Em busca do pensamento livre.

Segunda-feira, 28.08.17

 

 

 

 

A troika e as avaliações, os fanatismos ideológicos, o casino financeiro, os offshores, os paraísos fiscais instalados, e há muito, em países europeus, o experimentalismo a que sujeitaram Portugal, a febre dos mercados e os jogos de sombras que capturaram o orçamento do Estado, são algumas das razões que transportaram a manipulação para o auge.

 

Por mais que os mentores confessem erros, não existirá desculpa histórica. O prolongamento da crise de 2008 reforça a responsabilidade e as consequências tornam-na inapelável.

 

Recordo as 10 estratégias de manipulação enunciadas por Noam Chomsky. Publico as 4 primeiras.

 

"1. A estratégia da manipulação. O elemento primordial do controlo social é a estratégia da distracção que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou a inundação de contínuas distracções e de informações insignificantes. A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir que o público manifeste interesse pelos conhecimentos essenciais na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar".

2. Criar problemas e depois oferecer soluções. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise económica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3. A estratégia da gradação. Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições sócio-económicas radicalmente novas foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram empregos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4. A estratégia do diferido. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é sentido imediatamente. Em seguida, porque o público tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e aceitá-la com resignação quando chegue o momento."

 

2ª edição

 

 

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Domingo, 09.07.17

 

 

 

"(...)É preciso ter topete, falta de vergonha, descaramento. Depois de 5 anos (2011-15) em que o investimento público foi reduzido em 40%(...)a direita, melhor, esta direita encabeçada pela actual direcção do PSD, que utilizou o Estado como saco de boxe(...)venha clamar contra o enfraquecimento do Estado(...)Esta justa opinião de Nicolau Santos (Expresso) tem subscritores com falta de memória. Nos detalhes do texto não há referências à educação; apenas, e por inerência, nos cortes de ordem geral. É uma omissão. Num texto destes não cabe a totalidade. Compreende-se. Mas olhar para a educação pode servir de modelo.

Se usarmos o período 2005-15, e não apenas 2011-15, registaremos o encerramento de metade (4000) das escolas públicas (e o aumento de "privadas", com um pico em 2005/10 e uma quebra apenas em 2016) e o corte de mais de 40 mil professores (mais de 30%; 70% eliminados por Crato). Se a PàF não se pode desculpar com a troika porque subscreveu um-além-programa e porque é essa a sua ideologia, o PS-absoluto iniciou os cortes antes da crise de 2007. Se foi também por causa das metas europeias, então as forças que têm governado que assumam o que assinaram e o que não está escrito em lado algum. Houve escolhas "não inscritas" que PàF e PS-absoluto partilharam: PPP´s ruinosas, participação em desvarios financeiros - para ser brando e sem convocar corrupção comprovada -, falhas exclusivas no software que regista saídas para offshores e maior transferência da história de recursos financeiros das classes média e baixa para a alta através do encerramento a eito de serviços públicos para fazer face a imparidades, crédito malparado e juros de dívida de toda a espécie.

 

Nota: Tancos é outro assunto. As forças armadas têm que garantir a segurança do armamento.

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Segunda-feira, 12.06.17

 

 

 

Passos Coelho apressou-se a dizer "que não éramos a Grécia (2011)". Foi uma vergonha. Agora, ficamos a saber que um "acordo secreto de Merkel isolou Schäuble e Portugal. A chanceler alemã fez um acordo com a Grécia, em 2015, contra a vontade do seu ministro das Finanças. Numa reunião do Eurogrupo, Schäuble opôs-se, em vão, e só teve o apoio de Portugal e da Espanha, conta Yanis Varoufakis, o ex-ministro grego". Aguardemos os desenvolvimentos.



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Sábado, 27.05.17

 

 

 

A propósito da revolução que a presença da troika destapou, recorda-se os teóricos da simculta revolução, na actualidade, pode ser tão rápida que nem damos conta. Há sinais da contra-revolução? Há sempre sinais; até existiram alguns, mas não sobreviveram. Nunca se sabe se uma contra-revolução será tranquila, mas espera-se que sim e igualmente rápida. Desta vez, percebe-se que as personagens carregadas de ideologia neoliberal ficaram com o discurso descontinuado e datado. Muito do mal não é reparável, embora a mensagem da imagem estimule os contraditórios que, sublinhe-se, não escapam à asserção: é mais rápido e fácil destruir do que construir. Há duas irrefutabilidades de sinal contrário sobre o que é revertível: não será com a mesma velocidade da queda, mas não depende de vontade divina.

