Em busca do pensamento livre.

Domingo, 12.02.17

 

 

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Contactei a primeira vez com a formulação em título nos conselhos, sensatos para aquele contexto, diga-se, para sobreviver nos comandos: não te distingas, sê discreto e passa o mais possível despercebido. Vem isto a propósito dos especialistas que aconselham a enésima reforma de sentido único do estado social e para a conversão à absolutização da estatística.

A sugestão para o tempo militar não subscreveu os modelos do tipo BPN ou BES. Nem as instâncias internacionais de supervisão detectaram milhares de milhões em fuga porque só tiveram olhos para a média; para o homem médio.

Para Quételet "(...)o homem médio é para a nação o que o centro gravidade é para um corpo(...)". Há quem entenda que se deve levar muito a sério esta metáfora. O homem médio pode resumir todas as forças vivas de um país, coligando-as numa espécie de massa única.

Os modelos assentes na obstinação estatística, e que socorreram a troika, advogam uma excelência da média como tal, seja na ordem do bem ou do belo: "(...)O mais belo dos rostos é aquele que se obtém ao tomar a média dos traços da totalidade de uma população, do mesmo modo que a conduta mais sábia é aquela que melhor se aproxima do conjunto de comportamentos do homem médio(...)", disse ainda Quételet quando reflectia sobre a génese dos totalitarismos. Ou seja, é fundamental que as políticas olhem mesmo para além da média antes que esta se desloque para o extremo de mais baixos rendimentos.



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Sexta-feira, 13.01.17

 

 

 


 



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Terça-feira, 20.12.16

 

 

 

"Sim, sim, claro que é a justiça, mas primeiro está a minha mãe", foi mais ou menos assim que se "caracterizou" o nível cimeiro da taxonomia, de Lawrence Kohlberg, do desenvolvimento moral, que retomou e aperfeiçoou o modelo piagetiano. É interessante a confirmação desta classificação.

Kohlberg contrariava, e surpreendia, quem defendia que a lei só tinha letra (sem espírito, portanto) e que o direito vigente não navegava entre a norma e o caso. Não sei se quem nos tem governado no que levamos de milénio é ligado a taxonomias. Se sim, excedeu-se no uso do psicólogo norte-americano. Temos assistido ao primado das mães, dos tios, dos primos, dos amigos, dos conhecidos, dos correligionários e dos lóbis que depauperam o orçamento do Estado. Como alguém disse, "temos andado mesmo num estado de excepção" com predadores, como essa espécie de "máfia do sangue", uns níveis abaixo do grau zero da taxonomia de Kohlberg.

 

 

Usei parte deste texto noutro post.



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Sábado, 12.11.16

 

 

 

E é isto: "(...)No jantar de caridade de Al Smith, com a hierarquia católica de Nova Iorque e o poder político, financeiro e mediático ao lado dos dois candidatos, Trump chamou corrupta a Hillary e disse várias piadas ofensivas. A resposta dela foi uma gargalhada falsa, uma máscara afivelada para consumo externo. Quem visse aquilo nas várias plataformas, da televisão à rede, veria um grupo poderoso e privilegiado de amigos, mulheres com jóias e homens emproados, onde ela parecia a rainha e Trump o primo da província. Teria sido útil, por uma vez, observar uma reação emocional.(...)" escreveu Clara Ferreira Alves (CFA) na revista do Expresso (03:12/11/2016). No primeiro caderno, CFA diz que "Trump é um fascista, não em sentido clássico, rodeado de criminosos de colarinho branco." Até arrepia. Espero que não se confirmem os piores cenários. É evidente que Trump é um oportunista que se gaba de fugir a impostos, e de não sei quantas trafulhices, e de não respeitar os direitos mais elementares das pessoas envolvidas nas suas actividades. Mesmo assim, coabitou anos a fio com o arco governativo. A imagem é elucidativa e encontramos inúmeras da mesma família nas democracias ocidentais. No mundo real registamos a oportunista hipocrisia em nome institucional ou o modo oligárquico de apropriação do bem comum. E ficava aqui a tarde toda a detalhar um pântano que nunca dá bons resultados.

 

Adenda: Na mesma revista (p:42), Joseph Stiglitz diz, antes da vitória de Trump e pensando nos dois lados do Atlântico, que não gosta do termo "populismo", embora esteja preocupado com a erosão do centro político. "O "populismo" mistura coisas muitos diferentes. Podemos chamar de populista um candidato que diz preocupar-se com os 90% de pessoas que um dado governo deixou para trás? Isso não é merecedor de crítica. O populismo até pode ser um remédio contra o elitismo." O Nobel da economia (2001) prefere o termo demagogia. Dá um exemplo: "Números "surgidos" do nada como o limite de 3% do défice. Aplaude o Governo português que devia ser premiado e não o contrário." Fala, por exemplo, da batota em relação à França, do falhanço rotundo da troika e da moda recente dos governantes não eleitos made in Goldman Sachs. Uma entrevista a não perder, até para não dizermos que é incompreensível a ascensão eleitoral da Trump Tower.

