Em busca do pensamento livre.

Segunda-feira, 30.01.17

 

 

 


No tempo em que não havia google nem sequer internet, e considerando a informação preciosa que se perdia, dediquei-me à construção de bases de dados para alguns assuntos. A dos "ficheiros secretos" tem entradas com resumos de conferências. Andava à procura das questões que apresentei a Eduardo Prado Coelho e encontrei as que coloquei a Bragança de Miranda na conferência sobre corporeidade (estiveram lá os dois) em 7 de Novembro de 1997, na Cruz Quebrada.

Regressei a Bragança de Miranda por causa do vídeo, que colo mais abaixo, imperdível "Palavra e tentação". As questões foram colocadas assim:

Muito obrigado.

Vou colocar duas questões e gostaria que estabelecesse uma relação entre elas, partindo de três categorias: ideologia, responsabilidade e dor.

Primeira questão: considerando o conceito de ideologia, que por aqui estabelecemos, como um conjunto de interesses inconfessáveis (e pensei no consenso manufacturado de Chomsky e na comunidade que vem de Agamben) quais são os interesses inconfessáveis da ideologia do corpo?

Segunda questão: se a responsabilidade das ligações é de cada um dos corpos organológicos, e se o primeiro movimento da responsabilidade é a dor, como será a responsabilidade de um corpo sem dor e a que ideologia isso interessa?

A resposta de Bragança de Miranda, depois de sorrir e de uma pausa, foi sábia e merecia uma conferência: "o mundo passa mais pelas palavras do que pela fisiologia".

 

 



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Segunda-feira, 03.10.16

 

 

 

"(...)A certa altura a jornalista pergunta a Bragança de Miranda se ele nunca quis ser artista. O entrevistado diz uma série de coisas sobre o seu percurso pessoal e profissional e termina assim: "Felizmente, veio a Revolução que acabou com todas essas ilusões." Porquê, diz a jornalista?: "Porque a Revolução era bem mais importante. E foi um momento fantástico que só quem o viveu pode verdadeiramente perceber. Quem não teve a sorte de ter vivido o 25 de Abril tem que se contentar com os mundiais de futebol."(...). Daqui.

 

Bragança de Miranda (BM) esteve no debate, ilustrado pela imagem, em 01 de Outubro de 2016, integrado no Folio de Óbidos. O amor pela liberdade foi a constante das suas intervenções. Quem assistiu, olha para a imagem, percebe a atmosfera, as diversas posições e até o referido sobre BM (é o do meio).

 

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Segunda-feira, 28.03.16

 

 

 

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Domingo, 06.03.16

 

 

 

 

Numa sexta-feira às 21h00, e a abrir um ciclo de conferências integrado na formação contínua da congeladíssima carreira dos professores e abrangido por um modelo de avaliação do desempenho que faz tudo menos o que transporta no nome, é reconfortante encontrar um auditório quase cheio e que se aguentou até perto das 24h00. Foi muito agradável ser convidado por pares e ter o Paulo Guinote também como conferencista. O assunto, "O papel da comunicação na valorização da profissionalidade docente", tem variados ângulos de análise e é muito interessante. As abordagens centraram-se numa breve caracterização do tempo que vivemos, no conceito de comunicação dirigido para o fenómeno da blogosfera e na relação com os fundamentos da profissionalidade docente. As imagens são do Nicolau Borges, director do CFAE-Oeste.

 

 

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Sexta-feira, 04.03.16

 

 

 

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Domingo, 11.01.15

 

 

 

 

 

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publicado por paulo prudêncio às 13:31 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 31.05.14

 

 

 

 

1ª edição em 30 de Janeiro de 2014. 

 

 

 

 

Como há tanta informação preciosa que se perde, dediquei-me à construção de bases de dados para os mais variados assuntos.

 

A dos "ficheiros secretos" tem centenas de entradas e algumas incluem resumos de conferências. Andava à procura dumas questões que apresentei a Eduardo Prado Coelho e encontrei as que coloquei a Bragança de Miranda numa conferência sobre corporeidade (estiveram lá os dois) em 7 de Novembro de 1997, na Cruz Quebrada.

