Em busca do pensamento livre.

Quarta-feira, 13.09.17

 

 

 

 

 

 

 Foto de António Curado  

recolhida no facebook.

 

Este post é de 30 de Maio de 2013.

 

Está de parabéns a comissão de representantes do "Movimento em Defesa da Escola Pública no Oeste".

 

Se dúvidas havia, ficou claro que a não construção da escola pública, em 2005 e na zona da cidade das Caldas da Rainha onde se edificou um colégio da cooperativa GPS, se deveu a um problema de terrenos, para além de uma intenção ideológica no sentido da privatização do sistema escolar.

 

Também se confirmou que a sobrelotação da rede escolar se circunscrevia ao segundo ciclo e que a opção por uma escola com terceiro ciclo fundamentava-se no facto da "tipologia de escolas" ter abandonado o "modelo ciclo preparatório". A decisão política contrariou os estudos, a sensatez e a boa gestão do território e da coisa pública e permitiu a edificação de uma escola cooperativa, também com ensino secundário, pasme-se, que provocou um efeito sistémico que sublotou as escolas públicas, "duplicou" a despesa e originou as conhecidas injustiças nos profissionais de Educação do concelho.

 

Com os cortes curriculares em curso e com o número de turmas existentes, são suficientes as escolas edificadas anteriormente a 2005 para a frequência de todos os alunos do concelho. Se os cortes a eito (aumento de alunos por turma e de horários de professores, revisão curricular e mega-agrupamentos) criaram a injustiça dos horários zero nos professores portugueses, a situação descrita duplica a fatalidade para os professores que leccionam nas Caldas da Rainha.

 

Foi esta a conclusão do debate em que, com muito gosto, aceitei participar num agradável convite feito por pares e com excelente moderação de José Fontes. O auditório esteve lotado, a sessão prolongou-se para lá da uma da manhã e terminou com uma importante intervenção política de Santana Castilho.



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Sábado, 19.11.16

 

 

 

Escrevi assim em 30 de Março de 2011:

 

Vi ontem um debate na TVI24, moderado por Constança Cunha e Sá, com a participação de Medeiros Ferreira, Santana Lopes e Fernando Rosas. Santana Lopes introduziu a avaliação de professores para condenar a oposição. Medeiros Ferreira foi taxativo: o problema estava no modelo. Uma coisa que nasce errada acaba por cair, mesmo que tarde e de forma errada. Fernando Rosas concordou.

 

A moderadora alegou com a cedência às corporações. Medeiros Ferreira voltou a ser taxativo: para além dos partidos e dos sindicatos, há outras forças na sociedade e não concordo que se possam classificar como negativas; pelo contrário, têm é de ser ouvidas. Medeiros Ferreira mostrou, mais uma vez, estar atento e informado.



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Segunda-feira, 03.10.16

 

 

 

"(...)A certa altura a jornalista pergunta a Bragança de Miranda se ele nunca quis ser artista. O entrevistado diz uma série de coisas sobre o seu percurso pessoal e profissional e termina assim: "Felizmente, veio a Revolução que acabou com todas essas ilusões." Porquê, diz a jornalista?: "Porque a Revolução era bem mais importante. E foi um momento fantástico que só quem o viveu pode verdadeiramente perceber. Quem não teve a sorte de ter vivido o 25 de Abril tem que se contentar com os mundiais de futebol."(...). Daqui.

 

Bragança de Miranda (BM) esteve no debate, ilustrado pela imagem, em 01 de Outubro de 2016, integrado no Folio de Óbidos. O amor pela liberdade foi a constante das suas intervenções. Quem assistiu, olha para a imagem, percebe a atmosfera, as diversas posições e até o referido sobre BM (é o do meio).

 

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Terça-feira, 05.07.16

 

 

 

Na sequência do manifesto assinado por vários blogues, decidiu-se que todos os meses se debateria um assunto comum lançado a partir do blogue ComRegrasEste mês, o tema é "as férias escolares".

