Em busca do pensamento livre.

Sábado, 22.04.17

 

 

 

Não se vislumbra a inversão da queda dos salários. O Governo já anuncia que não aumentará os funcionários públicos até 2021. Pode ser apenas uma carta de intenções dirigida às instituições financeiras e a Bruxelas e depois se verá. Mas importa recordar que a queda dos salários tem de ser acompanhada da queda dos lucros e das rendas; e com muito cuidado com a perigosa deflação. Já Adam Smith via essa queda como uma decisão circunscrita às leis e à política. Se analisasse o que se passou em Portugal, seria tão taxativo como Joseph Stiglitz: houve uma transferência inédita de recursos financeiros das classes média e baixa para a banca desregulada e foi esse radicalismo que provocou o empobrecimento. Por incrível que pareça à esquerda europeia que tem governado, a queda dos salários provocou a subida dos lucros e a manutenção das rendas (estude-se a EDP e outros monopólios). Não será por acaso que os orientais adquirem rendas (no caso EDP os chineses traziam a lição bem estudada e conheciam o fundamental dos aparelhos partidários) e não se metem nos casinos (que conhecem melhor que ninguém) das dívidas públicas como os investidores ocidentais.

Neste contexto, é impossível escapar à análise da globalização que foi considerada inicialmente uma ideologia. Estamos, isso é já visível, perante um novo modo de produção - que aumenta a produtividade, mas que concentra o lucro nas rendas e não cria empregos nos países mais ricos - e de organização planetária que reduziu a pobreza mundial para números inéditos. São estas contradições que têm de ser resolvidas dentro de cada bloco numa espécie de regressão temporal. Não se vê outro caminho na impossibilidade de um governo mundial. E, já agora, os neoliberais podem ainda recuar mais um bocado e lerem quem não se cansam de citar.

 

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Adam Smith (2010:171) em "Riqueza das nações", Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.



publicado por paulo prudêncio às 16:28 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sexta-feira, 17.03.17

 

 

 

O verbo incentivar será uma das componentes mais críticas do mundo desenvolvido. Essa lógica racional do mercado condicionou a socialização e a estruturação das actividades. Importa sublinhar que, há umas décadas, incentivar era uma palavra-chave educacional e organizacional com uma ubiquidade que se entranhou.

Steven D. Levitt, em "Freakonomics: o estranho mundo da economia" e mais recentemente Michael Sandel, em "O que o dinheiro não pode comprar", dedicaram-se ao efeito do verbo. O segundo tem um tópico que intitulou "incentivos e dilemas morais", onde se pode ler (página 93):

"É fácil deixar escapar a novidade desta definição. A linguagem dos incentivos é um desenvolvimento recente do pensamento económico. A palavra "incentivo" não surge nos escritos de Adam Smith nem nas obras de nenhum dos outros economistas clássicos. Na verdade, só viria a ser introduzida no discurso económico no século XX e apenas adquiriu proeminência nas décadas de 1980 e 1990. O Dicionário Oxford de Inglês indica o seu primeiro uso no contexto da economia em 1943; nas Seleções do Reader' s Digest: "O Sr. Charles E. Wilson (...) está a incitar as indústrias da guerra a adoptarem "remunerações de incentivo" - isto é, pagar mais aos trabalhadores se produzirem mais." O uso da palavra incentivo aumentou drasticamente na segunda metade do século XX à medida que o predomínio dos mercados e da lógica racional do mercado se consolidava. Segundo uma pesquisa no Google Books, a incidência deste termo aumentou mais de 400% desde a década de 1940 à década de 1990."

Observa-se, portanto, uma crise moral em paralelo com um inédito desenvolvimento tecnológico que implica uma revolução na organização das sociedades. Se a eliminação do incentivo é uma "impossibilidade" imediata, já o uso mais ponderado na educação das crianças contribuirá para a afirmação de políticas sustentáveis.

Se em Adam Smith o mercado era a mão invisível, para Michael Sandel a generalização dos incentivos tornou-se a mão pesada e manipuladora. O filósofo dá vários exemplos de incentivos monetários nesse sentido, como os que são dados a troco da esterilização ou de boas notas escolares.

A prevalência do incentivo não eliminou a distinção entre economia e ética,

"entre a lógica racional do mercado e o raciocínio moral. A economia simplesmente não transacciona em moralidade. A moralidade representa a maneira como gostaríamos que o mundo funcionasse e a economia mostra como ele funciona na realidade", explicam Levitt e Dubner.

Michael Sandel acrescenta:

"(...)A noção que a economia é uma ciência isenta de juízos de valor, independente de toda a filosofia moral e política, sempre foi questionável. Contudo, hoje em dia, a jactante ambição da ciência económica torna extremamente difícil defender esta afirmação. Quanto mais os mercados invadem esferas não económicas da vida, mais se vêem enredados em questões morais.(...)Se algumas pessoas gostam de ópera e outras de combates de cães ou lutas na lama, precisamos de facto de nos abster de tecer juízos morais e atribuir peso igual a essas preferências no cálculo utilitarista?(...)Quando os mercados corroem normas não mercantis, o economista (ou qualquer outra pessoa) tem de decidir se isso representa uma perda que deveria preocupar-nos.(...)"

Neste tópico, Michael Sandel apresenta um conjunto de problemas educacionais e escolares que abordarei noutros posts.

2ª edição.

 



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Terça-feira, 10.01.17

 

 

 

O verbo incentivar será uma das componentes mais críticas do mundo desenvolvido. Essa lógica racional do mercado condicionou a socialização e a estruturação das actividades. Importa sublinhar que, há umas décadas, incentivar era uma palavra-chave educacional e organizacional com uma ubiquidade que se entranhou.

