. Ou seja, para esses MMNT os rankings 2013 não são coisa que interessa a uma facção e nem existem por causa de audiências. Querem ver que os MMNT estão "controlados" por essa facção? Querem ver que os MMNT são uns mãos largas? Querem ver que os MMNT estão impedidos de pegar na verdade inconveniente da TVI? Querem ver que os MMNT estão mais dedicados ao entretenimento (coisa também importante, sem dúvida) do que a verdade inconveniente da TVI?

 

 

 



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Já fiz mais posts sobre os rankings 2013 do que projectei, mas a alucinação atingiu o pico previsto e temos o dever de debater com o esforço de não cair em sei lá o quê.

 

Os tempos são muito difíceis para a defesa da escola pública. É uma luta muito desigual agravada com o "vale tudo" dos que não se cansam em delapidar o orçamento do Estado.

 

Segundo um dos investigadores ouvido pelo Público (uma muito interessante entrevista), "(...)Aliás, se não fosse assim os jornais não fariam cadernos especiais sobre os rankings, porque nesse dia os jornais vendem mais… Mas pode servir para motivar e para desmotivar, para mobilizar e para desmobilizar.(...)".


O caderno de 48 páginas do suplemento rankings do Público tem abundante publicidade das escolas privadas e cooperativas. O que se diria se uma escola pública fizesse o mesmo ainda por cima nestes tempos de cortes a eito? Recorda-me a última campanha eleitoral para as legislativas em que as escolas ditas privadas até usavam crianças nas manifestações. O que também se diria se as escolas públicas imitassem o despudor?

 

Uma das publicidades é elucidativa. A Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo pagou a pérola que vê a seguir.

 

 

 

 

 

O João Daniel Pereira fez um estudo, que me enviou por email, sobre os resultados das cooperativas de ensino que são financiadas integralmente pelo orçamento do Estado e que pode consultar mais abaixo.

 

Ainda neste âmbito e na entrevista aos tais investigadores, cuja ligação indiquei, pode ler-se uma passagem incontornável: "(...)Os dados de apoio social não estavam completos para todas as escolas. E eu até acrescentaria que, por exemplo, uma das questões sobre as quais nos temos debruçado é na divisão entre o público e o privado e a suposta inflação de notas. Ora, não há dados socioeconómicos para as privadas.(...)" 

 

Para além de tudo isto, e como se verifica, só o chico-espertismo permite confundir as escolas integralmente privadas com as financiadas pelo Estado. É que já sabemos que os políticos ultraliberais vão passar o ano a usar de forma falaciosa os resultados dos rankings 2013. Pode ainda ler este post do Nuno Domingues que vai no mesmo sentido.

 

 

 



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Sexta-feira, 01.11.13

 

 

 

 

Informam-me que irá para o ar no dia 4 de Novembro (2ª feira), no jornal das 20h00 da TVI, a grande reportagem "Verdade inconveniente", da autoria da equipa da jornalista Ana Leal, sobre o público-privado na Educação. Dizem-me que é imperdível. Para quem não se lembra, volto a publicar a última grande reportagem da TVI sobre o assunto e que se denominou "Dinheiros públicos, Vícios privados".

 

Numa altura em que se discute o orçamento 2014, que inscreve cortes a eito em todas as rubricas da Educação com excepção do chocante aumento no financiamento às cooperativas de ensino, esta reportagem não pode ser mais oportuna.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 15:41 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 21.10.13

 

 

 

(Declaro, desde já, que este post foi muito bem pesado.)

 

 

"Os professores estão a ser exterminados", afirmou, no último eixo do mal, Clara Ferreira Alves. Pedro Marques Lopes anuiu e até reforçou. A primeira acrescentou qualquer coisa do género: "Mas esta gente não entende que os professores lidam com o futuro e não podem suportar este estado de desesperança permanente".

 

Transcrevo estas afirmações porque são elucidativas em dois aspectos: o adjectivo usado, exterminados, é fortíssimo e os dois habitantes do eixo do mal eram insuportáveis Lurditas D´oiro e desconheciam que a desesperança, a tortuosidade, as feridas profundas na dignidade e na desconfiança entre pares já têm uma escola com anos a fio que agora atingiu um qualquer auge; mas há um lado de esperança para os professores: se até estes foram iluminados, então o caminho pode mudar de rumo.

