Em busca do pensamento livre.

Quinta-feira, 26.01.17

 

 

 

O ambiente no país melhorou com o novo Governo, mas é inquestionável, e com todo o realismo, que se mantêm as componentes críticas da vida profissional de milhares de professores. Temos o dever de o sublinhar. E nem todas têm implicações financeiras; algumas melhoravam a capacidade volitiva, atenuavam o burnout e reduziam a despesa.

É a 4ª edição desta curta radiografia. A 1ª é de 5 de Novembro de 2015, a 2ª de 10 de Junho de 2016 e a 3ª de 20 de Novembro de 2016. Vou repetindo o post enquanto se justificar, sem esquecer boas intervenções em variáveis importantes (por exemplo: concursos BCE, prova de acesso e rede escolar).

Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além, obviamente, dos cortes transversais e da aposentação retardada. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".

 

 

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 Faces, Picasso



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Terça-feira, 03.01.17

 

 

 

A propósito da revolução, iniciada em 2005 ou até em 2003, que a presença da troika destapou, recordo os teóricos da simcultna actualidade, uma revolução pode ser tão rápida que nem damos conta. Há sinais da contra-revolução. Não sei se será tranquila, mas espero que sim. Que seja tranquila e igualmente rápida. O que me parece é que as personagens carregadas de ideologia ultraliberal ficaram com o discurso descontinuado e datado. Muito do mal não é reparável, embora a mensagem da imagem estimule os contraditórios que, sublinhe-se, não escapam à asserção: é mais rápido e fácil destruir do que construir. Há duas irrefutabilidades de sinal contrário sobre o que é recuperável: não será com a mesma velocidade da queda, mas não depende de vontade divina.

 

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Segunda-feira, 19.12.16

 

 

 

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Antero



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Quinta-feira, 15.12.16

 

 

 

 

Leia, sff, e tente adivinhar quem fez as declarações seguintes antes de encontrar a solução no parágrafo final; mas sentado como na imagem (prémio 2014 do melhor cartoon da Press Cartoon Europe).

  1. “Não é preciso ser altruísta para apoiar políticas que elevem a renda dos pobres e da classe média. Todos beneficiarão com essas políticas porque são essenciais para gerar crescimento mais alto, mais inclusivo e mais sustentado. Ou seja, para se ter crescimento mais duradouro será necessário gerar crescimento mais equitativo."
  2. "Novos estudos demonstram que elevar em um (1) ponto percentual a parcela da renda dos pobres e da classe média aumenta o crescimento do PIB de um país até 0,38 pontos percentuais em cinco anos. Em contrapartida, elevar em um (1) ponto percentual a parcela da renda dos ricos reduz o crescimento do PIB em 0,08 pontos percentuais. Nossas constatações sugerem que – contrariando a sabedoria popular – os benefícios da renda mais alta estão a "espalhar" para cima e não para baixo. Para além de outras variáveis, constata-se que os ricos gastam uma fracção menor da sua renda o que reduz a procura agregada e enfraquece o crescimento. Os nosso estudos anteriores demonstram que a desigualdade excessiva de renda reduz, e na verdade, a taxa de crescimento económico e torna o crescimento menos sustentável com o tempo."

Está sentado? Fique a saber que são declarações, em Bruxelas, de Christine Lagarde, em Junho de 2015, baseadas no boletim oficial do FMI de 17 de Junho de 2015 que integra o estudo, também de Junho de 2015 e do mesmo FMI"Causes and Consequences of Income Inequality: A Global Perspective". Se Maquiavel estivesse por cá, teria explicação: "disse ao Príncipe: faz a maldade toda em pouco tempo e depois confessa-a; sei lá: afirma-te neoliberal no início e "social-democrata para sempre" no fim; confia na sabedoria popular."

 

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Terça-feira, 13.12.16

 

 

 

É natural que apareça um "manifesto que pede menos poder para os directores escolares", que é uma forma de defender a alteração do que existe e o "regresso da democracia às escolas". Foi em 2008 que Lurdes Rodrigues impôs, com a ajuda obstinada de Sócrates e o apoio fervoroso do arco governativo da altura, o modelo vigente, que é uma espécie de "pilar" sobrevivente. Os outros - professores titulares, estatuto do aluno-cliente e avaliação dos professores - caíram por inaplicabilidade (isto para ser brando), embora o último mantenha um estado deplorável de faz de conta ajudado pelo congelamento eterno das carreiras. Estes quatro "pilares" dilaceraram a atmosfera relacional nas escolas, que foram de seguida flageladas pelo além da troika apimentado com dois devaneios cratianos: indústria de exames e afunilamento curricular. Pergunta-se: mesmo assim os resultados dos alunos melhoraram? Claro que sim; até dos menos favorecidos. Há muito que se sabe que cerca de 60% do sucesso escolar se deve à sociedade (com destaque para a ambição escolar das famílias). Os restantes 40% (a organização das escolas e o desempenho dos professores) beneficiaram da capacidade de resiliência dos segundos como os estudos internacionais não se cansam de sublinhar (são os melhores dos países da OCDE a adaptar as aulas aos alunos).