 

Regressei a Bragança de Miranda por causa do vídeo imperdível "Tentação e palavra" e nessa viagem revi Eduardo Prado Coelho.

 

As questões foram colocadas assim:

 

Muito obrigado. Vou colocar duas questões e gostaria que estabelecesse uma relação entre elas, partindo de três categorias: ideologia, responsabilidade e dor.

Primeira questão: considerando o conceito de ideologia, que por aqui estabelecemos, como um conjunto de interesses inconfessáveis (e pensei no consenso manufacturado de Chomsky e na comunidade que vem de Agamben) quais são os interesses inconfessáveis da ideologia do corpo? Segunda questão: se a responsabilidade das ligações é de cada um dos corpos organológicos, e se o primeiro movimento da responsabilidade é a dor, como será a responsabilidade de um corpo sem dor e a que ideologia isso interessa?

 

A resposta de Bragança de Miranda, depois de sorrir e de uma pausa, foi sábia e merecia uma conferência: "o mundo passa mais pelas palavras do que pela fisiologia".

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 22:13 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Terça-feira, 13.05.14

 

 

 

 

O CFAE Oeste (centro de formação de professores com sede nas Caldas da Rainha) organizou um ciclo de conferências a propósito dos "40 anos de Abril" que terminou ontem com Guilherme D'Oliveira Martins. O tema foi a corrupção.

 

Há um conjunto de princípios em que fomos educados que são consensuais quando discutimos a génese da corrupção.

 

Desde logo, o conferencista considerou a necessidade da prova como o imperativo para as queixas do domínio da corrupção e advogou a necessidade imperiosa de se combater a resistência à denúncia. Enfatizou, esteve bastante tempo a detalhar o referido e sentenciou: "a corrupção começa num favor legítimo a quem conhecemos melhor e acaba num crime".

 

Estabeleceu três níveis: um primeiro para a excessiva produção de leis; um segundo para a investigação criminal; e um terceiro para a prevenção da corrupção, para a importância da cidadania e dos planos de prevenção por parte de todas as entidades públicas com destaque para a circulação (mudança) das pessoas que decidem e para a colegialidade dos órgãos de decisão com vista à partilha e à transparência.

 

Apenas cerca de 10% do discurso de Guilherme D'Oliveira Martins se centrou na corrupção de Estado, dos offshores (devem fechar na opinião do conferencista) e na grande corrupção que começa nos aparelhos partidários, passa pelas organizações ditas secretas e acaba nos grandes escritórios de advogados. Em suma, a corrupção que passa pela política.

 

E considerando o estado a que chegámos, e mesmo que estejamos algo epidérmicos, é tempo de alterarmos a retórica. Já não é admissível compararmos a tal "antecâmara" da corrupção, o pequeno favor legítimo, com que tropeçamos com o crime que nos consumiu. E a história mais recente também nos aconselha a desconfiarmos da superioridade moral dos povos do centro e norte da Europa.

 

Quanto mais não seja, devemos recordar o seguinte:

 

"Sim, sim, claro que é a justiça, mas primeiro está a minha mãe", foi mais ou menos assim que Lawrence Kohlberg caracterizou o nível cimeiro da sua taxonomia que se destinava a estudar o desenvolvimento moral, retomando e aperfeiçoando o modelo piagetiano.

 

Ou seja, o pequeno presente é condenável, mas é tão ancestral que não pode ser considerado da família do grande crime. A não ser que teimemos na anestesia que impede que saiamos do estado a que chegámos como uma nova versão do relativismo cultural.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 20:55 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 28.05.13

 

 

 



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Quinta-feira, 07.02.13

 

 

 

 

 

"A acção dos movimentos independentes é inconsequente e os protagonistas querem os seus cinco minutos de fama", disse Manuela Maria Carrilho (MMC) nesta conferência.

 

Bem sei que MMC tinha acabado de ilustrar a "ausência" da administração de Obama no duelo entre a política já civilizada e o financeiro por civilizar. Mais do que um cepticismo estruturado, MMC situou o debate na esfera da democracia representativa versus democracia directa (escolheu a primeira), embora mais à frente tenha desacreditado a representação do povo pelos políticos e pelos partidos (por impossibilidade de encenar o futuro) e o voluntarismo cívico (considerou-o um logro).

