Em busca do pensamento livre.

Terça-feira, 21.03.17

 

 

 

Da obra prima de Yasujiro Ozu.

"Um velho casal resolve ir a Tóquio visitar os filhos. É o pretexto que serve a Ozu para voltar magistralmente aos seus temas: o confronto entre o “velho” e o “novo” Japão, as relações familiares, o envelhecimento, a decepção e a resignação. No melhor estilo de Ozu, a duração dos planos acompanha os ditos e os não ditos (uns e outros sublimes) das personagens."

 

Tokyo Story: Official Trailer.

 

 

Versão completa.

 

 



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Segunda-feira, 13.03.17

 

 

"Neruda" foi muito bem realizado por Pablo Larraín. Das duas grandes dimensões de Pablo Neruda, o filme escolhe a poética sem desvalorizar a política.

 

 



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Segunda-feira, 06.03.17

 

 

 

Diz o Público que "a reestruturação da função pública vai ter limites às progressões e que para subir na hierarquia do Estado vão ser precisos prémios e promoções". A ideia arrepia e compreende-se a apreensão dos que falam do regresso da cultura Lurditas D´Oiro. Por favor: isso não! O "dividir para reinar" com um suposto mérito-para-as-massas é aterrador. Dá ideia que a patologia kafkiana (para ser brando) passou dos bastidores para a primeira linha. Se há pessoas com memória curta, obriguem-nas a ver o "Eu, Daniel Blake".

 

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Sexta-feira, 03.03.17

 

 

 

Eu, Daniel Blake.

 

 

 



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Quarta-feira, 01.03.17

 

 

 

Espero que sejam infundados os paralelismos que vou lendo a propósito das semelhanças do que existe com o que antecedeu a segunda-guerra; nomeadamente na Alemanha. "Stefan Zweig - Adeus, Europa", de Maria Shrader, é um bom filme, realizado por actos, que nos narra os últimos anos de vida do escritor judeu Stefan Zweig. É uma obra comovente. Não a deve ver, se me permite, sem um conhecimento sumário do argumento. Fica a sinopse do Público e o official trailer.

 

"Nascido em Viena (Áustria), a 28 de Novembro de 1881, numa abastada família judaica, Stefan Zweig era, nos anos 1920 e 30, um dos mais populares autores europeus. Escreveu sobre a vida e obra de muitos escritores – Dickens, Tolstói, Dostoiévski, Hölderlin, Nietzsche, Balzac, Stendhal, entre outros –, mas também se interessou por figuras históricas como Maria Stuart, rainha da Escócia, ou o navegador português Fernão de Magalhães. Quando, em 1933, Hitler chega ao poder na Alemanha, a influência dos nazis rapidamente se faz sentir na Áustria. Em Fevereiro de 1934, a polícia faz buscas em casa de Zweig. A circunstância persuade o escritor a partir para Londres com Lotte Altmann, a mulher. Quando rebenta a II Grande Guerra e os nazis invadem França, o casal deixa definitivamente a Europa e parte para os EUA. Em 1941, mudam novamente de país, desta vez para o Brasil, instalando-se em Petrópolis, Rio de Janeiro. A 23 de Fevereiro de 1942, deprimido com o crescimento da intolerância e do autoritarismo na Europa e sem qualquer esperança no futuro da Humanidade, Stefan Zweig despede-se com estas palavras: "Envio saudações a todos os meus amigos: que eles possam viver para ver a aurora após esta longa noite. Eu, que sou demasiado impaciente, vou à frente". Zweig e Lotte foram encontrados mortos na tarde do dia seguinte, deitados lado a lado. Tinham ingerido uma dose fatal de barbitúricos. A notícia do suicídio de ambos chocou o mundo.
Parcialmente rodado em Portugal, um "biopic" realizado por Maria Schrader ("Liebesleben"), segundo um argumento seu e de Jan Schomburg. Josef Hader, Aenne Schwarz, Tómas Lemarquis e Barbara Sukowa dão vida aos personagens."

