Em busca do pensamento livre.

Sexta-feira, 24.03.17

 

 

 

O caso do holandês ainda presidente do Eurogrupo remete para a memória dos tempos recentes. Como o indivíduo é trabalhista, é bom que se sublinhem os efeitos nefastos da terceira via para que não exista a tentação de reincidir; em Portugal também. É que se notam alguns tiques revisionistas.

Em 2013, encontrei uma ideia mais ou menos assim (não a reencontro, mas é da autoria de Joseph Stiglitz): antes de escolhermos qualquer dos caminhos que se vão propondo para sairmos donde estamos, devemos perceber três coisas óbvias: a crise é artificial, a austeridade não é a solução e é mesmo o problema e a Alemanha é o obstáculo.



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Segunda-feira, 14.03.16

 

 

 

 

Por mais que Draghi reme contra a corrente, as imparidades (executável inferior, muito neste caso, ao escriturado), desnudadas em 2007, transformam crescimentos económicos em "pagamento" de dívidas soberanas que requerem reestruturação ou consolidação; no segundo caso creio que só se houver vida em Marte. É um círculo vicioso que o tempo não resolve. A bancocracia absorve as "ofertas" do BCE e nada sobra para a economia.

 

Insistir no retratado na imagem, só acelera várias expressões: "luta de classes", "este capitalismo de saque é uma ofensa ao capitalismo", "a classe dos super-ricos está a fazer a guerra e a ganhá-la", "austeridade ruinosa a favor de uma minoria", "a desigualdade é uma escolha política", "os EUA exportaram o seu modelo de corrupção" e podia ficar a tarde toda a escrever, e a repetir, expressões que não são de radicais de esquerda nem nada que se aproxime. É só pesquisar. 

 

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Terça-feira, 22.12.15

 

 

 

"Luta de classes", "este capitalismo de saque é uma ofensa ao capitalismo", "a classe dos super-ricos está a fazer a guerra e a ganhá-la", "austeridade ruinosa a favor de uma minoria", "a desigualdade é uma escolha política", "os EUA exportaram o seu modelo de corrupção" e podia ficar aqui a noite toda a escrever expressões-chave deste ultraliberalismo (ou totalitarismo) que capturou os estados e o poder político e que tenta convencer as pessoas que é o fim da história. As expressões que escrevi não são de radicais de esquerda nem nada que se pareça. É só pesquisar. É evidente que as imparidades (executável inferior, muito neste caso, ao escriturado) desnudadas com a crise de 2008 (o auge deste radicalismo e que não tem solução pela mão da bancocracia que o criou) estão a ser pagas pelo aumento das dívidas públicas da forma retratada pela imagem.

 

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Quarta-feira, 12.08.15

 

 

 

Joseph Stiglitz disse mais ou menos o seguinte: antes de escolhermos qualquer dos caminhos que se vão propondo para sairmos donde estamos, devemos perceber três coisas óbvias: a crise é artificial, a austeridade não é a solução e é mesmo o problema e a Alemanha é o obstáculo.

 

 



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Quinta-feira, 05.02.15

 

 

 

Philippe Legrain deu há menos de um ano uma entrevista arrasadora ao Público. O antigo conselheiro económico de Durão Barroso foi coerente e tecnicamente fundamentado ao desmontar a destruição produzida pela troika e acentuada pelo Governo português. Desconstruiu a teoria, que o Governo português fomentou e implementou, que nos dilacerou e que nos colocou como "criminosos" que mereciam um castigo.

 

Os portugueses foram uma fonte de receita para um sector financeiro corrupto, como estamos fartos de saber. É impensável que desta vez não haja uma qualquer accountability para os políticos que passaram o tempo a acusar os outros de falta de responsabilidade profissional, de preguiça e de gastarem em excesso. É bom que haja alguma memória.

 

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Sexta-feira, 26.12.14

 

 

 

 

 

É sempre importante ouvir uma voz que se espera algo distanciada a discorrer sobre a crise vigente. Richard Koo Nomura faz uma análise muito curiosa sobre os problemas de competitividade dos países do sul da Europa; e podemos incluir a "estratégia submarino".

 

”A Crise europeia começou com um gigantesco resgate da Alemanha pelo BCE”, diz Richard Koo Nomura, economista Taiwanês e norte-americano, residente no Japão, especializado em balanços de recessões. O economista-chefe do Nomura Research Institute, braço de pesquisa da Nomura Securities, em Tóquio, olha de um outro modo para o chamado “problema de competitividade”  dos países do sul da Europa nesta muito interessante análise.

Ao invés de um problema inerente a esses países, Koo diz que o que aconteceu é que após o colapso da bolha tecnológica de 2000 (que afectou muito a Alemanha) o BCE utilizou uma política monetária excepcionalmente solta para estimular a economia, de modo a que a Alemanha não tivesse de reavivar a sua economia através da política fiscal.

Embora essa politica monetária não tenha feito muito internamente pela Alemanha (em recessão), ajudou a resolver as bolhas na periferia, que passou a ter uma maior facilidade de investimento, ajudando ao boom das exportações alemãs e colocando os países periféricos em dívida.(...)".

