Sexta-feira, 10.05.13

 

 

 

 

Quando os professores classificavam a avaliação que lhes queriam impor como um monstro de burocracia ou um processo brutalmente injusto e inaplicável, apareciam senadores com acusações de corporativismo ou de falta de patriotismo.

 

Passaram poucos anos e lemos coisas bem mais radicais por parte dos acusadores. Seria injusto se os acusássemos de pensionistas gananciosos, com falta de amor ao próximo e à nação e que se escudam atrás de uma simulada cidadania.

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 13:31 | link do post | comentar | ver comentários (12) | partilhar

Domingo, 28.04.13

 

 

 

 

 

Ouvi ontem na TSF uma parte, que incluiu o sistema escolar, do muito apaudido discurso de Francisco Assis no congresso do PS. O deputado elogiou o legado de Maria de Lurdes Rodrigues e, para não variar, apontou o dedo às dificuldades criadas pelas corporações. Já cansa. Era bom que Assis revisse o conceito de corporações e talvez concluísse que é mais corporativo do que os acusados.

 

Tem razão quando acusa a direita de ter cavalgado a onda das contestações. Mas esquece-se de dizer que a direita só lá chegou em 2008 (a um ano de eleições), porque antes aplaudia silenciosamente, e que a justa contestação foi iniciada por cidadãos das mais variadas ideologias e convicções. Francisco Assis devia evidenciar essa onda quase heróica (estou a pesar bem) e não se remeter a um exercício de revisionismo.

 

Mas quando se fala em legado de defesa da escola pública fala-se exactamente de quê?

 

Antes de mais, é importante sublinhar que os dirigentes do PS misturam nesse argumentário a ciência e o ensino superior. Francamente: o que de muito positivo os governos do PS fizeram nessas áreas foram políticas conduzidas por Mariano Gago. Tenho sérias dúvidas que esse ex-ministro subscreva o legado infernal de má burocracia, a forma obcecada como se tentou impor uma monstro de avaliação de professores ou, já em fim de ciclo, se decretou uma gestão escolar contra tudo e quase todos.

 

É evidente que o actual Governo prolongou a agonia da escola pública e acentuou-a em áreas determinantes. É verdade que sim. Está agora mais em causa o regresso a níveis impensáveis de abandono escolar e ouve-se muitas vezes o elogio das novas oportunidades. Como sempre se disse, a certificação de competências nestes níveis de escolaridade é um imperativo num país como o nosso. Mas foram os governos do PS que deram cabo da ideia com a febre da propaganda misturada com uma descarada manipulação de dados. Também aí estão por provar os elogios ao legado.



paulo guilherme trilho prudêncio às 18:26 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 23.04.13

 

 

 

 

 

 

 

A filósofa espanhola Adela Cortina, está como residente da Universidade do Porto e deu uma interessante entrevista ao Público de Sábado.

 

Escolhi o espaço sobre Educação porque me pareceu que se ajusta ao que se passou nos últimos anos nas nossas escolas quando necessitávamos ainda mais de gestos responsáveis, (autónomos, portanto) solidários a altruístas. Como se sabe, estes valores não se decretam mas os modelos organizacionais podem estimulá-los.

 

Adela Cortina recorreu a uma metáfora de dois lobos, que existem dentro de cada um de nós, usada por um chefe índio.

 

Um lobo concordante e a favor da paz e outro violento e egoísta.

 

É na alimentação que damos aos contendores que tudo se joga. Se queremos professores responsáveis, mobilizados e altruístas temos de confiar neles como pessoas autónomas. Leva tempo, exige uma enorme paciência com os lobos do outro lado, mas os resultados surgem.

 

Falei dos professores porque foi o caso mais flagrante com a sua avaliação e com o modelo de gestão escolar ultraliberal. Podia encontrar inúmeros argumentos semelhantes sobre os alunos e até sobre os cidadãos em geral.

 

O ultraliberalismo estimula o egoísmo, para a propalada prestação de contas usa mecanismos férreos, inaplicáveis, inexequíveis, desumanos e, naturalmente, com péssimos exemplos vindos "de cima". Alimenta o tal lobo egoísta e violento que prevalece num quotidiano que vai das folhas excel aos waps.

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 15:00 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 22.04.13

 

 

 

 

 

 

Se alguém lhes dizia que os países não são laboratórios ou que os modelos tecnocráticos carecem de experimentação, era acusado de esquerdista, despesista e irresponsável. Estes fundamentalistas do Estado mínimo espalham-se desta forma, criam milhões de desempregados e outras coisas ainda mais graves, e aparecem a dizer que afinal a austeridade atingiu os seus limites e que a culpa é dos conselheiros tecnocráticos.


A justificação até me recorda o monstro da avaliação de professores. Esta malta é da mesma família ideológica. Também existiam uns sobredotados que criaram o modelo e que quando eram confrontados com a sua aplicação respondiam com um ar superior: isso é com as escolas.






paulo guilherme trilho prudêncio às 12:05 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quarta-feira, 17.04.13

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:45 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 11.04.13

 

 

 

 

Nuno Crato deve estar, pelo menos, no estado de épochè em relação às políticas que inaugurou ou aprofundou, mesmo que se venha a justificar que as desenhou como sub-SE-adjunto das finanças, e começa a responsabilizar os professores pela parte maior do sucesso escolar dos alunos. Já Lurdes Rodrigues usou o mesmo estratagema quando começou a registar o espalhando das suas epifanias.

 

Se os professores fossem muito corporativos aceitavam o elogio e faziam valer os créditos que estes ministros lhes atribuem. Mas sabem que não é assim e que a sociedade desempenha o papel primeiro e fundamental. É evidente que há professores com uma soberba tal que fazem passar a mensagem que sem eles o mundo seria outro. É verdade que sim. Recordo-me do monstro da avaliação de professores e transcrevo o final deste post que escrevi em 21 de Janeiro de 2009:

 

"(...)Contudo, foi possível identificar um conjunto denominado de boas práticas que tornava "exequível" aquilo que depois se provava ser inaplicável: é essa uma parte crucial da história recente da avaliação do desempenho dos professores e do seu arrastamento insuportável. Quando se tentou perceber as boas práticas das escolas ditas de referência, o ridículo eliminou rapidamente a visibilidade mediática que se quis impor.

 

Também por precaução se deixou de falar nisso."



paulo guilherme trilho prudêncio às 18:48 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 14.03.13

 

 

 

 

A parte do texto que escolhi da obra de Bertrand Russel (1993:101) "O Poder, Uma nova análise social", Lisboa, Fragmentos, lembra-nos o modelo de avaliação de professores (o monstro inicial e a ramificação em curso), mas parece um retrato do ultraliberalismo que nos está a consumir.

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:19 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 08.03.13

 

 

 

Avaliação docente em Portugal não correspondeu às boas práticas propostas pela OCDE

 

"(...)Nem os resultados obtidos pelos alunos podem ser ignorados na avaliação docente, nem esta pode ser efectiva se não tiver no seu centro o que acontece em sala de aula, defende a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) num relatório divulgado nesta sexta-feira.

Em Portugal, devido à forte contestação de sindicatos e movimentos de professores, foi deixada cair a proposta de Maria de Lurdes Rodrigues no sentido de os resultados dos alunos contarem para a avaliação docente, e a observação das aulas passou a ter, em regra, um carácter facultativo.(...)"

 

 

É bom que não fiquem dúvidas: o modelo de avaliação de professores de Lurdes Rodrigues era brutalmente injusto, inaplicável, um monstro burocrático e tinha aspectos análogos aos modelos considerados fascismo por via administrativa (estou a pesar bem o que escrevo). Não existe organização conhecida que sobreviva com um modelo com aquelas características e ponto final. Foi por isso que caiu a proposta de Lurdes Rodrigues. Foi a força da razão que provocou a queda, apesar dos entendimentos e acordos com todos os sindicatos.

 

Discutir nuances pode ter algum interesse, como é exemplo a inclusão dos resultados dos alunos na avaliação dos professores. Portugal está muito longe de reunir condições para essa inclusão que é desprezada na maioria dos países por impossibilidade informativa. Aliás, "(...)no seu relatório, a OCDE reconhece que será sempre difícil “identificar o contributo específico de um professor no desempenho dos alunos”, uma vez que a aprendizagem é um processo “influenciado por muitos factores”. “O efeito que os professores têm nos alunos é também cumulativo”, recorda-se, frisando que os alunos “não são só influenciados pelos seus professores actuais, como também pelos que tiveram antes”.(...)"


Ainda vamos observar coisas interessantes no âmbito do revisionismo. Sempre quero ver o que escreverão os fanáticos ideológicos do Governo, e que criticaram com justiça o modelo de Lurdes Rodrigues, quando o actual começar a caminhar.



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:32 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 28.01.13

 

 

 

 

 

 

Convenço-me que já são poucos os que não classificam como trágica a passagem de Lurdes Rodrigues e José Sócrates pelas políticas do sistema escolar e que este Governo acentua com a crença ideológica do estado mínimo. Os últimos Governos do PS foram uma oportunidade perdida que deixou a esquerda à deriva e que impede uma oposição credível à nova vaga devastadora da escola pública que se aproxima.

