O Governo fez uma proposta de orçamento que reduz para 12 dias as indemnizações por cada ano de trabalho. O CDS apressou-se numa contraproposta para o aumento dos dias e disse que terá o apoio parlamentar do PSD. O Governo afirma-se hoje com total "abertura" para rever redução das indemnizações para 12 dias.
É difícil fazer manipulação comunicacional de forma tão básica. Fingimos que cedemos aqui para que o resto fique incólume, deve ter sido o lema. Digamos que é uma maioria falha de imaginação e que ajusta e empobrece até a actividade de spin. Não deverá chegar ao final de 2013.
O sistema integrado de avaliação do desempenho da administração pública (SIADAP) reúne uma linguagem tão sedutora e bem-pensante como as que deram origem aos totalitarismos mais diversos. São cada vez mais os que classificam a meritocracia como uma impossibilidade de génese antidemocrática.
A desorientação instalou-se no SIADAP e só o faz de conta vai sobrevivendo apesar de degradar o clima das organizações públicas. Para que a comédia fosse verdadeiramente lusitana, só nos faltava um Governo a eliminar distinções por mérito para poupar e sindicatos a pugnar pelo continuação do desmiolo.
Eliminados artigos sobre a distinção por mérito na função pública
Marcelo diz saber que Borges falou sobre RTP com cobertura de Relvas
Já tínhamos reparado que estamos "sem Governo", mas agora também concluímos que os conselheiros do dito estão em roda livre ou aos papéis. Para além do que diz a notícia, ficou a saber-se que Marcelo R. de Sousa dá palpites sobre os convites da TVI e que carimbou a ida de Borges.
Depois das agendas das reuniões e da imposição do respeito pela graduação profissional dos professores, o MEC volta a ter de despachar para regular a relação entre os professores e alguns órgãos de direcção. São estas coisas que nos devem envergonhar.
Provas de aferição: Dispenas de serviço para supervisores e codificadores
Sucedem-se os governos de "rapazolas" e já nem os banqueiros acham piada a determinadas coisas? A propósito de outro assunto: se a mais elementar sensatez obriga à colocação no lugar do outro, seria boa ideia começarmos a pensar que quem afirma que o desemprego é uma oportunidade está em boa posição para o testar.
Não sei quanto tempo durará este governo e concluo que não estou isolado. O respeito pelo cumprimento dos mandatos, dos Governos e dos outros patamares, são características dos Estados de direito e o nosso não o é. Por outro lado, não conheço o grau de sofisticação dos nossos governantes para os remeter para o maquiavelismo "científico". O que sei, e isso é objectivo, é que temos sido muito mal governados nas ultimas duas décadas (não vou mais atrás, porque tenho "vergonha" de falar dos 48 anos de ditadura; um povo que aguenta aquilo deve ter um qualquer problema de psiquiatria colectiva; aliás, nos últimos dias ando mesmo "envergonhado" com várias coisas que me rodeiam e que são da mesma família).
Não sei se o Governo articula as declarações para testar a reacção às palas ideológicas para além da troika que até o FMI já condena. O que suspeito é que os tempos inéditos não estão para brincadeiras. E não era bom que o povo, o tal que é mais informado do que nunca, concluísse que os garotos que só pensam nos seus interesses não têm emenda.
Ministra da Justiça não garante regresso dos subsídios de férias e Natal em 2015
O ministro das finanças foi hoje à sede do FMI afirmar que os portugueses "(...)estão completamente dispostos a sacrificar-se(...)". Este tipo de declarações só podem ter duas causas: quem as proferiu é imaturo ou vive na estratosfera.
Bem sabemos que a veneração como bom aluno associada às palas ideológicas que vão para além da troika pedem declarações destas (era melhor escrever que talvez peçam, pois nem isso é seguro). Mas quem olhar para a economia do país e para as taxas de desemprego - nem é preciso mais -, e se for sensato, dirá que os portugueses têm sido muito sacrificados. Para além de tudo, este tipo de discurso é incendiário, revolta as pessoas e pode mesmo acabar mal. Estes governantes estão à espera de quê?
Isabel Alçada recusa a existência de irregularidades na Parque Escolar
Percebo: quem viver na estratosfera e negar a falência do país também pode afirmar coisas destas. Fiz um post por causa dos outdoors da parque-escolar-sa pouco depois do programa ter começado. Como se sabe, os outdoors são caríssimos e as campanhas eleitorais em período de contenção recusam a sua utilização. Uma empresa sem concorrência, e que requalificava escolas, fazia publicidade com outdoors a que propósito? Via-se logo que a coisa acabaria mal e custa ver os tais das benesses ilimitadas a teimarem na megalomania. É nos detalhes que tudo se joga e que se percebe o rigor dos programas.