 

 

 

 



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Terça-feira, 16.12.14

 

 

 

 

Que me lembre, a expressão "Paradigma perdido" tornou-se usual com Edgar Morin e com a crítica do afastamento do homem em relação à natureza; escrito assim para simplificar.

 

Quando tanto se fala no desnorte em relação à selecção das áreas para a reindustrialização (que raio de palavrão), parecia-me curial regressar ao paradigma de Morin donde nunca se deveria ter saído: a cadeia de abastecimento no sentido mais lato, considerando o homem em todas as suas dimensões; tenho ideia que, por esse caminho, não haveria tantas bolhas originadas pelos negócios financiados pela banca que produzem muito para além da cadeia referida e que parecem dirigir-se também a outros habitantes do sistema solar.

 

 

 



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Sábado, 06.12.14

 

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 23.07.14

 

 

 

 

 

Metade da redução de pessoas na administração central, entre 2001 e 2013, foi em cortes a eito em professores do ensino não superior. Cerca de 49000 pessoas saíram desse sector, sendo que perto de 22000 eram educadores e professores dos ensinos básico e secundário. Uma razia comprovada, derivada do aumento do número de alunos por turma, da diminuição da carga curricular dos alunos, dos agrupamentos de escolas e do aumento dos horários dos professores.

 

Há um estudo interessante a fazer.

 

Se aumentou significativamente a rubrica dos consumos intermédios do Estado, podemos considerar que as 20 e tal mil pessoas a menos que não são professores passaram a despesa por outsourcing. Ou seja, deixou de fazer o Estado para dar lugar a empresas com boa convivência no aparelhismo partidário.

 

 

 

 

 

 

 



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Sexta-feira, 18.07.14

 

 

 

 

A falta de prestação de contas tem sempre um efeito de retorno; mesmo que simulado.

 

Há uma constante no que levamos de milénio: os políticos sociais-democratas, socialistas de terceira via e neoliberais associados aos colunistas económicos seguiram os ultraliberais do poder económico, acusaram os grupos profissionais a abater de não prestarem contas e de serem grandes despesistas. Como panaceia, os políticos em exercício ou em estado de campanha eleitoral montaram ardilosos monstros burocráticos para avaliar o desempenho e exigir accountability (como gostavam de repetir).

 

Perante a hecatombe de 2007 e uma vez escancarada a corrupção que perpetravam ou apoiavam como ideologia liberal (santa ingenuidade ou serventia oportunista), situaram-se longe da responsabilidade.

 

Há tempos foi Durão Barroso a abandonar o barco para ver se continua a navegar; numa aparente contradição, não se coibiu de culpar o BPN, o BPP e as PPP's como quem não tem qualquer conta a prestar; nem política. É uma festa.

 

Mas o mais risível já tem três dias: César das Neves, esse economista mais friedmaniano do que qualquer habitante de Chicago, profetiza o "BES como o maior escândalo financeiro da história de Portugal". Talvez fosse bom que alguém lhe explicasse que os "salgados-lusitanos" são uns meninos de coro ao pé dos congéneres norte-americanos, alemães (sim, alemães) e franceses para que C. Neves não entre em depressão. Claro que neste caso há sempre que considerar a humana história dos ratos e dos navios.

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 08.07.14

 

 

 

 

Passava pelos órgãos de comunicação social e parei no terceiro com "receio" de estar a viver numa economia emergente sem dar por isso. A coisa conta-se com poucas linhas e imagens.

 

Anda por aí a OCDE e ouvi as conclusões de um jornalista da TSF seguidas de uns devaneios desse CEO e Guru da gestão que exerce funções de chefe do Governo que me deixaram com o sorriso igual ao da audição da última tirada de Passos Coelho: "estamos a criar uma sociedade de pleno emprego".

 

Parece que a OCDE anuncia um crescimento do PIB até 2020 por obra das reformas estruturais (essa expressão mágica que preenche os vazios das sinapses).

 

No Público é de 3,5%.

 

 

 

 

 

No Expresso subiu para 5,5%.

 

 

 

 

No Ionline atingiu 8,5%.

 

 

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Ainda passei no angolano SOL, mas desconheço as relações da família (Espíritos e) Santos com a OCDE (o jornal é mesmo bélico: fala em disparar o PIB). Nem me atrevi a passar pelo novel Observador de JMFernandes que era um fervoroso Lurditas D'Oiro até 2007, passando depois a um registo oposto e igualmente fervoroso. Enfim: o Observador pode ter o PIB 2020 com mais ou menos 20%.

 

Dos restantes nem é bom falar, claro.

 

A nossa desconhecida emergência medir-se-á em crescimento ou em desconfiança?

 

 

 

 

 



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Sexta-feira, 04.07.14

 

 

 

 

 

Impressionaram-me, e impressionam-me, os empobrecidos da classe média que defenderam os corruptos, e os seus serviçais, convencidos que eram liberais de direita ou de uma qualquer terceira via. E nesse grupo incluem-se muitos professores que serviram de alguma forma "democratas-cristãos", "sociais-democratas" e "socialistas de vias diversas". É claro que a coberto da ingenuidade navegou muito oportunismo.