 

Não é fácil para o actual PS libertar-se dessa herança e encontrar as convicções e as políticas que possibilitem e regresso ao equilíbrio é à sensatez. O ex-presidente Jorge Sampaio está preocupado e não deve desconhecer o que o actual Governo se apressa em escamotear insistindo nos números de 2009: Portugal investiu, em 2012, 3,8 do PIB (regredimos mais de 20 anos numa queda abrupta) em Educação que é o valor mais baixo da Europa.


O ex-presidente disse, em 2005, que os professores trabalhavam pouco, promoveu uma viagem ao Chile que inspirou os mentores do monstro da avaliação de professores e, em Outubro de 2009, classificou a avaliação de professores como uma das causas da bancarrota.


Dá ideia que está a alterar as suas convicções. Foi lamentável o que se passou, repito. O que leva anos a construir pode destruir-se num ápice e exige um esforço redobrado para reerguer.

 

Portugal não terá prosperidade sem investimento na Educação

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:37 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Domingo, 13.01.13

 

 

 

1ª edição em 16 de Janeiro de 2012.

 

 

 

Racionalizar a despesa, detectar os "incompetentes" e acabar com as escolas como uma coutada esquerdista, foram três das obsessões que fizeram escola no MEC neste milénio e que mereceram o aplauso do mainstream. Ilusório, esconderijo de sobredotados incompreendidos e estado-de-sítio-pegagógico-organizacional-e-relacional foram os respectivos resultados e que nos empurraram para o estado em que estamos no sistema escolar. Não adianta escamotearem ou sequer atenuarem: quem está no terreno reconhece o desânimo que se apoderou e que vai para além da troika e da bancarrota.

 

Reduzir a despesa com cortes na massa salarial é um metabolismo básico. Quando falamos de desperdício no sistema escolar, falamos ainda de quê? Desde que haja abandono ou insucesso e desemprego após as certificações, o argumento de mau financiamento alimenta-se. E podíamos ficar a noite toda neste tipo de argumentação. "Sísifo" ensinou-nos, mas não aprendemos.

 

A massa crítica do MEC continua convencida que racionalizar com um mega-agrupamento por concelho é imperativo. Isso exigia toda uma lógica diferente de gestão: a começar pelos sistemas de informação das organizações e por outros instrumentos na relação com as pessoas (abandono do taylorismo, por exemplo). O que se vê é um amontoado que não comove o apuramento dos números e que abomina um conhecimento essencial à gestão: o das humanidades.

 

A lógica inerente à avaliação de professores, à gestão escolar e ao estatuto da carreira de professores, obedeceu à necessidade de redução da despesa e à detecção dos "incompetentes". Se é certo que a nossa sociedade tem dificuldade na relação olhos-nos-olhos, também não é errado afirmar que não se conhece qualquer auto-incompetente. E como passamos a vida a excluir e a nivelar por baixo, não nos devemos admirar com as falências cíclicas.

 

O terceiro painel deste tríptico, remete, obedecendo à contenção em caracteres, para 2008.

 

Cada vez me convenço mais que o corte na coluna vertebral dos professores, foi cozinhado numa qualquer loja lisboeta e que os figurantes mediatizados eram instrumentais. Só Freud explicará o que levou o arco-governativo a construir a percepção errada e devastadora de que o partido comunista mandava nas nossas escolas. Para além disso, convenceram-se que os professores do não superior eram uma massa-não-pensante e fácil de partir como o esparguete. Foi o que se viu. E o subconsciente nunca nos engana, como comprovam os efusivos e recentes abraços aos chineses do partido comunista (sem qualquer intenção pejorativa).



paulo guilherme trilho prudêncio às 10:19 | link do post | comentar | ver comentários (12) | partilhar

Quinta-feira, 27.12.12

 

 

 

 

 

 

 

É estranho ouvir dizer que se desconhece o que é o neoliberalismo e depois escutar os mesmos a teorizar sobre a avaliação de pessoas. Se não desconhecem a história, então há um qualquer interesse inconfessável.

 

Dizer que a avaliação das pessoas tem de ser uma exigência diária que institua a meritocracia, é uma linguagem bem-pensante e sedutora que se pode transformar em totalitária. Foi assim no caso France Telecom. A avaliação do desempenho profissional tem de ser discutida no âmbito da sua aplicabilidade. Para percebermos o que querem os ultraliberais, temos de os obrigar a determinarem com rigor a medição dos resultados da produção e a estabelecerem quem-avalia-quem. Nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático.

 

Quando essa espécie de políticos se escondem na negação do neoliberalismo, trazem à memória os outrora novos liberais que diziam que Keynes, Stuart Mill ou Adam Smith tinham sido liberais da mesma colheita anglo-saxónica.

 

Espalham-se duplamente. Os tempos são outros e os pensamentos dos autores citados têm de ser contextualizados.

 

As propostas que apareceram, evidenciaram o serviço do neo no neoliberalismo e sustentaram os argumentos dos que apontaram para um liberalismo contemporâneo que tem muito a ver com Milton Friedman e que está fora de Keynes, de Adam Smith ou de Stuart Mill.

 

É um liberalismo com neo que branqueia poderes privados não sufragados pelo voto e que estão acima de qualquer prestação de contas. Esses neoliberais só se importunam com o poder político, mesmo com o que tem legitimidade democrática.

 

É um liberalismo que "desconhece" a "cartelização de capitais" e que tem influência suficiente para nos penhorar a todos sem remissão. Pois é. É um liberalismo que justifica um prefixo ainda mais nocivo: ultra, por exemplo.

 

"cartelização de capitais", que também negarão servir, repito, é a que nos exige um soldo para termos direito ao oxigénio e ao emprego.






Este texto é inspirado noutro

post que escrevi há uns anos.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:08 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 17.12.12

 

 

 

Avaliação docente - dois despachos (8)



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:10 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 08.12.12

 

 

Avaliação docente - dois despachos (7)



paulo guilherme trilho prudêncio às 11:43 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 04.12.12

 

 

 

Ministério adia observação de aulas para o próximo ano lectivo

 

 

 

São os recuos de quem está impreparado para elevar a avaliação de professores e que prometeu em campanha eleitoral fazer diferente do modelo kafkiano e brutalmente injusto que tanto mal fez à escola pública.



paulo guilherme trilho prudêncio às 10:14 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Domingo, 02.12.12

 

 

 

Avaliação docente - dois despachos (6)



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:23 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 28.11.12

 

 

A avaliação de professores entrou no desmiolo conhecido. Já cansa mesmo. A única informação relevante é sobre o pedido de escusa por parte dos possíveis avaliadores. Concordo e ponto final.

 

Só faltava termos os sindicatos a pugnarem pela consideração das aulas observadas no desmiolo anterior e na enésima simplificação do inclassificável. É a tradicional resposta no universo-alpaca: contra minutas luta-se com minutas.



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:28 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Terça-feira, 27.11.12

 

 

 

 

O modelo hiperburocrático, brutalmente injusto e inaplicável de avaliação de professores inventado no consulado de Lurdes Rodrigues deixou marcas profundas.

 

O descrédito deste tipo de modelos associado à ideia de "escolher" os professores como troféu para o ciúme social criou uma atmosfera que nunca encarou de vez o ponto final do desmiolo.

 

Há anos que se assiste à teimosa simplificação do que nunca o será. A culpa é apenas do MEC? Não. Há demasiada gente no terreno que colabora activamente a começar pelo inenarrável Conselho de Escolas.



paulo guilherme trilho prudêncio às 15:43 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 25.11.12

 

 

Avaliação docente: dois despachos (5)



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:18 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Domingo, 18.11.12

 

 

As contradições nos diplomas da ADD



paulo guilherme trilho prudêncio às 13:44 | link do post | comentar | partilhar

 

 

Avaliação docente: dois despachos (4)



paulo guilherme trilho prudêncio às 12:42 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 11.11.12

 

 

Avaliação docente - dois despachos (3)



paulo guilherme trilho prudêncio às 10:17 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 03.11.12

 

 

Avaliação docente - dois despachos (2)



paulo guilherme trilho prudêncio às 10:35 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 30.10.12

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vi o ontem o jurista Paulo Saragoça da Matta, numa entrevista a Mário Crespo, defender a avaliação dos juízes. Fiquei com a ideia que é também professor de magistrados e advogou a pontuação dos seus pares como um caminho inalienável para a meritocracia e para os ganhos de credibilidade junto da opinião pública. No entanto, Paulo Saragoça da Matta foi enfático num se: é tudo muito interessante se (e frisou bem o se, arrastando-o até) o processo for sério.

 

Assisti a discursos semelhantes por parte de professores que nunca iam à génese da meritocracia, e muito menos à aplicabilidade destes modelos pontuáveis e infernais, e se deixavam envolver pelo temor de enfrentar a linguagem sedutora e bem-pensante dos totalitarismos. Há, como sabemos, modos de mobilizar pessoas que não passam pela meritocracia, só que dão trabalho e requerem convicções democráticas e alguma exemplaridade e competência.

 

O Governo reiterou ontem a intenção de pontuar os juízes pelo número de processos judiciais concluídos como um caminho para "o desta vez é que vai ser". Já estamos cansados desta parábola circular que volta e meia abala os alicerces da democracia que tanto nos custa a construir.

