Começam amanhã os exames do 4º ano e os alunos terão de assinar uma declaração garantido que não têm consigo telemóveis ou outro equipamento de comunicação. O MEC parece que desvaloriza. A notícia já tem três dias e nem me apetecia fazer um post para um assunto tão desmiolado. Mesmo que se volte atrás e qualquer que seja o argumentário, é mais um sinal de uma sociedade que está gravemente doente.
O mau centralismo que se evidencia nas sucessivas paranóias à volta dos exames não foi implodido e continua pujante e triunfante.
Rescisões amigáveis: são 213 mil os funcionários públicos menos qualificados
"Passos Coelho confirmou que o programa de rescisões vai começar pelos assistentes técnicos e operacionais, mas não avançou com números. No final de 2012, havia mais de 213 mil funcionários nestas funções.(...)"
Conheço bem o sistema escolar e está mais do que comprovada a gritante incompetência administrativa do MEC no tratamento da informação. É natural que se chegue a esta altura com um sistema administrativo em aguda entropia e que quem continue a sofrer com isso sejam os profissionais das escolas.
Aliás, tem sido sempre assim como se certifica neste post que escrevi em 11 de Fevereiro de 2011 e que intitulei como "Sem Voz".
"Alunos, professores e encarregados de Educação são actores com voz. Todavia, as escolas também se erguem por força da acção de uma pequena legião sem palavra: os assistentes administrativos e os assistentes operacionais (outrora designados por auxiliares de acção educativa; há até quem diga, que a mudança de nome lhes deu um super-poder tal que desempenham o papel de três dos que tinham a anterior designação).
Nem adianta chamarem-me populista por causa deste post. As inúmeras pessoas com essas funções que comigo privaram ao longo de anos podem vir aqui acusar-me; os outros não.
Estes actores do universo escolar não têm voz. Os sindicatos, mesmo os que têm mais sócios, defenderam uma proposta insana para os professores: um prémio pecuniário anual aos professores que se destacassem em cada escola ou agrupamento. O que me traz aqui é um acto da mesma família.
Belisque-se. Fique a saber que há escolas e agrupamentos no sistema público escolar de Portugal, que atribuíram, em pleno 2010, um 15º mês de salário aos dois assistentes operacionais que mais se destacaram. É só imaginar o efeito devastador que este cinismo manipulador tem no curto e no médio prazos na atmosfera relacional. Este tipo de políticas colocaram as democracias nos limites da sobrevivência. Estamos a insistir na construção de um sistema que urge derrubar e que empurra as pessoas para coisas destas."
Mas esta malta, do para além da troika, aplica uns modelos salpicados de radicalismo ideológico, que arrasaram com as classes média e baixa, e não lhes acontece nada? Não se demitem? Gaspar diz que só vai ao parlamento a 5 de Abril dar satisfações da 7ª avaliação e o Catroga vem agora dizer que o Governo precisa de dois anos para atingir os 3% de défice.
É evidente, e comparando com os últimos dois anos, que isto são notícias melhores para quem está a sofrer (sim, há milhares de pessoas a sofrerem com as políticas para além da troika). Mas estas coisas não devem ser brincadeiras de adolescentes que ainda por cima estavam cheios de certezas e que respondiam muuuuuito devagar, e de forma jocosa, a quem duvidava. O mínimo era a demissão. As pessoas dadas à soberba são sempre vocacionadas para o disparate.
Passos Coelho, "firme e resiliente", segue algumas sugestões: a de João Salgueiro que alvitrou a limpeza das matas para motivar os desempregados, a de alguém que acha que os portugueses até "aguentam" muito mais e ainda a de outra pessoa que defende que comer bifes todos os dias é despesismo. Depois admirem-se.
Recebi por email a referência a um vídeo que pretende promover o turismo em Portugal. Um vídeo oficial, digamos assim. Nem queria acreditar no modo como nos olhamos oficialmente e na imagem que queremos passar para quem nos visita. Lembrei-me do "canalizador polaco". São muitos os que dizem que a nossa bancarrota é, em primeiro lugar, moral e devem ter razão.
Notei Passos Coelho com mau perder. É uma espécie de segunda pele que vem à tona quando chantageia a baixa de impostos com mais cortes a eito nas políticas sociais. Esse desequilíbrio é insensato e trágico, como se comprova.
Sabíamos da presença da troika, mas também conhecíamos o fanatismo ideológico do Estado mínimo. Esse para além da troika não devia ser uma coisa experimental nem uma brincadeira de jotas retardados misturados com uma espécie de nerds. Estas coisas são sérias e arrasaram a vida de milhares de pessoas.
Passos: Para baixar impostos temos de reduzir as despesas do Estado
Sou de um tempo em que a publicidade interrompia os filmes e era um excesso e uma perda de tempo. Desenvolvi um mecanismo mental de rejeição que já nem decifro as mensagens, apesar de reconhecer que tenho perdido coisas muito boas.
Acontece-me o mesmo com as anedotas. Talvez a brejeirice machista ligada a esse fenómeno me tivesse irritado tanto que estimulei um bloqueio que nem os sorrisos amarelos disfarçam e que quem me conhece bem já desistiu do uso desse meio de socialização.