Steven D. Levitt, em "Freakonomics: o estranho mundo da economia" e mais recentemente Michael Sandel, em "O que o dinheiro não pode comprar", dedicaram-se ao efeito do verbo. O segundo tem um tópico que intitulou "incentivos e dilemas morais", onde se pode ler (página 93):

"É fácil deixar escapar a novidade desta definição. A linguagem dos incentivos é um desenvolvimento recente do pensamento económico. A palavra "incentivo" não surge nos escritos de Adam Smith nem nas obras de nenhum dos outros economistas clássicos. Na verdade, só viria a ser introduzida no discurso económico no século XX e apenas adquiriu proeminência nas décadas de 1980 e 1990. O Dicionário Oxford de Inglês indica o seu primeiro uso no contexto da economia em 1943; nas Seleções do Reader' s Digest: "O Sr. Charles E. Wilson (...) está a incitar as indústrias da guerra a adoptarem "remunerações de incentivo" - isto é, pagar mais aos trabalhadores se produzirem mais." O uso da palavra incentivo aumentou drasticamente na segunda metade do século XX à medida que o predomínio dos mercados e da lógica racional do mercado se consolidava. Segundo uma pesquisa no Google Books, a incidência deste termo aumentou mais de 400% desde a década de 1940 à década de 1990."

Observa-se, portanto, uma crise moral em paralelo com um inédito desenvolvimento tecnológico que implica uma revolução na organização das sociedades. Se a eliminação do incentivo é uma "impossibilidade" imediata, já o uso mais ponderado na educação das crianças contribuirá para a afirmação de políticas sustentáveis.

Se em Adam Smith o mercado era a mão invisível, para Michael Sandel a generalização dos incentivos tornou-se a mão pesada e manipuladora. O filósofo dá vários exemplos de incentivos monetários nesse sentido, como os que são dados a troco da esterilização ou de boas notas escolares.

A prevalência do incentivo não eliminou a distinção entre economia e ética,

"entre a lógica racional do mercado e o raciocínio moral. A economia simplesmente não transacciona em moralidade. A moralidade representa a maneira como gostaríamos que o mundo funcionasse e a economia mostra como ele funciona na realidade", explicam Levitt e Dubner.

E Michael Sandel acrescenta:

"(...)A noção que a economia é uma ciência isenta de juízos de valor, independente de toda a filosofia moral e política, sempre foi questionável. Contudo, hoje em dia, a jactante ambição da ciência económica torna extremamente difícil defender esta afirmação. Quanto mais os mercados invadem esferas não económicas da vida, mais se vêem enredados em questões morais.(...)Se algumas pessoas gostam de ópera e outras de combates de cães ou lutas na lama, precisamos de facto de nos abster de tecer juízos morais e atribuir peso igual a essas preferências no cálculo utilitarista?(...)Quando os mercados corroem normas não mercantis, o economista (ou qualquer outra pessoa) tem de decidir se isso representa uma perda que deveria preocupar-nos.(...)"

Neste tópico, Michael Sandel apresenta um conjunto de problemas educacionais e escolares que abordarei noutros posts.

Já usei parte desta argumentação noutro post.



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Segunda-feira, 21.11.16

 

 

 

A história da distribuição da riqueza é política. Não se reduz a mecanismos puramente económicos. Lê-se em dois clássicos: a "Riqueza das Nações" de Adam Smith ou "O capital no século XXI" de Thomas Piketti. Sempre foi questionável a noção de que a economia é uma ciência independente da filosofia moral e política. A foto, e a sua história, remete-nos para a complexidade do problema: há sempre uns quantos que aspiram enriquecer à custa do trabalho dos outros e o difícil, e belo, exercício democrático consiste em contrariar a natureza humana. Michael Sandel, em "O que o dinheiro não pode comprar", coloca a questão actual assim: "Quanto mais os mercados invadem esferas não económicas da vida, mais se vêem enredados em questões morais.(...)Se algumas pessoas gostam de ópera e outras de combates de cães ou lutas na lama, precisamos de facto de nos abster de tecer juízos morais e atribuir peso igual a essas preferências no cálculo utilitarista?(...)Quando os mercados corroem normas não mercantis, o economista (ou qualquer outra pessoa) tem de decidir se isso representa uma perda que deveria preocupar-nos.(...)" Daí à importância das redes públicas de escolas, como um valor inquestionável das democracias, vai um pequeno passo. Será, contudo, insuficiente, se permitirmos que os mercados invadam desde cedo a vida escolar.

 

Lewis Hine foi um fotógrafo, um dos primeiros, comprometido com a denúncia das condições de trabalho. A foto (Cotton Mill Girl) é de 1908 e foi seleccionada pela "Time como uma das 100 fotografias mais influentes da história".

 

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Sábado, 02.07.16

 

 

 

 

Quem diria que o verbo incentivar explicaria a encruzilhada civilizacional do mundo desenvolvido. Se recuarmos umas décadas, incentivar era a palavra-chave educacional e organizacional. A sua ubiquidade entranhou-se, fazendo com que a lógica racional do mercado condicionasse a socialização e a estruturação das actividades.

 

Steven D. Levitt, em "Freakonomics: o estranho mundo da economia" e mais recentemente Michael Sandel, em "O que o dinheiro não pode comprar", dedicam páginas ao efeito do verbo. O segundo tem um tópico que intitulou "incentivos e dilemas morais", onde se pode ler (página 93):

 

"É fácil deixar escapar a novidade desta definição. A linguagem dos incentivos é um desenvolvimento recente do pensamento económico. A palavra "incentivo" não surge nos escritos de Adam Smith nem nas obras de nenhum dos outros economistas clássicos. Na verdade, só viria a ser introduzida no discurso económico no século XX e apenas adquiriu proeminência nas décadas de 1980 e 1990. O Dicionário Oxford de Inglês indica o seu primeiro uso no contexto da economia em 1943; nas Seleções do Reader' s Digest: "O Sr. Charles E. Wilson (...) está a incitar as indústrias da guerra a adoptarem "remunerações de incentivo" - isto é, pagar mais aos trabalhadores se produzirem mais." O uso da palavra incentivo aumentou drasticamente na segunda a metade do século XX à medida que o predomínio dos mercados e da lógica racional do mercado se consolidava. Segundo uma pesquisa no Google Books, a incidência deste termo aumentou mais de 400% desde a década de 1940 à década de 1990."

