Em busca do pensamento livre.

Sexta-feira, 26.05.17

 

 

 

Entrei na sala, para uma acção de formação sobre avaliação, e vi uma fotografia repetida em cima de cada mesa com a seguinte imagem: um rapaz a abraçar uma árvore. O formador solicitou a um porta-voz por grupo que enunciasse as conclusões após uns minutos de análise. Desde o amor pela natureza a uma genética abençoada, foi um rol de virtudes. O formador sentenciou: um rapaz a abraçar uma árvore e ponto final. Não voltei a encontrar um modo tão significativo de começar uma acção de avaliação. E o que é que me levou a este post trinta anos depois da referida acção? As fotografias com sorrisos, ou cara séria, que envolvem Obama, o Papa Francisco, o Trump e por aí fora, e com análises políticas que são de imediato contraditadas com mais imagens. E nem os OCS de referência escapam, como se comprova na imagem seguinte que acompanha um tratado sobre um aperto de mão entre Macron e Trump:

 

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publicado por paulo prudêncio às 20:57 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 06.04.17

 

 

Hoje, no I

 

"Educação: Por uma Flexibilização Coerente

 

(...)Ao longo dos últimos 25 anos tivemos vagas sucessivas de retórica e legislação anti-insucesso com as mais variadas legitimações: ou porque é pedagogicamente infrutífero reter os alunos, ou porque isso lhes abala a auto-estima, ou porque é uma “chaga social” ou, de forma mais pragmática, porque “é caro”. Sejam coerentes de uma vez por todas e restrinjam a possibilidade de reter os alunos a casos ultra-excepcionais de falta de assiduidade, assumindo que todos (ou quase) devem passar de forma independente do seu desempenho, recebendo no final do Ensino Básico um certificado com as suas classificações, sejam quais forem. Abandonem de vez a noção de “positiva” e “negativa”, até porque a escala de 1 a 5 é toda positiva do ponto de vista matemático. E assim deixaríamos de comentar a transição de alunos com seis ou oito “negativas”. O aluno passou de ano com média de 1,5 ou 3,7 ou 4,8. E acaba-se de vez com o insucesso. Isso, sim, consideraria coerente e pouparia imenso em “formação” e conversa fiada por todo esse país, a massacrar pela enésima vez os professores, tentando fazê-los sentir-se “inflexíveis” e culpados pelos males alheios."



publicado por paulo prudêncio às 09:40 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 15.06.16

 

 

 

 

Decorrem ainda as avaliações de alunos do final do ano e deve recordar-se que o artigo 42º do Estatuto do Aluno é taxativo e devia atenuar, no mínimo isso, o inferno de invenções de má burocracia (incluindo a digital) que alimenta a cultura organizacional de muitas escolas.

 

 

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publicado por paulo prudêncio às 17:44 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 12.06.16

 

 

 

 

 

Uma reportagem sobre avaliação de escolas. É evidente que se estão a dar os primeiros passos na gestão escolar propriamente dita, mas compreende-se a limitação da reportagem centrada nos exames que ocorrerão em breve.

"Em praticamente todos os países da Europa avaliar escolas significa avaliar aulas. Estónia, Hungria e (pelo menos por enquanto) Portugal são as excepções — os inspectores visitam os estabelecimentos de ensino, falam com professores e pais, mas não entram na sala de aula.(...)"

 

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publicado por paulo prudêncio às 13:42 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 08.06.16

 

 

 

 

Os problemas da escola pública não se esgotam, obviamente, na importante questão dos "privados" e uma qualquer manifestação em sua defesa tem que ter mais pontos de agenda. É que há vida para além das finanças. Há, por exemplo, a democracia.

 

"O director de turma deve ser avaliado, com pontuação rigorosa e cotas, pelo abandono escolar dos alunos". A frase que escolhi, dita com convicção por Lurdes Rodrigues, sintetiza um conjunto de "Novas Políticas de Gestão Pública" que se tornou fatal para a escola pública. 

 

Se desconstruirmos a frase, encontramos: desresponsabilização da sociedade, escola a tempo inteiro, crianças-agenda e jovens-vigiados em simultâneo com o estatuto do "aluno-rei", transformação da carreira de professores em "agentes recreativos" e modelo taylorista de gestão escolar com sobreposição da lógica, "impensada" em educação, do "cliente-tem-sempre-razão".