 

Confesso que o tema me motiva alguns destinos: Helsínquia, Oviedo, Bilbau, Porto, Chaves e mais uns quantos. Três ou quatro serão concretizados. Bem sei que vivemos no país da "escola transbordante", da "escola faz tudo", da "escola com insuportável caderno de encargos" e da sociedade ausente. Esta última continua a não saber o que fazer às crianças e aos tempos livres. Passa a vida a perorar com a ausência de espaço e tempo para brincar, mas só pensa em armazenar e institucionalizar e com uma agravante: estabelece um calendário escolar que aceita com dificuldade algumas características geográficas, e ignora outras, enquanto a mediatização impõe a comparação com o incomparável.

 

Debater-Escola-Pública.png

 

Outros contributos (em actualização):

O Meu Quintal

Atenta Inquietude

Coisas das Aulas

Escola Portuguesa

Assistente Técnico



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Sábado, 09.01.16

 

 

 

 

Para além de tudo o que já se disse, fica a certeza que este cartaz faz todo o sentido.

 

Captura de Tela 2016-01-09 às 21.52.05.png

 



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Segunda-feira, 04.01.16

 

 

 

Marisa Matias esteve muito bem no debate com Marcelo Rebelo de Sousa quando demonstrou que o candidato do PSD e do CDS tem todas as posições possíveis sobre um assunto, BES e Banif incluídos.



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Sexta-feira, 11.09.15

 

 

 

Uma vitória inútil



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Quinta-feira, 10.09.15

 

 

 

 

 

Em consciência, e foi notório a meio do debate, Passos Coelho votará em António Costa nas próximas legislativas. Só alguém muito fanático é que terá concluído do debate um resultado diferente. Foi demasiado evidente a conhecida fragilidade do conteúdo da mensagem política de Passos Coelho e o debate salientou ainda o modo impávido como mente e tenta passar pelos pingos da chuva da responsabilidade. Dá ideia que, e como tantas vezes acontece nestas e noutras funções, Passos Coelho nem percebe como exerceu este cargo.

 

Sou franco: desejei a derrota eleitoral dos governos de Sócrates (embora não desejasse um Governo da área política da actual maioria onde jamais votaria) e tenho o mesmo sentimento com esta coligação. Merecem uma derrota "definitiva". Veremos como decorre a campanha e a 4 de Outubro conheceremos a "sondagem" que conta.



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Terça-feira, 08.04.14

 

 

 

 

 

Quando há pouco tempo fiz este post a propósito de uma espécie de investigação de Maria Filomena Mónica e em que escrevi que ""Tudo o que o Ministério da Educação manda por "e-mail" para as escolas é inútil. Tudo!", ou o professor "abaixo de cão", é uma discussão para acompanhar com curiosidade. Tenho uma dissertação sobre o assunto e não quero reafirmar o "tudo"; mas convenço-me que anda lá perto, que a maioria da informação obtida é inútil e solicitada repetidamente." estava longe de imaginar que umas opiniões sobre o tratamento da informação nas organizações escolares também incluíam conclusões devastadoras para a disciplina nas salas de aula das escolas públicas. O que podia ser uma defesa de uma causa tão nobre pode transformar-se num testemunho de um caos que está por provar.

 

Há indisciplina, mas também continuam a existir milhares de sinais positivos todos os dias. Os diários de duas professoras, quatro alunas e uma mãe são uma amostra sempre interessante, mas com reduzido valor empírico numa área muito difícil de investigar. Digamos que do iluminismo à ciência actual vão algumas premissas que devem ser consideradas. Foi assim que li as breves observações que o Paulo Guinote fez a algumas conclusões de Maria Filomena Mónica. A socióloga e historiadora respondeu de forma deselegante e o Paulo ripostou assim.

 

 

 

 



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Quarta-feira, 22.01.14

 

 

 

A agenda mediática tem o caso do Grupo GPS na primeira linha e há um argumento que carece de rigor.

 

O alargamento exponencial do número de colégios do citado grupo deu-se entre 2004 e 2006 como resposta a uma "saturação" da rede escolar. O grupo fez propostas em concelhos onde estava inventariada a necessidade de escolas públicas. Fez esse estudo e conseguiu as licenças.

 

Mas é bom que se faça um exercício de memória. Esses concelhos "exigiam" a construção de escolas públicas desde finais do milénio passado e, mesmo com o atraso, nunca ficou um aluno por matricular até 2005. A sobrelotação da rede escolar colocava problemas à qualidade do ensino, uma vez que se exigia a redução do número de alunos por turma e a eliminação do "turno da tarde", de forma a melhorar os resultados dos alunos, combater o abandono escolar e integrar os alunos da educação especial.