 

Demorei a usar adjectivos tão fortes como "exterminados", mas devo ter utilizado algo semelhante. Os meus amigos mais socialistas sempre me alertaram para o peso das palavras e para o facto de haver quem sofresse mais. Sabia que sim, naturalmente, até no âmbito material. Só que o extermínio tem requintes que só os exterminados reconhecem.

 

Vou, como professor e como cidadão, tendo a minha conta no processo. Mas as minhas circunstâncias suavizam os efeitos se comparadas com as de milhares de colegas meus.

 

Aconselho a audição desta comovente fita dedicada aos professores e aos requisitos.

 

 

Os requisitos






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Segunda-feira, 14.10.13

 

 

 

 

 

Percorri alguns blogues e jornais online e dei com duas notícias desconcertantes: um professor que diz que está "preparado fisicamente para actuar se um aluno desobedecer" e um caso muito grave de um aluno que é suspeito de "ter esfaquado uma colega e uma funcionária". É um dia atípico em termos mediáticos nos assuntos do sistema escolar, mas será um qualquer sinal.

 

No primeiro caso, regista-se a existência de um professor adepto do docente-especialista-em-wrestling. É, no mínimo, uma novidade. Há uns anos fiz um post com a seguinte pergunta: pode um invisual ser professor? Terminei o post assim: "A resposta, mesmo que se fique pela dúvida, pode atestar da qualidade da nossa sociedade". Não sei se o docente-especialista-em-wrestling defende a opção pelas artes marciais como forma de incluir todos os professores. É que nem todos os professores são tão fortes como este inesperado lutador.

 

O segundo caso é mais perturbante. Pode até ser um fenómeno isolado e que não se repita tão cedo. Assim se espera. Mas com o empobrecimento em curso associado ao aumento do número de alunos por turma, ao aumento dos horários dos professores nos últimos dois anos e à dificuldade da gestão de proximidade, não nos devemos espantar se o clima de desesperança que atravessa o sistema escolar vá para além do abandono e do insucesso escolares em curso.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 21:50 | link do post | comentar | ver comentários (13) | partilhar

Quarta-feira, 18.09.13

 

 

 

No post anterior tinha escrito: "Aguarda-se a chegada mediática das agências de raiting, da OCDE e dos relatórios FMI. As primeiras devem estar com um qualquer apagão nos modelos excel."



Foi só dar uma nova volta pelos mainstream para dar com o seguinte:





E ainda aqui:







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Segunda-feira, 01.07.13

 

 

 

 

Decidi-me pela SIC para o telejornal da noite da demissão de Vitor Gaspar. Apanhei com o cronista Tavares do Expresso (quase que me arrependi) e com o inefável anti-PPPs-e-demais-biliões-de-corrupção, Gomes Ferreira. Já os conhecia, dos tempos lurditas d´oiro, com um básico registo anti-professores. Não me admirei que tivessem colocado as greves dos professores no epicentro da demissão do dia, embora divergissem na importância da acção executiva do ex-ministro (mais à direita o jornalista do "negócios da semana").

 

Aceitava-se que considerassem como simbólica a acção dos professores na queda e até se esperava que propusessem qualquer coisa como "(...)não faltará muito para Portugal agradecer aos professores por mais esta lição de cidadania. Serão mais 115 mil comendadores com a ordem da Espada à Cinta.(...)". Mas não, claro. Nem o cronista M. S. Tavares que considerou Vitor Gaspar como uma tragédia; enfim.


Gomes Ferreira foi aos números e escandalizou-se com os 150 milhões anuais que custará a greve dos professores. Diz que se terá de contratar mais 3.000 professores a 30 mil euros anuais cada um. Gaguejou um bocado, naturalmente. É que mesmo com 14 salários, o rendimento bruto de cada um andará entre os 18.000 e os 20.000 euros. Mas mais: duvido muito que sejam contratados mais 3000 professores, mas mesmo assim o suposto investimento de cerca de 100 milhões (é bom não esquecer que estes novos contratados só se efectuarão com a reforma de cerca de 6.000 professores com salários mais elevados e isso será redução de despesa, mas enfim), que é despesa para Gomes Ferreira, será uma migalha no meio dos biliões de corrupção, swaps incluídos e agora omitidos, que denuncia todos os negócios da semana. Estranhos, ou nem tanto assim, estes critérios: é mau perder ou obsessão.





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Quarta-feira, 19.06.13

 

 

 

"Caro Miguel.