 

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Quarta-feira, 09.11.16

 

 

 

 

"Varrer para debaixo do tapete" foi uma expressão acertada que ouvi de madrugada para caracterizar a descida valorativa dos arcos governativos nas democracias ocidentais. Não há tapete que encubra tamanha ganância e promiscuidade; dito assim para ser brando. É um dia triste. As pessoas que não frequentam as oligarquias estão saturadas de tanta defesa de um qualquer institucional e o quarto poder já provou que determina presidentes como quem aconselha sabonetes; com uma vantagem para os sabonetes presidentes: só precisam de aparecer muito, mesmo que ridicularizados ou trocando de opinião como quem muda de camisa. O problema pode estar mais nos dias seguintes.

PS: repito a imagem que usei num post de anteontem e nem é pela dificuldade na escolha de um shampoo+amaciador elucidativo. Repito a citação de Dominique Wolton nesse post: "a finança comeu a política".

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Terça-feira, 25.10.16

 

 

 

A desqualificação do modo de escolher as direcções escolares é mais uma derrota para a herança de Lurdes Rodrigues (LR). O veredicto poderá acontecer com a vontade de alguns dos seus, outrora, correligionários. É reconhecida a desqualificação dos actuais Conselhos Gerais para promover concursos públicos seguidos de eleição. LR decidiu, em 2009, eliminar um modelo com avaliação positiva para controlar, a partir do poder central, os "indisciplinados" professores. Teve a oposição de muitas escolas, mas a oportunidade criou alinhados de última hora. 

 

Em 11 de Janeiro de 2012escrevi que "(...)mesmo entre nós, e no caso do sistema escolar, o arco governativo não descansou enquanto não eliminou o poder democrático das escolas substituindo-o por uma amálgama com tiques do PREC e da ditadura.(...)" Não foram necessários muitos anos para se perceber o erro grave, nomeadamente com a entrada nas escolas do pior da partidocracia local. É consensual para as organizações que estudam e avaliam a situação vigente: as direcções escolares devem ser eleitas, num processo devidamente escrutinado, por todos os que exercem funções nas escolas.

 

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Antero



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Sexta-feira, 16.09.16

 

 

 

Os totalitarismos estabelecem-se através de leis. Desde logo, com as que são impossíveis de cumprir. Com a velocidade legisliva, é natural que os destinatários se interroguem com a vigência. Faz tempo que o direito abandonou a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso". Nesse sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos juízes continuam a ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja, para além das normas deve considerar-se cada caso em si e também a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

 

Importa sublinhar que os totalitarismos não se estabelecem sem a "presença" (nem que seja por alheamento) da maioria das pessoas. As sociedades vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem. Desde logo, e como foi dito, pela construção de leis impossíveis de cumprir, mas também por práticas anti-democráticas. Podemos pegar em muitos exemplos. São casos de "impossibilidade" que criaram um estado de sítio legislativo. Em muitos casos, só o fingimento permite o "cumprimento" legal.

 

Para a partilha no facebook acrescentei:

 

Estranhei o conteúdo inocente na SIC (nem sabia e recorri à box). Um juiz tão naïf? E esta mediatização agora? Este nonsense? Acabei de ler a entrevista ao Expresso (dada antes da outra) e percebi muito mais. "Querem afastar-me de tudo; estou cercado; sou escutado; tenho manuais de espiões à porta; decidi falar; são alocados tostões à justiça e milhões à recuperação bancária". Sim; o Juiz Carlos Alexandre pode ser acusado de estar aos papéis em alguns processos, e daí a mediatização, mas a sua narrativa é tão interessante. Sei lá: aconselho a obra maior de Laurence Sterne (e da literatura), "A vida e opiniões de Tristram Shandy". Nota: quando, e durante meses, ou anos, a fio, ligamos a determinados amigos (mais ainda se forem bloggers) e as chamadas são ruidosas e difíceis, e não raramente vão parar ao voice mail, significa que estamos a ser escutados? E anda uma pessoa a trocar de telefone e a dizer mal do hardware:)

Usei parte deste texto noutro post.

 

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Quarta-feira, 07.09.16

 

 

 

"Precisamos é de escolas normais para pessoas normais". Ouvi e concordei. Precisamos de escolas com instalações decentes, com um número aceitável de alunos por turma, com uma organização desburocratizada, moderna, ambiciosa e virada para o futuro. Precisamos de escolas não titubeantes na afirmação da democracia. Precisamos de recuperar o respeito pelos profissionais da Educação.

 

Não precisamos da retórica da excelência e da qualidade. Não precisamos desses conjuntos vazios e de propaganda. Não precisamos de redes concelhias com escolas em concorrência. Dispensamos a arrogância. Dispensamos o egocentrismo escolar que nos devia envergonhar com tanto por fazer. Precisamos de outra gramática.