 

Como referi, num debate realizado em 29 de Maio de 2013, nas Caldas da Rainha, as escolas públicas têm, nesta altura, condições para a frequência de todos os alunos. E nem adianta esgrimir os números. Basta pensar no aumento do número de alunos por turma (é hoje superior a 2005) e nos cortes brutais da carga curricular dos alunos verificada em 2011. As duas variáveis libertaram muitas salas de aula e também é inútil argumentar que agora existem mais alunos ou que as perspectivas vão nesse caminho com o aumento da escolaridade obrigatória.

 

É evidente que cada concelho será um caso diferente. É também evidente que há soluções para resolver estes graves problemas, mas que exigem conhecimento e seriedade. Não me parece que se tenha imaginado um caso semelhante ao privado da Suécia que faliu e deixou milhares de alunos, e os seus professores e outros profissionais, sem escola. Mas é ainda evidente que o caso mediático português é preocupante se pensarmos no que aconteceu a diversas universidades privadas nos últimos anos.

 

 

Pode ver um vídeo com os telejornais das 20h00, de ontem, nos três canais generalistas.

 

 

 

 



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Segunda-feira, 16.12.13

 

 

 

Aceito com gosto os convites para ir aqui ou ali, mas há uma necessidade de recato de que não prescindo. Estamos no final do período lectivo, e em época festiva com exigente logísitica, e apetece eliminar os compromissos. Esta semana ainda não vai ser possível.

 

Amanhã, 17, terça-feira, 200 kms para sul para um debate às 20h00; 18, quarta-feira, uma incursão mediática nocturna de que darei conta noutro post; 19, quinta-feira, 250 kms para norte para um debate às 21h00. Compreende-se que tenha recusado fazer 180 kms novamente para sul no dia 20, sexta-feira, para outro debate interessante.



publicado por paulo prudêncio às 13:34 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Quarta-feira, 12.06.13

 

 

 

Ontem à noite, na SICN, o Paulo Guinote debateu o estado de sítio no sistema escolar com o ex-ministro Coito dos Santos e com moderação de Ana Lourenço.

 

Ficou bem patente o motivo principal para termos chegado ao estado de protectorado.

 

Um professor bem fundamentado nos argumentos, nos factos e nos números teve de aturar a falta de educação e a impreparação de um ex-ministro que chegou ao ponto de classificar o seu interlocutor como um "professor estranho" por não pertencer a qualquer estrutura sindical ou partidária.

 

É realmente um retrato do país real, em que se vai confirmando que o recrutamento de governantes obedece a critérios muito discutíveis num processo que se arrasta há décadas. À medida que o debate se desenvolvia, aumentava a perplexidade com o baixo nível de um ex-ministro que acabou por se tornar o facto mais relevante do programa e bem elucidativo do desnorte nas hostes da actual maioria.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 08:42 | link do post | comentar | ver comentários (18) | partilhar

Quinta-feira, 30.05.13

 

 

 

 

 

 

 

Foto de Maria Filomena Ferreira

recebida por email.

 

 

 

 

Pediram-me que publicasse os tópicos que elaborei para a comunicação do debate de ontem. É apenas um somatório de ideias. Tive o cuidado de detalhar, mas, como se compreende, estas publicações podem tornar-se um pouco selvagens para quem não esteve presente.

 

 

 

Agradecimentos. Foi com muito gosto que aceitei este convite feito por pares. É agradável quando assim acontece.

 

Estou bem informado. É uma questão que me interessa e que tenho acompanhado com muita atenção.

 

Pediram-me a história e por isso vou tratar dos factos no período de 1990 a 2005.

 

Estive, nesse período, cerca de 15 anos num mergulho em gestão escolar, primeiro no CAE Oeste e depois como presidente do CE da EBI de Santo Onofre. A rede escolar é determinante na gestão escolar. O plano estratégico que se constrói para uma escola tem uma relação muito directa com os alunos que a frequentam e exige estudo, prospecção e antecipação.

 

Vou usar as denominações escola pública e escola cooperativa, embora use mais as designações escolas do estado e escolas das cooperativas.

 

Sucinto, objectivo e não redundante, isto no sentido que procurei as componentes críticas menos tratadas mas mais determinantes.