Nas manifestações acontece-me o mesmo com as intervenções vindas dos palanques, que são sempre ruidosas e com vozes à beira de um ataque de rouquidão.
Ontem, na manifestação, existiu mais um coro de berraria. Só mais tarde dei conta do racismo do líder da CGTP, que classificou de escurinho o representante do FMI. É grave e inadmissível. Não sei se o homem já se retratou. Deve pedir desculpa e demitir-se de seguida. A expressão é indesculpável. É o tipo de racismo que vem bem de dentro.
Só no último "Eixo-do-mal" da SICN dei conta das polémicas recentes à volta de um cão e de uma mala preta. Tinha reparado que eram tema nas redes sociais, mas não fui indagar porque desconfiei que a abjecção está, naturalmente, em crescendo.
Até fora do virtual me falaram do assunto e devo ter sorrido como geralmente faço com as anedotas: desligo de imediato, mas mantenho a compostura para esconder a ignorância (relativa, claro). Afinal era sobre um cão e uma mala preta e o que perdi é de perder. A história do cão é trágico-cómica e a da mala uma espécie de fascismo exercido sobre a jovem.
Depois do citado programa passei pelo facebook e reparei no que se dizia sobre o facto de Mário Soares ter sido internado num hospital privado; tanto disparate e tanta falta de respeito.
Não me admira que estes temas dominem as redes sociais. Navegam por lá os extremos, mas o anonimato amplia o mais desprezível que se pode encontrar na condição humana. É uma progressiva caminhada em direcção ao vale tudo e à mentira institucionalizada, que permitirá, como notou Irme Kertész, que se elejam os piores de nós.
Até já cansa escrever sobre os concursos de professores por oferta de escola (o Ricardo Montes escreve, com acerto e neste post que deve ser lido, que a designação actual é contratação de escola). Há tempos escrevi assim: "(...)O concurso por oferta de escola, o mais incivilizado de toda a Europa (afirmo-o sem qualquer dúvida), obriga os milhares de candidatos a "tropeçarem" de escola em escola em editais muitas vezes com destinatário prévio ou com inépcias administrativas graves.(...)"
Ora lei o que se segue.
Concurso designado por ofertas de escola trava concursos de professores
"(...)“Isto é uma loucura. A plataforma informática do ministério é ‘cega’, ou seja, coloca em primeiro lugar os professores que por engano ou não se apresentam com 60 e até 85 anos de serviço. Em primeiro lugar estão também os que têm graduações mais altas e que, por isso e por terem concorrido a ofertas de escolas de todo o país, já foram, na maior parte das vezes, colocados. Estes são convocados automaticamente em tranches de cinco, independentemente destes factores. Se não responderem (porque já estão colocados, por exemplo) temos de andar à procura deles. E, depois, de os entrevistar ou não e de fazer actas para justificar a exclusão. Só então podemos passar à tranche seguinte”(...)"
O título que escolhi é de um texto que uma encarregada de Educação de um ex-aluno de um colégio da cooperativa GPS, nas Caldas da Rainha, escreveu para a Gazeta das Caldas e que merece ser lido com toda a atenção.
"Sou mãe de um aluno que até há poucos dias pertencia ao Colégio Rainha D. Leonor, onde estudava desde o 5º ano.
O meu filho tem problemas de saúde, tendo acompanhamento médico e medicação diária. A escola sempre esteve informada desta situação, através do director de turma e de relatórios médicos apresentados no colégio. Estes problemas de saúde, inevitavelmente, reflectem-se nas suas aprendizagens e nos resultados que, através do seu esforço e empenho e da dedicação dos pais, vai conseguindo, nunca tendo reprovado. No Colégio Rainha D. Leonor tem o seu grupo de colegas e amigos que, desde o 5º ano, têm sido o seu apoio e incentivo para não desistir de estudar, amigos que o têm ajudado a ultrapassar dificuldades.
Quando o ano lectivo chegou ao fim, matriculou-se no 10º ano em Ciências e Tecnologias, ficando na turma C. Deixámos o sinal para os manuais adoptados e fomos de férias descansados.
Para meu grande espanto, em 3 de Setembro, fui contactada por um professor do Colégio que me disse que o meu filho, afinal, não podia ficar naquela escola e que já não havia vaga nas outras escolas. O meu filho fazia parte de uma lista de 8 alunos que já não podiam ficar na escola e que tinha sido enviada para a Rafael Bordalo Pinheiro.
Inconformada e angustiada com esta decisão, tomada à revelia dos encarregados de educação, e na qual não via nenhum fundamento, fui falar com a coordenadora Dra. Tânia Galeão, que me disse que o Ministério da Educação não autorizava as três turmas daquela área de estudos e que era esse o motivo pelo qual oito alunos teriam de ir para outra escola.
Ora acontece que esses alunos foram “escolhidos a dedo” pela direcção do colégio pois são jovens que não têm das melhores notas e que, portanto, tal como o meu filho, não são alunos de contribuir para os rankings daquele estabelecimento de ensino. A própria directora do Colégio, Dra. Paula Rente, quando lhe perguntei qual o critério para “despachar” estes alunos para outra escola, respondeu-me que “obviamente que não íamos mandar embora os melhores e ficarmos cá com os mais fracos”. Mais ainda: afirmou que o meu filho não iria fazer nenhuma disciplina do 10º ano!
