Em busca do pensamento livre.

Quinta-feira, 14.09.17

 

 

 

 

Cansados com a falta de pontualidade no tempo inicial dos alunos com 5 e 6 anos, os professores conseguiram que a escola instituísse uma multa em dólares para os atrasos. E o que é que aconteceu? Os encarregados de educação "integraram" a multa na mensalidade e o número de atrasos subiu. A escola ficou numa encruzilhada com a passagem da multa a taxa. O planeamento dos professores ficou ainda mais difícil. Encontra este e outros exemplos que ajudam a pensar no livro de Michael J. Sandel: "O que o dinheiro não pode comprar - os limites morais dos mercados".

 


3ª edição do post

 

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Sexta-feira, 04.08.17

 

 

 

É muito interessante a "Nova teoria do mal" de Miguel Real. Encontra-a também, e em forma de entrevista, na edição do Público de 22 de Fevereiro de 2015.

A visão maniqueísta consolidou-se e ouvi, há tempos, Mariano Gago contrapor, com absoluta mágoa, a necessidade do bem se impor ao mal. Para o ex-ministro (mais ou menos, claro), quando o bem desafia o mal no seu reduto, sofremos com as consequências; mas com o tempo, a força moral do bem sobrepõe-se às circunstâncias.

 

2ª publicação da entrevista.

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"Aos 61 anos, o filósofo, ensaísta e romancista Miguel Real lança mais um romance. Agora, em vez de ficcionar sobre a actualidade ou sobre a história, constrói uma utopia ficcional em que projecta o futuro: O Último Europeu, Edições D. Quixote.(...)

E a classe política?

(...)A classe política foi tomada de assalto, sobretudo a governação, por um conjunto de funcionários das jotas que foram servilmente subindo degrau a degrau, limpando tudo em redor como os eucaliptos, até ao momento em que não há alternativa dentro dos partidos. As possíveis grandes alternativas, as alternativas de mérito fogem para a sua profissão, para a ciência, para as artes, para o comércio, para a economia, para as finanças.

Vivemos em democracia?

Há vários tipos de democracia. Do ponto de vista formal não podemos negar que há democracia, nos grandes princípios da Europa a democracia cumpre-se: há alternativas, há alternâncias, há possibilidade de contestação, há liberdade de expressão, de reunião, de manifestação, tudo isso é muito importante. Quem viveu antes do 25 de Abril não pode negar que este é o melhor regime.(...)

Há excepções?

(...)Agostinho da Silva contava uma história da serra da Malcata, onde na década de 1960 havia cinco famílias num povoado. Três dessas famílias emigraram, sem saber a língua, com os costumes rurais que tinham, a mentalidade da Nossa Senhora de Fátima, mas tiveram a ousadia e a coragem de ir a salto para a Alemanha e a França. Quando mais tarde regressaram triunfantes, com uma família, um carro, uma casa, quem dominava a aldeia? Os que não tinham tido a coragem de partir. Dominavam a sacristia, o minimercado, a serração da madeira e também a junta de freguesia. Portugal é um pouco isso. As elites corajosas e ousadas são as que partem. Ficam cá, em parte pois não quero generalizar, os que não têm coragem de partir, ou seja, não têm coragem de inovar. A elite portuguesa reflecte hoje isso.

No actual relativismo ético, idolatra-se o dinheiro e o consumo. Vivemos uma regressão civilizacional e estamos a voltar a um mundo mais desigual?

Socialmente mais desigual, inevitavelmente estamos. A Europa transformou-se numa empresa de negócios, uma grande empresa. As nações, os países são os sócios dessa empresa. A empresa fez-se para trocar, vender, comprar.(...)



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Segunda-feira, 08.05.17

 

 

 

Cansados com a falta de pontualidade no tempo inicial dos alunos com 5 e 6 anos, os professores conseguiram que a escola instituísse uma multa em dólares para os atrasos. E o que é que aconteceu? Os encarregados de educação "integraram" a multa na mensalidade e o número de atrasos subiu. A escola ficou numa encruzilhada com a passagem da multa a taxa e a sua eliminação ainda tornou o planeamento dos professores mais difícil de estabelecer. Encontra este e outros exemplos que ajudam a pensar no livro de Michael J. Sandel"O que o dinheiro não pode comprar - os limites morais dos mercados".