 

 



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Segunda-feira, 27.02.17

 

 

 

O filme, "Toni Erdmann", de Maren Ade (dirigiu e escreveu esta comédia dramática austro-alemã) é de 2016 e não sei se foi candidato a qualquer óscar; se não foi, merecia (fui pesquisar e encontrei o seguinte: "num ano normal era o grande candidato; mas 2017 não é um ano normal"). É um filme com 2h45, mas nem se dá pelo tempo. Toni Erdmann é um professor desprendido e pouco ligado à família. Reforma-se e vai saber da vida de uma filha que é uma competente executiva. O official trailer diz o necessário.

 

 

 



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Domingo, 29.01.17

 

 

 

Vi a apresentação e não perderia o filme de Fanny Ardant - produzido por Paulo Branco -, estreado ontem e filmado quase totalmente no Buçaco. A revista do Expresso despertou-me mais curiosidade com a interessante entrevista ao actor principal Gérard Depardieu, apesar da crítica de Jorge Leitão Ramos terminar assim: "(...)Mas a grosseria carroceira com que Depardieu incarna o personagem, emprestando-lhe uma violência descabelada no relacionamento directo com os que o rodeiam, é de tal maneira despropositada que o filme se desagrega antes mesmo de ganhar consistência." Discordo do crítico. O filme tem muita consistência. Depardieu tem um desempenho muito bom. Dá ao personagem a aura violenta, sem qualquer imagem "chocante" a não ser do ponto de vista psicológico, relatada pela história numa versão que cruza o marxismo com a psicanálise. Penso que o actor principal é mesmo mais um forte motivo para se considerar o filme imperdível. O "Público resume-o assim":

"Envelhecido e de saúde debilitada, Estaline – líder da União Soviética desde 1922 até a sua morte, em 1953 – resolve seguir os conselhos médicos e recolhe-se num palácio isolado durante alguns dias. Lidia, sua amante há várias décadas, acompanha-o nesta viagem. Inesperadamente, ele decide fazer todas as noites o seguinte: deitar-se num divã, assumindo-se como paciente, e obrigar Lidia a representar o papel de psicanalista. Temendo a sua fúria, ela concorda em seguir as indicações do livro "A Interpretação dos Sonhos", de Sigmund Freud. Oleg Danilov é um artista brilhante que ali se encontra, esperando ansiosamente pela oportunidade de mostrar a Estaline a obra que criou em sua honra. Mas Lidia, que não é indiferente aos encantos de Danilov, vê-se arrastada para um perigoso jogo onde qualquer indício de traição pode significar a morte.
Quase totalmente filmado no Buçaco Palace Hotel (numa co-produção franco portuguesa), "O Divã de Estaline" é um filme dramático que que se inspira na obra com o mesmo nome de Jean-Daniel Baltassat. Com argumento e realização de Fanny Ardant, conta com Gérard Depardieu, Emmanuelle Seigner e Paul Hamy nos papéis principais."

 

 



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Domingo, 15.01.17

 

 

 

 

"Na Via Láctea", de Emir Kusturica e filmado em quatro verões, tem as marcas do realizador: música e argumento. Desta vez, acrescenta-se a presença de Kusturica como actor principal e, nem por isso, a direcção de actores parece prejudicada. É exactamente o desempenho dos actores que me impressionou em "Manchester by The Sea" de Kenneth Lonergan. São dois filmes a ver. O primeiro é mesmo imperdível para quem gosta de Kusturica. Dá ideia de uma qualquer despedida. 

 

 

 



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Sexta-feira, 06.01.17

 

 

 

O filme de Emmanuelle Bercot, "De cabeça erguida", retrata as tutorias no sistema francês. Considerando que um jovem pré-delinquente (ou sem pré) passará umas 5 a 7 horas diárias na escola, o tutor supervisiona, logicamente, as restantes 17 ou 19. O tutor é, portanto, um profissional ligado aos sistemas social e judicial. Tem contacto, por exemplo, com as situações de indisciplina, ou de género semelhante, que ocorrem fora da escola. Em Portugal é o inverso. O tutor é um professor inspirado em Sísifo. Todos os dias parte do zero. Faz numas 4, se tanto, horas semanais, o que "será desconstruído" nas restantes 158. É também aqui que se constata a ubiquidade, e a inutilidade, do conceito de escola a tempo inteiro (sem desprezar, obviamente, a colaboração da escola na "guarda" de crianças em situações bem identificadas).

Nota: impressiona como alguma comunicação social responsabiliza a escola num caso mediático de violência juvenil fora da escola. É a escola total numa sociedade ausente.

