Em busca do pensamento livre.

Quinta-feira, 16.02.17

 

 

 

É possível perspectivar o que será a municipalização de todo o ensino não superior num país "capturado" pela partidocracia e com caciquismo quase generalizado. Se se confirmar a descentralização de competências, é imperativo (ainda mais obrigatório, para ontem, urgente) mudar o modelo de gestão das escolas.



publicado por paulo prudêncio às 21:06 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 16.07.16

 

 

 

 

O Governo criou um programa para o sucesso escolar (PSE) que as escolas devem operacionalizar. Para além do tradicional mais do mesmo que remete para a escola um caderno de encargos insuportável e ausenta a sociedade, o que mais obriga a umas beliscadelas é a existência de empresas que se dedicarão a elaborar os tais PSE´s. Leu bem. Empresarialização em modo outsourcing e desculpem os inglesismos para mais em tempo de brexit. Sim, é risível que programas com estas características tenham este trato. Isso reforça os argumentos de quem desconfia que, para além do temor justificado com a epidemia caciquista, a tal municipalização passa muito pela guloseima do aparelhismo com fundos estruturais. Como dizia um antigo pedagogo: tudo-está-ligado-a-tudo-nada-está-solto-de-nada.

 

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publicado por paulo prudêncio às 09:26 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 08.05.16

 

 

 

O medo, e o medo de ter medo, é o que mais me impressiona da última década escolar. Não imaginei possível tal atmosfera numa democracia com quatro décadas. Até emergiu o caciquismo mais molusco e impreparado. No público, os horários zero exponenciaram o sentimento e no "privado" o relatado é igualmente inimaginável. "O Paulo não tem medo de nada" ou "não pode ser sempre ele a dar a cara" são frases que ouço com frequência e penso na condição. Não direi medo da morte como o único, porque sobre isso é mais pena de deixar a vida. O resto é relativo. Sou paciente, escuto o Tempo nas suas três dimensões e levanto voo com facilidade (principalmente para evitar enjoos e por paradoxal que pareça). Assumo a dificuldade por não ser enquadrável; e com provas dadas. Mas voltando ao título, sinto que o que se está a passar no ambiente escolar pode espantar o medo e ajudar a que se retomem os caminhos da democracia.

 

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publicado por paulo prudêncio às 10:40 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 06.07.15

 

 

 

Inúmeros (sim, foram muitos e não se sabe quantos) professores dos quadros foram colocados, por erro, em vagas sem horário e restou-lhes o recurso hierárquico?

 

E se estão satisfeitos com a nova colocação e não reclamam?

 

E como é que reclamam os que não correram e que passaram para horário zero porque o colocado com erro é mais graduado?

 

Nas seguintes cinco variáveis encontramos explicação para a coisa:

1. o MEC errou no lançamento das vagas a concurso;

2. a aplicação informática está errada;

3. as escolas erraram no planeamento;

4. as escolas erraram a lançar as vagas;

e 5. as escolas erraram no lançamento e o MEC não corrigiu mesmo que avisado.

 

Havendo esta objectividade, o MEC e os sindicatos reuniram e passaram a responsabilidade para os professores através do tal recurso?

 

É impressionante a cultura portuguesa de apropriação do bem comum e de irresponsabilidade.

 

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publicado por paulo prudêncio às 17:22 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 10.01.15

 

 

 

 

Os últimos governos da AD alteraram a lei orgânica do MEC. Os do PS iniciaram a megalomania inédita de agrupar escolas a eito e criaram um modelo de gestão escolar que leva para dentro das escolas o pior da política partidária local. Está tudo comprovadíssimo.

 

Mas olhemos para os primeiros: Durão Barroso eliminou 27 centros de área educativa (CAE´s) quando começavam a ter massa crítica, "colocavam professores na hora" (imagine-se se tivessem a facilidade dos meios actuais) e "caiu" na Educação por causa dos concursos de professores. Passos Coelho extinguiu 5 Direcções Regionais de Educação (DRE´s), que deviam ter sido eliminadas em vez dos CAE´s, quando começavam a perceber a sua nova função e "caiu" na Educação por causa dos concursos de professores.