 

2ª edição do post

 

cartoon happy man holding cash

 



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Segunda-feira, 14.11.16

 

 

 

O sistema acordou com o pesadelo dos EUA. A suprema ironia elegeu, bem lá no alto, um produto do sistema que fez campanha como indignadoA erosão do centro político nas democracias ocidentais é um problema grave que se pode tornar trágico. Há toda uma ganância criada pelo sistema que é cada vez mais difícil de combater. Ontem, no Expresso, Joseph Stiglitz disse que "populismo" mistura coisas muitos diferentes. Podemos chamar de populista um candidato que diz preocupar-se com os 90% de pessoas que um dado governo deixou para trás? Isso não é merecedor de crítica. O populismo até pode ser um remédio contra o elitismo." Hoje, Ana Sá Lopes, no I, diz que os "trumpistas estão no meio de nós (olhe para o lado)", Jorge Sampaio, no Público, "alerta para a tendência global dos movimentos populistas", António Lima, no Sol, diz que "os democratas procuram líder no meio dos escombros", Ricardo Paes Mamede, no I, diz que "há uma grande dificuldade em fazer face aos populismos de direita" e Helena Tecedeiro, no DN, fala-nos de Steve Bannon, o tipo que dirigiu a campanha de Trump e que "é acusado de antissemitismo e de ser próximo dos supremacistas brancos. Foi funcionário do Goldman Sachs, acusou Obama de importar muçulmanos cheios de ódio, comparou o programa de planeamento familiar americano ao holocausto e aconselhou as mulheres vítimas de assédio online a se desligarem e pararem de tramar os homens na internet."

 

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Sábado, 12.11.16

 

 

 

E é isto: "(...)No jantar de caridade de Al Smith, com a hierarquia católica de Nova Iorque e o poder político, financeiro e mediático ao lado dos dois candidatos, Trump chamou corrupta a Hillary e disse várias piadas ofensivas. A resposta dela foi uma gargalhada falsa, uma máscara afivelada para consumo externo. Quem visse aquilo nas várias plataformas, da televisão à rede, veria um grupo poderoso e privilegiado de amigos, mulheres com jóias e homens emproados, onde ela parecia a rainha e Trump o primo da província. Teria sido útil, por uma vez, observar uma reação emocional.(...)" escreveu Clara Ferreira Alves (CFA) na revista do Expresso (03:12/11/2016). No primeiro caderno, CFA diz que "Trump é um fascista, não em sentido clássico, rodeado de criminosos de colarinho branco." Até arrepia. Espero que não se confirmem os piores cenários. É evidente que Trump é um oportunista que se gaba de fugir a impostos, e de não sei quantas trafulhices, e de não respeitar os direitos mais elementares das pessoas envolvidas nas suas actividades. Mesmo assim, coabitou anos a fio com o arco governativo. A imagem é elucidativa e encontramos inúmeras da mesma família nas democracias ocidentais. No mundo real registamos a oportunista hipocrisia em nome institucional ou o modo oligárquico de apropriação do bem comum. E ficava aqui a tarde toda a detalhar um pântano que nunca dá bons resultados.

 

Adenda: Na mesma revista (p:42), Joseph Stiglitz diz, antes da vitória de Trump e pensando nos dois lados do Atlântico, que não gosta do termo "populismo", embora esteja preocupado com a erosão do centro político. "O "populismo" mistura coisas muitos diferentes. Podemos chamar de populista um candidato que diz preocupar-se com os 90% de pessoas que um dado governo deixou para trás? Isso não é merecedor de crítica. O populismo até pode ser um remédio contra o elitismo." O Nobel da economia (2001) prefere o termo demagogia. Dá um exemplo: "Números "surgidos" do nada como o limite de 3% do défice. Aplaude o Governo português que devia ser premiado e não o contrário." Fala, por exemplo, da batota em relação à França, do falhanço rotundo da troika e da moda recente dos governantes não eleitos made in Goldman Sachs. Uma entrevista a não perder, até para não dizermos que é incompreensível a ascensão eleitoral da Trump Tower.

 

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Sexta-feira, 08.04.16

 

 

 

Precisamos de um "novo" abecedário. Mas um abecedário despretensioso e artesanal como na imagem. E olhem que não é falho de ambição.

 

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Segunda-feira, 07.03.16

 

 

 

 

"Se o deputado mente na declaração de património entregue no tribunal constitucional, a sua condição de eleito não o coloca acima da lei nem do juízo moral dos cidadãos", foi mais ou menos assim que registei a indignação com o caso recente da ex-ministra das finanças. O argumento derivou de um contraditório com um defensor do acto de Maria Luís que advogava uma qualquer separação entre os actos dos políticos e juízos morais. Ora bem: a ex-ministra não mentiu e está a cumprir a lei, mas isso não significa que não deva respeitar a ética mais elementar que é exigida como mínimo de sensatez. Por outro lado, é legítimo um juízo moral ao caso em si, uma vez que não se intromete em questões do género da orientação sexual ou do credo religioso. É neste último sentido que considero pertinente o argumento que registei para iniciar o post. Por vezes, temos mesmo que nos beliscar com o teor da discussão.