Devo acrescentar que a forma como a directora se dirigiu a mim e ao meu marido quando lhe pedimos explicações sobre o caso do nosso filho, foi de todo inadequada, tendo sido agressiva e gritado connosco.
Decidida a lutar pelo direito do meu filho de ficar naquela que era a sua escola, no curso que escolheu e com os colegas e amigos que sempre o acompanharam, fui à DRELVT. Aqui disseram-me que era o colégio que tinha que resolver, mas que no caso de haver alunos a mais teriam de ser os novos a sair. Contudo, vim a saber que há novos alunos no Colégio, o que significa que essa regra não foi respeitada porque, mais uma vez, o que lhes interessa são os rankings para poderem dizer que são melhores do que as outras escolas da cidade.
Desde o dia 3 de Setembro desdobrei-me em contactos entre o Colégio, a Rafael Bordalo Pinheiro e a Raul Proença, tentando resolver a situação.
Vi o meu filho chorar, quando soube que não podia ficar naquela que era a sua escola e onde estão os seus amigos e colegas, e passar os dias deprimido e angustiado, o que perturba o seu equilíbrio emocional e prejudica o começo do novo ano lectivo.
Ficámos, assim, esclarecidos sobre os critérios e prioridades do Colégio Rainha D. Leonor. Aqueles alunos tinham feito o seu percurso escolar desde o 5º ano no colégio e a própria lei diz que eles têm direito a nele continuar.
É curioso como há dois anos o Colégio chamou os encarregados de educação para, numa demorada reunião, nos pedir todo o apoio contra os cortes no financiamento público das escolas privadas, dizendo-nos que eles também eram uma escola pública. Ficámos assim a saber que o apoio dos encarregados de educação ao colégio só lhes interessa para obterem financiamento do Estado e não para assegurarem um serviço público de educação aos nossos filhos. É que, tal como nos foi dito numa das escolas públicas da cidade, “na escola pública há lugar para todos” e a prioridade são os alunos e não os interesses privados.
No meio disto tudo, o meu filho acabou por ficar na Escola Raul Proença. Cansada, acabei por aceitar porque não tenho forças para protestar mais, embora não consiga calar a minha revolta como mãe (que vê o seu filho ser empurrado para fora da escola que era a sua) e como cidadã e contribuinte por ver que dinheiros públicos pagam a instituições que têm este tipo de atitudes e que usam a bandeira da escola pública quando lhes convém.
Como julgo que este assunto deve ser do conhecimento da Gazeta das Caldas, resolvi escrever esta carta para que outros pais estejam atentos a estes procedimentos e consigam proteger os seus filhos de interesses que não são, com certeza, os da verdadeira formação dos seus filhos.
Fátima Jacinto
NR – Gazeta das Caldas deu conhecimento desta carta ao Colégio Rainha D. Leonor e à DRELVT, mas não obteve qualquer resposta."
Mais por email, mas também nos comentários e noutros blogues, começo a observar o regresso do medo que se registou nos tempos de Maria de L. Rodrigues. É claro que há muitos que remetem para os interesses vários e mesquinhos a maioria dos comportamentos. De um modo ou de outro, são características humanas dilacerantes das atmosferas organizacionais.
Isto era evitável? É evidente que era, mesmo reconhecendo que a situação financeira do país é grave. É impressionante como os decisores não entendem que os problemas orçamentais do sistema escolar se agravam com o clientelismo e com a falta de transparência. O país precisa de professores mobilizados e o ano lectivo está a começar da pior maneira.
Os professores estão emparedados entre a necessidade de defenderam a justiça e a inevitabilidade de degradarem a imagem da escola pública. No fundo, isso interessa a quem?
Os concursos de professores por oferta de escola são indecentes e os mais incivilizados da Europa e ponto final.
Recebi o seguinte email, devidamente identificado:
Bom dia. O Agrupamento de Escolas Manuel da Maia não contatou os contratados, publicitando apenas na sua página a mensagem que segue em anexo. Ao reparar que contrataram um outro candidato menos graduado que eu, procurei as listas na página do Agrupamento e deparei-me com esta realidade. Agora temos de passar a verificar as dezenas/centenas de páginas de escolas para onde concorremos? Talvez não tenha sido escolhida por não ter tido conhecimento da informação acima. Devo reclamar? Para onde? Terei razão?
Obrigado.
O email vem acompanhado da imagem que se segue:
O Arlindo Ferreira publicou um post sobre o mesmo agrupamento de escolas que diz assim:
"Se por um lado pedem para os 10 primeiros enviarem o curriculo para a escola por outro lado colocam os posicionados nos trezentos e tais."
Acrescentei, às 17h07, o vídeo sugerido no comentário da Ana:
Se o entendimento, entre o Governo e a plataforma de sindicatos, cortou a espinha dorsal da luta dos professores em 2008, o acordo assinado na mesma mesa negocial em 2010 colocou a Fenprof numa situação muito vulnerável em relação às justas críticas de quem a considerou uma espécie de secretaria de estado dos governos de José Sócrates.