 

As escolas normais cooperam, pensam em conjunto as matrículas de alunos e não excluem; muito menos alunos da educação especial. As escolas normais são as escolas das democracias mais avançadas e com melhores resultados, desconhecem a competição deslocada e a publicação de rankings medíocres para concluir o óbvio. As escolas normais elevam o interesse público. Nos países normais, as pessoas são normais e os resultados democráticos.

 

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1ª edição em 26 de Maio de 2016



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Quarta-feira, 13.07.16

 

 

 

"Vais marcar," é o que se diz a todo o avançado que é lançado no jogo. Quando a "profecia" se concretiza, uma em mil, transforma-se num crente feeling. Compreende-se os protagonistas. Aceita-se. Não se espera diferente. Já um PR deixar escapar uma escapadela a Fátima também se aceita. Da figura não se espera diferente. São feelings. Se a antevisão mediática de um jogo chegava com dois dias e o rescaldo com outros dois, a partir de agora será permanente. São feelings para todos. É irrefutável a festa. Nem os exemplares islandeses escapam à globalização. Pode o Deutsche Bank ter o destino do Lehman Brothers que os pobres portugueses sonharão com a oportunidade futebolística de ouro para os filhos, como substituição escolar, enquanto uns quantos dirigentes lá vão premiados para os Goldman Sachs deste mundo.

 

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Terça-feira, 03.05.16

 

 

 

A emigração de jovens adultos (regressariam para quê?) associada à precariedade e escassez de emprego é a mais complexa componente crítica da longa crise que estamos a viver. É até um sinal de decadência.

 

"(...)Um dos casos mais declarados desta dança louca é, na esfera económica, a estranha coexistência de empregabilidade extrema com a ameaça de desemprego: quanto mais intensamente trabalharem aqueles que estão empregados, mais generalizada é a ameaça de desemprego.(...)"

 

Zizek (2014:36),
em "Problemas no paraíso"

  

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Terça-feira, 26.01.16

 

 

 

 

Os totalitarismos estabelecem-se através das leis. Desde logo, com a produção de leis impossíveis de cumprir (ou de evidente má qualidade). Mas com a velocidade com que se legisla, é natural que os destinatários do direito se interroguem com a vigência. Faz tempo que o direito abandonou a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso". Nesse sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos juízes continuam a ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja, para além das normas deve considerar-se cada caso em si e também a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

 

Lançados alguns argumentos, importa sublinhar que os totalitarismos não se estabelecem sem a "vontade" da maioria das pessoas. As sociedades vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem. Desde logo, e como foi dito, pela construção de leis impossíveis de cumprir, mas também por práticas anti-democráticas ou corruptas.

 

No caso do sistema escolar, podemos pegar em muitos exemplos. São casos de "impossibilidade" que criaram um estado de sítio legislativo. Em muitos casos, só o fingimento permite o "cumprimento" legal. Não podemos acusar de premeditação totalitarista os seus inventores, mas temos de dizer-lhes que não nos temos cansado de avisar.

 

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Domingo, 08.11.15

 

 

 

 

Somos quase o único país do velho continente onde se fazem actas de conselhos de turma e passamos as reuniões a dizer: isto tem que ficar em acta. Não imagino como é que no norte e no centro da Europa se entendem sem actas. Quiçá gregos e espanhóis nos imitem e talvez isso se relacione com as tais velocidades. Para além disso, constata-se que a palavra de um professor atingiu o grau zero da confiança e isso também explica o tipo de sociedade que construímos e a inabilidade na educação das crianças.

 

1ª edição em 24 de Março de 2015.



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Segunda-feira, 26.10.15

 

 

 

 

 

Quando percebi que o actual MEC pensa em criar duas vias no final do 4º ano de escolaridade, para crianças com 10 anos idade, li-a como um requiem à esperança e um sério retrocesso civilizacional. Sabemos, e não ignoramos, a crise que atravessamos. Mas se associarmos este sinal ao que se tem passado com a estrutura curricular e com uma série de variáveis da organização do ano lectivo, concluímos que não só suspendemos a democracia como nos tornámos ingratos e regressámos ao berço-é-tudo.

 

Nos últimos anos têm sido raros os que se mostram convictos na defesa do nosso sistema escolar. Se os médicos têm indicadores que os consideram na vanguarda do profissionalismo, é bom que se sublinhe que foram formados no sistema escolar público. Se o CERN tem mais de uma centena de físicos de primeira água, é bom que se repita o sublinhado. Se tanto nos gabamos com a qualidade dos nossos cobiçados cérebros, não podemos fugir à verdade. Se ainda temos taxas de abandono escolar precoce que nos envergonham como sociedade, não temos outro remédio para além de continuar.

