Em busca do pensamento livre.

Sábado, 04.03.17

 

 

 

O Portugal deste milénio recorda-me a Itália dos anos oitenta e noventa do século passado. A Máfia dominava os sistemas político e financeiro e boa parte do judicial. Era comum a emersão de juízes heróis enquanto outros se enredavam na malha da corrupção. Havia uma queda vertiginosa de políticos "insuspeitos". Este sentimento sobre Portugal não é recente. Obviamente que não. Mas a reportagem da SIC é arrasadora. E não me parece que a teia se fique pelo poder central. A exemplo do caso transalpino, os tentáculos chegam aos confins do território e fazem escola.

 

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Quarta-feira, 25.01.17

 

 

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Estes estudos devem ser difíceis e nem imagino se estão próximos do real, mas"(...)numa análise dos resultados, é realçado que a queda de um lugar revela que "Portugal (62 ppntos) está estagnado no combate à corrupção" no sector público,(...)Dinamarca e Nova Zelândia (90 pontos em 100) são os primeiros classificados, seguidos da Finlândia (89 pontos)(...)O ranking global revela a ligação entre a corrupção sistémica e a desigualdade social e apresenta uma escala em que 100 significa "muito transparente" e 0 significa "muito corrupto"(...)Portugal situa-se agora na 29.ª posição no ranking, tendo perdido um lugar em comparação com o ano passado, quando tinha alcançado 63 pontos.(...)"

 



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Sábado, 21.01.17

 

 

 

António Costa, ministro entre 2005 e 2007, confessou uma guerra aos professores "decretada" em conselho de ministros por volta de 2005. O actual primeiro-ministro disse que foi um erro grave.

Ao ler a edição impressa do Expresso (primeira página, de 21/01/2017, na imagem) sobre a "operação marquês", custa a aceitar que, enquanto se movia a guerra obstinada aos professores da escola pública, o chefe desse Governo recebia (de acordo com a notícia), entre 2007 e 2008, cíclicas tranches de milhões num circuito corrupto que começava no GES e que passava por off-shores e pela Suíça até chegar ao tal amigo do destinatário. Veremos o que a justiça consegue provar. Nesse período, em que os professores lutavam isolados, destacavam-se os doutrinadores do "Compromisso Portugal". Essa "fina flor da elite financeira" apontava o GES e afins como exemplos da boa gestão e enaltecia a coragem governativa. Quem lê o texto do Expresso, reconhece algumas dessas figuras ligadas aos intermináveis episódios da "operação marquês" e fica com mais um nó no estômago.

 

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Quarta-feira, 18.01.17

 

 

Objectivamente, e para além dos resultados da justiça (a Operação Marquês conheceu hoje mais um avanço), estamos a pagar, e vamos continuar (a tal dívida impagável), anos a fio de desvario financeiro; em Portugal, na Europa e no mundo do capitalismo selvagem.



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Quarta-feira, 14.12.16

 

 

 

As notícias sobre casos de corrupção são diárias. Há casos que chocam mais. É o caso do INEM e da corrupção através da comercialização de produtos sanguíneos. Há instituições que pareciam a salvo da selvajaria. Imagino o estado de alma das pessoas que dão tanto de si ao INEM. Parece que a teia chegava à informática, mas o mote inicial arrepia. É muita falta de tudo, realmente.



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Sexta-feira, 02.09.16

 

 

 

CGD não voltará a falir de imediato uma vez que chumbou nos testes de stress do BCE. Sempre que um banco português passou nestes testes, faliu na semana seguinte. O BES teve mesmo um excelente antes da necessidade de requalificação (o eufemismo dos média para as falências na alta finança que, como na imagem, jamais pisa a relva). Entretanto, a injecção de capital na CGD já serviu, garante a nova administração, de fármaco para o stress. Para o ano, a síndrome anual (um banco por ano desde 2008) deve atingir o Montepio.

 

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Sábado, 27.08.16

 

 

 

Subida de impostos, desemprego em números inéditos, cortes a eito em salários e pensões durante anos a fio, carreiras (de professores, por exemplo) há oito anos congeladas, pessoas, sem acesso aos quadros, com dez a vinte anos sucessivos de contratos anuais, emigração em massa à procura de salários que permitam viver, quebra populacional, precariedade e insegurança profissional que atinge principalmente os jovens adultos e por aí fora. Há explicações? Encontrei uma com sentido de Pedro Pais de Vasconcelos que podíamos multiplicar por todo o arco governativo e pelos diversos bancos; depois é fazer contas até mais de 20 mil milhões de euros "desaparecidos". Era o tal pântano?

