Em busca do pensamento livre.

Segunda-feira, 02.10.17

 

 

Formatei este post para o registo do blogue. Os dados foram obtidos aqui e em pouco tempo se constrói uma publicação para outros concelhos. Resido nas Caldas da Rainha desde 1989. Desde 2005 (o blogue é de 2004) que faço um post sobre as eleições autárquicas neste concelho. Desta vez, foram dois bloggers que me "desafiaram" já que a paciência se esgota para alguma redundância. Daí a brevidade da escrita; e da análise.

 

Se ler o post sobre as "autárquicas 2013 nas Caldas da Rainha" (ou de 2009) registará pequenas diferenças. Se a abstenção nacional desceu para 45.03% (quadro seguinte)

 

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nas Caldas da Rainha os abstencionistas são 52.17% (quadro seguinte).

 

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Há 12 freguesias. As 2 da cidade registaram uma abstenção próxima dos 60% (quadros seguintes: 1 - Caldas da Rainha - Santo Onofre e Serra do Bouro e 2 - Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório) e as restantes 10 inscrevem valores próximos da média nacional (algumas mesmo abaixo do valor médio).

 

Freguesia: Caldas da Rainha - Santo Onofre e Serra do Bouro

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Freguesia: Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório

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Em relação a 2013, verificou-se a desistência eleitoral de um movimento independente. Durou uma legislatura. É a segunda vez que acontece. Os eleitores distribuíram-se pelos partidos tradicionais (quadro seguinte) e, provavelmente, com maior incidência no partido vencedor.

 

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A limitação de mandatos impediu o PSD, e ao fim de 27 (vinte e sete) anos, de apresentar em 2013 o mesmo candidato ao executivo. Com a queda de popularidade do Governo PSD+CDS a ideia de mudança ganhou ânimo. Não foi assim, como se viu nos quadros.

Desta vez, e com o PSD em quebra nacional continuada, o partido laranja aumentou o número de votos para valores próximos de 2009 e o PS, que nesse ano registou o mais baixo resultado de sempre no concelho, obteve ainda menos votos em 2013 e 2017 (quadro seguinte).

 

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O CDS não conseguiu eleger um vereador. "Passou" para o PSD. O BE subiu a votação e a CDU desceu. Dá ideia que a "impossibilidade" da oposição caldense gerar uma alternativa aglutinadora garante ao PSD mais de 30 anos de vitórias autárquicas consecutivas mantendo as mesmas caras no executivo desde o século passado. Há sempre uma ou outra alteração, mas o núcleo do executivo confirma essa característica nos mandatos com pelouro.



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Terça-feira, 19.09.17

 

 

 

 

Em dois anos, a rede pública das Caldas da Rainha (e dos concelhos próximos) integrou 850 alunos de um colégio "privado" (CRDL). Leu bem: 850 (oitocentos e cinquenta). No auge (2012/13) da contestação aos colégios "privados" redundantes, o argumento usado pelo poder político, e não só (basta googlar), era taxativo: os alunos não cabem nas escolas públicas.

A cidade das Caldas da Rainha foi um centro do processo com 1 colégio e 4 escolas públicas. Em 2012/13, e quando o CRDL atingiu o pico de frequência (1180 alunos para 39 turmas financiadas mais 5 de ensino profissional), as escolas públicas registaram perto de uma centena de professores sem componente lectiva. Os números estabilizaram até 2015/16, ano em que se iniciou a transferência decorrente do cumprimento da lei e de um longo processo resultante da coragem informada de uns quantos.

Em 2017/18, o CRDL regista 330 alunos (portanto, 1180-330=850) para 10 turmas financiadas mais 3 de ensino profissional. As escolas públicas contabilizam um número residual de professores sem componente lectiva e dezenas de novas contratações. Uma das escolas públicas regista 75% da ocupação no 2º ciclo (pode ainda receber 130 alunos para 5 turmas) e 30% no 3º ciclo (pode ainda receber mais de 200 alunos para 8 turmas).

Ou seja, e para quem estudou os graves erros estratégicos cometidos na rede escolar nacional, houve um desperdício de milhões de euros e um prejuízo incalculável na vida de inúmeros profissionais dos dois sistemas.