 

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Domingo, 20.11.16

 

 

É a 3ª edição desta curta radiografia. É um facto que o ambiente no país está desanuviado, mas também é inquestionável que nada mudou no essencial na vida profissional de milhares de professores. A 1ª edição foi em 5 de Novembro de 2015 e a 2ª em 10 de Junho de 2016. Vou repetindo o post enquanto se justificar e apesar da eliminação de algumas variáveis importantes que não constavam do exame (por exemplo: concursos BCE e prova de acesso).

Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além, obviamente, dos cortes transversais. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".

 

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Domingo, 25.09.16

 

 

 

 

Quando leio divergências entre o Governo e a Comissão Europeia (ou o FMI) "sobre o que consta dos relatórios", (o Ministro Vieira da Silva desmente a comissão por causa das reformas em Portugal) lembro-me muitas vezes do "Pensar, Depressa e Devagar" do Nobel da economia (2002) Daniel Kahneman (2011:91). "Se 5 máquinas levam 5 minutos para fazer 5 peças, quanto tempo 100 máquinas levariam para fazer 100 peças? 100 ou 5 minutos? E se num lago há uma mancha de nenúfares que todos os dias duplica o tamanho e leva 48 dias a cobrir o lago inteiro, quanto tempo levaria a cobrir metade do lago? 24 ou 47 dias?" (tem os resultados no fim do post). Pediram a 40 estudantes de Princeton para responderem. Como pode ler na obra citada, os que leram os exercícios em folhas menos legíveis acertaram muito mais porque, diz o autor, aumentaram as funções cognitivas. Já ontem usei este exemplo e hoje publico uma imagem com duas rectas iguais que, à primeira vista, parecem diferentes por causa do sentido das setas o que terá também uma forte relação com o assunto do post.

 

Resultados: 5 e 47.

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Daniel Kahneman (2011:39), "Pensar, Depressa e Devagar",

Temas e Debates, Círculo de Leitores, Lisboa.



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Quinta-feira, 01.09.16

 

 

 

 

(Ao que vai ler, acrescente epifanias consecutivas 

com destaque para o concurso BCE,

para a prova PACC, para o desmiolo Cambridge,

e para a industria dos exames.)

 

 

 

"Uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15. Depende do professor e da sua qualidade", disse Nuno Crato numa inenarrável entrevista televisiva em que se pôs a dissertar sobre a relação entre a formação dos professores e o número de alunos por turma. Nuno Crato disse que concorda com o especialista norteamericano (é mesmo um hanushekiano) que andou por aí a apregoar o mesmo e revelou-se mais uma pessoa que nos deixa dúvidas quanto ao juízo ou ao conhecimento sobre uma escola do não superior. Temos de concordar: os professores portugueses têm azar com a sucessão de ministros. Nuno Crato afirmou a sua tese e nem sequer se escudou na troika; nesta variável está, também, para além dela.

 

William Golding, prémio Nobel da literatura em 1983 e professor no 1º ciclo durante 30 anos, foi taxativo numa entrevista à RTP2: " Com 30 alunos não há método de ensino que resulte, mas com 10 alunos todos os métodos podem ser eficazes". Essa entrevista descansou-me muito. Tinha leccionado cerca de 10 turmas do ensino secundário, cada uma com mais de 30 alunos, e estava preocupado com a profissão que tinha escolhido e com a minha memória. Já íamos em Maio e nem o nome dos alunos todos conhecia. Numa sociedade ausente como a nossa, e mais ainda nos tempos que correm, a relação entre os professores e os alunos atenua muito a taxa de abandono escolar para além de ser um indicador da qualidade do ensino. Nunca imaginei que 30 anos depois ouviria o ministro da Educação do meu país, qual Taliban, a defender uma coisa destas com a máxima convicção. Que tempos, realmente.

 

 

Este post é de 5 de Junho de 2013.

 



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Quinta-feira, 18.08.16

 

 

 

A troika e as avaliações, os fanatismos ideológicos, o casino financeiro, os offshores, os paraísos fiscais também, e há muito, instalados em países europeus, o experimentalismo a que sujeitaram Portugal, a febre dos mercados e os jogos de sombras que capturaram o orçamento do Estado são algumas das razões que transportaram a manipulação para um auge.

 

Por mais que os mentores confessem erros, não existirá desculpa histórica. O prolongamento da crise de 2008 reforça a responsabilidade e as consequências desastrosas tornam-na inapelável.

 

Recordo as 10 estratégias de manipulação enunciadas por Noam Chomsky. Publico as 4 primeiras.

 

"1. A estratégia da manipulação. O elemento primordial do controlo social é a estratégia da distracção que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou a inundação de contínuas distracções e de informações insignificantes. A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir que o público manifeste interesse pelos conhecimentos essenciais na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar".

