Em busca do pensamento livre.

Domingo, 10.09.17

 

 

 

"Há sete anos que não entravam tantos alunos no ensino superior", "na 1.ª fase dos concursos nacionais entraram 44 613 alunos, o melhor registo da década e um dos melhores de sempre" e "prioridade é atrair estudantes do ensino profissional para o superior". É positivo em qualquer ponto de vista e é importante sublinhar que apenas "40% dos jovens de 20 anos estão no ensino superior". 

 

Adenda: o ministro do ensino superior acrescentou números: 80% dos alunos do ensino secundário "regular" vão para o ensino superior; 12% dos alunos do ensino secundário profissional vão para o ensino superior; há muito a fazer, realmente.



publicado por paulo prudêncio às 11:44 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Sábado, 03.12.16

 

 

 

As universidades e os politécnicos devem organizar o acesso ao ensino superior. O ensino secundário, para além de obrigatório, deve certificar o fim de um ciclo de estudos. É uma mudança difícil, mas ficaremos com mais sociedade e melhor escola e com crianças com mais tempo para brincar. O regime actual estimula, por incrível que pareça e desde os seis anos de idade, muitos trabalhos de casa, muitos exames, muitas explicações, quadros de honra nos primeiros ciclos de escolaridade e ocupação total do tempo em instituições. Para além, como se sabe, das componentes críticas do ensino secundário vigente. Não há regimes de acesso perfeitos, mas o existente provoca, e há muito, consequências negativas directas e indirectas.

 

mafalda-2

 



publicado por paulo prudêncio às 11:48 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 17.07.16

 

 

 

 

Não haverá sistema perfeito de acesso ao ensino superior, mas o sistema português, que detecta há muito injustiças graves, teima em não eliminar o ruído mais ensurdecedor. A decisiva média do final do ensino secundário vai muito para além dos exames do 12º ano (valem 30% da classificação nas respectivas disciplinas; os restantes 70% correspondem à classificação interna atribuída pelos professores das disciplinas) e inclui a classificação em disciplinas sem exame. 

 

A Gazeta das Caldas relata aqui uma situação que está longe de ser um caso isolado ou sequer uma novidade.

 

Captura de Tela 2016-07-17 às 01.09.13.png

 



publicado por paulo prudêncio às 10:00 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Domingo, 25.01.15

 

 

 

A batota no acesso ao superior já leva umas duas décadas a promover um rol de injustiças e de salve-se quem puder. Conhecem-se os principais instrumentos causadores da vergonha institucionalizada. Fica a ideia que a falta de coragem do poder político ficou sempre ligada à capacidade dos aparelhos partidárias para tratarem dos seus e das suas clientelas. A última década do sistema escolar ficou marcada por um conjunto de políticas que acentuaram o descrito. Não há nada a fazer? Há e, bem pelo contrário, até está tudo por fazer outra vez.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 09:20 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Terça-feira, 09.12.14

 

 

 

 

Os últimos dias voltaram a mediatizar a crescente desistência escolar dos jovens que terminam o ensino secundário. A ideia errada de que não vale a pena ter um curso superior aparece como a causa primeira. É evidente que a empregabilidade dos cursos superiores é determinante, mas a variável que vai crescendo, e que uma natural vergonha impede a verbalização, é o empobrecimento. Os jovens percebem que a família não conseguirá responder ao esforço financeiro e "ajudam" desistindo com "dignidade".

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 10:21 | link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Domingo, 21.09.14

 

 

 

 

Já fiz uma leitura na diagonal do relatório, do CNE, "Estado da Educação 2013", que é, se me permitem, um importante contributo mesmo que se evidencie a sua marca ideológica. Certifica o brutal desinvestimento na Educação.

 

A inflação das notas no secundário e nos cursos de formação de professores preenche a agenda mediática da Educação em consequência do relatório e das entrevistas do presidente do CNE. O ensino privado é acusado de inflacionar as classificações. É recorrente a acusação de que os colégios privados facilitam, por exemplo, o acesso às respostas de escolha múltipla nos exames do secundário e que os cursos de professores do ensino superior privado, que incluem estágio integrado (pasme-se), fazem "batota" (são estas as palavras atribuídas ao presidente do CNE).

 

É evidente que não basta apontar o dedo, é preciso agir.

 

Por exemplo, é comum falar-se da "batota" dos colégios privados nos exames do secundário para uma melhor fotografia nos rankings. É importante não omitir que a fotografia nos rankings dos jornais (com todo o respeito, valem o que valem e são muitas vezes mais uma espécie de atrevimento lusitano desconhecido no mundo conhecido) também se faz à custa da exclusão dos alunos que podem estragar a média. Ainda mais determinante na discussão da inflação batoteira é a nota de acesso ao ensino superior que não se apura apenas com as notas dos exames.