 

A questão entrou na ordem do dia com os horários zero por causa dos cortes a eito. Mas o problema já existia e atingiu professores isolados arrumados numa angústia silenciosa e que adivinho insuportável.

 

Algumas questões muito breves e prévias:

    1. Excesso de oferta por erros de planeamento e outras coisa mais (que é comum a outras áreas - bolha imobiliária, vias rodoviárias,).
    2. Vou remeter-me à cidade e aos 2 e 3 ciclos e Secundário: o que estava sobrelotado era o segundo ciclo.
    3. Como já não se construíam preparatórias, a intenção era construir uma escola publica 23 ou 123. Em vez disso, pasme-se, construiu-se uma escola cooperativa com ensino secundário.
    4. Criou uma espécie de efeito sistémico. Quando não há estudo, ou não se respeita o que existe, o resultado nunca é bom. Uma rede é uma engrenagem semelhante a um relógio suíço.
    5. Também há, no 1 ciclo e no pré-escolar, excesso de oferta. 

 

Como foi isto possível é o que vou detalhar.

 

 

Três pressupostos.

 

    1. Vários especialistas dizem que não cuidamos, como sociedade, de três valores preciosos: a organização, o conhecimento e a gestão do território.
    2. Os níveis de decisão. A desconcentração (MEC, DRE, CAE, escola, híbrido a partir de 1998), a descentralização (as autarquias escolhem os terrenos) e os fundos comunitários (candidaturas conjuntas).
    3. Há inúmeras caricaturas e escolho a do SE que mudou a escola para a outra freguesia em homenagem aos seus antepassados. Passados uns anos a escola foi inaugurada e não apareceram as matrículas. O SE já não estava em funções e deve ter sido premiado com uma qualquer fundação.
    4. Não há qualquer relação com a natalidade nem com os fluxos migratórios nesta questão. 

 

Duas áreas de abordagem:

 

    1. O processo de tomada de decisão na construção de escolas e na organização da rede escolar.
    2. O processo de escolha da escola por parte de alunos e EE. 

 

Vamos lá então à primeira. 

 

Ajudam-me nesta tarefa dois aspectos:

 

    1. Todos conhecem a geografia.
    2. Em paralelo com a construção da tal escola pública em que tanto me empenhei também decorreu um processo semelhante: a construção do pavilhão desportivo da EBI de Santo Onofre. 

Vamos datar.

 

Em 1990, começo por aí e de forma sucinta. A história do pavilhão Rainha D. Leonor e a construção da EBI Santo Onofre. Na Drel pensavam que a EBI Santo Onofre estava junto ao pavilhão (ficou por lá uma cooperativa de ensino superior que, entretanto, já lá não está) e afinal estava a quase um 1km com problemas de acesso que nesta altura são ainda mais determinantes. Os terrenos da EBI Santo Onofre foram um "pesadelo" que se arrasta até ao presente.

 

As tipologias em curso na altura: básicas integradas, escolaridade obrigatória, e só secundárias.

 

Em 1998, escolas com autonomia híbrida, detecta-se a sobrelotação do 2 ciclo. Os residentes na zona da Raul Proença, tinham de frequentar o 2º ciclo em Santo Onofre ou na D. João II e no terceiro ciclo não conseguiam voltar à Raul Proença por impossibilidade de oferta no 3 ciclo nessa escola.

 

Qualquer decisor considera 3 variáveis: alunos e encarregados de educação, instalações e profissionais. Foi assim com a EBI de Santo Onofre para onde transitaram alunos e profissionais de outras escolas.

 

Muito trabalho na rede neste sentido. Muita prospecção e antecipação.

 

Em 2001, protocolos de construção do pavilhão da EBI Santo Onofre e da escola EB 23 ou com 1 ciclo.

 

Em 2003. É por esta altura que caem os CAEs. Há vários especialistas que dizem, e bem, que era mais importante, até em termos financeiros, que se tivessem eliminado as DRE´s.

 

Os municípios passam a ter mais peso nas decisões e constroem a carta educativa para todos os ciclos. Fala-se em escolas 12 e 3S.

 

Reunião seguinte, numa desconcentração férrea da rede, a DREL anuncia 8000 alunos quando na realidade só existiam 5000. Diziam que foi com base nos PDMs. Foi um péssimo sinal. Orientámos a reunião em descentralização.