 

Como o desafio de MMC passa por pensar (pensa-se pouco), podemos fazê-lo e ler contradições nos termos apresentados.

 

Qual será a resposta dos cidadãos à tal crise de representatividade? Se o voluntarismo cívico é um logro e se a defesa que interessa é a da representação, aonde é que se jogam os argumentos para sairmos donde estamos? Como é que se desmunicia o voto estruturado na existente democracia representativa?

 

Podemos ficar horas a pensar, a enunciar o contraditório e a situar a discussão no plano das ideias. Será injusto dizer que MMC vive na estratosfera e que não sente na pele os verdadeiros efeitos da crise. Será. Mas também considero injusto arrumar desse modo os movimentos de cidadãos e a coragem de muitos dos protagonistas (sim, coragem; é bom  nomear as acções).



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Quarta-feira, 06.02.13

 

 

 

 

 

 

 


Temos uma grande dificuldade em pensar e podemos afirmar que se pensa pouco. Foi mais ou menos assim que Manuel Maria Carrilho iniciou a sua conferência no auditório da ES R. B. Pinheiro nas Caldas da Rainha. O filósofo foi apresentado por Rui Grácio, que fez uma breve passagem pela obra "Pensar o Mundo", numa iniciativa do CFAE Centro-Oeste. Pensar o mundo e pensar Portugal implica pensarmos como chegámos aqui e como sairemos, acrescentou.

 

Manuel Maria Carrilho discursou sobre a crise e também a propósito dos termos que usamos sem a preocupação de definir com rigor o significado. Moderno (perguntou se haverá quem não o queira ser), refundação, crescimento e austeridade foram os mais dissecados.

 

Foi crítico da globalização, associou-a ao individualismo e considerou que somos mais livres do que nunca na Europa. No entanto, socorreu-se de Kundera e da ideia de que "tenho direito ao que desejo" o que acaba por se traduzir numa impotência do colectivo.

 

A representação pelos políticos e pelos partidos como representantes do povo e encenadores do futuro está em crise. Disse que a supressão do futuro e dos médio e longo prazos e a absolutização do presente e do curto prazo provocam essa falência, sendo um logro o elogio do voluntarismo.

 

Classificou como "inconsequente" a acção dos movimentos de cidadãos, defendeu a simbiose governativa das áreas da educação, da ciência e da cultura, que mereceriam um conselho de ministros dedicado, foi crítico da escola com receptora de todas as crises e não vê grande futuro para os políticos que não o façam a partir dessa instituição. O Homem é um mutante antropológicoclicar é saber sem aprender. A escola está desmuniciada para enfrentar este problema que deve ser central para a política.

 

Para Manuel Maria Carrilho a Europa errou na adesão à ideologia da globalização, vivemos um período de ultraliberalismo (desprezou o neo), de liberalismo sem limites e em que o mercado é total. Há um face a face entre o estado de direito e a selva, entre a política que já foi civilizada e um mundo financeiro que precisa de o ser. Falta saber quem vencerá o duelo.



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Sexta-feira, 25.01.13

 

 

 

 

 

 

 

Podemos considerar a pedagogia do silêncio como uma espécie de metáfora que contraria o insuportável caderno de encargos da escola actual, que atribui à instituição um papel centrado na sala de aula e que contraria o excesso de informação e de ruído a que se sujeitam as crianças até no ambiente escolar. A pedagogia do silêncio elege a sala de aula para além do registo tradicional, situando-a no vasto elenco de possibilidades que definem o conhecimento transformacional da categoria aprendizagem que teve uma espantosa evolução.

 

O parágrafo anterior é o que de mais significativo registei na interessante conferência de António Nóvoa que se realizou ontem à noite no auditório da Escola Secundaria Rafael Bordalo Pinheiro e que foi organizada, numa iniciativa que inclui conferências às quintas-feiras, pelo Centro de Formação de Associação de Escolas Centro-Oeste.

