Em busca do pensamento livre.

Sexta-feira, 20.01.17

 

 

 

A condição naif, mesmo que algo simulada, de Trump, pode provocar mais dano do que a retórica eleitoral extremada (acaba de anunciar, num discurso sem História, que terminou a "carnificina nos EUA" e nem por uma vez usou a palavra democracia ou os seus valores). O seu modo simplista de olhar problemas complexos intranquiliza. Trump parece impreparado para o que vai enfrentar. Já se percebeu que quer radicalizar no universo comercial que, obviamente, se liga às restantes variáveis do mundo global. Se, e em consequência disso, Trump retirar os EUA do centro de várias decisões, e se continuar a fragilizar a NATO e a desestabilizar a ordem mundial, tudo poderá acontecer nesse salto para o desconhecido.

 

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Segunda-feira, 16.01.17

 

 

 

Há muitos sinais de que o mundo se tornará um lugar mais perigoso, mas espero enganar-me.



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Segunda-feira, 02.01.17

 

 

 

Com todos os riscos de quem retira do contexto uma passagem, não resisto a citar Ulrich Beck (2015:22) "Sociedade de risco mundial - em busca da segurança perdida", Lisboa, Edições 70,

 

"(...)o risco constitui o modelo de percepção e de pensamento da dinâmica mobilizadora de uma sociedade, confrontada com a abertura, as inseguranças e os bloqueios de um futuro produzido por ela própria e não determinada pela religião, pela tradição ou pelo poder superior da natureza, mas que também perdeu a fé no poder redentor das utopias.(...)".

 

A perda da "fé no poder redentor das utopias" indicia um risco de decadência se não se circunscrever ao inevitável cinismo com que a maturidade olha para a prevalência do mal. Se a descrença nas utopias e no combate às desigualdades atravessar todas as gerações, a decadência entranha-se; como a história, de resto, já nos explicou.

 

www.cartoonstock.com/cartoonview.asp?catref=cgo0149

 



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Segunda-feira, 14.11.16

 

 

 

O sistema acordou com o pesadelo dos EUA. A suprema ironia elegeu, bem lá no alto, um produto do sistema que fez campanha como indignadoA erosão do centro político nas democracias ocidentais é um problema grave que se pode tornar trágico. Há toda uma ganância criada pelo sistema que é cada vez mais difícil de combater. Ontem, no Expresso, Joseph Stiglitz disse que "populismo" mistura coisas muitos diferentes. Podemos chamar de populista um candidato que diz preocupar-se com os 90% de pessoas que um dado governo deixou para trás? Isso não é merecedor de crítica. O populismo até pode ser um remédio contra o elitismo." Hoje, Ana Sá Lopes, no I, diz que os "trumpistas estão no meio de nós (olhe para o lado)", Jorge Sampaio, no Público, "alerta para a tendência global dos movimentos populistas", António Lima, no Sol, diz que "os democratas procuram líder no meio dos escombros", Ricardo Paes Mamede, no I, diz que "há uma grande dificuldade em fazer face aos populismos de direita" e Helena Tecedeiro, no DN, fala-nos de Steve Bannon, o tipo que dirigiu a campanha de Trump e que "é acusado de antissemitismo e de ser próximo dos supremacistas brancos. Foi funcionário do Goldman Sachs, acusou Obama de importar muçulmanos cheios de ódio, comparou o programa de planeamento familiar americano ao holocausto e aconselhou as mulheres vítimas de assédio online a se desligarem e pararem de tramar os homens na internet."

 

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Domingo, 21.02.16

 

 

 

Com todos os riscos de quem retira do contexto uma qualquer passagem, não resisto a citar Ulrich Beck (2015:22) "Sociedade de risco mundial - em busca da segurança perdida", Lisboa, Edições 70,

 

"(...)o risco constitui o modelo de percepção e de pensamento da dinâmica mobilizadora de uma sociedade, confrontada com a abertura, as inseguranças e os bloqueios de um futuro produzido por ela própria e não determinada pela religião, pela tradição ou pelo poder superior da natureza, mas que também perdeu a fé no poder redentor das utopias.(...)".

 

A perda da "fé no poder redentor das utopias" indicia um risco de decadência se não se circunscrever ao inevitável cinismo com que a maturidade olha para a prevalência do mal. Se a descrença nas utopias, no combate às desigualdades, por exemplo e se quisermos considerar a sua "totalidade" como tal, atravessar todas as gerações, o risco entranha-se nas sociedades e atinge a escala mundial; como a história, de resto, já nos explicou.

