Em busca do pensamento livre.

Sexta-feira, 17.02.17

 

 

 

OCDE conclui com base em indicadores financeiros. Um Governo que não pode viver para lá do défice, receia modificar numa área "sem" receitas como a Educação. Depois de anos a fio de cortes, a OCDE olhará para os orçamentos da Educação desde 2005 (construídos na escola do Goldman Sachs com números que diferem de instituição para instituição: OCDE-Eurostat, INE, Pordata/DGO e ME) e receitará pelo "seguro". A recomendação da manutenção dos agrupamentos de escolas obedece a estes receios e "não reconhece" o aumento de despesa em algumas rubricas nem as variáveis com visibilidade a médio e longo prazos. Até as variáveis de "tolerância" (nomeadamente a partilha de professores e de outros profissionais) seriam tratadas, com vantagens, num modelo de proximidade como o que já existiu antes da empreitada do Governo de Durão BarrosoComo alguém disse, é bom que não "se confunda a árvore com a floresta" porque disso já tivemos que chegue.

 

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Quinta-feira, 26.01.17

 

 

 

O ambiente no país melhorou com o novo Governo, mas é inquestionável, e com todo o realismo, que se mantêm as componentes críticas da vida profissional de milhares de professores. Temos o dever de o sublinhar. E nem todas têm implicações financeiras; algumas melhoravam a capacidade volitiva, atenuavam o burnout e reduziam a despesa.

É a 4ª edição desta curta radiografia. A 1ª é de 5 de Novembro de 2015, a 2ª de 10 de Junho de 2016 e a 3ª de 20 de Novembro de 2016. Vou repetindo o post enquanto se justificar, sem esquecer boas intervenções em variáveis importantes (por exemplo: concursos BCE, prova de acesso e rede escolar).

Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além, obviamente, dos cortes transversais e da aposentação retardada. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".

 

 

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 Faces, Picasso



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Domingo, 18.12.16

 

 

 

A mediatização dos rankings obedece ao desígnio da produtividade. Mas sublinha-se que os resultados escolares reflectem-se a longo prazo e são de génese diferente da produção de parafusos; o que faz toda a diferença no impaciente universo dos números.

Não encontramos rankings, sequer semelhantes, no mundo conhecido. Mas isso nem será relevante, porque o olhar obsessivo, mais ainda o menorizado, para as outras experiências impede a valorização das próprias. A rede escolar portuguesa tem de tudo. A sua babilónia explica parte da persistência do insucesso escolar; e depois acrescenta rankings inéditos, a exemplo dos organogramas dos mega-agrupamentos. A rede escolar já foi inspirada nos Estados Unidos, França, Noruega, Bélgica, Suécia, Holanda, Singapura e Finlândia. Isso fragilizou-nos internamente. Para além do referido, o "modelo" português foi durante duas décadas fustigado por uma agenda: tudo está mal na escola pública. Afinal não estava. Talvez isso ajude no caminho a seguir.

Por outro lado, as democracias valorizam a ideia de liberdade curricular. É por isso que não se defende a nacionalização total da rede escolar. Portugal tem outra particularidade não tão inédita: não tem escolas por emanação das comunidades. Existem por "planeamento" do estado central. Como não temos uma sociedade civil forte, as escolas transformam-se numa espécie de "quintas" que não raramente se apoderam do bem comum. Daí a desconfiança com a municipalização.

Tem-se escrito sobre a liberdade de escolha da escola que tem na guetização e na segregação social um resultado conhecido; em Portugal também. Sim, no nosso país vigora há muito a liberdade de escolha da escola. Como não há escola com vagas ilimitadas, a segregação social é o resultado da desorganização nas políticas de ocupação do território. E quanto mais desiguais forem as sociedades, mais se perpetua o insucesso escolar.

A questão portuguesa um dia passará por aqui; pelo oxigénio organizativo da rede escolar com a aprovação de uma nova lei de bases. Será um espécie de refundação que incluirá o estatuto da carreira docente e a gestão das escolas. Enquanto esse debate não se fizer, o processo português dará sempre a ideia de ter parafusos a menos.

 

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Domingo, 20.11.16

 

 

É a 3ª edição desta curta radiografia. É um facto que o ambiente no país está desanuviado, mas também é inquestionável que nada mudou no essencial na vida profissional de milhares de professores. A 1ª edição foi em 5 de Novembro de 2015 e a 2ª em 10 de Junho de 2016. Vou repetindo o post enquanto se justificar e apesar da eliminação de algumas variáveis importantes que não constavam do exame (por exemplo: concursos BCE e prova de acesso).

Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além, obviamente, dos cortes transversais. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".

 

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Sábado, 01.10.16

 

 

 

 

O ministro da Educação citou a OCDE para concluir que os agrupamentos são referência em alguns indicadores financeiros. Importa centrar a discussão. O Governo não vive para lá do défice, e ponto final, e receia modificar indicadores contabilísticos. Depois de anos a fio de cortes, os funcionários da OCDE olharam para os orçamentos da Educação desde 2005 (construídos na melhor escola do Goldman Sachs com números que diferem, pasme-se, de instituição para instituição: OCDE-Eurostat, INE, Pordata/DGO e ME) e "baralharam-se". A conclusão representa uma ínfima parte do corte, existindo até mais despesa em algumas rubricas dessa vertente da austeridade a eito. Os agrupamentos, como o modelo de gestão, são negativos em qualquer ponto de vista; os próprios "criadores+arrependidos" o confirmam. As variáveis de "tolerância" (nomeadamente a partilha de professores, e de outros profissionais, em risco de ausência de serviço) seriam tratadas, com vantagens, sem estas epifanias. Como alguém disse, é bom que não "se confunda a árvore com a floresta" porque disso já tivemos que chegue.

 

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(Este post é de 21 de Junho de 2010, mas pareceu-me oportuno reeditar quando a ideia de mega-agrupar escolas regressa à agenda.)

 

A gestão escolar voltou naturalmente à superfície por causa dos mega-agrupamentos. Depois de mais um período sobreaquecido, as pedras e os telhados começaram a sentir o peso do tempo: a memória reaviva-se e os professores começam uma espécie de ajuste de contas silencioso. É natural. Tem sido uma luta desgastante que deixou marcas profundas.