 

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Sexta-feira, 16.06.17

 

 

 

 

 

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Viagem a S. Martinho do Porto

12 de Junho de 2017

Alunos do 6D (faltam 12) da EBI Santo Onofre



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Domingo, 11.06.17

 

 

 

Percebe-se António Costa. Proporá sempre uma geringonça para condicionar o apetite do PS. Contudo, o PM deve ser informado para não irritar as pessoas. Se a geringonça escolar registou três méritos iniciais - inferno da mediação com crianças, concursos de professores e rede escolar -, há duas medidas que o PM não deve evidenciar: redução de alunos por turma e gestão curricular. A primeira é uma miragem e a segunda uma incógnita. Se a ideia antiga da interdisciplinaridade é uma tentativa (elogie-se os candidatos) para ultrapassar a escola tradicional como fim da história, a sua aplicação recente evidenciou uma fatalidade burocrática que persiste: excessos da ciências da educação associados a atavismos administrativos.

Por outro lado, há ruído na rede escolar. "Governo altera mapa para financiar colégio de amigos socialistas" é uma notícia que exige esclarecimentos. Já há tempos referi, aqui, o caso das Caldas da Rainha, que conheço bem, onde um "privado" passa de zero para cinco turmas financiadas num ano inicial de ciclo. Haverá duplicação de oferta. Há escolas públicas com capacidade para todas as turmas do concelho. A lei não mudou. É referido um acordo com Nuno Crato. Ou seja, a geringonça, "exigida" pelo PM, deve estar atenta aos compulsivos jogos dos aparelhos retratados no desenho e eliminar qualquer ruído antes que se torne ensurdecedor.

 

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Compulsive Gambling, Xavier Bonilla

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Exposição patente no CCC das Caldas da Rainha



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World Press Cartoon

Exposição no CCC das Caldas da Rainha

 



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Quinta-feira, 01.06.17

 

 

 

Há uns meses escrevi assim: "Enfrentar a crise da rede escolar provocada pelos "privados" é um mérito escolar da gerinçonça. Nos concelhos mais atingidos pela duplicação de oferta, Caldas da Rainha por exemplo, é patente a recuperação de alunos em escolas públicas condenadas à desertificação. Está resolvida esta componente crítica da rede escolar? É cedo para concluir. As instituições particulares continuam licenciadas e uma viragem política inverterá o sentido do fluxo de alunos.(...)"

Os "privados" não abriram turmas, em 2015/16 e em 2016/17, nos inícios de ciclo porque as escolas públicas (da mesma área de influência) tinham capacidade para o fazer. Algumas estavam muito sublotadas e continuam. O que poderemos afirmar, e considerando que a lei não mudou, se em 2017/18 os privados abrirem turmas de início de ciclo em duplicação de oferta com as tais escolas públicas que continuam com capacidade para receber esses alunos? Claro que não serve o argumento do acordo das cooperativas com Nuno Crato que garantiu x número de turmas até 2017/18 (os tais três anos lectivos). Se o Estado até reverteu, por ser justo, contratos com PPP´s (para não falar da aprovação em Bruxelas do plano de requalificação da CGD), também conseguirá uma solução para este hipotético problema.

 

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Impermeabilização de tadudes.

Imagem encontrada na rede sem referência ao autor.

 



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Domingo, 21.05.17

 

 

 

Enfrentar a crise da rede escolar provocada pelas cooperativas de ensino é um mérito escolar da gerinçonça. Nos concelhos mais atingidos pela duplicação de oferta, Caldas da Rainha por exemplo, é patente a recuperação de alunos em escolas públicas condenadas à desertificação. Está resolvida esta componente crítica da rede escolar? É cedo para essa conclusão. As instituições particulares continuam licenciadas e uma viragem política inverterá o sentido do fluxo de alunos. Como é referido aqui, há alterações legislativas que requerem atenção. O aumento de contratos de associação deu-se em meados da primeira década de milénio e envolveu o bloco central; também ao nível local. Como esse espaço político estruturou o voto, é de considerar um forte peso político a influenciar uma reversão.

Em 2010, publiquei este texto no blogue e também na Gazeta das Caldas (exercício habitual antes do Correntes). Cumpriu-se o previsível: os autores deste género de publicações passam à incomodidade por acção dos actores do tal bloco. À medida que o tempo avança, e o tempo é sempre o mestre supremo, verifico a precisão dos escritos.