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Sábado, 31.12.16

 

 

 

 

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Alameda da Fundação Serralves

 

Dizem-me que Rio "eliminou" a oferta cultural no Porto e nota-se nos teatros e nos cinemas. Num registo mais recente, a zona histórica da cidade rendeu-se à inundação turística e o clima acompanhou. Ficámos alojados na Avenida da Boavista, ao largo da agitação, e começámos por Joan Miró (materialidade e metamorfose) um acervo que estava nas mãos do BPN (arte é arte acima dos negócios terrenos). Jantámos no imperdível Solar Moínho de Vento (o arroz malandro com costelinhas, grelos e moura é divinal). Amadeo de Souza Cardoso (exposição 1916-2016), no Museu Nacional Soares dos Reis ficou para o dia seguinte)é uma recriação da genial exposição em que Amadeo foi tudo antes de morrer com 30 anos vítima da "gripe espanhola". Como ouvi a um catalão: os portistas vingaram-se quase um século depois e apropriaram-se do Joan Miró. Mais à noite, o Ribeira Square fez jus à famosa francesinha antes da Casa da Música exibir outro ponto forte da actualidade nacional: os jovens músicos representados pelo quinteto de Filipe Teixeira.

 

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Quinteto de Filipe Teixeira na Casa da Música

 

O Porto está belíssimo para passear. O tabuleiro superior da ponte D. Luís, de Gustave Eiffel, ficou para metro e peões. Passámos por lá e fotografámos os últimos momentos de uma visita muito agradável.

 

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 Ribeira do Porto vista da Ponte D.Luís



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Sexta-feira, 04.11.16

 

 

 

 

Venho do imperdível e dilacerante romance de Han Kang, "A Vegetariana", e entro no prometedor "O Passageiro Walter Benjamin" de Ricardo Cano Gaviria. A literaratura é exigente mas inigualável. A construção da imagem do que vamos lendo é mesmo um exercício maior e isto escrito por um pequeno cinéfilo que vem de um duríssimo, mas não menos imperdível, "Julieta" de Pedro Almodóvar.

 

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Quarta-feira, 07.09.16

 

 

 

"Querem ver que vai ler a carta toda". Levantou-se e saiu. Éramos uma dezena de espectadores e já estávamos reduzidos a metade ("A carta" do genial Manoel de Oliveira; um bom filme). Não aprecio comentários, mas este foi inesquecível. Uma freira recebeu uma carta no seu quarto do convento. Íamos com uns minutos num plano inamovível, a carta tinha umas quantas folhas e o saturado espectador tinha razão: leu a carta toda.

 

2ª edição. Reescrito.

 

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Domingo, 28.08.16

 

 

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É desconcertatnte o filme do Islandês Grimur Hákonarson que está no Nimas, em Lisboa. Desde os eternos conflitos entre progressistas e conservadores até aos duelos entre avanços da ciência e identidade cultural, e passando pelas mais diversas contradições no exercício da cidadania e na condição humana, Carneiros é uma obra cinematográfica imperdível.

 

No Público:

"Título original: Rams; De: Grímur Hákonarson; Com: Sigurður SigurjónssonTheodór JúlíussonCharlotte Bøving; Outros dados: NOR/DIN/POL/Islândia, 2015, Cores, 93 minutos.
Nascidos numa aldeia islandesa, os irmãos Gummi e Kiddi são criadores de ovelhas, tal como as várias gerações que os precederam. A sua rivalidade é lendária. Há mais de 40 anos que, por um motivo que já ninguém recorda, não dirigem palavra um ao outro. Um dia, é diagnosticada uma doença contagiosa a uma ovelha pertencente a uma quinta das redondezas. As autoridades optam por abater todos os animais que possam ter tido contacto com o agente infeccioso. Determinado a não seguir as regras, Gummi elabora então um plano de fuga para salvar os seus animais. Mas, para que isso se torne possível, terá de engolir o orgulho e pedir ajuda ao seu irmão.
Com realização e argumento de Grímur Hákonarson, "Carneiros" foi apresentado no Festival de Cinema de Cannes, onde recebeu o prémio Un Certain Regard. Os actores Sigurður Sigurjónsson e Theodór Júlíusson são os protagonistas."
 
