Em busca do pensamento livre.

Sábado, 13.05.17

 

 

 

Saltar de uma obra literária para as notícias da actualidade transporta um sabor de continuidade. Mais ainda quando cruzamos páginas do "Submundo" da sociedade norte-americana do século passado (anos oitenta e noventa) com o passado recente português.

Sabe-se, e que mais se saberá, que houve fundos de alto risco que ganharam milhões com a queda das acções do BES. Também se soube que a santa casa da misericórdia foi providencial nos empregos para os assalariados do antigo arco governativo, cabendo a vez à direita. Ora leia a passagem seguinte e veja lá se não encontra analogias nesta ecologia.

 

 

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DeLillo, Don (2010:91). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.



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Quinta-feira, 27.10.16

 

 

 

No mesmo dia em "que Centeno vai responder a Bruxelas dentro do prazo", o presidente do PS critica duramente, e muito bem, o ministro Schäuble ("é um incendiário a vender a imagem de bombeiro"). São atitudes que fazem a diferença e que reforçam a solução governativa apoiada pelo Parlamento. O arco governativo (AG) prevaleceu anos a fio como o fim da história. Quiseram as circunstâncias que se formasse um Governo que o quebrasse. Como logo se intuiu, a geringonça não nos atiraria para Marte. Deu provas. O tal descontrole orçamental não acontece pela segunda vez. O que nos consome é uma dívida impagável gerada na vigência do AG. É pena que uma geringonça não se tenha antecipado contrariando a "sapiência" dos DDT´s, e da bancocracia, que associavam o fim do AG à desgraça financeira.

Captura de Tela 2016-10-27 às 13.15.01

 



publicado por paulo prudêncio às 13:27 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 26.07.16

 

 

 

 

 

Algures em 2010, ouvia um grupo de amigos defensores da escola pública, e da democracia, a discutir em quem votar. No PS, obviamente e com razão, não podia ser. Tinha de ser à direita ou à esquerda dos socialistas. Percebia-se a inclinação à direita. O arco governativo era justamente diabolizado, mas o hábito sobrepunha-se. Alguém foi taxativo em jeito de aviso: será ainda pior. No caso dos professores, serão despedimentos em massa e precarização absoluta. Confirmou-se. A existência do TC, e de uma heróica luta em plena troika, impediu o desastre total. Quiseram as circunstâncias que se formasse um Governo que quebrasse o beatificado arco governativo: a gerigonça. Como logo se intuiu, a geringonça não nos atiraria de imediato para Marte. Já deu algumas provas e a escola pública testemunha-o. Temia-se o descontrole orçamental; mas pelos vistos, e com redução de impostos para pequenos empresários e reposição de salários e pensões, até "Bruxelas foi surpreendida pela "positiva" com a execução orçamental". Ou seja, a quebra do arco vai dando algumas lições e lamenta-se que o fenómeno não se tenha verificado com muitos anos de antecedência contrariando a "sábia" premonição dos DDT´s, e da bancocracia, que associava o fim do arco a uma desgraça financeira. Espantoso, realmente.

 

Captura de Tela 2016-07-26 às 14.52.31.png

 



publicado por paulo prudêncio às 17:30 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 18.09.14

 

 

 

 

Ainda há dias escrevi assim: "(...)À opção pela lista-graduada-sem-mais aplica-se o mesmo que à democracia em relação aos outros regimes:"a democracia é a pior forma de governo imaginável, à excepção de todas as outras". Mas isso seria uma derrota impensável para o arco que paira sobre a 5 de Outubro e a 24 de Julho e uma cedência aos professores que o repetem à exaustão.(...)".

 

É evidente que a graduação profissional implica a classificação profissional (académica mais estágio, digamos assim), que há muito requer uma verdadeira regulação do MEC com as instituições do ensino superior, associada ao tempo serviço em funções lectivas ou nos órgãos das escolas.