 

O Golpe disse assim:


"A propósito da recente polémica à volta da desnorteada rede escolar do concelho das Caldas da Rainha, considerei oportuno tomar uma posição que pode ser lida nos seus vários níveis de intervenção.

Foi por volta da década de noventa do século passado que se percebeu que o orçamento da Educação era demasiado apetitoso para que a ganância, que se afirmou através do PSD e do PS (o CDS e outros ficaram com empregos e fatias menores), o deixasse sossegado; potenciais PPP´s (parcerias público-privado,) ainda sem dono.

Vou fazer aqui um pequeno parêntesis para precisar que a fórmula PPP foi comprovadamente ruinosa para o estado, uma vez que os governantes assinavam contractos leoninos em benefício de empresas privadas para onde se passavam na primeira oportunidade, muitas vezes em comunhão espiritual com autarquias locais onde interrompiam obras integralmente públicas e já adjudicadas.

Desde a altura referida que as agendas mediáticas foram paulatinamente preenchidas pelo “tudo está mal na escola”, enquanto se edificavam escolas cooperativas em regime de excesso de oferta e em clima de quase mercado. Essa agenda foi levada até às últimas consequências, e com sonoro e central aplauso, a partir de 2005, através da destruição do poder democrático da escola.

Quando eclodiu a crise financeira, o PS foi apanhado de forma flagrante do lado predador. A mudança de agulha fez-se com a naturalidade de quem começa a dizer inverdades logo ao pequeno-almoço. Passou-se para um suposto lado contrário da agenda gananciosa, com mais uma epifania pato-bravista e de reanimação económica de imobiliários aflitos: a “parque escolar”. Estava quase tudo encenado para umas próximas legislativas e só faltava um detalhe precioso: somos os defensores da escola do estado e até retirámos financiamento aos nossos cooperativos que se dedicaram à privatização de lucros.

Os últimos tempos foram hilariantes (ou trágicos; é só escolher o lado). Ex-ministros do bloco central desceram da estratosfera e sentenciaram: escola do estado que seja pior fecha em favor da vizinha privada. Foi uma espécie de derradeiro serviço (consciente ou não), já que um deles até ameaçou desistir se a ideia não avançar de vez, numa intervenção que baralhou uma série de conceitos com a famigerada autonomia das escolas à mistura. Ao nível local foram convocados os inconscientes animadores de serviço.

Ou seja: edificaram inconstitucionalmente junto às escolas do estado – tentaram derrotar-lhes a fama e cobiçar-lhes os melhores alunos – inflacionaram as notas, colocaram professores sem concurso e em regime de amiguismo, construíram os rankings e já só falta subtrair uma boa fatia aos orçamentos. Uns grandes profissionais, sem margem para dúvidas. Um golpe perfeito, digamos assim. O pessoal da escola pública é bem mais naif e resistente e o país está no estado que se conhece."

 

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Impermeabilização de tadudes.

Imagem encontrada na rede sem referência ao autor.

 



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Terça-feira, 02.08.16

 

 

 

É tal a sucessão de casos e evidências, que a interrogação que ouvi faz sentido: é mais polvo ou mais pântano? Coabitam os dois fenómenos. Aliás, o segundo foi até denunciado por Guterres no acto de demissão como primeiro-ministro. É evidente que é mais seguro se olharmos o que nos rodeia antes de uma qualquer resposta. E aí, e no ambiente escolar, notam-se os tentáculos de um polvo (ou polvito). Mas a existência de um pântano de dimensões apreciáveis é inquestionável. E se no escolar é assim, há fortes probabilidades de se equiparar nas restantes áreas. Digamos que são polvos (ou polvitos) que se alimentam nos pântanos.

 

 

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Domingo, 17.07.16

 

 

 

 

Não haverá sistema perfeito de acesso ao ensino superior, mas o sistema português, que detecta há muito injustiças graves, teima em não eliminar o ruído mais ensurdecedor. A decisiva média do final do ensino secundário vai muito para além dos exames do 12º ano (valem 30% da classificação nas respectivas disciplinas; os restantes 70% correspondem à classificação interna atribuída pelos professores das disciplinas) e inclui a classificação em disciplinas sem exame. 