 

 



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Terça-feira, 23.08.16

 

 

 

É difícil uma classificação assim ("Mulholland Drive, de David Lynch, foi escolhido como o melhor filme do século XXI por uma votação, promovida pela BBC Culture, de 177 críticos de cinema de todo o mundo (de todos os continentes menos a Antárctida, como sublinham os editores da BBC que organizaram o inquérito juntando 36 países)"), mas Mulholland Drive (2001) é genial. Vi-o a primeira vez no King, em Lisboa. Fiquei fascinado. Lembro-me que viemos a viagem toda a discutir a complexidade do filme com uns amigos. Se me permitem, é uma obra do nível de "Eyes wide shut”", de Stanley Kubrick; e não só por serem temas semelhantes. Aliás, o filme de Kubrick ficou prejudicado com a morte do realizador com a montagem por concluir.

 

O trailer de Mulholland Drive.

 

 



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Sexta-feira, 22.07.16

 

 

 

 

"Francofonia" é um bom filme de Aleksandr Sokurov. 1940: as tropas nazis entram em Paris e ficamos a saber o que aconteceu ao Museu do Louvre. É o ponto central do argumento. Os conceitos de "Liberdade, fraternidade e igualdade", "gosto pela arte" e "relação entre arte e guerra" são friamente analisados e ilustrados por imagens de um navio que transporta, e vai perdendo, contentores de arte em tempestuoso alto mar. A ver.

 

 

Título original: Francofonia; De: Aleksandr Sokurov; Com: Louis-Do de LencquesaingBenjamin UtzerathVincent Nemeth; 88 min.

 

1940. As tropas Nazis tomam conta da cidade de Paris (França). Jacques Jaujard (Louis-Do De Lencquesaing), director do Museu do Louvre, e o Comandante Franz Wolff-Metternich (Benjamin Utzerath), chefe da comissão alemã para a protecção das obras de arte em França, vêem-se obrigados a colocar as suas diferenças de parte e aliam-se para preservar os tesouros do museu. Assim, ao mesmo tempo que os exércitos arrasam a cidade, eles fazem o que podem para proteger algumas das mais importantes criações da Humanidade.
Com realização do aclamado realizador Aleksandr Sokurov (“A Arca Russa”, “Pai e Filho”, “Alexandra”, “Fausto”), um filme sobre um período negro da História europeia, onde se reflecte sobre a arte, o poder e a cultura e a importância dos museus na preservação da identidade humana. 

 

 



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Quinta-feira, 21.07.16

 

 

 

 

O muito bom filme de Emmanuelle Bercot, "De cebeça erguida" (na imagem), retrata as tutorias no sistema francês. Considerando que um jovem pré-delinquente (ou sem pré) passará umas cinco a sete horas diárias na escola, o tutor supervisiona, logicamente, as restantes dezassete ou dezanove horas. O tutor é, portanto, um profissional ligado aos sistemas social e judicial. Em Portugal é o inverso. O tutor é um professor inspirado em Sísifo. Todos os dias parte do "mesmo" grau. Faz numa dezena, se tanto, de horas semanais o que provavelmente "será desconstruído" nas restantes 158. É também aqui que se constata a ubiquidade da escola a tempo inteiro.

 

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Terça-feira, 19.07.16

 

 

 

 

"De cabeça erguida" tem como figura central uma juíza (Catherine Deneuve) de um tribunal de menores francês. Isso diz muito do argumento e tem uma relação poderosa com os actos terroristas a que temos assistido. O muito bom filme de Emmanuelle Bercot devia ser de visionamento obrigatório para as pessoas que opinam sobre o abandono escolar e a delinquência juvenil num tom crítico para os profissionais ou com ligeireza. A personagem interpretada por Catherine Deneuve dá uma lição de pedagogia, sensatez, firmeza e sabedoria. Imperdível mesmo.

 

 

 

Título original: La Tête Haute; De: Emmanuelle Bercot; Com: Catherine DeneuveRod ParadotBenoît MagimelSara Forestier; 120 min.

 



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Segunda-feira, 18.07.16

 

 

 

Muito bom o filme de José Luis Guerin. O lugar das Musas é reflectido através do curso de um professor de Filologia e da sua vida particular. "O amor é uma invenção dos poetas e o matrimónio dos economistas" é uma asserção dissecada com ritmo e oportunidade.