 

Ainda há dias manifestei a esperança na queda livre do espírito SIADAP com o fim da contabilização do número de multas na avaliação dos fiscais da EMEL. Disseram os responsáveis que o modelo teve "efeitos perversos"; pois.



paulo guilherme trilho prudêncio às 16:42 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 26.10.12

 

 

 

Olhás Grelhas Fresquinhas Da ADD!!! – Despacho N.º 13981/2012 E Despacho Normativo N.º 24/2012:



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:16 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Quinta-feira, 25.10.12

 

 

 

 

 

O lume brando a que os modelos neotayloristas, como o da avaliação de professores, sujeitavam os seus destinatários, fazia parte do metabolismo pré-negocial das centrais sindicais e dos partidos políticos do passado - as massas ficavam sempre prontas a protestar -. 

 

O problema é que os tempos recentes desnudaram a hipocrisia e o cinismo e não raramente os seus autores foram apanhados em situações de flagrante e juvenil embaraço. E é bom que se diga que estávamos a lidar com situações requintadas que maltrataram as relações profissionais num nível inédito.

 

Assistimos a um de virar de página.

 

Não haja ilusões. Como dizem Taylor e Saarinencriou-se uma mediatrix por uma espécie de revolução despercebida. Dizem os autores de Media Philosophy: "Velocidade, velocidade e mais velocidade. Seria possível uma revolução ter lugar tão rapidamente que ninguém desse por ela?".



paulo guilherme trilho prudêncio às 12:10 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 22.10.12

 

 

 

O espírito SIADAP (Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho na Administração Pública) está, inevitavelmente, em queda livre. Os sistemas como o SIADAP, mesmo que usem a linguagem sedutora e bem-pensante dos totalitarismos, esbarram na natureza humana e na necessidade de se colocar em lugar cimeiro os direitos humanos; pode é levar algum tempo e ceifar (estou a pesar bem) vidas.

 

O inferno da medição em que vivemos é um terreno fértil para os descomplexados competitivos que advogam o avanço das organizações assente em duas premissas (que nunca se aplicam aos próprios): exclusão dos inaptos e meritocracia.

 

É, portanto, natural que a aberração dos salários dos fiscais da EMEl dependerem da quantidade de multas seja considerada perversa e tenha chegado ao fim da linha. É que há modelos em que o faz de conta não funciona.



paulo guilherme trilho prudêncio às 15:33 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Segunda-feira, 15.10.12

 

 

 

Texto publicado na P2 de hoje



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:41 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 27.09.12

 

 

 

Os cortes e achamentos deste Governo no sistema escolar têm sido bem dissecados. A troika e a austeridade são as justificações dos poucos que ainda defendem o estado de sítio vigente.

 

Mas há assuntos que só de forma muito remota se ajustam à argumentação referida. O estatuto do aluno e da ética escolar e o modelo de avaliação do desempenho dos professores são dois exemplos que, e de modo humorado, até se relacionam. E a conclusão é consensual: nada mudou no inferno burocrático que se viveu nos últimos anos, o que nos leva ao lugar mais conhecido da primeira década do milénio: o bloco central e os seus apêndices são as faces da mesma moeda nestes domínios. O clientelismo partidário gera uma legião de assessores (alguns descoloridos com oportunidade), a colocação na traquitana do MEC obedece ao mesmo critério e não resiste à lógica yesminister.

 

Há quem teime em não acreditar que a incompetência do legislador é transversal.

 

As críticas ao poder vigente pautam-se pelos votozinhos. Foi muito assim nos últimos anos, tenho ideia que não há qualquer sinal de mudança e só podemos anuir quando nos dizem que a "escola" é a mesma.

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:45 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 26.09.12

 

 

 

Pode conhecer aqui (digo conhecer de forma pensada; é o primeiro patamar da taxonomia de Bloom e aos outros duvido que cheguemos) os percentisoutrora cotas, para a avaliação de professores.



paulo guilherme trilho prudêncio às 18:32 | link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Domingo, 23.09.12

 

 

 

 

Se o célebre monstro burocrático denominado de ADD (avaliação do desempenho) não se tivesse destinado apenas a professores (embora o SIADAP vá infernizando a vida de muita gente que não consegue escapar ao generalizado faz-de-conta), tinha caído sem exigir o esforço quase heróico de muitos dos destinatários do desmiolo. A TSU teve um carácter geral e implodiu num instante.

 

É natural que se estabeleça uma analogia, com oportunidade e sentido de humorentre os modelos de ADD e de TSU. O que mais me interessa sublinhar, é a semelhante lucubração por parte de académicos que vivem numa estratosfera burocrática, com benesses ilimitadas que os tornam despreocupados e muito ocupados, tão nefasta como as que originaram os diversos totalitarismos.

 

Resumindo: de gabinete em gabinete até que a experimentação os impluda. O que é grave, é que pelo meio há vidas humanas que são dilaceradas por quem se entretém a brincar aos laboratórios sociais.

 

Um professor, salvo erro o Aires Magalhães, baptizou o modelo de ADD de metro de Paris (adivinhou no local de exílio do chefe dos mentores). Ontem, no Expresso, o Rodrigo de Matos viu assim a TSU e o vendedor do modelo, o tal de Vitor Gaspar.

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 16:03 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 18.09.12

 

 

 

O grau de redundância afere a qualidade de uma cultura organizacional. A gestão da informação, como pilar fundamental, tem de considerar a repetição como a componente crítica a eliminar. Não há nada mais nefasto para o utilizador informado do que a inutilidade das tarefas.

 

São vários os exemplos que ilustram o baixo nível organizacional de uma escola: o encarregado de educação que disponibiliza o nome e o número de telefone no acto de matrícula e que sempre que participa numa reunião vê passar um papel onde é solicitada a inserção desses dados; o professor de educação especial que quando produz um documento público com um apoio educativo tem de digitalizar o nome do aluno; o professor director de turma que preenche os documentos inventados pela má burocracia (planos de recuperação ou projectos curriculares de turma, por exemplo) com repetição de dados que estão lançados numa qualquer base de dados. E podia ficar aqui o dia todo a apresentar exemplos. 

 

Um nome (de aluno, de encarregado de educação, de professor ou de funcionário) deve ser digitalizado apenas uma vez durante a sua permanência como  membro da organização. Deste simples exercício de avaliação pode retirar-se um mundo de conclusões.

 

 

 

(Parte deste texto foi publicado numa edição em 18 de Outubro de 2010)



paulo guilherme trilho prudêncio às 11:24 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 17.09.12

 

 

 

Um comentário a este post de Fevereiro de 2010, recordou-me como a manipulação de uns quantos pode dilacerar a vida de muitos. Não é fácil combater os dogmas e é ainda mais difícil ter a coragem para usar os nomes que o bom senso indica.

 

Fui reler a entrevista inserida no post e trouxe a resposta de Christophe Dejours à última pergunta. É evidente que a avaliação individual no desempenho organizacional é o subterfúgio da desmobilização, da não cooperação e da ausência de liderança.

 

 

"(...) O que fizeram? 
Abandonaram a avaliação individual – aliás, esses patrões estavam totalmente fartos dela. Durante um encontro que tive com o presidente de uma das empresas, ele confessou-me, após um longo momento de reflexão, que o que mais odiava no seu trabalho era ter de fazer a avaliação dos seus subordinados e que essa era a altura mais infernal do ano. Surpreendente, não? E a razão que me deu foi que a avaliação individual não ajuda a resolver os problemas da empresa. Pelo contrário, agrava-os. (...)."




Já usei parte deste texto noutro post.



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:31 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 18.07.12

 

 

 

 

Este email vem identificado e só não escrevo o nome da autora para não a expor mais.

 

Olá Paulo!
Espero não o incomodar com este mail, mas é do género "é agora ou nunca". Estava eu há pouco nos profslusos e espreitei outros blogs sobre educação e novidades e desgraças para os contratados e até que vi a sua página sobre avaliação do desempenho docente. Este tema desde julho passado que me faz arrepiar!
Sou professora contratada numa escola TEIP no grupo 400- História e tive no ano passado como avaliador um prof. de Geografia que é o Coordenador de Departamento. Eu e mais duas colegas do meu grupo.
Como nos 2 anos anteriores estive a dar aulas na Madeira, a avaliação era algo quase desconhecido para mim. Lá fiz o meu relatoriozinho com todas as evidências a que tive direito e, como não tive um ano nada fácil, por motivos de saúde fui operada e tive um irmão com cancro em estado terminal que como sabe quem por lá passa não é fácil... com os antidepressivos para aguentar os filhos, os alunos PIEF, e a dor de ver alguém tão amado a sofrer e apoiar os meus pais que perdiam o seu 2º filho, etc...
No dia da fatídica entrevista com o colega, este começou por me saudar dizendo, e estas são frases que no meio da incredulidade e humilhação consegui reter na minha memória: " Olha ...a minha impressão é a de que te andaste a arrastar o ano todo, Penso que não deste o teu melhor...Queixavas-te imenso dos teus alunos PIEF...Vi-te muitas vezes sentada no sofá enquanto as tuas colegas estavam no computador... Durante os conselhos de turma achei que alteraste algumas notas de forma um tanto ao quanto leviana e sem mostrares o rigor necessário... Não realizaste nenhuma visita de estudo nem fazes parte de nenhum clube...foste a única que ao longo do ano me pediste para sair mais cedo de uma reunião de departamento (para ir a um velório,  reunião pós-laboral que já durava há mais de 2 horas na qual pedi logo no início), ...E, também, no dia da entrega do relatório de auto avaliação foste a última a entregar!" (bom...alguém tinha de ser o último!!)  A conversa seguia nestes moldes quando eu finalmente consegui balbuciar " Olha para que estás com esses ataques eu nem sequer pedi aulas assistidas...não está em causa a minha  nota devido às cotas aqui da escola !" Ao que ele me respondeu:" Olha, não vás por aí porque pelo que eu me andei a informar sobre as tuas aulas, elas até nem eram grande coisa!" ......As acusações continuaram com argumentações mesquinhas que nunca imaginei um colega de trabalho ser capaz. Ainda me "compensou" dizendo que estava a ter em conta a minha situação e a morte do meu irmão!
A sensação que tive foi de uma grande humilhação. Chorei por desespero e por pena de mim. Apresentou-me a pontuação de 7.1 valores. Mas não foi a pontuação, mas a forma que ele encontrou de me descartar. O facto é o seguinte: éramos 3 professoras e neste ano só haveria lugar para duas, sendo que a outra era novinha e disponível...e mais não digo! Meses antes uma colega veterana da escola perguntou-me quem era o meu avaliador ao que me respondeu "estás f.....porque ele só gosta de colegas novinhas..." Passei um mau bocado e sabe o pior? amanhã volto a ter entrevista com ele... é de novo o meu avaliador. Arrependo-me amargamente de não ter reclamado, fica comigo até ao juízo final! Desta vez vou reclamar e pedir todas as argumentações por escrito.
Desculpe o desabafo, pois já me sinto mais aliviada para encontrar a fera!
Um abraço!