 

Esta reflexão explica a crise moral que se observa em paralelo com um inédito desenvolvimento tecnológico que implica uma revolução na organização das sociedades. Se a eliminação do incentivo é uma "impossibilidade" imediata, já o seu uso mais ponderado na educação das crianças contribuirá para a afirmação de políticas sustentáveis.

 

Se para Adam Smith o mercado era uma mão invisível, já para Michael Sandel a generalização dos incentivos tornou-se uma mão pesada e manipuladora. O filósofo dá vários exemplos de incentivos monetários que vão nesse sentido, como os que são dados a troco da esterilização ou de boas notas escolares.

 

Esta prevalência incentivadora não eliminou a distinção entre economia e ética, "entre a lógica racional do mercado e o raciocínio moral. A economia simplesmente não transacciona em moralidade. A moralidade representa a maneira como gostaríamos que o mundo funcionasse e a economia mostra como ele funciona na realidade", explicam Levitt e Dubner.

 

E Michael Sandel acrescenta:

 

"(...)A noção que a economia é uma ciência isenta de juízos de valor, independente de toda a filosofia moral e política, sempre foi questionável. Contudo, hoje em dia, a jactante ambição da ciência económica torna extremamente difícil defender esta afirmação. Quanto mais os mercados invadem esferas não económicas da vida, mais se vêem enredados em questões morais.(...)Se algumas pessoas gostam de ópera e outras de combates de cães ou lutas na lama, precisamos de facto de nos abster de tecer juízos morais e atribuir peso igual a essas preferências no cálculo utilitarista?(...)Quando os mercados corroem normas não mercantis, o economista (ou qualquer outra pessoa) tem de decidir se isso representa uma perda que deveria preocupar-nos.(...)"

 

Neste tópico, Michael Sandel apresenta um conjunto de problemas educacionais e escolares que abordarei noutros posts.

 

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Sexta-feira, 20.05.16

 

 

 

Os adeptos das políticas do Estado mínimo invocam o liberalismo e Adam Smith para justificarem uma superiorida ética da gestão privada. Era bom que mudassem de disco.

 

A queda dos salários, por exemplo, tem de ser acompanhada pela queda dos lucros e das rendas; e com muito cuidado com a perigosa deflação. Adam Smith via essa queda como uma decisão circunscrita às leis e à política. Se analisasse o que se passou em Portugal, seria tão taxativo como Joseph Stiglitz: houve uma transferência inédita de recursos financeiros das classes média e baixa para a banca desregulada e foi esse radicalismo que provocou o empobrecimento.

 

A queda dos salários provocou a subida dos lucros e a manutenção das rendas (estude-se a EDP e outros monopólios). Não será por acaso que os orientais adquirem rendas (no caso EDP os chineses traziam a lição bem estudada e conheciam o fundamental dos aparelhos partidários) e não se metem nos casinos (que conhecem melhor que ninguém) das dívidas públicas como os investidores ocidentais. O que se percebeu nestes "privados" escolares foi a guloseima das rendas a caminho do monopólio; era (e é?) esse o seu confessado objetivo.

 

 

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Adam Smith (2010:171) em Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

 



publicado por paulo prudêncio às 15:46 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 04.04.16

 

 

 

Têm-me solicitado que explique melhor os mais 750 milhões de euros por ano motivados pela redução de alunos por turma.

 

Imaginemos que, em 2013, Nuno Crato não era ministro e se candidatava a director de uma escola. Com o modelo em curso, Nuno Crato, para quem "uma turma com 30 alunos pode trabalhar melhor do que uma com 15. Depende do professor e da sua qualidade", teria todo o apoio do MEC, e bastava-lhe o de uma minoria da "comunidade escolar", para constituir turmas com esse número; e até por excesso e nunca por defeito, naturalmente. Beneficiaria de todas as possibilidades legais para "obrigar" os professores às suas descobertas. É precisamente por causa de casos destes, em que Portugal é fértil, que deve existir um limite máximo legal de alunos por turma.

 

A estimativa de custos da página 45, os tais 753.290 milhões, do estudo do CNE, carece, desde logo, da observação de uma passagem de Adam Smith (2010:80) em Riqueza das Nações: alunos não são alfinetes.

 

Se usássemos uma regressão linear múltipla e se considerássemos os alunos por turma a variável dependente e incluíssemos o número de salas, de escolas, de professores por turma, de alunos por escola e por ano de escolaridade, de professores com insuficiência de serviço e por aí fora como variáveis independentes, verificaríamos da complexidade de se chegar a conclusões numéricas como as que são apresentadas no estudo do CNE.

 

O estudo tem a virtualidade, da página 30 à 41 no capítulo 5, de explicar a sensatez que é reduzir gradualmente o limite máximo de alunos por turma e até de acordo com o parágrafo da página 6, da autoria de David Justino, que é mais avisado do que as conclusões da página 45: "(...)A manutenção do controlo burocrático e centralizado da constituição de turmas deveria naquele contexto dar lugar a um critério mais geral de distribuição de recursos cuja afetação seria da inteira responsabilidade das escolas e agrupamentos, em função das características dos seus alunos e das opções de desenvolvimento educativo consagradas nos seus projetos educativos(...)".

 

A lei em vigor estabelece um limite máximo que não é cumprido pela maioria das turmas dos diversos ciclos, como é o caso que apresento no gráfico que acompanha o post. Se Nuno Crato, por absurdo, dirigisse todas as escolas do país, usaria a metodologia do estudo do CNE, encheria as turmas de acordo com a lei que fez aprovar, cortaria mais uns 10 a 20% no depauperado orçamento da Educação e teria direito a umas belas férias no Panamá financiadas pelas farmacêuticas da área da burnout.

 

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publicado por paulo prudêncio às 16:37 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 24.01.16

 

 

 

Quando falamos de cortes a eito nas pessoas, podíamos acrescentar que é ainda mais grave nas administrações públicas porque há muito que não produzem alfinetes como se leu no exemplo de Adam Smith. São inúmeros os exemplos de multinacionais que entraram em espiral recessiva com os cortes a eito nas pessoas. Nas administrações públicas é ainda pior pois alastra-se à economia.