 

Devem existir excepções de contratação sem ser pela lista graduada? Claro que sim. Para novas disciplinas ou cursos, para projectos bem fundamentados, para a recondução num apoio muito bem sucedido a um aluno com necessidades educativas especiais e por aí fora.

 

Dois dos responsáveis pelo estado a que isto chegou, os sociólogos David Justino e Maria de Lurdes Rodrigues, aparecem hoje com argumentação tão contraditória que apenas podemos lamentar que o sistema escolar tenha estado à mercê de tanta "obra feita". A ex-ministra parece mesmo num pico qualquer.

 

 

 

 

 

Pois é: a culpa é dos professores, concluem os ex-ministros. Aliás, a relação entre formação e concursos é até risível. A selecção pela lista única é desactualizada, afirmam em coro. 

 

A TSF é mais detalhada. Apresenta também as soluções. Se não fosse trágico, até era cómico e, no fundo, até terraplenaram a epifania em vigor do MEC e acabaram a defender o que inicialmente arrasaram (sim, arrasaram: "total absurdo" "grau zero da inteligência").

 

Nada de novo, portanto. É o tal corporativismo ministerial que nos desgraçou. E se é criticável a "eternização" dos sindicalistas, também seria bom percebermos a experiência lectiva, ou efectivamente equiparada, no ensino não superior de quem exerceu, ou exerce, funções de ministro. Ou isso não é importante?

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 10.09.14

 

 

 

 

Os cortes na escola pública começaram com o Governo do "país de tanga" e não pararam. Durão Barroso deu corpo à agenda de "tudo está mal na escola pública" e uns sociólogos, acompanhados de eduqueses I e II (como é o caso de Crato), perpetraram uma engenharia social que os tornou estrelas financeiras para os ultraliberais onde se incluíram socialistas de terceira via, sociais-democratas desmemoriados ou com passagem oculta pelo BPN e afins e DDT´s. Crato foi mesmo para além da troika comandado pelo Ministério das Finanças.

 

Os professores do ensino não superior são de longe o sector mais devastado (o uso do adjectivo já não choca, veja-se lá) da administração central (eram, grosso modo, 160 mil nas escolas públicas quando Durão Barroso tomou posse e hoje são já cerca de 100 mil) e o encerramento de escolas assumido pelo arco governativo (que foi muito para além do imperativo de modernização da rede escolar) no norte e no interior do país atingiu os milhares e beneficiou da palidez dos cidadãos e, naturalmente, dos respectivos autarcas. 

 

Este fenómeno continuará até que os buracos bancários estejam em modo satisfatório e de forma a que os actores do arco governativo (os tais com o exclusivo da responsabilidade) passem pelos pingos da chuva.

 

 

 

 

Já usei parte deste texto noutro post.

A repetição é um dever.

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 20.08.14

 

 

 

 

Não é recente a sensação de que o país está no pano verde. Os saldos no GES, mais propriamente no BES e nas empresas da saúde e dos seguros, deixam valores da comunidade à mercê do casino puro e duro. E convenhamos: os estados licenciaram os privados para o trio referido com base em dois pressupostos: geriam melhor, faziam mais com menos, portanto, e garantiam uma superioridade ética.

 

A exemplo dos "negócios" da água ou da luz, os denominados "pinga-pinga", o trio em questão obedecia a um simples raciocínio: os licenciados sentavam-se em cima do que recebiam (depósitos das poupanças, doenças ou seguros obrigatórios) e era impossível que saíssem a perder.

 

A entrada da troika coincidiu com a chegada ao poder de uma confessada ideologia radical crente nas virtudes do mercado desregulado. A propagação foi rápida e apoiada em tudo o que era mainstream. Mas mais: quem os antecedeu, achou que ficava "bem-seguir-a-ideologia-única". Os resultados estão aí e não há quem impeça o saque.



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Quarta-feira, 06.08.14

 

 

 

 

 

Saltar de uma obra literária para as notícias da actualidade transporta um sabor de continuidade. Mais ainda quando lemos páginas sobre o "Submundo" da sociedade norte-americana do século passado e o cruzamos com o presente lusitano.