Desde já peço desculpa pela familiaridade do trato, mas como nos conhecemos tão bem sinto-me no direito de ser mais tu-cá-tu-lá consigo. Li o seu artigo sem adulteração, aquele do Expresso do último sábado, do dia 15 de Junho de 2013. Escrevo a data completa porque a quantidade de textos que debita poderiam criar na sua cabeça alguma confusão sobre o espaço temporal a que me refiro. Devo dizer que é um texto bem escrito, daqueles que se aprendem a escrever quando se tem uma professora à moda antiga, das que nos ensinam a amar o saber e fazer da vida uma busca continua desse mesmo saber, das que nos ensinam a ter espírito critico, das que nos ensinam a pensar e a usar com racionalidade essa fundamental característica que é uma das que nos distinguem das restantes espécies da Classe Mammalia. Como se deu ao trabalho de fazer uma breve introdução romanceada do seu percurso pelo primeiro ciclo, então escola primária, vou, também eu, essa breve introdução, sem as figuras de estilo que o Miguel usa, porque em mim a escritora não pode florescer por falta não de vocação que essa até tenho, mas de tempo, e a seu tempo entenderá o porquê. Então vejamos, em 1976 entrei na escola primária. A escola que me acolheu, uma das obras positivas do tempo assumidamente autocrático, era linda, branca, com casas de banho que por acaso não funcionavam mas estavam lá, com as paredes preenchidas pelos trabalhos de desenho dos meus colegas mais velhos que a minha arte ainda não se tinha manifestado. Sabe porque é que a minha escola era linda? Porque eu não sou filha de nenhuma escritora, nem nenhum deputado, nunca os meus olhos tinham visto tanto livro junto, e refiro-me a meia dúzia que havia lá pela minha escola de aldeia, longe de Lisboa e do Porto. Sabe Miguel, acredito que pense efectivamente que sabe, ou não tivesse sido aluno da D. Constança, as vivências da realidade são diferentes de ser humano para ser humano, e por isso o quadro feio e negro da escola do Miguel pode ser belo e muito colorido para alguns dos seus colegas de carteira. Mas deixemos isto e continuemos na saga do meu percurso escolar. Tal como o Miguel também na minha escola éramos muitos, tanto que nem me lembro do número, será porque isso nunca foi relevante? É que das pessoas ainda me lembro bem, das brincadeiras também, das aulas também… As duas salas estavam sempre cheias, como um ovo, havia dois turnos de aulas com 4 professoras, duas de manhã e duas de tarde. A mim calhou a D. Maria Isabel, uma mulher linda, com o seu cabelo cinzento e os lábios pintados de uma cor fabulosa, um tom de laranja doce. A D. Maria Isabel acabou de me ensinar a ler, que alguma coisa a minha teimosia já me havia feito aprender. Sabe Miguel, em algumas situações a teimosia é uma característica boa, de tal forma que no final do primeiro período já eu substituía a minha avó na leitura de “O amigo do Povo” às suas comadres analfabetas. Vou agora refrescar-lhe a memória em relação ao que era o primeiro período: - período de tempo que mediava entre Outubro e meados de Dezembro, suponho que entende o que lhe estou a dizer, mas se não informe-se junto de alguns psicólogos e pedagogos credíveis. Abreviando um pouco, e quase para terminar este parágrafo, devo dizer-lhe que a minha professora foi tão boa que em 3 anos resolveu comigo as questões que para muitos se resolviam em 4, e para outros muitos em mais de 4. Tal como a sua, também a minha deixou em mim um apetite voraz para as letras, chamava-me “papa livros” tal era a minha voracidade, e todas as semanas, levava de Coimbra para mim muitos livros. A minha professora Maria Isabel era uma mulher completa com marido, 3 filhos, sendo um surdo-mudo,  pais e sogros. Vivia do seu trabalho e como tal faltou algumas vezes, pois não tinha possibilidades económicas para delegar responsabilidades. Mas sabe o que lhe digo, foram muitos os alunos que mandou para a universidade, que hoje até lêem o que o Miguel escreve com espírito crítico. Neste momento poderia considera-lo um mentecapto e situar este comentário no seu texto brilhante, mas não o vou fazer, porque o Miguel também teve uma boa professora na escola primária.

