Em busca do pensamento livre.

Sábado, 27.05.17

 

 

 

A propósito da revolução que a presença da troika destapou, recorda-se os teóricos da simculta revolução, na actualidade, pode ser tão rápida que nem damos conta. Há sinais da contra-revolução? Há sempre sinais; até existiram alguns, mas não sobreviveram. Nunca se sabe se uma contra-revolução será tranquila, mas espera-se que sim e igualmente rápida. Desta vez, percebe-se que as personagens carregadas de ideologia neoliberal ficaram com o discurso descontinuado e datado. Muito do mal não é reparável, embora a mensagem da imagem estimule os contraditórios que, sublinhe-se, não escapam à asserção: é mais rápido e fácil destruir do que construir. Há duas irrefutabilidades de sinal contrário sobre o que é revertível: não será com a mesma velocidade da queda, mas não depende de vontade divina.

 

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publicado por paulo prudêncio às 13:57 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 30.01.17

 

 

 


No tempo em que não havia google nem sequer internet, e considerando a informação preciosa que se perdia, dediquei-me à construção de bases de dados para alguns assuntos. A dos "ficheiros secretos" tem entradas com resumos de conferências. Andava à procura das questões que apresentei a Eduardo Prado Coelho e encontrei as que coloquei a Bragança de Miranda na conferência sobre corporeidade (estiveram lá os dois) em 7 de Novembro de 1997, na Cruz Quebrada.

Regressei a Bragança de Miranda por causa do vídeo, que colo mais abaixo, imperdível "Palavra e tentação". As questões foram colocadas assim:

Muito obrigado.

Vou colocar duas questões e gostaria que estabelecesse uma relação entre elas, partindo de três categorias: ideologia, responsabilidade e dor.

Primeira questão: considerando o conceito de ideologia, que por aqui estabelecemos, como um conjunto de interesses inconfessáveis (e pensei no consenso manufacturado de Chomsky e na comunidade que vem de Agamben) quais são os interesses inconfessáveis da ideologia do corpo?

Segunda questão: se a responsabilidade das ligações é de cada um dos corpos organológicos, e se o primeiro movimento da responsabilidade é a dor, como será a responsabilidade de um corpo sem dor e a que ideologia isso interessa?

A resposta de Bragança de Miranda, depois de sorrir e de uma pausa, foi sábia e merecia uma conferência: "o mundo passa mais pelas palavras do que pela fisiologia".

 

 



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Terça-feira, 03.01.17

 

 

 

A propósito da revolução, iniciada em 2005 ou até em 2003, que a presença da troika destapou, recordo os teóricos da simcultna actualidade, uma revolução pode ser tão rápida que nem damos conta. Há sinais da contra-revolução. Não sei se será tranquila, mas espero que sim. Que seja tranquila e igualmente rápida. O que me parece é que as personagens carregadas de ideologia ultraliberal ficaram com o discurso descontinuado e datado. Muito do mal não é reparável, embora a mensagem da imagem estimule os contraditórios que, sublinhe-se, não escapam à asserção: é mais rápido e fácil destruir do que construir. Há duas irrefutabilidades de sinal contrário sobre o que é recuperável: não será com a mesma velocidade da queda, mas não depende de vontade divina.

 

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Quarta-feira, 21.12.16

 

 

 

“Como atribuir os direitos ao indivíduo enquanto tal, uma vez que o direito rege as relações entre diversos indivíduos, uma vez que a própria ideia do direito pressupõe uma comunidade ou uma sociedade já instituída? Como fundar a legitimidade política nos direitos do indivíduo, se este nunca existe como tal, se em sua existência social e política ele está sempre necessariamente ligado a outros indivíduos, a uma família, uma classe, uma profissão, uma nação?”.
 