 

Por outro lado, é ainda sei lá o quê pensar-se que se reduz a "batota" nas contratações dos professores criando fómulas, mesmo que competentes, para dar corpo a epifanias como as que regulam o concurso "Bolsa de Contratação de Escola".

 

Há muito para fazer, mas com ideias despidas de tanto preconceito contra a escola pública e assentes num valor inalienável das democracias: a igualdade de oportunidades.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 18:50 | link do post | comentar | ver comentários (4) | partilhar

Quarta-feira, 16.07.14

 

 

 

 

Se o número de vagas para o ensino superior já caiu para níveis de 2008, veremos o que acontecerá com o número de candidatos. A descida desta última variável contiunará nos próximos anos e convenço-me que atingirá até as áreas com mais vagas: engenharias, ciências empresariais e saúde.

 

Para tapar o descalabro bancário associado à corrupção e aos offshores (hoje já ninguém duvida que foi assim), o Governo para além da troika decidiu que o alvo principal dos cortes a eito seria o ensino não superior (o ensino superior encolheu os ombros). A tragédia agravou-se com a alteração de sentido dos fluxos migratórios e com o empobrecimento generalizado de quem "contribuiu" para a "saúde" dos banqueiros. A quebra da natalidade acentua a "incerteza" com o futuro.

 

O número de alunos do não superior diminuiu e as condições de realização do ensino (aumento dos alunos por turma e por aí fora) pioraram. Há, naturalmente, mais alunos no ensino secundário (escolaridade obrigatória até ao 12º ano), mas com números muito inferiores ao esperado uma vez que as ofertas fora do ensino regular já ultrapassam os 50%. A situação agrava-se com o empobrecimento que obriga os alunos a não escolherem o curso de ciências e tecnologias no ensino secundário por impossibilidade das depauperadas finanças familiares e Portugal abandonou, como se sabe, o ensino de adultos.

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 16:00 | link do post | comentar | ver comentários (6) | partilhar

Terça-feira, 10.06.14

 

 

 

 

"Menos alunos inscritos para exames e também menos candidatos ao ensino superior — é este o cenário do final deste ano lectivo", informa o Público. E acentuar-se-á a redução de alunos no ensino superior e nada disso terá uma qualquer relação com a natalidade.

 

Mais de 50% dos alunos do ensino secundário não frequentam as escolas públicas que em muitos concelhos têm condições para todas as ofertas necessárias. O mercado (selvagem) da Educação atingiu um pico inaceitável. Se o que acabou de ler não for invertido, o ensino superior reduzir-se-á a números de frequência equivalentes às décadas de setenta e oitenta do século passado. Continuam a existir a jovens que "desistem" ainda nos segundo e terceiro ciclos e dos que chegam ao ensino secundário mais de 50% nem sequer fazem os exames do 12º ano.

 

Se continuarmos com as políticas dos últimos três anos, a médio prazo teremos números que nos voltarão a envergonhar e o desenvolvimento do país seriamente comprometido. Será o empobrecimento comprovado.



publicado por paulo prudêncio às 21:18 | link do post | comentar | partilhar

Domingo, 04.05.14

 

 

 

 

Já tropeçamos com o uso inchado da designação Top Performers (melhores desempenhos) e o futuro da classificação parece arrebatador como selo de qualidade infinita. Ainda há meses, e a propósito da subida de Portugal no PISA, um dos SE do MEC referia a obra dos nossos Top Performers que nos colocava algures no anelar Saturno.

 

Os Top Perfomers com significado no mercado total (TPSMT) fazem constar que dedicam horas e exclusividade ao treino intensivíssimo de operações lógicas: chegar vertiginosamente ao resultado é o desafio da vida. Há já quem associe o brutal preço da desigualdade ao desempenho insensível e de casino a um género de TPSMT como produto do mercado e da meritocracia (e, obviamente, também da falsificação), outrora os supra dos TPSMT; e não há na crítica qualquer menosprezo pelo esforço e pelo estudo livre e empenhado, apenas se olha para o estado do mundo e para a importância da insubstituível dimensão plural da humanidade.

 

O fim-de-semana encheu as primeiras páginas dos jornais com a batota dos privados nas notas de acesso ao ensino superior. Há quem advogue a escolha dos alunos pelas escolas do ensino superior (talvez agora, e com a ubiquidade da crise, os superiores se dêem ao trabalho) e se atenue a prevalência do mercado neste domínio tão determinante para as desigualdades.