 

Já ninguém duvida que "o verdadeiro objectivo dos "planos de resgate" foi salvar bancos" com prémios no modelo-Gaspar e que as PPP´s continuam a derrapar e a sugar o Estado com os mentores a serem defendidos e eleitos pelas vítimas do saque em nome de um liberalismo que porá Adam Smith aos berros; esteja onde estiver. Há consciências à volta da corrupção que só Lacan saberá explicar.

 

 

 

 

 



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Quinta-feira, 03.07.14

 

 

 

 

 

 

 

Chega. O caso GES/BES/PT/OI é bem demonstrativo do que se passou durante décadas à mesa do orçamento e como a corrupção sugou o país. Os do costume estão a pagar os desvarios e os beligerantes continuam a passar pelos pingos da chuva. A bancocracia, e as respectivas e seculares famílias, tomaram conta da democracia e construíram um monopolismo predador (enquanto continua, por exemplo, o gritante fecho de escolas).

 

Não partilho do basismo anti-EUA, mas vou reconhecendo a conclusão de Joseph Stiglitza corrupção ao estilo norte-americano tomou conta da Europa.

 

"O secretário da Justiça dos Estados Unidos, Eric Holder, revelou que estão na fase final processos criminais contra grandes instituições financeiras que no passado tiveram comportamentos que violaram as leis que se aplicam ao sistema.(...)". A revelação pode ser mais uma qualquer coreografia, mas prefiro que seja um sinal de esperança. As instituições financeiras que estão a arruinar as democracias, também em Portugal onde os banqueiros estão em vias de prisão ou de prescrição de crimes, têm de ser combatidas também pelo poder político. É uma espécie de salvação para que se evite uma guerra com proporções inimagináveis.

 

Há tempos fomos confrontados com a situação profissional de Vítor Gaspar no FMI: "(...)Vítor Gaspar vai receber um salário de 23 mil euros mensais isentos de impostos no Fundo Monetário Internacional (FMI). O ex-ministro das Finanças, que fará 54 anos em Novembro, pode pedir a pré-reforma após trabalhar três anos nesta instituição, segundo os estatutos da mesma.(...)Se o ex-ministro não optar pela pré-reforma, terá aos 65 anos direito à pensão completa que corresponde a 70 % do salário.(...)".

 

É bom que se sublinhe que o FMI é financiado pelos Estados; pelos nossos impostos, portanto. Foi assim que o poder financeiro aprisionou o poder político. Nos últimos anos conhecemos inúmeros casos semelhantes a este de Gaspar, percebemos como fizeram escola e como nos empurraram para o estado em que estamos colocando em causa até uma das maiores conquistas civilizacionais: o estado social. Podemos imaginar o que se passa nos EUA e na Europa. Os orçamentos que sustentam Washington e o eixo Bruxelas/Estrasburgo são denunciados como obscenos pela mais elementar sensatez em qualquer latitude.

 

Denunciar estas delapidações das finanças dos Estados não é inveja. A inveja existe, mas não tem as costas tão largas assim.

 

Philippe Legrain deu uma entrevista arrasadora ao Público que também ajudou a explicar o que estou a defender. O antigo conselheiro económico de Durão Barroso foi coerente e tecnicamente fundamentado ao desmontar a destruição produzida pela troika e acentuada pelo Governo português. Desconstruiu a narrativa, que o Governo português fomentou e implementou, que nos dilacerou e que colocou os do costume como "criminosos" que mereciam um castigo.

 

Os portugueses foram uma fonte de receita para um sector financeiro corrupto, como também estamos fartos de saber. É impensável que desta vez não haja uma qualquer accountability para os políticos que passaram o tempo a acusar os outros de falta de responsabilidade profissional, de preguiça e de gastarem em excesso.

 

Até Silva Lopes, antigo governador do Banco de Portugal e economista, apontou a corrupção como o "problema" português e reconheceu os progressos na Educação. Esta retórica é recorrente em algumas consciências do mainstream, mas a receita é sempre a mesma: corte nos do costume, desinvestimento na Educação por desgaste das "elites", coitadas, e redução da classe média para que os bancos corruptos (estou a pesar bem a escrita) mantenham a prescrição e a impunidade.

 

 

 

 

Já usei parte deste texto noutros posts.



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Quarta-feira, 02.07.14

 

 

 

Depois das políticas chavistas do Governo de Sócrates na Educação (o principal erro na opinião de António Costa), tivemos que sofrer o radicalismo ideológico da destruição criadora para além da troika. Se pensarmos bem, são extremos que se tocam e que nos obrigaram a empobrecer.

 

Mas a caricatura ainda mais relevante é o apelo da família Espírito Santo ao apoio venezuelano. O GES, que, ao que julgo perceber, vai além do BES, está em estado de desespero salvífico e as coisas que se vão sabendo com a zanga das comadres.

 

 

 

 

 

 

 



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Domingo, 08.06.14

 

 

 

 

 

A corrupção ao estilo norte-americano contaminou a Europa. Foi mais ao menos assim que, por volta de 2007, Joseph Stiglitz enunciou um princípio que nunca tinha ouvido. Os últimos sete anos comprovam a tese do prémio Nobel.