 

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Domingo, 28.02.16

 

 

 

Cansadas com a falta de pontualidade no tempo inicial dos alunos com 5 e 6 anos, as professoras conseguiram que a escola instituísse uma multa em dólares para os atrasos. E o que é que aconteceu? Os encarregados de educação "integraram" a multa na mensalidade e o número de atrasos subiu. A escola ficou numa encruzilhada com a passagem da multa a taxa e a sua eliminação ainda tornou o planeamento das professoras mais difícil de estabelecer. Encontra este e outros exemplos que ajudam a pensar no livro de Michael J. Sandel"O que o dinheiro não pode comprar - os limites morais dos mercados".

 

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Sexta-feira, 16.10.15

 

 

 

 

Generalizar "este" ensino vocacional é desistir da democracia e integra o ideário do privado encostado ao Estado que registou a enésima inconstitucionalidade: a inclassificável prova de acesso para professores. Digamos que o território está enjoativo, como noutras alturas da história, em plena crise moral e recomendável para turistas.



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Quinta-feira, 19.02.15

 

 

 

 

"(...)Creio que a mediocridade se mede pela ausência de princípios éticos, e as pessoas que fazem uma carreira na ciência, na indústria, no comércio, nas letras, na função pública e que são bem formadas têm alguma dificuldade em aceitar, por um lado, o servilismo em relação aos partidos, por outro lado, o maquiavelismo e o oportunismo a que as máquinas partidárias dão ensejo.(...)

 

O que acabou de ler é uma das faces do prolongamento da "Nova teoria do mal" de Miguel Real que encontra, na edição do Público de hoje, em forma de entrevista.

 

A visão maniqueísta consolidou-se e ainda há dias ouvi Mariano Gago contrapôr, com absoluta mágoa, a necessidade do bem se impôr ao mal. Para o ex-ministro (mais ou menos, claro), quando o bem desafia o mal no seu reduto, todos começamos por sofrer com as consequências; mas com o tempo, a força moral do bem sobrepõe-se às circunstâncias.

Captura de Tela 2015-02-22 às 17.08.01.png

"Aos 61 anos, o filósofo, ensaísta e romancista Miguel Real lança mais um romance. Agora, em vez de ficcionar sobre a actualidade ou sobre a história, constrói uma utopia ficcional em que projecta o futuro: O Último Europeu, Edições D. Quixote.(...)

E a classe política?

(...)A classe política foi tomada de assalto, sobretudo a governação, por um conjunto de funcionários das jotas que foram servilmente subindo degrau a degrau, limpando tudo em redor como os eucaliptos, até ao momento em que não há alternativa dentro dos partidos. As possíveis grandes alternativas, as alternativas de mérito fogem para a sua profissão, para a ciência, para as artes, para o comércio, para a economia, para as finanças.

Vivemos em democracia?

Há vários tipos de democracia. Do ponto de vista formal não podemos negar que há democracia, nos grandes princípios da Europa a democracia cumpre-se: há alternativas, há alternâncias, há possibilidade de contestação, há liberdade de expressão, de reunião, de manifestação, tudo isso é muito importante. Quem viveu antes do 25 de Abril não pode negar que este é o melhor regime.(...)

Há excepções?

(...)Agostinho da Silva contava uma história da serra da Malcata, onde na década de 1960 havia cinco famílias num povoado. Três dessas famílias emigraram, sem saber a língua, com os costumes rurais que tinham, a mentalidade da Nossa Senhora de Fátima, mas tiveram a ousadia e a coragem de ir a salto para a Alemanha e a França. Quando mais tarde regressaram triunfantes, com uma família, um carro, uma casa, quem dominava a aldeia? Os que não tinham tido a coragem de partir. Dominavam a sacristia, o minimercado, a serração da madeira e também a junta de freguesia. Portugal é um pouco isso. As elites corajosas e ousadas são as que partem. Ficam cá, em parte pois não quero generalizar, os que não têm coragem de partir, ou seja, não têm coragem de inovar. A elite portuguesa reflecte hoje isso.

No actual relativismo ético, idolatra-se o dinheiro e o consumo. Vivemos uma regressão civilizacional e estamos a voltar a um mundo mais desigual?

Socialmente mais desigual, inevitavelmente estamos. A Europa transformou-se numa empresa de negócios, uma grande empresa. As nações, os países são os sócios dessa empresa. A empresa fez-se para trocar, vender, comprar.(...)