 

Uma multinacional financia-se nos mercados, procura paraísos fiscais e obedece aos desejos lucrativos dos accionistas. Para isso, tem uma desequilibrada relação entre receitas e despesas que tem que ser favorável à primeira coluna da folha de cálculo: as receitas. Se os lucros baixam, o financiamento exige juros mais elevados e a solução é cortar nas despesas ou aumentar a produção. Em regra, cortar a eito nas pessoas é o que está mais à mão.

 

Se substituir multinacional por administração pública terá um retrato do que se passou em Portugal.

 

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Sábado, 23.01.16

 

 

 

 

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Já Adam Smith via a queda dos salários como um decisão circunscrita às leis e à política. Os salários não caem  porque a sociedade empobreceu primeiro. Se analisasse o que se passa em Portugal, seria tão taxativo como Joseph Stiglitzhá uma transferência inédita de recursos financeiros das classes média e baixa para a banca desregulada e é esse radicalismo que provoca o empobrecimento.

 

Os adeptos das políticas do Estado mínimo, que invocam o liberalismo e Adam Smith para justificarem a queda dos salários como uma consequência do empobrecimento da sociedade, eram mais precisos se remetessem a tese para os "soldados" do Goldman Sachs. Como à frente se verá, a queda dos salários tem que ser acompanhada pela queda dos lucros e das rendas e, naturalmente, por uma perigosa deflação.

 

A queda dos salários está a provocar a subida dos lucros e a manutenção das rendas (estude-se a EDP ou as PPPs). Não será por acaso que os orientais adquirem rendas (no caso EDP os chineses traziam a lição bem estudada e conheciam o fundamental dos aparelhos partidários) e não se metem nos casinos das dívidas públicas como os investidores ocidentais.

 

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Adam Smith (2010:171) em Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

 

 

3ª edição. Reescrito.

 



publicado por paulo prudêncio às 17:01 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 15.10.15

 

 

 

Confesso alguma estranheza com esta súbita luta pelo poder em Portugal e não excluo a autenticidade e o optimismo. Da "Riqueza das Nações" de Adam Smith a "O capital no século XXI" de Thomas Piketti, e passando por Marx, Kuznets e alguns outros, que se pode concluir: "a história da distribuição da riqueza é sempre uma história profundamente política e não poderia ser reduzida a mecanismos puramente económicos". Como se desconfia que a Alemanha e a França desesperam por outro tratado orçamental, e que nem por acaso anunciaram há dias uma possível guerra na Europa, podemos supor que Merkel, Hollande, Juncker e o BCE tenham avisado Cavaco Silva que dispensam "bons alunos" e que "syrizaram".



publicado por paulo prudêncio às 18:23 | link do post | comentar | partilhar

Segunda-feira, 02.02.15

 

 

 

 

Uma multinacional financia-se nos mercados, procura paraísos fiscais e obedece aos desejos lucrativos dos accionistas. Para isso, tem uma desequilibrada relação entre receitas e despesas que tem que ser favorável à primeira coluna da folha de cálculo: as receitas. Se os lucros baixam, o financiamento nos casinos exige juros mais elevados e a solução é cortar nas despesas ou aumentar a produção. Em regra, cortar a eito nas pessoas é o que está mais à mão.

 

Se substituir multinacional por administração pública terá um retrato do que se passou em Portugal.

 

E quando falámos de cortes a eito nas pessoas, podíamos acrescentar que é ainda mais grave na administração pública porque há muito que não produz alfinetes como se leu no exemplo de Adam Smith. São inúmeros os exemplos de multinacionais que entraram em espiral recessiva com os cortes a eito nas pessoas. Nas administrações públicas é ainda pior pois alastra-se à economia.

 

A sério que fiz este post antes de ler Ângelo Correia a comparar um Governo com um banco (se fosse agora usaria Sócrates e Salgado para ilustrar melhor o pensamento) e a desdenhar da consistência política do seu aluno Passos Coelho. Reescrevi-o e republico-o para refrescar memórias.

 

 

 



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Sexta-feira, 04.07.14

 

 

 

 

 

Impressionaram-me, e impressionam-me, os empobrecidos da classe média que defenderam os corruptos, e os seus serviçais, convencidos que eram liberais de direita ou de uma qualquer terceira via. E nesse grupo incluem-se muitos professores que serviram de alguma forma "democratas-cristãos", "sociais-democratas" e "socialistas de vias diversas". É claro que a coberto da ingenuidade navegou muito oportunismo.

 

Já ninguém duvida que "o verdadeiro objectivo dos "planos de resgate" foi salvar bancos" com prémios no modelo-Gaspar e que as PPP´s continuam a derrapar e a sugar o Estado com os mentores a serem defendidos e eleitos pelas vítimas do saque em nome de um liberalismo que porá Adam Smith aos berros; esteja onde estiver. Há consciências à volta da corrupção que só Lacan saberá explicar.

 

 

 

 

 



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Quinta-feira, 20.03.14

 

 

 

 

A era da empatia

Lições da natureza para uma sociedade mais gentil

Frans de Waal 

 

Cortesia do António Ferreira

 

 

"1. Biologia, esquerda e direita

 

 

Mas o que é o governo em si, senão a maior

de todas as reflexões sobre a natureza humana?

 

James Madison, 1788

 

 

Somos nós os responsáveis pela guarda de nossos irmãos? Deveríamos ser? Ou essa função apenas atrapalharia os propósitos pelos quais estamos aqui na Terra — para produzir e consumir, segundo os economistas; para sobreviver e nos reproduzir, segundo os biólogos? Que essas duas visões pareçam tão semelhantes não é uma simples coincidência, uma vez que surgiram aproximadamente na mesma época e no mesmo lugar, em meio à Revolução Industrial inglesa. As duas adotam como princípio a ideia de que a competição é saudável.