 

A Gazeta das Caldas relata aqui uma situação que está longe de ser um caso isolado ou sequer uma novidade.

 

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Sexta-feira, 15.07.16

 

 

 

 

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Óbidos, Serra d'El-Rei, 15 de Julho de 2016



publicado por paulo prudêncio às 20:29 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 23.05.16

 

 

 

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"Escolas públicas estão em condições de acolher os alunos dos privados", diz o dirigente da ANDAEP (dirigentes escolares) em resposta aos dirigentes das cooperativas que declaram a possibilidade de encerrar as empresas.

 

Um dos casos mais mediáticos, a rede escolar das Caldas da Rainha, registou dois colégios GPS a partir de 2005. Nessa altura, a rede concelhia matriculava mais turmas do que actualmente e com uma carga curricular muito superior (os cortes e eito de 2011 libertaram inúmeros espaços). Os polémicos colégios iniciaram um excesso de oferta (no 3º ciclo e no ensino secundário), uma vez que a rede apenas necessitava de mais 2º ciclo por causa das turmas com alunos da educação especial - turmas de 18 a 20 alunos (muitas turmas matriculavam 26 a 28 alunos, o que fará sorrir quem conhece o que se vai passando neste domínio) - e da eliminação do regime de desdobramento nos 1º e 2º ciclos.

 

Em 29 de Maio de 2013 fui convidado para debater a rede escolar das Caldas da Rainha, conforme se vê na imagem seguinte (do Jornal das Caldas).

 

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Recupero um resumo dos tópicos (completos na ligação) que elaborei para a comunicação e que fazem um histórico.

 

Agradecimentos. Foi com muito gosto que aceitei este convite feito por pares. É uma questão que me interessa. Pediram-me a história. Vou tratar dos factos no período de 1990 a 2005.

 

Estive, nesse período, cerca de 15 anos num mergulho em gestão escolar, primeiro no CAE Oeste e depois como presidente do CE da EBI de Santo Onofre. A rede escolar é determinante na gestão escolar. O plano estratégico que se constrói para uma escola tem uma relação directa com os alunos que a frequentam e exige estudo, prospecção e antecipação. A questão entrou na ordem do dia com os horários zero por causa dos cortes a eito. Mas o problema já existia. Atingiu professores isolados arrumados numa angústia silenciosa que adivinho insuportável.

Algumas questões muito breves e prévias:

    1. Excesso de oferta por erros de planeamento e outras coisa mais (que é comum a outras áreas - bolha imobiliária, vias rodoviárias,).
    2. Vou remeter-me à cidade e aos 2 e 3 ciclos e Secundário: o que estava sobrelotado era o segundo ciclo.
    3. Como já não se construíam preparatórias, a intenção era construir uma escola publica 23 ou 123. Em vez disso, pasme-se, construiu-se uma escola cooperativa com ensino secundário.
    4. Criou uma espécie de efeito sistémico. Quando não há estudo, ou não se respeita o que existe, o resultado nunca é bom. Uma rede é uma engrenagem semelhante a um relógio suíço.
    5. Também há, no 1 ciclo e no pré-escolar, excesso de oferta. 

Como foi isto possível é o que vou detalhar.

Duas áreas de abordagem:

    1. O processo de tomada de decisão na construção de escolas e na organização da rede escolar.
    2. O processo de escolha da escola por parte de alunos e EE. 

 

Vamos lá então à primeira. Em paralelo com a (não) construção da tal escola pública em que tanto me empenhei também decorreu um processo semelhante: a construção do pavilhão desportivo da EBI de Santo Onofre. Vamos datar.

 

Em 1990. A história do pavilhão Rainha D. Leonor e a construção da EBI Santo Onofre. Na Drel pensavam que a EBI Santo Onofre estava junto ao pavilhão (ficou por lá uma cooperativa de ensino superior que, entretanto, já lá não está) e afinal estava a quase um 1km. Os terrenos da EBI Santo Onofre foram um "pesadelo" que se arrasta até ao presente.