 

 

 

Título original: La academia de las musas; De: José Luis Guerín; Com: Rosa DelorEmanuela ForgettaPatricia GilMireia Iniesta; 92 min.

 

"Ao chegar a casa depois de um dia de aulas na universidade, um professor de Filologia é questionado pela sua mulher sobre o projecto académico que tem em mãos. Convencido do poder da arte, e inspirado pelos clássicos, ele propôs-se a criar uma "Academia das Musas" destinada a regenerar o mundo pela poesia, através das míticas figuras que motivam a criação artística. Durante a discussão, o casal faz uma avaliação da sua vida afectiva, ao mesmo tempo que debate vários tópicos filosóficos: o amor, o belo, a subjectividade ou o papel do criador e da criação. A relação dele com as suas alunas, que inevitavelmente acaba por seduzir, acaba por ter repercussões directas no seu casamento e na forma como a esposa o vê.
Numa mistura de documentário e ficção, o realizador catalão José Luis Guerín ("Comboio de Sombras", "Dans la Ville de Sylvia") constrói uma história sobre o desejo, a infidelidade e a necessidade de inspiração. Em competição no Festival de Locarno (Suíça) e no Lisbon & Estoril Film Festival (Portugal), este filme arrecadou o Giraldillo de Ouro de Melhor Filme no Festival de Cinema de Sevilha (Espanha)."


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Terça-feira, 05.07.16

 

 

 

"O amor nem sempre vence o poder, mas é o único caminho para a sabedoria" é uma frase do cineasta iraniano na obra "Shirin". Encontrei-a por aqui quando ontem o recordava depois de um primeiro post sobre a sua morte.

 

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A imagem é do genial "sabor da cereja" (1997).



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Segunda-feira, 04.07.16

 

 

 

Morreu o cineasta iraniano Abbas Kiarostami. É difícil escolher, mas é o meu cineasta preferido. O "sabor da cereja" (1997) foi a revelação e o "através das oliveiras" (1994 - este vídeo terá sido removido pelo regime iraniano?) a confirmação. Vi mais de uma dezena de filmes, alguns já são clássicos, sempre rendido à tela inundada de poesia e ritmo e com parcos recursos. Paz à sua alma.

 

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Segunda-feira, 04.04.16

 

 

 

Não gostei de Pedro Almodóvar aos papéis no Panamá. Já li umas justificações no El País. Acompanho há muito, e com muito interesse, o cineasta e recordo-me dos seus ataques ferozes ao capitalismo desregulado e aos offshores. Veremos como se explica. Mas tudo isto não significa que não canse um bocado o lançamento de pedras à esquerda e à direita. A superioridade moral na humanidade não me parece que dependa da ideologia. Há corrupção onde há humanos. É evidente que o capitalismo desregulado mostra que é ainda mais propício às fragilidades de carácter e que não olha a ideologias; digamos que é corrupção a eito.

 

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Segunda-feira, 14.03.16

 

 

 

 

Morreu um extraordinário actor.

Que descanse em paz!

 

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Sábado, 20.02.16

 

 

 

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Faleceu Umberto Eco (1932 - 2016).

 

Bastava citar duas obras:

 

Mas houve mais (li apenas três das que se seguem):

 

E encontra aqui muitas outras obras.

 

Que descanse em paz.



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Domingo, 03.01.16

 

 

 

"45 anos" de Andrew Haigh e "A juventude" de Paolo Sorrentino são dois filmes muito bons sobre o envelhecimento. Se Andrew recorre a um ambiente pacato e rural e à vida em comum de duas pessoas que ao fim de 45 anos percebem que não se conhecem, Sorrentino escolhe um ambiente de luxo nos Alpes suiços para contar a sua história através de um maestro reformado e de um cineasta com um longo currículo. São duas realizações muito boas. As salas de cinema estão com muitos filmes bons. Seguem-se os dois vídeos de apresentação.

