Em busca do pensamento livre.

Sábado, 05.08.17

 

 

 

"A formação da personalidade apoia-se na sua negação", é uma verdade educativa intemporal. Por mais que os destinatários reajam (e é bom que o façam), o "não" é desejado, e inconfessado, pelos educandos, necessário e útil.

Outra verdade é a necessidade do "não" escolar aos encarregados de educação (não organizacional e curricular, obviamente) que a lógica do "cliente tem sempre razão" tem eliminado. Há encarregados de educação mais "tudólogos", ou necessitados da sensatez do não escolar, que confundem o "outro" com o "igual" na relação com os educandos e que desvalorizam a importância destas questões para a saúde da democracia como sublinharam Hannah Arendt e muitos outros. A gravidade acentua-se se a desinformação atinge agentes escolares.

 

3ª edição.

 

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publicado por paulo prudêncio às 09:41 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 05.03.17

 

 

 

"A formação da personalidade apoia-se na sua negação", é uma intemporal verdade educativa. Por mais que os destinatários reajam (e é bom que o façam), o "não" tem tanto de desejado, de necessário e de útil como de inconfessado pelos educandos.

Outra verdade prende-se com a necessidade do "não" escolar aos encarregados de educação (não organizacional e curricular, obviamente) e que a lógica do "cliente tem sempre razão" tem eliminado. É evidente que haverá encarregados de educação mais "tudólogos" ou necessitados da sensatez do não escolar, que confundem o "outro" com o "igual" na educação das crianças e jovens e que desvalorizam a importância destas questões para a saúde da democracia como sublinharam Hannah Arendt e muitos outros. A gravidade acentua-se se a desinformação atinge autoridades escolares.

 

2ª edição.

 

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publicado por paulo prudêncio às 16:52 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 05.02.17

 

 

 

Partindo da lógica Hegeliana e da inerente concepção dialéctica da categoria "contradição", em que o desenvolvimento se faz pelo reconhecimento e ultrapassagem dos diversos conflitos, Hubert Hannoun construiu um conjunto de teses no âmbito das correntes pedagógicas que me ajudaram a nortear o ensino por volta da década de oitenta numa fase em que a proliferação de propostas atingia um auge significativo.

 

Afinal, Hubert Hannoun, considerado um pedagogo marxista e arrumado por muitos na gaveta dos ultrapassados, apenas propôs o óbvio: ao mestre competia escolher a grande maioria dos conteúdos, seleccionar os objectivos e assumir a responsabilidade pelo ensino e pela avaliação dos alunos; nada de dramático, portanto. Mas para chegar aí, Hubert Hannoun desmontou e arrumou em grupos as teses conhecidas.

 

Considerando o vasto elenco dos conflitos da Educação, o autor centrou os seus estudos na relação contraditória professor versus aluno (CPA) estabelecendo "os conteúdos de ensino" como elemento mediador da relação.

 

Pegou na história e considerou três grupos de teses:

  • um que negou a contradição CPA - a tese da harmonia - com o lugar cimeiro atribuído ao psicoterapeuta Carl Rogers e às suas relações empáticas (as propostas rogerianas foram bem sucedidas nas relações individualizadas, mas mostraram-se desastrosas quando aplicadas aos grandes grupos de alunos na organização tradicional das escolas);
  • e outros dois grupos, que aceitaram a existência da CPA - as teses do desequilíbrio - mas que sobrevalorizaram à partida um dos elementos do conflito: as do magistercentrismo (professor rei, digamos assim), com expoentes como Alain, Dewey e Durkheim, e as do pedocentrismo (aluno rei, digamos assim), com expoentes como Freinet, Montessori e Summerhill.

Hubert Hannoun propôs a tese da ultrapassagem com os conteúdos de ensino como intermediadores do conflito. Só se ensina o que se sabe e a garantia dessa autoridade é o oxigénio da democracia: no presente e no futuro e tanto ontem como hoje.

 

Parece-me que este é o debate que mais importa fazer em Portugal. Num tempo sobreaquecido e de crise das instituições (da escola também), o lugar da hierarquia de soluções é de novo imperativo; é curial encontrar o fio condutor de que falava Confúncio:

 

- Pensas que sou um homem culto e instruído?

- Com certeza - respondeu Zi-gong. - Não é?

- De modo nenhum - disse Confúcio.

- Simplesmente descubro o fio da meada.

Sima Quian, "Confúcio")

 

 

 

 

"Os conflitos da educação" de Hubert Hannoun, foi traduzido por Maria Antónia Morais Miranda e publicado em 1980 pela Socicultur na colecção Biblioteca de Pedagogia.

