
O melhor indicador para verificarmos a saúde da dívida é olharmos para a capacidade de endividamento nos mercados, afirmou o ministro Gaspar no parlamento. Estamos muito melhor do que a Itália e quase ao mesmo nível da Irlanda, acrescentou.
Se pensarmos no conhecimento que os mercados têm da realidade, e basta pensarmos nos estudos das agências de raiting que pontuaram com nota máxima quem faliu estrondosamente no dia seguinte à classificação, podemos imaginar o patamar estratosférico em que navega Vitor Gaspar que assumiu a responsabilidade pelas políticas aplicadas em Portugal. O ministro continua a felicitar o povo português por aguentar, embora com os resultados ilustrados no tríptico e bem longe da lua para onde regressará Vitor Gaspar logo que possa.



Há tempos escrevi assim:
"Já tentei incluir o blogue na letra do acordo ortográfico e voltei atrás. Não tive tempo para estudar bem o assunto e não me estava a sentir cómodo. É natural que goste mais do registo anterior, mas respeito o espírito da decisão. Se fosse apenas por uma questão estética, preferia que ficássemos como estávamos. Não gosto de ler os textos na letra do acordo.
Há uma frase interessante de Proust, no "Em busca do tempo perdido", que é mais ou menos assim: uma nova gramática é também a legitimação dos erros em relação à anterior. Nunca me esqueço desta frase quando leio os argumentos mais dogmáticos em relação a estes assuntos.
Vou manter o blogue no registo pré-acordo, pelo menos até ter tempo para me informar devidamente."
Ontem dei com o seguinte acontecimento algo risível:





O sistema integrado de avaliação do desempenho da administração pública (SIADAP) reúne uma linguagem tão sedutora e bem-pensante como as que deram origem aos totalitarismos mais diversos. São cada vez mais os que classificam a meritocracia como uma impossibilidade de génese antidemocrática.
A desorientação instalou-se no SIADAP e só o faz de conta vai sobrevivendo apesar de degradar o clima das organizações públicas. Para que a comédia fosse verdadeiramente lusitana, só nos faltava um Governo a eliminar distinções por mérito para poupar e sindicatos a pugnar pelo continuação do desmiolo.
Eliminados artigos sobre a distinção por mérito na função pública

Por que será que se evidenciam as equivalências entre N. Crato e M. L. Rodrigues?
Talvez porque o MEC sofre de uma patologia incurável, treinada no clima anti-escolas e anti-professores e em que prevalece a lógica yesminister (com a inovação dos ministros passarem rapidamente a fanáticos correligionários) favorecida pela renovação de boys incompetentes. Será também de considerar o spin importado do Iraque do tempo de Saddam e principalmente as políticas Robin dos Bosques invertido que contaminaram o arco de poder na mudança do milénio. Se há um dado que está comprovado, é que nos aspectos referidos a actual maioria é de vanguarda.
O primeiro sinal foi o número de alunos por turma. N. Crato mostrou um desprezo pela sala de aula semelhante ao de M. Rodrigues quando esta se referia à componente não lectiva dos professores com mais idade.
O actual ministro podia argumentar com a troika e com os problemas orçamentais (um país que pede ajuda externa e que tem sindicatos dos médicos a queixarem-se à troika, para ver se são ouvidos, note-se, por causa das nomeações partidárias de directores na saúde, deve deixar os do triunvirato corados, mas com o peito completamente cheio), mas preferiu achar que sei lá o quê e que existiam estudos, que ninguém viu, que recomendavam pedagogicamente a decisão.

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