paulo guilherme trilho prudêncio às 23:25 | link do post | comentar | ver comentários (12) | partilhar

 

 

 

 

O que vi nestes dias, e na relação com o site da DGRHE, impõe a seguinte reedição:

 

Não sei se o caso France Telecom foi consciente. Não tenho dados para o veredicto. Do mesmo modo, permito-me dar lugar aos que especulam que o que se viveu em Portugal nos últimos anos não foi premeditado embora com resultados igualmente desastrosos. O que mais me impressionou neste período, e que me oxigenou a não desistência, foi a generalização do medo. O pavor de existir é a mais nefasta herança desta governação.

 

A má burocracia corporizada em amontoados de grelhas anula o indivíduo e o seu inatismo cooperativo e gregário. Institucionaliza o formulário com campos sem fim e em que o erro num deles pode sentenciar a reprovação, a vergonha e a imobilidade na progressão na carreira. Sobrecarregar o indivíduo com burocracia associada a uma pirâmide clientelar e preenchida por uma ficção em forma de ferro, venera a bajulação, exclui a dignidade e impede qualquer veleidade à inovação, à inteligência e ao primeiro atributo do conhecimento da razão: a liberdade. É a pensar na liberdade que votarei e na esperança que este trágico capítulo se feche.

 

(1ª edição em 3 de Junho de 2011)



paulo guilherme trilho prudêncio às 18:39 | link do post | comentar | ver comentários (26) | partilhar

Sexta-feira, 13.07.12

 

 

 

Com o sistema escolar mergulhado num caos organizacional e com grande parte dos seus profissionais a viveram uma devastadora amargura, o MEC, em finais de Julho, debita um rol de legislação e justifica a ausência de componente lectiva nos serviços centrais. 

 

Concurso anual de mobilidade interna (Kafka no seu melhor de quem prometeu eliminar o "processo") 

Crédito destinado às assessorias 

Bolsa de avaliadores 

Avaliação dos docentes - ponderação curricular (Regresso também Kafkiano e de inspiração relvista: d) O exercício de cargos dirigentes ou outros cargos ou funções de reconhecido interesse público ou relevante interesse social.) 

Avaliação dos directores (a estratosfera voltou a descer à terra) 

 

Conclusão: é sempre possível descer graus abaixo de zero.

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:01 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quarta-feira, 20.06.12

 

 

 

Quando alguém deste Governo diz que um modelo de avaliação é mau, temos de duvidar do que vai acontecer. É que Passos Coelho, o tal do Kafkiano, mentiu em campanha eleitoral e pode ter feito escola.

 

Há dias fiz este post, "O SIADAP, os sem voz e o clima organizacional", em que escrevi assim: "(...)Os grupos profissionais mais capazes de ocupar espaço no mundo mediático, como os professores, os médicos ou os juízes, conseguiram derrubar o desmiolo ou adiar sine die a sua concretização. (...)A avaliação do desempenho dos assistentes administrativos e operacionais está entregue ao arbitrário, à injustiça, à falta de profissionalismo ou de sensatez dos avaliadores, à imensurabilidade dos indicadores, à dilaceração das cotas e por consequência à bajulação, ao despotismo e à utilização da hierarquia como instrumento de sujeição do outro. O que há de pior no clima organizacional é estimulado e consolidado pelo SIADAP.(...)"

 

A sensação que tenho é que o espírito do SIADAP é tão mau que só pode cair. Espera-se não só que caia, mas que sejam anulados todos os seus resultados e efeitos. E repare-se no discurso de um dos mentores: a estratosfera estava certa, os humanos é que se dão mal com práticas totalitárias.

 

Governo vai rever avaliação dos funcionários públicos

 

 

"O secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, anunciou esta quarta-feira que o Governo vai rever o Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho da Administração Pública (SIADAP) por ser “extremamente burocrático”.

(...)Nesse sentido, Hélder Rosalino afirmou que o Governo vai negociar com os sindicatos a revisão do SIADAP, uma vez que este sistema se baseia no “cumprimento de objectivos que não têm reflexo na vida dos funcionários”, uma vez tanto as progressões na carreira quer a atribuição de prémios de desempenho estão congelados. O SIADAP foi criado em 2004 no Governo de Durão Barroso e alterado na primeira legislatura de José Sócrates. A sua aplicação suscitou vários problemas, mas no balanço apresentado em 2009 concluía-se que mais de 90% dos trabalhadores da administração central tinham sido avaliados.

(...)“O sistema foi aplicado. Outra discussão que se abre a seguir é se foi bem ou mal aplicado”, disse o secretário de Estado da Administração Pública da altura, Gonçalo Castilho dos Santos."



paulo guilherme trilho prudêncio às 20:35 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Terça-feira, 12.06.12

 

 

 

Uma entrevista a Christophe Dejours, no antigo P2 do Público, foi ao osso do Taylorismo (bem sei que talvez Frederick Taylor tenha as costas largas, que deveria ser avaliado com o pensamento do seu tempo, por aquilo que defendeu e não pelo que fizeram com as suas teorias, embora a lógica empresarial em que "uns quantos, poucos, apenas pensam, e uns tantos, muitos, apenas fazem" tenha provocado inúmeras dilacerações relacionais) e deixou a comunidade que se interessava pela gestão das organizações em estado de choque.

 

A blogosfera também reagiu e, como pode ler aqui, o acento tónico foi óbvio: a entrevista apenas constatou o que há muito se sabia. E o mais grave, é que esse "modus operandi" empresarial foi incutido à força nos outros espíritos planetários.

 

É uma entrevista imperdível. Apresento-a reduzida de acordo com os meus critérios.

 

 

Psiquiatra, psicanalista e professor no Conservatoire National des Arts et Métiers, em Paris, Christophe Dejours dirige ali o Laboratório de Psicologia do Trabalho e da Acção – uma das raras equipas no mundo que estuda a relação entre trabalho e doença mental. Esteve há dias em Lisboa... (...) ...falou do sofrimento no trabalho. Não apenas do sofrimento enquanto gerador de patologias mentais ou de esgotamentos, mas sobretudo enquanto base para a realização pessoal.(...)

O suicídio ligado ao trabalho é um fenómeno novo? 
O que é muito novo é a emergência de suicídios e de tentativas de suicídio no próprio local de trabalho. Apareceu em França há apenas 12, 13 anos. E não só em França – as primeiras investigações foram feitas na Bélgica, nas linhas de montagem de automóveis alemães. É um fenómeno que atinge todos os países ocidentais. O facto de as pessoas irem suicidar-se no local de trabalho tem obviamente um significado. É uma mensagem extremamente brutal, a pior do que se possa imaginar – mas não é uma chantagem, porque essas pessoas não ganham nada com o seu suicídio. É dirigida à comunidade de trabalho, aos colegas, ao chefe, aos subalternos, à empresa. Toda a questão reside em descodificar essa mensagem. 

Afecta certas categorias de trabalhadores mais do que outras? 
Na minha experiência, há suicídios em todas as categorias – nas linhas de montagem, entre os quadros superiores das telecomunicações, entre os bancários, nos trabalhadores dos serviços, nas actividades industriais, na agricultura.(...) 

O que é que mudou nas empresas? 
A organização do trabalho. Para nós, clínicos, o que mudou foram principalmente três coisas: a introdução de novos métodos de avaliação do trabalho, em particular a avaliação individual do desempenho; a introdução de técnicas ligadas à chamada “qualidade total”; e o outsourcing, que tornou o trabalho mais precário. 

A avaliação individual é uma técnica extremamente poderosa que modificou totalmente o mundo do trabalho, porque pôs em concorrência os serviços, as empresas, as sucursais – e também os indivíduos. E se estiver associada quer a prémios ou promoções, quer a ameaças em relação à manutenção do emprego, isso gera o medo. E como as pessoas estão agora a competir entre elas, o êxito dos colegas constitui uma ameaça, altera profundamente as relações no trabalho: “O que quero é que os outros não consigam fazer bem o seu trabalho.” 

