Em busca do pensamento livre.

Quarta-feira, 24.05.17

 

 

 

Leia, sff, e tente adivinhar quem fez as declarações seguintes antes de encontrar a solução no parágrafo final.

  1. “Não é preciso ser altruísta para apoiar políticas que elevem a renda dos pobres e da classe média. Todos beneficiarão com essas políticas porque são essenciais para gerar crescimento mais alto, mais inclusivo e mais sustentado. Ou seja, para se ter crescimento mais duradouro será necessário gerar crescimento mais equitativo."
  2. "Novos estudos demonstram que elevar em um (1) ponto percentual a parcela da renda dos pobres e da classe média aumenta o crescimento do PIB de um país até 0,38 pontos percentuais em cinco anos. Em contrapartida, elevar em um (1) ponto percentual a parcela da renda dos ricos reduz o crescimento do PIB em 0,08 pontos percentuais. Nossas constatações sugerem que – contrariando a sabedoria popular – os benefícios da renda mais alta estão a "espalhar" para cima e não para baixo. Para além de outras variáveis, constata-se que os ricos gastam uma fracção menor da sua renda o que reduz a procura agregada e enfraquece o crescimento. Os nosso estudos anteriores demonstram que a desigualdade excessiva de renda reduz, e na verdade, a taxa de crescimento económico e torna o crescimento menos sustentável com o tempo."

São declarações, em Bruxelas, de Christine Lagarde, em Junho de 2015, baseadas no boletim oficial do FMI de 17 de Junho de 2015 que integra o estudo, também de Junho de 2015 e do mesmo FMI"Causes and Consequences of Income Inequality: A Global Perspective". Se Maquiavel estivesse por cá, teria explicação: "disse ao Príncipe: faz a maldade toda em pouco tempo e depois confessa-a; sei lá: afirma-te neoliberal no início e "social-democrata para sempre" no fim; confia na sabedoria popular."

 

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Domingo, 21.05.17

 

 

 

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Luís Afonso



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Terça-feira, 16.05.17

 

 

 

Cresce o optimismo em relação à situação económica e financeira e há especialistas a concluir que os indicadores determinantes já estão ao nível de 2008. É cedo para consolidar expectativas, mas é tempo de insistir em cenários que incluam pessoas uma vez que se comprovou o efeito positivo (anulado, em parte, pelos impostos indirectos) de contrariar a austeridade a eito. Aliás, a reposição de salários foi a excepção do Governo na exclusão dos professores por serem muitos. É que, e entretanto, foi-se ouvindo: se o descongelamento de carreiras incluir subidas de dois escalões, excluem-se os professores por serem muitos; se as reformas voluntárias forem decentes, excluem-se os professores por serem muitos; se a recuperação da dignidade alterar o estatuto das carreiras (onde se inclui a precarização com décadas), excluem-se os professores por serem muitos. É óbvio, portanto, que se renovem os votos de um "regresso" a 2008, mas que se inicie, no mínimo isso, um exercício transversal. 

 

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Segunda-feira, 15.05.17

 

 

 

O "PIB tem o melhor resultado da última década" (2,8% de crescimento da economia no último trimestre). Para confirmar que até os deuses estão com a Geringonça, o crescimento deveu-se aos aumentos do investimento e das exportações que compensaram a quebra do consumo interno. É bom recordar que o aumento do consumo interno era a principal aposta do plano macro de Costa e Centeno. O "desemprego caiu para o nível mais baixo dos últimos oito anos", tivemos, em 2016, o défice mais baixo da democracia e "emitimos a dívida com a taxa mais negativa de sempre". A gestão da dívida do anterior arco governativo está controlada, apesar de impagável.

Para um Governo que seria o fim da nação não está nada mal, apesar de tanta austeridade por reverter. Esperam-se as análises de Medina Carreira, Gomes Ferreira, Camilo Lourenço, Nogueira Leite e de um representante do Compromisso Portugal; e do Diabo.

 

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Antero



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Sábado, 13.05.17

 

 

 

 

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Cópia de 1131432

 

Luís Afonso



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Segunda-feira, 08.05.17

 

 

 

Cansados com a falta de pontualidade no tempo inicial dos alunos com 5 e 6 anos, os professores conseguiram que a escola instituísse uma multa em dólares para os atrasos. E o que é que aconteceu? Os encarregados de educação "integraram" a multa na mensalidade e o número de atrasos subiu. A escola ficou numa encruzilhada com a passagem da multa a taxa e a sua eliminação ainda tornou o planeamento dos professores mais difícil de estabelecer. Encontra este e outros exemplos que ajudam a pensar no livro de Michael J. Sandel"O que o dinheiro não pode comprar - os limites morais dos mercados".

 

2ª edição do post

 

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Sexta-feira, 05.05.17

 

 

 

 

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Antero



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Quinta-feira, 04.05.17

 

 

 

 

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Luís Afonso



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Quarta-feira, 26.04.17

 

 

 

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Luís Afonso



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Domingo, 23.04.17

 

 

 

O "caso sarampo" evidenciou o intolerável julgamento popular (o desrespeito por quem perde um filho) a par da sociedade ausente que remete para a escola-armazém um caderno de encargos impossível de cumprir (o controle rigoroso das vacinas obrigatórias deve ser feito pelo SNSaúde onde estão registados todos os cidadãos).