 

Em 1998. Detecta-se a sobrelotação do 2 ciclo. Os residentes na zona da Raul Proença tinham de frequentar o 2º ciclo em Santo Onofre ou na D. João II. Qualquer decisor considera 3 variáveis: alunos e encarregados de educação, instalações e profissionais. Foi assim com a EBI de Santo Onofre para onde transitaram alunos e profissionais de outras escolas.

 

Em 2001. Protocolos de construção do pavilhão da EBI Santo Onofre e da escola EB 23 ou com 1 ciclo.

 

Em 2003. Caem os CAEs. Os municípios passam a ter mais peso nas decisões e constroem a carta educativa para todos os ciclos. Fala-se em escolas 12 e 3S.

 

Na reunião seguinte, a DREL anuncia 8000 alunos quando na realidade só existiam 5000. Diziam que foi com base nos PDMs. Foi um péssimo sinal. Orientámos a reunião em descentralização. 

 

Em 2005. Inicia-se a construção do pavilhão da EBI Santo Onofre e da escola nem a primeira pedra por causa de terrenos. À terceira adjudicação a obra é denunciada e o empreiteiro recebe uma avultada indemnização.

 

Na reunião de rede seguinte alertei para os horários zero. O representante da cooperativa disse que só concorreu a A-dos-francos e que lhe exigiram uma segunda escola na cidade. Disse que os horários zero passariam para a cooperativa. O DRE do novo governo mostrou-se preocupado, mas nada podia fazer.

 

Em 2007. Vi o que estava a suceder e escrevi uma longa carta a tentar que a capacidade de antecipação impedisse o que está a acontecer à escola pública. Nos anos seguintes as escolas públicas tiveram as mesmas restrições na rede. Os problemas mantinham-se e a cooperativa funcionava à parte da rede.

 

Terminava com esta evidência: Nesta altura, com a redução curricular executada as escolas publicas têm capacidade para mais turmas do que na altura da sobrelotação.

 

A liberdade de escolha da escola. A escolha é um processo antigo sujeito ao limite de vagas. Há uma lógica de quase mercado e introduzo aqui porque é um conhecimento importante. Direito só há um, o vigente e mais nenhum. Ou seja, para além da letra e o espírito da lei existe a sua aplicação.

 

Nas Caldas da Rainha existe o imaginário de um colégio. Desde 2006 que reparo que colégio atribui outro estatuto social e ainda por cima gratuito. As escolas públicas perdem na imagem.

 

Permitam-me oxigenar um pouco a atmosfera pesada que vivemos. A designação da escola é importante. Se olharmos para os polémicos rankings nacionais, se estivermos atentos às designações, veremos que os primeiros lugares são ocupados por colégios com nomes de santos e de nossas senhoras.

 

Quando Santo Onofre era a escola da moda no concelho e na região, havia alguns, talvez mais distraídos, que pensavam que muito disso era por causa do santo e das festas. Afinal não. O santo, embora algo encoberto, e as festas continuam e os horários zero crescem. Era por causa de muitas outras coisas e não estaríamos onde estamos se tivéssemos sido firmes na sua defesa. Se pensarem bem, pode ser uma esperança para o futuro se formos atrás dessas muitas outras coisas.

 

Disse no início que a situação foi dramática no verão de 2012. A situação volta a ser dramática este ano. Se se deixar "passar o tempo", e se nada se fizer, daqui a poucos anos a situação será, como de resto no país, explosiva.

 

Muito obrigado.



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Domingo, 08.05.16

 

 

 

Há umas duas décadas que se realiza, na EBI de Santo Onofre, "A gincana do Onofre". Os alunos formam equipas e convidam um professor. Este ano, foi, mais uma vez, muito interessante. "Amigas Onofre" foi a minha equipa. As alunas trataram de toda a logística e tiveram uma participação inesquecível.

 

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A meio da gincana, as alunas registaram de imediato o seu estado de alma neste mural.

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O momento da partida com camisolas a condizer: Rita, Maria Inês, Inês, Paulo, Mónica e Joana.

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 A meio do percurso, na parte alta da "Praça da Fruta" (Caldas da Rainha).



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Quarta-feira, 04.05.16

 

 

 

 

"A ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE CALDAS DA RAINHA E O SEU CONCEITO DE LIBERDADE DE ESCOLHA

 

Um texto de Francisco Silva publicado no seu facebook.