 

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Segunda-feira, 07.12.15

 

 

 

Registar com satisfação a derrota eleitoral chavista na Venezuela, desejar uma derrota da Frente Nacional francesa na segunda volta e considerar "que o Estado Islâmico sempre existiu: é a Arábia Saudita."

 

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Segunda-feira, 16.11.15

 

 

 

 

Por cada milhar de notícias sobre mercados e agências de raiting há uma sobre a ONU.

 

 

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Domingo, 08.06.14

 

 

 

 

 

A corrupção ao estilo norte-americano contaminou a Europa. Foi mais ao menos assim que, por volta de 2007, Joseph Stiglitz enunciou um princípio que nunca tinha ouvido. Os últimos sete anos comprovam a tese do prémio Nobel.

 

Há dias fomos confrontados com a situação profissional de Vítor Gaspar no FMI: "(...)Vítor Gaspar vai receber um salário de 23 mil euros mensais isentos de impostos no Fundo Monetário Internacional (FMI). O ex-ministro das Finanças, que fará 54 anos em Novembro, pode pedir a pré-reforma após trabalhar três anos nesta instituição, segundo os estatutos da mesma.(...)Se o ex-ministro não optar pela pré-reforma, terá aos 65 anos direito à pensão completa que corresponde a 70 % do salário.(...)".

 

É bom que se sublinhe que o FMI é financiado pelos Estados; pelos nossos impostos, portanto. Nos últimos anos, conhecemos inúmeros casos semelhantes a este de Gaspar, percebemos como fizeram escola e como nos empurraram para o estado em que estamos colocando em causa até uma das maiores conquistas civilizacionais: o estado social. Podemos imaginar o que se passa nos EUA e na Europa. Os orçamentos que sustentam Washington e o eixo Bruxelas/Estrasburgo são denunciados como obscenos pela mais elementar sensatez em qualquer latitude.

 

Denunciar estas delapiações das finanças dos Estados não é inveja. A inveja existe, mas não tem as costas tão largas assim.

 

 

 

 



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Segunda-feira, 05.05.14

 

 

 

Não partilho do basismo anti-EUA, mas vou reconhecendo a conclusão de Joseph Stiglitz: a corrupção ao estilo norte-americano tomou conta da Europa.

 

"O secretário da Justiça dos Estados Unidos, Eric Holder, revelou esta segunda-feira que estão na fase final processos criminais contra grandes instituições financeiras que no passado tiveram comportamentos que violaram as leis que se aplicam ao sistema.(...)". A revelação pode ser mais uma qualquer coreografia, mas prefiro que seja um sinal de esperança. As instituições financeiras que estão a arruinar as democracias, também em Portugal onde os banqueiros estão em vias de prisão ou de prescrição de crimes, têm de ser combatidas também pelo poder político. É uma espécie de salvação para que se evite uma guerra com proporções inimagináveis.

 

"(...)Após a falência do Lehman Brothers e no auge da crise do subprime, a administração norte-americana aprovou um plano para salvar o poderoso sistema financeiro norte-americano que foi apanhado com os balanços cheios de produtos tóxicos cujo valor se evaporou. Nessa ocasião, sob o argumento de que se tratava de instituições "to big to fail" - demasiado grandes para falirem, pelos problemas que introduziriam em todo o sistema -, o Tesouro dos Estados Unidos injectou 700 mil milhões de dólares nos bancos problemáticos.(...)", o mesmo erro trágico foi cometido em Portugal com o inclassificável BPN e esperamos que não só não se repita como se vá aos offshores buscar o capital em fuga.

 

 

 

 

 

 



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Domingo, 23.03.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 05.03.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 25.02.14

 

 

 

 

 

Cansa um bocado repetir, mas é um dever: a bolha imobiliária de 2007 foi imaginada uns anos antes com o produto subprime que era uma uma espécie de bomba de neutrões: o edificado, intacto, regressou à banca, as pessoas faliram e uma vaga de revenda anda por aí com novos produtos como o "visto gold".

 

Só que nem tudo cabe em folhas excel. Só na Europa há cerca de 11 milhões de casas vazias. Em Portugal a coisa aproxima-se do milhão e os sem-abrigo não param de aumentar. É mais um retrato da última mentira de Passos Coelho: "o país está melhor".