 

Tinha auto-limitado os mandatos (até Julho de 2005) e preocupei-me com a aceleração do processo. Apesar de estar cumprido o plano estratégico, queria que a se iniciasse a construção do pavilhão desportivo. Assim foi.

 

Cada vez que mudava o governo os processos quase que voltavam ao início.

 

Em 2005 inicia-se a construção do pavilhão da EBI Santo Onofre e da escola nem a primeira pedra por causa de terrenos.

 

À terceira adjudicação a obra é denunciada, o empreiteiro recebe uma avultada indemnização.

 

Na reunião de rede seguinte alertei para os horários zero. O representante da cooperativa disse que só concorreu a A-dos-francos e que lhe exigiram uma segunda escola na cidade. Disse que os horários zero passariam para a cooperativa. O DRE do novo governo mostrou-se preocupado, mas nada podia fazer.

 

Em 2007, vi o que se estava a suceder e escrevi uma longa carta a tentar que a capacidade de antecipação impedisse o que está a acontecer aos professores e à escola pública.

 

Nos anos seguintes as escolas públicas tiveram as mesmas restrições na rede. Os problemas mantinham-se e a cooperativa funcionava à parte da rede.

 

Terminava com esta evidência: Nesta altura, com a redução curricular executada as escolas publicas têm capacidade para mais turmas do que na altura da sobrelotação.

 

A liberdade de escolha da escola. Muito sucinto.

 

A escolha é um processo antigo, embora sujeito ao limite de vagas. Há uma lógica de quase mercado e introduzo aqui porque é um conhecimento importante.

 

Direito só há um, o vigente e mais nenhum. Ou seja, para além da letra e o espírito da lei existe a sua aplicação.

 

Nos mais variados concelhos os antigos liceus conseguem melhores resultados dos alunos do que as antigas escolas técnicas. Estas ficam com os alunos que "não querem aprender".

 

Nas Caldas da Rainha existe o imaginário de um externato, colégio, que influencia essa apetência.

 

Desde 2006 que reparo que colégio atribui outro estatuto social e ainda por cima gratuito.

 

As escolas públicas perdem na imagem com os agrupamentos que fazem terraplanagem da história e da imagem de cada uma. Foi isso que desde logo verifiquei.

 

Permitam-me oxigenar um pouco a atmosfera pesada que vivemos.

 

A designação da escola é importante. Se olharmos para os polémicos rankings nacionais, se estivermos atentos às designações, veremos que os primeiros lugares são ocupados por colégios com nomes de santos e de nossas senhoras.

 

Quando Santo Onofre era a escola da moda no concelho e na região, havia alguns, talvez mais distraídos, que pensavam que muito disso era por causa do santo e das festas. Afinal não. O santo, embora algo encoberto, e as festas continuam e os horários zero crescem. Era por causa de muitas outras coisas e não estaríamos onde estamos se tivéssemos sido firmes na sua defesa. Se pensarem bem, pode ser uma esperança para o futuro se formos atrás dessas muitas outras coisas.

 

Disse no início que a situação foi dramática no verão de 2012. A situação volta a ser dramática este ano.

 

Se se deixar "passar o tempo", e se nada se fizer, daqui a poucos anos a situação será, como de resto no país, explosiva.

 

Muito obrigado.



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Terça-feira, 28.05.13

 

 

 



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Segunda-feira, 27.05.13

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Segunda-feira, 07.01.13

 

 

 

 

 

 

 Da esquerda para a direita: Helena Mendes, Arlindo Ferreira, César israel Paulo e Jorge Costa.

 

 

 

A Comissão Europeia "obrigou" o MEC a vincular os milhares de professores portugueses que estão há anos a contrato e numa situação inédita na Europa. A petição que originou essa decisão foi desenvolvida por professores portugueses, conforme relatei neste post a propósito do encontro nas Caldas da Rainha a que se refere a imagem.

 

Na altura, escrevi assim:

 

"(...)O Jorge Costa (Petição ao Parlamento europeu) foi muito detalhado e deixou claro o esforço em nome da vinculação dos professores contratados junto dos Parlamentos nacional e europeu. Percebeu-se melhor que a decisão inesperada de Nuno Crato ao anunciar a vinculação de professores contratados foi um exigência europeia e não um achamento ou epifania. O Jorge Costa evidenciou a persistência a que se obrigou num processo em que contrastaram os procedimentos europeus e a morosidade e tortuosidade, e isto para ser brando, do nosso MEC.(...)"