 

Pouco tempo antes, e ligeiramente mais ao norte, na Escócia, o pensamento era outro. Adam Smith, o pai da economia, compreendia melhor do que ninguém que a luta em defesa de nossos interesses pessoais necessita ser temperada pelo sentimento de solidariedade. Ele defendeu esse ponto de vista em "A teoria dos sentimentos morais", um livro muito menos conhecido do que "A riqueza das nações". Smith iniciou seu primeiro livro com uma frase memorável:

 

Por mais egoísta que se possa admitir que seja o homem, é evidente que existem certos princípios em sua natureza que o levam a interessar-se pela sorte dos outros e fazem com que a felicidade destes lhe seja necessária, embora disso ele nada obtenha que não o prazer de a testemunhar.(...)"

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 18:29 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sexta-feira, 14.02.14

 

 

 

 

Termos perdido uma boa parte da lógica da cadeia de abastecimento pode ser uma causa primeira do imbróglio em que estamos metidos. Dá ideia que avançarão as sociedades que resistirem e que considerarem o homem em todas as suas dimensões. Encontrei duas passagens interessantes, e intemporais, em Adam Smith (2010:57), Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 09:52 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 09.01.14

 

 

 

 

 

 

Já Adam Smith via a queda dos salários (ou das pensões) como uma decisão circunscrita às leis e à política e sem relação directa com o empobrecimento da sociedade. Se analisasse o que se passa em Portugal seria tão taxativo como Joseph Stiglitz: há uma transferência inédita de recursos financeiros das classes média e baixa para a banca desregulada e é esse radicalismo que provoca o empobrecimento.

 

A queda dos salários e das pensões está a provocar a subida dos lucros e a manutenção das rendas (estude-se a EDP, as PPPs e as Seguradoras tão mediatizadas hoje). Não será por acaso que os orientais adquirem rendas (no caso EDP os chineses traziam a lição bem estudada e conheciam o fundamental dos aparelhos partidários) e não se metem nos casinos das dívidas públicas como os investidores ocidentais.

 

 

 

 

 

 

Adam Smith (2010:171) em Riqueza das Nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 18:34 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sábado, 15.06.13

 

 

 

 

 

O que a edição do Expresso evidencia é que a defesa da escola pública continua a ter raros apoios no arco governativo e nos seus satélites e que as causas dos professores, a tal classe profissional com mais formação no país, parecem assustar os verdadeiros corporativos (grupo minoritário que impede que outros acedam à profissão e que vai alargando a sua rede de privilégios) na definição original de Adam Smith.

 

E depois há uns cronistas com anos a fio de discurso anti-professor. Deve haver por ali um qualquer trauma; só pode ser. Até escolhi apenas o que mais lhe pode interessar, já que o resto da crónica é assim um bocado risível.

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 14:11 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 09.05.13

 

 

 

Uma multinacional financia-se nos mercados desregulados, procura paraísos fiscais e obedece aos desejos lucrativos dos accionistas. Para isso, tem uma desequilibrada relação entre receitas e despesas que tem que ser favorável à primeira coluna da folha de cálculo. Se os lucros baixam, o financiamento nos casinos exige juros mais elevados e a solução é cortar nas despesas ou aumentar a produção. Em regra, cortar a eito nas pessoas é o que está mais à mão.


Se substituir multinacional por administração pública terá um retrato do que se está a passar em Portugal.


E quando falámos de cortes a eito nas pessoas, podíamos acrescentar que é ainda mais grave na administração pública porque há muito que não produz alfinetes como se leu no exemplo de Adam Smith. São inúmeros os exemplos de multinacionais que entraram em espiral recessiva com os cortes a eito nas pessoas. Nas administrações públicas é ainda pior pois alastra-se à economia.


A sério que fiz este post antes de ler Ângelo Correia a comparar um Governo com um banco e a desdenhar da consistência política do seu aluno Passos Coelho.



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Quarta-feira, 10.04.13

 

 

 

 

 

Quando Nuno Crato repete o chavão de que se fará mais com menos, sinceramente que não percebo a operacionalização da coisa. Se o sistema produzisse material (lembro-me dos alfinetes de Adam Smith) mais mensurável do que o vasto conhecimento das sociedades modernas, bastaria reduzir as pessoas e aumentar as horas de produção. Mesmo assim, qualquer manual de economia aconselharia a que se equacionasse a divisão do trabalho e a extensão do mercado para que os resultados não fossem inversos.

 

Portugal tem um despesismo ligado à organização e ao tratamento da informação (a estafada má burocracia) a que o sistema escolar não escapa. Embora essa realidade dificulte o ensino, os indicadores mais variados são peremptórios: fizemos muito mais porque envolvemos mais pessoas e mais recursos nas últimas décadas. A qualidade do ensino também teve avanços significativos e para todo esse progresso muito contribuiu a melhoria dos diversos indicadores da sociedade (redução da pobreza e por aí fora).

 

Foi isso que o Conselho Nacional de Educação veio hoje sublinhar (no linque indicado, no Público, encontrei o gráfico deste post) ao considerar dramática a situação do sistema escolar. Sobre o mesmo assunto, o Sol diz que os alunos portugueses chumbam menos e já têm melhores resultados do que alemães e franceses e o DN afirma que os alunos carenciados conseguem resultados acima da média.

 

O gráfico é elucidativo. Temos muito mais a fazer, mas com a carga curricular desenhada nos achamentos do actual ministro, com menos condições para a profissionalidade dos professores, com mais alunos por turma e com um modelo de gestão escolar que dificulta o apoio aos alunos com mais dificuldades e que lança menos condições organizacionais, os resultados piorarão e corre-se o risco de se perderem os avanços das últimas décadas. E tudo se agravará com uma sociedade mais pobre.

 

O investimento (no gráfico escreve-se despesa) em Educação já está com números de 2001 e em percentagem do PIB com indicadores semelhantes a 1989.

 

 



publicado por paulo prudêncio às 19:14 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Terça-feira, 09.04.13

 

 

 

 

 

Alguns adeptos das actuais políticas do Estado mínimo invocam o liberalismo e Adam Smith para fundamentarem que a queda dos salários é uma consequência do empobrecimento da sociedade.