 

2. Criar problemas e depois oferecer soluções. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise económica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

 

3. A estratégia da gradação. Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições sócio-económicas radicalmente novas foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram empregos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

 

4. A estratégia do diferido. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é sentido imediatamente. Em seguida, porque o público tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e aceitá-la com resignação quando chegue o momento."

 

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Sábado, 23.07.16

 

 

 1ª edição em 5 de Novembro de 2015.

 

 

Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além, obviamente, dos cortes transversais. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".



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Quarta-feira, 11.05.16

 

 

 

Ideologia



publicado por paulo prudêncio às 21:34 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Não é normal, em democracia, que se a PàF governa à direita, um executivo apoiado no PS+BE+PCP o faça à esquerda? Mas queriam o quê? A eternização do arco que levou o país ciclicamente à bancarrota em nome de um suposto equilíbrio? Francamente. A PàF usou a troika para dar asas a um radicalismo ideológico de direita na Educação. Foi muito além das finanças em período de anestesia da massa crítica. O actual Governo tem estado a recentrar as políticas educativas depois de uma década de tempestades. Embora até discorde de vários aspectos, nomedamente do modelo de escola a tempo inteiro ou da não eliminação da hiperburocracia, não é disso que se trata no caso colégios "privados". Parece-me que o Governo procura a requerida disciplina orçamental e o cumprimento da lei. Em qualquer país da Europa se considera impensável a situação portuguesa.

 

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Quinta-feira, 04.02.16

 

 

 

Leia, sff, e tente adivinhar quem fez estas declarações antes de encontrar as soluções no parágrafo final; mas sentado como na imagem (prémio 2014 do melhor cartoon da Press Cartoon Europe).

 

  1. “Não é preciso ser altruísta para apoiar políticas que elevem a renda dos pobres e da classe média. Todos beneficiarão com essas políticas porque são essenciais para gerar crescimento mais alto, mais inclusivo e mais sustentado. Ou seja, para se ter crescimento mais duradouro será necessário gerar crescimento mais equitativo."
  2. "Novos estudos demonstram que elevar em um (1) ponto percentual a parcela da renda dos pobres e da classe média aumenta o crescimento do PIB de um país até 0,38 pontos percentuais em cinco anos. Em contrapartida, elevar em um (1) ponto percentual a parcela da renda dos ricos reduz o crescimento do PIB em 0,08 pontos percentuais. Nossas constatações sugerem que – contrariando a sabedoria popular – os benefícios da renda mais alta estão a "espalhar" para cima e não para baixo. Para além de outras variáveis, constata-se que os ricos gastam uma fracção menor da sua renda o que reduz a procura agregada e enfraquece o crescimento. Os nosso estudos anteriores demonstram que a desigualdade excessiva de renda reduz, e na verdade, a taxa de crescimento económico e torna o crescimento menos sustentável com o tempo."

 

Está sentado? Pois fique a saber que são declarações, em Bruxelas, de Christine Lagarde, em Junho de 2015, baseadas no boletim oficial do FMI de 17 de Junho de 2015 que integra o estudo, também de Junho de 2015 e do mesmo FMI"Causes and Consequences of Income Inequality: A Global Perspective". Se Maquiavel estivesse por cá, teria explicação: "disse ao Príncipe: faz a maldade toda em pouco tempo e depois confessa-a; sei lá: afirma-te neoliberal no início e "social-democrata para sempre" no fim; confia na sabedoria popular."

 

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Domingo, 10.01.16

 

 

 

Precisemos alguns argumentos: o sistema foi sujeito durante quatros anos a políticas de radicalismo ideológico para além da troika e é natural que o período seguinte seja de eliminação desse desastre cratiano. Como o processo cratiano sucedeu à tragédia lurdiana, calamidades comprovadas e confessadas, as mudanças urgentes são inúmeras. Seria incompreensível a imutabilidade.

 

Por que será, então, que a escola portuguesa está permanentemente em ebulição reformista?

 

Há, desde logo e há muito, duas constantes: temos grupos na primeira linha em todas as áreas e não conseguimos eliminar o abandono e o insucesso escolares. Ou seja: o aumento de pessoas na primeira linha tem uma proporcionalidade directa com a quantidade da classe média, como foi evidente no período que antecedeu a bolha imobiliária de 2008 e que se iniciou em meados da década de noventa do século XX; ponto final parágrafo.

 

Eliminar os exames, anuais e gerais, do 4º ano é óbvio por motivos mais do que conhecidos. Introduzir provas de aferição no 2º ano, anuais e gerais, é da família que nos trouxe até aqui. E porquê? Porque remete para o ensino responsabilidades que são da sociedade ausente quando o argumento é a detecção de dificuldades que levam à exclusão. Neste sentido, esta prova de aferição é completamente dispensável mas servirá o discurso político mainstream numa democracia mediatizada que é incapaz de responsabilizar a sociedade pela educação das crianças.