O MEC, encostado à tradicional FNE, não cumpriu. A promessa de Nuno Crato mais pareceu uma manobra para atenuar o efeito horários zero determinado pelas finanças.

 

O César Israel Paulo, da ANPC, dá uma entrevista que deve ser lida.

 

 

César Israel Paulo: “Gostava de saber o que o MEC está a imaginar fazer”

 

 

"(...)"Verdadeiramente insignificante face à dimensão real do problema." O número de 600 vagas que o Ministério da Educação e da Ciência (MEC) vai disponibilizar para vincular de forma extraordinária os professores contratados frustrou as expectativas de César Israel Paulo que apontavam para as 10 mil. Em entrevista ao EDUCARE.PT, o presidente da Associação Nacional de Professores Contratados (ANVPC) lamentou a atuação das organizações sindicais no processo de vinculação: "As federações vivem das quotizações e tenho absoluta consciência que quem as paga são os professores do quadro, portanto, considero que elas defenderam os interesses da maioria dos seus associados. Mas não foram justas."(...)"

 



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Quinta-feira, 15.11.12

 

 

 

 

A existência de professores há anos a fio em situação de precariedade envergonha o nosso Estado de direito como reconheceu a comissão europeia (veja-se lá) e os tribunais internacionais (por cá, o MEC é lento e o resto também).

 

Como dei conta no post sobre o debate recente nas Caldas da Rainha, o César Israel Paulo (da ANVPC) e o Jorge Costa (petição ao parlamento europeu) têm desenvolvido uma série muito importante de acções com o apoio de professores, sindicatos (mas já há quem fale na traição destas organizações), bloggers e por aí fora.

 

Esta causa merece um desfecho que dignifique o Estado de direito que ainda resta. Quando o actual Governo foi forçado a avançar com a proposta de vinculação, percebeu-se de imediato a tentativa desesperada de manipulação da opinião pública. O processo não está a ser minimamente aceite e já nem a tradicional FNE consegue exercer a coreografia que corta a espinal medula das justas contestações dos professores.



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Segunda-feira, 08.10.12

 

 

 

 

 

Da esquerda para a direita: Rui Correia, Paulo Guinote e José Alberto Rodrigues

 

 

 

O último debate, sobre autonomia e centralismo, foi moderado pelo Paulo Guinote (do blogue "A educação do meu umbigo" que já dispensa apresentações e adjectivações) e teve como convidados o José Alberto Rodrigues (APEVT) e o Rui Correia (do blogue "Postal - um verbário").

 

 

O Paulo Guinote começou por sublinhar a ideia que definimos no planeamento dos debates: o tema autonomia e centralismo serviria como uma espécie de "guarda-chuva" ou de "carro vassoura" uma vez que, e como se verificou, o tema é, a par do "modelo de gestão", transversal aos restantes.

 

Fez a seguinte categorização sobre a linha editorial dos blogues que deram corpo à iniciativa: o Ad Duo, o Blog DeAr Lindo e o Profslusos prestam um enorme serviço de utilidade pública que substitui uma função que estaria destinada ao MEC e aos sindicatos do sector; o Correntes e de alguma forma o Educar a Educação são blogues mais vocacionados para a opinião e para a síntese das políticas educativas; e o seu blogue tem tido os dois tipos de funções descritas, embora ultimamente se tenha dedicado mais à segunda.

 

A propósito do tema em debate, recordou Natércio Afonso e a conclusão a que chegou este investigador sobre a autonomia das escolas: surgiu para tirar o poder aos professores, resulta da desconfiança em relação a estes profissionais e concretizou-se com a eufemística entrada da comunidade na escolas. Os resultados parecem indicar que estamos na presença de verdadeiros mini-MECs, dando exemplos que foram das reconfigurações do currículo aos constrangimentos administrativos e financeiros. O Paulo Guinote desconstruiu de forma incisiva a ideia atentatória de medir os horários dos professores ao minuto.