 

Sabe-se, e que mais se saberá, que houve fundos de alto risco que ganharam milhões com a queda das acções do BES (a malta do casino não se solidariza com a queda dos parceiros) e também se conheceu o óbvio: a santa casa da misericórdia, comandada por Santana Lopes, é providencial nos empregos para os assalariados do arco governativo cabendo a vez à aliança democrática.

 

Ora leia a passagem seguinte e veja lá se não encontra analogias no submundo da barbárie em que vivemos; mesmo naquela que professa uma qualquer santa misericórdia.

 

 

 

 

 

 

 

 

DeLillo, Don (2010:91). "Submundo". Sextante Editora. Lisboa.

 

 

 

 

 

 

 



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Segunda-feira, 04.08.14

 

 

 

 

Enquanto muitas pessoas vêem as finanças pessoais em perigo ou os empregos ameaçados por causa dos gangsters da bancocracia, há uma malta do arco governativo que tergiversa a propósito do que se denomina por conselho de ministros electrónico ao Domingo por causa do caso BES. Parece que os ministros usam o email uma vez que a presença física não é, naturalmente, sempre viável. Fazer disto caso é impreparação ou tergiversação no estilo denunciado há muito por Noam Chomsky.

 

Sócrates parece mais "gangster" do que Passos, mas os casos BPN e BES equiparam-se e o segundo "compensa" com o radicalismo ideológico. Teixeira dos Santos, o tal que dizia que estas coisas eram amendoins e que os despedimentos de professores é que cortavam na despesa, agiu ao nível de Maria Luís Albuquerque. Costa do BdP supervisionou tanto como Constâncio (e até estaria mais avisado). Há escritórios de advogados em tons rosa ou laranja e por aí fora e há momentos em que não adianta tentar passar pelos pingos da chuva, nem sequer para os abstencionistas violentos ou silenciosos profundos.

 

Consta que os mestres deste submundo do capitalismo, ou saque se se quiser ser mais rigoroso, têm uma sede em Berlim que é conhecida por Titanic.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagens obtidas na rede sem referência ao autor.

 

 

 

 

 



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Segunda-feira, 26.05.14

 

 

 

A percentagem de votos no arco da governação, e a manter-se nas próximas legislativas, já não lhes permite mudar a constituição. Estão cada vez mais longe dos 66,6%. É evidente que a soma do PS com o PSD nem aos 60% chega e o CDS já deve ir no meio-táxi, qualquer coisa entre o BE e o Livre.

 

A ideia de um bloco central, que acordaria uma revisão constitucional para ainda mais austeridade, pode ser desastrosa e abrir caminho a uma ditadura. 

 

É exactamente este cenário que quem quiser ganhar eleições para governar com estabilidade tem que contrariar. Para isso, necessita de uma liderança com provas dadas e que não assuste os eleitores ao negociar com as forças que estão fora do arco governativo.

 



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Domingo, 25.05.14

 

 

 

 

 

 

As sondagens são o que são, mas é possível tirar algumas conclusões. A abstenção aumenta e reflecte a falta de entusiasmo com o estado da democracia.

 

A direita para além da troika tem uma inapelável derrota nestas eleições. O CDS, que desde o início da governação pôs a campanha eleitoral acima dos interesses do país, tentará culpar o PSD num gesto típico da sua irrevogável condição, mas a derrota é de ambos e justifica que acreditem num antecipado regresso à bancada da oposição.

 

O PS vence, mas com um sinal evidente do eleitorado: a democracia portuguesa cansou-se da política de aparelho e do denominado arco da governação que capturou a democracia. Os eleitores reflectiram e querem soluções governativas que ultrapassem o conhecido.

 

A CDU beneficia do voto de protesto e obtém uma muito boa votação, o PT tem um crescimento que pode não ser sustentado e o BE quase que desaparece; naturalmente.