 

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Domingo, 20.12.15

 

 

 

"As falhas dos programas da troika são assumidas pelo próprio FMI que assume que teria sido melhor fazer uma reestruturação das dívidas públicas demasiado elevadas como a portuguesa", destaca o Público. E podemos recordar outros trios com argumentos na matéria: dois Nobel, Stiglitz e Krugman, e um a caminho, Piketti, adivinharam a tragédia lusitana sustentada por trios de colossos incompreendidos: Medina Carreira, Camilo Lourenço e Gomes Ferreira (César das Neves como suplente) ou PaFistas, Cavaquistas e "Compromisso Portugal". Do último trio espera-se que não reneguem o legado "além da troika e destruição criadora". Tragédias que a história explicará.

 

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Quarta-feira, 16.12.15

 

 

 

Para que não restem dúvidas: o Governo de Passos foi muito além da troika principalmente na Educação e nos professores; menos 34 mil professores em quatro anos (é um corte de mais de 50 mil numa década) e, como sempre se disse, os professores do quadro são actualmente 97 mil. Nada disto se relaciona com a demografia. Só mais um detalhe para os que dizem que os professores nada fizeram neste período. A situação mais difícil que conheci passou por uma greve a exames e a avaliações em Junho de 2013. Resultados? Em vez de um corte de 34 mil em 4 anos seriam mais de 50 mil.

 

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Sábado, 05.12.15

 

 

 

"PS arrasa aposta educativa do anterior Governo. Vai acabar o ensino vocacional do 5.º ao 9.º ano. O básico volta a ser "integrado, global e comum a todas as crianças" percebo a ideia, avançada pelo DN, tal a carga ideológica dos mentores da PàF que só não começaram o ensino dual no pré-escolar porque parecia mal.

 

A generalidade das turmas vocacionais são antecâmaras de delinquência juvenil ou parques de estacionamento de potenciais desempregados. Tem sido assim nas últimas décadas. Mudam as designações quando mudam os governos. Desta vez agravou-se com a sobrelotação além da troika.

 

Este fatalismo é uma prova da sociedade ausente que deixa tudo à escola transbordante. Não actua quando a desgraça se projecta nos primeiros anos de escolaridade e desorienta-se quando a tragédia chega à adolescência e tem o sistema prisional como destino. Mas como se exige optimismo, a interrogação faz-se em linguagem escolar: o vocacional vai para intervalo ou anulou a matrícula?

 

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Quinta-feira, 12.11.15

 

 

 

"34 mil professores eliminados em 4 anos" diz o relatório, pós-eleitoral, 2014 do CNE e se não fosse a luta mais difícil da última década (Junho de 2012), com uma impopular greve a exames do 12º ano, e a todas as avaliações de final de ano, "aos 30 mil eliminados acrescentaríamos 20 mil" (meti aspas na última frase porque fui buscá-la a um post antigo muito contestado; diziam que os números eram exagerados e afinal apurei-os por defeito). Se os professores não o tivessem feito, mais de 10 mil dos quadros seriam empurrados para uma brutal requalificação rosalina e mais uns 10 mil ficariam sem contrato.

São mais de 50 mil numa década e em que o efeito demográfico foi residual para estes números. Sabe-se que o corpo docente está saturado com tanto atropelo pedagógico e democrático e dentro de uma década o país será confrontado com sérios problemas para contratar professores.

 

1ª edição em 18 de Outubro de 2015

 



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Segunda-feira, 09.11.15

 

 

 

Ouvi há pouco Passos Coelho, e terminada a campanha eleitoral, ser coerente: o seu Governo teve as limitações da troika mas executou as "transformações da sociedade". Ou seja, a "destruição criadora" fez do além da troika o seu programa.

 

Foi também hoje que li que Merkel, Schäuble e Dijsselbloem estão "preparados para trabalhar com qualquer Governo legítimo". Em 23 de Outubro de 2015 escrevi assim (com o risco de me citar): "Ao excluir o BE e a CDU de qualquer solução governativa (sabia que o desenho é um Governo PS com maioria parlamentar?), o PR conseguiu vários objectivos: reforçar a união à esquerda (até apelou a dissidentes para os anular de vez), fragilizar a candidatura de Marcelo R. Sousa e facilitar as mudanças nos partidos da PàF. Ontem disse tudo o que as suas hostes queriam ouvir, nomeadamente que a coligação à esquerda ainda é inconsistente (António Costa ajudou ao declarar que o acordo ainda não está assinado). Daqui por uma dezena de dias a esquerda terá tudo preparado, o PR não terá outro remédio e os seus já estarão preparados para a indigitação de António Costa. O PR, tal como a Merkel, syrizou?". Uns dias depois, o PR fez um discurso mais conciliador, prepara-se para indigitar um novo primeiro-ministro e terminar da melhor forma possível o seu mandato.