 

Vou lendo aqui e ali algumas referências ao caso de Santo Onofre, o tal exemplo que num ápice passou de oásis a deserto. Não é justo. Como sempre acontece nos momentos emocionantes, as opiniões oscilam nos extremos; é preciso considerar que basta um pouco mais do que uma dezena de professores para viabilizar o novo modelo de gestão.

 

Muitos associam, e bem, o modelo de gestão inventado por este PS aos mega-agrupamentos. Por outro lado, são bem conhecidas as minhas posições em relação à rejeição dos dois problemas (é de todo impossível falar em soluções).

 

E clarifiquemos: Santo Onofre nasceu em 1993 e iniciou-se como um agrupamento vertical. Instalou-se uma escola com segundo e terceiro ciclos que integrou duas escolas de primeiro ciclo: uma existente que encerrou e uma outra que deveria ter nascido numa zona próxima e que se tornou numa universidade privada que hoje já não existe. Tudo no mesmo edifício.

 

Os fundamentos da lógica empresarial aplicados à escola-organização são desfavoráveis à ideia de agrupamentos dispersos no espaço geográfico; seja em qualquer das mais diversas imagens que uma escola pode assumir: empresa, burocracia, democracia, arena política, anarquia ou cultura. Até a tão propalada cultura empresarial de escola não se afirma sem ser na relação de proximidade estabelecida no mesmo espaço físico. Foi também isso que fez da Escola Básica Integrada de Santo Onofre um caso singular e de referência.

 

Há outras formas de reduzir despesa como se defende aqui sem recorrer aos problemas em curso. A ideia que se persegue nesta fase descaracteriza o projecto de qualquer escola. Mais ainda numa época de quase mercado. Pior ainda se assente num modelo de gestão que retira a democracia da escola.

 

São estes os fundamentos. Aceita-se a discussão. Tenho denunciado o oportunismo de quem só agora vem clamar por justiça. Foram avisados há uns dois anos que estavam a abrir uma caixa de pandora. Todavia, nada disso implica que não nos devamos concentrar no essencial, na defesa daquilo que é mais justo para o poder democrático da escola, para a ideia de modernidade e para a defesa da eficácia na despesa.



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Sábado, 10.09.16

 

 

 

Há décadas que as escolas abrem todas em Setembro. O início é ruidoso quando há disparates como a eliminada BCE. E o que fez o Governo para além disso para ser elogiado pela claque de apoio? Reverteu cortes salariais, eliminou, com coragem informada, contratos com "privados" e alterou provas dos mais pequenos. Mas grande parte das variáveis que degradaram a escola pública estão intocáveis. António Costa, que confessou a guerra aos professores decretada nos primeiros conselhos de ministros de Sócrates, mantém as variáveis bélicas somadas aos excessos ideológicos de Crato que instituiu um preconceituoso back to basics a cavalgar o além da troika.

 

Sumariemos: anos a fio com avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), carreiras congeladas desde 2005, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horários zero, contratados "eternos" e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tanta desconfiança e agravada pela idade avançada do grupo de professores. Mas seria indecente que se fizesse das reformas antecipadas uma espécie de cortina de fumo que pede repetidamente o "impossível" para que o desespero acabe num mal menor e na manutenção dos instrumentos da referida guerra.

 

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Quinta-feira, 11.08.16

 

 

 

O Paulo Guinote escreveu um parágrafo muito certeiro:

 

"(...)Está por fazer o cálculo completo dos que abandonaram a profissão nessa mesma década, por aposentação ou rescisão, voluntariamente, mesmo com elevados cortes na remuneração, só para fugir ao manicómio em que se transformaram algumas escolas a partir do momento em que o discurso da add meritocrática e titularizada se impôs e passámos a ter a única profissão cronometrada fora do desporto. Curiosamente, com o apoio de gente que defende muita liberdade pedagógica e salas sem portas ou paredes."

 

Será que os opinadores e comentaristas não sabem que as carreiras estão há mais de oito anos congeladas e que há milhares de professores com salários líquidos pouco acima dos 1200 euros que não beneficiam de qualquer reposição salarial? O que a actual execução orçamental começa a comprovar é que não há qualquer caos com a redução de impostos para pequenos empresários e com a reposição de salários e pensões. Mas isso não esconde o que falta fazer e o Governo sabe-o muito bem. Para além disso, as imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos que continuam por reverter: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero até para professores com mais de cinquenta anos e mais de trinta anos de serviço, professores contratados com anos a fio de serviço e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que a indignação cresça quando se apela ao silêncio.

 

(Este parágrafo não é inédito, mas a repetição é um dever. Reescrevi-o.)



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Sábado, 23.07.16

 

 

 1ª edição em 5 de Novembro de 2015.

 

 

Há uma legião de professores contratados sujeita a um inimaginável processo de desprezo profissional. O desinvestimento na escola foi brutal também nos seus profissionais. E os professores do quadro? Estão há anos com a carreira congelada, para além, obviamente, dos cortes transversais. As imagens alojam-se e inscrevem os acontecimentos mais significativos: anos a fio com a avaliação do desempenho kafkiana (salva-se a inutilidade), divisões na carreira, mais turmas com mais alunos em horários ao minuto, inutilidades horárias, hiperburocracia, espectro de horário zero e megagrupamentos com um modelo de gestão "impensado" que transportou a partidocracia para dentro das escolas. É natural que o sentimento de "fuga" se afirme com tantos murros na dignidade. Importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores e o "tudo está mal na escola pública".



publicado por paulo prudêncio às 18:21 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Segunda-feira, 04.04.16

 

 

 

Quem se dedica aos horários escolares tem muitas variáveis a considerar. As pedagógicas ocupam um lugar cimeiro, que vai da articulação com os transportes escolares ao tempo dos recreios, passando, naturalmente, pelas melhores condições de realização de cada uma das aulas. O aumento da escala, com os mega-agrupamentos associados ao modelo de gestão em curso, dificulta a construção de horários que não obedeçam a uma homogeneização nas diversas escolas agrupadas. Como a tipologia das escolas inscreve alunos com necessidades horárias muito diferentes, a homogeneização impede a diferenciação horária como variável fundamental para reduzir os efeitos da escola-indústria.