 

Mas não. O discurso da última década instituiu a ingratidão. Se não somos filhos de analfabetos, somos netos com toda a certeza. A democracia iluminou-nos, mas a ganância não é compatível com o conhecimento das humanidades e isso é trágico. Dos 1 a 2 por cento que se embriagam com o seu berço, só uma minoria coloca a democracia acima do egoísmo. Os sobrantes 98 a 99 por cento navegam como desesperados militantes em busca da entrada no pequeno elevador da oligarquia. A uns e a outros, a democracia pagará com lágrimas.

 

1ª edição em 25 de Julho de 2012.



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Domingo, 06.09.15

 

 

 

 

 

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Bertrand Russel (1993:51) 

"O Poder, Uma nova análise social", Lisboa, Fragmentos.

 

 



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Quarta-feira, 12.08.15

 

 

 

Joseph Stiglitz disse mais ou menos o seguinte: antes de escolhermos qualquer dos caminhos que se vão propondo para sairmos donde estamos, devemos perceber três coisas óbvias: a crise é artificial, a austeridade não é a solução e é mesmo o problema e a Alemanha é o obstáculo.

 

 



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Quarta-feira, 29.04.15

 

 

 

 

Ao aumento do controle burocrático corresponderá uma descida da democracia. O aumento da burocracia numa organização é o primeiro critério para medir a desconfiança nas pessoas.

 



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Segunda-feira, 27.04.15

 

 

 

 

A História nunca assistiu a uma transferência tão volumosa de recursos financeiros das classes média e baixa para a alta. A dívida pública é usada como um dos argumentos estratégicos e os especialistas conhecem a falácia. Nem é preciso recorrer a Joseph Stiglitz. O super-rico dos EUA Warren Buffett, disse, em 2006, que "existe uma guerra de classes, sem dúvida, mas é a minha classe - a classe dos ricos - que está a fazer a guerra, e estamos a ganhá-la."

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Segunda-feira, 20.04.15

 

 

 

 

Um cavalo de Tróia chamado TTIP



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Domingo, 19.04.15

 

 

 

 

Concordo com Sobrinho Simões:

 

"(...)apostaria(...)na extinção dos jotas e na desprofissionalização dos políticos(...)".

 

A partidocracia capturou o Estado central mas também as autarquias. Penso que o mais nefasto a nível local é a acumulação de duas ausências nos jotas carreiristas: profissão fora da política e escritos. Como alguém disse, já nem se trata de pedir uns papers "científicos". A exigência mínima são uns escritos com objectivos que possam avaliar as acções para lá das imersões viciadas nos corredores e nos jogos de bastidores.

 

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 Revista do Expresso. 18 de Abril de 2015. Página 105.



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Sábado, 28.03.15

 

 

 

 

Encontramos sinais da crise da democracia em coisas "pequenas". Dizia-me um amigo que limitou os mandatos de gestão, já neste milénio e numa instituição financeira quando ainda não era uma obrigação da lei, que estava a ser confrontado frequentemente, em questões estritamente profissionais ou perto disso, com argumentos que desvalorizavam a sua opção pela renovação democrática e que "eliminavam" a atenção ao uso cuidado da democracia. É comprovado que fez obra e mesmo isso lhe pareceu subvalorizado em relação à obrigação de se "perpetuar".



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Segunda-feira, 23.03.15

 

 

 

Os 48 anos da ditadura do século passado consolidaram uma sociedade amedrontada, desconfiada do exercício da cidadania, temerosa do contraditório, alojada na corrupção, desrespeitadora do Estado e do bem comum e que não considerou a organização como um valor precioso. É evidente que para esse estado também contribuíram outros factores históricos.

 

A jovem democracia, que ainda regista números escolares que envergonham, demorará, se tiver tempo e engenho para isso, gerações a atenuar.

 

Existem preconceitos que parecem "guardar" a sociedade que descrevi, que supervisionam a ousadia e a poesia e que reagem ao novo com medo da não conservação da herança. Controlam os danos de forma subtil: classificam de ideológico, dando-lhe uma conotação pejorativa, o que inquieta ao mesmo tempo que se põem a salvo da "radical" catalogação (e fazendo partidocracia de forma disfarçada, como sempre se percebe).

 

É a forma ideológica do mau conservadorismo. Existe em modo silencioso e espera a redenção com a chegada "anunciada" do regime protector de todos os males do mundo.



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Segunda-feira, 16.03.15

 

 

 

A notícia refere-se aos serviços centrais e é "natural" que assim seja. Mas se percorrermos o país, a partidocracia local prevalece com as cores mais variadas. Os partidos são essenciais à democracia, só que a partidocracia é provocada pelo caderno de encargos partidário que atingiu a totalidade das decisões supostamente concursais ou de colégios eleitorais. Está instalado um sistema que gera medo. A principal missão de um próximo Governo - para além da pobreza, do crescimento económico, do emprego, dos salários e dos impostos - é restaurar a confiança e a democracia nos serviços públicos.