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Domingo, 10.08.14

 

 

 

As sociedades confiavam aos banqueiros as suas poupanças que as administravam em benefício próprio, das instituições bancárias e do desenvolvimento da sociedade. Era um jogo com a clareza possível e em que a elevação ética era o princípio primeiro. Existia uma espécie de lealdade blindada.

 

Em Portugal, e provavelmente noutros lados, essa superioridade moral deteriorou-se. Encontrei um vídeo recente com uma antecipação em dois minutos feita no parlamento português. Ninguém pode dizer que não foi avisado. A podridão era muita, em rede, sistémica e profunda.

 

 

 



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Domingo, 29.06.14

 

 

 

 

A excelência da elite financeira

 

 

 

 



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Domingo, 08.06.14

 

 

 

 

 

A corrupção ao estilo norte-americano contaminou a Europa. Foi mais ao menos assim que, por volta de 2007, Joseph Stiglitz enunciou um princípio que nunca tinha ouvido. Os últimos sete anos comprovam a tese do prémio Nobel.

 

Há dias fomos confrontados com a situação profissional de Vítor Gaspar no FMI: "(...)Vítor Gaspar vai receber um salário de 23 mil euros mensais isentos de impostos no Fundo Monetário Internacional (FMI). O ex-ministro das Finanças, que fará 54 anos em Novembro, pode pedir a pré-reforma após trabalhar três anos nesta instituição, segundo os estatutos da mesma.(...)Se o ex-ministro não optar pela pré-reforma, terá aos 65 anos direito à pensão completa que corresponde a 70 % do salário.(...)".

 

É bom que se sublinhe que o FMI é financiado pelos Estados; pelos nossos impostos, portanto. Nos últimos anos, conhecemos inúmeros casos semelhantes a este de Gaspar, percebemos como fizeram escola e como nos empurraram para o estado em que estamos colocando em causa até uma das maiores conquistas civilizacionais: o estado social. Podemos imaginar o que se passa nos EUA e na Europa. Os orçamentos que sustentam Washington e o eixo Bruxelas/Estrasburgo são denunciados como obscenos pela mais elementar sensatez em qualquer latitude.

 

Denunciar estas delapiações das finanças dos Estados não é inveja. A inveja existe, mas não tem as costas tão largas assim.

 

 

 

 



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Terça-feira, 22.04.14

 

 

 

 

Uma das grandes questões da democracia portuguesa é que não se privilegia o exemplo no exercício da causa pública: o exemplo de estar para servir e não para servir-se, em que se saia como se entrou e sem nunca pensar no que vai acontecer depois. São raros os exemplos em que coabitaram a humildade, a honra e a inteligência e com ideias que resultaram em práticas aglutinadoras.



publicado por paulo prudêncio às 16:06 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 16.04.14

 

 

 

 

 

Basta recuarmos uma década para lermos laudos à propalada conduta moral exemplar de quem se movimentava na alta finança. Os códigos de ética para essa área da sociedade, a denominada classe alta, estão publicados. Os banqueiros são membros efectivos do clã e beneficiaram duma espécie de primazia na responsabilidade social friedmaniana que relegou a redistribuição realizada pelos Estados para lugar secundário. Tudo em nome da ética e da responsabilidade e também do combate à corrupção perpetrada pelos aparelhos dos Estados. Assim nasceu a desregulação fiscal que os mercados totais e a ganância do capitalismo selvagem transformaram em alta evasão fiscal e altíssima corrupção.

 

Todos os dias tropeçamos com "casos" dos nossos banqueiros.

 

Hoje é um assíduo dos salões, o Ricciardi do BES, que se confessou muito nervoso (ai a fleuma inspirada no corrupto império britânico) com as privatizações da EDP e por aí fora e que telefonava muito aos outrora gestores de fundos estruturais para formação nos submarinos aéreos das zonas metropolitanas dos rios Mondego e Liz, Passos & Relvas. Percebemos também, e num passado recente, as altercações e o frenesi que envolvia o Salgado do mesmo banco com o anterior primeiro-ministro. E podíamos recordar o Gonçalves do BCP, o Rendeiro do BPP, os inúmeros do BPN, a malta do BANIF ou os prescritores do aguenta-aguenta para os outros.

 

Em suma: já eram escandalosas as privatizações de lucros e as astronómicas auto-remunerações e agora percebe-se que também eram antigas as nacionalizações de prejuízos. Mais uns anos e ainda concluímos que o código de ética apenas previa nacionalizações e privatizações encostadas aos Estados; um género de sovietes supremos que tanto diziam combater.