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Segunda-feira, 29.02.16

 

 

 

 

Decidir sobre a gestão financeira, escolher as soluções informáticas para a gestão da informação e decidir, com conhecimentos de proximidade, sobre a distribuição de serviço dos profissionais e da constituição das turmas são as mais elementares variáveis que distinguem a autonomia escolar no sistema português. Se com o modelo de gestão vigente esses avanços foram seriamente comprometidos, com os mega-agrupamentos o retrocesso acentuou-se. As escolas-sede "decidem" e as periféricas ficam entregues, ou "abandonadas", a uma espécie de "responsabilidade pelas componentes críticas"; e sem plano estratégico próprio, programa próprio e órgãos próprios. O modelo em curso deixa as escolas no modo definido pelo desenho.

 

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Domingo, 07.02.16

 

 

 

Sua Excelência estava impendida para moderar um debate à volta dos amontoados de escolas: coisa descomunal, já se vê, mas em plena propagação num país sem falência anunciada.

O plenipotenciário do poder central disse: "todos os meus colegas, pelo menos os que são sérios, desvelados e versados na realidade, estão de acordo com a espécie de montão."

O plenipotenciário do poder local disse: "todos os meus colegas, pelo menos os que são sérios, desvelados e versados na realidade, estão em desacordo com a espécie de montão."

Sua Excelência ostentou a inferência: "disse."
 
 
 
 
(1ª edição em 12 de Abril de 2008)

 

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Quarta-feira, 09.12.15

 

 

 

Foi na viragem do milénio que a "massa crítica" do MEC traçou a meta: um mega-agrupamento por concelho. Se olharmos para a imagem, será a rotunda-mor e com complexidade semelhante. Só o descrédito do já experimentado é que vai adiando a "inevitabilidade". Os poucos professores com terreno que defenderam o ajuntamento progressivo, mesmo que sem argumentação que se visse ao nível do "impensado" modelo, eclipsaram.

 

A massa crítica docente não fez o que devia para evitar o comprovado falhanço e os privados-encostados-ao-estado prepararam novas ofensivas. A última designou-se municipalização. Não é avisado continuar com os instrumentos legais em vigor, uma vez que a gestão de proximidade é um factor inalienável da gestão escolar e o argumento mais sensato para a melhor gestão de recursos. Se nada de substantivo acontecer, reforçar-se-á o pior da política partidária local que vai inclinando, no sentido descendente, a rede escolar.

 

Estão em causa algumas variáveis: a desconcentração do MEC e a sua lei orgânica, a descentralização, ou não, do sistema escolar e o modelo de gestão escolar que foi "pensado" para uma escola não agrupada e que é desconcentrado (com forte dependência do poder central) e não descentralizado. As redes escolares, e as análises e diagnósticos, vão dando sinais de que o percurso errático cria o hábito.

 

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Sexta-feira, 10.07.15

 

 

 

E daqui a uns dois meses o MEC sentenciará: "(...)escolas que não abrem são casos pontuais(...)".

 

É natural alguma falta de pachorra para aturar um MEC que desrespeita, há anos a fio, a cultura organizacional das escolas e que despreza três valores preciosos: organização, conhecimento (que inclui as escolas) e gestão do território.

 

A análise crítica pode partir de variáveis diversas. Escolhi uma e fui buscar um post que teima em se eternizar.

 

 

 (1ª edição em 26 de Março de 2012)

 

 

 

Desde o início do milénio que se tem escrito sobre o fenómeno em curso dos agrupamentos de escolas. Sejamos claros: as escolas do primeiro ciclo e os jardins de infância perderam alguma da parca capacidade de decisão, mas não é muito significativo que passem a vida a mudar de escola sede. A nossa balbúrdia organizativa é tal, que o português é especialista em planear depois do caos consumado nem que seja uma bancarrota.

 

As sedes dos agrupamentos existentes são escolas de várias tipologias, mas raramente estabelecimentos de ensino só com o primeiro ciclo ou pré-escolar ou mesmo com essas duas valências. Nos dois últimos anos, os agrupamentos incluíram mais do que uma escola com 2º e 3º ciclos ou ensino secundário. Parece que tem corrido mal e, portanto, generaliza-se.

 

As agregações ou unidades administrativas incluirão duas ou mais escolas com 2º e 3º ciclos ou ensino secundário, mas o modelo de gestão será o mesmo das escolas não agrupadas. Ou seja, com excepção das escolas sede, as outras funcionarão, em regra, sem direcção, conselho geral, conselho pedagógico, coordenadores de departamento, representantes de grupos disciplinares, coordenadores de directores de turma e serviços administrativos. E mais: não significa que todos esses membros, no caso dos professores, leccionem na escola sede. Será um modelo bem anarca e lusitano e pronto a exportar para solo lunar.

 

Podia fazer-se muito melhor, desde logo ao nível dos conselhos locais de Educação (se existissem ou se os executivos e assembleias municipais soubessem alguma coisa deste assunto), e com melhores resultados financeiros e organizacionais. Mas isso fica para outro dia que o post já vai longo.

 

Mesmo a História mais recente diz-nos que as escolas abrem todas em Setembro e que, nos primeiros dias de aulas, alunos e professores têm horários e salas de aula. Se os professores não desagradarem muito aos alunos, os encarregados de educação encerram as suas preocupações. Os outros cidadãos pensam que estes assuntos são estrangeirados e lá sabem porque é que raciocinam assim. Mesmo que uns e outros desconheçam que cerca de 60% do sucesso dos alunos depende do que se passa fora da escola e que os cerca de 40% restantes ficam à mercê da organização escolar, há um aviso que se deve fazer: o plano inclinado do actual sistema escolar consegue sempre descer mais um grau abaixo de zero.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 11:20 | link do post | comentar | ver comentários (27) | partilhar

Segunda-feira, 01.06.15

 

 

 

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É um livro que pode adquirir nesta ligação e que pode interessar a quem estude a gestão das organizações. É um projecto de intervenção concebido em 2014 para um megagrupamento de doze escolas portuguesas e transporta um conjunto de ideias de gestão escolar.