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 13.11.13

 

 

 

A dívida pública foi a mais rentável do mundo em 2012. A de 2013 ainda não se sabe, mas as decisões do tribunal constitucional podem ter comprometido o objectivo.

 

O orçamento português para 2014 é o mais discutido do mundo e o FMI até exige mais cortes a eito em (quase) tudo o que exista. O tribunal constitucional português é, também e de longe, o mais analisado do mundo.

 

Será que na base de tanta discussão mundial estará a intenção dos financeiros dos mercados para que a dívida portuguesa volte a ser a mais rentável do planeta em 2014? Os mercados mundiais são uns generosos com esta intenção de nos colocarem no topo do mundo; e o Governo (e o PR, e a CE, e sei lá mais o quê) até faz uma vénia.

 

 



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Quarta-feira, 09.10.13

 

 

 

 

 

 

 

Stiglitz, Joseph E. (2013), "O preço da desigualdade", Bertrand Editora, Lisboa.



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Quarta-feira, 02.10.13

 

 

 

 

 

Muitos republicanos dos EUA são considerados radicais ideológicos e ciclicamente contribuem para paralisar o Governo. O complexo jogo de equilíbrios de poder nos EUA permite um jogo perigoso que desta vez parte da não aceitação do ObamaCare. Veremos como acaba o problema descrito pelo editorial do Público de hoje.

 

 

 

 



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Domingo, 04.08.13

 

 

 

 

 

 

 

Podemos até argumentar com a silly season, mas não deixa de surpreender que a transferência de um só jogador de futebol se faça em valores que equivalem a 12 vírgula tal por cento do corte que preenche a mente dos ultraliberais: os 4,7 mil milhões da "reforma" do estado em Portugal. O capitalismo selvagem está sem freio e põe-se com estas coisas num dos países do sul da Europa que tem sido mais devastado pela corrupção.



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Domingo, 21.04.13

 

 

 

 

A última semana ficou marcada pelo inacreditável erro em Excel que já empurrou milhões de pessoas para o desemprego. A tese, de 2010, que afirmava que acima dos 90% de dívida pública a recessão económica seria "irrefutável" prevaleceu como modelo matemático único e em Portugal também.

 

Sem sequer trazer para a discussão o espectro da corrupção que parece dominar o mundo financeiro, podemos considerar uma espécie de confronto entre racionalistas e empiristas.

 

Os primeiros têm vencido a contenda e os segundos não encontram voz que se exprima eleitoralmente. Como cedo se constatou, essa dicotomia expressava-se politicamente na tradicional diferença entre direita e esquerda, estando a principal força eleitoral da esquerda amarrada a esse género de racionalismo através da denominada terceira via.

 

Nos últimos anos assistiu-se há vitória da tecnocracia de gabinete que se foi transformando em tecnopolítica e que sobrepôs os saberes matemáticos à cultura. Foi também assim no sistema escolar com os achamentos curriculares de Nuno Crato.

 

Não será por acaso que se "recupera" Bachelard nos mais variados domínios.

 

 

 

 

 

Gaston Bachelard (1976:11). "Filosofia do Novo Espírito Científico".

Biblioteca de Ciências Humanas. Editorial Presença. Lisboa.



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Quinta-feira, 18.04.13

 

 

 

Os erros da austeridade



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Quarta-feira, 17.04.13

 

 



Quem passa pelo blogue há mais tempo sabe que considero o conjunto de poderosas aplicações do Microsoft Office (pode ler os posts neste etiqueta) como inaptas para a gestão de informação em redes, seja numa escola ou noutra instituição. Advogo até a proibição.

 

O que não imaginava é que o FMI baseava as decisões que influenciam a vida milhões de pessoas no Excel. Bem sei que há decisores como o presidente do Eurogrupo (que está em sintonia com o FMI e com as políticas austeritaristas) que declaram mestrados falsos, mas numa Faculdade de Economia portuguesa os alunos já fazem a parte empírica dos mestrados com o SPSS. Pelo que se percebe, na celebrada Harvard produzem-se altos estudos mundiais estatísticos em Excel.

 

Mas a tragicomédia baseia-se num bug do excel que está a fazer correr muita tinta (pode ler aqui o arstechnica onde recolhi a imagem ou o JN). Há um erro na fórmula que sustenta as políticas de austeridade que têm arruinado as economias. O assunto é mesmo grave.