Imagino o exercício de sobrevivência dos jornais. Os impressos andam há anos numa saga dificílima. Ontem, o Público chamava à primeira página um exercício cómico de fosfenismo inspirado num francês de nome Francis Lefebure que dizia reencarnar o nosso Vasco da Gama de acordo com uma visita que nos fez em 1950. O MEC reagiu em relação à escola que adoptou o movimento e estabeleceu-se uma polémica sobre a autonomia. Pois é. O ensadecimento não é de agora. Tive um contacto com ele no início do milénio com as crianças Índigo. Como relatei aqui, a autonomia salvou o MEC. Resume-se assim: "(...)Manuel António Pina, cronista do DN, pega numa coisa que anda há uns anos por aí, as crianças Índigo, mas que agora, e ao que parece, ganhou credenciais passadas pelo próprio ministério da Educação. Certa vez, talvez no início do milénio, apareceu na nossa escola uma senhora que se dizia portadora dessa boa nova e que queria que fossemos pioneiros no acolhimento da ideia. Segundo os seus estudos, as crianças Índigo eram rotuladas de hiperactivas. Assegurou-me que uma criança destas, podia, num momento de descarga eléctrica, desactivar o quadro respectivo de uma qualquer habitação. E mais umas coisas de que não me lembro lá muito bem. Agradecemos-lhe a gentileza, mas não: na nossa escola, não. Mas nunca mais me esqueci. Recordo-me que, e uns anos depois, uma Universidade do Porto agarrou a ideia com a mesma senhora como promotora. E a coisa até parece que andou.(...)"
Escola põe alunos a fixar lâmpadas para terem melhores resultados
Governo abre excepção para a TAP e autoriza empresa a manter salários
Era inadmissível cortar salários e desde 2011 que assim foi. Era impensável cortar nos subsídios e o natal de 2011 ficou sem metade. Os cortes salariais aos do costume mais a supressão dos subsídios em 2012, permitem ao actual Governo a gabarolice ideológica para além da troika. As receitas fiscais já certificam a ausência de economia e a pergunta política do momento é linear: até quando?
Funcionários alemães em greve por aumentos de 6.5%
Mais parece o estado pré-segunda guerra e bem pode Merkel dizer que está preocupada com a dívida portuguesa.
Petição para demissão de Cavaco chega à AR com mais de 40 mil subscritores
E depois?
Capoulas Santos pede ao Governo acção contra a seca em vez de fé
Desconhece-se o Soduku na Assembleia da República?
Insucesso e abandono escolar não serão combatidos com a nova revisão currricular, defende CNE
É um CNE marciano?
E podíamos estar o dia todo neste exercício.
Ouvi, e vi, o médico Sobrinho Simões na pele de senador da República. Mostrou-se favorável à prestação de contas das direcções escolares em relação às comunidades educativas através da avaliação dos directores pelo conselhos gerais. O seu discurso estava num tal nível bem-pensante e irrefutável que levou a entrevistadora ao recurso inevitável: as corporações, como no passado recente, é que complicam.
Mas eis que tiveram uma espécie de rebate de consciência: é preciso que os modelos sejam aplicáveis, disseram quase em uníssono. Sobrinho Simões mudou de tom e começou a explicar a impossibilidade de medir o acto médico e a inexequibilidade e a brutal injustiça do modelo de avaliação em curso. Foi pena que o tempo mediático o interrompesse.
Não sei o que se passa nos conselhos gerais das universidades, dos hospitais ou da EDP. Sei que nas escolas dos ensinos básico e secundário a avaliação dos directores começou por ficar a cargo dos directores regionais. Uma coisa insana, como se previa. Pontuar anualmente centenas de gestores escolares é uma tarefa para inumanos. Caiu sem apelo.
O que agora se achou é de outra dimensão. Os conselhos gerais das escolas têm cerca de 50% (menos um bocado) de membros com vínculo à instituição (docentes e não docentes) que serão avaliados pelo director e que depois o avaliam. Vai ser bonito e bem lusitano. Os restantes membros são desvinculados, podem abandonar o cargo quando bem lhes apetecer, não têm de evidenciar formação especializada, não prestam contas, mas avaliam. É a tal dimensão, desta vez potenciada à quinta e talvez inspirada no sempre presente Quinto Império.
A avaliação de desempenho de professores é a farsa que se sabe. É positivo o facto do novo decreto-lei determinar que as menções de excelente e de muito bom não têm efeitos nos concursos dos professores do quadro, mas a descriminação em relação aos professores contratados é que já cansa. E depois diz-se uma série de coisas em relação aos jovens adultos e por aí fora. Esta sociedade está doente, não protege há muito os mecanismos intergeracionais e só podia caminhar para a falência.
Encontrei a imagem aqui.
Passei pelos órgaõs de comunicação social online e registei sintomas de uma sociedade doente.
Sócrates pediu ajuda externa depois de discutir com Soares
"Antigo Presidente da República revelou ontem que José Sócrates não queria pedir ajuda externa e que só o terá feito depois de uma "gravíssima discussão" entre ambos."
Conclusão óbvia: um país à deriva e pagarão os "mesmos" de sempre.
Passos Coelho prepara o país para o "dia seguinte"
"O primeiro-ministro revelou que a agilização da mobilidade na Função Pública e novas regras para as nomeações nas empresas públicas são os próximos passos."
Repare-se nas preocupações deste governante. Nem uma palavra sobre as PPP´s, por exemplo. Há década e meia, pelo menos, que os governos começam por nomear para as empresas públicas e para os serviços do Estado e a seguir legislam para dignificarem o processo; uns espertos. Vem o governo seguinte e repete a prática e o discurso. Há pelo menos 20 anos que as ditas nomeações são finalmente, e repetidamente, "moralizadas". Estranho ou talvez não.
Inquilinos de Lisboa querem falar com a troika
Quem é governado, há anos, por pessoas que se conclui que estavam impreparadas porque não tinham maturidade social nem muito sentido de estado, começa a desesperar e a fazer tristes figuras; mesmo que compreensíveis.