 

Pode ler a descrição:

 

A ideia de escola está associada à renovação e ao recomeço. Não existe alternativa. Quem abraça um desafio com estas características deve saber que o exercício de gestão escolar nunca se conclui e que invariavelmente nos remete para o famoso mito de Sísifo. Portanto, impõe-se a difícil depuração entre o que desejamos e o que é possível. Se a democracia se ergue também a partir das escolas e na riqueza da interação dos discursos, das atitudes e dos exemplos, então a ideia de compromisso ocupa um lugar essencial; e, neste caso, a minha afirmação inscreve-se na ideia de fazer o melhor que for capaz. Por isso, e para que a clareza aproxime este projeto de intervenção da sua necessária avaliação, não me proponho a um exercício retórico que se transforme num conjunto abstracto ou perdido no tempo. Este projeto de intervenção será um instrumento organizacional.(...)

A ideia de agrupamento de escolas vigente em Portugal é desconhecida pela literatura dedicada à gestão escolar e há investigadores que se mostram céticos em relação aos resultados. Esta escala organizacional parece dar corpo às inscrições nos dois parágrafos anteriores: transporta um sentimento de crise e é decidida pelos tempos que vivemos. Por outro lado, o pensamento que dita as políticas educativas relaciona-se com o pensamento político e económico. Por isso, a escola deve ser entendida segundo vários pontos de vista e de acordo com os interesses políticos e sociais em vigor.(...)



publicado por paulo prudêncio às 09:44 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 07.05.15

 

 

 

Custa muito a crer que as políticas educativas da última década não tenham sido desenhadas para destruir a escola pública. Sim, dito assim sem tibiezas. O desrespeito pelo esforço da elevação organizacional da escola em plena massificação da escolaridade acentuou-se poucos anos depois da mudança de milénio. Mandatos escolares sem tempo legal e concursos de professores recheados de ilegalidades, permitiram a regência em roda livre de políticos de arrepiar.

Enquanto isso, os Donos Disto Tudo saciavam-se com as obras públicas e só a aproximação da bolha imobiliária os fez derivar para a Saúde. A Educação era ainda uma coutada livre para os modelares-GPS. Os yuppies do arco governativo desprezavam a Educação.

Conclusão: a impreparação tomou conta da máquina escolar. Avaliações kafkianas, estatuto da carreira terraplenado, modelo de gestão escolar "impensado", escolas amontoadas, turmas com mais alunos, professores com mais turmas, inutilidades informacionais como serviço não lectivo, burocracia em regime bacteriano e podíamos ficar aqui uma boa hora a elencar causas de uma fuga anunciada. Já são muito poucos os professores que não interiorizaram o flagelo. Não é estranho, portanto, que tantos professores desejem uma rescisão, que queiram mudar de escola convencidos que assim concretizam a fuga ou que tenham como conversa mais comum a ideia de reforma.

Não é estranho também que a CG de Aposentações ande às aranhas com tanto reformado e que a discussão económica do país fique aprisionada por esta variável. No caso dos professores, tudo foi feito ao contrário. Os aumentos dos horários foram estabelecidos a eito e com preconceito e os programas de "reformas a tempo parcial", que são exigentes e dão muito trabalho a construir, já levam mais de uma década de atraso porque os Donos Disto Tudo tinham o tempo ocupado pelos fundos de alto risco, pelas PPP´s e pelos swap. E a perplexidade maior começa a desenhar-se: será que se preparam para outra vaga?



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Quarta-feira, 06.05.15

 

 

 

 

Os números confirmam que concorreram muitos professores, mesmo com mais de cinquenta anos de idade, dos quadros (de agrupamento e de escola) do ensino não superior. Quem domina as razões é peremptório: estão saturados das escolas onde leccionam. Os números não são ainda mais elevados porque os quadros estão sem vagas com tantos cortes a eito.

 

Existe um preocupante, e reconhecido, sentimento de desesperança neste grupo profissional.

 

Depois de anos a fio sujeitos a uma avaliação do desempenho kafkiana, expostos a divisões brutalmente injustas na carreira, sobrecarregados com turmas com mais alunos, com mais serviço lectivo e não lectivo e com hiperburocracia analógica e digital, atirados para megagrupamentos regulamentados por um modelo de gestão escolar "impensado" e que transportou a partidocracia local, com os conhecidos "assaltos ao poder", para dentro das escolas, é natural que as atmosferas relacionais se tenham dilacerado e que o sentimento de "uma qualquer fuga" se afirme como primeira prioridade. E importa sublinhar que os meios de comunicação social estão há uma dezena de anos a publicitar em primeira página a devassa da carreira dos professores para gáudio dos políticos mentores da desgraça.



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Domingo, 26.04.15

 

 

 

 

Com a legislatura a chegar ao fim, ouve-se repetidamente que o diagnóstico dos problemas está feito e que sufragaremos as soluções. Não concordo. Os diagnósticos não são imutáveis e carecem de actualização depois de quatro anos a descer inequivocamente no sistema escolar.

 

Sublinhe-se que a vigente legislatura sucedeu a um período igualmente histórico e nefasto para os indicadores escolares. Mas os números do exercício da actual maioria não enganam.

 

O investimento em Educação já deve estar abaixo dos 3% do PIB. As taxas de frequência baixaram significativamente, depois de décadas com progressos incontestáveis: do básico e secundário ao superior e passando pela escolarização de adultos.

 

A redução no número de profissionais da Educação atinge os 30%. Os que estão em exercício revelam três características: desesperança, envelhecimento e sobrecarga de actividades lectivas e em tarefas inúteis. A reprovação e o abandono escolares aumentaram, não existindo qualquer indicador que inscreva os propalados ganhos em qualidade e rigor.

 

Os cortes a eito mergulharam o sistema escolar num pântano que começou a encher-se com as alterações no estatuto da carreira e na avaliação de professores. A destruição do que existia, e que vinha do século passado, atingiu o auge com os mega-agrupamentos e com o modelo de gestão escolar. A esse propósito, tem interesse a opinião, no Público de hoje, de um membro de uma das organizações de dirigentes escolares:

 

Directores de escola: professores ou boys?



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Quarta-feira, 25.03.15

 

 

 

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Chegaram hoje dois livros sobre gestão escolar de que sou autor. Estão na fase de revisão e em breve serão colocados à venda. Terminam assim as suas versões gratuitas em formato ebook ou pdf.

 

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 O "As" está a mais. Terá como título "Razões de uma candidatura".