 

45 anos

 

A juventude

 

 

 



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Sábado, 19.09.15

 

 

 

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Para Woody Allen, em o "Homem Irracional", não existe. Mesmo o crime cometido, em nome da estética (do belo) e da moral (a justiça em favor de toda a comunidade), pelo controverso professor de filosofia de uma escola secundária teve os dias contados. O tempo, sempre o tempo, eliminou a "perfeição" do acto e a racionalidade Kantiana e evidenciou uma irracionalidade que exacerbou os interesses de um criminoso que encontrou "nesse agir" um sentido para a vida. Mas o melhor é irem ver o filme que está na linha de "Match Point" e que é um dos melhores de Woody Allen nos últimos anos.

 

 

 



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Quarta-feira, 16.09.15

 

 

 

Antes de lhe sugerir, caro leitor, que leia a carta (publicada pelo Público de 16 de Setembro de 2015) que Passos Coelho escreveu, em 2011, a Sócrates a pedir a troika, recordo um post que escrevi em tempos sobre um filme e uma carta:

 

"Querem ver que vai ler a carta toda". Levantou-se e saiu.

 

A cena passou-se no saudoso cinema King, em Lisboa, ao fim da primeira hora (mais ou menos, claro) de exibição do belo filme "A carta" de Manoel de Oliveira. Éramos uma dezena de espectadores e já estávamos reduzidos a metade. 

 

Confesso que não aprecio comentários dos espectadores nas salas de cinema, mas este foi inesquecível. Uma freira recebeu uma carta no seu quarto no convento, há uns minutos que a câmara nos dava um plano inamovível, a carta tinha umas quantas folhas e o saturado espectador tinha razão: leu a carta toda.

 

 Mas vamos então à carta que esclarece definitivamente o assunto:

 

Confidencial

Gabinete do presidente

Senhor primeiro ministro

“Recebi hoje informação, da parte do senhor Governador do Banco de Portugal, de que o nosso sistema financeiro não se encontra, por si só, em condições de garantir o apoio necessário para que o Estado português assegure as suas responsabilidades externas em matéria de pagamentos durante os meses mais imediatos. Ainda esta manhã o senhor Presidente da Associação Portuguesa de Bancos transmitiu-me idêntica informação.

Estes factos não podem deixar de motivar a minha profunda preocupação.

Não desconheço que o Governo tem repetidamente afirmado que Portugal não necessitará de recorrer a qualquer mecanismo de ajuda externa e é certo que a competência pela gestão das responsabilidades financeiras do país cabe por inteiro ao Governo.

Não disponho de informação sobre as acções e diligências que o Executivo estará a desenvolver para assegurar o cumprimento dessas obrigações. Porém, é do conhecimento público a situação do mercado que a República vem defrontando, desde há vários meses a esta parte, bem como o facto de o sistema bancário se encontrar sem acesso ao mercado desde há mais de um ano.

Atenta a especial sensibilidade desta matéria e as gravíssimas consequências que decorriam para o nosso país de qualquer eventual risco de incumprimento, é essencial que o Governo garanta, com toda a segurança e atempadamente, adopção das medidas indispensáveis para evitar tal risco.

Nestas circunstâncias, entendo ser meu dever levar ao seu conhecimento que, se essa vier a ser a decisão do Governo, o Partido Social Democrata não deixará de apoiar o recurso aos mecanismos financeiros externos, nomeadamente em matéria de facilidade de crédito para apoio à balança de pagamentos.

Considerando a extrema relevância desta matéria, informo ainda que darei conhecimento desta carta confidencial ao senhor Presidente da República.

Com os cumprimentos,

[assinatura]

Pedro Passos Coelho

Lisboa, 31 de Março de 2011

 

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Terça-feira, 25.08.15

  

 

Este post, e para sublinhar o espírito do que vai ler, foi integralmente produzido num Iphone. Por isso, um ou outro detalhe de formatação escapa ao habitual.

 

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É imperdível o filme, em jeito de documentário, do dissidente iraniano Jafar Panahi. Num Táxi, e recorrendo a dois aparelhos subversivos, um IPhone e um IPad, o realizador constrói uma trama que começa e acaba com uma fusão entre duas espécies: o assaltante que se afirma justiceiro e o homem do regime praticante da censura.

 

Em Lisboa, o filme pode ser visto na boa sala do Cinema Ideal que promete afirmar-se com cinema alternativo.