Presidente alemão apresenta demissão
O senhor parece que exagerou com umas hipotecas num processo tipo bpénezinho. Um duplo sinal: em Portugal é impossível, e é pena, pois ficaríamos com dificuldade em ter quem governasse; a Alemanha parece querer repetir o período que antecedeu a segunda guerra. A ganância dos humanos é demasiado repetível.
Por insignificante que seja, uma alteração pode revelar tendências. É o que devemos retirar de um detalhe da proposta governativa de gestão escolar.
O princípio da eleição dos coordenadores de departamento, e mesmo das outras chefias intermédias, é um passo demonstrativo do que acabei de afirmar. Temos de ter esperança que, um dia, outras se seguirão. É a democracia que faz avançar as organizações e a sensatez, em regra, impõe-se.
É evidente que a epifania da eleição apenas se efectuar para três pessoas indicadas pela direcção tem substância risível que revela a tortuosidade que nos levou para a bancarrota.
Muito do eduquês, do justicês, do economês e por aí fora são ramificações dessa família. O medo, a desconfiança, a insegurança e o oportunismo constroem soluções dessa índole; juntas, conseguem registos incompetentes, atávicos e de má despesa.
Também não me surpreendeu uma contraproposta, com grau de parentesco com a do governo, do tipo "consensual": o departamento indica dois e a direcção outros dois. É a tortuosidade referida de novo em acção. A democratite, a democracia em forma de farsa, a ligar o complicómetro-despesista. Repare-se: o departamento elege dois, a que se somam mais dois para nova eleição. É. Na nossa democracia, o produto de dois mais dois também dá cinco; e vezes demais.
Os sinais de crise na nossa democracia têm uns anos e a culpa não é dos alemães. As recentes imagens audíveis da curvatura vertebral de Vitor Gaspar em relação ao seu homólogo alemão são procedimentos de continuidade. Os recentes chefes de governos europeus não eleitos aconteceram porque a maioria da classe dirigente no velho continente se portou muito mal e em Portugal também.
Quem ler com atenção as propostas do governo sobre o modelo de gestão escolar só pode abanar a cabeça na horizontal. É aprofundada a "escola" de J. Sócrates e L. Rodrigues, com indecisões reveladoras do desnorte. É bom que se sublinhe que quem denunciou a perda de poder democrático das escolas não foi o mainstream; basta atender aos acordos ou entendimentos assinados em 2008 e 2010; já neste milénio, portanto.
O detalhe da recuperação da eleição dos coordenadores de departamento é elucidativa. O governo reconhece que têm de ser sufragados, mas com a condição da direcção indicar três nomes elegíveis. Não sei que provas dadas tem o secretário de Estado Casanova, que parece assinar a proposta, mas tem escola. Não tarda e os alemães sentem-se no direito de nos dizer: vá lá, deixamos que elejam o primeiro-ministro entre António Borges, Dias Loureiro e João Rendeiro para nós podermos trabalhar com quem não faça perguntas.
Sempre me pareceram inapropriados entre adultos os comportamentos maternalistas ou paternalistas; mais ainda se exercidos por chefias (que, como se sabe, não são sinónimo de lideranças).
As relações profissionais ou políticas requerem critérios claros, procedimentos testados, sensatez, respeito mútuo e boa fé.
A badalada pieguice de Passos Coelho é apenas uma característica dos tempos pouco maduros que varrem a Europa. Só assim se explica que a ministra francesa tenha recomendado aos sem-abrigo que se mantenham em casa para se protegerem da vaga de frio.
É enjoativo o discurso carnavalesco dos dirigentes da maioria que governa. O conteúdo tem tanto de esperado como de escusado. A primeira década do milénio foi sempre assim: portugueses rotulados como uma espécie de parasitas pelos seus governantes. Quem não vive por cá não acredita em semelhante acontecimento, por mais sentido de humor que reúna o narrador. Às tantas, os lusitanos têm escolhido para os conduzir um friso de vaidosos sem remédio; e, como o espelho é sempre o melhor conselheiro, os eleitos vêem-se muito, gostam da figura e relatam-na.
Este post, com declarações de um anterior presidente do PSD, é uma boa caricatura. O senhor protesta porque os cidadãos querem a terça-feira de carnaval para lazer sem equacionarem a participação nos festejos. Querem ver que já são influências chinesas?
Depois há o nacional-faz-de-conta. O que importa é fingir que se está a produzir e são inúmeros os locais onde as chefias parecem atordoadas por não saberem o que fazer. O desnorte explica uma boa parte da bancarrota.
O actual primeiro-ministro recorda-me um "gerente". Está ali para gerir de acordo com os ditames e sem pensar muito. Se se der o caso de surpreender positivamente os "patrões", indo além das receitas mais temerosas, espera-se um mútuo esfregar de mãos e uma aflita interrogação: até quando?
Tenho a sensação que Cavaco Silva e Passos Coelho têm um qualquer culto por homens providenciais e que preparam meticulosamente as intervenções em funções. O problema é quando o ponto está longe e o inopinado é exigido. Os respectivos spins devem exibir mestria no conceito rotativo que lhes ofereceu a designação. "Cabeça à roda" deve ser mesmo a primeira escolha quando lhes sugerem uma ideia para um filme de terror.
Cavaco Silva disse na Finlândia que Portugal é um país para investimentos sofisticados e Passos Coelho afirmou que não estamos em tempo para falar de tradições. O primeiro está a fazer pontes com o país da Nokia e o segundo pede um delete ao passado depois de o ter feito ao futuro. São dois homens quânticos e tenho ideia que merecíamos melhor, apesar de existir quem entenda que cada povo recebe apenas o que lhe compete.