Mudando de parágrafo e de assunto, tal como o Miguel, sei que o país está à beira da bancarrota, mas na minha família só o direito ao voto responsabiliza por essa situação, sabe porquê? Nunca nenhum dos meus progenitores ocupou lugar em nenhuma das cadeiras da Assembleia da Republica, por partido nenhum quanto mais por dois e ainda mais relevante, nunca nenhum dos meus progenitores foi ministro. Sinto muito Miguel por ter que lhe lembrar que algumas das responsabilidades da miséria que crassa por esse Portugal fora tem genes que lhe foram a si entregues. Mais ainda, na minha família toda a gente produz, desde tenra idade. Sobre trabalho o Miguel, por certo, teria muito a prender comigo e com os meus.

Voltemos agora ao ainda cerne desta questão, a greve dos professores. Sabe Miguel, depois de ler o seu texto, volto a dizer, sem adulterações, fiquei a pensar se o seu sistema digestivo seria igual ao dos restantes mamíferos. E confesso que esta duvida já me assaltou algumas vezes frente aos seus escritos. Em relação aos professores o Miguel não sabe nada do que pretende dizer, seria bom e revelador de algumas sinapses activas, que se calasse até conseguir saber sobre o que se pronuncia. Eu sou professora, há já muitos anos, executo a profissão que sempre quis ter, lá por causa da minha rica professora Maria Isabel, e trabalho que me desunho, e não falto, e estou disponível para os meus alunos até para ser mãe. O meu horário semanal ( e o da maioria) tem sempre muito mais do que as 40 horas agora na moda, tenho que me preparar, nem sequer para cada ano é mesmo para cada turma, pois são sempre diferentes os alunos e as suas interacções; tenho que os avaliar, e isso exige muito pois sou acérrima defensora da avaliação formativa; tenho que tentar manter-me actualizada pois lecciono uma disciplina das ciências mais vanguardista, e isso requer muito tempo ( percebe agora porque não me dedico mais à escrita?). Eles, os meus alunos, que são quem me importa, sabem disso! Acho de uma arrogância tola o Miguel vir pronunciar-se sem saber do que fala. Eu também sou leitora e agora vou aqui falar de um  escritor medíocre que já li. Vou tecer comentários sobre obras e escrita que conheço, não sobre números de origem duvidosa! O Miguel escreve com a qualidade necessária para ser comercial, isto é para ganhar dinheiro, muito por sinal. Quer assumir-se como um Eça? Sabe que está a anos luz, sobra-lhe a capacidade descritiva, mas falha nos pormenores, vou dar-lhe um exemplo concreto: descreve cenas de sexo/amor com minúcia, mas impraticáveis por imposição das leis da física. Tenta ser um critico social, mas o seu azedume natural tira-lhe a graça e a leveza que tornam Eça sempre actual. Poderia continuar mas acho que já consegui perceber onde quero chegar. O Miguel é um escritor medíocre, mas isso não faz com que todos os escritores de Portugal o sejam, repare a sua mãe até ganhou um prémio Camões. Até sei que vai pensar que estou a ser ressabiada, será um argumento de defesa legítima uma vez que o estou a atacar, mas totalmente desprovido de verdade. Entenda o que lhe quero dizer de forma clara, há professores medíocres mas a maioria é bastante boa, empenhada e esforçada. Esta greve serviu apenas para mostrar ao governo que o caminho da mentira e do enxovalhamento publico tem que acabar. Os direitos dos alunos estão a ser salvaguardados, é certo que temos menos alunos, mas também é certo que cada ano as turmas são maiores e os problemas sociais, que entram sempre pela sala de aula dentro, são cada vez mais. Sabe Miguel, seria mais proveitoso para os alunos trabalhar em salas com menos crianças/jovens e consequentemente menos problemas do que em salas cheias até à porta. Sabe que assim poderíamos desenvolver o espírito critico desses jovens e aí as coisas mudavam um pouco… Já  imaginou um pais em que a maioria dos cidadãos tivesse espírito critico? Imagina o destino que seria dado aos medíocres? Acha que haveria lugar a tantas PPP’s? Acha que o dinheiro do Estado Social  ( faço aqui um parêntesis para lhe dizer o que é o estado social, que eu sustento: EDUCAÇÃO, SAUDE e SEGURANÇA SOCIAL) seria desbaratinado em manobras  bizarras sem que fossem pedidas contas? Acha que os gestores das empresas publicas que acumulam prejuízos continuariam a ser premiados? Acha que se assistiria a uma classe politica corrupta, incompetente e desavergonhada de braços cruzados? Acha que haveria prémio para a mediocridade de textos que vendem como cerejas à beira do caminho? Ai Miguel depois destas questões até o estou a achar inocente… acabei de ficar com aquele sorriso que dou aos meus alunos travessos, mas simples, só que para eles é para os conduzir ao bom caminho, para si é mesmo com condescendência.