Como há algum tempo se previa, a tradicional FNE faz o mesmo papel de SE junto do actual Governo. É o sindicalismo que não faz falta à democracia e que contribuiu para nos empurrar para onde estamos.
A notícia que anuncia a vinculação de 12.000 professores contratados retrata o que acabei de escrever e é muito grave. Não se trata sequer de questionar a elementar justiça da vinculação de professores, que ainda por cima é feita a custo zero. Trata-se, repito, de branquear o recente despedimento colectivo e obriga a que se considerem aspectos como os que o Ricardo Montes coloca aqui.
Passos Coelho disse inverdades em campanha eleitoral e só o fez para conseguir votos. Não adianta justificar-se com a ausência de bola de cristal. Disse que nunca cortaria os subsídios aos funcionários públicos. Classificou como Kafkiano e de uma injustiça brutal o modelo de avaliação de professores e que o suspenderia de imediato. Não o fez e, como sabemos, em Setembro o desmiolo regressa numa versão que passa de 100% injusta para 95%.
A primeira página do expresso afirma a rejeição de mais austeridade por parte do primeiro-ministro.
Passos Coelho afirmou que aplicaria o programa ideológico em curso mesmo sem a troika e que iria para além disso. Não pode agora apagar as intenções. Milhões de pessoas estão a sofrer com isso.
Depois da tragédia "socratista", Passos Coelho convenceu-se que a terra já estava suficientemente queimada e que faria história ao aplicar políticas neoliberais nunca experimentadas em Portugal, mas de falhanço rotundo onde quer que tenham sido experimentadas. Criaria um "país novo". Uma "Singapura" na ponta da velha Europa.
É grave que um ano depois estejamos nesta situação, não é difícil concluir que o Governo perdeu espaço e que a situação agravar-se-á.
Conhecemos demasiado bem a continuação de políticas de marcha forçada em direcção aos "amanhãs que cantam" e que, mesmo pesando bem e com as devidas distâncias para que não se gerem confusões interpretativas, tiveram configurações denominadas de "raça" ou "espaço vital". Esse "peso político", quase irrefutável, criou amibas gigantes incapazes de reagir e com destinos tão certos como a carne para canhão ou o forno crematório. As "boas intenções" levadas a eito podem ter resultados desastrosos e imprevisíveis.
Pode ler aqui uma espécie de adenda a este post.
O que vai ler é inadmissível e demonstra o grau de incompetência da traquitana do MEC. É Kafka no seu melhor.
Não é justo que a Escola Básica de Santo Onofre, e o actual agrupamento de escolas por arrastamento, veja a sua imagem, e a dos seus alunos e profissionais, constantemente ridicularizada na comunidade educativa.
Uma boa parte dos profissionais que elevaram a história daquela instituição a uma referência em diversos domínios são os mesmos. O que mudou foi uma pouco estudada alteração na rede escolar, uma impensada entrada em agrupamento e principalmente as ocorrências derivadas do novo modelo de gestão escolar. Como se sabe, no modelo vigente são suficientes menos de uma dezena de profissionais (e nem necessitam de pertencer à escola sede) e outros tantos stakeholders para ocuparem os lugares de chefia e escolherem os caminhos a percorrer.
Disseram-me que o Conselho Geral do agrupamento votou de forma amplamente maioritária a entrada imediata em mega-agrupamento com a ideia de destituir rapidamente os órgãos em exercício e exibir uma espécie de cartão vermelho à direcção. Belisquei-me. Apesar de tudo, senti vergonha. Ninguém gosta de ver a instituição onde tem dedicado uma boa parte da vida profissional tratada desta forma.
Afinal, e em plena Assembleia Municipal, o vereador respectivo, e também membro do Conselho Geral, confirmou mais essa singularidade (pode ler aqui a notícia completa da Gazeta das Caldas) que atinge de forma acentuada a imagem da instituição (os bolds são do jornal):
"(...)“O que nos foi transmitido era que o processo tinha que estar concluído até ao final do ano lectivo de 2012/2013 e que iriam ser consultados os respectivos agrupamentos”, disse, acrescentando que se as partes interessadas estiverem de acordo, não será o município a ir contra essa decisão. Tinta Ferreira sabe também que o Conselho Geral de Santo Onofre aprovou por maioria a vontade de agregar-se com a escola Raul Proença e “quando mais depressa melhor”. Já a escola Raul Proença deverá reunir-se entretanto para se pronunciar.(...)"
Entretanto, o Conselho Geral da Escola Secundária "Raul Proença não se opõe a juntar-se ao Agrupamento de Escolas de Santo Onofre "e, ao que tudo indica, o mega-agrupamento será uma realidade e sem a oposição dos respectivos Conselhos Gerais.
Como alguém escreveu noutro dia num comentário, o agrupamento de Santo Onofre foi conduzido, desde 2009, por meia dúzia de pessoas. O processo começou com uma CAP e os resultados objectivos (avaliação de alunos, frequência escolar e por aí fora) e os de alguma forma subjectivos (atmosfera relacional, liderança, cultura organizacional) têm vindo a piorar significativamente.