 

 

 

(1ª edição em 12 de Outubro de 2009. Reescrito.)



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Domingo, 27.11.16

 

 

 

Duas palavras entraram na moda: disruptor (rompe com o que está) e pós-verdade ("os factos objectivos têm menos influência na formação da opinião pública do que os apelos emocionais e as crenças pessoais"). Se fosse um pessimista, diria que estamos enclausurados numa sociedade (septuagenária e erguida nas ruínas da II guerra) em queda sem fim e que esperneamos porque não podemos partir de imediato para outro planeta.

 

Mas como o post é sobre a escola, e como sou optimista, façamos a disrupção a pensar na escola-indústria considerando as "salas de aula do futuro" uma pós-verdade. Desde que há escola que se tenta escapar ao ensino tradicional. Foi assim, por exemplo, "a seguir à II guerra" com Freinet, Montessori e Summerhill e, já com o digital, com as plataformas Moodle que se tornaram processos descontrolados quando aplicados em crianças e mais ainda em turmas numerosas. São também intemporais os comportamentos dos actores. Os modistas acusam os tradicionalistas de acomodados e os segundos reivindicam o fim da história. É difícil mudar a escola-indústria, mais ainda em sistemas centralizados por controle burocrático. É aí que o digital pode ajudar a ideia de "sala de aula do futuro". Não há organização que ensine em ambiente digital se não viver numa atmosfera correspondente. O clima organizacional tem de assentar na confiança e a simplificação de procedimentos tem de eliminar o lançamento de informação inútil, repetida ou redundante. No caso português, está muito por fazer.

 

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Sexta-feira, 17.06.16

 

 

 

Enquanto existirem professores, haverá cargas genéticas e componentes ambientais a influenciar estilos de ensino e desempenhos. Se o professor quiser que os alunos o ouçam, usará um estilo de comando ou directivo. Se organizar os alunos por grupos pode ir da avaliação recíproca aos pequenos ou grandes grupos e se pretender que os alunos encontrem uma solução pode ir pela resolução de problemas, atribuição de tarefas ou descoberta guiada.

 

Não é avisado misturar a docimologia e as técnicas de ensino, que são, a par do conhecimento científico, os patrimónios dos professores, com correntes ideológicas. E nada disto significa que na Educação não haja disputa ideológica. Pelo contrário. Só que, e vezes a mais como se tem comprovado, as ideias não coincidem com as acções e muito menos com os resultados.

 

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publicado por paulo prudêncio às 19:26 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 04.06.16

 

 

 

"A formação da personalidade apoia-se na sua negação", é uma antiga verdade educativa. Por mais que os educandos reajam (e é bom que o façam), o "não" tem tanto de desejado, de necessário e de útil como de inconfessado pelo destinatário.

 

Outra "verdade" é o "não" escolar aos encarregados de educação (não organizacional e curricular, obviamente), que é da família do anterior, e que a lógica do "cliente tem sempre razão" tem eliminado. É evidente que há encarregados de educação que confundem o "outro" com o "igual" na relação com crianças e jovens e que desvalorizam a importância destas questões para a saúde da democracia como sublinhou Hannah Arendt. A gravidade acentua-se se a desinformação atinge autoridades escolares.

 

 

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publicado por paulo prudêncio às 22:24 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 11.04.16

 

 

 

 

"Aulas no século XXI são um escândalo. Com aulas ninguém aprende.", diz o professor José Pacheco ligado ao projecto "Escola da Ponte". Esta antiga discussão (o fim anunciado da secular escola-indústria) emerge quando mudam governos e se lançam "novas" reformas. Foi assim, por exemplo, "na segunda metade do século XX" com Freinet, Montessori e Summerhill e mais recentemente com as plataformas de comunicação como o Moodle. No último caso, e mais uma vez, o que pode ser uma solução prometedora com adultos ou jovens adultos, torna-se um processo descontrolado se generalizado com crianças e mais ainda em turmas numerosas. E depois há os extremos. Os entusiastas dos modismos que se apressam a classificar de acomodados os tradicionalistas da escola-indústria ou os radicais da tradição que se acham no fim da história por "irrefutabilidade" do modelo vigente.