 

Era bom que remetessem para os "soldados" do Goldman Sachs a tese que indica a obrigatoriedade da queda dos salários para que o empobrecimento da sociedade possa ser sustido e mais tarde contrariado. A queda dos salários tem de ser acompanhada da queda dos lucros e das rendas e, naturalmente, por uma perigosa deflação.

 

Adam Smith via a queda dos salários como um decisão circunscrita às leis e à política e sem relação directa com o empobrecimento da sociedade. Se analisasse o que se passa em Portugal seria tão taxativo como Joseph Stiglitz: há uma transferência inédita de recursos financeiros das classes média e baixa para a banca desregulada e é esse radicalismo que provoca o empobrecimento. A queda dos salários está a provocar a subida dos lucros e a manutenção das rendas (estude-se a EDP ou as PPPs e por aí fora). Não será por acaso que os orientais adquirem rendas (no caso EDP os chineses traziam a lição bem estudada e conheciam o fundamental dos aparelhos partidários) e não se metem nos casinos das dívidas públicas como os investidores ocidentais.

 

 

 

 

 

Adam Smith (2010:171) em Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.



publicado por paulo prudêncio às 11:23 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 02.04.13

 

 

 

 

 

A proposta da UGT, a que só a CGTP se opõe, que remete para o Estado o financiamento do aumento do salário mínimo com a redução da TSU, será mais uma história que explicará a encruzilhada em que estamos metidos.

 

O facto do secretário de Estado do emprego ser vice-presidente da UGT, a nomeação foi anunciada com o objetivo da concertação social e só é possível numa democracia em crise profunda, pode explicar qualquer coisa. Os últimos Governos do PS mantiveram uma promiscuidade inadmissível com sindicatos da Fenprof e o actual Governo exerce relações do género com sindicatos da FNE. A ausência de separação de poderes é grave para o Estado de direito, dei exemplos que conheço e é natural que se passem fenómenos semelhantes noutras áreas.

 

Ainda ontem se soube que em Espanha há relações muito pouco transparentes entre membros de Governos e chefes de sindicatos dos equivalente às duas centrais sindicais portuguesas e que envolvem milhões de euros.

 

Os ultraliberais de serviço, nas suas estafadas acusações de corporativismo, esquecem-se sempre do corporativismo (ler o post "da génese das corporações") das organizações patronais que parece incluir dirigentes sindicais. Este desequilíbrio é fatal para a democracia, como se comprova, e é denunciado desde o início até por quem pensou o liberalismo. Defender a liberdade individual, mesmo que até às últimas consequências, não significa usar o financiamento dos contribuintes para sustentar oligarquias com benesses ilimitadas.

 

 

 

 

 

Adam Smith (2010:179) em Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.



publicado por paulo prudêncio às 10:45 | link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

Segunda-feira, 01.04.13

 

 

 

 

Os ultraliberais do arco governativo passaram, e passam, o tempo a acusar os professores portugueses de corporativismo. Não é uma classificação que me desagrade, apesar da forma injusta como é usada já que se "promove" com frequência os deveres de cidadania e os méritos da defesa da escola pública e da profissionalidade dos professores. Como é que se cumpre esse dever cívico sem uns laivos de corporativismo é que gostava de saber. Saliente-se que os professores que mais se expõem nesse papel são os primeiros na autocrítica do grupo profissional ou da cultura organizacional das escolas.

 

Esses acusadores recorrem com frequência ao "pai do liberalismo". Ora, Adam Smith foi claro: as corporações nascem de grupos minoritários de indivíduos que impedem o acesso de outros à profissão - o exercício deveria, portanto e para não ser corporativo, ser mais alargado e gerar mais emprego - e que mantêm esses privilégios durante várias gerações.

 

No caso dos professores portugueses, a acusação em relação aos últimos anos carece de fundamentação. Já os lucros do capital dos empreendedores das cooperativas de ensino encostadas ao Estado português, e sem transparência, entra mais directamente na classificação corporativa.

 

 

 

Adam Smith (2010:169) em Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.



publicado por paulo prudêncio às 20:46 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 24.02.13

 

 

 

 

 

 

Imagem sem referência a direitos de autor.

 

 

 

Quando alguém quer dar mais crédito ao discurso sobre cultura organizacional invoca o substantivo empresa. Este empreendimento de difícil execução com fins lucrativos ocupa o lugar cimeiro na imagem de mercado deste tipo de saberes. Todos os modelos organizacionais devem, se querem ter poder legislativo, adaptar-se à pirâmide empresarial.

 

Os organigramas piramidais apenas oscilam no número de patamares. Os modelos tayloristas (com muitos e rígidos patamares) suavizaram-se com as ideias de empowerment (negociação de decisões) e downsizing (achatamento do modelo). E porquê? Porque o topo percebeu que estava longe da primeira linha e que perdia o controlo imediato (a tão famigerada informação de retorno imediato (feedback)) da frente de produção com prejuízo significativo para a empresa.

 

Podemos afirmar que é a imposição empresarial piramidal que acentua a crise que parece acompanhar as organizações escolares. E porquê? Porque a primeira linha das escolas é uma sala de aula que só existirá enquanto garantir a liberdade de ensinar e de aprender e, como se comprova, de dificílimo feedback. Se perder o axioma poderá existir, mas não será uma sala de aula de dimensões humanas.

 

Nesse sentido, devemos considerar que o organigrama das escolas deve ser de geometria variável, construído com fundamentos teóricos e empíricos e não fotocopiáveis. Na escola, tudo começa e acaba na sala de aula e o que gira em torno da sua existência só tem um sentido: melhorar as condições de realização de cada uma delas.

 

Aos ultraliberais que impõem às escolas os pirâmides empresariais, não chega socorrerem-se de Adam Smith e da sua divisão do trabalho. O pai da economia política referia-se a fábricas de alfinetes e não a organizações produtoras de conhecimento sem fins lucrativos imediatos.

 

 

 

 

 

 

Adam Smith (2010:80) em Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

 



publicado por paulo prudêncio às 17:50 | link do post | comentar | partilhar

Sábado, 23.02.13

 

 

 

 

Vi ontem, embora com alguma desatenção, o expresso da meia-noite da SICN sobre o o nosso descalabro financeiro. Na primeiro ronda chamou-me à atenção um economista mais destemido (do género ultraliberal-fanático-do-Estado-mínimo).