 

António Nóvoa sistematizou um modelo que procura respostas para os desafios da escola do futuro através de um olhar atento para o presente e com uma profunda incursão num passado muito enriquecido por relevantes referências.

 

O conferencista continua à procura das palavras certas que ajudem a encontrar um caminho. Nesse sentido, talvez fosse curial reflectir sobre o uso da asserção "escola centrada na aprendizagem". É que foi quase exactamente assim que se instituíram as correntes pedocentristas como de alguma forma sistematizo aqui. Prefiro a "escola centrada no ensino", reconhecendo o risco do regresso ao outro termo da contradição, e talvez a "escola centrada na sala de aula" permitisse uma leitura menos equívoca. O peso das palavras é incontornável.

 

Para António Nóvoa continuamos na pedagogia do século XX e isso deve ser questionado. As ideias de "à sociedade o que é da sociedade e à escola o que é da escola" e "o regresso dos professores" são duas asserções que devem corporizar a ideia de uma "escola centrada na aprendizagem".

 

O conferencista fez analogias entre o que vivemos e o período iniciado com as correntes pedocentristas. As crianças são o "centro da vida". Propôs como fundamental a ideia de "ensinar os alunos que não querem aprender, porque os outros acabam sempre por o fazer" e socorreu-se de Alain que considerou que "difícil é conduzir as crianças a ficarem agradadas, no fim, com aquilo que, no princípio não lhes agradava nada".



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Quarta-feira, 28.11.12

 

 

 

Para uma ontologia paradoxal do corpo, por Eduardo Prado Coelho: introdução



Encontrará vários post, este é o primeiro, sobre uma célebre conferência sobre o corpo.


Os conferencistas foram Eduardo Prado Coelho e José Bragança de Miranda.


Estive presente com a companhia do editor do blogue. Já dei nota, pelo menos aqui e aqui, desse dia inesquecível no auditório da Faculdade de Motricidade Humana.



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Sexta-feira, 14.09.12


 

 

O felizmente apelidado “grupo dos leitões”, dando cumprimento ao ponto 3 das Cinco Medidas tomadas em tão faustoso evento consolidou a realização de um encontro aberto a professores e bloggers com o título A Blogosfera e a Discussão das Políticas Educativas em Portugal.

A ideia passa por debater, a partir de dentro das escolas, uma série de temas com alguma actualidade para a Educação neste arranque do ano lectivo (A Vinculação Extraordinária de Contratados, O Modelo Único de Gestão, A Hiper-Burocracia, A Gestão de Expectativas na Classe Docente, Autonomia e Centralismo, Gestão do Currículo).

O encontro vai realizar-se no dia 6 de Outubro, no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, com duas sessões pela manhã e duas à tarde.

As sessões serão dinamizadas por um ou dois dos organizadores e estão abertas à participação mais activa (com comunicação) ou passiva (assistência e debate posterior). Terão um moderador e 2 a 3 oradores

A inscrição deve ser feita directamente aqui com os seguintes elementos:
Nome, Escola de colocação, Nível de ensino, Situação profissional, Mail/Tmóvel, Blogue/url
A inscrição deve ser feita até dia 30 de Setembro por razões logísticas de reserva do espaço mais adequado.

Para além dos organizadores está já confirmada a participação de César Israel Paulo (ANPC), Miguel Reis (Grupo de Protesto dos Professores Contratados e Desempregados), Mário Carneiro (blogue O Estado da Educação e do Resto) e José Alberto Rodrigues (APEVT).


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Quarta-feira, 29.08.12

 

 

 

 

 

Em 13 de Julho de 2012 assisti a uma conferência sobre saúde organizada pela comissão de utentes do hospital das Caldas da Rainha.

 

À medida que as intervenções se sucediam, as analogias com o sistema escolar evidenciaram-se. O bastonário da ordem dos médicos considerou o SNS um caso de sucesso. Se considerarmos que os profissionais foram formados no sistema escolar público (e podíamos enunciar um rol de exemplos semelhantes), é natural que se eleve a excelência da escola pública.