 

Ontem, dia 3 de Maio, tivemos a oportunidade de assistir a uma curiosa sessão na nossa Assembleia Municipal. 
Um grupo de cidadãos, composto por professores, encarregados de educação e alunos dos colégios Rainha D. Leonor e S. Cristóvão, foi ao púlpito da Assembleia Municipal apelar à intervenção dos seus deputados no sentido de contrariar a recente legislação do Ministério da Educação que determina que não haverá mais financiamento do Estado aos anos iniciais de ciclo (5º, 7º e 10º anos) nestes e noutros colégios que, sendo empresas privadas, funcionam há mais ou menos 11 anos à custa do erário público. 
O argumento deste grupo de cidadãos para a continuação ad eternum deste financiamento é a sua liberdade de escolha!  
Ninguém põe em causa o direito das famílias a escolher um projecto educativo para os seus filhos que passe pela frequência de um colégio privado — ninguém põe isto em causa. As famílias têm, naturalmente, toda a liberdade para escolher um serviço privado em detrimento do correspondente serviço público. 
O que não pode continuar a acontecer, e que nunca deveria ter acontecido, é os contribuintes pagarem essa opção. É inadmissível sermos todos nós a pagar o elitismo de alguns. Se um encarregado de educação opta pelo ensino privado, deve ser ele a pagar essa opção. Tal como, se um cidadão considerar que os serviços hospitalares não o satisfazem, pode sempre pagar os serviços de uma clínica privada à sua escolha.
Desde quando é que a opção por serviços privados, sejam eles quais forem, é uma liberdade que deve ser paga pelo Estado? Que deformação do conceito de liberdade é esta? É este conceito de liberdade que se ensina nestes colégios? É este conceito de liberdade que estes pais ensinam aos seus filhos? 
Liberdade de escolha? À nossa custa? Quem se julga esta gente? Por quem nos tomam?
Foi confrangedor ver a intervenção de duas encarregadas de educação, instrumentalizadas e incautas, desfiando ingenuamente o que achavam ser qualidades do suposto projecto educativo dos colégios, querendo com isso apoucar a escola pública.
Mas foi particularmente penoso e decepcionante assistir ao desempenho dos nossos deputados municipais. Os deputados de direita lá nos ofereceram o triste espectáculo de vir ao púlpito cavalgar demagogicamente o novo conceito de liberdade de escolha elitista subsidiada pelo Estado. Os deputados de esquerda, sempre cautelosos e contemporizadores, saíram-se com discursos pusilânimes e pífios, sem nunca chegarem a chamar verdadeiramente os bois pelos nomes. Pelo meio houve um deputado, que não se percebe se de esquerda se de direita, a fazer uma acalorada declaração irrelevante sobre o inabalável amor que tem pela sua escola.
Por fim, o Presidente da Câmara fez questão de frisar que as Câmaras Municipais não têm poder de decisão nestas reformulações do conceito de liberdade de escolha. Ainda bem. No entanto, as Câmaras Municipais podem sempre dar a sua opinião. E a Câmara Municipal de Caldas da Rainha deu a sua opinião, fazendo aprovar, nesta curiosa sessão da Assembleia Municipal do dia 3 de Maio, uma moção à CDS que declara que, sim senhor, devemos ser nós os contribuintes do costume a pagar o elitismo de alguns pais."



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Domingo, 06.03.16

 

 

 

 

Numa sexta-feira às 21h00, e a abrir um ciclo de conferências integrado na formação contínua da congeladíssima carreira dos professores e abrangido por um modelo de avaliação do desempenho que faz tudo menos o que transporta no nome, é reconfortante encontrar um auditório quase cheio e que se aguentou até perto das 24h00. Foi muito agradável ser convidado por pares e ter o Paulo Guinote também como conferencista. O assunto, "O papel da comunicação na valorização da profissionalidade docente", tem variados ângulos de análise e é muito interessante. As abordagens centraram-se numa breve caracterização do tempo que vivemos, no conceito de comunicação dirigido para o fenómeno da blogosfera e na relação com os fundamentos da profissionalidade docente. As imagens são do Nicolau Borges, director do CFAE-Oeste.