 

Há dias fomos confrontados com a situação profissional de Vítor Gaspar no FMI: "(...)Vítor Gaspar vai receber um salário de 23 mil euros mensais isentos de impostos no Fundo Monetário Internacional (FMI). O ex-ministro das Finanças, que fará 54 anos em Novembro, pode pedir a pré-reforma após trabalhar três anos nesta instituição, segundo os estatutos da mesma.(...)Se o ex-ministro não optar pela pré-reforma, terá aos 65 anos direito à pensão completa que corresponde a 70 % do salário.(...)".

 

É bom que se sublinhe que o FMI é financiado pelos Estados; pelos nossos impostos, portanto. Nos últimos anos, conhecemos inúmeros casos semelhantes a este de Gaspar, percebemos como fizeram escola e como nos empurraram para o estado em que estamos colocando em causa até uma das maiores conquistas civilizacionais: o estado social. Podemos imaginar o que se passa nos EUA e na Europa. Os orçamentos que sustentam Washington e o eixo Bruxelas/Estrasburgo são denunciados como obscenos pela mais elementar sensatez em qualquer latitude.

 

Denunciar estas delapiações das finanças dos Estados não é inveja. A inveja existe, mas não tem as costas tão largas assim.

 

 

 

 



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Segunda-feira, 12.05.14

 

 

 

 

Philippe Legrain deu ontem uma entrevista arrasadora ao Público. O antigo conselheiro económico de Durão Barroso foi coerente e tecnicamente fundamentado ao desmontar a destruição produzida pela troika e acentuada pelo Governo português. Desconstruiu a narrativa, que o Governo português fomentou e implementou, que nos dilacerou e que nos colocou como "criminosos" que mereciam um castigo.

 

Os portugueses foram uma fonte de receita para um sector financeiro corrupto, como estamos fartos de saber. É impensável que desta vez não haja uma qualquer accountability para os políticos que passaram o tempo a acusar os outros de falta de responsabilidade profissional, de preguiça e de gastarem em excesso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Segunda-feira, 05.05.14

 

 

 

Não partilho do basismo anti-EUA, mas vou reconhecendo a conclusão de Joseph Stiglitz: a corrupção ao estilo norte-americano tomou conta da Europa.

 

"O secretário da Justiça dos Estados Unidos, Eric Holder, revelou esta segunda-feira que estão na fase final processos criminais contra grandes instituições financeiras que no passado tiveram comportamentos que violaram as leis que se aplicam ao sistema.(...)". A revelação pode ser mais uma qualquer coreografia, mas prefiro que seja um sinal de esperança. As instituições financeiras que estão a arruinar as democracias, também em Portugal onde os banqueiros estão em vias de prisão ou de prescrição de crimes, têm de ser combatidas também pelo poder político. É uma espécie de salvação para que se evite uma guerra com proporções inimagináveis.

 

"(...)Após a falência do Lehman Brothers e no auge da crise do subprime, a administração norte-americana aprovou um plano para salvar o poderoso sistema financeiro norte-americano que foi apanhado com os balanços cheios de produtos tóxicos cujo valor se evaporou. Nessa ocasião, sob o argumento de que se tratava de instituições "to big to fail" - demasiado grandes para falirem, pelos problemas que introduziriam em todo o sistema -, o Tesouro dos Estados Unidos injectou 700 mil milhões de dólares nos bancos problemáticos.(...)", o mesmo erro trágico foi cometido em Portugal com o inclassificável BPN e esperamos que não só não se repita como se vá aos offshores buscar o capital em fuga.

 

 

 

 

 

 



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Segunda-feira, 28.04.14

 

 

 

 

 

Os jogos do poder

 

 

 

"(...)Aviso-vos, no entanto: a verdade que Pena expõe sobre estes anos de chumbo não é para estômagos frágeis. Afinal de contas, estamos a falar de Doutores Honoris Causa como Ricardo Salgado, Eduardo Catroga ou António Mexia e de outra gente, também muito respeitável e a quem muito devemos, como João Rendeiro, Duarte Lima, Oliveira e Costa, Paulo Teixeira Pinto, Jardim Gonçalves ou Cavaco Silva. A parte sã, no fundo. A verdade não é para estômagos frágeis porque estamos também falar de “refúgios fiscais” (a boa tradução para haven, e não heaven, como assinala Pena), de uma opacidade metodicamente cultivada pela finança cuja trela foi solta pelos governos, os que organizaram a sua, a nossa, submissão à banca, os que tornaram o Estado num agente sem soberania monetária. Pena mostra bem o que é o mercado e a inovação na finança: especulação financeira e fundiária, sopas de letras para gerar lucros à custa da dissimulação e do engano, destruição de um bem público como o crédito em crises financeiras sem fim.(...)"

 

 

 

 



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Quarta-feira, 16.04.14

 

 

 

 

 

Basta recuarmos uma década para lermos laudos à propalada conduta moral exemplar de quem se movimentava na alta finança. Os códigos de ética para essa área da sociedade, a denominada classe alta, estão publicados. Os banqueiros são membros efectivos do clã e beneficiaram duma espécie de primazia na responsabilidade social friedmaniana que relegou a redistribuição realizada pelos Estados para lugar secundário. Tudo em nome da ética e da responsabilidade e também do combate à corrupção perpetrada pelos aparelhos dos Estados. Assim nasceu a desregulação fiscal que os mercados totais e a ganância do capitalismo selvagem transformaram em alta evasão fiscal e altíssima corrupção.