 

"CGD: quando eu Presidia ao seu Conselho Fiscal, a Caixa, sozinha, valia mais do que o resto do sistema bancário. O governo de Guterres extinguiu o Conselho Fiscal por Decreto-Lei.
O resultado foi a sucessão de grandes operações de financiamento a clientes especiais que não vieram a pagar, mas a quem também ninguém tem vontade de cobrar.
Tanto a concessão de crédito como a sua não cobrança merecem ser investigadas, é tão fácil...
E, depois de investigadas, deve ser feitas duas coisas: castigar exemplarmente os responsáveis e cobrar os créditos com a mesma energia que usam quando cobram sobre as pobres famílias que ficam sem casa.
Porque é que ninguém cobra o crédito da Caixa sobre o Berardo? E quem é que propôs em Conselho a sua concessão e quem é que no mesmo Conselho votou a favor.
Alguém que responda, por favor."

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Adenda com vídeo com declarações de Miguel Sousa Tavares:

"Muitos dos piores negócios da Caixa foram feitos sob égide de administrações nomeadas pelo PSD".



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Sexta-feira, 26.08.16

 

 

 

A falência da banca portuguesa obedece a uma precisão suíça: desde 2007 que é um por ano para não tornar "impossíveis" os orçamentos rectificativos. Nos anos mais recentes, o ritmo anual registou o BPN, seguiu-se o BES, depois o Banif, agora a CGD e parece que se adivinha o Montepio. É uma espécie de relógio suíço, quiçá em homenagem à nação neutra que não se limita a lavar vil metal: seca, lava a seco, engoma e faz entregas ao domicílio. Nem a tal de FIFA conhece qualquer obstáculo. É o modelo chuva que se vê na imagem. Talvez seja um modo prospectivo, mais amigo do ambiente, de tratar os trajes.

 

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Sábado, 09.07.16

 

 

 

O que é que cimenta o título? Goldman Sachs (pode saber mais aqui).

 

Em 20 de Janeiro de 2015, um post dizia assim:

"Arnualt "interveio decisivamente para que fosse desbloqueado o empréstimo do Goldman Sach´s ao BES em vésperas do colapso do banco" e "já estava já no Goldman Sachs quando elogiou "o legado de Ricardo Salgado" e afirmou que "o BES é um banco profundamente estável". Esta malta, que acusava os seus críticos de uns sem-mundo, têm também um historial de delapidação do orçamento do Estado e são responsáveis pelo estado a que chegámos."

 

Sobre a personagem Durrão Barroso pode começar por aqui (Jorge Sampaio responsabiliza o Cherne pela invasão do Iraque): pelo demolidor romance de Clara Ferreira Alves.

 

Sobre o Goldman Sachs fica o vídeo.

 

 



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Sexta-feira, 01.07.16

 

 

 

DN online destaca os casos do director do Museu da Presidência e do ex-ministro com licenciatura irregular. São assuntos, quantitativamente, menores de corrupção se comparados com os que habitualmente ocupam a mediatização, mas nem por isso são menos importantes. Dá ideia que o primeiro desviava mobiliário e outras peças para compor o recheio caseiro ou aumentar rendimentos e que o segundo repetiu uma prática que permite aceder indevidamente a concursos públicos. Não são raridades no nosso quotidiano, mas estas mediatizações servem de exemplo numa sociedade que não considera o bem comum um valor precioso.

 

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Quino



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Domingo, 17.04.16

 

 

 

Sem a crise do subprime, Ricardo Salgado ainda seria o DDT e José Sócrates PR ou coisa do género. É óbvio que havia corrupção antes de 2007. É exactamente por causa disso que se impõe uma interrogação: e os outros? Os anteriores, os contemporâneos e por aí fora?

 

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Terça-feira, 12.04.16

 

 

 

Já não são só os tradicionais. Agora tropeçamos em procuradores, juízes a designaram-se como a "classe menos confiável", funcionários das finanças, directores e chefes de repartições públicas, directores-gerais de diversos ministérios, concursos públicos pejados de irregularidades e por aí fora. Ainda ontem ouvi um jornalistas dizer que o tal gestor de fortunas ligado ao Panamá Leaks trabalhou para ex-ministros portugueses e para um presidente da República (quem será?). Para já o gestor não diz nomes. É tudo muito mau mesmo.