Ainda há uns meses, e num exercício que abala a melhor imagem mesmo que construída numa história de mais de uma década, o director em funções desde Novembro de 2009, ex-coordenador da CAP, declarou para justificar a sua demissão aceite em 4 de Julho de 2011:
"...)Em primeiro lugar, o facto de o início do ano escolar que agora termina ter sido “muito conturbado” e ter corrido “muito, muito mal”. Acreditando que “com o tempo se verá depois melhor porque é que as coisas aconteceram assim”, (...)considera que “a culpa não pode morrer solteira, e independentemente de qualquer outra razão, a culpa é minha, como director”. Além disso, a avaliação externa que a IGE fez em Fevereiro de 2011, não teve os resultados que seriam esperados. “(...)E tem que ser o director a dar a cara”, afirma. (...)Ao fim de um ano e pouco de trabalho, dá a impressão que estaria a carregar nessa pessoa tudo o que correu mal no agrupamento”, garante.(...)"
É, portanto, com um legítimo sentimento de injustiça que os profissionais destas escolas olham o presente e o futuro. Os números de frequência de alunos estão a atingir mínimos muito preocupantes. Se considerarmos que a Escola sede já teve mais alunos do que todo o agrupamento na actualidade, não será difícil perceber os motivos de tanta apreensão. Parafraseando o tal coordenador da CAP que foi eleito director e que se demitiu, “com o tempo se verá depois melhor porque é que as coisas aconteceram assim,(...)a culpa não pode morrer solteira(...)".
São muitos os responsáveis? Claro que sim. Mas há os que o são mais, na História bem recente e nos diversos órgãos de soberania.
Passos Coelho diz inverdades, arma-se em paternalista e agora parece que começou a gozar com as pessoas imitando o ministro Gaspar. Ou será que é uma mistura das três coisas de quem navega à vista e perdeu as palas do neoliberalismo? Só tem uma atenuante: está em Maputo e lá na minha terra é honroso que os convidados bebam aguardente de caju.
Passos Coelho: Repor subsídios em 2014 poderia dar "imagem precipitada" de Portugal
Começa a generalizar-se, agora que serão muito poucas as escolas que ficarão não agrupadas, a evidência que agrupar escolas com o actual modelo de gestão obrigará a perdas de centralidade e que a maioria ficará sem direcção, conselho geral, conselho pedagógico, coordenadores de departamento, representantes de grupo disciplinar, coordenadores de directores de turma e por aí fora.
Nesta fase, a indignação ou perplexidade remete para a perda e para a angústia com a confusão que se estabelecerá. Será apenas a primeira fase. Depois surgirão as comissões administrativas provisórias e as eleições para os conselhos gerais transitórios. O processo verá a temperatura subir. O termómetro espantar-se-á com o processo dos conselhos gerais e com o concurso seguido de eleição, o tal que os especialistas dizem ser único no mundo, que indicará os directores. Seguir-se-ão eleições (também no modelo de três indicações prévias, quiçá importado do planeta mercúrio e para populações imaturas) e nomeações para os diversos cargos. Aí ficaremos a saber se existem medidores de temperatura capazes de identificarem o estado de sítio. Há muitas instituições que já sobrevivem, desde meados da década, no caos vigente e aconchegam-se na fuga possível: os desmiolos não costumam durar muito tempo.
É humano cuidarmos da vidinha, claro. Mas quando se ocupam lugares que implicam com a vida dos outros, seria natural que a vidinha não fosse o único propósito. Quem actua nesse registo, normalmente dá cabo da própria vidinha e da vida dos restantes membros da mesma organização.
Recebido por email.
"Carta a professores, alunos, pais, governantes, cidadãos e quaisquer outros que possam sentir-se tocados e identificados.
As reformas na educação estão na boca do mundo há mais anos do que os que conseguimos recordar, chegando ao ponto de nem sabermos como começaram nem de onde vieram. Confessando, sou apenas uma das que passou das aulas de uma hora para as aulas de noventa minutos e achei aquilo um disparate total. Tirava-nos intervalos, tirava-nos momentos de caçadinhas e de saltar à corda e obrigava-nos a estar mais tempo sentados a ouvir sobre reis, rios, palavras estrangeiras e números primos. Depois veio o secundário e deixámos de ter “folgas” porque passou a haver professores que tinham que substituir os que faltavam e nós ficávamos tristes. Não era porque não queríamos aprender, era porque as “aulas de substituição” nos cansavam mais do que as outras. Os professores não nos conheciam, abusávamos deles e era como voltar ao zero. Eu era pequenina. E nunca me passou pela cabeça pensar no lado dos professores.Até ao dia 1 de Março. Foi o culminar de tudo. Durante semanas e semanas ouvi a minha mãe, uma das melhores professoras de Inglês que conheci, o meu pilar, a minha luz, a minha companhia, a encher a boca séria com a palavra depressão. A seguir vinham os tremores, as preocupações, as queixas de pais, as crianças a quem não conseguimos chamar crianças porque são tão indisciplinadas que parece que lhes falta a meninice. Acreditem ou não, há pais que não sabem o que estão a criar. Como dizia um amigo meu: “Antigamente, fazíamos asneiras na escola e quando chegávamos a casa levávamos uma chapada do pai ou da mãe. Hoje, os miúdos fazem asneiras e os pais vão à escola para