 

Este post será actualizado.

 

 

 

 



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Quinta-feira, 13.02.14

 

 

 

 

 

 

 

A avaliação do desempenho como primeiro critério para o despedimento é algo que poucos do arco da governação contestarão; a menos que sintam na pele os efeitos da meritocracia injusta e brutal que contaminou de vez processos como o SIADAP. No mundo empresarial, e ao que se vai percebendo, acontecem fenómenos semelhantes. A decisão unilateral do Governo beneficiará do silêncio do PS do passado, do actual, do que venha a caminho e até do que se movimente em Marte.

 

Apesar da repetição do óbvio ser um dever, também há limites. Nesse sentido, vou buscar um post que escrevi há dias para não ter que teclar o mesmo.

 

"Nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático", é uma evidência que devia ser óbvia nas sociedades modernas que se dizem avançadas. Quando um político afirma que com a primazia da avaliação do desempenho o "Governo está a levar o "medo" às empresas", fica a ideia de que a maioria das pessoas sorrirá com a "manifestação de fraqueza" e os comentadores mainstream lá se encarregarão de colocar a "impossibilidade quantitativa" como uma inevitabilidade competitiva da pós-modernidade.

 

A avaliação quantitativa escolar é uma exigência educativa que intervém na formação da personalidade; o aluno é o outro e tem, naturalmente, uma reduzida possibilidade de contestação. O faz-de-conta reduz-se e é quase inexistente. Entre adultos, entre iguais, o faz-de-conta é galopante e a sua absolutização é uma condição de sobrevivência para os intervenientes. Mas isso não impede que o "medo" se instale e que se criem, paulatinamente, condições para um totalitarismo; por explosão ou implosão.

 

 

 



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Terça-feira, 14.01.14

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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Domingo, 12.01.14

 

 

 

A extrema-direita portuguesa, que constitui a quase totalidade do CDS-PP, uma parte algo numerosa das bases do PSD e uma fatia invisível, mas influente, do PS, defendeu este fim-de-semana a redução da escolaridade obrigatória, chegando a usar como argumento o desperdício da escolaridade para as pessoas de etnia cigana.

 

A extrema-direita portuguesa chegou ao governo em 2003 pela mão de D. Barroso e consegue, como uma votação que varia entre os 5% e os 12%, ter como reféns os dois grandes partidos do trágico arco da governação (o CDS-PP exibe uma centralidade democrata-cristã como máscara da direita radical). Esta tríade que levou o país a mais uma bancarrota e que partilha a corrupção nos aparelhos partidários, beneficia de um amplo consenso nas "elites" que inclinam o país para a direita ao mesmo tempo que ameaçam com a tragédia despesista de uma hipotética governação à esquerda através do perigo, veja-se lá, da radicalidade.

 

Esta herança da última ditadura é abençoada e não consegue ser desmontada com significado eleitoral à esquerda. A esquerda mantém os seus radicais ostracizados, não transmite aos eleitores confiança num exercício maduro e responsável e tem contornos surreais, como se viu depois das últimas autárquicas, onde proliferaram as coligações do PCP com o PSD (até da tal ala mais radical). Dá ideia que andaremos assim até à próxima bancarrota (leia-se saque aos salários e pensões das classes média e baixa, porque a bancarrota é uma constante) e com retrocessos civilizacionais como se evidenciou na proposta da escolaridade.

 

 



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Quinta-feira, 02.01.14

 

 

 

 

Ouvimos, desde a viragem do milénio, o discurso anti-escola pública e anti-professor:

 

a escola pública entrou em ruptura; os alunos aprendem pouco; as escolas públicas são más ou pioram a cada ano; estamos a ficar para trás nos testes internacionais; as escolas públicas não contribuem para o crescimento económico e começam a colocar em causa a nação; as escolas públicas já não vão lá com meias-medidas; as escolas públicas devem ser fechadas em larga escola e os professores despedidos. Mas mais: o discurso que acabei de escrever foi defendido pela direita e pela esquerda, por socialistas, sociais-democratas e populares de direita, foi defendido pelas "elites" que preenchiam os média mainstream e por aí fora. Quem se atrevesse a defender o contrário era acusado de defender o status quo.