 

Como se vê na imagem, a fórmula para calcular a média inclui as linhas 30 a 49 da coluna L, mas a operação só considera as linhas 30 a 44. O que faz toda a diferença e nos leva a imaginar a competência das restantes decisões.

 

 



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Terça-feira, 16.04.13










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Quinta-feira, 11.04.13

 

 



François Hollande parece desesperado com o desvario bancário (para sermos brandos, claro) que o rodeia. O responsável financeiro pela sua campanha tinha muito mais capital do que o declarado e usava os paraísos fiscais. Sabe-se que utilizou uma das "mecas" dos ultraliberais: Singapura; veja-se lá como gente tão severa com os costumes dos fracos se dobra até mais não com o capital sem cor. Veremos até que ponto o presidente francês está envolvido na questão.

 

Para já, o que se evidencia é uma operação "mãos limpas" como nunca se fez em Portugal.

 

 

Hollande declara guerra a paraísos fiscais e obriga ministros a revelar património

 



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Na morte de Thatcher, amiga de Pinochet






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Sábado, 06.04.13

 

 

 

 

 

 

 

A crise financeira tem uma relação directa com a corrupção e com os paraísos fiscais. Muitos dos esforços (há quem designe por saque a transferência histórica que se tem verificado) das classes média e baixa esfumam-se nestes "mercados" desregulados que os ultraliberais que governam teimam em absolver, embora já sejam poucos os que advogam a sua existência como fundamental para a saúde da competição. "O relatório elaborado pelo Consórcio Independente de Jornalismo de Investigação (ICIJ) sobre dezenas de milhares de empresas “offshore” caiu que nem uma bomba, mas para já a informação que consta no documento é apenas a ponta do iceberg(...)". É um assunto que promete.



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Quinta-feira, 04.04.13

 

 

 

 

Mega-investigação revela nomes de milionários com contas off-shores

 

"A lista contém pormenores do mundo secreto dos paraísos fiscais e pode provocar um "abalo sísmico" no sector.(...)"

 

 

 

É uma impressionante investigação desenvolvida por jornalistas. Dá ideia que o combate aos "donos do mundo" se vai fazendo em várias frentes e por gente sem medo.

 

Um detalhe que me chamou à atenção, foi o caso de Singapura que me recorda aquelas pessoas muito puritanas e severas em relação aos costumes e que depois são apanhadas na prática do que mais condenam.

 

O regime de Singapura é rígido e implacável com os seus habitantes e até com quem os visita como turista de massas, faz gala dessa espécie de "metafísica dos costumes", e depois "(...)O ICIJ e o The Guardian dizem ter mais de 200 gigabytes de dados relativos a operações efectuadas na última década nas Ilhas Virgens Britânicas, mas também em Singapura, Hong Kong e nas ilhas Cook, que serão revelados ao longo dos próximos dias.(...)"



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Terça-feira, 02.04.13

 

 

 

Não me satisfaz saber da desgraça de quem quer que seja, mas considero boas notícias as que nos dizem que o indivíduo mencionado no título do post, um dos que tem mais poder no planeta e que é CEO do banco de investimento Goldman Sachs, será acusado por suborno, fraude, extorsão, desfalque e lavagem de dinheiro.

 

Assim outros supostos criminosos se sigam e, se a justiça o entender, que os diversos"soldados" dos "donos do mundo" reponham o objecto dos seus crimes e que retorne alguma da esperança a esta democracia que tanto nos custou a erguer. E quando refiro o resto do mundo não me estou a esquecer de Portugal.



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Quarta-feira, 27.03.13

 

 

 

Convenço-me que a notícia marcante do dia é a que nos diz que "depois da Grécia, as atenções voltam-se para o Luxemburgo".


Já todos percebemos que há um poder financeiro que age a uma velocidade incontrolável e que é insaciável com as classes média e baixa. Entre o trio que explica a economia - salários, lucros e rendas - apenas o enunciado em terceiro lugar é "intocável" para a ganância. Sabe-se que não é fácil governar, mas o que está mais do que provado é que não se pode estar dos dois lados em confronto e aos mais diversos níveis: do global ao local.