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Segunda-feira, 02.11.15

 

 

 

A presença da troika provocou um corte de 5 mil milhões de euros nos funcionários públicos e os além da troika colocaram os professores destacadíssimos no topo dos cortes. Há carreiras na administração central equivalentes às dos professores que não sofreram qualquer corte "do além". Não advogo uma qualquer inveja social, mas há profissionais que ficaram, por exemplo, aos 50 anos de idade sem qualquer serviço atribuído e não ouviram, ao contrário dos professores, soletrar termos como mobilidade ou requalificação e que se reformam aos 55 sem penalização. É justo, e muito para além da comparação entre carreiras, que os sindicatos de professores apresentem novas propostas; como se pode ler e assinar nesta petição.



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Domingo, 18.10.15

 

 

 

Considero precipitado anunciar o "fim" do centro político e o início de um segundo fôlego da democracia portuguesa. Parece-me que os factos são de outra natureza. Já se vislumbra uma clarificação no PS, mas o PSD mantém-se na nuvem que a volúpia do poder permite.

 

Quando há cerca de um ano Mário Draghi e o BCE mudaram a trajectória em 180 graus, era previsível, como logo se disse, que os indicadores europeus melhorassem e que Portugal escapasse à bancarrota inapelável com as políticas além da troika: mais dívida, mais défice a prazo e mais empobrecimento. A PàF nasceu como "máscara eleitoral", provocou a radicalização à direita e a "impossibilidade" do PSD governar com quem está à sua esquerda. Passos Coelho escolheu assim e prestará contas internas pela "opção". Por outro lado, António Costa disse que não viabilizava um Governo da frente de direita (seria a pasokização), foi penalizado em votos e tenta respirar; necessita, logo que possível, de uma legitimação interna.

 

E repito o que escrevi antes das eleições:

 

"O PS não fez tudo o que era exigível na preparação atempada da candidatura e na clareza em relação ao legado dos governos de Sócrates. A CDU afirmou-se inamovível e no mesmo sítio de há quatro décadas. As outras esquerdas revelaram a tal inflação de egos e não compreendem por que é que os eleitores não votam num Syriza? O bloco de esquerda, e quando se consolidava, desmembrou-se em três e se não fosse o mérito de duas ou três figuras teria um resultado fraquíssimo. Se os eleitores derrotarem a direita e afirmarem uma governabilidade que exija consensos, a esquerda só pode agradecer a sageza do colectivo."

 

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Domingo, 27.09.15

 

 

 

 

Se os eleitores ficarem "totalmente" indiferentes à banalização do mal ou da mentira, uma democracia deve preocupar-se com a saúde. Sabemos da antiga presença da mentira em campanhas eleitorais, mas há limites. Quando o INE inscreve 4,9 mil milhões de euros no défice de 2014 que atinge uns tresloucados 7.2%, é inadmissível que Passos, sem mexer um músculo da face, anuncie uma vitória através dos juros a receber pelo Estado. O Estado emprestou ao fundo de resolução através de um empréstimo que contraiu; juros pagos com juros. A menos que a tortuosidade de Passos o levasse a pensar que o Estado emprestou à banca o que o Governo cortou além de troika: o que era ainda mais indecente. Défice, dívida, além da troika e emigração de piegas são outros ridículos em que caiu Passos Coelho. Era impensável o tratamento dado aos portugueses: sois parvos, insiste o candidato. Percebe-se ainda melhor o afastamento preocupado de Ângelo Correia, Ferreira Leite ou Pacheco Pereira. Mas a desfaçatez do "gerente" Passos é tal que anunciou um parabéns ao "sem medo" Tsipras. É impressionante esta descida para além do fundo.

 

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Domingo, 20.09.15

 

 

 

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Começou, finalmente e só agora :), a campanha eleitoral. Os nossos calendários são, realmente, de uma complexidade tortuosa e crescente. 

 

Espero que este seja o ultimo post sobre as políticas de Nuno Crato ainda como ministro. 

 

Percebia-se que Crato era elitista, que tinha palas ideológicas e que não conhecia o ensino não superior. Mas o que se tornou ainda mais marcante, foi o uso do que classificou nos seus antecessores como "pato-bravismo": generalizar sem testar. Se nos cortes a eito ou nos alunos por turma estava dominado pelo "além da troika" do Governo (embora tenha dito que "uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15. Depende do professor e da sua qualidade"), já na industria dos exames ou nos concursos de professores o seu dedo populista foi determinante.

 

A industria dos exames perturbou a vida das escolas. Testar implicava fazer como nos países civilizados, principalmente nos exames dos mais novos: escolher umas escolas anualmente, ou umas regiões, e aprender com respeito pelo bem comum. Nos concursos BCE exigia-se um processo semelhante. Mas não. Crato revelou toda a sua impreparação desde início e foi mesmo para além da generalização sem testar como ficou patente na conferência de imprensa com a presença técnica de Laura Loura que apresentaria um "power point" sobre a fórmula do crédito horário das escolas. Anunciou o que desconhecia e a "especialista" em estatística que o acompanhava não encontrou local onde meter uma tal de "pen drive" terminando assim de uma forma risível uma conferência de imprensa inédita e inesquecívelEnfim: uma tragédia feita comédia que se recorda em vídeo.