 

Todos os dias tropeçamos com "casos" dos nossos banqueiros.

 

Hoje é um assíduo dos salões, o Ricciardi do BES, que se confessou muito nervoso (ai a fleuma inspirada no corrupto império britânico) com as privatizações da EDP e por aí fora e que telefonava muito aos outrora gestores de fundos estruturais para formação nos submarinos aéreos das zonas metropolitanas dos rios Mondego e Liz, Passos & Relvas. Percebemos também, e num passado recente, as altercações e o frenesi que envolvia o Salgado do mesmo banco com o anterior primeiro-ministro. E podíamos recordar o Gonçalves do BCP, o Rendeiro do BPP, os inúmeros do BPN, a malta do BANIF ou os prescritores do aguenta-aguenta para os outros.

 

Em suma: já eram escandalosas as privatizações de lucros e as astronómicas auto-remunerações e agora percebe-se que também eram antigas as nacionalizações de prejuízos. Mais uns anos e ainda concluímos que o código de ética apenas previa nacionalizações e privatizações encostadas aos Estados; um género de sovietes supremos que tanto diziam combater.

 

 

 

 

 

 

 



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Sábado, 12.04.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Sexta-feira, 28.03.14

 

 

 

 

 

 

O BES e o regime

 

 

"A decisão do Banco de Portugal de obrigar o Grupo Espírito Santo a fazer provisões de 700 milhões de euros, devido a receios sobre a capacidade de reembolsar a totalidade de emissão de dívida vendida a clientes do BES, é um momento muito importante para o sistema financeiro português. Por um lado, porque mostra finalmente o nosso banco central a actuar como um verdadeiro regulador, após anos e anos de uma supervisão narcoléptica, que acabou por enterrar o país no caso BPN. Por outro, porque é um sinal público de que o BES, eterno banco do regime e porta-giratória de inúmeros ministros e deputados, tem, de uma vez por todas, de mudar de cultura e de vida.

 

Na última década, o nome Espírito Santo esteve envolvido em investigações relacionadas com:

 

1) o caso Portucale, que meteu o abate de sobreiros numa zona protegida, após a aprovação de empreendimentos imobiliários em contra-relógio, em vésperas das legislativas de 2005, por parte de ministros do CDS-PP;

2) o caso dos submarinos, onde se suspeitou de financiamento partidário por parte do consórcio vencedor;

3) o caso Mensalão, mais financiamento partidário, desta vez do PT de Lula da Silva (as notícias do caso levaram a um corte de relações entre o BES e a Impresa);

4) o caso das contas de Pinochet, com dinheiro do ditador chileno a passar, segundo uma investigação americana, pelo banco português, via Miami;

5) o caso das fraudes na gestão dos CTT, incluindo a mediática venda de um prédio em Coimbra, valorizado em mais de cinco milhões de euros num só dia;

6) a interminável Operação Furacão, megaprocesso de investigação de fraude fiscal;

7) o caso Monte Branco, onde Ricardo Salgado constava da lista de clientes da Akoya, rede suíça de fraude fiscal e branqueamento de capitais;

8) o caso dos 8,5 milhões de euros que Salgado se esqueceu de declarar ao fisco, detectados na sequência das investigações à Akoya, e que teria recebido por alegados serviços de consultadoria prestados a um construtor português a actuar em Angola;

9) o caso da venda das acções da EDP pelo BES Vida, feita dias antes da aprovação da dispersão em bolsa da EDP Renováveis, o que levantou suspeitas de abuso de informação privilegiada;

10) o caso do BES Angola, uma investigação por branqueamento de capitais que acabou por transformar Álvaro Sobrinho, antigo presidente do BESA, num dos inimigos de Ricardo Salgado (o BES, por sua vez, veio acusar Sobrinho de utilizar os jornais da Newshold – o i e o Sol – para ataques pessoais ao presidente do banco);

11) o caso da recente multa (1,1 milhões de euros) em Espanha, devido a infracções “muito graves” de uma norma para a prevenção de branqueamento de capitais (em 2006, a Guardia Civil já havia feito uma rusga a uma dependência espanhola do BES). É possível que me esteja a esquecer de alguma coisa.

 

Manda o rigor, e a boa tradição portuguesa, sublinhar que muitos destes casos resultaram em absolvição dos arguidos. Mas, das duas, uma: ou o BES é menos popular no DCIAP do que Hitler entre os judeus, ou, de facto, há uma cultura de gestão altamente problemática, a que urge pôr cobro. Tendo em conta a importância da reputação num banco sistémico, é impossível viver com a sensação de que valia a pena a polícia abrir uma dependência dentro do BES, tendo em conta o tempo que passa a investigar o banco. Daí a importância simbólica do gesto do Banco de Portugal – é um enorme passo em frente na transparência do nosso sistema financeiro e, sobretudo, um motivo para termos esperança de que fazer negociatas à moda antiga venha a ser, no futuro, muito mais difícil."

 

 



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Sexta-feira, 14.03.14

 

 

 

 

A agenda dos credores da dívida portuguesa tem mais uma falácia: o perdão da dívida alemã, depois da segunda guerra mundial, foi de Estado para Estado enquanto a dívida portuguesa é do Estado para privados.