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Quinta-feira, 12.02.15

 

 

 

 

Há muito que se percebeu, pelo menos desde a viragem do milénio: a rede escolar "caminha" para um mega-agrupamento por concelho (com excepções nas zonas metropolitanas) e a consecução não estará tão longe como se imaginava; os "tresloucados" passam o testemunho. O argumento da melhor gestão de recursos é apenas desconhecimento. Os extintos CAE´s, por exemplo, fariam isso até com mais escala e não era necessário terraplenar as escolas públicas. A massa crítica docente não fez o que devia para evitar o anunciado, e já comprovado, desmiolo e os mentores dos privados-encostados-ao-estado vão andando pelos bastidores a prepararem uma nova ofensiva, que designam por municipalização, ao orçamento de Estado.

 

Não é avisado realizar tudo isto com os instrumentos legais em vigor, uma vez que a gestão de proximidade, e a consequente liderança, é um factor inalienável da gestão escolar. Haverá mudanças com o reforço do pior da política partidária que já se conhece.

 

Estão em causa algumas variáveis: a desconcentração do MEC e a sua lei orgânica, a municipalização (descentralizada) do sistema escolar e o modelo de gestão escolar que foi pensado para uma escola não agrupada e que é mais desconcentrado (com forte dependência do poder central) do que descentralizado. As redes escolares, e as análises e diagnósticos, vão dar mais sinais de que a sucessão de disparates cria o hábito.

 

 

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Sábado, 17.01.15

 

 

 

Deve ser natural que o PS discorde de um conjunto de ideias que correram muito mal nos países que fizeram algo parecido. Era sei lá o quê se assim não fosse. Veremos as ideias dos socialistas em relação à descentralização e desconcentração do sistema escolar e também se espera que alterem duas das suas invenções comprovadamente nocivas para a escola pública (a desigualdade em relação aos verdadeiros privados não parou de aumentar desde a introdução dessas variáveis): mega-agrupamentos e modelo de gestão escolar.

 

Captura de Tela 2015-01-17 às 17.50.25.png

Primeira página do Expresso

de 17 de Janeiro de 2015.

 



publicado por paulo prudêncio às 20:06 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Quarta-feira, 16.10.13

 

 

 

Se este "orçamento2014" for em frente, não restará pedra sobre pedra da escola pública que arduamente construímos. A situação já é caótica, mas os predadores não estão saciados. Propõem um corte de 84% nas reformas, na função pública, na Educação e na saúde e 4% nas taxas para a banca, para as petrolíferas e para as redes de energia.


Os dirigentes das duas associações de directores escolares dizem que será melhor fechar as escolas. Veremos como se desenvolverá a posição destas associações. A notícia indicada pela ligação tem detalhes elucidativos, com destaque para a única rubrica que aumenta na Educação: o financiamento das cooperativas de ensino.








publicado por paulo prudêncio às 21:28 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sábado, 07.09.13

 

 

 

Ao passar os olhos por esta entrevista a Nuno Crato, publicada ontem, dei com esta passagem: "...Há que desmistificar algo sobre os chamados mega-agrupamentos. Não são locais onde se empilham crianças, são consórcios entre escolas que partilham recursos. Se uma escola tem um bom laboratório e outra um bom equipamento desportivo, com a fusão os alunos das duas escolas podem beneficiar disso...".


Nuno Crato é reincidente na "descoberta".

 

Num post publicado em 25 de Junho de 2012, escrevi o seguinte sobre outra entrevista deste "divertido" ministro:

 

Para justificar a agregação de escolas, Nuno Crato refugiou-se na partilha de instalações especializadas e detalhou: se a escola A tem um excelente laboratório de Química e se a escola B tem um excelente laboratório de Física, com as agregações consegue-se que os alunos usem apenas os melhores recursos. Quando começou a desenvolver o algoritmo (confesso que estava atento) titubeou, perdeu-se no raciocínio e deixou a coisa por explicar. Mas a ideia é genial e até fixe e deve ficar bem em televisão. Só é pena que seja quase impossível de aplicar.

 

Não sabia que Nuno Crato era a favor deste modelo de gestão escolar e ainda nem consegui perceber o que pensa sobre o assunto. Percebeu-se que o SE Casanova achava que as agregações se fazem para cumprir os doze anos de escolaridade, e se calhar, com tanta escala, para viajar até à lua, e agora ficou a saber-se que Nuno Crato acha giro usar os melhores laboratórios e fechar os piores.





publicado por paulo prudêncio às 20:39 | link do post | comentar | ver comentários (12) | partilhar

 

 

 

Joaquim Azevedo fala sobre gestão escolar. Será que faria o que diz? Nuno Crato fez o contrário e Lurdes Rodrigues também (para ser franco, nem sabia o que a ex-ministra pensava) e os dirigentes do PS da área da Educação sempre se mostraram contrários à ideia que os governos de Sócrates acabaram por impor.

 

 

Nuno Crato ao minuto 9.20.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 18:09 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 31.07.13

 

 

 

 

 

 

 

 

Será que estes milhares de professores não têm direito a descansar e a recarregar baterias? Não é só a tradicional bagunça organizacional dos finais de ano lectivo acrescentada das PPP´s da rede escolar, são, como sempre se disse, os cortes a eito verificados no verão de 2012.

 

Os aumentos nos horários dos professores e no número de alunos por turma, a revisão curricular e os mega-agrupamentos institucionalizaram um inaudito desrespeito pela profissionalidade dos professores e exigem um qualquer ponto final. O sistema escolar atingiu um rol tal de brutais injustiças, perpetradas na última década, que a coisa já só vai lá com um reset.

 



publicado por paulo prudêncio às 21:27 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Segunda-feira, 15.07.13

 

 

 

A Escola A tem 5 professores da disciplina X para 4 horários e a vizinha Escola B tem 5 professores da disciplina x para 6 horários. Agruparam-se as escolas, terraplenando as suas organizações, para que a Escola B não contrate outro professor da disciplina x. A MegaEscola AB ficou com 10 professores da disciplina X para 10 horários, mas com 11 da disciplina y para 10 horários. A vizinha Escola C tem 10 professores da disciplina y para 9 horários e para que não contrate um professor da disciplina y criou-se a MegaMegaEscola ABC. E podíamos ficar a noite toda a aumentar a escala, a terraplenar organizações escolares e convencidos que reduzíamos despesa.