 
 

 

Pierre Manent


 

do livro Política e Modernidade 
de José Bragança de Miranda

 



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Segunda-feira, 28.11.16





 



"Que o caos está presente em tudo é uma descoberta grega que se torna arrepiante quando se descobre que, em vez de estar no início, está dentro de todas as coisas, mesmo aquelas que fazemos para nossa segurança."

 

José B. de Miranda,
Queda sem fim.


publicado por paulo prudêncio às 21:55 | link do post | comentar | ver comentários (19) | partilhar

Segunda-feira, 03.10.16

 

 

 

"(...)A certa altura a jornalista pergunta a Bragança de Miranda se ele nunca quis ser artista. O entrevistado diz uma série de coisas sobre o seu percurso pessoal e profissional e termina assim: "Felizmente, veio a Revolução que acabou com todas essas ilusões." Porquê, diz a jornalista?: "Porque a Revolução era bem mais importante. E foi um momento fantástico que só quem o viveu pode verdadeiramente perceber. Quem não teve a sorte de ter vivido o 25 de Abril tem que se contentar com os mundiais de futebol."(...). Daqui.

 

Bragança de Miranda (BM) esteve no debate, ilustrado pela imagem, em 01 de Outubro de 2016, integrado no Folio de Óbidos. O amor pela liberdade foi a constante das suas intervenções. Quem assistiu, olha para a imagem, percebe a atmosfera, as diversas posições e até o referido sobre BM (é o do meio).

 

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publicado por paulo prudêncio às 18:09 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 12.07.16

 

 

 

"(...)A certa altura a jornalista pergunta a Bragança de Miranda se ele nunca quis ser artista. O entrevistado diz uma série de coisas sobre o seu percurso pessoal e profissional e termina assim: "Felizmente, veio a Revolução que acabou com todas essas ilusões." Porquê, diz a jornalista?: "Porque a Revolução era bem mais importante. E foi um momento fantástico que só quem o viveu pode verdadeiramente perceber. Quem não teve a sorte de ter vivido o 25 de Abril tem que se contentar com os mundiais de futebol."(...). Daqui.



publicado por paulo prudêncio às 20:15 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Quinta-feira, 24.09.15

 

 

 

 

 

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"Que em Auschwitz

as paredes não se rebelassem,

que o gás não se "arrependesse",

é o escândalo do silêncio de Deus,

mas também uma falha no humano."


 

José B. de Miranda, 
Queda sem fim.



publicado por paulo prudêncio às 12:22 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 13.04.15

 

 

 

 

A propósito da revolução tranquila que este Governo assumiu, recordo os teóricos da simcult que afirmaram que, na actualidade, uma revolução pode ser tão rápida que nem damos conta.

 

Há sinais da contra-revolução. Não sei se será tranquila, mas espero que sim. Que seja tranquila e igualmente rápida. O que me parece é que as personagens carregadas de ideologia ultraliberal, e que usam gerentes no modelo P. Coelho, podem ficar com o discurso descontinuado e datado. Contudo, muito do mal não é reparável.



publicado por paulo prudêncio às 21:14 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 31.05.14

 

 

 

 

1ª edição em 30 de Janeiro de 2014. 

 

 

 

 

Como há tanta informação preciosa que se perde, dediquei-me à construção de bases de dados para os mais variados assuntos.

 

A dos "ficheiros secretos" tem centenas de entradas e algumas incluem resumos de conferências. Andava à procura dumas questões que apresentei a Eduardo Prado Coelho e encontrei as que coloquei a Bragança de Miranda numa conferência sobre corporeidade (estiveram lá os dois) em 7 de Novembro de 1997, na Cruz Quebrada.

 

Regressei a Bragança de Miranda por causa do vídeo imperdível "Tentação e palavra" e nessa viagem revi Eduardo Prado Coelho.

 

As questões foram colocadas assim:

 

Muito obrigado. Vou colocar duas questões e gostaria que estabelecesse uma relação entre elas, partindo de três categorias: ideologia, responsabilidade e dor.