 

 

 

 

 

 

 



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Segunda-feira, 31.03.14

 

 

 

 

 

Francisco Assis, que não há muito parecia "um "Rosalino" a bombardear argumentos ultraliberais" contra os professores, e depois de anos a fio em consenso com os cortes a eito, aparece agora, em período de pré-campanha, a acusar o Governo de ser "ideologicamente extremista".

 

É esta incoerência e oportunismo que origina o descrédito dos políticos (em França parece que 65% da população considera os políticos desonestos) e que abre as portas da eleição democrática aos extremismos (como se verifica em Portugal com o PREC vigente de sinal contrário). A história da Europa conhece bem os resultados destes comportamentos.

 

 

 

 

 



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Domingo, 02.03.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 14.01.14

 

 

 

 

Não simpatizo com o primarismo antiamericano e reconheço as virtudes dessa sociedade. Mas os Impérios são o que sempre foram e vivemos tempos em que a cultura americana parece ter derrubado todas as fronteiras acentuando também a decadência da Europa. Para além disso, não se conhecem bons resultados na importação de modelos de sociedade com géneses e histórias tão diferenciadas.

 

Foi num Nobel norte-americano, Joseph Stiglitz, que li, em 2009, que a crise que se iniciou em 2007, e que ainda perdura, se devia "à corrupção ao estilo americano". A economia global impôs uma série de multinacionais norte-americanas, da alimentação à informática e ao cinema passando por inúmeras actividades que condicionaram o modelo de vida e de sociedade, que arrastaram consigo os conceitos de meritocracia e de mercado como patamares acima da dignidade pessoal e profissional das pessoas e que estabeleceram novas balizas éticas.

 

É também isso que se vai observando no estranho caso do presidente Francês, onde a conhecida hipocrisia moral que vigia a política norte-americana parece ter entrado de vez na política de um dos países europeus que mais se tem esforçado por marcar o seu espaço identitário.

 

 

 

 



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Segunda-feira, 13.01.14

 

 

 

 

Ouve-se com frequência a comparação com a anterior intervenção do FMI em Portugal. Em 1983, e depois de muita discussão pública, houve um corte no subsídio de Natal e as contas do Estado ficaram equilibradas para uma década.

 

Desta vez, vamos entrar no quarto ano de cortes a eito em salários, subsídios e pensões, registamos despedimentos em massa e um aumento inaudito de impostos. Os despedimentos envolveram também a administração pública, com os professores, exemplo que conheço melhor, a serem alvo do maior despedimento colectivo da história que atingiu mais de 12 mil pessoas em 2012 (mais de 30 mil em em três ou quatro anos). Se em 1983 sucedeu o referido, podemos imaginar o apetite internacional pela capacidade de pagamento do Estado português.

 

É evidente que a dívida de 2010 é muito superior à de 1983; a pública e a privada, note-se bem. Mas também podemos imaginar o destino do capital que originou a dívida, que é exactamente o mesmo que sugou as "obras a mais" nas inúmeras derrapagens das obras públicas e que originou os incomensuráveis buracos da banca que são agora cobertos anualmente. É tudo isso que o sistema financeiro internacional não se cansa de aplaudir promovendo os seus principais mentores que ainda conseguiram mais: a anestesia do melhor povo do mundo.

 

 

 



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Domingo, 01.12.13

 

 

 

 

"A homenagem a Eanes é perigosa, uma vez que sobrepõe a ética à política", dizem os comentaristas mainstream. Compreendo o argumento e é verdade que as ditaduras nasceram em momentos de crise moral, digamos assim. Mas é perigosa porquê? Não vivemos em democracia e os cidadãos não são todos inteligentes, iguais perante a lei e com o mesmo direito ao voto e demais deveres? Era o que mais faltava que não se pudesse homenagear um ex-presidente da República.

 

Não partilhei da referida homenagem, mas parece-me que capto o essencial da espécie de grito dos organizadores. É que não chegámos à bancarrota por acaso. Os BPN´s medraram na nossa sociedade. Nas últimas duas décadas não foram muitos os que disseram não às benesses ilimitadas, aos cargos aparelhísticos em comunhão com os "espertos" que viveram "da festa" que nos arruinou e à pequena corrupção que aprisionou as consciências e legitimou a de grande escala.

 

Às vezes dá ideia que a intenção quase consensual de se deixar de comemorar o 1º de Dezembro tem alguma relação com o estado a que chegámos; estamos envergonhados. Lembro-me muitas vezes da afirmação, em 2003, do presidente da associação de municípios de uma região de turismo muito badalada: "os presidentes de câmara desta região são todos corruptos. Só quem der provas de alguma "esperteza" nesse domínio é que consegue o favor dos votos".







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