 

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"Há vários candidatos nos concursos para dirigentes do Estado que têm sido repetidamente escolhidos para integrar a lista final dos três melhores nomes que é enviada ao Governo. No entanto, e apesar de já terem passado diversas vezes pelo crivo da Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública (Cresap), têm sido sempre rejeitados. Nos casos identificados pelo PÚBLICO, com base nas 339 propostas que chegaram às diferentes tutelas desde que a comissão foi criada, há um padrão: quase todos têm uma ligação ao Partido Socialista.(...)"



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Sábado, 07.03.15

 

 

 

 

 

A ideologia dominante absorveu todas as áreas, os tayloristas impuseram-se no mundo organizacional e as escolas não escaparam à voragem como se observa em Portugal. Alguns professores e investigadores avisaram com a devida antecedência.

 

O ensino, como um lugar de liberdade a preservar a todo o custo por questões democráticas e civilizacionais, levou um abalo considerável. Os promotores da ideia dominante nem sempre tiveram consciência, a exemplo doutros momentos da história, do lado em que se situavam. Aplica-se ao ensino o que Robert Linhart (1978), "Lês Archipels du Capital", registou nos factores de produção: 

 

"toda a indústria e toda a população são "pacóvias": o capital já não é um factor de produção, é a produção que é um simples factor do capital."

 

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Quinta-feira, 19.02.15

 

 

 

 

"(...)Creio que a mediocridade se mede pela ausência de princípios éticos, e as pessoas que fazem uma carreira na ciência, na indústria, no comércio, nas letras, na função pública e que são bem formadas têm alguma dificuldade em aceitar, por um lado, o servilismo em relação aos partidos, por outro lado, o maquiavelismo e o oportunismo a que as máquinas partidárias dão ensejo.(...)

 

O que acabou de ler é uma das faces do prolongamento da "Nova teoria do mal" de Miguel Real que encontra, na edição do Público de hoje, em forma de entrevista.

 

A visão maniqueísta consolidou-se e ainda há dias ouvi Mariano Gago contrapôr, com absoluta mágoa, a necessidade do bem se impôr ao mal. Para o ex-ministro (mais ou menos, claro), quando o bem desafia o mal no seu reduto, todos começamos por sofrer com as consequências; mas com o tempo, a força moral do bem sobrepõe-se às circunstâncias.

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"Aos 61 anos, o filósofo, ensaísta e romancista Miguel Real lança mais um romance. Agora, em vez de ficcionar sobre a actualidade ou sobre a história, constrói uma utopia ficcional em que projecta o futuro: O Último Europeu, Edições D. Quixote.(...)

E a classe política?

(...)A classe política foi tomada de assalto, sobretudo a governação, por um conjunto de funcionários das jotas que foram servilmente subindo degrau a degrau, limpando tudo em redor como os eucaliptos, até ao momento em que não há alternativa dentro dos partidos. As possíveis grandes alternativas, as alternativas de mérito fogem para a sua profissão, para a ciência, para as artes, para o comércio, para a economia, para as finanças.

Vivemos em democracia?

Há vários tipos de democracia. Do ponto de vista formal não podemos negar que há democracia, nos grandes princípios da Europa a democracia cumpre-se: há alternativas, há alternâncias, há possibilidade de contestação, há liberdade de expressão, de reunião, de manifestação, tudo isso é muito importante. Quem viveu antes do 25 de Abril não pode negar que este é o melhor regime.(...)

Há excepções?

(...)Agostinho da Silva contava uma história da serra da Malcata, onde na década de 1960 havia cinco famílias num povoado. Três dessas famílias emigraram, sem saber a língua, com os costumes rurais que tinham, a mentalidade da Nossa Senhora de Fátima, mas tiveram a ousadia e a coragem de ir a salto para a Alemanha e a França. Quando mais tarde regressaram triunfantes, com uma família, um carro, uma casa, quem dominava a aldeia? Os que não tinham tido a coragem de partir. Dominavam a sacristia, o minimercado, a serração da madeira e também a junta de freguesia. Portugal é um pouco isso. As elites corajosas e ousadas são as que partem. Ficam cá, em parte pois não quero generalizar, os que não têm coragem de partir, ou seja, não têm coragem de inovar. A elite portuguesa reflecte hoje isso.

No actual relativismo ético, idolatra-se o dinheiro e o consumo. Vivemos uma regressão civilizacional e estamos a voltar a um mundo mais desigual?

Socialmente mais desigual, inevitavelmente estamos. A Europa transformou-se numa empresa de negócios, uma grande empresa. As nações, os países são os sócios dessa empresa. A empresa fez-se para trocar, vender, comprar.(...)



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Sábado, 07.02.15

 

 

 

 

Como há tempos escrevi, é inaceitável que Mário Soares avise um juiz para ter cuidado. Mas o que é que levará Mário Soares a mais um excesso?