 

 

 



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Sábado, 25.07.15

 

 

 

Os professores desencadearam a luta mais difícil (Junho de 2012) da última década com uma impopular greve a exames do 12º ano e a todas as avaliações de final de ano. Não teve o impacto mediático das grandes manifestações (há hoje, e até em 2012, menos professores, 100 mil, do que os que se manifestaram em 2008,140 mil de 170 mil), mas atingiu objectivos de forma mais precisa. Se não o tivessem feito, mais de 10 mil professores dos quadros seriam empurrados para uma injusta e brutal requalificação rosalina e mais uns 10 mil ficariam sem contrato. Ou seja, aos 30 mil eliminados que refere o chefe do Governo acrescentaríamos 20 mil.

 

É bom que se sublinhe, e nesta altura mais ainda, que as lutas valem a pena. Está em vigor um despacho de crédito de horas que disfarça os cortes a eito dos além da troika: alunos por turma, cortes curriculares, horários dos professores e mega-agrupamentos. E já se sabe: se estes cortes a eito se mantiverem, basta que um Governo elimine o referido despacho para que a tragédia se acentue.

 

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Sexta-feira, 17.07.15

 

 

 

 

"A Alemanha não perdoou a ousadia grega e humilha-os", concordo com a frase que ouvi na TSF como também percebo o que Tsipras afirmou há dias: "Quem tiver uma solução alternativa que avance e diga qual é". Sabemos que os tempos são de vórtice informativo e que quem não for rápido não existe, mas tenho lido muita conclusão sobre um caso grego que ainda mal saiu do adro. É bom que alguma prosápia portuguesa seja contida, uma vez que não revelamos à superfície indicadores como os da "Grécia 2014", na imagem, porque o líder governativo Victor Gaspar só durou dois anos, porque a cena "do irrevogável" fragilizou o ímpeto além da troika e porque existe o "incómodo" Tribunal Constitucional.

 

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Terça-feira, 14.07.15

 

 

 

Está a ser penoso o fim de mandato de Nuno Crato. Percebeu-se que a sua "vocação" era mais o superior, mas o além da troika "empurrou-o" para o desastre também aí. No não superior parece que eram outros os administradores e Crato limitou-se a umas epifanias e a continuar o rol de impreparações iniciadas em 2003. Reforça-se a estupefacção com a sua recente desconfiança em relação à melhoria nos exames de Matemática (12º ano): mas já nem a sombra acompanha a imagem?

 

Claro que só uma sociedade ausente e doente mediatiza tanto os exames do não superior. O sistema escolar está gravemente doente e já não disfarça um clima de trafulhices e trapalhadas. É um estado de sítio legislativo. Nada há a fazer? É evidente que muito se pode fazer e nem adianta o argumento financeiro; é prioritário restabelecer a democracia e desburocratizar mesmo; digamos que são coisas de somenos (porque diminuem a despesa sem ser com o corte de pessoas e têm ganhos de confiança nos actores) para o mainstream estratosférico. E para começar, é importante que termine este ciclo radical que ficará nos rodapés da história como o período em que havia "mais exames do que aulas".

 

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Segunda-feira, 13.07.15

 

 

 

"O Governo português é uma espécie de animal doméstico de estimação da Alemanha e não quero acreditar que o caderno eleitoral interno norteie as suas decisões", disse o sensato Pedro Santos Guerreiro do Expresso ontem na SICN. Esta triste figura histórica do Governo português teve hoje mais um episódio de bicos-de-pés e de falácia eleitoral que dará boas caricaturas: "Passos assume autoria da medida que permitiu acordo". É um vale tudo, realmente. Não tarda e era aquém da troika desde pequenino.



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Segunda-feira, 06.07.15

 

 

 

Nem o "Novo Banco" disfarça (a mediatização do oxi grego tem camuflado mais um desastre) o destino dos empréstimos: mais 2 mil milhões para a parte boa do banco num processo semelhante a 80% do capital injectado na Grécia: J. P. Morgan e Goldman Sachs foram os fiéis sorvedouros. Os defensores políticos destes procedimentos desorientaram-se com os gregos e andam a exigir referendos para incluir a Grécia. Imagina-se o desespero dos "bons alunos" e mais ainda dos "além da troika".

 

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 Primeira página do Expresso de 04 de Julho de 2015.



publicado por paulo prudêncio às 10:31 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 01.07.15

 

 

 

Se choca, e com razão, os analistas que se tenha cortado, nos últimos anos, 25% dos funcionários públicos gregos, então o que se dirá do corte no número de professores portugueses que foi superior a 30%?



publicado por paulo prudêncio às 18:07 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 30.06.15

 

 

 

... o que diremos dos para além da troika?



publicado por paulo prudêncio às 16:41 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 21.06.15

 

 

 

 

Foi com Nuno Crato que os professores desencadearam a luta mais difícil (Junho de 2012) da última década com uma impopular greve a exames do 12º ano e a todas as avaliações de final de ano. Os cortes a eito (nomeadamente os aumentos de alunos por turma e nos horários dos professores, os cortes curriculares e os mega-agrupamentos) foram o motivo. Se os professores não tivessem decidido assim, cerca de 10000 dos quadros seriam empurrados para uma brutal requalificação rosalina e mais uns 10000 ficariam sem contrato.