 

Não satisfeitos, novos governantes acrescentaram: mais alunos por turma, mais turmas por professor, indústria de exames, divisão curricular em disciplinas estruturantes e outras, degradação da imagem do professor e da organização da escola pública. Com uma década assim, que resultados se esperariam? Não faltam, portanto, pontos fundamentais para agendar.

 

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publicado por paulo prudêncio às 17:43 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 26.02.15

 

 

 

 

Concordo com a ideia do CNE de eliminar a obrigação de tornar públicas as pautas de avaliação antes do sétimo ano de escolaridade, substituindo-a por informação individual a cada aluno e respectiva família. E não se deve circunscrever às pautas: deve aplicar-se a todas as avaliações e a quadros de valor e de mérito.

 

Ia a escrever que há muito que escrevo a defender estas ideias, mas não é verdade. Não é há muito porque os descomplexados competitivos criaram estes processos há pouco tempo e até julguei que esta espécie de "nova teoria do homúnculo" era impossível no século XXI.

 

Pode conhecer aqui e aqui alguns dos textos que escrevi sobre o assunto.

  

As ideias do CNE

 

Reavaliar provas do 4.º e 6.º ano.


Propõe ainda, entre várias outras medidas, que seja eliminada a obrigatoriedade de afixação pública das pautas de avaliação, uma prática "sem par nos restantes sistemas educativos, substituindo-as por "informação individual dirigida a cada aluno e respectiva família". Que seja reavaliada "a adequação das provas finais do 4.º e 6.º anos aos objectivos de aprendizagem dos ciclos que encerram, bem como rever as suas condições de realização". Actualmente são feitas ainda no decorrer do ano lectivo, o que traz "enormes constrangimentos ao funcionamento das escolas, para além de determinarem alterações nos processos de leccionação".

 

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publicado por paulo prudêncio às 09:47 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 06.01.15

 

 

 

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A "cultura da nota" em Portugal está num pico mediático e os argumentos prós e contra são ancestrais. Mas há uma evidência: a "cultura da nota" em Portugal já chegou ao primeiro ciclo e o pré-escolar deve ser a próxima etapa. Até o importante senso comum concordará com a seguinte asserção: crianças de 10 anos não podem ser tratadas como jovens de 17 ou 18 anos. Há tempos distantes escrevi o que vai ler a seguir e acrescento: quadros de mérito e avaliação sumativa pública só a partir do 7º ano de escolaridade.

 

"é fundamental que a publicação dos resultados escolares seja adaptada aos níveis de escolaridade e, naturalmente, à idade dos alunos. Para começar, devem discutir-se os procedimentos de publicitação dos resultados escolares individualizados até ao sexto ano de escolaridade".

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 21:22 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Domingo, 14.12.14

 

 

 

 

 

"Todos os instrumentos científicos são válidos depende da cabeça que os utiliza", é uma intemporal evidência que pode ajudar na matéria em título e que deve ser acompanhada de outras comprovações. O dogmatismo, o extremismo e o fim da história, por exemplo, são asserções a considerar quando se lê a caixa de comentários da notícia que diz: "e se os alunos não tivessem notas? O debate chega a Portugal".

 

A surpreendente ideia francesa de abolição de notas não poderá significar o fim da avaliação dos alunos; claro que não será disso que se trata. Parece-me que há a necessidade de discutir o modo como a sociedade está a considerar os resultados escolares como reflexo do mercado selvagem que se globalizou. Todos concordamos com o que acabei de escrever e temos de discutir e encontrar soluções.

 

Não conheço os detalhes franceses nem o que se vai discutir em Portugal. Todavia, impressiona-me a nossa capacidade para aplicar os mesmos mecanismos avaliativos, com a respectiva publicitação em rankings, a alunos do 12º ano e do 4º ano, por exemplo. Na Finlândia, e ainda como exemplo, as avaliações dos alunos só são publicitadas a partir dos 13 anos. Antes disso, são apenas comunicadas ao respectivo encarregado de educação. Isso não significa qualquer facilitismo nem o fim da avaliação. Há tempos escrevi assim:

 

"é fundamental que a publicação dos resultados escolares seja adaptada aos níveis de escolaridade e, naturalmente, à idade dos alunos. Para começar, devem discutir-se os procedimentos de publicitação dos resultados escolares individualizados até ao sexto ano de escolaridade".