 

A perplexidade situa-se nos privados. Querem ver que em Portugal não há privados a dever, que a banca pública não financia a banca dita privada ou que os credores privados não estão encostados aos Estados. Perguntem à Reserva Federal norte-americana qual foi a quantidade de dólares que injectou nos predadores que provocaram a crise financeira de 2008. É que são esses os compradores maioritários (e sistémicos) da dívida portuguesa que foi a mais lucrativa do mundo em 2012.

 

 

 

 



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Sábado, 08.03.14

 

 

 

 

 

 

 

Cavaco Silva é destacado pelo Público e pelo Expresso pelos seus estudos prospectivos a 20 anos.

 

É só recuarmos 20 anos e lermos o que o então primeiro-ministro (Cavaco Silva terminava um percurso de 10 anos à frente do Governo) tinha realizado em betão e em consumo desenfreado para ganhar eleições enquanto aniquilava a agricultura (anda agora a porpor aos jovens que não emigrem e que se dediquem à agricultura) e as pescas. Deu início a mais uma caminhada para a bancarrota por excessos dos aparelhos partidários (o PSD foi, como se comprova, bem controlado pelo seu núcleo duro.).

 

Imagine-se o risível que não seria lermos, datadas de 1994, a suas projecções para 2014. Mas nem é preciso tanto. Basta irmos às duas campanhas eleitorais para a presidência e escutarmos as suas sentenças: "comigo a economia e as finanças estarão a salvo". Há, contudo, coerência no discurso: nem um linha sobre a banca ou sobre a corrupção ligada aos aparelhos partidários e ao investimento público. Foi assim em 1984, em 1994, em 2004 e continua em 2014. É obra prospectiva para destacar, realmente.

 

 



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Quinta-feira, 13.02.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Segunda-feira, 03.02.14

 

 

 

 

 

Mudou o ano, o económico também, e os balanços repetem as crateras bancárias que nos trouxeram até aqui. O BPN continua no centro da saga e o superavit do Estado continua a alimentar a ganância.

 

Basta dar uma volta pelos órgãos de comunicação social para chocar com a evidência. Dá ideia que alguém suportará o prejuízo do BCP.

 

 

 

 

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Quarta-feira, 15.01.14

 

 

 

 

Este Governo começou por se afirmar para além da troika e os números que se vão conhecendo não enganam: há um país real para além da propaganda. O tempo encarregar-se-á de continuar a demonstrar com números a tragédia que se abateu sobre o sistema escolar. O inverno da investigação, por exemplo, é brutal.

 

 

  

 

 



publicado por paulo prudêncio às 19:52 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Segunda-feira, 13.01.14

 

 

 

 

Ouve-se com frequência a comparação com a anterior intervenção do FMI em Portugal. Em 1983, e depois de muita discussão pública, houve um corte no subsídio de Natal e as contas do Estado ficaram equilibradas para uma década.

 

Desta vez, vamos entrar no quarto ano de cortes a eito em salários, subsídios e pensões, registamos despedimentos em massa e um aumento inaudito de impostos. Os despedimentos envolveram também a administração pública, com os professores, exemplo que conheço melhor, a serem alvo do maior despedimento colectivo da história que atingiu mais de 12 mil pessoas em 2012 (mais de 30 mil em em três ou quatro anos). Se em 1983 sucedeu o referido, podemos imaginar o apetite internacional pela capacidade de pagamento do Estado português.

 

É evidente que a dívida de 2010 é muito superior à de 1983; a pública e a privada, note-se bem. Mas também podemos imaginar o destino do capital que originou a dívida, que é exactamente o mesmo que sugou as "obras a mais" nas inúmeras derrapagens das obras públicas e que originou os incomensuráveis buracos da banca que são agora cobertos anualmente. É tudo isso que o sistema financeiro internacional não se cansa de aplaudir promovendo os seus principais mentores que ainda conseguiram mais: a anestesia do melhor povo do mundo.

 

 

 



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Sábado, 11.01.14

 

 

 

 

 

Podíamos ficar o dia todo a cruzar informações que envolvem a dívida pública portuguesa, as recentes privatizações, os grandes escritórios de advogados, o Goldman Sachs e outros bancos, a bolha financeira de 2007, a bancarrota em que caímos, a corrupção, o arco governativo e o saque que se continua a efectuar aos do costume.

 

Volta e meia temos mais uma promoção de uma personagem desta insuportável promiscuidade.

 

 

 

 

 Recuperemos informação. Pode ver um pequeno vídeo, menos de 5 minutos, imperdível sobre a dívida pública.

 

 

 

 

Multiplicam-se os vídeos que explicam o fenómeno Goldman Sachs, havendo mesmo quem classifique o banco como escola de terrorismo financeiro. O vídeo que publico é da RTP2 e vem acompanhado de um texto que a certa altura diz assim: "(...)Harry Paulson, Mario Monti, Mario Draghi, Lucas Papademos, Vitor Constâncio, António Borges e Carlos Moedas, são apenas alguns exemplos de políticos e gestores actuais, de entre as muitas centenas espalhados por 32 países e que passaram por esta “super escola” da fraude e do terrorismo financeiro, super-especializada na destruição das economias de países livres e independentes.(...)". 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 13:13 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 09.01.14

 

 

 

 

 

 

Já Adam Smith via a queda dos salários (ou das pensões) como uma decisão circunscrita às leis e à política e sem relação directa com o empobrecimento da sociedade. Se analisasse o que se passa em Portugal seria tão taxativo como Joseph Stiglitz: há uma transferência inédita de recursos financeiros das classes média e baixa para a banca desregulada e é esse radicalismo que provoca o empobrecimento.