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Domingo, 07.06.15

 

 

 

 

 

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Os governos, como o português, que remetem para indicadores económicos a recepção de refugiados africanos deviam ver, obrigatoriamente, Timbuktu todos os dias até erguerem uma argumentação menos arrepiante e desumana (que é para ser brando). É muito bom o filme do mauritano Abderrahmane Sissako. É um espécie de grito e dá ideia que é mais um sinal de desespero construído para passar nas malhas de uma qualquer censura.

 

O Cinecartaz do Público diz assim: "Tombuctu (também chamada de Timbuktu), no Mali, é cidade Património Mundial da UNESCO desde 1988. De pequena povoação perdida no deserto do Sara, o lugar transformou-se, ao longo dos séculos, em capital intelectual e espiritual de África, um oásis no deserto que foi despertando a atenção do mundo. Em 2012, a cidade é ocupada por um grupo islâmico liderado por Iyad Ag Ghaly. O medo e a incerteza apoderam-se daquele lugar. Por ordem dos fundamentalistas religiosos, a música, o riso, os cigarros e o futebol são banidos. As mulheres são obrigadas a usar véu e a mostrar submissão total. A cada dia surgem novas leis para serem cumpridas e a vida de cada um dos habitantes vai sendo modificada tragicamente. Não muito longe dali vive Kidane com a mulher Satima, a filha Toya e Issan, um jovem pastor de 12 anos. A existência desta família, até agora tranquila, vai alterar-se abruptamente quando Kidane é acusado de um crime…

Realizado pelo mauritano Abderrahmane Sissako, um filme dramático, baseado num episódio real, que tenta denunciar a propagação do fundamentalismo. Depois da sua passagem pelo Festival de Cinema de Cannes, "Timbuktu" foi nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro e venceu sete prémios César: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Argumento Original (Abderrahmane Sissako, Kessen Tall), Melhor Música Original (Amine Bouhafa), Melhor Som (Philippe Welsh, Roman Dymny, Thierry Delor), Melhor Fotografia (Sofian El Fani) e Melhor Montagem (Nadia Ben Rachid)."

 

Trailer oficial legendado.

 



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Sábado, 16.05.15

 

 

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Phoenix é um filme imperdível. É uma obra prima comovente. Nelly regressa de um campo de concentração e quando se confronta com as imagens anteriores à guerra para uma cirurgia de reconstrução facial as fotografias assinalam os amigos: os sobreviventes, os falecidos e os nazis. A surpresa é brutal com o universo de hipocrisia e falsidade que preenche as relações humanas. É também uma lição para os tempos neoliberais que vamos vivendo neste milénio e que nos leva a concluir que os movimentos nazis são possíveis ao virar da mais inesperada das esquinas.

 

Título original: Phoenix

 

Alemanha, Outono de 1945. Nelly Lenz (Nina Hoss) é uma sobrevivente dos campos de concentração nazis. Apesar de ter escapado à morte, sofreu vários ferimentos que lhe deixaram o rosto totalmente desfigurado. Lene Winter (Nina Kunzendorf), que trabalha para uma agência judaica, cuida dela e leva-a para Berlim, ajudando-a de todas as maneiras que é capaz. Quando, após uma cirurgia de reconstrução facial, Nelly se apercebe de que está quase irreconhecível, Nelly sente-se perdida. É então que decide ficar na cidade e procurar Johnny (Ronald Zehrfeld), o marido, que tudo indica ter sido quem a denunciou às autoridades alemãs. Certo dia, encontram-se. Convencido de que Nelly morreu, Johnny não a reconhece. Mas propõe-lhe um trato: dadas as semelhanças com a esposa que julga falecida, pede-lhe que finja ser ela própria e o ajude a reclamar uma herança em seu nome. Determinada a descobrir a verdade sobre as intenções do homem com quem casou e que nunca deixou de amar, Nelly concorda…
Com argumento e realização do alemão Christian Petzold ("Bárbara"), é a adaptação cinematográfica da obra "Le Retour des Cendres", de Hubert Monteilhet. Em 2014, "Phoenix" recebeu o Prémio da Crítica Internacional (Fipresci) no Festival de Cinema de San Sebastián, no País Basco. PÚBLICO

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 12:22 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 05.04.15

 

 

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Chego ligeiramente atrasado ao anúncio do falecimento (2 de Abril de 2015) do Mestre do cinema português, mas confesso que não me preparei para o sucedido.