 

O parágrafo que está em itálico é subscrito por Diane Ravitch (com adapação à sua realidade, obviamente), ex-secretária de Estado na administração do Bush mais crescido, bem à direita, portanto, e encontrei-o neste post do Paulo Guinote (onde fui buscar a imagem deste post) que anda à volta da obra da citada ex-governante, "Reign of Error: The Hoax of the Privatization Movement and the Danger to America's Public Schools" (qualquer coisa como: o reinado do erro: A farsa do movimento de desestatização e o perigo para as escolas públicas da América).

 

A direita americana chegou a este ponto depois de tanto disparate com a privatização de escolas, com o cheque-ensino, com os modelos hiperburocráticos de avaliação de professores e por aí fora. Por cá, o tal de guião da reforma do Estado faria corar de vergonha Diane Ravitch.

 

Espera-se, em 2014, o assumir de culpas e, já agora, a tal de prestação de contas por parte de socialistas, sociais-democratas e populares da direita (radical).

 

No caso da escola pública e dos seus professores, até se aceita a crítica por alguns abusos. Sim, houve professores que abusaram da redução ou ausência da componente lectiva mas foi sempre debaixo do chapéu do arco da governação (vulgo, aparelhismo partidário).

 

Por outro lado, as contas das escolas dão lições a qualquer outra área do público ou do privado. E mais: os resultados que o mainstream tanto acusou conforme detalhei no parágrafo que destaquei, foram desmentidos pelos estudos internacionais do PISA (Programme for International Student Assessment, do TIMMS (Trends in International Mathematics and Science Study) e do PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study). Custa ver como o arco da governação continua a omitir estas evidências e a não prestar contas. Mais ainda por parte dos socialistas que no tempo de Lurdes Rodrigues não se cansavam de dizer: mas algo tem que mudar. Sim, tinham que mudar as benesses ilimitadas que não se cansavam de usar, e que continuam a proteger, e que não têm qualquer relação com a defesa da escola pública.

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 21:54 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 06.09.13

 

 

 

Ainda esperei um ou dois dias pela reacção do PS à decisão do Governo de "apoiar directamente os alunos dos colégios". Mas quase nada. A saga da privatização de lucros, patrocinada por Nuno Crato, não incomoda um PS que é célere na denuncia de outras opções políticas, nomeadamente no ensino superior.


Até se tem discutido a privatização de lucros no ensino não superior e como isso degrada a escola pública. Também se percebe que a defesa da escola pública faz a clivagem esquerda-direita. Não se ouve uma voz da direita em defesa da escola pública (Pacheco Pereira e poucos mais fazem alguma diferença) e o mesmo acontece da esquerda em relação ao modelo português dos "privados" encostados ao Estado. E depois há o PS que, como há dias publiquei, anda à deriva.

 

Os portugueses sabem que a lógica do "arco do poder" ainda estrutura o voto. Sabem que a defesa da escola pública é muito difícil e desequilibrada por causa disso. Um PS neste estado serve os interesses da privatização de lucros à custa do Estado, como já se provou na saúde, nas PPP´s e por aí fora. Por muito que declarem o apoio à escola pública (embora de forma generalista e diluída no estado social) nas campanhas eleitorais ou em momentos parecidos, sabemos que é propaganda e táctica dirigida ao voto. Nos momentos importantes nada acontece e os últimos governos do PS acentuaram a tentação para agradar à direita de uma forma que só um psicanalista poderá explicar com rigor.






publicado por paulo prudêncio às 16:30 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 13.08.13

 

 

 

 

"A direita continua a odiar a escola pública" é o titulo da crónica de José Vítor Milheiros que termina com o parágrafo que escolhi para imagem. Mas o grave desinvestimento que se está verificar na escola pública não tem sido perpetrado apenas pela direita e isso é que é ainda mais preocupante.