 

A queda dos salários e das pensões está a provocar a subida dos lucros e a manutenção das rendas (estude-se a EDP, as PPPs e as Seguradoras tão mediatizadas hoje). Não será por acaso que os orientais adquirem rendas (no caso EDP os chineses traziam a lição bem estudada e conheciam o fundamental dos aparelhos partidários) e não se metem nos casinos das dívidas públicas como os investidores ocidentais.

 

 

 

 

 

 

Adam Smith (2010:171) em Riqueza das Nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 18:34 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 08.01.14

 

 

 

 

 

Em 20 de Fevereiro de 2013 escrevi assim:

 

 

João Moreira Rato, presidente do IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública - IGCP, E.P.E), foi peremptório: a dívida pública portuguesa foi a mais lucrativa do planeta em 2012. E ouvi-o dizer mais: as finanças orientais não entram nestas loucuras, a banca ocidental (com os gulosos EUA na liderança, dando razão à exportação da corrupção ao estilo americano denunciada em 2008 por Joseph Stiglitz) pretende que continuemos com as reformas estruturais e os nossos bancos compraram cerca de 7%. Ou seja: os nossos bancos não só "aguentam" como agradecem.

 

 

O mesmo gestor da nossa dívida anunciou hoje:

 



publicado por paulo prudêncio às 21:30 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Segunda-feira, 30.12.13

 

 

 

 

 

 

Que me lembre, contactei a primeira vez com a formulação em título nos conselhos que recebi para viver bem no serviço militar: não te distingas, sê discreto; passa o mais possível despercebido.

 

Vem isto a propósito do Governo que ainda temos, do recurso aos especialistas da troika imposto pela actual maioria, para a enésima delapidação de sentido único do estado social e para a conversão veneradora à absolutização da estatística. A sugestão para "viver bem no serviço militar" subscreve os modelos vigentes que não encontram espaço para a denuncia consequente das fraudes do tipo BPN que nos arruinaram. Nem as instâncias internacionais, e de supervisão mundial, "detectam" os milhares de milhões em fuga e só têm olhos para as médias populacionais (o pico descrito por Gauss); mesmo que se prove que o pico financeiro está cada vez mais longe do pico populacional.

 

Para Quételet "(...)o homem médio é para a nação o que o centro gravidade é para um corpo(...)". Há quem entenda que se deve levar muito a sério esta metáfora.

 

O homem médio pode resumir todas as forças vivas de um país, coligando-as numa espécie de massa única. Os modelos assentes na obstinação estatística, e que socorrem a troika e os tecnopolíticos como o ex-ministro Gaspar, advogam uma excelência da média como tal: "(...)O mais belo dos rostos é aquele que se obtém ao tomar a média dos traços da totalidade de uma população, do mesmo modo que a conduta mais sábia é aquela que melhor se aproxima do conjunto de comportamentos do homem médio(...)", disse ainda Quételet quando reflectia sobre a génese dos totalitarismos.

 

 

 

 

Já usei parte deste texto noutro post.

 


publicado por paulo prudêncio às 15:34 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 02.12.13

 

 

 

O que vai ler a seguir exige que se pergunte: e as pessoas? E a tal de prestação de contas?

 

A "Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA) detectou falhas graves nas três maiores agências de rating — Standard & Poor's, Moody’s e Fitch —, que avaliam o risco da dívida soberana dos países da União Europeia,(...)" e que influenciaram as trágicas políticas de austeridade em curso. Se associarmos a isto a célebre falha no modelo excel usado pelos austeritaristas, temos motivos para a mais profunda das indignações.

 

Há anos que se percebe que estes estudos internacionais são pouco credíveis e manipuladores, mas é inadmissível o que se passou nos últimos dois anos e que provocou o sofrimento de milhões de pessoas com o consequente enriquecimento de 1% da população mundial. Já não restam dúvidas que se assiste a uma luta de classes que perpetrou a maior transferência da história de recursos financeiros das classes média e a baixa para a alta.

 

Percebe-se como sobem os juros da dívida como a portuguesa que se transformou na mais lucrativa do mundo em 2012.

 

 

 

 

"(...)Da investigação, a autoridade europeia destaca ainda possíveis conflitos de interesses, falhas no controlo de confidencialidade, os timings de divulgação de alterações de classificação e falta de recursos humanos para elaborar as classificações.

A investigação às classificações das agências de rating, seguidas por muitos investidores nas suas opções de investimento em títulos de dívida soberana, surgiu na sequência dos cortes de rating das agências em plena crise da dívida na zona euro.(...)"