 

Não seria mais sensato não agrupar, e não terraplenar, escolas e criar estruturas (lembro-me dos implodidos CAE´s que deveriam ter visto a implosão das inúteis DRE´s) que fizessem o metabolismo basal, descrito no primeiro parágrafo, numa organização minimamente civilizada? Tanto tempo perdido, tanto financiamento desperdiçado e até já temos, veja-se lá, software que faz o tal metabolismo basal com uma estrutura administrativa ligeira, eficiente e com respeito pelas pessoas e pelo bem comum.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 21:25 | link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

Domingo, 14.07.13

 

 

 

Levará anos a recuperar a relação de confiança entre os professores e um qualquer Governo (onde se inclui a traquitana do MEC). O principal argumento que nos empurrou para esta insuportável desconfiança foi a matriz privatizadora do orçamento da Educação que integrou, no arco da governação, testas de ferro que paulatinamente desbravaram o caminho para o negócio na lógica das piores PPP´s. Nem se trata da privatização da gestão escolar conhecida noutras latitudes que, mesmo sem a caça ao lucro em ambiente corrupto, já provou que aumenta a segregação social e a despesa e não melhora os resultados escolares globais.

 

Haverá quem defenda de forma generosa a Parque Escolar, o modelo de gestão escolar em curso, os agrupamentos de escolas e os novos contratos de autonomia. Acredito que haverá.

 

Mas o que está na matriz dessas decisões é reduzir custos e criar escala para privatizar. A Parque Escolar já é uma sociedade anónima e proprietária de dezenas de escolas públicas. O modelo de gestão escolar transporta para dentro das escolas o pior da política partidária local, desaproxima as decisões fundamentais da maioria dos professores e, portanto, desmobiliza-os. Os agrupamentos vão terraplenando a história das escolas e criam escala que compense a guloseima. Os contratos de autonomia passarão, através da relação entre indicadores e massa salarial, o ónus da precarização dos professores (despedimentos e requalificações) para a descrita lógica local. O sistema escolar estará a ficar no ponto, digamos assim.

 

Isto é muito perigoso. Não direi que os professores devem ter, como nas sociedades mais avançadas, um estatuto semelhante aos magistrados. Quando ouço os defensores da empresarialização da gestão escolar apercebo-me que lidam mal com a liberdade dos professores para ensinar. Não percebem, tal a ânsia com a medição e o controle milimétrico da produção da primeira linha, que esse risco é vital para a democracia e para a igualdade de oportunidades. É difícil, como tentou Hanna Arendt, fazer com que percebam o que está em causa e o que move quem pensa de modo diferente. É natural. A obsessão com o lucro parece irresistível e dá ideia que só pára mesmo depois das catástrofes.

 



publicado por paulo prudêncio às 18:04 | link do post | comentar | ver comentários (13) | partilhar

Sexta-feira, 31.05.13

 

 

 

 

 

Encontrei um professor já reformado com quem conversei muitas vezes sobre o modelo de gestão escolar de Maria de Lurdes Rodrigues. Discordávamos, embora compreendesse que alguma da sua argumentação se fundamentava na militância partidária, já antiga, e no consequente exercício de funções publicas. Havia, digamos assim, a defesa de um Governo em queda acentuada.

 

Reencontrei-o há dias. Continua no exercício político, agora mais de âmbito local, e integra um conselho geral de um mega-agrupamento. A primeira coisa que me disse fez-me sorrir: "Este modelo de gestão transporta para dentro das escolas o pior da política partidária. Precisa de ser mudado".



publicado por paulo prudêncio às 12:51 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Terça-feira, 28.05.13

 

 

 

A rede escolar caminha para um mega-agrupamento por concelho e a consecução não estará tão longe como se imaginava recentemente. Quando muito, as grandes urbes fugirão a esse objectivo. A massa crítica docente não fez tudo o que devia para evitar essa tragédia.

 

Não é avisado realizar tudo isto com os instrumentos legais em vigor, uma vez que a gestão de proximidade, e a consequente liderança (não necessariamente unipessoal, como se comprova em comunidades mais avançadas), é um factor inalienável da gestão escolar.

 

Estão em causa algumas variáveis: a desconcentração do MEC e a sua lei orgânica, a municipalização (descentralizada) do sistema escolar e o modelo de gestão escolar que foi pensado para uma escola não agrupada e que é mais desconcentrado (com forte dependência do poder central) do que descentralizado.

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 10:50 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quarta-feira, 17.04.13

 

 

 

 

O MEC diz-se disponível para reduzir a componente lectiva dos professores que exercem cargos de coordenação e de direcção nas escolas uma vez que os mega-agrupamentos exigem disponibilidades para a gestão de proximidade que as direcções, com a lei em vigor, não conseguem cumprir.

 

É uma decisão justa.

 

Mas coloca-se de imediato outra questão: mas não foi exactamente por causa dessa redução que se agregou escolas? E não adianta argumentar com a necessidade de completar horários de professores em diversas escolas porque isso já se fez na década de noventa e sem amontoar escolas. Bastaria algum conhecimento do terreno e das variáveis em questão.

 

A razão vai-se impondo e os "reformistas" instantâneos continuam aos papéis e não tarda voltaremos ao sítio onde deveríamos ter ficado. O que se tinha poupado em abandono escolar e em verdadeiro despesismo.



publicado por paulo prudêncio às 22:58 | link do post | comentar | partilhar

Terça-feira, 16.04.13

 

 

 

 

 

Apaguei inadvertidamente um comentário nest post assinado por Figueiredo que protestou para o email. Prometi voltar ao assunto. O erro é aceitável: ia apagar um comentário de publicidade oriunda da China e eliminei o anterior de forma irreversível.

 

O comentador discordava da associação entre os agrupamentos de escolas e o abandono escolar no seguinte parágrafo: "(...)Temos muito mais a fazer, mas com a carga curricular desenhada nos achamentos do actual ministro, com menos condições para a profissionalidade dos professores, com mais alunos por turma e com um modelo de gestão escolar que dificulta o apoio aos alunos com mais dificuldades e que lança menos condições organizacionais, os resultados piorarão e corre-se o risco de se perderem os avanços das últimas décadas. E tudo se agravará com uma sociedade mais pobre.(...)".