Muito rapidamente, as pessoas aprendem a sonegar informação, a fazer circular boatos e, aos poucos, todos os elos que existiam até aí – a atenção aos outros, a consideração, a ajuda mútua – acabam por ser destruídos. As pessoas já não se falam, já não olham umas para as outras. E quando uma delas é vítima de uma injustiça, quando é escolhida como alvo de um assédio, ninguém se mexe…

Mas o assédio no trabalho é novo? 
Não, mas a diferença é que, antes, as pessoas não adoeciam. O que mudou não foi o assédio, o que mudou é que as solidariedades desapareceram. Quando alguém era assediado, beneficiava do olhar dos outros, da ajuda dos outros, ou simplesmente do testemunho dos outros. Agora estão sós perante o assediador – é isso que é particularmente difícil de suportar. O mais difícil em tudo isto não é o facto de ser assediado, mas o facto de viver uma traição – a traição dos outros. Descobrimos de repente que as pessoas com quem trabalhamos há anos são cobardes, que se recusam a testemunhar, que nos evitam, que não querem falar connosco.(...) 

Uma formação para o assédio? 
Exactamente. Há estágios para aprenderem essas técnicas. Posso contar, por exemplo, o caso de um estágio de formação em França em que, no início, cada um dos 15 participantes, todos eles quadros superiores, recebeu um gatinho. O estágio durou uma semana e, durante essa semana, cada participante tinha de tomar conta do seu gatinho. Como é óbvio, as pessoas afeiçoaram-se ao seu gato, cada um falava do seu gato durante as reuniões, etc.. E, no fim do estágio, o director do estágio deu a todos a ordem de… matar o seu gato. 

Está a descrever um cenário totalmente nazi... 
Só que aqui ninguém estava a apontar uma espingarda à cabeça de ninguém para o obrigar a matar o gato. Seja como for, um dos participantes, uma mulher, adoeceu. Teve uma descompensação aguda e eu tive de tratá-la – foi assim que soube do caso. Mas os outros 14 mataram os seus gatos. O estágio era para aprender a ser impiedoso, uma aprendizagem do assédio.(...) 

E os sindicatos? 
Penso que os sindicatos foram em parte destruídos pela evolução da organização do trabalho. Não se opuseram à introdução dos novos métodos de avaliação. Mesmo os trabalhadores sindicalizados viram-se presos numa dinâmica em que aceitaram compromissos com a direcção. Em França, a sindicalização diminuiu imenso – as pessoas já não acreditam nos sindicatos porque conhecem as suas práticas desleais.(...)

Falou de “qualidade total”. O que é exactamente?
É uma segunda medida que foi introduzida na sequência da avaliação individual. Acontece que, quando se faz a avaliação individual do desempenho, está-se a querer avaliar algo, o trabalho, que não é possível avaliar de forma quantitativa, objectiva, através de medições. Portanto, o que está a ser medido na avaliação não é o trabalho. No melhor dos casos, está-se a medir o resultado do trabalho. Mas isso não é a mesma coisa. Não existe uma relação de proporcionalidade entre o trabalho e o resultado do trabalho. 

É como se em vez de olhar para o conteúdo dos artigos de um jornalista, apenas se contasse o número de artigos que esse jornalista escreveu.(...).

Os médicos sempre foram considerados uma classe muito solidária… 
Foram. Já não são. Eu trabalhei anos nos hospitais, e adorava trabalhar lá, porque existia um espírito de equipa fantástico. Éramos felizes no nosso trabalho. Hoje, as pessoas não querem trabalhar nos hospitais, não querem fazer bancos, tentam safar-se. São todos contra todos. Bastaram uns anos para destruir a solidariedade no hospital. O que aconteceu é aterrador.

O que é importante perceber é que a destruição dos elos sociais no trabalho pelos gestores nos fragiliza a todos perante a doença mental. E é por isso que as pessoas se suicidam. Não quer dizer que o sofrimento seja maior do que no passado; são as nossas defesas que deixaram de funcionar.

Portanto, as ferramentas de gestão são na realidade ferramentas de repressão, de dominação pelo medo. 
Sim, o termo exacto é dominação; são técnicas de dominação.

Então, é preciso acabar com essas práticas? 
Eu não diria que é preciso acabar com tudo. Acho que não devemos renunciar à avaliação, incluindo a individual. Mas é preciso renunciar a certas técnicas. Em particular, tudo o que é quantitativo e objectivo é falso e é preciso acabar com isso. Mas há avaliações que não são quantitativas e objectivas – a avaliação dos pares, da colectividade, a avaliação da beleza, da elegância de um trabalho, do facto de ser conforme às regras profissionais. Trata-se de avaliações assentes na qualidade e no desempenho do ofício. Mesmo a entrevista de avaliação pode ser interessante e as pessoas não são contra. 

Mas sobretudo, a avaliação não deve ser apenas individual. É extremamente importante começar a concentrar os esforços na avaliação do trabalho colectivo e nomeadamente da cooperação, do contributo de cada um. Mas como não sabemos analisar a cooperação, analisa-se somente o desempenho individual.(...)


Não haverá por detrás desta nova organização do trabalho objectivos de controlo das pessoas, de redução da liberdade individual, que extravasam o âmbito empresarial? 
É uma questão difícil. Acho que qualquer método de organização do trabalho é ao mesmo tempo um método de dominação. Não é possível dissociar as duas coisas. Há 40 anos que os sociólogos trabalham nisto. Todos os métodos de organização do trabalho visam uma divisão das tarefas, por razões técnicas, de racionalidade, de gestão. Mas não há nenhuma divisão técnica do trabalho que não venha acompanhada de um sistema de controlo, em virtude do qual as pessoas vão cumprir as ordens.

Há tecnologias da dominação. O sistema de Taylor, ou taylorismo, é essencialmente um método de dominação e não um método de trabalho. O método de Ford é um método de trabalho.

Contudo, não penso que a intenção do patronato (francês, em particular), nem dos homens de Estado seja instaurar o totalitarismo. Mas é indubitável que introduzem métodos de dominação, através da organização do trabalho que, de facto, destroem o mundo social.

Qual é a diferença entre taylorismo e fordismo? 
Taylor inventou a divisão das tarefas entre as pessoas e a interposição, entre cada tarefa, de uma intervenção da direcção, através de um capataz. Há constantemente alguém a vigiar e a exigir obediência ao trabalhador. A palavra-chave é obediência. “Quando eu disser para parar de trabalhar e ir comer qualquer coisa, você vai obedecer. Se concordar, será pago mais 50 cêntimos pela sua obediência.” A única coisa que importa é a obediência. O objectivo é acabar com o ócio, os tempos mortos.

Só muito mais tarde é que Ford introduziu uma nova técnica, a linha de montagem, que é uma aplicação do taylorismo. Na realidade, não é o progresso tecnológico que determina a transformação das relações sociais, mas a transformação das relações de dominação que abre o caminho a novas tecnologias. 

O toyotismo [ou Sistema Toyota de Produção] utiliza um outro método de dominação, o ohnismo [inventado por Taiichi Ohno (1912-1990)], diferente do taylorismo. É um método particular que extrai a inteligência das pessoas de uma forma muito mais subtil que o taylorismo, que apenas estipula que há pessoas que têm de obedecer e outras que mandam.(...)

O que fizeram? 
Abandonaram a avaliação individual – aliás, esses patrões estavam totalmente fartos dela. Durante um encontro que tive com o presidente de uma das empresas, ele confessou-me, após um longo momento de reflexão, que o que mais odiava no seu trabalho era ter de fazer a avaliação dos seus subordinados e que essa era a altura mais infernal do ano. Surpreendente, não? E a razão que me deu foi que a avaliação individual não ajuda a resolver os problemas da empresa. Pelo contrário, agrava as coisas.(...).

 

(Utilizei este texto num post em 21 de Fevereiro de 2010)



paulo guilherme trilho prudêncio às 10:58 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 30.05.12

 

 

 

Se o ímpeto da prepotência dá sinal de vida a quem dirige o que quer que seja, a relação com a eterna questão da verificação do carácter no exercício de um qualquer poder ganha ainda mais relevância.

 

Normalmente, o efeito boomerang dirigido ao despotismo é devastador.

 

Já vivi vários tempos de mudança em democracia e também em revoluções mais ou menos marcadas por injustiças seculares. Quando os períodos de poder são mais fracos (menos competentes, menos legitimados ou menos democráticos), o que se segue pode misturar uma espécie de caça às bruxas com as tentativas de passagem rápida para um lado conveniente.

 

O sistema escolar português viveu, desde 2006, um período marcado pela relação referida. Foram vários os que se embriagaram e que navegaram as ondas dos agrupamentos, da gestão escolar ou da avaliação de professores e evidenciarem a sua formação antidemocrática (sim, estou a pesar bem o que escrevo).

 

Vejo-os a regressar em tom inflamado e a insurgirem-se contra a passividade dos professores. São vozes que pululam entre o partido que foi Governo com maioria absoluta e os sindicatos da Fenprof (haverá quem pertença às direcções de outros). Não está sequer em causa o direito de cada um exercer os cargos em que entende ser útil, o que constato é o tempo aceleradíssimo que vivemos.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:50 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 18.05.12

 

 

 

A legitimidade democrática atribui poderes que permitem tomar decisões que influenciam a vida das pessoas e das organizações. Há decisores eleitos que se sentem empossados de um poder sem limites, dando crédito à seguinte expressão: a melhor forma de conhecer o carácter de alguém é dar-lhe um qualquer poder.