 

Quem anda no terreno não se surpreendeu com as conclusões do estudo. São conhecidas e inúmeras as ficções. É conhecida a história do jovem que não aguentou e desabafou junto da antiga professora da escola pública: "O meu 20 a matemática no exame do 12º ano feito no colégio estava todo no quadro. Por favor, nunca diga que fui eu quem contou". É uma história arrepiante, relativamente recente e que compromete uma série de actores; o peso na consciência do infractor deixa marcas. Ficção ou não, este género de narrativa é vulgar. É todo um estado a que chegámos, que não pode ser ignorado e que exige medidas.

 

Estamos cansados de ouvir que "dos fracos não reza a história" como caminho para a meritocracia aplicada aos filhos dos outros. Este anuncio do fim da história é pouco rigoroso. Até na selva, e mesmo considerando as necessidades da cadeia alimentar, a cooperação é um valor precioso para a sobrevivência, para a superação do mal e para a felicidade da espécie.

 

 

 

 

Primeira página do Expresso.

 

 

 

Primeira página do Público.

 

 

 

 

 



publicado por paulo prudêncio às 16:37 | link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Quinta-feira, 14.06.12

 

 

 Notícia de um jornal diário.

 

E de repente, as classificações dos alunos no acesso ao ensino superior estão a gerar uma acesa e pouco edificante discussão por causa desta "eliminação" das notas em Educação Física. Num sistema escolar comprovadamente desmiolado, é natural que o acesso ao ensino superior cumpra a regra.

 

Tenho lido os posts e os respectivos comentários na blogosfera. O Miguel Pinto traça aqui quatro cenários muito bem fundamentados e o Paulo Guinote, com a sensatez habitual, insere o seguinte comentário, que é uma espécie de oxigénio ao caos e em que aprecio a simplicidade como resultado do conhecimento e do estudo, neste seu post:

 

"Quando entrei na Faculdade a fórmula permitia deixar para trás a nota mais baixa do 12º ano. E eram apenas 3 disciplinas.
O modelo poderia ser esse."

 

Pode saber mais aqui.

 



publicado por paulo prudêncio às 19:24 | link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

Sexta-feira, 02.03.12

 

 

Foi lançada a confusão nas regras de acesso ao ensino superior. O MEC prorrogou o prazo até 9 de Março para o concurso que terminava hoje.

 

Não conseguimos consolidar procedimentos. Parece uma intenção de pré-emigração.

Prazo para inscrição na 1ª fase dos exames nacionais prorrogado até 9 de Março

A confusão lançada pela recente alteração das regras do acesso ao Ensino Superior para os alunos do Ensino Recorrente levou hoje o Ministério da Educação e Ciência a prorrogar até 9 de Março, para a totalidade dos estudantes, o prazo de inscrição na primeira fase de exames nacionais, que terminava hoje.



publicado por paulo prudêncio às 23:11 | link do post | comentar | partilhar


Inauguração do blogue
25 de Abril de 2004
Autor:
Paulo Guilherme Trilho Prudêncio
Discordâncias:
Mais até por uma questão estética, este blogue discorda ortograficamente
arquivo
comentários recentes
Não vi. Mas fui agora pela box e lá está a confirm...
“A carreira dos professores é mais generosa do que...
Bem: até pode ser mais prolongado no tempo se for ...
O que impressiona, é que apenas se devassa e escru...
considero que só há uma saída airosa: os professor...
e quem são os que estão dependentes de vagas decid...
considero que só há uma saída airosa: os professor...
subscrever feeds
mais sobre mim
Por precaução
https://www.createspace.com/5386516
ligações
blog participante - Educaá∆o - correntes .jpg
tags

antero

avaliação do desempenho

bancarrota

blogues

campanhas eleitorais

cartoon

circunstâncias pessoais

coisas tontas

concursos de professores

contributos

corrupção

crise da democracia

crise da europa

crise financeira

desenhos

direitos

economia

educação

escolas em luta

estatuto da carreira

falta de pachorra

filosofia

fotografia

gestão escolar

história

humor

ideias

literatura

luís afonso

movimentos independentes

música

paulo guinote

política

política educativa

professores contratados

público-privado

queda de crato

rede escolar

ultraliberais

vídeos

todas as tags

favoritos

bloco da precaução

pensar o sistema escolar ...

escolas sem oxigénio

e lembrei-me de kafka

as minhas calças brancas ...

as minhas calças brancas ...

reformas e remédios (1) -...

sua excelência e os númer...

posts mais comentados
Razões de uma candidatura
https://www.createspace.com/5387676