 

Há também alguma similitude nos indicadores que responsabilizam mais a sociedade do que os sistemas. A taxa de abandono escolar de que tanto se fala, e que nos envergonha, deriva de um série de problemas da sociedade que estão a montante da organização escolar. Nesse sentido, e ainda como exemplo do SNS, referiu-se a necessidade doutra perspectiva no combate ao problema dos micróbios, uma vez que os idosos provenientes de lares chegam aos hospitais com infecções na ordem dos 50%.

 

Constatei que não há uma carta hospitalar e que já nem se conhece a actual nomenclatura: a babilónia é semelhante à das escolas. Já se concluiu que os agrupamentos de unidades de gestão não corresponderam a qualquer poupança financeira. (Lembrei-me de Correia de Campos. Em 2010, foi peremptório a defender o modelo de gestão escolar do PSsocrático-mais-AD. Segundo ele, os resultados PISA dos testes realizados em Abril de 2009, deviam-se ao tal modelo PSsocrático-mais-AD que só começou a funcionar em Maio de 2009).

 

O que se reduziu em suplementos remuneratórios das chefias perdeu-se nos indicadores influenciados pela ausência de "gestão de proximidade". Os exemplos caricatos também se sucedem no SNS: os importantes "hospitais de proximidade" não se incluem nas redes existentes. A gestão hospitalar padece de problemas semelhantes à gestão escolar. Conhece-se o caso de um doente que fez três TAC´s iguais em dezassete dias no mesmo serviço de urgência. É já uma evidência que o software de gestão com o recurso a outsourcing tem-se caracterizado por negociatas (foi a expressão usada) com empresas privadas.

 

A relação entre o número de camas e o número de doentes é muito insuficiente (envergonha-nos um bocado) e a demagogia impera de um modo semelhante ao argumentário do aumento do número de alunos por turma. A crise veio, instalou-se, permite todos os desmandos e prova-se que não sabemos como lidar com o problema.

 

Para os oradores foi importante sublinhar que no centro das políticas têm de estar as pessoas. Nesse sentido, relembrou-se o óbvio: se se encerrarem hospitais, os doentes, mesmo assim, não desaparecem. Constatou-se, também a exemplo do sistema escolar, a existência de uma forte agenda mediática que tem, ao longo dos anos, denegrido a imagem do SNS.

 

A "febre reformista" institucionalizou a péssima ideia de generalizar sem primeiro testar.

 

Esta conferência realizou-se no dia seguinte à greve, de dois dias, dos médicos. Percebi o legítimo entusiasmo com a forte adesão. No entanto, e também por analogia com o sistema escolar, aconselharia estas pessoas a desconfiarem dos apoios político-partidários de ocasião. O mainstream é useiro em defender na oposição o contrário do que faz quando exerce o poder. E esse descaramento tem uma forma de subordinação, e de jogo de sombras pela sobrevivência do lugarzinho, que começa na Assembleia da República.



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Terça-feira, 19.06.12

 

 

 

 

Há dias convidaram-me para conversar sobre o Correntes com um grupo de professores integrados numa acção de formação contínua. Gostei e a preparação permitiu-me relectir durante uns dias sobre o blogue.

 

Uma das questões mais abordada foi precisamente a ideia de editorial. Expressões como não cedência sem dogmatismos, independência, sensatez, cidadania, ética prática, humildade intelectual e responsabilidade individual foram detalhadas.

 

Há aspectos que me desgostam na blogosfera. A efemeridade das publicações e a necessidade de ser rápido na resposta à agenda mediática, são os mais evidentes. O último critério obriga a que muitas vezes se invertam quatro princípios definidos por Frei Bento Domingues: pensar, escrever, corrigir e só depois publicar. É claro que a exposição também gera equívocos e outras coisas mais.

 

E pedindo desculpa desde logo pela possível exorbitância, é mais uma vez um momento para sublinhar que não tenho qualquer porta-voz como se depreende pela linha editorial estabelecida. Sei que isso é evidente para quem me conhece melhor. O que penso vai estando escrito e se alguém pretende saber alguma coisa que não encontra por aqui, ou o que quero fazer na minha vida profissional e como cidadão, só tem um caminho: falar comigo.