A vertigem do poder embriaga e por isso alguém disse que o carácter revela-se quando se recebe um soberano privilégio: é mesmo um momento examinador, onde os mais raros de espírito exibem prepotência com os fracos e bajulação com os que estão acima.
Passos Coelho excedeu-se e revelou um mau sinal, quando afirmou que os portugueses vão sofrer, custe o que custar, a dura austeridade. Pelo que vou percebendo, o carnaval começou muito mais cedo com o desrespeito que se vai generalizando à exigência do presidente do PSD.
O actual ministro da Educação insiste na ideia das disciplinas essenciais. Sinceramente, não esperava voltar a ouvir um discurso desse teor. A invenção da roda está distante, mas é seguro que sem a forma circular os solavancos aumentarão o atrito e a ineficácia.
A concentração nas essenciais inscreve mais horas curriculares e exames, para além de mais horas de formação. Um governante pode achar que faltam horas de ensino aqui ou ali para uma determinada aprendizagem e que quer examinar essses saberes muitas vezes. Mas quando enuncia publicamente que o seu achamento divide as disciplinas em mais e menos, dá um péssimo sinal à sociedade e acrescenta ruído no ensino das achadas não essenciais. Recordo-me da ministra Lurdes Rodrigues e do seu chefe Sócrates. Tanto propalaram o descrédito dos professores que acabaram desacreditados. Pode ser que o essencialismo tenho o mesmo efeito.
(1ª edição em 18 de Novembro de 2011)
É: uma professora, segundo notícia do Público, está como contratada e aufere 265 euros por mês. A professora é do quadro de nomeação definitiva e esteve um ano com licença sem vencimento. "(...)Ondina Pires tem 49 anos. É docente do quadro, mas está a contrato na Escola Básica do 2.º e 3.º ciclo Dom Luís de Mendonça, no Barreiro, a mesma em que ficou efectiva há nove anos. Tem um horário de seis horas por semana. Ainda está estupefacta: afinal, até mesmo na lei nada pode ser dado como certo.(...)". Num país com tanto desmiolo, não estranham as declarações que pode ver a seguir. O nosso presidente da República é mesmo impagável.
Redução do horário lectivo em meia-hora diária, acordaram os membros da lista candidata à associação de estudantes da escola secundária de Belém de Natas.
Quando confrontados com quem de direito, tomaram consciência da inexequibilidade da intenção. As variáveis em jogo deixaram-nos com os neurónios aturdidos. Não desistiram e revigoraram o seu programa com mais férias, pontes obrigatórias em todos os feriados e impossibilidade de faltas disciplinares.
Perante o desacerto executivo e social, verberaram a incompreensão: estivemos a estudar os textos da concertação social.
Os brasileiros vedarem o acesso a pessoas "desqualificadas" arrepia. Os nossos "irmãos" têm sido "humilhadas" com a proibição do visto de entrada ou de residência nos sítios mais diversos; Portugal incluído. Numa fase mais endinheirada, concretizam o que antes condenaram. Como justificará, o ex-presidente Lula da Silva, por exemplo, uma coisa destas?
Fiquei perplexo com a conferência de imprensa do ministro da economia onde advogou a internacionalização dos pastéis de natas, embora compreenda a necessidade do nos afirmarmos nos negócios globais. Não percebi se era o próprio ministro o empreendedor da pastelaria de Belém ou se estava a encomendar a ideia. Se acontecesse outro fenómeno Papo D´Anjo, a dor de cabeça não seria sua. Vi o jovem empresário dos Pastéis de Belém a descartar a sugestão, porque considerou decisiva a sigilosa produção artesanal dos pastéis e não deu crédito à possibilidade de massificação da coisa.
Se a intenção do ministro era pedagógica, parecia-me melhor anunciar um programa de apoio e usar o Mateus Rosé como exemplo. A busca dos frangos de churrasco da Nando´s (que já experimentei) também não me pareceu feliz. Aquilo é incomestível e os consumidores da comunidade global podem não ser tão adeptos do plástico gustativo como um qualquer nicho de britânicos.
Encontro uma explicação. Como a imitação costuma ser o nosso desgraçado hábito, e considerando o recente convívio com os chineses, do partido único, que se têm revelado exímios em privatizações, os nossos governantes sentiram-se mandatados para protagonizarem a economia em vez de a (des)regularem e apoiarem. O desnorte dos neoliberais é evidente.
Numa época de cortes salariais e de um apagão, de duvidosa constitucionalidade, nos subsídios de 2012, o chairman da nova EDP vai auferir 45 mil euros mensais mais as benesses ilimitadas do costume. E escusam de arremessar com o populismo, como ouvi ontem ao actual bastonário da ordem dos advogados por causa do cartão de crédito de 4 mil euros mensais, para almoços e jantares, de um ministro português.
Deve sublinhar-se que os comportamentos de desperdício fazem escola e não precisamos de olhar para instituições privatizadas ou em vias disso. Há instituições do estado que continuam a viver com esses maus hábitos, num regime em que o único projecto que se reconhece é o-gastar-por-gastar-ou-porque-sim-ou-por
No dia em que se soube, veja-se lá a novidade, que a recessão em Portugal será mais grave do que se previa, os alunos de Milton Friedman que nos desgovernam atropelam-se para ganharem os favores do capitalismo de estado promovido pela China totalitária e pelo o seu Partido Comunista. É mais uma comédia com contornos trágicos. O tempo ajudará a perceber como vai a paciência do chinês.
