Em busca do pensamento livre.

Sábado, 06.05.17

 

 

 

Claro que há todo um poderoso spin que considerará a dívida pública e externa intocável e que encherá a agenda mediática com o anúncio do caos se um Governo europeu pensar em recuperar direitos dos cidadãos. Para esse spin, só há uma cartilha: cortar a eito nos 99%.

É importante que grupos de economistas lancem a discussão. Aconteceu nas últimas semanas em Portugal. A discussão continua com o seguinte texto de opinião: "Há algum outro bom momento para discutir a dívida pública e externa?" Tem um subtítulo lapidar: "As instituições (BCE, MEE, etc.) e as pessoas que as dirigem deverão ser capazes de responder às críticas ou começar a trabalhar para as alterar."



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Segunda-feira, 26.09.16

 

 

 

A reestruturação (ia a escrever "o perdão") da dívida é um género de muro. Houve uns quantos notáveis de esquerda e de direita que assinaram "este manifesto" em Março de 2014 porque não havia margem para mais cortes a eito nos do costume (pequenos e médios empresários que pagam impostos, funcionários públicos, trabalhadores por conta de outrem, pensionistas e desempregados). Estão em silêncio. O assunto saiu da agenda, mas, e é bom recordar, os beneficiários da dívida são os que capitalizaram através da carteira de rendas que capturou o Estado e do apelo ao consumo. Começa a ser sei lá o quê que sejam defendidos pelas vítimas (síndroma de Estocolmo?). A jovem Mariana Mortágua, por exemplo, ridicularizou, e muito bem, o DDT Ricardo Salgado e o hiper-premiado Zeinal Bava e não esperou pela demora. A "intifada" (ou pogrom) apenas terminou quando se soube que Passos Coelho defendeu o mesmo imposto. Sem dúvidas: a dívida, e o seu serviço, é a génese da encruzilhada.

 

Captura de Tela 2016-09-26 às 15.32.11

 

Fotografia de Luís Moreira



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Terça-feira, 10.02.15

 

 

 

 

Quando se tratava de apontar os professores e os funcionários públicos como os primeiros responsáveis pelo desastre financeiro, havia uns movimentos do género "Compromisso Portugal" que tinham aparição diária e que indicavam o caminho da salvação. Os modelos empresariais de sucesso - dos homens providenciais - exemplificados por Salgado do BES, Rendeiro do BPP, Jardim do BCP ou Costa do BPN eram as receitas do fim da história. Tudo em nome de Portugal e da avaliação meritocrática dos funcionários públicos.

 

As perguntas impõem-se: o que é feito dessa malta tão elevada? Estão tão silenciosos e desmobilizados porquê? Então e o país? Já cortaram uns 40.000 professores, mais uns milhares de milhões em impostos, salários e subsídios, e a dívida continua a subir? Quem é feito do discurso dos comentadores alinhados com estas correntes, como Gomes Ferreira, Nogueira Leite, Medina Carreira ou Camilo Lourenço? Não dizem nada sobre este estrondoso sucesso empresarial?

 

bl-amigo_da_onca.jpg

 

 

 



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Terça-feira, 27.01.15

 

 

 

 

Texto de Pedro Bidarra.

 

 

 

Holocausto, dívida e alemães

 

"Quis o destino que eu lesse, na semana passada, dois textos sobre o mesmo assunto. Textos que junto aqui porque foram feitos um para o outro. Se acharem demagogia ou mau gosto juntar holocausto e economia, culpem o destino que os emparelhou no meu stream noticioso.

 

Um li no Público, “Milagre económico alemão teve ajuda de perdão de dívida”, o outro no New York Times, “The Holocaust just got more shocking”. O Público relembra-nos que, em 1953, setenta países perdoaram a dívida alemã acumulada antes e depois da guerra – e que ajudou a financiar. O montante do perdão equivaleu a 62,6% da dívida, tendo sido também acordados valores de juro abaixo do mercado e uma amortização, da dívida e do juro, limitada a 5% do valor das exportações.