É simples.

 

A abrupta redução de professores deve-se mais à revisão curricular, ao aumento da componente lectiva dos professores e ao aumento do número de alunos por turma. A variável mega-agrupamentos também contribui, mas menos significativamente.

 

A relação de proximidade entre os membros da gestão das escolas e os alunos em risco de abandono ou insucesso escolares é decisiva e fica comprometida neste modelo, por muito boas vontades que existam. Os professores que leccionam as turmas, e mesmo os directores de turma, não têm condições para esse apoio.

 

Só quem não anda pelas escolas é que desconhece esta realidade num país com quase três milhões de pessoas no limiar da pobreza. Por outro lado, o modelo em curso também desenha serviços administrativos apenas na escola sede o que vem acentuar as dificuldades na relação entre as escolas e as famílias mais pobres e na detecção de pequenos detalhes que são muitas vezes decisivos.

 



publicado por paulo prudêncio às 21:06 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Terça-feira, 09.04.13

 

 

 

 

É frequente não sabermos quantos somos, mas começam a aparecer dados fiáveis. O número de professores do ensino não superior está nessa categoria e deve ser sublinhado.

 

Se a percentagem do PIB investido em Educação (3,8% em 2012) desceu para números de 1989, o número de professores do ensino não superior já vai em 1980 quando a frequência escolar era incomparavelmente mais baixa. Foi Nuno Crato, que se espera que saiba números exactos, quem afirmou que no corrente ano existem 105 mil professores nos quadros mais cerca de 10 mil contratados.

 

Olhe-se para o gráfico da Pordata, números até 2011, e acrescentem-se os dados de 2013.

 

É que há tanto comentador a dizer disparates que cansa mesmo. E escusam os apressados de considerar os mega-agrupamentos como a variável fundamental. Esse desmiolado modelo de gestão tem consequências mais graves no abandono e insucesso escolares. A revisão curricular, com os achamentos do ministro, os horários dos professores, o aumento do número de alunos por turma e a desertificação escolar do interior do país, são variáveis mais determinantes para esta descida abrupta.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 21:01 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Terça-feira, 02.04.13

 

 

 

Os mega-agrupamentos continuam a sua saga contra tudo e quase todos e uns indicadores macro, poupança dizem eles, fazem as delícias dos decisores do MEC. Mais cedo ou mais tarde (quanto mais tarde pior, como sempre) lá teremos de mudar, no mínimo, o modelo de gestão escolar. A configuração territorial das agregações vai assegurando um único dado a considerar: são escolas portuguesas.

 

Constituição de mega-agrupamentos chega ao fim com mais 18 novas unidades

"Foram muitas as escolas agrupadas contra a vontade. Também não foi respeitada opinião de várias autarquias.(...)"



publicado por paulo prudêncio às 18:21 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 01.04.13

 

 

 

Agrupamentos escolares afastaram pais, alunos e professores

 

 

"(...)Menos autonomia e maior fosso entre os problemas e os decisores. Directores, docentes, pais e especialistas fazem um balanço negativo da agregação de escolas. Ultrapassar as situações de isolamento das escolas, articular os vários níveis de ensino e combater o abandono escolar. Eis alguns dos princípios que nortearam a criação dos agrupamentos.(...)"


Há anos que o balanço sobre os agrupamento de escolas é negativo e não só se insiste como se aumenta a escala. Ninguém pode dizer que não foi avisado para os maus resultados.
Mesmo que a divisão administrativa do país seja o caos que se conhece e que isso se arraste ao sistema escolar, criar outra estrutura orgânica para o MEC, e que envolva as escolas, exige, desde logo, outro modelo de gestão. Não se pode projectar um modelo destinado, bem ou mal, a uma escola não agrupada e querer que se faça a gestão de dezenas de instituições.
Desde os organigramas do modelo ao preconceito providencial que evangeliza as cores que têm governado, o balanço negativo era mais do que esperado.
E nem é tanto a questão do unipessoal ou do colegial (embora num país tão propenso ao caciquismo essa questão nunca se deva desprezar), é o facto de passado o período de instalação apenas a escola sede ficar com o Conselho Geral, com a Direcção, com o Conselho Pedagógico, com a maioria do coordenadores de Departamento Curricular (uma estrutura inútil), com a totalidade dos serviços administrativos (num país com tanto apoio social, esta ideia choca com a realidade) e por aí fora. Só mesmo quem esteja para remar contra muitas marés conseguirá inverter o caos. E será muito difícil que o unipessoal cumpra o que a lei projecta.
É evidente que tudo isto beneficia as cooperativas de ensino. Nos concelhos onde a lógica de mercado está ao rubro, o continuado descrédito das escolas do Estado é uma espécie de dádiva do arco do poder. E nem vou pelas teorias da conspiração. Limito-me à impreparação e à incompetência.


publicado por paulo prudêncio às 19:16 | link do post | comentar | ver comentários (14) | partilhar

Quarta-feira, 20.03.13

 

 

 

 

 

Nuno Crato e o SE Casanova não disseram a verdade sobre os professores do quadro quando asseguraram que a mobilidade nunca se aplicaria a estes profissionais. E nem vale a pena usar o argumento de que há docentes sem componente lectiva. Isso só acontece por causa das drásticas reduções que se verificaram na carga curricular e na gestão escolar.

 

É fácil eliminar disciplinas ou semear o caos organizacional nas escolas e depois dizer que se tem professores a mais. Qualquer das variáveis provoca aumentos do abandono e insucesso escolares e são desaconselhadas por quem estuda estas matérias. No caso da gestão escolar e dos mega-agrupamentos, o processo em curso é mesmo inédito no mundo conhecido.

 

Também não adianta argumentar com a crise. O sistema escolar tem sido, há anos a fio, o mais depauperado dos sistemas públicos. O recurso dos governos ao outsourcing, a estudos encomendados a amigos e a algumas cooperativas de ensino que privatizam lucros devia envergonhar qualquer um.

 

Há já um dirigente escolar que acusa o MEC de querer "exterminar os professores, enquanto profissionais e como cidadãos". A desleladade governativa escolhe sempre a entrada em período de pausa lectiva para anunciar este tipo de coisas.