dar a dita chapada nos professores”. Sim, nos professores. Aqueles que tomam conta de tantos filhos cujos pais não têm tempo nem paciência para os educar. Sim, os professores que fazem de nós adultos competentes, formados, civilizados. Ou faziam, porque agora não conseguem. A minha mãe levou a maior chapada de todas e não resistiu. Desculpem o dramatismo mas a escola, o sistema educativo, a educação especial, a educação sexual, as provas de aferição e toda aquela enormidade de coisas que não consigo sequer enumerar, levaram deste mundo uma das melhores pessoas que por cá andou. E revolta-me não conseguir fazer-lhe justiça. Professores e responsáveis pela educação, espero que leiam isto e acordem, revoltem-se, manifestem-se (ainda mais) mas, sobretudo e acima de qualquer outra coisa, conversem e ajudem-se uns aos outros. Levem a história da minha mãe para as bocas do mundo, para as conversas na sala dos professores e nos intervalos, a história de uma mulher maravilhosa que se suicidou não por causa de uma vida instável, não por causa de uma família desestruturada, não por dificuldades económicas, não por desgostos amorosos mas por causa de um trabalho que amava, ao qual se dedicou de alma e coração durante 36 anos. De todos os problemas que a minha mãe teve no trabalho desde que me conheço (todos os temos, todos os conhecemos), nunca ouvi a palavra “incapaz” sair da boca dela. Nunca a vi tão indefesa, nunca a conheci como desistente, nunca pensei ouvir “ando a enganar-me a mim mesma e não sei ser professora”. Mas era verdade. Ela soube. Ela foi. Ela ensinou centenas de crianças, ela riu, ela fez o pino no meio da sala de aulas, ela escreveu em quadros a giz e depois em quadros electrónicos. Ela aprendeu as novas tecnologias. O que ela não aprendeu foi a suportar a carga imensa e descabida que lhe puseram sobre os ombros sem sentido rigorosamente nenhum. Eu, pelo menos, não o consigo ver. E, assim, me manifesto contra toda esta gentinha que desvaloriza os professores mais velhos, que os destrói e os obriga a adaptarem-se a uma realidade que nunca conheceram. E tudo isto de um momento para o outro, sem qualquer tipo de preparação ou ajuda. Esta, sim, é a minha maneira de me revoltar contra aquilo que a minha mãe não teve forças para combater. Quem me dera ter conseguido aliviá-la, tirar-lhe aquela carga estupidamente pesada e que ninguém, a não ser quem a vive, compreende. Eu vivi através dela e nunca cheguei a compreender. Professores, ajudem-se. Conversem. E, acima de tudo, não deixem que a educação seja um fardo em vez de ser a profissão que vocês escolheram com tanto amor. Pensem no amor. E, com ele, honrem a vida maravilhosa que a minha mãe teve, até não poder mais.
Sara Fidalgo
P.S. – Não posso deixar de agradecer a todos os que nos ajudaram neste momento de dor *"
Sabia da existência de Álvaro Santos Pereira, o ministro da economia, através do seu blogue desmitos, salvo erro, e apreciava alguns dos argumentos com que desconstruía as políticas dos últimos governos do PS. Era um exercício fácil, já que os tais Governos eram fracos, e outras coisas ainda piores, e a crise financeira ajudava.
Houve, e há sempre, muitos críticos que só podem ser examinados na hora de construir. E, sem querer armar em adivinho, pressenti que a coisa não correria nada bem. Apesar de tudo, choca-me o modo como está a ser tratado. Pelo que se vai lendo, há membros do Governo que não se coíbem de passar informação que ridiculariza a presença de Álvaro Pereira nos conselhos de ministros. É um exercício típico da ausência de liderança e isso é preocupante. A criação de bodes expiatórios é intolerável e o tempo encarrega-se sempre de nomear as verdadeiras incompetências. Também deve ser sublinhado que "Os Álvaros" põem-se muitas vezes a jeito e nem sei se é o caso. Mesmo que seja, é inadmissível.
A discussão sobre a organização administrativa do país é nuclear. A babilónia que origina que um mesmo centro urbano pertença a áreas geográficas diferentes ao gosto dos sub-sistemas do Estado é a causa principal do nosso desgoverno. É moderno e razoável que um país tenha um quadro de divisão administrativa e Portugal tem mais de quarenta. Ouvi há pouco, numa estação da rádio, o social-democrata António Capucho afirmar que o ministro Miguel Relvas não tem condições para orientar a reorganização em curso.
Para além da capital, vivi em Trás-os-Montes, no Minho, no Douro Litoral, no Alentejo e na Estremadura. À excepção de Lisboa, encontrei duas comprovadas irritações: a incerteza da identidade local e o centralismo da capital.
Quando, em 2004 salvo erro, um amigo me convidou para assistir a uma conferência sobre a divisão da moda na altura, comunidades urbanas e por aí fora, aceitei com interesse. Não aguentámos até ao fim e saímos envergonhados. Sem qualquer gosto pela fulanização, o conferencista, o governante Miguel Relvas, era inclassificável. Caiu pouco depois numa sucessão de casos com membros do mesmo Governo que não me admiraram por raciocínio de indução.
Foi com espanto que verifiquei que Miguel Relvas era uma espécie de número dois do actual governo e que tinha a incumbência de dirigir uma tarefa nuclear. Para me deixar ainda mais perplexo, só faltava que os mandatários da candidatura do primeiro-ministro a presidente do seu partido fossem caciques comprovados.