 

O blogger José Morgado, do Atenta Inquietude, não pode estar presente e pediu ao Paulo Guinote para ler um texto com, entre outros assuntos e se bem me recordo, críticas muito incisivas ao estado da educação especial. Enfatizou a sua posição ao interrogar-se a propósito dos programas individuais dos alunos da educação especial serem estabelecidos centralmente.

 

O Paulo Guinote relatou ainda o seguinte pormenor elucidativo dos tempos que temos vivido nos últimos anos: o telefonema de uma jornalista, e a propósito de um post do seu blogue, permitiu que uma escola vazia, e prestes a inaugurar, fosse imediatamente equipada.

 

 

O José Alberto Rodrigues centrou a sua intervenção na extinção da disciplina de educação visual e tecnológica. Historiou com detalhe o desempenho da sua associação e relatou pormenores caricatos da relação estabelecida com o MEC e com o poder político. O processo das metas curriculares atingiu, na sua opinião, o auge do estado de sítio curricular e organizacional. Vincou a ideia de não desistência.

 

 

O Rui Correia pegou "na bandeira do avesso" dos últimos dias e relacionou-a com o desnorte do tempo democrático de curto prazo: a opinião pública e o excesso de simbologia. Fez uma analogia humorada entre o cartaz destes debates (acrescento um obrigado ao autor do cartaz: Maurício Pereira) e a autonomia, uma vez que a mão de uma criança parece impedir uma outra mão, de unhas impecavelmente envernizadas, de usar o rato do computador.

 

O Rui Correia, e a propósito do tema, deixou a seguinte garantia: o próximo Governo vai mudar tudo e o que seguirá também. Fez uma análise aos últimos testes PISA que revelam uma preocupante iliteracia em toda a Europa (e mais do que isso, o que se verifica, na sua opinião, é o abandono escolar dos professores).

 

Foi crítico da generalizada insensibilidade social. Advogou um papel importante dos blogues no combate a essa actualidade, afirmando que podem ajudar a atenuar o flagelo da fome, promover a resistência ao medo e estimular a segurança. Foi mesmo enfático quando considerou que muitos blogues têm feito esse papel. Alertou para o facto da inveja constranger a relação entre estes, e entre os blogues e os poderes formais.

 

Aconselhou a consulta deste texto da rede eurydice, onde se defende que a autonomia justifica uma legislação europeia no sentido de que a qualidade do ensino deve garantir a aproximação entre as pessoas.

 

Terminou a sua intervenção com um breve relato sobre a sua experiência junto de professores dirigentes escolares do resto da Europa. Disse que apenas em quatro países se elegia o director escolar e que os que não o faziam eram muito elogiosos para a legislação portuguesa anterior a 2008 no sentido de legitimar as lideranças escolares. Fez ainda um breve análise sobre os orçamentos participativos ao nível autárquico e sobre a extinção de freguesias. Disse que nunca houve uma reforma administrativa com as pessoas e "recomendou" a pílula do dia seguinte para o tratamento da legislação em Portugal.

 

 

Seguiu-se um debate muito interventivo. Voltou a sublinhar-se que destes debates não nascerá uma qualquer instituição, apesar da opinião contrária de alguns dos presentes.



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Da equerda para a direita: Ricardo Montes, Nuno Coelho, Luís Braga e Nuno Rolo.

 

 

 

Este debate foi moderado pelos editores de outros dois blogues que prestam um enorme serviço de utilidade pública (Ad Duo de Nuno Rolo e Abel Martins e o Profslusos do Ricardo Montes e do Nuno Coelho) e teve como convidado o Luís Braga do blogue "Visto da Província".

 

O Luís Braga, que é director do Agrupamento de escolas de Darque (TEIP), começou por descrever o quotidiano das tarefas de gestão em comunidades com grupos culturais minoritários. Desconstruiu o conceito de burocracia, pegou na origem etimológica da palavra e argumentou no sentido de que antes de se discutir a validade dos instrumentos científicos, importa saber o uso que lhes damos. Relacionou esta asserção com o tratamento burocrático através das tecnologias da informação. O Luís Braga gosta da expressão administração e aconselhou a leitura do texto de Vitorino Magalhães Godinho "Um rumo para a educação".