 

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Domingo, 10.04.16

 

 

 

 

São diversos os ângulos do escândalo offshoriano da fuga aos impostos. As nossas "elites" são historicamente viciadas nestas trafulhices que, resumidamente, têm uma finalidade: viver à custa do trabalho dos outros. Foi assim durante três séculos com a escravatura, também com o ouro e as especiarias e até com o colonialismo. Desta vez, a coisa agrava-se nas democracias ocidentais e os "desgraçados" são os pagadores de impostos e as políticas sociais. Na saúde os alarmes soam quando "começam" a morrer pessoas, na justiça há que manter os povos minimamente em ordem e nos sistemas de segurança social o objectivo é impedir que os descontinuados se aglomerem perigosamente. Na Educação até se pode encher salas de aula, passar a vida em "reformas" para entreter o auditório, encerrar ou aglomerar escolas sem critério civilizado que se conheça, manter números vergonhosos de analfabetismo ou aumentar o insucesso escolar em crianças e jovens. O que interessa é que os Dragui´s que controlam o protectorado se satisfaçam com a coluna excel da despesa e tranquilizem os "desorientados" governos que se sucedem.

 

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Quinta-feira, 07.04.16

 

 

 

Não há americanos no Panamá? A roupa com nódoas mais difíceis lava-se em casa.

 

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Terça-feira, 05.04.16

 

 

 

Se a panamiana Mossack Fonseca é a quarta do ranking, que papelada andará pelas três primeiras?

 

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Segunda-feira, 04.04.16

 

 

 

Não gostei de Pedro Almodóvar aos papéis no Panamá. Já li umas justificações no El País. Acompanho há muito, e com muito interesse, o cineasta e recordo-me dos seus ataques ferozes ao capitalismo desregulado e aos offshores. Veremos como se explica. Mas tudo isto não significa que não canse um bocado o lançamento de pedras à esquerda e à direita. A superioridade moral na humanidade não me parece que dependa da ideologia. Há corrupção onde há humanos. É evidente que o capitalismo desregulado mostra que é ainda mais propício às fragilidades de carácter e que não olha a ideologias; digamos que é corrupção a eito.

 

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Domingo, 03.04.16

 

 

 

 

 



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E parece que em Maio se conherão os detalhes que envolvem Portugal. É de ler.

 

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Em vídeo.

 

 

 

 



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Domingo, 27.03.16

 

 

 

 

A justiça deve "adaptar" as decisões aos momentos políticos? Não deve; se o fizer, degrada a democracia e a imagem das instituições.

Se há indício de crime, mais ainda se os ilícitos são comprovados, a justiça deve actuar sem preocupações com as consequências políticas e ponto final; o que foi dito não invalida o escrupuloso respeito pela presunção de inocência dos arguidos nem a possibilidade dos terríveis erros judiciários.



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Sábado, 26.03.16

 

 

 

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Capa da revista do Expresso em 25 de Março de 2016.



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Sexta-feira, 15.01.16

 

 

 

É péssima a imagem dos concursos para directores na administração pública. Para além da gravidade das candidaturas irregulares (pessoas com esse perfil existem em todas as épocas), o que duplica a vergonha é a conivência e a parcialidade dos júris como se pode ler "nesta notíciado DN e na ligação seguinte do mesmo jornal:


"É de bradar aos céus que ele, tendo sido o presidente do júri de um concurso que está mais do que provado que tinha irregularidades, tenha resolvido renomear em regime de substituição os mesmos delegados que eventualmente foram favorecidos", comentou ao DN Maria do Céu Castelo-Branco, que tinha concorrido aos concursos para a região centro e tem neste momento uma ação no Tribunal Administrativo e Fiscal de Aveiro contestando a nomeação de Cristina Oliveira".

 

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Quarta-feira, 16.12.15

 

 

 

Claro que a corrupção de diversas dimensões não se circunscreveu aos privados e à banca. Na gestão pública tropeçamos com coisas que nos deixam perplexos e sempre com os grandes aparelhos partidários envolvidos nos mais diversos níveis.

 

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Terça-feira, 14.07.15

 

 

 

"Se o Governo grego apresentasse um plano B com a saída do euro a maioria do Eurogrupo tinha provocado o Grexit", concordo com esta ideia. Há uma componente política que desesperou os defensores da tragédia austeritarista e que se acentuou nos que vão a votos entretanto. E acho uma certa piada aos "heróis" que acusam o Governo grego de capitulação. Mas há alguém que acha que é fácil ir às altas paradas do casino desafiar os falcões dominadores apoiados por inúmeros "bons alunos"? É bom não esquecer a herança grega de corrupção (e é também bom que os portugueses não se esqueçam das analogias com a Grécia, nomeadamente as "ruas de pobres" e a corrupção perpetrada pela bancocracia e pela partidocracia). Há um mérito grego inquestionável: "desmontou" o colete de forças do euro, oxigenou, como ninguém até aqui, uma alternativa e o tempo lá se encarregará de outras explicações.  