Passei a tarde de ontem numa Direcção Regional de Educação como membro de um júri especial de recurso no âmbito da avaliação de desempenho de professores. Foi das poucas vezes que tive uma participação formal na coisa Kafkiana e de brutal injustiça, como foi classificada pelo actual primeiro-ministro.
Quando, em 2007, o monstro começou a dar sinais, os meus colegas elegeram-me coordenador de departamento curricular. Isso implicava que fosse avaliador e que frequentasse as primeiras acções de formação. Percebi que estávamos em presença de uma coisa monstruosa e fui, ao longo do tempo, tomando posições algo arriscadas e que só a mim me comprometiam.
Aceitei a participação formal que ontem se verificou por convite de um professor. Concluo, pela enésima vez, que o modelo de avaliação de professores é um somatório de absurdos que se desenvolve em vários patamares. Por muitos cortes que leve, a injustiça derivada da imensurabilidade dos indicadores não é eliminada. É incompreensível que na nova versão se reconheça que a farsa não pode ter efeitos nos concursos dos professores do quadro, mas que continue a dilacerar a vida dos professores contratados.
O Arlindo Ferreira tem razão. Quem resolveu ignorar a graduação profissional na contratação de professores por oferta de escola e alegou preferir a continuidade pedagógica ou outra coisa do género, terá de prestar contas à Inspecção-Geral da Educação. Invocar o desconhecimento da lei não deve voltar a servir de atenuante.
Nem queria acreditar. É reconhecida a nossa dificuldade em educar as crianças e só nos podemos envergonhar por existr uma empresa que promove cursos para que os professores aprendam técnicas defensivas contra as agressões fisicas e verbais dos alunos. Temos de devolver o poder democrático à escola com toda a profundidade que o conceito implica. O que é ainda preciso acontecer para que se perceba o estado de sítio do nosso sistema escolar? Os descomplexados competitivos dirão que são sinais dos novos tempos e que nos devemos habituar sem pieguices.
Empresa ensina professores a defenderem-se dos ataques físicos e verbais dos alunos
Não há pior para a democracia do que o mau exemplo de quem governa. Por norma, devemos desconfiar de quem vigia à lupa o preenchimento de formulários e se preocupa em infernizar a vida dos outros com exigências detalhadas, absurdas e de nivelamento por baixo.
A página 16 do Público de ontem tem um parágrafo elucidativo sobre a demissão do presidente alemão. "(...)O que aconteceu a Christian Wulff? Tudo começou em Dezembro, com uma notícia sobre um empréstimo com uma taxa de juro muito favorável junto da mulher de um amigo empresário. O empréstimo foi depois mudado para um banco, que também lhe ofereceu condições especiais. Isto quando Wulff era governador do estado federado da Baixa Saxónia, que tem leis tão estritas sobre benefícios que há casos de professores processados por terem aceite bilhetes grátis para um parque de diversões, nota a revista alemã Der Spiegel.(...)"
Dá ideia que há um espécie de governantes, ou de aspirantes a tal, que têm uma qualquer fixação com os professores.
Passei pelos órgaõs de comunicação social online e registei sintomas de uma sociedade doente.
Sócrates pediu ajuda externa depois de discutir com Soares
"Antigo Presidente da República revelou ontem que José Sócrates não queria pedir ajuda externa e que só o terá feito depois de uma "gravíssima discussão" entre ambos."
Conclusão óbvia: um país à deriva e pagarão os "mesmos" de sempre.
Passos Coelho prepara o país para o "dia seguinte"
"O primeiro-ministro revelou que a agilização da mobilidade na Função Pública e novas regras para as nomeações nas empresas públicas são os próximos passos."
Repare-se nas preocupações deste governante. Nem uma palavra sobre as PPP´s, por exemplo. Há década e meia, pelo menos, que os governos começam por nomear para as empresas públicas e para os serviços do Estado e a seguir legislam para dignificarem o processo; uns espertos. Vem o governo seguinte e repete a prática e o discurso. Há pelo menos 20 anos que as ditas nomeações são finalmente, e repetidamente, "moralizadas". Estranho ou talvez não.
Inquilinos de Lisboa querem falar com a troika
Quem é governado, há anos, por pessoas que se conclui que estavam impreparadas porque não tinham maturidade social nem muito sentido de estado, começa a desesperar e a fazer tristes figuras; mesmo que compreensíveis.
Presidente alemão apresenta demissão
O senhor parece que exagerou com umas hipotecas num processo tipo bpénezinho. Um duplo sinal: em Portugal é impossível, e é pena, pois ficaríamos com dificuldade em ter quem governasse; a Alemanha parece querer repetir o período que antecedeu a segunda guerra. A ganância dos humanos é demasiado repetível.
Colocaram uma pessoa que está uns mil lugares atrás na lista graduada, porque consideraram a classificação académica em vez da classificação profissional, disse-me indignada uma jovem professora que continua desempregada. Não sabem o que estão a fazer?
Mas quando é que se põe uma qualquer ordem no estado de sítio em que se tornou o concurso de professores por oferta de escola?