 

Foi assim em 2005 em Portugal, em que uma maioria absoluta se viu em circunstâncias majestáticas e beneficiou, durante três anos, de uma incontestável autoridade. É precisamente nesses momentos que o atrevimento se pode manifestar de forma arrasadora (sim, pesei bem o adjectivo), como foi o caso de José Sócrates e Maria L. Rodrigues no sistema escolar.

 

Dá ideia que a presente maioria beneficiou de um período imperial muito inferior e isso significa que aprendemos alguma coisa com os erros. Mas quem estudar com atenção o actual modelo de gestão escolar, verificará que se abrem portas a que atrevimentos semelhantes, mais ou menos legitimados pelos votos, coloquem as nossas escolas em estado de sítio.

 

É sempre bom recordar que a sociedade portuguesa é em Portugal, que não eliminámos o analfabetismo no século XVIII e que temos a organização territorial mais caótica do outrora chamado mundo desenvolvido.



paulo guilherme trilho prudêncio às 16:34 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 14.05.12

 

 

 

 

A frase de Christopher Hitchens (2009:251), em "Deus não é grande, como a religião envenena tudo", da Dom Quixote, "(...)O princípio essencial do totalitarismo é fazer leis às quais é impossível obedecer (...)" proporciona uma interressante discussão. 

 

Em 25 de Outubro de 2009, aqui, escrevi o seguinte:

 

Mas com a velocidade com que se legisla, e nisso o quase "extinto" ME foi imbatível, e com a consequente falta de qualidade das leis é natural que os destinatários do direito se interroguem com a sua vigência. Faz tempo que o direito tem vindo a abandonar a visão positivista do primado absoluto da lei para integrar uma concepção mais moderna que se pode designar por um "ir e vir constante entre a norma e o caso".

Neste sentido, as fontes que socorrem a capacidade de decisão dos juízes continuam as ser as normas, mas também a jurisprudência e a jurisprudência dogmática (ou doutrina). Ou seja, para além das normas deve considerar-se cada caso em si e também a ciência jurídica produzida pelos jurisconsultos.

 

Lançados alguns argumentos para o contraditório, importa sublinhar que os totalitarismos não se estabelecem sem a "vontade" da maioria das pessoas. É trágico, mas é assim. Embora a história nos mostre com frequência o aparecimento de um "profeta", também nos explica que as sociedades vão criando um caldo propício às ditaduras, venham elas donde vierem. Desde logo, e pegando na frase de Christopher Hitchens, pela construção de leis impossíveis de obedecer e por práticas anti-democráticas ou corruptas (para os dois últimos casos, nem são precisos exemplos).

 

No caso vigente do sistema escolar, podemos pegar no monstro da avaliação dos professores ou no desastroso modelo de gestão escolar, passando pelo estatuto do aluno. São casos de impossibilidade que criaram um estado de sítio legislativo. Só o fingimento permite o "cumprimento" legal ou abrem portas aos oportunismos mais variados. Não podemos acusar de premeditação totalitarista os seus inventores, mas temos de considerar todas as hipóteses e dizer-lhes que não nos temos cansado de avisar.

 

(1ª edição em 27 de Janeiro de 2012)

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 11:27 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 11.03.12

 

 

Quando me solicitaram que divulgasse as perguntas da semana a Marcelo Rebelo de Sousa fui taxativo: faço-o, mas tenho ideia que o analista é tão bullshit e cata-vento que ainda vira o assunto do avesso.

 

Estive com atenção e confirmei as minhas reservas. Quando abordou o assunto dos concursos de professores, Marcelo Rebelo de Sousa até me arrepiou com a injustiça que usou como argumento: os professores das escolas do Estado até ficam beneficiados em relação aos das escolas com contrato de associação porque têm a bonificação da avaliação, coisa que não ocorreu com crédito nas escolas "privadas"(aqui deu-me vontade de rir, salvo seja, ao lembrar-me da prosápia com a avaliação dos privados). Este bullshit que arrepia teve, é bom que se diga, a assinatura de todos os sindicatos e a veneração de milhares de professores.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:11 | link do post | comentar | ver comentários (14) | partilhar

Quinta-feira, 01.03.12

 

 

Passei a tarde de ontem numa Direcção Regional de Educação como membro de um júri especial de recurso no âmbito da avaliação de desempenho de professores. Foi das poucas vezes que tive uma participação formal na coisa Kafkiana e de brutal injustiça, como foi classificada pelo actual primeiro-ministro.

 

Quando, em 2007, o monstro começou a dar sinais, os meus colegas elegeram-me coordenador de departamento curricular. Isso implicava que fosse avaliador e que frequentasse as primeiras acções de formação. Percebi que estávamos em presença de uma coisa monstruosa e fui, ao longo do tempo, tomando posições algo arriscadas e que só a mim me comprometiam.

 

Aceitei a participação formal que ontem se verificou por convite de um professor. Concluo, pela enésima vez, que o modelo de avaliação de professores é um somatório de absurdos que se desenvolve em vários patamares. Por muitos cortes que leve, a injustiça derivada da imensurabilidade dos indicadores não é eliminada. É incompreensível que na nova versão se reconheça que a farsa não pode ter efeitos nos concursos dos professores do quadro, mas que continue a dilacerar a vida dos professores contratados.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:37 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sábado, 25.02.12

 

E concluo: o metro de Paris sem a linha azul.

 

Esquema completo da nova ADD



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:28 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quinta-feira, 23.02.12

 

 

 

 

 

Ouvi, e vi, o médico Sobrinho Simões na pele de senador da República. Mostrou-se favorável à prestação de contas das direcções escolares em relação às comunidades educativas através da avaliação dos directores pelo conselhos gerais. O seu discurso estava num tal nível bem-pensante e irrefutável que levou a entrevistadora ao recurso inevitável: as corporações, como no passado recente, é que complicam.

 

Mas eis que tiveram uma espécie de rebate de consciência: é preciso que os modelos sejam aplicáveis, disseram quase em uníssono. Sobrinho Simões mudou de tom e começou a explicar a impossibilidade de medir o acto médico e a inexequibilidade e a brutal injustiça do modelo de avaliação em curso. Foi pena que o tempo mediático o interrompesse.

 

Não sei o que se passa nos conselhos gerais das universidades, dos hospitais ou da EDP. Sei que nas escolas dos ensinos básico e secundário a avaliação dos directores começou por ficar a cargo dos directores regionais. Uma coisa insana, como se previa. Pontuar anualmente centenas de gestores escolares é uma tarefa para inumanos. Caiu sem apelo.

 

O que agora se achou é de outra dimensão. Os conselhos gerais das escolas têm cerca de 50% (menos um bocado) de membros com vínculo à instituição (docentes e não docentes) que serão avaliados pelo director e que depois o avaliam. Vai ser bonito e bem lusitano. Os restantes membros são desvinculados, podem abandonar o cargo quando bem lhes apetecer, não têm de evidenciar formação especializada, não prestam contas, mas avaliam. É a tal dimensão, desta vez potenciada à quinta e talvez inspirada no sempre presente Quinto Império.



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:41 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 22.02.12

 

 

A avaliação de desempenho de professores é a farsa que se sabe. É positivo o facto do novo decreto-lei determinar que as menções de excelente e de muito bom não têm efeitos nos concursos dos professores do quadro, mas a descriminação em relação aos professores contratados é que já cansa. E depois diz-se uma série de coisas em relação aos jovens adultos e por aí fora. Esta sociedade está doente, não protege há muito os mecanismos intergeracionais e só podia caminhar para a falência.

  

Encontrei a imagem aqui



paulo guilherme trilho prudêncio às 10:05 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Terça-feira, 21.02.12

 

 

ECD e ADD publicados hoje

 

O Arlindo Ferreira considera uma partida de carnaval e com toda a razão.



paulo guilherme trilho prudêncio às 14:46 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 03.02.12

 

 

 

Não são as profissões que fazem as pessoas e, a exemplo da generalidade das actividades, também no ensino a excelência não é totalidade e ainda bem. Os humanos são o que são e a vida é um bem precioso e imperfeito.

 

Se houve despesa a mais no sistema escolar, deveu-se à massa salarial e não ao orçamento das escolas. Os professores geriram as escolas durante a massificação democrática com autênticos milagres financeiros; como profissionais, não têm culpa do estado de desvario para onde foram empurradas as contas do país.

 

Quem contrariou o que apresentei porque a "culpa" era dos docentes, construiu, nos últimos anos, políticas que destruíram o sistema escolar; está comprovado. Tiveram o apoio do arco governativo e resultou em perda de confiança nos professores. Sempre que se mediatiza um caso de agressão a um professor, os autores das nefastas políticas fogem do essencial e refugiam-se em panaceias. Hoje conhecemos que os especialistas-instantêneos do PSD e do CDS querem dar poderes "policiais" aos professores.

 

Recuperar a confiança nos professores passa por eliminar os diplomas que os fragilizaram numa sociedade onde ainda impera um "caciquismo" que nos atemoriza quando pensamos em avançar para uma organização administrativa do país com decência e modernidade. A nossa sociedade tem as suas características e desconhecê-las é fatal.