 

 

Professores com "horário zero" vão passar ao regime de mobilidade, anuncia ministério

 

"Tutela quer reduzir quadros de zona pedagógica, de 23 para sete, já para o próximo concurso.(...)"



publicado por paulo prudêncio às 19:26 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 30.01.13

 

 

 

 

 

A escolha das palavras pesa e é decisiva para a construção de um modelo.


Mas a prosápia com que se enunciam "novos" vocábulos é, muitas vezes, risível. Aprecio a evolução linguística, mas vi impreparação modelar na presunção à volta de palavras que fizeram regredir o que existia. Foi o que se passou com a involução semântica na passagem de escolas para agrupamentos e depois para agregações. É uma insanidade usar o mesmo modelo organizacional numa escola não agrupada e, por exemplo, num agrupamento de vinte estabelecimentos de ensino com as mais diversas tipologias.

 

Aparece-me várias vezes na superfície da memória a frase de Gonçalo M. Tavares: "A politica parece cada vez mais uma administração de palavras e não de coisas. Não se trata já de transportar pesos, de “deslocar” acontecimentos de um lado para outro, trata-se antes, e primeiro, de um transporte de vocábulos".



publicado por paulo prudêncio às 22:06 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 20.01.13

 

 

 

 

 

 

Impressionou-me a presença de encarregados de Educação nas manifestações de Braga a propósito da última formação de mega-agupamentos. Não tem sido assim na generalidade do país, onde uns poucos professores tentam remar contra a maré.

 

Passei há pouco pelo espaço no facebook de um movimento da saúde nas Caldas da Rainha e registei algum desânimo com a indiferença da população. Compreendo o desabafo.

 

As escolas "andam" há muito isoladas, têm sentido na pele essa insensibilidade e nas Caldas da Rainha por mais do que uma vez.

 

Em 2009, por exemplo, a Escola Básica Integrada de Santo Onofre lutava quase isolada contra o modelo de gestão de Lurdes Rodrigues que escancarou as portas ao desmiolo em curso. O Governo destituiu o Conselho Executivo e várias instituições nacionais organizaram, com abundante e atempada informação, uma manifestação em frente à escola para receber a Comissão Administrativa Provisória mandatada. Estavam por lá pessoas dos mais variados pontos do país, deputados dos vários partidos, sindicalistas das diversas federações, representantes de movimentos independentes e por aí fora. Não vi um cidadão caldense que não fosse professor e mesmo esses eram quase todos da escola em causa. Há um qualquer "gás pimenta" que faz com que as pessoas só se movimentem, e mesmo assim a muito custo, quando lhes toca directamente. Normalmente é tarde.



publicado por paulo prudêncio às 20:55 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Sexta-feira, 18.01.13

 

 

 

 

 

 

 

 

Importamos mais de dois terços do peixe que consumimos, somos o terceiro país do mundo no seu consumo e não nos devemos admirar com o estado das nossas finanças.

 

Vivemos de costas para o mar, temos uma relação difícil com a gestão do território e das organizações, mas damos passos que combinam as duas variáveis: lançamos ao mar as nossas escolas com a criação de escalas organizativas que não combinam com nenhum dos mais de quarenta quadros de divisão administrativa (o que seria razoável e moderno era que existisse um).

 

Os professores estão anestesiados. Na maioria dos casos encolhem os ombros ou convencem-se que será apenas uma mudança de chefias. Não tarda e começaremos a ver o resultado de tanta água.

 

 

Já usei parte deste texto noutro post.



publicado por paulo prudêncio às 16:00 | link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

Quinta-feira, 17.01.13

 

 

 

Já vi respostas muito embaraçadas à pergunta "onde estava no 25 de Abril de 1974?". No dia em que se noticiam mais 67 mega-agrupamentos aparecem umas quantas estruturas a denunciar o que podiam ter evitado em 2008 e 2009 (o Governo de então estava "encostado às cordas" e até aceitava o despesismo de aumentos salariais). Já cansa escrever sobre este assunto e por isso deixei o linque anterior.

 

O pdf com as novas agregações escolares tem duas colunas. Uma delas inclui o número de alunos. Essa variável só é decisiva para quem não conhece o terreno e para quem ignora que o modelo de gestão escolar é o principal instrumento para que tudo corra ainda pior e como já se comprovou. É evidente, todavia, uma regra: quanto maior pior.

 

Não tarda e tudo terá de ser refeito para além de se eliminar a massa crítica do MEC que não descansa enquanto não existir um agrupamento por concelho na lógica que descrevi no primeiro linque indicado.

 

Pais e professores contra novos agrupamentos de escolas



publicado por paulo prudêncio às 18:03 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Quarta-feira, 16.01.13

 

 

 

 

 

Desconcentrar ou descentralizar têm tido um resultado: desnortear. É uma espécie de 3 D que acrescenta D´s sem fim: desorientar, desmiolar, descontrolar, desfazer e degradar. Já cansa falar da nossa babilónia administrativa.

 

O sistema escolar não escapa a este inferno. Desde 2007 que se percebeu que a massa crítica do MEC queria um mega-agrupamento escolar por concelho. Essa suposta agência municipal não conseguiu receber o acolhimento das desorientadas autarquias e vai sendo imposta pela força. Nunca será uma estrutura descentralizada e a existência desconcentrada acentuará o mau centralismo.

 

Há quem defenda que a desconcentração administrativa passe por aí. Qualquer que seja a posição, o que é seguro, e comprovado no mundo conhecido, é que o modelo de gestão escolar em vigor não serve. Os critérios de proximidade e legitimidade são imprescindíveis e só por desconhecimento se teima em confundir estes dois pressupostos com despesismo.

 

Os professores tiveram, em 2008 e 2009, uma oportunidade para travarem o desmiolo. As estruturas representativas dos órgãos de gestão das escolas não quiseram seguir um caminho mais corajoso e não se devem admirar com o processo em curso.

 

 

Mega agrupamentos de escolas podem aumentar ainda mais de tamanho


"O Ministério da Educação pondera aumentar o tamanho dos mega agrupamentos criados numa primeira fase. A denúncia é feita pelo Conselho das Escolas à Antena1 e confirmada pela Fenprof.(...)"




publicado por paulo prudêncio às 21:16 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar


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