 

Como resultado dessas acções, o MEC comprometeu-se a incluir no despacho de organização do ano lectivo uma compensação horária conjuntural para impedir mais horários zero. Este ano voltou a sair tarde e está aqui.



publicado por paulo prudêncio às 11:04 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 18.06.15

 

 

 

A não derrota em toda a linha dos gregos descontrola a direita europeia, com particular incidência nos "bons alunos" ou que tenham eleições à vista.

 

O insucesso do programa de afundamento, outrora ajustamento, é já impossível de esconder. Ainda por cima, e Tsipras joga com isso, Putin espreita uma qualquer tábua de salvação com a segurança de que a multiplicação do grexit arruinaria uma União Europeia que não consegue sequer salvar uma pequena economia; e Pequim observa.

 

Os revisionismos são agora mais difíceis. A Grécia era um país do sólido centrão europeu, mas com o programa referido, o arco governativo esfumou-se, os "radicais" diversos entraram no parlamento, os excluídos passaram a grupo maioritário, o PIB caiu acima dos 20%, os inúmeros desenhos económicos falharam e olhamos para o presidente português e revemos os mentores que mais parecem os últimos inconscientes da tragédia do Titanic. Alguém que acorde o senhor, que lhe mude a receita ultraliberal e que lhe segrede que o mundo pula e avança. Quanto ao PS, percebe-se a desorientação e o compasso de espera com a ideia dos prognósticos no fim do jogo.

 

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publicado por paulo prudêncio às 14:23 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 16.06.15

 

 

 

E já agora, como é que vai o amontoado de freguesias e municípios? Por que é que o imperativo troikano não se aplica à primeira pele da partidocracia?



publicado por paulo prudêncio às 09:48 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 15.06.15

 

 

 

 

No Sábado, no Público, foi o presidente do IAVE que concluiu que "os exames não estão a gerar melhorias nas aprendizagens". Estas surpreendentes afirmações levaram muitos a intuir uma mudança de embarcação para o caso das legislativas "derrotarem" a actual maioria.

 

Hoje foi um representante dos dirigentes escolares, Filinto Lima de seu nome, que disse à Antena 1, salvo erro, que um novo Governo não pode mudar as políticas educativas. Ou seja, para este dirigente, que talvez sinta a embarcação com lotação esgotada, tudo o que veio além da troika deve permanecer incólume.

 

Por acaso, este mesmo dirigente denunciava, há mês e meio e no mesmo jornal, a antiga ideia de nomeação pelo MEC das direcções escolares unipessoais (falava em boys); sublinhe-se que a "iluminação" é bem aceite em largos sectores do bloco central. O dirigente não concorda, tem razão e pede mudanças. Mas deve saber que é esse o espírito da lei vigente e que é um próximo passo na descentralização prevista: nomeação pelo poder municipal.

 

Mas no mesmo texto também diz que os Conselhos Gerais, que escolhem os directores escolares, são uma democracia "muito fraca quantitativamente" (e qualitativamente, já que há conselheiros que confessam nem ter tempo para ler projectos e candidaturas), dando eco aos que afirmam a comprovada imaturidade destes órgãos que transformaram a epifania de concurso seguido de eleição numa demonstração do pior que tem a partidocracia. Será que o dirigente quer que nada mude ou é apenas uma questão de lugar na embarcação e de frenesi?

 

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publicado por paulo prudêncio às 13:20 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 08.06.15

 

 

 

 

Nuno Crato diz hoje ao económico que "(...)vivemos momentos excepcionais, de que já nos esquecemos um pouco. Há quatro anos, quando chegou a troika, estávamos em pré-bancarrrota. Estivemos num período de vigilância e fomos obrigados a seguir um programa com grande atenção aos gastos. Na educação também foi necessária contenção de custos muito grande, sobre (...)a constituição de turmas.(...)". É a mesma pessoa que em 5 de Junho de 2013 disse, numa inenarrável entrevista televisiva em que se pôs a dissertar sobre a relação entre a formação dos professores e o número de alunos por turma, que "uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15. Depende do professor e da sua qualidade".



publicado por paulo prudêncio às 18:08 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

 

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publicado por paulo prudêncio às 10:55 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 02.06.15

 

 

 

 

Nuno Crato, esse misturador do "além da troika" com o Eduquês II, aumentou o número de alunos por turma, cortou a eito em tudo o que achava não estruturante e acentuou a infernização da profissionalidade dos professores. Para além disso, criou, ou permitiu, uma catadupa de exames acrescentados, em alguns casos, de apoios no período pós-lectivo para as crianças com negativas. Os resultados do conhecido mais do mesmo são inequívocos: "foi uma espécie de engodo".