Accionistas da EDP tentam proteger Governo da polémica das nomeações
Accionistas privados atribuem aos interesses chineses todas as escolhas polémicas para o CGS. Quase todas. Luís Amado e Edmund Ho recusaram convite para integrar este órgão.
Sou capaz de estar semanas a água e numa noite beber uns "copos" sem me aproximar do limite que me leve à má disposição no dia seguinte. Tenho com o tabaco uma relação ainda menos assídua do que com o álcool, mas arrepiam-me os fundamentalismos. Ainda há uns poucos anos, o estado despachou no sentido em que a restauração investisse fortemente em exaustores para acolher fumadores. O mesmo estado vem agora proibir a presença dos proscritos até junto à porta dos locais de consumo. São sinais e mais sinais que devem ser combatidos. Os espírito inquisidor não foi banido da condição humana, os motivos por que se manifesta é que mudam.
Uma investigação coordenada pela Faculdade de Medicina de Lisboa e financiada pela Direcção-Geral de Saúde determina o fim das excepções no combate ao consumo de tabaco.
A actualidade da Maçonaria remete-me para os clubes da entrada na adolescência. Nessa idade era pouco dado ao secretismo e a aversão agravou-se. Posso enunciar o jamais com propriedade. Olho para essas organizações com indiferença e não me sinto habilitado para condenar quem se inicia nos rituais sigilosos.
Do que tenho lido nos últimos dias, gostei da análise histórica feita por Vasco Pulido Valente na edição impressa de hoje no Público. Percebe-se a importância histórica dessas organizações, mas duvida-se das práticas actuais de algumas lojas. O link que indiquei conta um exemplo elucidativo e que vai ao encontro do que penso e escrevi. É tudo muito engraçado até um de nós sentir na pele os efeitos das irmandades da coisa.
Repare-se nos detalhes descritos por José Pacheco Pereira, ontem no mesmo jornal e num texto também imperdível, a propósito das tais lojas mais recentes e que têm estado no centro da mediatização. Os sindicatos de votos são exercícios polémicos que minam a liberdade e não devemos esquecer os que dizem que 80% dos deputados estão dependentes dessas práticas e fica por saber a quem é que efectivamente respondem. Aliás, o mesmo pode aplicar-se às diversas áreas do país onde os aparelhos partidários se fazem sentir.
"(...) Pelo contrário, todos os que ia conhecendo a entrar na Maçonaria, nos meios políticos, económicos e da comunicação social, pareciam atraídos por uma coisa muito diferente: poder, influência e dinheiro, por esta ordem ou por outra ordem muito semelhante. Na verdade, no Parlamento, nas "jotas", nos jovens quadros partidários, nos quadros do aparelho partidário, eram os especialistas no controlo do poder interno, envolvidos muitos deles em tráfico de influências ao nível das autarquias, dos partidos e da governação, e subindo na carreira através de sindicatos de votos e de trade off de favores e lugares, ou seja, nos mais ambiciosos profissionais partidários, que eu via de repente aparecerem numa loja maçónica qualquer.(...)"
"Um comunista da Coreia do Norte é mau.(...) Um comunista português não é bom nem mau, é irrelevante.(...) Um comunista chinês já é outra coisa. Principalmente se tiver 2,7 milhões de euros no bolso, então não é mau, é excelente." Esta parágrafo de Leonel Moura, no Jornal de Negócios, é incisivo. O governo da direita portuguesa privatiza empresas do estado colocando-as nas mãos de empresas monopolistas de estados com regimes de partido único e ainda por cima comunistas. A suprema ironia, é vermos pessoas como Eduardo Catroga a aceitarem lugares nessas administrações.
Como já nos habituou ao longo da História, este pessoal dos interesses, onde incluo o denominado socratismo e a aparentada 3ª via, conduz os países para lugares trágicos e com gravíssimas convulsões sociais. Esperamos que tempos desses não se repitam.
É um vídeo com um programa de treinos para atletas de desportos de combate e que pode ser utilizado por qualquer pessoa nesta época de empobrecimento. Os ginásios, embora na moda, que se cuidem. Tem de ver até ao fim para perceber a diversidade e a sofisticação da coisa.
Gerimos com irresponsabilidade os dinheiros públicos e qualquer português com mais de um metro e trinta zurze na condição dos funcionários públicos. Se nas sociedades mais avançadas existe respeito por quem se dedica à causa pública e isso reflete-se no desempenho dos diversos serviços e na exemplaridade dos profissionais, no espaço lusitano é moda com pregaminhos a prática do tiro-ao-alvo-ao-funcionário-público.
Só assim se podem explicar as afirmações da presidente da Assembleia da República. Para defender os deputados do incumprimento de horários, socorreu-se dos alvos do costume: "(...)o trabalho dos deputados “não pode ser lido como se fosse a actividade de um funcionário público”. “Não pode ser comparado. Os deputados não têm horas certas, nem lugar certo de actuação"(...)". Enfim. Nem se discutem os argumentos, que são comparáveis à condição da maioria dos funcionários públicos que têm trabalhos de casa ou actividades que implicam deslocações permanentes. Trata-se da utilização do exemplo. E ainda há quem diga que Freud é datado.