 

O modelo de gestão escolar retirou, objectivamente, poder aos professores e criou um clima propício à desconfiança. Só quem não está no terreno é que desconhece os efeitos devastadores quando a coisa é "levada a sério". A má burocracia pedagógica inutilizou a palavra dos professores, a avaliação do desempenho colocou "na rua" a sua dignidade profissional e o estatuto do aluno instituiu o conceito de igualdade, em detrimento do de alteridade, na relação pedagógica; há mais de 50 anos que se avisa que essa alteração é perigosíssima para a democracia.

 

E podíamos elencar uma série de argumentos semelhantes. Dá ideia que das três uma: desconhecem mesmo o que fazer, concordam com o desastre que aconteceu ou esperam pela próxima campanha eleitoral.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:30 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 15.01.12

 

 

 

Numa interessante entrevista a uma professora finlandesa, aqui, que residiu na Foz do Arelho, encontrei algumas pérolas que passam ao lado da amálgama que tomou conta do poder na nossa democracia: as artes não são consideradas desperdício financeiro na Finlândia e o modelo de avaliação dos professores portugueses é considerado uma coisa "horrível". 

 

GC: Qual a sua opinião sobre o sistema educativo português?
LK:
 Acho que o sistema português é bom e em muitas coisas similar ao finlandês.

Eu trabalho numa escola secundária mas aqui os alunos são mais velhos. Eu só ensino arte e noto que aqui é uma espécie de especialização enquanto que na Finlândia, toda a gente estuda arte. Os meus alunos têm entre 13 a 15, enquanto que cá são mais velhos. Na Bordalo Pinheiro têm a oferta de mais especializações.

GC: O que acha sobre a avaliação dos professores?
LK:
 Acho que a avaliação dos professores é algo horrível. Não temos isso na Finlândia. Creio que o sistema existente não leva a nada, a não ser à tristeza e isso não é bom. Não se avalia o trabalho de um professor mas sim a pessoa e a sua personalidade. Acho que até pode existir um sistema de avaliação mas contando com o próprio professor. No mundo das Artes, os professores são muito motivados e acho mal que exista um sistema como há aqui em Portugal. Gostaria de saber de onde vem isto pois deve ser de alguém que nunca esteve numa sala de aula.



paulo guilherme trilho prudêncio às 12:56 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Quinta-feira, 05.01.12

 

 

Se protestam muito ainda apanham com o SIADAP (sistema integrado de gestão e avaliação do desempenho na Administração Pública). Era assim que muitos socialistas, crentes fervorosos das políticas de J. Sócrates, tentavam anestesiar a luta dos professores no momento mais sobreaquecido. O link que indiquei remete para uma série de entradas que fiz sobre o desmiolado e totalitário SIADAP (peso bem o que escrevo, podem crer).

 

Quando ouvia essas ameaças não conseguia deixar de sorrir. O governo de então desdobrava-se na aplicação do modelo com a bênção esmagadora da opinião publicada, e do arco-governativo e dos seus anexos, e os seus dirigentes ameaçavam com a coisa-má num exercício um bocado cómico para quem acredite que a democracia é uma vantagem e que os socialistas portugueses pugnam por isso. Nos casos que conheço mais de perto, os ameaçadores não só cumpriam o perfil mencionado como eram dirigentes escolares ou afins. A suprema ironia verificou-se: os dirigentes escolares foram os únicos professores a quem se aplicou o SIADAP na versão mais originalos seus protestos surgem misturados com os agrupamentos de escolas e isso não ajuda nada. 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 12:34 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 04.01.12

 

 

 

Percebo o Paulo Guinote quando classifica, neste post, como perdida "a guerra da democracia nas escolas" a propósito da recente mediatização da avaliação dos dirigentes escolares. Sei que está inerente ao seu desabafo a difícil conjuntura que envolveu o poder democrático das escolas nos últimos anos, mas também sabemos que estamos longe do fim da História e que a desistência não é conjugável com a razão. Apesar da adversidade actual que tanto abala a democracia, considero que é precisamente nestas alturas que se devem renovar os esforços na defesa do que é justo e inalienável.

 

Do que tenho lido, ressalvam alguns aspectos que ajudam a explicar a derrota momentânea. Se reparamos nesta declaração sindical "(...)Sindicatos da FENPROF, como o SPN, contestam o SIADAP, considerando que este tipo de avaliação “deveria ser uma extensão dos regimes avaliativos aplicáveis a todos os professores, com as necessárias adaptações.(...)" percebemos a "captura" sindical à kafkiana avaliação de professores, designando-a como um mal menor. Isso explica muito da derrota. A falta de convicção e o medo do lumpen, que foi manipulado pelo "eles não querem é ser avaliados", é um esclarecimento decisivo.

 

Nesta notícia também se percebe algum atirar de pedras entre os professores. O maniqueísmo exacerbado foi demonstrativo da ausência de ideias claras e de estudo.

 

Repare-se nos detalhes que seleccionei e nas incongruências. Todos os actores mencionados são professores e só não temos que nos envergonhar porque não são as profissões que fazem as pessoas. Convenhamos: assim não era nada fácil, mas também sabiamos que o belo é difícil.

 

"(...)A contestação ao processo de avaliação nas escolas tornou-se uma doença contagiosa. Começou com os professores, alastrou aos directores, que se revoltaram por não conhecerem os critérios, e atingiu por fim os subdirectores e adjuntos nas escolas da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) que ontem pediram à tutela a suspensão deste processo por considerarem “arbitrários” os critérios para atribuir as notas de mérito.

O ciclo está completo. Não resta mais ninguém que possa vir à praça pública contestar a forma como o processo de avaliação está a ser conduzido.

“Quando na base da atribuição de quotas está uma diversidade de critérios aplicados ao gosto e sensibilidade de cada director, não pode haver uma avaliação justa”, defende ao i Fátima Inácio Gomes, adjunta da direcção da Escola Secundária de Barcelos e uma das subscritoras do protesto.

O resultado terá sido a confusão total e a adjunta da secundária de Barcelos dá um exemplo para ilustrar a “injustiça” que esta recomendação terá criado: “Os cargos de assessoria ou de vogal não contam para avaliação dos directores, o que já não acontece com a restante equipa da direcção.”

E foi assim que quem usou as regras da comissão de avaliação não terá permitido aos adjuntos ou subdirectores pontuar e, por oposição, quem decidiu utilizar os seus próprios critérios poderá ou não ter beneficiado os seus colegas com um bónus: “Não houve concertação da CCA no sentido de harmonizar os procedimentos”, denuncia a adjunta da Escola Secundária de Barcelos, acusando ainda o conselho de ter validado as notas de mérito com base em diferentes conceitos.

Na base desta queixa está portanto o uso de critérios subjectivos para avaliar dados objectivos, censuram os 18 subscritores da carta enviada à tutela: “Se avaliar o desempenho de funções pode acarretar alguma subjectividade, o mesmo não poderia nunca acontecer com informações curriculares como é o caso das habilitações académicas ou cargos ocupados.”



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:42 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Sexta-feira, 16.12.11

 

 

 

As políticas educativas dos últimos governos do PS tiveram uma matriz comum com graves consequências. As comprovadas inadequações vão do estatuto da carreira dos professores (professores titulares, por exemplo) à acentuação dos efeitos da reorganização curricular de 1998, passando pelo estatuto do aluno, pela avaliação dos professores, pela recuperação das ideias mais nocivas dos modelos de gestão escolar e por aí fora.

 

Falar da gestão escolar propriamente dita é uma novidade. Há aspectos que se devem sublinhar: as organizações modernas tudo fazem para não necessitarem da forma de centralidade espacial. A supressão do centro, ou das funções que ainda recentemente lhe estavam atribuídas, é um produto do elevado poder das redes de informação e da sua forte ubiquidade, que impedem que um qualquer lugar esteja privilegiado perante outros. É precisamente por isso que tanto se busca a redução dos patamares das organizações (downsizing) e se procura a legitimação das lideranças pelos seus pares; mais ainda nas organizações escolares, onde o topo da pirâmide é a sala de aula. É bom nunca esquecer o óbvio: sem alunos não há estabelecimentos de ensino.

 

Foi com esses argumentos que alguns contestaram os modelos de gestão escolar que Portugal adoptou em 1998 e acentuou negativamente em 2009. A avaliação dos elementos da gestão escolar pelos directores regionais é mais um tique do passadíssimo taylorismo. A estrutura do MEC e o modelo de gestão escolar (onde se evidenciam órgãos e mais órgãos sem agenda produtiva) são casos de estudo e patologias.

 

Não se pode acusar uma parte dos professores de não terem avisado. Muitos com custos pessoais que estão por contar. Se hoje não há professores titulares, se a avaliação do desempenho sofreu uma abalo severo de credibilidade e se outras políticas estão apenas ligadas a uma máquina de sobrevivência, tal deveu-se a uns quantos. A gestão escolar podia ter seguido o mesmo caminho se os actores tivessem tido coragem; e conhecimento?

 

Houve uma parte significativa de presidentes de Conselho Executivo, ou de outros actores, que encolheram os ombros ou aproveitaram uma oportunidade única para tratar da vidinha. É por isso que as declarações de revolta que se vão lendo soam a ridículo e recebem uma reduzida solidariedade da comunidade educativa.