Primeira questão: considerando o conceito de ideologia, que por aqui estabelecemos, como um conjunto de interesses inconfessáveis (e pensei no consenso manufacturado de Chomsky e na comunidade que vem de Agamben) quais são os interesses inconfessáveis da ideologia do corpo? Segunda questão: se a responsabilidade das ligações é de cada um dos corpos organológicos, e se o primeiro movimento da responsabilidade é a dor, como será a responsabilidade de um corpo sem dor e a que ideologia isso interessa?

 

A resposta de Bragança de Miranda, depois de sorrir e de uma pausa, foi sábia e merecia uma conferência: "o mundo passa mais pelas palavras do que pela fisiologia".

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 22:13 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Sexta-feira, 28.02.14

 

 

 

 

“Como atribuir os direitos ao indivíduo enquanto tal, uma vez que o direito rege as relações entre diversos indivíduos, uma vez que a própria ideia do direito pressupõe uma comunidade ou uma sociedade já instituída? Como fundar a legitimidade política nos direitos do indivíduo, se este nunca existe como tal, se em sua existência social e política ele está sempre necessariamente ligado a outros indivíduos, a uma família, uma classe, uma profissão, uma nação?”.

 

Pierre Manent


 

do livro Política e Modernidade 
de José Bragança de Miranda

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 17:46 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 01.02.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Que em Auschwitz

as paredes não se rebelassem,

que o gás não se "arrependesse",

é o escândalo do silêncio de Deus,

mas também uma falha no humano."



 

 

 

 

José B. de Miranda, 
Queda sem fim.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 19:21 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 29.01.14

 

 

 

 

Palavra e Tentação - José Bragança de Miranda.
Realização de Edmundo Cordeiro.


publicado por paulo prudêncio às 09:07 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 21.11.13

 

 

 

 

 

 

 

 

Portugal entrou num processo de queda sem fim? Os sinais evidenciam o que em 16 de Abril de 2010 escrevi aqui.

 

A obstinação dos governos com o modelo de avaliação de professores (e desculpem a insistência, mas foi um momento histórico na luta pela democracia e na fuga à violência como agora se diz), colocando-o como ponto central da governação do país (sublinhado por Ramalho Eanes e Jorge Sampaio, pasme-se ou não) só podia servir de cortina de fumo para algo preocupante. Se foi ignorância é ainda mais grave. Muitos sabiam que era outra a verdade, mas estavam acomodados aos mesmos privilégios e os professores foram, como agora, um alvo. Só que desta vez já são poucos os que escapam à tragédia.

 

No estado em que estamos, é difícil inverter a queda e manter o sistema que a originou. Exige-se uma qualquer mudança profunda e recordo um parágrafo de um texto de José Bragança de Miranda.

 

 

"A imagem da queda é das mais profundamente incrustradas na cultura ocidental, tendo uma remota origem teológica, mas também correspondendo ao desejo milenar de escapar às forças gravitacionais que fazem cair todos os corpos para a terra. A queda era então um momento, talvez dramático mas provisório, da ascensão ou elevação. Na modernidade a imagem da queda sofreu uma mutação considerável. A leitura do conto de Poe, Descida ao Maelstrõm, serve de pretexto para apreender tal metamorfose, cuja compreensão se torna mais imperativa no momento em que se vai impondo uma cultura da "imaterialização" ou do "incorporal."







publicado por paulo prudêncio às 10:05 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 28.11.12

 

 

 

Para uma ontologia paradoxal do corpo, por Eduardo Prado Coelho: introdução



Encontrará vários post, este é o primeiro, sobre uma célebre conferência sobre o corpo.


Os conferencistas foram Eduardo Prado Coelho e José Bragança de Miranda.


Estive presente com a companhia do editor do blogue. Já dei nota, pelo menos aqui e aqui, desse dia inesquecível no auditório da Faculdade de Motricidade Humana.



publicado por paulo prudêncio às 09:42 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 02.11.12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Que em Auschwitz 

as paredes não se rebelassem, 

que o gás não se "arrependesse", 
é o escândalo do silêncio de Deus, 
mas também uma falha no humano."