 

O fundador do PS conhece muito bem o sistema e sabe como se financiaram durante décadas os aparelhos dos partidos e as campanhas eleitorais. Se olharmos para o rol de comprovada corrupção (só faltam mesmo os meios judiciais para que mais casos conhecessem a luz pelas grades), vemos as cortes de Soares e de Cavaco (com o CDS sempre nas sobras) ligadas às PPP´s, ao BPN, ao BCP, ao BPP, ao BES, à PT, aos submarinos, às imobiliárias como prolongamento do Estado, aos grandes escritórios de advogados, às cooperativas dos diversos graus de ensino (GPS e Grupo LENA começaram no mesmo espaço geográfico) e ficávamos aqui a tarde toda a elencar os excessos das oligarquias.

 

Talvez o que Soares não compreenda seja o óbvio: só o Sócrates?

 

Por muito que se intua que o ex-primeiro-ministro seja como "aquele-colarinho-branco-que-sujou-as-mãos-com-sangue" e que por isso, pela imprevidência, caiu às mãos dos pares, tem de se aceitar a vox populi vigente em forma de esperança grega: a lista dos seguintes não é pequena.

 

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Imagem na rede sem referência ao autor. 

 

 



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Segunda-feira, 19.01.15

 

 

 

 

Há uma epidemia que considera o sistema escolar uma coisa insólita e longínqua. Essa moda, que se dispersa rapidamente numa população, não racionaliza a ideia de escolar e atinge um grau elevado de rejeição quando se confronta com quem faça disso profissão pública ou, pior ainda, uma causa. É um fenómeno com dúvidas agudas na literacia associada às pessoas, à política, ao social, e, em auge infeccioso, à democracia.

 

É uma sociopatia que não manifesta qualquer empatia para com os seus semelhantes ou de atenção para com os seus problemas. É exímia em manipular factos e incapaz de assumir erros. Pode, em aparente desespero e de forma cínica, admitir “falhas de comunicação".

 

Usa modelos ideológicos com diagramas mentais inflexíveis que desprezam a consistência cultural e histórica das sociedades. Na origem está sempre a estranheza com o humano.

 

 

 

 



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Sábado, 10.01.15

 

 

 

 

Desde 2006, 2007, que a luta de classes se tornou óbvia nas democracias ocidentais. Joseph Stiglitz sublinhou-o e ainda há tempos publiquei um post a propósito do seu último livro onde se pode ler uma referência à célebre entrevista ao super-rico dos EUA Warren Buffett. Foi este último quem disse, em 2006, que "existe uma guerra de classes, sem dúvida, mas é a minha classe - a classe dos ricos - que está a fazer a guerra, e estamos a ganhá-la."

 

O que mais me tem impressionado não é a retórica dos Mandarins; esses são 1% e Warren Buffett é uma excepção. O que mais custa ouvir e ler são os serviçais onde se incluem os nossos últimos governantes acolitados num batalhão de comentadores que só se "alimentam" em quem lhes estende a mão. É claro que há todo um exército de eleitores que legitima o auto-sofrimento.

 

 

 

Já usei estes argumentos noutro post.

 

 

 

  



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Sábado, 27.12.14

 

 

 

Uma componente crítica da democracia portuguesa é a excepção no exercício da causa pública: não é usual o exemplo de estar para servir, em que se sai como se entrou e sem "pensar" no que vai acontecer depois. É difícil encontrar exemplos em que coabitaram a humildade e a honra e com ideias que resultaram em práticas aglutinadoras.

 

 

 

 



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Domingo, 21.12.14

 

 

 

O surrealismo, como corrente artística de vanguarda que definiria os caminhos do modernismo entre as duas grandes guerras do século XX, está vigente no liberalismo que comanda o país e a maioria das suas instituições. 

 

Ansiamos por uma saída para o estado em que vivemos e um olhar para o surrealismo ajudaria a reencontrar o caminho da modernidade, mesmo para os que atingiram um qualquer pico de adrenalina como foi o caso do deputado trauliteiro do PSD, Carlos Abreu Amorim, que agora se confessa: "Já não sou um liberal. O Estado tem de ter força".

 

Ou seja, primeiro destrói-se e depois confessa-se. E aí voltamos à análise do surrealismo. A saída do estado surreal só se consegue com muita psicanálise. É bom recordar que a corrente de Sigmund Freud penetrava no inconsciente e isso influenciou decisivamente o surrealismo como actividade criativa.

 

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 Pintura de Vladimir Kush.

 

 



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Terça-feira, 16.12.14

 

 

 

 

Que me lembre, a expressão "Paradigma perdido" tornou-se usual com Edgar Morin e com a crítica do afastamento do homem em relação à natureza; escrito assim para simplificar.