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 19:42 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sábado, 13.12.14

 

 

E ao contrário dos nossos "reformistas", discutem e testam (com um ano de distância, veja-se lá). Por cá, nem sequer nos interrogamos com rankings em exames do quarto ano.

 

"(...)As notas estão com os dias contados nas escolas francesas. O Conselho Superior dos Programas, órgão do Ministério da Educação francês, elaborou uma proposta para abolir o sistema de avaliação através das notas, que na França vão de zero a 20, e substituí-las por uma análise mais geral das competências dos alunos. O projeto será discutido numa conferência nacional nesta quinta e sexta-feira (11 e 12), em Paris.(...)Sistemas similares sem as tradicionais notas já vêm sendo utilizados há muitos anos por países europeus onde a educação é considerada de alto nível, como a Suécia, a Dinamarca e a Alemanha. Na França, se for aprovado, o novo sistema pode começar a ser testado em 2015.(...)"

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 21:11 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 07.12.12





Cortesia de Manuela Silveira.



“Os professores sabem que as notas não são fiáveis, que não dariam a mesma nota ao mesmo trabalho se lho apresentassem algumas semanas mais tarde e que os seus colegas dariam notas diferentes a esse mesmo trabalho. Eles sabem que são incapazes de precisar, mesmo para si mesmos, os objectivos e critérios de notação. Eles sabem que não sabem em que consiste o «nível» mínimo que permite «passar». Sabem que escapar à média é absurdo. Conhecem os efeitos da estereotipia e de halo. Sabem mas não querem saber que sabem. Sabem inconscientemente. E é por isso que podem em boa fé falar da sua consciência profissional. Ela é, de facto, inocente: trata-se sim do inconsciente! Mas porquê? O que é que eles defendem com esta resistência? (...) Defendem um prazer. Um prazer de má qualidade mas seguro, garantido, quotidiano. Um prazer que se tem de disfarçar para ser vivido sem culpabilidade (...). Esse prazer, é o prazer do Poder com P maiúsculo. O professor é o mestre absoluto das suas notas. Ninguém, nem o seu director, nem o seu inspector, nem mesmo o seu ministro, podem fazer nada quanto às notas que ele deu. Pois foi de acordo com o seu carácter e a sua consciência que ele as deu. Com o seu diploma, foi-lhe reconhecida a competência de avaliar (o que não deixa de ter graça!). A sua consciência profissional é inatacável. Na sua tarefa de avaliador, ele é omnipotente. E esse domínio significa poder sobre os alunos. A omnipotência de avaliar: um prazer que vem dos infernos e que não podemos olhar de frente...”



Patrice Ranjard, 1984, 93-94

in Philippe Perrenoud, 1992, 169-170



publicado por paulo prudêncio às 16:24 | link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

Terça-feira, 22.05.12

 

 

O bloco de esquerda apresentou uma proposta no sentido de se separarem as classificações dos alunos, por conhecimentos, do desempenho em atitudes e comportamentos. Sinceramente: o estado de sítio no sistema escolar atingiu um grau tão baixo ("(...)Num país como Portugal que, mesmo depois de quase quarenta anos de democracia, apresenta taxas elevadíssimas de insucesso e abandono escolares, é natural que a desorientação, e a constante alteração de políticas, seja simultaneamente causa e consequência e se transforme numa espécie de autofagia(...)") que já nada me surpreende e apenas me vai faltando alguma paciência para tanta epifania.

 

E como é que esta ideia se operacionaliza? Encontra-se uma fórmula para a passagem de ano que contemple as duas notas em cada disciplina? Progridem nos conhecimentos e reprovam nas atitude e nos comportamentos? Será que o bloco de esquerda não sabe que os professores já ponderam os diversos domínios nas notas que atribuem?

 

 

Bloco de Esquerda quer aprendizagens dos alunos avaliadas em separado



publicado por paulo prudêncio às 22:00 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar


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25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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