Ricardo Montes e o Nuno Coelho incidiram as suas intervenções na gestão de expectativas no seio da classe docente, onde encontram divergências. Salientaram a existência de interesses não convergentes em matérias que vão da distribuição de serviço docente à vinculação de professores contratados e passando pela progressão na carreira. Analisaram também alguns dos aspectos da vinculação extraordinária de professores debatidos durante o período da manhã e o Ricardo Montes considerou inadmissível que prevaleça o denominado factor C (cunha).
Nuno Rolo (também em nome do Abel Martins) evidenciou o espaço que o seu blogue preenche tendo em consideração a incompetência legislativa dos serviços do Ministério da Educação e Ciência. Demonstrou o que acabei de referir através da projecção de quadros e documentos que operacionalizam a legislação do sistema escolar e que o seu blogue publica com frequência. Ficou patente para quem assistiu à conferência o que há muito se tinha percebido: os bloggers têm que desconstruir a legislação produzida para se torne minimamente inteligível. 


publicado por paulo prudêncio às 19:08 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

 

A Ana Sousa inseriu um comentário neste post sobre o debate de 6 de Outubro nas Caldas da Rainha que deve ser lido. A partir de 2003, e com o célebre algoritmo que "resolveu" os concursos de professores bloqueando a recuperação de vagas e deixando milhares de opositores mal colocados sem o saberem, o rol de injustiças não parou de aumentar. O secretário de Estado que deu início ao processo também tinha fama de ser um descomplexado competitivo. Descredibilizou de tal modo o sistema escolar, que os que se seguiram "reformariam" com uma ligeireza arrepiante; e a saga continua.

 

 

"A vinculação de professores é um dos temas que me suscitaria mais interesse no debate das Caldas, caso tivesse podido estar presente, como desejaria.

Embora adiante já que tenho interesse pessoal na questão, continuo a considerar descabida a existência de uma vinculação extraordinária em ano de concurso nacional de professores, uma vez que os efeitos práticos das duas situações se sentirão apenas no ano lectivo seguinte, ou seja, em 2013/2014 (a partir de Setembro).

Como os concursos nacionais costumavam ter início em Fevereiro/Março, a vinculação extraordinária, a existir em ano de concurso nacional, previsivelmente nessas ocasiões, como se prevê, será efetuada já muito perto da data do concurso e servirá somente para cumprir um ponto da agenda política desta governação de Nuno Crato, criando novas injustiças.

Há professores do quadro, como eu, que aguardam a oportunidade de concorrer para se aproximar das suas raízes familiares, das quais se afastaram há décadas, por opção pessoal é certo, para conseguirem estabilidade profissional e vaga de quadro. Alguns deles foram professores titulares e estiveram impedidos de concorrer durante uns anos. Se houver vinculação extraordinária, algumas vagas serão ocupadas por professores cuja graduação profissional será muito mais baixa, assim como a realidade das vagas existentes será sempre condicionada, já que alguns pretendem mudar-se sem que tal seja conhecido previamente.

Estou há 27 anos a 150 kms das minhas raízes, tendo criado o meu núcleo familiar e vivido uma nova vida em “terra de ninguém” para mim. Foi a minha opção pessoal, com certeza, mas neste momento, tendo a família regressado toda às origens para estudar ou trabalhar, encontro-me sozinha a 150 kms de todos os meus. Gostaria de, também eu, regressar às minhas origens e, vendo a oportunidade de o fazer em breve, não me parece justo que vá encontrar menos vagas disponíveis, por terem sido preenchidas por colegas muito abaixo de mim na carreira, na sequência de uma vinculação extraordinária que produzirá efeitos apenas na mesma ocasião em que o concurso nacional a que poderei ser opositora poderá produzir efeitos também. A própria vaga que deixarei onde me encontro não será equacionada para efeitos dessa vinculação extraordinária. Logo, essa vinculação extraordinária teria feito sentido muito mais cedo, ou se produzisse efeitos em momento ímpar. Assim, não passará de um capricho do MEC, lembrando o ditado: “Com papas e bolos se enganam os tolos” e gerando outras injustiças e desacertos.

Para além disto, questiono-me se, entre os próprios professores contratados a vincular, e conhecidos que têm sido os atropelos nas recentes colocações, não haverá também muitas irregularidades que carecem de rectificação urgente, só possível através de um concurso nacional sério."



publicado por paulo prudêncio às 14:04 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar


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