 

Na sua segunda intervenção, José Carneiro avançou com a mudança radical de paradigma, meteu a história das últimas duas décadas da Suécia na discussão (os outros intervenientes avisaram-no que a história vai para além disso) e, em desespero argumentativo, socorreu-se de Adam Smith (que deve dar voltas no túmulo com tanto citador instantâneo) e do "(...)pouco mais é necessário para erguer um Estado, da mais primitiva barbárie até o mais alto grau de opulência, além de paz, de baixos impostos e de boa administração da justiça: todo o resto corre por conta do curso natural das coisas.(...)".

 

Bastava que alguém lhe dissesse que foi o mesmo liberal quem escreveu que"(...)a riqueza de uma nação mede-se pela riqueza do povo e não pela riqueza dos príncipes.(...)" para que o estranho nervoso que estava a evidenciar se acentuasse.

 

Tive curiosidade e fui saber quem era.

 

É que nos últimos dias estranhei a presença mediática de Lurdes Rodrigues (até José Sócrates voltou a publicitar a sua actividade profissional). Depois de saber quem era o economista radical ((...)Antes de ingressar na FLAD (para onde também foi promovida Maria L. Rodrigues) em Abril de 2011, José Sá Carneiro, economista, exerceu a sua actividade profissional no Norte de Portugal: desde 2000 como Director-Coordenador de Investimento Imobiliário no Banco Privado Português (BPP)(...)), fiquei ainda mais convencido que se iniciou mais uma série do império ataca.



publicado por paulo prudêncio às 16:34 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Sexta-feira, 01.02.13

 

 

 

 

 

As questões de "ser" e"dever ser" atravessam a História e a economia política não foge a issoSe Adam Smith é considerado uma espécie de pai do Liberalismo e do primado do individual, Marx e Keynes surgem, mais o primeiro, claro, como a outra categoria da contradição.

 

Quando as lutas sociais atingem picos, como acontece na sociedade portuguesa, são comuns as críticas aos que se movem apenas por interesses particulares. Tenho percebido que não escapamos a esse pragmatismo e principalmente quando o triunfo do Liberalismo, ainda por cima prefixado com o ultra ou o neo, parece afirmar-se ainda sem contraditório modelar.

 

Quem desenha formas de contestação a essa totalidade tem de equacionar que os humanos vão paulatinamente assumindo as tendências da corrente dominante, nem que seja como mecanismo de sobrevivência, como sublinhou Adam Smith (2010:63) em Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 21:15 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Quinta-feira, 31.01.13

 

 

 

 

Há tempos escrevi assim:

 

 

"Os livros de Miguel Real, "Nova teoria do Mal" e de Andrei Platónov, "A escavação", parecem fechar uma espécie de trilogia com o livro de Gilles Châtelet, "Vivermos e pensarmos como porcos" (sobre o incitamento à inveja e ao tédio nas democracias-mercados).

 

A contra-capa do último diz assim: "Poder-se-à reduzir a humanidade a uma mera soma estatística de cidadãos-consumidores que se vão entredevorando pelo tédio e pela inveja?(...)"

 

O livro de Gilles Châtelet começa com a seguinte advertência: "Antes de mais, que fique bem entendido que nada tenho contra o porco - essa "besta singular" de focinho subtil, que em todo o caso é bastante mais refinado do que nós em matéria de tacto e de odor. Mas que fique igualmente bem entendido: detesto a glutonaria açucarada e a tartufice humanitária daquilo a que os nossos amigos anglo-saxónicos chamam a formal urban middle class da era pós-industrial.(...)"


Encontrei há pouco em Adam Smith (2010:61), Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, uma passagem interessante sobre o assunto. Adam Smith reconhece que o mal é uma espécie de oxigénio da sociedade, que o devemos olhar como natural e que funciona como cimento social.

 

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 22:19 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Terça-feira, 15.01.13

 

 

 

Termos perdido a lógica da cadeia de abastecimento é a causa do imbróglio em que estamos metidos. Avançarão as sociedades que considerarem o homem em todas as suas dimensões. Encontrei duas passagens interessantes, e intemporais, em Adam Smith (2010:57), Riqueza das nações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Adam Smith (2010:57). Riqueza das nações. Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa.



publicado por paulo prudêncio às 15:17 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 03.01.13

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Adam Smith (2010:30). Riqueza das nações. Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa



publicado por paulo prudêncio às 21:48 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 02.01.13

 

 

 

 



"Em Março de 1776, (...), aparecia nos escaparates de Londres uma novidade literária. (...)Era seu autor o Dr. Adam Smith (...)", é assim que começa o prefácio à edição portuguesa da "Riqueza das nações" de Adam Smith (2010), Fundação Calouste Gulbenkian.


Já passei os olhos pelos dois volumes, estou fascinado com esta obra maior que muitos consideram o princípio da economia política e que está ao nível de Marx e Keynes. Tem um valor histórico inultrapassável e tem de se considerar que a economia política teve um espantoso desenvolvimento nos cerca de 200 anos que se seguiram. Já tinha lido partes da obra, mas só agora a consegui adquirir e a preços verdadeiramente ajustados. A Festa dos Livros 2012 da Gulbenkian tem diversas pérolas irresistíveis e é mesmo uma Festa bem pensada.

 

 

 

Da página V do citado prefácio.



publicado por paulo prudêncio às 17:16 | link do post | comentar | partilhar

Quinta-feira, 27.12.12

 

 

 

 

 

 

 

É estranho ouvir dizer que se desconhece o que é o neoliberalismo e depois escutar os mesmos a teorizar sobre a avaliação de pessoas. Se não desconhecem a história, então há um qualquer interesse inconfessável.

 

Dizer que a avaliação das pessoas tem de ser uma exigência diária que institua a meritocracia, é uma linguagem bem-pensante e sedutora que se pode transformar em totalitária. Foi assim no caso France Telecom. A avaliação do desempenho profissional tem de ser discutida no âmbito da sua aplicabilidade. Para percebermos o que querem os ultraliberais, temos de os obrigar a determinarem com rigor a medição dos resultados da produção e a estabelecerem quem-avalia-quem. Nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático.