O despautério na gestão dos dinheiros públicos viciou responsáveis políticos e organizações do estado. Há mesmo quem afirme que a generalização da pequena corrupção e do pequeno jeito criam a atmosfera que "desculpabiliza" a grande corrupção e a inevitável falência financeira dos países. É um caldo de vale tudo e de salve-se quem puder e em que quem fizer a golpada mais volumosa é, silenciosamente, enaltecido.
Entre tantos exemplos, a parque escolar e as PPP´s são evidências do desgoverno da causa comum. Se em todas as alturas se deve condenar e denunciar os desvios, nesta fase de empobrecimento temos de classificá-los como insanos. Virou o ano e os funcionários públicos continuam com o salário cortado, perderam metade do subsídio de natal e aguarda-os coisa pior. Seria injustificável que as instituições do estado abrissem o ano económico com despesas supérfluas e não essenciais ao seu objecto, que podem ir da garantia do não corte de subsídios a assessores governativos até fogos-de-artifício variados, passando por mudanças de mobiliário, impressões a cores desnecessárias ou novas decorações de interiores e exteriores apenas porque se acha que assim fica melhor e mais in; seria mesmo imperdoável.
A Moçonaria volta a estabelecer a polémica nos serviços secretos portugueses. Encontrei um vídeo que permite reconhecer com facilidade um maçom.
Estive uns dias no centro de Lisboa e senti a praga do estacionamento automóvel: difícil e caro. Passámos duas décadas e meia a promover, ajudados pelos pouco inocentes fundos estruturais, as vias rodoviárias e o transporte privado. A actualidade cobra portagens caríssimas nas auto-estradas, exige um euro e meio em média pelo litro de combustível e o estacionamento no centro das grandes cidades requer um saco de moedas e uma atenção permanente; a sério: pelo menos em Lisboa, uma ou duas mãos cheias de minutos sem pagamento dão multa pela certa.
O que acabei de descrever ajuda a perceber o desnorte da nossa orientação estratégica. O denominado ocidente tem mais exemplos risíveis. Os norte-americanos pagam 2 euros pelo galão de combustível, qualquer coisa como 50 cêntimos por litro. Só têm automóveis que se embriagam com 20 a 30 litros por cada 100 quilómetros e depois andam pelo mundo a "arrasar populações" para garantirem poços de petróleo que alimentem os seus devaneios. São casos e mais casos que reforçam a ideia que o risível acaba muitas vezes em tragédia.
Não aprendemos. Continuamos no espaço lusófono com complexos de superioridade e essa mentalidade europeia explica muito da decadência do velho continente, mais acentuada a sul. Itália, Grécia, Espanha e Portugal acham-se o centro do mundo e o berço das civilizações e da globalização. Os actuais governantes portugueses revelam os piores tiques de quem cresceu à sombra de fundos estruturais e a olhar para os países lusófonos como oportunidades de turismo-de-terceiro-mundo; mas o mundo mudou.
A confusão instalou-se e tentei que a realidade me fosse inteligível. O primeiro-ministro exorta os professores a emigrarem e Ribeiro Teles não compreende que exportemos parafusos e importemos pão.
Sinceramente, fico satisfeito por não estar isolado nem ensandecido. Pelo menos Ribeiro Teles compreende-me. É que as personagens do tipo Passos Coelho confundem produção de parafusos com ensino, como referi aqui: "A actual mediatização da rede escolar obedece ao desígnio da produtividade. Há um detalhe que não se deve desprezar: os resultados escolares reflectem-se a longo prazo e são de génese diferente da produção de parafusos; o que faz toda a diferença no impaciente e voraz inferno dos números. (...)A questão portuguesa tem de passar pela discussão sobre a privatização de lucros no sistema escolar. Enquanto esse debate não se fizer, o processo português dará sempre a ideia de ter uns parafusos a menos."
A notíca dizia que um quinto da população portuguesa não tem qualquer nível de ensino, o país chocou-se e a agenda mediática dissecou a tragégia. A leitura do texto domingal do provedor do Público fez-me sorrir. Hoje fiquei a saber que nesses 19% estão incluídos os bébés e os petizes que ainda não concluiram o primeiro ciclo de escolaridade. Espero pelos debates e pela desconstrução por parte dos actores mais apressados e distráidos. É também disto que é feito o bullshit que indica aos jovens o caminho da fuga (seria interessante perguntar ao primeiro-ministro se aconselha os nossos jovens investigadores a seguirem para países mais endinheirados ou se devem acreditar no país):
"On bullshit é o título de um pequeno livro do filósofo americano Harry G. Frankfurt e na tradução portuguesa ficou como "a conversa da treta". Mesmo com a quantidade enorme de bullshit nas nossas sociedades, não há estudos profundos sobre o tema, diz o autor. Por isso, não existe uma teoria geral do bullshit, o que é paradoxal, considerando a sua ubiquidade. O bullshit é uma ameaça mais insidiosa para a verdade do que a mentira. Está totalmente desligado de uma preocupação com a verdade. O bullshit é objecto de uma estranha tolerância, enquanto a mentira é vista em geral sem benevolência. Outra das razões para o aumento do bullshit, é o facto da sociedade actual exigir de todos que tenhamos opinião sobre tudo, mesmo sobre aquilo que desconhecemos. É evidente que o mundo dos media constitui um excelente caldo de cultura bullshit."
Depois do que se passou com os governos portugueses na primeira década do milénio, só faltava que a segunda se iniciasse com uma figura em registo de "marioneta" (sem qualquer desprimor para quem produz as verdadeiras) e com tiques que o remete para os anos cinquenta e sessenta do século anterior.