 

Tudo implodido, eis que a mesma área política tem uma epifania de 180 graus e inventa um quadro orgânico que admite 308 agências municipais descentralizadas (sim, 308 porque nós somos uns 400 milhões; essa coisa dos 10 milhões e da quebra de natalidade é só para impressionar o pessoal dos fundos) depois de ter assinado centenas de contratos de autonomia (vulgo, papelada) com estruturas escolares desconcentradas. É confuso, sei disso, mas é mesmo assim. As trapalhadas são ininteligíveis.

 

Se olharmos para os segundos numa altura em que se preparam para voltar a governar, até se torna curioso assistir às ideias sobre desconcentração e descentralização do sistema escolar e à análise crítica das mega-estruturas que inventaram e ao modelo respectivo. É bom sublinhar que os legados socialistas mais nefastos têm a assinatura de duas personagens exemplares no uso do poder: Sócrates & Rodrigues.

 

 

 Já usei estes argumentos noutros posts.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:46 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 04.07.14

 

 

 

 

 

 

 

"A eventual transferência da tutela dos professores para os municípios é a questão que mais polémica suscita"e compreendem-se as razões. O caciquismo é um vício de forma que parece preencher de imediato a mente de um português assim que tem algum poder.

 

"Consigo escolher melhor os professores do que o concurso nacional", sentenciou há uns poucos anos um presidente de uma Câmara Municipal que pretendia assinar com o poder central um contrato tipo-cooperativa para as escolas do concelho que representa. Fiquei atento ao desenvolvimento de um processo iluminado por mais uma pessoa que não se considera incompetente e que não advoga que o verdadeiro serviço público assenta no desafio de melhorar as instituições com as pessoas que existem.

 

Os anos passaram, poucos como escrevi, e ouvi, de pessoas autorizadas, que esse concelho é um exemplo de contratação por amiguismo. Não me surpreendi, dá ideia que os concelhos mais voluntários para esta municipalização sofrem da mesma patologia e representam o arco da governação.

 

Uma das componentes mais críticas da administração portuguesa é a dupla desconfiança dos cidadãos: num poder central que inferniza com má burocracia a vida das pessoas e das organizações e que foi capturado pelo poder financeiro e pelos aparelhos partidários e num poder local onde vezes demais impera o caciquismo e uma péssima gestão do território.

 

Esta proposta requer, desde logo, que se clarifiquem dois aspectos nucleares da carreira dos professores: o seu estatuto e a sua contratação. A contratação deve obedecer à total transparência pública que é exactamente o contrário do que é praticado nas cooperativas de ensino que apoiam os mentores do guião da reforma do Estado que "fundamenta" a municipalização em curso e nas autarquias que se têm mostrado mais interessadas na gestão das escolas do ensino não superior. Se esta municipalização da Educação avançasse sem os requisitos que referi, bastaria uma década para se instalar mais um caos organizacional e relacional nas escolas.

 

 

 

 

Já usei parte deste texto noutro post.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 12:07 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 07.10.13

 

 

 

 

"Consigo escolher melhor os professores do que o concurso nacional", sentenciou há uns poucos anos um presidente de uma Câmara Municipal que pretendia assinar com o poder central um contrato tipo-cooperativa para as escolas do concelho que representa. Fiquei atento ao desenvolvimento de um processo iluminado por mais uma pessoa que não se considera incompetente, que não advoga que o verdadeiro serviço público é inclusivo e que o desafio é melhorar as instituições com as pessoas que existem.

 

Os anos passaram, poucos como escrevi, e ouvi, de pessoas autorizadas, que esse concelho é um exemplo de contratação por amiguismo. Não me surpreendi.