 

Quando essa espécie de políticos se escondem na negação do neoliberalismo, trazem à memória os outrora novos liberais que diziam que Keynes, Stuart Mill ou Adam Smith tinham sido liberais da mesma colheita anglo-saxónica.

 

Espalham-se duplamente. Os tempos são outros e os pensamentos dos autores citados têm de ser contextualizados.

 

As propostas que apareceram, evidenciaram o serviço do neo no neoliberalismo e sustentaram os argumentos dos que apontaram para um liberalismo contemporâneo que tem muito a ver com Milton Friedman e que está fora de Keynes, de Adam Smith ou de Stuart Mill.

 

É um liberalismo com neo que branqueia poderes privados não sufragados pelo voto e que estão acima de qualquer prestação de contas. Esses neoliberais só se importunam com o poder político, mesmo com o que tem legitimidade democrática.

 

É um liberalismo que "desconhece" a "cartelização de capitais" e que tem influência suficiente para nos penhorar a todos sem remissão. Pois é. É um liberalismo que justifica um prefixo ainda mais nocivo: ultra, por exemplo.

 

"cartelização de capitais", que também negarão servir, repito, é a que nos exige um soldo para termos direito ao oxigénio e ao emprego.






Este texto é inspirado noutro

post que escrevi há uns anos.



publicado por paulo prudêncio às 21:08 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 10.06.12

 

 

 

 

Foi estranho ouvir pessoas do grupo "mais sociedade" dizerem que desconheciam o que é o neoliberalismo e depois ouvi-las a teorizar sobre a avaliação de pessoas. Se não desconheciam a história, então eram um caso que se devia considerar.

 

Dizerem que a avaliação das pessoas tinha de ser uma exigência diária que institua a meritocracia, foi uma linguagem bem-pensante e sedutora que se podia transformar em totalitária, como foi exemplo o caso France Telecom. A avaliação do desempenho profissional tem de ser discutida no âmbito da sua aplicabilidade.

 

Para percebermos o que queriam esses ultraliberais, tínhamos de os obrigar a determinarem com rigor a medição dos resultados da produção e a estabelecerem quem-avalia-quem. Como alguém disse, nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático.

 

Quando essa espécie de políticos se esconderam na negação do neoliberalismo, trouxeram à memória os outrora novos liberais que diziam que Keynes, Stuart Mill ou Adam Smith tinham sido liberais da mesma colheita anglo-saxónica.

 

Espalharam-se duplamente. Os tempos são outros e os pensamentos dos autores citados estão escritos e contextualizados. As propostas que a "mais sociedade" apresentou, evidenciaram o serviço do neo no neoliberalismo e sustentaram às claras o argumentário dos que apontavam para um liberalismo contemporâneo que tinha muito a ver com Milton Friedman e que estava fora de Keynes, de Adam Smith ou de Stuart Mill.

 

O que ninguém duvida é que esse liberalismo com neo branqueia poderes privados não sufragados pelo voto e está acima de qualquer prestação de contas. E a "mais sociedade" só se importunou com o poder político, mesmo com o que tinha legitimidade democrática.

 

Esse liberalismo "desconhece" a "cartelização de capitais" e tem influência suficiente para nos penhorar a todos sem remissão. Pois é. É um liberalismo que justifica um prefixo ainda mais nocivo: ultra, por exemplo. Na Europa essa questão vai colocar-se nos tempos mais próximos e voltarei ao assunto.

 

"cartelização de capitais", que a "mais sociedade" também negava servir, repito, é a que nos exige um soldo para termos direito ao oxigénio e ao emprego.

 

 

 

 

 

(Já usei este texto noutro post)

 

 



publicado por paulo prudêncio às 10:01 | link do post | comentar | partilhar

Quarta-feira, 30.11.11

 

 

 

É estranho ouvir dizer que se desconhece o que é o neoliberalismo e depois escutar os mesmos a teorizar sobre a avaliação de pessoas. Se não desconhecem a história, então são um caso que se deve considerar.

 

Francamente: dizer que a avaliação das pessoas tem de ser uma exigência diária que institua a meritocracia, é uma linguagem bem-pensante e sedutora que se pode transformar em totalitária; como é exemplo o caso France Telecom. A avaliação do desempenho profissional tem de ser discutida no âmbito da sua aplicabilidade. Para percebermos o que querem os ultraliberais, temos de os obrigar a determinarem com rigor a medição dos resultados da produção e a estabelecerem quem-avalia-quem. Como alguém disse, nem um calceteiro pode ser avaliado de um modo puramente quantitativo e meritocrático.

 

Quando essa espécie de políticos se escondem na negação do neoliberalismo, trazem à memória os outrora novos liberais que diziam que Keynes, Stuart Mill ou Adam Smith tinham sido liberais da mesma colheita anglo-saxónica.

 

Espalham-se duplamente. Os tempos são outros e os pensamentos dos autores citados estão escritos e contextualizados.

 

As propostas que agora aparecem, evidenciam o serviço do neo no neoliberalismo e sustentam às claras o argumentário dos que apontam para um liberalismo contemporâneo que tem muito a ver com Milton Friedman e que está fora de Keynes, de Adam Smith ou de Stuart Mill.

 

É um liberalismo com neo que branqueia poderes privados não sufragados pelo voto e que estão acima de qualquer prestação de contas. Esses neoliberias só se importunam com o poder político, mesmo com o que tem legitimidade democrática.

 

É um liberalismo que "desconhece" a "cartelização de capitais" e que tem influência suficiente para nos penhorar a todos sem remissão. Pois é. É um liberalismo que justifica um prefixo ainda mais nocivo: ultra, por exemplo.

 

"cartelização de capitais", que também negarão servir, repito, é a que nos exige um soldo para termos direito ao oxigénio e ao emprego.



publicado por paulo prudêncio às 18:26 | link do post | comentar | partilhar


Inauguração do blogue
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