 



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Segunda-feira, 18.06.12

 

 

 

Sociólogo português deixa recomendações aos líderes na Rio+20

 

Mudar radicalmente de vida para cumprir um desenvolvimento sustentável é a proposta do único português convidado para um participal num fórum da cimeira. (...)“Se levarmos a sério o acesso universal à saúde e às condições que criam uma sociedade saudável, temos de ter uma reforma do Estado e do sistema político. Uma redistribuição da riqueza e um outro sistema de tributação, e, isso sim, pode criar um mundo mais justo. Por isso, em meu entender estas duas recomendações são as únicas que podem trazer uma transformação da economia política do mundo, que também necessitamos para poder atingir os nossos objectivos”, defendeu.(...)"


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Terça-feira, 22.05.12

 

 

 

Por solicitação que agradeço, sem teleponto e à sexta tentativa (a tecnologia não estava a ajudar e a certa altura a repetida improvisação impedia a percepção se o que ia dizer já tinha acontecido naquela filmagem ou numa anterior) o vídeo que pode ver obedeceu a um convite para uma conferência sobre autonomia escolar e que circunstâncias de agenda impediram que fosse presencial. Pediram-me que disponibilizasse o vídeo por aqui de modo a possibilitar outros visionamentos.

 

O vídeo foi exibido no dia 19 de Maio de 2012, num âmbito de um trabalho realizado pelos mestrandos Francisco Valentim e Nuno Cruz, sobre gestão, avaliação e supervisão escolares (GASE), na Escola Superior de Educação e Ciências Sociais (IPLeiria), no âmbito da unidade curricular de Direcção e Gestão Escolares, sob a orientação do Professor José Manuel Silva.

 

Foi-me solicitada uma intervenção de cerca de 15 minutos (controlava o tempo noutro computador à minha esquerda) que incluísse uns conteúdos que referi noutras circunstâncias. Verifiquei que o tempo impediu que terminasse a explicação sobre um algoritmo, mas pode encontrar neste link a sua descrição. É sempre bom sublinhar que sem os professores, e apesar dos 10%, nada acontece.

 

Também, e num ou noutro ponto de vista, gostaria de ter aprofundado mais algumas questões, nomeadamente as que se prendem com o processo de agregação de escolas e de agrupamentos e com o actual modelo de gestão escolar. Os interessados encontram vários posts sobre os assuntos nos arquivos do blogue na coluna respectiva.

 

Obrigado pela atenção.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 18:22 | link do post | comentar | ver comentários (17) | partilhar

Quinta-feira, 19.04.12

 

 

 



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Segunda-feira, 16.04.12

 

 

 

 

 

Como não recebia o sms a anunciar a chegada do livro de Gilles Châtelet, resolvi passar pela livraria. Os jovens livreiros, que são inexcedíveis em simpatia e profissionalismo, desfizeram-se em desculpas: o livro já tinha chegado e a mensagem seguiu um destino errado.

 

Estava com o pensamento à volta da absolutização do presente, e com a ausência de futuro que caracteriza a actualidade, e pensava no modo como as civilizações recorreram a estudos prospectivos que tantas vezes se confundiram com profecias. É inegável que a segurança com o futuro está, como nunca, no domínio da incerteza e que a maioria das previsões recebem olhares de insustentabilidade.

 

Tinha o meu cérebro nesse registo, e enquanto pagava o livro, ouço alguém enunciar: "daqui a duzentos anos não haverá escolas". Olhei para o o jovem que me atendia, e que me conhece alguma coisa, e perguntei-lhe: "A Maria de Lurdes Rodrigues mantém o registo feiticeiro, mas agora no género masculino?" O jovem conteve o riso e anunciou: "É o Miguel Real."

 

Achei piada e fiquei por ali os quinze minutos restantes da conferência. Percebi que os poucos ouvintes que debatiam com o escritor não gostaram da citada profecia e afirmavam-no com veemência.

 

Concluí que ainda não voltou a ser o tempo dos feiticeiros da totalidade. Até quando?



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Autor:
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