 

 

 

"(...)Outras falhas apontadas pelo regulador têm a ver com o processo de notificação de alterações de ‘rating' aos soberanos alvo dessa acção, sobre o pouco tempo que os comités para atribuir ‘ratings' levam a tomar uma decisão relativamente à nota de crédito de um determinado país e sobre a atribuição das funções de avaliar os Estados a recursos humanos com pouca experiência ou mesmo recém-contratados."






publicado por paulo prudêncio às 21:57 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 20.11.13

 

 

 

 

 

É sempre importante ouvir uma voz que se espera algo distanciada a discorrer sobre a crise que nos atormenta. Richard Koo Nomura faz uma análise muito curiosa sobre os problemas de competitividade dos países do sul da Europa.


”A Crise europeia começou com um gigantesco resgate da Alemanha pelo BCE”, diz Richard Koo Nomura, economista Taiwanês e norte-americano, residente no Japão, especializado em balanços de recessões. O economista-chefe do Nomura Research Institute, braço de pesquisa da Nomura Securities, em Tóquio, olha de um outro modo para o chamado “problema de competitividade”  dos países do sul da Europa nesta muito interessante análise.

Ao invés de um problema inerente a esses países, Koo diz que o que aconteceu é que após o colapso da bolha tecnológica de 2000 (que afectou muito a Alemanha) o BCE utilizou uma política monetária excepcionalmente solta para estimular a economia, de modo a que a Alemanha não tivesse de reavivar a sua economia através da política fiscal.

Embora essa politica monetária não tenha feito muito internamente pela Alemanha (em recessão), ajudou a resolver as bolhas na periferia, que passou a ter uma maior facilidade de investimento, ajudando ao boom das exportações alemãs e colocando os países periféricos em dívida.(...)".






publicado por paulo prudêncio às 16:46 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 03.11.13

 

 

 

 

Acerca da crise e da corrupção (11)






publicado por paulo prudêncio às 12:23 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 28.10.13

 

 

 

 

 

 

Depois de mais de uma década de trapalhadas que ajudaram a descredibilizar ainda mais o Governo do país, o vice-primeiro-ministro, que ainda em Junho de 2013 ajudou a que a imagem de Portugal descesse mais um grau abaixo de zero, vem desta vez anunciar o fim da recessão técnica (querem ver que ainda vai reivindicar louros?) e advogar uma colagem à Irlanda em detrimento da Grécia.


Só temos que nos envergonhar. Já somos conhecidos por termos uma das classes políticas mais corruptas da Europa e agora temos de aturar esta terraplenagem da história (até da recente, da que provocou a crise financeira de 2008).

 

Esta ideia de proclamar a preferência por um programa cautelar à Irlandesa em desfavor de um segundo resgate à grega é uma manipulação que apenas indica quem tem melhores relações com o pessoal dos casinos financeiros que domina os paraísos fiscais dos EUA, da Grã-Bretanha e da Holanda. Os "irrevogáveis" jogam uma única peça no tabuleiro: a protecção das dívidas aos credores privados que se alimentam dos orçamentos dos Estados e que transferem, como nunca na história, recursos das classes média e baixa para a alta.



 



publicado por paulo prudêncio às 13:25 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Quarta-feira, 23.10.13

 

 

 

 

 

 

Continua o corrupio de pressão sobre o Tribunal Constitucional para que a ganância aprofunde a luta desigual entre classes; vigente também em Portugal.

 

Já vieram os bancários nacionais que estão ao serviço de quem manda, também debitaram sentença os governantes e a legião de assessores espalhados pelos órgaõs de comunicação social e até o FMI, o eurogrupo e o presidente da nossa República não resistiram às encomendas.

 

As agências de raiting devem estar a meditar no grau de descaramento, mas a banca mais predadora, e que vence com a dívida pública mais rentável do mundo em 2012, a portuguesa, não conseguiu, coitada, aguentar tanto frenesi.

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 16:46 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 14.10.13

 

 

 

 

 

 




Os tempos que estamos a viver reflectem-se na saúde mental. Basta estar atento para detectar os sinais. Há muito que os psiquiatras têm nos professores os doentes mais assíduos e a tendência é para que se agrave o estado de "depressão" desse grupo profissional.


A Noruega vai financiar um estudo sobre o impacto da crise na saúde mental dos portugueses.


Em paralelo com esta notícia, constata-se o aumento do número de toxicodependentes. A sociedade portuguesa adoeceu mesmo e o sistema escolar está à beira de um ataque de nervos por exaustão. Se nada de positivo acontecer nos próximos meses, o ano lectivo em curso será mais conturbado do que o final do anterior.








publicado por paulo prudêncio às 11:36 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 27.08.13

 

 

 

 

 

 

 

Cortesia da Isabel Silva





publicado por paulo prudêncio às 09:45 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 23.08.13

 

 

 

 

 

 

Recebi por email, devidamente identificado, como uma sugestão de Boaventura Sousa Santos.

 

 

 

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publicado por paulo prudêncio às 09:12 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 04.08.13

 

 

 

 

 

 

 

Podemos até argumentar com a silly season, mas não deixa de surpreender que a transferência de um só jogador de futebol se faça em valores que equivalem a 12 vírgula tal por cento do corte que preenche a mente dos ultraliberais: os 4,7 mil milhões da "reforma" do estado em Portugal. O capitalismo selvagem está sem freio e põe-se com estas coisas num dos países do sul da Europa que tem sido mais devastado pela corrupção.



publicado por paulo prudêncio às 18:37 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar


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