O ensino superior privado serviu clientelas partidárias durante décadas e a formação de professores foi um exemplo maior. Por mais que se dissesse que a oferta era exagerada e que enganava os jovens, os bolsos financiados seguiam incólumes e assim continuam.
Para agudizar o desespero colectivo, um dos produtos do estado que nos empurrou para onde estamos aparece a propôr a emigração. A pior Commedia Dell´Arte continua pujante.
O governo apresenta esta tarde, às 15h00, a proposta de reorganização curricular. As fugas de informação são habituais e, ao que me dizem, têm como mensageiro um comentador político muito conhecido e que aparece aos domingos num canal generalista. O debate começou com piada e algum desnorte: a ideia inicial de supressão das humanidades acabou em reforço de horas.
Em plena pré-campanha eleitoral para as legislativas 2009, o governo de então aumentou salários por causa dos votozinhos e injectou financiamento desemesurado em obras públicas. No segundo caso, e na minha modesta opinião, a pensar também nos interessezinhos. Diz-se que as decisões foram abençoadas pelo poder central europeu.
A epifania parque escolar.sa tem detalhes risíveis. Quer competir no mercado de arrendamento num país inundado de pavilhões desportivos subutilizadíssimos, com uma boa rede de bilbliotecas e com a área comercial de casamentos e baptizados com excesso de oferta. Ensadecer faz parte da condição humana, mas esta gente exagerou. Alguém há-de pagar deve ser o único argumento que têm para apresentar.
"Os espaços das escolas intervencionadas pela Parque Escolar estão para arrendar na Internet. "Somos a maior oferta de espaços do país", sintetiza aquela empresa pública na sua nova página digital (http://espacosnasescolas.parque-escolar.p
Há mais de trinta anos que o voto foi estruturado. Originou um regime democrático bipolar que oscila nos humores de ocasião. Para não abusarmos da memória na análise da experiência portuguesa, podemos afirmar que os governos da primeira década do milénio foram de incompetência gradual com um pico inimaginável na última metade. Muitos dos que sabiam que a derrota de J. Sócrates seria a vitória de uma espécie de mais do mesmo, não hesitaram: uma coisa de cada vez e Paris que grame as "lições" sobre tudo e mais qualquer coisa.
Os escondidos nos "mercados" não se cansam de reduzir a despesa do estado com a Educação. Para sentenciarem a discussão, lançam, com ar de irrefutabilidade, um qualquer número estratosférico. Já estamos na cauda da Europa e não tarda confundimos buracos negros com contas públicas.
"No coração de muitas galáxias, ou mesmo de todas, encontra-se um buraco negro monstruoso, desconfiam os cientistas. A nossa galáxia, a Via Láctea, também tem o seu devorador de matéria e luz. Agora uma equipa internacional de astrónomos descobriu dois buracos negros, no centro de duas galáxias, que são os maiores alguma vez detectados: cada um tem cerca de dez mil milhões de vezes a massa do Sol e ocupam um espaço equivalente a cerca de cinco vezes a distância do Sol a Plutão. (...)"
Até aqui, quaisquer 1000 euros garantiam um favorzinho no euroviete supremo. Com a crise financeira que atinje todos os cidadãos europeus, serão necessários 100 euros e muita habilidade na economia paralela para subornar um deputado europeu.
"A partir de agora, os eurodeputados estão proibidos de aceitar subornos ou presentes no valor superior a 150 euros.(...)"
O ranking das notícias mais lidas no Público online diz-nos que o mercado das audiências deve baralhar os órgãos de comunicação social; ou talvez não. Habituam-se e depois é apenas mais ou menos adrenalina.
O inferno dos números em que há muito escolhemos viver tem picos e não raramente desgraças.
Repare-se na grau de curiosidade dos leitores: assuntos como a crise financeira, a queda do euro ou a política europeia não aparecem nos dez primeiros lugares.
Se uma universidade apresentar uma ideia relevante é decerto triturada nas audiências por uma caso de corrupção que terá acontecido noutra que foi extinta há anos.
Como interpretar a curiosidade com o aviso telefónico no despedimento de professores? Será aquela coisa do alimento-do-lumpen em que Lurdes Rodrigeus e Sócrates eram especialistas?
Dá ideia que o feitiço fez das suas, mas na versão brandos costumes. Pelo menos para já.
Francamente: faço greve, mas considero intolerável a ideia dos piquetes de greve.
O actual ministro das finanças será mais tecnopolítico ou tecnocrata? Nos últimos dias tem-se desdobrado em declarações cooperativas e mobilizadoras em desfavor do conceito de corporação. Pois é. O problema é que contam mais os actos. Se se exaurir o que resta de qualquer espírito corporativo, a maioria das classes profissionais será "cilindrada".
Para além da questão da constitucionalidade, que mesmo em momentos de crise deve ser letra com alguma vida, os cortes de subsídios são injustos se se pensar na aplicação de um imposto geral.
Como não só de pão vive o homem, é bom recordar que é o mesmo governo que mantém um modelo Kafkiano e injusto (palavras de Passos Coelho em campanha) a dilacerar a corporação dos professores e que passa o tempo a dividir os saberes em mais e menos essenciais.