 

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Quarta-feira, 24.05.17

 

 

 

Leia, sff, e tente adivinhar quem fez as declarações seguintes antes de encontrar a solução no parágrafo final.

  1. “Não é preciso ser altruísta para apoiar políticas que elevem a renda dos pobres e da classe média. Todos beneficiarão com essas políticas porque são essenciais para gerar crescimento mais alto, mais inclusivo e mais sustentado. Ou seja, para se ter crescimento mais duradouro será necessário gerar crescimento mais equitativo."
  2. "Novos estudos demonstram que elevar em um (1) ponto percentual a parcela da renda dos pobres e da classe média aumenta o crescimento do PIB de um país até 0,38 pontos percentuais em cinco anos. Em contrapartida, elevar em um (1) ponto percentual a parcela da renda dos ricos reduz o crescimento do PIB em 0,08 pontos percentuais. Nossas constatações sugerem que – contrariando a sabedoria popular – os benefícios da renda mais alta estão a "espalhar" para cima e não para baixo. Para além de outras variáveis, constata-se que os ricos gastam uma fracção menor da sua renda o que reduz a procura agregada e enfraquece o crescimento. Os nosso estudos anteriores demonstram que a desigualdade excessiva de renda reduz, e na verdade, a taxa de crescimento económico e torna o crescimento menos sustentável com o tempo."

São declarações, em Bruxelas, de Christine Lagarde, em Junho de 2015, baseadas no boletim oficial do FMI de 17 de Junho de 2015 que integra o estudo, também de Junho de 2015 e do mesmo FMI"Causes and Consequences of Income Inequality: A Global Perspective". Se Maquiavel estivesse por cá, teria explicação: "disse ao Príncipe: faz a maldade toda em pouco tempo e depois confessa-a; sei lá: afirma-te neoliberal no início e "social-democrata para sempre" no fim; confia na sabedoria popular."

 

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Quarta-feira, 17.05.17

 

 

 

Nada mudou depois da troika? Não. Portugal mudou e progrediu. Enfrentou o medo. Mudou o Governo, com uma maioria parlamentar inédita, mudaram políticas, com a emblemática recuperação salarial em primeiro lugar, e a situação externa é mais favorável. Mudou o discurso, interno e externo, e os níveis de confiança subiram. Neste sentido, é imperativo que se continue.

Algo semelhante acontece, há décadas, com a organização tradicional da escola. É difícil mudar. É dado a demagogias. O Governo lançou a ideia antiga da interdisciplinaridade a pensar no futuro, no ensino e nos alunos. Há países nesse caminho. Portugal experimentou-o na mudança de milénio. Aumentarm duas componentes críticas: burocracia inútil e reuniões de agenda repetida. Os excessos das ciências da educação cruzados com os atavismos das ciências da administração foram fatais. O processo caiu. São os principais cuidados a ter. Geram receios. O Governo recuou na proposta inicial. Exigiu-se razoabilidade e maturidade. Anunciam-se 140 escolas, convidadas ou voluntárias, para experimentarem o tal regresso ao futuro. A ousadia de mudar é sempre uma vantagem se comparada com o fim da história. Fazê-lo com sensatez é recomendável. A exemplo da economia e das finanças, é também imperativo que o sistema escolar altere variáveis ainda mais decisivas e emancipadores. 



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Sexta-feira, 05.05.17

 

 

   

A pessoas estão mais optimistas com este Governo, mas mantêm-se - e acentuam-se com o tempo "inamovível" - as componentes críticas da vida profissional de milhares de professores. E nem todas têm implicações financeiras; algumas melhoravam a capacidade volitiva, atenuavam o burnout e reduziam a despesa.

É a 5ª edição desta curta radiografia. A 1ª é de 5 de Novembro de 2015, a 2ª de 10 de Junho de 2016, a 3ª de 20 de Novembro de 2016 e a 4ª de 26 de Janeiro de 2017. Repito o post enquanto se justificar, não esquecendo as intervenções positivas em variáveis importantes (por exemplo: concursos BCE, prova de acesso e rede escolar).

Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além dos cortes transversais e da aposentação retardada. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira (um histórico com marcas profundas), mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".