 

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Quarta-feira, 17.06.15

 

 

 

Não é aceitável que a primeira despesa do Estado sejam PPP e juros da dívida

 

Cortesia do António Ferreira



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Quarta-feira, 27.05.15

 

 

 

Se há tempos escrevi que a candidatura de Figo era difícil por enfrentar um poder ditatorial com 16 anos, agora não me surpreendo com a retirada da candidatura nem com o início do escândalo de corrupção que hoje estalou na FIFA

 

Há todo um mistério à volta dos financiamentos da indústria do futebol que já envolve declarações importantes de uma procuradora dos EUA (basta googlar) e até de Senadores da terra do Tio Sam a exigirem, pasme-se, a demissão de Blatter. É mais um sinal da alta corrupção que mina perigosamente as democracias ocidentais.



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Quinta-feira, 23.04.15

 

 

 

O Grupo Lena é de Leira e o Grupo GPS (cooperativa de ensino) tem a sede na mesma zona. Sempre se conheceu uma estreita relação entre as duas organizações na edificação de "colégios", um nome fino, e nas surpreendentes licenças de construção de escolas para alunos financiados pelo Estado e com uma contratação de professores sem concurso público. O denominado centrão está ligado ao assunto e aguardam-se os resultados, também na Educação, da grande operação do ministério público e da polícia judiciária. Hoje, o Público noticia mais uma detenção.

 

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Quinta-feira, 16.04.15

 

 

 

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"As redes sociais inundaram-se durante uns quatro anos de portugueses indignados: não pagamos mais a esses corruptos da banca e da política. É tudo a mesma coisa. Nem mais um cêntimo. Os gregos elegeram um Governo que deu corpo ao protesto e não é que os indignados se passaram de imediato para o lado dos bancos e dos tais políticos? Os gregos que paguem que nós também o fizemos. Queriam o quê? Paguem e deixem de ser parasitas". Ouvi a ideia e não pude estar mais de acordo. É realmente sei lá o quê habitar com tanto sonso e cata-vento. E depois é um passo para a sobrevivência do chico-esperto e até do intrujão.



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Segunda-feira, 30.03.15

 

 

 

 

O futebol pode estar em paz.

 

BES, a PT, o BPI e por aí fora, como outrora o BPN, o BCP, o BANIF e os investidores GOLD do BPP, talvez não continuem a alimentar o poço sem fundo da industria do futebol, mas haverá sempre russos e árabes para juntar aos offshores regulamentados por quem cortou, corta e cortará a eito nos do costume.

 

É certo que cortam, mas também se reconheça que lhes dão alegria, emoções fortes e muito para pensar, imaginar, discutir, suspeitar, adivinhar, desmontar e até concordar. E convenhamos: o investimento no Ronaldo, por exemplo, tem um valor de mercado superior à despesa com uns 200 mil pensionistas.



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Sexta-feira, 20.03.15

 

 

 

 

Surpreende, relativamente, a negação da dita política de casos.

 

Foi o irrevogável Portas que custou milhões ao erário público, foram os concursos na Educação, o citius na justiça, a segurança social de P. Coelho e agora a lista VIP. Nem uma demissão política nesta escola que sempre acusou os adversários de assumirem candidaturas políticas e que mais não fez do que alimentar a partidocracia e as suas campanhas. Dirão que estão a acrescentar valor com a condição de laparão.

 

Cometem erros graves e depois querem que as pessoas os tolerem em nome da imagem do país, da suposta democracia ou das instituições, para continuarem a tratar dos empregos dos seus e sabe-se lá de mais o quê. É como disse o Antero a propósito dos Mirós: não somos parvovalue e a exigência dessa condição tem que ter limites.

 

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Quinta-feira, 05.03.15

 

 

Andamos há uns sete anos a pagar a comprovada corrupção bancária (alemã incluída) e agora conclui-se o que é há muito denunciado? São uns cómicos. Já devem estar saciados. "A Europa está a pedir sacrifícios às pessoas para salvar bancos", diz o alemão Martin Shulz, e o Governo lusitano é dos mais fundamentalistas na expiação da culpa dos portugueses.