 

Há alternativas. Exigem estudo e obrigam a testar (sim: testar; experimentar por amostra). Exemplos? Se terminamos com campainhas, não o fazemos de supetão; começamos pelo início das aulas mantendo os toques que indicam o fim dos intervalos maiores, de seguida vamos às extremidades horárias e por ai fora. Se compete ao professor decidir pelo momento de intervalar aulas de 90 minutos, escolhemos primeiro algumas disciplinas de anos iniciais de ciclo e vamos generalizando ano a ano com a preocupação de manter o silêncio nos corredores. Se introduzimos telemóveis nas aulas, ou sofás como é moda nesta altura, usamos uma qualquer progressão disciplinar. Se queremos eliminar manuais e trabalhos de casa, introduzimos progressivamente versões digitais e asseguramos apoio ao estudo bem criterizado. Se acabamos com "aulas de substituição", responsabilizamos os alunos pelas escolhas "escolares" alternativas. Se precisamos de provas para avaliação externa, escolhemos os anos, mantemos o modelo durante anos e contrariamos as tentações internas de criar provas globais por disciplina e ano de forma a não condicionarmos a liberdade de aprender e ensinar e de procurar soluções que busquem a asserção fundamental: há poetas vivos.

 

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Sexta-feira, 04.03.16

 

 

 

"Deliberadamente vamos utilizar terminologia clássica, aclarando, desde logo, que "não se trata de advogar ou propôr o regresso a um passado mítico, e muito menos a defender programas mínimos como ler, escrever e contar ou as tendências de "back to basics". Trata-se, pelo contrário, de abrir novas perspectivas que ponham a aprendizagem, no seu sentido mais amplo, no centro das nossas preocupações" (Novoa, 2009, 194). Somamo-nos à exigência de clareza no debate sobre as coisas públicas: "O buraco negro do debate público sobre educação, capaz de absorver e fazer desaparecer qualquer ideia que se aproxime, é hoje a dificuldade em chamar as coisas pelos seus nomes" (Fernando Enguita, 2009, 72)"

 



Angel García del Dujo.

La escuela en crisis/Recontrucción del sentido de
la actividad educativa escolar (página 83)
(a tradução é minha)



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Quarta-feira, 02.03.16

 

 

 

"A formação da personalidade apoia-se na sua negação", é uma intemporal verdade educativa. Por mais que os destinatários reajam (e é bom que o façam), o "não" tem tanto de desejado, de necessário e de útil como de inconfessado pelos educandos.

 

Outra verdade prende-se com a necessidade do "não" escolar aos encarregados de educação (não organizacional e curricular, obviamente) e que a lógica do "cliente tem sempre razão" tem eliminado. É evidente que haverá encarregados de educação mais "tudólogos" ou necessitados da sensatez do não escolar, que confundem o "outro" com o "igual" na educação das crianças e jovens e que desvalorizam a importância destas questões para a saúde da democracia como sublinharam Hannah Arendt e muitos outros. A gravidade acentua-se se a desinformação atinge autoridades escolares.

 

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publicado por paulo prudêncio às 19:12 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 18.04.13

 

 

 

Paradigmas pedagógicos



publicado por paulo prudêncio às 09:17 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 25.01.13

 

 

 

 

 

 

 

Podemos considerar a pedagogia do silêncio como uma espécie de metáfora que contraria o insuportável caderno de encargos da escola actual, que atribui à instituição um papel centrado na sala de aula e que contraria o excesso de informação e de ruído a que se sujeitam as crianças até no ambiente escolar. A pedagogia do silêncio elege a sala de aula para além do registo tradicional, situando-a no vasto elenco de possibilidades que definem o conhecimento transformacional da categoria aprendizagem que teve uma espantosa evolução.

 

O parágrafo anterior é o que de mais significativo registei na interessante conferência de António Nóvoa que se realizou ontem à noite no auditório da Escola Secundaria Rafael Bordalo Pinheiro e que foi organizada, numa iniciativa que inclui conferências às quintas-feiras, pelo Centro de Formação de Associação de Escolas Centro-Oeste.

 

António Nóvoa sistematizou um modelo que procura respostas para os desafios da escola do futuro através de um olhar atento para o presente e com uma profunda incursão num passado muito enriquecido por relevantes referências.

 

O conferencista continua à procura das palavras certas que ajudem a encontrar um caminho. Nesse sentido, talvez fosse curial reflectir sobre o uso da asserção "escola centrada na aprendizagem". É que foi quase exactamente assim que se instituíram as correntes pedocentristas como de alguma forma sistematizo aqui. Prefiro a "escola centrada no ensino", reconhecendo o risco do regresso ao outro termo da contradição, e talvez a "escola centrada na sala de aula" permitisse uma leitura menos equívoca. O peso das palavras é incontornável.

 

Para António Nóvoa continuamos na pedagogia do século XX e isso deve ser questionado. As ideias de "à sociedade o que é da sociedade e à escola o que é da escola" e "o regresso dos professores" são duas asserções que devem corporizar a ideia de uma "escola centrada na aprendizagem".