 

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  Faces, Picasso



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Quinta-feira, 26.01.17

 

 

 

O ambiente no país melhorou com o novo Governo, mas é inquestionável, e com todo o realismo, que se mantêm as componentes críticas da vida profissional de milhares de professores. Temos o dever de o sublinhar. E nem todas têm implicações financeiras; algumas melhoravam a capacidade volitiva, atenuavam o burnout e reduziam a despesa.

É a 4ª edição desta curta radiografia. A 1ª é de 5 de Novembro de 2015, a 2ª de 10 de Junho de 2016 e a 3ª de 20 de Novembro de 2016. Vou repetindo o post enquanto se justificar, sem esquecer boas intervenções em variáveis importantes (por exemplo: concursos BCE, prova de acesso e rede escolar).

Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além, obviamente, dos cortes transversais e da aposentação retardada. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".

 

 

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 Faces, Picasso



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Terça-feira, 03.01.17

 

 

 

A propósito da revolução, iniciada em 2005 ou até em 2003, que a presença da troika destapou, recordo os teóricos da simcultna actualidade, uma revolução pode ser tão rápida que nem damos conta. Há sinais da contra-revolução. Não sei se será tranquila, mas espero que sim. Que seja tranquila e igualmente rápida. O que me parece é que as personagens carregadas de ideologia ultraliberal ficaram com o discurso descontinuado e datado. Muito do mal não é reparável, embora a mensagem da imagem estimule os contraditórios que, sublinhe-se, não escapam à asserção: é mais rápido e fácil destruir do que construir. Há duas irrefutabilidades de sinal contrário sobre o que é recuperável: não será com a mesma velocidade da queda, mas não depende de vontade divina.

 

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Segunda-feira, 19.12.16

 

 

 

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Quinta-feira, 15.12.16

 

 

 

 

Leia, sff, e tente adivinhar quem fez as declarações seguintes antes de encontrar a solução no parágrafo final; mas sentado como na imagem (prémio 2014 do melhor cartoon da Press Cartoon Europe).

  1. “Não é preciso ser altruísta para apoiar políticas que elevem a renda dos pobres e da classe média. Todos beneficiarão com essas políticas porque são essenciais para gerar crescimento mais alto, mais inclusivo e mais sustentado. Ou seja, para se ter crescimento mais duradouro será necessário gerar crescimento mais equitativo."
  2. "Novos estudos demonstram que elevar em um (1) ponto percentual a parcela da renda dos pobres e da classe média aumenta o crescimento do PIB de um país até 0,38 pontos percentuais em cinco anos. Em contrapartida, elevar em um (1) ponto percentual a parcela da renda dos ricos reduz o crescimento do PIB em 0,08 pontos percentuais. Nossas constatações sugerem que – contrariando a sabedoria popular – os benefícios da renda mais alta estão a "espalhar" para cima e não para baixo. Para além de outras variáveis, constata-se que os ricos gastam uma fracção menor da sua renda o que reduz a procura agregada e enfraquece o crescimento. Os nosso estudos anteriores demonstram que a desigualdade excessiva de renda reduz, e na verdade, a taxa de crescimento económico e torna o crescimento menos sustentável com o tempo."

Está sentado? Fique a saber que são declarações, em Bruxelas, de Christine Lagarde, em Junho de 2015, baseadas no boletim oficial do FMI de 17 de Junho de 2015 que integra o estudo, também de Junho de 2015 e do mesmo FMI"Causes and Consequences of Income Inequality: A Global Perspective". Se Maquiavel estivesse por cá, teria explicação: "disse ao Príncipe: faz a maldade toda em pouco tempo e depois confessa-a; sei lá: afirma-te neoliberal no início e "social-democrata para sempre" no fim; confia na sabedoria popular."

 

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Terça-feira, 13.12.16

 

 

 

É natural que apareça um "manifesto que pede menos poder para os directores escolares", que é uma forma de defender a alteração do que existe e o "regresso da democracia às escolas". Foi em 2008 que Lurdes Rodrigues impôs, com a ajuda obstinada de Sócrates e o apoio fervoroso do arco governativo da altura, o modelo vigente, que é uma espécie de "pilar" sobrevivente. Os outros - professores titulares, estatuto do aluno-cliente e avaliação dos professores - caíram por inaplicabilidade (isto para ser brando), embora o último mantenha um estado deplorável de faz de conta ajudado pelo congelamento eterno das carreiras. Estes quatro "pilares" dilaceraram a atmosfera relacional nas escolas, que foram de seguida flageladas pelo além da troika apimentado com dois devaneios cratianos: indústria de exames e afunilamento curricular. Pergunta-se: mesmo assim os resultados dos alunos melhoraram? Claro que sim; até dos menos favorecidos. Há muito que se sabe que cerca de 60% do sucesso escolar se deve à sociedade (com destaque para a ambição escolar das famílias). Os restantes 40% (a organização das escolas e o desempenho dos professores) beneficiaram da capacidade de resiliência dos segundos como os estudos internacionais não se cansam de sublinhar (são os melhores dos países da OCDE a adaptar as aulas aos alunos).