Nos últimos dias, a blogosfera tem divulgado uma série de despachos governamentais que determinam o pagamento dos subsídios de férias e de natal, em 2012, às respectivas assessorias. O governo tem apresentado justificações que vão desde o nacional-copy-paste à posterior obediência à lei geral.
Hoje temos mais um. Às tantas, os spins começaram a inundar o espaço para instalar a rotina e o desagravamento.
Esta crónica de Paulo Morais tem vinte dias. Lembrei-me de a publicar a propósito dos desenvolvimentos sobre os despachos que inscrevem o pagamento dos subsídios de férias e de natal a assessorias das secretarias de Estado. O democracia ainda não está extinta. Quem comete ilegalidades e abusos de poder, e seja a que nível for, deve ficar ciente que o escrutínio público, mesmo que através de uma minoria mais corajosa, dará sinal de vida. As consequências são depois um problema da Justiça que, e infelizmente, não é tão célere como se desejava.
Há dias publiquei um despacho dos Gabinetes do Secretário de Estado do Ensino Superior e da Secretária de Estado da Ciência em que se fazia referência ao pagamento a uma assessora dos subsídios de férias e de natal em 2012. No dia seguinte houve um desmentido. Tinha sido cópia de um despacho anterior. Enfim.
Hoje temos mais uma coisa do género.
É: uma professora, segundo notícia do Público, está como contratada e aufere 265 euros por mês. A professora é do quadro de nomeação definitiva e esteve um ano com licença sem vencimento. "(...)Ondina Pires tem 49 anos. É docente do quadro, mas está a contrato na Escola Básica do 2.º e 3.º ciclo Dom Luís de Mendonça, no Barreiro, a mesma em que ficou efectiva há nove anos. Tem um horário de seis horas por semana. Ainda está estupefacta: afinal, até mesmo na lei nada pode ser dado como certo.(...)". Num país com tanto desmiolo, não estranham as declarações que pode ver a seguir. O nosso presidente da República é mesmo impagável.
Leia o despacho que se segue e diga lá se a paciência dos portugueses não é uma coisa de espantar?
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CIÊNCIA
Gabinetes do Secretário de Estado do Ensino Superior e da Secretária de Estado da Ciência
Despacho (extrato) n.º 774/2012
Nos termos e ao abrigo do disposto nos n.os.3 e 4 do artigo 2.º e no artigo 6.º do Decreto -Lei n.º 262/88, de 23 de julho:
1. É nomeada Helena Isabel Roque Mendes para, no âmbito dos nossos Gabinetes, exercer funções de apoio à Rede Informática do Governo (RING) e de interface com o Centro de Gestão da Rede Informática do Governo (CEGER).
2. A nomeada auferirá uma remuneração mensal de € 1.575,00 (mil quinhentos e setenta e cinco euros), atualizável na mesma percentagem do índice 100 da escala salarial das carreiras do regime geral da função pública, acrescida do subsídio de refeição que estiver em vigor.
3. Nos meses de junho e novembro, para além da mensalidade referida no número anterior, será paga outra mensalidade de € 1.575,00 (mil quinhentos e setenta e cinco euros), a título de abono suplementar.
4. Os encargos resultantes do presente nomeação serão suportados pelo orçamento do Gabinete do Secretário de Estado do Ensino Superior.
5. O presente despacho produz efeitos a partir de 28 de junho de 2011, e é válido pelo prazo de 1 ano, renovável, até à sua caducidade, conforme o previsto na parte final do artigo 11.º do Decreto -Lei n.º 262/88, de 23 de julho.
11 de janeiro de 2012. — O Secretário de Estado do Ensino Superior, João Filipe Cortez Rodrigues Queiró. — A Secretária de Estado da Ciência, Maria Leonor de Sá Barreiros da Silva Parreira.
Atente no primeiro parágrafo: está na moda e fez escola; e o resto também.
"Que pensaria um cidadão comum se alguém em quem tivesse confiado e com quem tivesse feito um acordo, apanhando-se com o acordo na mão, violasse todos os compromissos assumidos fazendo exactamente o contrário daquilo a que se comprometera?
Imagine agora o leitor que esse alguém é um político que obteve o seu voto jurando-lhe repetidamente que faria determinadas coisas e nunca, nunca!, faria outras ("Dizer que o PSD quer acabar com o 13º mês é um disparate"; "Do nosso lado não contem com mais impostos"; "O IVA, já o referi, não é para subir").
Um político que lhe jurou que "ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam" e que fez o que a própria CE já reconheceu, que em Portugal as medidas de austeridade estão a exigir aos pobres um esforço financeiro (6%) superior ao que é pedido aos ricos (3%, metade).
Um político que lhe garantiu que "não quero ser eleito para dar emprego aos amigos; quero libertar o Estado e a sociedade civil dos poderes partidários" e cujos amigos aparecem, como que por milagre, com empregos de dezenas e centenas de milhares de euros na EDP, na CGD, na Águas de Portugal, nas direcções hospitalares e em tudo o que é empresa ou instituto público.
Quando os eleitos actuam impunemente à margem de valores elementares da sociedade como o da honra e o do respeito pela palavra dada não é só o seu carácter moral que está em causa mas a própria credibilidade do sistema democrático."
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