 

O conferencista fez analogias entre o que vivemos e o período iniciado com as correntes pedocentristas. As crianças são o "centro da vida". Propôs como fundamental a ideia de "ensinar os alunos que não querem aprender, porque os outros acabam sempre por o fazer" e socorreu-se de Alain que considerou que "difícil é conduzir as crianças a ficarem agradadas, no fim, com aquilo que, no princípio não lhes agradava nada".



publicado por paulo prudêncio às 21:37 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 10.04.12

 

 

 

Os relatórios da OCDE recordam-me as agências que supervisionavam a banca antes da bolha imobiliária: longe do terreno, baralhadas, no caso dos sistemas escolares, em relação às correntes pedagógicas, impregnados de eduquês e de má burocracia e por aí fora. É um comboio que nem sequer muda de linha com as catástrofes e que parece só parar no abismo.

 

O problema português está na sociedade. Quanto ao resto do relatório, remeto-me para a leitura deste post.

 

 

Os professores precisam de centrar-se nos alunos, diz OCDE



publicado por paulo prudêncio às 14:22 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sábado, 17.03.12

 

 

A actualidade do projecto pedagógico kantiano



publicado por paulo prudêncio às 09:36 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 24.01.12

 

 

É mais correcto falar em ignorância do que em conhecimento quando nos referimos à forma como cada um aprende e é por isso que é ainda menos rigoroso hierarquizar os modos de ensinar um qualquer conteúdo. O que está implícito na frase que acabei de escrever, e que remete as ciências da Educação para o lugar das menos exactas, é um factor decisivo para a "permanente" crise de um sistema escolar. A demagogia e a ligeireza encontram terrreno apropriado.



publicado por paulo prudêncio às 19:00 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 17.12.11

 

 

"Deliberadamente vamos utilizar terminologia clássica, aclarando, desde logo, que "não se trata de advogar ou propôr o regresso a um passado mítico, e muito menos a defender programas mínimos como ler, escrever e contar ou as tendências de "back to basics". Trata-se, pelo contrário, de abrir novas perspectivas que ponham a aprendizagem, no seu sentido mais amplo, no centro das nossas preocupações" (Novoa, 2009, 194). Somamo-nos à exigência de clareza no debate sobre as coisas públicas: "O buraco negro do debate público sobre educação, capaz de absorver e fazer desaparecer qualquer ideia que se aproxime, é hoje a dificuldade em chamar as coisas pelos seus nomes" (Fernando Enguita, 2009, 72)"

 

 

 

Angel García del Dujo.


La escuela en crisis/Recontrucción del sentido de

la actividad educativa escolar (página 83)

(a tradução é minha)



publicado por paulo prudêncio às 21:00 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 03.11.11

 

 

 

 

Seria interessante um estudo sobre o financiamento que as escolas do ensino não superior utilizaram durante as últimas duas décadas para as despesas de funcionamento. Tenho ideia que não haverá qualquer "buraco" financeiro e que apenas uma contabilidade atávica terá apurado despesa excessiva depois do fecho dos anos económicos e que terá sido corrigida no ano seguinte. E mais: mesmo com desperdícios vários, o produto dividido pelo o número de alunos envergonharia qualquer arauto do despesismo do sistema escolar.

 

A despesa com os salários dos professores é da exclusiva responsabilidade dos sucessivos governos em anos de eleições. A década de noventa do século XX foi marcante, com destaque para o célebre monstro de Cavaco Silva no início e para a reorganização curricular orientada por Marçal Grilo no final. Esta última, foi megalómana e assentou num conceito que nunca pode ser uma locomotiva curricular: a interdisciplinaridade.

 

Outro argumento esgrimido pelos que repetiram o chavão de que tudo-está-mal-nas-escolas-do-estado foi a sua captura pelos sindicatos. Quem está no terreno sabe que não foi assim. É tão pouco conhecedor como dizer-se que em determinada época os professores foram mais directivos e noutra priveligiaram teses diferentes. A forma com a sociedade encarou a educação foi sempre mais decisiva.



publicado por paulo prudêncio às 20:00 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 28.10.11

 

 

Ja tinha escrito sobre o livro de Michael Winterhoff (2008), "Por que é que os nossos filhos se tornam tiranos?", mas só hoje terminei a leitura. Muito interessante.

 

O psiquiatra infantil alemão não apresenta evidências empíricas fortes e provavelmente não necessita. O que se conclui de imediato é que a realidade educativa na Alemanha é tão preocupante como em Portugal e que estão mesmo alarmados. Quem diria.