 

Para além disso, temos um rol de banqueiros (em tempos acima de qualquer suspeita) a contas com a justiça, um ex-primeiro-ministro em prisão preventiva e nem imaginamos o que se seguirá. E ainda há quem diga que é o povo quem espanta os investimentos?

 

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Quinta-feira, 19.02.15

 

 

 

 

A maioria que governa em Portugal foi apanhada do lado errado da história. Para compreender o recente fatalismo português, temos de considerar que os governos deste milénio inclinaram o plano e que o actual cavalgou uma onda sufragada por eleitores que teimaram em não perceber que a ideologia se confundia com a corrupção. É até um mistério como há tanta gente que empobrece e continua a defender tenazmente o enriquecimento ilícito. Não há arrependimento possível, como se pode ler em mais um muito bom artigo de opinião.

 

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"(...)Razão tinha o malogrado ex-presidente do Bundesbank, Karl-Otto Pöhl, quando em maio de 2010 acusou o resgate da Grécia de não ter em consideração nem o interesse do povo grego nem o da Europa, destinando-se apenas "a salvar bancos [alemães e franceses] e os gregos mais ricos" (Der Spiegel, 18-05-2010). O que parece iminente é mais do que pecado. Uma ofensa contra a humanidade, cuja reparação exigirá algo mais do que o tribunal da história."



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Terça-feira, 10.02.15

 

 

 

 

Quando se tratava de apontar os professores e os funcionários públicos como os primeiros responsáveis pelo desastre financeiro, havia uns movimentos do género "Compromisso Portugal" que tinham aparição diária e que indicavam o caminho da salvação. Os modelos empresariais de sucesso - dos homens providenciais - exemplificados por Salgado do BES, Rendeiro do BPP, Jardim do BCP ou Costa do BPN eram as receitas do fim da história. Tudo em nome de Portugal e da avaliação meritocrática dos funcionários públicos.

 

As perguntas impõem-se: o que é feito dessa malta tão elevada? Estão tão silenciosos e desmobilizados porquê? Então e o país? Já cortaram uns 40.000 professores, mais uns milhares de milhões em impostos, salários e subsídios, e a dívida continua a subir? Quem é feito do discurso dos comentadores alinhados com estas correntes, como Gomes Ferreira, Nogueira Leite, Medina Carreira ou Camilo Lourenço? Não dizem nada sobre este estrondoso sucesso empresarial?

 

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Domingo, 08.02.15

 

 

 

 

Os EUA exportaram, segundo Stiglitz, o seu modelo de corrupção e a Europa adoptou essa meritocracia: a dos interesses e do monetarismo que aniquilou a do currículo, dos programas, das ideias e dos projectos. E os europeus foram de tal forma impregnados que as oligarquias nasceram como cogumelos até nos confins dos territórios.

 

É também isso que explica muita da corrupção que nos afundou e que se ligou aos aparelhos partidários e às campanhas eleitorais. Há muito que a as vitórias eleitorais nos EUA se medem pela quantidade de fundos. Até a de Obama ficou ligada a esse pragmatismo com um inédito financiamento popular.

 

Em Portugal também foi assim. Houve presidentes da República que o denunciaram com veemência, mas a máquina estava tão imparável que só estremeceu quando se estampou contra o muro da bancarrota. A exemplo da frieza não contemplativa da diplomacia internacional, também as máquinas partidárias não olharam a meios nem a solidariedades. Não é por acaso que Soares, repito, se indigna com a singularidade da prisão de Sócrates, embora uns poucos, como Duarte Lima e afins, já tenham caído numa espécie de desgraça.

 

 

 

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Museu Guiness (a mandante da cidade?). Dublin. Agosto de 2013. 

 

 

 

 



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Sábado, 07.02.15

 

 

 

 

Como há tempos escrevi, é inaceitável que Mário Soares avise um juiz para ter cuidado. Mas o que é que levará Mário Soares a mais um excesso?

 

O fundador do PS conhece muito bem o sistema e sabe como se financiaram durante décadas os aparelhos dos partidos e as campanhas eleitorais. Se olharmos para o rol de comprovada corrupção (só faltam mesmo os meios judiciais para que mais casos conhecessem a luz pelas grades), vemos as cortes de Soares e de Cavaco (com o CDS sempre nas sobras) ligadas às PPP´s, ao BPN, ao BCP, ao BPP, ao BES, à PT, aos submarinos, às imobiliárias como prolongamento do Estado, aos grandes escritórios de advogados, às cooperativas dos diversos graus de ensino (GPS e Grupo LENA começaram no mesmo espaço geográfico) e ficávamos aqui a tarde toda a elencar os excessos das oligarquias.