 

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Domingo, 20.11.16

 

 

É a 3ª edição desta curta radiografia. É um facto que o ambiente no país está desanuviado, mas também é inquestionável que nada mudou no essencial na vida profissional de milhares de professores. A 1ª edição foi em 5 de Novembro de 2015 e a 2ª em 10 de Junho de 2016. Vou repetindo o post enquanto se justificar e apesar da eliminação de algumas variáveis importantes que não constavam do exame (por exemplo: concursos BCE e prova de acesso).

Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além, obviamente, dos cortes transversais. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".

 

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Domingo, 25.09.16

 

 

 

 

Quando leio divergências entre o Governo e a Comissão Europeia (ou o FMI) "sobre o que consta dos relatórios", (o Ministro Vieira da Silva desmente a comissão por causa das reformas em Portugal) lembro-me muitas vezes do "Pensar, Depressa e Devagar" do Nobel da economia (2002) Daniel Kahneman (2011:91). "Se 5 máquinas levam 5 minutos para fazer 5 peças, quanto tempo 100 máquinas levariam para fazer 100 peças? 100 ou 5 minutos? E se num lago há uma mancha de nenúfares que todos os dias duplica o tamanho e leva 48 dias a cobrir o lago inteiro, quanto tempo levaria a cobrir metade do lago? 24 ou 47 dias?" (tem os resultados no fim do post). Pediram a 40 estudantes de Princeton para responderem. Como pode ler na obra citada, os que leram os exercícios em folhas menos legíveis acertaram muito mais porque, diz o autor, aumentaram as funções cognitivas. Já ontem usei este exemplo e hoje publico uma imagem com duas rectas iguais que, à primeira vista, parecem diferentes por causa do sentido das setas o que terá também uma forte relação com o assunto do post.

 

Resultados: 5 e 47.

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Daniel Kahneman (2011:39), "Pensar, Depressa e Devagar",

Temas e Debates, Círculo de Leitores, Lisboa.



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Quinta-feira, 01.09.16

 

 

 

 

(Ao que vai ler, acrescente epifanias consecutivas 

com destaque para o concurso BCE,

para a prova PACC, para o desmiolo Cambridge,

e para a industria dos exames.)

 

 

 

"Uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15. Depende do professor e da sua qualidade", disse Nuno Crato numa inenarrável entrevista televisiva em que se pôs a dissertar sobre a relação entre a formação dos professores e o número de alunos por turma. Nuno Crato disse que concorda com o especialista norteamericano (é mesmo um hanushekiano) que andou por aí a apregoar o mesmo e revelou-se mais uma pessoa que nos deixa dúvidas quanto ao juízo ou ao conhecimento sobre uma escola do não superior. Temos de concordar: os professores portugueses têm azar com a sucessão de ministros. Nuno Crato afirmou a sua tese e nem sequer se escudou na troika; nesta variável está, também, para além dela.

 

William Golding, prémio Nobel da literatura em 1983 e professor no 1º ciclo durante 30 anos, foi taxativo numa entrevista à RTP2: " Com 30 alunos não há método de ensino que resulte, mas com 10 alunos todos os métodos podem ser eficazes". Essa entrevista descansou-me muito. Tinha leccionado cerca de 10 turmas do ensino secundário, cada uma com mais de 30 alunos, e estava preocupado com a profissão que tinha escolhido e com a minha memória. Já íamos em Maio e nem o nome dos alunos todos conhecia. Numa sociedade ausente como a nossa, e mais ainda nos tempos que correm, a relação entre os professores e os alunos atenua muito a taxa de abandono escolar para além de ser um indicador da qualidade do ensino. Nunca imaginei que 30 anos depois ouviria o ministro da Educação do meu país, qual Taliban, a defender uma coisa destas com a máxima convicção. Que tempos, realmente.

 

 

Este post é de 5 de Junho de 2013.