 

Há muita gente de esquerda, aquela esquerda que viveria sem qualquer incómodo na ditadura e que se habituou a depenar o Estado através dos aparelhos partidários, que tem um ódio "de direita" só que mais secreto. Há ainda uma esquerda "aristocrata", mais adepta de fundações e de outras benesses ilimitadas, que não podemos dizer que viveria sem problemas na ditadura, mas que revela, e também em segredo, um profundo desprezo pelo povo em simultâneo com o mais ávido desejo pela vida dos salões que dão acesso às oligarquias.

 

Este conjunto, que vive da oportunidade e em grande parte do chico-espertismo, jamais perdoará o financiamento dos impostos que fez da "escola pública, em Portugal e no mundo, o mais bem sucedido empreendimento humano, tendo sido central no combate à ignorância, à pobreza e à injustiça e na construção da democracia, da cultura e da ciência modernas(...)". Quando muito, usarão argumentos semelhantes, em campanhas eleitorais, por exemplo, que esquecerão no momento seguinte.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 22:00 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quinta-feira, 25.07.13

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A prova geral de acesso à profissão destinada aos professores contratados é da família de uma série de medidas que humilham este grupo profissional que foi escolhido pelo arco da governação com o objectivo de esconder o desvario financeiro com que os seus aparelhos partidários delapidaram o país. Se mais este desmiolo seguir em frente, daqui por uns meses teremos mais um rol de caricaturas a abrirem os telejornais para gáudio dos inimigos da escola pública e da igualdade de oportunidades.

 

É impressionante como o arco da governação continua a arrogar-se com o exclusivo da responsabilidade depois dos resultados que nos empurraram para a bancarrota. No caso do sistema escolar, há mesmo um fio condutor de políticas desastrosas. Contestam na oposição e eliminam a memória mal tomam posse em cargos do Governo e sempre em regime de plano inclinado. A New Public Management, cara aos ultraliberais, aos neoliberais mas também aos liberais e aos socialistas e social-democratas da terceira via, é, ou foi, a bíblia.

 

Foi assim com a gestão escolar, com a mobilidade especial para os professores dos quadros, com os concursos externos e internos de professores e podíamos ficar aqui a tarde toda a exemplificar. A prova geral de acesso é mais um episódio da saga. Soluções simples e sensatas como a autonomia das escolas para a distribuição equilibrada do serviço docente entre os professores que existem, eliminariam de vez este desmiolo e apenas exigiriam que os serviços centrais respondessem às necessidade oa longo do ano de uma forma civilizada, humanamente respeitável e com uma verdadeira eliminação de despesa. Mas para isso, era exigível que o arco governativo não obedecesse à lógica de aparelho, abandonasse o fio condutor dos interesses que nos consomem e defendessem mesmo a igualdade de oportunidades e o combate ao abandono escolar que nos envergonha.



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Segunda-feira, 22.04.13

 

 

 

 

 

Subscrevo integralmente e com gosto o texto do João Ruivo. É um assunto que tenho abordado com frequência. Se me permitem, desde que iniciei este blogue, em 25 de Abril de 2004, que faço este tipo de análise que é um tema central dos meus escritos sobre política educativa. É bom que se sublinhe: quem governou o MEC neste milénio, mas propriamente desde 2003, mergulhou neste modelo neoliberal das escolas.

 

 

A reorganização neoliberal das escolas

 

"A reorganização neoliberal da escola, em que os alunos são vistos como "clientes", os professores como "colaboradores", a aprendizagem como um "produto", o sucesso académico como um indicador de "qualidade total", o planeamento pedagógico como "acção de empreendedorismo", a gestão escolar como "direcção corporativa" e os pais e a comunidade como "stakeholders", e o investimento como um "custo orçamental", esta reorganização, dizíamos, tem destruído uma boa (e talvez a melhor) parte do edifício da escola pública, enquanto escola democrática, inclusiva e meritocrática.