"A crise do Chipre alertou os europeus para o risco potencial de países cujos setores bancários e financeiros estão hiperdimensionados em relação ao seu Produto Interno Bruto. Há vários exemplos na UE, mas o que mais atenção está a despertar é o Luxemburgo, onde os depósitos representam 2500 por cento do PIB, um valor muito superior ao de todos os outros Estados da Zona Euro, incluindo Chipre onde essa mesma marca ronda os 700 por cento. Este “apontar do dedo” já fez com que o Governo luxemburguês viesse a público para tentar afastar qualquer comparação entre os dois países.(...)"




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A crise é artificial, a austeridade o problema e não a solução e a Alemanha o obstáculo, disse, salvo erro, Joseph Stiglitz. Julgo que quando o economista referiu a Alemanha estava a pensar nos seus grandes bancos que operam quase ao nível do Goldman Sachs.

 

saque às classes média e baixa é o primeiro objectivo da crise, embora haja ricos que também denunciam os actos ilícitos. A austeridade é o meio de crime. A Grécia é o alvo mais visível. Só um governante ignorante ou comprometido como os predadores pode dizer que o seu país não é a Grécia.

 

 

 

Pode saber tudo nesta excelente reportagem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 26.03.13

 

 

 

 

 

São cada vez mais os que defendem que a velocidade, e o poder, da tecnologia associada às transacções financeiras tornam impossível a monitorização. Há ganhos e perdas que têm origem em algoritmos que ninguém controla. É um ambiente propício ao crime sofisticado e de colarinho branco. A letra da lei torna-se um adorno obsoleto.

 

 

 

Pode saber tudo nesta excelente reportagem.

 

 

 

 

 



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Segunda-feira, 25.03.13

 

 

 

 

 

Há muitos que intuíram que o poder político foi capturado pelos financeiros que dominam o mundo. Os vários arcos do poder são constituídos por seres "comandados" pelos bancos mundiais mais poderosos. Os "soldados" do Goldman Sachs estão instalados nas principais instituições europeias.

 

 

 

 

 

Pode saber tudo nesta excelente reportagem.

 

 

 

 

 



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Domingo, 24.03.13

 

 

 

 

 

 

Os especuladores financeiros jogam num casino e sem árbitros. A vida de milhões de pessoas é lançada numa espécie de pano verde.

 

 

 

 

Pode saber tudo nesta excelente reportagem.

 

 

 

 

 

 



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Sábado, 23.03.13

 

 

 

 

 

Já íamos em 2008 e António Borges ainda classificava o subprime como uma das melhores inovações dos últimos anos.

 

 

 

 

 

Pode saber tudo nesta excelente reportagem.

 

 

  

 



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Sexta-feira, 22.03.13

 

 

 

 

 

 

Os bancos que dominam o mundo vendem produtos contraditórios. Ou seja, quem os compra pode perder com uns e ganhar com outros. As classe médias são o alvo e ficam sempre a perder porque só têm acesso aos produtos perdedores. Para além disso, os cortes de salários e pensões servem para pagar juros elevadíssimos aos bancos que forçaram a dívida.

 

 

 

 

Pode saber tudo nesta excelente reportagem.

 

 

 



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Quinta-feira, 21.03.13

 

 

 

 

 

Quem são os novos proprietários do imobiliário que não "sobreviveu" à crise do subprime? Os bancos.

 

A estratégia está mais do que denunciada e denominou-se como crédito de neutrões (os menos "bélicos" talvez não saibam, mas as bombas de neutrões, variantes das bombas atómicas, eliminam a vida e deixam o "edificado" intacto).

 

O crédito imobiliário, o tal subprime, era propositadamente "mãos largas" com a convicção de que a bolha rebentaria e o edificado regressaria "intacto" às mãos dos bancos.

 

 

 

Pode saber tudo nesta excelente reportagem.

 

 



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Quarta-feira, 20.03.13

 

 

 



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Segunda-feira, 11.03.13

 

 

 

 



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Quinta-feira, 14.02.13

 

 

 

Complacência num Mundo sem líderes





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Quarta-feira, 06.02.13

 

 

 

 

Assisti, ontem, a uma conferência de Manuel Maria Carrilho, de que darei conta num próximo post, em que se abordou a "ausência" da administração Obama no combate ao poder financeiro que prevalece. Percebe-se que o presidente dos EUA tem sido incisivo em diversas causas dos direitos de minorias, mas que tem sido incapaz de alterar o desequilibrio que nos trouxe até aqui.

 

É, portanto, de saudar o processo que a administração Obama colocou, ontem, à agência de raiting Standard & Poor´s por fraude civil na crise do subprime. É um tema para seguir com atenção.