 

Quando tanto se fala no desnorte em relação à selecção das áreas para a reindustrialização (que raio de palavrão), parecia-me curial regressar ao paradigma de Morin donde nunca se deveria ter saído: a cadeia de abastecimento no sentido mais lato, considerando o homem em todas as suas dimensões; tenho ideia que, por esse caminho, não haveria tantas bolhas originadas pelos negócios financiados pela banca que produzem muito para além da cadeia referida e que parecem dirigir-se também a outros habitantes do sistema solar.

 

 

 



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Sábado, 13.12.14

 

 

 

 

"A democracia está em vias de extinção na Europa", dizia alguém recentemente. E acrescentou: "dá ideia que imerge, e se impõe, um sistema global em que o poder se desloca paulatinamente para o poder financeiro não sufragado".

 

Encontramos sinais desse desuso da democracia em coisas mais pequenas. Dizia-me um amigo que limitou os mandatos de gestão, já neste milénio e numa instituição financeira quando ainda não era uma obrigação da lei, que estava a ser confrontado frequentemente, em questões estritamente profissionais ou perto disso, com argumentos que desvalorizavam a sua opção pela renovação democrática e que "eliminavam" a atenção ao uso cuidado da democracia. São sinais, realmente.

 

 

 

 

 



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Sexta-feira, 28.11.14

 

 

 

 

Se o processo de constituição do direito é fenomenológico e normativo, impõe-se a interrogação: quais são os momentos dos normativos vigentes? Os especialistas responderão: direito só há um o vigente e mais nenhum.  

 

A vigência é o modo de ser do direito e engloba duas categorias: a validade e a eficácia. Para Kant, por exemplo, "a validade sem eficácia é inoperante e a eficácia sem validade é cega".

 

Um Estado que se afirma de direito, como o nosso, e em que a validade e a eficácia são acusadas da dissolução na espuma dos dias, é fundamental o exemplo, desde logo, dos primeiros dignitários do Estado.

 

Olhamos para o estado de boa parte das figuras políticas, e dos mais variados quadrantes, e ficamos perplexos. E ficamos ainda mais preocupados se considerarmos a atmosfera que exibem primeiro-ministros e muitos dos "capitães" partidários como é o caso de Duarte Lima. Argumente-se o que quiser, mas é indisfarçável a crise da democracia.

 

 

 



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Quarta-feira, 26.11.14

 

 

 

Na divergência no argumentário à volta da detenção do ex-primeiro-ministro, podia remeter-me à helénica suspensão dos juízos mais conhecida como estado de epoché (epoché é um estado de repouso mental (momento de dúvida) pelo qual nem afirmamos nem negamos). Podia, e posso, esperar que a justiça funcione.

 

Mas ouço as declarações de um antigo Presidente da República, e as réplicas das organizações de magistrados, e fico perplexo com o estado a que chegámos. Será o tal pântano que cada vez mais carece de um esclarecimento por parte do autor?

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 18:21 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Segunda-feira, 24.11.14

 

 

 

 

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A frase de Christopher Hitchens (2009:251), em "Deus não é grande, como a religião envenena tudo", da Dom Quixote, "(...)O princípio essencial do totalitarismo é fazer leis às quais é impossível obedecer (...)" proporciona uma interessante discussão. 

 

Em 25 de Outubro de 2009, aqui, escrevi o seguinte:

 

Mas com a velocidade com que se legisla, e nisso o quase "extinto" ME foi imbatível, e com a consequente falta de qualidade das leis é natural que os destinatários do direito se interroguem com a sua vigência. Faz tempo que o direito tem vindo a abandonar a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso".

Neste sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos juízes continuam as ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja, para além das normas deve considerar-se cada caso em si e também a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

 

Lançados alguns argumentos para o contraditório, importa sublinhar que os totalitarismos não se estabelecem sem a "vontade" da maioria das pessoas. É trágico, mas é assim. Embora a história nos mostre com frequência o aparecimento de um "profeta", também nos explica que as sociedades vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem. Desde logo, e pegando na frase de Christopher Hitchens, pela construção de leis impossíveis de obedecer e por práticas anti-democráticas ou corruptas (para os dois últimos casos, nem são precisos exemplos).

 

No caso vigente do sistema escolar, podemos pegar em inúmeros exemplos. São casos de "impossibilidade" que criaram um estado de sítio legislativo. Só o fingimento permite o "cumprimento" legal. Não podemos acusar de premeditação totalitarista os seus inventores, mas temos de considerar todas as hipóteses e dizer-lhes que não nos temos cansado de avisar.

 

 

(1ª edição em 27 de Janeiro de 2012. Reescrito)

 

 

 

 



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Domingo, 23.11.14

 

 

 

É raro o caso de grande corrupção que não passe pela Suíça. Já cansa de tanta "neutralidade". 