(Espero que estes valores, que li no Público, estejam certos que eu é mais Ciências Sociais e História).

Para conseguir este perdão, continua o artigo, foi decisiva a pressão dos EUA e o assentimento dos outros dois membros da troika da altura: França e Inglaterra.

Já o New York Times dá conta de outros números e de uma contabilidade mais negra. Os números são apresentados pelos investigadores e historiadores do Holocaust Memorial Museum. Segundo eles, durante o reino de terror nazi, de 1933 a 1945, os alemães implementaram, da França à Rússia, uma rede de 42.500 campos de terror. Quando esta investigação começou, no ano 2000, estimava-se que o número andasse pelos 7 mil, mas a História veio a revelar-se seis vezes mais negra. A contabilidade é esta: 30 mil campos de trabalho escravo, 1150 guetos judaicos, 1000 campos de prisioneiros de guerra, 980 campos de concentração, 500 bordéis de escravatura sexual e mais uns milhares de sítios dedicados à eutanásia de velhos e doentes e à prática de abortos forçados.

O curioso é que, apenas oito anos depois de toda esta germânica atrocidade, setenta países, encabeçados por uma troika deles, resolveram perdoar 62,6% dívida alemã, reconhecendo que, se assim não fosse, Berlim nunca recuperaria e todos tinham a perder ainda mais.

Talvez a explicação esteja no ensaio “Morale and National Character”, escrito pelo antropólogo G. Bateson em 1942, sobre americanos, ingleses e alemães. Diz ele que americanos e ingleses, mais dados a padrões de relacionamento simétricos – um cresce quando o outro cresce e um relaxa quando o outro relaxa – não têm normalmente estômago para “bater em quem já está no chão”; ao contrário dos alemães, mais dados a relacionamentos complementares, do tipo dominação/submissão – quando mais fraco te sentes mais forte me sinto. Segundo escreveu, impor punições à Alemanha implicaria uma dominação constante dos vencedores o que, a médio prazo, resultaria num abrandamento e numa nova escalada alemã.

Em 1953, por muitas razões, fez-se o que estava certo. Perdoou-se. Perdoou-se, ao povo que implementou 42.500 campos de terror, o dinheiro que deviam e que tinha sido usado (também) para os financiar.

O perdão é a dívida da Alemanha. É bom lembrar e, já agora, cobrar."

 

 

Publicitário, psicossociólogo e autor
Escreve à sexta-feira
Escreve de acordo com a antiga ortografia

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 15:34 | link do post | comentar | ver comentários (14) | partilhar

Terça-feira, 09.12.14

 

 

 

A mediática troca de acusações (dá ideia que o estalar de vernizes está no início) entre Salgado e Ricciardi comprova a origem da bancarrota que levou ao corte de salários e pensões e ao empobrecimento quase geral. A tal banca de moral elevada endividou e capturou o país (BCP, BPP, BPN, BANIF, CGD, BES e afins como a PT, as PPP,s e o financiamento partidário) e os credores, muitos da mesma família, mantêm a contabilidade e querem receber tudo. É apenas mais esse "lance de casino" que se discute quando se fala de reestruturação da dívida.

 

Onde estão as personagens como Nogueira Leite, João Duque, Camilo Lourenço e por aí fora que eram infatigáveis nos laudos aos DDT,s enquanto receitavam cortes a eito nos do costume?

 

 



publicado por paulo prudêncio às 19:54 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 09.09.14

 

 

 

 

Passos Coelho defende a antecipação do pagamento da dívida ao FMI se o empréstimo para esse efeito for a juro mais baixo. Todos concordamos, claro.

 

Todavia, deve haver muito jogo de casino com as dívidas bancárias à mistura que até originam o recente esquecimento do mérito das reformas portuguesas por parte de Christine Lagarde. A corrupção da bancocracia nem ao FMI deve escapar, apesar do estranho modo como o caso GES escapou aos implacáveis especialistas da troika.

