Em busca do pensamento livre.

Quarta-feira, 05.04.17

 

 

 

Nota-se bem a presença do simplex dois na "papelada-a-menos-na-muita-papelada-a-menos-nem-sequer substituída-por-ficheiros-digitais" do IRS. E nota-se vontade de simplificar na administração pública.

No sistema escolar é o inverso. O ME exige, ou insinua, informação "impensada" que não é incluída nos programas das empresas de software escolar. Isso provoca a circulação infernal de ficheiros excel e word. É uma escalada sem paralelo. Proporciona também a roda livre escolar de quem "desconhece" que a obtenção de informação "pedagógica" tem exigências administrativas. É o tal mundo criativo da repetição de inutilidades. É uma espécie de "vamos brincar às escolas e à gestão". No mínimo, a governabilidade exigiria a inclusão de "toda" a informação nuclear nesse software como critério primeiro de licenciamento. A avaliação externa "penalizaria" os excessos - e pontuaria as boas soluções - e não o contrário. O uso das muito boas aplicações do office da Microsoft, Word e Excel, deve ser proibido para a obtenção e circulação da informação "oficial" através de programas de email ou alternativos; não vai lá de outro modo. Uma decisão à francesa com os "emails-fora-de-horas". Quem não tem outra solução, ficaria sem a informação e concluiria que o fundamental da escola está longe desse universo.

 

Não é a primeira vez que uso alguns destes argumentos.



publicado por paulo prudêncio às 11:37 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 09.09.16

 

 

A frase é de Joaquim Azevedo e está na agenda mediática. Há muitos que defendem que este ex-SE de Cavaco Silva (os ajudantes, segundo o chefe) acordou agora e acham sei lá o quê. Como já me habituei a este sono alternado dos nossos investigadores, comento o estudo com um post de 2 de Julho de 2009 (o muro que asfixia a escola e os professores); tem na coluna direita do blogue, a das etiquetas, inúmeros textos sobre o mesmo assunto e tem também um livro com o título "Por Precaução".

 

O muro que asfixia as escolas e os professores.

 

Quem quer que se meta na aventura de reflectir sobre o estado do sistema escolar português pode escolher os mais variados pontos de partida. A minha opção navega na história mais recente e concentra-se no tratamento da informação.

Podia optar por "sistema escolar por blocos". Mas o conceito de bloco da precaução torna mais inteligível o que quero exprimir e reforça duas ideias: é, como espero que se veja, o bloco que mais asfixia o privilégio de ensinar e contamina de modo decisivo os outros dois: o do ensino e o da organização escolar. 

Este bloco da precaução, que foi construído paulatinamente e que criou um muro de burocracia na gestão da informação escolar, é quase tão difícil de derrubar como foi o muro de Berlim.

O bloco da precaução caracteriza-se por um universo informativo que é obtido apenas para arquivo e que existe porque está determinado de modo central através das invenções técnico-pedagógicas do ministério da Educação. E é aqui que encontramos um imenso elenco de invenções burocráticas: inúmeras actas e relatórios sem parâmetros indicadores de informação estruturante, projectos educativos impossíveis de avaliar, projectos curriculares de turma e de escola, definição de objectivos com variadas designações de acordo com os gostos e os feitios dos promotores de ocasião. A lista é interminável.

A institucionalização do bloco da precaução, e a sua aparente autoridade, parte dos serviços centrais do ministério da Educação (Inspecção-Geral como elemento central) e alastra-se de modo quase acéfalo à organização de muitas das escolas. As invenções burocráticas devidamente preenchidas são, por precaução, a única consciência profissional de muitos estabelecimentos de ensino; isso retira sentido de autonomia e de responsabilidade e gera fenómenos de subserviência e de medo.

Só assim foi possível verificar um conjunto denominado de boas práticas que tornava "exequível" aquilo que depois se provava ser inaplicável: é essa uma parte crucial da história recente da avaliação do desempenho dos professores e do arrastamento insuportável desta coisa sem pés nem cabeça. Quando se tentou perceber as boas práticas das escolas ditas de referência, o ridículo eliminou rapidamente a visibilidade mediática que se quis impor. Também por precaução se deixou de falar nisso.

 

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publicado por paulo prudêncio às 17:25 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 29.06.16

 

 

 

ME exige informação "impensada" que não é incluída nos programas das empresas de software escolar. Isso provoca a circulação infernal de ficheiros excel e word. Torna-se doentio. Proporciona também a roda livre escolar de quem "desconhece" que a obtenção de informação "pedagógica" tem exigências administrativas. É o tal mundo criativo da repetição de inutilidades. É uma espécie de "vamos brincar às escolas e à gestão". No mínimo, a governabilidade exigiria a inclusão de "toda" a informação nuclear nesse software como critério primeiro de licenciamento. A avaliação externa (Inspecção-Geral) "penalizaria" os excessos, e não o contrário, e o uso das muito boas aplicações do office da Microsoft.



publicado por paulo prudêncio às 12:26 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Domingo, 12.06.16

 

 

 

 

 

Uma reportagem sobre avaliação de escolas. É evidente que se estão a dar os primeiros passos na gestão escolar propriamente dita, mas compreende-se a limitação da reportagem centrada nos exames que ocorrerão em breve.