José B. de Miranda, 
Queda sem fim.



publicado por paulo prudêncio às 13:49 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 25.10.12

 

 

 

 

 

O lume brando a que os modelos neotayloristas, como o da avaliação de professores, sujeitavam os seus destinatários, fazia parte do metabolismo pré-negocial das centrais sindicais e dos partidos políticos do passado - as massas ficavam sempre prontas a protestar -. 

 

O problema é que os tempos recentes desnudaram a hipocrisia e o cinismo e não raramente os seus autores foram apanhados em situações de flagrante e juvenil embaraço. E é bom que se diga que estávamos a lidar com situações requintadas que maltrataram as relações profissionais num nível inédito.

 

Assistimos a um de virar de página.

 

Não haja ilusões. Como dizem Taylor e Saarinencriou-se uma mediatrix por uma espécie de revolução despercebida. Dizem os autores de Media Philosophy: "Velocidade, velocidade e mais velocidade. Seria possível uma revolução ter lugar tão rapidamente que ninguém desse por ela?".



publicado por paulo prudêncio às 12:10 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

 

 

 

 

 

 

 

“Para isso é preciso partir da experiência, não daquela que se confunde com o precipitado do “real” na memória dos indivíduos, mas da experiência que está cristalizada no estado de coisas existentes.”

 


 

Miranda, J. (1997:32).

Política e modernidade. Linguagem e violência

na cultura contemporânea.

Lisboa: Edições Colibri



publicado por paulo prudêncio às 10:07 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 25.09.12

 

 

 

“(...) mais do que partir de uma resposta preparada historicamente para todos os casos, mais do que fazer como se nada soubéssemos, que é a posição dos racionalistas, trata-se de agir com tudo o que possamos dispor “aqui e agora". (...)”.

 

 

Miranda, J. (1997:11). Política e modernidade.

Linguagem e violência na cultura contemporânea.

Lisboa: Edições Colibri




publicado por paulo prudêncio às 13:11 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 24.09.12

 

 

 

 

 

 

 

 

Após um início de inspiração ultraliberal, vamos assistindo a uma desorientação programática com ingredientes impensáveis que se apoderaram do Governo neste momento de emergência nacional. É grave e triste, mas é assim. Grassa a irresponsabilidade e o mais vil oportunismo e isso alastra-se.

 

Do estado de permanente campanha eleitoral de Portas até à organização administrativa do Estado supervisionada por Relvas e passando pela partilha com o Pingo Doce do consultor António Borges ou pelo academismo estratosférico e laboratorial de Vitor Gaspar, o primeiro-ministro só podia apresentar a demissão.

 

E interroguei-me: para onde será a próxima fuga? Lembrei-me, de novo, de José Bragança de Miranda e da Queda sem fim, seguido de Descida ao Maelstrom de Edgar Allan Poe.


"(...)Com efeito, a tecnologia que foi introduzida para viabilizar a estruturação interna do mundo, ao mesmo tempo que a tornava indispensável (a sua introdução para resolver problemas políticos, de justiça, económicos e outros, acabou por fazer da técnica algo incontornável, levando-nos a um ponto de não retorno. Hoje já não é possível voltar atrás, ilusão ainda forte dos "neoludditas" actuais.), alterou profundamente as condições da experiência. Como dizem Taylor e Saarinen, criou-se uma mediatrix por uma espécie de revolução despercebida (dizem os autores de Media Philosophy: "Velocidade, velocidade e mais velocidade. Seria possível uma revolução ter lugar tão rapidamente que ninguém desse por ela?"), cuja regra seria: "Na simcult, quem não for rápido está morto"(...)"


publicado por paulo prudêncio às 20:02 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
Discordâncias:
Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
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