Ensino. Directores de escolas revoltados com avaliação

“A indignação é tanta que cheguei a impedir colegas de apresentar a demissão”, diz Adalmiro Fonseca



paulo guilherme trilho prudêncio às 17:00 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quinta-feira, 15.12.11

 

 

 

 

 

Em 1998 não havia blogosfera e muito menos tanta mediatização. É pena porque era bom confrontarmos posições e analisarmos as evoluções. Disse, numa posição minoritária e olhado de forma desconfiada pelas pessoas das Escolas Superiores de Educação e das Faculdades de Ciências da Educação, à Ana Benavente e ao saudoso Paulo Abrantes que colocar a interdisciplinaridade e a ideia de transversalidade como locomotivas curriculares criaria um monstro de inutilidades e de má burocracia nos sistemas de informação escolares.

 

Os alunos e os professores precisavam de conteúdos nucleares bem definidos e que sem essas aprendizagens consolidadas a interdisciplinaridade seria um logro e as áreas curriculares não disciplinares uma perda de tempo e um faz de conta.

 

Mas, e como nos lembramos, os programas das disciplinas eram coisas do passado. As nossas escolas eram, e são-no cada vez mais, "fábricas" tayloristas e desconhecê-lo seria fatal.

 

Usei, como exemplo e nessas interessantes discussões, a maior das inutilidades: os projectos curriculares de turma e as competências essenciais e transversais. Apenas um exercício arriscado de autonomia impediu muitas escolas de convocar conselhos de turma insanos e semanais para aferir as referidas competências.

 

Já cansa tanta análise semântica. As competências existem e defini-las é uma mera redundância. Só se ensina o que se sabe e é preciso conhecer os conteúdos que têm que ser ensinados e, espera-se, aprendidos. A decisão do governo é um primeiro passo. Existem vários caminhos em torno de um mesmo objectivo. O que tenho lido sobre o que pensa Nuno Crato desagrada-me nas matérias que tenho dado conta noutros posts. Espero que esta decisão elimine o que é essencial.

 

É pena que ainda não se tenha reconhecido que os modelos de avaliação de professores e de gestão escolar são produtos dos mesmos trágicos devaneios. Até aceito que se tenha reconhecido, como dizem os que argumentam que é falta de coragem, de conhecimento do terreno e uma questão de tempo.

Nuno Crato enterra reforma dos governos de Guterres

 O documento que orienta o ensino básico desde 2001 será substituído por metas curriculares centradas nos conteúdos que alunos devem dominar.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:00 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Quarta-feira, 23.11.11

 

 

O actual ministro das finanças será mais tecnopolítico ou tecnocrata? Nos últimos dias tem-se desdobrado em declarações cooperativas e mobilizadoras em desfavor do conceito de corporação. Pois é. O problema é que contam mais os actos. Se se exaurir o que resta de qualquer espírito corporativo, a maioria das classes profissionais será "cilindrada".

 

Para além da questão da constitucionalidade, que mesmo em momentos de crise deve ser letra com alguma vida, os cortes de subsídios são injustos se se pensar na aplicação de um imposto geral.

 

Como não só de pão vive o homem, é bom recordar que é o mesmo governo que mantém um modelo Kafkiano e injusto (palavras de Passos Coelho em campanha) a dilacerar a corporação dos professores e que passa o tempo a dividir os saberes em mais e menos essenciais.

 

Em relação ao segundo argumento, é até legitimo que se ache que esta ou aquela disciplina necessita de mais horas e de mais exames. É, contudo, um achamento abusivo considerar-se que o ser humano pode existir sem artes e sem humanidades. Priorizar não é dividir e muito menos desmobilizar. E podiamos incluir um rol com inúmeros argumentos. O adjectivo inúmeros, por exemplo, foi usado, nos últimos dias, por Vítor Gaspar para quantificar as pessoas excelentes na função pública. Em nome do propalado rigor matemático, era essencial que explicasse o algoritmo que inclui inúmeros em quotas com 5% de excelentes.

Vítor Gaspar: “Não é tempo de alimentar conflitos e divisões”



paulo guilherme trilho prudêncio às 19:02 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 11.11.11

 

 

 

 

Já escrevi muito sobre os detalhes sórdidos do modelo de avaliação de professores ainda em curso dilacerante. Sinceramente: não tenho pachorra para mais análise e reservarei caracteres para o irmão mais pequeno que se segue. O blogue do Ricardo Montes levanta uma questão que devia ser óbvia: as faltas justificadas ao abrigo do artigo 102 são equiparadas a serviço docente efectivo.

Não custa nada recordar...



paulo guilherme trilho prudêncio às 09:56 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Terça-feira, 08.11.11

 

 

"O CEO da Covey Leadership Center e líder do Global Speed of Trust Practice já integrou a lista dos 25 americanos mais influentes da revista Time e esteve em Lisboa para a Happy Conference, onde falou sobre a importância vital da confiança no poder das organizações." (esta frase é da edição impressa da Pública e foi uma cortesia do José Mota).

 

A confiança poderá ser a nova moeda para a economia. Nos sistemas escolares é a palavra chave desde há muito. A confiança nos professores é decisiva para eliminar a má burocracia. A palavra de um professor vale menos que um qualquer relatório, mesmo que seja um copy and paste. O pior da quebra de confiança reflecte-se na indisciplina na sala de aula. A constante degradação mediática da imagem dos professores só é superada pelas políticas que os desacreditam no poder das organizações. É um ranking ensandecido. As crianças e os jovens intuem o estado de sítio. Tudo começa no estatuto do aluno, passa pelo dos professores e pela sua avaliação e prossegue nos modelos de gestão escolar. Se para Stephen Covey é esse o caminho que existe, para o sistema escolar trata-se de o recuperar. Quanto mais tarde o fizermos, mais depauperada ficará a democracia.



paulo guilherme trilho prudêncio às 16:10 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Segunda-feira, 07.11.11

 

 

 

Os professores não puseram termo à comprovada farsa e agora apanham com primeiras páginas assim. Uma boa parte das forças políticas e sindicais deram o pior dos contributos, mas os professores ficam com uma fatia da responsabilidade pelo que está a acontecer. Quem se põe a jeito pode esperar coisas destas.

 

 

 

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 12:32 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 26.10.11

 

 

Os médicos tomaram uma atitude que deve dar que pensar a outras classes profissionais. O corporativismo pode ser criticado, mas também deve ser olhado como um dever inalienável de profissionalidade.

 

Reparem na cronologia destes acontecimentos com a data de hoje.

 

Às 16h44:

Médicos com Contrato Individual de Trabalho ameaçam rescisão em massa com o SNS 

Às 21h00:

 

Equiparação dos médicos com contrato individual aos salários da função pública só para novos contratos 

 

 

Lembrei-me que seria interessante se os professores abdicassem das menções de excelente e de muito bom atribuídas num modelo comprovadamente inaplicável e injusto.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:57 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Quarta-feira, 19.10.11

 

Adenda às 23h05.

 

Segundo me informa o blogger Mário Carneiro, a alínea C deste artigo refere-se à relação da escola com a comunidade e o símbolo (...) significa a não supressão dessa inutilidade. Parecia um lapso, realmente. Concluindo: a nova ADD mantém uma parte substancial do desmiolo e é coerente com os actores que se movimentam nesta área governativa.

 

Se não foi lapso, o artigo 42 da nova avaliação de professores elimina duas dimensões - ética e escola e comunidade -. A ser assim, é um avanço. O que se conhecia referia apenas a supressão da ética.

 

Artigo 42.º 

[. . .] 

1- […] 

2- A avaliação do desempenho do pessoal docente incide sobre as seguintes dimensões das 

suas funções: 

a)Científica e pedagógica;  

b)[Revogada]; 

c)[…]; 

d)Formação contínua e desenvolvimento profissional. 

 

Por falar em avaliação de professores, não deixa de ser risível o demiolado modelo em curso. Há de tudo e para todos os gostos. Neste caso, os professores escusam de apontar o dedo. Puseram-se a jeito e os conflitos começam a subir de grau com consequências relacionais para a vida. Num período tão mau na nossa sociedade, com salários mais do que congelados - falemos antes em reduções - e com um modelo inaplicável, ainda há quem se surpreenda.



paulo guilherme trilho prudêncio às 21:14 | link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

Terça-feira, 18.10.11

 

 

 

Depois de mentir sobre a suspensão do modelo de avaliação de professores ainda em curso desmiolado, o governo inscreve no orçamento de estado uma pérola que o Paulo Guinote detectou.

 

O modelo que se pretende impor valoriza tudo menos a sala de aula. Deixou cair a dimensão ética porque o totalitarismo da sua aplicação era irrefutável. Mas ficaram por lá as excrescências das outras dimensões e apenas a má burocracia foi eliminada para dar lugar ao que existia antes da descida do euros-iluminado Sócrates, e do seu trio de pastorinhos, a solo lusitano.

 



paulo guilherme trilho prudêncio às 16:26 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 04.10.11

 

 

A avaliação de professores relativa ao biénio 2009 - 2011 navega no momento de atribuição de pontuação final para todos e com aplicação das respectivas quotas. Há alguém, com uma réstia de sensatez, que afirme que a coisa tem uma pinga de rigor e de objectividade?

 

Numa fase em que o país só desespera por evitar a bancarrota - não haverá sequer reposição salarial quanto mais progressões na carreira -, não se percebe como é que os professores alinham nesta farsa e, em alguns casos, até conseguem pontuar com diferenças ou aplicar quotas. E ainda há uma maioria que se queixa, e se surpreende, com sei lá o quê. 



paulo guilherme trilho prudêncio às 22:00 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

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