"Em praticamente todos os países da Europa avaliar escolas significa avaliar aulas. Estónia, Hungria e (pelo menos por enquanto) Portugal são as excepções — os inspectores visitam os estabelecimentos de ensino, falam com professores e pais, mas não entram na sala de aula.(...)"

 

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publicado por paulo prudêncio às 13:42 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 21.09.13

 

 

 

 

 

A avaliação que interessa






publicado por paulo prudêncio às 12:27 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Domingo, 31.03.13

 

 

 

 

Só em países propensos a bancarrotas é que se fazem rankings de escolas com uso exclusivo dos resultados de exames de alunos. São, digamos assim, países que se afeiçoam muito ao substantivo exclusão. As escolas com grupos de alunos com melhores condições económicas (escrito assim para abreviar) têm, em grande regra, melhores resultados. Os grupos que privatizam lucros dos orçamentos de Estado para a Educação sabem bem disso, conseguem impor esses rankings e arrastam consigo muita gente distraída e que confunde meritocracia com democracia (também escrito assim para abreviar). Os mais pobres ficam nas escolas do fim da fila que se vão guetizando e afundando (também escrito assim para abreviar).

 

Avaliar escolas é difícil, exige tempo, conhecimento e consolidação de processos. É muito mais do que os resultados dos alunos nos exames em algumas disciplinas. A denominada "avaliação integrada das escolas", que começou em Portugal em 1998, tinha potencialidades, mas um novo Governo apressou-se a terminar com o modelo quando, cinco anos depois, a maturidade dava os primeiros sinais positivos. Tem sido sempre assim, são raros os países onde se faz melhor e tudo isso ajuda a explicar a crise permanente da escola como organização em que Portugal passou a ser um estudo de caso pelo modelo de gestão que descobriu.

 

 

 

 

 

Parte de uma peça do Público de hoje da autoria de Clara Viana.



publicado por paulo prudêncio às 18:23 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 18.09.12

 

 

 

O grau de redundância afere a qualidade de uma cultura organizacional. A gestão da informação, como pilar fundamental, tem de considerar a repetição como a componente crítica a eliminar. Não há nada mais nefasto para o utilizador informado do que a inutilidade das tarefas.

 

São vários os exemplos que ilustram o baixo nível organizacional de uma escola: o encarregado de educação que disponibiliza o nome e o número de telefone no acto de matrícula e que sempre que participa numa reunião vê passar um papel onde é solicitada a inserção desses dados; o professor de educação especial que quando produz um documento público com um apoio educativo tem de digitalizar o nome do aluno; o professor director de turma que preenche os documentos inventados pela má burocracia (planos de recuperação ou projectos curriculares de turma, por exemplo) com repetição de dados que estão lançados numa qualquer base de dados. E podia ficar aqui o dia todo a apresentar exemplos. 

 

Um nome (de aluno, de encarregado de educação, de professor ou de funcionário) deve ser digitalizado apenas uma vez durante a sua permanência como  membro da organização. Deste simples exercício de avaliação pode retirar-se um mundo de conclusões.

 

 

 

(Parte deste texto foi publicado numa edição em 18 de Outubro de 2010)



publicado por paulo prudêncio às 11:24 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 07.03.11

 

 

 

 

 

Se em relação ao ensino é muito difícil falar em conhecimento no que se refere à melhor forma de o exercer, já sobre a organização escolar deveria ser possível hierarquizar escolas de gestão; mas ainda estamos na estádio de pré-identificação. 

 

É comum dizer-se que 70% da actividade da nossa administração pública é para si própria. A informação circula dentro do Estado para que os diversos serviços se informem em duplicado ou em triplicado, como se não existisse público.

 

Na nossa cultura organizacional escolar começa a evidenciar-se a existência de três sub-sistemas, que são responsáveis por um volume insano de repetição e redundância de dados. O sub-sistema dos departamentos curriculares, o sub-sistema das direcções de turma e o sub-sistema administrativo acrescentam aos referidos 70% um número que deveria assustar uma qualquer ideia de sensatez. O mais grave é que quem se dedica à avaliação externa não só não contraria a tendência como a estimula e premeia.



publicado por paulo prudêncio às 19:06 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 21.10.10

 

 

Relatório da inspecção-geral da Educação; aqui.



publicado por paulo prudêncio às 09:16 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quinta-feira, 15.04.10

 

 

 

Custe o que custar, ou seja, com a possibilidade de se remeter o que vou escrever a seguir para o domínio da subjectividade por parte dos que advogam em sentido contrário, temos de concluir: estamos numa fase alta das consequências da ofensiva pública do anterior governo contra os professores portugueses. A questão do momento tem uma simples formulação e uma difícil solução: quanto tempo vai demorar a reerguer a escola pública?

 

Ninguém sabe quantos anos vão ser necessários, mas todos percebem que é crucial um reset em alguns diplomas (e não basta ficar quieto porque os efeitos vão em bola de neve): estatutos (professores e alunos), avaliação dos professores, gestão escolar, escola-armazém, horários dos professores, excesso de burocracia (programas de avaliação externa que visem, exclusivamente e apenas, esse objectivo) e organização curricular.

 



publicado por paulo prudêncio às 14:00 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar


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