 

Não sei se financeiro é sinónimo de corrupção, mas sabemos que o cerne da crise passa por aí.



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Segunda-feira, 26.11.12

 

 

 

 

Sempre que há uma catástrofe natural, mesmo que não seja de interesse mediático planetário, há dois argumentos muito usuais e que se contradizem: é a maior desde que há registos (e parece que cada vez é mais assim) e à escala do planeta são abalos insignificantes.

 

A escalada produtiva que temos vivido tem contradições insanáveis e basta pensarmos na industria de armamento. O seu desmantelamento criaria desemprego em massa e a sua manutenção provoca o flagelo que se conhece.

 

Quando lemos periodicamente notícias do tipo, "Clima: "O tempo está a esgotar-se", alerta responsável das Nações Unidas", concluimos que esta instituição está com o poder muito reduzido e que as "bolhas" vieram para ficar.

 

 

 

 

 

 

 

Steiner, G. e Spire, A. (2000:100).

Barbárie da Ignorância.

Lisboa.

Fim de Século.



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Segunda-feira, 19.11.12

 

 

 

 

 

É impossível condensar num post tudo o que se pensa ou escreveu sobre um assunto e isso pode gerar equívocos.

 

A Alemanha, como de resto a França, a Itália, a Espanha, a Grécia, Portugal, a Inglaterra ou os Estados Unidos e por aí fora têm, apesar dos momentos trágicos, de ter orgulho na sua história e na sua cultura.

 

A actualidade alemã é particularmente difícil. Terminou há pouco a "inclusão" da região leste e tem de ser uma "pedra" chave numa Europa em crise e que tem de competir em desigualdade de direitos laborais com regimes ainda mais mergulhados na corrupção, a Rússia e a China, e com a pátria do mass-market planetário e das predações associadas, os EUA.

 

Convenço-me que a principal preocupação alemã passa por evitar a repetição do período 1939 a 1945. É uma herança pesadíssima.

 

Não se deve separar a biografia das possibilidades políticas e Merkel não foge ao exame. Haverá alguma controvérsia que só o tempo ajudará a perceber.

 

E é sempre importante sublinhar algumas evidências históricas.

 

 

 

 

 

 

Steiner, G. e Spire, A. (2000:45).

Barbárie da Ignorância.

Lisboa.

Fim de Século.



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Segunda-feira, 12.11.12

 

 

 

 

 

 

liberalismo defende a hegemonia do indivíduo contra as intromissões coercivas do Estado. Esta filosofia política fundamenta-se na defesa da liberdade individual nos domínios político, religioso, intelectual e económico e na não ingerência no direito de propriedade privada.

 

O liberalismo tem sido reivindicado pelas forças políticas de direita e os prefixos neo ou ultra advogam uma melhor redistribuição da riqueza por parte das empresas de grande produção financeira que se consideram mais aptas para a responsabilidade social do que os Estados. Os offshores e a desregulação dos mercados nasceram neste espírito e têm os resultados que se conhecem.

 

O triunfo industrial da China do partido único a das nacionalizações contraria a hegemonia destas correntes e a ajuda do Norte ao Sul iniciada com a globalização nas últimas décadas do século passado acentuou-a. O advento do comércio livre transferiu para os países emergentes a industria dos países da Europa do sul, com saliência para os têxteis, para a cerâmica e para as tecnologias de massas, e protegeu a das nações do centro e do norte do velho continente e de uma parte dos EUA.

 

Os supostos liberais europeus no poder têm de refrear desesperadamente o consumo de produtos dos emergentes e alargar a produção das industrias sobrantes (automóveis e afins e quiçá da tecnologia que se adivinha). Essa austeridade empobrece e transporta a fome e o desemprego e exige a colectivização através do aumento dos impostos. No auge das contradições ideológicas, o dinheiro dos mais pobres é entregue aos satélites do Estado através das organizações de solidariedade social ou por mecanismos como a TSU.

 

É neste quadro que surgem propostas como bancos de fomento que mais não são do que familiares dos generosos bancos dos pobres. Estas ideias nascem por parte de forças políticas de esquerda que tentam sobreviver no quadro desenhado e que tentam que a globalização comandada por liberais em transição ideológica não nivele as vítimas da sua guloseima com resultados tão catastróficos como os perpetrados por outras utopias igualmente absurdas.

 



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Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
Discordâncias:
Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
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