Em relação ao segundo argumento, é até legitimo que se ache que esta ou aquela disciplina necessita de mais horas e de mais exames. É, contudo, um achamento abusivo considerar-se que o ser humano pode existir sem artes e sem humanidades. Priorizar não é dividir e muito menos desmobilizar. E podiamos incluir um rol com inúmeros argumentos. O adjectivo inúmeros, por exemplo, foi usado, nos últimos dias, por Vítor Gaspar para quantificar as pessoas excelentes na função pública. Em nome do propalado rigor matemático, era essencial que explicasse o algoritmo que inclui inúmeros em quotas com 5% de excelentes.
A península ibérica trocou as ligações à face oculta pelas do BPN, com todo o respeito por quem desempenhou cargos nos dois contendores-suaves com espírito de serviço público. Temos de acreditar que há pessoas honestas.
A direita espanhola obteve a mais ampla maioria da história. Os "mercados" não se comoveram e os juros subiram e as bolsas desceram. As tro(i)cas não parecem suficientes. Às tantas, a causa está no vizinho ibérico onde um lusitano da mesma família política segue impunemente pelo natal adentro. A única coisa certa é que haverá fiesta em Espanha.
Três milhões de euros para iluminações e fogo-de-artifício na Madeira
Sei pouco sobre a hierarquia monárquica. Tenho ideia que o dux era um comandante militar no império romano e que deu origem ao nosso duque atribuído aos filhos do rei. E já se sabe: os rebentos do monarca nem sempre tinham méritos e não raramente a coisa acabava em desastre. Apenas convivi com duques em jogos de cartas onde eram os valores mais desconsiderados na estratégia.
O mediatizado ecomonista João Duque associou as realidades históricas descritas. Depois dumas boas fatias de tempo a zurzir na competência e adequação dos políticos lusitanos do alto duma suposta e imaculada sapiência, recebeu da nova maioria a incumbência de relatar sobre a RTP. Um economista fora de água, foi o que me pareceu e se confirmou. Não esperava é tanto desmiolo. Sobre um dos canais, o internacional, escreveu que a informação deve ser "filtrada" e "trabalhada" e que governo se "quiser manipular mais ou manipular menos, opinar, modificar, é da sua inteira responsabilidade porque estamos convencidos que o faz a bem da Nação porque foi sufragado e eleito para isso".
Interessante. Estava com algum receio de a qualquer momento ser informado que tínhamos sido excluídos da moeda única. A notícia diz que foi em detrimento da Bósnia, porque temos um défice seis vezes superior ao dobro do apresentado pelos bósnios. O jornalista apurou que os números bósnios foram irregulares e só possíveis pela manobra parcial de um juíz alemão. Fica a ideia que se os bósnios apresentassem o célebre défice zero eram excluídos da própria Europa dos "mercados" por maus hábitos de consumo.
Um vídeo antigo e sempre oportuno.
Deixámos andar e houve mesmo quem promovesse e trabalhasse afincadamente com pessoas
com práticas políticas que devastaram instituições e o próprio país.
Cortesia do Ivo Sousa.
O governo perdeu o norte económico e a situação agrava-se a cada dia. A lição que traziam indicava austeridade forte e não contemplativa, embora já se comecem a evidenciar sinais de que o "rigor" era só para alguns. A tese do bom aluno permitiu uma polémica demarcação da situação grega. E já se sabe: quem não é solidário, mais cedo do que tarde recebe um qualquer retorno.
A recessão económica evidenciada nos últimos dias instalou a hesitação e os cortes nos subsídios oscilaram. Os porta-vozes de serviço pagaram o género de tributo e, como quase sempre, vestiram o ridículo obrigatório e anunciaram o princípio do fim de não sei o quê. Sejamos claros: o europa-do-centro-norte quer bons alunos, mas com economias que cresçam; e mais: estão com muita pressa, porque o capitalismo selvagem eliminou o silêncio, a reflexão, a poesia e quiçá a inteligência.
A exemplo do sucedido na Itália e na Grécia, pus-me a imaginar quem seria a nossa personalidade que os "mercados" escolheriam. A opção poderia ser Vitor Constâncio. Bem nos podemos rir, mas se os casos conhecidos tivessem aguentado mais um bocado não sei se o perfil não se ajustaria. Imagine-se que o governo se demitia e que o presidente da República indigitava uma figura do género. O que me está a intrigar é a resposta agradada das pessoas na Itália e na Grécia. E é bom que se sublinhe que os governantes substituídos eram de tonalidades políticas diferentes: um de direita e outro de esquerda.
O segredo é total e noticiado? Como? Está tudo desorientado e resta alguma diversão. A imprensa de referência compete com as contas do país nos rankings da incredibilidade. E a coisa piora quando chama à primeira página uma irrelevância para a Educação em 2012. Cortei o resto por uma questão de higiene mental.
O Procurador-Geral da República (PGR) abre um inquérito aos revolucionários se houver uma revolução? Será que o PGR não sabe que uma revolução derruba os poderes formais vigentes? São coisas como estas que ajudam a dissipar as dúvidas: a mesquinhez e as outras coisas parecidas fazem parte do quotidiano da condição humana nos mais diversos níveis da decisão política, da junta de freguesia às relações entre chefes de estado.
Já escrevi muito sobre os detalhes sórdidos do modelo de avaliação de professores ainda em curso dilacerante. Sinceramente: não tenho pachorra para mais análise e reservarei caracteres para o irmão mais pequeno que se segue. O blogue do Ricardo Montes levanta uma questão que devia ser óbvia: as faltas justificadas ao abrigo do artigo 102 são equiparadas a serviço docente efectivo.
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