O pretenso ideal de fazer funcionar uma escola sem professores reflexivos, activos e motivados, sem custos e sem autonomia, foi experimentada por todos os sistemas mais ou menos autocráticos, mais ou menos ditatoriais. Os resultados também estiveram sempre à vista: no Portugal do início da década de setenta do século passado, quase metade da população era analfabeta e apenas sete em cada cem estudantes que terminavam o secundário continuavam estudos na universidade.(...)"



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Segunda-feira, 25.02.13

 

 

 

 

 

 

A aceleração do tempo permite "revoluções" bem disfarçadas e até a História tem tendência para o vórtice. O livro de Joaquim Vieira sobre Mário Soares é um bom exemplo, relata factos recentes, de 2011, e permite-nos algumas conclusões.

 

Sabia-se que J. Sócrates era aplaudido à direita, ainda mais a dos interesses que inclui os descomplexados competitivos do PS, ficou a saber-se que, mesmo em 2011, Sócrates queria juntar-se "aos gajos do PSD" e que festejava as derrotas de Alegre com palavrões dirigidos ao poeta.

 

A linguagem não é surpreendente. Faz parte do insuportável ser privado desta gente. Parece que a brejeirice, o nivelamento por baixo e os palavrões estabelecem um qualquer ranking de feitos viris ou lhes outorga o estado de prá-frentex. Sei lá. Se fossem caçadores em África apanhavam leões à mão e com uns valentes impropérios às mães leoas; valha-lhes sei lá o quê.

 

Também ficamos sem dúvidas que o sistema escolar tem sido depauperado com a cumplicidade do arco do poder e, mais uma vez, com a malta dos interesses no comando das operações. Os grandes partidos desprezam a Educação, os seus "altos quadros" fazem carreira em áreas financeiramente mais prometedoras e, na hora de governar, os endinheirados, mesmo que encostados ao Estado e, em casos comprovados, de forma corrupta, fazem luzir os seus fatos às riscas.



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Sábado, 23.02.13

 

 

 

 

Vi ontem, embora com alguma desatenção, o expresso da meia-noite da SICN sobre o o nosso descalabro financeiro. Na primeiro ronda chamou-me à atenção um economista mais destemido (do género ultraliberal-fanático-do-Estado-mínimo).

 

Na sua segunda intervenção, José Carneiro avançou com a mudança radical de paradigma, meteu a história das últimas duas décadas da Suécia na discussão (os outros intervenientes avisaram-no que a história vai para além disso) e, em desespero argumentativo, socorreu-se de Adam Smith (que deve dar voltas no túmulo com tanto citador instantâneo) e do "(...)pouco mais é necessário para erguer um Estado, da mais primitiva barbárie até o mais alto grau de opulência, além de paz, de baixos impostos e de boa administração da justiça: todo o resto corre por conta do curso natural das coisas.(...)".

 

Bastava que alguém lhe dissesse que foi o mesmo liberal quem escreveu que"(...)a riqueza de uma nação mede-se pela riqueza do povo e não pela riqueza dos príncipes.(...)" para que o estranho nervoso que estava a evidenciar se acentuasse.

 

Tive curiosidade e fui saber quem era.

 

É que nos últimos dias estranhei a presença mediática de Lurdes Rodrigues (até José Sócrates voltou a publicitar a sua actividade profissional). Depois de saber quem era o economista radical ((...)Antes de ingressar na FLAD (para onde também foi promovida Maria L. Rodrigues) em Abril de 2011, José Sá Carneiro, economista, exerceu a sua actividade profissional no Norte de Portugal: desde 2000 como Director-Coordenador de Investimento Imobiliário no Banco Privado Português (BPP)(...)), fiquei ainda mais convencido que se iniciou mais uma série do império ataca.



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Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
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