 

Na última campanha eleitoral autárquica deparei-me com um documento concelhio do partido desse presidente de Câmara. O sublinhado a caneta já lá estava e é mais uma pérola que confirma a afirmação com que iniciei o post (para além do quase risível, se não fosse trágico, caderno de encargos da escola). "É um concelho onde devem estar as melhores pessoas", numa frase meritocrática que termina sempre em exclusão com base nos critérios referidos. É mais um exemplo para os que defendem, até de boa fé, a municipalização do mercado escolar num país viciado na não transparência dos actos.

 

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 21:15 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Quarta-feira, 04.07.12

 

 

 

Os mais jovens até podem pensar que o nosso sistema escolar está mais avançado do que o dos restantes países de língua portuguesa e têm razão. O que talvez não saibam é que não foi sempre assim. Houve tempos em que se equivaliam ou em que ficávamos envergonhados com as nossas instituições.

 

Com o actual modelo de gestão escolar, e com mais duas "reformas" em cima, atingiremos o patamar angolano. Aliás, o detalhe "repartição" já esteve muito mais distante.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 22:08 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 03.07.12

 

 

 

Numa fase em que os funcionário públicos têm os salários cortados e não recebem os subsídios, Victor Gaspar, o ministro das finanças, diz que foi para não "desincentivar" que decidiu pagar a peso de ouro uma comissão (parece que este governo já vai na enésima) para fiscalizar as nomeações de dirigentes da função pública.

 

Sinceramente: isto brada aos céus, realmente, e não promete nada de bom.

 

Fiscais das nomeações custam meio milhão de euros este ano 

 

"Gaspar justifica valores dos salários com a necessidade de não “desincentivar” os nomeados.(...)"



publicado por paulo prudêncio às 11:04 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Terça-feira, 06.03.12

 

 

 

O acordo assinado entre o Governo e alguns sindicatos de professores - tem aqui a versão integral via blog DeAr Lindo - é um bom retrato da crise profunda da nossa democracia.

 

Fico com a ideia que os aspectos elementares em relação à situação dos professores integrados na carreira são "compensados" com detalhes muito negativos para os professores contratados, como o comentador Aires denuncia aqui. Acrescento, por exemplo, a continuidade dos efeitos da farsa da avaliação do desempenho.

 

Não considero que a profissionalidade de um professor se possa estabelecer pelo posicionamento na carreira ou pela graduação profissional - por isso, derrubámos os professores titulares em defesa de uma carreira horizontal -. Mas têm de existir regras claras, mais ainda num país com a democracia em estado de sítio. A forma como este diploma trata os professores com ausência da componente lectiva (horários zero) é elementar, mas deve ser sublinhada. Quando existirem horários zero (a situação piora, pois passa das 3 para as 6 horas lectivas mínimas) num grupo disciplinar, quem não for voluntário para concorrer só tem de o fazer se a ordenação por graduação profissional o exigir.

 

Lamento que se tenha a necessidade de legislar nesse sentido. Por informações que me chegam, havia professores com cargos de direcção que tentavam afirmar uma liderança com a "ameaça" da atribuição do horário zero aos seus pares e recebiam por parte de muitos colegas uma veneração recheada de temor e de-mecanismos-de-atropelo-ao-próximo. Parece uma inverdade e quase que temos de nos beliscar. Temos, também entre os professores e muito naturalmente, a doença do caciquismo bem enraizada.



publicado por paulo prudêncio às 19:35 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Sexta-feira, 16.09.11

 

Mais um post certeiro do Paulo Guinote a propósito da colocação numa escola da filha de um vereador que passou injustamente à frente de outros candidatos.

 

"(...) Alguém informe os decisores que uma PTA amaricana, mesmo com todos os seus defeitos, é uma coisa muito diferente de um Conselho Geral à tuga. Uma coisa é conhecer o sistema americano em ambientes selectos de redondezas universitárias, outra viver o caciquismo nacional ao nível concelhio e paroquial.

Sobre o caso em particular, a consulta ao currículo do feliz papá também tem o seu interesse numa perspectiva de lifelong learning e dos princípios do Dale Carnegie. (...)"



publicado por paulo prudêncio às 11:36 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar


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