 

Para além disso e como sempre se percebeu, os cortes a eito nos do costume permitiram tal liquidez que os governantes portugueses passeavam que nem pavões pelo mundo fora. E alguns até se empregaram nos credores, num mundo em estonteante roda livre.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 21:46 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 07.09.14

 

 

 

Em 2005, os cerca de 195.000 professores (cerca de 160.000 nas escolas públicas e de 35.000 nas cooperativas e nos privados) dos ensinos básico e secundário eram considerados os primeiros "responsáveis" pela dívida pública que estava em 90,7 mil milhões de euros (cerca de 60% do PIB).

 

Nem dez anos depois, esses professores são cerca de 130.000 (cerca de 100.000 nas escolas públicas e de 30.000 nas cooperativas financiadas pelo Estado e nos privados pagos pelos "clientes").

 

Sabe-se que a dívida pública voltou a subir e que andará perto dos 135% do PIB. Mais do dobro (em milhares de milhões de euros) em relação a 2005, enquanto os professores foram "dizimados".

 

Desfeita a agenda "tudo está mal nas escolas públicas", aguarda-se a prestação de contas de quem arruinou o país.

 



publicado por paulo prudêncio às 18:36 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 26.07.14

 

 

 

 

 

Impressionaram-me os masoquistas da classe média que defenderam os corruptos (estou a pesar bem a escrita), e os seus serviçais, convencidos que eram liberais de direita ou de uma qualquer terceira via. E nesse grupo incluíram-se muitos professores. É claro que a coberto da ingenuidade navegou muito oportunismo.

 

Já ninguém duvida que "o verdadeiro objectivo dos "planos de resgate" foi salvar bancos" com prémios no modelo-gaspar, luís albuquerque ou nos inúmeros exemplos conhecidos e nos que se seguirão, com o contributo do inefável alinhamento das agências de raiting (a dívida lusitana não pára de aumentar e dos 741 mil milhões 63% são privados) e com os mentores a serem defendidos e eleitos pelas vítimas do saque em nome de um liberalismo que porá Adam Smith perplexo. Há consciências à volta da corrupção que só Freud explicará.

 

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 13:06 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 22.07.14

 

 

 

 

Quando se tratava de apontar os professores e os funcionários públicos como os primeiros responsáveis pelo desastre financeiro, havia uns movimentos do género "Compromisso Portugal" que tinham aparição diária e que indicavam o caminho unipessoal a seguir. Os modelos empresariais de sucesso - dos homens providenciais - exemplificados por Salgado do BES, Rendeiro do BPP ou Costa do BPN eram receitados diariamente. Tudo em nome de Portugal e da avaliação meritocrática dos funcionários públicos.

 

As perguntas impõem-se: o que é feito dessa malta tão elevada? Estão tão silenciosos e desmobilizados porquê? Então e o país? Já cortaram uns 40.000 professores, mais uns milhares de milhões em salários e subsídios, e a dívida continua a subir? Que é feito dos comentadores alinhados com estas correntes, como Gomes Ferreira, Medina Carreira ou Camilo Lourenço? Não dizem nada sobre este estrondoso sucesso empresarial?

 

É tudo muito miserável.

 

Estamos com uma dívida de 741 mil milhões de euros, cerca de 37% são dívida pública e os restantes 63% dívida privada. Mas mais: os professores foram de longe os mais cortados na administração central, Portugal foi o 3º país da UE onde a dívida mais subiu e a dívida lusitana foi a mais lucrativa do mundo em 2012.

 

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 16:42 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sábado, 10.05.14

 

 

 

 

Quais estrelas, quais astros, quais bolas de cristal ou sequer os mais sofisticados processos de adivinhação: a "Moody´s sobe raiting português e admite nova revisão em alta". E tem sido um corrupio para elevar Portugal. Agências de raiting, FMI, BCE, Comissão Europeia (Durão Barroso é mesmo efusivo), média mainstream e por aí fora não se cansam de sublinhar o milagre. 