 

Talvez o que Soares não compreenda seja o óbvio: só o Sócrates?

 

Por muito que se intua que o ex-primeiro-ministro seja como "aquele-colarinho-branco-que-sujou-as-mãos-com-sangue" e que por isso, pela imprevidência, caiu às mãos dos pares, tem de se aceitar a vox populi vigente em forma de esperança grega: a lista dos seguintes não é pequena.

 

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Imagem na rede sem referência ao autor. 

 

 



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Quinta-feira, 05.02.15

 

 

 

Philippe Legrain deu há menos de um ano uma entrevista arrasadora ao Público. O antigo conselheiro económico de Durão Barroso foi coerente e tecnicamente fundamentado ao desmontar a destruição produzida pela troika e acentuada pelo Governo português. Desconstruiu a teoria, que o Governo português fomentou e implementou, que nos dilacerou e que nos colocou como "criminosos" que mereciam um castigo.

 

Os portugueses foram uma fonte de receita para um sector financeiro corrupto, como estamos fartos de saber. É impensável que desta vez não haja uma qualquer accountability para os políticos que passaram o tempo a acusar os outros de falta de responsabilidade profissional, de preguiça e de gastarem em excesso. É bom que haja alguma memória.

 

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Domingo, 01.02.15

 

 

 

O efeito eleitoral "Syriza" vai chegar à Península Ibérica? A interrogação aumenta de pertinência e o Podemos espanhol parece dizer que sim. Não há muito, as forças portuguesas do mesmo espaço eram um exemplo para gregos e espanhóis, mas uma inflamação de egos, e de identificação do pragmatismo e do programa, atrasou (?) o processo.

 

Há algumas conclusões. Os governos da Península apontam indicadores macro-económicos como vacina anti-Syriza e o caso espanhol até conseguiu encenar o afastamento da troika ou um crescimento acima da média europeia. Mas a ideia que fica é que os eleitores já nem disso querem saber. Estão cansados do mainstream, estão cansados das oligarquias, das rendas e da corrupção, estão cansados dos do costume e da podridão do "legal" aparelhismo que atravessou a sociedade. E quando assim é, e mesmo num país como Portugal em que a maioria silenciosa faz jus à designação, as ondas de choque podem aparecer.

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 28.01.15

 

 

 

 

Sou quase totalmente cliente do Serviço Nacional de Saúde; só os dentistas e uns exames de diagnóstico escapam. Não tenho razão de queixa e a saúde também tem sido simpática. Mas com a segunda rodada da gripe, e com a informação que vamos tendo, dá para perceber o efeito dos ultraliberais. É impressionante. Para além do mais mediatizado que merecia um "chega" a um ministro sinistro, impressiona que alguém com ADSE pague mais numa consulta à médica de família (que tem apenas alguns meios de diagnóstico) do que no privado concorrente: e, ao que me dizem, sai de lá com os exames possíveis e impossíveis e a ADSE pagará o que fizer falta. O que a ADSE não paga ao doente é os três primeiros dias de baixa médica: são sem vencimento: o desgraçado do doente vai infectar os outros e desfalece gradualmente ou é convidado a ficar por casa não vá a doença regressar e a contagem do vencimento recomeçar do zero. Muito maquiavélico, tudo isto.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 19:03 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Segunda-feira, 26.01.15

 

 

 

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O maravilhoso mundo do mercado da Educação

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 12:26 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 25.01.15

 

 

 

A batota no acesso ao superior já leva umas duas décadas a promover um rol de injustiças e de salve-se quem puder. Conhecem-se os principais instrumentos causadores da vergonha institucionalizada. Fica a ideia que a falta de coragem do poder político ficou sempre ligada à capacidade dos aparelhos partidárias para tratarem dos seus e das suas clientelas. A última década do sistema escolar ficou marcada por um conjunto de políticas que acentuaram o descrito. Não há nada a fazer? Há e, bem pelo contrário, até está tudo por fazer outra vez.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 09:20 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sábado, 24.01.15

 

 

 

Queirozeze, o virtuoso

 

 

Rankings que já vão quase no pré-escolar, numerus clausus e restante parafernália ultraliberal, a que poucos escapam, só podia dar nisto. O sistema escolar mistura com frequência duas sensações: vergonha e nojo.



publicado por paulo prudêncio às 14:25 | link do post | comentar | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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