 

Achar que se recupera crianças com apoios entre Junho e Julho testados por uma segunda fase de exames, é algo só ao alcance do mix referido. Turmas mais pequenas, apoios ao longo do ano e professores motivados são ideias despesistas.

 

Não sei se podemos criar algum optimismo.

 

Parece que se prepara uma nova vaga centrada no conjuntural, e justo, "novas oportunidades". Ou seja, nem uma linha sobre a redução do número de alunos por turma, sobre a reposição da sensatez nos currículos e na profissionalidade dos professores ou sequer nessa coisa de "somenos" que é o ambiente democrático das escolas (os socialistas mais socráticos e lurditas d´oiro fascinaram-se com o modelo GES/BES/BCP/BPN/BPP).

 

Dá ideia que não se mexe nisso para se eternizar a necessidade de "novas oportunidades". É que nem algumas pessoas da ciência se convencem mesmo que só terão alunos se aumentarem a base no ensino não superior "regular" e num profissional digno.



publicado por paulo prudêncio às 11:16 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 24.02.15

 

 

 

Está a ter alguma mediatização a bloqueada redução, através da idade combinada com o tempo de serviço, da componente lectiva dos professores. Estamos em presença de uma deriva legal que começou a ser praticada em 2008 (a lei é de 2007) quando o Governo de então promovia uma guerra aos isolados professores (palavras de António Costa) e a sociedade lusa aplaudia. Claro que os professores grisalhos eram o alvo a abater e o nivelamento por baixo a regra. Seguiu-se a malta além da troika e a linha de água imergiu de vez.

 

Como em todas as florestas ou selvas, há árvores no sistema escolar que estão desde o início a remar contra a maré. Só que também há os eucaliptos (nos salões e corredores lisboetas acotovelam-se), normalmente, e há muito, sem sala de aula ou com a esperança de que já lá não regressem, que acham que pagam os salários dos professores e que vêem na letra da lei um espírito eternamente jovem e implacável: professor idoso é mais preguiçoso do que laborioso. É até célebre aquele eucalipto que telefonou para o MEC a perguntar o lado do selo branco e sobre esta lei deve ter repetido a busca de sapiência; quem o conhecia afirmava que para as golpadas tinha sempre resposta expedita.

 

Pelo descrito, criaram-se as condições para que a lei das reduções fosse troikada. O que era e é claro (2 horas de redução (ou mais duas) aos 50 anos de idade e 15 anos de serviço; mais 2 horas de redução aos 55 anos de idade e 20 anos de serviço; mais 4 horas de redução aos 60 anos de idade e 25 anos de serviço; e isto independente das horas de redução consideradas antes de 2007 e sempre no limite de oito) tornou-se numa vã glória de mandar num sistema escolar mergulhado na selva da desesperança e que moveu uma assumida guerra aos seus professores com o contributo de demasiados eucaliptos: ignorou-se a acumulação com o "e isto independente das horas de redução consideradas antes de 2007 e sempre no limite de oito".

 

Nota: deve sublinhar-se que existem escolas que cumpriram a lei. 

 

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publicado por paulo prudêncio às 09:21 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Domingo, 22.02.15

 

 

 

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O Governo está em pânico com as próximas eleições e com o julgamento histórico; é coerente. Começou além da troika e preparava-se para a aura da salvação. A resolução dos problemas imediatos dos bancos alemães e o sucesso eleitoral do Syriza, e tudo aquilo que mais tarde se venha a saber, inverteram a história e os possíveis votos. Nesta fase, é escusado falar ao Governo de interesse nacional: a tragédia associada a um erro histórico monumental, já denunciado por Gaspar, desorientaria qualquer um.

 

O efeito eleitoral PASOK e Nova Democracia paira de tal forma que até o indizível Marcelo R. Sousa classificou Varoufakis como um artista da bola. Para além da diminuição do conceito "artista", o candidato gosta de discutir a esse nível e o conhecido frenesi tira-lhe a compostura. Talvez nem saiba que tem muito a aprender com Varoufakis, desde logo a educação com que Varoufakis tratou Maria Luís que também terá muito a aprender com Varoufakis (assim mesmo, repetido quatro vezes no mesmo parágrafo).



publicado por paulo prudêncio às 22:35 | link do post | comentar | partilhar

Sexta-feira, 20.02.15

 

 

 

 

A crise humanitária portuguesa não é tão grave como a grega porque existe o tribunal constitucional. O Governo português, "inspirado" pelo fanatismo da destruição criadora, não pensou no país e agora envergonha-nos. Esta conclusão só pode ser considerada "uma espuma dos dias" por quem viva na estratosfera ou tenha sido picado pelo império do mal.

 

Quando hoje se lê que "em Atenas se diz que Portugal e Espanha foram os que mais dificultaram o acordo", acertaremos de novo se concluirmos: para além do radicalismo ideológico, temos dois governos apavorados com as próximas eleições.

 

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