Falou no seu texto no estado calamitoso em que se encontram as contas públicas, e sou forçada a concordar consigo, só tenho pena que apenas consiga ver o erro, e lhe falte a coragem para imputar responsabilidades. O país está neste estado por causa dos decisores políticos e dos fazedores de opinião, entre os quais o incluo. A má gestão é que nos levou a este marasmo, não fui eu, nem os meus pais. Desde muito jovem que justifico o que como, foi assim que fui educada, é assim que educo os meus filhos e até os meus alunos, dentro do possível. Da má gestão posso ser responsabilizada por votar, mas sempre o fiz em plena consciência, acreditando que dava o meu voto a um ser humano digno. E continuo a fazê-lo! Quanto aos fazedores de opinião é um problema acrescido, porque esses nascem do nome que carregam, tal como o Miguel bem sabe. Por isso lhe digo em jeito de conclusão, este texto só será lido em blogues, porque o apelido Bragança não me abre as portas dos jornais. Fique bem Miguel e quando não conseguir mais dormir, por ter tomado consciência da sua responsabilidade pessoal no estado em que se encontra o país, não pense logo em suicídio, tome primeiro Valeriana e se não resolver tome Xanax.



Anabela Bragança, professora de Biologia, ainda com alegria e orgulho!



Coimbra, 19 de Junho de 2013"



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Quarta-feira, 12.06.13

 

 

 

Ontem à noite, na SICN, o Paulo Guinote debateu o estado de sítio no sistema escolar com o ex-ministro Coito dos Santos e com moderação de Ana Lourenço.

 

Ficou bem patente o motivo principal para termos chegado ao estado de protectorado.

 

Um professor bem fundamentado nos argumentos, nos factos e nos números teve de aturar a falta de educação e a impreparação de um ex-ministro que chegou ao ponto de classificar o seu interlocutor como um "professor estranho" por não pertencer a qualquer estrutura sindical ou partidária.

 

É realmente um retrato do país real, em que se vai confirmando que o recrutamento de governantes obedece a critérios muito discutíveis num processo que se arrasta há décadas. À medida que o debate se desenvolvia, aumentava a perplexidade com o baixo nível de um ex-ministro que acabou por se tornar o facto mais relevante do programa e bem elucidativo do desnorte nas hostes da actual maioria.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 08:42 | link do post | comentar | ver comentários (18) | partilhar

Domingo, 02.06.13

 

 

 

 

 

 

 

Como previ aqui, o tal denominador comum fez vigência no seio dos professores e das suas organizações; nas informais e nas outras. O momento é de tal modo inaudito e grave que não era difícil prever que as formas de luta incidissem em greves nos momentos de avaliação e que tivessem um apoio maioritário.

 

Quando as greves dividem as opiniões públicas e são muito mediatizadas, os grevistas devem manter o sangue frio e agir de forma ainda mais cerebral. Não será fácil fazer um greve polémica num ambiente como o que vivemos, apesar da razão dos professores.

 

Participei numa greve às avaliações na década de oitenta do século passado por causa, salvo erro, do primeiro estatuto da carreira.

 

Nos dias que a antecederam, os delegados sindicais, apoiados nos membros dos conselhos directivos, organizaram o escalonamento das faltas aos conselhos de turma de forma a reduzir a penalização financeira nos do costume. Planearam com toda a discrição para garantirem a liberdade dos que não aderiam e evitarem assim a acusação de uma espécie de "greve forçada". Lembro-me que, após o primeiro dia, a adesão alastrou-se.

 

Desta vez, parece-me que há uma novidade: há quem organize, e bem, uma espécie de fundo financeiro de apoio.

 

Os ímpetos mais impacientes, que são agora ainda mais compreensíveis, devem considerar o efeito descrito na imagem que escolhi.



publicado por paulo prudêncio às 21:21 | link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Sábado, 25.05.13

 

 

 

 

 

 

 

Compreende-se a posição da instituição presidência da República e o jornalista já se desculpou. Mas esta polémica não deixa de ser um bocado estratosférica. Para além do estado da nação, há todo um oceano de ofensas mais graves que só não são notícia porque os autores não se notam tanto.

 

O quarto poder está mais do que consolidado e quem não aparece nas suas teias não existe, sabemos isso.