 

Tenho insistido numa espécie de algoritmo convencido que, grosso modo, 60% do sucesso escolar se deve à sociedade e ao ambiente familiar, 30% à organização escolar e 10% aos professores. Também sublinho que os 60% são por defeito para deixar espaço às outras variáveis e que em Portugal se tem invertido o algoritmo com consequências nefastas para as taxas de abandono e de insucesso escolar efectivo e a prazo para a sociedade e para a democracia. O que não sabia é que Michael Winterhoff dedica á sociedade e às famílias uma responsabilidade que atinge uns 90%. Sempre que cita a escola e os professores é para dar exemplos negativos que têm origem nessas variáveis.

 

É um livro de leitura obrigatória. Farei, nos próximos dias, mais posts a partir do livro. "(...) o facto de nenhuma instituição pública estar em condições de funcionar como correctivo para as falhas do ambiente familiar. (...)". (p.154), é uma conclusão bem fundamentada e o pública é apenas a abrangência destes países para estas coisas.



publicado por paulo prudêncio às 20:56 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

 

Encontrei o vídeo aqui.


publicado por paulo prudêncio às 09:04 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 08.07.11

 

 

Há dois atributos essenciais para os que acreditam que uma ideologia é sempre um conjunto de interesses inconfessáveis: o cinismo da política e as teorias da conspiração. Se se viciarem nesses raciocínios, podem confundir o nível da discussão e baralhar conceitos. É até humano que assim seja.

 

Enquanto os professores forem pessoas haverá sempre uma carga genética a influenciar o seu estilo de ensino e uma componente ambiental que possibilitará a melhoria do seu desempenho. Se o professor quiser que os alunos o ouçam usará um estilo de comando ou directivo, se escolher organizar os alunos por grupos pode ir da avaliação recíproca aos pequenos ou grandes grupos, se pretender que os alunos encontrem uma solução pode ir pela resolução de problemas ou pela atribuição de tarefas, se desejar que os alunos cheguem ao resultado que desenhou pode optar pela descoberta guiada e por aí fora. 

 

Baralham-se os níveis se se reduzem a docimologia e as técnicas de ensino, que são, a par do conhecimento científico, os verdadeiros patrimónios dos professores, à importante discussão ideológica; a sistemática e a inteligência exigem níveis diferentes. Confundir estilos de ensino com correntes políticas e ideológicas é tão pouco avisado que chega a ser risível. E nada disto significa que na Educação não haja luta ideológica. Pelo contrário. Muitas vezes, e como se tem comprovado, as ideias não coincidem com as acções e muito menos com os resultados.



publicado por paulo prudêncio às 09:50 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Domingo, 26.06.11

 

 

 

Se há quem se queixe da ausência de debate ideológico, o sistema escolar em Portugal não o pode fazer. Os tempos recentes têm sido preenchidos pela discussão ideológica à volta das correntes da pedagogia. Como já escrevi várias vezes, tenho a impressão que a opção por qualquer das correntes fica à porta das salas de aula. Afirmo a sua importância na formação dos professores, na didáctica do ensino e na utilização dos diversos estilos. Mas remeto para a personalidade de cada professor a intemporalidade na forma de gerir grupos de pessoas e de a associar aos estilos de ensino

 

As correntes magistercentristas (professor rei) são as mais criticadas por terem uma conotação com os extremos totalitários. A revolução francesa deu início ao direito do aluno e provocou uma série de novas correntes, que se afirmaram no construtivismo, nas chamadas pedagogias modernas e não directivas. Com o tempo, e com o avanço ideológico, as primeiras foram arrumadas no não democrático e as segundas na promoção da igualdade de oportunidades.

 

Só que, tudo isso e repito, foi ficando à porta das salas de aula e ainda bem. O aluno como um igual, e não como o outro que tem de aprender, nunca passou do debate ideológico e do lugar do politicamente correcto. Pior: construíram-se máquinas de má burocracia que se destinaram a advogar o aluno réu perante o professor juíz e asfixiaram-se a liberdade de ensinar e, por muito inesperado que possa parecer, a igualdade de oportunidades para aprender. O caderno de encargos da escola tornou-se insuportável. Infantilizou-se o clima relacional fora das salas de aula e dificultou-se a afirmação do saber no seu interior.

 

Parece-me que é isto que custa perceber a quem se bate pela manutenção da ideia do aluno como um igual herdada da revolução francesa e que acusa de sei-lá-o-quê quem o questiona.

 

A questão chave parece-me de simples formulação. Dentro da sala de aula todos os estilos de ensino são válidos. O que estará sempre em causa é a personalidade de quem os usa, a disciplina que é leccionada e a intencionalidade didáctica pretendida.



publicado por paulo prudêncio às 22:00 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar


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Autor:
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