 

"(...)não estando em estado de guerra internacionalmente desde 1815, o país é sede de muitas organizações internacionais como o Fórum Económico Mundial, a Cruz Vermelha, a Organização Mundial do Comércio e do segundo maior Escritório das Nações Unidas. A nível europeu, foi um dos fundadores da Associação Europeia de Comércio Livre e é parte integrante do Acordo de Schengen. Em termos desportivos, o COI, a FIFA e a UEFA possuem as suas sedes localizadas no território suíço.(...)"

 

Para além do rol de organizações citadas, há décadas que se reconhece à Suíça o alojamento confidencial das contas de tudo o que é ditador e muitas vezes de local de abrigo para os déspotas deste mundo. Dá ideia que o poder formal instituiu há muito a Suíça como o local neutral que dá jeito em caso de desvario.



publicado por paulo prudêncio às 21:18 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

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publicado por paulo prudêncio às 14:12 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 21.11.14

 

 

 

Só o tempo ditará o alcance da última obra de Joseph Stiglitz (Prémio Nobel da Economia de 2001 - o que dá logo outro crédito -) "O preço da desigualdade". Mas o diagnóstico é tão certeiro, que se fica com a sensação, e à medida que o tempo passa, que o livro se tornará num clássico da economia política.

 

Na página 38 podemos ler uma asserção cada vez mais óbvia (o "Se tal não for feito...", refere-se a "(...)os mercados têm de ser mais uma vez domados e moderados.(...)")

 

 

 

Na mesma página, podemos precisar um recuo civilizacional que vai, como se constata, acentuando as desigualdades.

 

 

 

Na página 41 percebemos a quebra de um contrato.

 

 

 

Na página 42 reconhecemos os ingratos que não param de desmerecer a escola pública.

 

 

 

 

Na página 44 somos confrontados com um dilema de Joseph Stiglitz. Embora o autor considere a prevalência das forças económicas, acaba por imputar ao poder político a responsabilidade pelo estado a que chegámos e cujo preço total a pagar ainda é desconhecido.

 

 

 

Na página 50 encontramos o parágrafo escolhido para a contracapa do livro e que começa na frase que sublinhei com uma seta vermelha. O editor escolheu assim. Penso que não teria tido um escolha pior se tivesse começado pela frase que seleccionei com um seta verde.

 



publicado por paulo prudêncio às 14:26 | link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Segunda-feira, 17.11.14

 

 

Mais do que gestores do público ou do privado, há pessoas honestas e outras que nem por isso.

 

O que o caso dos vistos gold mais salienta, para além da corrupção que nos consome, são as quase certas ilegalidades de funcionários públicos com cargos elevados na hierarquia. Já estávamos habituados à corrupção dos privados, com a banca em lugar de destaque, e às práticas lesivas do Estado praticadas pelo poder político, mas desta vez o flagelo atinge o âmago da democracia.

 

O caso dos vistos gold é imperdoável. Quem serve a coisa pública tem o dever de proteger a instituição que serve e de a colocar acima dos interesses pessoais. A legalidade é um dever de cidadania para todos, sabemos isso, mas estes quadros da função pública foram, ao que tudo indica, de um egoísmo inaceitável numa sociedade flagelada por cortes salariais, pelo desemprego, pela emigração e pelo empobrecimento.

 

Se se comprovar a sua inocência, então o caso terá contornos gravíssimos na mesma.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 21:35 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Domingo, 16.11.14

 

 

quinoética.jpeg

 

 O eterno desenho do Quino.

 

O liberalismo selvagem (ou ultraliberalismo) vigente, persistente, totalitário e já com história, tem contornos evidentes. A sua agenda consistiu na diluição de alguns valores essenciais à democracia. Por exemplo, a ideia de transparência foi-se tornando em algo só ao alcance de pessoas pouco espertas ou nada expeditas: uma coisa démodé

 

Nada tens a esconder? Não és interessante. És um aborrecido.

 

A revista do Expresso tem uma interessante entrevista sobre a necessidade de desconstruir o tal liberalismo:

dodescanso0.png

 

O título está também interessante:

dodescanso1.png

 

 

A entrevista é extensa. Escolhi uma das lides (de lead :)):

 

dodescanso3.png

 

E por falar em revistas e peças interessantes, também aconselho a peça da Revista do Público sobre "O estado da meritocracia em Portugal".

 

merito1.png

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 20:16 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

 

 

 

Sabe-se agora que os múltiplos prémios de gestão recebidos pela PT eram comprados. É uma espécie de cúmulo do liberalismo selvagem em que vivemos.

 

A grande corrupção domina a Europa. Desgraçadamente é assim. Para cada 20 novos ricos são espremidos uns 20 milhões das classes média e baixa. O limiar está atingido e nem se imagina onde vamos parar. 

 

Há uma lógica de incumprimento da lei, de chico-espertismo, que se alastrou. Sabe-se das justas críticas ao legislador, mas também se desespera por uma qualquer refundação moral.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 16:26 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar


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