 

Vi, seguramente, mais de uma dezena de filmes do grande cineasta (sempre em salas vazias). O realizador rasgou fronteiras e tem algumas obras que me recordam um dos meus realizadores preferidos: Abbas Kiarostami. E é de um dos filmes deste iraniano, "Através das oliveiras", que me lembrei nestes dias em que os médias portugueses deram uma demonstração de planeamento com reportagens elaboradíssimas sobre o Mestre. A história começa assim: um grupo de jornalistas do canal estatal da moderníssima Teerão dirije-se a uma recôndita aldeia, a 700 kms, para documentar o choro das carpideiras. Só que o planeado defunto nunca mais falece e os jornalistas ficam inabitados com a ausência das comodidades quotidianas.

 

 



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Quinta-feira, 18.12.14

 

 

 

 

 

Trailer oficial legendado.

 

 

 

 



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Quarta-feira, 10.12.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Terça-feira, 09.12.14

 

 

 

"O Leopardo" (1963), filme premiado de Luchino Visconti, retrata "(...)a atmosfera vivida nos palácios da aristocracia durante o conturbado reinado de Francisco II das Duas Sicílias e o Risorgimento - longo processo de unificação dos Estados autônomos que originaram o Reino de Itália, em 1870.(...)Trata-se de uma adaptação do romance homônimo(...)que usa a queda da monarquia de Bourbon no Reino das Duas Sicílias e sua anexação ao da Alta Itália, governado pela dinastia Saboia.(...)".

 

No fundo, a esperança de "Il Gattopardo" era que tudo ficasse na mesma.

 

 

 

 

 

 



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Domingo, 07.12.14

 

 

 

"Querem ver que vai ler a carta toda". Levantou-se e saiu.

 

A cena passou-se no saudoso cinema King, em Lisboa, ao fim da primeira hora (mais ou menos, claro) de exibição do belo filme "A carta" de Manoel de Oliveira. Éramos uma dezena de espectadores e já estávamos reduzidos a metade. 

 

Confesso que não aprecio comentários dos espectadores nas salas de cinema, mas este foi inesquecível. Uma freira recebeu uma carta no seu quarto no convento, há uns minutos que a câmara nos dava um plano inamovível, a carta tinha umas quantas folhas e o saturado espectador tinha razão: leu a carta toda.

 

 

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Quinta-feira, 04.12.14

 

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 04.06.14

 

 

 

 



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Sexta-feira, 10.01.14

 

 

 



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Segunda-feira, 02.12.13

 

 

 

 

Hannah Arendt








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Domingo, 27.10.13

 

 

 

 

 

Blue Jasmine está longe dos melhores filmes de Woody Allen, mas é oportuno.

 

Através da queda sem fim de um super-rico de Nova Iorque, o realizador faz a "narrativa" da desgraça do modelo corrupto norte-americano que a Europa importou. Nem a mítica Holanda, que até fornece o presidente do eurogrupo, como paraíso da lavagem de dinheiro escapa a Woody Allen.

 

A queda do modelo ocidental parece irreversível e Portugal não escapa à voragem. É evidente que, e pensando até na irrevogável finitude, cada um dos ocidentais tem sempre alternativas. A felicidade não depende apenas da quantidade de matéria. Mas a questão mais preocupante, como o Paulo Guinote retrata aqui, é o destino colectivo e o progresso das democracias.

 

No caso português, é hoje irrefutável o descrédito e o desnorte dos partidos do arco do poder. A corrupção associada à captura do Estado foi arrasadora e a luta de grupos dentro desses partidos está ao rubro. 

 

Já ninguém contesta que a democracia representativa entrou mesmo em crise. Há uma oposição institucional que vai estruturando os protestos e existe uma franja não organizada que está num impasse. A ideia de conjugar a revolta com a violência vai-se alastrando pelos lados mais impensáveis. Isso é também incontestável. Quem não faça parte dos beneficiários do "regime", só aponta uma alternativa: combate à corrupção. Como é que isso se faz sem violência é a equação mais difícil, uma vez que uma boa parte do chico-espertismo vai passando pelos pingos da chuva e teima em não sair da estratosfera.

 

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 25.09.13

 

 

 

 

 

 

 



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Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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