 

 

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Quinta-feira, 21.01.16

 

 

 

Foi publicada, na Gazeta das Caldas, a Comissão de Apoiantes à candidatura de Sampaio da Nóvoa à Presidência da República.

 

 

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Domingo, 17.01.16

 

 

 

“Nunca ouvimos a este candidato a preocupação de haver dois países: o país dos mesmos rostos de sempre, que se perpetua na política e no poder mediático, e um outro país, com todos aqueles que independentemente do que deram e dão à causa pública se deveria limitar, ouvi-o dizer, à condição de soldados rasos! Soldados rasos? Mas soldados rasos somos nós todos!". Até parecia que estas palavras, ditas hoje, em Lisboa, por Sampaio da Nóvoa, foram ouvidas no conhecido Mercado de Santana (perto da Vila da Benedita). O grupo de apoio local (Caldas da Rainha) esteve por lá umas horas (a imagem é de ontem em Viana do Castelo) e registou uma muito boa recepção. Surpreendente ou não, as pessoas conhecem bem o candidato, recebem com simpatia a informação e registam o que tem para dizer o "Soldado Raso".

 

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Quinta-feira, 14.01.16

 

 

 

Já foram publicados, na Gazeta das Caldas, três textos de apoio à candidatura de Sampaio da Nóvoa à Presidência da República.

 

Texto de Maria Eugénia Oliveira.

 

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Domingo, 03.01.16

 

 

 

Durante o mês de Dezembro de 2015 foram publicados, na Gazeta das Caldas, dois textos de apoio à candidatura de Sampaio da Nóvoa à Presidência da República.

 

Texto de Nicolau Borges.

 

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Sexta-feira, 01.01.16

 

 

 

 

Durante o mês de Dezembro de 2015 foram publicados, na Gazeta das Caldas, dois textos de apoio à candidatura de Sampaio da Nóvoa à Presidência da República.

 

Texto de Paulo Prudêncio.

 

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Domingo, 06.12.15

 

 

 (Publicado na comunicação social local

- Caldas da Rainha - como membro da

Comissão Local de Apoio)

 

 

Acompanho há muito as ideias de Sampaio da Nóvoa, assisti a algumas conferências e não estranho que a sua personalidade inscreva uma candidatura à Presidência da República. Um homem com uma vida pública também marcada por causas e deveres de cidadania, resolveu intervir na política formal porque percebeu que os tempos que vivemos convocam todos os que defendem os principais valores consagrados na Constituição da República: a liberdade, a justiça e a igualdade de oportunidades.

 

Considero que Sampaio da Nóvoa protagoniza uma candidatura que fará a simbiose do Portugal de que nos orgulhamos com uma ideia de futuro que merecemos. Será um Presidente de horizontes largos, com uma ideia de país virado para o mundo e a pensar em todos os portugueses. Sampaio da Nóvoa não alimentará maniqueísmos e terá uma palavra forte na defesa dos princípios da democracia.

 

Sabemos do descrédito de quem se dedica à acção política. É, naturalmente, injusto em muitos casos. Sampaio da Nóvoa, e apesar da sua condição de não militante partidário, eleva-se e não usa a oportunidade com qualquer atributo que escape à condição humana. Essa serena autenticidade tem um significado precioso para o Presidente dos portugueses e transporta um sentimento democrático profundamente enraizado que assegurará que o medo de existir, como uma das marcas mais nefastas da última década, encontre em Sampaio da Nóvoa um adversário com provas dadas.

 

A educação tem sido apontada como a prioridade das prioridades. Não há candidato presidencial, ou mesmo ao executivo, que não o tenha proclamado. Sabemos que a efectivação não traduziu, em regra, esse sentimento. Os poderes presidências são conhecidos, mas Sampaio da Nóvoa não será uma figura "ausente" nem cúmplice do comprovado desinvestimento. 

 

Há combates que valem a pena e percebe-se que esta candidatura suscita apoios que se revêem na matriz fundamental. Ramalho Eanes, por exemplo, diz que será a sua última intervenção política com elogios inequívocos aos valores em presença. Tornar possível um impossível é o desafio maior para Sampaio da Nóvoa e acredito que a sua presidência reforçará essa corajosa proclamação. Tem o meu apoio.

 

 

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publicado por paulo prudêncio às 17:50 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar


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