 

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Terça-feira, 18.04.17

 

 

 

 

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Luís Afonso



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Terça-feira, 04.04.17

 

 

Houve uma fase em que os bancos eram avaliados nos testes de stresse; nem sei se ainda o são, tal o surreal da coisa. Havia uma espécie de variável independente (dito assim em registo humorado): banco aprovado no stresse falia de seguida; lembro-me de um que obteve um excelente imediatamente antes da queda.

Os contribuintes também desconfiam dos elogios dos presidentes da República aos bancos. Sempre que os PR´s se metem nisso, o resultado é oposto. 

 

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Luís Afonso



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Quinta-feira, 30.03.17

 

 

 

Já vamos com mais de dez anos de cortes na escola pública. Se há progressos nos resultados internacionais, muito se deverá ao aumento da escolarização da sociedade. Quando se refere a necessidade de uma mudança de paradigma (vocábulo que uso menos), é no sentido organizacional que leio o imperativo. Não foram só as sucessivas "reformas", baseadas em retrocessos civilizacionais ou em guerra confessada aos professores da escola pública, foi o clima que se instalou que suprime o pensamento sobre o futuro. E não é apenas a saúde orçamental do Estado de direito. Trata-se da recuperação democrática da rede pública de escolas, sem que isso avalie negativamente o esforço dos actores num sistema com tal grau de instabilidade e incongruência.

 

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Quarta-feira, 22.03.17

 

 

 

Se os eleitores ficarem "totalmente" indiferentes à banalização do mal ou da mentira, uma democracia deve preocupar-se com a saúde. Há muito que se teme o fenómeno. É que um dia os eleitores "acordam" e viram-se para fora do mainstream.

As declarações do presidente do Eurogrupo são muito graves. É incontestável. É muito mau para a Europa. Mas há quase três anos declarou um mestrado com uma designação que não existia. Podia ser engano administrativo. Não foi. Não tinha esse grau académico, mas administrativamente continuou como presidente do Eurogrupo. A Europa está administrativamente assim. Se olharmos para a hecatombe moral dos políticos mainstream franceses com as suas legalidades administrativas, só por muita sensatez dos eleitores é que podemos esperar a derrota da extrema-direita francesa.

 

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Luís Afonso



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Domingo, 19.03.17

 

 

 

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Antero



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Quarta-feira, 15.03.17

 

 

 

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Luís Afonso



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Quinta-feira, 09.03.17

 

 

 

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Cópia de 1115318

Luís Afonso

 

 



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Terça-feira, 07.03.17

 

 

 

Os totalitarismos estabelecem-se através de leis. Desde logo, com as que são impossíveis de cumprir. Com a velocidade legisliva, é natural que os destinatários se interroguem com a vigência. Faz tempo que o direito abandonou a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso". Nesse sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos juízes continuam a ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja, para além das normas deve considerar-se cada caso em si e também a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

 

Importa sublinhar que os totalitarismos não se estabelecem sem a "presença" (nem que seja por alheamento) da maioria das pessoas. As sociedades vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem. Desde logo, e como foi dito, pela construção de leis impossíveis de cumprir, mas também por práticas anti-democráticas. Podemos pegar em muitos exemplos. São casos de "impossibilidade" que criaram um estado de sítio legislativo. Em muitos casos, só o fingimento permite o "cumprimento" legal.

 

Para a partilha no facebook acrescentei:

 

Estranhei o conteúdo inocente na SIC (nem sabia e recorri à box). Um juiz tão naïf? E esta mediatização agora? Este nonsense? Acabei de ler a entrevista ao Expresso (dada antes da outra) e percebi muito mais. "Querem afastar-me de tudo; estou cercado; sou escutado; tenho manuais de espiões à porta; decidi falar; são alocados tostões à justiça e milhões à recuperação bancária". Sim; o Juiz Carlos Alexandre pode ser acusado de estar aos papéis em alguns processos, e daí a mediatização, mas a sua narrativa é tão interessante. Sei lá: aconselho a obra maior de Laurence Sterne (e da literatura), "A vida e opiniões de Tristram Shandy". Nota: quando, e durante meses, ou anos, a fio, ligamos a determinados amigos (mais ainda se forem bloggers) e as chamadas são ruidosas e difíceis, e não raramente vão parar ao voice mail, significa que estamos a ser escutados? E anda uma pessoa a trocar de telefone e a dizer mal do hardware:)

Usei parte deste texto noutro post.

1ª edição em 16 de Setembro de 2016.

 

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publicado por paulo prudêncio às 21:47 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 05.03.17

 

 

 

"A formação da personalidade apoia-se na sua negação", é uma intemporal verdade educativa. Por mais que os destinatários reajam (e é bom que o façam), o "não" tem tanto de desejado, de necessário e de útil como de inconfessado pelos educandos.

Outra verdade prende-se com a necessidade do "não" escolar aos encarregados de educação (não organizacional e curricular, obviamente) e que a lógica do "cliente tem sempre razão" tem eliminado. É evidente que haverá encarregados de educação mais "tudólogos" ou necessitados da sensatez do não escolar, que confundem o "outro" com o "igual" na educação das crianças e jovens e que desvalorizam a importância destas questões para a saúde da democracia como sublinharam Hannah Arendt e muitos outros. A gravidade acentua-se se a desinformação atinge autoridades escolares.

 

2ª edição.

 

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publicado por paulo prudêncio às 16:52 | link do post | comentar | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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