 

Mas a web 2.0 e as redes sociais, e apesar de fenómenos relativamente recentes, influenciam os estatutos sociais e podem alterar as regras do jogo mediático. Se o presidente usa o facebook para as suas mensagens também deve ler, e processar, o que por lá se publica.



publicado por paulo prudêncio às 18:28 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 16.05.13

 

 

 

 

 

O blogger José Morgado, do Atenta Inquietude, tem um registo informado, sensato e equilibrado. Fez um post, "Escola Pública. O que virá a seguir", em que escreve assim:

 

"(...)Como se costuma dizer, fontes bem colocadas fizeram-nos chegar algumas dessas medidas. Por entender que a informação é um direito, partilho aquilo que me chegou, referindo apenas a área da educação. Assim para o sistema público de educação parece existir a intenção de diminuir para metade os docentes no sistema e aumentar a carga horária lectiva do seu trabalho para as trinta horas semanais. O número de alunos será fortemente reduzido pois está prevista a introdução de exames obrigatórios todos os anos, logo desde o último ano da Educação Pré-escolar. Pretende-se assim que poucos alunos permaneçam no sistema exigindo, portanto, menos escolas e poucos professores com a vantagem acrescida de que sendo bons alunos poderão estar pelo menos cinquenta em cada turma e exigem menos tarefas de planificação, basta seguir as metas curriculares. Os poucos que ficam no sistema acederão a qualificação que lhes permitirá constituir a futura elite científica, cultural, política, económica e cultural.

Os restantes alunos, a grande maioria, serão encaminhados para fábricas a instalar em Portugal por empresários de países habituados a rentabilizar o trabalho dos mais novos que serão incentivados através dos dispositivos de diplomacia económica a desenvolver por Paulo Portas.
Realizar-se-á uma profunda reforma curricular que deixará até ao 9º ano apenas três disciplinas, Matemática, Português e Inglês ou outra língua estrangeira (pensa-se no mandarim) pois tudo o resto não serve para nada e ocupa professores, encarecendo o sistema. No Ensino Secundário teremos ainda Ciências e Física que possibilitarão o acesso a formação superior nas áreas que verdadeiramente interessam.
Será introduzido um novo dispositivo de avaliação de professores assente exclusivamente nas avaliações dos seus alunos nos exames nacionais a realizar todos os anos, cada professor apenas poderá ver até 3 % dos seus alunos com nota negativa, mais do que isso e é o despedimento com justa causa por inadequação à função.(...)".
 
 
A propósito do texto, alguns bloggers desenvolveram uma interessante troca de emails. A conclusão do José Morgado é preocupante: a sua ficção alimentou, no mínimo, a dúvida entre uma série de pessoas atentas e informadas e isso assustou-o. Tal como Orwell, tem razão o José Morgado.


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Segunda-feira, 13.05.13

 

 

 

 

 

Há uma epidemia que considera o sistema escolar uma coisa insólita e longínqua. Essa moda, que se dispersa rapidamente numa população, não racionaliza a ideia de escolar e atinge um grau elevado de rejeição quando se confronta com quem faça disso profissão pública ou, pior ainda, uma causa. É um fenómeno com dúvidas agudas na literacia associada às pessoas, à política, ao social, e, em auge infeccioso, à democracia.

 

É uma sociopatia que não manifesta qualquer empatia para com os seus semelhantes ou de atenção para com os seus problemas. É exímia em manipular factos e incapaz de assumir erros. Pode, em aparente desespero e de forma cínica, admitir “falhas de comunicação".

 

Usa modelos ideológicos com diagramas mentais inflexíveis que desprezam a consistência cultural e histórica das sociedades. Na origem está sempre a estranheza com o humano.

 

 

 

Já usei parte deste texto noutro post.



publicado por paulo prudêncio às 13:06 | link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Domingo, 05.05.13

 

 

 

Sou franco: nunca ouvi um comentário de Marques Mendes e nem me lembro do que pensa enquanto político.

 

Ví o vídeo que corre as redes sociais sobre a sua deplorável prestação a propósito do número de alunos e de professores. Como é que é isto possível? É. Tanto é que estamos na bancarrota e quem nos tem governado não está de modo nenhum isento de culpas.

 

Os números que Mendes apresenta são uma descarada manipulação. Dá ideia de um frete numa época de vale tudo. Os números de professores ficam-se por 2010, quando se sabe que em 2013 já são menos 30 mil ou mais. E termina a apresentação de gráficos de uma forma que julguei impossível: compara o número de alunos do 1º ciclo com os professores dos ciclos todos. 

 

 



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