 

Tudo começou com a subida da dívida portuguesa: 90% do PIB era insuportável e foi parar ao lixo; arrastou o país para um protectorado com três anos nas trevas.

 

E de repente tudo muda. A dívida subiu para 130% e há quem diga que vai a caminho dos 140%. Este estranho fenómeno tem uma explicação: campanha eleitoral, onde vale tudo para anestesiar quem vota. Só que o processo é tão desacarado e apressado, que até os mais distraídos devem desconfiar.

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 11:03 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 02.04.14

 

 

 

 

 

 

O Expresso diz que hoje, e pela primeira vez desde 2009, os juros da dívida fecharam abaixo de 4%. Lembrei-me que há tempos fiz um post parecido também com base numa notícia do Expresso.

 

Fui à procura e encontrei o seguinte:

 

 

 

Esta repetição da primeira vez é um bocado sei lá o quê.

 

Repito o que escrevi no post sobre o assunto:

 

 

Os juros da dívida estão a baixar contra todo o argumentário de "bom aluno" do Governo. Afinal o manifesto não só se discutiu como passou as fronteiras e as diferenças "insanáveis" com a "oposição" continuam na ordem do dia. Nem as fugas de informação (ou, quiçá, a falta de pachorra de um SE das finanças com os cortes nos do costume - é bom recordar que já não é o Helder-Ultraliberal-para-os-outros-Rosalino) dentro do Governo desorientam os mercados. Querem ver que se aproxima algum calendário eleitoral, por cá e pela Europa, e nós não demos conta?

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 22:13 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sexta-feira, 28.03.14

 

 

 

 

Os juros da dívida estão a baixar contra todo o argumentário de "bom aluno" do Governo. Afinal o manifesto não só se discutiu como passou as fronteiras e as diferenças "insanáveis" com a "oposição" continuam na ordem do dia. Nem as fugas de informação (ou, quiçá, a falta de pachorra de um SE das finanças com os cortes nos do costume - é bom recordar que já não é o Helder-Ultraliberal-para-os-outros-Rosalino) dentro do Governo desorientam os mercados. Querem ver que se aproxima algum calendário eleitoral, por cá e pela Europa, e nós não demos conta?

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 10:19 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 14.03.14

 

 

 

 

A agenda dos credores da dívida portuguesa tem mais uma falácia: o perdão da dívida alemã, depois da segunda guerra mundial, foi de Estado para Estado enquanto a dívida portuguesa é do Estado para privados.

 

A perplexidade situa-se nos privados. Querem ver que em Portugal não há privados a dever, que a banca pública não financia a banca dita privada ou que os credores privados não estão encostados aos Estados. Perguntem à Reserva Federal norte-americana qual foi a quantidade de dólares que injectou nos predadores que provocaram a crise financeira de 2008. É que são esses os compradores maioritários (e sistémicos) da dívida portuguesa que foi a mais lucrativa do mundo em 2012.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 20:59 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 13.03.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 12.03.14

 

 

 

 

Acentua-se a perda, que parece inapelável, da democracia e dos democratas. Até as acções como as dos consultores de Cavaco Silva estalam, quem diria, vernizes. As pessoas que se pautam por alguns princípios e convicções, mesmo que não sejam "fundamentalistas", estão a olhar para um friso de oportunistas que capturaram o Estado e que não vacilam, como se viu hoje com Passos Coelho, na caminhada gananciosa.

 

Só há dois grupos em crescimento demográfico: os que continuam a enriquecer de forma predadora, paulatina e uniforme e os que empobrecem em movimento uniformemente acelerado e que aumentam todos os meses. Alguma coisa tem que acontecer. O tal de manifesto é um sinal importante que indica alguma incomodidade por parte de quem dirigiu o país nas últimas décadas.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 19:07 | link do post | comentar | ver comentários (12) | partilhar


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25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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