 



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Quinta-feira, 18.08.16

 

 

 

A troika e as avaliações, os fanatismos ideológicos, o casino financeiro, os offshores, os paraísos fiscais também, e há muito, instalados em países europeus, o experimentalismo a que sujeitaram Portugal, a febre dos mercados e os jogos de sombras que capturaram o orçamento do Estado são algumas das razões que transportaram a manipulação para um auge.

 

Por mais que os mentores confessem erros, não existirá desculpa histórica. O prolongamento da crise de 2008 reforça a responsabilidade e as consequências desastrosas tornam-na inapelável.

 

Recordo as 10 estratégias de manipulação enunciadas por Noam Chomsky. Publico as 4 primeiras.

 

"1. A estratégia da manipulação. O elemento primordial do controlo social é a estratégia da distracção que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou a inundação de contínuas distracções e de informações insignificantes. A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir que o público manifeste interesse pelos conhecimentos essenciais na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar".

 

2. Criar problemas e depois oferecer soluções. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise económica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

 

3. A estratégia da gradação. Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições sócio-económicas radicalmente novas foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram empregos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

 

4. A estratégia do diferido. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é sentido imediatamente. Em seguida, porque o público tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a ideia de mudança e aceitá-la com resignação quando chegue o momento."

 

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Sábado, 23.07.16

 

 

 1ª edição em 5 de Novembro de 2015.

 

 

Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além, obviamente, dos cortes transversais. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".



publicado por paulo prudêncio às 18:21 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Quarta-feira, 11.05.16

 

 

 

Ideologia



publicado por paulo prudêncio às 21:34 | link do post | comentar | partilhar

 

 

 

Não é normal, em democracia, que se a PàF governa à direita, um executivo apoiado no PS+BE+PCP o faça à esquerda? Mas queriam o quê? A eternização do arco que levou o país ciclicamente à bancarrota em nome de um suposto equilíbrio? Francamente. A PàF usou a troika para dar asas a um radicalismo ideológico de direita na Educação. Foi muito além das finanças em período de anestesia da massa crítica. O actual Governo tem estado a recentrar as políticas educativas depois de uma década de tempestades. Embora até discorde de vários aspectos, nomedamente do modelo de escola a tempo inteiro ou da não eliminação da hiperburocracia, não é disso que se trata no caso colégios "privados". Parece-me que o Governo procura a requerida disciplina orçamental e o cumprimento da lei. Em qualquer país da Europa se considera impensável a situação portuguesa.

 

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Quinta-feira, 04.02.16

 

 

 

Leia, sff, e tente adivinhar quem fez estas declarações antes de encontrar as soluções no parágrafo final; mas sentado como na imagem (prémio 2014 do melhor cartoon da Press Cartoon Europe).

 

  1. “Não é preciso ser altruísta para apoiar políticas que elevem a renda dos pobres e da classe média. Todos beneficiarão com essas políticas porque são essenciais para gerar crescimento mais alto, mais inclusivo e mais sustentado. Ou seja, para se ter crescimento mais duradouro será necessário gerar crescimento mais equitativo."
  2. "Novos estudos demonstram que elevar em um (1) ponto percentual a parcela da renda dos pobres e da classe média aumenta o crescimento do PIB de um país até 0,38 pontos percentuais em cinco anos. Em contrapartida, elevar em um (1) ponto percentual a parcela da renda dos ricos reduz o crescimento do PIB em 0,08 pontos percentuais. Nossas constatações sugerem que – contrariando a sabedoria popular – os benefícios da renda mais alta estão a "espalhar" para cima e não para baixo. Para além de outras variáveis, constata-se que os ricos gastam uma fracção menor da sua renda o que reduz a procura agregada e enfraquece o crescimento. Os nosso estudos anteriores demonstram que a desigualdade excessiva de renda reduz, e na verdade, a taxa de crescimento económico e torna o crescimento menos sustentável com o tempo."

 

Está sentado? Pois fique a saber que são declarações, em Bruxelas, de Christine Lagarde, em Junho de 2015, baseadas no boletim oficial do FMI de 17 de Junho de 2015 que integra o estudo, também de Junho de 2015 e do mesmo FMI"Causes and Consequences of Income Inequality: A Global Perspective". Se Maquiavel estivesse por cá, teria explicação: "disse ao Príncipe: faz a maldade toda em pouco tempo e depois confessa-a; sei lá: afirma-te neoliberal no início e "social-democrata para sempre" no fim; confia na sabedoria popular."

 

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Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
Discordâncias:
Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
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